Tudo o que você precisa saber para fazer sua lista de defensivos agrícolas na pré-safra

Lista de defensivos agrícolas: Quais dúvidas você tem na hora de elaborar a sua? Neste artigo explicamos o passo a passo para não errar mais.

Está chegando a hora de começar mais um ciclo de cultivo. O solo já está para ser preparado, ou a cobertura morta já está sendo formada. Os vizinhos estão comentando sobre as sementes, adubos e, claro, os defensivos.

Se você não sabe por onde começar  no planejamento da safra, nem como fazê-lo, não se preocupe, a maioria dos produtores se sente assim.

O fato é que a agricultura demanda muito trabalho e é completamente normal esse sentimento.

Mas hoje eu posso te ajudar, pelo menos quanto aos defensivos agrícolas!

Hoje vamos conversar sobre sua lista de defensivos agrícolas e como fazê-la da melhor forma, conseguindo ótimos resultados para sua lavoura e, claro, seu negócio!

Lista de defensivos agrícolas: Quando comprar?

Se atente para ao mercado, acompanhando a flutuação dos preços. Geralmente o valor cai fora do período da safra, já que a procura é menor nesse momento.

Historicamente, a venda de defensivos, e também os custos, são maiores no segundo semestre ano, quando a safra de verão é iniciada.

A compra antecipada de defensivos e outros insumos é uma prática que vem crescendo, especialmente quando o câmbio se apresenta favorável antes do começo da safra. Por isso, além do mercado nacional fique de olho no câmbio.

Nós falamos sobre aplicativos que te ajudam nisso, além de outras ferramentas, no artigo abaixo, vale a pena conferir.

>> 5 Aplicativos Para Planejamento Agrícola Que Você Deveria Conhecer

O crescimento da compra antecipada de insumos é uma prova do maior planejamento dos produtores rurais nos últimos anos.

Conhecendo o seu campo e fazendo o planejamento com certa antecedência, você poderá ter uma maior janela de tempo para a procura de melhores preços, podendo antecipar ou não suas compras.

Como sei quais defensivos comprar?

Isso você vai saber por meio do monitoramento e histórico da área, e melhor será sua estimativa quanto mais detalhado for seu planejamento agrícola, como separar sua área por talhão.

Confira como fazer isso e fazer uma lista de defensivos agrícolas muito mais assertiva:

Monitoramento

Esse ponto já foi abordado em outro artigo meu aqui no blog, que listo abaixo. Mas é sempre bom reforçar esse aspecto.

>> 5 dicas infalíveis para uma aplicação de defensivos agrícolas mais eficaz

O monitoramento é simplesmente ir para o campo e ver o que está acontecendo. Você com certeza já faz isso, mas é preciso fazer com uma certa frequência e registrar  o que você encontra.

monitoramento-aegro

Monitoramento de pragas feito em Aegro

(Fonte: Aegro)

Histórico da área

Os registros dos monitoramentos das safras passadas resultarão no histórico da sua propriedade.

Por isso que para saber na pré-safra o que utilizar e quanto utilizar você verifica o histórico da área, já que não há cultura para fazer o monitoramento.

Com o registro de monitoramentos anteriores (histórico da área) você tem certeza de quais produtos precisa.

E com as observações sobre o nível de infestação das invasoras, insetos ou doenças, também é possível estimar a dose que será usada.

Isso porque os problemas de uma safra, provavelmente serão os mesmos da próxima.

Especialmente se for a mesma cultura de alguma safra anterior que você tenha registros, ou se as pragas atacarem as mesmas culturas que você cultivou e vai cultivar.

Com as informações de dose por hectare e sabendo quantos hectares você plantará, fica fácil estimar de quantos litros de cada produto você precisa comprar.

Recomendo que você coloque 10% a mais nessa conta, em caso de maiores infestações no momento da aplicação ou de outros imprevistos.

Detalhe seu planejamento agrícola e financeiro por talhão

Como já falamos aqui, sobre a importância do planejamento agrícola,  saber o que já foi feito em cada talhão nos últimos anos também é fundamental.

Isso lhe dá uma direção antecipadamente de quais defensivos devem ou não serem utilizados. Isso também fará você entender como está seu solo, pragas, etc.

Ou seja: entender sua propriedade.

Se você já utiliza agricultura de precisão, parabéns! Você está um passo à frente.

Lembre-se de anotar nos seus monitoramentos a eficácia dos produtos também, já que se determinado defensivo vem perdendo a eficácia ao longo dos anos, é melhor escolher outros produtos.

Ressaltando ainda a necessidade de rotacionar os defensivos mesmo que não venham perdendo a eficiência, no sentido de prevenir a seleção de pragas resistentes a defensivos.

Se você tem dúvidas sobre resistência a defensivos agrícolas recomendo a leitura:

Onde consultar os defensivos agrícolas permitidos?

No Brasil, o processo de registro de um defensivo envolve avaliação toxicológica, que é de responsabilidade da Anvisa e do Ministério da Saúde.

Bem como avaliação ambiental, responsabilidade do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente.

Além da avaliação agronômica, que avalia a eficácia contra as pragas-alvo, e a seletividade para as plantas cultivadas, que é realizada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.

Ou seja, são amplamente estudados e testados, para serem seguros e eficazes na proteção da lavoura. Atualmente o número produtos comerciais com registro para uso no Brasil é de 1868. Todos estes passaram por essas avaliações citadas anteriormente.

O portal Agrofit do MAPA traz a relação de todos os produtos com registro para uso no Brasil.

É possível fazer a busca por classe de defensivo, praga agrícolas, cultura, etc. Eu já falei sobre isso em outro artigo meu. Você pode usar o Agrofit como sua base de busca.

Mas sempre consulte um engenheiro(a) agrônomo(a), pois só ele pode fazer a recomendação adequada e o receituário agronômico para a compra dos produtos.

planilha de compras de insumos

Comprar defensivos de marca ou genéricos?

Só sobre este ponto dá para falar muita coisa, é um tema difícil e até polêmico.

Mesmo sendo polêmico, falamos sobre isso neste artigo:

>>”Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: a batalha definitiva do que usar na sua propriedade

Por exemplo, você vai usar glifosato em sua lavoura, serão duas aplicações em uma área de 100 ha.

Você já definiu a dose, agora resta o produto comercial. Então faz uma busca no Agrofit.

lista de defensivos agrícolas na agrofit

Vamos então ao resultado da busca!

agrofit-2

São 81 produtos comerciais a base de glifosato, com registro para uso em soja, agora qual usar?

Isto acontece não apenas para o glifosato, diversos outros produtos possuem várias marcas comerciais, de diferentes empresas.

Desde empresas consagradas, até pequenas empresas de produtos genéricos.

De um lado você tem as grandes empresas, o custo para o lançamento de um novo produto é altíssimo.

Estudo da consultoria McDougall estimou o custo para o ano de 2008, desde a descoberta da molécula até o registro, em US$ 256 milhões.

Isso em 2008, hoje esse valor é bem maior. Assim isso ajuda a explicar por que muitas vezes os produtos são caros.

De outro lado, em 2015 segundo dados do SINDIVEG, 75% das importações de defensivos feitas pelo Brasil foram de defensivos genéricos.

Isto devido a redução nos custos de produção. Os defensivos genéricos representam menores custos de produção.

O importante é se informar e conhecer suas necessidades para escolher o que for mais indicado para sua propriedade.

Independente da marca a ser escolhida, siga as recomendações da bula e busque assistência técnica de qualidade.

Controle de estoque

Parece básico, e na realidade é! Só que ainda tem muito produtor que não tem controle dos defensivos em seu estoque.

Como já falamos, o monitoramento e histórico da área são essenciais na hora da definição de quais produtos e qual quantidade comprar.

Isso ajuda, a saber, a quantidade a ser comprada ainda nesta safra, e na próxima. Já pensou chegar na hora de aplicar o seu inseticida e descobrir que não tem a quantidade suficiente?

Pode acontecer ainda de o produto estar em falta no mercado, e ainda com preços mais altos. Por isso o planejamento é fundamental!

Mas para você ter um estoque muito mais fácil e simples de visualizar, além de seguro, você pode pedir a demonstração grátis da Aegro aqui.

Para saber ainda mais sobre controle de estoque veja nosso texto “5 motivos para você começar agora a controlar seu estoque”.

Conclusão

Os defensivos são fundamentais para você produtor garantir a produtividade da sua lavoura!

Uma boa lista de defensivos agrícolas é um conjunto de fatores. Escolha dos produtos envolve conhecimento, planejamento, essa é uma fase muito importante da condução da lavoura, para ser conduzida que qualquer maneira.

Custo e qualidade devem ser levados conjuntamente em consideração, nunca opostamente uma a outra.

Agora com todo o conhecimento de quando comprar, o que comprar e sobre a importância do estoque você pode fazer sua lista de defensivos agrícola muito mais assertiva e eficiente!

>> Leia mais: “Armazenagem de defensivos agrícolas: Como fazer e o que é preciso saber”

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a escolha de defensivos? Seu comentário é muito importante para nós! Adoraria ver seu comentário abaixo.

