Gestão de uma empresa rural: Entrevista com a MPrado

Foi-se o tempo em que a empresa rural era um tipo diferente da empresa tradicional, e que o instinto era o que guiava o gestor de uma fazenda. Hoje, ninguém mais tem dúvida de que o produtor brasileiro precisa modernizar a gestão.
Nesse sentido, a AEGRO tem auxiliado produtores do Brasil todo nessa modernização, com um software de gestão que permite que o gestor tenha acesso a todos os dados de seu negócio de maneira muito mais fácil. Ao mesmo tempo, a MPrado presta consultoria e indica o caminho para aqueles produtores que buscam uma gestão mais profissional de seu negócio.

Gestão agrícola de excelência com AEGRO e MPrado

João Paulo Prado e Valmir Jr. Foto: MPrado

Com o mesmo objetivo, mas atacando por flancos diferentes, a MPrado e a AEGRO fecharam recentemente uma parceria: Agora, clientes da MPrado têm um desconto especial na assinatura do AEGRO, enquanto assinantes AEGRO têm a oportunidade de um plano especial de consultoria da MPrado a distância.

Para celebrar a parceria, fizemos uma entrevista com João Paulo Prado e Valmir Vieira Junior, sócios consultores da MPrado. Conversamos sobre a história da consultoria, sobre o passado e o futuro do agronegócio brasileiro, sobre os desafios do produtor moderno e como as novas tecnologias podem ajudar na gestão agrária.

AEGRO: Como foi criada a MPrado?

João Paulo: A empresa começou há 18 anos, quando o Marcelo Prado se desligou do Grupo Algar e fundou a MPrado. Ao longo de sua existência, a MPrado participou da profissionalização de várias cooperativas, revendas, e até da própria industria, profissionalizando RTVs e programas internos. Diante disso, começou a surgir uma necessidade do produtor de querer se profissionalizar. Então conforme ele ia vendo o desenvolvimento da revenda, começou a sentir nele uma necessidade de também promover a profissionalização do negócio dele. Apesar dele hoje ter o giro de uma empresa, ele não se vê como empresário. Com isso, a gente passou a atender alguns produtores e, em cima disso, nós vimos o potencial de mercado e a necessidade de criar um núcleo de agro, que é esse voltado só para produtores, que é o núcleo Para Dentro da Porteira.

AEGRO: Quando começou essa consultoria para produtores?

João Paulo: Foi há quatro anos.

Gestão rural: Ontem e hoje

AEGRO: Que problemas de gestão existem na empresa rural que não tem tanto na empresa tradicional?

Valmir: Nas fazendas, a sucessão é normalmente mais complicada do que em uma empresa normal. Tem casos em que um filho quer continuar o negócio, tem casos em que os papéis não estão certos, às vezes são dois irmãos que tocaram, mas não formalizaram. Então o problema da sucessão é um problema da parte de gestão.

João Paulo: Às vezes o pai,  por falta de instrução ou por não querer se intrometer, deixa esse problema para quando vier a faltar. Então essa é uma grande dificuldade que a gente tem, porque esse é um assunto que gera um certo melindre na família, que é muito delicado, mas que precisa ser tratado. Muitos pais acham melhor não mexer com isso, enquanto está aí, eles estão se respeitando e quando o pai se for, eles que se entendam como achar que é melhor.

Valmir: Agora, os outros assuntos, como finanças, pessoas, processos… isso muda o formato de um para o outro, mas o que tem de carência em uma empresa, tem de carência na fazenda também.

João Paulo: Hoje, o filho é bem mais aberto para algumas inovações que o pai possivelmente não se abriria. Então, apesar de não ter hoje 100 por cento do poder de decisão, o filho exerce um poder muito grande sobre o fundador, o patriarca. Com isso, facilita e abre as oportunidades de novas maneiras de gerir o negócio. Por exemplo, a gente ouve de RTVs que falam de um modelo de negócio antigo, em que o RTV era compadre do pai, de quem ele comprava há mais de 20 anos. Mas quando entra o filho, muda toda a dinâmica porque o filho não quer mais simplesmente a amizade, mas quer preço, quer qualidade. O nível de exigência do filho é maior do que aquele que o pai estava acostumado. Aquela amizade que eles têm com o vendedor não é suficiente para colocar o negócio de pé, para viabilizar o negócio.

AEGRO: Essa necessidade para a profissionalização da gestão partiu dos próprios produtores?

João Paulo: Em parte já existia essa maturidade, pois eles [os produtores] sabiam que precisavam melhorar. Mas a indústria também ajudou no processo, vendo que o elo da cadeia que precisava ser desenvolvido era o produtor, que ele é o ponto final. Porque se o produtor vai mal, a indústria toda vai mal. Então começaram a ver que precisava-se fortalecer esse elo da cadeia também.

