Regulagem do pulverizador: acerte na tecnologia de aplicação com estas dicas

Regulagem do pulverizador: confira o tamanho ideal das gotas, quais bicos utilizar, volume, faixa de aplicação e muito mais!

A pulverização é uma das atividades que merece atenção redobrada.

Além das perdas que podem ser causadas pelo amassamento das culturas, você pode perder dinheiro e produto devido às calibrações inadequadas.

A perda de defensivos durante a pulverização pode chegar a 70%!

Além de perder produtos, dosagens erradas podem aumentar os problemas nas lavouras.

Neste artigo, confira como regular melhor seu pulverizador, calcular o volume de pulverização ideal de calda e realizar aplicações mais eficientes.

O que são as tecnologias de aplicação e como isso pode te ajudar

As tecnologias de aplicação de defensivos agrícolas são comumente utilizadas nas propriedades agrícolas e mais conhecidas como pulverização agrícola, seja por pulverizador autopropelido ou tratorizado.

Mas o termo não se restringe apenas ao método da aplicação em si, mas na interação equipamento-ambiente.

Nas pulverizações sempre buscamos um melhor controle ambiental e eficácia na operação.

Por isso, o objetivo da tecnologia de aplicação é colocar a quantidade certa do ingrediente ativo no alvo desejado com a máxima eficiência e economia.

Existem diversos equipamentos para a realização da pulverização. Dentre eles, destacam-se aplicação por meio de aviões, fertirrigação, autopropelidos, tratorizados de barras acopladas, barras carreta, pulverizadores costais, etc.

Com o correto dimensionamento de todas as tecnologias, você terá:

  • funcionamento eficiente das barras;
  • menos falhas na faixa de aplicação;
  • redução do escorrimento ou gotejamento;
  • uso adequado da água;
  • pontas de pulverização adequadas para cada atividade;
  • dosagem dos produtos a fim de evitar toxidez e contaminação dos solos;
  • condições climáticas ideais para pulverização;
  • sobreposições mínimas.

Componentes básicos para regulagem do pulverizador

É evidente que no mercado existem centenas de marcas e modelos de pulverizadores. Porém, existem componentes básicos presentes na maioria deles.

Os componentes principais podem ser citados como:

  • tanque de armazenamento;
  • mecanismo agitador;
  • registro de controle de fluxo;
  • filtros;
  • bombas hidráulicas;
  • câmara de compressão;
  • regulador de pressão;
  • manômetro;
  • comando hidráulico;
  • tubulação de retorno;
  • barra de pulverização;
  • bicos de aplicação.

Os componentes podem variar de acordo com o modelo e especificação de pulverizadores.

>>Leia mais: Acerte nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola

Check-list antes de pulverizar

Alguns procedimentos básicos devem ser tomados antes de iniciar a pulverização.

Para facilitar a verificação de cada um desses itens fizemos um checklist rápido e prático:

  1. cheque as condições climáticas ideais (temperatura entre 20°C-30°C, umidade 70%-90% e velocidade do vento de 3-10 km/h);
  2. utilize EPI adequado;
  3. use o produto adequado e dose correta;
  4. use água de boa qualidade;
  5. determine altura da barra (normalmente 1 m do chão até a barra);
  6. determine distância entre bicos;
  7. determine velocidade de trabalho ideal;
  8. cheque tanque de armazenamento e limpe se preciso;
  9. cheque mecanismo agitador;
  10. olhe filtros (linha, bicos, barra), limpá-los e trocá-los se necessário;
  11. cheque pressurização de todo o sistema, se existem vazamentos;
  12. cheque mangueiras e acoplamentos;
  13. confira se há vazamentos na barra de pulverização e secções;
  14. cheque bicos e filtros (limpar quando necessário);
  15. monitore a pressão de trabalho para cada conjunto de bico a ser utilizado;
  16. cheque a pressão e depois feche o manômetro durante a aplicação.

Alguns procedimentos devem ser realizados com determinada cautela.

A limpeza dos bicos deve ser realizada com escova de nylon (como escova de dentes) ou ar comprimido para evitar possíveis deformações no orifício.

Não é recomendado utilizar arames, canivetes ou agulhas para desentupir os bicos.

Além disso, pressões de trabalho abaixo do recomendado pelo fabricante da ponta causa distribuição não uniforme.

Já pressões mais altas podem acarretar, além de sobreposições, maior desgaste das pontas e maior risco de deriva.

Falando em pontas, nosso próximo tópico é um item essencial e que deve ser observado com cuidado na pulverização: os bicos! Confira:

Escolha dos bicos na pulverização

Vamos entender um pouco mais sobre as partes constituintes das pontas e bicos de pulverização.

Os bicos de pulverização definem 4 fatores. São eles a vazão, o espectro de gotas, a distribuição da aplicação e o potencial de deriva.

Existem diversos tipos de bicos presentes no mercado e cada um proporciona vazões diferentes, ângulos de pulverização, tamanho de gota e forma da distribuição.

Tais informações podem ser visualizadas conforme a imagem a seguir:

nomenclatura-bico

(Fonte: Copam consultoria)

São constituintes de um bico de pulverização: o corpo, o filtro, a ponta e a capa.

Existem bicos específicos para cada aplicação. No caso de bicos Teejet, temos algumas recomendações da Embrapa:

pontas-e-usos

(Fonte: Embrapa)

Mas você pode conferir o uso de bicos da marca que você já possui com o fabricante. Além disso, lembre-se que bicos também desgastam!

desgaste-bicos
gotas-e-coberturas

(Fonte: Teejet)

Recomenda-se a substituição dos bicos quando a vazão média ultrapassar em 10% a vazão de um bico novo.

Tipos de gotas na pulverização

Os tipos de gotas podem ser classificadas de acordo com seus tamanhos.

regulagem de pulverizadores

(Fonte: Phytusclub)

Mas, qual tipo de gota é o ideal? Depende do objetivo de cada aplicação, conforme veremos abaixo:

Para melhorar a cobertura dos alvos

Gotas menores (muito finas, finas ou médias) ou maior volume de calda.

Para menor volume e manter a cobertura

Gotas mais finas.

Para maior volume e manter a cobertura

Gotas maiores.

Para pragas e doenças de baixeiro

Gotas menores e maior volume da calda.

Cálculo da Vazão

Vamos ver agora como a calcular a vazão e a quantidade de litros de produto a ser gasto por hectare.

Com o auxílio de um copo medidor:

  • marque 50 m no terreno;
  • abasteça o pulverizador;
  • escolha a marcha de trabalho;
  • ligue a TDP;
  • acelere o motor até 540 rpm na TDP;
  • anote o tempo para o trator percorrer os 50 m;
  • com o trator parado na aceleração utilizada, abra os bicos e regule a pressão, de acordo com o recomendado;
  • colete o volume do bico no tempo igual ao gasto para percorrer os 50 m;
  • repita a coleta do volume e tire uma média;
  • se você tiver um copo graduado com a régua da figura abaixo, basta olhar na coluna a quantidade de l/ha de acordo com o espaçamento entre bicos para saber a vazão:
copo-detalhe-calibração

(Fonte: UFRRJ)

Se você não possui o copo graduado, pode usar o exemplo a seguir:

exemplo-calibração

(Fonte: UFRRJ)

Com isso, você pode planejar de maneira muito mais clara suas aplicações, o tempo necessário para essa atividade e a quantidade certa de produto que será necessário.

Além disso, temos hoje softwares que podem nos ajudar muito nessas atividades:

Softwares e aplicativos de pulverização

Existem alguns aplicativos que auxiliam na checagem da qualidade de aplicação do produto.

O software Gotas foi desenvolvido pela Embrapa e faz a análise da distribuição das gotas dispensadas nas lavouras, além de auxiliar os produtores na calibração de pulverizadores.

Segundo Aldemir Chaim, um de seus desenvolvedores, as perdas nas pulverizações podem variar de 20% a 70% dos produtos.

A tecnologia Gotas pode ser baixada neste link gratuitamente.

Além disso, agora você pode escolher com muito mais certeza seu bico de pulverização no site da Seletor de bico John Deere.

Você pode inserir características de seus produtos e operações e o programa seleciona os melhores bicos para utilização, de acordo com a especificidade.

Outro aplicativo muito prático é o Jacto Smart Selector.

O Jacto Smart Selector permite que seu usuário realize de forma simples e rápida a escolha correta do bico de pulverização. Através da indicação de variáveis climáticas, agronômicas e operacionais o aplicativo faz uma rápida seleção dos possíveis modelos de bicos a serem utilizados

Outro software essencial para ter o controle de suas pulverizações e saber o custo real delas é o Aegro.

Com ele, você também sabe corretamente o que foi aplicado nas safras passadas, planeja safras futuras e verifica o que e quando deve ser aplicado neste momento.

custo-realizado-defensivos-herbicida

Conclusão

A noção e realização das regulagens adequadas e funcionamento dos sistemas dos pulverizadores é essencial para pulverizações eficientes e mais econômicas.

Cada pulverizador possui características específicas, cujos vídeos e calibrações podem ser encontrados nos manuais e na internet.

Aqui você conheceu os componentes básicos de um pulverizador, como realizar a calibração de um jeito simples e fácil e a importância do tamanho de gotas na pulverização.

Vimos ainda como softwares podem deixar todas essas etapas mais simples, rápidas e assertivas.

Aproveite as informações, realize as calibrações e checagens necessárias antes de levar seu pulverizador ao campo e boa safra!

>>Leia mais:

6 dicas de compra de defensivos agrícolas para potencializar o manejo da sua lavoura

8 perguntas para fazer ao seu consultor sobre defensivos agrícolas

Qual é a sua dificuldade na regulagem do pulverizador? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: qual vale mais a pena usar em sua propriedade

Defensivos agrícolas genéricos: entenda o que são, principais diferenças com os produtos de referência e outras informações que você precisa saber!

Os defensivos genéricos representam cerca de 75% dos produtos comercializados no mundo.

O Brasil, por exemplo, já compra 3x mais defensivos genéricos do que de marca. Você mesmo pode ser habituado a utilizar alguns deles na fazenda!

Mas você sabe a diferença entre um defensivo genérico e um de marca? 

Quer saber qual vale mais a pena utilizar em sua lavoura?

Pensando nisso, neste artigo trago as principais respostas para as dúvidas que você pode ter em relação aos defensivos genéricos. Confira!

O que são defensivos agrícolas genéricos?

Para você entender melhor sobre os defensivos genéricos, precisa antes compreender os defensivos agrícolas de marca.

Os defensivos agrícolas de marca são aqueles que estão sob patente, ou seja, são produtos exclusivos e protegidos por determinado período. 

O período da patente no Brasil segue a Lei n° 9.279 de 1996. Nessa lei, temos o período de 20 anos desde a submissão do processo do produto ou 10 anos depois que sair o certificado de registro, sempre considerando o maior tempo.

Isso significa que, durante um período específico, nenhuma outra empresa pode comercializar produtos com o mesmo ingrediente ativo. O ingrediente ativo é simplesmente o que faz o defensivo “funcionar”.

Por exemplo, em um comprimido de aspirina não há somente a molécula com ação sob nosso corpo de tirar a dor, mas também outras que dão durabilidade, palatabilidade, forma ao comprimido e outros.

Com o defensivo é a mesma coisa! Existe o ingrediente ativo, que é o que realmente mata a planta daninha, o inseto, a doença; e existem outras substâncias que ajudam o produto a penetrar na planta, a misturar melhor na calda de pulverização, e por aí vai.

Mas vamos continuar com nosso tema principal: após cair a patente, outra empresa pode utilizar os ingredientes ativos para fazer seus produtos, os chamados “genéricos”.

Assim, um defensivo agrícola genérico é fabricado e vendido por uma empresa diferente da fabricante pioneira, mas possui o mesmo ingrediente ativo do produto original.

Você sabia que no ano de 2019, 94,5% dos defensivos agrícolas registrados no Brasil foram genéricos?

