Como escolher as melhores cultivares de soja para sua lavoura

Cultivares de soja: veja como escolher a melhor considerando sua região e tipo de solo, além de conhecer as cultivares mais utilizadas e outras dicas imperdíveis.

A cultivar é responsável por 50% do rendimento final da sua lavoura.

Por isso temos um cuidado tão grande na escolha da cultivar adequada, já que isso ajuda a  definir o sucesso ou não da produção de grãos.

Essa escolha é ainda mais importante aqui no Brasil.

Isso porque temos a maior extensão (de terra) vertical do mundo, resultando em diversos padrões de chuva, umidade, radiação solar e temperatura.

E regiões tão distintas exigem cultivares distintos. Mas você sabe o porquê disso? E como fazer a escolha certeira?

Aqui vamos entender tudo isso para que você faça a melhor seleção de cultivares e consiga as melhores produtividades!

O que são cultivares de soja?

Cultivar é um nome dado a determinada forma de uma planta cultivada, no caso a soja, que corresponde a um tipo de genótipo (genes) e fenótipo (aspecto visível) que foi selecionado.

Essa cultivar recebeu um melhoramento genético para que ela se adapte a um tipo característica que é procurado.

Alguns exemplos de qualidade das cultivares:

  • Resistentes aos insetos-pragas;
  • Resistentes à doenças;
  • Resistentes aos nematóides;
  • Resistentes à outras tecnologias (intacta, soja RR, etc);
  • Tolerantes à seca;
  • Tolerantes a geadas, dentre outras.
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Numa mesma lavoura, dois tipos de cultivares de soja: existem diferenças no formato das folhas, arquitetura e grupo de maturação.
(Foto: Agrobranco)

A cultivar ideal pode te fazer toda a diferença, tanto em remuneração quanto em produtividades. Vamos entender mais a seguir:

Como as cultivares de soja influenciam na produtividade?

Todo produtor busca somente uma coisa: altas produtividades para resultar bons lucros.

O mercado de sementes é extremamente competitivo. Assim, há uma constante busca por novas tecnologias e métodos de manejo.

Isso aumentaria a produtividade com a diminuição de custos.

Para isso, é necessário que se conheça a fundo as características da cultura e de cada cultivar em específico, como:

  • suas características agronômicas,
  • sua capacidade produtiva, e
  • seu comportamento nos diversos ambientes levando em conta as condições do clima e o fotoperiodismo (tempo de luz em um dia).

Além disso, um grande número de fatores pode interferir na produtividade da cultura da soja.

No entanto, a reunião de todos estes fatores corresponde onde devemos atuar no manejo, sendo que o ponto central é a planta e seu potencial de usar estes fatores para expressar seu potencial produtivo.

Assim, se estamos em uma região com maior ocorrência de estiagem, temos que procurar por cultivares mais tolerantes à seca. Se estamos em área com grande infestação de lagartas, vamos comprar uma cultivar resistente à elas, e por aí vai.

Pra você ter ideia da importância das cultivares temos o caso da soja no Brasil.

O caso das cultivares de soja no Brasil

No final da década de 70 foi desenvolvido o Período Juvenil Longo pelos trabalhos de melhoramento de soja para regiões de baixa latitude

As cultivares de soja puderam ser plantadas em expansão para os trópicos, porque nesse momento a planta não floresce, mesmo sob dias curtos.

Até então, o fotoperíodo mais curto dessa região durante o verão causava florescimento precoce (redução do período vegetativo), que significa perda de porte e produtividade da soja.

Com a descoberta e desenvolvimento do período juvenil longo, foi possível cultivar a soja nas regiões mais próximas do Equador no Brasil, como o Cerrado e regiões mais ao norte.

Isso permitiu que a soja fosse cultivada por todo o país.

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Épocas de plantio e colheita da soja por todo o Brasil
(Fonte: Mapa em Monsoy)

Ao invés de ciclos, grupos de maturação

Estamos acostumados a escolher uma cultivar conforme seu ciclo: superprecoce, precoce, semiprecoce, médio e tardio

Porém, essa denominação foi ficando ultrapassada porque generalizam demais as características da soja e isso confundia a identificação do ciclo da cultura no campo.

Uma nova nomenclatura vem ganhando força entre os produtores por meio de palestras, dias de campo, vitrine de cultivares de empresas e outros: são os grupos de maturação.

Os grupos de maturação de soja possibilitam a você um refinamento na caracterização, uma vez que te oferece uma precisão maior na maturidade plena do material.

Isso te permite conhecer com mais certeza a quantidade de tempo que uma determinada cultivar vai levar para chegar ao ponto de colheita no campo.

Portanto, se identificadas conforme essa nomenclatura, as comparações entre as cultivares são mais fáceis.

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Distribuição dos grupos de maturação de cultivares de soja no Brasil, em função da latitude.
(Fonte: Fundação Meridional Adaptado de Allprandini)

E como são determinados os grupos de maturação para soja?

Os grupos de maturação (GM) variam de acordo com a latitude e são classificados por uma numeração de 0 (mais próximo dos pólos) a 10 (mais próximo do Equador, ou seja, mais ao norte do Brasil).

Numeração: As variedades são classificadas numericamente da seguinte forma:

  • Número abaixo de 6.0: super-precoces
  • Número entre: 6.0 a 6.5: precoces
  • Números próximos de 7.0: ciclo normal
  • Até a número próximo ou igual a 10: tardias

Essa numeração separa as cultivares de soja em grupos de acordo com sua região de melhor adaptação, levando em consideração o tempo de luz por dia (fotoperíodo) em cada região.

Devido à sensibilidade da soja ao fotoperíodo, a adaptabilidade de cada cultivar varia à medida em que se desloca o seu cultivo em direção ao sul ou ao norte, ou seja, quando varia a latitude.

Agora vamos como escolher essas cultivares de soja por grupo de maturação no Brasil:

Como escolher cultivares de soja por grupo de maturação

Primeiro, vamos ter em mente que uma cultivar do grupo de maturação 6 é a mais precoce que a cultivar do grupo 7, bem como a 9.2 é  mais tardia que a do grupo 8.

Nas regiões mais próximas à linha do Equador, os dias são mais curtos no verão e a soja tende a florescer mais cedo.

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Isso diminui o ciclo vegetativo  da soja e reduz a altura das plantas, principalmente nos cultivares com hábito de crescimento determinado.

Para amenizar essa resposta negativa ao fotoperíodo , podem ser usadas cultivares com período juvenil mais longo ou de hábito de crescimento indeterminado.

Geralmente, nessas regiões são plantadas cultivares do Grupo de Maturação 8.0 a 10.0.

Assim quanto mais ao norte do Brasil, utilizaremos grupos de maturação de maior valor.

Na região centro-sul do Brasil, compreendido pelos estados do RS até SP predominam cultivares dos grupos 5 a 7. Enquanto que na região dos cerrados predomina grupos de 7 a 8.5.

Uma mesma cultivar em diferentes regiões possui o mesmo ciclo?

Para compreender melhor, vamos para um exemplo.

Comparando-se cultivares precoces em diferentes locais do Paraná, a duração do ciclo pode ser de 117 a 123 dias no oeste, menor do que 115 dias no norte e maior do que 125 dias no centro-sul do Estado.

Assim, o ciclo da mesma cultivar pode ter uma variação de 10 a 12 dias de uma região para outra.

No verão, os dias são mais longos no Sul do Brasil (alta latitude) do que próximo ao Equador (menor latitude), havendo assim maior fotoperíodo.

Para a cultura da soja, quanto menos luz houver, mais rapidamente ela entrará em estágio reprodutivo (florescimento).

Assim, cultivares dos GMs com numeração mais alta e, consequentemente, melhor adaptadas às regiões próximas ao Equador têm ciclo mais curto.

Portanto, o ciclo de uma cultivar é menor em latitudes baixas (Norte do Brasil) e também em altitudes baixas (menor radiação).

Cada alteração de um décimo de unidade no grupo de maturação significa aproximadamente dois dias de variação no ciclo.

Agora que já entendemos sobre o grupo de maturação, vamos ver como escolher as cultivares de soja por região edafoclimática:

Zoneamento agrícola de Risco Climático (ZARC) e cultivares de soja

O ZARC é um estudo elaborado com o objetivo de minimizar os riscos das condições climáticas.

Esse estudo também permite identificar a melhor época de semeadura, nos diferentes tipos de solo , ciclos de cultivares e em cada município.

O ZARC é divulgado por portarias que estão neste site. Ao entrar no site selecione o estado em que sua propriedade está.

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Depois selecione a cultura em questão, no caso a soja, baixando um arquivo. Neste documento você encontrará as cultivares de soja mais adaptadas à sua região.

Além disso você poderá conferir os períodos mais indicados de semeadura em função da cultivar e tipo de solo, conferindo os riscos nessas diferentes condições.

Por exemplo, para o estado de Mato Grosso e município de Acorizal, e supondo que meu solo é do tipo 2 (textura média).

Lembrando que a Embrapa classifica os solos em tipo 1 (arenoso), tipo 2 (textura média) e tipo 3 (argiloso) e supondo que minha área é do tipo 2.

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Então, por aí eu sei que ao escolher as cultivares do Grupo I devo fazer a semeadura 11 de Outubro até 31 de Dezembro para correr menos riscos (20%).

Naquele arquivo que você baixou, também é possível verificar as cultivares indicados para sua região e para cada um dos grupos (I, II e III).

Por isso, recomendo muito que você visite esse site do MAPA e verifique essas informações tão importantes para a sua produção de soja.

Principais cultivares de soja mais plantadas no Brasil atualmente

Cultivares de soja da Embrapa

A Embrapa soja possui um portfólio completo de cultivares de soja que se enquadram em todo o Brasil.

Ela possui desde sementes com a tecnologia intacta e RR, como também a soja convencionalO portfólio completo você pode encontrar AQUI.

Cultivares de soja da Brasmax

A empresa é muito conhecida por seu melhoramento genético de suas sementes lavoura. A Brasmax possui um variado portfólio de cultivares de soja para as regiões Sul e Cerrado do país.

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O portfólio completo você pode encontrar AQUI.

Cultivares de soja RR

Cerca de 96% das cultivares comercializadas em território nacional possuem a tecnologia RR.

Isso significa que as cultivares de soja RR possuem a tecnologia Roundup Ready, resistente ao glifosato.

Com a modernização do banco de germoplasma das empresas, a nova geração de cultivares RR ganhou ciclos mais precoces.

Além disso, essas cultivares têm alta carga produtiva, além do porte de planta que favorece o manejo da cultura para o agricultor, tornando-se uma opção altamente competitiva

Saiba mais sobre cultivares transgênicos neste artigo: “Como a tecnologia está ajudando a evoluir o agronegócio brasileiro”.

Cultivares de soja convencional

Livre da taxa tecnológica dos OGM´s (Organismos Geneticamente Modificados), a soja convencional vem recuperando seu espaço.

Isso porque essas cultivares também apresentam produtividade competitiva e possibilidade de bonificação especial na sua venda.

Cultivares como a BRS 284 da Embrapa ganham sucessivos concursos nacionais de produtividade.

Nesses concursos as cultivares concorrem em condições de igualdade com as tecnologias hoje disponíveis. Isso mostra o potencial produtivo dessas plantas convencionais.

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Outros cuidados para realmente fazer a escolha correta de cultivares de soja

Diante de tantas opções, a escolha de cada cultivar deve atender às particularidades de sua área. Até porque, não existe uma cultivar que consiga atender a todas as situações.

Essa é uma decisão que cabe ao responsável técnico pela propriedade e à você.

Dessa forma, é preciso fazer uma avaliação completa das informações geradas pela pesquisa, assistência técnica, empresas produtoras de sementes, experiências regionais e pelo comportamento em safras passadas.

Vale a pena pesquisar sobre as cultivares de soja indicadas na sua região, orçando preços de toda a operação.

Isso inclui preço de sementes, custo do inoculante para soja, tratamento de sementes e operação com as máquinas agrícolas.

Você deve colocar também neste orçamento os gastos com inseticidas e herbicidas, já que temos disponível diferentes cultivares que permitem diferentes manejos.

