Análise de resultados – 5 pontos para melhorar a gestão rural

Análise de Resultados na administração rural não é uma tarefa isolada, que possa ser executada em poucos dias, semanas, ou mesmo meses. O produtor rural deve ter em mente que não há mais volta, assim que define que vai trabalhar com análise de resultados e, para manter as melhorias na rentabilidade, terá de continuamente trabalhar com isso. Como bem exemplifica o livro Gerência Agropecuária – Análise de Resultados, a criação de uma estrutura para a Análise de Resultados não seria como uma casa ou apartamento, que você constrói ou compra ela pronta, e não precisa de reformas por anos. Ela seria mais próxima da criação de uma planta ou animal, que precisam de cuidados periódicos para que não pereçam.
Dessa forma, o administrador rural que pretende melhorar a qualidade das decisões tomadas, aumentando rentabilidade da propriedade, terá de passar continuamente por ciclos compostos por 5 pontos que estruturam o que o livro chama de Pentágono Administrativo. Esses pontos são interdependentes e se sucedem constantemente, ou seja, a implementação de um depende do outro, e a melhora de cada um desses pontos é algo que deve ser buscada incessantemente.

1 – Capacidade de coleta de dados a campo

A empresa rural deve se instrumentalizar para coletar o máximo de informações importantes para a administração rural. É necessária a compra de instrumentos que possibilitem a coleta dos dados. Isso vai de pranchetas, canetas e pequenas estações metereológicas, em um primeiro estágio, até a aquisição de componentes eletrônicos complexos, como drones e sensores.
Além disso, o processo passa necessariamente pelo treinamento e capacitação de todos aqueles que trabalham na empresa, de gerentes a peões. Como já falamos em outro artigo, é tendência mundial que cada vez mais todos os instrumentos usados no campo sirvam também como coletores de dados do ambiente, o que significa que todos os funcionários precisam saber usar estes instrumentos adequadamente.

2 – Capacidade de processamento em hardware

O gestor rural deve preocupar-se em ter o hardware necessário para coletar e processar os dados. Normalmente, tomamos como hardware, computadores e periféricos, como impressoras, modem, roteador e etc. No entanto, com o advento de smartphones, cada vez mais os produtores utilizam o celular no lugar do computador de mesa. Dessa forma, o administrador deve se preocupar também com as novas tecnologias capazes de processar dados que facilitem o acesso às informações do e no campo.

3 – Capacidade de processamento em software

Computadores ou smartphones sozinhos não são capazes de processar os dados coletados. Nossa experiência mostra que, normalmente, o produtor que sente necessidade de tirar os dados da agenda para armazená-los no computador, o faz com planilhas eletrônicas no Excel. No entanto, com o passar do tempo, é fácil ver que o Excel não é um programa feito exatamente para isso, e o produtor, então, busca softwares especializados na gestão do processo agrícola.
Como já falamos aqui no Lavoura10 nesse artigo, o administrador rural deve ter diversos cuidados na hora de adquirir o serviço para sua empresa. Um fator importante que deve-se prestar atenção é a manutenibilidade, ou seja, a capacidade e possibilidade de o software seguir melhorando, acompanhando a melhora na gestão da fazenda e na coleta de dados. Se antigamente era comum comprar-se pacotes prontos, que ficavam instalados no computador do usuário, hoje, com a popularização da internet banda larga, é cada vez mais comum a venda de Software como Serviço (SaaS, na sigla em inglês), que vendem um serviço na internet. Isso não só facilita o uso do serviço em diversas plataformas sincronizadas (tablets, telefones e computadores), como garante que os desenvolvedores vão seguir melhorando e corrigindo eventuais erros do software comprado.

4 – Capacidade de apropriação dos dados coletados

Saber quando, da onde e como coletar as informações é uma ciência. O administrador da empresa rural deve instrumentalizar sua equipe para fazer tudo corretamente, com treinamento para os funcionários.

5 – Capacidade de avaliação dos dados coletados

De nada adianta ter milhões de bytes de informações da fazenda quando não se sabe como usá-los e que conclusões pode-se chegar a partir deles. Devido à alta responsabilidade dessa função, normalmente são designados os proprietários ou administradores a essas tarefas, já que delas saem algumas das principais decisões tomadas para a empresa. Nesse ponto, é importante o “instinto” do agricultor, adquirido com erros e acertos ao longo dos anos, mas o fundamental é que o responsável por essa função continue capacitando-se, com cursos, leituras especializadas, além da troca de experiência com outros produtores, através de conversas e congressos da área.

 

Análise de resultados: Prática para toda a vida

É importante ressaltar que todos os pontos devem estar em constante evolução, e não tem nenhum deles que deva ser priorizado em detrimento de outro. Assim como, em uma lavoura, não basta ter as melhores práticas de manejo se a semente não tiver potencial produtivo, na administração rural não adianta nada ter os melhores computadores e softwares se não soubermos coletar as informações necessárias.

No já citado livro Gerência Agropecuária, os autores trazem um exemplo prático de aplicação desse modelo:
Imagine que um produtor está começando a trabalhar com sistemas de controle de custos. Por falta de treinamento de seus funcionários, ele administra simplificadamente, colocando todas as atividades em um único centro de custos. Para tanto, o produtor não necessita mais do que um computador simples e algumas planilhas eletrônicas.
Passado o primeiro ciclo, com os relatórios obtidos, o produtor percebe que o resultado econômico ficou muito abaixo do esperado e, com isso, decide reduzir os custos de produção. O problema é que, com as informações simplificadas que tem, não tem como saber de onde pode retirar investimento sem uma perda significativa nos ganhos. A conclusão, então é de que deve direcionar a coleta de dados aos vários centros de custos e, para isso, treina os funcionários para que saibam trazer as informações mais detalhadas e individualizadas de cada atividade econômica. Outra mudança é que possivelmente uma planilha já não seja mais suficiente, e o Excel dá lugar a um software especializado para os custos.
Com novos relatórios, o produtor descobre em que atividade os custos estão altos demais, se desfaz de algumas máquinas antieconômicas que estavam dedicadas a esta atividade. Com mais capital para investir, o gestor pode seguir melhorando sua produtividade, criando novas rotinas de coleta de dados, o que vai exigir um software capaz de processar todos esses dados, e possivelmente uma troca nos equipamentos.
E assim segue, com a rotina de contínua melhora na análise de resultados acompanhando o produtor para o resto de sua vida.


Este artigo foi escrito usando como referência o capítulo “Gerência continuada: O pentágono administrativo”, do livro “Gerência Agropecuária – Análise de Resultados”, da Editora Agropecuária

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Comentários

3 Comments

  1. Nos dias atuais é imprescindível a tecnologia ao lado de uma empresa, seja ela no intuito de dados precisos, atualizações no mercado, gerenciamento, novas ideias e outros.De modo geral, como o produtor rual tira o seu sustento da própria terra, é muito importante ter em suas mãos o andamento de sua “empresa” para tomar decisões visando diminuir o gasto e consequentemete gerar mais lucros.
    Estás cinco dicas é crucial para o sucesso na empresa, pois nelas há uma sincronia, aonde abrange desde o peão até o agricultor, que prioriza a tecnificação e coleta de dados precisos.

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