Para você entender melhor sobre o assunto, vamos falar um pouco sobre as empresas que produzem esses defensivos genéricos.

Empresas produtoras de defensivos genéricos

As empresas que produzem os defensivos genéricos podem ser classificadas em três grupos:

Produtoras de genéricos “puros”: se concentram, principalmente, na venda de produtos que pouco se diferenciam em relação aos produtos originais.

Produtoras de genéricos “diferenciados”: buscam se distinguir dos produtores de genéricos “puros” criando misturas/formulações alternativas, que não são simplesmente cópias exatas dos produtos originais, mas que oferecem benefícios diferenciados em relação aos demais produtos disponíveis no mercado.

Produtoras especializadas em ingredientes ativos genéricos: atuam na venda de ingredientes ativos “puros” (não misturados) para outras empresas que se encarregam de elaborar toda a formulação, registro e comercialização.

O defensivo agrícola genérico é igual ao de marca?

A resposta, como muitas vezes ocorre na agricultura, é: depende.

Em geral, os produtos genéricos não são idênticos. Por isso, é fundamental que você leia a bula desses produtos com atenção para entender as diferenças.

Outro fato interessante é que, como os produtos químicos genéricos não são patenteados, já que a patente original expirou, muitas outras empresas (e não apenas uma) podem ter produtos com esse ingrediente ativo.

Essas diferenças são especialmente quanto à quantidade de ingrediente ativo por quilograma ou litro de produto ou à adição ou não de algum adjuvante na formulação.

Tome como exemplo o Roundup Original da Monsanto, que possui 360 g/L de equivalente ácido de glifosato.

O genérico da Albaugh, chamado Preciso, possui 678,66 g/kg de equivalente ácido de glifosato, além de apresentar glifosato sal de amônio em 747 g/kg.

No entanto, se você verificar a bula do Preciso, saberá com toda certeza qual a melhor dose para a situação que você tem em campo.

Por isso, embora os defensivos agrícolas genéricos não sejam idênticos a seus equivalentes de marca, eles tendem a ser muito semelhantes em termos de desempenho.

É preciso estar atento às recomendações conforme a bula – e isso não vale apenas para genéricos!

Além disso, para receber um registro do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), seja o produto genérico ou de marca, deve ser verificado o seu desempenho.

Para todos os defensivos são realizadas inúmeras avaliações de desempenho agronômico, ambiental e relativas à proteção da saúde humana.

Defensivos genéricos x defensivos de marca: quem ganha essa disputa?

Inovação 

Empresas fabricantes de produtos de marca são focadas em descobrir novas moléculas, com o objetivo de comercializar novos produtos.

Enquanto isso, genéricos têm apenas alguma inovação na formulação do produto, como adição de alguma substância que melhora a absorção do defensivo.

Por isso, nesse ponto, não há dúvida: ponto para defensivos agrícolas de marca!

Até mesmo a Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda) afirma que os recentes ganhos em produtividade da agricultura brasileira estimulam os produtores a buscar novas tecnologias, aquecendo as vendas de produtos de marca.

Tudo isso colabora para os defensivos de marca conquistarem um pouco mais de força no mercado.

Custo dos defensivos agrícolas genéricos e de marca

É preciso de 10 a 12 anos de pesquisa para que, de 160 mil moléculas, uma vá para o mercado, levando a um investimento de 280 milhões de dólares.

Portanto, empresas de marca de defensivos químicos investem muito dinheiro e tempo na descoberta de novas moléculas e, por isso, seu preço de venda é maior.

Essa relação de preço fica muito evidente quando consideramos que os produtos de marca representam apenas 25% deste setor, porém movimentam 60% da receita (US$ 5,70 bilhões).

Assim, esse ponto é para os defensivos agrícolas genéricos.

Mas, atenção! É importante notar que os genéricos podem ter uma concentração diferente de ingredientes ativos que deve ser considerada no custo de uso.

Por isso, é crucial que você faça as contas das respectivas doses e o cálculo de quanto usaria de cada produto, de marca ou genérico, para saber com certeza se os custos compensam.

Tudo isso entra no seu planejamento agrícola, antes mesmo de começar a safra, com tempo e calma para decidir sua melhor estratégia.

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Confiança dos defensivos agrícolas de marca e genéricos

O reconhecimento de pesquisas e o investimento das marcas tradicionais do mercado geram grande confiança.

Até porque, moléculas descobertas mais recentemente tendem a ter eficiência e toxicologia diferenciada.

Além disso, pode haver ainda alguma desconfiança por parte do produtor sobre os defensivos genéricos, seja pelas marcas não conhecidas ou mesmo pelos preços baixos.

Por isso, esse round foi ponto para o defensivo agrícola de marca!

Qualidade dos defensivos 

Como já comentado, tanto empresas de genéricos quanto de marcas têm de seguir um controle de qualidade rigoroso pela legislação brasileira.

Todos os defensivos agrícolas passam por avaliações na Anvisa, Mapa e Ibama para o registro. 

Há ainda vários trabalhos científicos comparando esses tipos de defensivos químicos.

Por exemplo, em um ensaio com a cultura de soja comparando 18 produtos à base de glifosato, foi observado que, embora as condições estivessem muito secas antes e após a aplicação do herbicida, a eficácia foi semelhante para todos os produtos.

Embora existissem algumas diferenças nas marcas de glifosato, essas diferenças não foram consistentes nos resultados de eficácia aos 14 ou 28 dias após o tratamento (DAT).

E também não foram constatadas intoxicações à cultura em qualquer tratamento.

Como você pode ver, temos aqui um empate!

foto de máquina realizando aplicação de defensivo em lavoura de soja

(Fonte: Cultivar)

Suporte ao cliente

Pela grandiosidade das empresas de marca, a burocracia existente pode gerar lentidão na demanda dos clientes.

Por outro lado, empresas de genérico geralmente são mais rápidas ao atender essas demandas, especialmente nesse momento em que desejam ganhar mercado.

Assim, ponto para os defensivos agrícolas genéricos.

Resultado da batalha e dicas extras

O resultado foi um empate. E o que isso significa?

Significa que os dois tipos de defensivos tem vantagens e desvantagens que devem ser avaliadas por você, dentro de sua propriedade e gestão.

Para demonstrar o quanto esse mercado é neutro, algumas grandes corporações possuem empresas dos dois segmentos: inovação e genéricos.

É o caso da China National Chemical Corporation, que possui a Syngenta no ramo da inovação e a Adama no ramo dos genéricos. 

Para essa tomada de decisão, veja algumas dicas extras que vão te ajudar:

  • conheça as diferenças entre o produto genérico e de marca;
  • faça o cálculo do preço final de cada pulverização dentro do seu planejamento agrícola, considerando as doses e formulações dos produtos;
  • conheça também a diferença de valor, não apenas o preço;
  • conheça as condições de venda, ou seja, devolução, garantia, etc., e o serviço que você está recebendo com sua compra;
  • entenda como essa escolha pode afetar seu relacionamento com fornecedores locais ou de área.

Conclusão

Os defensivos de marca possuem maior confiança por parte do produtor e são mais inovadores.

Já os defensivos agrícolas genéricos possuem ágil suporte ao cliente e um custo menor.

Os dois tipos de defensivos apresentam qualidade, passando pelas mesmas avaliações.

Para decidir mesmo qual vale a pena, é preciso olhar caso a caso.

Neste artigo, você conferiu as principais dicas para que essa decisão seja a mais consciente e melhor possível.

Por isso, faça seu planejamento, confira o valor e preço real de cada produto e tome sua decisão!

>> Leia mais:

Como fazer o controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos

Armazenagem de defensivos agrícolas: 7 dicas de como fazer em sua propriedade

Gostou dessa batalha? Você costuma usar mais defensivos genéricos ou de marca? Ficou com alguma dúvida? Continue essa conversa comentando aqui embaixo!

Henrique-plácido

Atualizado em 27 de novembro de 2020 por Henrique Fabrício Plácido
Agrônomo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre pela Esalq-USP, especialista em Gestão de Projetos e doutorando pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) na linha de plantas daninhas.

4 principais inseticidas para combater pragas de grãos

Tipos de inseticidas para lavouras de grãos: saiba quais os defensivos químicos certos para combater as pragas da sua lavoura de grãos eficientemente.

De acordo com a FAO, cerca de 40% da produção agrícola no mundo é perdida todos os anos devido a ataques de pragas.

No Brasil, essa importância não é menor: as pragas agrícolas causam grande apreensão. Tanto é que 25,5%  dos gastos brasileiros em defensivos agrícolas são em inseticidas.

Mas, se bem utilizados dentro do MIP, os inseticidas podem ajudar muito no alcance de altas produtividades agrícolas.

Por isso, neste artigo, vou te mostrar os principais inseticidas para as principais pragas de grãos. Confira:

Conceitos importantes sobre tipos de inseticidas

Um mesmo inseticida pode atingir vários alvos, como diferentes lagartas, percevejos e outros insetos.

Além disso, muitas vezes o mesmo produto pode ser utilizado em diferentes culturas, especialmente em grãos, onde as pragas são semelhantes.

bula-engeo-pleno

Bula do produto inseticida comercial: Engeo Pleno
Classe: Inseticida sistêmico de contato e ingestão; Grupo químico: neonicotinoide e piretroide

(Fonte: Syngenta)

No entanto, as pulverizações devem ser feitas com alternância de produtos de grupos químicos e modo de ação diferentes.

Essa rotação visa diminuir a pressão de um determinado produto sobre as populações de pragas.

Conhecimento do produto e da semente são fundamentais

Isso minimiza tempo, gastos, mão-de-obra, maquinário e principalmente produtos químicos, que em sua maioria pesam muito no bolso do produtor.

Só aí já temos uma ideia de alguns dos benefícios que inseticidas podem trazer na agricultura. Mas, diante de tantos grupos químicos, conhecer os principais deles é essencial!

Os inseticidas são comumente classificados de acordo com sua composição química.

grupo-químico-inseticidas

Grupos químicos, mecanismos de ação, processos afetados e principais ingredientes ativos de inseticidas
(Fonte: Irac)

Existem várias formas do inseticida afetar a praga. Cada grupo químico tem sua característica quanto ao seu modo de ação sobre o inseto. Confira:

ação-tipo-inseticida

(Fonte: Yamamoto adaptado de J Cooper & H Dobson)

Agora veremos os principais tipos de inseticidas por grupos químicos para as principais pragas de grãos:

1° principal tipo de inseticida: diamidas

Principais características:

  • regulam a libertação de cálcio intracelular;
  • age diretamente na contração muscular;
  • provoca um aumento rápido da concentração de cálcio;
  • leva, posteriormente, à cessação de alimentação, letargia, paralisia e, por fim, a morte da praga.

Substância química ativa: Clorantraniliprol e ciantraniliprol (comercializados pela DuPont e Syngenta). 

Alvos: Espécies da ordem de Lepidoptera, Coleoptera, Diptera e Hemiptera.

Principal praga: Helicoverpa armigera (Lepidoptera: Noctuidae)

Estudos indicaram que os inseticidas flubendiamida (Belt) e espinosade (Tracer) mostraram serem muito eficientes no controle da Helicoverpa armigera.

A dose varia de acordo com o nível de infestação e incidência da praga na área.

Geralmente a dose comercial de Belt recomendada para controle de armigera varia entre 50 ml e 70 ml/hectare.

helicoverpa-tipo-inseticida

(Fonte: Rural Pecuária em Embrapa Soja)

2° principal tipo de inseticida: organofosforados

Principais características:

  • custo relativamente baixo;
  • largo espectro de atividade e de alto impacto sobre insetos;
  • ampla gama de produtos agrícolas e sanitários;
  • existem produtos organofosforados desde extremamente tóxicos até aqueles com baixa toxicidade, como o Temephos, que tem seu uso permitido em água potável;
  • na área da Saúde, têm sido bastante usados dada sua eficiência.