Coloque esse orçamento no seu planejamento agrícola e assim tenha a certeza do que vale mais apena.

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Conclusões

Existe uma vasta gama de opções para a escolha da cultivar ideal para sua lavoura.

E para facilitar, os grupos de maturação e os documentos divulgados pelo MAPA têm sido uma forma de identificação precisa na escolha da cultivar que se adeque às condições que sua propriedade exige.

Mas lembre-se que essa escolha depende de um bom planejamento agrícola, orçando todos os custos envolvidos e considerando toda as condições da sua propriedade.

Converse com o seu agrônomo(a), aproveite as nossas dicas e boa semeadura!

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Cuidados que você deve ter para evitar deficiência de potássio em soja

Como fazer o armazenamento de sementes de soja e assegurar a germinação

Não erre mais: tudo o que você precisa saber para a compra de sementes de milho

Como você escolhe hoje as cultivares de soja para formar sua lavoura? Tem mais alguma dica? Ficaram dúvidas? Conte para nós deixando um comentário abaixo!

Principais pragas do algodão e as estratégias certeiras para seu controle

Principais pragas do algodão: Saiba quais insetos você deve se atentar e quais são os melhores métodos e dicas cruciais para seu controle.

A dimensão das pragas de algodão é imensa: são listadas 1326 espécies de insetos, sendo que as maiores perdas são devido a 162 pragas.

As principais pragas agrícolas são aquelas que afetam as estruturas das plantas que irão resultar no rendimento da cultura.

Mas quais são as principais pragas do algodão no Brasil? E como conseguir controlá-las eficientemente?

Neste artigo separamos as pragas que mais prejudicam a cultura no país, mostrando as estratégias para seu controle eficaz! Confira!

A praga mais importante dentre as principais pragas do algodão: Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis)

Considerada a principal praga da cultura, as larvas do bicudo se desenvolvem no interior de botões e maçãs atacadas. Já a forma adulta é encontrada em flores abertas ou protegidos pelas brácteas.

Os principais danos do bicudo-do-algodoeiro incluem botões florais abertos e amarelados com presença de perfurações escuras (orifícios de alimentação) ou com pólen aderido (orifícios de oviposição). Veja a diferença!!

principais pragas do algodão

Dano de oviposição (à esquerda) e alimentação (à direita) do bicudo-do-algodoeiro em botões florais
(Fonte: Forestry)

O botão floral atacado pode cair, assim as flores não abrem normalmente (flores balão) e as pétalas ficam perfuradas.

Além disso, observamos a destruição de fibras e sementes dentro dos capulhos atacados.

Condições favoráveis para a ocorrência do bicudo-do-algodoeiro

  • Plantio fora da janela;
  • Não destruir a soqueira na entressafra;
  • Plantas daninhas na pré-safra;
  • Presença de áreas de matas próximos à lavoura que abrigam os insetos na ausência do algodão.

Medidas utilizadas com eficiência de controle para o bicudo-do-algodoeiro

Uma das principais medidas é o plantio-isca, que atrai e elimina os bicudos com inseticidas antes do plantio definitivo.

Também é utilizado o tubo mata bicudo nas bordas da lavoura para reduzir a pressão inicial da praga e o  plantio na janela recomendada.

Como forma de controle químico, é recomendada a pulverização de inseticidas. No portal Agrofit existem 99 produtos registrados para o manejo do bicudo.

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Bicudo-do-algodoeiro atacando flores do algodoeiro
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

No entanto, outras medidas preventivas deverão ser feitas para retardar ou diminuir a intensidade do ataque na cultura, como a destruição de soqueiras.

Outra dica, é antecipar o preparo do solo em pelo menos 40 dias. Isso faz com que seja eliminado os refúgios do bicudo, desalojando eles da área.

O controle biológico é pouco utilizado, ocorrendo predominantemente de forma natural pelos inimigos naturais da área.

Por isso, é importante escolher inseticidas seletivos, como defensivos naturais, e só realizar pulverizações quando necessário.

Nesse sentido, o professor Dr. Octávio Nakano da ESALQ/USP indica que a melhor maneira de monitorar e tomar a decisão no controle é através da contagem do número de maçãs/planta.

Para cada maçã em formação/planta ou maçã formada/planta corresponde a porcentagem (%) de infestação que podemos tolerar para o número de botões florais atacadas/planta.

Por exemplo, se observamos 2 maçãs por planta de algodão naquele estágio de desenvolvimento, significa que podemos tolerar 2% de infestação de botões florais atacados. Acima disso deve se fazer a pulverização.

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Com o Aegro você consegue ter o registro e visualização do armadilhamento e monitoramento do bicudo de forma fácil e rápida.

Dessa forma, a proteção é feita em função das maçãs formadas.

Quanto maior o número de maçãs obtidas/planta, significa que a produção já está garantida e portanto a tolerância à praga é maior.

Broca da raiz (Eutinobothrus brasiliensis)

A broca da raiz faz galerias na região do colo das plantas e pode ser ali encontrada. Nesses locais as fêmeas criam orifícios e depositam seus ovos.

As brocas da raiz causam danos de murchamento das plantas novas, sendo que as plantas desenvolvidas apresentam folhas avermelhadas e murchas.

Solo úmido e áreas de baixada, assim como áreas de plantio direto e que não faz a destruição de restos culturais favorece o surgimento da praga.

O controle da broca da raiz pode ser realizado integrando os métodos culturais e químico.

No portal Agrofit estão registrados 28 produtos para o seu controle.

Mosca branca (Bemisia tabaci biótipo B)

Considerado como a praga do século, e uma das principais pragas do algodão, essa praga está presente durante todo ano agrícola e no algodão não é diferente.

A mosca-branca tem aproximadamente 1 mm de comprimento e possui 4 estágios ninfais, sendo o primeiro móvel.

Os danos no algodão podem ser diretos e indiretos. Os danos diretos ocorrem pela sucção de seiva que pode resultar no enrolamento de folhas jovens.

Além disso causam a formação de uma substância açucarada – mela ou honeydew – e posterior queda das folhas.

Os danos da mela podem comprometer diretamente a qualidade da fibra devido o desenvolvimento de um fungo conhecido como fumagina.

Como dano indireto, a mosca-branca é vetor da virose “mosaico comum” do algodoeiro. As plantas infectadas podem apresentar redução no porte e na capacidade fotossintética.

Tempo quente, nublado e relativamente úmido são condições ideias para o desenvolvimento da mosca branca, além da ausência de inimigos naturais.

O seu controle pode ser realizado por meio de aplicações foliares inseticidas sistêmicos ou tratamento de sementes.

Pulgão do algodoeiro (Aphis gossypii)

É uma das principais pragas do algodão, ocorrendo no início da cultura, sendo que uma fêmea pode originar até 100 ninfas em 10 dias.

O pulgão do algodoeiro é um insetos que apresenta cores variando do amarelo-claro até o verde-escuro.

Normalmente eles se localizam na face inferior (abaxial) das folhas e nos brotos novos das plantas onde sugam a seiva.

Os sintomas causados incluem folhas dos ponteiros enrugadas, enroladas ou encarquilhadas; os brotos ficam deformados e nota-se a presença de mela nas folhas inferiores por consequência da sucção contínua da seiva.

Essa mela favorece o aparecimento da fumagina, que reduz a qualidade da fibra e implica no seu beneficiamento.

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Fumagina em plumas de algodão após ataque de pulgão
(Fonte: Agrolink)

Além desses sintomas, pode ocorrer a transmissão de viroses como o “vermelhão ” e “mosaico das nervuras ”.

Tempo quente, nublado e relativamente úmidos são condições ideias para o desenvolvimento dos pulgões, além da ausência de inimigos naturais.

Controle do pulgão do algodoeiro

O nível populacional tolerado do pulgão é de 1 por cm2 de folha em média, avaliando-se a quarta folha, a contar de cima para baixo; valores acima deste estimado exigem a pulverização do inseticida.

Em geral o controle deve ser feito até 60 dias de idade das plantas.

No entanto, ao final do ciclo da cultura o pulgão também precisa ser controlado para impedir que a formação de fumagina não venha afetar a qualidade da fibra.

O seu controle pode feito através de pulverizações de inseticidas sistêmicos ou mesmo utilizados no tratamento de sementes.

No portal Agrofit estão registrados 146 defensivos agrícolas para o manejo do pulgão.

Percevejo castanho da raiz (Scaptocoris castanea)

São percevejos de cor pardo escuro que utilizam plantas silvestres e gramíneas como plantas hospedeiras.

Quando realizado o preparo do solo exalam cheiro desagradável característico de sua presença.

Além disso, em períodos secos ele aprofundam-se no solo, retornando à superfície em períodos chuvosos.

Como essa praga provoca danos nas raízes, as plantas jovens se tornam amareladas e murchas. Na maior parte dos casos as plantas morrem pois a absorção de nutrientes do solo fica comprometida.

Um bom preparo do solo, com arações profundas seguidas de gradagens e correção de acidez no solo são operações que ajudam no controle dos percevejos.

No mais, uma das principais estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP) utilizada tem sido o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos.

No portal Agrofit existe apenas um produto registrado para o manejo do percevejo castanho da raiz.

Principais pragas do algodão: Complexo de percevejos

As principais espécies são: Nezara viridula, Euschistus heros e Piezodorus guildinii .

Esses percevejos são migrantes da cultura da soja e provocam queda de botões florais, flores e maçãs novas, pontuações internas nas maçãs, deformações das maçãs em forma de bico-de-papagaio e maçãs que não se abrem normalmente.

A presença de plantios de soja nas proximidades da lavoura do algodão é condição favorável para o aparecimento desses insetos.

Curuquerê do algodoeiro (Alabama argilacea)

O dano dessa praga pode ser observado no início de desenvolvimento da cultura do algodão em decorrência de práticas culturais mal executadas, como por exemplo a não destruição de plantas de algodão da safra anterior.

As lagartas do curuquerê possuem coloração variada com listras longitudinais, mas quando em altas infestações se tornam escurecidas.

Na fase adulta, as mariposas apresentam coloração marrom avermelhada e possuem hábito noturno.

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Curuquerê do algodoeiro em folha de algodão
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

Os danos observados são o limbo foliar atacado, com desfolha proporcional ao número de lagartas podendo ser até total.

As condições favoráveis para sua ocorrência são temperaturas elevadas e após períodos chuvosos.

A tolerância é de 25% de desfolhamento, em média, para qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Acima desse valor deve-se pulverizar a lavoura.

Inseticidas reguladores de crescimento (“fisiológicos) e biológicos, assim como a liberação massal de microvespas parasitoides de ovos da espécie Trichogramma pretiosum são utilizados no controle da praga.

A liberação massal de T. pretiosum pode ser feita uma vez por semana ou a cada 5 dias na dose de 100.000 a 120.000 parasitoides/ha assim que se observar a presença da praga no campo.

No portal Agrofit existem um total de 208 produtos registrados para o manejo do curuquerê.

Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Lagarta migrante das áreas de soja, atualmente está bem adaptada a cultura do algodão.

As lagartas possuem tipicamente coloração verde com linhas longitudinais brancas ao longo do corpo.

Os adultos apresentam sob a coloração cinza-escura com uma mancha prata na porção nas asas.

As lagartas causam a desfolha nas folhas que inicialmente apresentam-se raspadas e aspecto rendilhado, evoluindo para perfurações circulares na folhas.

São de difícil controle pelo inseticidas por terem o hábito de se localizarem no baixeiro das plantas.

No portal Agrofit existem 7 produtos registrados para da lagarta falsa-medideira.

Principais pragas do algodão: Complexo Heliothinae

Esse complexo é representado pelas espécies Chloridea (=Heliothis) virescens (Lagarta-da-maçãs) e Helicoverpa armigera (lagarta-do-velho-mundo).

As lagartas dessa espécie possuem coloração esverdeada enquanto a forma adulta são de cor parda e apresentam hábito noturno.

Entre os principais danos do ataque destacam-se botões florais e maçãs danificadas com galerias formadas pelo inseto, além de queda de botões e maçãs.

Geralmente o ataque é descendente, ou seja, com início no ponteiro das plantas.

