5 perdas na colheita que você pode estar sofrendo e o que fazer para resolver

Perdas na colheita: entenda o que você pode fazer para reduzi-las e evitar prejuízos

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A eficiência de nossas fazendas está relacionada à maneira que são realizadas as atividades agrícolas.

Reduzir as perdas na colheita é uma das atividades mais importantes para isso.

E, claro, é um ótimo jeito de ganhar mais dinheiro sem produzir ou gastar mais.

Mas nem sempre é fácil identificar onde ou porque estão ocorrendo as perdas na colheita.

E as perdas podem ser significativas. Só devido ao transporte rodoviário, estimam-se perdas que chegam a R$ 2,7 bilhões a cada safra.

Por que isso ocorre? Quais são os outros tipos de perda? Como evitá-los?

Aqui vamos falar de todos esses assuntos, inclusive sobre perdas que provavelmente poucos produtores contabilizamVeja:

1ª: Perdas na colheita por pragas

As pragas agrícolas dão trabalho desde o momento que colocamos as sementes no solo até a colheita.

É comum levar insetos do campo para a armazenagem e, assim, aumentar as perdas pós-colheita, como no caso dos gorgulhos.

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Gorgulho do milho – Sitophilus zeamais. Os gorgulhos colocam seus ovos tanto em grãos armazenados como nas espigas no campo por adultos voadores

(Fonte: UFMG em CFR)

Pragas de final de ciclo, como Spodoptera fugiperda e Helicoverpa armigera, também podem causar grandes perdas.

Por isso devemos sempre manejar as pragas, mesmo no finalzinho do ciclo.

É muito comum chegar nesse ponto da safra e pensar “acho que dá pra segurar o controle de pragas agora”.

O meu conselho é que você acabe com esse “achismo”.

Faça o monitoramento de pragas mesmo no final do ciclo da cultura, e faça o manejo dos insetos quando atingirem o nível de controle.

2ª: Perdas por transporte

O transporte rodoviário até silos de terceiros ou portos também acaba resultando em perdas.

Isso devido às estradas nem sempre estarem nas melhores condições e ao fato dos caminhões, muitas vezes, transportarem mais carga do que realmente comportam.

Segundo a Confederação Nacional de Agricultura, o prejuízo com o derrame de grãos durante o transporte rodoviário chega a R$ 2,7 bilhões a cada safra.

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(Fonte: Diário Online)

Desse modo, faça sua gestão agrícola pesquisando a melhor logística e frete, evitando a perdas de sua produção agrícola.

3ª: Perdas na colheita por alta infestação de plantas daninhas

A alta infestação de invasoras dificulta a ação da colhedora. Nada pior do que ficar parando toda hora a operação devido à imensa quantidade de massa vegetal que a colhedora tem que “enfrentar”.

Isso gera perdas de tempo, de combustível e desgasta muito mais as peças da máquina.

Além disso, altas infestações de plantas daninhas favorecem o ataque de insetos, o que pode prejudicar os grãos.

4ª: Perdas na colheita mecanizada não planejada adequadamente

As perdas na colheita estão presentes em todas as propriedades, até no processo da colheita. Mas algumas perdem mais do que as outras.  

Por que algumas propriedades perdem menos? Porque nesses casos a colheita começa muito antes da colhedora entrar no campo.

Como um exemplo simples, se você não pensar no tamanho da cultura, não vai saber ao certo o número de máquinas que vai precisar – e isso causa muitos problemas.

Pode ser difícil conseguir colhedoras de terceiros ou mesmo mais caro. Mas o pior é quando tentamos aumentar a velocidade para dar tempo de colher tudo, danificando os grãos e causando perdas.

Assim, o planejamento agrícola com antecedência é essencial.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Para planejamento inicial, recomendo que você:

  • Estime sua produtividade e saiba o tamanho da área com lavoura;
  • Sabendo disso, faça a previsão de quantas máquinas de colheita serão necessárias;
  • Quantas carretas serão precisas para o escoamento;
  • Com qual umidade pretende colher, decidindo se vai esperar secar no campo ou não;
  • Caso seja preciso secar, verifique se tem secador próprio ou de terceiros;
  • Verifique se irá precisar de silos de terceiros, sempre de olho no mercado de preços.

Além disso, o planejamento das manutenções frequentemente é fundamental para que qualquer operação agrícola corra tranquilamente, sem parar devido a quebra de alguma peça.

No Aegro você pode planejar suas manutenções e ser avisado da necessidade dessa manutenção.

Alerta para manutenção preventiva de máquinas agrícolas no Aegro

Nesse sentido, saiba aqui como uma produtora de MS conseguiu economizar mais de 10% com manutenção de máquinas a partir de uma ação estratégica!

Além das perdas pela falta de planejamento da colheita, também temos perdas que ocorrem na própria operação de colheita.

5ª: perdas na colheita da soja ou milho influenciadas pelas colhedoras

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(Fonte: Puma Plow)

Entre 80 e 85% das perdas de grãos na colheita ocorrem no corte da plataforma.

Mas aqueles produtores que pensam que máquinas antigas causam mais perdas na colheita estão muito enganados.

A regulagem das máquinas é o procedimento que irá refletir diretamente nas perdas.

Máquinas antigas não causam mais perdas na colheita. Máquinas desreguladas sim!

A regulagem das colhedoras é vital para uma colheita bem sucedida e com o mínimo possível de perdas.

O total de perdas na colheita é uma soma de diversos fatores.

Sugiro fortemente que você faça um checklist verificando esses fatores juntamente com a recomendação do fabricante e modelo de sua colhedora:

  • Velocidade de deslocamento da colhedora deve estar entre 4 Km/h e 6 Km/h;
  • Barra de corte tem que estar afiada;
  • Substitua as navalhas danificadas e verifique a folga;
  • Verifique os dedos e os substitua se necessário;
  • Averigue a velocidade de rotação do molinete;
  • Observe e faça o ajuste da altura do molinete (geralmente 30 cm à frente da barra de corte);
  • Verifique o caracol (altura em relação à parte posterior de alimentação);
  • Faça a calibração e verifique as folgas do sistema de trilha.

Depois de ver todas essas perdas que ocorrem na operação da colheita, temos ainda mais dicas preciosas de como evitar isso:

Como evitar as perdas na colheita?

A regulagem da colhedora é de fundamental importância para que as perdas na colheita sejam evitadas.

Do total de perdas na colheita, 80% se deve à má regulagem da colhedora e 20% ao manejo errôneo das culturas.

Máquinas desreguladas podem ocasionar perdas expressivas na colheita da soja, podendo variar em cerca de 2 a 3 sc/ha, enquanto o aceitável pela Embrapa são perdas da ordem de 1 saca/hectare.

O manejo correto da colheita é fator que afeta diretamente a qualidade dos grãos.

O momento da realização da colheita deve ser quando os grãos estejam com índice entre 12% e 14% de umidade para soja e milho.

Se você precisar antecipar a colheita com teores de umidade acima destes mencionados, deverá levar em conta a secagem dos grãos, como já mencionamos.

Lembre-se também da possibilidade de danos aos grãos e maiores perdas em qualidade ao fazer a colheita com maior teor de umidade no grão.

Ademais, a colhedora é uma máquina combinada que realiza diversas operações juntas.

>>Leia mais: “O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas

Por isso, devemos nos atentar à calibração e manutenção de todos os sistemas:

Sistema de corte e alimentação

  • Rotação;
  • Posição do molinete;
  • Velocidade de trabalho da colhedora.

Em máquinas modernas, a rotação do molinete já é ajustada automaticamente com a velocidade de avanço da colhedora

Sistema de trilha

  • Fluxo radial: sistemas mais antigos compostos por cilindro, côncavo, e batedor;
  • Fluxo axial: rotor longitudinal e côncavo associado ou não a um elemento batedor;
  • Ajustes: abertura entre o cilindro ou rotor e o côncavo, rotação do cilindro e paralelismo entre cilindro/rotor e o côncavo.

Sistema de separação e limpeza

  • Peneiras: abertura dos alvéolos e limpeza das aberturas;
  • Ventiladores: regulagem do fluxo de ar.

Sistema de transporte, armazenamento e descarga

  • Ajuste da tensão das correias;
  • Lubrificação;
  • Substituição de peças gastas.
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(Fonte: Agrolink)

Futuro das colhedoras e as perdas na colheita

As colhedoras estão sendo equipadas com dezenas de sensores para evitar que as perdas ocorram.