Tudo o que você precisa saber sobre plantas daninhas na pré-safra

Plantas daninhas: saiba como fazer o manejo adequado durante a pré-safra para reduzir os custos de controle na lavoura.

Você continua tendo problemas e elevados custos para manejar as plantas daninhas durante a safra? Saiba que você pode reduzir esse custo fazendo o manejo adequado durante a pré-safra!

Nos últimos anos o custo com o controle de plantas daninhas vem aumentando, e em partes, se deve ao aumento no número de casos de resistência a defensivos agrícolas, o que dificulta o manejo.

Hoje, no Brasil, temos 49 casos de resistência registrados, a maior parte deles são ervas daninhas resistentes ao herbicida glifosato.

Esse fato contribui diretamente para a elevação nos custos de produção, aumentando os gastos e reduzindo os lucros.

Mas o manejo de plantas daninhas na pré-safra pode te ajudar a evitar o desenvolvimento de resistência e no manejo em geral das plantas invasoras.

O que são plantas daninhas?

As plantas daninhas, segundo Lorenzi (2014), é qualquer planta que cresce onde não é desejado, interferindo direta e indiretamente nas culturas de interesse, causando reduções na produção em torno de 20 a 30%.

Aqui também podemos incluir a chamada tiguera de cultura, como por exemplo o milho crescendo no meio da soja.

As plantas daninhas, de acordo com Lorenzi (2014), são definidas como quaisquer plantas que crescem em locais não desejados, interferindo direta ou indiretamente nas culturas agrícolas.

Essa interferência pode causar perdas significativas na produção, geralmente variando entre 20% e 30%, dependendo do grau de infestação e do manejo realizado.

Além das espécies que crescem espontaneamente, também são consideradas plantas daninhas as chamadas tigueras (ou guaxas), que são plantas voluntárias de culturas anteriores, como o milho que surge em meio à lavoura de soja.

Essas tigueras competem pelos mesmos recursos das culturas atuais, como água, luz e nutrientes, e podem servir de hospedeiras para pragas e doenças.

7 Principais Plantas Daninhas

No Brasil, existem 7 principais plantas daninhas que variam por região, tipo de cultivo e condições ambientais, mas algumas espécies são disseminadas devido à sua alta adaptabilidade, capacidade de reprodução e resistência a métodos de controle.

Abaixo você confere um pouco mais sobre as plantas daninhas predominantes do território brasileiro e as suas problemáticas na lavoura.

1. Buva

A primeira delas é a buva (Conyza): existem três espécies, a Conyza canadensis, Conyza bonariensis e Conyza sumatrensis.

Esse tipo de daninha se dispersa facilmente pelo vento e por isso estão presentes na maior parte das lavouras.

No Brasil nós temos oito casos registrados de buva resistentes a herbicidas. Destes oito casos, dois são de resistência múltipla, no qual a planta é resistente a mais de um mecanismo de ação.

O manejo dessas espécies durante a entressafra pode ajudar na prevenção a resistência, uma vez que ela já apresenta casos de resistência em boa parte do Brasil.

buva-conyza-bonariensis

Conyza bonariensis
(Fonte: Max Licher em SEINet)

Leia também:

2. Leiteira ou Amendoim-bravo

Outra planta daninha que merece destaque é o leiteiro ou amendoim bravo (Euphorbia heterophylla).

É uma das plantas de maior dificuldade de controle, principalmente na cultura da soja. Está presente em praticamente todo o Brasil, podendo germinar o ano todo, mas principalmente nas épocas mais quentes (Brighenti e Oliveira, 2011).

Suas sementes podem ser arremessadas pela planta a uma distância de dois a cinco metros e no Brasil foi relatado plantas de leiteira com resistência a herbicidas inibidores da ALS e da PROTOX.

Essa planta ainda pode interferir indiretamente na produtividade da cultura, pois ela é hospedeira do vírus do mosaico-anão .

Apesar disso, é fácil de controlar, mas seu manejo pode ser otimizado com práticas como a rotação de culturas na entressafra.

leiteiro-amendoim-bravo

(Fonte: Plants Database)

3. Caruru

O caruru (Amaranthus spp.) é um dos gêneros de plantas daninhas mais comuns e problemáticos no Brasil. Suas espécies são disseminadas em áreas agrícolas devido à sua adaptabilidade, alta capacidade de reprodução e resistência a herbicidas.

Por conta do crescimento rápido, é capaz de produzir milhares de sementes por planta, que permanecem viáveis no solo por anos.

As espécies mais comuns incluem o caruru-roxo (Amaranthus hybridus), o caruru-de-mancha (Amaranthus viridis) e o caruru-palmeri (Amaranthus palmeri), conhecido por sua agressividade e resistência.

Você pode ter interesse por:

4. Capim-pé-de-galinha

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é encontrado em áreas agrícolas e pastagens e conhecido por sua alta resistência esistência ao glifosato, além da capacidade de competir com as culturas.

A planta se reproduz principalmente por sementes, produzidas em grande quantidade e com capacidade de germinar ao longo de várias safras. Altamente adaptável, ela se desenvolve bem em solos compactados e suporta condições adversas, como altas temperaturas e baixa umidade.

Mesmo assim, em algumas culturas locais, o capim-pé-de-galinha é usado como forragem para animais, desde que manejado adequadamente.

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Doses do herbicida glifosato em população suscetível (frente) e resistente (atrás).
A dose recomendada para o controle da espécie Eleusine indica é de 840 g e.a. ha-1
(Fonte: Chen et al. 2017)

5. Azevém

O azevém (Lolium multiflorum) pode ser tanto um problema quanto uma oportunidade no manejo agrícola. Muito comum em regiões de clima temperado, é utilizado como planta forrageira, mas, quando presente em áreas de cultivo não planejadas, acaba virando uma planta daninha competitiva.

Por conta disso, é muito fácil de ser encontradas nas lavouras do Rio Grande do Sul, sendo identificada com resistência em plantações de soja, milho e trigo.

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(Fonte: Heap, 2017)

6. Capim-branco

O capim-branco (Brachiaria decumbens) é uma planta daninha muito comum no cultivado de pastagem, e na invasão de sistemas agrícolas, competindo com culturas como como soja, milho, arroz e cana-de-açúcar.

Sua resistência a herbicidas e crescimento contínuo dificultam o controle, mas rotação de culturas, adubação adequada e controle mecânico, como gradagem e capina, podem ajudar no manejo.

7. Capim-amargoso

Em 2008, Digitaria insularis foi relatada com casos de resistência ao herbicida glifosato em lavouras de soja no Paraná.

A planta é perene, mas se adapta a solos compactados e condições adversas, como seca e alta temperatura, sendo um grande desafio no manejo. Seu controle pode ser feito por uso de herbicidas de ação diferenciada, rotação de culturas e plantio direto.

Guia para manejo de plantas daninhas

Manejo de plantas daninhas na pré-safra

Já falamos muito aqui sobre o manejo integrado e aqui mais uma vez não podemos deixar de citá-lo.

Dificilmente vamos conseguir controlar todas as plantas daninhas, mas temos vários métodos que podemos utilizar na pré-safra que vão refletir de maneira positiva na safra.

E o manejo integrado de plantas daninhas é uma boa solução para controlar. Aqui estão algumas práticas infalíveis para o manejo eficaz de plantas daninhas na pré-safra:

1. Cobertura do solo

A cobertura do solo usa materiais orgânicos ou vegetais para proteger e melhorar as condições do solo, podendo ser realizada com plantas de cobertura (como leguminosas e gramíneas) ou cobertura morta (como palha ou mulching).

Os principais benefícios incluem o controle de plantas daninhas, prevenção da erosão, retenção de umidade, aumento da matéria orgânica, regulação da temperatura do solo e redução da compactação.

No entanto, é importante escolher as plantas adequadas e gerenciar a decomposição para evitar problemas como a competição excessiva com as culturas.

pousio-cobertura

Área em pousio (esquerda) e área com planta de cobertura (direita)
(Fonte: News de Rio Verde)

2. Uso de herbicidas pré-emergentes

O uso de herbicidas pré-emergentes é indicado para controlar plantas daninhas antes de sua germinação, criando uma barreira química no solo que impede o crescimento de ervas daninhas.

Essa abordagem reduz a competição com as culturas, diminui a necessidade de capina e aumenta a produtividade.

Mas tome cuidado com a escolha adequada do produto, o risco de resistência das plantas daninhas, a necessidade de considerar as condições do solo e a possível fitotoxicidade.

O uso responsável dessa tecnologia contribui para o manejo eficiente das ervas daninhas e melhora os resultados das lavouras.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Conclusão

Você percebeu que todas as estratégias de controle de invasoras exige um certo planejamento.

Além disso, aqui você aprendeu o que são plantas daninhas, as principais espécies que podem te causar prejuízo e até mesmo quais as espécies com resistência a herbicidas.

Agora também você sabe qual o melhor manejo para as principais plantas daninhas e está pronto para colocar em prática tudo o que você viu! Então, faça seu planejamento e boa safra!

Saiba mais informações:

Doenças do milho: conheça as 10 principais e as formas de manejo 

Atualizado em 09 de agosto de 2022.

