Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): como livrar sua lavoura dessa praga

Atualizado em 29 de agosto de 2022.

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): saiba como identificar, quais culturas ela afeta, tipos de monitoramento e mais!

A lagarta Spodoptera frugiperda (ou lagarta-do-cartucho) é uma praga com grande potencial de dano agrícola. Ela é um inseto polífago, que se alimenta de diversas culturas, como milho, soja e algodão. Sua incidência nas lavouras cresce a cada ano.

Ela pertence à ordem Lepidoptera, e é uma espécie de mariposa que possui estágio de vida larval característico. Ela também pode ser conhecida como “armyworm” ou lagarta-militar, já que possui comportamento invasivo e em grande escala.

Além disso, a lagarta-do-cartucho é assim conhecida por atacar o cartucho (parte central) do milho, além de diversas outras partes dessa e de outras plantas.

Confira a seguir como identificar a lagarta-do-cartucho na sua lavoura, quais culturas ataca e quais estratégias e cuidados você deve ter para um controle eficiente. Confira!

Como identificar a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

O ciclo de vida da lagarta-do-cartucho inclui as fases de ovo, seis estágios de larva, pupa e fase adulta. Identificar a lagarta em cada uma dessas fases é essencial para evitar danos e conseguir realizar o controle o quanto antes.

Isso é possível através das características biológicas da lagarta em cada uma das fases do seu ciclo de vida. Veja esses detalhes a seguir:

Fase de ovo

Nessa fase, a lagarta-do-cartucho possui coloração verde-clara, logo após a oviposição pela mariposa. Após 12 horas, o ovo fica alaranjado, e a cor fica escura próximo ao momento da eclosão (em função da coloração da cabeça da lagarta).

Cada fêmea pode ovipositar até 1000 ovos. O período de incubação deles (até a eclosão) é entre 2 a 4 dias, a depender da temperatura (temperaturas mais altas aceleram o processo).

Fotos das ovas da lagarta-do-cartucho
Na imagem A é possível visualizar a cor alaranjada dos ovos de Spodoptera frugiperda 12 horas após a oviposição (postura). Na figura B, os ovos adquirem coloração escura, e é possível observar as lagartas eclodidas.
(Fonte: Da Rosa, Barcelos 2012)

Estágios de larva

A alimentação inicial das lagartas é a partir da casca dos ovos recém eclodidos. No total, ocorrem seis ou sete ínstares na fase larval (aumento do tamanho da lagarta). A duração do período larval é de aproximadamente 23 dias, a depender da temperatura.

Lagarta-do-cartucho sobre folha de milho
Fase larval da lagarta-do-cartucho. Na figura A, é possível observar os 5 principais estágios da fase larval e a coloração das lagartas em cada um deles. Na figura B, é possível visualizar os detalhes da lagarta, com três pares de pernas torácicas e cinco pares de falsas pernas abdominais
(Fonte: Da Rosa, Barcelos 2012)

Fase de pupa

A fase de pupa ocorre após o desenvolvimento completo da lagarta. Ele pode acontecer no solo, dentro do próprio cartucho do milho, no pendão e até mesmo nas espigas (entre a palha). Tem duração entre 6 a 55 dias, também a depender da temperatura.

Pupa da lagarta-militar em folha
O período pupal é bastante dependente da temperatura, no inverno, ou em regiões mais frias, a lagarta pode inclusive hibernar em casulos.
(Fonte: Da Rosa, Barcelos 2012)

Fase adulta (traça ou mariposa)

O aspecto visual da fase adulta é uma mariposa, de coloração cinza-escuro (machos) a marrom acinzentado (fêmeas). Ela tem aproximadamente 4 cm de comprimento.

O tempo para que o ciclo de vida seja completo é menor no verão, com média de 30 dias. Por outro lado, esse ciclo aumenta no inverno, podendo durar até 50 dias.

Quais culturas a lagarta-do-cartucho (ou lagarta-militar) ataca?

A lagarta-do-cartucho do milho, apesar de ser mais frequente na cultura do milho, pode provocar danos significativos em diversas outras culturas. Soja e algodão são atacados desde a emergência, e arroz, trigo, cana-de-açúcar, cevada e triticale também são alvos.

A lagarta-do-cartucho passou a atacar outras espécies além do milho em função da redução dos seus inimigos naturais. Isto ocorreu pelo uso desenfreado de inseticidas de amplo espectro, não seletivos

Isso provocou a redução dos inimigos naturais da lagarta em outros cultivos. Além disso, sem o uso de rotação de princípios ativos, a lagarta adquiriu resistência a diversos inseticidas. Como consequência, ocorreu comprometimento do seu controle, o que agravou a situação.

Danos causados pela lagarta-do-cartucho do milho

Os danos causados na cultura do milho são mais intensos. Os sintomas são as folhas raspadas e perfuradas, cartucho destruído, espigas danificadas e excreções das lagartas nas plantas

Além disso, as lagartas perfuram a base da planta, causando o sintoma de “coração morto”. Os danos têm maiores impactos quando o ataque ocorre em plantas com 8 a 10 folhas e em períodos de seca.

Na fase de emergência, a lagarta-do-cartucho pode danificar as plântulas, causando o seu tombamento. Consequentemente, isso reduz a população de plantas da lavoura e a produtividade da cultura.

Foto dos danos causados pela lagarta-do-cartucho em folhas e espiga de milho
Danos podem ser observados em folhas (com raspagem e perfurações), e em espigas
(Fonte: J.Crozier, PlantWise)

Como diferenciar a lagarta-do-cartucho das demais lagartas Spodoptera?

Pode ser confuso distinguir a lagarta-do-cartucho das demais espécies do complexo Spodoptera. No entanto, esta distinção é importante para direcionar o melhor controle. Veja um passo-a-passo para identificar essa praga na sua lavoura!

  • Passo 1 – Verifique se a lagarta tem cabeça escura com uma marca clara em forma de “Y” de cabeça para baixo na fronte.
Lagarta-militar, com indicação da cabeça com desenho de Y
(Fonte: PlantWise)

Passo 2 – Cada um dos segmentos do corpo deve possuir um padrão de quatro pontos elevados quando observado de cima.

Foto ampliada da lagarta-do-cartucho
(Fonte: PlantWise)

Passo 3 – Veja se a lagarta possui quatro pontos escuros que formam um quadrado no penúltimo segmento do corpo.

Cabeça da lagarta-militar, com indicações dos quatro pontos
(Fonte: PlantWise)

Passo 4 – Verifique se as lagartas jovens são verdes, mudando para a cor marrom conforme maior tempo de vida.

Lagartas-militares juntas sobre folha de milho
(Fonte: PlantWise)

Controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Você pode fazer o controle da Spodoptera frugiperda através de 5 métodos: tratamento de sementes, variedades transgênicas, Manejo Integrado de Pragas, controle químico ou biológico. Veja um pouco mais sobre cada um deles a seguir.

Tratamento de sementes

O tratamento da semente é considerado um método preventivo, que retarda a aplicação foliar. O custo é relativamente baixo e a economia de tempo são vantagens em comparação a uma aplicação foliar, especialmente em grandes áreas.

Se o histórico de pragas da sua área relata infestação da lagarta-do-cartucho, esse método é essencial para começar uma lavoura sadia.

A escolha do inseticida para o tratamento deve seguir alguns padrões. O produto, para ser efetivo, tem de ser sistêmico e, de preferência, de menor impacto ambiental.

Variedades transgênicas com atividade inseticida

O termo Bt, de tecnologia Bt, é composto pelas iniciais do nome científico da bactéria Bacillus thuringiensis.

Esse microrganismo, naturalmente encontrado no solo, produz uma proteína que é tóxica para alguns insetos (por exemplo, a lagarta-do-cartucho). Essa proteína não tem efeito sobre outros organismos.

Mas não se esqueça que pode ocorrer redução da eficiência do milho ou da soja Bt sobre a lagarta-do-cartucho.

Neste cenário, é fundamental manter a vigilância e o monitoramento de pragas nas lavouras, além do refúgio de plantas Bt. Veja um exemplo de como o refúgio acontece na cultura do milho.

Ilustração que msotra como deve ser feita a área de refúgio
Ilustração que msotra como deve ser feita a área de refúgio
Exemplificação de áreas de refúgio em diferentes configurações.
(Fonte: Embrapa Milho e Sorgo, 2014). 

MIP (Manejo Integrado de Pragas)

A grande preocupação no momento é o desenvolvimento de populações da lagarta-do-cartucho resistentes a produtos químicos e de tecnologia Bt.

O MIP (manejo integrado de pragas), além de ajudar a reduzir as aplicações de defensivos, te ajuda a manejar corretamente essa e outras pragas. 

O MIP visa utilizar todos os métodos de controle da lagarta-do-cartucho que estejam disponíveis. Dentro do MIP, você também pode fazer o controle químico.

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Controle químico: inseticida para lagarta-do-cartucho

Se você decidir utilizar inseticidas, faça rotação de inseticidas com diferentes modos de ação (grupos químicos). Isso serve para evitar que a praga desenvolva resistência a inseticidas individuais ou a grupos de inseticidas.

Evite o uso de inseticidas de amplo espectro, dando preferência àqueles seletivos aos inimigos naturais. A boa escolha do inseticida leva em consideração o nível de dano da cultura, estágio de desenvolvimento da praga e a presença de inimigos naturais.

Para consulta dos inseticidas recomendados para a cultura do milho, no combate da lagarta-do-cartucho, basta acessar o portal da Agrofit

Controle biológico da lagarta-do-cartucho

A lagarta-do-cartucho pode ser também combatida através do controle biológico, seja na fase de ovo (ideal) ou na fase de lagarta. Para o controle dos ovos, podem ser utilizadas as vespinhas Trichogramma, vendidas comercialmente no Brasil.

A espécie Trichogramma sp. parasita ovos da praga num raio de aproximadamente 10 metros a partir do ponto de liberação. Uma fêmea pode parasitar entre um e dez ovos por dia.

Produtos registrados para matar a lagarta-do-cartucho em todas as culturas (47), são encontrados a base de:

  • Trichogramma pretiosum (parasitóide);
  • Baculovírus;
  • Bacillus thuringiensis (não devem ser utilizados em áreas com tecnologia Bt);
  • Metarhizium anisopliae (fungo)

Monitoramento da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Para evitar que a lagarta-do-cartucho atinja grandes níveis populacionais, é necessário monitorar a lavoura. Você pode fazer isso de duas formas:

1. O uso de armadilhas de feromônio

A armadilha contém um dispositivo que exala substância similar ao da mariposa fêmea para atrair o macho.

Deve-se utilizar, no mínimo, uma armadilha por hectare. O nível de controle ocorre quando a armadilha captura três mariposas. A armadilha delta, com feromônio sexual sintético, é muito utilizada para o monitoramento de adultos de Spodoptera frugiperda.

2. Monitoramento em campo

É importante observar os danos na sua cultura também para fins de monitoramento. Para monitorar lavouras de milho, existe uma escala que pode te ajudar.

Você deve recorrer ao uso de inseticidas quando atingir 20% das plantas com nota maior ou igual a 3 na escala de Davis. Nas lavouras Bt, esse número é reduzido para 10%.