A indústria de máquinas agrícolas está buscando e incorporando tecnologias como inteligência artificial provenientes de sensores imageadores dos grãos deixados no campo.

Estão sendo testados também inúmeros sensores que quantificam tais perdas e que corrigem em tempo real a velocidade da colhedora, altura e rotação do molinete.

Juntamente com essa tecnologia, softwares de gestão agrícola possibilitam o planejamento das operações agrícolas e o acompanhamento dos resultados baseados em dados.

Assim você evita perdas e ainda sabe exatamente como foi sua colheita em cada talhão, qual seu custo e qual o custo de produção agrícola total.

Conclusão

Todos nós sofremos perdas na colheita. Mas podemos minimizar essas perdas.

Agora você sabe como identificar essas perdas e quais são as mais importantes dentro da realidade de sua fazenda.

Além de que, com o avanço das tecnologias acopladas às máquinas, num futuro não muito distante será possível ajustar e calibrar em tempo real cada máquina no campo.

Mas nada disso substituirá o valor e importância de um planejamento da colheita feito com antecedência.

Aproveite todas essas dicas para colocar em prática na sua colheita!

Você fiscaliza e calibra as máquinas que irão realizar a colheita dos grãos em suas propriedades? Como tem buscado reduzir as perdas na colheita? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Qual é o custo de abastecimento de máquinas na sua produção agrícola?

Custo de abastecimento de máquinas: cada vez mais é necessário que tenhamos total controle desse gasto para ter um planejamento financeiro confiável.

Quando se fala em custos da produção agrícola o que vem à sua mente?

Se fosse há alguns meses, a resposta poderia ser sementes, defensivos agrícolas etc.

Mas hoje eu tenho certeza que o combustível é um dos primeiros custos em que você pensa.

Você sabe o quanto o preço do combustível afeta seu custo de produção agrícola total? E por talhão?

Confira a seguir a importância de saber o custo de abastecimento de máquinas em sua produção agrícola:

Custo de abastecimento de máquinas: registro de atividades

Você tem um reservatório ou estoque de diesel em sua propriedade, certo?

Para começar a entender o custo de combustível, anote em algum lugar quantos litros de diesel você tem em estoque e, de preferência, as datas em que comprou.

Se você não lembra o quanto gastou nesse estoque, não tem problema. O esquecimento é comum, especialmente na agricultura onde temos tantas coisas para fazer diariamente.

Também é possível consultar o preço médio dos combustíveis por região dos meses anteriores neste site da ANP.

Mas sugiro que você, nesse primeiro momento, coloque uma estimativa de quanto ficou por litro.

Anotado?

Agora você tem algumas opções de cálculo, sendo que aqui vou mostrar a principal forma:

Considerar o uso do combustível como um todo na fazenda.

A seguir, vamos ver como fica seu custo com combustível dentro da sua produção agrícola nesse caso.

Uso de combustível como um todo na fazenda

Se você está começando a implementar uma gestão agrícola efetiva na fazenda, talvez esse seja um bom começo.

Aqui você vai considerar o uso do combustível como um todo, se lembrando de todas as vezes em que houve abastecimento.

Então, o que você deve fazer é anotar cada vez que esse estoque for reabastecido, registrando quantos litros foram colocados e quanto custou cada litro.

Assim, é só ir multiplicando o preço por litro por quantos litros foi comprado.

É interessante também colocar para que safra foi aquele combustível, conforme exemplo:

Tabela excel com custo de combustível da safra de soja

Nesse exemplo, considerei o primeiro abastecimento como tudo o que eu tinha no estoque de diesel, colocando o preço que paguei por litro.

Também considerei que usei todo o combustível que coloquei no estoque nessa safra de soja, o que é realmente comum acontecer.

Ao decorrer das safras, anotei os reabastecimentos desse meu reservatório de diesel.

A cada safra, é possível verificar qual foi o custo de combustível total, como mostra na planilha acima e o custo por hectare.

Se no exemplo acima a safra 2017/18 tenha sido feito em 500 hectares, isso resultaria em um custo médio por hectare de 195,86 reais.

Para saber o quanto esse custo de combustível afeta seu custo de produção é preciso fazer esse mesmo tipo de planilha (ou caderno, o que você preferir) para todos os insumos.

Sementes, adubos, defensivos agrícolas, salários e outros.

Para saber em detalhes como fazer seu custo de produção agrícola é só acessar este artigo.

Após fazer o custo de produção agrícola você pode compará-lo com o custo de combustível por uma regra de 3 simples.

Para te ajudar a saber os gastos com combustível na sua fazenda, também temos uma planilha específica que você pode baixar gratuitamente. Basta clicar na imagem a seguir:

banner planilha combustíveis

Explicando melhor e retomando nosso exemplo anterior:

Se meu custo de produção agrícola total for por volta de 860 mil, saberei que que o custo com combustível será pouco mais de 10% do meu custo total:

859 450 = 100%

97 930 = x

x = 11,39% é o que representa meu custo com combustíveis dentro da minha produção agrícola de soja 2017/18.

Essa forma de cálculo também é muito importante para ter o controle do seu estoque, então os mantenha em local de fácil acesso e seguro, sem chances de perdê-los.

Falando em estoque, baixe a planilha de controle de estoque gratuitamente.

Mas será que só saber esses dados do custo de combustível, e sobre as máquinas, é o suficiente?

Custo de abastecimento de máquinas: a importância de saber em detalhes

A verdade é que os erros se escondem nos detalhes.

Se houver qualquer coisa errada envolvendo o uso de combustíveis é aqui que você os encontrará.

Sem falar que uma gestão agrícola bem feita aos detalhes é fundamental para o sucesso de seu negócio.

Desse modo, é interessante ligar os abastecimentos às máquinas e veículos.

Você pode fazer isso para todos os insumos envolvendo sua safra e também detalhar por talhão.

Assim, também é possível saber qual talhão está lhe proporcionando mais ou menos lucro.

Mas, confesso! Fazer tudo isso em planilha dá um trabalho grande e leva um bom tempo.

Em caderno fica até difícil de imaginar nesses detalhes.

Sem falar que o risco de errar, dos dados se perderem ou de tudo ficar confuso é muito grande.  

Devido a isso, temos softwares agrícolas que nos ajudam muito, resultando em ganho de tempo, agilidade e fácil compreensão de seus dados.

aegro

Controle seus custos de forma muito mais rápida e com segurança

Com um software de gestão agrícola, como o Aegro, você pode ter o registro de todas suas atividades, abastecimentos e manutenções de máquinas em apenas alguns cliques.

Os dados ficam seguros, para nunca mais serem perdidos ou esquecidos. Torna-se fácil de visualizar todos os indicadores sobre cada um dos seus custos de produção agrícola.

Ao adicionar no sistema uma nova despesa de combustível, por exemplo, você pode vincular esse custo às safras de sua escolha.

Você também pode escolher entre apropriar o custo do abastecimento a uma ou mais safras, ou mesmo a determinadas áreas de sua propriedade.

Ou seja, o Aegro faz todos os cálculos de rateamento de despesas de maneira automática.

Você só precisa inserir no software os seus dados de abastecimento. E isso pode ser feito facilmente pelo celular, até mesmo sem acesso à internet. Veja como é fácil registrar um abastecimento no Aegro.

aegro

O que nos leva à questão de rendimento das máquinas.

Quais das minhas máquinas têm melhor rendimento?

Sempre recomendo o máximo de detalhamento em sua gestão da produção agrícola.

Assim, sempre é possível verificar erros, onde pode haver melhorias e para onde seu dinheiro está indo.

No caso de combustíveis temos um exemplo bem claro.

Conforme noticiado, foi realizado um teste em uma fazenda no interior de São Paulo sobre o rendimento dos tratores.

Assim, dois tratores de mesma potência e com o mesmo equipamento, mas de marcas diferentes, foram comparados.

O primeiro trator consumiu 15,8 litros de combustível por hora, sendo que o segundo trator  apresentou consumo de 23 litros por hora.

Você poderia me falar agora que é claro que o primeiro trator é mais econômico. Mas a comparação continuou para os detalhes.

Desse modo, o uso de litros de combustível por hectare foi de 18,1 litros/ha para o primeiro trator, e de 19 litros/ha para o segundo.

