De que forma o plantio direto contribui para a fertilidade do solo?

Por que o plantio direto contribui para a fertilidade do solo? Essa é a pergunta que irei te responder neste artigo. Então confira!

Não é à toa que cada dia o sistema de plantio direto ganha novos adeptos.

Segundo dados da Embrapa Soja de 30 anos de estudo o sistema de plantio direto mostrou 60% a mais de produção em relação ao convencional.

O revolvimento mínimo no solo propicia aumento do teor de matéria orgânica, diminui as erosões, além de inúmeros outros fatores que colaboram com a fertilidade do seu solo.

Você provavelmente já sabe de alguns benefícios do SPD (Sistema de Plantio Direto), mas talvez não tenha se atentado para toda a sua importância quanto à fertilidade do solo e nutrição de plantas.

Então, confira neste artigo as principais dicas sobre o plantio direto, seu impacto na fertilidade do solo e toda sua importância para a agricultura brasileira.

O que é plantio direto e seus princípios

O plantio direto é um método de manejo baseado no revolvimento mínimo dos solos, com cobertura do mesmo e diversificação de culturas.

Assim, no sistema de plantio direto (SPD) não há revolvimento do solo por arados ou grades, além da formação de palhada e rotação de culturas.

No Brasil, ele foi introduzido a partir da década de 1970, inspirado em modelos europeus e norte-americanos.

Nos EUA e na Europa era necessário o revolvimento do solo para aquecê-lo, uma vez que os solos ficavam cobertos com neve e isto prejudicava o desenvolvimento das sementes.

Assim, segundo especialistas como Dirceu Gassen, aqui em ambiente tropical e subtropical, o revolvimento não é necessário.

Na verdade, muitos defendem que o revolvimento das áreas poderá até ser prejudicial.

Isso porque ele afeta a estrutura dos agregados nos solos e pode acarretar em maiores incidências de plantas daninhas.

O sistema de plantio direto possui 3 princípios:

1. Mínimo revolvimento do solo

Para que o revolvimento do solo seja mínimo, o indicado aos produtores é que apenas o solo na linha de semeadura seja mobilizado.

Para que isso seja realizado todos os anos, o preparo inicial das áreas é essencial.

Neste preparo inicial deve ser realizado correção das camadas superficiais com a calagem, e se necessário, a correção nas camadas mais profundas por meio da gessagem.

Para saber mais sobre realização da calagem e gessagem confira o artigo “Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem”

2. Manutenção do solo coberto

A manutenção do solo coberto, seja por meio de palhada ou plantas vivas deve ser realizada durante o ano todo, o que é bem possível no nosso clima.

No entanto, em ambientes tropicais como esses, a cobertura do solo deve ser bem planejada, uma vez que as condições climáticas favorecem a rápida decomposição do material vegetal.

Veja como realizar adubação verde e utilizar culturas de cobertura neste artigo “Adubação verde e cultura de cobertura: Como fazer?”

3. Rotação das culturas

Quando o assunto é a diversificação das culturas, este é um dos pontos chave a serem levados em conta na hora do planejamento de seu sistema de plantio direto.

Deve-se realizar sistemas de rotação, sucessão e/ou consorciação de culturas.

A diversificação de culturas prevê inúmeros benefícios ao solo quando bem planejada e organizada.

Desse modo, a combinação de espécies vegetais com características diferentes auxiliam no manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

Ademais, diferentes espécies possuem diferentes raízes que perfuram o solo e liberam substâncias.

Isso melhora a estrutura do solo, favorecendo a formação de macro e microporos, o que aumenta a retenção de água, a descompactação do solo e outros, sendo fundamental para o aumento de fertilidade do seu solo.

Todos esses princípios do SPD contribuem para as condições físicas, químicas e biológicas dos solos, e vamos entender melhor sobre eles, começando pela cobertura do solo:

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(Fonte: Geoview)

Cobertura do solo: como e porque fazer

Vale ressaltar que a manutenção da cobertura do solo é vital para o sucesso do plantio direto.

A formação de resíduos ou palhada sobre o solo é algo difícil de ser atingido para adoção do plantio direto em ambiente tropical.

Isso ocorre porque em condições de altas temperaturas e umidade a degradação ocorre  em velocidade muito elevada.

Assim, para manter uma cobertura vegetal consistente não podemos revolver o solo e devemos introduzir plantas com elevado potencial de produção de matéria seca.

Esse elevado potencial de produção de matéria seca é determinado pela composição química do resíduo, o qual afeta diretamente sua velocidade de decomposição.

A relação C/N do resíduo dessas plantas é o principal parâmetro a ser avaliado para se estimar o comportamento no solo.

A velocidade de decomposição do resíduo é diminuída quando a relação C/N diminui, já que quanto mais nitrogênio (N) maior a velocidade de decomposição.

Leguminosas têm, em geral, resíduos que se decompõem mais rápido quando comparados aos resíduos das gramíneas, já que sua relação C/N é menor.

Portanto, para ambientes em que temos a rápida decomposição dos restos culturais, deve-se optar pela introdução de gramíneas no sistema de plantio direto para criação e manutenção da palhada nas áreas.

Nas regiões onde a decomposição é mais lenta, pode-se optar por leguminosas ou outras espécies vegetais de mesmas características.

E por que essa cobertura de solo influencia a fertilidade do solo?

Por que o plantio direto contribui para a fertilidade do solo?

A conservação da palhada evita a destruição mecânica dos agregados do solo pela chuva e o arraste de terra provocado pela enxurrada, resultado dos processos erosivos.

Se este solo geralmente superficial não é levado pelas erosões, ele consequentemente armazenará mais nutrientes, fertilizantes e corretivos quando comparados com o manejo convencional.

Além disso, o não revolvimento do solo favorece populações de ciclo biológico longo como consumidores de palha, inimigos naturais, corós, grilos e cupins.

Com esse não revolvimento as raízes das plantas de safras anteriores se decompõe e se transformam em resíduos orgânicos, liberando nutrientes de forma mais gradual às plantas.

A matéria orgânica transforma-se em compostos de alta solubilidade nos solos, e tal fator associado a menor variação de temperatura propicia o melhor crescimento radicular.

O plantio direto ainda propicia o restabelecimento da fauna nativa dos agroecossistemas e condições favoráveis ao desenvolvimento de inimigos naturais, auxiliando no manejo integrado de pragas (MIP).

Ademais, como já falamos, a diversificação de espécies faz com que a estrutura do solo seja melhorada, resultando em maior retenção de água, maior exploração das raízes, e, assim, maior fertilidade do solo.

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Água disponível entre a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente, para solo em SPD e sistema convencional, no cultivo do milho
(Fonte: Dalmago et al. em Almeira e Favarin, 2015)

Dicas de como começar a fazer um plantio direto

Os produtores que querem iniciar com o plantio direto devem pensar primeiramente na rotação de culturas a ser utilizada na área.

Ou seja, devem pensar e se planejar na diversificação de espécies a serem introduzidas nos sistemas e na formação de palhada.

Plantas que produzem grandes volumes de biomassa são as mais utilizadas, como por exemplo as braquiária e milheto.

Assim, as chamadas plantas de cobertura possibilitam a ciclagem dos nutrientes e quando morrem, a sua liberação na superfície do solo se dá por meio da decomposição da palhada.  

A obtenção da palhada sobre o solo também pode ser pelo consórcio de plantas.

Muitos produtores estão optando pelo plantio do milho nas culturas de verão, seja safra ou safrinha, consorciado com braquiária.

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(Fonte: Rural Pecuária)

Esse consórcio tem se tornado um investimento de baixo custo para a melhoria da fertilidade solo.

Em áreas manejadas com plantio direto pelo consórcio milho-braquiária já há relatos de maior resiliência à estresses.

Isso também possibilita uma segunda ou até terceira safra, quando os produtores colocam o gado nas áreas, o que acabou sendo chamado de “safrinha de boi”.

Benefícios do Plantio Direto

Manutenção da temperatura do solo numa faixa ideal para as plantas;

Diminuição da perda de água por evaporação;

Reduz o impacto da gota da chuva na superfície do solo, reduzindo com isso as perdas de água e solo por erosão;

Aumento da atividade microbiana, e animal como um todo, do solo;

Melhora na estrutura do solo;

Redução das infestações de plantas daninhas.

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(Fonte: Pioneer)

Esses fatores auxiliam nos ganhos em produtividade das culturas, desde que bem realizados e manejados.

A temperatura ideal auxilia a emergência das sementes e contribuem para formação de um dossel mais homogêneo.

A diminuição das perdas de água por evaporação propicia aos produtores uma maior estabilidade de produção ao longo do tempo, especialmente em anos de seca, uma vez que mais água fica retida na palhada e na matéria orgânica do solo nesse sistema.

Com menores erosões nas áreas, água e nutrientes são mantidos no solo e auxiliam em melhores desenvolvimentos das culturas.

A rotação das culturas e construção de palhada no solo é o principal fator para que ocorra o algum incremento da matéria orgânica do solo.

Porém, é importante que aqueles que desejam praticar o plantio direto tenha em mente que isto é um trabalho a longo prazo, sendo necessário cerca de vários anos para que se consiga pequenos aumentos nos teores de matéria orgânica nos solos.

Resultados de pesquisas de mais de 30 anos da Embrapa Soja mostram que a cada 1kg de C orgânico acumulado no solo corresponde ao aumento de 1 kg por hectare na produtividade da soja.

E para isso, o mesmo estudo apontou a necessidade de 12 anos de manejo no sistema de plantio direto.

Áreas sem palhada ou cobertura vegetal, auxiliam a lixiviação dos nutrientes e perdas nas camadas mais profundas.

Isso, além de prejudicar o desenvolvimento das culturas, pode acabar poluindo os rios e cursos d’água com fenômenos como a eutrofização.

No entanto, para que todos esses benefícios sejam aproveitados, especialmente a melhora na fertilidade do solo, o SPD tem que ser bem feito, e isso envolve planejamento.

Plantio direto e planejamento agrícola

Os produtores que desejam começar o plantio direto em suas áreas devem planejar bem todas suas fases.

O planejamento agrícola é essencial para o sucesso de todo o ciclo do plantio direto, desde a instalação da cultura principal até as culturas de cobertura.

A decisão sobre a rotação de cultura pode deve ser feita com base no levantamento da área e no conhecimento das espécies da rotação.

Se você tiver problemas com nematóides, com certas espécies de plantas daninhas ou até algumas doenças, algumas espécies de cultura de cobertura podem ajudar.

Assim, faça uma escolha consciente de quais são as melhores espécies de cobertura, e a possibilidade de se fazer também o consórcio milho-braquiária.

Para isso ainda é necessário orçar os custos dessas práticas, contando com o benefício depois, mas sempre tendo em mente o capital que você tem disponível para a safra.

As máquinas utilizadas nesse sistema também possuem certas peculiaridades e é necessário certo nível de treinamento para realização das operações.

Recomendo fortemente que você anote em caderno, planilha ou software agrícola tudo o que será necessário para começar esse sistema, especialmente o orçamento.

Durante e após a safra também anote seus resultados, inclusive por talhão, e assim você saberá exatamente quais foram seus ganhos, seus gastos totais e como foram em relação àqueles orçados.

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Com o Aegro você consegue seu custo orçado e realizado de forma muito mais ágil e descomplicada

diagnostico de gestao

Conclusão

Aqui vimos porque o plantio direto contribui para a fertilidade do solo.

O sistema de plantio direto oferece soluções para os desafios atuais e futuros da agricultura quando o assunto é o aumento das produtividades e maior eficiência do sistema.

O plantio direto traz benefícios tais como: a maior retenção de água e facilidade de infiltração no solo, redução da erosão e perda de nutrientes.

Desse modo, o SPD contribui muito para a fertilidade do solo e, assim, para o aumento de produtividade.

Além disso, evita assoreamento de rios, auxilia a menor compactação do solo, economia de combustíveis e menor número de operações.

Entretanto, todos esses benefícios só ocorrem com as técnicas bem realizadas, exigindo um planejamento agrícola adequado.

