Desafios da cultura da soja: como se preparar e alcançar melhores resultados em sua lavoura

Cultura da soja: preparo do solo, escolha da cultivar, custeio, controle de estoque e muito mais!

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, com produtividades impressionantes, sendo o Mato Grosso, Paraná e o Rio Grande do Sul os maiores produtores do país.

Para conseguir atingir esses níveis altos de produtividade da cultura da soja, como você está se preparando?

Com a tendência de aumentar as áreas cultivadas e a produtividade, é importante realizar o planejamento da safra para garantir, além de produtividade, mais rentabilidade.

Por isso, separei alguns pontos que vão te ajudar a se planejar para a safra e alcançar resultados incríveis.

Produtividade da cultura da soja nos estados brasileiros

A maioria dos estados brasileiros têm áreas produtoras da cultura da soja. Os principais em relação à área plantada são o Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná.

Em relação à produção e produtividade, o Mato Grosso se mantém como principal estado, seguido do Paraná e Rio Grande do Sul.

A média de produtividade é semelhante em todos os estados e, a cada ano, com aumento de investimentos e de tecnologia, tende a aumentar cada vez mais.

Segundo dados da Embrapa, o Brasil tem média de produtividade de 3.379 kg/ha, sendo o maior produtor mundial do grão, seguido dos Estados Unidos, com média de 3.187 kg/ha.

Veja a seguir os números de área, produção e produtividade dos estados brasileiros na última década:

gráfico da área da cultura da soja na última década, relação de hectares com estados
gráfrico da produção da cultura da soja na última década, relação de toneladas com estados
gráfico da produtividade da cultura da soja na última década, relação de quilos por hectare com estados

(Fonte: adaptado de Conab)

Custeio de safra da cultura da soja

Todo ano, o governo federal anuncia o Plano Safra do próximo ano agrícola.

Do total disponível pelo plano, há uma porcentagem destinada ao custeio e comercialização dos produtos agrícolas.

Este custeio antecipado permite ao agricultor realizar negociações e efetuar a compra dos insumos por um preço mais baixo.

Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), as operações se destinam a financiar a cultura da soja, milho, arroz, algodão e café.

O crédito rural é um financiamento destinado a produtores, cooperativas e associações de produtores.

Você pode obter esse crédito de custeio até mesmo pelo aplicativo do Banco do Brasil.

Para conseguir o empréstimo são necessários alguns documentos, um deles é o orçamento ou projeto técnico de sua cultura da soja.

Nesse documento deverá ser apresentado todo seu planejamento de safra, incluindo os custos de produção planejados.

Você pode fazer esse planejamento manualmente ou através de um software de gestão agrícola, como o Aegro, é fácil e rápido, agilizando e modernizando seu planejamento:

Módulo IV - Custo orçado Aegro

Faça o orçamento inicial da cultura da soja

É neste momento que será possível identificar os gastos da produção da safra, assim como seu orçamento por talhão.

Realizar o orçamento possibilita identificar quais economias são possíveis de serem aplicadas e quais gastos são essenciais e devem permanecer no planejamento.

Para ter um planejamento bem estruturado, é importante ir a campo, observar os talhões para saber as medidas que deve tomar em cada um deles.

Pense também em adotar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), podendo reduzir o número de aplicações e aumentar a eficiência do seu manejo.

Outro ponto é rever os custos das safras anteriores e o histórico de suas áreas. Assim, você saberá se é possível reduzir alguns insumos em determinados talhões ou se algum talhão precisa de um manejo adicional.

O orçamento também é importante para que, após a safra, você veja seu gasto efetivo comparando com o que foi planejado, obtendo maior controle de suas finanças.

Comece sua cultura da soja “no limpo”

O manejo de plantas daninhas na pós-colheita da safrinha é de extrema importância para reduzir a matocompetição inicial entre a cultura da soja e as plantas invasoras.

Se a sua área apresentar alto nível de infestação ou plantas daninhas de difícil controle, recomendo que você faça a dessecação antecipada.

Essa dessecação consiste em:

  • 20 dias antes do plantio: aplicação de um herbicida sistêmico, como o glifosato;
  • Próximo à semeadura: aplicar herbicida de contato, como o diquat.

É interessante também associar um herbicida pré-emergente no momento do plantio da soja, garantindo o controle de invasoras no início da cultura.

Adotando as práticas acima é possível ter um ganho de produtividade, pois se cria condições ideais para o plantio (germinação e emergência da planta de forma uniforme).

Além disso, não tem como falar de invasoras sem comentar o aumento de plantas daninhas resistentes à molécula do glifosato nas lavouras.

Hoje, agricultores recorrem a misturas de herbicidas para conseguir obter um controle mais eficiente nas aplicações e manter suas lavouras no limpo.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste aconselha:

“Mesmo que a adoção da cultivar convencional seja praticada em apenas uma parte da propriedade, o ideal é que seja feita a rotação de cultivares (convencional/transgênica), para que o manejo diferenciado de herbicidas passe por toda a área de produção”

Preparo do solo para a cultura da soja

O plantio direto na soja está presente na maioria das lavouras do Brasil. Ele potencializa a produção e proporciona um manejo sustentável para o solo.

Mas devemos lembrar a importância de preparar o solo para iniciar uma safra ou mesmo ao iniciar a prática de plantio direto.

Para iniciá-lo é preciso realizar a análise de solo para cada uma de suas áreas. O ideal é que seja realizado pelo menos uma vez por ano.

Também é interessante realizar a análise no mínimo 3 meses antes do início da safra. Desta forma, há tempo de corrigir o solo antes do plantio.

Com a análise de solos em mãos é possível determinar as medidas de correção (calagem e gessagem, por exemplo) e adubação que serão necessárias para cada talhão, aplicando apenas o necessário.

cálculo de calagem Aegro

Escolha qual ou quais cultivares utilizar para formar sua lavoura de soja

A escolha da cultivar deve sempre considerar a adaptação à região em que será plantada.

O Ministério da Agricultura lança anualmente uma portaria onde são definidas as cultivares de soja que o agricultor pode utilizar na sua região pelo Zoneamento Agroclimático.

Outro ponto que deve ser considerado é o ciclo da cultivar escolhida.

Principalmente para aqueles agricultores que realizam a safrinha, é importante o uso de cultivares mais precoces, para que o milho não tenha problemas com seca ou frio.

Ainda falando sobre sementes, há alguns pontos que precisam ser avaliados:

Qualidade da semente

A qualidade da semente depende dos aspectos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários.

Sementes de alta qualidade apresentam alto vigor, que reflete diretamente na formação do seu estande. Elas permitem uma uniformidade no desenvolvimento das plantas no campo e uma emergência rápida.

Apresentam ainda maior tolerância em condições de estresse, como época de seca, por exemplo.

Semente convencional x Semente transgênica

Hoje temos no mercado dois tipos de sementes: a convencional e as transgênicas.

A soja convencional não possui alterações genéticas e, por isso, geralmente tem um valor mais baixo em relação às transgênicas.

Alguns produtores têm optado por utilizar cultivares convencionais devido ao acréscimo de R$ 5 a R$ 12 por saca comercializada, dependendo da região.

Para auxiliar esses produtores, a Aprosoja Mato Grosso e a Embrapa criaram, em 2017, o Instituto Soja Livre.

Já com a utilização de cultivares transgênicas, os produtores têm mais flexibilidade na utilização de produtos para controle de pragas, plantas daninhas, entre outros.

Variedade de características presentes em cultivares de soja transgênicas em porcentagens

Variedade de características presentes em cultivares de soja transgênicas
(Fonte: CropLife Brasil)

Como exemplo de tolerância a herbicidas, temos a soja RR, tolerante à molécula do glifosato e que hoje é cultivada em mais de 90% da área de soja brasileira.

Outro exemplo conhecido é a soja Intacta RR2 PRO, que lista 3 benefícios aos agricultores como vemos na figura abaixo:

foto de uma vagem de soja mostrando os três benefícios da Intacta RR2 Pro, sendo: Proteção contra as principais lagartas da cultura da soja, potencial aumento da produtividade e tolerância ao glifosato proporcionada pela tecnologia Roundup Ready (RR2)

(Fonte: Intacta RR2 PRO)

Outra tecnologia recente é a 3ª geração de soja transgênica, a Intacta2 Xtend, tolerante aos herbicidas Dicamba e glifosato, além de oferecer proteção contra alguns gêneros de lagartas.

Dentre tantas opções, qual semente utilizar pode se tornar uma escolha difícil.

Mas, se você conhecer a fundo sua fazenda, sabendo se há plantas daninhas resistentes, por exemplo, terá uma decisão muito mais certeira e segura.

Estoque enxuto, dinheiro em movimento

Ter produtos parados no estoque pode prejudicar suas finanças. Insumo parado no estoque é sinônimo de dinheiro parado. Ou seja, é capital que poderia ter sido investido em outras ações para melhorar a sua fazenda.

Manter um estoque enxuto, com produtos que atendem apenas às demandas do momento, é importante para manter um estoque organizado.

Tente programar com os seus fornecedores os momentos das entregas e que ocorra com maior frequência, de modo que o estoque na sua propriedade seja baixo. Assim, você sempre terá produtos dentro do prazo de validade e úteis para sua lavoura.

Mas para isso é importante ter anotado os produtos em estoque, a quantidade disponível, preços, prazos de validade, histórico de entrada e saída.

Uma maneira de você não se perder nas anotações é  automatizar as informações do seu estoque. Assim você entende, de forma fácil, como está a rotatividade dos produtos na sua propriedade e nos seus talhões, além dos custos envolvidos.