De novo, o primeiro trator foi mais econômico. Será mesmo?

Então foi verificada a área trabalhada por cada trator: o primeiro trator fez 0,87 hectares por hora, enquanto que o segundo trator fez 1,21 hectares por hora.

É verdade que o segundo trator tem maior consumo de litros por hora, mas ele também é mais produtivo que o primeiro trator.

Em uma primeira e superficial análise poderíamos ter falado que o segundo trator deveria ser menos utilizado, mas sabendo os detalhes dos custos entendemos que não é bem assim.

Saber esse nível de detalhamento é fundamental para uma tomada de decisão bem feita.

Pode ser difícil obter isso em cadernos ou planilhas. Mas com o Aegro isso muda:

aegro

Isso que eu nem falei no custo de manutenção das máquinas.

Nesse texto, por exemplo, eu conto como o Elivelton Menezes descobriu que o custo de manutenção de uma máquina chegava a 40% do seu valor total.

Conclusão

A discussão sobre o custo do combustível está em alta agora, mas já pode ter passado despercebido nos custos de produção agrícola.

O seu cálculo e a sua participação dentro dos custos totais de produção são muito importantes para o controle de sua fazenda.

Do jeito que os preços do diesel e da gasolina estão variando, ter controle desses custos é fundamental para saber o quanto a variação mexe no seu orçamento.

Além disso, o detalhamento desse e de outros custos são fundamentais para a verificação de erros, melhorias e, principalmente, na tomada de decisão certeira e segura.

>> Leia mais:

Semeadoras plantio direto: como encontrar a melhor para sua fazenda

“Como fazer o armazenamento de combustível na fazenda de forma segura”

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Armazenagem de defensivos agrícolas: 7 dicas de como fazer em sua propriedade

Estoque de defensivos agrícolas: o que você precisa saber para ter um depósito adequado e seguro.

Você tem um estoque de defensivos agrícolas em sua propriedade, mas não sabe bem se é esse o jeito certo de fazer a armazenagem?

Pois saiba que existem boas práticas que podem te direcionar.

Além disso, ter um estoque organizado é garantia de evitar produtos vencidos, vazamentos, acidentes e outros.

Ou seja, isso mantém a segurança de sua fazenda, dos seus colaboradores e ainda cessa gastos desnecessários.

Neste artigo vou te mostrar as principais dicas para te auxiliar nessa armazenagem! Confira:

Por que o controle de estoque de defensivos agrícolas é tão importante?

Você não quer correr o risco de atrasar uma aplicação porque a revenda não tem aquele defensivo.

Nem pagar mais caro porque deixou a compra para a última hora.

Muito menos perder defensivos agrícolas por vencimento, vazamento ou pior, algum acidente.

Por isso precisamos nos atentar às normas e boas práticas agrícolas e fazer a armazenagem adequada de todos os produtos.

Aqui vamos abordar algumas dicas, mas lembre-se que o primeiro passo para o controle real do seu estoque é o registro de todos as entradas e saídas.

Esses registros devem ser guardados em segurança e serem fáceis de acessar.

Assim, você sabe o custo de todos os insumos em cada safra realizada, além de poder negociar melhor seus preços pelos registros da safra anterior.

Controlando os estoques

Você pode ver mais sobre como obter total controle do seu estoque neste artigo:Como ter um controle de estoque rural mais eficiente

E para te ajudar, baixe gratuitamente uma planilha para controle financeiro do estoque clicando na imagem abaixo!

Agora, confira comigo algumas dicas indispensáveis sobre armazenagem de defensivos agrícolas:

7 dicas sobre estoque físico de defensivos agrícolas

1 – Localização da armazenagem de defensivos agrícolas na fazenda

A localização do estoque deve respeitar o zoneamento de ocupação do solo, seguindo também algumas indicações:

  • distante de cursos d’água;
  • afastado de áreas de preservação ambiental;
  • distante de vizinhança estabelecida no local;
  • não construir escritórios parede a parede com o estoque físico, por conta do risco de incêndio;
  • recuo de 10 m entre os ambientes ou parede corta fogo.

Não se esqueça que, em geral, são necessárias certas autorizações e documentação para construções de armazéns/estoques físicos. Veja mais sobre isso no manual da Andav.

2 – Terreno do estoque físico de defensivos agrícolas

O terreno para construção do seu estoque físico de defensivos agrícolas deve ser levemente desnivelado.

Desse modo, em caso de vazamento, o líquido escorre por uma canaleta que também deve possuir em sua construção.

Esse líquido deve ter como destino uma caixa de cimento na área externa do armazém. Assim, evita-se o contato dos defensivos com o solo e demais pessoas.

O piso do estoque também é muito importante no armazenamento:

3 – Piso do estoque físico de defensivos agrícolas

Faça um piso impermeável dentro de seu estoque físico impermeável, sem ralos ou drenos de saída.

Como dissemos anteriormente, a intenção é que os defensivos não entrem em contato com o solo ou atinjam mais pessoas.

Também atente-se para o fato de que o piso não pode apresentar saliências (ser irregular), prejudicando circulação de pessoas e movimentação de materiais.

4 – Paredes do estoque de defensivos agrícolas

As paredes de seu armazém devem ser de alvenaria, sendo o pé direito igual ou maior que 4 m.

O pé direito alto facilita as trocas de ar do ambiente e, se você planeja empilhar muitas coisas, aumente essa altura para no mínimo 6 metros.

Se você não for estocar somente defensivos agrícolas nesse local, faça paredes divisórias que separam tipos de materiais guardados.

Assim, você tem tudo mais organizado e sem problema de contaminação entre produtos.

Também não é recomendado que você tenha ao lado (parede a parede) escritório ou outro ambiente da fazenda.

Além disso, a norma ABNT NBR 9843 recomenda entrada de serviço e acesso externo para o serviço de salvamento e Corpo de Bombeiros. Isso porque estoques com esses acessos se tornam mais protegidos em caso de incêndio e outros tipos de acidentes, especialmente se forem dois armazéns lado a lado:

estoque de defensivos agrícolas

(Fonte: Andav)

5 – Telhado do estoque físico de defensivos

Tenha em mente que o telhado do seu armazém terá que ser de material não inflamável, livre de vazamentos e goteiras.

Também não coloque telhados transparentes ou que deixem passar a luz do dia para seus defensivos agrícolas.

Isso é devido à existência do risco de afetar a qualidade dos produtos, por exposição à luz ou calor.

telhado-estoque-defensivos-agrícolas

(Fonte: Andav)

Desse modo, posicione telhas transparentes apenas em corredores ou locais que não estejam seus produtos.

Além disso, luzes artificiais devem ser focadas mais nos corredores.

E como fica o armazenamento em si dos defensivos?

6 – Armazenamento dos defensivos agrícolas dentro do estoque

Este símbolo de segurança que está aqui em baixo significa “proteger de luz ou irradiação de calor”:

fórmula NDE

(Fonte: Andav)

Você vê esse símbolo na grande maior parte dos defensivos agrícolas. Isso quer dizer que esses produtos são sensíveis à exposição à luz e calor.

Ou seja, eles podem se decompor ou reagir, perdendo suas propriedades originais.

Desse modo, caso esses defensivos sejam expostos à luz e calor, podem perder eficácia e se tornarem inadequados para uso.

Por isso, recomendamos no item anterior que a luz natural ou artificial seja apenas focadas em locais que não há produtos.

Além disso, em qualquer sistema de armazenagem (blocado, racks– estruturas porta paletes, etc.) os produtos devem ser colocados a, no mínimo 0,50 m da parede e 1 m da tesoura do teto ou do ponto mais baixo da estrutura do telhado.

armazenagem e estoque defensivos agrícolas

(Fonte: Andav)

É interessante que você separe seus defensivos de modo organizado.

Você pode fazer essa separação por família agrícola, evitando contaminação cruzada entre os produtos, já que sabemos que muitos são incompatíveis.

Outro tipo de separação é por lote/validade. Assim, você tem um melhor controle dos produtos que estão perto de vencer.

Saiba ainda mais sobre defensivos nesses dois artigos:

E veja agora sobre o uso de EPI no estoque de defensivos:

7 – EPI no armazenamento dos defensivos agrícolas

A norma ABNT NBR 9843 parte 2 dedica todo um capítulo para os cuidados com os operadores dentro do estoque.

