Donald Trump e o Agronegócio Brasileiro

Donald Trump é o assunto do momento. Sua eleição nos Estados Unidos, confirmada na madrugada da última quarta-feira, era considerada azarão até a abertura das primeiras urnas, e foi recebida com apreensão pelo mercado financeiro. O dólar teve uma forte subida em relação ao real, bolsas de valores tiveram fortes perdas, especialmente no leste asiático, o peso mexicano teve queda recorde e commodities, de forma geral, também tiveram uma queda. Mas de que forma isso mexe com o agronegócio brasileiro?

Uma expectativa mais otimista (ao menos para a nossa produção) aponta que, o presidente americano poderia atrapalhar muito as exportações americanas, caso implante as medidas protecionistas que prometeu durante a campanha. Isso porque, caso sua política externa siga a hostilidade dos discursos do candidato contra China e México, pode haver uma guerra comercial que comprometa as vendas para os dois maiores países importadores de soja dos Estados Unidos. As críticas por parte do presidente eleito contra a Parceria Transpacífico (acordo de livre-comércio entre diversas economias importantes do mundo, assinado no início do ano, depois de 5 anos de negociação), caso tornem-se ações de boicote à parceria, também podem mexer com importantes importadores e exportadores do mercado mundial, como Japão, Austrália e Nova Zelândia.

Por outro lado, mesmo que os principais produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos não tenham lá grande concorrência, uma política protecionista americana poderia atrapalhar a exportação de alguns produtos que nossa produtividade é comparável à americana. Em especial, suco de laranja e etanol da cana-de-açucar, que já foram objeto de disputa nas relações dos dois países. Além, obviamente, da carne bovina, que teve em agosto desse ano um acordo bilateral assinado para finalmente poder ser vendida in natura no mercado norte-americano.

O que deixa todos os analistas em dúvida é se Trump será tudo o que prometeu durante a campanha ou se será uma versão mais light
O que deixa todos os analistas em dúvida é se Trump será tudo o que prometeu durante a campanha ou se será uma versão mais light

Porém, esse Trump candidato, mais raivoso e disposto a mudar tudo o que foi feito durante o governo anterior, não deve ser o mesmo Trump presidente. O pronunciamento após a vitória já mostrou um Trump mais “paz-e-amor”, muito mais disposto ao diálogo do que vinha se mostrando durante a campanha. Além disso, mesmo com maioria republicana no congresso e no senado, o futuro presidente não terá vida fácil para passar seus projetos mais extravagantes, já que tem forte rejeição dentro da cúpula do próprio partido.

Outra questão importante para o mandato de Trump é como vai se dar (se é que vai acontecer) a aproximação dos EUA com Cuba, iniciada por Barack Obama. Trump já deu indícios de que não continuaria e, nessa questão, ele tem apoio de grande parte dos congressistas mais conservadores. O fim do embargo poderia aumentar o PIB do país caribenho, para onde o Brasil já exporta muitos produtos agrícolas, em especial soja e arroz. Por outro lado, o fim do embargo coloca empresas americanas como grandes concorrentes para esse mercado expandido.

Enfim, o que se pode concluir é que o futuro é incerto. Uma das principais razões para a instabilidade do mercado financeiro dos últimos dias é justamente a falta de perspectiva de qual perfil de presidente Donald Trump vai assumir. O que podemos afirmar, no entanto, sem sombra de dúvidas, é que o produtor que pensa estrategicamente sua produção, tem controle de seus custos e acompanha o mercado interno e mundial é muito mais competitivo do que os outros.

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