O que é administração rural e como ela pode melhorar sua propriedade

O que é administração rural: entenda o que é e como ter uma lavoura de sucesso em 7 passos simples!

Não importa se a sua fazenda é grande ou pequena, a administração rural é fundamental.

Você acha que essa tal de “administração rural” é frescura?

Hoje eu vou te mostrar que não é e, de quebra,  como isso pode te auxiliar no dia a dia da fazenda.

Pense em como, independente do tamanho da sua família, é preciso controlar e verificar gastos, compras, reformas, férias, etc.

Na fazenda é mais complexo, mas o ato de administrar (controlar, verificar, planejar) continue sendo muito necessário.

Na prática a teoria não é diferente: temos casos reais de aumento de produtividade e rentabilidade com a administração rural.

Inclusive você pode usar agricultura digital para administrar sua fazenda mesmo não sabendo nada de tecnologia.

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O que é administração rural e a importância na sua fazenda

Administração rural é o conjunto de atividades que auxiliam na tomada de decisão de seus gestores, com o objetivo de obter maior rentabilidade.

A administração moderna das fazendas, ano após ano, acaba exigindo cada vez mais profissionalismo das pessoas envolvidas nos negócios.

o que é administração rural

O aumento expressivo da produtividade aumenta a complexidade dentro da fazenda, o que torna a administração rural indispensável.

(Fonte: Conab em Estadão)

A agricultura não pode continuar com a mesma administração que era realizada no passado.

Especialmente porque as pressões dos custos de insumos e custos de produção afetam cada vez mais os produtores.

Se eu puder te dar somente uma dica hoje, essa dica seria:

Esqueça aquela administração que levava em conta valores médios ou estimados e que tudo era “guardado na cabeça”.

Hoje isso acontece pelos sistemas computacionais e planilhas agrícolas eletrônicas onde os valores são reais e guardados em segurança para nunca mais se perder.

Para isso, é necessário uma administração bem feita das entradas e saídas de todos os fatores gerais do nosso sistema.

Continue comigo para aprender como fazer isso:

Diferença entre administração e gestão

As vezes temos dúvidas quanto às diferenças da administração rural e gestão agrícola, então vamos esclarecer isso.

Administrar é planejar e controlar com uma visão geral da fazenda, especialmente a parte financeira e pessoal, para atingir maior produtividade e rentabilidade.

A gestão agrícola também envolve planejar e controlar, mas isso é feito com maior detalhamento, especialmente na parte de operações agrícolas.

intensivo na administração rural

(Fonte:Precision Agriculture)

Sabendo disso, vamos para o próximo passo para uma administração rural bem feita:

Administração rural e gestão do agronegócio: 7 passos simples

1. Finanças organizadas e em segurança

Registre tudo o que foi gasto, item por item, e tudo o que foi usado e quando foi utilizado.

Pode parecer exagero, mas o detalhamento por talhão vai te mostrar quais são seus problemas e quais talhões merecem mais sua atenção.

2. Faça um planejamento

Com as finanças em ordem, você sabe o quanto pode gastar na lavoura e assim pode orçar e planejar toda a sua safra.

Quem não se planeja se torna refém do acaso.

Para saber mais sobre planejamento agrícola você pode ver esses dois artigos:

>> Planejamento Agrícola: 6 mandamentos que você deveria seguir

>> Como produzir 211 Sacas de Milho por hectare com Gestão Agrícola

3. Saiba seu custo de produção agrícola

Uma coisa puxa outra: com as finanças organizadas e detalhadas  você vai poder conhecer o custo de produção agrícola real, o que te dará certeza na hora de ver os preços de venda dos produtos agrícolas.

Saiba mais sobre isso em:

>> Como saber seu custo de produção agrícola

>> Entenda os custos de produção agrícola e esteja no comando de sua fazenda

custo-orçado-realizado-adiministração-rural

4. De olho no estoque

Se falta insumos o preço pago em cima da hora é maior, isso se tiver o que você procura. Sem falar que pode paralisar a operação agrícola e atrasar toda a produção.

Se sobrar insumos, muitos podem estragar e levar a prejuízo.

Saiba como controlar seu estoque de modo eficaz pelo artigo:

“5 motivos para você começar agora a controlar seu estoque” , e ainda ganhe gratuitamente uma planilha para começar essa gestão.

5. Equipe bem treinada e motivada

Toda a condução da fazenda é feita por pessoas. E essas pessoas precisam estar conscientes do que precisam fazer e, o mais importante, o porquê estão fazendo.

Nosso artigo “O desafio de ser um líder de uma empresa rural” pode te ajudar bastante sobre isso.

6. Registre, registre e registre

Registrar absolutamente tudo o que você usou para as operações agrícolas, em quais talhões, quem participou da operação e quanto tempo durou.

Registre as principais pragas, plantas daninhas e doenças. Anote o que foi usado para combatê-los.

Registre os gastos com salários, impostos, custos dos escritórios.

O registro de tudo o que for possível faz o controle do seu negócio ser real e eficaz.

Por exemplo, sabendo sobre as pragas, daninhas  e doenças e o que foi usado você sabe o que deu e o que não deu certo nesse manejo.

Além de que, na próxima safra, você já vai saber quais os principais problemas da propriedade e procurar soluções efetivas, como defensivos agrícolas mais recomendados.

Entenda mais sobre pragas agrícolas onde você pode ler ou ouvir esse artigo.

7. Monitore e valide

De nada adianta um planejamento bem feito se você não verificar como foi sua realização.

Monitore e valide o que deu certo e o que deu errado, e é aí que entre também os registros.

É por meio dos registros que o monitoramento e validação acontece, melhorando cada vez mais sua fazenda, sua produtividade e rentabilidade.

Para fazer isso de um jeito mais simples e fácil veja: “Como estas 5 tecnologias mudam a forma de monitoramento da produção agrícola”.

administração-rural

(Fonte: Portal administração)

Dicas extras sobre administração rural

Na maioria dos cenários encontramos a tentativa de redução dos custos, contratação de mão de obra mais barata e redução do quadro de funcionários.

Mas isso pode prejudicar os processos e operações dentro das nossas fazendas.

Lord Kelvin disse em sua frase célebre:

“Quando não se consegue medir ou traduzir em números o que se está falando, pouco ou quase nada se conhece do assunto.”

Frente a isso, não se controla aquilo que não se conhece e não se conhece aquilo que não se mede.

Por isso a administração rural requer das pessoas envolvidas características como:

  • Amor pela atividade que desempenham;
  • Crença no que fazem;
  • Perseverança na atividade;
  • Força de vontade;
  • Profissionalismo ;
  • Ser organizado ;
  • Ter espírito de liderança.

Você acha que a administração é um conceito novo? Moderno? Pense de novo:

História da administração rural

Se tem algo que sempre veio junto com o ser humano, esse algo se chama problema.

Foi para resolver esses problemas que o conceito de administrar surgiu no ano 5000 A.C. na Suméria.

Depois de mais de 7000 anos de prática, a administração está cada dia mais intensificada e pode nos ajudar muito.

Na agricultura brasileira, responsável pela geração de mais de 25% dos recursos componentes do PIB do país, temos a administração rural como forte aliado dos produtores.

O setor do agronegócio está cada vez mais tecnificado e sofisticado.

Para acompanhar esse ritmo frenético de crescimento, a administração rural surge para estudar e melhorar quesitos dentro das empresas agrícolas

Alguns desses problemas são: gestão financeira, logística, mercado, mão-de-obra, tecnologias, planejamentos futuros, etc.

Administração rural moderna

Atualmente com a infinidade de softwares para fazendas seja para computador ou aplicativos nos smartphones, a administração atingiu um novo patamar.

Todos aqueles registros que falei no passo a passo da administração rural podem ser feitos de forma muito mais fácil, rápida, com comunicação entre equipes, verificação do gestor e guardados de forma segura.

software para fazendas

O dados são transformados em conhecimento a respeito das nossas propriedades, o que acaba sendo decisivo para a tomada de decisão consciente e segura.

A administração da fazenda toda pode ser acompanhada com poucos cliques de qualquer lugar do planeta onde estivermos.

Isso facilita na hora dos gestores ou dos tomadores de decisões planejarem ou executarem operações sem estarem presentes fisicamente nas propriedades onde atuam.

O sistema de administração moderno, propicia um controle de 24h por dia de tudo o que está acontecendo nas fazendas.

Quer ter o controle de custo de forma fácil e rápida? Marque agora uma demonstração do Aegro e veja como podemos te ajudar!