Por isso, atente-se aos operadores oferecendo treinamento intensivo e comunicação efetiva.

Para te ajudar nessa comunicação recomendo o artigo: 4 desafios de ser um líder em uma empresa rural.

Além disso, passe para seus colaboradores a importância com as responsabilidades no manuseio dos defensivos agrícolas, como o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

Nesse sentido, diferentes tarefas envolvem diferentes uso de EPIs, como mostra o quadro abaixo:

uso-de-epis-defensivos-agrícolas

(Fonte: Andav)

Conclusão

O controle do estoque e o armazenamento adequado dos defensivos agrícolas são fundamentais para o comando de sua propriedade.

Eles garantem operações agrícolas eficientes e são cruciais para a saúde financeira da fazenda.

Aqui você viu detalhes sobre as construções dos estoques físicos, além de como deve ser feito o armazenamento correto.

Aproveite essas dicas e comece agora mesmo o armazenamento correto dos seus defensivos agrícolas!

planilha de compras de insumos

Como é hoje seu estoque de defensivos agrícolas? Tem mais dicas sobre o assunto? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Guia para iniciantes sobre agricultura de precisão 

Agricultura de precisão: saiba como aplicar os conceitos corretamente na sua lavoura e rentabilizar mais

A agricultura vem sofrendo grandes alterações nas atividades exercidas no campo. Por isso, já se foi o tempo em que a atividade agrícola era atrasada e antiquada. 

O uso de tecnologias modernas tem permitido ao agricultor um manejo muito mais bem elaborado e detalhado de suas propriedades, áreas e culturas. Dessa forma, o uso da agricultura de precisão é uma realidade que se tornará obrigatória no agronegócio.

Neste artigo, conheça mais a fundo os conceitos e vantagens da agricultura de precisão e veja quais ferramentas estão tomando conta das lavouras. Boa leitura!

O que é agricultura de precisão?

A agricultura de precisão é uma forma de gestão de informações das culturas agrícolas cultivadas. O objetivo disso é otimizar a produção agrícola, a sustentabilidade da fazenda e a produtividade.

Ou seja, esse é um conceito de manejo das áreas agrícolas através de tecnologias modernas. Ele permite uma maior eficiência das atividades, permitindo maiores produtividades e sustentabilidade do agronegócio como um todo.

Ainda hoje, em muitas propriedades, o manejo agrícola de grandes áreas é feito através de uma média de características da área toda, medidas em um único momento. Elas passam a representar uma realidade do todo. 

As desuniformidades podem ser ocasionadas por manchas na lavoura, fertilidade do solo,  água, pragas e doenças, por exemplo. Elas devem ser mapeadas para potencialização da produtividade agrícola na área total.

A agricultura de precisão permite ao produtor mapear e entender essas desuniformidades e melhor explorá-las. O objetivo é ter retornos econômicos e sustentáveis.

As lavouras não são uniformes e não podem ser representadas por uma média da área total. Por isso, são necessárias ferramentas e sensores agrícolas para mapear tais diferenças e entregar soluções cada vez mais específicas.

Assim, é possível explorar melhor todo o potencial da área. Ainda, a agricultura de precisão é feita em três etapas principais: coleta de dados, planejamento do gerenciamento e aplicação localizada de insumos.

agricultura de precisão
(Fonte: imagem do autor)

Agricultura de precisão no Brasil é cara?

É evidente que existem muitas plataformas e aplicativos que são pagos, elevando os custos de produção. Mas, para saber se o seu custo compensa, você precisa analisar sua propriedade e suas finanças.

Uma gestão eficiente te dará segurança para tomar a decisão de quando e quais ferramentas de agricultura de precisão usar.

Quais são as ferramentas usadas na lavoura?

Muita gente confunde agricultura de precisão com somente o GPS agrícola, piloto automático ou até mesmo drones. Todas estas tecnologias são ferramentas de agricultura de precisão nas fazendas. 

Os conceitos de agricultura de precisão englobam melhorias nos manejos e em todas as operações da cadeia produtiva. Agora, veja como funcionam algumas tecnologias para levantamento de dados e aplicações em campos.

Piloto Automático Agrícola

Alguns maquinários mais modernos já vem com o piloto automático agrícola de fábrica, conectado ao GPS. Em outras máquinas, modelos mais simples podem ser adaptados quando não estão presentes de fábrica. 

Essa tecnologia permite o georreferenciamento da área e o mapeamento das heterogeneidades dela.

Semeadoras tecnológicas

As semeadoras mais modernas têm apresentado grandes vantagens se comparadas às mais antigas, principalmente na precisão e homogeneidade da semeadura. Isso evita falhas no plantio ou semeadura dupla. 

Além disso, a tecnologia de semeadura linha a linha por desligamento de seção traz um aproveitamento muito maior da área.

Máquinas à taxa variável

Ao detectar homogeneidades na área e mapeá-las, o próximo passo é tratá-las de maneira específica, seja quando à fertilização ou controle de pragas e doenças

Para isso, são necessárias as máquinas que aplicam produtos (fertilizantes, fungicidas, inseticidas, por exemplo) a taxas variáveis.

Colheita monitorada

Toda e qualquer alteração no manejo diferencial das áreas irá refletir na produtividade. Ter uma colhedora que monitore a produtividade de acordo com o georreferenciamento é a maneira mais fácil de verificar a eficiência das aplicações diferenciais. 

Além disso, esses dados formam os mapas de colheita, que servem de base para as próximas safras/safrinha.

Drones

A capacidade de adquirir dados das lavouras é um dos grandes gargalos do aumento de produtividade agrícola. O uso de drones com sensores acoplados aumenta muito a capacidade de fenotipagem de área por tempo, além de evitar danos às plantas.

Os sensores mais usados em drones são câmeras RGB, câmeras térmicas, reflectômetros e câmeras multiespectrais.

Estações meteorológicas

O uso de dados de estações meteorológicas automáticas e conectadas à rede da propriedade aumenta a capacidade de planejamento das ações no campo. Além disso, esses dados podem evitar danos causados por eventos climáticos extremos.

Aplicativos de gestão

A agricultura de precisão traz uma capacidade enorme de captar dados e usá-los para tomada de decisão mais rápida e assertiva dentro da propriedade. Para isso, os aplicativos de gestão de dados ou máquinas são indispensáveis.

Esses aplicativos potencializam as ferramentas aplicadas e permitem a análise de muitos mais dados. Por exemplo, no caso do software Aegro, é possível integrar operações do campo ao escritório, gerando de forma automática indicadores agrícolas e financeiros.

Como consequência, isso aumenta a eficiência dos processos e a produtividade.

agricultura de precisão e uso de apps

Quais são as etapas da agricultura de precisão?

Todas as ferramentas da agricultura de precisão devem ser utilizadas em etapas específicas. Confira quais são:

Etapa 1: coleta de dados

Antes de agir, você precisa coletar os dados da sua lavoura. Afinal, você precisa saber exatamente a situação do solo, das daninhas presentes, dos fertilizantes utilizados. Para coletar dados da lavoura, é necessário usar ferramentas de agricultura de precisão.

Por exemplo, GPS agrícola, drones, telemetria e sensores podem ser utilizados para coletar os dados. É importante dar atenção a essa etapa, já que é ela que te ajuda nas tomadas de decisão.

Essas informações podem ser exportadas em tempo geral ao seu sistema de gestão, como na integração entre Aegro e as plataformas Climate FieldView e Operations Center John Deere.

Importe as operações de plantio, aplicação e colheita

Etapa 2: planejamento

Com os dados coletados, é hora de planejar as ações na lavoura. Sabendo como está a situação do solo e das plantas, você consegue elaborar um mapa de aplicação para garantir assertividade na etapa.

Com os dados coletados, você também consegue saber e decidir quais as melhores táticas de colheita, de plantio e de aplicação. É bom lembrar que, na dúvida de como interpretar os dados coletados, é necessário procurar uma pessoa especialista para te orientar.

O planejamento de atividades e pontos de monitoria podem ser elaborados também com apoio do Aegro, dando mais mobilidade a sua equipe. Isso porque essas operações podem ser acompanhadas e registradas direto pelo celular, mesmo sem internet.