Doenças do milho: saiba como identificá-las, quando acontecem, quais danos trazem à cultura e muito mais!

A cultura do milho pode ser afetada por diversas doenças causadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides.

As doenças são um dos fatores limitantes para a produção de milho. Por isso, a correta identificação é essencial para a adoção de estratégias de manejo adequadas. 

A seguir, conheça um pouco mais sobre as doenças do milho e como realizar o controle. Boa leitura!

Quais as principais doenças do milho?

As principais doenças da cultura do milho são:

  • Antracnose;
  • Cercosporiose;
  • Enfezamento;
  • Ferrugem;
  • Helmintosporiose;
  • Mancha-branca ou pinta-branca;
  • Mosaico comum;
  • Nematóides;
  • Podridão de Fusarium;
  • Mancha de Diplodia.

Das citadas, as doenças foliares no milho são as ferrugens, a antracnose foliar, a helmintosporiose, a cercosporiose e a mancha-branca. A mancha de Diplodia e a podridão de Fusarium são doenças da espiga do milho, que causam podridões no colmo e nas espigas.

Agora, confira um pouco mais sobre cada uma delas e entenda como identificar as doenças no milho.

1. Antracnose no milho

A antracnose é uma doença fúngica causada pelo patógeno Colletotrichum graminicola. Os sintomas da antracnose no milho podem ser observados nas folhas e no colmo da planta.

Nas folhas, aparecem lesões de formatos variados e de coloração castanho claro. Geralmente, os sintomas iniciam nas folhas do baixeiro e avançam em direção ao ápice da planta.

No colmo, é possível observar lesões com aspecto encharcado e de coloração marrom escuro. Em áreas onde é realizado o sistema de plantio direto, a incidência de antracnose é maior. Isso ocorre em razão do aumento da quantidade de inóculo nos restos culturais. 

2. Cercosporiose do milho

A cercosporiose é uma doença de grande importância econômica e que ataca as folhas do milho. Ela é causada pelos fungos Cercospora zea-maydis, Cercospora sorghi f. sp. maydis e Cercospora zeina.

O principal sintoma da cercosporiose é o aparecimento de lesões que crescem paralelamente às nervuras das folhas. Dependendo da severidade da doença, pode ocorrer o acamamento das plantas.

A disseminação da doença é feita pelos esporos do fungo. Os restos culturais são a principal fonte do inóculo.

3. Enfezamento

O enfezamento do milho é uma doença sistêmica causada por microrganismos conhecidos por molicutes. Dois tipos de enfezamento atacam a cultura do milho, são eles:

  • Enfezamento pálido (Spiroplasma kunkelli);
  • Enfezamento vermelho (Phytoplasma). 

O inseto vetor dessa doença no milho é a cigarrinha (Dalbulus maidis). O sintoma característico do enfezamento pálido são estrias de coloração esbranquiçada que surgem na base das folhas. Além disso, as plantas ficam raquíticas.

No enfezamento vermelho, as folhas adquirem coloração avermelhada. Além disso, ocorre o encurtamento dos entrenós e perfilhamento na base da planta e nas axilas foliares. 

Em ambos os casos, as plantas de milho infectadas podem apresentar maior número de espigas. No entanto, elas têm poucos ou nenhum grão, o que afeta diretamente a produtividade.

4. Ferrugem (comum, polissora e tropical)

As doenças conhecidas por ferrugem são de origem fúngica. Elas estão disseminadas na maioria das áreas produtoras de milho. A cultura do milho pode ser atacada por  três tipos de ferrugem:

  • Ferrugem comum do milho(Puccinia sorghi);
  • Ferrugem polissora do milho (Puccinia polysora);
  • Ferrugem tropical ou branca do milho(Physopella zeae).

Dessas três, a ferrugem polissora pode ser considerada a mais agressiva. Quando o manejo não é realizado de forma adequada, as lavouras contaminadas pela ferrugem polissora podem ter a produtividade reduzida em mais de 50%

Confira no quadro abaixo quais são os sintomas dos três tipos de ferrugem e quais as condições favoráveis para o desenvolvimento de cada uma delas.

Diferenças entre as ferrugens do milho
(Fonte: adaptação da autora)

5. Helmintosporiose no milho

A helmintosporiose é uma doença que tem maior incidência em lavouras de milho cultivadas na safrinha. Essa doença é causada pelo fungo Exserohilum turcicum.

O principal sintoma da helmintosporiose na cultura do milho é o aparecimento de lesões necróticas nas folhas. Essas manchas têm formato alongado e podem ser observadas primeiro nas folhas mais velhas.

6. Mancha-branca ou pinta-branca

A mancha-branca é uma doença do milho causada por mais de um patógeno. A bactéria Pantoea ananatis é a principal deles. Alguns fungos no milho também estão associados a essa doença. 

O sintoma característico dessa doença é o aparecimento de lesões de formato circular. Essas lesões têm o aspecto encharcado e coloração verde-clara.

Esse sintoma tem início na ponta das folhas. Eles são visíveis, primeiro, nas folhas inferiores. À medida que a doença avança, esses sintomas atingem as folhas superiores da planta.

7. Mosaico-comum do milho

O mosaico comum do milho é uma doença causada pelo vírus Sugarcane mosaic virus. Essa virose também ataca a cultura do sorgo e outras gramíneas. O principal vetor do mosaico comum é o pulgão (Rhopalosiphum maidis).

O sintoma típico dessa doença é o aparecimento de manchas em diferentes tons de verde nas folhas. Essas manchas conferem às folhas um aspecto de mosaico.

Além disso, as plantas de milho contaminadas apresentam menor altura. As espigas e os grãos também têm o tamanho reduzido. 

8. Nematoides

As principais espécies de nematoides que atacam o milho são:

  • Pratylenchus brachyurus;
  • Pratylenchus zeae; 
  • Helicotylenchus dihystera;
  • Criconemella spp.; 
  • Meloidogyne spp; 
  • Xiphinema spp.

Os sintomas causados por nematóides dependem da suscetibilidade do milho, da espécie e da densidade populacional do patógeno.

Os nematóides atacam o sistema radicular das plantas e interferem na absorção de água e nutrientes. Isso prejudica o desenvolvimento do milho.

Reflexo do ataque desses parasitas, as plantas de milho apresentam menor porte, clorose e murcha foliar nos períodos mais quentes do dia.

9. Podridão de Fusarium

A podridão de Fusarium é uma doença causada por fungos no milho, sendo eles o Fusarium moniliforme e o Fusarium subglutinans. Essa doença causa a murcha das plantas, tombamento e podridão da espiga.

No colmo das plantas de milho é possível observar lesões de coloração marrom. Na parte interna do colmo, o tecido adquire coloração rosada.

A infecção por esses patógenos é favorecida por alguma injúria causada por insetos e nematóides, por exemplo. A lesão funciona como porta de entrada para o fungo.

Os agentes causadores da podridão de Fusarium são fungos de solo. Eles têm a capacidade de sobreviver nos restos culturais por longos períodos.

>>Leia mais: “Podridão branca da espiga: Entenda mais e controle essa doença na sua área

10. Mancha de diplodia

A mancha de diplodia é causada pelo fungo necrotrófico Stenocarpella macrospora

Os sintomas dessa doença podem ser observados em várias partes da planta: folhas, colmo, hastes, espigas e sementes do milho.

A mancha de diplodia causa lesões nas folhas, podridão do colmo, podridão da espiga e grãos ardidos. As lesões foliares têm formato alongado e se caracterizam pela presença de um pequeno círculo visível contra a luz.

As sementes infectadas são o principal veículo de disseminação da doença. Os esporos do fungo sobrevivem nos restos culturais.

Quando as doenças no milho ocorrem?

Algumas doenças têm maior ocorrência dependendo da fase fenológica do milho. A ferrugem comum, por exemplo, pode acontecer entre os estádios V3 e R4. A ferrugem polissora, por sua vez, acontece entre V6 e R5.

A cercosporiose tem maior incidência entre a metade do estádio V6 e o final do R5. A mancha-branca ocorre entre metade do estádio V9 até o fim do ciclo da cultura. 

Já a podridão de fusarium acontece mais para o final do ciclo, entre R3 e R6. Ficar por dentro das épocas de incidência é fundamental para conseguir evitar as doenças, protegendo a produtividade da lavoura.

Confira abaixo quais as épocas de maior incidência de outras doenças do milho, de acordo com o ciclo da cultura.

Agora que você conheceu as principais doenças da cultura do milho e quando elas ocorrem, veja como realizar o manejo. 