Administrador rural do futuro

O administrador rural do futuro terá de ser capaz de resolver inúmeros problemas, o que é próprio da agricultura, mas está cada vez mais complexo.

Terá que ampliar seus conhecimentos em diversas áreas e se atentar ao capital humano e como conseguir motivar e extrair o melhor de cada integrante da cadeia produtiva.

Por isso, se atente às novas tecnologias, pensando na agilidade das operações e melhoria dos processos.

Busque não mais a máxima produção, e sim aquela que forneça a melhor relação custo x benefício.

Conclusão

Com a dinâmica das fazendas e operações ocorrendo cada vez mais rápido, a administração rural mostra-se fundamental para os produtores que querem estar no comando de suas atividades.

Atentar-se a todos as entradas e saídas presentes na sua fazenda é também essencial quando o assunto é administração rural.

Aqui você aprendeu os primeiros passos para começar a administração rural e a importância de tudo isso na sua fazenda.

Lembre-se que os administradores rurais modernos devem se atentar não somente à administração de custos de produção, mas também ao capital humano e às relações pessoais que ocorrem dentro de seu sistema produtivo.

Devem tentar otimizar e melhor explorar cada operação e ação presente na propriedade, tirando sempre que possível proveito econômico delas!

>> Leia mais:

“Administração de fazendas: Como fazer com um software de gestão agrícola”.

5 planilhas de Excel para administração rural grátis

“Gestão de risco no agronegócio: 4 passos simples para diminuir as incertezas na gestão da sua fazenda”

Você utiliza conceitos de administração rural em sua propriedade? Quer saber mais sobre algum deles? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Como fazer Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura do milho

Manejo Integrado de Pragas em milho: Saiba como fazer esse manejo com as particularidades da cultura do milho e obtenha o controle eficiente dos insetos na lavoura.

Você acha que não dá certo o manejo integrado de pragas no milho? Ou que não conhece bem esse manejo e prefere “não arriscar”?

Neste artigo eu explico tudo o que você precisa saber para começar a fazer o Manejo Integrado de pragas na cultura do milho.

E tenho certeza que assim você conseguirá controlar as principais pragas agrícolas eficientemente, podendo até gastar menos.

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O tal do MIP e a cultura do milho

No MIP são utilizadas todas as técnicas de controle apropriadas, a fim de manter a população da praga em níveis abaixo daqueles capazes de causar danos econômicos.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) surgiu na década de 40 e voltou a tona com as infestações intensas da lagarta Helicoverpa spp., justamente nas lavouras de milho.

o que é MIP

Isso nos mostrou que uma única ferramenta de controle não é sustentável ao longo do tempo e pode até agravar a situação com o desenvolvimento de resistência a inseticidas.

Se você ainda não se convenceu sobre a importância do MIP, pense nele como um mecanismo para evitar a seleção de insetos resistentes.

O MIP é importante para todas as culturas, para o milho não seria diferente.

Muitas pragas atacam o milho e podem causar danos que podem devastar a lavoura, por isso a escolha integrada das ferramentas de controle são fundamentais.

Muitas informações interessantes sobre MIP você vai encontrar nesse outro texto: Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas.

Como fazer o MIP?

Para fazer o MIP adequadamente entender alguns conceitos importantes:

  • Nível de dano econômico: acima desse nível de população da praga há danos econômicos para o produtor;
  • Nível de controle: é quando devemos fazer alguma medida de controle. É abaixo do nível de dano econômico, pois demora algum tempo para as medidas de controle darem resultados.
  • Monitoramento: a partir do monitoramento você identifica as pragas presentes na lavoura, e assim determina a necessidade ou não de se fazer o controle. E ainda qual a ferramenta deve ser utilizada.
nivel de dano economico

Saiba qual o nível de controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Baixe a planilha gratuita clicando na figura a seguir!

Como começar o manejo integrado de pragas no milho?

Se você já percebeu os benefícios do MIP mas ainda não sabe por onde começar, não se preocupe.

Você não vai precisar gastar rios de dinheiro nem quebrar a cabeça para isso.

Fizemos um passo a passo para iniciantes nesse manejo:

1. Saiba os conceitos do MIP, especialmente de nível de dano econômico e nível de controle (que você viu nesse texto, logo ali em cima);

2. Conheça sua região: quais as pragas que são favorecidas pelo clima, solo e relevo que estou?

3. Conheça sua propriedade: mantenha um histórico das principais pragas que atacaram sua lavoura nas últimas safras;

4. Escolha cultivares de milho que sejam menos suscetíveis ao ataque dessas pragas da região e que costumam te causar problema na fazenda;

5. Faça o controle de plantas daninhas que também podem ser hospedeiras dessas pragas, como ervas daninhas;

6. Não faça duas safras de milho consecutivas na sua área;

7. Faça adubação verde, com diferentes espécies que não sejam atacadas pelas principais pragas da área;

8. Escolha antecipadamente e com calma os produtos que irá utilizar para o controle das pragas. Para isso, faça seu planejamento agrícola e planejamento financeiro;

9. Dentre os produtos, verifique se algum deles pode ser substituído por produto biológico, diversificando  os métodos de controle;

10. Durante a safra, faça monitoramentos frequentes e os guarde em local seguro;

11. Apenas aplique inseticidas quando a praga atingir o nível de controle (você verá mais a frente, ainda nesse texto, o nível de controle das principais pragas de milho);

12. Após aplicações de defensivos, os monitoramentos devem continuar, verificando se houve controle das pragas.

Para te ajudar nesses passos tenho alguns artigos que recomendo a leitura:

>> As perguntas (e respostas!) mais frequentes sobre manejo integrado de pragas

>>Tudo o que você precisa saber para fazer sua lista de defensivos agrícolas na pré-safra

monitoramento-georreferenciado-aegro

Com o Aegro, seu monitoramento de pragas é georreferenciado e guardado com segurança, sem perda de dados ou confusão de não saber ao certo qual talhão foi feito o monitoramento

3 Principais pragas da cultura do milho e seu nível de controle

Bom já falamos do nível de controle, monitoramento e identificação das pragas. Mas quais são as principais pragas da cultura o milho? E quais seus níveis de controle?

Neste artigo listamos as mais importantes e principais pragas do milho. Além de trazer ótimas informações sobre o controle das mesmas.

Abaixo você também pode conferir, dentro do ciclo da cultura, quando as pragas infestam e qual o nível de controle para cada uma delas:

manejo integrado de pragas no milho

Aqui vou destacar 3 importantes pragas!

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

A cigarrinha-do-milho mede de 3,7 a 4,3mm de comprimento, tem o corpo de coloração amarelo-pálida e possui as asas semitransparentes.

cigarrinha-do-milho

(Fonte: Epagri)

Ela transmite os agentes causais do enfezamento-pálido (espiroplasma), do enfezamento-vermelho (fitoplasma) e da virose-da-risca.

Os enfezamentos reduzem a absorção de nutrientes pelas plantas, por consequência redução na produtividade, ou seja, prejuízo.

Ainda não foi estabelecido ao certo seu nível de controle, mas como esse inseto é vetor de doenças, a tolerância dele na lavoura é baixa.

Para você saber as principais medidas de controle, além de uma planilha exclusiva com todos os produtos químicos e biológicos recomendados para a cigarrinha-do-milho.

Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)

Uma das principais pragas da cultura do milho, e pode reduzir a produção entre 34 e 52%.

Este inseto pode atacar mais de 100 culturas, entre elas sorgo, soja, arroz, algodão, soja, pastagem, etc.

lagarta-do-cartucho

(Fonte: Epagri)

Apresenta colorações variadas, podendo ser parda, esverdeada e até preta.

Essa lagarta tem quatro pontos escuros e proeminentes no dorso do penúltimo segmento abdominal, que formam os vértices de um quadrado, facilitando seu reconhecimento.

A lagarta-do-cartucho penetra no colmo, criando galerias, o que provoca um sintoma conhecido por “coração morto”, que ocorre por causo do dano no ponto de crescimento da planta.

Monitoramento e controle da lagarta-do-cartucho

Saiba passo a passo como fazer:

  1. Vistoriar semanalmente pelo menos 20 plantas em cinco locais diferentes em cada talhão da lavoura;
  2. Faça essas vistorias até 60 dias depois da emergência do milho;
  3. Até 30 dias depois da emergência, essa praga deve ser controlada quando 20% das plantas estiverem infestadas;
  4. Dos 40 aos 60 dias, aplique inseticidas com 10% de plantas infestadas.

