Por que o plantio direto contribui para a fertilidade do solo? Essa é a pergunta que irei te responder neste artigo. Então confira!
Não é à toa que cada dia o sistema de plantio direto ganha novos adeptos.
Segundo dados da Embrapa Soja de 30 anos de estudo o sistema de plantio direto mostrou 60% a mais de produção em relação ao convencional.
O revolvimento mínimo no solo propicia aumento do teor de matéria orgânica, diminui as erosões, além de inúmeros outros fatores que colaboram com a fertilidade do seu solo.
Você provavelmente já sabe de alguns benefícios do SPD (Sistema de Plantio Direto), mas talvez não tenha se atentado para toda a sua importância quanto à fertilidade do solo e nutrição de plantas.
Então, confira neste artigo as principais dicas sobre o plantio direto, seu impacto na fertilidade do solo e toda sua importância para a agricultura brasileira.
O que é plantio direto e seus princípios
O plantio direto é um método de manejo baseado no revolvimento mínimo dos solos, com cobertura do mesmo e diversificação de culturas.
Assim, no sistema de plantio direto (SPD) não há revolvimento do solo por arados ou grades, além da formação de palhada e rotação de culturas.
No Brasil, ele foi introduzido a partir da década de 1970, inspirado em modelos europeus e norte-americanos.
Nos EUA e na Europa era necessário o revolvimento do solo para aquecê-lo, uma vez que os solos ficavam cobertos com neve e isto prejudicava o desenvolvimento das sementes.
Assim, segundo especialistas como Dirceu Gassen, aqui em ambiente tropical e subtropical, o revolvimento não é necessário.

Na verdade, muitos defendem que o revolvimento das áreas poderá até ser prejudicial.
Isso porque ele afeta a estrutura dos agregados nos solos e pode acarretar em maiores incidências de plantas daninhas.
O sistema de plantio direto possui 3 princípios:
1. Mínimo revolvimento do solo
Para que o revolvimento do solo seja mínimo, o indicado aos produtores é que apenas o solo na linha de semeadura seja mobilizado.
Para que isso seja realizado todos os anos, o preparo inicial das áreas é essencial.
Neste preparo inicial deve ser realizado correção das camadas superficiais com a calagem, e se necessário, a correção nas camadas mais profundas por meio da gessagem.
Para saber mais sobre realização da calagem e gessagem confira o artigo “Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem”
2. Manutenção do solo coberto
A manutenção do solo coberto, seja por meio de palhada ou plantas vivas deve ser realizada durante o ano todo, o que é bem possível no nosso clima.
No entanto, em ambientes tropicais como esses, a cobertura do solo deve ser bem planejada, uma vez que as condições climáticas favorecem a rápida decomposição do material vegetal.
Veja como realizar adubação verde e utilizar culturas de cobertura neste artigo “Adubação verde e cultura de cobertura: Como fazer?”
3. Rotação das culturas
Quando o assunto é a diversificação das culturas, este é um dos pontos chave a serem levados em conta na hora do planejamento de seu sistema de plantio direto.
Deve-se realizar sistemas de rotação, sucessão e/ou consorciação de culturas.
A diversificação de culturas prevê inúmeros benefícios ao solo quando bem planejada e organizada.
Desse modo, a combinação de espécies vegetais com características diferentes auxiliam no manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.
Ademais, diferentes espécies possuem diferentes raízes que perfuram o solo e liberam substâncias.
Isso melhora a estrutura do solo, favorecendo a formação de macro e microporos, o que aumenta a retenção de água, a descompactação do solo e outros, sendo fundamental para o aumento de fertilidade do seu solo.
Todos esses princípios do SPD contribuem para as condições físicas, químicas e biológicas dos solos, e vamos entender melhor sobre eles, começando pela cobertura do solo:

(Fonte: Geoview)
Cobertura do solo: como e porque fazer
Vale ressaltar que a manutenção da cobertura do solo é vital para o sucesso do plantio direto.
A formação de resíduos ou palhada sobre o solo é algo difícil de ser atingido para adoção do plantio direto em ambiente tropical.
Isso ocorre porque em condições de altas temperaturas e umidade a degradação ocorre em velocidade muito elevada.
Assim, para manter uma cobertura vegetal consistente não podemos revolver o solo e devemos introduzir plantas com elevado potencial de produção de matéria seca.
Esse elevado potencial de produção de matéria seca é determinado pela composição química do resíduo, o qual afeta diretamente sua velocidade de decomposição.
A relação C/N do resíduo dessas plantas é o principal parâmetro a ser avaliado para se estimar o comportamento no solo.
A velocidade de decomposição do resíduo é diminuída quando a relação C/N diminui, já que quanto mais nitrogênio (N) maior a velocidade de decomposição.
Leguminosas têm, em geral, resíduos que se decompõem mais rápido quando comparados aos resíduos das gramíneas, já que sua relação C/N é menor.
Portanto, para ambientes em que temos a rápida decomposição dos restos culturais, deve-se optar pela introdução de gramíneas no sistema de plantio direto para criação e manutenção da palhada nas áreas.
Nas regiões onde a decomposição é mais lenta, pode-se optar por leguminosas ou outras espécies vegetais de mesmas características.
E por que essa cobertura de solo influencia a fertilidade do solo?
Por que o plantio direto contribui para a fertilidade do solo?
A conservação da palhada evita a destruição mecânica dos agregados do solo pela chuva e o arraste de terra provocado pela enxurrada, resultado dos processos erosivos.
Se este solo geralmente superficial não é levado pelas erosões, ele consequentemente armazenará mais nutrientes, fertilizantes e corretivos quando comparados com o manejo convencional.
Além disso, o não revolvimento do solo favorece populações de ciclo biológico longo como consumidores de palha, inimigos naturais, corós, grilos e cupins.
Com esse não revolvimento as raízes das plantas de safras anteriores se decompõe e se transformam em resíduos orgânicos, liberando nutrientes de forma mais gradual às plantas.
A matéria orgânica transforma-se em compostos de alta solubilidade nos solos, e tal fator associado a menor variação de temperatura propicia o melhor crescimento radicular.
O plantio direto ainda propicia o restabelecimento da fauna nativa dos agroecossistemas e condições favoráveis ao desenvolvimento de inimigos naturais, auxiliando no manejo integrado de pragas (MIP).
Ademais, como já falamos, a diversificação de espécies faz com que a estrutura do solo seja melhorada, resultando em maior retenção de água, maior exploração das raízes, e, assim, maior fertilidade do solo.

Água disponível entre a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente, para solo em SPD e sistema convencional, no cultivo do milho
(Fonte: Dalmago et al. em Almeira e Favarin, 2015)
Dicas de como começar a fazer um plantio direto
Os produtores que querem iniciar com o plantio direto devem pensar primeiramente na rotação de culturas a ser utilizada na área.
Ou seja, devem pensar e se planejar na diversificação de espécies a serem introduzidas nos sistemas e na formação de palhada.
Plantas que produzem grandes volumes de biomassa são as mais utilizadas, como por exemplo as braquiária e milheto.
Assim, as chamadas plantas de cobertura possibilitam a ciclagem dos nutrientes e quando morrem, a sua liberação na superfície do solo se dá por meio da decomposição da palhada.
A obtenção da palhada sobre o solo também pode ser pelo consórcio de plantas.
Muitos produtores estão optando pelo plantio do milho nas culturas de verão, seja safra ou safrinha, consorciado com braquiária.

(Fonte: Rural Pecuária)
Esse consórcio tem se tornado um investimento de baixo custo para a melhoria da fertilidade solo.
Em áreas manejadas com plantio direto pelo consórcio milho-braquiária já há relatos de maior resiliência à estresses.
Isso também possibilita uma segunda ou até terceira safra, quando os produtores colocam o gado nas áreas, o que acabou sendo chamado de “safrinha de boi”.
Benefícios do Plantio Direto
–Manutenção da temperatura do solo numa faixa ideal para as plantas;
–Diminuição da perda de água por evaporação;
–Reduz o impacto da gota da chuva na superfície do solo, reduzindo com isso as perdas de água e solo por erosão;
–Aumento da atividade microbiana, e animal como um todo, do solo;
–Melhora na estrutura do solo;
–Redução das infestações de plantas daninhas.