Como controlar as doenças no milho

O manejo de doenças na cultura do milho é realizado pela adoção de medidas genéticas, culturais e químicas

É importante que sejam adotadas várias estratégias de controle para aumentar a eficiência do manejo. Abaixo, veja algumas medidas a serem empregadas no manejo de doenças em lavouras de milho:

  • Plantio de cultivares resistentes/tolerantes;
  • Evitar alta densidade de semeadura;
  • Evitar o plantio sucessivo de milho na mesma área;
  • Realizar o plantio e a colheita em épocas adequadas;
  • Utilizar sementes com qualidade fisiológica e sanitária;
  • Tratamento de sementes com fungicidas para milho;
  • Rotação com espécies não hospedeiras das doenças;
  • Controle das plantas invasoras;
  • Controle das pragas do milho;
  • Adubação do milho equilibrada;
  • Evitar o excesso de água em lavouras irrigadas;
  • Eliminação de restos culturais contaminados;
  • Escolha híbridos de milho resistentes;
  • Controle químico com produtos registrados no Mapa.

Todas essas recomendações são de grande importância e devem ser consideradas no programa de manejo de doenças na cultura do milho.

Conclusão

De modo geral, a ocorrência de doenças nas lavouras é um dos gargalos da produção agrícola. O milho é uma cultura afetada por doenças causadas por vírus, bactérias, fungos e nematóides. 

O conhecimento das doenças e de como realizar o controle faz parte do planejamento agrícola. Isso garante maiores chances de sucesso para o seu negócio.

Agora que você conhece as principais doenças do milho adote as estratégias citadas no artigo para maior eficiência no controle das doenças e também maior produtividade da lavoura.

Você tem mais dúvidas sobre estas doenças do milho? Quais práticas de manejo você utiliza? Adoraria ver seu comentário aqui embaixo.

foto da redatora Tatiza. Ela está com blusa preta, casaco jeans azul, e está sorrindo na frente de uma paisagem cheia de plantas

Atualizado em 09 de agosto de 2022 por Tatiza Barcellos.

Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

9 plantas daninhas resistentes a herbicidas (+3 livros e guias)

Conheça agora as principais plantas daninhas do brasil resistentes a herbicidas, saiba como evitá-las, combatê-las, e não fique no prejuízo!

Lavouras de soja com ervas daninhas resistentes a glifosato possuem custos de 42 a 222% maiores, segundo a EMBRAPA.

É frustrante o momento em que monitoramos a lavoura alguns dias após a aplicação de herbicidas e percebemos que a área ainda está infestada.

Para não falar desesperador!

Apesar de seguirmos todos os protocolos de aplicação (produto adequado, condições climáticas ideais de pulverização, etc.), porque não houve 100% de controle das plantas daninhas?

Isso é um indício que pode haver plantas daninhas resistentes a herbicidas na sua propriedade.

Como plantas daninhas resistentes se apresentam?

3 indícios de plantas daninhas resistentes a herbicidas no campo

plantas daninhas do Brasil

Por isso, confira a seguir as principais plantas daninhas resistentes a herbicidas do Brasil e esteja preparado se alguma delas estiver na sua área:

Plantas daninhas resistentes: O que são?

Resistência de uma planta daninha a herbicida é a capacidade adquirida por uma planta em sobreviver e se reproduzir mesmo com a aplicação de um herbicida na dose registrada (dose indicada na bula) em condições normais e adequadas de aplicação.

Aliás, você pode conferir como acertar nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola lendo esse artigo aqui.

Essa resistência é desenvolvida devido a:

O uso repetido de herbicidas com mesmo mecanismo de ação…

…em um mesmo ciclo da cultura

…usado como controle durante anos

sem adição de práticas de manejo e rotação de culturas.

Para maiores informações sobre o que você deve saber sobre, leia aqui resistências a defensivos agrícolas.

Plantas daninhas resistentes ao glifosato

As culturas resistentes ao glifosato resultaram em utilização massiva desse herbicida, levando ao desenvolvimento de resistência em várias espécies.

As principais culturas que possuem plantas daninhas resistentes a esse herbicida são a soja e a cultura do milho.

Além disso há os pomares diversos, que são naturalmente tolerantes a esse herbicida.

Como já citamos, segundo Embrapa, os custos de produção em lavouras de soja com plantas daninhas resistentes ao glifosato podem subir, em média, de 42% a 222%.

Para saber mais sobre custos de produção  recomendo fortemente que você leia o artigo

>> Entenda os custos de produção agrícola e esteja no comando de sua fazenda

Doses maiores de glifosato do que aquelas recomendadas em bula podem até controlar as infestações em um primeiro momento.

Mas essa prática seleciona plantas que podem sobreviver em doses ainda maiores, e o problema vai se agravando.

É claro que o uso de glifosato nas lavouras vai continuar, devido a sua eficiência e baixo custo. Mas é muito importante associar outros herbicidas também.

Em geral, na dessecação utilize herbicidas de contato não seletivos, como glufosinato de amônio (Liberty) e paraquat.

Apenas se atente que, para glufosinato, as plantas daninhas devem ser jovens (com altura por volta de 10 cm).

A utilização de herbicidas pré-emergentes também ajudam na diversidade de produtos.

Por isso, faça uso dos pré-emergentes além da aplicação de glifosato em associação com graminicidas ou latifolicidas em pós-emergência.

Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas

Conheça agora as principais plantas daninhas do Brasil resistentes ao herbicida glifosato:

daninhas-problema-info

(Fonte: Syngenta)

Buva (Conyza spp.)

Existem 3 espécies de buva no Brasil: Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis.

A Conyza bonariensis apresenta as folhas sem recortes nas margens, diferente da C. canadensis.

Já foi relatado no Brasil C. sumatrensis também resistente a herbicidas da ALS, do fotossistema I (como paraquat) e inibidores da PROTOX.

Conyza spp. é fotoblástica positiva, ou seja, só germina com luminosidade.

Por isso, áreas de plantio direto ou que utilizam vegetação nas entrelinhas (consórcio milho-braquiária, por exemplo) são ótimas alternativas de manejo.

>> Como fazer o controle da buva resistente a glifosato

Capim-amargoso (Digitaria insularis)

O capim-amargoso possui sementes com alto poder germinativo e que se espalham pelo vento, o que pode pegar de surpresa os produtores.

É muito comum plantas dessa espécie possuírem resistência ao glifosato, o que dificulta ainda mais seu controle.

Além disso, foi relatado também no Brasil, capim-amargoso resistente aos herbicidas inibidores da ACCase.

Plantas jovens (até 15 cm) são mais facilmente controladas com o uso de herbicidas. Já plantas adultas com touceiras tem seu controle dificultado.

Por isso, se atente ao campo e verifique o tamanho do capim-amargoso no momento da aplicação.

Azevém (Lolium multiflorum)

No Brasil, o azevém resistente a glifosato é um grande problema, especialmente na região Sul do país.

Após o relato de azevém resistente ao glifosato, foi utilizado somente inibidores da ALS ou de somente inibidores da ACCase de forma repetida, o que selecionou plantas de azevém também resistentes a esses mecanismos de ação.

Mas há outras opções além de herbicidas para controlar o azevém.

O uso de aveia-preta ou nabo como plantas de cobertura é uma prática eficiente para reduzir a presença do azevém nas lavouras.

Você pode utilizar também o centeio como planta de cobertura ou na entressafra.

Falando em entressafra, confira como fazer o controle de plantas daninhas na pré-safra.

O centeio apresenta alelopatia (liberação de substâncias que podem afetar outro organismo) que impede o aparecimento de azevém na área, e que ainda pode gerar lucro com a colheita dos grãos ao final do ciclo.

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(Fonte: Go Botany)

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

Em 2016 foi relatado no Brasil o primeiro caso de resistência a glifosato dessa espécie, sendo que já foi relatado também resistência aos inibidores da ACCase.

É uma das plantas daninhas mais comuns em cultivos anuais e perenes do Brasil, especialmente em área com solos compactados.

Após o perfilhamento, o controle dessa espécie fica ainda mais díficil.

capim-pe-de-galinha-resistente

(Fonte: FNA em Nature Search)

Capim-branco (Chloris elata)

Comum em lavouras perenes, o capim-branco possui casos de resistência relatados em 2014 no Brasil, não apresentando resistência a outros mecanismos de ação.

(pelo menos por enquanto e vamos trabalhar para continuar assim, não é mesmo?!)

A espécie é bastante encontrada nas regiões Norte e Centro Oeste,  onde pode ser visto quase o ano todo em floração, mas também é encontrada nas fazendas do Sul do país.

capim-branco

(Fonte: Ian Heap)

Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri)

O primeiro relato dessa espécie no Brasil foi em 2015 no Mato Grosso e já causou muita dor de cabeça.

Estima-se que  tem potencial de reduzir a produtividade de lavouras de soja, milho e algodão em até 90%.

O mais provável é que sementes dessa planta tenham vindo em colhedoras usadas dos Estados Unidos que foram importadas por produtores aqui do Brasil.

Isso reforça a importância da limpeza de máquinas e planejamento das atividades.

Saiba onde está o gargalo de seu planejamento agrícola clicando aqui.

A espécie aqui introduzida já apresenta resistência ao glifosato e também aos inibidores da ALS.

Visualmente se diferencia dos outros Amaranthus spp. (carurus) por alguns detalhes, como p pecíolo ser igual ou maior que sua folha, o que não ocorre em outras espécies de caruru.

caruru-amaranthus-palmeri

(Fonte: Foto Arnaldo Borges em IMAMT)

Plantas daninhas resistentes no Brasil

Infelizmente, há diversas pragas (insetos, doenças e plantas daninhas) resistentes a defensivos agrícolas no Brasil.