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H. virescens atacando maçã do algodoeiro.
(Fonte: UT Crops)

Para avaliar essa praga, devemos proceder a amostragem dos ponteiros de cada planta. Quando detectarmos 10% de ponteiros ou mais atacado, iniciaremos as pulverizações.

Os métodos de controle desse complexo são os mesmos recomendados para o curuquerê.

Além disso, também pode ser feito o plantio de algodão Bt que contêm as proteínas Cry1 e Cry2, as quais conferem resistência as espécie desse complexo.

No portal Agrofit existem no total de 115 produtos registrados para o manejo de C. virescens e 35 tipos de inseticidas para Helicoverpa armigera.

Lagarta rosada (Pectinophora gossypiella)

As lagartas dessa espécie quando em estágio larval avançado possuem coloração rosada, enquanto as mariposas possuem manchas cinza-escuras.

Os danos causados pela lagarta rosada são observados quando as flores apresentam aspecto de roseta, além de murcha e queda de botões florais.

As maçãs ficam total ou parcialmente destruídas, fibras e sementes danificadas.

No campo, denominamos as maçãs atacadas e que não abrem normalmente de “carimãs”. Nesses casos, as a fibra apresenta aspecto de ferrugem.

Como estratégia de manejo, não se recomenda o plantio fora de época. Para controlá-la pode ser pulverizar inseticidas reguladores de crescimento e fazer a liberação massal de T. pretiosum.

Para monitorar a lagarta rosada, devemos amostrar 100 maçãs em formação, abri-las e observar a presença da praga no seu interior. Caso se detecte 5% de maçãs com lagartas, deve-se iniciar a pulverização.

Podemos usar a armadilha com feromônio sexual para monitorar a população da praga.

Assim, ao observarmos 10 adultos/armadilha devemos realizar o controle.

No portal Agrofit estão registrados 41 produtos para o manejo da lagarta rosada.

Complexo Spodoptera spp.

As lagartas desse complexo são representadas pelas espécies S. eridania, S. cosmioides e Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho).

São uma das principais pragas do algodão, alcançando o comprimento de 40 mm.

As lagartas apresentam coloração variada, enquanto as mariposas chegam a 35 mm de comprimento efetuando postura de ovos em forma de massa sobre as folhas.

Após o ataque, as folhas ficam perfuradas e os parênquimas raspados. Brácteas, flores e maçãs são danificadas no seu interior ou nas bases.

Os ataques geralmente ocorrem da parte mediana até o ponteiro, sendo o período crítico do início do florescimento ao surgimento do primeiro capulho.

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Lagarta do cartucho, S. frugiperda, atacando maçã do algodoeiro, sendo essa uma das principais pragas do algodão
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

As condições favoráveis ao aparecimento dessas lagartas são os plantios vizinhos ou sucessivos de milho e milheto.

Por serem plantas hospedeiras favorecem o desenvolvimento e manutenção da praga na área.

O controle deve ser iniciado quando forem encontradas 5% de plantas com massas de ovos e eclosão de lagartas.

No portal Agrofit existem 55 produtos registrados para o manejo do complexo Spodoptera spp.

Junto as aplicações de inseticidas quando necessárias, também pode ser feito o plantio de algodão Bt que contêm a proteína vegetativa VIP que confere resistência a espécie S. frugiperda.

Uma das principais pragas do algodão atualmente: Ácaros

O surto dessa praga tem aumentado nos últimos anos no Brasil, se constituindo uma das principais pragas do algodão.

Ocorrem principalmente em locais ou anos com maior incidência de veranicos.

Além disso, outro fator diz respeito ao estímulo ao aumento populacional dos ácaros após a aplicação intensiva inseticidas piretroides e neonicotinoides, fenômeno chamado de hormoligose.

Ácaro rajado (Tetranychus urticae)

O ácaro rajado possui cor verde-amarelada na forma jovem e avermelhada na fase adulta, formando colônias nas faces inferiores das folhas.

O ácaro rajado caracteriza-se por formar colônias nas faces inferiores das folhas e produzir “teias” que servem de proteção ao ataque de predadores e dispersão.

Os principais danos ocorrem na face superior das folhas com manchas avermelhadas a partir das nervuras, áreas necrosadas e desfolha de plantas.

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Folhas de algodão com sintomas do ataque de ácaro-rajado
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

As plantas de algodão também podem ter seu ciclo encurtado e com produção de maçãs pequenas e fibras de má qualidade.

Condições favoráveis para sua ocorrência são tempo quente e seco. O seu controle pode ser feito com uso de acaricidas específicos ou inseticidas-acaricidas.

No portal Agrofit estão registrados 54 produtos para o manejo do ácaro rajado.

Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni)

Essa espécie também produz teias para se proteger de predadores.

Os seus danos são os mesmos visualizados pelo ataque do ácaro rajado, assim como seu controle através de uso de acaricidas específicos ou inseticidas-acaricidas.

No portal Agrofit existem 7 produtos registrados para o manejo do ácaro vermelho.

Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus)

São organismos pequenos e de coloração esbranquiçada que estão localizados na face inferior das folhas, principalmente em folhas novas do ponteiro, lugares sombreados e lavouras adensadas.

Como danos causados destacam-se folhas escurecidas, coriáceas com o bordo virado para baixo, enquanto a face superior da folha apresenta aspecto vítreo e a inferior brilhante.

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Folhas de algodoeiro com aspecto coriáceo atacado por ácaro branco, uma das principais pragas do algodão
(Fonte: Arquivo pessoal do autor Lucas Barros)

As condições favoráveis para seu desenvolvimento são tempo nublado ou chuvoso, locais sombreados e temperaturas elevadas.

O uso de defensivos agrícolas do tipo acaricidas específicos ou inseticidas-acaricidas são os métodos de controle recomendados.

No portal Agrofit existem 3 produtos registrados para o manejo do ácaro branco.

Conclusão

Aqui vimos as principais pragas do algodão, sendo que o bicudo-do-algodoeiro e as lagartas se constituem nos insetos mais preocupantes da cultura.

Perceba que não existe um único método de controle que possa “dar conta” de tudo.

Também não se esqueça que o manejo de pragas já começa logo após a colheita do algodão, com a destruição de soqueiras e outras medidas culturais.

É preciso um Manejo Integrado de Pragas (MIP), aliado à gestão agrícola para que possamos realmente combater as pragas sem prejuízo econômico.

Assim, aproveite as dicas e bom manejo!

>>Leia mais: “Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu
>>Leia mais: 11 pragas da soja que podem acabar com sua lavoura”
>>Leia mais: “Tudo o que você precisa saber sobre área de refúgio para plantas Bt [Infográfico]

Como você faz o manejo das principais pragas do algodão? Tem alguma dica que não citamos aqui? Restou alguma dúvida? Comente abaixo!

Administração de fazendas: como fazer com um software de gestão agrícola

Administração de fazendas: obtenha o controle da fazenda e de seus custos com o uso de software de gestão agrícola, melhorando ainda mais sua propriedade.

Administração de fazendas nem sempre é um assunto fácil. Envolve inúmeros processos, diversas pessoas, dinheiro e até mesmo a sucessão familiar.

O produtor Luis Gustavo Heins vive exatamente essa situação. As fazendas da família, em Pindamonhangaba (SP), estavam totalmente nas mãos do pai, Jair Heins, até pouco tempo.

Com o aumento de operações e de áreas, ele se juntou ao pai na administração das propriedades e encontrou vários desafios.

Com o uso de um software para fazendas, ele nos conta como está conseguindo superá-los. Confira!

A administração de fazendas e seus desafios

As fazendas Múltipla e Marçon, localizadas no interior de São Paulo, produzem soja, milho e, principalmente, arroz. Isso porque, dos cerca de 1.000 hectares, praticamente 70% é destinado para o cultivo do arroz.

Há alguns anos, essa área não era tão grande e, por isso, o pai da família Heins mantinha o comando concentrado nele. Com a expansão das áreas, Luís se juntou ao pai para tomar conta da fazenda e fazer a empresa rural da família prosperar ainda mais.

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Luis Gustavo e seu pai, Jair Heins Filho, na propriedade da família

No entanto, juntamente com mais áreas, vieram mais problemas na administração rural.

A complexidade das operações agrícolas ficou ainda maior e os custos e ganhos começaram a ficar fora de controle, nas palavras do produtor:

“ Chegava no final da colheita e não sabia onde tinha colocado o dinheiro, só sabia que faltava”

O grande problema: ‘Para onde está indo o meu dinheiro?’

Esse é um gargalo comum nas fazendas, já que na agricultura as margens de lucro são pequenas, mas os volumes de entrada e saída são grandes. Ou seja, temos uma grande quantidade de dinheiro indo para diversas operações agrícolas, insumos, encargos e outros.

Também recebemos grande volume de dinheiro pela produção agrícola, mas, ao subtrair o que gastamos, pode não sobrar muita coisa, como Luis percebeu.

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Vista da fazenda da família Heins

Desse modo, sem saber ao certo qual o custo de produção agrícola e quais são os principais custos, o controle da fazenda e do dinheiro vão por água abaixo.

E nem precisa ter muita área para a confusão se formar. Só quem sabe o grande número de insumos, abastecimentos e outros custos da produção agrícola entende a dificuldade.

Por outro lado, a tentativa de colocar todos esses custos em cadernos e planilhas parece uma tarefa impossível devido à complexidade das atividades agrícolas e ao trabalho que isso requer. Outro fator preocupante nesse sentido é não conhecer a rentabilidade por talhão.

Esse conhecimento nos leva a entender melhor as áreas da propriedade e traçar novas e mais adequadas estratégias para os próximos anos. E essa é exatamente uma das soluções para melhorar a sua gestão agrícola, como veremos a seguir:

Qual a solução para controlar meus custos e melhorar minha administração de fazendas?

No começo, Luis tentou usar algumas planilhas agrícolas de Excel juntamente com alguns softwares financeiros.

O controle até começou a aparecer, mas as informações espalhadas em vários lugares diferentes dificultava a visualização ampla da fazenda. Ao mesmo tempo, detalhes como custo por talhão e gasto com insumos eram complicados de serem obtidos.

Foi então que Luis conheceu o Aegro e resolveu testá-lo:

“Nós tínhamos um software financeiro e planilhas, mas o Aegro é bem mais completo. É só alimentar e ele já vai dando as respostas, com todos os dados em um só lugar

Dessa forma, ele consegue ver a fazenda como um todo, sabendo exatamente o quanto está gastando e o quanto lucrou.

Agora também é possível ter os detalhes em alguns cliques: rentabilidade por área, custo por insumo ou categoria de insumos e outros.

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Para conhecer essa e outras funcionalidade do Aegro acesse aqui

Por isso, mesmo com pouco tempo de uso, já é possível perceber como a administração das fazendas melhorou:

“Antes não tinha isso de verificar o que aconteceu, por exemplo, por que se jogou mais ou menos insumos no campo. Antes, o que fazia estava bom.”

O controle da fazenda agora está totalmente nas mãos dos responsáveis por ela, permitindo que eles monitorem as atividades facilmente:

“Hoje nós sabemos o que está acontecendo. Se há mais ou menos insumos em campo, vamos atrás do que aconteceu: foi má regulagem, equipamento está com problema, operador não estava bem? Vamos até achar e resolver o problema

Com a administração de fazendas sendo aprimorada, o controle das máquinas agrícolas também foi obtido e foi possível perceber seu benefício.

A importância do controle de máquinas agrícolas

As máquinas agrícolas representam um dos custos mais significativos dentro da fazenda. E não é só porque o investimento inicial desses equipamentos é alto. Os custos com manutenções e abastecimentos também são de grandes valores.

Ao colocar tudo em dados, você percebe que uma manutenção corretiva, aquela que acontece quando uma peça, por exemplo, quebra no meio do campo, sai muito cara.

E isso pode ser evitado pelas manutenções preventivas, as quais são realizadas periodicamente, fazendo com que a operação agrícola não tenha que ser parada.

Mas nem sempre isso é fácil de ser lembrado na correria do dia a dia.