Principais formas de controle da lagarta-do-cartucho:

Você pode ver os métodos de controle em detalhes neste artigo: “Não cometa erros no manejo: 5 métodos de controle da lagarta-do-cartucho”

Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis)

pulgão-do-milho

(Foto: Epagri)

O pulgão-do-milho mede de 0,9 a 2,6mm de comprimento, possui antenas e pernas de coloração preta e o corpo com cores variando de verde-amarelada à azul-esverdeada.

Possui grande importância nos campos de produção de sementes.

Como dano direto, suga a seiva e libera um líquido em que se desenvolve fumagina.

A fumagina diminui a fotossíntese e reduz a liberação de pólen, o que provoca falhas na polinização.

Monitoramento e controle do pulgão do milho:

  1. Fazer 5 amostragens de 20 plantas a cada 10 ha de lavoura;
  2. Avalie com nota zero (0) as plantas sem pulgões;
  3. Avalie com nota 1 quando existirem até 100 pulgões por planta;
  4. Avalie com nota 2 para aquelas plantas com mais de 100 pulgões;
  5. Aplique inseticidas quando pelo menos 50% das plantas estiverem com nota 2, e apenas até a fase de pendoamento do milho.

Embora seja recomendado em alguns casos o tratamento de sementes, em geral, esse método de controle não é muito eficaz.

Isso porque os maiores danos são observados no período de pendoamento da cultura.

Algumas medidas de controle se mostram mais eficientes, como a escolha de cultivares menos suscetíveis ao ataque de pulgões e pulverizações de inseticidas de V4 a VT (pendoamento).

MIP e milho Bt

O milho Bt é aquele transformado geneticamente e que expressa as toxinas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt).

Essa toxina tem efeito inseticida para várias pragas, como a lagarta-do-cartucho que comentamos aqui.

O milho Bt foi aprovado no Brasil em 2008/2009, permitindo a uma diminuição, nos primeiros anos de uso, da aplicação de inseticidas para o controle de pragas do milho.

No entanto, hoje são necessários outros métodos de controle, realizando o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Isso para assegurar que essa tecnologia funcione e não seja perdida por desenvolvimento de resistência.

Se você quer saber mais sobre pragas resistentes veja: “5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las”.

Para isso, devemos fazer áreas de refúgio para plantas Bt.

Para saber mais sobre área de refúgio para plantas Bt e como fazer, confira nosso artigo: Tudo o que você precisa saber sobre área de refúgio para plantas Bt [Infográfico]

área-de-refúgio

Conclusão

O controle químico é uma fenomenal ferramenta de controle, e é a prática mais adotada na safra ou safrinha do milho, pela facilidade e visualização rápida do controle.

Contudo, não podemos utilizar só esse método de controle.

Isso causa desequilíbrios e desenvolve a resistência dos insetos aos defensivos agrícolas.

O MIP é um conjunto de medidas que faz o controle de pragas ser ainda mais eficiente, e você pode até gastar menos devido ao menor uso de inseticidas.

Aqui você aprendeu como começar a fazer o manejo integrado de pragas no milho em passos simples e muito eficazes, além de conhecer os principais conceitos desse manejo.

Agora é só colocar tudo isso na prática da lavoura!

O artigo foi útil para você? Tem alguma dúvida sobre Manejo Integrado de Pragas no milho? Deixe seu comentário!

8 maneiras de deixar sua lavoura mais inteligente utilizando sensores no campo

Sensores na agricultura: listamos os 8 melhores e mais utilizados sensores e suas vantagens. Confira!

A evolução tecnológica tem tornado a agricultura cada vez mais eficiente e produtiva.

Elementos como imagens de satélite, estudos do solo, respostas e análises feitas de forma instantânea e automatização vem transformando esse cenário e tornando-o cada vez mais interessante.

Eu já dei aqui provas de que a tecnologia vem mudando a agricultura no Brasil.

Dentre as inovações que vem ganhando cada vez mais espaço, é interessante destacar os sensores para agricultura.

Esses sensores permitem obter diversas informações importantes sobre a vegetação, solo e outros elementos fundamentais.

Confira agora os melhores 8 sensores na agricultura de precisão e suas vantagens!

Sensores na agricultura

Os sensores permitem que você tenha informações de qualidade sobre o cultivo, clima local e o solo.

Além disso, é possível obter informações que vão além da percepção humana. Eles potencializam e agilizam a coleta de dados; realizam comandos de forma automática ou remota; e executam tarefas e ações a distância em tempo real.

A agricultura vive uma era digital, do big data e da IOT (internet das coisas).

Empresas como  a Monsanto estão apostando no Big data como a nova geração de agricultura orientada a dados.

sensores-na-agricultura

(via Imetos Brasil)

Por exemplo, já é possível você ter acesso a uma rede de sensores espalhados no Brasil.

O Cemaden desenvolveu um mapa interativo, com todos pluviômetros e estações meteorológicas cadastradas. Estes sensores são automáticos e atualizados de hora em hora.

cemaden

Você pode acessar as informações por cidade e até fazer download dos arquivos.

O monitoramento climático pode reduzir até 42% do uso de defensivos agrícolas em lavouras.  

Se você ainda não monitora o clima da sua lavoura, esta pode ser uma excelente ferramenta gratuita.

A internet das coisas criará novas oportunidades na Agricultura Brasileira. Através desta tecnologia é possível acessar grandes bancos de dados de sensores que estão remotos.

Utilizar esses dados para entender o passado e prever o futuro com estatísticas avançadas. Por exemplo, a IOT pode ajudar a indicar onde e quando o insumo deve ser aplicado na terra, pode entender o clima e ter maior assertividade no período chuvoso.

Pode ser útil para tomada de decisão em outras áreas relacionada a investimento, financiamento de safras e máquinas, seguro e logística.

Com as análises dos dados oriundo da sensores instalados no campo, empresas podem aumentar as receitas e diminuir os custos, às vezes, as duas coisas ao mesmo tempo.

Vou falar mais sobre a importância dos sensores na agricultura.

A importância do sensoriamento nas operações agrícolas

Os sensores são grandes aliados no desenvolvimento da agricultura de precisão. Isto é, são elementos importantes para seu desenvolvimento e sucesso.

No entanto, muitas pessoas ainda não conhecem os tipos de sensores disponíveis atualmente, suas funções, vantagens e aplicações.

Sistemas de sensoriamento, quando aliados à técnicas de agricultura de precisão, oferecem melhoria significativa no processo produtivo. Isso sem contar melhoria na sustentabilidade ambiental e em seu potencial retorno econômico.

Como exemplo podemos destacar a aplicação localizada de insumos, em tempo real, em cada lavoura e de acordo com as suas necessidades específicas.

sensores na agricultura

Softwares e aplicativos aliados a sensores na agricultura monitoram culturas, custos, receitas, condições meteorológicas e outros fatores de operação de fazenda.

Da mesma forma que o maquinário agrícola complementa o serviço braçal do agricultor, os sensores são seus olhos e ouvidos na lavoura, mesmo que de forma remota.

Além de permitir identificar e obter dados de forma ágil e facilitada, também permitem executar tarefas difíceis ou em condições de trabalho inacessíveis aos seres humanos.

Aplicações dos sensores na agricultura

Por definição, o sensoriamento agrícola é a obtenção de informações sem que haja contato físico direto com o objeto sensorizado.

Em geral, os sensores agrícolas são ópticos, térmicos ou elétricos. Além disso, permitem monitorar funções específicas como teor de umidade ou fluxo de grãos, dentre outras aplicações.

Seu uso tem sido realizado em diversas aplicações, como:

  • avaliação do estado hídrico e nutricional de plantas;
  • detecção de plantas daninhas e de insetos;
  • contagem e fluxo de grãos;
  • dentre outras possibilidades.

Instituições financeiras e bancos utilizam sensoriamento remoto para crédito agrícola.

O uso de sensores também oferece uma maneira eficiente e rápida de controlar variações temporais e espaciais dentro de uma área ou propriedade agrícola.

Além disso, também é possível destacar que as tecnologias de sensoriamento são desenvolvidas visando oferecer informações de qualidade sobre o solo; diferentes tipos de estresses de plantas; estimar produção de culturas; dentre outras vantagens bastante nítidas para o agricultor.

