5 tecnologias que estão mudando a agricultura

Avanços tecnológicos recentes, especialmente na telefonia móvel e popularização da banda larga, têm tornado o mundo do agricultor moderno cada vez mais hightech. Citamos aqui cinco das inovações que têm o potencial de melhorar em muito o trabalho do produtor rural, facilitando atividades complexas, diminuindo tempo de tarefas que antes levavam dias, aumentando a precisão de aplicações, reduzindo custos e maximizando produtividade

 

1. Imagens de Satélites

O primeiro satélite a ser lançado no mundo, o Sputnik 1, foi lançado há quase 60 anos. Por que colocaríamos algo tão antigo entre as novas tecnologias?

Bom, por algumas décadas, satélites serviam principalmente para a telecomunicação, enquanto aqueles que faziam imagens eram essencialmente de uso militar. Satélites comerciais com câmeras capazes de fazer imagens com resolução suficiente para se utilizar na agricultura são extremamente recentes, com pouco mais de dez anos de idade. Só recentemente começou-se a utilizar em maior escala, redução de preços e aumento da resolução das imagens, bem como a possibilidade de se tirar fotos da mesma fazenda em períodos curtos.

Imagens aéreas frequentes e com boa resolução de seu campo podem lhe dar informações valiosas, que precisariam de horas ou dias de trabalho para se extrair, trabalhando do chão.

 

Imagem de satélite tirada de área rural do Kansas, Estados Unidos

Isso porque plantas e solo absorvem e refletem luz solar, e a quantidade e cor refletida podem falar muito de suas condições. Além disso, satélites podem tirar fotos de diversos comprimentos de onda além da luz visível, e uma mudança no reflexo de comprimentos de ondas que o olho humano não enxerga pode significar um problema na planta que nós não enxergaríamos, mesmo próximos dela.

Imagens de satélites dos últimos anos podem, antes da semeadura, mostrar ao produtor quais são as áreas de sua fazenda com maior potencial produtivo e quais precisarão de mais adubo, por exemplo. Já ao longo do cultivo, as fotos aéreas podem mostrar problemas de irrigação e de nutrientes, o quanto as plantas vêm crescendo, e especialmente podem indicar anomalias na saúde das plantas, causadas por doenças ou pragas, dias antes do que seriam identificadas por revisões em terra.

 

2. Drones

Também chamados de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT, na sigla em português), os drones são mais uma tecnologia de longo uso militar cujo uso civil só se multiplicou nos últimos anos. Hoje é utilizado especialmente para fotos e filmagens aéreas, mas há imensas possibilidades de uso, de entrega de produtos em casa a pedidos de casamento. A popularidade dos drones é tanta, no mundo inteiro, que muitos países estão tendo que criar leis específicas para o controle aéreo destes veículos, para que não haja acidentes com vôos comerciais.

Na agricultura, as principais possibilidades são semelhantes às fotos de satélites, com a vantagem para os drones de serem muito mais baratos e com melhor resolução. Além disso, caso você mesmo compre um drone, a frequência de fotos só depende de você, sem a necessidade de uma empresa intermediária. Por exemplo, recentemente nós aqui da AEGRO adquirimos um veículo que permite que nós mesmos programemos pontos no mapa, e o drone levanta vôo, vai até os pontos, tira fotos e volta sem que ninguém precise pilotá-lo.

Entre outros usos do drone na agricultura, há ainda a pulverização de defensivos em lavouras, o que pode diminuir os custos de uma aplicação aérea e aumentar sua precisão, devido à maior proximidade de vôo do drone a um avião convencional. No entanto, quanto mais componentes um drone possui, mais caro e pesado ele fica, diminuindo sua versatilidade de vôo, que é sua grande vantagem.

