5 dicas infalíveis para uma aplicação de defensivos agrícolas mais eficaz

Neste artigo listamos algumas dicas para você não errar mais na aplicação de defensivos agrícolas.

46% das aplicações de defensivos agrícolas utilizados no campo são desperdiçadas por erros cometidos pelo próprio agricultor.

Alguns estudos chegam a mostrar perdas de 10 a 12% em produtividade, devido aplicação de defensivos agrícolas mal feita.

E você sabe bem a importância do uso de defensivos na lavoura?

(Fonte: Foto European Crop Protection em HfBrasil)

Sabia que seu mau uso pode aumentar os custos de produção, não proteger a lavoura, e ainda trazer riscos ao meio ambiente e ao homem.

Lavoura de milho infestada com plantas daninhas

(Fonte: Acervo pessoal)

Importante lembrar que os defensivos agrícolas são chamados oficialmente de agrotóxicos, embora seja um termo que gera controvérsias, é o termo oficial da legislação brasileira (Lei 7.802/89 e Decretos 98.816/90 e 4.074/2002).

Outros termos também são comumente utilizados, como: produtos fitossanitários, pesticidas, agroquímicos.

O Prof. Dr. José Otávio Menten da USP/ESALQ trata de pontos importantes, como benefícios e riscos, do uso de defensivos no Brasil (você pode ver esse texto aqui).

Dada a importância da aplicação de defensivos agrícolas para a proteção da lavoura, vou mostrar 5 dicas infalíveis de como torná-la mais eficiente.

Algumas dicas envolvem conhecimento prático outras de tecnologia de aplicação. Então confira!

 

1. Consulte a bula antes da aplicação de defensivos agrícolas

Para uma aplicação eficaz, nada melhor do que realmente  conhecer o que se está aplicando.

Classes De Classificação Toxicológica dos Produtos Fitossanitários.

(Fonte: Seagro)

 

Você pode buscar informação em diversas plataformas, como a plataforma nacional de consulta de produtos fitossanitários, o AGROFIT.

Veja como é simples:

Passo 1: Acesse a lista de Defensivos Agrícolas  da Agrofit e faça buscas por doenças ou pragas.

 

 

Também é possível conseguir acesso rápido e descomplicado e informações sobre os produtos registrados e recomendados para o controle de pragas, plantas daninhas e doenças, com direito a textos explicativos e fotos para facilitar a consulta.

O sistema também conta com dados do Ministério da Saúde e do Ministério do Meio Ambiente, visando oferecer as melhores informações em defensivos agrícolas para você.

Passo 2: Insira o nome vulgar ou científico da doença.

Passo 3: Realize a busca e veja as informações que aparecerão na sua tela. Você pode ter um relatório descrevendo o que é a ferrugem asiática, sintomas da doença, Bioecologia, controle, fotos da doença e lista de produtos para combater.

 

Simples e prático. Agora você pode obter informações sobre os produtos mais recomendados para “Ferrugem Asiática”.

Outra opção é a da SEAB/PR, embora seja estadual é até mais completa que a plataforma nacional do AGROFIT.

Nestes dois portais é possível consultar os defensivos agrícolas por princípio ou   ingrediente ativo, por marca comercial, por classe (fungicida, inseticida, herbicida, etc.), cultura recomendada, praga, entre outros. Inclusive com links para as bulas dos produtos.

Outros portais também oferecem informações sobre aplicações de defensivos, como a EMBRAPA, ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal), e também os sites das próprias empresas dos defensivos que trazem novidades e recomendações.

Essas informações são essenciais para saber:

  • Em que momento da cultura é ideal aplicar o produto;
  • Se é preciso o uso de adjuvantes;
  • Qual o volume de calda ideal;
  • Para quais plantas daninhas, insetos, doenças são indicados;
  • Em qual  estágio dessas pragas a eficiência do produto é melhor; etc.

 

Ao contrário do que muitos pensam, ter o produto ideal no momento ideal da cultura e da praga não é o suficiente para uma aplicação eficaz!

Para isso a manutenção e regulagem são fundamentais:

 

2. Manutenção e regulagem do pulverizador

 

Ajustar corretamente o equipamento de pulverização eleva a produtividade e reduz custos com produtos agrícolas em até 30%.

Fundamental para uma aplicação eficiente, seja um pulverizador tratorizado, um pulverizador autopropelido, ou até mesmo um pulverizador costal de 20 L, calibração e manutenção são muito importantes.

(Fonte: Dinheiro Rural, crédito Gabriel Reis)

 

Antes da aplicação:

  1. Observe se os bicos não estão entupidos e se são adequados para o tipo de aplicação;
  2. Verifique a barra de pulverização;
  3. Coloque água no tanque do pulverizador;
  4. Regule o pulverizador;
  5. Aplique em uma área plana e de tamanho conhecida;
  6. Durante a aplicação, verifique o volume de água que sai em cada bico de pulverização por determinado tempo (normalmente 10 segundos) e, assim, veja se algum está com problemas;
  7. Somando o volume de água coletado em todos os bicos você pode verificar se o volume de calda é o desejado.

 

Para saber mais sobre os cálculos envolvidos nessa calibração acesse aqui.

Já falamos aqui sobre regulagem da aplicação usando alguns aplicativos do celular.

O volume de calda quando não adequado podem representar a aplicação de doses acima ou abaixo das recomendadas.

Isso vai ocasionar em controle não eficaz, ou ainda intoxicação das plantas da lavoura (fitotoxicidade).

O volume de calda recomendado é apresentado na bula do produto, variando de acordo com o equipamento.

Em geral o volume de aplicação recomendado fica entre 100 e 300 L/ha, aplicações entre 100 e 200 L/ha tem se mostrado eficientes operacionalmente e eficazes no controle.