Conclusão

O MIP é a chave para um controle preventivo e eficaz no manejo de lagarta-do-cartucho.

A adoção de métodos de controle de forma integrada e consciente é a prática mais inteligente de diminuição do inseto numa propriedade rural.

Após conhecer mais sobre a praga e como combatê-la, escolha aqueles métodos de controle que mais se encaixam na sua propriedade. Aproveite as dicas e acabe já com essa praga na lavoura.

Você está enfrentando problemas com a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) na sua lavoura? Conhece algum outro método de controle que não está no artigo? Adoraria ler seu comentário.

redatora Bruna Rohrig

Atualizado em 29 de agosto de 2022 por Bruna Rohrig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

7 cursos de agricultura de precisão grátis (+ graduação e pós-graduação que você pode fazer)

Atualizado em 05 de outubro de 2020.
Cursos de Agricultura de Precisão para você se atualizar e lucrar mais na fazenda

Os conceitos de Agricultura de Precisão (AP) estão cada dia mais presentes nas lavouras.  Hoje temos inúmeras ferramentas e tecnologias sendo lançadas no mercado e aplicadas nas fazendas.

A AP ajuda a reduzir custos e a se ter mais eficiência no campo.

Neste artigo, apresento alguns cursos de agricultura de precisão para que você possa aprender mais sobre esse tema.

E o mais legal: alguns você pode aprender sem pagar um tostão para aperfeiçoar sua carreira!

7 cursos de agricultura de precisão gratuitos oferecidos pelo Senar

Consagrado pelos seus cursos técnicos, o Senar tem 7 cursos gratuitos de agricultura de precisão para produtores rurais, profissionais e estudantes da área. 

1 – Agricultura de precisão em diferentes culturas

O curso de agricultura de precisão em diferentes culturas ensina aplicação da tecnologia  para olericultura, silvicultura, produção de grãos e culturas perenes.

Carga horária: 17 horas

Duração: 24 dias

2 – Agricultura de precisão na colheita de grãos

Neste curso você irá aprender, de forma prática e atual, a reconhecer e nomear as modernas ferramentas que equipam as colhedoras.

Carga horária: 17 horas

Duração: 24 dias

3 – Agricultura de precisão na aplicação de defensivos agrícolas 

Este curso ensina como melhorar a performance na distribuição de defensivos agrícolas, detectando pragas, doenças, plantas daninhas e dosando a aplicação dos químicos em tempo real.

Carga horária: 17 horas

Duração: 24 dias

4 – Agricultura de precisão na semeadura

O objetivo do curso de AP na semeadura é capacitar você para obter mais produtividade, sustentabilidade e retorno financeiro melhorando a semeadura das suas culturas.

Carga horária: 17 horas

Duração: 24 dias

5 – Agricultura de precisão na distribuição de corretivos e fertilizantes

Neste curso você vai aprender os benefícios da AP na correta distribuição de corretivos e fertilizantes nos talhões, utilizando aplicação em taxa variável.

Carga horária: 17 horas

Duração: 24 dias

6 – Sistemas de orientação por satélite

Neste curso você aprende a base da agricultura de precisão, que são os sistemas de orientação por satélite e como utilizá-los corretamente.

Carga horária: 17 horas

Duração: 24 dias

7 – Introdução à agricultura de precisão 

Este curso é o primeiro que você deve fazer, caso você ainda não tenha familiaridade com o assunto. 

É o curso introdutório sobre AP e nele você aprende os conceitos básicos sobre esse sistema de manejo e como utilizar suas ferramentas na gestão rural.

Carga horária: 18 horas

Duração: 25 dias

Graduação em Agricultura de Precisão

Fatec Pompeia

A Fatec Shunji Nishimura de Pompeia tem dois cursos relacionados aos conceitos de agricultura de precisão.

O primeiro deles é de “Big Data no Agronegócio” e o segundo é de “Mecanização em Agricultura de Precisão”. O site também publica algumas matérias e informações que podem complementar o treinamento em AP.

Pós-graduação em agricultura de precisão

UFSM

Além de ótimos conteúdos para aprender sobre AP, a Universidade Federal de Santa Maria oferece um curso de pós-graduação em agricultura de precisão.

Faef Garça-SP

A Faef apoiando os sinais de mudanças e as tendências do futuro está oferecendo um curso de pós-graduação em agricultura de precisão, totalizando 576h.

Faveni

A pós-graduação em agricultura de precisão da Faveni é de 740 horas e oferecido na modalidade online.

A faculdade conta com mais de 200 polos distribuídos no Brasil. Basta você conferir com o polo mais próximo da sua cidade.

Faculdade de Tecnologia CNA

A faculdade de tecnologia CNA oferece cursos de graduação e pós-graduação relacionados a tecnologia no agronegócio.

A faculdade apresenta as seguintes especializações: gestão em agricultura de precisão; gestão empresarial e estratégia em agronegócio; geoprocessamento e cadastro ambiental; e gestão de projetos em agronegócio.

Faculdade Unyleya

A faculdade Unyleya oferece o curso de pós-graduação pago em agricultura de precisão a distância. O curso é 100% online.

Apenas um encontro presencial ao final do curso para realização da prova e apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Curso de Agricultura de Precisão, seja online ou presencial, pode ser uma maneira de aperfeiçoar seus conhecimentos.

Já vimos que existem algumas dezenas de softwares para Agricultura de Precisão que podem te ajudar no trabalho e aumentar sua produtividade.

O melhor investimento a curto prazo para sua fazenda é sua capacitação.

Os softwares e aplicativos de fazendas são ótimas ferramentas para ajudar a implementar a agricultura de precisão, mas desde que você saiba a teoria para aplicar na prática.

>> Leia mais:

Software para agricultura de precisão: o guia definitivo para escolher um

Drones e agricultura de precisão: 8 pontos para você considerar

Gostou dos cursos de Agricultura de Precisão que listei? Possui alguma outra sugestão? Comente aqui embaixo. Vou adorar receber sua indicação.

Atualizado em 05 de outubro de 2020 por Luis Gustavo Mendes
Agrônomo, licenciado em ciências agrárias, mestre em engenharia de sistemas agrícolas sob tema “Agricultura de Precisão”. Atualmente professor e empreendedor.

5 dicas no planejamento agrícola para otimizar o uso de fertilizantes

O que você acha de produzir mais com menor custo?

Já vimos em artigo anterior como diminuir os custos através de um planejamento agrícola bem feito.

Que tal agora aplicar o planejamento para otimizar o uso de fertilizantes na sua lavoura?

O uso de fertilizantes na quantidade adequada garante um bom rendimento e pode aumentar em até 50% a produtividade.

Já sabemos que o uso de fertilizantes, sejam eles orgânicos ou minerais, auxilia de maneira imprescindível para garantirmos as altas produtividades.

Quando falta nutrientes, a produtividade da cultura fica limitada ao nutriente presente em menor quantidade no solo. Isso vai ter como consequência a redução da produtividade.

Vamos então para algumas dicas que vão lhe ajudar na hora de otimizar o uso do fertilizante na lavoura.

Dica 1: faça uma boa análise de solo e tenha investimentos certeiros

É o primeiro passo de tudo. A análise de solo deve ser feita com certa regularidade, de preferência todo ano. Assim, você saberá exatamente a quantidade de nutrientes que sua próxima cultura vai precisar.

Como vemos no campo, há várias ferramentas que podem ser utilizadas para realizar o procedimento de coleta de forma manual.

trados do solo

(Fonte: Andre Pereira Lima em Nutrical)

O tempo consumido e o trabalho envolvido são barreiras para execução dessa atividade. Mas isso está com os dias contados: novas ferramentas e equipamentos vêm ganhando força e auxiliando os produtores, como análise de solo automatizada e georreferenciada.

amostra-de-solo-automatizada

(Fonte: Saci Soluções)

Com a amostragem georreferenciada é possível fazer um planejamento agrícola mais direcionado, dando a atenção necessária e diferenciada em cada área.

Assim, dá para separar as diferentes necessidades de adubação e correção do solo por meio de mapas.

Com o mapa da sua área você poderá fazer aplicação de fertilizantes em taxa variável, ou seja, você só vai aplicar o adubo, calcário ou gesso onde realmente está faltando e na quantidade ideal.

A taxa variável é uma das utilizações da agricultura de precisão e pode ser uma excelente ferramenta para a administração rural.

inceres

(Fonte: Inceres)

Aplicativos como o Aegro também permitem que você cadastre suas unidades produtivas e as georreferencie no mapa.

aegro

Isso permite conhecer as necessidades e custos por talhão, inclusive quanto aos fertilizantes e corretivos.

O histórico da fazenda de adubação e correção também são essenciais para saber o que está acontecendo com sua propriedade e qual a melhor estratégia de produção agrícola. Mantenha seus registros e esteja definitivamente no comando.

>> Neste artigo você aprende como escolher um software de AP: Software para Agricultura de Precisão: O guia definitivo para escolher um

Dica 2: saiba quais produtos estão disponíveis no mercado e tenha em mente todas as opções

Ao final da safra, avalie os resultados e identifique quais foram os fertilizantes que obtiveram melhor desempenho.

Sabendo isso você poderá selecionar de maneira mais rigorosa os produtos que irá comprar nos próximos cultivos.

No mercado há muitas opções, por exemplo: na hora de comprar o calcário qual você vai escolher?

Você pode optar pelo calcítico, no qual o teor de magnésio é inferior a 5%, ou magnesiano, no qual o magnésio está presente entre 5 e 12%, ou ainda optar pelo dolomítico, que possui um teor acima de 12% para o magnésio.

E o calcário é só um exemplo. Lembre-se de todos os outros insumos que você escolhe todos os anos para integrar seu manejo da lavoura, as opções são inúmeras.

Por isso, o acompanhamento da sua lavoura é vital para que você verifique se os produtos que escolheu estão adequados para os objetivos que se deseja: produtividade e rentabilidade.

Sabendo quais produtos pretende-se comprar, avalie os preços, a qualidade e os serviços oferecidos pelo vendedor que podem te auxiliar na sua próxima safra.

Mas você não vai conseguir fazer isso se comprar de última hora, na correria do plantio. Por isso é tão importante o planejamento estratégico da produção agrícola antes da safra começar.

Pense sobre isso!

E lembre-se: o fertilizante deve ser visto como um investimento procurando sempre a melhor relação custo-benefício.

Dica 3: parcelamento dos nutrientes (em especial para nitrogênio e potássio)

Os nutrientes são extraídos do solo em diferentes quantidades dependendo da cultura.

O parcelamento deve ser baseado no tipo de solo, já que os mais arenosos vão precisar de parcelamento para que não perca todo o nitrogênio.

Quando falo especialmente para nitrogênio e potássio é porque esses nutrientes são mais facilmente lixiviados no solo. Caso isso aconteça, eles não conseguem ser absorvidos pelas plantas.

A maior quantidade de nitrogênio na cultura do milho é absorvida até o florescimento.