Pensando nisso, o Aegro tem um alerta de manutenção. Você pode agendar a manutenção de suas máquinas e implementos agrícolas e será avisado por e-mail o dia em que elas devem ser feitas.

Alertas de manutenção de maquinário agrícola no Aegro
Cadastre alertas de manutenção periódicos no Aegro

De fato, Luis ressalta que essa virou uma das funcionalidades preferidas do Aegro. Afinal, os avisos automáticos por e-mail trazem comodidade e geram economia com os custos de manutenção.

Outro assinante do Aegro que gosta dessa funcionalidade é o Elivelton Menezes. Contamos aqui como ele conseguiu redução de custos com o maior controle do maquinário agrícola através de um software para fazendas.

Mas não é somente o custo com máquinas que agora tem um controle mais fácil e assertivo:

Os custos da safra são imprescindíveis na administração de fazendas

Sem dúvida, conhecer o custo de produção agrícola real é extremamente necessário para administração de fazendas.

Com ele, você consegue saber onde é preciso melhorar no sistema de produção, o que precisa de investimento e até estimar qual preço de venda vale a pena.

Sem controle, é impossível de saber essas questões. Em um ambiente complexo como a agricultura, fica difícil fazer isso sem um sistema para te ajudar.


Análise de custo de produção agrícola no Aegro

Dessa forma, outro fator que chamou a atenção do Luis para o Aegro foi a parte de custos:

“Com o custo realizado eu já vou sabendo se estou gastando mais ou menos em tempo real. Com isso, consigo ajustar minha estratégia e controlar os próximos gastos. Antes eu não conhecia esses custos nem mesmo depois de fechar a safra”.

Com isso, vem o controle de estoque também, porque agora é possível saber com exatidão a quantidade de insumos utilizada.

E, em vez de gastar dias tentando “desvendar” dados em papéis e milhares de planilhas, esse controle é feito em minutos e fácil de ser visualizado:

“Coisa que eu perdia o dia todo, faço em uma hora. É muito necessário. Se não controla, acontece o que aconteceu com a gente: acha que está tendo lucratividade alta, mas não é essa a verdade”

Foto de pilhas de papeis, com chamada para baixar o guia de software

Conclusão

Em conclusão, a boa administração de fazendas exige um controle das contas e atividades agrícolas da sua propriedade.

Conseguir esse controle por meio de anotações em cadernos ou espalhado em planilhas é um bom começo, mas, mesmo assim, o seu controle fica falho.

Em um ambiente tão complexo quanto a agricultura, um software para fazendas lhe dará esse controle e, consequentemente, a adequada administração de fazendas.

E foi exatamente isso que Luis Gustavo Heins nos mostrou com sua história!

Para conhecer mais sobre o Aegro fale com um dos nossos consultores clicando aqui.

>>Leia mais:

[Estudo de caso] Como João Mognon alcançou o controle efetivo de sua fazenda com software agrícola

Como negociar preços mesmo sendo pequeno produtor através da gestão agrícola [Estudo de caso]

Como está sua administração de fazendas hoje? Você consegue ter um bom planejamento e administração de custos das atividades agrícolas? Conte para nós deixando seu comentário abaixo!

Como fazer um manejo efetivo de pragas do algodão

Pragas do algodão: Saiba mais sobre o manejo dentro da cultura, conheça as principais pragas e seus danos, além de outras orientações para o controle eficaz.

Os prejuízos na cultura do algodão podem chegar a até 60% da produtividade pelo ataque do bicudo do algodão.

Mas não é só o bicudo que prejudica o algodão. Pelo contrário, são muitos insetos que podem reduzir a produtividade.

Para o controle eficaz dessas pragas não basta a aplicação de inseticidas. É preciso entender como manejar o ambiente como um todo.

Pode até parecer complicado, mas não é: medidas simples podem fazer toda a diferença no seu manejo de pragas do algodão.

Aqui vamos entender melhor sobre o manejo e conhecer medidas para colocar em prática agora e obter o controle eficiente das pragas. Confira!

Por que temos tantas pragas do algodão?

Não é novidade para ninguém que manejar as pragas da cultura do algodão não é tarefa fácil.

Abaixo você pode conferir o ciclo do algodão e as principais pragas do algodão:

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Incidência de pragas ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura do algodoeiro
(Fonte: Monsanto)

Mas por qual motivo o algodoeiro é fortemente atacado?

A explicação óbvia é que a cultura está dentro em um sistema produtivo intenso, ou seja, durante quase o ano todo há culturas na área.

Isso propicia muito a abundância de pragas do algodão, mas existem também outras justificativas.

Uma delas é a presença de nectários nas folhas das plantas de algodão, o que atrai e favorece o desenvolvimento dos insetos.

Assim, é comum verificar durante todo o ciclo de desenvolvimento do algodão inúmeras pragas atacando e que podem limitar a sua produtividade.

Segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária, na safra 2017/2018 o uso de inseticidas representaram 20% do custo total de produção da cultura do algodão no estado de Mato Grosso.

Sendo que, somente o bicudo do algodoeiro foi responsável por aproximadamente 10% desse custo de produção.

Estima-se que no mínimo 15 pulverizações por ciclo são realizadas nas propriedades de que cultivam algodão.

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Número de pulverizações na região do cerrado para o controle de pragas do algodão
(Fonte: Agro em Dia)

Sem dúvida alguma este controle químico está fortemente relacionada a abundância de pragas na cultura, mas do ponto de vista econômico e ambiental não é sustentável.

Sustentabilidade agrícola é o que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão busca na cotonicultura, e para alcançar esse objetivo um dos primeiros passos é manejar as pragas racionalmente.

Assim, precisamos entender a cultura do algodão e inserir outros métodos de controle, como o cultural, como não deixar restos culturais na entressafra, ou mesmo o controle biológico e defensivos naturais.

Pensando nisso, abordaremos aqui sobre as principais pragas do algodão e como iniciar o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Manejo Integrado de Pragas do algodão (MIP)

Um dos princípios básicos do manejo é conhecer a praga no campo, seus estágios de desenvolvimento, o momento que ela ataca a planta e quando ela começa a se tornar um problema econômico.

Além disso, conhecer os principais inimigos naturais das pragas do algodão e os inseticidas seletivos são igualmente importantes.

Muito pouco ou quase nada se dá importância aos inimigos naturais, mas eles são responsáveis por controlar naturalmente 60 a 70% das pragas do algodão. Portanto, devemos preservá-los com inseticidas seletivos.

Entendendo a planta do algodoeiro para aplicar ao MIP

É importante você saber que a cultura do algodão perde naturalmente 60 a 70% das suas estruturas reprodutivas.

Dessa forma, nem todo botão floral ou maçã atacada irão resultar em prejuízos econômicos.

Além disso, nem toda desfolha é prejudicial já que área foliar em excesso poderá sombrear as folhas do baixeiro e reduzir a fotossíntese das folhas.

Assim, nem toda folha raspada ou desfolhada implicará em perda de produtividade.

Além do que, as maçãs mais pesadas, ou aquelas que irão resultar em maior produtividade se encontram na 1ª posição ou 1º nó do ramo do ramo frutífero..

Assim, você deve obedecer o nível de ação ou controle (NC) estabelecido para cada praga.

Para isso o monitoramento de pragas e o acompanhamento da evolução de pragas e inimigos naturais na área é essencial!

planilha para manejo integrado de pragas Aegro, baixe agora

Como fazer o monitoramento das pragas do algodão?

De modo geral, devemos dividir áreas grandes em talhões de 100 ha e tomar amostras de 100 plantas/talhão, escolhendo 20 pontos com 5 plantas.

Levando em consideração a distribuição da praga na área, dos 20 pontos devemos escolher 4 pontos na periferia e os demais no interior.

A freqüência de amostragens poderá ser de 3 a 7 dias podendo ser aumentada caso a densidade de pragas se encontre próxima do nível tolerado.

O resultado da amostragem anterior nos indicará com que frequência ou intensidade devemos adotar.

Além das pragas, também devemos anotar a presença de inimigos naturais. Eles nos indicarão o nível de não-ação (NNA).

Nessa situação a população do inimigo natural será capaz de controlar a praga e mantê-la abaixo do NC.

Além disso, é essencial que você tenha os dados de monitoramento registrados em local seguro, para que você possa realmente ter o controle e fazer o MIP.

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Com o Aegro você tem seus dados de MIP georreferenciados, sabendo exatamente onde estão as maiores infestações. Os dados ficam seguros, fáceis de serem visualizados e interpretados.

Para começar sua gestão deixamos disponível gratuitamente uma planilha para que você estime a sua produtividade da cultura do algodão. Baixe aqui!

Assim, após esclarecer alguns preceitos básicos vamos as pragas do algodoeiro, seus danos e Nível de Controle (NC).

Principais pragas da cultura do algodão

A partir de agora vamos comentar as principais pragas do algodão e como são os sintomas (danos) desses insetos na cultura.

Desse modo, você pode identificar melhor quais são as pragas presentes na sua lavoura. Veja:

Coleópteros-praga: os besouros que atacam o algodoeiro

Bicudo do algodoeiro – Anthonomus grandis

É a principal praga do algodão, sendo que as fêmeas (que possuem longevidade de 20 a 30 dias) depositam seus ovos no interior dos botões florais, onde as larvas se desenvolvem. O adulto é encontrado nas flores abertas ou protegidos pelas brácteas.

Com isso, os botões podem cair, as flores não abrem (flores balão) e as pétalas ficarem perfuradas.

O prejuízo na cultura do algodão também se deve à destruição de fibras e sementes.

Você pode identificar os danos do bicudo em botões florais abertos e amarelados com presença de perfurações escuras (orifícios de alimentação) ou com pólen aderido (orifícios de oviposição).

Você pode ver abaixo a diferença desses danos:

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Danos em botões florais: À esquerda o de oviposição, à direito o de alimentação
(Fonte: Forestry images)

Nível de Controle (NC): Cada maçã (formada ou em formação) corresponde a porcentagem (%) de infestação que podemos tolerar. Assim, se houver 2 maçãs por planta em média na lavoura, podemos tolerar 2% de infestação de botões florais atacados.

A Embrapa também fala sobre NC em 5% de plantas com botões atacados ou com presença do adulto.

Broca da raiz – Eutinobothrus brasiliensis

As brocas da raiz são encontradas na região do colo da planta de algodão, onde os ovos são colocados pelas fêmeas.

Os danos na cultura se caracterizam pelo murchamento de plantas novas e folhas avermelhadas e/ou murchas em plantas desenvolvidas.

Hemípteros: pulgões e cochonilhas do algodão

Mosca-branca – Bemisia tabaci biótipo B

Os danos diretos são causados pela mosca-branca sugar a seiva, provocando o enrolamento de folhas jovens, além de formar uma substância açucarada e causar queda das folhas do algodão.

Essa substância açucarada também afeta a qualidade da fibra, já que ela favorece o fungo fumagina.

Já os danos indiretos ocorrem pela transmissão da virose “mosaico comum” do algodoeiro.

Pulgão do algodoeiro – Aphis gossypii

Os pulgões se localizam na parte inferior da folha ou em brotos e folhas novas, causando ponteiros enrugados, além de folhas enrugadas e encarquilhadas.

Também observamos brotos deformados e mela nas folhas devido a sucção contínua da seiva. Essa mela favorece a fumagina, a qual prejudica a qualidade da fibra.

Os pulgões do algodoeiro também causam danos indiretos pela transmissão das viroses “vermelhão ” e “mosaico das nervuras ”.

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Fumagina em plumas de algodão após ataque de pulgão
(Fonte: Agrolink)

Nível de Controle (NC): 1 pulgão por cm² de folha em média, avaliando-se a quarta folha, contando de cima para baixo.

Além disso, a Embrapa recomenda o NC de 5 a 15% de plantas com colônias no caso de cultivares suscetíveis à virose, enquanto que em cultivares resistentes, 60 a 70% de plantas com colônias.

Percevejo castanho da raiz – Scaptocoris castanea

Esse percevejo ataca as raízes, prejudicando a absorção de nutrientes e provocando sintomas de folhas amareladas e murchas.