Para saber mais sobre e estar preparado veja “5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las”.

No Brasil temos espécies resistentes a outros herbicidas além do glifosato que são muito importantes nos sistemas de produção. Confira algumas dessas plantas :

Caruru (Amaranthus  retroflexus e Amaranthus viridis)

Do mesmo gênero que caruru-palmeri, essas espécies possuem resistência aos inibidores da ALS e fotossistema II, além de que A. retroflexus apresenta também aos inibidores da PROTOX.

Picão-preto (Bidens subalternans e Bidens pilosa)

As duas espécies de picão-preto apresentam resistência aos herbicidas inibidores da ALS e fotossistema II.

Capim-arroz (Echinochloa crus-galli var. crus-galli)

Muito comum em lavouras de arroz, o capim-branco foi relatado com resistência múltipla (resistência a diferentes mecanismos de ação de herbicidas) aos produtores inibidores da ALS, da celulose e da ACCase.

A prevenção dessa espécie pelo uso de sementes de boa qualidade e limpeza de máquinas e equipamentos antes depois de usá-las, é essencial.

caruru-picão-capim-branco

A: Caruru (Amaranthus viridis); B: Picão-preto (Bidens pilosa); C: Capim-branco (Echinochloa crus-galli var. crus-galli)
(Fonte: Ian Heap)

Para todas as plantas daninhas, especialmente as resistentes a qualquer herbicida, algumas medidas de manejo são essenciais como:

  • rotação de culturas;
  • rotação e diversidade de mecanismos de ação de herbicidas;
  • manejo de plantas daninhas na entressafra;
  • uso de plantas de cobertura;
  • monitoramento constante da área.

3 livros de plantas daninhas do Brasil que você precisa ler

Há 3 livros essenciais para quem quiser se aprofundar um pouco mais sobre a questão de plantas daninhas no Brasil.

Eu uso e recomendo esses livros:

Manual de controle e identificação de plantas daninhas:

– 7° Edição;

– Oferecido pelo Instituto Plantarum;

-Mostra as plantas daninhas mais comuns nas lavouras brasileiras e quais os herbicidas recomendados.

manual-plantas-daninhas-brasil

(Fonte: Agro Livros)

Plantas daninhas do Brasil:

– 4° Edição;

– Oferecido pelo Instituto Plantarum;

– Mostra uma quantidade incrível de plantas daninhas existentes no Brasil e suas características principais.

plantas-daninhas-do-brasil

(Fonte: Livraria UFV)

Guia de herbicidas

– 6° Edição;

-Mostra os herbicidas registrados no Brasil e suas principais características, as culturas em que a aplicação é recomendada, além de informar as doses e momentos adequados de aplicação.

guia-de-herbicidas

(Fonte: PDL)

Conclusão

A explicação de que mesmo após ter aplicado herbicidas na sua lavoura, você ainda observar a presença de plantas daninhas, isso é sinal que na sua área pode ter casos de resistência.

Aqui você pode aprender como identificar a resistência em sua lavoura, quais são as principais plantas daninhas resistentes a herbicidas, e como combatê-las.

É de fundamental importância uma visão crítica do sistema de produção, com planejamento das medidas de manejo, considerando a diversificação dos mecanismos de ação dos herbicidas utilizados.

Agora que você já tem esse conhecimento, faça seu planejamento e esteja preparado para combater essas plantas e obter sucesso na safra!

>> Leia mais:

“Planta tiguera: Quais os manejos mais eficientes para sua lavoura”

Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Já teve problemas com plantas daninhas resistentes? Quais? Gostaria de saber mais sobre o assunto? Tem mais algum método de controle que você faz e eu não citei? Adoraria ver seu comentário!

Como fazer o controle de plantas daninhas?

Controle de plantas daninhas: o que é, como fazer, métodos utilizados e muito mais!

Como está o controle de plantas daninhas na sua lavoura para a safrinha?

Você acredita que antes da safra não há nada que se possa fazer em relação às plantas daninhas? Ou que você pode chegar no campo no dia da aplicação e decidir corretamente o que fazer?

Sei que sua experiência conta muito e que você conhece sua lavoura, mas talvez seja interessante estar preparado e entender como fazer o manejo integrado de plantas daninhas

Hoje separei alguns pontos que, creio eu, terão impacto positivo no planejamento e no começo da sua safra. Vamos lá?

O que é controle de plantas daninhas? 

O controle de plantas daninhas é um  conjunto de práticas e técnicas para eliminar ou reduzir a presença de plantas indesejadas que competem com as culturas agrícolas por recursos como luz, água, nutrientes e espaço. 

Essas plantas, também chamadas de “invasoras”, podem causar prejuízos econômicos, comprometer o rendimento das culturas e até dificultar a colheita

As plantas daninhas variam dependendo da região, do clima e do tipo de cultura agrícola. Mesmo assim, algumas são conhecidas pela capacidade de competição, resistência a herbicidas e dificuldade de manejo. As mais frequentes são: 

  • Arroz-vermelho (Oryza sativa L.)
  • Braquiária (Urochloa spp.)
  • Buva (Conyza spp.)
  • Capim-arroz (Echinochloa spp.)
  • Caruru (Amaranthus spp.)
  • Ciperáceas diversas (Cyperus spp.)
  • Ciperáceas (tiriricas)
  • Cordas-de-viola (Ipomoea spp.)
  • Picão-preto (Bidens pilosa)
  • Tiririca (Cyperus rotundus)

Como controlar as plantas daninhas?

O controle de plantas daninhas é feito por estratégias para reduzir a presença das plantas indesejadas como: controle químico, controle mecânico, controle cultural, controle biológico e controle integrado. 

A escolha do controle ideal depende sempre considerar o tipo de cultura, ciclo das plantas daninhas, o histórico da área e os recursos disponíveis.

Um manejo integrado e planejado é a melhor estratégia para manter as lavouras produtivas e saudáveis.

Guia para manejo de plantas daninhas

Quais são os métodos de controle de plantas daninhas?

Os métodos de manejo integrado de plantas daninhas podem ser classificados em diferentes categorias, dependendo das práticas utilizadas para eliminar ou reduzir a presença das plantas.

Cada método tem suas vantagens e limitações, por isso, o melhor método depende do tipo de planta daninha, da cultura agrícola, do solo, do clima e dos recursos disponíveis.

Independentemente desses requisitos, é importante manter uma constância de cuidados com plantas invasoras. Confira mais informações sobre os métodos de controle de plantas daninhas abaixo: 

1. Controle químico

É uma estratégia de manejo que utiliza herbicidas para eliminar ou reduzir a presença de daninhas, especialmente em grandes áreas de cultivo, devido à sua eficiência e rapidez no controle de plantas invasoras.

  • Pré-emergente: Aplicado antes da germinação das plantas daninhas.
  • Pós-emergente: Aplicado diretamente nas plantas já germinadas.
  • Sistêmico: Absorvido pela planta e transportado para todas as partes, eliminando até as raízes.
  • De contato: Atua apenas na área onde é aplicado.
  • Vantagens: Alta eficiência em áreas grandes, reduz a mão de obra.
  • Desvantagens: Risco de resistência das plantas daninhas e pode causar impactos ambientais mal utilizados.

2. Controle mecânico

O controle mecânico de plantas daninhas é uma opção eficiente e ecológica em muitas situações, mas não é sempre o método mais prático para grandes áreas ou cultivos com grande infestação de plantas daninhas. 

O recomendado é utilizar de forma integrada com outros métodos (como controle químico ou cultural) para garantir o manejo mais eficaz e sustentável das plantas daninhas.

Além disso, inclui práticas que utilizam ferramentas ou máquinas para remover ou destruir plantas daninhas, como: 

  • Capina manual: Retirada manual com enxadas ou outras ferramentas (viável em pequenas áreas).
  • Gradagem e aração: Revolve o solo, cortando e enterrando as plantas daninhas.
  • Roçagem: Corta as plantas daninhas, controlando seu crescimento.
  • Vantagens: Não utiliza produtos químicos e é ideal para áreas pequenas.
  • Desvantagens: Alto custo de mão de obra e tempo e pode causar compactação ou erosão do solo em alguns casos.

3. Controle cultural

São práticas agrícolas que promovem condições desfavoráveis para o desenvolvimento das plantas daninhas, como:

  • Rotação de culturas: Evita a seleção de plantas daninhas específicas e melhora a saúde do solo.
  • Cobertura do solo: Uso de plantas de cobertura ou palhada para sufocar plantas daninhas.
  • Plantio direto: Mantém a palhada sobre o solo, reduzindo a emergência de plantas daninhas.
  • Densidade de plantio: Um plantio mais adensado e vigoroso dificulta a competição das plantas daninhas.
  • Vantagens: Sustentável e de baixo custo e melhora da saúde do solo.
  • Desvantagens: Resultados podem ser mais lentos.

4. Controle biológico

Uso de organismos vivos, como insetos, fungos, bactérias ou outros agentes naturais, que atacam plantas daninhas específicas, como o fungo Puccinia chondrillina para controlar a serralha.