Estrutura molecular: são ésteres, amidas ou derivados tiol dos ácidos de fósforo, contendo várias combinações de carbono, hidrogênio, oxigênio, fósforo, enxofre e nitrogênio,

Persistência/Degradação: são biodegradáveis, sendo, portanto sua persistência curta no solo: 1 a 3 meses.

Modo de ação: por contato e ingestão. Agem como inibidores das enzimas colinesterases, causando o aumento dos impulsos nervosos, assim podendo ocasionar a morte.

Alvos: espécies da ordem de Coleópteros, sugadores, mastigadores como: ácaros, percevejos, lagarta-da-soja, mosca-branca, etc.

Principal praga: Ácaros na cultura da soja

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(Foto: Daniel R. Sosa-Gómez em Embrapa)


Ataques severos de ácaros em lavouras de soja podem ser responsáveis por danos que variam de 4 a 8 sc/ha.

Um produto eficaz no controle de ácaros do grupo dos organofosforados é o Orthene, inseticida e acaricida da Arysta Lifescience.

Sua dosagem varia de 300 L a 400 L de calda/hectare.

3° principal tipo de inseticida: carbamatos

Principais características:

  • paralisação muscular do inseto;
  • os alvos apresentam 4 estágios sintomáticos: excitação, convulsão, paralisia e morte.

Estrutura molecular: são praguicidas orgânicos derivados do ácido carbâmico.

Temos três classes de carbamatos conhecidos: carbamatos inseticidas (e nematicidas), carbamatos herbicidas e carbamatos fungicidas.

Persistência/degradação: são compostos instáveis e muitos fatores influenciam a degradação: a umidade, temperatura, luz, volatilidade.

Carbamatos são metabolizados por microrganismos, plantas e animais ou degradados na água e no solo, especialmente em meio alcalino.

Modo de ação: com ação de contato e ingestão, são igualmente inibidores das enzimas colinesterases, embora por mecanismo diferente dos organofosforados.

Principal praga: Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em milho

Seus prejuízos são estimados em mais de US$ 400 milhões anualmente, e, a lagarta-do-cartucho é considerada a pior praga do milho.

tipos de inseticidas

(Fonte: Agronomia Rústica)

Apesar de seu nome ser em referência a danos feitos principalmente no cartucho do milho, ela pode afetar todos os órgãos da planta em diferentes estágios.

Um produto eficaz no controle de ácaros do grupo dos organofosforados é o Lannate, inseticida sistêmico e de contato da Du Pont.

Sua dosagem varia de 200 L a 300 L de calda/hectare.

4° principal tipo de inseticida: piretróides

Principais características dos piretroides:

  • são atualmente os inseticidas mais utilizados;
  • apresentam baixa toxicidade em mamíferos;
  • baixo impacto ambiental, são efetivos contra um largo espectro de insetos e são necessárias baixas quantidades para exercerem sua ação;
  • agem nos insetos com rapidez causando paralisia imediata e mortalidade, efeito de choque denominado “Knock down”;
  • são geralmente usados como misturas;
  • devem respeitar um intervalo de segurança após aplicação.

Estrutura molecular: são compostos sintéticos análogos aos componentes obtidos a partir dos piretróides, extraídos do crisântemo.

Persistência/degradação:

  • intervalo de segurança de até 37 dias;
  • têm boa estabilidade sob luz e temperatura ambiente.

Modo de ação: são os compostos de mais rápida ação na interferência da transmissão de impulsos nervosos. Podem possuir efeito repelente, espantando os insetos ao invés de eliminá-los.

Principais Pragas

  • Lagarta-da-maça (Heliothis virescens);
  • Lagarta-militar (Spodoptera frugiperda);
  • Lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis).

Um produto eficaz no controle de dessas três lagartas do grupo dos piretroides é Permetrina 384 EC, inseticida de contato e ingestão da UPL.

Sua dosagem varia de 100 L a 500 L de calda/hectare (depende do nível de infestação da praga.

Apesar dos inseticidas ajudarem muito, é fundamental fazer o Manejo Integrado de Pragas (MIP) para um controle efetivo das pragas e para não selecionar indivíduos resistentes.

Resistência de pragas a inseticidas e o MIP

O uso contínuo dos defensivos agrícolas sem rotação de seus mecanismos de ação pode afetar diretamente no seu bolso.

Isso porque, dessa maneira, há o desenvolvimento de populações de pragas resistentes a inseticidas.

Além disso, nas últimas décadas, a descoberta de novos inseticidas, de grupos químicos e modo de ação distintos dos inseticidas já existentes no mercado está se tornando cada vez menor.

Desta forma, o agricultor não tem novas opções quando o produto está apresentando falhas de controle devido à evolução da resistência. E, assim, o problema se torna evidente.

O Manejo Integrado de Pragas tem sido o principal responsável por reverter esse quadro, além de trazer mais sustentabilidade para sua fazenda.

mip-tipos-inseticidas

(Fonte: Sebastião Araújo em Embrapa)

O MIP reúne um plano de medidas que busca promover o equilíbrio no sistema.

Assim, muitas outras medidas de controle, além do químico que aqui falamos, devem ser usados.

E isso faz com que haja menor pressão de seleção de indivíduos resistentes e maior eficácia de controle das pragas.

O mais interessante é que por vezes vemos que o MIP reduz as aplicações, podendo também diminuir seus custos de produção agrícola.

Para ver mais acesse “Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas.”

Veja também o MIP especialmente para a cultura do milho em: Como fazer manejo integrado de pragas (MIP) na cultura do milho

Conclusão

Você pode ter prejuízos imensos se o controle de pragas não for feito corretamente.

Nesse sentido, conhecer os principais inseticidas, sejam eles químicos ou inseticidas naturais, e as pragas que combatem, é fundamental para a correta escolha e manejo.

No entanto, não devemos nos apegar somente ao controle químico, mas misturar e agregar diversas medidas de controle de insetos, seguindo as recomendações do MIP.

Esse conhecimento e definição das melhores estratégias de controle fazem parte do planejamento agrícola.

Agora que você já sabe mais sobre os principais tipos de inseticidas para grãos, já pode começar a se planejar no combate às pragas!

>> Leia mais:

“Novidade no mercado de defensivos: inseticida Plethora”

As melhores formas de controle para cigarrinha-das-pastagens

“O que você precisa saber sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos”

“Inseticidas ecdisteroides: como agem nos insetos e por que são uma boa opção de manejo”

Gostou do texto? Tem mais algum tipo de inseticida que você costuma usar e não citamos aqui? Restou alguma dúvida? Comente abaixo!

Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

Pulverizador autopropelido: Você sabe como regular? Neste texto, iremos responder essas e outras questões para te auxiliar na pulverização da sua lavoura com autopropelido.

A mecanização agrícola é um dos mais importantes fatores da produção, podendo apresentar em até 50% dos seus custos totais.

Dentre as atividades de mecanização, está a pulverização da lavoura. E só quem viu uma lavoura infestada sabe a importância dessa atividade. Por isso, utilizar algumas tecnologias nessa etapa pode aumentar a sua produção.

Você já parou para pensar qual tipo de pulverizador, autopropelido ou tratorizado, é utilizado na sua lavoura? E se algumas práticas ou tecnologias poderiam te auxiliar no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas?

Neste texto vamos falar sobre todos esses assuntos para suas pulverizações se tornarem ainda mais eficientes! Veja a seguir:

O que é um pulverizador autopropelido?

Pulverizar é produzir gotas a partir da calda de uma formulação comercial do produto químico. Aplicar é depositar a gota no objeto (alvo), este alvo muitas vezes são as folhas da cultura.

Pulverizadores são máquinas agrícolas que realizam as aplicações de defensivos agrícolas para que este atinja o alvo de forma adequada.

Assim, a utilização de defensivos agrícolas é para assegurar o potencial produtivo da sua lavoura, protegendo contra pragas (doenças, plantas daninhas e insetos). pulverizador autopropelido também é chamado de automotriz ou autopropulsor.

pulverizador autopropelido

(Fonte: Pulverjet)

Esses pulverizadores são máquinas de alto desempenho, com velocidade de pulverização de 15 a 30 km/h.

Em situações favoráveis, a velocidade operacional pode chegar próxima a 40 km/h. Além disso, esses pulverizadores geralmente apresentam alta tecnologia em eletrônica de bordo para o preciso e total controle da pulverização.

Para entender melhor esses pulverizadores vamos entender melhor quais os seus componentes e funções:

>> 8 perguntas para fazer ao seu consultor sobre defensivos agrícolas

Componentes do pulverizador autopropelido

Os principais componentes de um pulverizador autopropelido, você confere na figura abaixo.

pulverizador autopropelido

(Fonte: Casali, 2015 adaptado de Manual de Operação Massey Ferguson 9030)

Veja a função de alguns componentes:

Reservatório de calda

Local onde é armazenada a calda que é utilizada na pulverização. Existem diversas capacidades desses reservatórios no mercado.

Barras de pulverização

Podem ser instaladas na parte traseira, parte frontal ou central. As barras são equipadas com corpos de bicos múltiplos e com as pontas de pulverização e podem medir em média de 15 a 48 metros.

Cabine

A cabine do pulverizador é fechada, o que proporciona conforto ao operador e impede a contaminação com agrotóxicos.

Eletrônica embarcada

É representada por sensores, atuadores, computadores de bordo, software e GPS. A eletrônica embarcada é utilizada para as funções vitais da máquina, como controle da pulverização, controle da velocidade de deslocamento, transferência de dados, entre outras.

Esses pulverizadores ainda podem apresentar piloto automático, constituindo outra tecnologia comumente vista nessas máquinas. Além disso, esse tipo de pulverizador apresenta uma característica importante para as pulverizações:

Característica importante do autopropelido

O pulverizador autopropelido também possui maior vão livre.

Mas o que é vão livre? Vão livre é a medida composta pela distância do solo até o primeiro ponto da estrutura da máquina. Assim, se seu pulverizador apresenta maior vão livre, permite realizar pulverização em estágios mais avançados de desenvolvimento da sua cultura.

Classificação dos pulverizadores

A Andef classificou os pulverizadores como:

  • Pulverizador costal manual;
  • Pulverizador costal motorizado;
  • Pulverizador tratorizado com mangueira e pistola de pulverização;
  • Pulverizador de barras (tratorizado ou autopropelido);
  • Turbopulverizador ou turboatomizadores;
  • Pulverização com aeronave.

No caso do nosso tema de hoje, pulverizador autopropelido, há dois tipos de classificação:

  • Máquinas projetadas originalmente como pulverizadores autopropelidos;
  • Pulverizadores adaptados à estrutura do trator agrícola.

Vantagens do uso de pulverizador autopropelido

Podemos citar como vantagens de se utilizar pulverizador autopropelido:

  • Maior precisão na pulverização;
  • Otimização de custos de produção e insumos;
  • Permite ser utilizado na agricultura de precisão;
  • Maior planejamento da atividade de pulverização;
  • Menor risco e maior conforto ao operador;
  • Maior rendimento operacional.

Agora vamos para uma etapa crucial da pulverização e que é decisiva para um manejo e gestão agrícola eficaz:

Regulagens e calibração do pulverizador

Alguns passos básicos e simples podem fazer toda a diferença na sua pulverização.

Pensando nisso, fizemos um passo a passo para lhe auxiliar:

1.Manutenções e Limpeza

Você deve realizar as manutenções como a limpeza dos filtros do pulverizador e também dos bicos.

Para não esquecer de realizar manutenções preventivas no seu maquinário, você pode contar com um software de gestão agrícola.

Alerta de manutenção de maquinário agrícola no Aegro

Com o Aegro, por exemplo, é possível programar alertas de manutenção pontuais ou periódicos. Assim, você recebe um aviso por e-mail sempre que estiver na hora de realizar uma nova checagem.

Veja este artigo para mais informações sobre regulagem e manutenção de maquinários agrícolas.

2.Regulagem das barras

Regule o espaçamento entre os bicos na barra e a altura da barra em relação a sua cultura (em geral, deve ser 1m da barra até o chão).

Verifique o ajuste das ponteiras da barra, eliminando as folgas entre o encosto do terminal da barra e a estrutura metálica da ponteira.