E você? Já utiliza o sistema de plantio direto em sua fazenda? Pretende começar a utilizá-lo visando os  inúmeros benefícios que ele proporciona frente ao sistema convencional? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

O futuro da fazenda: sucessão familiar em uma empresa rural

Empresa familiar rural: como funciona a dinâmica da sucessão familiar e os desafios que são enfrentados nesse processo

Toda empresa familiar rural terá que passar, em algum momento, pela sucessão familiar. Eu, inclusive, sou da quarta geração de uma família de produtores rurais e vou te contar os desafios que eu enfrento sobre este tema!

Como resido na área rural de um município no interior do estado de São Paulo, observo o recuo do número de jovens no campo.

Mais do que isso, percebo o desestímulo para continuar as atividades agrícolas da família.

É então que na hora de pensar no futuro fica a dúvida: quem vai dar continuidade a fazenda?

Pois é, a sucessão familiar vem se tornando uma questão a ser resolvida em muitas famílias do meio rural. E por que isto está acontecendo?

Quais os desafios a serem superados para obter uma sucessão familiar tranquila na empresa rural?

Aqui neste artigo eu levanto essas questões, colocando em evidência um processo de sucessão familiar mais estruturado e simples. Confira!

Por que falar sobre sucessão familiar

No dicionário, a palavra sucessão significa descendência, substituição, sequência e continuidade.

Dessa forma, sucessão é o processo de transferência da empresa rural de quem atualmente está no controle da negócios familiares para quem irá dirigi-la (sucessor).

E a permanência/continuidade (sucessão) das empresas familiares rurais é fundamental para dar continuidade na atividade da família (patrimônio da família).

Mas não pense que isso é importante somente dentro da sua empresa rural.

A sucessão familiar é um tema relevante para todo o agronegócio brasileiro.

Isso porque, o agronegócio tem representado mais de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil.

Se a produção agrícola começar a diminuir no Brasil, teremos um impacto econômico geral muito grande.

Por isso, é muito importante a sucessão familiar na área rural, para as atividades agrícolas e a produção se manterem.

Mas por que estamos enfrentando esse problema de êxodo rural entre as gerações mais novas?

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(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Algumas razões para a não permanência do jovem no campo

Como comentei no início do texto, muitos jovens não são estimulados a permanecer nas atividades agrícolas. Vejam quais são alguns pontos para que isso ocorra:

  • falta de diálogo entre pais e filhos;
  • objetivos diferentes entre o atual administrador e o sucessor;
  • busca por outras oportunidades de renda/trabalho;
  • em algumas localidades do país, a distância entre a fazenda e a cidade;
  • recurso limitado para seguir com a atividade rural;
  • crescimento da família do sucessor;
  • falta de mão de obra no campo;
  • desconhecimento do negócio da família, ou seja, da gestão da propriedade;
  • falta de tecnologia.

Nesse sentido, há muitas dificuldades que são enfrentadas nas propriedades rurais que, com certeza, colaboram para o desinteresse na atividade agrícola.

Para se ter uma noção dessas dificuldades, temos uma pesquisa realizada com acadêmicos (mulheres e homens) do curso de Agronomia da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul).

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(Fonte: Paula, 2015)

Como podemos ver, a mão de obra e a falta de comunicação são apresentadas como dificuldades importantes.

Agora vamos entender mais sobre essas questões dentro do processo sucessório, conhecendo como podemos superá-las.

A sucessão da empresa rural na dinâmica da família

A sucessão implica na sobrevivência, expansão e continuidade da empresa rural.

Este processo é muito importante para o ciclo de vida da empresa familiar rural, ou seja, para dar continuidade ao negócio rural.

No entanto, muitas vezes, a sucessão pode ser um assunto muito delicado nas famílias.

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Diandra Leziér e sua irmã sempre estiveram na lida da fazenda com a família no interior de São Paulo
(Fonte: arquivo pessoal de Diandra Leziér)

Com o receio de gerar conflitos, as famílias não se preparam para este processo, o que resulta em dificuldades ainda maiores.

Por isso, é comum encontrar os mesmos obstáculos no processo de sucessão nas mais diferentes empresas rurais.

Principais obstáculos na sucessão da empresa familiar rural

  • Resistência do patriarca para sair do comando da propriedade;
  • Temor de que o sucessor não valorize o patrimônio deixado;
  • Rivalidade entre os filhos(as) (sucessores) pela posse da propriedade;
  • Despreparo do futuro sucessor;
  • Pouco/falta de interesse do sucessor pela empresa rural;
  • Pouca experiência do sucessor no exercício da autoridade;
  • Falta de preparo gerencial e administrativo do sucessor;
  • Visão diferenciada entre o patriarca e o sucessor.

Dessa forma, a sucessão da empresa familiar rural deve ser discutida, planejada e competente para preservar o patrimônio, assegurando a continuidade da atividade.

Para isso, os pais (administrador da empresa) devem começar a enxergar os filhos ou sucessores como os novos administradores da empresa.

Administração rural é um ponto extremamente importante neste aspecto.

E o primeiro passo é a comunicação.

Como vimos anteriormente a falta de comunicação é uma das maiores dificuldades da propriedade rural, tanto entre aqueles que a comandam, como dos donos para os funcionários.

Conversar e alinhar as expectativas, explicar o funcionamento da fazenda na prática e ir incorporando o sucessor nas atividades da fazenda simplifica essa comunicação.

Dessa forma, deve haver um clima de diálogo para tratar dos conflitos já existentes e dos que ainda podem surgir.

Assim, deve haver muito diálogo entre pais (administradores atuais) e filhos ou sucessores, para uma boa comunicação entre ambas as partes e para o conhecimento sobre a empresa familiar.

Além disso, como sempre falamos, a sua propriedade rural é uma empresa.

E como toda empresa precisa de planejamento estratégico, esse é exatamente o que considero como o passo seguinte:

O planejamento do processo sucessório na empresa familiar rural

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A família Cavassim Alves (Paraná) passa seu amor ao campo de geração para geração
(Fonte: Arquivo pessoal de Maria Izabel Cavassim Alves)

Muitas vezes, a sucessão familiar não é um processo fácil e é de longo prazo.

Este processo pode levar algum tempo até que seja realizado por completo, por isso, planejamento é essencial.

O processo sucessório pode ser estruturado conforme as etapas a seguir:

1. Registros da área da sua fazenda e das atividades

Para a sucessão ser um processo mais dinâmico e menos complexo, você precisa ter as informações da sua fazenda, como:

  • Custos;
  • Rentabilidade;
  • Área total, área plantada, área de proteção ambiental e outros;
  • Benfeitorias;
  • Maquinário agrícola;
  • Históricos de safras;
  • Documentos legais e outros.

O sucessor deve conhecer o negócio, ou seja, a empresa dentro da porteira.

E nada melhor para isso do que o histórico da fazendo todo registrado e organizado.

Assim, boas práticas de registros e históricos da sua propriedade te ajudam na sucessão, além de gerar bons resultados no sistema de produção agrícola.

Com essas informações fica mais fácil que o sucessor entenda o negócio e possa começar sua gestão sem maiores problemas.

Sabemos que falar é fácil, no entanto no dia a dia, isto pode ser muito complicado.

Mas a tecnologia pode te ajudar com isso. Com o uso de softwares agrícolas você pode fazer todos registros de forma rápida e muito mais automatizada.

2. Quando começar o processo de planejamento?

Esta pergunta depende muito da propriedade, do administrador das empresas rurais familiares e dos possíveis sucessores.

Não há uma idade que o administrador (os pais) deve começar o processo de sucessão.

Isso irá depender da sua estratégia de negócio.

3. Identificar o sucessor

O sucessor deve ser identificado e informado sobre a possibilidade da sucessão.

Assim, o filho(a) ou sucessor pode pensar sobre a possibilidade e escolher se irá continuar com o negócio da família.

E como já falamos ao longo do texto, deve haver muito diálogo entre ambos os lados e em qualquer fase do processo de sucessão.

4. Treinamento do sucessor

Deve ser passado para o sucessor todas as informações da propriedade, como falamos no item 1.

O processo de sucessão é de longo prazo, por isso, deve ser muito bem planejado.

Ademais, isso envolve o desenvolvimento da liderança. Veja mais sobre a liderança no meio agrícola neste artigo.

5. Transferência da empresa rural

Depois de realizar todo o planejamento e execução da sucessão, o negócio deve ser passado para o sucessor.

Mas não é porque o processo de sucessão chegou à fase final, que o negócio não deve mais ser planejado e ter registro das atividades.

Por isso, continue com o seu planejamento agrícola.

Tecnologia pode ser uma aliada no processo de sucessão familiar

A tecnologia está se inserindo cada vez mais na agricultura, então ela precisa ser utilizada ao nosso favor.

A imagem abaixo está rodando todo o Brasil e retrata muito bem a questão da sucessão familiar no campo e a tecnologia que é necessária atualmente.

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A figura mostra o contexto dos filhos de agricultores no passado e no presente.

Em anos atrás, os pais falavam que se os filhos e membros da família não quisessem ficar no campo, era para estudar para ter outra profissão na cidade.

Isto porque, as atividades no campo eram atividades que exigiam muito esforço e recursos humanos, pois não havia muitas tecnologias.

Mas, atualmente essa lógica mudou.

Hoje é necessário muito estudo para se manter no campo

Somente entender a tecnologia embarcada das máquinas e implementos agrícolas não é o suficiente.

Precisamos compreender todas as atividades da fazenda, e principalmente como a tecnologia pode nos ajudar nessas operações.

Assim, como em qualquer outra atividade, na agricultura também há uma necessidade de realizar cursos, graduações e outros estudos.

Claro que a experiência de muitos anos que você produtor tem no campo conta muito para realizar as atividades agrícolas.

No entanto, como já discutido, é muito importante entender as novas tecnologias, como agricultura de precisão, agricultura digital e ou sensores na agricultura para ter maior produção na sua lavoura.

Diante dessa questão, você pode se perguntar: o que devo estudar? Fazer cursos técnicos, graduação, pós-graduação ou realizar outros cursos?

Essas questões devem ser analisadas em cada situação da empresa rural, das famílias e o interesse do sucessor.

Falando em tecnologia, para o processo sucessório precisamos pensar nas tendências futuras do negócio e preparar as fazendas para isso.

Um software agrícola pode, e deve, ser um importante aliado na fazenda para manter tudo sob controle e se preparar adequadamente para o futuro.

Dessa maneira, você terá um processo de sucessão familiar na empresa rural de modo muito mais fácil e simples. Veja o porquê disso:

Softwares te ajudam no processo de sucessão e na administração da sua propriedade

É muito comum ter todo o negócio da fazenda em planilhas de Excel ou até mesmo só na cabeça.

Mas se você já está na agricultura há algum tempo, sabe que isso envolve muitos dados e muitas planilhas.

O que pode gerar muita confusão com os dados da sua propriedade, inclusive no momento da transferência da fazenda para seus sucessores.

Como já falamos aqui, com tudo organizado e registrado a sucessão fica muito mais fácil, imagine agora ter todas essas informações em alguns cliques.

Por isso, o uso de software para fazenda veio para facilitar e simplificar a sua vida.

Muitos desses programas também funcionam pelo celular e, em alguns cliques, você pode ter informações que antes eram quase impossíveis de obter.

Então procure um software que lhe traga benefício.

O Aegro é totalmente seguro e suas informações podem ser acessadas por você a qualquer hora, momento e lugar.

Inclusive há alguns casos de clientes que ganharam tranquilidade na sucessão familiar com o uso da Aegro.

Isso ocorre especialmente quando há mais de um sucessor e é preciso dividir a fazenda. Com tudo registrado e baseado em dados, a divisão fica clara para todos.

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Conclusão

Neste texto entendemos o que é sucessão familiar e qual a sua importância em nosso país.

Além disso, discutimos alguns desafios enfrentados neste processo e pelos sucessores do negócio rural.

Não existe uma receita para realizar a sucessão familiar. Você precisa de planejamento para que este processo seja bem realizado.

