Defensivos agrícolas: 8 curiosidades que você deveria saber

Sempre vem à tona que a utilização de defensivos agrícolas na produção das lavouras é um perigo para a saúde humana, ambiental e animal.

São rotineiras as notícias e polêmicas sobre os “venenos” na agricultura.

Mas o uso dos defensivos agrícolas, se bem utilizado, pode trazer muitos benefícios. Confira!

(Fonte: Mental Floss)

 

Defensivos agrícolas ou agrotóxicos?

Chamados também de agrotóxicos ou produtos fitossanitários, os defensivos agrícolas são produtos químicos, físicos ou biológicos destinados à proteção de culturas agrícolas.

Como o próprio nome diz, eles têm a função de “defender” as lavouras ao ataque seres vivos considerados prejudiciais no ciclo de uma cultura.

 

Tipos de defensivos agrícolas

Os defensivos agrícolas podem ser de vários tipos de acordo com o que controlam:

(Fonte: ANDEF)

Assim como os medicamentos, os produtos agrícolas também exigem uma “receita” a ser prescrita, no caso o chamado receituário agronômico feito pelo engenheiro agrônomo.

Para sua correta aplicação deve-se saber: o alvo, a dosagem, o diagnóstico da área, entre outros. É assim que esses produtos ajudam a manter rentabilidade altas produtividades e da lavoura.

Mas e aquelas notícias de que o Brasil é líder mundial em consumo de defensivos?

 

1. O Brasil é o maior consumidor de Defensivos

(Fonte: Abrasco)

 

Sobre isso temos alguns pontos a serem considerados:

Fonte: (Pesquisa UNESP em Desafio 2050)

  • As temperaturas altas do país aceleram a reprodução da maior parte dos insetos/pragas;
  • Não temos inverno rigoroso, como nos países em que há neve, para que se diminua a população inicial das pragas no começo das safras.

 

É claro que o manuseio deve ser estritamente quando for necessário. O uso indiscriminado, desrespeitando a bula, além da legislação brasileira e todas as normas de segurança além de algo irresponsável, é crime.

No entanto, o uso de defensivos agrícolas é uma ferramenta indispensável na agricultura brasileira e no planejamento agrícola da sua lavoura.

Isso se deve especialmente ao fato de que a maior parte dos produtores são tomadores de preço.

Ou seja, seguem o preço baixo das commodities e precisam da produção em larga escala para sobreviver.

Mas você sabe como esses produtos surgiram?

 

2. Como surgiram os Defensivos

O uso de substâncias para combater insetos, plantas daninhas e outros já é utilizada há muito tempo.

Em  2500 a.C., por exemplo, os sumérios já utilizavam o enxofre no combate a insetos.

Enquanto que em 400 a.C. as flores secas de Chrysanthemum cinerariaefolium já eram usadas para controlar piolhos.

Espécie de crisântemo usado para controle de piolhos.

(Fonte: Química Nova Escola).

Já no século XIV, os chineses começaram a utilizar compostos de arsênio para controlar insetos.

Como você percebeu, o uso dessas substâncias sempre foi importante.

No entanto, hoje os defensivos agrícolas ganham importância devido ao seu papel na produção mundial de alimentos.

 

3. Os defensivos agrícolas são Fundamentais na produção de alimentos

 

Você sabia que a utilização dos produtos fitossanitários aumenta a produtividade de alimentos no mundo?

O número de pessoas no mundo cresce diariamente e, consequentemente, a demanda de alimentos também  é crescente.

(Fonte: ONU em O Globo)

E como é possível produzir muito mais alimento no mesmo pedaço de terra?

Produza mais em menos tempo.

Por exemplo:

Para capinar um hectare um homem leva de 10 a 16 dias;

Enquanto que leva-se 2 dias para um homem com tração animal + 5 dias do mesmo homem para retoques na enxada para limpar o mesmo talhão.

A questão é a seguinte:

Quanto tempo levaria, nos dois casos, para acabar com todas as plantas daninhas se um produtor tivesse milhares de hectares de terra?

É muito comum encontrarmos grandes proprietários de lavouras em diferentes cantos do Brasil, portanto é praticamente IMPOSSÍVEL esses 2 métodos de controle serem eficazes.

Imigrantes capinando cafezal

(Fonte: Decio Adams)

Isso devido à uma série de fatores:

  • É necessário dezenas de trabalhadores para a atividade;
  • Levaria muitos dias para a finalização;
  • Ciclo das culturas ser de rápido desenvolvimento;
  • O custo de mão-de-obra é muito alto.

Enquanto isso…

O controle químico no mesmo tamanho de área realizado por meio de pulverizador tratorizado levaria somente alguns minutos.

Sendo usados de forma consciente, os defensivos agrícolas são sem dúvidas, o método mais eficiente de manejo.

Nesse sentido, o melhoramento genético somado à utilização de defensivos agrícolas geram plantas muito mais produtivas, sadias (livres de doenças) e, por vezes, mais resistentes à pragas.

Assim, é possível aumentar a produtividade e até mesmo reduzir o uso de defensivos.

(Fonte: Isaaa em Pioneer)

Tudo isso juntamente com novos conhecimentos e tecnologias são essenciais para o aumento da produção sem aumento da área utilizada.

4. O ingrediente ativo define o Defensivo Agrícola

Os defensivos agrícolas são produzidos a partir de ingredientes ativos (i.a.), ou comumente chamado de princípio ativo.