Lembrando que as ponteiras são as porções terminais da barra de pulverização.

Verificar também o ajuste do movimento vertical da barra, o nivelamento das ponteiras em relação às barras e o ajuste do desarme das ponteiras.

3.Comece a calibração: Encha o tanque do pulverizador com água

4.Com o pulverizador ligado, verifique se há vazamento nos filtros e nos bicos

5.Calibração da pressão

A pressão será realizada na calda de pulverização pela bomba de pressão.

A pressão deve ser selecionada nos comandos eletrônicos dentro da cabine do pulverizador e deve ser calibrada na parte de fora do pulverizador em cada seção.

Assim, você deve abrir o manômetro e verificar se a pressão em cada seção está de acordo com a qual você selecionou no comando eletrônico.

6.Faça a medição da vazão

Colete a água de um bico unitário por 1 minuto em um recipiente graduado.

Para saber a vazão total dos bicos, veja o exemplo:

Se em um bico foi coletado 800 mL em 1 minuto, então, a vazão unitária é 0,8 L/min.

Se a barra tem 40 bicos, 0,8 x 40= 32 L/min de vazão total.

Você também pode pedir a vazão em todos os bicos e verificar se eles não estão desgastados.

Se algum dos bicos apresentar vazão acima de 10%, o bico deve ser trocado.

Nessa etapa também se atente para o jato que sai dos bicos, observando se há entupimentos e deve desentupir adequadamente conforme mostra figura abaixo:

desentupir-bicos-pulverizador-autopropelido

(Fonte: Jacto)

7.Faça a medição da velocidade do pulverizador

Marque um percurso de 50 metros com uma trena e afaste o pulverizador do local demarcado, pode ser 5 metros como na figura abaixo.

calibração-pulverizador-autopropelido

(Fonte: UFRRJ)

Esse afastamento permite que a velocidade se estabilize até chegar na marcação de 50 metros para sua medição.

Após isso, anote o tempo que o pulverizador percorrer os 50 metros.

Com a distância dividida pelo tempo sabemos facilmente qual a velocidade real da máquina.

Então, se o tempo para percorrer a distância de 50 metros e o tempo foi de 15 segundos, a velocidade é (50/15)x60=200 m/min.

8.Calcule a área tratada por minuto

Nessa etapa continuarei nosso exemplo para facilitar o entendimento dos cálculos:

Exemplo:

Largura da área tratada = 40 bicos x 0,6m de espaçamento entre bicos = 24 metros

Área tratada = velocidade x largura da área tratada

Área tratada = 200m/min x 24 metros = 4800 m/min

Em hectare = 4800/10000 = 0,48 ha/min

9.Taxa de aplicação

A fórmula da taxa de aplicação é:

Taxa de aplicação = vazão total/área tratada

Continuando nosso exemplo:

Taxa de aplicação = 32L/min/0,48ha/min = 67 L/ha

10.Quantidade de produto para o preparo da calda

Quantidade = (capacidade do tanque x dosagem do produto)/taxa de aplicação

Exemplo:

Se o tanque é de 2000 litros e dosagem do produto de 0,2 L/ha: Quantidade = (2000×0,2)/67 = 5,97 L de produto para o preparo da calda de um tanque cheio do pulverizador.

custo operacional de máquinas

O que podemos concluir e planejar com a calibração dos pulverizadores

Continuando com nosso exemplo, temos os seguintes dados após a calibração:

Se a taxa de aplicação de 67 L/ha e o tanque possui volume de 2000 litros, já sabemos que a cada aproximadamente 30 hectares (2000/67) teremos uma parada para reabastecer o tanque. E em quanto temos teremos que reabastecer o tanque?

Só precisamos dividir o número de hectares que um tanque trabalha (30 ha no nosso exemplo) pela área tratada por minuto (0,48 ha/min), o que resulta em aproximadamente 1 hora.

Isso já te prepara e também a sua equipe para as paradas e o abastecimento mais rápido e eficaz possível. Sabendo a área total que deve ser tratada você também sabe a quantidade total do defensivo agrícola a ser comprado.

Desse modo, a regulagem e calibração podem até parecer algo trivial de se fazer, mas pode ser um ótimo começo para uma gestão e planejamento agrícola bem feitos.

Após todas as vantagens, regulagem e calibração dos pulverizadores, também devemos ter alguns outros cuidados importantes nessa atividade:

Cuidados durante a sua pulverização

  • Utilize pulverizadores adequados para a cada atividade e área;
  • Utilize o defensivo agrícola recomendado para a cultura e na dose correta;
  • Realize manutenções nos pulverizadores e limpeza;
  • Certifique-se que o trabalhador está treinado;
  • Uso de equipamento de proteção individual (EPI);
  • Calibração e regulagem dos pulverizadores;
  • Utilize água de boa qualidade;
  • Verifique condições climáticas no local de pulverização antes de iniciar as atividades;
  • Verifique como deve proceder com o descarte de produtos químicos (resíduos);
  • Se atente com a deriva.

Falando em deriva, saiba que muitas vezes ela pode ser evitada com a consulta das condições climáticas na hora de pulverização. E para verificar as condições você pode utilizar aplicativos de celular para isso. Além disso, ressalto que não devemos esquecer que em toda pulverização deve-se utilizar EPI.

Manual-uso-EPI

(Fonte: Andef)

A escolha do pulverizador realmente é muito importante para planejamento da sua propriedade.

Mas, um componente de grande importância no pulverizadores são os bicos e sua escolha.

Utilização dos tipos de bicos na pulverização agrícola

A função dos bicos é dividir o líquido (a calda a ser aplicada) em gotículas e distribuí-las, de forma uniforme, sobre toda superfície da planta (alvo).

Além disso, você deve escolher o bico para o pulverizador de acordo com:

  • Estágio da cultura, as condições de temperatura e umidade no local;
  • Equipamento a ser utilizado;
  • Tamanho da lavoura.

Para isso, é necessário conhecer algumas informações do bico que você pode encontrar nos próprios bicos:

nomenclatura-bico

(Fonte: Teejet)

Nesse sentido, os bicos que você seleciona determinam pelo menos 4 fatores essenciais da pulverização utilizando ou não pulverizadores autopropelidos:

  • Quantidade de produto aplicado na área;
  • Uniformidade da aplicação;
  • Cobertura do produto aplicado sobre o alvo;
  • Quantidade potencial de deriva.

O bico é composto por todo o conjunto com suas estruturas de fixação na barra (corpo, filtro, ponta e capa).

bicos-pulverização-autopropelido

(Fonte: Andef)

Muitas vezes, a ponta é utilizada como sinônimo de bico. Mas lembre-se, que a ponta é uma estrutura do bico. Para te ajudar na escolha do bico para o seu pulverizador, você pode utilizar aplicativos ou software como da John Deere e Jacto.

E lembre-se que bicos desgastados podem te trazer prejuízos. No exemplo abaixo, você pode visualizar o quanto você pode perder com bicos desgastados, considerando uma área de 500 ha e um desgaste de 10% dos bicos de pulverização.

pulverizador-autopropelido-gasto-agroquimico

(Fonte: Jacto)

Alguns fatores que favorecem o desgaste são: limpeza (quando é realizada com material impróprio), poder abrasivo dos defensivos agrícolas, pressão de trabalho e qualidade da água.

Para que você não tenha problemas com prejuízos por bico desgastado se atente: Quando um bico apresentar vazão acima de 10% da vazão nominal de um bico novo, você deve substituir este bico. Assim, se atente a calibração que já vimos como fazer no início deste texto.

Histórico do pulverizador autopropelido

O primeiro pulverizador autopropelido foi criado na década de 1940 nos EUA, este pulverizador foi criado para a lavoura de cultura do milho.

Depois deste, ocorreram muitas modificações nesses pulverizadores. E, no Brasil, o pulverizador autopropelido começou a ser fabricado na década de 1980 por empresas brasileiras. Agora você encontra vários modelos de pulverizadores autopropelidos e de diversas marcas no país.

Na figura abaixo, você confere as marcas de pulverizador autopropelido e o ano em que iniciaram a comercialização no Brasil.

marcas-pulverizadores-autopropelidos

(Fonte: Casali, 2015)

Depois dos conhecimentos sobre pulverizador autopropelido, fica aquela dúvida, podemos utilizá-lo na agricultura de precisão?

Agricultura de precisão e pulverizador autopropelido

Como já comentamos em outros textos, a agricultura de precisão (AP) é um manejo diferenciado em sua lavoura.

Ou seja, sua área não é uniforme, assim, você não deve tratar toda sua lavoura de uma mesma forma, dessa maneira, sua pulverização não é a mesma em toda a área.

Assim, utilizando AP, você pode reduzir o custo de produção da sua lavoura, aplicando a quantidade necessária de defensivo agrícola, e com isso, você reduz o desperdício.

>> 5 dicas infalíveis para uma aplicação de defensivos agrícolas mais eficaz

Para a pulverização da sua lavoura utilizando taxa variável de defensivo agrícola na área, você pode utilizar pulverizador autopropelido.

Os pulverizadores autopropelidos já apresentam algumas tecnologias que permitem realizar a AP na operação de pulverização da sua lavoura.

Assim, a utilização da eletrônica embarcada desses pulverizadores permite a aplicação de defensivos agrícolas em quantidades variáveis e tempos específicos.

Conclusão

Neste texto você aprendeu sobre o pulverizador autopropelido, suas características vantagens e componentes.

Além disso, foram dadas algumas dicas bastante úteis sobre a regulagem do pulverizador. Assim, o pulverizador autopropelido é uma tecnologia que você pode utilizar na sua lavoura para aprimorar a pulverização de defensivos agrícolas.

Como sempre gosto de enfatizar, sua lavoura é sua empresa, por isso, você deve planejar as atividades, entre elas a de pulverização, para que você possa aumentar seus lucros.

Então, boa pulverização da sua lavoura!

>> Leia mais: 

O que é Safs: entenda tudo sobre sistemas agroflorestais

Depreciação de máquinas: Todos os cálculos de forma prática
Como regular plantadeira de trigo e ser mais eficiente

Você utiliza pulverizador autopropelido na sua lavoura? Como você realiza a regulagem do seu pulverizador? Como você escolhe os bicos de pulverização? Adoraria ver seu comentário abaixo!

8 perguntas para fazer ao seu consultor sobre defensivos agrícolas

Entenda agora quais são as 8 perguntas que você deve fazer ao seu consultor sobre uso de defensivos agrícolas.

Pesquisas mostram que os defensivos agrícolas terão aumento de 15% no preço, enquanto outros falam de até 30% em 2018.

O resultado você já sabe: ainda maiores custos na sua produção agrícola.

numeros sobre uso de defensivos agricolas

(Fonte: Dinheiro Rural)

Planejar e orçar tudo o que será usado com o auxílio de um consultor agrícola facilita muito o corte de desperdícios e escolhas indevidas.

No entanto, precisamos saber mais sobre os produtos químicos, especialmente para escapar de “enrascadas”.

Para isso, o que perguntar para seu consultor e evitar todos esses problemas?

Neste artigo mostramos as principais perguntas para você fazer ao seu consultor, com informações valiosas sobre uso de defensivos agrícolas! Veja:

Primeiro passo antes da aquisição de seu defensivo agrícola

Assim como eu já comentei, o planejamento é o primeiro passo para tudo.

Isto inclui a época de plantio, quais as culturas a serem rotacionadas, análise de solo completa e manejo da adubação, escolha de sementes, entre outros.

No caso dos defensivos agrícolas, é muito interessante ter em mãos o histórico da área mostrando o que houve na propriedade em relação às plantas daninhas, doenças e insetos.

Assim você já sabe muito antes o que vai ser preciso na próxima safra, já que essas pragas das safras passadas tendem a ocorrer nas próximas.

Como ter esse histórico: monitoramento.

planilha de compras de insumos

A inspeção frequente da lavoura, anotando o que foi encontrado nela faz com que doenças e outras infestações sejam combatidas logo no início.