O interessante é que você tenha as seguintes informações:

  • cadastro de todos os produtos;
  • os seus respectivos preços;
  • indique em qual estoque está este produto;
  • o volume inicial e o volume final.

Não se esqueça de realizar todas as entradas e saídas. Dessa maneira, sempre será possível verificar se há necessidade de adquirir novos produtos.

Além disso, ter um histórico dos preços dos insumos da safra anterior proporciona a você mais argumentos para o momento da negociação!

Você pode começar a automatizar seu estoque pela planilha gratuita que disponibilizamos aqui.

planilha de controle de estoque Aegro, baixe grátis

Ou, então, tornar o seu controle de estoque rural ainda mais eficiente com ajuda de um software agrícola.

Comercialização da soja

Para comercialização, considerar se o cultivar que semeou é convencional ou transgênico é muito importante.

Se você utilizará parte da área com convencional e parte transgênica, atenção à limpeza das máquinas para evitar contaminação. Caso ocorra, você pode perder sua bonificação na hora de comercializar!

Outro ponto é: para escolher entre uma semente transgênica ou convencional, é importante analisar os custos da produção de cada uma delas e a comercialização na sua região.

Nesse sentido, certifique-se de que há silos disponíveis para entregar a produção. Isso porque há casos em que os silos estão cheios e a soja poderá ser levada até outro município, encarecendo o produto.

Por isso, é importante verificar na sua região a disponibilidade dos silos que recebem sementes convencionais.

É essencial também pensar em qual será seu custo total para ter certeza da tomada de decisão de venda.

Se você não sabe seu custo, não é possível saber qual preço de venda compensa. Assim, não é possível fazer contrato de venda futura, o que poderia aumentar sua rentabilidade.

Realizando a gestão da sua propriedade é possível chegar a esta resposta. Faça um planejamento em planilhas, cadernos ou softwares de todos os gastos para realizar o plantio.

Mantenha um planejamento de insumos, gastos com os maquinários, mão de obra e demais custos envolvidos.

Assim, você saberá a viabilidade da cultura da soja, sabendo ao final da safra se o planejamento foi cumprido.

Por meio de registros durante a safra você ainda poderá saber sua rentabilidade por um preço projetado de venda.

Foto de pilhas de papeis, com chamada para baixar o guia de software

Conclusão

Realizar um planejamento de safra é essencial para obter economia e evitar desperdícios que levam a gastos desnecessários.

Determinar os insumos e cultivares que serão utilizados permite o controle da fazenda, com menor chance de erros.

Pesquisar na região as possibilidades de entrega da produção também ajuda na escolha da semente e no planejamento da colheita.

Tudo isso resulta em menos desperdícios de insumos e de investimentos, otimizando os custos de sua safra.

Além disso, tenho certeza que um bom planejamento inicial o levará a uma ótima produtividade!

>> Leia mais:

Cuidados que você deve ter para evitar deficiência de potássio em soja

Tudo o que você precisa saber sobre controle da broca-das-axilas

“O que esperar dos preços da soja em 2021”

Como você faz hoje seu orçamento da safra para a cultura da soja? Já sabe a produtividade esperada de suas áreas e quais os custos envolvidos? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Carina Oliveira Redatora

Atualizado em 07 de dezembro de 2020 por Carina Oliveira
Agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestra em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Como utilizar defensivos naturais e diminuir custos

Os defensivos naturais estão sendo cada vez mais utilizados, seja pela sustentabilidade ambiental ou para um manejo mais eficiente e econômico.

Às vezes não conhecemos bem esses produtos, nem ao certo como utilizá-los. Mas a verdade é que não existe uma receita de bolo para isso.

Se bem planejado, os defensivos naturais na agricultura podem te ajudar a diminuir seus custos na produção agrícola e o manejo ser mais eficiente, especialmente em longo prazo.

Nesse artigo vou compartilhar algumas dicas que aprendi com experiência em campo, novidades do mercado e novos caminhos para o planejamento agrícola das próximas safras.

O que são os defensivos naturais?

Sobretudo, existe uma classificação entre esses produtos que os diferencia a partir de seu “princípio ativo”.

É muito comum, que se confunda qualquer biodefensivo como controle biológico de pragas.

Porém, considera-se o controle biológico os produtos utilizados a base de microbiológicos como bactérias, fungos e vírus e macrobiológicos como parasitóides e predadores.

Mas é inegável a importância dos produtos de controle biológico dentro da classificação dos defensivos naturais.

Dados da Associação Brasileira de Empresas de Controle Biológico (ABCBio) de 2017, existem no mercado registrados 102 produtos, sendo 92 inseticidas naturais, 9 fungicidas e 1 nematicida.

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(Fonte: ABCBio)

Os demais defensivos naturais também podem ser substâncias sintetizadas em organismos, como os bioquímicos e semioquímicos.

Os produtos bioquímicos são a base de extratos vegetais, enquanto que os produtos à base de feromônios e aleloquímicos, são classificados como semioquímicos.

Esses nomes podem parecer complicados, mas na verdade as substâncias têm usos simples na natureza.

Os semioquímicos são todas as substâncias químicas utilizadas na comunicação entre seres vivos.

Os semioquímicos específicos de uma mesma espécie são chamados de feromônios, enquanto que aqueles que entre espécies diferentes são os aleloquímicos.

O mais incrível é que podemos utilizar essas substâncias que ocorrem naturalmente para o manejo das lavouras.

Além disso, alguns produtos à base de fontes minerais são considerados defensivos naturais.

Existe ainda a possibilidade de realizar a mistura de alguns microrganismos (fungos e bactérias) em conjunto com  produtos fitossanitários químicos, e as empresas têm investido cada vez mais nesse tipo de pesquisa.

Desse modo, o efeito dos dois tipos de defensivos não é afetado, possibilitando a integração dos defensivos naturais ao sistemas de manejo.

Por exemplo, no site da Koppert você pode verificar a compatibilidade dos controladores biológicos do portfólio com alguns produtos fitossanitários químicos.

(Fonte: Koppert)

Começando o uso de defensivos naturais: Entenda o seu sistema produtivo

Saiba exatamente seus maiores problemas em termos de plantas daninhas, pragas e doenças da sua propriedade.

Para isso, o histórico de suas safras anteriores são fundamentais. Você pode manter os seus registros em cadernos, planilhas ou em software agrícola.

Assim você conhecerá quais os defensivos naturais que deve procurar.

Como já comentamos, também faça o planejamento de quais defensivos químicos vai utilizar, já que pode existir incompatibilidade entre os produtos.

Por fim, a parte financeira também deve ser compreendida como um todo, permitindo que você saiba se o uso dos defensivos naturais realmente compensou.

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Principais defensivos naturais para controle biológico que você deve experimentar

Trichoderma spp.

É um fungo que através de parasitismo, antibiose e antagonismo, realiza a eliminação de fitopatógenos de solo como Fusarium, Rhizoctonia, Sclerotinia (mofo branco), Verticillium, Alternaria, Roselinea, entre outros.

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Recomendação da aplicação de Trichoderma em soja para mofo branco

(Fonte: Pomela, 2012 em apresentação do Prof. José Otávio Menten e Ticyana Banzato)

Bauveria bassiana

É um fungo que parasita mais de 200 espécies de artrópodes como a mosca branca, ácaros, incluindo carrapatos.

Através, do contato direto entre o fungo e o alvo, o fungo germina na superfície do inseto, penetrando no tegumento e colonizando internamente liberando toxinas levando os insetos a morte.

Metarhizium anisopliae

É um fungo em que os esporos entram em contato com o inseto, penetram na sua cutícula colonizando os órgãos internos do hospedeiro, que para de se alimentar e morre.

Este processo ocorre entre 2 a 7 dias após a aplicação, dependendo das condições climáticas.

Sua utilização é consolidada no controle de cigarrinha das pastagens, mas também, em larva alfinete ou coró em culturas como o milho e outras.

Bacillus subtilis

É uma bactéria que promove o crescimento de plantas, atuando de forma preventiva e curativa.

Essa bactéria interfere na aderência do patógeno (fungo ou bactéria) na planta e no seu desenvolvimento posterior.

Ela também produz substâncias que atuam nas membranas e estruturas reprodutivas de fungos, prejudicando o seu desenvolvimento sobre a cultura.

Existem também trabalhos sobre sua contribuição em promover o aumento da nodulação de raízes.

Estudos ainda confirmam sua ação em nematóide dos cistos (Heterodera glycines) na cultura da soja, reduzindo a eclosão de ovos e inibindo a migração de larvas dos nematóides para a planta.

Igualmente, em feijoeiro foi observado eficaz controle de nematóide, até mesmo comparado a produtos como carbofurano, veja o estudo aqui.

Bacillus thuringiensis

Bactéria que auxilia principalmente no controle de lagartas ao ser ingerida pelo inseto.

É muito conhecida pelas culturas Bt, onde os genes que produzem as proteínas tóxicas às lagartas são incorporadas às plantas de soja, algodão ou milho.

Também existe o bioinseticida a base de Bacillus thuringiensis, mas não devemos utilizar culturas Bt e inseticidas também Bt, já que são dois métodos de controle com a mesma tecnologia.

Isso porque, desse modo, a pressão de seleção de indivíduos resistentes a Bt aumenta muito.

Além de, produtos comerciais registrados de alta qualidade no mercado, a Embrapa tem promovido formações de capacitações para a produção on farm de qualidade.

Inoculantes

A primeira coisa que vem a cabeça quando se pensa em inoculantes é a fixação biológica de nitrogênio, e realmente este é um dos grandes papéis da realização desta prática nas lavouras.