Algumas das melhores utilidades dos sensores na agricultura

Índices de vegetação

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(Fonte: MACC)

Dentre as utilizações dos sensores na agricultura, é possível destacar a análise e desenvolvimento de índices de vegetação. Assim, é possível obter índice de crescimento, estado nutricional e também produtividade.

É possível ainda analisar questões como estresses bióticos e abióticos; estimar o crescimento e as condições da planta; além de prever e classificar a produtividade das culturas.

Daniel Duft destacou as aplicações do NDVI na agricultura:

  • Monitoramento de culturas;
  • Detecção de secas;
  • Localização de pragas;
  • Estimativas de produtividade;
  • Modelagem hidrológica;
  • Mapeamento de culturas.

Características de solo

Também é possível utilizar os sensores na agricultura para analisar e prospectar características do solo de uma lavoura, cultura ou propriedade, em tempo real.

Isso permite agilizar e tornar mais eficiente a análise do solo e potencializar os resultados da agricultura de precisão, com análise de dados “in situ” (em condições reais de campo), de forma altamente eficaz e confiável.

sensor

(Fonte: Marconi)

Condutividade elétrica

Outra técnica interessante e que vem sendo disseminada na agricultura é o mapeamento da condutividade elétrica do solo. Com auxílio de GPS é possível determinar textura e propriedades do solo de forma bastante eficiente.

Essa medição é realizada em conjunto com análises laboratoriais, integrando os efeitos da argila e os teores de sais do solo.

condutividade elétrica

(Fonte: Falker)

Outros levantamentos

Também é possível realizar outros levantamentos, como:

  • teor de matéria orgânica;
  • características da lavoura;
  • análise das variações do solo e do clima ao longo do tempo;
  • mapeamento remoto de área e de qualidade do solo;

Dentre outras informações importantes e que podem ser obtidas de forma eficiente e até mesmo remota.

Tipos de sensores mais utilizados na agricultura

Antes de analisarmos melhor os tipos de sensores mais comuns e úteis, é interessante realizar uma pequena divisão dos tipos de sensores existentes atualmente.

É comum dividirmos os sensores na agricultura como sensores diretos e remotos.

Sensores Diretos

Os sensores diretos são aqueles que têm contato físico direto com o alvo da medicação. Ou seja, contato direto com o solo, plantas, frutos, água, dentre outros elementos, como é o caso dos penetrômetros, sensores de umidade, de pH, dentre outros.

Sensores Remotos

Já os sensores remotos são aqueles que realizam a observação terrestre ou aquática de forma remota. Ou seja, a distância e sem contato físico com o alvo da medicação, como nas imagens áreas, de satélite, análise por infravermelho, dentre outras ferramentas.

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(Fonte: Clima e Ambiente)

Os 8 sensores mais utilizados na agricultura de precisão

Agora que diferenciamos os tipos de sensores, irei falar dos 8 sensores mais utilizados na agricultura de precisão hoje. Confira agora a lista:

Sensores ópticos

Os sensores ópticos, em geral, são espectrômetros utilizados para medir as características do solo. Servem também para orientação e delimitação de zonas para recolhimento de dados.

Permitem analisar e estudar a matéria orgânica (MO) do solo em tempo real, de forma semelhante ao que é realizado para análise da umidade.

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Também é possível determinar diversos fatores do solo como:

  • Densidade aparente;
  • Compactação;
  • Índice de plasticidade;
  • Uniformidade dos agregados.

Esses elementos permitem analisar e prospectar, por exemplo, a produtividade do solo.

Alguns sensores permitem determinar a exigência da cultura em nitrogênio, auxiliando a reduzir os efeitos ambientais, maximizando o potencial produtivo das culturas.

Sensores térmicos

Os sensores térmicos são utilizados para identificar diversos tipos de radiação no âmbito dos raios infravermelhos.

Para cada tipo de radiação é utilizado um espectro de banda. Existem sensores com até 15 bandas, com calibração independente para cada uma delas.

O funcionamento desse tipo de sensor se baseia na reflexão de superfícies, resultante da incidência da luz solar, já que as diferentes temperaturas correspondem a diversas bandas térmicas, permitindo a medição de valores e identificando as várias superfícies do solo.

Como as plantas necessitam irradiar, por meio da evapotranspiração, parte da energia solar recebida, visando diminuir a temperatura, para manter seus processos químicos fundamentais, essa análise permite analisar, calcular e prever questões como estado de desenvolvimento da cultura e também para estimar produções.

Também é possível estimar, de forma remota, questões como teor de matéria orgânica, argila, ferro, dentre outros minerais.

Sensores elétricos

Os sensores elétricos também vêm ganhando cada vez mais espaço na agricultura, permitindo caracterizar e analisar as propriedades físicas e químicas do solo, baseando-se em sua condutividade elétrica.

Isso faz com que esse tipo de medição seja mais barata e mais eficiente do que a realização de análise laboratorial de grandes quantidades de amostras do solo.

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(Fonte: Embrapa)

Esse tipo de sensor, em geral, consiste na emissão de corrente elétrica, detectando a diferença de potencial no campo eletromagnético gerado no solo e resultante da corrente elétrica aplicada.

Isso permite que a energia eletromagnética seja utilizada para medir a condutividade elétrica do solo. Essa condutividade varia de acordo com questões como concentração de íons; umidade; quantidade e tipo de íons na água do solo; assim como a quantidade e o tipo de argila presente no solo.

Isso faz com que seja possível identificar zonas de solo com características semelhantes, como potencial hídrico; teor de nutrientes, umidade do solo, dentre outros elementos.

Monitor de funções das operações

O monitor de funções é instalado, em geral, na cabine da colhedora, estando conectado à todos os sensores utilizados. Isso permite que todas as informações obtidas pelos sensores sejam acessadas pelo monitor.

Isso faz com que seja possível realizar o monitoramento de todas as operações e também o cálculo da produtividade dos grãos em uma etapa posterior.

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(Fonte: Opticrop)

Nesse monitor é possível analisar dados como:

  • Produtividade em kg/ha;
  • Umidade do grão;
  • Velocidade de avanço;
  • Quantidade total colhida;
  • Dentre outras informações.

Também permite ao operador da máquina fornecer dados e informações ao sistema, como largura de corte de sua plataforma, por exemplo.

Sensores para medição do fluxo de grãos

Existem alguns tipos de sensores para medição do fluxo de grãos, ou seja, permitem analisar o fluxo dos grãos limpos, antes de serem armazenados no depósito da máquina. Dentre os sensores na agricultura deste tipo, é possível destacar os seguintes:

  • Sensor de placa de impacto: É um tipo de sensor onde a força centrífuga dos grãos gera impacto maior ou menor, de acordo com a massa dos grãos deslocados, o que permite analisar seus dados por meio da placa de impacto.
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(Fonte: LEB/esalq)

  • Sensor óptico: O sensor óptico para medição do fluxo de grãos mede o volume dos grãos nas canecas da colhedora, sem que seja necessário contato com o produto. Isso é realizado por meio de um emissor e de um receptor de luz infravermelha, que é interceptada pela passagem dos grãos, fazendo com que seja possível calcular sua proporção pela diferença nos resultados da captação da luz.

Sensores na agricultura: Umidade dos grãos

Esse tipo de sensor é utilizado para analisar o teor de umidade dos grãos, ou seja, para determinar qual o teor de umidade no fluxo de grãos de colheita.

Seu funcionamento se dá por meio da análise do fluxo de massa e geralmente usa métodos de capacitância para medir o teor de umidade de forma contínua, enquanto os grãos são deslocados.

Veja neste vídeo como funciona:

Sensor de velocidade de deslocamento da colhedora

Existem diversos tipos de sensores na agricultura para medir a velocidade de deslocamento da colhedora, sendo os principais os seguintes:

  • Sistema de sensores magnéticos instalados nos eixos das rodas;
  • Sistema de radar;
  • Sistema de ultrassom; e
  • Sistema de GPS.

Cada um dos sensores tem suas vantagens e desvantagens, sendo bastante comum que mais de um tipo de sensor seja utilizado em conjunto, visando resultados mais precisos.

Indicador da posição da plataforma da colhedora

Esse sensor permite controlar o cálculo da área colhida, evitando que o sistema de monitoramento de grão seja desligado. É especialmente interessante para mostrar a interrupção de colheita em locais como a cabeceira ao final das linhas de uma plantação.

Conclusão

De forma bastante simples, você sabe agora quais são os 8 melhores e mais utilizados sensores na agricultura.

Falamos dos sensores disponíveis e que podem, de diversas maneiras, incrementar a produtividade e a automação na lavoura.