Acompanhe os principais eventos da safra em um só lugar com Aegro

Etapa 3: aplicação localizada

Planejou as aplicações? A etapa final é a hora de colocar a mão na massa e aplicar os produtos na lavoura. Antes disso, é claro, é necessário garantir que suas máquinas e equipamentos estão em ordem.

Nessa etapa, você também pode contar com ferramentas da agricultura de precisão, como drones aplicadores. Tendo feito bem as duas etapas anteriores, a garantia de que a aplicação correrá bem é enorme.

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Quais informações podem ser obtidas com esse sistema na agricultura?

Considerando que a área não é uniforme, com as ferramentas da agricultura de precisão e uma dose de tecnologia, seguem alguns mapeamentos e levantamentos de informação que podem ser feitas na sua fazenda:

  • mapas de infestação de insetos para pulverização;
  • mapas de irrigação;
  • semeadura a taxa variável;
  • mapas de solo para aplicação de fertilizantes;
  • criação de unidades de gestão diferenciadas;
  • levantamento de áreas degradadas;
  • quantificação de biomassa das lavouras;
  • estimativas de produtividade;
  • automação de máquinas e processos, etc.

Com uso de sistemas de posicionamento global, como GPS ou Glonass, Galileu, entre outros, você pode fazer aplicação de insumos a taxa variável utilizando AP. Os insumos que podem ser aplicados em doses variadas podem ser:

  • sementes;
  • herbicidas;
  • princípio ativo;
  • macro e micronutrientes;
  • agentes biológicos;
  • água (irrigação);
  • fungicidas;
  • inseticidas, entre outros.
Infográfico que mostra informações de agricultura de precisão
benefícios da agricultura de precisão

Quais são os benefícios da agricultura de precisão?

Há inúmeras vantagens da agricultura de precisão em relação ao sistema convencional de manejo. Seu objetivo é melhorar a eficiência produtiva e o manejo agrícola.

Na agricultura convencional, os fertilizantes e insumos são aplicados igualmente em toda a área. Isso é feito com base em uma amostragem média para os talhões ou até para toda a fazenda.

Já com agricultura de precisão, temos diversas informações que auxiliam na tomada de decisão, permitindo aplicar somente o necessário em cada pedaço da propriedade. Isso gera vários benefícios como:

  • mais segurança na tomada de decisão;
  • economia de insumos;
  • visualização detalhada da propriedade;
  • economia financeira;
  • economia de recursos;
  • melhoria das atividades agrícolas;
  • maior controle da fazenda.
vantagens de se trabalhar com agricultura de precisão

Quais são os desafios dessa forma de gestão?

Os conceitos de agricultura de precisão são relativamente novos aos usuários. Com o crescimento de aplicativos, empresas de consultoria e plataformas, muitas vezes acaba-se sem saber o que usar na fazenda.

Além disso, a falta de pessoas capacitadas e gestores com conhecimento do ciclo da agricultura de precisão acarreta em aplicações erradas. Ainda, pode causar a falta de aproveitamento das funcionalidades disponíveis. 

Por isso, os clientes do sistema Aegro têm acesso a treinamentos e cursos gratuitos para utilizar todo o potencial da ferramenta, além de serviços de apoio constante pelo suporte e gerentes de conta.

Apesar disso, muitas fazendas ainda optam pelo sistema convencional. Afinal, a dificuldade em processar os mapas, interpretar as informações geradas e criar recomendações aplicáveis.

Somado a isso, outro fator limitante é o fato de que muitas ferramentas têm maior potencial quando conectadas à internet, visando avaliações em tempo real. Como em muitas regiões agrícolas brasileiras, o sinal muitas vezes é ruim ou fraco, isso passa a ser um limitante.

Felizmente, o produtor pode contar com soluções como a oferecida pela Aegro, que possui uma versão em aplicativo sem custo extra que funciona diretamente do campo, mesmo sem internet.

Conheça mais sobre como o Aegro pode simplificar sua rotina permitindo a aplicação da agricultura de precisão neste vídeo rápido de demonstração.

Conclusão

A agricultura de precisão possui inúmeras ferramentas que podem auxiliar na hora da tomada de decisão. A cada dia surgem novas plataformas, tecnologias e sensores que auxiliam na coleta de dados e na interpretação e aplicação correta de insumos no campo.

Frente à necessidade de melhor aproveitamento e uso mais eficiente dos insumos, a agricultura de precisão ganha força no agronegócio.

Cada dia há mais adeptos aos conceitos da agricultura de precisão no Brasil e no mundo e, certamente, muitas fazendas otimizam seus manejos. É a tecnologia a serviço da agricultura brasileira!

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“Como a agricultura preditiva e autônoma pode impulsionar sua lucratividade”

Você utiliza alguma ferramenta de agricultura de precisão em sua fazenda? Não deixe de assinar nossa newsletter para ficar por dentro de mais assuntos como esse.

Helicoverpa armigera: histórico, importância, características e tecnologias de manejo

Helicoverpa armigera: como identificar, danos causados, ciclo de vida e culturas afetadas pela praga

A produção agrícola é um dos setores indispensáveis para a vida humana. Porém, com todo grande empreendimento vêm grandes desafios, e a lagarta Helicoverpa armigera é prova disso. Afinal, ela é uma das pragas agrícolas de maior importância nas lavouras.

A espécie já causou prejuízos de R$ 1,5 bilhão somente na Bahia, na safra de 2013. Para evitar mais acontecimentos com esse, medidas de manejo foram intensificadas para manter a praga sob controle.

Neste artigo, saiba tudo sobre identificação, manejo da lagarta helicoverpa e seis formas de controle. Aproveite a leitura!

Histórico da H. armigera no Brasil

A Helicoverpa armigera é uma espécie de mariposa, muito conhecida pelas lagartas que atacam a cultura do algodão. Foi identificada no Brasil em 2013, e antes era considerada uma praga quarentenária

Isso significa que a praga não têm origem no Brasil mas foi aqui introduzida, causando um desequilíbrio da ordem natural.

Assim sendo, essas pragas podem causar sérios prejuízos econômicos em áreas de produção agrícola, causando ameaça à economia. Segundo pesquisadores, a H. armigera foi introduzida no Brasil em 2008 e, aos poucos, alastrou-se pelas regiões produtoras.

Antes, havia dificuldade na identificação da Helicoverpa armigera. Muitas vezes, ela era confundida com outras lagartas, como a lagarta-da-maçã-do-algodoeiro e a lagarta-da-espiga-do-milho, que já existiam no país. 

Ainda, é pequena a diferença entre helicoverpa zea e armigera, o que confunde muito quem produz. Vinda da Oceania, a Helicoverpa armigera se adapta mais facilmente à soja e ao algodão. Por outro lado, a Helicoverpa zea vem do México e causa mais danos ao milho.

Ao longo do tempo, investiu-se em conhecer as características da H. armigera para controlá-la adequadamente, com desenvolvimento de tecnologias adequadas para seu genoma e ciclo de vida.

Ciclo de vida da lagarta helicoverpa spp.

O ciclo de vida da Helicoverpa armigera é composto pelas fases de ovo, lagarta, pupa e adulto. Você pode observar essas etapas a seguir.

 Ciclo de vida H. armigera
Ciclo de vida H. armigera
(Fonte: Embrapa)

Na fase de ovo, há um período de incubação de cerca de 3 dias. O ovo apresenta coloração branco-amarelado após a deposição, e se torna marrom próximo à eclosão da larva.

Após a eclosão dos ovos, é chegado o estágio larval da H. armigera. Ele apresenta seis sub-estágios. As lagartas de primeiro e segundo sub-estágio são pouco móveis na planta e apresentam coloração variando de branco-amarelada a marrom-avermelhada. 

Elas alimentam-se de partes mais tenras das plantas e podem produzir um tipo de teia, ou até mesmo um pequeno casulo. Com o crescimento das lagartas, as colorações mudam, variando de amarelo a verde, apresentando listras de coloração marrom nas laterais. 

É nesse momento de seu ciclo de vida que a praga se torna mais agressiva à cultura. Em seguida, é alcançada a fase de pupa, com duração entre 10 e 14 dias. Nele, a praga apresenta coloração marrom e está em processo de transformação de larva para adulto.

Já adulta, na forma de mariposa, a fêmea tem coloração amarelada e sobrevive em média 12 dias. O macho apresenta cor acinzentada e vive cerca de 9 dias. As mariposas podem ovipositar ovos nas folhas da cultura, dando continuidade ao ciclo de vida da praga.