Mas, além disto, microrganismos utilizados como inoculantes podem ser promotores de crescimento, principalmente das raízes.

Um exemplo é o Azospirillum spp., bactéria descoberta em associação com a cana de açúcar por Johanna Döbereiner.

Vale ressaltar que Johanna foi uma pesquisadora brasileira protagonista na descoberta de bactérias que realizam fixação biológica de nitrogênio (FBN) e que também promovem crescimento.

Além disso, você pode fazer a co-inoculação de Rhizobium spp., Bradyrhizobium spp. e Azospirillum brasiliense, já que estudos mostram que o efeito dessa prática é muito positivo.

A combinação de microrganismos em feijão, por exemplo, pode aumentar a produtividade em 11% ou mais.

Você pode conferir mais informações sobre o assunto em 20 perguntas e respostas sobre Fixação biológica de Nitrogênio

É possível ter mais informações também nesta página da Embrapa sobre FBN nas principais culturas como soja, feijão e milho

Há ainda muitos outros controladores biológicos, que poderíamos comentar e que tem eficiência comprovada como:

  • Pseudomonas flurencens: para doenças de solo;
  • Chromobacterium subtsugae: para percevejo, mosca branca, pulgões e ácaros;
  • Isaria fumosorosea: para mosca branca;
  • A grande família de Bacillus, como o Bacillus pumilis (para doenças foliares), B. licheniformes, B. amylolichefaciens e B. cereus;
  • Paecilomyces spp.: para controle de nematóide;
  • Baculovirus spp.: para lagartas;
  • Microrganismos eficientes.

Baixe aqui a planilha grátis para cálculo de pulverização na sua lavoura

Outros defensivos naturais importantes

Extrato Pirolenhoso

O extrato pirolenhoso é uma opção de defensivo natural bem interessante para se utilizar em conjunto com defensivos químicos.

O extrato pirolenhoso e feito a partir da pirólise (ou seja, da condensação da fumaça) durante o processo de queima da madeira na ausência de oxigênio.

Este líquido possui propriedades bioestimulantes, indutor de enraizamento e efeito sobre a abertura estomática da planta.

Você pode saber mais sobre na Informação Técnica sobre Extrato Pirolenhoso.

defensivos naturais

(Fonte: Painel Florestal)

Calda Sulfocálcica

Obtida da mistura entre cal e enxofre, possuindo ação fungicida acaricida, inseticida, fungicida e repelente no controle de ácaros, cochonilhas.

Mais do que isso, uma das melhores estratégias para a entrada desse produto são no início do ciclo da soja em conjunto com outros produtos de calda, promovendo um efeito preventivo.

Você pode ler mais sobre aqui

Nim

O nim tem como principal ingrediente o limonóide azadiractina.

Essa substância provoca toxicidade, repelência, redução do crescimento, da oviposição, da viabilidade de ovos e deterrência alimentar sobre os insetos.

Além disto, o Nim também pode ser utilizado em forma conjunta com qualquer produto fitossanitário.

Feromônios

Os produtos à base de feromônios podem ser utilizados para monitoramento de pragas ou para controle, por meio de confusão sexual.

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(Fonte: Embrapa)

Como inserir os defensivos naturais na sua propriedade e projetar redução de custos

Alguns defensivos naturais podem atingir muitos alvos biológicos, como o pulgões, vaquinhas  e também podem se manter naturalmente no sistema, sendo diminuída a necessidade de aplicações ao longo do tempo.

Os controladores biológicos como Trichoderma spp. e alguns Bacillus spp são exemplos desses defensivos naturais.

No entanto, você só saberá se a praga e esses inimigos naturais estão em populações adequadas na sua lavoura pelo monitoramento, uma das bases do MIP.

Você pode ver mais sobre monitoramento e MIP (Manejo Integrado de Pragas) neste artigo aqui.

Além do MIP, você precisa estar atento ao seus custos agrícolas para verificar a efetividade e economia que os defensivos naturais podem trazer.

Faça o orçamento de todos os seus insumos antes da safra começar, e vá registrando os gastos realizados durante a safra.

Assim você saberá se seu planejamento foi adequado e terá maior controle sobre suas contas.

Comparando manejos diferentes, como uso somente de defensivos agrícolas químicos, e o manejo com o uso também dos defensivos naturais, você poderá saber qual foi o mais econômico.

Você pode fazer essas anotações em um caderno, planilha ou software agrícola, lembrando que esses dados precisam estar seguros.

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Onde buscar mais informações sobre defensivos naturais

A Embrapa lançou em 2016 o livro Defensivos Agrícolas Naturais que você pode visualizá-lo aqui.

Esse livro é o resultado das palestras e discussões científicas do V Congresso Brasileiro de Defensivos Agrícolas Naturais.

Além disso, vai aqui uma lista de empresas que produzem algum tipo de defensivo natural seja controlador biológico ou produto bioquímico e semioquímico, e com as quais você pode se informar mais sobre o assunto:

E também empresas que promovem soluções On Farm (serviços envolvendo defensivos naturais):

Conclusão

Para que defensivos naturais possam te ajudar a diminuir custos com produtos fitossanitários na lavouras, as informações técnicas são muito importantes.

Mais do que isso, conhecer e controlar sua parte financeira se mostra essencial até mesmo para comparar seus diferentes manejos.

Tenha em mente também que é possível tentar novos caminhos para desenvolvermos uma agricultura mais precisa e sustentável, do ponto de vista ambiental e também de negócios.

Agora que você sabe as principais dicas, produtos e informações, já pode começar a experimentar na sua lavoura esses tipos de defensivos!

>> Leia mais: “Entenda a importância das abelhas na agricultura”

>> Leia mais: “Agrotóxicos naturais: Manejo certeiro mesmo em grandes culturas

>> Leia mais: “Por que defensivos biológicos? Conheça mais sobre esses produtos e tire suas dúvidas” 

Gostou das informações? Sabe de mais algum defensivo natural que não citei aqui? Tem alguma outra dica ou história de sucesso com o uso de defensivos naturais? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como melhorar sua gestão rural com o uso de drones

Nada substitui a botina suja do campo dentro da gestão rural.

Mas os drones, ou VANTs, não vieram para substituir, e sim complementar esse monitoramento em propriedades rurais.

Você bem sabe as horas de equipe, e consequentemente dinheiro, investidos no monitoramento de pragas e doenças.

Com o uso das imagens aéreas você consegue direcionar em que área sua equipe deve monitorar, economizando tempo, dinheiro e ainda sendo mais efetivo.

Os drones ainda te ajudam a melhorar sua estratégia de manejo, aperfeiçoando ainda mais sua gestão rural.

Para saber os principais usos dos drones e como eles te auxiliam na gestão rural confira este artigo!

O uso de drones dentro da gestão rural

Você pode até pensar que o uso de drones não tem nada a ver com gestão rural, mas a verdade é que a tecnologia agrícola está intimamente ligada à gestão.

Com as imagens aéreas produzidas pelos drones podemos visualizar a lavoura de modo muito mais fácil e rápido.

A partir dessas imagens podemos interpretar o que está acontecendo no campo e definir estratégias mais assertivas.

Temos como exemplo essa imagem aérea abaixo, mostrando a localização de plantas daninhas em uma lavoura:

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(Fonte: Horus)

Nessa imagem você pode notar que as partes amarelas (plantas daninhas) estão especialmente nas bordas dos talhões.

Isso faz sentido, já que as áreas adjacentes podem não possuírem nenhum tipo de manejo de plantas daninhas, ocorrendo chuva de sementes para a área da lavoura.

No entanto, notamos que os talhões 18, 19, 10 e 12 possuem infestações maiores que os demais em suas bordas, sendo recomendado a ida ao campo para verificar melhor manejo nas áreas ao lado dessas.

Dessa forma, vemos que pode ser criada uma melhor estratégia no manejo de plantas daninhas a partir das imagens aéreas, otimizando nossa gestão rural.

Essas imagens são importantes para todo tamanho de propriedade rural, mas é fato que em vastos campos as imagens aéreas ganham ainda mais relevância, já que há maior dificuldade de monitoramento.

Falando em monitoramento, veja o artigo “O que são mapas NDVI e como consegui-los de graça para sua fazenda“.

Agora detalhes de como pode ser o manejo de plantas daninhas com o uso de drones:

Os drones na gestão rural de plantas daninhas

As imagens aéreas feitas por drones nos ajudam a localizar onde estão as principais reboleiras de infestações.

Assim podemos identificar mais facilmente se houveram problemas na tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, se há indícios de resistência de plantas daninhas, e muitos outros.

Isso ajuda no monitoramento da sua lavoura, orientando em quais locais sua equipe deve ir para verificar infestações, economizando recursos e otimizando seu custo de produção agrícola.

Como por exemplo, temos as imagens abaixo, onde podemos ver um pomar de citros com infestação de planta daninha de hábito trepador nas copas das árvores.

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Imagem à direita não tratada por software, e imagem à esquerda tratada para facilitar o reconhecimento de infestações.

(Fonte: Horus)

Sem esse tipo de imagem, a infestação seria muito difícil de ser identificada em campo.

Com as localizações exatas das infestações você também consegue fazer aplicações localizadas, economizando o uso de defensivos agrícolas.

Alguns softwares de drones geram arquivos que podem ser integrados com as máquinas, automatizando esses processos.

Esses fatores otimizam possibilitam que sua gestão rural seja ainda mais assertiva e eficiente, buscando cada vez mais melhores.