Complexo de percevejos

As principais espécies são: Nezara viridula, Euschistus heros e Piezodorus guildinii .

Eles ocasionam a queda de botões florais, flores e maçãs novas. Você também pode observar pontuações e deformações nas maçãs (em forma de “bico de papagaio”).

Nível de Controle (NC) para todos os percevejos: 20% das plantas com botões atacados.

Lagartas que atacam a cultura do algodão

Curuquerê do algodoeiroAlabama argilacea

É uma praga de início do ciclo do algodão, e ocorre normalmente devido a não destruição de soqueiras de algodão da safra anterior.

Com o ataque, as folhas ficam cortadas e pode ocorrer desfolha intensa das plantas.

Nível de Controle (NC): Média de 25% de desfolhamento, para qualquer fase de desenvolvimento das plantas de algodão.

Lagarta falsa-medideira – Chrysodeixis includens

Essa lagarta ocorre normalmente na cultura da soja, mas está se adaptando ao algodoeiro.

A falsa-medideira causa desfolha, sendo que inicialmente você observa a folha rendilhada e depois perfurada, como na imagem abaixo.

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(Fonte: Claudinei Kappes em Campo e Negócios)

Lagartas Heliothinae

Essas lagartas foram o “complexo Heliothinae”, sendo formado pelas espécies Heliothis virescens (Lagarta-da-maçãs) e Helicoverpa armigera.

Com o ataque das lagartas os botões florais e maçãs são danificadas, podendo ocorrer a queda dos mesmos.

Nível de Controle (NC): 10% ou mais dos ponteiros atacados na lavoura.

Veja mais: Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?”.

Lagarta rosada – Pectinophora gossypiella

O nome dessa lagarta é devido a sua cor rosada, já quando adulta a mariposa possui manchas cinza-escuras.

Os principais danos são a murcha e queda de botões florais, além das maçãs destruídas, com as fibras e sementes prejudicadas.

Nível de Controle (NC): 5% de maçãs com lagartas, sendo recomendado a amostragem de 100 maçãs em formação.

Complexo Spodoptera spp.

As lagartas desse complexo são representadas pelas espécies S. eridania, S. cosmioides e S. frugiperda (lagarta-do-cartucho).

Essas lagartas podem ser extremamente agressivas para as espécies vegetais, como o algodão, chegando a até 40 mm de comprimento.

Dessa forma, com a infestação as folhas ficam perfuradas e raspadas, sendo que as flores e maçãs sofrem danos no seu interior ou nas bases.

Nível de Controle (NC): 5% de plantas com massas de ovos e eclosão de lagartas.

Veja também sobre Spodoptera frugiperda:
O que você precisa saber para livrar sua lavoura da Spodoptera frugiperda
“Passo a passo de como combater a lagarta-do-cartucho”

Ácaros que atacam a cultura do algodão

Essa praga tem sua frequência aumentada nos últimos anos no Brasil, principalmente em locais ou anos com mais secos. Assim, temos três ácaros principais que atacam o algodoeiro:

1.Tetranychus urticae – Ácaro-rajado

Com o ataque do ácaro-rajado, as folhas ficam com manchas avermelhadas a partir das nervuras, há também necrose e desfolha de plantas.

2. Tetranychus ludeni – Ácaro vermelho

Os danos são muito similares ao do ácaro-rajado

3. Polyphagotarsonemus latus – Ácaro branco

Os sintomas são folhas escuras e mais duras, com as bordas viradas para baixo, enquanto a face superior da folha apresenta aspecto vítreo e a inferior brilhante.

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Ácaro branco na cultura do algodão
(Fonte: FMC)

Nível de Controle (NC) para todos os ácaros: Detecção de reboleira ou 30% de plantas com colônias.

8 Dicas essenciais no manejo de pragas do algodão

Deixaremos 8 dicas para que você tenha sucesso no manejo das pragas do algodão a curto e longo prazo:

Na entressafra controle plantas daninhas e as soqueiras do algodão;

Escolha cultivares de ciclo curto e plante na janela recomendada;

Faça o tratamento de sementes para se preparar ao ataque de pragas iniciais;

Invista no monitoramento de pragas e nos Níveis de Controle de pragas (NC);

Caso necessário, no início de cultivo dê prioridade à inseticidas seletivos aos inimigos naturais;

Faça a rotação dos mecanismos de ação;

Ao plantar algodão com tecnologia Bt, plante áreas de refúgio estruturado (algodão não-Bt);

No refúgio e nas áreas de algodão Bt, somente aplique mediante a detecção do NC.

Assim, para te ajudar no monitoramento com Nível de Controle (NC) das pragas do algodão, a Embrapa possui esta tabela:

8-pragas-do-algodão-NC
(Fonte: Embrapa)

Conclusão

A cultura do algodão possui algumas particularidades que favorecem as pragas, e aqui você pode entender como isso ocorre.

Vimos também como iniciar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), lembrando sempre que essa gestão exige guardar e interpretar os dados de população de insetos adequadamente.

Com as principais pragas do algodão, seus danos e níveis de controle será possível identificar mais facilmente esses insetos da lavoura e começar um manejo mais consciente e eficaz.

>>Leia mais: “Como fazer manejo integrado de pragas (MIP) na cultura do milho
>>Leia mais: “11 pragas da soja que podem acabar com sua lavoura”
>>Leia mais: “Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo

Como você faz o manejo de pragas do algodão hoje? Usa algum sistema para guardar suas informações de campo? Ficou alguma dúvida? Conte para nós deixando seu comentário abaixo!

Como fazer o armazenamento de sementes de soja e assegurar a germinação

Armazenamento de sementes de soja: onde armazenar, por quanto tempo guardar e demais dicas para assegurar a germinação da sua lavoura.

O tempo ainda não está ideal para o plantio e você tem que guardar as sementes em algum lugar na fazenda.

Onde guardar? Será que “estraga”?

Armazenar as sementes adequadamente é tão importante quanto qualquer outro trato cultural na soja.

O armazenamento das sementes correto influencia diretamente na porcentagem de germinação e no vigor.

E você sabe como fazer isso?

Relação entre o armazenamento de sementes, o vigor e a germinação

Não conseguimos impedir o processo de deterioração das sementes, mas é possível minimizar a velocidade com que ele ocorre.

A resposta para o bom armazenagem de grão e sementes envolve todo o processo produtivo.

Assim, precisamos adotar procedimentos adequados na produção agrícola, colheita, secagem, beneficiamento, transporte e armazenamento.

Para você entender um pouco mais sobre a importância desse assunto, observe o gráfico abaixo.

Veja que com o aumento do tempo de armazenamento há um aumento da deterioração da semente e consequentemente redução na porcentagem de germinação e no vigor da semente.

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(Fonte: Adaptado de Delouche e Caldwell, 1960)

A porcentagem de germinação e o vigor das sementes naturalmente diminuem com o tempo.

Mas observe na figura abaixo como a germinação e vigor são mantidas por mais tempo em um armazém climatizado.

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Efeito da condição de armazenamento de sementes de soja após o beneficiamento sobre a porcentagem de germinação e vigor no Centro Oeste do Brasil
(Fonte: DuPont Pioneer)

Em um ambiente climatizado a temperatura e umidade são controladas para favorecer o armazenamento de sementes.

Você não precisa (necessariamente) ter esse nível de tecnificação, mas é essencial entender a importância da umidade e temperatura para encontrar lugares melhores para a armazenagem.

Na figura abaixo podemos ver a influência da temperatura e umidade no período de armazenamento de grãos.

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(Fonte: Agrodry)

Já vemos aí que a temperatura e umidade são pontos-chave ao guardar sua semente. Veremos então mais sobre esses dois fatores:

A umidade do ambiente e a temperatura no armazenamento das sementes

Umidade do ambiente

Ocorre troca de umidade entre o ambiente e as sementes, por isso esse fator é tão importante.

Em um estudo, as sementes de soja foi submetida diferentes tratamentos de envelhecimento acelerado. Esse envelhecimento foi a umidade em contato com a semente (100% da umidade relativa do ambiente).

Observe agora a tabela abaixo o vigor da soja nessas diferentes condições, sendo eles:

  • T1: sem exposição ao envelhecimento acelerado;
  • T2: 24 horas de envelhecimento acelerado;
  • T3: 42 horas de exposição ao envelhecimento acelerado;
  • T5: 96 horas de exposição ao envelhecimento acelerado.
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(Fonte: Mais Soja)

Podemos ver que a porcentagem de vigor das sementes reduziu conforme aumentou o período de tempo no qual as sementes passaram na condição de 100% de umidade relativa do ambiente.

Assim, devemos manter a umidade da semente baixa. Por isso, é importante encontrar um local na fazenda sem umidade nas paredes, goteiras, vazamentos e outros para a correta conservação das sementes.

Veremos agora sobre a temperatura:

Temperatura de armazenamento de sementes de soja

Observe agora na figura abaixo como a temperatura influencia na qualidade das sementes armazenadas.

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Amostra dos grãos de soja armazenados com 12, 15 e 18% nas temperaturas de 15ºC, 25ºC e 35ºC ao final de 180 dias
(Fonte: + Soja)

Dessa forma, as temperaturas elevadas vão favorecer o processo de respiração da semente, além da atividade dos insetos e microrganismos.

Enquanto que a baixa temperatura conserva as sementes de plantas de soja nas suas melhores condições.

Por isso, quando os sacos de sementes chegam na propriedade rural, não deixe essas sementes no solo, nem que seja por pouco tempo.

Embaixo da lona e no sol, as temperaturas aumentam muito e aceleram o processo de deterioração das sementes.

Portanto, faça um planejamento agrícola para que essas sementes não precisem ficar no sol esperando alguém vir buscar ou esperando algum lugar ser desocupado para a armazenagem.

Além disso, a temperatura e umidade estão diretamente relacionadas ao período de armazenamento. Confira a seguir mais sobre o período de armazenagem:

>> Leia mais: 11 pragas da soja que podem acabar com sua lavoura”.
>> Leia mais: “O Combate às ferrugens: Controle essas doenças nas culturas do milho e soja”.

Período de armazenamento de sementes de soja

No entanto, a influência da temperatura e da umidade vão depender da espécie. Para isso as sementes são classificadas de acordo com sua longevidade.

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(Fonte: SEEDnews)

Longevidade é o período máximo de tempo que as sementes permanecem vivas, quando são armazenadas em condições ideais.

A soja como podemos ver está classificada como sendo de longevidade média (3 a 15 anos).

Mas dizer que a semente está viável por 3 anos é diferente de estar viável 15 anos não é mesmo?

No geral, as sementes de longevidade média a longa tem uma longevidade maior conforme é reduzida a temperatura ambiente e o teor de água das sementes.

Depois do que já vimos aqui, fica claro que o período de armazenamento pode ser prolongado de acordo com as condições de temperatura e umidade do ar.

Veja na figura abaixo as melhores combinações para garantir um armazenamento ideal.

Só relembrando que sementes ortodoxas são aquelas que podem ser secadas, como é o caso da soja.

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(Fonte: SEEDnews)

Assim, se a média você teve uma temperatura de 30°C e 40% de umidade no local de armazenagem de sementes, você poderá utilizá-las em 18 a 20 meses.

Por isso, nem sempre é uma boa ideia guardar o que restou de sementes de uma safra na safra do ano seguinte.

Dessa forma, se atente às temperaturas e umidade durante o período de armazenamento para estimar a longevidade das mesmas.

9 Dicas importantes no armazenamento de sementes de soja

1.Confira a qualidade de suas sementes

Quando você comprar a sementes observe sempre a qualidade do produto que está comprando. Adquira a semente de produtor idôneo e que esteja registrado no Mapa e na Secretaria de Agricultura do seu estado.

Consulte o Atestado de Garantia de Semente que é fornecido pela empresa produtora.

Esse atestado tem as informações dos laudos oficiais de análise de semente, que têm validade de 6 meses após a data da análise.

No atestado, você deve observar a germinação (%), pureza física (%), pureza varietal, outras cultivares de soja (OC), outras espécies (OE), semente silvestre (SSC), semente nociva tolerada (SNT) e validade da germinação.