Também é interessante notar que, tanto os sensores diretos, quantos os sensores remotos, estão em constante evolução, sendo interessante prestar atenção em seus avanços.

Espero que você aproveite ao máximo essas informações!

>> Leia mais:

“Quais os impactos da nanotecnologia na agricultura?”

“Sensores no manejo integrado de pragas: por que você deve começar a usar!”

O que você achou de conhecer os 8 melhores sensores na agricultura? Não deixe de comentar!

Semente de milho: como escolher a ideal para sua lavoura

Atualizado em 22 de junho de 2022.

Semente de milho: saiba como escolher, como fazer o tratamento, recomendações antes do plantio e muito mais!

Para a lavoura de milho obter alta produção, diversos pontos devem ser observados. Um dos primeiros e principais é a escolha da semente.

Saber quais são os tipos de semente de milho, como escolher a melhor e quais cuidados tomar antes do plantio é essencial.

Neste texto, mostramos os pontos fundamentais que devem estar no seu planejamento, antes mesmo de semear o milho. Confira!

Diferença entre sementes e grãos de milho

Sementes e grãos de milho não são a mesma coisa. As sementes são armazenadas com umidade entre 10% e 12%, porque o interesse principal é a germinação. O grão de milho é o fruto da planta e, por sua vez, podem apresentar umidade abaixo de 10%. Afinal, o interesse é o consumo.

Quando sementes são armazenadas, elas podem parecer mortas, mas não estão. Sua atividade metabólica é baixa, com baixa taxa de respiração. Isso acontece para manterem as propriedades fisiológicas, químicas e metabólicas adequadas para a germinação.

Além disso, produzir sementes e produzir grãos de milho exigem manejos diferentes.

Para produzir sementes, principalmente híbridos de milho, diversos passos devem ser seguidos: retirada dos pendões, eliminação de plantas indesejadas, distância de local de produção de milho, controle rigoroso de pragas e doenças, entre outros.

Na produção de grãos há o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, mas não é necessário a retirada do pendão. Também não há necessidade de distância entre campos de produção, e não há problema de contaminação entre os híbridos e entre as variedades.

Esquema que mostra as diferenças de porte de milho de diferentes linhagens
Exemplo de produção de híbrido duplo de milho
(Fonte: Embrapa)

Qual a melhor semente de milho para plantar?

A melhor semente de milho para plantar é aquela que apresenta vigor alto e possibilidade de germinar rápida e uniformemente. A plântula deve crescer rapidamente quando em condições climáticas normais. Além disso, atributos genéticos e sanitários também são essenciais.

Veja abaixo alguns fatores que compõem estes atributos e garantem alta qualidade de sementes:

Grau de pureza (P%)

O grau de pureza da semente de milho diz respeito à pureza física do lote. Sementes puras apresentam alta qualidade física e genética (apenas sementes com características do híbrido em análise).

Isso significa que as sementes não devem apresentar impurezas como:

  • palhas;
  • folhas;
  • sementes de plantas daninhas;
  • sementes de outras culturas;
  • sementes de milho, mas de outra variedade, etc.

Sanidade dos grãos

Sementes sadias são aquelas que não contêm insetos, fungos, vírus e bactérias. Também são aquelas que tenham passado por tratamento de sementes com produtos químicos, reduzindo a infestação e/ou infecção.

Semente de milho doente e sadia, lado a lado. As sementes doentes apresentam coloração mais escura, com manchas pretas.
A. Sementes doentes; B. Sementes sadias
(Fonte: Rodrigo Véras em Agricultura no Brasil)

Vigor da semente de milho

Para que uma semente seja considerada de alta qualidade, não basta apenas germinar. A boa semente de milho tem que ter alto vigor.

O estabelecimento final do estande de sementes vigorosas constitui alicerce para obtenção de plantas com alto grau de tolerância a estresses. As sementes com vigor também geram maior produtividade.

Germinação (G%)

É a quantidade de sementes que germinam sob condições ambientais adequadas. É expressa em porcentagem.

Viabilidade

É expressa em termos de percentagem de sementes vivas capazes de germinar. É semelhante a germinação, mas vale lembrar que nem toda semente viável irá germinar.

Tipos de sementes de milho 

As sementes de milho para o plantio podem ser híbridas (simples, duplo, triplo, híbrido simples modificado ou triplo modificado) ou variedades. Os híbridos de milho apresentam maior uniformidade da lavoura, maior tecnologia e produtividade. As variedades são aquelas geradas pelo cruzamento natural das plantas da mesma linhagem.

As variedades de milho apresentam potencial produtivo menor em comparação com os híbridos.

Uma vantagem do milho variedade é que seu material é geneticamente estável. Ele pode ser multiplicado e semeado em várias safras sem perda de produtividade. Isso não pode ser feito com milhos híbridos.

Devido à sua multiplicação, o milho variedade é indicado para pequenos produtores.

Os híbridos de milho podem ser de três tipos: simples, duplo e triplo.

Os híbridos simples são aqueles resultantes do cruzamento de 2 linhagens puras. São recomendados para produtores que utilizam alta tecnologia, e apresentam maior potencial produtivo entre os tipos de híbridos.

O híbrido duplo é resultado do cruzamento de dois híbridos simples. É indicado para produtores com média tecnologia. Dentre os três tipos de híbridos, é o que apresenta menor potencial produtivo.

Ao cruzar um híbrido simples com uma linhagem pura se obtém sementes de milho de híbrido triplo. Elas são recomendadas para altas e médias tecnologias.

Há ainda as sementes de milho transgênicas, que são entradas em híbridos de milho.

Existem sementes de milho convencional e milho transgênico. O milho transgênico é uma semente de milho convencional com a transgenia: inserção de um ou mais genes de outras espécies no genótipo escolhido.

A inserção de genes que conferem resistência ou tolerância no milho são cada vez mais usados nas lavouras.

Características de semente de milho transgênico, sendo a principal a resistencia a herbicidas e insetos.
Características dos eventos de milhos  transgênicos aprovados
(Fonte: CropLife)

Como escolher a melhor semente de milho

A escolha da semente deve considerar diversos aspectos, e o primeiro deles é a finalidade do milho. Há sementes de híbridos e variedades ideais para:

  • Grãos;
  • Milho verde;
  • Silagem;
  • Pipoca;
  • Canjica;

Com a finalidade definida, você precisa avaliar:

  • sua região;
  • qual melhor híbrido ou variedade recomendadas;
  • época de plantio do milho;
  • se o milho será safra ou safrinha;
  • duração do ciclo;
  • se o milho é precoce, médio ou tardio;
  • a resistência a pragas e doenças;
  • tolerância à geada e seca.

Estas são algumas das observações a serem feitas durante o planejamento de safra. Todos esses fatores te ajudam a determinar a melhor semente a ser comprada. Além disso, é importante investir em sementes de milho certificadas.

A certificação de sementes é o processo de produção controlado por um órgão competente. É por meio desse órgão que você tem a garantia de que sua semente foi produzida de forma correta. 

Você pode saber de onde a semente veio (origem genética), e se ela cumpre com todas as condições (fisiológicas, genéticas e sanitárias e físicas) estabelecidas.

Se você comprou uma semente certificada, pode ser certeza que elas foram produzidas dentro de um padrão confiável  de controle de qualidade garantido. A semente nesse caso é considerada própria para o uso. Evite sementes piratas.

Tratamento industrial de sementes de milho

O tratamento de sementes é o processo de aplicação de produtos químicos ou organismos às sementes. Esses produtos auxiliam na nutrição da planta e/ou previnem o ataque de doenças e pragas do solo.

O tratamento industrial de semente é mais recomendado por ser realizado em um ambiente totalmente preparado e controlado. Isso te proporciona a garantia do processo de forma eficaz.

Além disso, o tratamento industrial das sementes pode gerar economia com defensivos agrícolas e economia de tempo.

Outro ponto importante é a qualidade do tratamento industrial. Todas as sementes apresentam recobrimento uniforme.

Cuidados com as sementes no pré-plantio de milho

Antes de iniciar o plantio, para garantir que suas sementes estarão com a qualidade desejada, é necessário tomar três cuidados fundamentais: o transporte, o armazenamento e o teste de germinação.

Transporte das sementes

Após a compra das sementes, tome cuidado com o transporte delas. As sementes são vivas e necessitam de cuidados para que possam germinar e formar uma plântula saudável.