 

3. Sensores

Imagens da lavoura tiradas de satélite ou de drones podem indicar problemas de nutrientes ou irrigação do solo, mas dificilmente terão certeza o suficiente para indicar exatamente qual é o problema. Para isso, é necessário que se vá ao local e tire amostras do solo. Além disso, provavelmente quando os problemas do solo são vistos em imagens, eles já chegaram às plantas, e algumas perdas já podem ter sido irrecuperáveis.

Drones e sensores podem atuar conjuntamente na agricultura, para maximizar a obtenção e precisão de dados. Foto: Wikipedia

Com a banda larga móvel, passou a ser muito mais fácil que se deixe na lavoura sensores que monitoram continuamente condições do solo e da atmosfera e mandem essas informações em tempo real para o produtor – ou até para outras máquinas, como bombas d’água, e controlem automaticamente seu funcionamento. Além de diminuir a necessidade de coletas constantes de material, a tecnologia permite que decisões sobre aplicações sejam tomadas muito mais rapidamente, diminuindo consideravelmente as perdas.

 

4. Máquinas inteligentes

O maquinário agrícola moderno é cheio de indicadores, e quem dirige tem que saber lidar com muitas variáveis ao mesmo tempo. A tendência, no entanto, é que cada vez mais as máquinas tenham maior autonomia, e saibam lidar com as informações da lavoura. O que não quer dizer que o piloto possa ser qualquer um. Pelo contrário, quem lida com essas máquinas precisa saber informar e receber todas as informações da máquina com muita precisão, além de saber enxergar exatamente o que está ocorrendo enquanto a máquina trabalha.

Somados às informações obtidas pelos outros aparelhos, já citados aqui, é importante que o produtor tenha em suas mãos dados detalhados obtidos por seu maquinário: Quanto foi aplicado de insumos em cada área da lavoura? Qual a produtividade de cada setor? Em quais condições isso foi feito? São algumas perguntas que máquinas podem responder em tempo real, com dados obtidos enquanto trabalham.

Mais do que isso, máquinas inteligentes podem ser pré-programadas de acordo com o formato, tamanho e condições do campo, reduzindo as possibilidades de erro humano a quase zero. Além da possibilidade de se regular a aplicação de insumos ou a semeadura de acordo com a área, é possível definir com precisão de centímetros o caminho do trator, para que não prejudique a plantação, deixando que o motorista faça apenas manobras mais complexas – e, em um futuro próximo, provavelmente nem isso mais será necessário, e será possível que máquinas se dirijam sozinhas como alguns carros, em teste, já o fazem nos Estados Unidos.

 

5. Big Data

Termo em inglês para “megadados”, ou “grande quantidade de dados”, Big Data é um termo usado em quase todos os setores, no sentido de que temos muitos dados sobre tudo, e cada vez criamos mais. Entretanto, programas de computador tradicionais não são capazes de absorver e tratar todo esse volume. Assim, estarão muitos passos à frente dos outros aqueles que forem capaz de reunir essa quantidade imensa de informação e organizá-la de forma que seja fácil fazer análises relevantes.

A agricultura é um setor que sempre absorveu e criou uma quantidade imensa de dados, da meterologia às necessidades dos cultivos. Mesmo assim, agricultores historicamente confiam em sua intuição e em não muito mais do que blocos de notas para guardar as informações de suas fazendas. Com a agricultura de precisão, muitos vêm sentindo que não se pode mais confiar puramente na nossa memória papel e caneta. Essa preocupação deve aumentar nos próximos anos, pois, como vimos nos itens anteriores, máquinas serão capazes de captar, produzir e armazenar cada vez mais e mais dados de tudo o que é feito na fazenda.

Softwares de gestão, capazes de trabalhar com Big Data, hoje em dia auxiliam os produtores a organizar as informações de suas fazendas e facilitam a tomada decisões durante a safra, como explicamos no último post do blog. Não é ficção científica, no entanto, acreditar que num futuro não muito distante os próprios softwares sejam capazes de tomar essas decisões, baseados no histórico da fazenda.