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(Fonte: Embrapa)

Assim, você pode verificar se o lote de sementes comprado é composto de sementes de alta qualidade ou não.

Também verifique e confira a cultivar que você está utilizando, como soja RR ou Bt. Isso também faz parte da verificação da qualidade.

2. Na dúvida: faça o teste de germinação

Existem laboratórios que fazem a análise de sementes e vão lhe informar a qualidade fisiológica (germinação e vigor), a pureza física e varietal e a qualidade sanitária.

No caso de não ter a possibilidade de enviar a um laboratório, existe um teste feito a campo, conhecido por: teste de emergência a campo.

Para isso, devem ser semeadas 400 sementes de soja, distribuídas em quatro linhas de quatro metros, com 100 sementes cada uma.

A avaliação, percentual de plântulas emergidas, é realizada quando as plantas estiverem com o primeiro par de folhas completamente aberto (10 a 15 dias após a semeadura).

Observação importante: para fazer este teste deve-se manter a umidade do solo com irrigações, além disso, o teste deve ser feito quando a temperatura do solo estiver entre 20 e 30°C.

Veja também:

“O que caracteriza as sementes piratas e como fugir disso”

3. Armazene as sementes em galpão bem ventilado e sobre estrados de madeira

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(Fonte: Sementes SANTAFÉ)

5. Não empilhar as sacas de sementes contra as paredes do galpão

6. O ambiente deve estar livre de fungos e roedores

7. As sementes devem ser armazenadas separadas do adubo, calcário ou defensivos agrícolas

8. A temperatura no interior do armazém deve ser no máximo de 25 ºC

9. A umidade relativa no interior do armazém não deve ultrapassar 70%

A umidade relativa do ar acima de 65% favorece a proliferação de fungos, os mais comuns são os do gênero Aspergillus e Penicillium.

Caso você não consiga ter essas condições na sua fazendo, o ideal é que você retire a semente no seu fornecedor mais próximo e o mais perto possível da semeadura.

Nesse sentido, veja o texto: “Não erre mais: tudo o que você precisa saber para a compra de sementes de milho

E falando em manter a qualidade das sementes, veja como mantê-la na semeadura neste artigo: “Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura”.

Além disso, neste vídeo você pode aprender um pouco mais sobre o armazenamento de sementes:

Armazenamento e Conservação de Sementes

Conclusão

O armazenamento de sementes adequado auxilia a diminuir a velocidade de deterioração da semente.

Vimos aqui que a temperatura e umidade relativa do ar influenciam diretamente o vigor e a porcentagem de germinação das sementes.

Portanto, se o tempo entre a compra da semente e o plantio for longo, é preferível fazer a retirada da semente com o vendedor próximo a data de plantio.

Por fim, é importante que você faça um planejamento da produtividade de soja e pós-colheita, além de ter um local adequado para a armazenagem de sementes.

>>Leia mais:

Inoculação: Todos os tipos e + 7 dicas para tirar o máximo proveito dela

“Tratamento de sementes na fazenda ou industrial? Faça a melhor escolha!”

“Tudo o que você precisa saber sobre dormência em sementes”

Como você faz seu armazenamento de sementes hoje? Tem mais dicas a respeito do armazenamento de sementes? Ficou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Inoculante para soja de alta produtividade: como, quando e o porquê

Inoculante para soja: Como fazer inoculação, tipos de inoculantes, o que muda com o tratamento de sementes e demais orientações para você obter todos os benefícios dessa prática e ter alta produtividade.

Na safra 2017/2018 a inoculação na cultura da soja foi responsável por um aumento médio de produtividade de 1,8 sacas por hectare.

E a co-inoculação de Bradyrhizobium spp. e Azospirillum spp. resultou em aumento médio de 5,6 sacas por hectare.

Esses são dados de uma pesquisa conduzida pela Emater do Paraná sobre as condições desta última safra, você pode saber mais aqui.

No entanto, alguns descuidos em campo podem prejudicar esse e outros benefícios para a soja.

Por isso, neste artigo vou compartilhar as principais informações para você conhecer mais desta prática super importante para as nossas lavouras.

O que é inoculante para soja?

O inoculante é um produto de base biológica, ou seja, composto por microrganismos benéficos às plantas.

De maneira bem simples, a inoculação serve para promover a associação entre microrganismos e as plantas.

Assim, o Bradyrhizobium spp. (especialmente Bradyrhizobium japonicum) o é o principal tipo de inoculação utilizado atualmente nas práticas agrícolas.

E tudo porque esse microrganismos promove a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) atmosférico para a planta, podendo tranquilamente substituir a adubação nitrogenada em culturas leguminosas.

inoculante para soja

(Fonte: Agronegócios)

Nessa associação se formam estruturas nas raízes da soja, os nódulos, onde o corre a fixação biológica de nitrogênio.

O maior segredo da FBN efetiva é acertar a mão na hora de levar esta biotecnologia a campo!

Se lembrarmos que 78% dos gases da atmosfera é formado por N, é simples perceber que tem muita fonte livre de N por aí.

Os microrganismos assimilam de forma natural esse N, e a moeda de troca para eles é o carbono gerado na fotossíntese das plantas.

E a relação é a seguinte, a cada 1 tonelada de grãos são requeridos cerca de 80 Kg de nitrogênio, os quais as bactérias podem disponibilizar para a planta.

Além delas, outras bactérias fixam e nitrogênio, como as diazotróficas que podem fazer isto na ausência de nódulos.

Nesse sentido, o Brasil foi pioneiro em muitas pesquisas da FBN, revolucionando o entendimento e descobertas deste fantástico mecanismo biológico.

Um dos microrganismos responsável por isto, recebeu em homenagem um nome bem brasileiro, o famoso Azospirillum brasilense.

Além disso, a co-inoculação de Bradyrhizobium spp., Rhizobium spp. e Azospirillum brasiliense, já mostram que o efeito dessa prática é muito positivo.

E aqui tem uma cartilha da Embrapa que fala mais do processo de co-inoculação para soja.

2-inoculante-para-soja

Raiz de soja co-inoculação Bradyrhizobium e Azospirillum
(Fonte: Embrapa)

planilha de produtividade da soja

Quais os benefícios do inoculante para soja?

Além da assimilação e nitrogênio, muitos estudos comprovam que os inoculantes promovem aumento na resistência às condições ambientais, como:

  • Maior resistência à estiagens;
  • Maior eficiência na absorção de água e outros nutrientes,
  • Efeito positivo na produção de fito-hormônios capazes de modificar a taxa de crescimento de raízes, melhorando o desenvolvimento das plantas;
  • Aumento da simbiose com outras bactérias promotoras de crescimento de plantas (BPCP) encontradas naturalmente nos solos, o que beneficia a lavoura em geral.

>> Leia mais: “Soja precoce: Entenda mais sobre e escolha sua cultivar

Passo a passo: como fazer o uso de inoculante para soja 

Os inoculantes disponíveis no mercado atualmente são de origem líquidas ou turfosas.

Não tem segredo, é como qualquer tratamento convencional que você realize na semente.

Dessa forma, o inoculante deve ser uniformemente distribuído na superfície da semente para se obter benefício máximo da fixação biológica do nitrogênio.

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(Fonte: Microbiologia e Bioquímica do solo)

E você deve considerar os seguintes passos com estes produto:

  • A embalagem deve conter o número de registro do produto no MAPA;
  • Prazo de validade do produto;
  • A legislação do Brasil estabelece que os inoculantes devem conter uma concentração mínima de 1,0 x 109 células viáveis de rizóbios por grama ou mL do produto;
  • Identificação de uma ou duas das quatro estirpes de bactérias que são recomendadas para o Brasil;
  • Conservar o inoculante em local fresco e arejado;
  • Realizar a operação de inoculação sempre a sombra;
  • Proteger as sementes inoculadas do sol e calor;
  • Não fazer a inoculação dentro das caixas da semeadora;
  • Inocular e semear em seguida;
  • Não utilizar menos de 100 mL de inoculante líquido por saca de 50 kg de sementes;
  • Ao usar inoculante turfoso, você pode utilizar uma solução açucarada a 10% para aumentar a aderência.

Como fica o inoculante para soja com o tratamento químico de sementes?

Você pode manter o tratamento químico da sua semente e realizar a inoculação como práticas em conjunto.

4-inoculante-para-soja

(Fonte: Rizobacter)

Mas, é sempre bom lembrar da importância da prática de rotacionar os mecanismos de ação dos produtos.

O uso prolongado de produtos com o mesmo princípio ativo, exerce uma pressão de seleção na comunidade microbiana dos solos. Isso pode gerar desequilíbrios e possíveis prejuízos na atividade agrícola.

Assim, produtos com certas características representam maiores riscos de danos funcionais ao solo e ao ecossistema, como:

  • Elevada toxicidade;
  • Baixa degradabilidade;
  • Elevada mobilidade no solo,.

Seja qual for a sequência de tratamento químico, a inoculação sempre deve ser a última operação.

É interessante também adicionar uma dose maior de inoculante para soja, para amenizar os efeitos que algumas substâncias químicas exercem sobre a população das bactérias inoculadas.

Além disso, você pode utilizar no tratamento de semente o cobalto e o molibdênio, os quais auxiliam no funcionamento adequado da fixação biológica de nitrogênio.

Alternativamente, esses nutrientes podem ser aplicados via foliar até 15 dias após a emergência.

A recomendação da quantidade desses nutrientes em soja, segundo a Embrapa, é de 12 a 25 g/ha de Mo e 2 a 3 g/ha de Co.

6 dicas extras importantes a considerar no uso de inoculante para soja

1.É obrigatório o uso de inoculantes em áreas de primeiro cultivo de soja, ou em áreas não cultivadas a anos.

2. A re-inoculação anual pode resultar em ganhos médios no rendimento de 8%;

3. Se a inoculação é bem feita, não é necessário nenhum uso de fertilizantes nitrogenado, em qualquer estágio de desenvolvimento da cultura.

Estudos conduzidos no Paraná, em ambientes de alta produção de soja, confirmam a total ausência de resposta à adubação nitrogenada mineral via solo ou via foliar.

Isso foi verificado tanto no início (V5), quanto nos estádios reprodutivos de início do florescimento (R1) e de granação das vagens (R5.3).

4. Há no mercado produtos com função de adesão e proteção das bactérias, que estendem o período de viabilidade da bactéria, mas é necessário confirmar os dados das pesquisas e experimentar;

5. Evitar semear “no pó”, pois isto sensibiliza as bactérias, além de não ser a condição ideal de semeadura (veja mais sobre semeadura de soja aqui);

6. Você pode fazer a inoculação para soja no sulco de plantio, mas deve considerar a dose de no mínimo 2,5 vezes a dose do inoculante usada nas sementes de cultivares de soja e diluída em no mínimo 50 litros de água/há.

Além disso, você pode ver outros conceitos e dicas importantes neste vídeo:

>> Veja também: “A fertilidade do solo como seu plano para alcançar altas produtividades”.

O custo de inoculante para soja

O custo dos inoculantes é bem acessível no mercado para ser adicionado ao tratamento de sementes.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, as doses ficam em torno de R$ 4 reais por hectare.

Você deve se atentar as dicas que apresentei antes, sobre a concentração de microrganismos no produto. Isso vai contribuir muito para que a tua prática de inoculação para soja seja um sucesso.

Por isso, é importante conhecer um pouco mais das opções do mercado. Escolha pelo custo, qualidade e dose de microrganismos presente no produto.

Por exemplo, a diferença entre um inoculante para soja turfoso e o líquido, é a praticidade de aplicação.

Enquanto o produto líquido já vem na quantidade correta para você adicionar ao processo de tratamento de semente, o turfoso necessita da preparação de uma solução açucarada a 10% para promover a aderência do mesmo a semente.

O importante é considerar todos os custos, colocá-los todos na “ponta do lápis” e verificar qual é o melhor custo benefício para sua região e propriedade.

5-custo-realizado-sementes

Com o Aegro você consegue visualizar todos os seus custo em um só lugar e de modo muito mais fácil

>>Leia mais: 

“Como fazer o armazenamento de sementes de soja e assegurar a germinação”

“Soja RR: Tire suas dúvidas e consiga melhores resultados”

Conclusão

Usar o inoculante para soja é a prática que possibilita a fixação biológica de nitrogênio e também colabora com os mecanismos de defesa das plantas.