Bioecologia da Lagarta Helicoverpa, demonstrando o seu potencial de disseminação e consequente alcance em outras culturas
Bioecologia da Lagarta Helicoverpa, demonstrando o seu potencial de disseminação e consequente alcance em outras culturas.
(Fonte: Embrapa)

Culturas de interesse e os danos da Helicoverpa armigera

Uma característica da helicoverpa é ser polífaga. Isso significa que ela pode se beneficiar de muitos hospedeiros, estando presente em uma ampla variedade de espécies de plantas. No Brasil, alguns hospedeiros da lagarta são: 

Os danos que essa lagarta causa às principais culturas de interesse econômico a tornam um alvo importante do manejo de pragas.

Danos causados pela Helicoverpa armigera

É na fase larval que a Helicoverpa armigera na soja e no algodão causa perdas nas culturas. Nela, as lagartas se alimentam de folhas e hastes, causando danos irrecuperáveis às plantas. 

Se a fase mais ativa coincide com o período reprodutivo da cultura, os botões florais, frutos, maçãs, espigas e inflorescências podem ser muito afetados.

As perdas podem ultrapassar 80% em lavouras de feijão e 60% em algodão. Os danos se caracterizam por deformações em folhas e frutos, favorecendo a entrada de doenças para o interior dos tecidos das plantas e a queda precoce de partes das plantas. 

A Helicoverpa armigera é uma praga difícil de controlar e seus danos são irreversíveis. Por isso, o manejo deve ser feito quando as lagartas estão presentes na área de cultivo, mas antes de apresentarem densidade populacional acima do nível de dano econômico.

Uma tática importante no manejo desta lagarta é a adoção do Manejo Integrado de Pragas. A adoção de diferentes estratégias de controle pode reduzir a população da lagarta na área de cultivo, mantendo a sua densidade populacional reduzida.

Manejo Integrado de Pragas da Helicoverpa armigera

Medidas de manejo isoladas não são eficientes para manter a população da praga abaixo dos níveis de dano econômico a longo prazo. Por isso, o que se sabe nesses dez anos de pesquisas para controlar a H. armigera é que o Manejo Integrado de Pragas é essencial. 

Com ele, é possível aplicar práticas adequadas para o contexto específico de cada área.

O MIP utiliza diversas técnicas, sem depender unicamente do controle químico. Com a integração de práticas, todas são potencializadas e protegem a eficiência dos inseticidas

Um dos princípios do MIP é a amostragem da praga. Essa etapa tem o objetivo de determinar qual tipo de manejo utilizar e quando é o momento mais adequado, para reduzir os danos da lagarta na lavoura.

Da mesma forma, o monitoramento e a identificação são práticas essenciais para determinar o momento correto de aplicar medidas de controle mais incisivas. Assim, é possível identificar o nível de equilíbrio e de controle, que indicam quando você deve agir.

Densidade populacional e nível de dano econômico de pragas
Densidade populacional e nível de dano econômico de pragas
(Fonte: Embrapa)

6 técnicas de manejo integrado eficientes contra a helicoverpa

Se você identificou ou desconfia da presença dessa lagarta na sua lavoura, usar técnicas de manejo o quanto antes é essencial. Fique de olho nas principais formas de controle dessa praga agrícola.

1. Controle cultural

Como a H. armigera é polífaga, o controle cultural é uma opção para diminuir a população da praga. A prática consiste em manter a área livre de qualquer planta hospedeira por determinado período. Assim, os espécimes presentes não têm chances de se desenvolver.

Por isso, no período de entressafra, é importante deixar a lavoura sem a presença de plantas de que a H. armigera possa se beneficiar. Isso inclui plantas tigueras da própria cultura recém colhida, daninhas e restos culturais.

Além disso, pode-se utilizar o calendário de plantio curto, em combinação com cultivares de ciclo reduzido. Isso diminui o período de cultivo e possibilita que a lavoura tenha uma janela de inatividade.

Dessa maneira, não se reduz a produção, mas é possível evitar ter plantas em vários estágios de desenvolvimento. Eles servem de fonte de alimento para a lagarta.

2. Controle genético

Outra estratégia de manejo para a lagarta H. armigera é o uso de cultivares resistentes. Uma tecnologia bastante utilizada são plantas com tecnologia Bt, variedades geneticamente modificadas com o gene de uma bactéria que é tóxica para alguns insetos.

As pragas, no entanto, também têm a capacidade de se adaptar a essa tecnologia, que passa a não apresentar a eficiência esperada depois de algumas safras. Felizmente, as áreas de refúgio são alternativas para preservar a qualidade das cultivares resistentes.

Nessa estratégia, parte da área cultivada é semeada com plantas não resistentes, de maneira a evitar a seleção de pragas e manter a eficiência do controle genético. Por isso, a tecnologia Bt e as áreas de refúgio são sempre complementares no manejo.

3. Identificação, amostragem e monitoramento

Conhecer o ciclo de vida dessa lagarta ajuda a entender em que fase ela ataca a cultura e como é possível identificá-la. Além disso, o conhecimento das fases do ciclo de vida é importante para a amostragem da H. armigera para a realização do manejo.

Para identificar a H. armigera, a primeira característica que pode ser observada é a presença de pontuações escuras no quarto e/ou quinto segmento da lagarta. Eles formam um semicírculo e apresentam aspecto mais endurecido.

Características principais da lagarta Helicoverpa que permitem a sua identificação à campo.
Características principais da lagarta Helicoverpa que permitem a sua identificação à campo.
(Fonte: Gabriella C. Gaston em Embrapa)

Por terem colorações diversas ao longo das diferentes fases de seu desenvolvimento, avaliar a disposição das pontuações é a melhor maneira de diferenciá-la das outras espécies. Além disso, verifique as listras nas laterais do tórax, no abdômen e na cabeça.

Caso você ainda tenha dúvidas sobre a identificação da lagarta H. armigera, não deixe de procurar um laboratório que identifique a espécie que você encontrou na sua lavoura. 

A amostragem é feita a partir da contagem dos adultos de H. armigera, por meio de armadilhas luminosas ou com feromônios. A captura e a contagem das mariposas permite prever o potencial de ovos e de lagartas de H. armigera na sua lavoura em um prazo curto.

Tudo isso oferece mais agilidade no manejo. Também é necessário monitorar as plantas durante todo o ciclo do cultivo. Verifique se há presença de lagartas, por meio do pano de batida, ou dos danos que ela causa nas folhas e caules.

Para te ajudar nesse processo, separamos uma planilha gratuita para tornar o MIP na sua fazenda mais assertivo. Basta clicar na imagem abaixo para acessá-la:

Banner planilha- manejo integrado de pragas

4. Controle biológico

Esse tipo de manejo consiste em inserir na área um agente de controle biológico que funcione como inimigo natural da praga.  Entre os insetos benéficos, podemos encontrar os parasitóides e predadores da lagarta. 

Existem também vírus, bactérias, fungos e nematoides capazes de diminuir a população das lagartas. Contra a helicoverpa, a vespa Trichogramma spp. apresenta bons resultados. Há ainda inseticidas biológicos à base de Trichogramma pretiosum.

Outro exemplo de produtos biológicos eficientes contra a H. armigera são aqueles à base da bactéria Bacillus thuringiensis. Elas são capazes de quebrar o ciclo da lagarta.

Como a tecnologia Bt está presente em sementes de cultivares resistentes, o uso das duas técnicas de forma conjunta não é ideal. Isso serve para evitar a pressão de seleção à resistência, que aumenta quando são usados dois produtos com a mesma ação.

Também vale lembrar da existência de inseticidas à base de patógenos virais, como os compostos pelo vírus Nucleopolyhedrovirus. Ele age após ser ingerido pela lagarta, quando ela se alimenta da cultura.

O produto causa redução da alimentação e locomoção da lagarta, até a morte. Este processo dura entre 3 e 7 dias, com efeito mais rápido em lagartas mais jovens. O interessante é que as lagartas contribuem para dispersar o vírus no ambiente.

5. Controle químico

A principal forma de controle da Helicoverpa armigera é o uso de inseticidas químicos em rotação de princípios ativos. O objetivo é evitar a pressão de seleção da praga.

O Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas já identificou casos de resistência de H. armigera a inseticidas à base de piretróide no Brasil. Já a Embrapa demonstrou que há mais de 600 relatos de resistência da H. armigera a vários grupos de inseticidas no mundo.

Por isso, compreender o histórico da área de cultivo quanto à incidência da praga e integrar as práticas de manejo são ações fundamentais. Elas irão assegurar a eficiência das soluções e a longevidade de seus princípios ativos. 

A escolha de um inseticida deve considerar quatro fatores:

  • seletividade a inimigos naturais;
  • custo-benefício;
  • eficiência em campo;
  • combinação de ativos.

Para a maior eficiência do controle químico, você deve utilizar rotação de produtos com diferentes modos de ação dentro do MIP. A aplicação de inseticida deve começar quando a praga atinge o nível de controle no processo de amostragem.

6. Gestão agrícola por softwares

Você pode achar que gestão agrícola não tem nada a ver com manejo de pragas. Entretanto, relembre alguns pontos importantes para o controle da Helicoverpa

  • uso de inseticidas com rotação de mecanismos de ação;
  • aplicação de inseticidas mais seletivos;
  • uso de outras formas de manejo, como tecnologia Bt e produtos biológicos;
  • realização do monitoramento e aplicações somente ao atingir o nível de controle.

Para cada uma dessas questões, a gestão agrícola tem um papel fundamental. Felizmente, muitos processos e informações que guiam as escolhas no campo já são amparadas por tecnologias digitais, a partir de softwares.

Esses softwares automatizam o levantamento de dados e facilitam sua visualização. Ainda, com essa tecnologia, você tem o histórico das safras anteriores. 

Desse modo é possível registrar e consultar os produtos que usou na safra passada e conferir sua eficiência. Além disso, você pode fazer um plano de manejo com a rotação de mecanismos de ação de maneira estratégica.

Você também fará o planejamento agrícola de maneira fácil e poderá saber com antecedência quais os melhores produtos a serem utilizados. Isso permite mais tempo para a busca de melhores preços no mercado.

Assim, fica fácil decidir o que fazer em cada etapa da safra, obtendo o manejo eficiente não só da lagarta, mas da lavoura como um todo. As tecnologias digitais também oferecem um sistema georreferenciado para monitoramento de pragas, por meio de mapas de calor.

monitoramento-georreferenciado-aegro
Mapa de monitoramento de pragas com o Aegro

Outra vantagem de contar com um software para a gestão agrícola é o controle financeiro e o manejo de riscos à rentabilidade. A ferramenta permite entender em detalhes: 

  • quanto foi gasto em inseticidas durante a safra passada;
  • qual o custo por talhão;
  • rendimento de cada área;
  • retorno sobre o investimento.

Essas informações têm a finalidade de entender se houve prejuízo ou ganhos nos talhões mais infestados. Com o Aegro, isso fica fácil e simples de ser visualizado. Veja uma prévia a seguir:

Veja também como Elivelton reduziu 40% do seu custo de manutenção de máquinas com aplicativo para agricultura.

Conclusão

Entender sobre a H. armigera é indispensável para evitar danos diretos à lavoura e para um bom planejamento de quais culturas serão implantadas depois. 

Ainda, esse conhecimento te ajuda a entender melhor sobre seus custos de produção e como otimizá-los. 

Para o controle da lagarta helicoverpa é fundamental a adoção do Manejo Integrado de Pragas. Ele ajuda no alcance de um controle eficiente e na manutenção da vida útil dos inseticidas e das cultivares resistentes disponíveis no mercado. 

Você conhecia o ciclo de vida da Helicoverpa armigera? Qual método de controle você utiliza no controle da lagarta? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?

Infelizmente sua lavoura está propensa ao ataque de muitas pragas e doenças.

E com certeza você já deve ter escutado sobre a lagarta Helicoverpa armigera, a qual possui enorme importância para o Brasil.

Em 2013, o prejuízo estimado com o ataque da lagarta foi de R$ 2 bilhões de reais.

Você sabe como fazer o manejo dessa praga na sua lavoura?

Para esse manejo ser realmente adequado devemos conhecer a lagarta, especialmente seu ciclo.

Então, me acompanhe para saber tudo sobre o ciclo, identificação e manejo da Helicoverpa armigera:

(Fonte: Adaptado de Embrapa)

Vamos conhecer um pouco do histórico da Helicoverpa armigera no Brasil

A lagarta foi identificada no Brasil em março de 2013 (safra 2012/13).

Antes disso, a Helicoverpa armigera era considerada uma praga quarentenária A1.

Mas, o que são pragas quarentenárias?

São organismos que não existem no país e que, se presente, podem causar sérios prejuízos econômicos mesmo sob controle permanente, causando ameaça à economia agrícola do país.

Há dois tipos de pragas quarentenárias:

A1: praga ainda não presente no país;

A2: praga presente no país, porém, localizada em algumas regiões, não está amplamente distribuída.

No entanto, alguns pesquisadores concluíram que a introdução de H. armigera no Brasil provavelmente ocorreu antes de outubro de 2008.

No início havia dúvidas sobre a identificação da H. armigera em relação às lagartas: lagarta-da-maçã-do-algodoeiro (Heliothis virescens) e a lagarta-da-espiga-do-milho (Helicoverpa zea), que já existiam no país.

Então, quais as características da H. armigera?

Para conhecer sobre as características desta praga e assim poder controlá-la adequadamente, vamos ver mais sobre seu ciclo e suas características:

Ciclo de vida da Helicoverpa armigera e as características de cada fase

A espécie Helicoverpa armigera apresenta em seu ciclo as fases de ovo, lagarta, pupa e adulto.

Veja a seguir cada uma das fases e suas características de acordo com a Embrapa:

Ovo

Esta fase apresenta período de incubação com cerca de 3 dias.

O ovo apresenta coloração branco-amarelado após a deposição no substrato e se torna marrom próximo à eclosão da larva.

Larva

O estágio larval desta espécie tem seis instares, ou seja, estágios larvais.

As lagartas de primeiro e segundo instares são pouco móveis na planta e possuem coloração variando de branco-amarelada a marrom-avermelhada.

Nessas fases, se alimentam de partes mais tenras das plantas, onde podem produzir um tipo de teia ou até mesmo formar um pequeno casulo.

Com o crescimento das lagartas e adquirindo novos instares, as colorações das lagartas modificam, variando de amarelo-palha a verde, apresentando listras de coloração marrom lateralmente.

Veja na figura diferentes colorações das lagartas.

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Diferentes colorações da Helicoverpa armigera na fase larval
(Fonte: André Shimohiro em Embrapa)

Pupa

Nesta fase imóvel do ciclo de vida apresenta coloração marrom e tem duração de cerca de 10 a 14 dias.

É nesta fase que a Helicoverpa armigera se transforma de larva para adulto.

Adulto

O período de sobrevivência na fase adulta da fêmea é de 11,7 dias e o macho é de 9,2 dias.

As mariposas fêmeas podem ovopositar de forma isolada ou agrupada os ovos nas folhas.

As fêmeas apresentam coloração mais amarelada e os machos acinzentados.

bioecologia-helicoverpa-armigera

(Fonte: Embrapa)

É nesta fase que a praga tem grande capacidade de dispersão nos campos de produção.

Agora que conhecemos um pouco mais sobre o ciclo de vida da H. armigera, quais plantas ela pode atacar?

Hospedeiros da Helicoverpa armigera

São chamados de hospedeiros aquelas culturas que a praga pode se alimentar e assim sobreviver.

Desse modo, essa lagarta tem muitos hospedeiros.

Ou seja, a Helicoverpa armigera pode se alimentar e sobreviver de um grande número de espécies de plantas.

Assim, esta praga é considerada também polífaga, ou seja, se alimenta de várias culturas.

No Brasil, alguns hospedeiros da lagarta são: algodão, soja, milho, tomate, feijão, sorgo, milheto, trigo, crotalária, girassol e outras.

E quais são os danos que esta praga pode causar?

Danos causados pela Helicoverpa armigera

É na fase larval que a H. armigera causa perdas nas culturas.

As lagartas podem se alimentar de folhas e hastes das plantas hospedeiras.

Mas, sua preferência é por estruturas reprodutivas da planta hospedeira como: botões florais, frutos, maçãs, espigas e inflorescências.

Devido a esses danos o Sescoop/SP apontou perdas das cooperativas paulistas causadas por Helicoverpa armigera de quase 80% do feijão e 60% da cultura do algodão.