Então não fique parado, planeje a sucessão familiar da sua empresa familiar rural.

Pois como em qualquer atividade da sua fazenda, a sucessão também deve ser planejada, para que o negócio continue e gere bons frutos.

>>Leia mais:

“Governança corporativa: saiba como colocar a fazenda em ordem”

7 cursos de Agricultura de Precisão grátis (+ graduação e pós graduação que você pode fazer)

Quais os desafios que você enfrenta ou enfrentou no processo de sucessão da empresa familiar rural? Adoraria ver seu comentário abaixo.

7 verdades sobre Helicoverpa zea: sua origem e como combatê-la

Helicoverpa zea: Como identificar facilmente a lagarta-da-espiga e quais as medidas de controle mais eficientes para a lavoura.

A Helicoverpa zea, também conhecida por lagarta-da-espiga, está entre as espécies de pragas mais importantes para a agricultura.

Isso porque ela ataca inúmeras culturas, especialmente o milho, chegando a até 96% de infestação nas espigas.

Essa espécie tipicamente do “Novo Mundo” (do continente Americano, como mostra figura abaixo) pode causar inúmeros danos.

No entanto, com tantas lagartas que podem atacar a lavoura, podemos facilmente nos confundir e nos deixar levar pela rotina do dia a dia.

Por isso, veja aqui 7 verdades sobre Helicoverpa zea que lhe ajudarão a entender melhor sobre essa praga e como combatê-la.

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Distribuição global de Helicoverpa zea
(Fonte: CABI)

1.Helicoverpa zea e sua origem

A lagarta-da-espiga tem sua distribuição em parte da América do Norte, na América Central e parte da América do Sul, englobando todo o território brasileiro.

Atualmente, existem 18 espécies identificadas do gênero Helicoverpa spp., sendo que, duas delas estão presentes no Brasil: a lagarta-da-espiga-do-milho (Helicoverpa zea) e a Helicoverpa armigera.

A Helicoverpa armigera é da região da Oceania, sendo mais adaptada às culturas do algodão e da soja.

Já a Helicoverpa zea é originária da região do México, resultando em maior adaptação ao milho e, por isso, sendo mais facilmente encontrada nessa cultura.

Essas duas lagartas, normalmente, não podem ser diferenciadas a olho nu, sendo necessário o uso de alguma lupa ou microscópio.

Desse modo, a morfologia externa desses insetos, em todas as fases do ciclo biológico são muito semelhantes, o que dificulta a identificação.

No entanto, se você encontrar um inseto com as características da Helicoverpa em milho é mais provável que seja a H. zea.  A seguir você confere todas essas características:

2. A identificação da Helicoverpa zea não é tão complicada

O inseto adulto da Helicoverpa zea é uma mariposa que mede cerca de 40 mm, com asas anteriores amarelo-parda.

Ele também possui uma faixa escura na transversal e algumas manchas nas asas, também de coloração escura. Já as asas posteriores são de cor mais clara.

Abaixo você pode ver as principais características da Helicoverpa zea e H. armigera, bem como seu ciclo:

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Ciclo e identificação de Helicoverpa zea ou H. armigera
(Fonte: Mapa, Bayer, FAEG e Santin Gravena em Globo Rural)

Além disso, os danos causados pela lagarta-da-espiga podem ser confundidos com os danos causados pela lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).

Mas você pode diferenciá-las facilmente através da coloração da cabeça, que é mais escura na Spodoptera frugiperda.

A lagarta-da-espiga tem a cabeça de coloração marrom bem clara enquanto a lagarta-do-cartucho apresenta a cabeça quase preta. Aqui no blog, temos outros artigos sobre esse assunto. Veja:

>> “As tecnologias que você precisa saber para controlar “Spodoptera frugiperda
>> “Passo a passo de como combater a lagarta-do-cartucho

3. Conhecer o ciclo de vida da Helicoverpa zea ajuda a combatê-la

O conhecimento do ciclo de vida dos insetos te ajuda a entender em que fase as pragas agrícolas atacam a cultura.

Além disso, esse conhecimento é essencial para facilitar a identificação e saber quando é melhor fazer o monitoramento da lavoura.

Como você viu na imagem acima, a vida total desse inseto é em torno de 40-45 dias, sendo que ele passa por seis instares larvais num período de aproximadamente 18 dias.

Assim, podem ocorrer durante o ano mais de cinco gerações.

Com essas informações podemos definir algumas estratégias de manejo para combate da Helicoverpa zea:

  • Como o tempo de cada geração é de aproximadamente 30 dias, estabeleça janelas de aplicação com aproximadamente 30 dias de duração;
  • Você até pode fazer aplicações múltiplas do mesmo modo de ação dentro de uma janela, mas desde que os efeitos não excedam os 30 dias duração da janela. Assim, a chance da lagarta ser exposta ao mesmo modo de ação do inseticida são reduzidas, sendo menor o risco de desenvolvimento de resistência;
  • As aplicações em pré-plantio e no tratamento de sementes também devem ser seguir essa estratégia de janela de 30 dias;
  • O tratamento de sementes podem não oferecer controle de 30 dias, então, se necessário, aplique um inseticida foliar. No entanto, é indicado que essa aplicação ocorra mais tarde, até 25 dias após a semeadura;
  • Caso não consiga manter essa janela de aplicação, mude o mecanismo de ação do inseticida em cada pulverização;

A praga possui hábitos noturnos, movimentando-se a partir do entardecer, sendo que as condições de umidade contribuem para seu crescimento populacional.

No milho, a lagarta-da-espiga está listada entre as pragas primárias, tendo grande importância nos estádios de R1 a R4.

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4. Os danos da Helicoverpa zea no milho são característicos

No milho, o adulto (mariposa) da lagarta-da-espiga coloca seus ovos nos estilos-estigmas (cabelo do milho).

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Ovo de Helicoverpa spp. no “cabelo” (estilo-estigmas) de milho
(Fonte: Foto de J. Obermeyer em Purdue Extension)

Mas, também pode colocar os ovos nas folhas de plantas ainda em estádios vegetativos de desenvolvimento.

Na espiga, você poderá encontrar de 13 a 15 ovos, tendo um período de incubação em torno de três dias.

As larvas recém-nascidas alimentam-se dos cabelos de milho, e dependendo da intensidade de ataque podem ocorrer grandes falhas nas espigas pela não-formação dos grãos.

Já as lagartas maiores se alimentam dos grãos leitosos, o que também facilita a penetração de microrganismos e pragas de armazenamento de grãos.

Danos causados no milho:

  • Ataca os estigmas impedindo a fertilização;
  • Alimentam-se de grãos leitosos;
  • Deixam orifícios que facilitam a penetração de microrganismos que podem causar podridões e facilitar as pragas no armazenamento.
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(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

Danos da Helicoverpa zea em outras culturas:

  • Brocam os frutos;
Helicoverpa zea

(Fonte: Plant Health Progress)

  • Destroem mudas;
  • Alimentam-se dentro da coroa da planta causando buracos na nervura central;
  • Abrem pequenos orifícios na extremidade da flor e causam falhas na produção de grãos.

5. O controle de Helicoverpa zea pode ser por produtos biológicos

O controle biológico é feito através dos predadores e parasitoides:

  1. A tesourinha Doru luteipes se alimenta de ovos e de larvas pequenas da praga;
  2. A vespa Trichogramma parasita os ovos de Helicoverpa zea.
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Vespa Trichogramma
(Fonte: Lucas Machado – Universidade Federal de Lavras)

O uso de Trichogramma é recomendado tanto para área de plantio de milho convencional quanto de milho Bt.

A liberação do parasitoide deve ser associada ao monitoramento das mariposas na área-alvo.

O monitoramento deve ser feito com armadilhas contendo feromônio sexual sintético, específico para cada espécie de praga-alvo.

Pode ser utilizado também em soja, algodão, independentemente do tamanho da área.

Além disso, podemos controlar essa lagarta por meio de produtos biológicos Bt ou mesmo com a cultura transgênica Bt.

No entanto não utilize essas duas tecnologias em conjunto, já que isso seleciona indivíduos resistentes.

Para ver mais sobre usos de defensivos naturais no combate à pragas acesse este artigo: “Como utilizar defensivos naturais e diminuir custos”

6. O controle de Helicoverpa zea por inseticidas não é tão fácil assim

O controle químico é difícil, pois as aplicações de inseticidas devem ser direcionadas às espigas.

Isso porque as lagartas, ao eclodirem dos ovos, penetram nas espigas através do estilo-estigma.

Por isso recomendamos a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que traz inúmeros benefícios além do controle desta praga.

Para te ajudar, disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Clique na figura abaixo para acessar!

7. Helicoverpa zea é resistente a algumas medidas de controle

Têm sido relatados casos de resistência a inseticidas na América do Norte e na América Latina.

Esses casos são principalmente em relação aos grupos químicos dos carbamatos (1A), organofosforados (1B), piretróides (3A) ou a tecnologia de plantas Bt (Bacillus thuringiensis).

Conclusão

A Helicoverpa zea (lagarta-da-espiga) continua sendo uma importante praga para a cultura do milho, sendo necessário conhecer mais sobre o inseto.

A correta identificação, bem como o conhecimento do ciclo, controle biológico e outras informações que você viu aqui,são essenciais para um manejo adequado.

Assim, faça o MIP e controle a Helicoverpa zea em sua lavoura, protegendo todo o potencial de produção de sua cultura!

>> Leia mais:

Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas
As perguntas (e respostas!) mais frequentes sobre manejo integrado de pragas
Como fazer manejo integrado de pragas (MIP) na cultura do milho


Como você faz o controle da Helicoverpa zea em sua propriedade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

9 Tipos de implementos agrícolas mais importantes

Os implementos agrícolas são equipamentos usados para atividades agrícolas, e são conectados a algum sistema de tração. 

O uso desses equipamentos ajudam nas tarefas do campo, aumentando a agilidade e eficiência das atividades.

Existe um grande número de implementos e conhecer todos eles é fundamental para fazer boas escolhas.

Neste artigo, você saberá mais sobre os 9 principais tipos de implementos agrícolas, seus usos e o que considerar para fazer uma boa escolha. Confira!

O que é um implemento agrícola?

Os implementos agrícolas são equipamentos acoplados a algum sistema de tração, como máquinas e tratores, para ajudar a executar uma atividade específica. 

É comum estarem presentes em várias tarefas, desde o preparo do solo até o fim do ciclo da cultura

A principal diferença entre máquinas e implementos agrícolas é que um implemento agrícola não tem um sistema motriz, ou seja, não se move sozinho.  

Cada tipo de implemento tem uma função bastante, por isso é importante você ter os equipamentos corretos para o tipo de atividade que exerce na propriedade. 

9 tipos de implementos agrícolas mais usados

Existe uma grande variedade de equipamentos, que podem ser puxados por tratores ou, em alguns casos, ser utilizados manualmente. Confira os 9 implementos agrícolas mais usados e importantes para se ter na fazenda:

1. Arados

Os arados são implementos agrícolas usados no preparo do solo e servem para arar e descompactar a terra para o cultivo das plantas. Sua atuação é na camada superficial da terra e sua principal função é propiciar melhores condições de:

Os arados podem ser usados em tipos diferentes, sendo eles: de discos ou de aivecas, fixos ou reversíveis

Arados de Discos

Os arados de discos são formados pelos discos, colunas e cubos, acoplados ao trator agrícola por meio dos três pontos.

Os discos podem ter números e tamanhos diferentes, promovendo corte, elevação e mobilização da leiva.A escolha correta consiste em avaliar o solo onde o implemento irá trabalhar.

Para solos arenosos, são indicados os discos lisos, já para solos argilosos e com maiores quantidades de palhada, são indicados discos com bordas recortadas, pois possibilita maior penetração.

Arados de aiveca

Os arados de aiveca têm uma superfície torcida que recebe o nome de “aiveca”. Essa superfície é responsável por elevar, torcer e inverter parcialmente a leiva cortada.

O arado de aiveca promove melhor incorporação dos restos culturais quando comparado com o de discos. Por isso, no caso de adubação de cobertura, esse arado pode ser mais indicado.