Os drones no manejo de doenças da sua lavoura

É fundamental sempre estar atento e avaliar a saúde das culturas, detectando possíveis doenças bacterianas, fúngicas e viroses.

Ao analisar uma cultura usando luz visível e infravermelha, os dispositivos carregados por drone podem identificar quais plantas refletem diferentes quantidades de luz em diversos comprimentos de onda.

Com isso, são produzidas imagens multiespectrais que rastreiam mudanças nas plantas e indicam sua saúde.

Assim você pode ter uma resposta rápida que pode salvar uma lavoura inteira.

Isso porque a doença é descoberta de maneira mais rápida e seu local é muito mais preciso, levando maior efetividade nas pulverizações.

E no caso de quebra de safra, você será capaz de documentar as perdas de uma maneira muito melhor para pedidos de seguro.

Mas o monitoramento pode também ser com o objetivo de observar o desenvolvimento da cultura, veja a seguir:

Acompanhe o desenvolvimento da sua cultura pelas imagens aéreas

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(Fonte: Horus)

Os defensivos agrícolas e até alguns outros tipos de manejo dependem do estádio fenológico da cultura para serem efetivos.

No caso de plantas daninhas na entressafra, por exemplo, se a planta estiver em seus estádios iniciais de desenvolvimento já sabemos que é mais fácil controlá-la.

Assim podemos tranquilamente utilizar apenas herbicidas de contato, como paraquat.

Se as plantas daninhas já estiverem adultas, ou seja, apresentarem mais que 4 folhas para espécies de folha larga, ou mais de um perfilho, para gramíneas, o manejo muda.

Nesse caso, recomendo a dessecação antecipada, com a aplicação de um herbicida sistêmico (como o glifosato) e após 15 a 20 dias, a pulverização de produto de contato, como o paraquat.

Dentro da safra a história não muda: dependendo do estádio da cultura e da planta daninha são indicados diferentes produtos e doses.

Para doenças e pragas sabemos que há épocas críticas da cultura que devemos estar mais atentos.

Além disso, saber o momento certo da adubação de cobertura e da realização da colheita garantem que sua produtividade não seja perdida.                                                                              

Ao invés de fazer esse monitoramento da cultura e das invasoras à campo e com dispêndio de horas trabalhadas da sua equipe, um drone pode fazê-lo.

É possível realizar voos periódicos durante todo o ciclo da cultura, inclusive antes e depois dela.

Dessa maneira vemos a saúde da vegetação, ataque de pragas e doenças, problemas devido à má calibração do maquinário, e outros, tudo em apenas alguns cliques e da onde você estiver.

Isso lhe dará muito mais segurança e certeza nas tomadas de decisão na sua gestão rural, com economia de tempo e, muito provavelmente, de insumos.

Mas frente a todos esses progressos, o que podemos esperar do uso de drones no futuro?

O que esperar dos drones e gestão rural no futuro

As tendências mostram que no futuro teremos frotas de drones autônomos que farão inúmeras tarefas coletivamente, facilitando nossa gestão rural.

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(Fonte: The Economist)

Esse enxame de drones seria baseado na comunicação mínima, mas eficaz, entre seus membros.

A ideia é que cada equipamento tome suas próprias decisões com base em estímulos locais.

Por exemplo, se o voo passar por uma passagem estreita, os equipamentos perceberiam isso e se agrupariam, enquanto que numa turbulência poderia ocorrer o contrário.

Para orientar cada drone em relação ao seu “vizinho” pode haver receptores GPS, mas estuda-se o uso câmeras e softwares capazes de reconhecimento de objetos e são mais versáteis e menos propensos a falhas.

Também há pesquisadores que estão estudando o controle de drones descentralizado.

Eles estão se inspirando na organização de colônias de formigas. Pode parecer loucura, mas também pode dar muito certo.

Para você entender melhor, quando é necessário ir para algum lugar desconhecido, primeiro vão algumas poucas formigas.

Se um número suficiente desses insetos retornam ao formigueiro as outras formigas recebem estímulos pelo cheio desses que retornaram, e assim o restante do formigueiro sabe que é seguro ir para esse local.

Isso as protege de condições meteorológicas perigosas ou predadores.

Além disso, se as primeiras formigas encontram dificuldades para encontrar comida, elas retornarão em um fluxo lento demais para estimularem as outras.

A intenção é que os drones poderiam, da mesma forma das formigas, tomarem decisões coletivas mais complexas além de simplesmente seguirem um ao outro em um bando.

Apesar dessas pesquisas incríveis, hoje ainda enfrentamos algumas barreiras no uso de drones, como segurança das operações, questões dos dados e a qualidade dos mesmos.

Para lidar com isso, o setor já está buscando sensores e câmeras cada vez mais sofisticados e equipamentos mais autônomos.

Conclusão

O monitoramento da lavoura é essencial, e agora com o uso de drones isso ficou mais rápido, ágil e assertivo.

Essa nova forma de monitorar o campo fornece informações de extrema relevância para tomada de decisão mais segura e eficiente, facilitando a gestão rural.

Desse modo, o manejo de plantas daninhas, pragas e doenças fica cada vez mais ágil e viabilizado.

Pesquisas futuras ainda mostram usos ainda mais complexos dos drones, fazendo com que sua gestão rural seja ainda mais eficiente e fácil em um futuro próximo.

>>Leia mais: “Drones e agricultura de precisão: 8 Pontos para você considerar”
>>Leia mais: “Software rural no sucesso da lavoura: A história de um produtor de Mato Grosso”
>>Leia mais: “5 maneiras de melhorar seu gerenciamento rural”

Gostou do texto? Tem mais informações sobre drone e gestão rural que não comentei aqui? Você também pode ter mais algumas perguntas, envie para nós comentando abaixo!

Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedade

Adubação verde vantagens e desvantagens: Conheça agora as principais informações desta prática agrícola.

É comum enfrentar problemas no seu ambiente de produção agrícola, como a compactação ou a presença de doenças e sementes de invasoras no solo.

Esses problemas aumentam o seu custo de produção e podem até diminuir sua produtividade.

Mas, você pode utilizar uma técnica agrícola para te auxiliar nesses problemas, especialmente quanto ao manejo de solo.

Esta técnica é a adubação verde.

Assim, em um estudo com adubação verde na cultura da cana-de-açúcar, o ganho de produtividade chega a ficar entre 15 e 20 toneladas de cana por hectares no primeiro corte.

Em outro estudo, o sistema de plantio direto sobre os resíduos dos adubos verdes proporcionou aumento de 10% na produtividade da cultura da soja.

adubação verde vantagens e desvantagens

Produtividade da cultura de soja sobre a influência de diferentes adubos verdes
(Fonte: Cardoso et al., 2014)

Então, acompanhe este texto para conhecer mais sobre adubação verde vantagens e desvantagens e como realizar essa prática. Confira a seguir!

Vantagens propiciadas pela adubação verde

1ª Vantagem: Aumento da capacidade de armazenamento de água no solo

A estrutura do solo deve ser como uma esponja.

Ou seja, deve ter poros grandes que drenam a água quando chove demais, chamado de macroporos.

O solo também deve apresentar poros menores que guardem a água para o período de estiagem, os chamados microporos.

Dessa forma, há um aumento da porosidade do solo e, consequentemente, melhor infiltração da água no solo.

Assim, as raízes das plantas de adubação verde ou culturas de cobertura formam esses macro e microporos no solo, aumentando a capacidade de armazenamento de água.

Isso vai resultar em maior resistência da sua próxima cultura em períodos de estiagem.

>> Como fazer adubação potássica em soja

2ª Vantagem: Descompactação do solo

Esse aumento na porosidade faz com que ocorra a descompactação efetiva do solo.

Isso ocorre especialmente quando você realiza adubação verde com diversidade de espécie, sendo recomendado a mistura de 5 espécies para esse fim.

adubação verde vantagens e desvantagens

(Fonte: Agroecologia)

3ª Vantagem: Melhora o impacto causado pela água da chuva

Com um solo melhor estruturado há redução do impacto com a água das chuvas de alta intensidade, reduzindo a erosão.

4ª Vantagem: Aumento da atividade biológica do solo

Pode ocorrer um aumento da proliferação de microrganismos que são responsáveis pela degradação dos restos de culturas.

Há também, o favorecimento de microrganismos que realizam o controle natural de outros organismos prejudiciais às plantas, como os causadores de doenças.

5ª Vantagem: Reciclagem de nutrientes

Como há o plantio de plantas de adubação verde e a sua incorporação no solo, isso promove maior quantidade de nutrientes disponibilizados no solo.

Ademais, o sistema radicular mais profundo das plantas utilizadas como adubos verdes condiciona o solo para que a sua cultura de soja, milho ou outra explore melhor os nutrientes e água do solo.

6ª Vantagem: Aumento do incremento de nitrogênio

Na adubação verde com espécies leguminosas há incremento de nitrogênio no solo, seja por meio da fixação biológica ou incorporação de biomassa.

Algumas espécies de leguminosas podem fixar de N, 159 kg/ha/ano como no caso da Crotalaria juncea.  

E isso pode te ajudar na redução do uso de adubos minerais.

Por exemplo, na cultura da cana-de-açúcar podemos aumentar entre 15 a 20 toneladas de cana/ha no primeiro corte.

7ª Vantagem: Aumento do teor de fitomassa

Com a utilização de adubos verdes, você pode aumentar a quantidade de matéria orgânica disponível no solo.

8ª Vantagem: Controle de doenças, nematóides (pragas agrícolas)

Espécies de crotalárias podem ser utilizadas para o controle de nematoides.