>> Cuidados que você deve ter para evitar deficiência de potássio na soja

Essa informação nos permite compreender que a maior parte do nitrogênio utilizado pela planta precisa ser absorvido do solo, sendo que apenas 38% é remobilizado para os grãos.

marcha-de-absorção-de-N

(Fonte: Agronegócio em foco)

Portanto, fica claro que a época em que o fertilizante é aplicado reflete de forma significativa nos custos e na produtividade da cultura.

No caso do milho, por exemplo, percebemos que a grande maior parte da adubação de nitrogênio deve ocorrer até o florescimento.

Para a cultura da soja, a Embrapa tem essa publicação na qual mostra os nutrientes absorvidos em cada fase da lavoura dessa leguminosa.

soja-nutrientes

(Fonte: Embrapa)

Dica 4: saiba identificar a deficiência de nutrientes caso ela ocorra

Identificar os sintomas de deficiência caso ocorram vai lhe ajudar a prevenir que aconteça nas próximas safras.

sua-planta-está-doente

(Fonte: Eng. Agrônoma Angela Rossi e Arte UOL em Eu Quero Biologia)

Se você está vendo sintomas é porque algo não aconteceu como o planejado, podendo ser dose errada de produto, ausência de aplicação ou ainda época errada de aplicação.

Nestes links para a cultura do milho e da soja, você vai poder aprender mais sobre a deficiência de nutrientes.

Dica 5: uso de tecnologias e softwares para gestão agrícola

O uso de softwares para a aplicação de fertilizantes e corretivos está cada vez mais difundida e é uma tendência que veio para ficar e auxiliar os produtores a otimizarem as aplicações.

Como já vimos, podemos utilizar essas ferramentas em vários momentos, como na realização da amostragem de solo e em aplicação de fertilizantes em taxas variáveis.

Outros, podem te auxiliar no planejamento agrícola e acompanhamento da safra, permitindo que tudo esteja ao seu alcance e totalmente controlado.

O Aegro tem uma ferramenta que te mostra os insumos que foram planejados. Você ainda pode ver na tela de estoque todas as entradas de insumos e saídas, controlando de maneira prática todo o seu estoque.

Controle de custos de safra no Aegro

Para te ajudar no planejamento também disponibilizamos gratuitamente abaixo uma planilha de fertilizantes!

Conclusão

Deu para perceber que o planejamento agrícola envolve tudo, inclusive o uso correto de fertilizantes e corretivos.

Aqui você aprendeu sobre importância da adubação, análise de solo, parcelamento de fertilizantes, identificação de deficiências nutricionais e como alguns softwares ou aplicativos podem te ajudar nessas atividades.

Aproveite as dicas para otimizar de uma vez por todas a aplicação de fertilizantes na sua lavoura. Isso pode ser o diferencial que você está procurando!

>> Leia mais:

“Fertilização em excesso? Entenda os riscos da overfert e saiba como evitar que ela ocorra”

“Calendário agrícola: saiba como organizar as atividades da lavoura de forma estratégica”

O que achou das dicas? Tem mais alguma coisa que você no planejamento agrícola e uso de fertilizantes? Ficou  alguma dúvida? Conta para a gente! Adoraria ver seu comentário abaixo!

Custos de produção agrícola: Entenda e esteja no comando de sua fazenda

Custos de produção agrícola: saiba o que são, como calcular, quais são os tipos de custo, como diretos, indiretos, fixos, variáveis e muito mais!

O Brasil registrou na safra de 2022/23, a produção de 322,8 milhões de toneladas de grãos, segundo dados da Conab. Esses dados demonstram grande produtividade da agricultura brasileira. Para garantir uma lucratividade tão alta quanto esses números, conhecer os custos de produção agrícola é essencial.

Neste artigo, saiba como calcular o custo de produção agrícola e como o mercado impacta esse cálculo. Boa leitura!

O que é custo de produção agrícola?

O custo de produção é um conceito econômico que se aplica a quase todos os negócios.

As pequenas margens de lucro e os altos riscos da atividade agrícola exigem que você entenda o custos de produção agrícola e a receita associada da propriedade, e é nesse ponto que entra o custo de produção.

Os custos de produção agrícola são o custo médio de produção de uma unidade de uma commodity (por exemplo, R$ 35 por saca de 60 Kg de milho).

Esse valor é calculado totalizando todos os custos associados à atividade agrícola e dividindo esse total pelo resultado (rendimento) produzido.

À primeira vista, isso parece ser simples, mas o custo total de uma empresa rural inclui uma complexidade de diferentes categorias de custos, o que gera alguma confusão. Especialmente se não for gerenciado corretamente.

E é por isso que a estimativa e a gestão dos custos de produção agrícola exigem uma grande quantidade de informações. Veja aqui como você pode diminuir seus custos com planejamento agrícola.

Isso requer diferentes conhecimentos para permitir que você compreenda melhor suas necessidades, subsidiando o planejamento agrícola.

É importante deixar claro que os custos de produção agrícola variam de fazenda para fazenda e de talhão a talhão. Por este motivo é tão importante conhecer sua propriedade.

Entenda os custos de produção agrícola

Para calcular os custos de produção agrícola, você precisa considerar no cálculo os custos fixos e custos variáveis. Alguns exemplos de custo de produção são: gastos administrativos, transporte, insumos, impostos, salários, aluguel, entre outros.

Agora, veja um pouco mais a fundo sobre os custos fixos, variáveis e custo médio de produção.

Custos fixos

Os custos fixos são aqueles que não variam com a produção, como salários, volume de vendas, seguro, depreciação, impostos e aluguel. 

Os custos fixos fazem parte da estrutura do negócio. Por isso, são importantes para a tomada de decisões de médio a longo prazo sobre quais empresas devem investir.

Custos variáveis

Os custos variáveis mudam com o nível de produção da fazenda, e incluem insumos, fertilizantes, combustível, reparos, etc.

Custos variáveis ​​influenciam nas decisões de curto prazo, especialmente em relação à próxima safra. A soma dos custos fixos com os custos variáveis resulta nos custos totais da produção agrícola.

Custo médio de produção

Também é possível calcular o custo médio de produção. O custo médio de produção de um produto é o valor de cada unidade produzida. Para esse cálculo, você pode somar o valor da média dos custos variáveis e fixos. 

Qual a diferença entre custo, despesa e gasto

Para entender a importância de calcular o custos de produção agrícola, é preciso entender a diferença entre custo, despesa e gasto.

Custo

O custo é todo investimento que o gestor precisa aplicar que seja possível produzir como, por exemplo, matéria-prima, água, eletricidade, manutenção e depreciação do maquinário, transporte, logística, entre outros.

Despesa

As despesas são valores que a empresa precisa ter para manter o funcionamento da estrutura mínima. Esses valores se aplicam em softwares de gestão, folha de pagamento, plano de telefone, arrendamento e material de escritório.

Gastos

Os gastos são os valores que a empresa não previu no orçamento, mas que são necessários para não prejudicar o fluxo de produção. Alguns exemplos são substituição de peças com defeitos, assistência técnica de urgência, entre outros.

Quais são os tipos de custos do processo produtivo

Veja abaixo quais são os principais tipos de custos de produção agrícola que devem servir como base de cálculo e como as informações devem ser utilizadas.

Mão de Obra

Os custos com mão de obra incluem os salários de todos os colaboradores. Entretanto, para o cálculo do custo, considere não só os salários, mas todo valor destinado ao pagamento da força de trabalho. 

Nesta conta estão incluídos também os gastos com benefícios, encargos sociais e trabalhistas.

Sementes

Para ter maior controle, você deve separar os custos das sementes comuns das cultivares

Dessa forma, você saberá que nas partes A e B do terreno, o custo de produção foi maior ou menor porque utilizou os cultivares específicos (sementes com mais tecnologia, com resistência a insetos e herbicidas).

Depois da colheita, é possível identificar se o custo com essas sementes compensou.

Fertilizantes e defensivos

Ao fazer um planejamento correto, é possível identificar quanto de fertilizantes e defensivos serão aplicados por hectare e qual foi o custo disso.

Este controle também evita que sobre ou falte muito fertilizante ou defensivo no seu estoque. 

Maquinário

Dentro do custo com máquinas, considere gastos com:

Desse modo, é possível identificar qual item mais impacta nos custos com maquinário.

Por exemplo, se existem muitos gastos com manutenção, isso pode indicar um mau uso dessa máquina ou que a máquina precisa ser trocada.

Outros custos de produção

Uma empresa agrícola tem diversas outras despesas que são próprias da atividade. Todas elas devem ser consideradas para o custo de produção final. 

Energia elétrica, água, frete, gastos administrativos e encargos devem ser calculados no momento do uso e proporcionalmente. Dessa forma, o custo de produção demonstrará a realidade econômica da empresa rural.

Portanto, conhecer o histórico do preço dos insumos também é fundamental. 

Além disso, também é importante fazer bons acordos com fornecedores. Assim você consegue preços e condições de pagamento melhores, reduzindo o custo de produção do seu negócio.

Como calcular os custos de produção agrícola 

De forma resumida, para calcular os custos de produção agrícola é necessário somar o preço da matéria prima, da mão de obra e os custos indiretos de produção. Em outras palavras, custo de produção = matéria prima + mão de obra + custos indiretos.

Existem três tipos de custos de produção agrícola que podem ser calculados.

A estrutura original do custo de produção é separada por três itens. 

Esses são os três tipos básicos de custos envolvidos na produção: COE (Custo Operacional Efetivo), o COT (Custo Operacional Total) e o CT (Custo Total). 

Agora, veja como calcular o COE, COT e CT da sua fazenda:

Custo Operacional Efetivo (COE)

O COE inclui todos os itens considerados variáveis ou custos diretos com dispêndio de dinheiro no ano agrícola, envolvendo todos os componentes de custos gerados pela relação entre quantidade utilizada e os seus preços. Também se enquadram os custos administrativos e os custos financeiros do capital de giro.  São considerados no COE:

Os componentes do COE são renovados a cada ciclo produtivo.

Custo Operacional Total (COT)

O COT é formado pela soma do COE com os custos indiretos representados pela depreciação de máquinas, implementos e benfeitorias e taxas associadas ao processo de produção.

O COT indica a possibilidade de reposição da capacidade produtiva do negócio no longo prazo, além da remuneração do responsável pelo gerenciamento da atividade (pró-labore).

Custo Total (CT)

O CT é a soma do COT com o custo de oportunidade de uso do capital e da terra.

Este custo indica a situação econômica do empreendimento considerando todos os custos implícitos.

O custo de oportunidade dos bens de capital corresponde à aplicação de uma taxa de juros sobre o capital médio investido em máquinas, implementos, benfeitorias, lavouras e rebanhos.

O custo de oportunidade do capital circulante próprio também corresponde à aplicação de uma taxa de juros sobre o capital médio utilizado. 

O custo de oportunidade da terra é equivalente ao valor de aluguel (arrendamento) de terras semelhantes na mesma região.

Portanto, para avaliar a atratividade da atividade produtiva, é necessário comparar a receita bruta com o custo de produção.

Demonstração de custos de produção agrícola operacionais totais e totais
Escala dos custos de produção agrícola em relação à receita bruta
(Fonte: CNA)

Fatores que interferem nos custos de produção agrícola

Fertilizantes e defensivos agrícolas podem apresentar baixas nos preços em períodos em que não são muito utilizados na lavoura. Esse é o momento de repor os estoques e economizar.