Além disso, ele não precisa de peso como o de discos para penetração no solo, já que a sua penetração é dada pela conformação de suas partes ativas. 

Arados reversíveis 

Os modelos  reversíveis podem movimentar o solo para a direita ou esquerda. Basta que o operador, ao manobrar o trator, coloque o implemento no sentido inverso.

Esse tipo de arado melhora o desempenho operacional nas manobras de cabeceira. Como resultado, o trabalho se torna mais ágil e eficiente, aumentando a produtividade e reduzindo o desgaste do equipamento.

arado-aiveca

2. Subsolador

O subsolador atua na superfície e na subsuperfície do solo, desagregando as camadas compactadas. Devido ao intenso tráfego de máquinas pesadas nas lavouras, a compactação do solo nas camadas inferiores é comum.

É importante lembrar que passar o subsolador não resolve o problema de compactação do solo. Essa é uma medida paliativa. 

Existem no mercado diferentes tipos de subsoladores, mas todos atuam em uma camada superior a 30 cm de profundidade. Trata-se de um implemento robusto, que demanda grande força de tração.

A subsolagem é uma das operações de maior custo operacional porque necessita de tratores potentes e grande consumo de combustível.

As hastes têm diferentes calibrações, que devem ser ajustadas de acordo com a necessidade. O número de hastes, angulação e espaçamento entre as hastes também podem ser escolhidos.

No entanto, quanto maior o número de hastes, maior será o gasto energético do conjunto trator-implemento e mais cara será a operação.

3. Grades aradoras e niveladoras

As grades aradoras intermediárias ou pesadas realizam em uma só operação a aração e a gradagem. O perfil do solo revolvido é superficial, cerca de 10 cm a 15 cm.

O solo preparado com esse tipo de implemento, especialmente quando úmido, apresenta descontinuidade entre o perfil preparado e o solo abaixo.

As consequências deste preparo são conhecidas como “pé de grade”, que é uma camada com 5 cm ou mais de espessura endurecida ou compactada. Os efeitos disso são:

  • Erosão laminar;
  • Dificuldade de crescimento das raízes das plantas;
  • Baixa capacidade de infiltração de água nos solos;
  • Prejudica a emergência das plantas.

O trabalho deve ser realizado com velocidades em torno de 5 km/h a 6 km/h. Dentre os benefícios deste implemento, há: incorporação de adubos orgânicos ou químicos, enterrio de sementes distribuídas a lanço e destorroamento.

De acordo com o tamanho dos discos, formato e peso, teremos diferentes profundidades de trabalho. As grades aradoras e niveladoras são os implementos de preparo de solo mais utilizados no Cerrado.

4. Sulcadores

Os sulcadores têm a função de abrir um sulco no solo, onde serão depositadas as sementes e os adubos. São normalmente usados em combinação com semeadoras ou semeadoras-adubadoras.

Normalmente,  os tipos de sulcadores são de disco, haste ou enxada:

  • Sulcadores de discos: Podem ser de discos simples ou de discos duplos, e são os mais presentes em semeadoras-adubadoras;
  • Sulcadores de haste (ou facão): Usados, principalmente em combinação com adubadoras, rompendo mais facilmente as camadas de solo e depositando o adubo em maiores profundidades; 
  • Sulcadores de enxada: São mais recomendados para áreas mais limpas e sem restos de cultura ou troncos/tocos.

Em termos de gasto de combustível, os que menos demandam são os de disco, seguidos pelo de haste e de enxada. Essa é a mesma ordem para o embuchamento por restos vegetais. 

Manejo integrado da lavoura: como ele pode impulsionar sua produtividade

5. Semeadoras-adubadoras

A função da semeadora-adubadora é depositar no sulco de plantio a semente e/ou o adubo. Esses implementos agrícolas podem ser encontrados individualmente ou em conjunto.

Existem semeadoras-adubadoras com sistema de movimentação, porém, o mais comum é  usar acoplados ao trator.

As semeadoras podem ser específicas ou adaptáveis para diversos tipos de plantio. Por exemplo, existem:

  • Semeadoras para sementes miúdas ou graúdas;
  • Semeadora para plantio direto ou convencional;
  • Semeadura de precisão ou fluxo contínuo.

Já as adubadoras podem estar em conjunto com as semeadoras no plantio, mas também atuar individualmente para adubação de cobertura.

As carretas esparramadoras ou distribuidoras também são importantes na adubação e correção do solo

6. Pulverizadores

Os pulverizadores têm a função de aplicar produtos fitossanitários no campo, como fungicidas, inseticidas, herbicidas, dessecadores ou mesmo fertilizantes.

Os pulverizadores autopropelidos, com alta performance e que não permitem desacoplamento são cada vez mais comuns. Porém, pulverizadores tratorizados ainda são muito utilizados.

Esse é um dos tipos de implementos agrícolas mais importantes durante todo o ciclo da cultura e podem ser usados para a proteção e controle de pragas, doenças e plantas daninhas. 

7. Enxada rotativa

A enxada rotativa atua sobretudo no preparo de solo, na eliminação de plantas daninhas, trituração e incorporação de fertilizantes, corretivos e restos culturais.

Esse implemento consiste em lâminas que giram em torno de um eixo horizontal, mas causa revolvimento intenso da camada superficial do solo. Por isso, deve ser bem regulada, evitando assim a pulverização do solo.

8. Rolo-faca

O rolo-faca é bastante utilizado em sistemas de plantio direto, sendo muito usado para derrubar, amassar e acamar as plantas de cobertura ou restos da cultura.

Essa atividade melhora a eficiência da cobertura do solo e mantém grande parte da palhada na área de plantio, o que facilita a incorporação posterior ao solo.

9. Colhedeira de forragem

As colhedeiras de forragem são utilizadas, conforme o próprio nome, para colher forragem. A grande maioria é autopropelida, mas também existem as colhedeiras de acoplamento

Uma das vantagens de seu uso é a menor compactação do solo, uma vez que são muito mais leves que as autopropelidas. Também são mais econômicas em termos do gasto de combustível.

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Quando usar implementos agrícolas?

Os implementos agrícolas podem ser usados em várias etapas do processo produtivo, de acordo com a necessidade da operação. As situações mais comuns são: 

  • Baixa eficiência de atividades agrícolas;
  • Baixa escala produtiva;
  • Atividades e processos demorados;
  • Baixa flexibilidade do sistema de manejo em geral;
  • Extenuação e insatisfação de funcionários envolvidos em atividades no campo;
  • Baixa produtividade da cultura e do sistema em geral;
  • Perdas relacionadas a atrasos de atividades como preparo de solo, plantio, controle de doenças, pragas e plantas daninhas, colheita, etc.

Se uma ou mais dessas situações acontecem na sua fazenda, você provavelmente precisa avaliar e investir em implementos.

O que considerar para escolher seus implementos?

Para escolher os implementos agrícolas adequados, é importante considerar alguns fatores que impactam a eficiência, a produtividade e o custo-benefício da operação. Veja quais são estão alguns aspectos: 

1. Cultura

Alguns implementos são adaptados para sementes graúdas e miúdas. Porém, existem máquinas que são específicas para certas culturas

Por exemplo, propriedades com atividades relacionadas a grãos terão tipos de máquinas bastante diferentes de propriedades canavieiras ou cafeicultoras

2. Dimensão da propriedade

Muitos implementos são separados de acordo com suas dimensões, como número de linhas, área de cobertura, etc. Considere a dimensão de sua área ao decidir a dimensão do implemento.

3. Sistemas de cultivo

Apesar da possibilidade de alteração, alguns implementos são específicos para manejos em plantio direto ou convencional. Por isso, é importante levar o sistema de plantio em conta antes de escolher um implemento.

4. Planejamento e capacidade de expansão

A escolha da dimensão dos implementos deve considerar não só o patamar atual da fazenda, mas a previsão de expansão nos anos seguintes.

5. Compatibilidade 

Verifique se o implemento a ser comprado é compatível com as características do sistema de tração a ser utilizado. Por exemplo, veja se a potência do trator é compatível com a requerida pelo implemento.

6. Custo-benefício 

Existem máquinas mais baratas que são capazes de efetuar com grande qualidade suas funções. Juntamente com os fatores anteriores, o custo deve ser avaliado e decidido de acordo com a capacidade de investimento.

Benefícios dos implementos agrícolas na fazenda

O uso de implementos pode trazer várias facilidades para o seu trabalho, como o aumento da eficiência das atividades agrícolas. Tarefas repetitivas e de alta intensidade tornam-se muito mais viáveis. Além disso, existem outras vantagens:

  • Aumento da uniformidade da atividade;
  • Diminuição da necessidade de mão de obra e supervisão humana;
  • Diminuição dos riscos de acidentes e erros;
  • Diminuição do tempo e aumento da eficiência da atividade;
  • Diminuição da dependência do fator humano na execução;
  • Aumento no controle do tempo de execução;
  • Aumento na liberdade e planejamento do produtor ou mão de obra.

Esses benefícios contribuem para um ambiente de trabalho mais seguro, produtivo e organizado, resultando em uma gestão mais eficiente da propriedade rural e no aumento da rentabilidade.

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Entenda porque você precisa saber sobre a CTC do seu solo

CTC do Solo: Confira o que você precisa entender e fazer para melhorar a fertilidade do solo.

Em geral, seja por uma razão ou outra, nós não entendemos profundamente nosso solo e suas relações com as culturas.

Desse modo, sempre contamos com os outros para nos dar uma “solução”, acreditando que isso que resultará em melhores colheitas.

A CTC do solo é um dos conceitos mais importantes para que comecemos a compreender nosso solo e sistema de produção.

A capacidade de troca catiônica (CTC) influência na estabilidade do solo, disponibilidade de nutrientes, o pH do solo e a reação do solo com fertilizantes e outros.

Entenda mais sobre a CTC do solo neste artigo, além de conhecer práticas efetivas para melhorar o solo e, consequentemente, a produtividade da sua área!

O que é CTC do solo

CTC do solo é a sigla para Capacidade de Troca Catiônica e expressa a quantidade de cargas negativas que o solo possui. Ela é uma medida da capacidade de trocas e da quantidade de cátions como Ca²+(cálcio), Mg²+(magnésio) e K+ (potássio) que o solo pode reter sob determinadas condições.

E como o solo mantém esses cátions no solo?

Pois bem, as partículas de solo, especialmente a argila ou matéria orgânica, possuem em sua superfície diversas cargas negativas.

Como os opostos se atraem, as cargas positivas (como cátions) se ligam à essas partículas.

Exemplos de cátions são: Ca²+, Mg²+ e K+. Repare que aqui temos justamente alguns nutrientes para plantas.

Portanto, a CTC refere-se à quantidade de cargas negativas que o solo possui.

Os nutrientes ligados (adsorvidos) pelas partículas de solo podem ficar disponíveis para as plantas e também não são facilmente carregados pelas águas das chuvas.

Além disso, esses cátions que são mantidos na argila ou partículas orgânicas podem ser substituídos por outros cátions e, portanto, são chamados de trocáveis.

Por exemplo, o potássio pode ser substituído por cátions como cálcio ou hidrogênio.

Você pode ver abaixo como ocorre as trocas de cátions para que a planta absorva os nutrientes do solo.

ctc-solo-nutrientes

(Fonte: McMilan  adaptado e traduzido por Aegro)

Repare que na etapa 3 os cátions podem ser liberados na solução do solo, onde as plantas podem absorver mais facilmente os nutrientes.

Outra possibilidade é que a raiz troque um H+ por algum cátion, sendo uma troca ativa, ou seja, a planta gastou energia para absorver esse nutriente.

No entanto isso não ocorre sempre, o mais comum é  a liberação para solução do solo e ali ocorrerá a absorção de nutrientes pela planta.

Essas trocas não ocorrem somente pela absorção nutrientes, sendo muito fatores envolvidos para que elas ocorram.

Desse modo, manejando o solo e CTC você pode melhorar sua fertilidade.

Mas antes de conhecer esses fatores precisamos entender mais sobre os diferentes tipos de CTC do solo.