No transporte, evite danos às embalagens de sementes, não empilhe muitos sacos ou bags e  não jogue as embalagens de sementes. Isso serve para evitar danos mecânicos, que podem matar as sementes.

Além disso, proteja as sementes do calor, alta umidade e de chuvas. Tudo isso prejudica a germinação e vigor das sementes.

Armazenamento da semente de milho

Com o passar do tempo, as sementes perdem seu vigor e potencial germinativo. Existem condições apropriadas de armazenamento que prolongam sua viabilidade, como temperatura amena e umidade adequada.

Os armazéns são os responsáveis por fornecer um ambiente apropriado para guardar suas sementes. Nos locais de produção, estes ambientes são controlados rigorosamente para que a semente chegue na fazenda com alto potencial.

Entretanto, pode ocorrer da empresa, devido a logística e espaço, entregar as sementes que você comprou muito antes da semeadura. Caso isso aconteça, mantenha o espaço de armazenamento limpo e organizado.

Isso vai evitar contato com pragas e patógenos do lugar. Mas mesmo com armazenamento adequado, fique sempre de olho na proliferação de diferentes tipos de insetos, fungos e outras pragas.

pragas em sementes de milho
(Fonte: Equipe BeefPoint)

Mudança de temperatura e umidade das sementes favorecem o aparecimento de pragas onde você menos espera. Por isso, acompanhe o armazenamento de perto.

Teste de germinação

Saber a qualidade das sementes antes de semear é fundamental.

Caso as embalagens de sementes venham danificadas ou a aparência das sementes esteja incomum, é recomendável avisar à empresa que comercializou as sementes.

Neste caso, peça para mandarem uma amostra do lote de sementes para realizar o teste de germinação em laboratórios especializados. Isso vai te garantir que não houve danos nas sementes.

Se você recebeu as sementes corretamente e quer testar a germinação, você pode realizar o seguinte procedimento: 

Cuidados no Armazenamento e Teste de Emergência em Canteiros

Se a germinação for muito diferente da apresentada no certificado de análise, você tem o direito de reclamar da empresa que adquiriu as sementes. A sua produtividade depende de uma semente de alta qualidade.

banner da planilha de produtividade da lavoura de milho

Custo x benefício na compra de sementes de milho

Para a produção de sementes, o manejo deve ser rigoroso. Assim, a semente produzida terá todos os atributos adequados para comercialização. Isso gera um custo mais elevado de venda, principalmente de híbrido simples, triplo e duplo, respectivamente.

Porém, esse custo gera resultados no final da produção. Estudos realizados com uso de sementes com alto vigor e baixo vigor mostraram que a produtividade foi superior para sementes vigorosas, com plantas homogêneas.

Com maior produção, o gasto na compra de sementes certificadas irá retornar para o seu bolso.

Mas atenção! Não basta somente comprar sementes de qualidade. O manejo durante o desenvolvimento da lavoura é fundamental para que a planta expresse seu potencial produtivo.

Como plantar milho

Independente da época de semeadura, o espaçamento mais utilizado no milho é 45 cm a 50 cm entre linhas. A densidade varia de acordo com a recomendação de cada híbrido ou variedade, sendo geralmente de 30 a 90 mil plantas por hectare.

Outro ponto importante no momento da semeadura é a profundidade. Em solos arenosos, é recomendado colocar as sementes de 5 cm a 8 cm. Já nos solos argilosos, a semeadura pode ser mais superficial, entre 3 cm a 5 cm.

É importante lembrar que o milho é uma cultura que no Brasil é cultivada em duas épocas, a época da safra e da safrinha. Na safra, as condições de luminosidade, umidade e temperatura são ideais para a cultura. 

Na maioria das regiões, a época de semeadura do milho safra é realizada de outubro a dezembro. Na região Sul, a semeadura ocorre no final de agosto, e no Nordeste, apenas em janeiro.

A safrinha acontece logo após a safra.  Nesta época, as condições não são ideais iguais às obtidas na safra. Porém, com avanço tecnológico, houve aumento da área de produção e de produtividade do milho segunda safra.

Conclusão

As sementes de milho analisadas, certificadas e com garantia de germinação determinam, sem dúvida, o êxito da sua plantação.

Existem diferentes tipos de sementes de milho e para diferentes finalidades. Acertar nessa escolha é importante. O custo pode ser elevado em comparação com sementes não certificadas, mas vale a pena pela rentabilidade que você  terá.

No momento da compra de suas sementes, considere esses cuidados antes da tomada de decisão e boa safra!

Gostou do artigo? Tem mais alguma coisa que você verifica na compra de sementes que não citei? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Foto da redatora Carina, no meio de uma plantação

Atualizado em 22 de junho de 2022, por Carina Oliveira.

Carina é engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Esteja preparado e não se engane na pré-safra: saiba quais corretivos utilizar

Uma boa correção do solo faz muita diferença. Na cultura do milho, por exemplo, a produtividade pode aumentar em até 50% com correção adequada do solo.

Mas chegou a pré-safra e bate aquela dúvida: fazer a calagem em qual dose? com que formulação?

Será que precisa mesmo de gessagem? E a fosfatagem? Será que é frescura?

Eu realmente acredito que precisamos de mais informações, sobre a propriedade e sobre esses insumos, para chegar nas respostas certas.

E precisamos de mais informações para chegarmos na melhor correção da acidez do solo.

É por isso que hoje eu trouxe conceitos fundamentais para você não se enganar e fazer corretamente a correção do solo.

Eu tenho certeza que você vai aproveitar muito todas essas dicas quando pensar em corrigir o solo de sua fazenda. Confira!

Correção do solo: por que fazer?

Os solos brasileiros em sua maioria apresentam acidez.

A acidez é representada basicamente pela presença dos íons H+ e Al+3 e tem origem pela lixiviação dos nutrientes do solo.

Isso quer dizer que com o passar de milhares de anos, pela ação da natureza (especialmente chuvas), os nutrientes foram escoando do perfil do solo, deixando a terra com íons H+ e Al+3 ,ou seja, com acidez.

Outros motivos da acidez dos solos são a retirada dos nutrientes catiônicos pela cultura (sem a devida reposição), e a utilização de fertilizantes de caráter ácido.

Por isso, a calagem é fundamental para nossos solos ácidos!

A calagem é responsável pela correção do solo, nestes casos.

E a pré-safra é o momento oportuno para os agricultores se dedicarem na aplicação de calcário e gesso agrícola.

Quais são os principais benefícios da calagem?

Claro que eliminar a acidez do solo, mas existem outros benefícios. A calagem fornece cálcio e magnésio (ca e mg) para as plantas.

O cálcio fortalece o sistema radicular das plantas e ainda melhora as propriedades físicas do solo.

O também magnésio é um nutriente fundamental para as plantas, especialmente na fotossíntese.

Em solos ácidos ocorrem limitações ao desenvolvimento da sua lavoura, devido ao aumento do alumínio e manganês em níveis tóxicos, e também pela indisponibilidade de nutrientes para a lavoura.

Você pode ver na figura abaixo que valores de pH menores que 5,5 resultam em baixa disponibilidade dos nutrientes de plantas.

grau-de-disponibilidade

Relação entre a disponibilidade de nutrientes e pH no solo

(Fonte: Malavolta, 1979)

Assim, com medidas medidas simples, como a correção do solo, você pode aumentar a produtividade de sua lavoura, sendo que em soja a média de produtividade pode aumentar pelo menos 20%.

Porém calagem em excesso pode afetar negativamente a disponibilidade de alguns micronutrientes, o que indica que devemos tomar alguns cuidados.

Mas então, você ainda tem dúvidas sobre a calagem? Qual corretivo utilizar? Tem dificuldades na interpretação da análise do solo? Outras correções do solo, fosfatagem, como fazer?

Vamos então para alguns pontos que vão lhe auxiliar nessa etapa tão importante.

Como fazer o cálculo da calagem

Informativo da IPNI traz informações muito interessantes sobre exigências em fertilidade e calagem para soja.  Com o cálculo da calagem pela saturação por bases do solo.

A partir dos resultados da análise química do solo determina-se a quantidade de calcário necessária para se elevar a saturação por bases (V%) a um valor considerado ideal.

Em geral o V deve ser elevado para em torno de 60%, porém, este valor pode variar em função da cultura.

Para o cerrado, pensando em uma lavoura de soja, o valor de V deve ser elevado por volta de 60%.

Para lavouras do Paraná e São Paulo, entre 60% e 70%.

A Necessidade de Calagem (NC) pode ser calculada levando em conta as análises de solo.

