7 passos infalíveis do planejamento agrícola para acertar na semeadura do milho

Agricultor não tem mesmo sossego, acabando a colheita de uma safra já logo se preocupa: o que fazer na próxima safra da cultura do milho?

“Semear o que? Qual híbrido? E o espaçamento? Será melhor mudar a adubação de base?”

A preocupação é válida: cerca de 70% dos investimentos feitos em uma lavoura de milho são usados na fase de implantação.

(Foto: Thinkstock em Revista Globo Rural)

 

Fazer o planejamento agrícola é a tomada de decisão mais sábia para uma produção rural de sucesso!

É uma prática cada vez mais comum entre agricultores, sejam eles de pequeno, médio ou grande porte.

E o primeiro ponto do planejamento é o mesmo da própria atividade agrícola: a semeadura!

Para responder todas aquelas dúvidas que citei e outras tantas mais, acompanhe os 7 passos infalíveis do planejamento agrícola para acertar na semeadura do manejo da cultura do milho!

1. Planejamento agrícola: Por onde começar?

O principal objetivo do planejamento rural é estabelecer um cronograma de atividades para que o produtor possa realizar o plantio de forma eficiente e segura.

Todo mundo tem em mente que a instalação de uma lavoura se inicia com o plantio de uma cultura. Porém, “muita água já rolou” até esse momento.

(Fonte: CESAD)

 

A verdade é que o planejamento agrícola começa bem antes do plantio.

Para te ajudar, veja os 6 mandamentos do planejamento agrícola.

Lembre-se que é neste momento, antes do plantio, que é essencial planejar as ações para garantir boa produção e rentabilidade.

Deve-se fazer uma análise de todos os componentes de produção para saber corretamente o quanto investir, além de como e onde fazer a semeadura.

Segundo a Embrapa, devemos considerar determinados fatores:

  • manejo (solo, pragas, doenças, plantas daninhas, irrigação);
  • tipos de técnicas a serem adotadas;
  • insumos;
  • máquinas e implementos;
  • híbridos a serem escolhidos;
  • distribuição dos híbridos nos tipos de solos a serem explorados;
  • ambiente de produção;
  • épocas de plantio;
  • elaboração do cronograma físico-financeiro;
  • serviços em geral.

 

A minha principal dica aqui é: registre todos esses fatores da sua propriedade em algum lugar seguro.

Como você já sabe, a semeadura envolve muita coisa para confiar somente no que você tem em mente.

Além disso, visualizando todos os fatores que a área possui fica muito mais fácil realizar o planejamento!

 

Conheça o ciclo de produção na cultura do milho

Entenda as etapas do ciclo de produção:

(Fonte: SLC Agrícola)

O ciclo de produção se inicia no planejamento estratégico com base no cenário nacional e internacional de commodities agrícolas atuais e futuras.

As definições estratégicas norteiam a elaboração do planejamento agrícola de cada ano, no qual são definidos todos os insumos necessários para a safra, dentro das peculiaridades de cada cultura.

Você já escolheu a cultura do milho. E agora?

 

 

2. Lavoura de milho: Planejamento pode garantir maior produtividade

 

A cultura do milho no Brasil vem ganhando destaque na agricultura como opção de segunda safra e também como a cultura principal do ano (safra e/ou 1° safra).

A cultura do milho é a segunda cultura mais plantada no Brasil, e já é a 3° maior do mundo, com aumentos de produtividade nas últimas 10 safras de 6,8% ao ano.

Nossa produção de milho mais que dobrou na última década!

(Fonte: INTL FCSTONE)

 

E porque a preferência pelo milho?

É um produto muito demandado pelo mercado, sendo que no Brasil 65% do milho é utilizado na alimentação animal, e 11% é consumido pela indústria, para diversos fins.

O clima seco, estiagem de chuvas prolongadas, atraso de chuvas, diminuição da janela climática, são alguns dos fatores que influenciam o produtor na escolha do milho por ser uma cultura um pouco mais resistente às condições ambientais.

Além disso, a rotação da soja (como principal cultura) seguida da 2ª safra de milho (safrinha) é muito rentável e, por isso, muito utilizado.

 

(Fonte: SLC Agrícola)

 

A área de milho cultivado em 2ª safra representa 62% da área e 65% da produção nacional.

E como foi possível isso? Só mesmo com muito planejamento e trabalho.

Assim, vale lembrar que plantar não significa apenas jogar a semente na terra.

E quais seriam os critérios o produtor deve levar em conta ao fazer a escolha da semente de milho?

 

3. A escolha do híbrido (semente) na cultura de milho

A semente é o principal insumo de uma lavoura e sua escolha deve merecer toda a atenção do agricultor.