A instabilidade da oferta mundial por causa do conflito entre Rússia e Ucrânia elevou os preços de fertilizantes, defensivos agrícolas e diesel em 2022. 

Este fato encarece os custos de produção agrícola. Por isso, é sempre importante planejar o orçamento de sua propriedade.

O orçamento nada mais é que a listagem de todos os custos e receitas estimadas durante um período específico de tempo, como uma safra ou um ano. 

Os orçamentos formalizam o processo de planejamento, permitindo que os produtores tenham uma imagem clara de seus custos de produção agrícola. Com essa informação, você pode projetar a produtividade ou o preço de venda necessários para gerar lucro.

Um software de gestão agrícola, como o Aegro, pode te auxiliar na automatização do planejamento e no controle do seu custo de produção.

Planilha de custos de produção agrícola

É muito importante saber o histórico das culturas em cada talhão da fazenda. A ocorrência de pragas, plantas daninhas e nematoides e como foi o manejo de cada um desses itens devem ser considerados.

Por exemplo, os custos de produção da soja podem aumentar entre 42% e 222% devido à resistência de plantas daninhas ao glifosato. Esses dados são de um estudo da Embrapa 

Além disso, é preciso ter o histórico tanto dos preços dos insumos quanto dos produtos vendidos. Assim é possível identificar, ao longo dos anos, em quais situações essa ou aquela cultura foi mais rentável. 

Essa é a melhor forma de fazer a estimativa correta do orçamento de insumos.

Fazer esses cálculos pode parecer um pouco complicado. Para te ajudar nesse momento, separamos uma planilha de custo de produção gratuita que fará o processo para você. 

Basta clicar na imagem a seguir para baixar:

Calcule seus custos e compare com outras fazendas

Como a tecnologia pode ajudar a melhorar sua gestão

De nada adianta fazer acordos de compra e venda, saber o histórico de flutuação dos preços e acompanhar a concorrência se você continuar anotando tudo apenas no papel.

Cadernos, e até mesmo planilhas, podem ser perdidos. Além disso, essas formas de controle dificultam um diagnóstico preciso da saúde do seu negócio.

Por isso, gerenciar a sua fazenda com um software de gestão rural é a melhor opção. Você garante que o seu histórico financeiro esteja seguro para futuras análises.

Com o Aegro, por exemplo, você realiza e armazena todo o seu planejamento agrícola em um só lugar. É possível montar um orçamento para a safra e estabelecer metas de produtividade.

Calcular os custos de produção agrícola é possível com o Aegro

O Aegro também te auxilia a manter um fluxo de caixa organizado e um bom capital de giro em conta. Você registra com facilidade as despesas e receitas da fazenda, categorizando cada parcela e ficando em dia com os pagamentos.

No final do ciclo produtivo, o Aegro cruza essas informações para te oferecer indicadores e relatórios de custo de produção e rentabilidade, talhão por talhão.

Além de aproveitar todas essas funcionalidades no computador, você também pode instalar o app Aegro no seu celular para ter acesso rápido aos principais indicadores financeiros da fazenda.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Conclusão

Os custos de produção agrícola são uma parte essencial para a gestão da propriedade rural. Ele envolve o conhecimento de custos fixos e  custos variáveis em cada fase da lavoura.

Com essas informações, você pode calcular o custo operacional efetivo, operacional total e total da sua fazenda. 

Esse é o passo fundamental para garantir uma boa saúde financeira do seu negócio.

>> Leia mais:

5 passos para calcular o custo de produção de feijão por hectare

Como estimar o custo de produção do café (+ calculadora rápida)

Saiba como calcular o custo de produção de arroz por hectare

Calcule seu custo de produção de milho por hectare

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Atualizado em 30 de novembro de 2023 por Mariana Rezende.

Mariana é formada em economia e mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. É doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Economia e graduanda de Ciências Contábeis na mesma instituição.

O guia definitivo para escolher um software para Agricultura de Precisão

Software para agricultura de precisão: como funciona, como escolher e como melhorar sua administração rural com ele!

Quantas vezes você ouviu falar sobre Agricultura de Precisão (AP) só nos últimos meses? Aposto que não foram poucas.

A AP pode economizar tempo, reduzir gastos com fertilizantes em até 50%, e ainda pode ajudar para conquistar maior produtividade.

Existem muitos softwares para agricultura de precisão à nossa disposição.

Se você ainda não sabe qual deles é o melhor, como escolher um ou mesmo as diferenças entre os softwares de AP e quaisquer outros softwares, confira a seguir!

Diferenças dos softwares de agricultura de precisão

Os softwares de AP são conhecidos como SIG (Sistemas de Informação Geográfica), pois utilizam dados georreferenciados.

Você pode encontrar softwares pagos e softwares de agricultura de precisão grátis. Mas, antes, vamos entender como funcionam esses sistemas?

O que são dados georreferenciados?

Os dados georreferenciados nada mais são do que coordenadas geográficas de cada ponto para localização no globo terrestre.

Quem nunca utilizou o Waze, Google Maps ou qualquer outro aplicativo para chegar a algum lugar?

Usamos diariamente dezenas de aplicativos que nos ajudam a chegar a um lugar que não conhecemos. E como eles conseguem nos levar exatamente ao endereço que nos foi fornecido?

Estes aplicativos utilizam diversos satélites para calcular nossa localização no globo terrestre.

Como funciona a localização por satélites?

São diversas constelações com dezenas de satélites cada. A constelação norte americana, mais conhecida como GPS (Global Positioning System) possui 30 satélites em órbita operacionais.

Além dessa, temos a nossa disposição a constelação russa GLONASS, a chinesa BAIDU, a Europeia GALILEU e outras ainda em fase de construção.

O posicionamento é conseguido por meio da triangulação de 4 satélites. Quanto mais satélites existirem sobre o campo de visão das máquinas, maior será a garantia do posicionamento.

Tudo isso para garantir a cobertura e melhorar a qualidade da localização das pessoas, máquinas e equipamentos no planeta Terra.

Por meio dos satélites, os dados coletados são corretamente posicionados nas coordenadas no globo terrestre.

O que consigo fazer com os softwares de SIG?

Com a utilização dos softwares de agricultura de precisão é possível a confecção de diversos mapas:

  • mapa de colheita
  • mapa de vigor de vegetação (NDVI, NDRE, etc.)
  • mapa de nutrientes nos solos
  • mapas de declividade
  • curvas de nível
  • mapas 3D das culturas
  • delimitação de talhões e áreas
  • mapa de pragas
  • visualização de fazendas
  • criação de grids amostrais
  • geração de mapas de recomendação
  • interpolação de dados
  • álgebra de mapas
  • análises quantitativas de acúmulo de nutrientes

Além dos itens citados, há inúmeras outras ferramentas e complementos que podem ser instalados para utilização em diversas outras finalidades, o que dá origem a uma ampla gama de aplicativos no mercado.

Software para agricultura de precisão grátis e pagos

Existem algumas centenas de aplicativos e software para agricultura de precisão. Alguns gratuitos e outros pagos.

Dentre eles pode-se destacar QGIS, ArcGIS, AgroCAD, Falkermap, SSTsoftware, Inceres e Geofielder da Embrapa. A Embrapa disponibiliza o Geofielder.

Estes softwares para agricultura de precisão podem ser usados em aeronaves, para imageamento aéreo, em máquinas agrícolas e veículos para captura de imagens em solo.

Como acadêmico, eu utilizo o software QGIS como ferramenta para trabalho na área de Agricultura de Precisão.

QGis, um software para agricultura de precisão livre

O QGIS é um software livre e programado na linguagem Python. O que isso significa?

Significa que ele é gratuito, podendo ser baixado neste link. Além disso, ele possibilita que os usuários criem suas próprias programações para manipular os dados da maneira que achar melhor.

Porém, se você não souber programar, não tem problema! O QGIS é um software bem completo e disponibiliza centenas de ferramentas para facilitar a vida de seus usuários.

Como fazer o download e começar a utilizar o QGIS?

Vamos ao passo a passo de como baixar e instalar o QGIS em seu computador:

1. Acesse o endereço que está neste link

2. Clique em “Para Usuários

qgis software para agricultura de precisão

3. Clique em “Baixar o QGIS

qgis software para agricultura de precisão

4. Escolha o instalador segundo as especificações de seu computador (32 bits ou 64 bits)

qgis software para agricultura de precisão

Na internet existem vídeos, tutoriais e cursos de QGIS ensinando a instalar e podem ser acessados gratuitamente por qualquer usuário. O Anderson Medeiros, por exemplo, apresenta diferentes tutoriais em português para te ajudar no uso do Qgis.

Como processar os dados em um software de SIG

Os softwares de agricultura de precisão, como já mencionado, trabalham com localização dos pontos no espaço.

Os arquivos provenientes de GPS, das máquinas agrícolas ou dos sensores virão com as colunas das coordenadas (geralmente Latitude e Longitude) e os valores dos outros atributos que serão avaliados.

É necessário um cuidado inicial para manuseio dos dados.

A escolha das colunas latitude e longitude é vital para o correto posicionamento dos pontos que serão analisados. Se essas colunas estiverem trocadas, todas as análises realizadas no programa estarão posicionadas nos locais errados.

Vários são os formatos de arquivos que os softwares de AP aceitam. O mais conhecido é o shapefile.

Porém, utilizando o QGIS é possível trabalhar com dados do tipo .csv (planilha de valores do Excel), .txt (arquivo de texto), kml ou kmz (arquivos do Google Earth), além de inúmeros outros formatos.

Vantagens em trabalhar com um software de SIG

Os softwares utilizados em agricultura de precisão já possibilitam que os arquivos gerados possam ser levados diretamente para as máquinas equipadas com piloto automático.

À medida em que as máquinas realizam as operações, novos arquivos de dados são gerados e devem ser analisados em um SIG, assim todo o ciclo recomeça.

Os SIGs possibilitam a confecção de mapas que facilitam a visualização das áreas e talhões, auxiliando nas tomadas de decisões.

Independentemente dos modelos de máquinas e sensores que coletaram os dados, todas as informações podem ser analisadas em conjunto em um SIG, o que permite um maior entendimento de cada porção da lavoura e cada zona produtiva.

Vale ressaltar que cada conjunto de dados deve ser analisado e, se necessário, passar por um pré-processamento, a fim de eliminar dados errôneos.

O uso adequado desse sistema resulta em:

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Atualmente existem diversos softwares e ferramentas para que consigamos trabalhar com agricultura de precisão na fazenda.

Diversas empresas de tecnologia na agricultura estão desenvolvendo e criando seus próprios softwares para facilitar o manuseio e armazenamento dos dados dos seus clientes.

Hoje já existem programas que processam os dados na nuvem e enviam somente os relatórios aos produtores, o que facilita a tomada de decisão.

Agora que você já sabe como escolher um software, estude suas opções e veja qual está mais alinhada com sua propriedade, prestando atenção no custo-benefício. Boa escolha!