Além de que, o monitoramento é chave no Manejo Integrado de Pragas.

Após monitorar sua lavoura e consultar seu histórico, você deve conversar com o consultor e certificar-se de obter respostas precisas às suas perguntas que irão evitar que entre em uma “roubada”.

Para isso, confira as perguntas:

Veja agora as 8 perguntas sobre uso de defensivos agrícolas que você deve fazer ao seu consultor:

1. Qual é a bula deste defensivo agrícola?

Veja a bula dos herbicidas, fungicidas e inseticidas que foi indicado.

Vendo a bula você tem certeza se o produto é mesmo registrado pelo MAPA, se é indicado para sua cultura e para o problema que possui, além das doses corretas.

Eu sei que não é nada confortável ler a bula no próprio produto, mas por isso que existem sites confiáveis que podemos verificar as informações sobre os produtos.

Nesse sentido, você pode consultar os produtos registrados no país pelo site do Agrofit.

No site você pode procurar por inseticidas, herbicidas e todos os produtos químicos registrados no MAPA.

No exemplo abaixo eu comecei a procurar produtos registrados no combate de insetos:

agrofit-defensivos-agrícolas

Depois é só completar com as demais informações e fazer sua consulta.

Lembre-se também que os defensivos agrícolas só podem ser comercializados com receituário agronômico obtido por profissional habilitado.

Neste artigo ensinamos como fazer uma lista de defensivos agrícolas.

>> Tudo o que você precisa saber para fazer sua lista de defensivos agrícolas na pré-safra

Você deve comprar a quantidade exata de defensivo que irá utilizar durante a safra, evitando que sobre ou falte, já que ambas podem lhe causar prejuízos financeiros.

Importante que fique atento ao prazo de validade e à qualidade da embalagem, se estão danificadas e se você consegue ler a bula, sem dificuldades.

Armazene seus defensivos agrícolas adequadamente consultando o artigo:

>> Armazenagem de defensivos agrícolas: como fazer e o que é preciso saber

2. Como deve ser feita a aplicação deste defensivo agrícola?

De nada adianta ter o produto correto, se a aplicação de defensivos agrícolas não for bem realizada.

Assim, pergunte ao seu consultor sobre:

Época de aplicação

A época de aplicação está relacionada com o estádio fenológico da cultura, dessa forma, você deve monitorar sempre como está o desenvolvimento da cultura.

Além disso, também sempre questione qual nível de controle ou infestação, independente se for planta daninha, inseto ou fungo.

Para inseticidas, o correto é fazer o monitoramento e seguir os níveis de controle.

Assim, a aplicação é feita somente quando a população do inseto ou os danos da cultura atingirem esse dano.

É muito importante também perguntar qual época não se pode aplicar por prejudicar muito a cultura.

defenivos-agricolas

(Fonte: Dinheiro Rural)

Condições ambientais

Segundo a Embrapa, de modo geral as condições climáticas no momento de aplicação devem ser:

  • Temperatura: mínima de 10°C; ideal de 20° a 30°C; máxima de 35°C;
  • Umidade relativa do ar: mínima de 60%; ideal 70 a 90%; máxima de 95%;
  • Não realizar aplicações com velocidades de vento acima de 10 km/h sobre plantas estressadas ou em casos de chuva;

A recomendação de não aplicar em plantas estressadas, se deve à menor absorção e translocação do produto no interior da planta.

Lembre-se que cada produto apresenta uma condição ideal de aplicação, portanto, isso é algo que você deve perguntar.

Certifique-se que a regulagem e calibração do pulverizador seja feita a cada aplicação, de acordo com as características da cultura e do produto.

Procure utilizar bicos de acordo com o prescrito, dependendo do alvo a ser controlado, e ao modo de aplicação.

>> O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas

3. Qual a dose recomendada?

Perguntar sobre doses, qual a necessidade de aumentar as doses de algum produto dependendo da sua situação, é primordial.

A dose recomendada na bula, podendo variar de acordo com as mudanças das condições climáticas ou situações de aplicação.

Como você já viu, é possível consultar a bula no Agrofit.

No entanto, caso você identifique pragas, doenças ou plantas daninhas que desconheça, sempre questione sobre as dosagens para controlar o alvo.

O volume de calda, principalmente nessas situações de dúvida, deve ser perguntado.

Muitas vezes, o aumento das áreas de plantio ou por questões de transporte, tendemos a optar por diminuir o volume de calda aplicado por hectare.

No entanto, isso causa maior concentração de ingrediente ativo dentro da calda e diminui o tamanho da gota na superfície da folha, podendo causar sintomas de intoxicação, prejudicando a cultura.  

Não se esqueça de perguntar sobre a necessidade de óleos e adjuvantes e qual a dose mais indicada também desses produtos.

4. Qual a porcentagem de controle deste produto para determinada praga? Não existe outro com igual e mais barato?

Tão importante quanto ter os dados do fabricante, sobre quais espécies o produto controla, é ter dados estatisticamente relevantes para te orientar se o seu problema será resolvido.

pulverizador-defensivos-agricolas

(Fonte: Jacto)

Pesquisar sobre a eficiência de controle do produto, além de conhecer as características técnicas, garantem que você esteja a um passo à frente antes de conversar com seu consultor e tomar as decisões de compra.

Por exemplo, no caso de herbicidas, o controle de 80% das plantas daninhas é considerado o mínimo para se dizer que a aplicação foi eficiente.

Menos que isso, não se recomenda que utilize o herbicida.

Além de que, sempre pesquise no Agrofit outros produtos que parecem ter a mesma ação e que podem custar menos.

Você pode questionar o seu consultor sobre esses outros produtos e perguntar as diferenças de eficiência entre eles.

5. Como fazer a mistura de defensivos agrícolas no tanque de aplicação?

Acredito que mistura de defensivos agrícolas no Brasil, em tanques de aplicação é um assunto bastante polêmico.

Isso porque estudos mostraram que 97% dos produtores utilizam misturas, mas ainda não é legalizado no Brasil.

Também há muitas dúvidas sobre  incompatibilidade de produtos e intoxicação das culturas.

Sendo assim, esta é uma pergunta de grande importância: pergunte se esse produto pode ser misturado com outros defensivos químicos, quais possuem incompatibilidade com ele, etc.

Fique atento também para a ordem de mistura desses produtos, conforme recomendado:

ordem-mistura-defensivo-agricola

(Fonte: Syngenta)

Este artigo do blog, pode tirar grande parte de suas dúvidas sobre a mistura de defensivos agrícolas.

6. Qual é o intervalo de segurança desse defensivo agrícola?

Intervalo de segurança, ou período de carência, é o intervalo de tempo entre a aplicação e a colheita, para o uso e consumo seguro do alimento.

Este prazo tem como objetivo garantir que o alimento esteja dentro do LMR (Limite máximo de Resíduos), no momento de colheita e manuseio.

Este limite é determinado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e cada produto tem o seu intervalo.

É uma informação que você deve se certificar, principalmente para culturas frutíferas, ou se pretende exportar a produção final.

7. Influência do uso de defensivos agrícolas na sua cultura

Você deve ficar atento ao efeito residual no solo, de herbicidas, por exemplo, e à fitotoxicidade.

Uma situação que acaba acontecendo bastante é a seguinte:

Um produtor realiza o controle químico com herbicidas pré-estabelecidos, sem considerar as condições da sua lavoura, como solo, clima, cultivar.

O resultado disso é a intoxicação de plantas por causa de herbicidas, aplicados nessa cultura ou até mesmo aplicados na cultura anterior.

Esse efeito prejudicial de um herbicida aplicado na safra anterior é chamado carryover, e ocorre devido ao efeito residual no solo deste defensivo agrícola.

Este caso evidencia a importância de você conhecer e questionar o consultor sobre a dinâmica dos produtos que você irá utilizar.

No entanto, outros problemas na aplicação e recomendações podem causar intoxicações nas plantas (fitointoxicação).

fitoxidez-soja-triazois

Sintoma de fitotoxicidade por fungicidas triazóis na cultura da soja
(Fonte: Grupo Cultivar)

Os sintomas de fitotoxidez na área podem ser identificados da seguinte maneira:

  • Deformações nas folhas:
    • Encarquilhamento: folhas curvadas;
    • Carijó – queima dos tecidos entre as nervuras da folha;
  • Verificar bordas da lavoura: chegada ou saída do pulverizador após acionamento ou desligamento da barra [;
  • Verificar se houve sobrepasse da barra de aplicação;
  • Observar se não se apresenta em plantas isoladas: por questões operacionais, o problema será visível em áreas de grande trânsito do pulverizador.

Além disso, pesquisas afirmam que a toxicidade de fungicidas aumentam em condições climáticas adversas, como período de seca.

Isso porque altas temperaturas aumentam a evaporação da gota aplicada, formando depósitos cristalinos nas superfícies das folhas.

8. Qual será o custo de aplicação por hectare?

Saber quanto vai custar cada aplicação por hectare, é outro fator de extrema importância que é decisiva para sua tomada de decisão.

Isso te ajuda a se planejar, escolher as melhores estratégias de controle e por fim realizar uma melhor gestão da sua propriedade.

Controlar incorretamente ou não controlar alguma praga ou doença, irá lhe trazer prejuízos financeiros.

Isso vai ocorrer seja pelo gasto desnecessários com produtos errados, ou pela queda de produtividade.

Assim, você pode adicionar esse custo de aplicação com seus custos de produção e assim comparar se vale a pena, e o quanto isso representa de seu custo total.

custo-realizado-defensivos-herbicida

Conclusão

Fazer as perguntas certas te previne de cometer erros na escolha de produtos e auxilia a fazer o manejo da melhor forma possível.

Na minha opinião, quanto mais crítico e questionador, as chances de sucesso serão mais altas.

E não se esqueça, o consultor é alguém que te auxilia e guia para boas escolhas, mas quem tem o poder de decisão final, é você.

Aqui você conheceu mais sobre o uso de defensivos agrícolas e quais as principais perguntas a serem feitas ao seu consultor sobre defensivos agrícolas.

Agora, conhecendo seu histórico da área e seus custos de produção, você pode ter segurança na tomada de decisão!

Leia mais sobre uso de defensivos agrícolas:

>> Tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas

>> Como fazer controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos

>> Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: a batalha definitiva do que usar na sua propriedade

O que você achou do texto? Sentiu falta de alguma pergunta em específico? Quer mais dicas? Deixe seu comentário abaixo!

Cuidados que você deve ter para evitar deficiência de potássio em soja

Deficiência de potássio em soja: Como evitá-la e quando fazer adubação potássica para garantir melhor produtividade na sua lavoura.

A nutrição adequada das plantas é um fator importante para maximizar o retorno econômico da cultura da soja.

O valor investido em fertilizantes dá resposta não só na produtividade da área aplicada, como também é fator de destaque para diminuição de outros custos de produção por unidade de área.

Uma adubação adequada traz impactos positivos na utilização de máquinas e implementos; mão de obra; defensivos; sementes; equipamentos de secagem e armazenamento, entre outros.

Mas como identificar a deficiência de potássio em soja e quando fazer a adubação? Confira a seguir:

Deficiência de potássio em soja: quando fazer adubação potássica?

A deficiência de potássio em soja causa a redução da taxa de crescimento das plantas. Isso se manifesta antes do aparecimento de sintomas visuais (Wendling, 2004), que surgem apenas em casos de deficiência mais severos.

Esses sintomas são predominantemente manchas amarelas (cloróticas) a partir das bordas das folhas mais velhas, chegando à necrose; maturação desuniforme; retenção foliar; legumes verdes e chochos; e grãos pequenos, enrugados e deformados (Borkert et al., 1994; Vedelago, 2014).

deficiência de potássio em sojaPlantas de soja com sintomas de deficiência de potássio: clorose na borda dos folíolos
(Foto: Anderson Vedelago)

deficiência potássica em soja

Plantas de soja com sintomas de deficiência de potássio: retenção foliar
(Foto: Anderson Vedelago)

O potássio é um elemento muito exportado nos grãos de soja (20 kg de K2O por tonelada).