Os profissionais da química são os responsáveis por desenvolver novas moléculas que se tornam ingredientes ativos de defensivos.

É importante o conhecimento do i.a. já que ele é o principal responsável pela toxicidade, do momento e modo que deve ser aplicado o produto.

Molécula de glifosato (N-phosphonomethyl-glycine), ingrediente ativo de um dos principais herbicidas utilizados.

(Fonte: Glyphosate.eu)

 

É comum encontrarmos vários produtos que possuem o mesmo i.a. mas em quantidades diferentes.

Assim, uma desatenção pode trazer sérios danos às plantas, ao meio ambiente e aos aplicadores por aplicar uma quantidade muito superior do que a indicada.

Por essas e outras, que o uso desses produtos devem ser feito com cuidado e sob receituário agronômico.

 

5. A classificação toxicológica está na embalagem dos produtos

Todo defensivo agrícola no Brasil exibe no rótulo sua classificação toxicológica (potencial de risco à saúde humana) e sua classificação ambiental (potencial de risco ao meio ambiente).

Essa classificação recebe ainda um código em cores (abaixo):

(Fonte: ANVISA)

 

É necessário ter muito cuidado na utilização dos defensivos.

Por isso se atente aos rótulos, use somente quando necessário e siga todas as recomendações de segurança.

6. O uso de Defensivos Agrícolas pode ser seguro

Para que um agrotóxico esteja disponível em uma revenda para comercialização, são realizados vários anos de pesquisa e estudo.

O registro é um processo demorado, que segue rigorosos padrões internacionais.

O produto precisa ainda ser aprovado pela ANVISA, MAPA e IBAMA e Ministério da Saúde.

Além disso, para conseguir eficiência agronômica, se manter legalizado no mercado interno, ou exportação é necessário seguir o receituário agronômico.

A obediência aos parâmetros é fiscalizada, entre outros, pelo Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes, do Ministério da Agricultura, e pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

(Fonte:Karen Friedrich- FIOCRUZ)

Por isso, o uso de defensivos pode ser seguro, mas você deve se atentar para as regras e usá-los com responsabilidade!

Para orientações técnicas sobre o manejo agrícola de um modo geral e sobre o uso adequado de defensivos sempre procure se informar com um engenheiro agrônomo.

Ele é o profissional de lhe dar informações corretas sobre a quantidade de produto que se deve utilizar para a finalidade que você quer.

Mas você sabia que além de tudo isso, os defensivos podem ajudar a reduzir os custos da propriedade?

 

7.Os Defensivos Agrícolas Podem Minimizar Custos

 

Como sabemos, os defensivos agrícolas otimizam o tempo de manejo de uma lavoura.

Consequentemente, se você gasta menos tempo…

… você economiza com horas trabalhadas com os tratoristas,

… com o combustível utilizado no maquinário,

… com diárias dos trabalhadores,

… reduz compra de muitos produtos,

… manutenção de equipamentos/implementos de um modo geral.

Além do mais, sem o uso de agrotóxicos a produção fica muito comprometida e sujeita à riscos.

As perdas de produção de soja  podem chegar a 70% pela infestação de plantas daninhas.

(Fonte: Embrapa em Portal Syngenta)

 

Assim, ao final da safra, a lucratividade que você terá será muito maior com a utilização dos agrotóxicos.

Falando nisso, aqui você pode ver 5 dicas infalíveis para uma aplicação de defensivos mais eficientes.

 

8. Como reduzir em até 52% o uso de defensivos agrícolas com uso de Tecnologia

 

O uso de tecnologia está ajudando a evoluir o agronegócio brasileiro.

Segundo a Embrapa, o manejo integrado de pragas reduz aplicações de defensivos em quase 50%.

Além de ser importante para aumentar seu lucro, prejudica menos o meio ambiente, a saúde de seus funcionários, e garante sua própria segurança.

(Fonte: Embrapa)

 

Uma das etapas do Manejo Integrado de Pragas (MIP) é o monitoramento.

É por meio dele que você verifica se a praga, no caso inseto, atingiu o nível de ação de controle para, só então, proceder com a aplicação.

O monitoramento pode ser feito e anotado de várias formas.

Porém, a forma mais adequada e segura é por aplicativos, onde você pode acessar  seus dados de qualquer lugar e nunca perdê-los.

Além disso, com o aplicativo Aegro você georreferencia seus pontos de amostragem para saber exatamente o que está acontecendo no campo e como fazer aplicações mais seguras.

(Fonte: Aegro)

 

Muito mais fácil não é mesmo?

Para uma demonstração gratuita clique aqui.

CONCLUSÃO

Os defensivos agrícolas já são há muito tempo, essenciais para a agricultura pela praticidade e economia de tempo ao produtor rural.

Apesar de  trazerem benefícios na produção de alimentos no mundo, é preciso responsabilidade e cuidado para utilizar os defensivos somente quando necessário e da maneira correta.

Agora que você já sabe tanto sobre os defensivos agrícolas, bom uso e mãos à obra!

 

O que achou do texto? Você sabe de mais alguma curiosidade sobre os defensivos agrícolas? Conte para nós. Gostaria de ver seu comentário abaixo!

Jackellyne Bruna
Sou engenheira agrônoma e mestre em Ciências Agrárias pela Federal de Goiás. Atualmente, estou cursando MBA em Marketing e doutorado em Fitotecnia pela ESALQ/USP com linha de pesquisa em Grandes culturas.