O nematoide Meloidogyne javanica (nematóide das galhas) pode ser controlado com a rotação de soja com milho mais Crotalaria spectabilis.

Para o nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus) na cultura da soja pode-se utilizar as plantas Crotalaria spectabilis, Crotalaria breviflora e Crotalaria ochroleuca.

Além disso, outro estudo demonstrou que houve a redução de nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) com espécies de plantas utilizadas na adubação verde.

9ª Vantagem: Controle de plantas daninhas

Adubos verdes podem ser eficientes em suprimir as plantas espontâneas (daninhas).

Além disso, também pode reduzir o banco de sementes de plantas daninhas, já que o solo fica coberto na entressafra.

10ª Vantagem: Redução da quantidade do uso de defensivos agrícolas

Como você consegue controlar algumas pragas agrícolas na sua lavoura pode ocorrer redução do uso de defensivos agrícolas.

11ª Vantagem: Recuperação de áreas degradadas

A adubação verde pode ser utilizada para recuperar áreas degradadas.

A pesquisadora da Embrapa Cerrados Arminda Moreira de Carvalho explicou que é necessário o cultivo de plantas específicas para a recuperação e/ou manutenção da matéria orgânica.

Como consequência ocorre a manutenção das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

Pensando em todas essas vantagens, a adubação verde pode melhorar o desenvolvimento da sua cultura, e consequentemente, a sua produtividade agrícola.

Um estudo comprovou que o cultivo de crotalária na primavera proporcionou maior produtividade do milho em sucessão comparada à área de pousio.

Mas, depois de observarmos tantas vantagens, quais são as desvantagens da adubação verde?

Desvantagens da adubação verde

Após definirmos tantas vantagens para esta técnica, fica difícil pensar em desvantagens.

Mas, podemos incluir como desvantagens ou até mesmo questões a serem pensadas no planejamento desta prática agrícola:

1ª Desvantagem: Custo de implantação da adubação verde

Como em toda atividade, há um custo para implantar e conduzir a sua “lavoura” de adubos verdes.

Este custo pode ser facilmente dissolvido no seu sistema de produção quando pensarmos nos benefícios que esta prática pode trazer.

No entanto, não se esqueça de considerar esse custo em seus registros financeiros para conhecer os custos reais de sua produção agrícola.

2ª Desvantagem: Adubação verde sem planejamento

Como em qualquer atividade, quando realizada sem planejamento pode ocorrer prejuízos ou não gerar lucros.

Preparamos um passo a passo sobre alguns pontos que você deve levar em consideração no planejamento da sua adubação verde, não deixe de conferir em um dos itens abaixo.  

Mas antes de falarmos sobre planejamento, vamos relembrar o que é adubação verde.

O que é adubação verde e cultura de cobertura?

A adubação verde é uma prática agrícola que algumas espécies de plantas são plantadas e depois em um determinado estágio de desenvolvimento são incorporadas no solo.

Adubos verdes são plantas utilizadas para a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo.

Esta técnica é bastante antiga, havendo relatos de utilização há 4000 a.C.

Você já deve ter ouvido falar em plantas de cobertura, será que existe alguma diferença entre adubação verde e cultura de cobertura?

A diferença está apenas no manejo empregado em cada uma delas.

Enquanto, a adubação de cobertura as plantas são incorporadas no solo, como já mencionamos.

As plantas de cobertura ficam no solo para formar uma camada protetora, que levará mais tempo para se decompor e disponibilizar os nutrientes no solo.

Alguns autores não realizam uma real distinção entre adubação verde e cultura de cobertura e acabam discutindo os dois temas juntos.

Mas, após todas essas informações você pode estar se perguntando o que realmente pode ganhar com a prática de adubação verde, veja exatamente isso a seguir:

Adubação verde vantagens e desvantagens: Quais os ganhos reais com a prática?

Podemos falar que a prática da adubação verde traz ganhos de aumento de produtividade da sua cultura.

Além disso, você também pode recuperar e manter a estabilidade e a durabilidade da capacidade produtiva do solo.

E também, reduz o seu custo com a utilização de adubos e defensivos agrícolas no controle de pragas.

Como já vimos no tópico sobre as vantagens da adubação verde, há muitos benefícios que esta prática pode trazer para a sua propriedade.

Além disso, também falamos que esta prática pode reduzir o custo na sua propriedade, quando bem planejada.

Outro ponto importante é sobre a estruturação do solo. Tendo aumento da porosidade, capacidade de infiltração e armazenamento de água.

E você pode conseguir essas vantagens na sua propriedade se realizar o plantio de espécies corretas para a sua propriedade.

Mas não se esqueça que, como qualquer outra atividade agrícola na sua propriedade, a adubação verde deve ser planejada, assim, deve estar incluída dentro do seu planejamento agrícola.

Agora que já discutimos adubação verde vantagens e desvantagens, veja este passo a passo de alguns itens que devem ser levados em conta no planejamento desta prática agrícola.

Planejamento da adubação verde: custos e orçamento

Primeiramente, você não pode se esquecer de planejar. Isso é muito importante para a administração da sua fazenda.

E lembre-se que em qualquer atividade o planejamento é essencial. Vamos ao passo a passo:

Passo 1: Primeiramente conheça a sua propriedade

Você deve conhecer as áreas que deseja realizar esta atividade na sua fazenda.

Saiba a dimensão dessa área, qual o tipo de solo, quais cultivos foram realizados neste local anteriormente, e tenha a análise de solo em mãos.

Passo 2: Qual o seu objetivo com a adubação de verde?

Com o passo anterior e com o alinhamento de seu objetivo, você saberá qual o problema a ser solucionado com a adubação verde na sua propriedade.

Ou seja, você quer melhorar a porosidade do solo ou ter maior teor de matéria orgânica ou controlar alguma praga de solo ?

Dessa maneira, a sua escolha de espécies para adubação será muito mais assertiva.

Por exemplo, se sua área tem problemas com o nematoide das lesões radiculares Pratylenchus brachyurus.

Nesse caso, você pode utilizar alguma espécie de Crotalária como Crotalaria-spectabilis, Crotalaria-ochroleuca e Crotalaria-breviflora.

Veja algumas das características de duas espécies de Crotalária.

adubação verde vantagens e desvantagens

(Fonte: Piraí Sementes)

Passo 3: Planejamento da compra de insumos

Agora que você sabe qual a área que irá realizar a adubação verde e qual a espécie de planta irá utilizar, você já pode planejar seus insumos.

Faça os cálculos e estime a quantidade de sementes necessária e seu preço.

Considere também os demais custos que podem ter na implantação e na condução da adubação verde, como algum defensivo agrícola.

Neste item, você deve realizar o orçamento de todos os insumos que irá utilizar.

Não se esqueça de anotar tudo em um caderno, planilha ou software agrícola, assim você saberá exatamente seus custos, possibilitando verificar o custo-benefício dessa atividade.

Passo 4: Planejamento das atividade para a instalação da adubação verde

Você deve planejar qual o período que irá iniciar o plantio.

Dessa forma, deve organizar quais as máquinas e implementos agrícolas que serão utilizados e quanto tempo você irá utilizá-los durante a implantação da cultura.

Certifique ainda que as máquinas, implementos agrícolas e a mão de obra estarão disponíveis para esta atividade.

Outro ponto importante para o planejamento das atividades é o acompanhamento das condições meteorológicas durante o período de plantio.

Aqui você deve orçar o custo com máquinas e implemento, ou seja, a hora máquina.

Mantenha tudo isso registrado, mantendo sua equipe consciente de quando e como serão realizadas as operações agrícolas da adubação verde.

adubação verde vantagens e desvantagens

Com o Aegro é muito mais simples planejar e manter sua equipe ciente do que é necessário fazer e em quanto tempo é preciso finalizar as atividades.

Passo 5: Compra de insumos e aluguel de máquinas (se necessário)

Verifique a necessidade da compra de outros insumos, além das sementes, e aluguel de máquinas.

Averigue também se vai ser preciso contratar mão de obra para essas atividades.

Lembre-se de colocar todos esses custos em caderno, planilha ou software para saber exatamente quais serão seus custos e, consequentemente, seus reais ganhos.

Passo 6: Preparo do solo, plantio e condução das plantas de adubação verde

Depois de seu planejamento é hora de pôr a mão na massa!

Comece com o preparo do solo, depois, o plantio e a condução da “lavoura” de plantas utilizadas como adubo verde.

adubação verde vantagens e desvantagens

Passo 7: Incorporação das plantas no solo

De acordo com a variedade que você utilizou para adubação verde, há um momento ideal para realizar a incorporação dessas plantas no solo.

Para isso, você deve conhecer o ciclo de cultivos e as características da espécie que você escolheu.

Passo 8: Fechamento dos custos que foram utilizados na prática de adubação verde

Neste item, você deve colocar todos os seus gastos (custos realizados) com a adubação verde.

Com os registros do seu planejamento, você consegue verificar onde foi gasto a mais ou a menos, observando onde poderá melhorar na próxima vez que realizar a adubação verde.

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Passo 9: Comparar as produtividade na sua próxima cultura (benefícios com a adubação verde)

Após a realização da adubação verde, quantifique qual a sua produtividade na próxima safra e compare com as produtividades anteriores.

Para isso, você pode utilizar planilhas do Excel ou algum software para contabilizar os seus custos e os investimentos.

Com o software Aegro, você consegue ter o custo de produção, seu histórico de safras anteriores e também da atual.

Isso é essencial para analisar os benefícios da adubação de cobertura, e também o lucro real da sua safra.

adubação verde vantagens e desvantagens

Agora que você sabe adubação verde vantagens e desvantagens, custos e planejamento, vamos de falar de algumas plantas que podem ser utilizadas.