E um alto potencial produtivo contribui para a redução dos estoques deste nutriente no solo, se adubação e manejo não forem adequados.

A limitação de rendimento de grãos ocasionada pela deficiência de potássio em soja é mais acentuada em situações onde é empregado um adequado manejo da cultura, especialmente quando não há restrição hídrica.

Isso proporciona às plantas uma grande capacidade de fixar legumes que demandam maior quantidade de potássio para o enchimento dos grãos.

As consequências da limitação nutricional de potássio se manifestam principalmente no terço superior das plantas.

Isso é mais evidente em cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado.

deficiência potássio em soja

Plantas de soja com sintomas de deficiência de potássio: legumes secos no terço superior
(Foto: Cláudia Lange)

Nestas cultivares, os nutrientes são demandados em maior quantidade, inicialmente na formação dos grãos do terço inferior e médio. Isso acaba provocando o aparecimento da deficiência no terço superior das plantas.

E como a adubação de soja com potássio acontece em terras baixas gaúchas

A resposta da soja à adubação potássica em solos de terras baixas no Rio Grande do Sul é pouco conhecida.

Os experimentos que subsidiaram o surgimento e avanços nas recomendações de adubação para soja foram realizados em terras altas, principalmente na metade norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, sendo estes solos distintos daqueles das terras baixas (CQFS RS/SC, 2004).

As terras baixas do Rio Grande do Sul apresentam grandes variações regionais na disponibilidade de potássio (K) para a soja (Vedelago et al., 2012). Mais especificamente, as regiões arrozeiras da fronteira oeste e as planícies costeira apresentam frequentemente amostras de solo com disponibilidade do elemento baixa ou muito baixa, conforme CQFS RS/SC (2004).

Nesses locais, a soja apresenta alta resposta à adição de potássio na semeadura, como mostram os gráficos abaixo:

Como você pode ver no quadro a seguir, a máxima eficiência econômica encontrada nos experimentos foi de aproximadamente 120 kg de K2O por hectare. Diferente da máxima eficiência técnica, que ficou pouco acima dos 130 kg.

Por isso, a tomada da decisão sobre quanto potássio aplicar nas adubações de soja deve considerar

  • Gestão da propriedade como um todo, englobando a capacidade financeira;
  • Domínio do manejo da cultura;
  • Expectativa de colheita;
  • Preço do fertilizante;
  • Preço da soja.

Neste sentido, um bom planejamento agrícola é essencial neste momento.

LocalDMETRend. DMETDMEEAumento do rendimento de grãos
 kg ha-1Mg ha-1kg ha-1Mg ha-1
Cachoeirinha1274,851191,23
Capivari do Sul1384,501311,68
Cachoeira do Sul1353,901261,36
São Gabriel1303,501110,56
MÉDIA1324,191221,21

Dose de máxima eficiência técnica (DMET), rendimento de grãos de soja obtido com a dose de máxima eficiência técnica (Rend DMET), dose de K2O de máxima eficiência econômica (DMEE) e incremento no rendimento de grãos de soja pela adição de potássio – Safra 2012/13.
(Fonte: Vedelago, 2014)

Resultados em diferentes genótipos de soja

É importante notar que nem todos os genótipos de soja têm essa magnitude de resposta à adubação potássica e produtividade de grãos.

Tais resultados têm mais chance de acontecer nos genótipos com baixa estatura, entrenós curtos e com baixo índice de área foliar.

Caso contrário, o aumento da adubação não se traduz em aumento no rendimento de grãos, impactando negativamente no índice de colheita pelo acamamento e pelo excesso de área foliar (Lange et al., 2014).

>> Leia mais: “Tipos de adubos químicos na cultura da soja

Deficiência de potássio no solo: Balanço de potássio no solo

Devido à sua carga e ao raio iônico, o potássio é um elemento bastante móvel no solo. Possui alto risco de lixiviação e perda por escorrimento superficial em solos de baixa ou média Capacidade de Troca de Cátions (CTC).

Além disso, a alta exportação deste nutriente nos grãos de soja contribui para elevar constantemente o risco de balanço negativo no solo.  Por isso, constituem peças-chave no manejo da adubação potássica na cultura da soja:

  • Dimensionamento de seus estoques no solo;
  • Quantificação de sua suplementação pela fertilização;
  • Definição quanto às épocas de aplicação do fertilizante e o seu gerenciamento no sistema através de captura e ciclagem pelo uso de um sistema de sucessão de culturas, reduzindo as perdas do sistema.

No quadro abaixo consta o balanço de potássio no solo após a colheita da soja.

Estoque inicial e final de K no solo (camada 0 – 20 cm) após cultivo de soja em função de doses de potássio na adubação de semeadura nos diferentes locais – safra 2012/13.
(Fonte: Vedelago, 2014)

Esses dados evidenciam que há perdas de K durante o cultivo de soja motivado, possivelmente, pela baixa CTCpH 7,0 de três dos quatro solos utilizados, pela drenagem da água após as chuvas e pela falta de uma planta recicladora implantada na sequência.

Conclusão

As perdas de potássio podem ser minimizadas com o parcelamento da adubação e com a adoção de sistemas conservacionistas do solo que agreguem carbono e, por consequência, aumentem a CTC do solo.

O parcelamento do potássio nas lavouras de soja é uma medida que reduz as perdas principalmente em solos com baixa e média.

O parcelamento pode ser 30% a 40% próximo da semeadura (imediatamente antes ou após) e 60% a 70% antecedendo o início da floração.

Em anos de maior precipitação pluviométrica, como quando acontece o El Niño, é alto o incremento no rendimento de grãos com o parcelamento da adubação potássica.

Já em anos de La Niña, deve-se ter o cuidado para que chova após a aplicação da segunda dose de potássio para dissolver e incorporar o nutriente no solo, favorecendo a absorção pelas plantas.

>> Leia mais:

Por que adubação foliar em soja pode ser uma cilada

Como identificar e evitar a deficiência de boro na soja

Deficiência de magnésio na soja: orientações para isso não acontecer

Você já notou sinais de deficiência de potássio em soja? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!


Referências:

BORKERT, C. M.; YORINORI, J. T.; CORRÊA-FERREIRA, B. S.; ALMEIDA, A. M. R.; FERREIRA, L. P. & SFREDO, G. J. Seja o doutor da sua soja. Inf. Agron., 66: 1-6, 1994.

COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – CQFS RS/SC. Manual de Adubação e de Calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre, Evangraf, 2004. 400p.

LANGE, C. E.; VEDELAGO, A. & THOMAS, A. L. Potencial de rendimento de grãos de soja em solos de várzea do Rio Grande do Sul. In: THOMAS, A. L. & LANGE, C. E., orgs. Soja em solos de várzea do Sul do Brasil. Porto Alegre, Evangraf, 2014. p.83-127.

VEDELAGO, A.; CARMONA, F. C.; BOENI, M.; LANGE, C. E. & ANGHINONI, I. Fertilidade e aptidão de uso dos solos para o cultivo da soja nas regiões arrozeiras do Rio Grande do Sul. Cachoeirinha, IRGA. Divisão de Pesquisa, 2012. 46 p. (Boletim Técnico, 12)

VEDELAGO, A. Adubação Para a Soja em Terras Baixas Drenadas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014. 83p. (Dissertação de Mestrado).

WENDLING, A. Recomendação de nitrogênio e potássio para trigo, milho e soja sob sistema plantio direto no Paraguai. Santa Maria, Universidade Federal de Santa Maria, 2005. 160p. (Dissertação de Mestrado).


Anderson Vedelago é engenheiro agrônomo, mestre em Ciência do Solo, sócio da Oryza & Soy Pesquisa e Consultoria Agronômica Ltda. e escreve eventualmente para o Blog do Aegro.

5 novas tecnologias envolvendo defensivos agrícolas

Parece que cada dia que passa fica mais difícil o controle por defensivos químicos.

Mas, felizmente, estão surgindo novas tecnologias para nos ajudar

Além de auxiliar, algumas tecnologias colaboram, inclusive, com o controle e a diminuição de desperdícios dos defensivos agrícolas.

Vamos ver nesse artigo um pouco sobre algumas tecnologias que vieram para somar na hora de alcançar as altas produtividades:

1.Defensivos agrícolas naturais

Dentre as tecnologias que vieram para ajudar no controle das pragas estão os Biopesticidas.

Conhecidos também por inseticidas biológicos.

Em sua composição podemos encontrar:

Trichogramma

Também conhecido como vespinha, é um inseto benéfico de grande eficácia para controlar os ovos das pragas.

defensivos químicos

(Fonte: Koppert)

Baculovírus

O Baculovírus é à base de vírus, possuindo eficácia para controle da lagartas pequenas, com até 1cm de comprimento.

Bacillus thuringiensis

O Bacillus thuringiensis  pode ser um bioinseticida ou ter algum de seus genes incorporados nas plantas.

A sigla “Bt” das sementes com tecnologia Bt que vemos por aí é justamente aos genes de Bacillus thuringiensis que fazem com que a planta produza proteínas inseticidas.

No caso do bioinseticida, o produto é eficaz no controle de várias lagartas comuns em grãos, sendo uma boa opção de manejo para lagartas mais novas de até 0,5 cm de comprimento.

No entanto, se você já possui cultura com tecnlogia Bt, não recomendo o uso desse bioinseticida, já que desse modo seriam dois manejos envolvendo a mesma tecnologia.

E isso aumenta a possibilidade de resistência a defensivos químicos.

Extrato de nim

A planta do nim tem mostrado atividade inseticida para várias espécies de pragas agrícolas, incluindo a Spodoptera frugiperda.

Saiba mais sobre o nim aqui.

MIP

O bom e velho conhecido de nós, o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que não é uma nova tecnologia, mas é essencial para obter sucesso a curto e longo prazo no manejo.

banner planilha manejo integrado de pragas

Paecilomyces lilacinus

Mais recentemente também foram lançados produtos a base de fungos para o controle de nematóides.

Um exemplo é o produto a base do fungo Paecilomyces lilacinus, que tem eficiência para controle de Meloidogyne incognita nas culturas de soja e alface.

nematóide-das-galhas

Nematóide Meloidogyne spp.(nematóide-das-galhas) em soja
(Fonte: Marcelo Madalosso em Phytus Club)

Pochonia chlamydosporia

Outro fungo para controle de nematóides é o Pochonia chlamydosporia, o produto foi posicionado para as culturas de soja, milho, algodão, olerícolas e frutíferas.

O período de carência, ou seja, o número de dias entre a aplicação do produto e a colheita é por volta de 30 dias.

Além disso, precisamos evitar a aplicação do fungo em períodos de estiagem, dando preferência para a aplicação ocorrer nas horas mais amenas do dia, como pela manhã.

O armazenamento desse produto também é importante, sendo essencial guardá-lo longe da luz, na sombra.

Saiba mais sobre armazenamento de defensivos agrícolas aqui.

Vale lembrar que se você for realizar manejos com produtos químicos e biopesticidas, deve-se avaliá-los quanto a seletividade a inimigos naturais e aos componentes do biopesticida.

grafico_site helicoverpa defensivos químicos

(Fonte: Embrapa)

2. Novas tecnologias de defensivos agrícolas para controle químico

Aqui podemos citar uma inovação da Embrapa Meio Ambiente em 2016.

Eles aprimoraram a pulverização eletrostática.

Pulverização eletrostática é um sistema universal de eletrificação de gotas, utilizando um sistema pneumático eletrostático transportado e o pulverizador costal eletrostático.

As cargas elétricas fazem com que a trajetória da gota de pulverização seja modificada, assim as gotas caem na parte superior e inferior das folhas das plantas.