Por isso, escolha sementes com alto vigor  (capacidade de germinação e estabelecimento rápido no campo) e sempre certificadas pelo MAPA e credenciadas no RESASEM.

A escolha do híbrido depende de fatores como:

  • disponibilidade hídrica;
  • fertilidade do solo;
  • ciclo da cultivar;
  • época de semeadura;
  • espaçamento entre linhas.

 

Devemos estar sempre atento às características dos materiais mais adaptados à sua região, principalmente em relação a potencial produtivo, estabilidade, resistência a doenças, adequação ao sistema de produção em uso e às condições de clima e solo.

(Fonte: Foto de Guilherme Viana em Embrapa)

 

Basicamente, não há diferença entre o cultivar de milho para a safra normal e para a safrinha, ou seja, não há uma característica específica que diferencia as plantas do milho safrinha.

Entretanto, dependendo da época de plantio dentro do período recomendado para a safrinha, o ciclo é uma característica importante a ser considerada na escolha dos híbridos.

Depois de escolhida a semente para minha região, qual a população (sementes por metro linear) que uso considerando as condições da minha área?

 

4. A importância do estande (população) das plantas 

A densidade de plantas, ou estande, definida como o número de plantas por unidade de área, tem papel importante no rendimento de uma lavoura de milho.

No Brasil, a população ideal para maximizar o rendimento de grãos de milho varia de 30.000 a 90.000 plantas por hectare.

A densidade apropriada de plantas para cada situação é influenciada por alguns fatores, como por exemplo: híbrido de milho, disponibilidade hídrica e nível de fertilidade do solo.

(Fonte: Italo Ricardo Sant Ana Gregorin)

 

A densidade de plantas influencia diretamente no número de espigas por área.

Para compreendermos a importância do número de espigas por área de plantio vamos simular duas lavouras: uma com 55.000 espigas/ha e outra com 60.000 espigas/ha.

 

(Fonte: José Carlos Cazarotto Madaloz)

 

Neste exemplo, podemos ver que o aumento de 5.000 espigas/ha resultou em uma diferença de mais de 16 sacas/ha.

O desenvolvimento de novos híbridos com maior potencial produtivo, arquitetura moderna e a adoção de práticas de manejo intensas associadas ao plantio em espaçamento reduzido têm contribuído muito para plantios com altas taxas de população de plantas.

(Fonte: Pioneer)

 

Esta prática tem se mostrado viável e rentável, alcançando altos níveis de produtividade.

No entanto, nem sempre alta densidade de plantas significa alta produtividade.

Em densidades muito altas, a competição entre as próprias plantas de milho pode afetar a produção.

Pesquisas indicam que o milho é sensível no quesito densidade, sobretudo, porque as plantas competem entre si.

E embora o adensamento eleve o rendimento da lavoura, é preciso destacar que esse incremento na produtividade tem limite.

Assim, alguns pontos afetam na densidade ideal das plantas de milho na sua lavoura.

A arquitetura da planta é um desses pontos e é também uma característica fundamental para acertar na semeadura do milho, confira:

 

5. Arquitetura da planta de milho

A arquitetura das plantas de milho interfere na qualidade e quantidade da luz que penetra no dossel (a parte aérea do milho, ou seja, as folhas) e, conseqüentemente, na resposta à densidade de plantas.

Você pode ver aqui como a tecnologia está ajudando a evoluir o agronegócio brasileiro, e o desenvolvimento de novos híbridos é um exemplo disso.

Comparação entre o milho selvagem (teosinto) e o milho atual

(Fonte: Nicolle Rager Fuller, National Science Foundation em Science Daily)

 

O desenvolvimento de híbridos com menor número de folhas, folhas mais eretas e menor área foliar, minimiza a competição entre plantas.

Por isso, esse tipo de híbrido pode ser semeado com menor espaçamento, resultando em maior densidade de plantas.

As folhas mais abertas, com ângulos da bainha maiores caracterizam as plantas de arquitetura espaçadas, que produzem melhor em espaçamentos maiores.

Assim, a arquitetura do híbrido pode ser ereto, semi-ereto, aberto ou semi-aberto.

Devido a isso, fique atento ao híbrido escolhido e seu espaçamento ideal.

A prática de semeadura deve ser bem feita com espaçamento uniforme, resultando em arquitetura homogênea.

(Fonte: Robson Fernando de Paula)

 

O ambiente também impõe forte influência na escolha do híbrido e sua arquitetura.

Por exemplo, em solos pobres, com problemas de drenagem ou mesmo em condições de falta de água não é recomendado altas densidades populacionais com híbridos de arquitetura ereta.

Você já sabe que a densidade, a arquitetura do híbrido e o espaçamento são intimamente ligados.

Desses, só falta você saber mais sobre o espaçamento. Vamos lá?