Principais espécies utilizadas como adubo verde

Crotalaria juncea

Planta anual, arbustiva e de crescimento ereto.

É a espécie que produz a maior quantidade de biomassa no menor tempo e, consequentemente, fornece nitrogênio em maior quantidade.

Pode ser utilizada no controle de nematoides do gênero Meloidogyne.

Crotalaria spectabilis

Também é planta anual e de crescimento ereto. Sua principal característica é não ser boa hospedeira de nematóides.

Isso é comprovado por este trabalho, em que o número de nematoides por grama de raízes de crotalária foi significativamente menor do que daquele encontrado em raízes de soja.

adubação verde vantagens e desvantagens

(Fonte: Elaine Wutke/IAC)

Ervilhaca (Vicia sativa)

Leguminosa anual de inverno e tem bom fornecimento de nitrogênio.

Feijão de porco (Canavalia ensiformis)

Também chamado de feijão bravo. É uma planta anual, ereta e herbácea.

Esta espécie pode ser eficiente no controle de algumas plantas daninhas, especialmente tiririca.

adubação verde vantagens e desvantagens

(Fonte: Piraí sementes)

Aveia preta (Avena strigosa)

Gramínea que pode ser utilizada no controle de plantas daninhas e pragas agrícolas.

Milheto (Pennisetum glaucum)

É uma planta anual, forrageira de verão, de clima tropical, hábito ereto e porte alto.

adubação verde vantagens e desvantagens

(Fonte: José Avelino Rodrigues em Embrapa)

Aqui coloquei só alguns exemplos que você pode utilizar como plantas de adubo verde.

Mas, você pode encontrar muitas outras espécies, não deixe de verificar qual o seu objetivo com a adubação verde para escolher a espécie adequada.

Conclusão

Neste texto foram discutidas muitas vantagens que a adubação verde pode trazer para a sua propriedade.

Você pode melhorar o desenvolvimento da sua cultura, e consequentemente, a sua produtividade agrícola.

No entanto, para alcançar essas vantagens é necessário um bom planejamento da atividade agrícola, caso contrário, haverá desvantagens em sua prática.

Com um bom planejamento você consegue aumentar o lucro na sua próxima cultura e ainda obtém uma melhora do solo a longo prazo.

Então, mãos à obra para o planejamento e para implantação da adubação verde na sua propriedade!

Veja também:

Por que adubação foliar em soja pode ser uma cilada

Manual rápido de como fazer adubação de soja

O que você precisa saber sobre a cobertura do solo com nabo forrageiro

Você tem alguma dúvida sobre adubação verde vantagens e desvantagens? Quais resultados alcançou com essa prática agrícola? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Por que adubação foliar em soja pode ser uma cilada

Adubação foliar em soja pode ser utilizada em algumas estratégias, mas também pode se tornar problema se não feita adequadamente.

A ocorrência de problemas no plantio e estabelecimento das lavouras fazem com que muitos produtores corram atrás do prejuízo a todo custo.

Isso ocorreu, por exemplo, na safra 2017/18 de soja.

Diante desses contratempos as lavouras podem apresentar desenvolvimento irregular.

Assim, muitos produtores recorrem a soluções alternativas, sendo a adubação foliar muito utilizada nesse sentido atualmente.

No entanto, a escolha errada do fertilizante pode diminuir em mais de 400% a eficiência de aplicação foliar do nutriente.

Por isso, confira todas as principais dicas sobre adubação foliar a seguir:

Adubação foliar: O que é e qual sua importância

Uma das formas de auxiliarmos as plantas de soja no processo de obter os alimentos necessários para o bom desenvolvimento é através do processo de adubação.

As plantas precisam de um solo rico em nutrientes para que possam se desenvolver bem, e para que o solo se mantenha forte e rico em nutrientes é necessário que ocorra a adubação para a quantidade de nutrientes ideal seja atingida.

Porém, quando esses nutrientes não são fornecidos pelo solo, existem outras maneiras de reposição na planta, como é o caso da aplicação foliar, ou: adubação foliar.

Essa adubação de soja (foliar) consiste em um processo nutricional complementar.

Desse modo, essa adubação deve trabalhar em parceria com a do solo, inclusive a adubação foliar deve procurar fornecer nutrientes diversificados, além do NPK normalmente fornecido pelos adubos.

adubação-foliar-soja

(Foto: Adaptado de Wolf Traxx)

A opinião da adubação foliar em soja por especialistas

Áureo Lantmann, do Projeto Soja Brasil, afirmou que a adubação foliar em soja pode ser um fator que precisa ser avaliada com cuidado, não sendo uma unanimidade no setor.

Áureo também ressalta que muitas vezes os resultados dessa prática são exagerados e tratados de forma genérica, sem mencionar as particularidades que devemos nos atentar.

O especialista Dirceu Gassen afirma que a aplicação foliar pode ser viável, mas que o mais importante é a adubação via solo.

Na opinião dele, os adubos foliares são apenas estratégias de estímulo para crescimento da planta para casos específicos.

Em uma busca rápida na internet você poderá ver que a opinião de especialistas é quase unânime: a adubação foliar é complementar e mais eventual do que rotineira.

Para a adubação foliar realmente compensar, veja os cuidados e como saber seu custo-benefício a seguir:

Cuidados e custo-benefício com adubação foliar em soja

A utilização de sais e outras substâncias para a adubação foliar em soja pode resultar em queima das folhas.

Isso reduz a capacidade de fotossíntese da lavoura e pode reduzir a produtividade final ao invés de aumentá-la.

Portanto, vale a pena estudar a bula do produto, a concentração e vazão recomendadas, e consultar a empresa fabricante caso haja algum problema.

Outro cuidado fundamental para esse e outros produtos é o custo: será que compensa mesmo esse tipo de adubação?

É estimado que a aplicação foliar de micronutrientes fique entre R$ 50 e R$ 70 por ha, mas há muitas particularidades em cada fazenda que precisam ser levadas em consideração.

Desse modo, anote em um caderno ou planilha as seguintes informações para conhecer se essa adubação compensa:

  • custo do adubo foliar (R$/L);
  • dose recomendada (L/ha);
  • número de aplicações necessárias;
  • custo da aplicação por hectare (R$/ha);
  • resposta esperada em produtividade (kg/ha);
  • valor de venda do produto (R$/sc).

Multiplicando o custo do adubo foliar pela dose recomendada e pelo número de aplicações você terá o custo total do produto por hectare. Some o resultado dessa conta pelo custo da aplicação por hectare. Agora você terá o custo total da adubação foliar.

Para saber se realmente esse custo compensa, estime a resposta em produtividade e o preço que venderá sua casa de soja.

Após isso, multiplique o número de sacas esperadas em resposta a essa adubação pelo preço de venda por saca. Esse será seu ganho devido à adubação.

Subtraia o ganho que você teve por hectare pelo custo total da aplicação. Desse modo você verá se teve prejuízo ou ganhos com essa aplicação (custo-benefício).

Veja o exemplo abaixo:

contas-adubação-foliar

*Dados meramente ilustrativos.

Note que uma estimativa real dos ganhos de sacas de soja devido a adubação são essenciais para verificar o verdadeiro custo-benefício.

Você também percebeu que fazer essas contas para esses e outros produtos em um caderno ou planilha de excel é trabalhoso e sujeito à muitos erros.

Você simplificar tudo isso e ainda visualizar melhor todos os seus dados por meio de um software de gestão agrícola:

custo-realizado-gestão-rural

Adubação foliar em soja: principais nutrientes

A soja é uma cultura exigente em termos nutricionais e eficiente em absorver e utilizar os nutrientes contidos no solo, principalmente nitrogênio (N), potássio (K), cálcio (Ca), fósforo (P), magnésio (Mg) e enxofre (S).

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Sintomas de deficiência nutricional em plantas
(Fonte: Semear & Plantar)

Os micronutrientes, ou seja, aquelas que a planta precisa em menor quantidade, são os mais utilizados na adubação foliar, já que são menos encontrados em fertilizantes convencionais.

Um dos micronutrientes mais utilizados em soja é o manganês, confira o porquê:

Adubação foliar em soja: O caso do Mn

No caso da soja, temos o caso do manganês (Mn) com crescente uso de sua adubação foliar.

A redução de rendimento de soja pode chegar até 25% pela deficiência de Mn.

Diante desse quadro, há 2 fatores que interagem negativamente alterando o estado nutricional das plantas:

1. A deficiência nestas áreas tem sido atribuída à utilização de calcário dolomítico (>12% de MgO)

Em cobertura sem incorporação do produto, a maior quantidade de Mg aplicada inibe de forma significativa a absorção de Mn e Zn por efeito de inibição.

Além disso, a elevação do pH a valores próximos da neutralidade causa um novo equilíbrio dos íons na solução do solo em detrimento dos micronutrientes.

2. Uso de cultivares de soja transgênicas

Com aplicação do herbicida glifosato, existe um efeito negativo na síntese do ácido chiquímico, diminuindo a absorção alguns elementos metálicos (Cu, Mn e Zn).

Isso faz com que a cultura apresente sintomas foliares de deficiência após a aplicação do herbicida.

Quando a concentração é aumentada, pode ocorrer a queima das folhas.

Na prática, têm sido obtidos resultados muito inconsistentes quanto à sua eficiência, é necessário portanto a realização de mais estudos para a confirmação desse fato.

Assim, a aplicação de Mn via foliar é recomendada, sendo indicada nos estádios entre  estádio reprodutivo da soja V4 e R1.