Confira como fazer na imagem a seguir:

O que é PRNT?

Esta é a sigla para Poder Relativo de Neutralização Total, do calcário a ser utilizado. O PRNT é uma medida de qualidade dos corretivos.

Quanto maior o PRNT, mais rápida é a reação do calcário no solo.

Contudo as recomendações de calagem são baseadas em PRNT 100%, a dose a ser aplicada deve ser corrigida com base no PRNT do material disponível.

Dose a ser aplicada (t ha-1) = Recomendação (t ha-1) x 100/PRNT

Por exemplo, com base na sua análise de solo, você chegou a uma recomendação de 2 t ha-1, e o calcário a ser utilizado tem um PRNT de 85%.

Dose a ser aplicada (t ha-1) = Recomendação (t ha-1) x 100/PRNT

Dose a ser aplicada (t ha-1) = 2 t ha-1 x 100/85

Dose a ser aplicada (t ha-1) = 2,35 t ha-1

Nesse artigo, ensinamos com mais detalhes como fazer o cálculo de calagem.

cálculo de calagem Aegro

Qual calcário utilizar?

Os calcários que contém até 5% de MgO são denominados calcíticos, os que apresentam entre 5 a 12% são denominados de magnesianos; e superior a 12% são chamados de dolomíticos.

Em solos com deficiência de Mg, como por exemplo os solos do cerrado, recomenda-se utilizar calcário dolomítico ou magnesiano.

Além disso, voltamos no PRNT. Quanto maior o PRNT, menos calcário você precisa aplicar, menor o seu custo.

Qual a melhor a época de aplicação?

Para que o calcário cumpra o papel de corrigir a acidez é preciso que a calagem seja realizada antes da semeadura da sua lavoura de verão.

momento-calagem

(Fonte: Prefeitura de Vitor Meireles)

Em geral, as recomendações são de 2 a 3 meses antes do plantio. O importante é que o solo esteja em boas condições de umidade.

No cerrado a calagem deve ser realizada antes do fim da estação chuvosa, assim haverá tempo do calcário reagir no solo antes do plantio da próxima safra.

Importante lembrar que em áreas de plantio direto a calagem é realizada em superfície, então antes de iniciar esse sistema é fundamental corrigir a acidez em profundidade.

Gessagem

O gesso agrícola é um subproduto da fabricação de fertilizantes fosfatados, constituído por cálcio, enxofre, fósforo e flúor.

Pode ser utilizado como um melhorador do ambiente radicular no perfil do solo, importante lembrar que o gesso não corrige acidez!

Fornece cálcio e enxofre, e reduz a quantidade de alumínio tóxico das camadas mais profundas do solo.

Mas quando você deve realizar a gessagem?

O gesso deve ser aplicado quando análise de solo indicar, na camada de 20-40 cm, saturação por alumínio maior que 20%.

Também deve ser aplicado quando o teor de cálcio for menor que 0,5 cmolcdm-3.

A aplicação ainda possui efeito residual, cerca de 5 anos!

>> O que você precisa saber sobre as diferenças entre calagem e gessagem

A gessagem vai proporcionar um maior desenvolvimento radicular das plantas de soja ou milho, e assim uma maior absorção de água e nutrientes.

Outro ponto importante aplicação de gesso pode ser realizada de maneira simultânea com a calagem. Não ocorrem interferências negativas na correção da acidez.

gessagem

(Fonte: 3rlab)

Fosfatagem

O fósforo é importante para aumentar a produtividade da soja. Para aumentar a eficiência da adubação fosfatada deve-se fazer calagem anterior.

O método de recomendação do P é através da análise do solo.

Veja as imagens abaixo para saber a dose indicada de adubação fosfatada de acordo com a análise de solo:

>> Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes

tabelas-interpretação-e-correção-do-solo-fosfatagem

(Fonte: Embrapa)

Duas alternativas são apresentadas para a indicação de adubação fosfatada corretiva:

a) correção total: quando a é colocada a dose total de fósforo de uma só vez no solo, visando elevar os níveis de fósforo até o teor crítico.

O teor crítico é um valor obtido pela pesquisa para obtenção de um rendimento, na média, de 90% (85 a 95%) do rendimento máximo econômico da cultura.

É um investimento alto, mas que traz um retorno em termos de produtividade e que perdura por 3 a 5 anos, dependendo do manejo.

b) correção gradual: é aplicação de P em dois cultivos quando os teores do nutriente estão compreendidos nas faixas muito baixo e baixo, a dose recomendada deve ser aplicada 2/3 no primeiro cultivo, e 1/3 no segundo cultivo.

No entanto, quando o teor de P está na faixa médio ou maior, a fosfatagem deve ser feita de uma só vez (correção total).

Isso porque a dose recomendada nesses casos é pequena, não compensando a aplicação em dois momentos diferentes.

Conclusão

Calagem, gessagem e fosfatagem são medidas muito importantes na condução da sua lavoura, sendo o primeiro passo para uma lavoura de sucesso.

Seja na correção da acidez ou no fornecimento de nutrientes.

Agora você já sabe tudo o que precisa considerar na Calagem, gessagem e fosfatagem.

Aproveite as dicas e boa correção do solo!

>> Leia mais:

“Como analisar o DNA do solo pode te ajudar a prevenir problemas e fazer um manejo mais efetivo da lavoura

Gostou do texto? Você tem outras dúvidas sobre a aplicação de corretivos? Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós!

Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo

Conheça agora as principais pragas do milho e fique atento na Pré-safra. Não deixe sua produtividade do milho safrinha cair.

Você já entrou na lavoura e notou alguma coisa errada, como folhas comidas e plantas tombadas? Ao ver esses danos, você já sabia qual era a praga e como controlar?

É comum não reconhecer o inseto, ou não saber o melhor controle para combatê-lo.

A pré-safra é o momento ideal para conhecer um pouco mais sobre essas pragas, e melhorar seu diagnóstico da lavoura.

Assim você evita perdas de produção do milho.

E olha que pragas podem causar muitas perdas! No milho pode chegar até a 91%.

Principais pragas do milho: Pragas iniciais

Tanto na cultura do milho como na de sorgo, vamos ter pragas no início do ciclo. São aquelas pragas que você nem bem semeou a cultura e já estão dando trabalho!

Agora confira as principais pragas iniciais e como combatê-las:

1. Corós

Os corós estão presentes nas lavouras de milho e de sorgo, com maior ocorrência nos meses de outubro, novembro e dezembro.

As larvas se alimentam do sistema radicular das plantas, o que gera falhas nas linhas de plantio.

O principal manejo é com inseticidas, mas você pode realizar outras técnicas que colaboram para o manejo.

As principais técnicas que auxiliam na redução dos níveis populacionais dos corós são:

  • preparo antecipado da área;
  • eliminação de hospedeiros alternativos e plantas voluntárias (como plantas daninhas);
  • destruição dos restos de cultura após a colheita.
coro-no-milho

A foto da esquerda mostra o Coró, e a da direita o dano causado em plantas de milho.

( Fonte: 3rlab)

2. Larva-arame

A larva-arame (Conoderus spp., Melanotus spp.) ataca as sementes após a semeadura e o sistema radicular da planta. Já adianto que essa praga também pode ser encontrada na cultura do sorgo.

Seu controle pode ser feito pelo tratamento com inseticidas fosforados sistêmicos, registrados para as culturas. Mas também, pode ser feito através de uma boa drenagem da camada agricultável do solo, pois força a larva a aprofundar-se, reduzindo o dano no sistema radicular.

A rotação de culturas também é eficaz para redução dos níveis populacionais;

larva-arame

Larva-arame

( Fonte: Sistemas de Produção Embrapa)

3. Lagarta-rosca

As lagartas reduzem o número de plantas por metro linear, uma vez que cortam as plantas rentes ao solo. Mais uma dica aqui: essa praga também é encontrada na cultura do feijão!

lagarta-rosca

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

(Fonte: Agrolink)

lagarta-rosca-adulto

Inseto adulto de lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

( Fonte: Unesp)

Para o controle dessa praga é importante fazer o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos.

Também é fundamental a eliminação antecipada de plantas invasoras, já que as mariposas preferem ovipositar em plantas ou restos culturais ainda verdes.

4. Lagarta-elasmo

Essa praga causa prejuízos entre os estádios V1 e V8, aproximadamente.

lagarta-elasmo

(Fonte: Pioneer)

A lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) também está presente nas culturas do sorgo e do feijão. A ocorrência dessa praga está associada à períodos de estiagem no início da cultura. Além disso, fique mais atento a áreas de solos arenosos e com palha, que podem favorecer a praga.