O controle biológico para controle de plantas daninhas é natural e ainda mais eficaz quando combinado com outras estratégias de manejo integrado

  • Vantagens: Método sustentável e menor impacto ambiental.
  • Desvantagens: Pouco utilizado em larga escala e pode demorar para apresentar resultados significativos.

5. Controle integrado

O controle integrado de plantas daninhas, ou Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), combina diferentes métodos de manejo que equilibram os aspectos agronômicos, ambientais e econômicos, reduzindo os impactos negativos e aumentando a eficácia do controle.

  • Vantagens: Redução do impacto ambiental e da dependência de herbicidas e maior eficácia no manejo, considerando diferentes condições de solo e clima.
  • Desvantagens: Requer mais planejamento e monitoramento constante e  pode ser mais trabalhoso no início, até que os métodos sejam ajustados à realidade da área.

Leia também:

Dessecação e controle de plantas daninhas: Qual a ligação?

A dessecação antes da semeadura garante que as culturas tenham condições ideais para o desenvolvimento. 

Neste sentido, para evitar fitotoxidez nas plantas, é necessário respeitar um intervalo adequado após a aplicação de herbicidas, considerando o produto, dose utilizada, cobertura vegetal, solo e condições climáticas.

A escolha do herbicida e da dose depende das características das plantas daninhas presentes e da cultura a ser implantada:

  • Plantas jovens (até 15 cm): São mais facilmente manejadas com herbicidas de contato, como diquat e glufosinato de amônio.
  • Plantas em pleno desenvolvimento: Exigem herbicidas sistêmicos, como glifosato e 2,4-D, que são capazes de translocar o composto ativo e eliminar a planta completamente.

O impacto das plantas daninhas no desenvolvimento da lavoura varia conforme a densidade populacional, as espécies e o momento de interferência. No caso do milho, por exemplo, o período crítico de prevenção à interferência ocorre entre os estágios V2 e V7 (2 a 7 folhas).

Na dessecação, uma prática comum é associar herbicidas dessecantes a herbicidas residuais (ou pré-emergentes). Essa estratégia controla a cultura de cobertura morta, evitando a infestação de plantas daninhas durante o início do ciclo da cultura seguinte e otimizando os recursos disponíveis.

Já no plantio convencional, a dessecação também pode ser realizada mecanicamente, por meio de roçadeira, grade ou arado, antes do florescimento das plantas daninhas.

Isso reduz a germinação de novas invasoras e forma uma cobertura morta sobre o solo, contribuindo para a proteção do sistema produtivo.

Condições de pré-emergência e controle de plantas daninhas 

As aplicações de herbicidas pré-emergentes são feitas antes da emergência das plantas daninhas e exigem o conhecimento das espécies presentes na lavoura. 

O uso de mapas que identifiquem as espécies pode ajudar a escolher o produto adequado, já que as infestações de plantas daninhas variam por área. 

Esses herbicidas controlam as plantas antes que comprometam com as culturas, melhorando o rendimento. No entanto, seu desempenho depende de fatores como umidade do solo, chuva, temperatura, tipo de solo e as espécies a serem controladas. 

É importante seguir as recomendações de um engenheiro agrônomo e da bula do produto, pois condições como seca, chuvas intensas e tipo de solo afetam a eficácia do herbicida. 

Solos argilosos, por exemplo, exigem doses maiores devido à sua maior capacidade de retenção do herbicida.

Métodos preventivos no manejo de plantas daninhas

O método preventivo o para manejo integrado de plantas daninhas evita a introdução, o estabelecimento e a disseminação de novas espécies de plantas daninhas.

Além de evitar prejuízos, isto vai ajudar que seus gastos com o controle destas plantas não se elevem tanto. Para isso, algumas medidas são vitais:

  • Utilização de sementes de boa qualidade, de campos controlados e certificadas;
  • Limpeza rigorosa de todas as máquinas e de todos os implementos, antes de serem transportados para áreas com diferentes espécies de plantas daninhas;
  • Evitar circulação de animais nessas diferentes áreas, para que não se tornem veículos de disseminação;
  • Manejo adequado das plantas daninhas, inclusive em cercas, beiras de estradas, canais de irrigação ou qualquer outro local da propriedade;
  • Utilizar qualquer método para o controle dos focos de infestação, desde a catação manual até a aplicação localizada de herbicida;
  • Se houver pousio, controlar as plantas daninhas também nesse momento;
  • Realizar a rotação de culturas e de herbicidas para diversificar o ambiente.
Banner planilha- manejo integrado de pragas

Plantas daninhas e o sistema de plantio direto (SPD)

O Sistema de Plantio Direto (SPD) desempenha um papel importante na redução da germinação das plantas daninhas e no controle do banco de sementes do solo, sendo uma prática essencial no manejo integrado de plantas invasoras.

O banco de sementes é composto por sementes de plantas daninhas que permanecem viáveis no solo por longos períodos, com uma média de mais de 5 anos em solos cultivados.

A cobertura do solo proporcionada pelo SPD impede a germinação dessas sementes, evitando que se tornem plantas maduras que possam produzir novas sementes. Isso contribui significativamente para o controle das plantas daninhas, especialmente na fase de pós-emergência.

Entretanto, algumas plantas invasoras, como guanxuma, trapoeraba, erva-quente, poaia-branca e buva, podem continuar a representar desafios.

A buva, por exemplo, é uma planta daninha comumente resistente a herbicidas, especialmente ao glifosato, e o SPD tem sido eficaz no seu controle, por não germinar na sombra criada pela palha sobre o solo, dificultando o crescimento em sistemas de plantio direto.

Custos de controle de plantas daninhas em SPD x convencional

Como já falamos, no sistema convencional é possível fazer a dessecação por aração e gradagem.

Já na semeadura direta, pelo não revolvimento do solo, fazemos o controle de plantas daninhas por meio dos herbicidas dessecantes.

No sistema convencional, também é possível o uso de herbicidas em pré-semeadura incorporado, mas em SPD isso não é possível.

Nas culturas de soja e feijão, o custo de herbicidas graminicidas incorporados é em torno da metade dos pós-emergentes.

Devido a isso, de início os custos com herbicidas são maiores no sistema de plantio direto. Mas lembre-se: os gastos com operações agrícolas são maiores no sistema convencional.

Além disso, com o tempo, a menor infestação devido à cobertura diminui o número de aplicações e associações de produtos, reduzindo o custo com herbicidas e aumentando a facilidade no controle de plantas daninhas.

Redator Alasse Oliveira


Atualizado em 22 de agosto de 2023 por Alasse Oliveira.

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestrando em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia Bt e área de refúgio

Atualizado em 07 de outubro de 2020.
Tecnologia Bt: entenda sua importância e a resistência a insetos, saiba como implementar a área de refúgio em sua fazenda e outras dicas de manejo.

As áreas de refúgio são fundamentais caso você utilize a tecnologia Bt.

Essa prática, inclusive, é obrigatória por lei, como medida fitossanitária para o manejo da resistência de insetos.

Mas o que é exatamente a tecnologia Bt e como funciona a seleção de resistência de pragas a ela?

Você sabe por que é preciso fazer uma área de refúgio e como implantá-la na sua fazenda? Confira essas e outras informações a seguir:

Tecnologia Bt: plantas transgênicas

A tecnologia Bt confere às plantas a capacidade de resistir a determinados insetos-praga. Isso é feito por meio da biotecnologia, com inserção de genes da bactéria Bacillus thuringiensis, que produz uma proteína tóxica para alguns insetos.

A adoção de plantas transgênicas em culturas de interesse agronômico, como milho, soja e algodão, vem ganhando mercado dia a dia, principalmente pela praticidade em seu manejo. 

De acordo com a Céleres, a taxa de adoção de organismos geneticamente modificados passou de 9,2 milhões de hectares na safra 2005/06 para 53,1 mi/ha na safra 2019/200. 

gráfico de adoção da biotecnologia agrícola no Brasil por cultura/milhões de hectares (algodão, milho e soja)

Adoção da biotecnologia agrícola no Brasil por cultura/milhões de hectares
(Fonte: Céleres)

Para o milho, por exemplo, a projeção de uso de plantas transgênicas é de 88,9%, a maioria resistentes a insetos. 

Essa alta adesão das variedades transgênicas se deve à maior eficiência, facilidade, otimização de operações, entre outros que você já conhece.

As plantas com tecnologia Bt conferem resistência a insetos. No Brasil, temos sementes Bt para milho, soja e algodão, sendo a cultura do milho Bt a mais utilizada se comparada a outros países.

As tecnologias Xtend® e Enlist®, que devem chegar ao campo nas próximas safras, trarão novas proteínas de resistência a insetos.

Isso irá expandir a variedade de pragas e lagartas controladas pela tecnologia Bt, tanto em milho quanto em soja.