Os tipos de CTC do solo

1. CTC Permanente

Esta CTC é chamada permanente, porque não varia com o pH, é resultado da substituição de elementos na estrutura das partículas de solo (substituição isomórfica).

Essa CTC ocorre nos solos menos desenvolvidos, predominante nas regiões temperadas, o que não é o nosso caso.

2. CTC Variável

Este tipo de CTC é chamado de CTC variável, porque o número e cargas elétricas pode aumentar ou diminuir em função do pH do solo.

Esse é o principal tipo de CTC que temos em nossos solos tropicais.

ctc do solo

(Fonte: Grain SA traduzido por Aegro)

Além desses dois tipos principais, a CTC do solo também pode classificada em CTC a pH 7 e CTC efetiva, ambas disponíveis em análises do solo:

>> Tudo que você precisa saber para acertar na escolha do laboratório de análise de solo

>> O guia da interpretação de análise de solo

CTC a pH 7

É a quantidade de cátions ligados ao solo (adsorvidos) quando o pH é igual a 7.

CTC efetiva

A CTC efetiva é obtida da soma dos cátions que efetivamente podem ser trocados.

Os cátions que são somados são: Ca2+, Mg2+,
K+ e Al3+. Não inclui, portanto, o H+ que compartilha elétrons com as cargas do solo.

Agora, podemos verificar os fatores que interferem na CTC e começar a entender como podemos modificá-lo para melhorar nosso solo:

Fatores que afetam a Capacidade de Troca Catiônica

Muitas condições do solo têm influência sobre a CTC, dentre as quais:

  • pH do solo;
  • Natureza dos cátions trocáveis;
  • Concentração dos cátions na solução do solo;
  • Natureza da fase sólida do solo.

O efeito do pH se verifica, principalmente, sobre as cargas dependentes de pH, que são as principais nos solos brasileiros, como já discutimos.

Desse modo, temos:

ctc do solo

A natureza dos cátions afeta a preferência de troca no solo dependendo da sua densidade de carga (relação entre a carga do íon e seu raio).

Os cátions com maior densidade de carga são mais retidos no solo. Por isso, os cátions polivalentes são geralmente mais fortemente retidos no solo.

Assim, temos uma seqüência de preferencialidade de troca de cátions considerando apenas os nutrientes de plantas:

K+ < Mg²+ < Ca²+

A concentração dos cátions na solução do solo também afeta a preferencialidade de troca.

Assim, à medida que se dilui a solução, com menos cátions por volume de água no solo, há aumento na preferencialidade de troca pelos cátions de menor densidade de carga, como o Na+.

A natureza do solo também influi, sendo que já vimos que solos tropicais como os nossos possuem basicamente CTC variável.

Por consequência, a matéria orgânica apresenta a maior participação no valor da CTC.

composição-solo

(Fonte: David Prado Alencar em Ciências naturais)

Como manejar a CTC do solo e aumentar sua fertilidade?

A CTC determina como o seu solo deve ser gerenciado.

Lembrando que, em geral, quanto maior a CTC do solo, melhor será sua fertilidade.

Isso porque é maior a quantidade de cátions, como cálcio, magnésio, potássio, nutrientes essenciais para as plantas.

Abaixo podemos ver a classificação da CTC do solo e as principais relações dos solos com CTC baixa e alta:

CTC-ph-7.classificacao

(Fonte: Na sala com Gismonti)

ctc-relações

(Fonte: Gisele Santos em Constituição do solo)

Um dos benefícios da calagem dos solos ácidos, como os brasileiros, é o aumento da CTC do solo.

>> Gessagem: Tudo o que você precisa saber sobre está prática agrícola

>> Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

Eis o motivo: à medida que o pH aumenta, o H+ ligado à partícula do solo é neutralizado pela calagem, e o local que ocupava é liberado, resultando em uma carga negativa.

Nessa carga então, podem se ligar os nutrientes cálcio, magnésio, etc.

Por isso também, os solos com maior CTC têm menor lixiviação de nutrientes e quando a planta absorve a água, com ela vem junto o nutriente.

lixiviação-ctc

À esquerda solo com baixa CTC; à direita solo com alto valor de CTC
(Fonte: Fresh Grow)

Além disso, o método de adubação também pode ser influenciado pela CTC, assim como pode melhorá-la.

>> O que você precisa saber sobre as diferenças entre calagem e gessagem

Um solo com baixa CTC normalmente tem uma baixa matéria orgânica e conteúdo de argila, retém menos água.

Assim, é necessário mais calcário e fertilizantes, sendo mais sujeito a lixiviação.

Geralmente, os solos com baixa CTC apresentam menores rendimentos, mas um bom manejo ainda pode resultar em uma colheita bem sucedida.

>> Veja (de uma vez por todas) como fazer fosfatagem na sua fazenda

Influência da matéria orgânica na CTC do solo

A matéria orgânica do solo é constituída por compostos de carbono originados a partir da decomposição de resíduos vegetais e animais.

Além de ser fonte de nutrientes, a matéria orgânica do solo (M.O.S.) apresenta cargas de superfície que contribuem para o aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo.

ctc-alta-baixa

(Fonte: Pedologia Fácil)

Devido a sua alta reatividade, a M.O.S. regula a disponibilidade de vários nutrientes.

Essa regulagem é principalmente dos micronutrientes e elementos potencialmente tóxicos como Al3+ e Mn2+, e metais pesados.

Nos ambientes tropicais, a matéria orgânica do solo tem importância elevada, já que a argila dos nossos solos só possuem CTC variável.

A M.O.S. é amplamente reconhecida por seus efeitos benéficos aos solos devido a melhor agregação e retenção de água, maior CTC e disponibilidade de nutrientes.

Um manejo de solo com adubação verde, culturas de coberturas, plantio direto ou até cultivo mínimo colaboram com algum aumento ou manutenção da M.O.S. do solo.

>> Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedade

Apesar das análises de solo trazerem os valores de CTC, você pode calculá-las facilmente:

Como calcular a CTC do seu solo?

Como citei anteriormente, a CTC do solo possui diferentes tipos, dessa forma, preste bastante atenção na composição do seu solo porque cada tipo de CTC possui um cálculo distinto.

1. CTC efetiva

Ou efetiva que corresponde a soma de bases (SB) incluindo o cálcio, magnésio, potássio e sódio; mais o alumínio, ou seja CTC efetiva = SB + Al

Essa CTC efetiva é utilizada no cálculo da retenção de cátions (RC) como um dos critérios para saber se o solo é ácrico (baixa CTC efetiva) ou não ácrico (média ou alta CTC efetiva).

2. CTC a pH 7

Corresponde a soma de bases (SB) + Al + H no pH 7

A CTC a pH 7 é utilizada para
calcular a dose de calcário.

Conclusão

O conhecimento do seu solo passa pelo entendimento da CTC, demonstrando como você pode manejar melhor o seu solo.

Se atente para os valores de CTC e procure aumentar esses valores pela correta calagem e manejo conservacionista do solo.

Com todas essas informações faça seu planejamento agrícola e tenha produtividades ainda mais altas!

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a CTC do solo? Como você faz o planejamento agrícola do seu solo hoje? Adoraria ver seu comentário abaixo!

7 passos para uma gestão da empresa rural de sucesso

Gestão da empresa rural: Como fazer o planejamento estratégico, organizar o fluxo de caixa e outras dicas para uma gestão eficiente.

Na hora  de fechar as contas no final da safra ninguém quer estar no vermelho, não é mesmo? Mas, infelizmente, muitas vezes isso acontece…

A produção agropecuária é complexa e dinâmica, por isso, são muitos fatores que contribuem para o sucesso ou fracasso de uma empresa rural. Ter uma gestão eficiente pode ser a chave do sucesso.

Confira nesse artigo como a gestão da empresa rural pode contribuir para que seu negócio seja eficiente e bem sucedido.

Qual a importância da gestão da empresa rural?

Segundo o Sebrae as principais causas do fracasso de uma empresas são: falta de planejamento, má gestão e comodismo. Com a sua propriedade rural não é diferente!

A falta de conhecimento sobre a empresa rural e o mercado geralmente leva a um negócio não lucrativo. Em outras palavras, perdemos dinheiro e não sabemos nem o porquê.

Além disso, outro problema é não ter objetivos e prazos definidos para a empresa rural. Desta forma, ficamos estagnados, com a sensação de que está tudo bem.

Com uma boa gestão da empresa rural, você será capaz de identificar os principais pontos fortes e fracos de seu negócio, bem como as oportunidades do mercado. Assim, pode estabelecer metas e conseguirá ter controle sobre sua empresa rural.

Para tanto, você precisará de planejamento, organização e comprometimento, mas colherá bons frutos com isso!

7 passos para uma gestão da empresa rural de sucesso

Alguns pontos são fundamentais para que alcancemos uma gestão da empresa rural eficiente e bem sucedida.  A seguir, listo 7 passos que devemos prestar atenção. Eles podem ser a diferença entre um negócio lucrativo e outro que vive em crise econômica.

1. Coloque a casa em ordem

Se você tem dificuldades para encontrar as coisas no dia a dia de sua fazenda, não controla suas finanças ou não sabe o custo de suas operações, deve se preocupar. São esses “detalhes” que acabam com a eficiência de nossa empresa e podem definir o sucesso ou fracasso da atividade.

Antes de mais nada, coloque a casa em ordem! Organize seu estoque (sementes, fertilizantes, peças…), suas contas e passe a controlar tudo o que acontece na sua empresa rural, desde as vendas/compras até as operações do dia a dia. 

Quanto mais detalhes tiver, melhor para a gestão. A partir disso podemos planejar o futuro da nossa empresa rural.

2. Planejamento estratégico para gestão da empresa rural

Todo tempo dedicado ao planejamento estratégico de sua empresa rural é um investimento para o futuro. Empresas que fracassam geralmente não investem tempo suficiente nessa etapa.

O planejamento visa entender o que se passa com a própria empresa e com o ambiente em que ela está inserida (mercado) para definir seu futuro. Aqui são analisados todos os processos produtivos e definidos os objetivos, metas e estratégias que irão guiar nossa empresa rural em curto, médio e longo prazos.

Pode parecer trabalhoso, mas é algo extremamente necessário para o sucesso na gestão da empresa rural. A partir dele, outras medidas devem ser tomadas para que a empresa siga os rumos trilhados no planejamento.

3. Fluxo de caixa (+ planilha grátis)

Sabe aqueles exames de rotina que fazemos (ou deveríamos fazer) anualmente para saber como está nossa saúde?  Pois bem, com a nossa empresa é a mesma coisa!  O futuro de sua empresa rural depende da saúde financeira dela. 

O fluxo de caixa é o “exame” da sua empresa. Ele é responsável pelo balanço das despesas e receitas dela. Com um fluxo de caixa bem feito, sabemos exatamente a quantas anda a receita líquida e quais atividades precisam ser repensadas para que possam dar lucro.

Para cada atividade que realiza na fazenda, separe e organize as notas fiscais de compra por data e material que foi adquirido.  O mesmo vale para as receitas de venda: tudo deve ser separado por cada atividade.

No caso de insumos/serviços que são utilizados em mais de uma atividade, como óleo diesel ou as próprias máquinas, e até mesmo recursos humanos/mão de obra em geral, você pode fazer o rateio de custos por atividade. 

gestão da empresa rural

Fluxo de caixa feito pelo Aegro: segurança e facilidade no acesso às informações. Dados ilustrativos

4. Separe as contas 

Como muitas propriedades são geridas e o trabalho rural é feito pela família do produtor rural, o dinheiro da casa e o da empresa acabam se misturando. Isso não deve acontecer, pois mascara as deficiências da nossa empresa rural.

Separe as contas da empresa rural das da família quando for realizar seu fluxo de caixa. Desse modo, teremos o controle exato dos custos de produção e também de quanto estamos gastando em casa.

5. Não se esqueça do mercado

O  mercado está cada vez mais exigente com o setor agropecuário. Hoje preza-se por sustentabilidade na produção e alta qualidade dos produtos agrícolas. Tudo isso, é claro, a um preço acessível.