Ela é a possibilidade de você reduzir custos na sua lavoura, é simples e muito eficaz.

Você deve planejar bem, escolher um bom inoculante e fazer a inoculação para soja de forma correta.

Vale a pena os minutos a mais no tratamento de semente para você ter uma planta mais vigorosa na tua lavoura. Aproveite as dicas e boa inoculação!

>>Leia mais:

Não erre mais: tudo o que você precisa saber para a compra de sementes de milho

Veja (de uma vez por todas) como fazer fosfatagem na sua fazenda

“Como a coinoculação da soja contribui para o aumento da produtividade”

Como você usa o inoculante para soja? Tem mais alguma orientação que não citei aqui? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Cultura do algodão: fatores que melhoram sua produtividade

Cultura do algodão: saiba os principais fatores que afetam a produção, obtenha planilhas grátis e saiba como estimar sua produtividade antes mesmo da colheita.

Nas últimas safras vimos um aumento expressivo da área plantada e da produção brasileira de algodão.

Os produtos agrícolas do algodoeiro vêm apresentando bons preços, aumentando o interesse pela cultura.

Mas, há vários problemas que podem ocorrer ao longo da cultura e reduzir a produção algodoeira.

Por isso, preparamos este texto para falarmos de alguns fatores que podem te auxiliar a melhorar a produtividade na sua fazenda.

Importância da cultura do algodão

A cultura do algodoeiro é cultivada há bastante tempo no Brasil. Da planta de algodão são aproveitados o caroço (semente) e a fibra.

Sendo que a fibra é utilizada para produtos têxtil e do caroço é extraído óleo, o qual tem como subproduto a torta de filtro utilizada principalmente na alimentação animal.

Além disso, o Brasil é o quinto maior produtor mundial de algodão, sendo a China, Índia e EUA os maiores produtores.

cultura do algodão

(Fonte: Conab em Abrapa)

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a região Centro-Oeste é a região com maior produção de pluma e área plantada na safra 2017/18, com destaque para o estado de Mato Grosso.

O algodoeiro no Cerrado e no Brasil como um todo possui sistemas de produção com algumas particularidades.

Em vista de tudo isso, vamos conhecer mais sobre o ciclo da cultura do algodão e os fatores para o bom desenvolvimento da cultura e sua produtividade:

O ciclo da cultura do algodão

Ciclo da cultura pode variar entre 130 a 220 dias de acordo com a cultivar.

Além de que, no desenvolvimento do algodoeiro existem as fases vegetativas e reprodutivas na planta, e algumas dessas fases podem ocorrer ao mesmo tempo.

Na parte reprodutiva, os botões darão origem às flores.

O fruto do algodoeiro quando verde (não maduro) é denominado de “maçã”, enquanto que o fruto maduro é chamado de  “capulho”.

A fase final da cultura começa com a abertura do primeiro capulho e termina com a aplicação de desfolhantes e/ou maturadores.

O IAPAR ilustrou a fase vegetativa (V) para o algodoeiro:

2-cultura-do-algodão

(Fonte: IAPAR)

  • V0: emergência da plântula e até que a primeira folha verdadeira;
  • V1: limite anterior e até que a segunda folha verdadeira;
  • V2 a V5: mesmo critério de V1.

Já a fase reprodutiva começa com o primeiro botão floral visível (B), passando pelo florescimento (F) e depois a maturação do fruto transformando em capulho (C):

3-cultura-do-algodão-fase-reprodutiva

(Fonte: Adaptado IAPAR)

É necessário atenção nessa fase produtiva do algodoeiro, já que é nela que será definida a qualidade da fibra, afetando o preço final do produto.

No gráfico abaixo, você pode observar algumas fases que ocorrem no algodoeiro e o seu aparecimento dias após a emergência.

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(Fonte: Rosolem em IPNI)

Quando chega nas últimas fases do ciclo do cultivo do algodoeiro é normal querer saber a produtividade, especialmente para planejar e dimensionar a logística de escoamento da produção agrícola.

Veremos então, como estimar essa produtividade:

Estimando a produtividade da cultura do algodão

A estimativa de produtividade é um ponto muito importante para a sua gestão agrícola.

Por isso, nós deixamos disponível gratuitamente uma planilha para que você estime a sua produtividade da cultura do algodão.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Esta planilha em Excel é muito interativa e tem um passo a passo para que você preencha os dados.

Veja como é fácil preencher e obter os dados. Além disso, você pode calcular a estimativa de produtividade e organizar essas estimativas por talhão da sua propriedade.

Vou mostrar um exemplo para te ajudar no preenchimento dos dados:

Peso médio dos capulhos

Você deve realizar a média com o peso de todos os capulhos coletados em pelo menos 10 plantas e dividir pelo número de capulhos.

Se você coletou 10 capulhos com os pesos 5; 4,4; 5; 6; 5,1; 5,9; 4,5; 5,2; 3,9 e 5 =5 gramas

Número médio de capulhos em 1 planta

Você deve realizar a média do número de capulhos em pelo menos 10 plantas.

Por exemplo, se você coletou em 10 plantas a quantidade de capulhos: 7, 10, 11, 8, 12, 15, 9, 10, 12 e 9 = 10,3 é a média de capulhos por planta de sua lavoura.

Número de plantas de algodão existentes em 1 metro

Escolha uma área que representa o talhão e conte quantas plantas existem em 1 metro. Se preferir, você pode contar em vários pontos do talhão e fazer uma média.

Espaçamento da sua lavoura

Normalmente no Brasil o espaçamento vai de 0,7 a 0,9 metros, sendo comum o espaçamento de 0,76m.

Depois de inserir esses dados, você terá automaticamente os valores de plantas/hectare e a Estimativa da produtividade de algodão em caroço.

Mas para ter uma ótima produtividade é preciso se atentar para alguns fatores. Veremos quais são eles a seguir:

Fatores que podem aumentar a produtividade na sua lavoura de algodão

Conhecimento sobre a cultura do algodoeiro

Em qualquer atividade é extremamente importante o conhecimento sobre ela.

Então, para a cultura do algodoeiro você deve conhecer o ciclo da cultura, que já comentamos acima.

Dessa forma, você conhece as particularidades de cada fase da cultura, sendo importante saber sobre a variedade que utilizará na sua área.

Lembre-se também que as condições climáticas requeridas na cultura do algodoeiro são dias bastante ensolarados, com temperatura média mensal superior a 20ºC e com precipitações totais, no período vegetativo, de 500 a 1500 mm.

Planejamento da sua lavoura

É muito importante ter um bom estabelecimento da cultura do algodoeiro. Então, você precisa se atentar sobre:

Escolha das sementes e variedades para a sua lavoura

Você tem que conhecer a semente que pretende comprar: qual a porcentagem de germinação, variedade e qualidade das sementes.

Também é necessário planejar e realizar o tratamento de sementes adequadamente.

Além disso, lembre-se de realizar a semeadura na época adequada e com uma boa correção do solo.

>> Leia mais: “Como acertar o cálculo de semeadura do algodão

Manejo do solo

Para determinar qual adubo você deve utilizar, se precisa de gessagem e/ou calagem é muito importante realizar a análise de solo da sua propriedade.

Lembre-se que você precisa realizar a análise de solo periodicamente, pois podem ocorrer mudanças de uma cultura para outra.

Não deixe de realizar esta prática, achando que você pode economizar, te garanto que você pode perder muito se não planejar corretamente as atividades no seu sistema de cultivo.

Assim, com a análise do solo, você pode programar as atividades agrícolas da sua propriedade, realizar orçamentos, compra de adubos e corretivos agrícolas antecipadamente, com menor valor e gerenciar seu estoque.

Você pode realizar a análise de solo entre uma safra e outra, com 3 meses antes do plantio da safra.

Saiba mais sobre análise de solo aqui e sobre os laboratórios credenciados neste outro artigo.

Gerenciamento do estoque

Para a compra de insumos na sua lavoura, você deve planejar o que irá utilizar ao longo do cultivo.

Depois disso, você deve observar o mercado, com as flutuações dos preços.

Se você tiver um bom planejamento, pode comprar os insumos com menor preço.

Normalmente, o valor cai fora do período da safra, já que a procura é menor nesse momento.

Para a compra dos insumos antecipadamente são importantes as práticas de análise de solo, histórico da sua propriedade, estimativa de produtividade, e outros.

Tudo isso envolve e deve constar no seu planejamento agrícola.

Dessa forma, para gerenciar o seu estoque, você precisa monitorar a compra, o uso e o produto estocado dos insumos.

Para te ajudar no controle do estoque criamos uma planilha grátis para baixar:

Planejamento das atividades agrícolas

Você deve realizar o planejamento de todas as atividades agrícolas que ocorrem ao longo da cultura do algodão.

Planeje as atividades de preparo do solo, plantio, adubação, colheita e outras.

É importante você planejar essas atividades correlacionando com as condições climáticas, disponibilidade do insumo no estoque, disponibilidade de máquinas agrícolas e profissionais para as atividades.

Pragas e doenças podem reduzir a produtividade da sua lavoura, por isso, é importante conhecê-las e monitorá-las.

Vamos agora para o terceiro fator que influencia a produtividade do algodão:

3. Conhecimento e manejo das doenças da cultura do algodão

O conhecimento das doenças e das pragas do algodão é muito importante para te auxiliar no gerenciamento da sua lavoura algodoeira.

Algumas doenças importantes para a cultura do algodoeiro são:

Mancha de Ramularia

A ramulária é uma doença causada pelo fungo Ramularia areola, considerada a doença mais importante do algodoeiro atualmente.

Os sintomas iniciais são de difícil diagnose, sendo observada nas folhas mais novas e na parte inferior da folha, chamada de manchas azuladas.

Os sintomas progridem para manchas angulosas de coloração branca ou amarelada, com aspecto farináceo.

Esta doença começa pela região do baixeiro e progride para o ponteiro da planta.

(Fonte: Alderi Emídio em Embrapa)

As duas medidas de manejo mais recomendadas para o controle da mancha de Ramularia são o uso de variedades resistentes e quando há utilização de variedades com sensibilidade à doença, o controle químico é recomendado.

Ramulose

Esta doença é causada pelo fungo Colletotrichum gossypii var.cephalosporioides.

Este fungo pode infectar a planta em qualquer idade, se desenvolvendo melhor nos tecidos jovens.

Sintomas iniciais aparecem nas folhas novas, como manchas necróticas, podendo ter formato circular.

Este tecido necrosado tende a cair, tendo então, perfuração na folha.

A principal via de disseminação da doença é por sementes, por isso, é muito importante adquirir sementes de qualidade.

O principal manejo para esta doença é a utilização de variedades resistentes. Além disso, pode realizar a rotação de culturas e controle químico.

Mancha-angular

Esta doença é causada pela bactéria Xanthomonas citri subsp. malvacearum.

As folhas com a doença apresentam lesões angulosas de verde com aspecto oleoso inicialmente e depois progride para coloração parda com aspecto de necrosada. Com o tempo, você pode observar folhas rasgadas no local da lesão.

O principal manejo para esta doença é utilizando variedades resistentes.

Para te auxiliar na identificação e no manejo das doenças do algodoeiro, você pode utilizar este manual de identificação:

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(Fonte: A Granja)

Veja também sobre as doenças do milho e soja neste artigo.

Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura do algodão

MIP é a utilização de diversas técnicas de manejo para manter a população da praga abaixo do nível de dano econômico, relacionando com aspectos econômicos, sociais e ecológicos.

Assim, as técnicas utilizadas podem ser o uso de variedades resistentes (incluindo tecnologia Bt), controle químico, rotação de culturas, controle biológico, espaçamento das plantas e outros.

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Com o Aegro é possível planejar e realizar o armadilhamento e monitoramento de pragas georreferenciado. Dessa forma, os dados não se perdem e tudo fica mais fácil de ser visualizado.