No entanto, essa adubação deve ser feita de maneira adequada para realmente dar resultados positivos.

Algumas vantagens em utilizar a adubação foliar

1. Melhor aproveitamento do produto

A adubação foliar em soja é uma técnica que foca nos detalhes da nutrição de uma planta.

Isso significa que é preciso aplicar a dosagem certa no local certo, para que os resultados sejam os melhores possíveis.

Uma das consequências dessa técnica tão assertiva é, sem sombra de dúvidas, um melhor aproveitamento do fertilizante que está sendo utilizado na plantação.

Podemos afirmar que um volume do produto aplicado com a adubação foliar em soja dura muito mais tempo – e traz muito mais resultado – do que aquele aplicado com técnicas tradicionais.

As plantas conseguem assimilar algo em torno de 90% do adubo aplicado, enquanto que no caso da adubação normal no solo, as plantas absorvem em torno de 50%.

2. Resultados mais eficientes no desenvolvimento da plantação

A aplicação assertiva reproduzida na adubação foliar também é a principal responsável pelos resultados mais eficientes em grandes e pequenas produções agrícolas.

Isso acontece porque a planta, com essa técnica, recebe a dosagem ideal de nutrientes que precisa.

A adubação foliar causa estímulos ao metabolismo das plantas, ajudando na formação de aminoácidos, clorofila, proteínas e outros elementos.

Além de fornecer maior mobilização dos nutrientes pelas folhas da planta, aumentando a taxa de fotossíntese e estimulando a absorção pela raiz, entre outros.

3. Facilidade de aplicação

Por mais incrível que possa parecer, a adubação foliar é uma técnica de fácil aplicação.

A única exigência é um treinamento específico e um planejamento rígido para garantir os bons resultados que promete

4. Ocupa pouco espaço no estoque

Se você usa uma dosagem menor de fertilizantes para obter os melhores resultados, é claro que isso vai refletir significativamente na sua capacidade de estocar esse produto na sua lavoura.

Uma das grandes queixas de produtores é o grande volume de produto demandado pela plantação toma um grande espaço físico no espaço de trabalho.

A adubação foliar reduz essa perda de espaço, tornando a tarefa de estocar um produto de qualidade ainda mais fácil e eficiente.

Falando em estoque, você pode ter um maior controle do seu por meio de planilhas.

5. Custo benefício pode ser positivo

No primeiro momento você vai imaginar que a adubação foliar aparenta ser uma técnica muito mais cara do que a fertilização tradicional.

No entanto, em certos casos, o ganho de quem utiliza esse recurso é de três a dez sacas por hectare.

Mas para verificar se o lucro ocorre mesmo, é preciso colocar na ponta do lápis, ou na tela do computador, os seus custos.

Aqui neste texto você já viu como fazer esse cálculo de adubação para soja e ficar atento à essa questão.

6. Menor risco de danos ao ambiente

A adubação foliar resulta em maior segurança ao meio ambiente já que a absorção dos fertilizantes é bem maior nessa prática.

Com isso, as chances de contaminação de solo e lençol freático são significativamente menores.

Mas para que todos esses benefícios se concretizem devemos seguir algumas recomendações:

Recomendação de adubação foliar em culturas de soja

O período de aplicação dessa adubação foliar em soja deve ser quando os nutrientes são absorvidos em maior quantidade.

Isso corresponde à fase do desenvolvimento da planta, começando em V2 (primeira folha trifoliada completamente desenvolvida) até R5 (início de enchimento de grãos).

Além disso, a velocidade de absorção aumenta durante a floração e início de enchimento dos grãos.

Aliado ao aumento da velocidade de absorção, verifica-se também uma alta taxa de translocação na planta ao longo desse período.

A seguir você pode ver outras recomendações para adubação foliar em soja:

Fonte utilizada:

Diferentes fontes possuem diferentes eficiências de absorção na planta, por isso, pesquise e se atente a esse fator quando escolher seu fertilizante foliar.

Tipo de folha e arquitetura da planta:

Verifique o grau de inclinação da folha em relação ao seu eixo para determinar de que modo a aplicação pode ser mais eficaz.

Além disso, cultivares de soja que apresentam maior exposição da face inferior da folha, tamanho menor e semirreta são mais eficientes na absorção foliar de nutrientes que cultivares com folhas grandes.

Horário de aplicação foliar:

Deve ser feita entre 15h e 19h.

Estresse hídrico:

Há pouca eficiência se a aplicação for realizada quando a planta apresenta déficit hídrico acentuado.

Vento:

O excesso deste diminui a eficiência da aplicação e as plantas fecham os estômatos para reduzir a perda de água.

Como definir a necessidade de adubação foliar

sintomas-plantas-deficiencias

(Fonte: Adaptado de Monteiro, Carmello e Dechen)

Assim como a adubação tradicional via solo de complementar a nutrição da planta em quantidade e qualidade, a adubação foliar também precisa ser definida e utilizada com objetivos específicos e baseada em critérios técnicos/econômicos.

Com relação aos critérios técnicos, a decisão de usar ou não algum nutriente via foliar, deve estar apoiada na análise foliar.

Somente após a interpretação desta, será possível decidir pela correção de deficiências ou ainda, constatar toxicidade de nutrientes.

Na verdade, há necessidade de um diagnóstico em que se considere:

1) Resultados de análise de solo;

2) Resultados de análises foliar de anos anteriores;

3) Conhecimentos da adubação utilizada no ano e principalmente das adubações de anos anteriores;

4) Histórico de sintomas de deficiências em anos anteriores principalmente de micronutrientes;

5) Considerar a resposta apresentadas com o uso de adubos foliares em anos anteriores.

Sem esse conjunto de informações,adubação foliar em soja fica sem objetivo e sem parâmetro de referência para sua recomendação.

Nos casos de cobalto e molibdênio e do manganês, há argumentos técnicos para suas recomendações via foliar.

Cobalto e molibdênio, quando não foram adicionados via sementes, em que pese ser esta ainda a mais eficiente forma de adubação para esses dois nutrientes, pode se optar pela via foliar.

Para o manganês, quando surgirem sintomas ainda no período vegetativo, se recomenda a aplicação foliar.

Bom lembrar que de soja RR, após aplicação do glifosato, são induzidas a falta de manganês, que pode ser corrigida com adubo foliar.

Conclusão

O adubação foliar em soja é uma boa alternativa para complementar a adubação feita através do solo.

Porém, que fique claro que o adubo foliar não substitui a fertilização do solo, apenas o complementa.

Para isso, a análise foliar é fundamental para identificar as deficiências das plantas e principalmente saber se há necessidade de aplicação foliar.

Além disso, é necessário verificar se os custos compensam os ganhos, obtendo a segurança na tomada de decisão da adubação foliar em soja.

Gostou das dicas? Você usa a adubação foliar? Tem outras informações sobre essa prática que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!

Como fazer adubação potássica em soja

Adubação potássica em soja é uma boa saída para obter altas produtividades, desde que bem feita. Neste artigo detalhamos o que você precisa fazer na lavoura!

Você sabia que o potássio é o segundo elemento mais requerido pela cultura da soja?

A cada 1000 Kg de grãos de soja, são extraídos 20 Kg de K2O.

Esse nutriente fica apenas atrás do nitrogênio nesse quesito, sendo essencial para uma boa produtividade de soja.

Isso porque a falta de potássio resulta em plantas mais suscetíveis a períodos de estresse, como temperaturas muito altas ou baixas, ou mesmo ao ataque de pragas e doenças.

No entanto, são comuns as dúvidas sobre a dose, momento de aplicação e até a identificação da deficiência em campo.

Neste artigo sanamos essas e outras dúvidas, colaborando para a sua adubação potássica em soja!

Como saber se minha lavoura precisa de potássio?

Quando há baixa disponibilidade de potássio sem o aparecimento visual dos sintomas, ocorre o que conhecemos por “fome oculta”.  

A “fome oculta” causa redução de crescimento da planta com consequente redução da produção.

Mas, quando a deficiência de potássio é mais severa, podemos ver alguns sintomas característicos como:

  • Mosqueado amarelado nas bordas dos folíolos das folhas da parte inferior da planta;
  • Áreas cloróticas avançam para o centro dos folíolos;
  • Necrose das áreas mais amareladas nas bordas dos folíolos;
  • Necrose avança para o centro dos folíolos, ocorrendo a quebra das áreas necrosadas;
  • Grãos pequenos, enrugados e deformados;
  • Maturidade da soja atrasada, fato que pode causar haste verde, retenção foliar e vagens chochas.
adubação potássica em soja
(Fonte: Adaptado de Monteiro, Carmello e Dechen)

Cálculo da adubação potássica em soja

A adubação potássica em soja deve ser recomendada de acordo com as tabelas de cada estado.

As tabelas classificam os nutrientes presentes no solo em faixas de muito baixo ou baixo, médio, alto ou muito alto.

Como vemos na tabela abaixo, para adubação de soja na semeadura e no Estado de São Paulo, vamos fazer a de acordo com a produtividade esperada.

tabela-adubação-sp
Indicação de nutrição mineral de semeadura para soja no estado de São Paulo
(Fonte: Embrapa)

Se você está em outro estado como: Minas Gerais, solos dos Cerrados, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, você pode consultar as tabelas aqui.

Vamos ver o exemplo de acordo com a análise de solo abaixo:

Pela análise do solo, o teor de fósforo é igual a 22 mg/dm³ e para o potássio é de 0,4 cmolc/dm³.

Para fazer a interpretação pela tabela de adubação do estado de São Paulo, devemos multiplicar por 10 o valor de potássio de 0,4 cmol/dm³ para igualar as unidades e transformá-lo em mmol/dm³.