E essa tendência deve seguir. Portanto, aqueles produtores rurais que não se atentarem a essas exigências terão problemas no futuro.

As empresas que se adequam ao mercado tem mais chances de prosperar. Por outro lado, aquelas que o ignoram têm grandes chances de falhar.

É claro que o processo de mudança pode ser lento, mas é necessário e deve ser feito conforme o planejamento.

6. Cursos de gestão rural a distância

Quando iniciamos no mundo da gestão, temos muitas dúvidas, afinal, são novos conceitos e informações para aprendermos e colocarmos em prática.

Por isso, se você quer ficar craque na gestão, existem ferramentas para te ajudar. Uma delas é o curso de gestão rural gratuito da Aegro.

Cursos como este são bons para treinamento e desenvolvimento de novas habilidades na área de gestão e na administração rural como um todo. Vale a pena conferir!

7. Tecnologia como aliada na gestão da empresa rural

Todo esse processo de gestão da empresa rural gera muitos dados. Se por um lado isso mostra um controle detalhado, por outro, é difícil lidar e extrair informações de um volume muito grande de dados.

Hoje temos softwares de gestão rural que podem nos ajudar nisso!

O Aegro integra todos os dados gerados e os traduz em informações valiosas para o planejamento e gestão da empresa rural.

Com o Aegro, conseguimos organizar nosso estoque, planejar as operações do dia a dia e ainda controlar as finanças da empresa rural. Tudo isso sincronizado, no computador, tablet ou celular.

Se hoje fazemos tudo com o nosso celular, por que não utilizá-lo como aliado na gestão da empresa rural? Tenha a tecnologia como sua aliada!

gestão da empresa rural

Com Aegro, você consegue visualizar a rentabilidade da fazenda, inclusive por talhão

Conclusão

Como pudemos conferir, com as novas tecnologias e cursos disponíveis, fica cada vez mais fácil gerir nosso negócio. Uma boa gestão da empresa rural é fundamental para o sucesso de nosso empreendimento.

Com ela, sabemos como nossa empresa está e para onde vai, além de como podemos  aproveitar as oportunidades do mercado. Também, a gestão nos ajuda a enfrentar as crises e superar os desafios do mundo do agronegócio.  

>> Leia mais:

“Governança corporativa: saiba como colocar a fazenda em ordem”

“O que você precisa considerar antes da contratação de um consultor agrícola para sua fazenda”

Sucessão familiar da fazenda: Como fazer esse processo sem maiores problemas 

Gostou do nosso artigo sobre gestão da empresa rural? Assine nossa newsletter e receba nossos artigos direto em seu e-mail!

Veja como fazer na fazenda a fosfatagem na fazenda

Veja agora como fazer fosfatagem na sua fazenda com estas dicas.

O fósforo é considerado o nutriente que dá a maior limitação nutricional na agricultura tropical, como no Brasil.

Isso porque nossos solos contam com pouco fósforo e, ao aplicar no solo, temos baixa eficiência de aproveitamento pelas plantas

Estima-se que apenas 15 a 25% do fósforo aplicado é aproveitado pela lavoura.

Neste artigo você poderá saber mais sobre a dinâmica do fósforo no solo e como aplicar esse conhecimento na lavoura.

>> Tudo o que você precisa saber sobre cálculo de calagem (+calcário líquido)

Veja também aqui como otimizar o manejo desse nutriente na sua propriedade! Confira:

rendimento-grãos-fósforo

(Fonte: Sousa et al. (2016) em Embrapa)

Entenda a importância da fosfatagem para os solos brasileiros

Os solos tropicais são aqueles antigos, que já passaram por alto intemperismo.

Ou seja, em áreas tropicais ocorrem altas temperaturas e alta frequência de chuvas, acelerando os processos de formação de solo, o chamado intemperismo.

É por causa disso, do alto intemperismo, que temos solos no Brasil com baixa fertilidade e ricos em óxido de ferro e alumínio.

Assim temos solos com baixíssimos teores de fósforo, e quando aplicamos algum fertilizante fosfatado os óxidos de ferro e alumínio se ligam ao fósforo, formando compostos que a planta não consegue absorver.

Desse modo as adubações são ineficientes e você perde dinheiro ao invés de ganhar produtividade.

A fosfatagem é a prática que fazemos para que isso não ocorra.

Com os cálculos corretos, que você verá ao longo do texto como fazer, sabemos a dose ideal para que o fósforo do solo fique disponível para as plantas.

>> Curiosidades sobre calagem em 5 casos especiais

Mas afinal, o que é fosfatagem?

Fosfatagem é a técnica de correção de fósforo do solo com aplicação via fertilizantes minerais, sendo os mesmos incorporados ou não no perfil do solo.

Essa é uma prática que tem como objetivo a elevação da disponibilidade de fósforo do solo para níveis adequados.

No Cerrado por exemplo, consideramos os seguintes níveis de fósforo:

níveis-fósforo-cerrado

Interpretação da análise de fósforo no Cerrado pelos métodos da resina trocadora de íons e Mehlich-1 para culturas anuais em geral, com base em amostras de solo coletadas na camada de 0 cm a 20 cm

(Fonte: Sousa et al. (2004) em Embrapa)

Abaixo você também pode conferir os diferentes níveis de fósforo para a cultura de arroz:

níveis-fósforo-arroz

(Fonte: Sousa et al. em Campos & Negócios)

Agora que você viu a importância da fosfatagem para os cultivos no Brasil, vamos entender mais sobre cada forma em que o fósforo pode estar no solo:

>> Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

Cálculo da fosfatagem

Para começar o cálculo temos que ter em mente que para aumentar 1mg/dm³ de P precisamos colocar no solo, em média, 10 Kg/ha de P2O5.

Dentro desse contexto e considerando os diferentes solos do Brasil temos alguns métodos e recomendações de fosfatagem.

>> Como fazer manejo de fósforo para aumentar a produção de cana

Recomendação de fosfatagem por Vitti e Mazza

Os autores Vitti e Mazza fizeram uma recomendação de fosfatagem para quando a análise de solo para quantificação de fósforo for por resina.

Assim, eles recomendam a fosfatagem quando:

  • CTC menor que 60 mmolc/dm³ (6 cmolc/dm-3 ) ou
  • Argila menor que 30% e P resina menor ou igual 15 mg/dm3

Sendo indicado a adição de 5 kg de P2O5 a cada 1% de argila.

Para exemplificar, considere o seguinte solo:

CTC =  4 cmolc/dm³ ;

Argila = 45%;

P resina = 20mg/dm³

Assim, devemos fazer a fosfatagem porque, embora o P resina seja maior que 20 mg/dm³, a CTC é menor que 6 cmolc/dm³.

Além disso, a dose de P2O5 seguindo esse método seria de 45% de argila x 5 Kg de P2O5 =  225 Kg de P2O5/ha.

Recomendação de fosfatagem por Souza e Lobato

Para análise de solo pelo método Mehlich, Souza e Lobato indicam:

metodo-calculo-fosfatagem-souza-lobato

(Fonte: Souza e Lobato em Vitti et al. 2014)

Cálculo da fosfatagem por Sousa et al. 2006 (para região do Cerrado e culturas anuais)

Os autores Sousa et al. criaram um método de cálculo de fosfatagem para a região do Cerrado e, especialmente, para culturas anuais, como soja e milho.

Esse método é baseado na capacidade tampão de fósforo do solo (CTP).

Ou seja, é a dose de P2O5 que precisamos colocar no solo para elevar em 1 mg/dm³ o teor de P na camada amostrada de 0 cm a 20 cm do solo.

Esse valor de CTP varia com a textura do solo e a extração de fósforo na análise de solo, como mostra a tabela abaixo:

tabela-fosforo-culturas-anuais-cerrado

(Fonte: Sousa et al. (2006) em Embrapa)

Lembrando que o valor de fósforo desejado para que você atinja 80% do potencial da cultura você pode verificar à esquerda na tabela acima.

Como por exemplo, se eu tenho um solo com 55% de argila, minha análise de solo deve mostrar 8 mg/dm³ de P pelo método Mehlich-1 ou 15 mg/dm³ pelo método de resina.

Note que a análise de solo pelo método Mehlich-1 é mais detalhado e pode mostrar maiores diferenças nas doses de P.

>> Como conseguir mais nutrientes para sua lavoura com adubação verde

Com sua análise de solo em mãos e após verificar a tabela acima, é só colocar os valores na fórmula:

Dose de P (kg/ha de P2O5) = (Teor desejado de P mg/dm³ – Teor atual de P mg/dm³) x CTP

Vamos para um exemplo considerando o seguinte solo:

  • 57% de argila;
  • Análise do solo pelo método resina : 8 mg/dm³
  • Análise do solo pelo método Mehlich-1: 5 mg/dm³

Aplicando a fórmula:

Análise de solo pelo método Resina

O valor de fósforo desejado é de 15 mg/dm³ e a CTP de 16 conforme vimos na tabela, portanto:

Dose de P (kg/ha de P2O5) = (15 – 8) x 16 = 112 Kg/ha de P2O5

Análise de solo pelo método Melich-1

O valor de fósforo desejado é de 7 mg/dm³ e a CTP de 37 conforme vimos na tabela, portanto:

Dose de P (kg/ha de P2O5) = (7-4) x 37 = 111Kg/ha de P2O5

Esse método é mais exato do que o uso de tabelas.

>> Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes

Dessa maneira, os autores criaram outras fórmulas para o cálculo de fosfatagem para culturas anuais no Cerrado como veremos a seguir:

Cálculo da fosfatagem por Sousa et al. 2016 (para região do Cerrado e culturas anuais)

Também podemos fazer o cálculo para culturas anuais e no Cerrado por meio das equações abaixo.

Mas atenção, pois essas fórmulas só são válidas para solos com teores de argila de até 70%!

Metodo-cerrado-anual

(Fonte: Sousa et al. 2016 em Embrapa)

Cálculo do custo da fosfatagem

Devemos considerar no custo do adubo também o frete até a entrega na propriedade.

Assim, temos a fórmula:

P2O5 (R$/kg) = Custo da tonelada de produto na propriedade / Teor de P2O5 na tonelada

Para saber o custo da tonelada você deverá orçar na sua região.

O teor de P2O5 por tonelada  você pode verificar quando fizer o orçamento, sendo que aqui temos os valores para o Supertriplo e Supersimples:

Supertriplo : Em 1 tonelada há 420 kg de P2O5.

Supersimples: Em 1 tonelada há 180 kg de P2O5.

Vamos para um exemplo:

Preço do Supertriplo na propriedade= R$ 1340 por tonelada

P2O5 (R$/kg) do Supertriplo= 1340 / 420 = R$ 3,19/ Kg de P2O5

Preço do Supersimples na propriedade= R$ 1150 por tonelada

P2O5 (R$/kg) do Supersimples = 1150 / 180 = R$ 14,375/ Kg de P2O5

Dessa forma, mesmo que o Supersimples pareça mais barato, na verdade o que compensa mais nesse caso é o Supertriplo.

Mas para saber qual foi o seu custo total  da fosfatagem você precisa levar em conta as despesas do maquinário e dos operadores.

Além disso, é importante saber qual foi o custo do fertilizante por hectare para observar o quanto essa prática foi rentável

Você pode contabilizar esses custos em papéis ou planilhas, porém fica muito mais fácil e prático por meio de um software agrícola:

custo-realizado-gestão-rural

Agora vamos conhecer as principais formas de fósforo no solo e suas relações com a fosfatagem:

>> Guia para iniciantes sobre Agricultura de Precisão (AP)

Fosfatagem e as formas do fósforo no solo

Fósforo fixado

Essa é a forma que mais se ouve falar quando estamos conversando sobre o fósforo.

E não é pra menos, é essa a forma de fósforo que está combinada com outros elementos, especialmente ferro e alumínio, não podendo ser absorvidos pelas plantas.

Podemos manejar a fixação aplicando mais fósforo do que o solo em questão pode fixar, permitindo que sobre nutriente para as plantas absorverem.