>> Leia mais:

Mapas de produtividade na agricultura de precisão: Como otimizar seus insumos

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Você já utiliza algum software para agricultura de precisão em sua propriedade? Quer saber mais sobre algum dos que citei? Adoraria ver seu comentário abaixo.

9 curiosidades que você não sabe sobre ferrugem asiática da soja e como combatê-la

A ferrugem asiática da soja é considerada a principal doença dessa cultura atualmente.

Alguns estudos relatam que a Phakopsora pachyrhizi, nome científico da ferrugem da soja, segundo a Embrapa, pode causar perdas de 10% a 90%.

A doença chegou ao Brasil em 2001, e desde então, causou prejuízo de mais de US$ 25 bilhões.

Para evitar, manejar e controlar qualquer coisa, você primeiro deve conhecê-la.

Na atividade agrícola não é exceção. Muito menos com essa doença que tem causado tantos prejuízos.

Confira agora 9 curiosidades que você (ainda) não sabe sobre a ferrugem asiática e proteja sua produção de soja:

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1. O fungo só sobrevive e reproduz em plantas vivas

ferrugem da soja

(Fonte: Grupo Cultivar)

A ferrugem asiática da soja é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi.

O fungo só sobrevive e reproduz em plantas vivas, o que permite ter ampla gama de hospedeiros (plantas que pode infestar), sendo cerca de 150 espécies de leguminosas, como a soja.

2. Sintomas da doença na planta

Essa doença pode ser observada em qualquer estádio de desenvolvimento da planta.

Inicialmente os sintomas nas folhas são pequenos pontos, com coloração mais escura que o tecido sadio. Nesse momento, você pode observar no verso da folha, com ajuda de uma lupa, urédias (estruturas de reprodução do fungo), que se apresentam como pequenas saliências na lesão.

fungo ferrugem

Urédias na fase inicial da ferrugem da soja

(Fonte: Consórcio Antiferrugem)

Com o progresso da doença, essas estruturas ficam com coloração castanha, se abrem e liberam esporos.

Também com o progresso da ferrugem, as folhas amarelecem e caem. Isso compromete o desenvolvimento da planta, prejudicando o enchimento das vagens, qualidade e quantidade dos grãos.

lavouras com ferrugem asiática

Lavoura de soja durante o período reprodutivo intensamente atacada por ferrugem asiática (A), e a mesma lavoura, uma semana após, apresentando severa desfolha (B).

(Fonte: Pioneer sementes)

Você sabe identificar a ferrugem no campo?

Agora que você conhece um pouco da doença, já sabe que pode utilizar uma lupa e observar os sintomas nas folhas, especialmente no verso dela. Essa percepção antecipada da doença dará vantagem para seu adequado controle.

Ou seja, quanto antes você perceber que a lavoura está doente, mais cedo irá controlá-la e menos perdas a doença irá causar.

Por isso, o diagnóstico correto e o monitoramento constante são essenciais para o controle adequado da doença.

Para identificar a ferrugem de outras doenças da soja, você deve observar as urédias. Lembre-se de observar o verso da folha.

Se ainda restar dúvidas, procure uma clínica fitopatológica para a correta identificação.

lupa para monitoramento da ferrugem asiática

O monitoramento e a identificação da ferrugem nos estádios iniciais são essenciais para o controle eficiente.

(Fonte: Gazeta do Povo)

3. Germinação do fungo da ferrugem asiática da soja: entenda a importância

Os esporos são como as sementes para as plantas. Eles dão origem a novas infecções, ou seja, germinam e penetram na planta dando origem a doença.

esporos do fungo phakopsora pachyrhizi

Urediniósporos de Phakopsora pachyrhizi.

(Fonte: Manual de fitopatologia disponível em USP)

A disseminação dos esporos para outros locais ocorre principalmente pelo vento, os levando para longas distâncias.

Para você entender mais sobre esse processo, veja o ciclo da Phakopsora pachyrhizi:

ciclo da ferrugem na soja

(Fonte: Reis e Carmona em edisciplinas USP)

Para os esporos infectarem as plantas de soja são necessárias algumas condições ambientais que estão descritas no próximo item.

4. Condições ambientais que favorecem a ferrugem asiática da soja

A infecção ocorre quando as folhas estão molhadas e as temperaturas entre 8°C e 28°C, sendo mais favorável ainda as temperaturas de 16°C a 28°C.

Na temperatura de 25°C, algumas infecções ocorrem quando há no mínimo 6 horas de molhamento foliar, sendo o ótimo de 12 horas.

Além do orvalho, as chuvas também favorecem a ocorrência da doença, já que mantêm o tecido foliar úmido.

Como já comentei, a ferrugem pode ocorrer em qualquer momento da cultura, porém, ocorre preferencialmente a partir do fechamento do dossel, por proporcionar condições favoráveis para os esporos (alta umidade e proteção contra radiação ultravioleta).

No Brasil, a ferrugem asiática é de grande importância, pois fecha o “triângulo da doença”, conceito da Fitopatologia (estudo das doenças de plantas).

triangulo da doença

Representação clássica dos fatores que interagem para a ocorrência de doenças em plantas.

(Fonte: Fitopatologia)

Você deve estar se perguntando: Qual a relação desse “triângulo da doença” com a ferrugem asiática da soja na minha lavoura?

Vamos explicar melhor este conceito.

Como você pode observar na figura acima, em cada vértice tem escrito uma palavra (hospedeiro, ambiente e patógeno), essas são essenciais para a doença ocorrer. No caso da ferrugem asiática:

Hospedeiro: é a cultura da soja suscetível ao patógeno, ou seja, variedades de soja que não são resistentes à doença.

Patógeno: fungo Phakopsora pachyrhizi que é disseminado por esporos.

Ambiente: favorável ao desenvolvimento da doença (clima tropical).

Assim, o Brasil tem os três fatores para o desenvolvimento da ferrugem. E por isso, a doença é de grande importância.

Agora que você sabe um pouco da doença, vamos falar do seu histórico.

5. Ferrugem asiática da soja no Brasil: Primeira ocorrência encontrada

Você sabia que a ferrugem asiática da soja foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2001, no estado do Paraná?A primeira ocorrência da ferrugem asiática no continente americano foi também em 2001 no Paraguai. Meses depois, foi identificada no Brasil, indicando o grande poder de disseminação da doença e as condições favoráveis do país.

Assim, hoje a doença está espalhada por todas as regiões produtoras de soja do Brasil.

E hoje como anda a ocorrência da doença no Brasil?

6. Ocorrência da doença

Na safra 2016/2017 foram identificados 415 pontos com ocorrência da ferrugem-asiática.  Os estados com maiores dispersões foram Rio Grande do Sul (115), Paraná (87) e Mato Grosso do Sul (64).

Veja a ocorrência da ferrugem asiática na safra 2016/2017 no mapa abaixo.

consórcio antiferrugem

(Fonte: Consórcio antiferrugem)

O Consórcio antiferrugem mostra o número de pontos com ocorrência da doença, você pode observar essa ocorrência por estado.

Você já sabe algumas coisas sobre a ferrugem: causa, sintomas, condições favoráveis e o histórico. Mas, como realizar o controle da ferrugem na sua lavoura?

>> Veja também: Como fazer administração rural com essas 3 ferramentas mesmo não sabendo nada de tecnologia

7. Como fazer o controle da ferrugem da soja

Uso de variedades resistentes ou tolerantes

Infelizmente são poucas no mercado, mas as empresas tendem a lançar mais variedades no futuro com a importância da doença no país.

Eliminação de plantas voluntárias de soja e a ausência de cultivo de soja na entressafra (vazio sanitário)

Os estados que adotam esta prática são: Paraná, Tocantins, Pará, Bahia, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina e o Distrito Federal.

O objetivo do vazio sanitário é reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra, já que o fungo precisa de plantas vivas para sobreviver. Isso diminuí a quantidade de inóculo para a próxima safra.

Veja os períodos para cada estado do vazio sanitário em 2017.

vazio sanitário

(Fonte: Embrapa)

Uso de cultivares precoce

Semeaduras tardias de soja podem receber mais inóculo (esporos) ainda nos estádios vegetativos, exigindo a antecipação da aplicação de fungicida e demandando maior número de aplicações.

Quanto maior o número de aplicações, maior a exposição dos fungicidas e aumenta a chance de acelerar o processo de seleção de populações resistentes a esses fungicidas.

Semeadura no início do período recomendado (calendarização da semeadura)

Esta prática é a determinação de uma data que é limite para semear a soja. Os estados que adotam são: Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Tocantins, Bahia e Mato Grosso do Sul.

O objetivo da calendarização é reduzir o número de aplicações de fungicidas ao longo da safra, e com isso, reduzir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas.

periodos-de-semeadura-soja

(Fonte: Embrapa)

Manejo Integrado de Doenças (MID)

A Emater-PR realizou o monitoramento da ferrugem asiática na safra 2016/17 para a tomada de decisão, ou seja, utilizou o manejo integrado de doenças (MID).

Para você saber mais sobre o que é MID entre aqui.

Nesta pesquisa, a média de aplicações de fungicidas nos locais estudados foi 42% menor do que a média das propriedades em que não foi adotado o MIP/MID. Em 7,2% das propriedades não foi necessário realizar aplicações de fungicidas para controle da ferrugem asiática.

O controle químico faz parte do MID e é outro método de controle da ferrugem da soja, mas isso é tão importante que vamos falar dele em um tópico a parte:

Quer ter mais controle sobre sua fazenda? veja aqui 5 motivos para você começar agora a controlar seu estoque.

8. Controle químico da ferrugem asiático da soja

O controle com produtos químicos é mais eficiente quando utiliza mais de um tipo químico, ou seja, rotação de produtos com diferentes modos de ação. Isto também reduz a resistência do fungo a fungicidas.

Você pode consultar os fungicidas registrados para ferrugem asiática no Agrofit, veja como fazer isso e ainda confira outras dicas sobre aplicação de defensivos agrícolas nesse artigo.

Além disso, a Embrapa realizou uma pesquisa sobre a eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem asiática na safra 2016/17. Você pode conferir os resultados aqui.

aplicação de defensivos agrícolas para combater a ferrugem asiática na soja

(Fonte: Agron)

Você ainda pode consultar as recomendações de defensivos agrícolas para essa doença no FRAC.

9. Redução da eficiência de fungicidas para controle da ferrugem asiática da soja

Em 2017, o FRAC , um comitê que monitora a resistência de fungos a fungicidas, comunicou a detecção de uma mutação no fungo P.  pachyrhizi.

Essa mutação foi associada a menor eficiência de fungicidas carboxamidas observada nos ensaios na região Sul, na safra 2016/17.

Além disso, a partir da safra 2007/08, foi observada redução de eficiência dos triazóis, em ensaios realizados em semeaduras tardias de soja.

Essa resistência é quantitativa, ou seja, ocorre mudança gradual na sensibilidade do patógeno, aumentando ano após ano com o uso contínuo do produto, mas sem a perda completa de eficiência.

A partir da safra 2013/14, uma redução de eficiência foi observada para a estrobilurina isolada.

Na safra 2013/2014, as misturas de triazóis e estrobilurinas também tiveram sua eficiência reduzida.