 

6. O espaçamento (entre linhas X entre plantas)

No Brasil é utilizado diferentes tipos de espaçamentos de milho.

(Fonte: Itavor Nummer Filho & Carlos W. Hentschke)

 

Tradicionalmente tem-se implantado a cultura do milho com espaçamentos entrelinhas compreendidos entre 0,80 m e 1 m.

Porém, nos últimos anos, o interesse em cultivar o milho utilizando espaçamentos entre linhas reduzidos (0,45 a 0,60m) tem crescido devido ao já citado desenvolvimento de novos híbridos.

Hoje, muitos produtores usam espaçamento de 75 centímetros, sendo importante ressaltar que espaçamentos entre 0,45 cm e 0,50 cm são os mais utilizados por proporcionarem melhores condições para o desenvolvimento do milho, em algumas condições.

Entre as vantagens potenciais da utilização de espaçamentos mais estreitos, podem ser citados:

  • maior interceptação de luz solar – o principal fator;
  • melhor aproveitamento dos recursos disponíveis;
  • aumento da vantagem competitiva;
  • maior eficiência na utilização da água disponível;
  • aumento do rendimento de grãos, em função de uma distribuição mais equidistante de plantas na área;

(Fonte: Rural Pecuária)

 

  • aumento da eficiência de utilização de luz solar, água e nutrientes;
  • melhor controle de plantas daninhas, devido ao fechamento mais rápido dos espaços disponíveis;
  • diminuição da duração do período crítico das plantas daninhas;
  • redução da erosão, em consequência do efeito da cobertura antecipada da superfície do solo;
  • melhor qualidade de plantio, através da menor velocidade de rotação dos sistemas de distribuição de sementes; e
  • maximização da utilização de plantadoras, uma vez que diferentes culturas, como, por exemplo, milho e soja, poderão ser plantadas com o mesmo espaçamento, permitindo maior praticidade e ganho de tempo.

(Fonte: Itavor Nummer Filho & Carlos W. Hentschke)

 

Cada híbrido de milho possui uma recomendação adequada.

Sabendo-se a condição da sua área, o produtor deve escolher qual híbrido e espaçamento mais adequado à sua situação.

Como já falei, a redução do espaçamento não implica necessariamente em aumento da produtividade.

Além da questão de competição entre plantas, o incremento da densidade de plantas por si só significa aumento da produtividade sob uma mesma tecnologia desde que este seja o maior gargalo técnico.

Se você quer saber quais podem ser os outros gargalos e como aumentar sua produtividade pode ver o artigo “Como produzir 211 sacas de milho por hectare com gestão agrícola”.

Agora vamos saber como estimar sua produtividade de milho:

 

7. Como estimar a produtividade da cultura do milho?

A combinação entre clima, solo e híbridos determina a produtividade do milho.

85% da produtividade é atribuída ao número de grãos, sendo que  é nesse quesito que o estande de plantas ideal, resultado de uma boa semeadura, pode contribuir para a produção.

(Fonte: José Carlos Cazarotto Madaloz)

 

A estimativa de produtividade é útil para que se tenha uma “ideia” de qual será o rendimento a nível de campo.

Sendo assim, o produtor pode se organizar com investimentos futuros, transporte, armazenagem e possíveis ações da lavoura que ainda será colhida.

Para se estimar produtividade de milho, utilizaremos o método mais simples e objetivo:

 

Passo 1: Colete algumas espigas da área desejada;

Passo 2: Calcule o peso médio de grãos de cada uma delas;

Passo 3: Saiba a população de plantas da área;

Passo 4: Multiplique o peso médio de grãos de cada espiga pelo número total de plantas encontradas no talhão. Exemplo:

 

(Fonte: Tiago Hauagge)

 

Quanto maior for o número de espigas coletadas e avaliadas, menor será a margem de erro para a produtividade real no momento da colheita.

 

Conclusão

O arranjo de plantas recomendado difere de lavoura por lavoura, uma vez que se trabalha em regiões e condições diferentes, com variação nos níveis tecnológicos.

Desta forma, o arranjo ideal de plantas deve ser mensurado conforme a condição de implantação da cultura do milho e as finalidades do produtor.

Por isso, saiba a situação real da sua propriedade, aproveite as dicas e boa produção na cultura do milho!

 

Gostou das dicas? Tem mais algum passo infalível que você faz e eu não citei aqui? Adoraria ver seu comentário! Escreva aqui embaixo!

Crédito da imagem.

Jackellyne Bruna
Sou engenheira agrônoma e mestre em Ciências Agrárias pela Federal de Goiás. Atualmente, estou cursando MBA em Marketing e doutorado em Fitotecnia pela ESALQ/USP com linha de pesquisa em Grandes culturas.