Assim temos 4 mmol/dm³ de potássio no nosso solo de exemplo.

Se levarmos em consideração a produtividade esperada maior que 3,5 t/ha, vamos observar que a recomendação para esta faixa é de P2O5 = 50 kg/ha e K2O = 80 kg/ha.

Assim, chegamos na seguinte relação: NPK 00-50-80.

No entanto, não temos essa formulação de fertilizante no mercado!

Então o que fazer?

Uma das formulações mais comuns de NPK pra soja é a 00-20-20.

Esses números significam que a cada 100 Kg desse fertilizante temos 20 Kg de P2O5 e 20 Kg de K2O

Vamos supor que é essa formulação que temos no estoque e faremos os demais cálculos com ela.

Agora veremos quanto aplicar por hectare desse fertilizante NPK 00-20-20 e se vai ser preciso outro tipo de adubo:

Mais sobre adubação potássica em soja: Quantos kg/ha aplicar e quais formulações usar?

Antes de tudo devemos ter em mente que será necessário o parcelamento da dose de potássio, pois a aplicação de doses superiores a 50 Kg/ha de K2O causa intoxicações nas plantas.

Assim,o parcelamento do potássio vai auxiliar a reduzir o risco de salinidade na germinação das sementes, quando houver estresse hídrico.

Em solos de textura média a arenoso, ou seja, quando houver menos de 200 g/kg de argila, o parcelamento de potássio ajuda a evitar as perdas por lixiviação.

Então, aplicaremos equivalente a 50 Kg/ha de K2O na semeadura, e o restante (30 Kg/ha de K2O) como adubação de cobertura.

Como possuímos a formulação  00-20-20, a dose de 250 Kg por hectare dará exatamente 50 Kg/ha de K2O e 50 Kg/ha de P2O5.

Assim, você pode fazer 1/3 da aplicação de potássio na semeadura e 2/3 em cobertura aos 30 dias após a semeadura.

Pessoal, uma observação importante aqui é que antes de você realizar a adubação de cobertura, você precisa ter feito o manejo das plantas daninhas.

Lembre-se: se você adubar a soja (ou qualquer que seja a cultura) na presença das plantas daninhas, estará desfavorecendo a cultura.

As plantas daninhas têm uma grande capacidade competitiva e a maior parte delas é mais eficiente do que as culturas em extrair os nutrientes do solo.

Agora vamos para algumas dicas extras sobre os cálculos de adubação potássica em soja que acabamos de fazer:

Cuidados com unidades e outras informações

Vimos aqui no nosso exemplo que precisamos transformar a unidade de nossa análise de solo.

Isso é muito comum nesses cálculos!

Lembre-se que em alguns estados a unidade do potássio na análise de solo vem em mmolc/dm³.

Para saber quanto tem de potássio em mg/dm³ na sua área, basta multiplicar o valor (mmolc/dm³) pela massa atômica do elemento, que no caso do potássio é aproximadamente 39.

Depois para encontrar esse valor por hectare em uma camada de 0 a 20 cm, é só multiplicar por dois e você terá o valor de quantos kg por hectare de potássio tem na sua área.

Quer saber mais sobre essa transformação com exemplos práticos?

Veja o vídeo:

Vamos entender agora um pouco mais sobre a época de aplicação.

Época de aplicação de potássio na soja

Já vimos que o potássio é muito importante para a cultura da soja. Também analisamos como fazer o cálculo de adubação para soja de acordo com a análise de solo.

Mas como saber a época de aplicação ideal?

As culturas apresentam uma porcentagem de acúmulo do nutriente em função dos dias após a emergência. Isso é conhecido por Marcha de Absorção.

Para o potássio, podemos observar na figura abaixo que esse nutriente é absorvido pela soja até aproximadamente o estádio R5.5. Ou seja, até o enchimento de grãos, quando se tem de 76% a 100% de granação em um dos quatro nós superiores na haste principal.

Assim, não vai adiantar fazer uma adubação após este período ou muito próximo a ele, pois a planta já não irá mais aproveitar o nutriente.

Também de nada adianta aplicar na época correta, mas de modo inadequado.

Por isso, vamos aos método de aplicação da adubação potássica em soja:

Métodos de aplicação da adubação potássica em soja: Cloreto de potássio a lanço 

As fontes mais comuns de potássio são o cloreto de potássio (KCl) e sulfato de potássio (K2SO4), ambos solúveis em água.

A distribuição de fertilizantes pode ser realizada na semeadura ou a lanço antecipadamente.

A adubação na semeadura consiste em aplicar os fertilizantes e sementes ao mesmo tempo na linha de semeadura.

A adubação a lanço antecipada consiste em fazer a aplicação total ou parcial do fertilizante de forma antecipada. Isso permite que a semeadura ocorra de forma mais rápida.

Temos também a adubação de manutenção de cobertura com potássio a lanço em superfície.

Essa adubação ocorre especialmente quando as doses recomendadas na semeadura ultrapassam 50 Kg por hectare de K2O. Doses superiores a isso na semeadura causam intoxicações às plantas de soja, como já comentamos.

Além disso, produtores do Oeste da Bahia vêm realizando a adubação de manutenção a lanço sem incorporação, utilizando rotação de culturas e consórcio de milho com braquiária.

Isso porque a braquiária tem raízes que podem chegar a três metros de profundidade, fazendo com que o potássio lixiviado possa ser absorvido pela braquiária.

É isso o que chamamos de ciclagem de nutrientes, fazendo com que o potássio possa ser aproveitado pela cultura posterior à braquiária.

Tão importante quanto o fornecimento de potássio é o cuidado para que este não seja em excesso:

Como evitar excesso de adubação potássica em soja

O excesso de potássio nas plantas dificilmente vai causar toxidez, mas é considerado “consumo de luxo”.

O principal problema do excesso desse nutriente é que pode interferir na absorção de outros elementos pelas plantas.

A absorção dos nutrientes é afetada por antagonismo, inibição e sinergismo.

Antagonismo: ocorre quando um nutriente diminui a absorção do outro.

Inibição: a presença de um nutriente em excesso inibe a absorção de outro.

Sinergismo: um nutriente aumenta a absorção de outro.

O excesso de potássio tende a diminuir a absorção de sódio, cálcio, fósforo e enxofre, além de inibir a absorção de magnésio.

Adubação foliar de potássio na cultura da soja: Vale o custo?

O objetivo da adubação foliar é complementar a adubação via solo e não substitui-la, a fim de suprir a planta de nutrientes que estejam abaixo do nível crítico.

Entre as principais vantagens estão a correção dos teores de micronutrientes; a uniformidade de aplicação; e a aplicação de pequenas doses.

A análise foliar é uma importante ferramenta que podemos utilizar na hora de fazer essa recomendação.

Então como coletar as folhas de soja para análise nutricional?

Para isso, temos três passos simples:

1. As amostras de folhas de soja devem ser colhidas entre o início da floração e o pleno florescimento;

adubação potássica em soja
(Fonte: Embrapa)

2. Devem ser coletadas 30 a 40 folhas recém-maduras com pecíolo, ou seja, as 3ª e 4ª folhas trifoliadas a partir do ápice da haste principal;

3. Interprete os resultados. Para isso, você pode utilizar a tabela abaixo:

adubação potássica em soja
Concentração de nutrientes usadas na interpretação dos resultados das análises de folhas de soja do terço superior no início do florescimento (estádio R1)
(Fonte: Embrapa)

Entretanto, o pesquisador Luiz Alberto Staut da Embrapa Agropecuária Oeste, explica que:

“Essas correções só se viabilizam na próxima safra, considerando que, para as análises, a amostragem de folhas é realizada no período da floração plena, no qual coleta-se o terceiro e/ou quarto trifólio com pecíolo, a partir do ápice da planta, período em que a correção nutricional via foliar não é mais possível”.

Existem três usos da adubação foliar: complementar, suplementar e corretiva (Campo & Negócios). Veremos mais sobre cada uma delas:

Complementar

Utilizada geralmente quando as condições de solo não permitem a adequada absorção do nutriente pela planta.

Assim, 20% a menos do nutriente é aplicado via solo. O restante é feito com 2 a 4 pulverizações foliares.

Suplementar

Neste caso, a adubação via solo é feita normalmente, mas também é realizada uma adubação foliar, o que constitui em investimento extra.

Essa aplicação só se justifica se for realizada em função de ganhos de produtividade, resistência a pragas e doenças e qualidade dos produtos.

Corretiva

Como a absorção via folha é mais rápida (dependendo do nutriente e do produto), pode ser feita a adubação corretiva.

O custo de se realizar a adubação foliar vai depender do equipamento utilizado (tipo de pulverizador e trator) e do produto.

Se você ainda está na dúvida sobre a adubação foliar, não há outro jeito dessa decisão ser mais assertiva do que colocando tudo na ponta do lápis (ou na tela do computador).

Faça as contas e verifique o custo real dessa aplicação. Atente-se principalmente a esse parâmetros:

  • Custo do adubo foliar (por litro);
  • Dose recomendada (L/ha);
  • Número de aplicações;
  • Custo da aplicação;
  • Resposta em produtividade esperada (kg/ha);
  • Valor estimado da venda do produto agrícola.

Conclusão

A adubação potássica em soja é essencial para altas produtividades, mas se não realizada corretamente pode limitar a sua produção.

Planejamento da adubação, análises de solo e cálculos são essenciais para que tudo ocorra bem.

Aqui você viu como realizar tudo isso, além de dicas extras para potencializar sua adubação!

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