Essas notícias mostram a importância de realizar estratégias de manejo para a redução da pressão de seleção de resistência.

Algumas medidas que podem ser tomadas e já foram aqui explicadas são: uso de fungicidas com diferentes modos de ação, redução de excessivas aplicações de fungicidas e calendarização da semeadura.

>> Leia mais: “O que são fungicidas multissítios e por que você deve passar a utilizá-los”

Conclusão

O conhecimento, monitoramento e correto diagnóstico da doença são essenciais para seu adequado manejo.

Agora que conhece mais sobre a ferrugem asiática da soja já pode começar o planejamento de sua lavoura envolvendo tudo o que foi aprendido.

Fique de olho na sua lavoura, ela é seu negócio, sua empresa!

>> Leia mais:

Doenças de final de ciclo soja: principais manejos para não perder a produção
Antracnose nas culturas de grãos: como combater de modo eficaz

Você tem mais dúvidas sobre esta doença? Como você controla a ferrugem asiática na sua lavoura? Quais práticas de manejo você utiliza? Adoraria ver seu comentário aqui embaixo.

Pragas agrícolas: guia rápido para identificar e controlar

Pragas agrícolas: saiba quais são, o impacto na sua lavoura, melhores táticas de manejo e mais!

Pragas agrícolas são organismos que se alimentam de cultivos agrícolas, reduzindo sua qualidade e produtividade. No Brasil, a extensa área geográfica facilita o desenvolvimento de muitas espécies desses organismos.

Você sabe identificar as principais pragas agrícolas e controlá-las na lavoura? Ficar por dentro dessas informações te ajuda nas tomadas de decisão no campo.

Neste artigo, veja quais são as principais pragas mais perigosas e todas as formas de manejo possíveis. Boa leitura!

O que são pragas agrícolas?

Existem muitos insetos que danificam as plantas. Porém, para serem consideradas pragas, esses insetos devem causar grandes prejuízos à área plantada.

As pragas agrícolas são capazes de reduzir a produtividade e/ou qualidade dos cultivos agrícolas a partir da sua alimentação. Podem também ser transmissores de doenças.

Os organismos vivos estão presentes em todos os sistemas de cultivo. Quando esses sistemas possuem diversidade biológica, os organismos se mantêm em certo equilíbrio.

Em grandes áreas com uma mesma cultura, a diversidade de organismos presentes nesse ambiente é reduzida.  Por isso, alguns seres perdem seus predadores ou inimigos naturais, elevando assim a sua população.

Com a população aumentando, os organismos assumem o papel de praga e causam prejuízos às culturas agrícolas

Quando um inseto é considerado praga agrícola?

Um inseto pode ser considerado uma praga agrícola quando atinge um nível de dano econômico à cultura. 

De forma geral, um organismo se torna uma praga devido à falta da biodiversidade em grandes áreas com uma única cultura.

Na maioria das regiões agrícolas, uma cultura é cultivada no verão e outra no inverno, em um mesmo ano agrícola. Os restos vegetais das culturas principais, como a soja, não têm tempo para serem decompostos pelos organismos do solo. 

É assim que as pragas se mantêm na área de cultivo. Quando as culturas hospedeiras são inseridas, na ausência de inimigos naturais, estes organismos aumentam sua população. A partir daí, causam prejuízos à cultura.

Temperatura e umidade também podem fazer um organismo se tornar praga. Esse é o caso de ácaros e pulgões, muito favorecidos por períodos secos.

Períodos muito úmidos e quentes podem favorecer a reprodução dos insetos, acelerando seu ciclo de vida. Além disso, podem ser favoráveis a determinadas doenças de plantas.

Principais pragas agrícolas e como combatê-las

O impacto das pragas agrícolas depende da cultura hospedeira. Apesar disso, muitas delas causam danos em uma gama de espécies cultivadas. Veja a seguir alguns dos principais insetos-praga e como controlá-las:

  • Lagarta-do-cartucho
  • Percevejo-marrom
  • Helicoverpa armigera
  • Corós
  • Mosca-branca
  • Pulgões (afídeos)
  • Larva minadora
  • Ácaro rajado

A seguir, você poderá ver em detalhes cada uma delas, os danos causados e as formas de controle mais recomendadas.

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Se você trabalha com a cultura do milho, conhece muito bem a lagarta-do-cartucho, considerada uma das mais relevantes nesse cultivo. Essa lagarta tem outras culturas como hospedeiras, incluindo:

  • soja;
  • algodão;
  • arroz;
  • sorgo;
  • trigo;
  • aveia;
  • cana-de-açúcar;
  • feijão;
  • cevada
  • centeio.

Danos causados 

A lagarta-do-cartucho pode reduzir muito a produção agrícola. Essa praga pode atacar qualquer parte da planta, mas a mais afetada costuma ser a parte central do milho.

As larvas da lagarta atacam as plantas em qualquer estágio de desenvolvimento. Além disso, as excreções que a lagarta adulta deixa na planta abre portas para a presença de patógenos.

Plantas com entre 8 e 10 folhas podem ter suas bases cortadas pela lagarta-do-cartucho. A consequência disso é o perfilhamento da cultura, e em casos mais severos, a morte das plantas.

Foto de uma spodoptera frugiperda enrolada

S. frugiperda apresenta a marca de um “Y” em sua cabeça

(Fonte: Kansas State University)

Controle da lagarta-do-cartucho

Para o manejo da lagarta-do-cartucho, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fortemente recomendado. Ele funciona através do uso de vários métodos de controle em conjunto.

Os principais métodos de controle são: 

  • Rotação de culturas: deve-se analisar minuciosamente quais culturas reduzem a sobrevivência da praga. Afinal, a lagarta é capaz de se alimentar de muitas das culturas normalmente utilizadas na rotação;
  • Uso de variedades resistentes ou mais tolerantes ao inseto (sempre adotando área de refúgio);
  • Controle biológico e  inseticidas: importante ressaltar que inseticidas à base de Bt em cultivares (como o caso do milho, que possui a tecnologia Bt), não devem ser utilizados no controle da lagarta.

Porém, o uso de inseticidas deve ser feito com a rotação dos mecanismos de ação. Isso vai evitar o surgimento de populações resistentes.

Percevejo-marrom  (Euschistus heros)

O percevejo-marrom é uma das principais pragas da soja, estando presente em várias regiões do país. 

Há fenótipos dessa praga resistentes a produtos que contém como ingredientes ativos organofosforados ou ciclodienos (endossulfan).

Os casos de resistência são localizados em áreas com histórico de aplicações contínuas desses produtos. As culturas hospedeiras do percevejo-marrom incluem algodão, pastagens e soja.

Danos causados

A presença dos percevejos-marrons causa grãos chochos. Isso acontece porque essas pragas atacam as vagens da soja. Os percevejos também podem ser vetores de doenças causadas por fungos.

Foto de um percevejo marrom

(Fonte: Embrapa e Irac)

Formas de controle do percevejo-marrom

Nas aplicações para o controle de lagartas, use produtos que tenham modo de ação diferente dos inseticidas utilizados no controle de percevejos. Para o controle de ambos, os mesmos ingredientes ativos podem ser utilizados. 

Desta forma, é importante não utilizar os mesmos ingredientes ativos. Assim, você evita problemas com a resistência de pragas aos inseticidas.

Faça aplicações somente nas áreas que apresentam densidade populacional que corresponde ao nível de ação. Para isso, faça o monitoramento da infestação.

O monitoramento com mapas de danos pode ser feito digitalmente e diretamente na área pelos funcionários da fazenda. Além disso, é importante analisar quais plantas podem ser utilizadas na rotação de culturas. Afinal, elas não podem ser hospedeiras do percevejo. 

Lagarta Helicoverpa (Helicoverpa armigera)

Helicoverpa armigera é uma praga que se alimenta de várias culturas. Feijão, soja, milho, algodão, café e citros são alguns exemplos.

Fotos de helicoverpas, uma das principais pragras agrícolas

(Fonte: Foto André Shimohiro em Embrapa)

Danos causados

A presença da lagarta reduz significativamente a produção, e pode acabar com a cultura desde os estádios iniciais. 

Ela se alimenta de todas as partes das plantas. Isso pode causar o apodrecimento e a queda das estruturas da sua cultura.

Formas de controle

No Brasil, foram encontrados casos de resistência da praga aos inseticidas piretroides. Por isso, os manejos mais indicados para a lagarta são:

  • Uso de plantas resistentes Bt (sempre utilizando área de refúgio);
  • Rotação de culturas;
  • Vazio sanitário;
  • Manejo dos inimigos naturais de pragas; 
  • Manejo Integrado de Pragas.

O controle químico também deve ser utilizado. Porém, não se esqueça da rotação de mecanismos de ação. Evite o uso de inseticidas fosforados e piretroides no início da cultura, já que são considerados de tóxicos para os inimigos naturais.

Corós 

Os corós são larvas consideradas importantes pragas de solo. Tanto na fase larval quanto na adulta, podem causar danos às culturas.

No Brasil, os gêneros Phyllophaga, Dilobodereus e Liogenys são os de maior ocorrência.

  • Phyllophaga causa danos principalmente na cultura do milho safrinha e da soja na região Centro-Oeste do país.
  • Diloboderus tem maior ocorrência na região Sul do país, causando danos principalmente em cereais de inverno no Rio Grande do Sul.
  • A ocorrência de Liogenys se dá principalmente na região Centro-Oeste, nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Góias, causando danos na cultura da soja e milho.
Foto de coró em todas as fases de desenvolvimento, desde larva até o estádio adulto

Macho de Dilobodereus abdereus figuras A e B, e fêmea na figura C. Na última imagem, é possível observar a fase larval do coró dos cereais e da soja D. abdereus

(Fonte: Pereira; Salvadori, 2006)

Danos nas culturas

Os corós se alimentam de raízes de plantas, causando danos de redução do rendimento das culturas. Isso pode afetar o estande inicial de plantas, e em alguns casos, é necessário o replantio.

Na fase adulta, os besouros se alimentam principalmente de folhas e de partes das plantas em diferentes estádios de desenvolvimento.

Formas de controle dos corós

O não revolvimento do solo, característico do sistema plantio direto, favorece o desenvolvimento e sobrevivência dos corós.

A rotação de culturas com plantas não hospedeiras também pode auxiliar no controle. Algumas espécies de crotalária, por exemplo, tem ação tóxica aos corós e podem ser utilizadas.

O tratamento de sementes com inseticidas é uma medida complementar. Porém, não é efetivo quando as larvas estão maiores. A população de corós que justifica o controle é diferente a depender da espécie em que ocorre.

Os corós não se distribuem uniformemente na área. Sendo assim, você pode aplicar o controle químico apenas nos locais de ocorrência

Alguns dos inseticidas recomendados para o controle de diferentes espécies de corós, grupos químicos e ingredientes ativos e culturas em que são recomendadas sua aplicação

Tabela que mostra principais espécies de corós e os inseticidas recomendados para cada

(Fonte: adaptado de Agrofit, 2022)

Para amenizar o problema, recomenda-se semear primeiro as áreas com histórico de corós. Assim, as plantas terão contato com os corós em estádios mais brandos e conseguirão desenvolver seu sistema radicular.