Sintomas de fitotoxicidade na folhagem da cultura da soja por aplicação inadequada de fungicidas do grupo dos triazóis

(Fonte: Grupo Cultivar)

Como já citado, a escolha dos tipos de bicos é  importante, existem de diversos modelos e vazões, que se encaixam em diferentes situações:

Bicos para a redução de deriva, bicos mais indicados para aplicação de fungicidas, inseticidas, herbicidas pré-emergentes, herbicidas pós-emergentes.

a lista de defensivos da TeeJet® traz ótimas informações acerca disso.

(Fonte: TeeJet)

 

Para tornar suas aplicações mais eficientes ainda você deve conhecer sobre os adjuvantes:

 

3. Auxilie suas aplicações com o uso de Adjuvantes

 

Adjuvante é qualquer composto adicionado ao tanque de pulverização que auxilie a aplicação de defensivos agrícolas.

Podem ter diferentes funções e vantagens da  aplicação, regular o pH da calda, reduzir a deriva, e o mais buscado, oferecer uma melhor distribuição na folha da cultura ou da planta daninha…tudo depende da situação.

(Fonte: Canaã)

 

Novamente, busque as informações na bula do defensivo a ser aplicado, nela estão as informações do adjuvante a ser utilizado, volume etc.

Importante ressaltar que alguns produtos não necessitam do uso destes adjuvantes, pois já são adicionados na fábrica, ou seja, já vem na formulação.

Nestes casos o uso do adjuvante pode atrapalhar a eficácia do produto e ainda causar fitotoxicidade para cultura, e assim você estará jogando dinheiro fora.

 

4. Limpeza de equipamentos

 

De nada adianta seguir todas as recomendações anteriores, usar tecnologia de ponta, se você não realizar a limpeza adequada de todos componentes da aplicação.

Em algumas situações recomenda-se até separar os pulverizadores para cada uma das classes de defensivos, mas (claro) nem sempre isso é possível.

Assim, uma boa limpeza é a melhor solução.

Sintoma de 2,4D na soja (clorose e deformação)por contaminação de tanque (sem lavagem entre aplicações).

(Fonte: Campeonato Brasileiro De Herbologia)

 

Alguns produtos merecem mais atenção, pois podem depositar no fundo do tanque, ou entupir os bicos, nestes casos o cuidado deve ser redobrado.

Uma situação comum é a contaminação do tanque por produtos devido a falta de lavagem.

Por exemplo: foi realizada aplicação de herbicidas em milho, com nicosulfuron e atrazina, depois será realizada aplicação em soja.

Estes dois herbicidas não são recomendados para a soja, se não for realizada uma boa lavagem do pulverizador, sintomas de fitotoxicidade severos serão observados.

Existem até mesmo produtos comerciais indicados para limpeza do pulverizador, com diferentes recomendações e que te ajudarão na lavagem.

5. Levantamento de pragas e manejo integrado

Conhecer o seu problema é a melhor forma de controlá-lo.

É muito importante saber quais são os insetos praga presentes na sua lavoura.

Para tanto, é preciso realizar amostragens, fazer panos de batida, identificar e realizar as contagens dos insetos.

Umas da maneiras de você fazer amostragem é utilizando software para fazenda de gestão agrícola.

A partir de uma determinada população da praga é que se recomenda a aplicação.

Isso é chamado de nível de ação de controle, ou simplesmente nível de controle.

Imagem do Armada, software para monitoramento de pragas na lavoura

(Fonte: Aegro)

Para tanto, é imprescindível conhecer a infestação da lavoura e o histórico ao longo dos anos.

Para plantas daninhas, por exemplo, você deve saber se há algum caso de resistência a herbicidas. Essas informações são cruciais na escolha do herbicida a ser utilizado.

Além de conhecer o problema, você precisa utilizar diferentes ferramentas para controlá-lo, como: Rotacionar os mecanismos de ação dos defensivos; utilizar outras medidas de controle; cobertura do solo com restos culturais da cultura anterior e em determinadas situações controle biológico.

Esse é o manejo integrado.

A utilização de diferentes ferramentas para administração rural, não apenas o controle químico, vai tornar o controle mais eficiente e sustentável ao longo do tempo, bem como garantir a eficiência da aplicação dos defensivos agrícolas.

Neste artigo aqui, você irá encontrar 3 ferramentas para te ajudar na administração rural.

 

Monitoramento de pragas da soja

(Fonte:  Foto RRRufino em Embrapa)

 

Conclusão

 

Essas são algumas dicas infalíveis para ter uma melhor eficiência na aplicação de defensivos agrícolas. Na lavoura, você  sabe  que mesmo seguindo estas e outras recomendações, podem acontecer problemas.

A lavoura está sujeita a problemas climáticos, econômicos entre outros. Mas se esses problemas já causam impactos até mesmo quando se faz ‘tudo certo’ imagina quando isso não ocorre.

Seguindo essas e outras recomendações, com planejamento agrícola, as chances do sucesso e a eficácia da aplicação de defensivos agrícolas serão com certeza maiores.

E claro, sempre consulte um engenheiro agrônomo.

Gostou das 5 dicas infalíveis para uma aplicação de defensivos agrícolas mais eficaz? Você faz uso de alguma estratégia diferente? Adoraria ver aqui nos comentários sua opinião.

Andre Felipe Moreira Silva
Sou Eng. Agrônomo, formado pela Universidade Estadual de Maringá – Campus Umuarama – PR. Tenho mestrado em Fitotecnia, na área de plantas daninhas, pela USP/ESALQ, atualmente doutorando na mesma área e instituição.