Isso nos traz inúmeras vantagens, dentre elas:

  • Redução do uso de produtos nas lavouras;
  • Há diversas possibilidades de aplicações de defensivos agrícolas, de acordo com a necessidade de cada cultura, de pequeno, médio e grande porte, o que amplia sua utilização;
  • Baixo custo;

Capacidade de reduzir de 50% a 90% da calda aplicada por área.

pulevrização-defensivos-agrícolas-eletrica

(Fonte:  Marcos Alexandre em Embrapa)

Você pode conferir mais sobre essa tecnologia neste link, nele tem vídeos explicativos sobre a pulverização eletrostática.

3. Defensivos químicos e veículos aéreos não tripulados (VANTs)

Como esta tecnologia pode te ajudar a ter um melhor controle

Os VANTs já são usados na agricultura para mapear e identificar doenças.

Agora é possível utilizar esses veículos aéreos como complementação às pulverizações convencionais.

Os VANTs identificam falhas de aplicação, ou reboleiras de plantas daninhas, doenças e pragas e, assim, fazem a aplicação de defensivos agrícolas de forma localizada.

Isso impede que as plantas, doenças e insetos se alastrem pela lavoura e reduzem a aplicação de defensivos em até 60%.

Veja também as principais doenças do milho neste artigo.

>> Se prepare na pré-safra: Como combater as principais doenças de milho, feijão e sorgo

Sensores ópticos

Utilizados na agricultura para avaliações de variabilidade espacial de atributos do solo;

Auxiliam na otimização e eficiência das operações agrícolas;

No Brasil são muito utilizados na aplicação de fertilizantes nitrogenados e mais recentemente na pulverização de defensivos agrícolas.

Um bom exemplo é o WeedSeeker® da Trimble.

Esse equipamento possui um sensor que identifica a ervas daninhas pelo verde da planta e aplica o herbicida somente onde a daninha se encontra:

Além disso, existem muito mais vantagens na utilização de sensores no campo, eles podem ser empregados de diversas formas e diferentes modalidade.

Leia mais sobre isso em: “8 maneiras de deixar sua lavoura mais inteligente utilizando sensores no campo”.

4. Aplicação variada de defensivos químicos

A aplicação homogênea, ou seja, colocar a mesma quantidade de insumo em toda a propriedade não é a melhor opção para um manejo efetivo e sem desperdícios.

A agricultura de precisão (AP) veio para revelar a variabilidade que existe na lavoura, possibilitando a interpretação de mapas e a aplicação em taxa variável.

Para se aprofundar no tema veja alguns artigos relacionados ao tema:

>> Software para Agricultura de Precisão: O guia definitivo para escolher um

>> 3 cursos de Agricultura de Precisão grátis (+ graduação e pós graduação que você pode fazer)

>> Guia absolutamente completo sobre agricultura de precisão na Pré-Safra

Mas você pode começar essa prática pela simples divisão dos talhões e verificando como ocorreram as atividades agrícolas, principalmente a produtividade por talhão.

colheita-indicadores

Além disso, o monitoramento dentro do manejo integrado de pragas te orienta em que faixa de área ou talhão precisam de mais ou menos aplicações.

Desse modo, você já começa a perceber as diferenças da sua lavoura, o que possibilita uma melhor gestão agrícola!

5. Novas tecnologias para gestão de defensivos agrícolas

Você já deve saber a importância da rotação dos mecanismos de ação dos defensivos químicos, de não deixar nenhum produto vencer e ter o controle de tudo o que foi aplicado.

Isso não é só crucial para as aplicações serem efetivas, mas também no controle dos custos de produção.

Mas são muitas operações, aplicações, defensivos…provavelmente você já se sentiu perdido na planilha ou caderno.

Em um software de gestão agrícola você tem todas essas informações organizadas, fáceis de serem visualizadas e tudo em um só lugar.

No software de gestão agrícola AEGRO, por exemplo, seus dados ficam seguros, sem perdê-los ou esquecê-los.

É possível também planejar as atividades durante a safra e acompanhar se estão sendo realizadas.

Você pode baixar o aplicativo de celular gratuito da AEGRO aqui para android, e aqui para Iphone.

Você pode ver mais em:

>> Como controlar os custos com um software de gestão agrícola

>> O que é um Software de Gestão Agrícola?

Tecnologia ajuda, mas não é tudo

Até aqui vimos algumas opções de tecnologias que podem auxiliar a hora da aplicação de defensivos.

Sabemos que a evolução nas operações agrícolas é constante e pode nos trazer inúmeras vantagens.

Mas devemos lembrar de que não adianta utilizar as melhores tecnologias disponíveis se não realizarmos os princípios da tecnologia de aplicação.

Ainda tem dúvidas?

Veja o estudo de caso realizado com um produtor que decidiu mudar e passar a utilizar um sistema de gestão nas suas fazendas:

>> [Estudo de caso] Como Elivelton reduziu 40% do seu custo de manutenção de máquinas com aplicativo para agricultura”.

Enfim, tem muitas novidades na lavoura, como “Novidades de máquinas e implementos agrícolas que ainda não vemos por aí”.

Conclusão

Cada vez mais as tecnologias têm nos ajudado no campo, principalmente em relação à aplicação de defensivos químicos.

Trouxemos neste texto algumas tecnologias que podem auxiliar na aplicação de defensivos e na gestão da lavoura.

E você, o que está esperando para dar o primeiro passo rumo a eficácia de gestão e aplicação?

>> Leia mais: “Agrofit: Conheça o maior banco de informações sobre defensivos do Brasil

Gostou dessas dicas? Tem outras tecnologias que utiliza em sua fazenda? Adoraria ver seu comentário abaixo!

9 fatos primordiais para o manejo de ervas daninhas resistentes a glifosato

Ervas daninhas resistentes a glifosato: entenda como são selecionadas, quais as principais ervas daninhas resistentes, manejo e muito mais. 

Nos últimos 10 anos, todos nós observamos o surgimento de ervas daninhas resistentes a glifosato e a diversos herbicidas.

Estima-se que a resistência de plantas daninhas no Brasil somente para a cultura da soja custe impressionantes 9 bilhões de reais. Esse número mostra a importância de se realizar um bom controle de ervas daninhas.

Com o surgimento da resistência, surgem também outras alternativas de controle, que podem ser a chave para uma alta produtividade

Veja a seguir as principais maneiras para manejar sua lavoura quando aparecem ervas daninhas resistentes a glifosato.

1. Como surge uma planta resistente ao glifosato ou a outros herbicidas

As ervas daninhas, evolutivamente, já apresentam uma variabilidade genética natural. Ou seja, dentro de uma uma mesma espécie de plantas daninhas há diferenças genéticas entre cada indivíduo.

Os herbicidas selecionam aqueles indivíduos que apresentam genes que resultam em resistência. Portanto, aplicações de herbicidas não criam um indivíduo resistente, apenas selecionam.

E essa seleção não é de um dia para outro.

A seleção de biótipos resistentes ocorre através da aplicação de um mesmo herbicida repetidas vezes na mesma área.

Por exemplo, nas culturas transgênicas com tecnologia RR, todo o manejo de plantas daninhas era realizado com glifosato, aplicado sequencialmente ao longo de muitas safras.

Sendo assim, este indivíduo selecionado não morre após a aplicação do produto e produz sementes, ocupando mais facilmente a área que antes era ocupada, em sua maioria, por plantas suscetíveis.

Por isso, o uso massivo de somente um tipo de herbicida auxilia no desenvolvimento da resistência na sua propriedade, seja em lavouras de soja ou qualquer outra cultura.

A figura abaixo ilustra facilmente como isto pode acontecer:

Seleção de resistência em uma nova área

Seleção de resistência em uma nova área
(Fonte: adaptado de Manejo de Resistência)

Vamos ver agora as principais ervas daninhas resistentes a glifosato em nosso país, para você ficar de olho nelas na sua fazenda:

2. Principais ervas daninhas resistentes a glifosato

No Brasil, foram identificados biótipos resistentes ao glifosato das seguintes espécies:

Vou explicar melhor cada uma delas!

Buva e capim-amargoso

Dentre todas essas plantas daninhas resistentes ao glifosato, o capim-amargoso e a buva estão disseminados por todo o Brasil, sendo encontrados em quase todas as lavouras de soja, por exemplo. 

Essas plantas demandam maior esforço e atenção do produtor. O manejo deve integrar vários métodos de controle para impedir a seleção de resistência para novos mecanismo de ação, o que infelizmente aconteceu nos últimos anos. 

Azevém

O azevém é predominante na região sul do Brasil, pois está mais adaptado a regiões frias, sendo um grande problema nas culturas do arroz e do trigo.  Essa planta daninha é uma das que mais possuem histórico de desenvolver resistência no mundo, por isso, muito cuidado no manejo!

Capim-pé-de-galinha

Mesmo estando presente em muitas lavouras do Brasil, o capim-pé-de-galinha, tem apresentado resistência a glifosato em poucas regiões, como no Centro-Oeste do Paraná. 

O importante neste momento é realizar o controle desta planta daninha em estádio inicial (onde é mais suscetível), monitorando a eficiência do glifosato e graminicidas.  

Esta realmente é uma planta daninha para se acompanhar de perto, pois já existem casos no país de plantas com resistência múltipla a glifosato e graminicidas (haloxyfop e fenoxaprop), o que dificulta muito seu manejo. 

Capim-branco

O capim-branco é um planta daninha presente em muitas áreas do país, principalmente em beiras de estradas e carreadores.  

Porém, não há relatos de que populações resistentes estejam se disseminando no país. Hoje, ele está presente principalmente no centro do estado de São Paulo. 

Como essa planta daninha não apresenta resistência a graminicidas, provavelmente sua disseminação está sendo contida pelo manejo do capim-amargoso resistente a glifosato, realizado na maioria das áreas de grãos.  

Mas é muito importante saber identificá-la e controlá-la em estádios iniciais, quando é muito suscetível a vários herbicidas. 

Caruru-palmeri

O caruru-palmeri, devido a um grande esforço do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) em conjunto com outras instituições de pesquisa, está sendo contido em algumas regiões do Mato Grosso. 

Por isso, neste momento, a principal preocupação de produtores fora desta região está em saber como identificar esta planta daninha caso apareça em sua propriedade. 

Acredita-se que esta planta foi inserida no Brasil por transporte de colhedoras sem a devida higienização. 

Por isso, produtores que possuírem propriedades próximas à área de ocorrência desta planta e em outras regiões deve tomar muito cuidado com a limpeza de seus maquinários e implementos para transporte. 

Caruru-palmeri é preocupação no MT

Caruru-palmeri é preocupação no MT
(Fonte: Embrapa)

Caruru-roxo

O caruru-roxo foi a penúltima planta daninha registrada como resistente a glifosato no Brasil. 

A população registrada ocorre na região sul do Rio Grande do Sul. Acredita-se que essa população tenha sido introduzida no Brasil a partir de um dos países vizinhos que já tinham registro de resistência, como Argentina ou Uruguai.

Como as espécies de caruru possuem sementes muito pequenas a higienização de máquinas precisa ser muito cuidadosa. 

Por enquanto não há registro de falhas de controle desta espécie em outras regiões do país, porém o maior medo dos pesquisadores é de que o caruru-roxo se dissemine e cruze com populações de caruru-palmeri.

Isso poderia gerar populações híbridas com grande potencial de crescimento e desenvolvimento, mais adaptadas ao clima local e resistente a vários herbicidas. 

Leiteiro

O último caso de resistência a glifosato registrado no Brasil foi de leiteiro, com ocorrência na região Centro-Norte do Paraná. 

Como este espécie tinha grande importância econômica antes das culturas RR, por já possuir resistência a inibidores da ALS e da PROTOX, é importante que essa população não seja disseminada a outras regiões do país. 

Por isso, a Cocari em parceria com a Embrapa Soja e Universidade Estadual de Maringá tem realizado planos de contenção desta espécie, prestando assistência aos produtores da região. 

Possíveis novos casos de resistência

Além das espécies que citamos, o que vem preocupando os agricultores agora é a presença de picão-preto resistente a glifosato no Paraguai, país que possui grande fluxo de transporte de máquinas e equipamento agrícolas com o Brasil. 