5. Larva alfinete

A larva-alfinete (Diabrotica speciosa) tem grande importância na cultura do milho, estando presente também na cultura do sorgo.

Esse inseto ataca o sistema radicular, o que deixa a planta mais suscetível ao acamamento, o que provoca o sintoma conhecido por “pescoço de ganso”.

larva-alfinete-pescoço-de-ganso

(Fonte: Monsanto, Rafael Veiga – TD Cerrados Oeste)

Na fase adulta, o inseto alimenta-se de muitas culturas como, por exemplo, o feijão e a soja. Mas para colocar seus ovos preferem gramíneas como o milho e o sorgo.

ciclo larva alfinete

(Fonte: Monsanto)

As principais medidas de controle para larva-alfinete são:

  • eliminação de restos culturais;
  • uso de inseticidas granulados ou em pulverização no sulco de plantio.

O controle biológico com os fungos Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Paecilomyces lilacinu é uma ótima alternativa e pode ser utilizado em conjunto com o método químico.

planilha de planejamento da safra de milho

Principais pragas do milho: pragas da parte aérea

6. Lagarta-do-cartucho

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é uma das principais pragas do milho, causando grandes perdas, e também encontradas na cultura do sorgo.

A lagarta-do-cartucho penetra no colmo, criando galerias, o que provoca um sintoma conhecido por “coração morto”, que ocorre por causo do dano no ponto de crescimento da planta.

Essa lagarta pode causar redução de rendimento de 17% a 55,6%.

lagarta-do-cartucho-coração-morto

Sintomas de “coração morto” em plantas de milho atacadas por lagarta-do-cartucho

(Fonte: Agricultura no Brasil)

A principal forma de controle da lagarta-do-cartucho é através da aplicação de inseticidas.

Mas existe também um importante inimigo natural dessa praga, a “tesourinha” (Doru luteipes), que preda ovos e lagartas pequenas.

A lagarta-do-cartucho pode também atacar as espigas causando grandes danos.

7. Lagarta-da-espiga do milho

A lagarta-da-espiga do milho (Helicoverpa zea) é outra importante praga do milho que também ataca o sorgo.

lagarta-da-espiga

(Fonte: 3rLab)

O controle químico através de inseticidas para o manejo de lagarta-da-espiga não é muito eficiente, já que a larva está protegida na espiga.

Uma das alternativas para o manejo é o controle biológico, com o uso de parasitoides e predadores, como a tesourinha (Doru luteipes).

A tesourinha deposita seus ovos nas camadas de palha da espiga e tanto a forma jovem quanto os adultos se alimentam dos ovos e das pequenas larvas da praga. Uma tesourinha pode consumir aproximadamente 42 ovos por dia .

Os ovos da lagarta-da-espiga também podem ser parasitados por Trichogramma, sendo outra forma eficiente de controle biológico. 

8. Broca-da-cana

A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) está presente na cultura do milho e sorgo, atacando desde V6 até o final do ciclo.

broca-da-cana

(Fonte: Agranja)

Segundo a Embrapa, o controle pode ser feito do mesmo modo como é feito em cana-de-açúcar, através da liberação do parasitoide de ovos Trichogramma spp. ou através do parasitóide de larva, a vespa Cotesia flavipes.

Mais informações sobre a broca-da-cana podem ser verificadas nesse folder da Embrapa.

9.Pulgão

Os maiores danos do pulgão no milho (Rhopalosiphum maidis) são vistos durante o seu pendoamento, sendo também presente na cultura do sorgo.

Os danos mais expressivos são observados em altas infestações, especialmente quando as culturas estão em estresse hídrico, ou ainda quando há fonte de inóculo nas proximidades.

No caso do sorgo há ainda uma outra espécie conhecida por pulgão-verde (Schizaphis graminum), infestando a cultura desde a emergência das plantas até a maturação dos grãos.

O inseto suga seiva das folhas e introduzem toxinas que provocam bronzeamento e morte da área afetada.

Ainda  pode transmitir o vírus do mosaico da cana-de-açúcar, o que causa muitos danos ao sorgo.

pulgão-verda

Pulgão-verde

(Fonte: Sistema de Produção Embrapa)

O controle pode ser feito naturalmente pela chuva e inimigos naturais.

No entanto, você pode evitar a infestação pelo tratamento de sementes ou do solo com inseticidas sistêmicos seletivos aos inimigos naturais.

10. Percevejos

Os percevejos no milho podem atacar de forma severa no início da cultura. No entanto, esses insetos também se alimentam dos grãos em enchimento.

Isso pode causar danos econômicos elevados, reduzindo, segundo Embrapa, até 59,5% do peso dos grãos e mais de 98% na germinação e vigor das sementes.

percevejos-milho-sorgo

(Fonte: Pioneer)

Os percevejos estão muito presentes no final do ciclo da soja e após a colheita eles buscam fontes alternativas de alimento, como as plantas daninhas. Por isso, um dos principais manejos para esta praga é iniciar o plantio no limpo.

A boa dessecação antecipada irá ajudar a reduzir a população de percevejos na área.

As duas principais espécies são o percevejo marrom e o percevejo barriga-verde.

As principais medidas para o manejo são o tratamento de sementes e o monitoramento da área.

Segundo Kaminski (2014), se houver infestação elevada até V3 deve ser feito o controle, pois os danos podem ser desastrosos.

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Danos causados por percevejos em milho

Fonte: Pioneer

Na cultura do sorgo, os percevejos atacam as panículas. No caso, há dois grupos principais:

  • Percevejos grandes: percevejo-gaúcho (Leptoglossus zonatus), percevejo-verde (Nezara viridula) e percevejo-pardo (Thyanta perditor);
  • Percevejos pequenos: percevejo-do-sorgo (Sthenaridea carmelitana) e percevejo-chupador-do-arroz (Oebalus spp.).
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Percevejo-do-sorgo

(Fonte: Discover Life)

O controle pode ser biológico é feito por parasitoides de ovos. Já o controle químico é limitado pela dificuldade de entrar com o trator no campo.

É recomendado utilizar pulverização aérea quando o monitoramento indicar 1 percevejo a cada 10 plantas. O controle dos percevejos pode ser feito com inseticidas fosforados ou carbamatos.

11. Helicoverpa armigera

Por fim, não podemos deixar de falar da Helicoverpa armigera.

helicoverpa-armigera

(Fonte: Bayer)

Essa praga causou grande preocupação entre os produtores de soja, milho e algodão.

Seu principal controle é através do manejo integrado de pragas, utilizando cultivares geneticamente modificadas que expressam a toxina Bt, inseticidas biológicos e químicos, que sejam seletivos aos inimigos naturais.

Prepare-se para combater as principais pragas de milho

Monitorar e combater as pragas é uma parte do planejamento agrícola. Para sair conforme o esperado e você ter sucesso na lavoura, o trabalho começa bem antes da semente estar no campo.

Para você ter uma safra sem prejuízos, leia mais sobre planejamento agrícola nestes artigos.
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Principais pragas do milho e seu controle

Medidas gerais de controle de pragas

É claro que as pragas tem suas particularidades, e você já viu sobre elas ao decorrer do texto.

Mas há medidas fundamentais para combater todas essas pragas:

1) histórico e monitoramento das pragas na área;

2) rotação de culturas;

3) dessecação antecipada;

4) tratamento de sementes;

5) escolha da tecnologia Bt (no Brasil possível para as culturas de milho, algodão e soja);

6) uso de defensivos agrícolas para pragas do milho.

Além disso, disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP: saiba qual o Nível de Controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Clique na figura a seguir para baixar!

Conclusão

Saber o histórico da sua área é essencial para fazer o planejamento durante a pré-safra.

Você pode tomar algumas medidas de manejo já na pré-safra, como controle de plantas daninhas, eliminação de restos culturais e verificação das principais pragas da área pelo histórico.

Agora que você já viu os sintomas e quais são as medidas de controle para as principais pragas do milho e sorgo, é só não descuidar de sua lavoura!

Monitore com frequência, faça seu planejamento e aplique todo seu conhecimento!

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“Safra de milho: conheça as previsões para 2022/23”

Gostou do texto? Restou alguma dúvida? Ou tem outras dicas sobre o manejo das principais pragas do milho e sorgo? Adoraria ver seu comentário abaixo!