Principais pragas controladas pela tecnologia Bt

As principais pragas agrícolas controladas pelas plantas Bt de soja, milho e algodão são:

  • Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis);
  • Falsa-medideira (Chrysodeixis includens, Rachiplusia nu, Trichaplusia ni);
  • Vaquinha (Diabrotica speciosa);
  • Broca-das-axilas (Crocidosema aporema);
  • Lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens); 
  • Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus); 
  • Helicoverpa (Helicoverpa spp., incluindo a lagarta-da-espiga H. zea);
  • Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon);
  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda);
  • Lagarta curuquerê (Alabama argilacea);
  • Lagarta-rosada (Pectinophara gossypiella);
  • Spodoptera (Spodoptera eridania Spodoptera cosmioides);
  • Broca-do-colmo (Diatrea saccharalis).

O primeiro evento de milho transgênico resistente a insetos foi aprovado no Brasil em 2007, o qual expressa a proteína CryAb de Baccillus thuringiensis Berliner. Devido a isso, o nome “Bt”.

De lá para cá, outros eventos foram lançados e alguns devem sair nos próximos meses.

Para quem não se recorda, o termo “evento” significa  evento de transformação genética e vem do processo de obtenção de uma planta transgênica.

Nesse processo, cada planta produzida é denominada “evento de transformação genética” e é o resultado de uma única célula vegetal, na qual ocorreu a inserção do gene de interesse.

O gene que é introduzido na planta, produz a proteína com ação inseticida. Assim, os insetos morrem ao comer as plantas Bt que expressam essas proteínas inseticidas.

A partir do evento selecionado, é feita a multiplicação das plantas transformadas e, depois, suas sementes transgênicas são comercializadas.

Resistência de insetos à tecnologia Bt

Devido à alta adoção dessa tecnologia, muitas vezes sem as regras de segurança, pode haver resistência de pragas. Esse é o principal risco para a tecnologia.

Algumas práticas para que a resistência não se desenvolva já vêm ocorrendo por parte do melhoramento genético, como expressão de altas doses dessas proteínas inseticidas. 

Também há a incorporação de mais de um gene que expressa mais de uma proteína inseticida na planta (estratégia de “pirâmide de genes”).

Mas essas estratégias só vão dar resultado se o produtor também fizer sua parte, adotando as áreas de refúgio.

Na condição de cultivo em um país tropical como o Brasil, é possível plantar o ano inteiro. Isso faz com que exista alimento para os insetos o ano todo, possibilitando seu desenvolvimento contínuo.

Para piorar, as altas temperaturas possibilitam várias gerações ao ano, o que torna mais rápido o aparecimento de insetos resistentes.

S. frugiperda é o inseto com maior potencial para desenvolver resistência às toxinas Cry1Ab e Cry1F expressas em milho Bt; e Cry1Ac, Cry2Ab2 e Cry1F, expressas em algodão Bt. Uma das razões é sua alta taxa de reprodução.

Inúmeros estudos buscam entender a seleção de resistência das pragas a organismos geneticamente modificados.

Conforme pesquisa da Universidade Federal de Lavras, o processo de transmissão da proteína Bt pode ocorrer ainda nos ovos dos insetos. Pesquisadores da Esalq/USP e UFV, também comprovaram o potencial de evolução da resistência da lagarta-do-cartucho ao milho Yieldgard VT PRO.

Portanto, se nenhuma estratégia para manejo da resistência for adotada na lavoura, a seleção persistente de insetos resistentes será inevitável.

Se você usa tecnologia Bt, coloque a realização de áreas de refúgio em seu planejamento agrícola. Oriente seus vizinhos a utilizar a área de refúgio também, pois caso ele não utilize, pragas resistentes podem entrar em sua propriedade.

checklist planejamento agrícola Aegro

O que é área de refúgio para plantas com tecnologia Bt?

A área de refúgio nada mais é que o plantio de uma área da lavoura sem a tecnologia Bt. Na prática, você deve dividir sua lavoura em uma parte com tecnologia Bt e outra sem tecnologia.

Contudo, os dois híbridos devem apresentar o mesmo porte e ciclo vegetativo.

Essa área tem como objetivo evitar o desenvolvimento de insetos resistentes à tecnologia Bt – e para isso realmente funcionar a área deve seguir algumas regras.

Por isso, separei algumas informações para a implantação da área de refúgio em sua fazenda.

Como implementar uma área de refúgio?

Quando você utiliza uma tecnologia Bt, a área de refúgio é fundamental. Inclusive, essa prática é regulamentada pela Instrução Normativa nº 59, de 19 de dezembro de 2018.

Caso você não utilize o refúgio, pode ser penalizado, pois é medida fitossanitária para evitar o manejo da resistência de pragas.

Por isso, tenha cuidado na escolha do híbrido que vai utilizar com e sem tecnologia. Como já citei, eles devem apresentar algumas características semelhantes.

Outro ponto importante é a distância, pois a área de refúgio não deve estar a mais de 800 m de distância das plantas transgênicas.

Esta é a distância máxima verificada pela dispersão dos adultos de insetos no campo para que se tenha os cruzamentos de adultos sobreviventes da lavoura Bt com insetos da área de refúgio.

Para obedecer à regra, você pode realizar o plantio dos híbridos sem a tecnologia de duas maneiras:

imagem que mostra a implantação da tecnologia bt sendo A) Plantio realizado em faixas ou no perímetro da lavoura; B) Em áreas irrigadas com pivô, o plantio pode ser realizado em faixas ou em parte da área

Como implementar o refúgio: A) Plantio realizado em faixas ou no perímetro da lavoura; B) Em áreas irrigadas com pivô, o plantio pode ser realizado em faixas ou em parte da área
(Fonte: adaptado de Embrapa Milho e Sorgo)

Assim, as áreas de refúgio servem como reservatório de insetos suscetíveis à tecnologia Bt.

Qual o tamanho da área de refúgio?

Para determinar o tamanho da área de refúgio em sua propriedade, o primeiro passo é consultar qual evento foi utilizado.

A empresa detentora da tecnologia Bt irá indicar qual a porcentagem da área deve ser de refúgio, conforme indica a legislação.

Normalmente, a indicação é de 20% para soja, cana-de-açúcar e algodão, em média, e de 5% a 10% para milho.

Fique atento à recomendação no momento da compra de suas sementes.

Refúgio e resistência na lavoura de milho

A utilização de áreas de refúgio em milho é fundamental para a manutenção da tecnologia Bt e para evitar possíveis casos de resistência.

Inúmeros estudos comprovam a eficiência da utilização de áreas de refúgio no milho em áreas que utilizam a tecnologia Bt.

Contudo, já observamos a quebra de resistência à proteína Cry1F.

Essa possível perda da tecnologia pode ser oriunda de lavouras que desrespeitaram a lei e não utilizaram corretamente as áreas de refúgio. Ou pode ter havido negligência no momento da instalação da área.

Um exemplo, é a lagarta-do-cartucho do milho resistente à proteína Cry1F.

Para evitar possíveis outros casos de resistência no milho, pesquisadores alertam produtores a realizar o MIP (Manejo Integrado de Pragas), a instalação da área de refúgio corretamente e realizar constantemente o monitoramento de sua lavoura.

Dicas para o manejo em áreas de refúgio para plantas Bt

As áreas de refúgio para plantas com tecnologia Bt devem ser conduzidas como toda a lavoura convencional, com o uso de fertilizantes, pulverizações de herbicidas, fungicidas e inseticidas.

O controle de pragas na área de refúgio pode ser feito por vários métodos, exceto com a utilização de bioinseticidas à base de Bt.

Separei algumas dicas que podem lhe auxiliar no manejo de sua área de refúgio:

  • elimine plantas daninhas, pois elas podem ser hospedeiras de pragas resistentes;
  • realize o monitoramento de pragas constantemente, isso irá facilitar o manejo;
  • evite a aplicação constante de inseticida. Quanto maior o número de aplicações, menor sua efetividade para evitar o desenvolvimento de resistência dos insetos;
  • realize a rotação de culturas;
  • realize o Manejo Integrado de Pragas, evitando fazer apenas um tipo de controle.

Conclusão

A utilização da área de refúgio é fundamental para manutenção da tecnologia Bt e para evitar possíveis casos de resistência em sua fazenda.

Nesse artigo, falamos sobre a tecnologia Bt e as pragas controladas por ela. Mostramos ainda a importância da área de refúgio e como implantá-la em sua propriedade.

Lembre-se que, apesar do processo de seleção de populações resistentes ocorrer dentro de cada propriedade, os insetos se dispersam por toda a região, fazendo com que os prejuízos sejam para todos.

Assim, mesmo que na sua fazenda você tenha implantado áreas de refúgio e realizado o MIP, se os seus vizinhos ainda não estão fazendo isso, você também poderá ter problemas.

Por isso, é preciso da compreensão de todos e a ação conjunta!

Você utiliza sementes com a tecnologia Bt? Restou alguma dúvida sobre área de refúgio? Deixe seu comentário!

Atualizado em 07 de outubro de 2020 por Rayssa Fernanda dos Santos
Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestra em fitotecnia pela Esalq/USP, doutoranda em agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), ênfase em produção vegetal, e com MBA em Marketing.

As perguntas (e respostas!) mais frequentes sobre Manejo Integrado de Pragas na soja

O Manejo Integrado de Pragas na soja é uma técnica que já demostrou seus resultados. Ela reduz e otimiza custos.