É possível também aplicar o fósforo bem próximo à planta (como no sulco de semeadura).

Ou ainda podemos fazer a adubação em momentos críticos da cultura, assim ela pode absorver o fósforo antes que ele seja fixado.

Lembrando que a quantidade de fósforo fixado depende das características do solo, sendo que quanto mais óxido de ferro e alumínio ele possuir, maior será a fixação.

Além disso, a reação com as argilas, principalmente aquelas com relação 1:1 de sílica:alumínio, como as caulinitas, é outra maneira de fixação do fósforo.


Fósforo imobilizado

O fósforo imobilizado é aquele na forma orgânica, também não assimilável pelas plantas.

No entanto, com a mineralização da matéria orgânica ele pode se tornar disponível no solo.


Fósforo adsorvido

É quando o fósforo está ligado aos colóides (partículas) do solo, podendo ser disponível para as plantas por meio de trocas com as raízes.

Fósforo assimilável

A forma assimilável é o fósforo diluído na solução do solo, sendo facilmente absorvido pela lavoura.

Fósforo disponível

Como acabamos de ver, o fósforo disponível é a soma do fósforo adsorvido e o fósforo assimilável.

Importância do fósforo na planta

O fósforo atua no armazenamento e fornecimento de energia, além de fazer parte da fotossíntese e respiração.

Esse nutriente ainda estimula o crescimento da planta, estimulando também a nodulação de raízes e eficiência da fixação biológica de nitrogênio no caso de leguminosas.

Ao contrário do que ocorre no solo, na planta o fósforo é muito móvel.

É por isso que em caso de deficiência o fósforo move-se dos tecidos velhos para os mais novos, sendo a deficiência visualizada nas folhas mais velhas das plantas.

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(Fonte: Adaptado de Monteiro, Carmello e Dechen)

Agora que sabemos mais sobre a importância do fósforo, veremos como aplicá-lo a seguir:

>> 3 maneiras de lucrar mais com um software de gestão agrícola

Como fazer a aplicação da fosfatagem

O fósforo é pouco móvel no solo e, por isso, sua incorporação no perfil é mais eficiente em termos de respostas da produtividade.

Essa pouca mobilidade no solo é devido ao fato de que o fósforo é facilmente fixado nos solos tropicais, como os do Brasil.

A fixação aumenta com o tempo de contato entre o fósforo e as partículas do solo.

Por isso, a utilização mais eficiente do fósforo ocorre pela aplicação logo antes do plantio da safra, após calagem e gessagem.

Desse modo, as plantas conseguem absorver o fósforo antes que o mesmo seja fixado.

Também é por isso que a prática de aplicação de fósforo em sulcos de semeadura é tão eficiente.

Você pode fazer sua aplicação de fósforo de dois modos:

>> Como saber seu custo de produção agrícola

Fosfatagem com aplicação em faixas

Quanto maior contato do fósforo com o solo, maior será sua fixação.

A aplicação em faixas busca diminuir esse problema, colocando o fósforo apenas nas faixas e plantio.

No entanto, em áreas de plantio direto recomenda-se que seja alternado a aplicação em faixas com a aplicação em área total.

Isso garante o fornecimento de fósforo na planta em seus primeiros estádios, favorecendo seu desenvolvimento.

Fosfatagem com aplicação em sulco

A aplicação de fósforo em sulco é comum para que a planta tenha esse nutriente logo no começo de seu desenvolvimento, favorecendo a produção.

Como já falamos, a dose da fosfatagem pode ser adicionada à adubação de base (no sulco), sendo parcelada em até 5 cultivos.

Essa é uma forma econômica e prática de aplicação, mas que, normalmente, gera apenas pequenas faixas de solo com níveis adequados de fósforo, e não a área toda.

fosfatagem

(Fonte: Agrimaisonline)

Fosfatagem com aplicação em área total

A aplicação em área total é muito utilizada, permitindo que altas doses sejam colocadas no solo sem danificar a planta.

O suprimento de fósforo em uma maior área também favorece o crescimento de raízes, oferecendo um reservatório maior de umidade e nutrientes.

Dependendo da situação de seu solo e seu sistema de produção um tipo de aplicação é mais indicada.

Por exemplo, solos com grande poder de fixação de fósforo talvez seja mais indicado a aplicação em faixas, enquanto outros podem fazer em área total.

> Tudo o que você precisa saber sobre área de refúgio para plantas Bt [Infográfico]

Custos envolvidos na aplicação da fosfatagem

Nem sempre é fácil ter dinheiro o suficiente para, além de todos os custos de produção, realizar a fosfatagem em uma única aplicação.

Os preços dos fertilizantes fosfatados e as altas doses que alguns solos podem precisar, inviabiliza totalmente a aplicação dessa dose toda de uma vez.

Nesse caso, você pode acrescentar na aplicação no sulco de semeadura a dose de correção, mas parcelando essa quantidade em vários cultivos.

Assim, após alguns anos você aplicou a dose total recomendada na correção.

No entanto, não faça esse parcelamento em mais de 5 cultivos para que o nível de fósforo atinja os níveis adequados.

>> 4 motivos pelos quais você não deve ignorar cigarrinha-do-milho

O que impacta na disponibilidade de fósforo do meu solo?

Quantidade e tipo de argila

Quanto maior a quantidade de argila, maior será a fixação de fósforo.

Além disso, a argila do tipo caulinita, óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio e minerais de argila amorfos, fixam mais o fósforo dos fertilizantes.

Aeração

A aeração é essencial para decomposição da matéria orgânica do solo, fonte de fósforo, e para o crescimento de raízes.

Em áreas compactadas tanto a decomposição orgânica quanto o crescimento das raízes não ocorre, prejudicando a planta como um todo e a disponibilidade de fósforo para a planta.

Umidade

Uma maior quantidade de água no solo faz com que o fósforo se solubilize mais, ficando mais disponível.

Mas é claro que o excesso de água reduz a aeração e também pode ser prejudicial para a disponibilidade desse nutriente.

Níveis de fosfato no solo

Dependendo do nível de fosfato no solo a disponibilidade será diferente.

Em casos de solos que receberam fertilizantes de fósforo por muito tempo é possível que os níveis sejam altos, com maior disponibilidade para a planta.

Para saber os níveis de fosfato no solo devemos fazer a análise de solo periodicamente.

Outros nutrientes

A aplicação de cálcio em solos ácidos como os nossos aumentam a disponibilidade de fósforo, enquanto que zinco a limita.

pH do solo

O fósforo se encontra nas suas formas mais disponíveis para as plantas quando o pH do solo está na faixa de 5,5 a 7.

Desse modo, a calagem é um método de melhoria da fixação de fósforo, já que a prática libera íons OH‾ que tomam o lugar do fósforo fixado.

Isso é um dos benefícios indiretos da calagem que poucos conhecem.

fixação-fósforo-solo

(Fonte: International Plant Nutrition Institute – IPNI)

Conclusão

A fosfatagem é uma importante prática para os solos brasileiros, garantindo o fornecimento adequado de fósforo para nossas culturas.

Aqui nós vimos que existem diferentes modos de aplicação e métodos de cálculo para essa medida.

Com o controle completo de sua fazenda você consegue verificar quais são as melhores escolhas para a sua propriedade, considerando a parte financeira e agronômica.

Verifique a condição de seu solo e consulte suas opções, por fim utilize as informações deste artigo e faça boas escolhas na hora da fosfatagem!

>> 4 Principais inseticidas para combater pragas de grãos

>> Tudo o que você precisa saber sobre plantas daninhas na pré-safra

>> 9 plantas daninhas resistentes a herbicidas (+3 livros e guias para controlar)

>> Como fazer o controle de plantas daninhas na pré-safra

Gostou do texto? Tem mais alguma dúvida sobre fosfatagem? Você costuma realizar essa prática na sua propriedade? Deixe seu comentário abaixo!

Como fazer manejo de fósforo para aumentar a produção de cana

Neste texto iremos abordar como fazer fosfatagem em cana-de-açúcar e aumentar sua produtividade. Confira!

Para uma ótima produção de cana você precisa se atentar a muitas coisas na sua lavoura.

Você sabe que a adubação é muito importante para a produtividade da sua cultura, e o fósforo é um nutriente essencial para as plantas.

A utilização de fertilizantes fosfatados pode aumentar a produção de colmos e o rendimento de açúcar da cana-planta.

Mas na hora de fazer o manejo desse solo sempre temos dúvidas.

Por isso, reunimos aqui as principais e mais importantes informações para entender essa adubação.

Com esse conhecimento poderemos manejar o fósforo de forma econômica e aumentar  produtividade de nosso canavial. Confira:

Importância do fósforo para as plantas

O fósforo é um macronutriente e é essencial para as plantas.

Veja o porquê este nutriente é importante para as plantas (algumas funções do fósforo):

Observando essas funções, o que acontece com a planta quando há deficiência de fósforo?

>> Gessagem: Tudo o que você precisa saber sobre está prática agrícola

Deficiência de fósforo nas plantas

Quando ocorre deficiência de fósforo, as plantas apresentam o crescimento retardado.

Além disso, esse nutriente é móvel nas plantas, ao contrário do que ocorre no solo.

Por isso, este nutriente move dos tecidos mais velhos para os mais novos.

Assim, as vezes você pode observar um escurecimento ou coloração roxo/vermelho das folhas mais velhas que estão com deficiência de fósforo.

Em cana-de-açúcar além da coloração das folhas, também ocorre colmos menores, folhas estreitas e curtas e poucos perfilhos.

fosfatagem em cana-de-açúcar

(Fonte: Foto de J. Orlando Filho em Encarte do Informações Agronômicas)

E como o fósforo se apresenta no solo?

>> Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

Como manejar o fósforo no solo: Conceitos importantes

No solo há duas formas de fósforo:

Orgânico: originário dos resíduos vegetais adicionados ao solo, do tecido microbiano e dos produtos de sua decomposição.

Inorgânico: o fósforo dos minerais primários ou estruturais (fixado) e o fósforo adsorvido, além do fósforo da solução do solo (assimilável).

O fósforo é pouco móvel no solo e os solos brasileiros normalmente são deficientes desse nutriente.

O motivo da pouca mobilidade é por ele reagir com o ferro, alumínio, argilas, matéria orgânica, formando compostos insolúveis não aproveitáveis pelas plantas.

É o que chamamos de fixação do fósforo no solo.

Por isso, o seu aproveitamento pela planta é de 10 a 25% de todo o fósforo que foi aplicado no solo.

>> Tudo o que você precisa saber sobre cálculo de calagem (+calcário líquido)

Normalmente, é um  nutriente que a planta requer em menor quantidade em comparação ao nitrogênio e potássio.

Mas, você pode estar pensando em algumas fórmulas de adubos NPK que apresentam a quantidade de fósforo em maior quantidade. Então, vamos entender o porquê disso.

Exemplo de fórmula NPK: 5-30-25

Esse adubo contém: 5% de nitrogênio (N), 30% de fósforo (P) e 15% de potássio (K).

Normalmente, P e K estão na forma de óxido nos fertilizantes, como P2O5 e K2O.

Você observa que há maior quantidade de fósforo, mesmo que seja um nutriente normalmente exigido em menor quantidade pelas plantas como já falamos.

Mas deve ser aplicado em maiores quantidades nos solos brasileiros, devido à sua baixa disponibilidade natural e grande afinidade da fração mineral do solo por este elemento.

O fósforo que foi fixado no solo pode ser liberado para as plantas quando realiza correção do solo, como a calagem.

Fosfatagem em cana-de-açúcar: O papel do fósforo

A fosfatagem tem um papel crucial no desenvolvimento da lavoura de cana.

O fósforo é absorvido da solução do solo pelas raízes das plantas, principalmente pela forma do íon ortofosfato (H2PO4).

O P na cana-de-açúcar é muito importante para a produtividade da cultura, principalmente para a brotação da planta.

A falta desse nutriente limita o crescimento da cultura, além de ser essencial em diversas funções da planta.

Aliás, a falta de fósforo na cana-de-açúcar aumenta a produtividade de cana-de-açúcar, mas não há incrementos significativos no ATR (açúcar total recuperável).