AEGRO: Qual a evolução dos produtores que receberam consultoria?

João Paulo: Hoje, por exemplo, a gente tem casos de produtor que era altamente endividado que está com uma saúde financeira ótima. Tem casos de produtores que aumentam de tamanho ano a ano. Temos casos de produtores que não tinham nenhum tipo de controle, por mais básico que seja, e hoje conseguem fazer a tomada de decisão de suas empresas por meio de indicadores. A gente tem casos também de empresas que estão preparando a sucessão.

Depende muito do que o cliente quer dar o foco no trabalho. A consultoria é só um facilitador, enquanto o cliente seria a pessoa que tomaria a decisão e seria o principal beneficiado. O produtor num primeiro momento se assusta um pouco com o choque de gestão. Mas, depois disso, quando começa a ver que ele tem os relatórios na hora que ele quer, a informação em tempo real, e qualquer informação que ele precisa saber sobre a fazenda está dentro do computador dele, ele começa a sentir a importância disso e não larga mais.

AEGRO: Tem uma diferença na maturidade do agricultor que chega até vocês, de quatro anos para cá?

João Paulo: O agronegócio sempre teve uma participação muito grande no PIB, mas não era a menina dos olhos do mercado até uns dois ou três anos atrás. Já hoje, o agro virou a menina dos olhos do mercado. Você vê a entrada de grandes players. Você vê grandes fundos de investimento se movimentando para fazer a aquisição de fazendas ou de empresas. Isso se transforma em algo sistêmico, e eles (os produtores) começam a ver que aquele mundo que antes viam como muito distante, na verdade está mais perto do que imaginam. Isso abre a cabeça para conversar e até querer se profissionalizar. Até para estar totalmente preparado para uma venda ou uma fusão quando (ou se) isso acontecer.
Antes, quando a gente começava a falar em profissionalização da gestão, de criar ou ser o suporte da gestão do produtor, ele não via isso como prioridade. A prioridade dele era plantar e colher bem, vendendo e comercializando no valor mais alto. Já hoje, ele vê que deve ter uma gestão melhor dos custos. Tem que ter um endividamento consciente, sem simplesmente ir fazendo dívida e ir arrolando a dívida. Isso é algo que já facilitou o nosso acesso.
As indústrias, que antigamente focavam na produtividade, também vão chegar num determinado ponto de excelência em que as marcas todas vão ter praticamente o mesmo índice de produtividade, e precisam se diferenciar de outra forma. Aí entra a cadeia de serviços. Então foi se criando um ambiente favorável para que a consultoria fosse instalada.

AEGROO que os produtores mais sentem que precisam melhorar quando falam com vocês?

João Paulo: A maioria foca no controle financeiro, mesmo. Os produtores não têm esses números na mão. Eles têm alguma coisa a nível de comercialização na cabeça, mas não têm nada na mão. O ponto mais fraco e a maior parte do nosso trabalho está na área financeira, mesmo.

AEGRO: E o que vocês veem que é um problema na gestão, mas que poucos produtores percebem de cara?

João Paulo: A comercialização. O produtor acha que comercializa muito bem, mas quer sempre acertar no olho da mosca. Digamos que ele pega uma cotação lá em cima, e acha que vai subir mais, mas cai de uma hora para outra. Ele fica com o sentimento de que poderia ter ganhado mais. Se ontem a safra estava em 70 reais e hoje é 60, ele sofre com os 10 reais que perdeu, mas se depois de amanhã cair para 50, ele ele não sofre, e fica com o sentimento do que deixou de ganhar. Mas nem sempre tem como ter uma precisão cirúrgica dessas. Ele precisa criar alguns mecanismos, até na parte de hedge (proteção), que hoje ele vê como um bicho de 7 cabeças, mas que é um mercado muito simples de ser usado e protege bastante o produtor.

O endividamento, que entra também na questão financeira, tem um apelo grande, também. Apesar do governo favorecer bastante com linhas de crédito para o produtor, ele precisa entender que uma hora vai ter que pagar essa conta. Muitos acham “Ah, isso aí vai na parcela”, “Isso vai no custo da fazenda”. Mas na hora em que junta uma parcela da compra de fazenda, uma outra parcela de um maquinário, e mais outras parcelas, aí representa um montante muito grande perto do que ele está faturando. Então é um cuidado que tem que ter, também.