Assim como o leiteiro, a maior preocupação quanto a essa planta daninha está no histórico de resistência aos mecanismo de ação ALS e Fotossistema II, que já causou muitos problemas aos agricultores antes das culturas RR. 

Por isso, se você possui propriedades no Paraguai, tome muito cuidado com a higiene de suas máquinas e implementos para trazê-los para o Brasil. 

Para te ajudar a evitar a perda de rentabilidade com a infestação de plantas daninhas, baixe o e-book gratuito de Manejo de Plantas Daninhas.

3. Importância de entender a biologia da planta daninhas

Entender a biologia destas ervas daninhas é muito importante para manejá-las e saber qual ferramenta é a mais eficaz. 

Por isso, confira algumas características dessas plantas daninhas!

Emergência de sementes

A buva é uma planta fotoblástica positiva, o que significa que suas sementes somente germinam na presença de luz. Sendo assim, o uso de palhada no solo pode ser uma alternativa efetiva ao uso de herbicidas.

Além da necessidade de luz para germinar, o tamanho das sementes influencia sobre sua capacidade de emergir no solo! 

Por isso, geralmente semente pequenas (como de caruru e capim-branco), quando enterradas abaixo de 2 cm no solo, diminuem muito a taxa de emergência. E, quando emergem, produzem plântulas muito fracas e mais suscetíveis ao controle.  

Identificação de plantas daninhas em estádios iniciais

Como muitas plantas daninhas são muito tolerantes a herbicidas fora dos estádios iniciais, é de suma importância saber identificá-las em estádios iniciais.

Outro ponto importante é saber diferenciar espécies do mesmo gênero,  pois o manejo pode ser totalmente diferente. O manejo de caruru-palmeri, por exemplo, é muito mais complexo que o do caruru-de-mancha. 

Crescimento e desenvolvimento

Outro ponto importante é entender as características de crescimento e desenvolvimento das plantas.

Algumas plantas como o caruru-palmeri tem uma taxa de crescimento muito elevada, chegando a crescer de 4 cm a 6 cm por dia por isso. Por isso, a janela de aplicação em planta pequenas é muito curta. 

Além disso, plantas como capim-amargoso a partir de 45 após a emergência produzem estruturas de reserva (rizomas) que conferem uma grande habilidade à planta para se recuperar de dados ocasionados por herbicidas.

Mesmo não possuindo estruturas de reserva como o capim-amargoso o capim-branco, em estádios de desenvolvimento avançados acumula cera e desenvolve estruturas na superfície da folha que reduzem a eficiência de vários herbicidas. 

Ter esses conhecimentos pode auxiliar na decisão de manejo, por exemplo, realizar uma roçada antes da aplicação de herbicidas, que poderá facilitar muito o controle de plantas como capim-amargoso e capim-branco. 

4. Como controlar eficientemente as plantas daninhas resistentes a glifosato

Para realização de um manejo sustentável de plantas daninhas, é preciso fazer mais que apenas o controle.

A prevenção é importantíssima para evitar, ao máximo, o surgimento de espécies resistentes na sua propriedade.

Dessa forma, é necessário reduzir a pressão de seleção na população por meio de práticas do manejo integrado de plantas daninhas:

ervas daninhas resistentes ao glifosato

(Fonte: Fórum sobre manejo de resistência de ervas daninhas a herbicidas)

Você pode adotar técnicas culturais e mecânicas, além do manejo químico, para atingir alta eficácia no controle da sua área.

As principais para o manejo de invasoras são: 

  • diminuição do período de pousio ou fazer cultura de cobertura ao invés do pousio;
  • investimento na palhada para cobertura do solo;
  • uso de cultivares adaptadas a menores espaçamentos na entrelinha.

5. Manejo químico de plantas resistentes ao glifosato e a outros herbicidas

Atualmente, a chave para o controle de plantas daninhas resistentes ao glifosato e a outros herbicidas está no período de entressafra das culturas. 

Neste período existe a possibilidade de se utilizar uma diversidade de ferramentas. 

Por isso recomenda-se que inicie o manejo nas fases iniciais das plantas daninhas, associando herbicidas de diferentes mecanismos de ação e utilizando aplicações sequenciais. 

Uma técnica utilizada no passado e que tem sido recomendada pela maioria das empresas no manejo de plantas daninhas resistentes é o uso de herbicidas pré-emergentes

Além de possuírem pouquíssimos casos de resistência no mundo, esses herbicidas aumentam o intervalo entre aplicação e contribuem para rotação de mecanismos de ação. 

Além dos herbicidas presentes no mercado, alguns princípios ativos já utilizados em outros países serão lançado no mercado brasileiro como pyroxasulfone, tiafenacil e trifludimoxazin.

Como grande novidade, temos o lançamento de um herbicida com um princípio ativo novo, diferente de todos que já estão no mercado, cinmethylin (herbicida Luximo).

Além do novos herbicidas, nos próximos anos, existe previsão da liberação comercial de novos “traits” de resistência a herbicidas para as culturas da soja e milho. Confira:

  • Soja: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio) e Xtend (dicamba e glifosato).
  • Milho: Enlist (2,4D colina, glifosato, glufosinato de amônio e haloxyfop).
  • Soja: Xtend (dicamba e glifosato).
Rotação de mecanismo de ação

Rotação de mecanismo de ação
(Fonte: Fórum sobre manejo de resistência de ervas daninhas a herbicidas)

6. Falha no controle nem sempre significa ervas daninhas resistentes

Nem sempre o escape de plantas após aplicação de herbicidas significa que a sua área está infestada com ervas daninhas resistentes.  

Esta figura abaixo ilustra bem o que quero dizer:

ervas daninhas resistentes ao glifosato

(Fonte: traduzido de Take Action on Weeds)

Assim, é preciso verificar diversas outras causas antes de considerar a resistência, como:

Tecnologia de aplicação do herbicida

  1. dose inadequada;
  2. baixa cobertura do alvo ou incorporação insuficiente;
  3. momento de aplicação inadequado (estádio da planta daninha);
  4. necessidade de adjuvante;
  5. excesso de poeira na folha ou água de baixa qualidade na calda;
  6. efeito “guarda-chuva” nas aplicações em pós-emergência;
  7. antagonismo entre dois ou mais herbicidas no tanque de pulverização.

Solo ou condições climáticas

  1. umidade excessiva ou solo seco;
  2. condições de preparo do solo no momento de aplicação;
  3. adsorção dos herbicidas no solo e na matéria orgânica;
  4. condições de estresse;
  5. período sem chuva após a aplicação para ativação do herbicida.

7. Qual o impacto econômico causado pelo surgimento da resistência?

A resistência causou e vem causando muitos impactos econômicos no setor agro. A Embrapa, por exemplo, fez uma análise geral da economia nacionalmente.

De modo geral, o custo para controle de ervas daninhas em uma área com problema de resistência sobe de 40% para 200% em relação a uma área “suscetível”. A variação aumenta conforme aumentam o número de espécies resistentes.

Esta matéria mostra que alguns produtores do Paraná conseguiram economizar até R$ 138 por hectare ao diminuírem o uso de herbicidas graças ao manejo integrado.

Por isso, conhecer o custo do manejo de plantas daninhas por hectare e da sua fazenda como um todo é fundamental. Assim você saberá o que está compensando fazer e qual é a melhor medida de controle em termos produtivos e financeiros.

8. Termos importantes para entender ervas daninhas resistentes a glifosato e outros herbicidas

Plantas suscetíveis aos herbicidas

A suscetibilidade de uma certa de planta daninha é uma característica natural de cada espécie.

É a mortalidade ou danos que ocorrem em uma planta após a aplicação do herbicida, resultado da incapacidade de suportar a ação do produto.

Plantas tolerantes aos herbicidas

Plantas tolerantes apresentam naturalmente a característica de sobreviver e se reproduzir, mesmo após a aplicação de um herbicida na dose recomendada, desde a primeira aplicação.

Por exemplo: 2,4-D controla plantas de caruru (Amaranthus spp.) mas não controla capim-colchão (Digitaria ciliaris), pois esta espécie é tolerante a este herbicida.

E o que são plantas resistentes aos herbicidas?

Ervas daninhas resistentes são aquelas que anteriormente eram suscetíveis ao herbicida em questão, mas agora conseguem sobreviver e completarem seu ciclo de vida após a aplicação deste produto.

Para que essa ervas daninhas sejam realmente tidas como resistentes, a aplicação do herbicida deve ser na dose recomendada e em condições de campo.

Assim, temos a seleção de biótipos resistentes. Aliás esse é o termo academicamente correto quando falamos nesse assunto.

Esse termo é definido como um grupo de indivíduos com genética semelhante, porém pouco diferenciado da maioria dos indivíduos da população.

Ou seja, dentro de uma mesma espécie com genética semelhante, alguns grupos de indivíduos possuem diferenças.

No caso das ervas daninhas, a caracterização genética é feita apenas pela diferenciação em plantas resistentes e suscetíveis.

Se na sua propriedade apareceram plantas de capim-amargoso resistentes ao glifosato, por exemplo, isso quer dizer que houve seleção de biótipos resistentes.

9. Como me manter atualizado sobre a resistência de plantas daninhas?

Existe uma organização internacional, envolvendo 80 países, responsável por discutir e gerar novas alternativas de manejo para o combate a resistência de plantas daninhas. Esta organização se chama “International Survey of Herbicide Resistant Weeds”.

Sempre que um novo caso de resistência é comprovado, pesquisadores e especialistas da área o adicionam ao site, obtendo um banco de dados mundial.

No site da organização consta que no Brasil há 50 casos de resistência. Também há referência ao ano em que foi descoberto esses biótipos resistentes e quais os mecanismos de ação.

Você pode ver que muitos apresentam resistência múltipla (quando são resistentes a mais de um mecanismo de ação), como a buva resistente a inibidores da EPSPs (ex: glifosato), inibidores da PPO (ex: saflufenacil), auxinas sintéticas (ex: 2,4D), fotossistema I (paraquat) e II (ex:diuron).

Buva (Conyza sumatrensis)

Buva (Conyza sumatrensis) tem resistência registrada a 5 mecanismos de ação diferentes
(Fonte: Weed Science)

O site está em inglês, mas na listagem aparecem os nomes científicos e mecanismos de ação. Além de ser super informativo, a observação do que está acontecendo no Brasil e no mundo, com certeza, vai te ajudar a tomar decisões melhores dentro da porteira.

No Brasil também temos o HRAC-Brasil (Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas). A associação promove o gerenciamento e acompanhamento de casos de resistência com intuito de promover o manejo sustentável das ervas daninhas e o ciclo de vida dos herbicidas.

O HRAC atua no entendimento, cooperação técnica, educação, informação e comunicação entre indústrias, pesquisadores, governo, órgãos de pesquisa, universidade e produtores.

Recomendo a leitura do livro Aspecto de resistência de ervas daninhas a herbicidas”, que explica de modo simples e fácil o manejo de ervas daninhas resistentes aos herbicidas.

No site você pode ficar por dentro de novidades do setor e ver mais materiais relacionados ao tema.

Conclusão

Ervas daninhas resistentes a glifosato são um grande problema na agricultura brasileira pelo impacto financeiro que isso causa para todos os agricultores e para a cadeia.

E é por isso que as questões levantadas neste texto são importantes para seu processo produtivo, entendendo o que é a resistência e como manejá-la adequadamente.

Também vale ressaltar que, no final das contas, os custos do manejo e sua produção final são essenciais para definir qual a melhor maneira de fazer seu controle de plantas daninhas.

Você já teve problemas com ervas daninhas resistentes a glifosato e a outros herbicidas na sua área? Restou alguma dúvida sobre o melhor manejo? Deixe seu comentário.

Henrique-plácido

Atualizado em 22 de julho de 2020 por Henrique Fabrício Placido
Engenheiro agrônomo pela UFPR, mestre pela Esalq-USP e especialista em gestão de projetos. Atualmente, doutorando pela UEM na linha de pesquisa de plantas daninhas.