O MIP pode ser aplicado em qualquer tipo cultura, desde que feito da maneira correta. Neste artigo iremos abordar as principais perguntas e respostas sobre MIP.

Você sabia que o manejo integrado de pragas pode reduzir em 50% a aplicação de defensivos?

O Brasil utilizou em aproximadamente 140 milhões de litros de inseticidas na safra 2013-2014, o que tem um custo de US$ 2,5 bilhões e isso só para a cultura da soja.

Um estudo realizado pela Embrapa mostra que é possível reduzir o número de aplicações quando se adota o MIP.

manejo integrado de pragas na soja

(Fonte: Embrapa)

Já sabemos que a prática de MIP ajuda a reduzir custos, o que contribui para aumentar a renda do produtor.

Mas…

>> Veja sobre custos aqui:  Entenda os custos de produção agrícola e esteja no comando de sua fazenda

Como integrar o manejo integrado de pragas na soja na minha lavoura?

Primeiramente vamos definir o conceito.

O MIP é a utilização de diversas práticas que facilitam o manejo de pragas, como, por exemplo:

  • Controle químico: uso de inseticidas, herbicidas, fungicidas, acaricidas, entre outros;
  • Agentes biológicos: uso de predadores e inimigos naturais;
  • Inseticidas naturais;
  • Rotação de culturas;
  • Nutrição adequada das plantas;
  • Variedades resistentes; etc.

Às vezes não sabemos, mas já adotamos parte do MIP na nossa lavoura através do uso de alguma dessas práticas.

Para saber mais sobre MIP leia este artigo aqui: Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas [Infográfico]

bases-e-pilares-do-MIP

De qualquer maneira, é fundamental fazer o monitoramento da área ao longo de todo o ciclo da cultura, assim você pode montar o histórico da sua área.

>> Veja mais aqui: Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu

Como monitorar?

Ao longo do ciclo da cultura você vai notar a  predominância de algumas pragas de acordo com o ciclo da cultura.

No caso da soja você deverá se atentar em quatro fases, a figura abaixo resume o que é mais provável de se encontrar em cada fase da cultura.

manejo integrado de pragas na soja

Se você tem problemas também com ferrugem-asiática na soja saiba como combatê-la lendo este artigo.

>> 9 curiosidades que você não sabe sobre ferrugem-asiática da soja e como combatê-la

Para a cultura do milho a figura abaixo ilustra as principais pragas agrícolas que podem ser observadas durante o ciclo.

Este calendário pode te ajudar a identificar e Como fazer manejo integrado de pragas (MIP) na cultura do milho

manejo-integrado-de-pragas-no-milho

Falando em milho, para saber como conseguir produtividades incríveis veja este artigo:

>> Como produzir 211 Sacas de Milho por hectare com Gestão Agrícola

No início da cultura, as pragas de solo vão ser mais recorrentes.

pragas-milho-inicio-cultura

(Fonte: Pionner)

Para você saber mais recomendo esses três guias ilustrados sobre as pragas nas culturas do milho e da soja.

Pragas da soja no brasil e seu manejo integrado

Como realizar o monitoramento?

O ideal é que o monitoramento seja feito em todas as fases do ciclo da cultura.

Um método muito utilizado é a batida de pano.

manejo integrado-de-pragas pano de batida
  1. Para isso você precisará de um pano com um metro de largura por um metro de comprimento;
  2. Estenda o pano na entrelinha da cultura;
  3. “Chacoalhe” as plantas;
  4. Conte os insetos que estão no pano.

Simples, fácil e eficiente, não é mesmo?

Nessa ficha da Embrapa dá para monitorar, acompanhar e definir se já atingiu o nível de controle.

Mas preencher fichas quase que semanalmente, interpretá-las e guardá-las em local seguro além de díficil, o monitoramento se torna confuso.

Com um software de gestão agrícola você tem tudo isso de forma organizada e salva seguramente.

aegro-monitoramento

Até aqui vimos como fazer o monitoramento e como identificar as pragas, mas e a tomada de decisão?

Quando e como devo tomar a decisão?

A decisão de controle deve ser baseada no nível de dano econômico. E este vai depender de qual e quanto de inseto (ou dano na cultura por aquele inseto) foi encontrado no monitoramento.

Pragas agrícolas com maior potencial de dano à lavoura requerem mais cuidados e por isso menores são os valores de nível de controle.

A Escala Davis nos ajuda a quantificar os danos causados pelas pragas. Vamos ver o exemplo abaixo para lagarta-do-cartucho:

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(Fonte: Biogene)

Se você tem problemas com a lagarta-do-cartucho na sua lavoura, saiba que você pode estar correndo um certo risco. Monitore e planeje o controle desta praga.

Mas afinal, o que é nível de dano econômico e nível de controle?

Como podemos ver na figura abaixo o controle deve ser feito sempre que a densidade do inseto for maior que o nível de controle.

Assim evita-se que atinja o nível de dano econômico no qual ocorrerá prejuízos a produtividade.

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O próprio monitoramento ou o uso de armadilhas com feromônios ajuda a avaliar a flutuação populacional da praga.

Os feromônios são sinalizadores químicos e podem ser classificados em três técnicas:

  • coleta massal: grande quantidade de insetos é atraída para a armadilha o que contribui para a redução da população;
  • atrai-e-mata: aqui é utilizado um inseticida e o feromônio, o inseto é atraído e entra em contato com o produto;
  • confusão sexual: ocorre a liberação de feromônio naquele ambiente o que impede do macho encontrar a fêmea para o acasalamento, resultando na queda da população de insetos.

Agora que você identificou, monitorou a praga e decidiu (pelo nível de dano econômico) que tem que controlar a praga…

>> Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas

Qual método de controle de manejo integrado de pragas utilizar?

Todos os manejos são bem-vindos, desde a aplicação de inseticidas até o controle biológico.

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(Fonte: Entomol)

A tomada de decisão deve estar aliada ao inseto presente na lavoura e a sua densidade populacional. Assim, consegue-se decidir pelo método de controle mais adequado.

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(Fonte: Canal Rural)

O controle biológico é um dos métodos utilizados no manejo integrado de pragas.

Trata-se do uso de fungos, bactérias e insetos produzidos em laboratório para combater as pragas e doenças no campo.

O uso dos chamados biodefensivos está crescendo em média 15% ao ano e tem previsão de ter uma participação de 10% no setor até o ano de 2026.

O Trichogramma sp. é uma vespa que parasita ovos de muitos insetos considerado pragas.

tricograma

(Fonte: Frutíferas)

As cartelas com os ovos da vespa (Trichogramma sp.) são colocadas nas plantas assim que se observa a presença de mariposas-praga na área.

Sabe qual a melhor parte? O custo é de 30 a 45% mais barato que o controle químico.

A Helicoverpa armigera nas últimas safras foi a praga que mais causou preocupação dentre os produtores, principalmente nas culturas de soja, milho e algodão.

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(Fonte: AMTec Bio-agrícola)

O melhor método para manejar a Helicoverpa armigera é o cultural, tornando o ambiente desfavorável para a praga e favorável aos inimigos naturais de pragas agrícolas.

O ideal é realizar a rotação de cultura e destruir as plantas voluntárias, pois assim evita-se que a praga tenha acesso constante ao alimento.

O método físico também pode e deve ser utilizado, este consiste no uso de armadilhas e iscas.

cultura-armadilha

(Fonte: AMTec Bio-agrícola)

O manejo com culturas armadilhas é fácil de fazer, confira o passo a passo:

  1. Plantamos a cultura principal e nas áreas laterais a cultura armadilha (certifique-se de que seja uma cultura hospedeira da praga);
  2. Na cultura armadilha pode ser aplicado açúcar ou feromônio)
  3. Os insetos adultos vão preferir fazer a oviposição na cultura armadilha;
  4. Antes das lagartas atingirem a fase de pupa faz-se o controle, que pode ser realizado através do manejo biológico com Bacillus thuringiensis (Bt).

A bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) pode ser utilizada como bioinseticida ou como plantas transformadas expressando toxinas.

Lembre-se também, que além dos métodos de controle, você pode aliar o uso de plantas atrativas a inimigos naturais.

Assim consegue-se manter o equilíbrio do ambiente e atrair inimigos naturais dos insetos pragas.

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(Fonte: Insecta News)

>> Leia mais: “As melhores formas de controle para cigarrinha-das-pastagens

Conclusão

O Manejo Integrado de Pragas na soja é essencial para quem almeja garantir produtividade na lavoura.

Muito métodos podem ser empregados como o uso de inseticidas, controle biológico e cultura.

Lembre-se de sempre rotacionar os mecanismos de ação dos inseticidas para evitar a pressão de seleção sobre as pragas.

Agora que você sabe a resposta das principais perguntas sobre o MIP vá ao trabalhe, utilize menos defensivos agrícolas e mantenha sua alta produtividade!

>> Leia mais:

“Como fazer um manejo efetivo de pragas do algodão”

Controle biológico das lagartas da soja

7 pragas de armazenamento de grãos para você combater

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