Desse modo, os ganhos em açúcar se dão à maiores produções de toneladas de cana.

Além disso, o fósforo contribui na qualidade da cana dentro do processo industrial, já que a cana com bons níveis de P requer menores adições de ácido fosfórico no processo de clarificação.

A deficiência de fósforo também atrapalha os processos industriais, como na decantação das impurezas na produção de açúcar.

Neste estudo abaixo, a adição das doses crescentes de P2O5 aumentou a produção de colmos e rendimento de açúcar, ou seja, houve aumento da produtividade.

fosfatagem-cana-de-açúcar

Produção de colmos de cana-planta, cultivar IAC 95-5000, em função da aplicação de doses de P2O5 utilizando fertilizante organomineral

(Fonte: Teixeira et al., 2014)

Nesse sentido, veja a extração dos macronutrientes na cultura da cana-planta.

fosfatagem-cana-de-açúcar

(Fonte: Yara adaptado de Oliveira, 2011)

Lembrando que a cana-planta é assim chamada até a realização de seu primeiro corte.

Como a cultura da cana-de-açúcar é considerada uma cultura semi-perene, ou seja, pode ficar no campo entre 4-6 anos, do segundo corte em diante é chamada de cana-soca.

>> Como conseguir mais nutrientes para sua lavoura com adubação verde

Para o adequado fornecimento de fósforo na cana precisamos antes realizar a análise do solo e interpretá-la:

Interpretando os níveis de fósforo na sua análise de solo

Em solos tropicais, como os do Brasil, há deficiência de fósforo devido a elevada fixação do nutriente com outros componentes do solo (como já vimos neste texto).

Por isso, é muito importante você realizar a análise do solo para conhecer os níveis de fósforo no seu solo.

Esta análise deve ser realizada em laboratórios de análise de solo credenciados.

Podemos basear nossa interpretação pela tabela abaixo para todos os macro e micronutrientes, além do fósforo:

fosfatagem-cana-de-açúcar

(Fonte: Tabela adaptada do livro Adubação da cana-de-açúcar: 30 anos de experiência, Penatti, 2013)

Após interpretar sua análise de solo é hora de definir uma recomendação de aplicação para fósforo:

>> Adubação verde e cultura de cobertura: Como fazer?

Recomendações de fósforo em cana-de-açúcar para aumento da produção

Muitas vezes é recomendado a aplicação de uma só vez de toda a quantidade de fósforo necessária para os próximos 5 cortes no plantio da cana-planta.

Ou seja, aplicar uma dose única de fertilizante fosfatado antes do plantio (a lanço) buscando que esse nutriente esteja disponível ao longo de 5 anos ou mais.

No entanto, se o seu solo precisar de fosfatagem (veremos a seguir quando isso ocorre) e você optar por realizar essa prática antes ou no plantio, os custos de implantação do canavial serão altos.

Por isso, tenha em seu planejamento agrícola o quanto isso vai custar e se há capital para todo esse investimento.

Em alguns casos, também pode ser recomendado a adição de uma dose superior de fósforo no sulco de plantio como forma de fosfatagem.

Dessa forma você poderia diluir seus custo ao longo dos anos, diluindo a dose de fosfatagem ao longo dos cultivos.

No entanto, a fosfatagem localizada dessa forma não trará o benefício de maior exploração das raízes no solo.

Portanto, veja com o manejo de fósforo mais compatível com seus objetivos e seu capital.

>> Diminua seus custos com um Planejamento Agrícola Bem Feito

Veja esta tabela que mostra a adubação fosfatada para cana-planta.

tabela-cana-planta

Recomendação de adubação fosfatada para cana-planta

(Fonte: Boletim 100 IAC)

Para cana-soca, muitas vezes, recomenda-se utilizar calcário, especialmente quando o nível de fósforo está próximo do adequado.

Isso porque, como já vimos neste texto, o calcário pode liberar fósforo fixado no solo para as plantas.

>> Curiosidades sobre calagem em 5 casos especiais

>> O que você precisa saber sobre as diferenças entre calagem e gessagem

Assim, a aplicação de fósforo na cana-soca depende muito da análise do solo da soqueira.

Por vezes, a adubação de fósforo em cana-soca ajuda a diluir os custos da implantação do canavial, ao invés de aplicar todo o fósforo em uma única dose.

Porém, temos a tendência de maior fixação de fósforo nesses casos.

Por isso, damos tanta importância para o conhecimento do seu solo e planejamento agrícola, já que é assim que você verificará o que mais compensa.

>> Planejamento agrícola: 6 mandamentos que você deveria seguir

Veja esta tabela que mostra a adubação fosfatada para cana-soca.

tabela-cana-soca

Recomendação de adubação fosfatada para cana-soca

(Fonte: Boletim 100 IAC)

Não se esqueça de procurar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para te auxiliar nesta prática agrícola.

O que é fosfatagem e como utilizá-la a nosso favor

Fosfatagem é o processo agrícola que se aplica fósforo no solo da sua propriedade, elevando os níveis desse nutriente em seu solo.

Desse modo, conseguimos fornecer fósforo adequadamente aos nossos canaviais, mesmo com a dificuldade desse nutriente em solos brasileiros.

Normalmente, recomenda-se para cana-de-açúcar que se na análise de solo o P analisado em resina estiver abaixo de 10-15 mg/dm3 deve-se realizar fosfatagem.

Fosfatagem no plantio da cana

Recomenda-se fosfatagem a lanço e incorporar próximo do plantio.

Mesmo ocorrendo aplicação de fósforo no sulco de plantio pela aplicação de NPK, é necessário a fosfatagem caso seu solo esteja abaixo de 10-15 mg/dm³ (P-resina).

É importante também a escolha do fertilizante para a cultura da cana-de-açúcar, a qual deve ser relacionada à análise de solo.

>> Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes

Muitas vezes é utilizado o Superfosfato Simples, que além de ter na composição P, também apresenta Enxofre e Cálcio, sendo utilizado para aumentar os níveis também desses nutrientes.

O Superfosfato Simples tem a liberação em curto prazo, com durabilidade de cerca de 2 anos.

Outro fertilizante que está sendo bastante recomendado para a cultura da cana-de-açúcar é o Fosfato Natural Reativo (FNR).

O fosfato natural reativo tem cerca de 29% de P.

Mas algo muito interessante desse fertilizante é que ele tem liberação de curto e longo prazo.

Esta liberação de curto e longo prazo é muito importante para culturas como cana-de-açúcar e pastagem, que são culturas semi-perenes e perenes.

Assim, há liberação do fósforo no curto prazo e também no terceiro ou quarto anos após o uso do fosfato natural reativo.

Aqui falamos somente de alguns fertilizantes fosfatados, mas existem muitos outros disponíveis.

Veja como é a cadeia de produção de fertilizantes na figura abaixo.

fertilizantes-fosfatados-produção

(Fonte: Dias e Fernandes (2006) em BNDES)

Agora veremos os principais fertilizantes fosfatados para que você os conheça melhor e faça uma escolha mais segura na próxima vez que for comprar um fertilizante desse tipo:

Principais fertilizantes fosfatados

Fosfato de amônio

É composto de amônia com ácido fosfórico. Há dois tipos principais.

  • Fosfato Diamônio (DAP): concentração de 16% de N e 38 a 40% de P2O5.
  • Fosfato monoamônico (MAP): concentração 10% de N e 46 a 50% de P2O5.

Aliás, esses são muito utilizados nas indústrias de fertilizantes para a formulação de misturas NPK.

Superfosfato simples

Concentração de 16 a 18% de P2O5, 10 a 12% de enxofre e 18 a 20% de Ca.

Superfosfato triplo

Tem concentração de 41 a 46% de P2O5 e 7 a 12% de Ca.

O processo é semelhante à produção do supersimples, mas o produto tem maior concentração de fósforo.

Termofosfato

Possui concentração de 8 % de P2O5, 9% de Mg, 20% de Ca e 25% de SiO4.

fertilizantes-fosfatados

(Fonte: Agronomia com Gismonti)

Falando em fertilizantes, veremos agora qual a eficiência dos mesmos para nutrir o canavial:

Fatores que afetam a eficiência dos fertilizantes e corretivos agrícolas

Segundo a ANDA, existem fatores diretos e indiretos que podem afetar a eficiência do uso de fertilizantes e corretivos agrícolas na sua propriedade.

Fatores diretos

  • Qualidade dos fertilizantes e corretivos agrícolas;
  • Características do solo;
  • Época de aplicação;
  • Forma de aplicação;
  • Uniformidade e distribuição;
  • O pH do solo é muito importante, existindo uma faixa ideal que os nutrientes ficam disponíveis para as plantas absorverem;
pH-e-disponibilidade-nutrientes

(Fonte: Malavolta, 1979 em Agronomia com Gismonti)

  • Recomendação equilibrada, qualitativa e quantitativa: Lei do mínimo de Liebig

Ademais, não adianta você somente colocar um nutriente no solo e faltar outros, tudo precisa estar em equilíbrio. É isto que a imagem abaixo mostra.

Lei do mínimo de Liebig

(Fonte: IB USP adaptado de Lepch, 1976)

Fatores indiretos

  • Umidade do solo;
  • Espécie da planta (cultura);
  • Conservação do solo; e outros

Você já deve ter ouvido falar em utilizar torta de filtro e vinhaça no canavial. Vamos entender o uso desses produtos.

Como utilizar torta de filtro no canavial e melhorar a fosfatagem em cana-de-açúcar

Torta de filtro é um importante resíduo da indústria sucroenergética, proveniente da filtração do caldo extraído das moendas no filtro rotativo.

A concentração da torta de filtro é constituída de cerca de 1,2 a 1,8% de fósforo e cerca de 70% de umidade quando saí do processo.

Além disso, este resíduo pode substituir ou diminuir a adubação de fosfatagem em cana-de-açúcar.

No gráfico abaixo, você pode observar que ocorreu aumento da produtividade média dos colmos de cana-de-açúcar com o aumento da aplicação de doses de torta de filtro.

doses-torta-de-filtro-fósforo

(Fonte: FRAVET et al., 2010)

Além do aumento de produtividade, alguns trabalhos mostram que a aplicação da torta de filtro aumenta os teores de Cálcio (Ca) e Fósforo (P) no solo e apresentou melhorias nas camadas de 20-40 cm.

Uso da vinhaça na cana-de-açúcar também pode interferir no fósforo

Vinhaça é um resíduo que sobra da destilação do caldo para a obtenção de etanol.

A vinhaça apresenta grandes quantidades de matéria orgânica e potássio.

Pode conter quantidades apreciáveis de nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio e outros.

Por isso, pode ser utilizado como fertilizante (fertirrigação).

Veja na fórmula abaixo como você pode calcular a quantidade de vinhaça que deve ser aplicada na sua cultura de cana-de-açúcar.

vinhaça-fosforo-doses

(Fonte: Única – Estado da arte da Vinhaça)

Conclusão

Neste texto foram discutidas algumas funções do nutriente fósforo e como ele é importante para a produtividade da cana-de-açúcar.

Além disso, vimos como esse nutriente se comporta no solo e na planta e como fazer a fosfatagem em cana-de-açucar.

Também falamos sobre a adubação com torta de filtro e vinhaça na cultura da cana-de-açúcar.

E como sempre enfatizo nos textos, antes de tudo faça o planejamento das suas atividades para realmente obter resultados comprovados.

Assim, conheça o seu solo através de sua análise, veja qual melhor fertilizante e tipo de aplicação se adequa a sua propriedade e alcance produtividades ainda maiores!

Leia mais:

>> O que é administração rural e como usar em sua propriedade

>> O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas

>>  [Infográfico] 4 Desafios de ser um líder em uma empresa rural

>> Guia para iniciantes sobre Agricultura de Precisão (AP)

Você utiliza adubação fosfatada na sua propriedade? Qual a diferença da adubação fosfatada da cana-planta e da cana-soca que você utiliza? Você realiza análise de solo da sua propriedade? Adoraria ver seu comentário abaixo.