Os danos se caracterizam por deformações, podridões e até quedas de partes das plantas.

Abaixo você pode ver exemplos de danos provenientes do ataque da Helicoverpa armigera em diversas culturas:

danos-helicoverpa-armigera

Danos do ataque de Helicoverpa armigera na cultura do algodão (A), milho (B),
soja (C), feijão (D), tomate (E) e sorgo (F)

(Fonte: Embrapa)

Depois de conhecer mais sobre os danos nas plantas, você deve estar se perguntando como manejar esta praga.

Mas, para o manejo desta praga, você primeiro precisa identificá-la.

Identificação de Helicoverpa armigera

A Helicoverpa armigera apresenta algumas características como a presença de tubérculos (ponto protuberantes) escuros no quarto e/ou quinto segmento da lagarta, formando um semicírculo e apresentando aspecto coriáceo (mais endurecido).

(Fonte: Gabriella C. Gaston em Embrapa)

Caso você ainda tenha dúvidas sobre a identificação da lagarta Helicoverpa armigera não deixe de procurar um laboratório que realize a identificação correta da espécie da sua lavoura.

Agora que conhecemos sobre as características de cada fase do ciclo de vida, você pode estar se perguntando, como isso pode me ajudar no manejo dessa lagarta?

Como o ciclo de vida da Helicoverpa armigera pode ajudar a combater essa praga

O conhecimento do ciclo de vida dessa lagarta te ajuda a entender em que fase a praga ataca a cultura e como é possível identificá-la.

Além disso, o conhecimento das fases do ciclo de vida é importante para a amostragem da H. armigera para a realização do manejo.

Mas, quais são as estratégias de manejo para Helicoverpa armigera?

Estratégias de manejo para Helicoverpa armigera

Inseticidas

A Helicoverpa armigera pode ser controlada por inseticidas químicos ou biológicos.

Já existem vários inseticidas biológicos registrados para o controle desta praga em várias culturas.

Além disso, nos fungicidas químicos apresentam vários princípios ativos.

Para a escolha de um inseticida, você deve considerar três fatores:

  • Seletividade do produto;
  • Custo;
  • Eficiência de campo.

Para a maior eficiência da utilização de controle químico, você deve utilizar rotação de produtos com diferentes modos de ação dentro do manejo integrado de pragas (MIP).

Para saber mais sobre o MIP veja o artigo: “Manejo Integrado de Pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu.” e continue lendo esse texto, pois falaremos mais sobre esse assunto.

Nesse sentido, a aplicação de inseticida deve ser iniciada quando a praga atinge o nível de controle no processo de amostragem.

Por isso que precisamos identificar tão bem essa praga, de forma que as aplicações e, consequentemente, o manejo seja bem feito.

Ademais, não deixe de ler sobre amostragem no próximo tópico.

Você também pode utilizar o tratamento de sementes com inseticidas, para retardar o início da aplicação de inseticidas na cultura.

>> Leia mais: “Defensivos agrícolas: 8 curiosidades que você deveria saber.”

Você consegue consultar os inseticidas que são registrados para a sua cultura no manejo da H. armigera no Agrofit.

Não se esqueça de procurar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para te auxiliar no combate desta praga.

Além disso, o IRAC (Comitê de ação à resistência a inseticidas) divulgou que ocorreram casos de resistência de H. armigera aos inseticidas a base de piretróide no Brasil.

Veja mais sobre resistência de pragas a defensivos em “5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las.”

Controle biológico

Este tipo de manejo utiliza outro organismo para controlar a praga, chamados de agentes de controle biológico ou inimigos naturais de pragas.

Você pode utilizar o parasitóide Trichogramma sp., veja como ele atua no controle da Helicoverpa:

A mariposa da Helicoverpa armigera deposita seus ovos nas folhas, frutos e pétalas.

Seus ovos liberam um odor que atrai o parasitoide, que vai até o ovo parasitando-o, assim em vez de nascer uma nova lagarta, pode emergir até dois adultos de Trichogramma.

controle-biologico-helicoverpa-armigera

Vespa de Trichogramma spp. parasitando ovo, como controle biológico
(Fonte: 3rlab)

Além disso, há alguns produtos biológicos (inseticidas) que podem ser utilizados no controle desta praga como falamos no item acima de Inseticidas.

Controle genético

Outra estratégia de manejo para a lagarta Helicoverpa armigera é o uso de cultivares resistentes.

Uma tecnologia bastante utilizada é o uso de plantas Bt.

Plantas Bt são plantas geneticamente modificadas com o gene de Bacillus thuringiensis.

Você pode se perguntar, o que são plantas geneticamente modificadas?

São apenas plantas que possuem em seu genoma um ou mais genes de outra ou da mesma espécie, mas que tenham sido modificados e/ou inseridos por meio de técnicas da engenharia genética.

A bactéria Bacillus thuringiensis é naturalmente encontrada no solo, produz uma proteína que é tóxica para alguns insetos.

Para evitar a perda desta tecnologia Bt por ter insetos resistentes, você deve utilizar áreas de refúgio.

Veja neste texto tudo sobre áreas de refúgio para plantas Bt e faça essa prática corretamente!

area-de-refugio

(Fonte: Infográfico: Tudo o que você precisa saber sobre refúgio para plantas Bt)

Controle cultural

Como esta praga é polífaga, no controle cultural você deve deixar sua área sem hospedeiros para a lagarta.

Então, no período de entressafra você pode deixar sua área sem a presença de plantas hospedeiras de Helicoverpa armigera.

Esta estratégia é muito conhecida em soja, o vazio sanitário (veja mais sobre isso aqui).

Além disso, pode utilizar o calendário de plantio curto, para não ter planta em vários estágios de desenvolvimento, que servem de fontes de alimento para a lagarta.

Para determinar qual estratégia você deve utilizar na sua lavoura e qual a melhor época de implementá-la, você pode utilizar o MIP:

Helicoverpa armigera e MIP

O manejo integrado de pragas (MIP) está se tornando uma prática bastante eficaz no manejo de pragas.

Assim, o MIP utiliza diversas técnicas de manejo para manter a população da praga abaixo do nível de dano econômico.

nível de ação mip

(Fonte: Ebook Guia Definitivo do Planejamento Agrícola para Soja e Milho – baixe gratuitamente clicando aqui)

Para saber mais sobre MIP veja este texto que escrevi “Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu.”

E claro que o MIP pode ser utilizado no manejo da H. armigera.

Assim, um dos princípios do MIP é a amostragem da praga, e com isso, pode determinar se é necessário utilizar algum tipo de manejo, entre eles os que listamos acima.

Então, um dos pilares do MIP é o monitoramento da lavoura para determinar o momento correto para manejar a praga.

Por isso, vamos conhecer um pouco sobre amostragem de Helicoverpa armigera:

Amostragem para Helicoverpa armigera

Você pode utilizar a amostragem dos adultos de H. armigera.

A amostragem de adultos pode ser realizada com armadilhas luminosas ou armadilhas com feromônios.

Amostrar adultos fornece uma previsão do potencial de ovos e lagartas de H. armigera na sua lavoura.

Além disso, permite o tempo ágil para adotar as medidas de manejo.

Mas além do monitoramento dos adultos, você deve monitorar as plantas durante os seus vários estádios de vida.

Você pode monitorar as plantas para a verificação de lagartas com pano de batida, saiba mais sobre esse método neste artigo:

Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas [Infográfico]

Além disso, aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Baixe aqui!

planilha-mip

Por isso que precisamos identificar tão bem essa praga, de forma que as aplicações e, co

Conclusão

Neste texto, você viu sobre o ciclo de vida da Helicoverpa armigera, suas características e o manejo desta praga.

Além disso, também foi possível relacionar a importância do Manejo integrado de Pragas (MIP) para esta praga.

Agora que você sabe os danos que esta praga pode ocasionar, não deixe de monitorar e manejar sua lavoura.

Este conhecimento pode te ajudar a reduzir as perdas da sua lavoura contra esta praga e aumentar ainda mais seus lucros.

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“Pragas do milho: Principais manejos para se livrar delas”

Você conhecia o ciclo de vida da Helicoverpa armigera? Qual método de controle você utiliza no controle da lagarta? Você utiliza manejo integrado de pragas? Adoraria ver seu comentário abaixo.