Valmir:  Fluxo de caixa é outro ponto, que às vezes os produtores se perdem para fazer os pagamentos e no recebimento. Um outro ponto é que às vezes eles têm várias máquinas, vários equipamentos e não sabem se estão se pagando ou não, se aquela máquina está dando prejuízo, ou se precisa mesmo dela. Esse é um outro ponto que muitas vezes não se dão conta, se é melhor descartar e vender a máquina, se deve trocar, se o custo de manutenção está muito alto.

Novas tecnologias para auxiliar o gestor

AEGRO: Como a informatização do campo e as máquinas inteligentes podem ajudar na gestão agrária?

João Paulo: Hoje, quando vamos falar de IOT (sigla em inglês para Internet das Coisas), falamos de algo muito amplo, que abre um leque muito grande para o agronegócio. A grande dificuldade que eu vejo hoje – e que vai ser o divisor de águas – é a integração das tecnologias. Hoje, nós temos a Case, por exemplo, que trabalha com um trator que dirige sozinho, e você pode simplesmente fazer a programação dele e, por meio do GPS, mandar ele fazer a sua colheita inteira. Isso hoje já é uma realidade.
Por outro lado, a gente tem algumas coisas mais simples de IOT que, por exemplo, permitem saber se uma cerca da sua fazenda está aberta, você pode fazer a rastreabilidade de gado que você pode fazer. O grande desafio do IOT será você conseguir gerenciar isso tudo e tornar isso rentável para o seu negócio. Se você conseguir uma informação em tempo real de quantas sacas você está colhendo, e quais são as zonas de maior risco, tudo automaticamente, conforme vai colhendo, e isso lança na sua fazenda um mapa de calor… Conseguir com isso saber o talhão com maior e menor produtividade, consolidar com o histórico, e entregar isso mastigado para o produtor, esse é o grande desafio.
Por exemplo, nas casas, 15 anos atrás se falava: “Nossa, imagina chegar em casa e programar a banheira, ou o seu jantar, fazendo isso tudo do celular!”. Isso é algo possível, mas poucas pessoas conseguem ver o valor dessa tecnologia. Acho que é a mesma coisa no agronegócio: como que a facilidade dessa informação em tempo real e a precisão que ela pode oferecer podem convergir num modelo de negócio que vai gerar economia para o produtor, ou como que isso vai somar no negócio dele? Eu vejo que esse é o grande desafio da IOT no agro.

AEGRO: Hoje em dia, o produtor está 24 horas por dia conectado. Como isso ajuda na gestão?

João Paulo: Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o produtor de médio e grande porte está antenado às inovações tecnológicas, tanto do mercado quanto do setor, e é muito aberto para essas inovações. Por exemplo, o Smartphone, a gente nunca imaginou que o produtor teria condições de usar há 10 ou 15 anos atrás, porque não era o habitual para ele. Hoje, ele faz o acompanhamento diário da colheita, pega cotação de Chicago, consegue também calcular, com o valor da soja, quantas sacas foram colhidas, o tamanho da sua área e fazer a previsão de receitas. No caso da fazenda também, a gente tem casos de clientes que têm mais de uma fazenda, que conseguem se atualizar de onde estiver, dia a dia, conforme a evolução da fazenda, da colheita, dos indicadores e etc.

Valmir: E a tendência é continuar aumentando o uso cada vez mais. Nas segundas gerações, que já nasceram com isso, a tendência é aumentar cada vez mais o uso dos Smartphones, com internet e com tudo.

AEGRO: Como vocês veem a parceria com a AEGRO?

João Paulo: Vemos com muito bons olhos. A MPrado vê um potencial enorme na AEGRO como empresa. Vemos que hoje a consultoria não tem mais como ser distanciada da tecnologia, nem a tecnologia se distanciar da consultoria, porque são complementares. Hoje o produtor precisa ter alguém que traduza as informações que ele colhe no sistema, para ter elas consolidadas. Mas você precisa ter essas informações, para fazer a análise crítica do que aquelas informações dizem para ele. Ao mesmo tempo, a consultoria precisa do software para colher as informações para que elas sejam o mais corretas e assertivas possível, um software gerindo o volume de informações. Por isso, nós vemos com muito bons olhos: temos um universo enorme a ser explorado, e espero que a parceria se fortaleça cada vez mais.

AEGRO: Em uma frase, que dica vocês dariam para os produtores melhorarem a gestão?

João Paulo: Diria que o produtor dê uma atenção maior na área financeira, porque esse é o coração da empresa. Se ele não tiver os recursos financeiros necessários, não importa o quanto acha que vai plantar ou vender, que se o coração, não estiver bem, ele pode ter a melhor colheita, que esse lucro vai embora em pagamento de juros ou na perda de bens. Então que dê uma atenção cada vez maior à parte financeira.

Valmir: E que seja informatizada, que tenha os números todos em um software, tudo organizado.

 

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