Medidas que favoreçam o desenvolvimento rápido das plantas também são aliadas no controle dos corós. Por exemplo, adubação equilibrada, inoculação com bactérias, correção do solo, dentre outras.

Mosca-branca (Aleyrodidae)

A mosca-branca é um inseto que suga a seiva da planta e provoca danos ao seu desenvolvimento. Isso reduz a produtividade e também a qualidade da produção.

É relativamente fácil identificá-la na lavoura. Afinal, o inseto possui corpo amarelo pálido e asas brancas. 

Fotos de moscas-brancas em folha, na parte inferior

Mosca-branca no verso de folhas de (figura A), fase adulta (B e C) e ninfas de coloração amarelada translúcida (levemente transparente) (figura D)

(Fonte: Pratissoli; Carvalho, 2015)

O ciclo de vida dura de 38 a 74 dias, e as fêmeas podem colocar entre 100 a 300 ovos durante toda a sua vida. As principais culturas hospedeiras são:

  • Grandes culturas como feijão, soja e algodão;
  • Plantas daninhas hospedeiras que sobrevivem na entressafra, dificultando a quebra do ciclo da praga.

Danos na cultura

Os danos observados podem ser diretos, quando apresentam descoloração ou manchas foliares diretas na cultura.

Esses danos também podem ser indiretos, quando atuam como vetoras de doenças nas culturas de interesse agrícola. Nesses casos, é necessário o controle do inseto para controle da doença. Outros danos incluem:

  • Alterações no desenvolvimento;
  • Prateamento das folhas;
  • Branqueamento do caule;
  • Clareamento das veias na folhagem
  • Queda precoce de folhas e manchas em fibras no algodão;

Formas de controle da mosca-branca

O MIP também é recomendado para o controle. Você pode utilizar o controle cultural, com cultivo de espécies não hospedeiras.

O monitoramento da mosca-branca também é necessário, e pode ser realizado com o uso de armadilhas amarelas que atraem os adultos. Inseticidas do grupo químico dos tetranortripenóides são recomendados para o controle em todas as culturas.

Os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana e Isaria fumosorosea também são recomendados para o controle.

Cultivares resistentes também são uma alternativa de controle eficiente.

Em caso de observação e controle ineficiente com inseticidas, é necessário investigar qual a raça ou biótipo que está ocorrendo na área. Algumas raças ou biótipos da mosca-branca são resistentes a diversos produtos.

Pulgões (afídeos)

Os pulgões podem causar danos em várias espécies de plantas, incluindo grandes culturas como soja e cereais de inverno.

Existem mais de 1.500 espécies relatadas. A coloração dos pulgões em fase adulta, e ninfa (anterior a fase adulta) pode variar de amarelada, branca, preta, vermelha e verde. No entanto, sua aparência é semelhante.

Pulgões em folha, uns com coloração verde escuro, outros mais claros e amarelados

Pulgão da espécie Aphis gossypii 

(Fonte: Guimarães e colaboradores, 2013; Constanza e colaboradores, 2018)

Os pulgões são favorecidos e causam maiores problemas em anos de clima seco e quente, principalmente na região sul do Brasil (Rio Grande do Sul). Nessa região, causam sérios problemas na cultura do trigo, como disseminação de viroses.

São encontrados principalmente na face inferior da folha e em tecidos novos.

Danos na cultura

Os pulgões podem causar danos em diversas partes das plantas, incluindo raízes, caules, folhas e até mesmo em espigas.

Devido ao hábito alimentar sugador, os pulgões causam amarelecimento das folhas e encarquilhamento (folhas retorcidas e redobradas que servem de abrigo). 

Outro dano é a disseminação de viroses. Além disso, devido a alimentação, soltam substâncias açucaradas que favorecem o desenvolvimento do fungo fumagina

Formigas podem ser observadas quando há presença de grandes populações de pulgões.

Formas de controle dos pulgões

Diversas medidas de controle podem e devem ser tomadas para o controle eficiente de pulgões, dentre elas:

  • Eliminação de restos culturais em que os pulgões encontram-se associados;
  • Rotação de culturas não hospedeiras;
  • Eliminação de plantas daninhas hospedeiras na área de cultivo;
  • Adubação nitrogenada;
  • Instalação de armadilhas adesivas amarelas;
  • Controle químico com produtos recomendados, como produtos sistêmicos. Uma boa regulagem do pulverizador também é essencial, porque os pulgões ficam na face interior das folhas;
  • Controle biológico: a depender da espécie de pulgão, existem diferentes inimigos naturais que podem ser utilizados no controle;
  • O controle genético através do uso de cultivares resistentes. Porém, é preciso identificar corretamente qual é a espécie de pulgões que ocorre e provoca danos na área de cultivo.

Vale salientar que a recomendação para o controle químico é o uso de produtos seletivos aos inimigos naturais. Os pulgões não eram considerados pragas de importância, mas passaram a ser devido ao uso errado de produtos não seletivos.

Larva minadora (Liriomyza huidobrensis)

A larva minadora é uma espécie de mosca do gênero Liriomyza spp. Ela é pequena e possui coloração amarela e preta. Tem como característica depositar ovos no interior das folhas, onde eles eclodirão. 

Larva minadora adulta sobre folha

Fêmea adulta da larva minadora, apresentando coloração característica amarela e preta.

(Fonte: Guimarães e colaboradores, 2005)

Com a eclosão dos ovos, as larvas formam minas. Após a fase de larva, ocorre a fase de pupa. Essa fase ocorre no solo ou nas folhas, dificultando o seu controle. O ciclo de vida deste inseto tem duração curta, aproximadamente 17 dias.

Danos na cultura

Os danos na cultura incluem a construção de galerias ou minas. Isso afeta a fotossíntese pela redução da área foliar.

No entanto, a necrose de folhas e a própria alimentação das fêmeas por “picada” pode facilitar a entrada de patógenos nas plantas.

Formas de controle

Assim como em inúmeras espécies de pragas, a larva minadora tornou-se um problema pelo uso excessivo de produtos não seletivos.

Para o monitoramento da população de moscas na área de produção, pode-se utilizar armadilhas amarelas adesivas ou painéis plásticos. Segundo o Agrofit, não existem produtos comerciais para o controle biológico. 

De forma geral, em ambientes equilibrados, as populações da larva minadora se mantêm equilibradas em função dos inimigos naturais.

A principal forma de controle é o químico. Ele tem ação especialmente sobre as larvas que encontram-se dentro da epiderme das folhas. É essencial que os produtos utilizados sejam capazes de penetrar na folha, alcançando o seu interior. 

Dentre os translaminares, segundo o Agrofit, são utilizados principalmente aqueles com abamectina e ciromazina em sua composição. 

Outras estratégias podem ser utilizadas para maior eficiência do controle químico, como:

  • eliminação de restos culturais;
  • eliminação de plantas hospedeiras alternativas (incluindo plantas daninhas);
  • rotação de culturas com plantas não hospedeiras.

Ácaro-rajado (Tetranychus urticae)

O ácaro-rajado é considerado uma das espécies mais importantes dentre os ácaros-praga. Ele pode atacar inúmeras espécies agrícolas.

O ácaro-rajado possui manchas escurecidas nas laterais do seu corpo.

Ácaros-rajados sobre folhas, com algumas ovas

(Fonte: Oliveira e colaboradores, 2016)

Danos na cultura

Os danos são observados na face inferior das folhas. Eles são causados pela alimentação da praga a partir da clorofila e da seiva das plantas. Os danos se caracterizam pela presença de manchas esbranquiçadas nas folhas.

É possível observar a presença de teias em formato desordenado e pequenos grânulos, também no verso inferior da folhas.

A alimentação dos ácaros provoca o amarelecimento das folhas. Com o passar do tempo as folhas caem, reduzindo a produção.

Formas de controle

O controle de ácaros é realizado através do uso principalmente de acaricidas. É importante ressaltar que devem ser utilizados somente produtos registrados para a cultura de interesse.

Para a cultura do algodão por exemplo, existem 89 produtos registrados no Agrofit.

Para a cultura da soja, as opções disponíveis são 39. Esses produtos incluem abamectina , flupiradifurona, óleo vegetal, piridabem, propargito, diafentiurom, fluazinam e bifentrina + metomil.

Manejo das principais pragas agrícolas

Em busca da otimização do controle de pragas, utiliza-se o MIP e o MID (Manejo Integrado de Pragas e Doenças). Eles são caracterizados pelos diferentes métodos de controle de forma conjunta.

O controle de pragas e doenças nas lavouras se inicia antes mesmo da semeadura. 

A base do sucesso do controle é o monitoramento das áreas, com levantamento das pragas incidentes e de sua população. Assim, o controle será feito no momento correto, antes de danos econômicos ocorrerem. 

Controle legislativo

Através de instruções normativas e leis, busca-se evitar a introdução das pragas nas áreas de cultivo. 

Além disso, inspeção e monitoramento de materiais vegetais são feitos. Por exemplo, quando os vegetais transitam entre países, são feitas medidas de quarentena.

Isso mantém os materiais vegetais em observação por dado período de tempo, a fim de identificar a presença de alguma praga que poderia ser introduzida no país.

Além disso, pelas condições climáticas favoráveis à praga nos demais estados, evita-se que os materiais contaminados sejam levados. Isso porque a praga facilmente passaria a causar prejuízos às culturas. 

Quando detectados os materiais contaminados, eles são destruídos.

Controle genético

Ele consiste no uso de cultivares resistentes ou tolerantes a determinada praga. O controle genético é o método mais barato e eficaz de controle. Ele pode ser aplicado a grandes áreas de cultivo. 

No entanto, é necessário que outros métodos sejam empregados em conjunto. Isso evita que o material deixe de ser resistente às pragas (quebra de resistência).

Um caso clássico é a tecnologia Bt, aplicada ao milho para o controle da lagarta-do-cartucho. As áreas de refúgio na lavoura são fundamentais para que populações de lagartas resistentes não sejam selecionadas.

Além disso, é fundamental conhecer quais são as pragas de ocorrência na lavoura e quais são as mais limitantes. Isso garante que as cultivares mais adequadas sejam implementadas na área. 

No caso de alguns fungos e nematoides, é necessário conhecer qual a raça que está ocorrendo na área. A resistência genética das cultivares, em muitos casos, é direcionada a uma raça específica do patógeno.

Controle cultural

Consiste no uso de diferentes tratos culturais, para auxiliar na redução da população de patógenos na área de cultivo.

Tratos culturais como uso de material de propagação sadio (sejam eles mudas ou sementes), certificados e de boa procedência são fundamentais.

Além disso, pode-se alterar a época de cultivo (respeitando o zoneamento agrícola), e o local. Por exemplo, realizar semeaduras no início do zoneamento é uma alternativa. Nesse período, a pressão de pragas é menor.

Também é possível pontuar as áreas mais úmidas da lavoura, utilizando cultivares mais adaptadas. Isso, é claro, desde que possuam ciclo próximo à cultivar utilizada no restante da área.

A nutrição equilibrada também é fundamental. Concentrações muito elevadas de alguns nutrientes, como o nitrogênio, tornam as plantas mais suscetíveis ao ataque de pragas. O mesmo acontece com deficiência de potássio.