(Fonte: Pioneer)
Esses fatores auxiliam nos ganhos em produtividade das culturas, desde que bem realizados e manejados.
A temperatura ideal auxilia a emergência das sementes e contribuem para formação de um dossel mais homogêneo.
A diminuição das perdas de água por evaporação propicia aos produtores uma maior estabilidade de produção ao longo do tempo, especialmente em anos de seca, uma vez que mais água fica retida na palhada e na matéria orgânica do solo nesse sistema.
Com menores erosões nas áreas, água e nutrientes são mantidos no solo e auxiliam em melhores desenvolvimentos das culturas.
A rotação das culturas e construção de palhada no solo é o principal fator para que ocorra o algum incremento da matéria orgânica do solo.
Porém, é importante que aqueles que desejam praticar o plantio direto tenha em mente que isto é um trabalho a longo prazo, sendo necessário cerca de vários anos para que se consiga pequenos aumentos nos teores de matéria orgânica nos solos.
Resultados de pesquisas de mais de 30 anos da Embrapa Soja mostram que a cada 1kg de C orgânico acumulado no solo corresponde ao aumento de 1 kg por hectare na produtividade da soja.
E para isso, o mesmo estudo apontou a necessidade de 12 anos de manejo no sistema de plantio direto.
Áreas sem palhada ou cobertura vegetal, auxiliam a lixiviação dos nutrientes e perdas nas camadas mais profundas.
Isso, além de prejudicar o desenvolvimento das culturas, pode acabar poluindo os rios e cursos d’água com fenômenos como a eutrofização.
No entanto, para que todos esses benefícios sejam aproveitados, especialmente a melhora na fertilidade do solo, o SPD tem que ser bem feito, e isso envolve planejamento.
Plantio direto e planejamento agrícola
Os produtores que desejam começar o plantio direto em suas áreas devem planejar bem todas suas fases.
O planejamento agrícola é essencial para o sucesso de todo o ciclo do plantio direto, desde a instalação da cultura principal até as culturas de cobertura.
A decisão sobre a rotação de cultura pode deve ser feita com base no levantamento da área e no conhecimento das espécies da rotação.
Se você tiver problemas com nematóides, com certas espécies de plantas daninhas ou até algumas doenças, algumas espécies de cultura de cobertura podem ajudar.
Assim, faça uma escolha consciente de quais são as melhores espécies de cobertura, e a possibilidade de se fazer também o consórcio milho-braquiária.
Para isso ainda é necessário orçar os custos dessas práticas, contando com o benefício depois, mas sempre tendo em mente o capital que você tem disponível para a safra.
As máquinas utilizadas nesse sistema também possuem certas peculiaridades e é necessário certo nível de treinamento para realização das operações.
Recomendo fortemente que você anote em caderno, planilha ou software agrícola tudo o que será necessário para começar esse sistema, especialmente o orçamento.
Durante e após a safra também anote seus resultados, inclusive por talhão, e assim você saberá exatamente quais foram seus ganhos, seus gastos totais e como foram em relação àqueles orçados.

Com o Aegro você consegue seu custo orçado e realizado de forma muito mais ágil e descomplicada
Conclusão
Aqui vimos porque o plantio direto contribui para a fertilidade do solo.
O sistema de plantio direto oferece soluções para os desafios atuais e futuros da agricultura quando o assunto é o aumento das produtividades e maior eficiência do sistema.
O plantio direto traz benefícios tais como: a maior retenção de água e facilidade de infiltração no solo, redução da erosão e perda de nutrientes.
Desse modo, o SPD contribui muito para a fertilidade do solo e, assim, para o aumento de produtividade.
Além disso, evita assoreamento de rios, auxilia a menor compactação do solo, economia de combustíveis e menor número de operações.
Entretanto, todos esses benefícios só ocorrem com as técnicas bem realizadas, exigindo um planejamento agrícola adequado.
E você? Já utiliza o sistema de plantio direto em sua fazenda? Pretende começar a utilizá-lo visando os inúmeros benefícios que ele proporciona frente ao sistema convencional? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.