A rotação de culturas também é um método bastante eficaz, quando é realizada de forma correta. Porém, vale lembrar que a rotação pode reduzir a população da praga, mas não controlar.

A eliminação de plantas hospedeiras faz com  que na entressafra, as pragas não sobrevivam. 

Controle físico/mecânico

Esse método altera principalmente as condições de temperatura, umidade e radiação da lavoura. Você pode empregar, por exemplo, o tratamento térmico de mudas e sementes

O mesmo método é utilizado em sementes de olerícolas. O uso da água ou vapor quente, por determinado período de tempo, ajuda a eliminar  fungos associados às sementes.

Controle biológico

O controle biológico consiste na inserção em massa de organismos benéficos às plantas e inimigos naturais das pragas. Estes organismos já encontram-se naturalmente nos locais de cultivo, no entanto, em menor densidade.

O controle biológico é muito utilizado em conjunto com o controle químico.

No entanto, é importante ressaltar que os produtos de controle biológico exigem que as recomendações do fabricante sejam seguidas.

Antes da aquisição de um microrganismo, é necessário verificar as recomendações do fabricante. Afinal, um mesmo microrganismo pode ser recomendado para o controle de diferentes doenças.

Outro ponto importante é consultar a compatibilidade dos produtos de controle biológico com outros produtos que serão utilizados na lavoura.

Controle através da modificação do comportamento de insetos

Esse método consiste no uso de armadilhas atraentes e repelentes. Hormônios e esterilização de insetos alteram seu comportamento e reprodução.

Controle químico

É empregado através do uso de produtos fitossanitários, que devem seguir sempre as boas práticas agronômicas. 

Além disso, utilize sempre produtos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para a cultura em questão.

Faça o controle químico com cuidado em relação aos ingredientes ativos. Não se esqueça de fazer a rotação para evitar que as pragas tornem-se resistentes.

Como a tecnologia pode ajudar no controle das pragas agrícolas

Diversos aplicativos como o Aegro estão disponíveis para realizar o mapeamento das pragas na área de cultivo.

Tela do Aegro, na aba de MIP aberta.

Exemplo do monitoramento de pragas agrícolas no Aegro. Com o software, todos os dados do monitoramento ficam guardados de modo seguro, fácil e rápido para sua tomada de decisão

(Fonte: Aegro)

Quando você conhece o histórico da área, pode planejar de forma mais assertiva quais métodos de controle serão utilizados.

O Aegro também oferece a você dados climáticos. Essas informações ajudam a determinar o risco de ocorrência de doenças de plantas em diversas culturas.

Comece a controlar as pragas na sua lavoura com o Aegro! 

Conclusão

A classificação de um organismo em praga depende de diversos fatores, incluindo o conjunto de manejos realizados na lavoura.

O MIP é fundamental para uma produção agrícola cada vez mais expressiva, aliada a otimização do uso dos recursos de controle.

Para produzir cada vez mais, o monitoramento das áreas agrícolas e as boas práticas agronômicas são fundamentais.

Não deixe de usar todas as tecnologias disponíveis para mapear a área e obter históricos de ocorrência das pragas. Isso certamente vai te ajudar na tomada de decisão.

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Como você tem manejado a sua lavoura para evitar que os organismos se tornem um problema? Faz alguma coisa diferente para manejar as pragas agrícolas? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Atualizado em 29 de abril de 2022 por Bruna Rohrig.

Bruna é agrônoma, mestra em fitossanidade e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência em fitopatologia, controle de doenças de plantas e pós-colheita de grãos e sementes.

Acerte nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola

O planejamento agrícola deve estar presente no dia a dia da lavoura. Mas, no momento das aplicações de defensivos agrícolas, também precisa de planejamento?

Muitas vezes observei que a aplicação é decidida na última hora!

Dados divulgados pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) revelam que, em média, mais da metade dos produtos pulverizados nas lavouras podem ser perdidos por escorrimento, deriva descontrolada e má aplicação.

Sim, é preciso planejamento para as aplicações! E é o planejamento agrícola que vai integrar todas as atividades, fazendo com que a aplicação seja consciente, evitando perdas, desperdícios e, claro,  obtendo controle do alvo.

Assim,  confira os passos de como fazer isso sem dor de cabeça.

1º passo: regulagem do pulverizador para aplicações de defensivos agrícolas

Para uma correta aplicação o pulverizador deve estar regulado, isso inclui a verificação dos bicos, das barras, dos tanques, mangueiras, filtros, regulador de pressão.

É preciso atenção e conhecimento para correta regulagem e verificação dos equipamentos, implementos e acessórios, como a verificação dos bicos:

dicas-jacto-para-regulagem-de-bicos

(Fonte: Jacto)

Com a verificação, é possível constatar se há vazamentos e se tudo está funcionando de forma adequada. Assim, evita-se a perda de produtos e eleva-se a eficácia da aplicação.

A regulagem também é essencial.

O tanque de pulverização, por exemplo, deve possuir agitador funcionando adequadamente.

Para isso, é preciso trabalhar com uma rotação de 540 rpm na tomada de potência (TDP), já que esta é a rotação em que o sistema normalmente é dimensionado.

Formulações pó-molhável (PM) ou suspensão concentrada (SC), por possuírem partículas sólidas em suspensão, tendem a se depositar no fundo do pulverizador

Já a formulação concentrado emulsionável (CE), com substâncias não solúveis em água (óleo por exemplo), fica na superfície do tanque.

Isso faz com que, no início da aplicação, a concentração de produtos seja maior (para formulações PM ou SC) ou menor (para formulações CE), resultando em aplicação ineficiente.

anque-de-pulverização-importancia-gestão

(Fonte: Andef)

Para saber mais sobre regulagem de máquinas e implementos recomendo a leitura desse artigo de meu amigo Eng. Agrônomo Luis Gustavo Mendes.

Tudo relacionado ao pulverizador precisa ser feito com os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) adequados.

Agora, com tudo verificado e regulado, vamos tomar algumas decisões importantes:

2º passo: escolha do produto, volume de calda e tamanho de gota

Escolha o produto recomendado para sua cultura e seu objetivo (lembre-se: o produto sempre vem com a bula, onde é possível encontrar as informações de que você precisa).

Para saber mais sobre defensivos agrícolas, com curiosidades e fatos interessantes veja esse artigo: Defensivos agrícolas: 8 curiosidades que você deveria saber.

O volume de calda e o tamanho de gota também vão depender do alvo, que agora você já conhece por meio do monitoramento e histórico da área.

Gotas finas resultam em maior cobertura do alvo, mas maior risco de deriva. Devido a isso, são utilizados em produtos de contato.

Gotas grossas dão menor cobertura do alvo, mas menor risco de deriva. São utilizadas para herbicidas residuais e de aplicação no solo – ou mesmo algum outro produto aplicado no solo.

Gotas médias são as mais utilizadas por possuir características intermediárias às finas e grossas, mas são comumente utilizadas para aplicação de produtos sistêmicos.

características-das-gotas-nas-aplicações de defensivos agrícolas

(Fonte: Andef)

Por isso que a escolha do bico de pulverização é muito importante: é o bico que define o tamanho da gota e, assim, a cobertura do alvo.

nomenclature-portuguese

(Fonte: Copam)

É possível  encontrar os tamanhos de gotas a variar o bico e pressão na internet ou mesmo com seu fornecedor.

A tabela abaixo foi adaptada da ASAE S-572 e compara os tipos de pontas, a vazão está em litros/minuto e a pressão em Bar.

tabela-gostas-vazão-pressão

(Fonte:Adaptado ASAE S-572)

Agora com tudo regulado para aplicação, em que condições devo ou não aplicar?

3º passo: condições ideais de aplicação

Talvez aqui seja onde mais usamos o planejamento na hora da aplicação. Algumas perguntas devem ser feitas para o realizar a atividade de forma eficaz:

Quanto de área tenho para aplicar? Qual o tempo que tenho para essa atividade?

E, principalmente, qual a previsão do tempo? Lembre-se alguns produtos precisam de um tempo maior sem chuva para que possam agir nas plantas.

Então, planejar anteriormente quanto tempo levará para aplicar na sua área e verificar a precisão do tempo é fundamental.

Além disso, uma boa aplicação é aquela que ocorre nas condições climáticas ideais.

E quais são elas?

  • Temperatura: menor que 30°C
  • Umidade: maior que 50%
  • Ventos: entre 3 e 10 km/h
Leitura-Manual-Tecnologia-de-Aplicacao.pdf

(Fonte: Andef)

E por fim, utilize sempre os equipamentos de proteção individual (EPIs) para sua melhor proteção e de quem realiza as atividades, até porque a base de todo um bom planejamento é a segurança no trabalho.

4º passo: acerte na época de aplicação

Com o monitoramento da lavoura, é possível planejar as aplicações de defensivos necessárias.

Isso inclui saber se a cultura está na fase recomendada para aquele defensivo e, principalmente, se o alvo (inseto, doença ou planta daninha) atingiu um nível de infestação que realmente precisa ser feita aplicação.

Para pragas temos o Manejo Integrado de Pragas (MIP) que indica o nível de controle a depender da quantidade de injúrias ou insetos identificados no monitoramento.

Para doenças, geralmente quando se encontra sintomas no campo já é preciso a aplicação.

No caso de plantas daninhas, a aplicação de pré-emergentes garantem vantagem à cultura e durante a lavoura é preciso monitoramento verificando necessidade de novas aplicações.

5º passo: conheça seu campo

Esse passo é fundamental para quem planeja fazer uma aplicação de defensivos agrícolas, seja ele herbicida, inseticida, nematicida ou fungicida.

Assim, dentro das atividades semanais, deve-se incluir o monitoramento das lavouras identificando as pragas, doenças e plantas daninhas.

Além disso, o monitoramento das safras passadas resultará no histórico da área quanto aos insetos, doenças e plantas daninhas e, claro, quanto às aplicações.

Isso será crucial para identificar os principais problemas da propriedade e como corrigi-los.

Na internet há alguns materiais gratuitos de acordo com a cultura para identificar doenças e pragas segue um exemplo para a cultura do milho e soja:

Manual de identificação de doenças

Manual-de-identificação-de-doenças

(Fonte: Epagri)

Manual planta daninha soja

Manual-planta-daninha-Soja

(Fonte: Embrapa)

Nematoides em soja

nematóides-em-soja (1)

(Fonte: Embrapa)

Conclusão

Acertar na aplicação depende do bom planejamento da mesma.

Isso envolve o conhecimento do alvo no campo e a época ideal de aplicação; a verificação e regulação dos equipamentos de pulverização; e o conhecimento das condições climáticas ideais para essa atividade.

Com tudo isso em mente e em ações, você acertará não só nas aplicações de defensivos agrícolas, mas na redução de custos e maior eficiência dos produtos utilizados, gerando mais lucro e sucesso para você e sua fazenda!

>>Leia mais:

“O que é e para quê serve o receituário agronômico”

Gostou dessas dicas? Tem mais alguma que usa para aplicação de defensivos agrícolas de forma eficaz? Adoraria ver seu comentário abaixo!