Quer saber mais sobre MIP? Veja este texto que escrevi: “8 fundamentos sobre manejo integrado de pragas que você ainda não aprendeu”.

Agora veremos algumas das principais pragas do algodão que podem afetar a sua lavoura:

Broca da raiz (Eutinobothrus brasiliensis)

As larvas da broca se alimentam dos vasos lenhosos da planta, com isso, interrompe a circulação da seiva bruta e ocorre morte das plantas.

Lagartas desfolhadoras

Existem várias lagartas que podem se alimentar das folhas do algodoeiro e acarretar desfolha das plantas, prejudicando muito o processo de fotossíntese da planta. Algumas das lagartas são:

Bicudo (Anthonomus grandis)

O bicudo ataca os botões florais do algodoeiro, que caem em seguida no solo, prejudicando a produtividade.

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(Fonte: Abapa)

Lagarta das maçãs (Heliothis virescens)

Essas lagartas se alimentam principalmente de botões florais e maçãs, podendo atingir as sementes (ficam danificadas). E com isso, há redução na produtividade.

Assim, para conhecer mais sobre as pragas do algodoeiro, você pode ver na publicação da Embrapa.

Embora o controle de doenças e pragas sejam fundamentais, o manejo de plantas daninhas dentro da cultura também é muito importante e merece atenção.

Outro fator essencial no sistema de produção de algodão é a tecnologia:

5. Fique atento às novas tecnologias que podem ser implantadas na cultura

Uso de aplicativos/ferramentas

Você sabe o quanto a tecnologia tem te ajudado a resolver vários problemas, e isso, também pode te auxiliar na agricultura.

Há vários aplicativos/ferramentas que podem colaborar no dia a dia da lavoura.

No aplicativo gratuito Aegro você pode planejar e registrar a realização de operações agrícolas. O aplicativo é disponível para Android (veja aqui) e IOS (acesse aqui).

Já com o software completo, você consegue ter o controle total da sua propriedade, com uma gestão financeira e agrícola integrada, simples e eficiente. Saiba mais aqui.

Ademais, neste artigo você pode conferir os aplicativos da Embrapa gratuitos para já começar a usar agora: “Tecnologia na agricultura: 10 ferramentas gratuitas da Embrapa”.

Agricultura de Precisão (AP)

A AP pode te ajudar com as atividades agrícolas da sua propriedade.

Você sabe que as porções da sua propriedade apresentam características diferentes, por isso, é necessário um sistema de gestão que busque otimizar e aproveitar melhor cada porção da área.

Assim, utilizando a AP você tem um melhor aproveitamento de cada porção da sua propriedade.

E consequentemente, têm um melhor aproveitamento dos insumos na sua lavoura.

Veja mais sobre a agricultura de precisão neste texto.

Conclusão

Neste texto foram discutidas sobre a importância da cultura do algodão no Brasil.

Também foram discutidos o ciclo da cultura e as características do algodoeiro.

Além disso, foi disponibilizado uma planilha excel e o passo a passo para estimar a produtividade da lavoura de algodão.

E para aumentar a produtividade, foram discutidos alguns fatores que podem te auxiliar na lavoura: conhecimento da cultura, planejamento das atividades, conhecimento de pragas e doenças e outras tecnologias.

Agora é só colocar essas dicas em prática!

>> Leia mais:

Herbicida para algodão: como fazer a melhor utilização para combate de plantas daninhas

Como tornar a colheita mecanizada do algodão mais eficiente

“O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura”

Como você calcula a estimativa de produtividade da sua cultura do algodão? Quais fatores te auxiliam para aumentar a produtividade da sua lavoura? Ficou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura

Regulagem de plantadeira de soja: Cálculo de sementes,  determinação da quantidade de adubo/ha e outras orientações para garantir o estande de plantas e sua produtividade de soja.

Todos temos aquele instante em que olhamos o calendário e percebemos que está quase na hora de colocar as sementes de soja no solo.

A pressão começa nesse momento: há uma grande quantidade de trabalho por vir e melhorar a produtividade sempre é um dos objetivos.

Um dos primeiros passos é a boa regulagem de plantadeira de soja.

Semeaduras inadequadas acarretam em perdas maiores que 10% na produtividade da cultura.

Depois dos gastos com sementes, fertilizantes e toda tecnologia envolvida, não há espaço para perdas na semeadura.

Assim, confira como realizar a regulagem e garantir a lavoura:

Por que fazer a regulagem de plantadeira de soja?

Há vários tipos de máquinas e implementos presentes no mercado. Comentaremos a respeito de algumas delas e seus principais componentes.

Mas o importante é entender que é melhor despender algumas horas realizando manutenções e preparação do maquinário, do que semear ou utilizar peças desreguladas durante a operação.

Uma má regulagem de plantadeira de soja pode resultar em baixa germinação e falha no estande, afetando diretamente nossa produtividade.

Além disso, uma vez que a operação já fora iniciada, a janela de plantio é curta, e todos os contratempos devem ser evitados.

De forma que atrasos na semeadura, devido à máquinas descalibradas ou mal reguladas podem acarretar em grandes prejuízos à produtividade.

Em estudo realizado no Mato Grosso, nota-se a diferença de 7,7 sacas/ha entre sojas semeadas entre a primeira data de semeadura (24/out) e a segunda data (12/nov).

Neste caso, a semeadura tardia chegou a atingir 24 kg/ha de redução diária na produção agrícola de soja.

Assim, a semeadura inadequada e com máquinas desreguladas pode acarretar em:

  • Maior ocorrência de plantas duplas;
  • Má germinação das plântulas;
  • Falha no estande;
  • Atraso na semeadura;
  • Desuniformidade no dossel.
regulagem de plantadeira de soja

(Fonte: Denilso José Mombelli em Coagril)

E como fazer essa regulagem de plantadeira de soja? Veja a seguir:

Começando a regulagem correta das plantadeiras de soja

A plantadeira é uma máquina que merece atenção redobrada na regulagem.

Assim, a regulagem correta se inicia com uma limpeza geral das máquinas agrícolas que irão semear a soja.

A limpeza geral do maquinário impede possíveis contaminações de plantas daninhas ou doenças de safras passadas, em talhões onde antes elas não existiam.

Além disso, uma inspeção geral deve ser realizada no maquinário, a fim de checar peças quebradas ou desgastadas, que precisam de reposição.

No caso da soja, os produtores devem escolher o espaçamento de semeadura ideal.

Após isso, monte e ajustar os carrinhos de acordo com esta distância predefinida.

A distância convencional e também a mais indicada para a semeadura na cultura da soja é de espaçamento 45 ou 50 cm entre fileiras, e de 7 a 10 cm entre plantas, sempre em linhas paralelas.

Lembrando que o melhor desempenho da lavoura normalmente está na população de plantas de 200 a 400 mil plantas/ha.

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(Fonte: Embrapa)

Além dessa metodologia, alguns produtores utilizam a semeadura com plantio cruzado, ou redução de espaçamento entre fileiras.

Assim, escolha seu método de semeadura e faça a regulagem de plantadeira de soja para o modo desejado.

Após esses procedimentos, veja como fazer a escolha correta dos discos e anéis da plantadeira de soja:

custo operacional de máquinas

Escolha correta dos discos e anéis

Existem diversos modelos e marcas de discos alveolados e diversos tipos de anéis no mercado.

Assim, se o trator agrícola a ser utilizado apresentar distribuição por discos alveolados, deve-se observar o estado da caixa distribuidora (roletes, gatilho e molas).

3-regulagem de plantadeira de soja

Discos alveolados: mecanismo o mais utilizado e de menor custo no Brasil
(Fonte: Dalacort e Stevan Jr.)

No caso da distribuição pneumática, é necessário verificar o estado das mangueiras e se existe ressecamento ou vazamentos de ar, e realizar a substituição, se necessário.

4-regulagem de plantadeira de soja

Dosador pneumático: As sementes são dosadas uma a uma, ocorrendo menores danos nas mesmas
(Fonte: Dalacort e Stevan Jr.)

Além disso, o espaçamento e alinhamento dos carrinhos devem ser checados sempre antes do início da semeadura.

Devido à grande diversidade de formatos encontrados no mercado, as sementes de cultivares de soja podem ser assimétricas e apresentar alturas diferentes em cada lote.

De acordo com o tipo de sementes que será utilizado na semeadura, deve-se escolher qual o melhor disco alveolado e anel para cada situação.

Para isso garantir isso, temos alguns passos simples:

4 Passos para escolher corretamente o disco e anel da plantadeira de soja

1. Separe um pequeno volume de sementes que representam o nosso lote adquirido;

2. Deste volume, separe as sementes maiores e experimente colocá-las no disco;

3. Se as sementes ficarem bem alojadas, sem que haja a presença de duas sementes no mesmo orifício ou a presença de sementes presas, isso quer dizer que o disco é apropriado;

5-regulagem de plantadeira de soja

(Fonte: J.ASSY)

4. Agora insira o anel sob o disco e verifique como ficaram as sementes: elas não devem ficar expostas acima da altura do disco, ou muito fundas dentro do disco escolhido.

6-regulagem de plantadeira de soja

(Fonte: J.ASSY)

Dessa forma, algumas especificações podem ser levadas em conta na escolha dos discos.

A empresa J. Assy, por exemplo, disponibiliza em seu site diversos tipos, modelos e tabelas de discos e anéis.

Além disso, os discos mais indicados para a cultura da soja são:

  • Discos de 45 furos (média de plantio de até 10 sementes/metro);
  • Discos de 90 furos (média de plantio de 11 a 21 sementes/metro);
  • Discos de 135 furos (acima de 22 sementes/metros, exclusivo para dosador Titanium).

Agora que já escolhemos nossos discos e anéis, vamos para a profundidade de semeadura:

Ajuste de profundidade de semeadura

O ajuste de profundidade de semeadura engloba diversas regulagens que devem ser realizadas para possibilitar a correta deposição das sementes no solo.

Vamos comentar a respeito de cada uma dessas regulagens. Primeiramente, deve-se atentar à pressão da mola e ajuste dos carrinhos.

Sendo assim, se a máquina foi armazenada desde a última safra com as molas pressionadas, os produtores devem checar o estado e a pressão dessas molas.

Uma maneira de realizar a checagem da pressão é medindo o “curso” da mola e observando se todas estão iguais.

Em caso de divergência em alguma mola, a substituição é recomendada.

Os carrinhos possuem ajustes manuais e é importante checar se todas as linhas estão com os mesmos ajustes e nas mesmas profundidades.

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(Fonte: John Deere)

Além disso, lembre-se que a semeadura recomendada para soja é de 3 a 5 cm.

Assim, agora que já conhecemos mais sobre a profundidade de semeadura, vamos para a checagem dos discos:

Checagem dos discos de corte ou botinhas

Outro fator que está em constante contato com o solo e requer atenção devido ao desgaste são os discos de corte e as botinhas para plantadeira plantio direto.

Deve-se atentar ao estado geral dos discos de corte e discos duplos. Se estes estiverem muito desgastados, não irão desempenhar sua função corretamente e devem ser trocados.

No caso dos discos duplos desencontrados, deve-se retirar a calota do cubo, verificando os retentores e rolamentos.

Após a limpeza da graxa antiga, todo o sistema deve ser engraxado e montado novamente, retirando as folgas.

Além disso, os limpadores internos e externos dos discos devem ser ajustados e substituídos em caso de desgaste.

Também é importante seguir as recomendações do fabricante, tanto nas checagens quanto nas regulagens.

Agora que você sabe mais sobre a checagem e regulagem de plantadeira de soja, vamos para os cálculos da quantidade e número de sementes:

Cálculo da quantidade de sementes por hectare e metro linear

Para realizar os cálculos de sementes por hectare nas nossas lavouras, basta seguir os cálculos abaixo.

O estande inicial de soja pode variar de 200 a 400 mil plantas por hectare, idealmente.

Assim, sabendo as fórmulas abaixo temos como conferir a regulagem da plantadeira:

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(Fonte: Anselmi, Spekken e Molin em A Granja)

Então, supondo um cenário de:

  1. Estande = 350.000 sementes/ha;
  2. Espaçamento = 0,45 m;
  3. Poder germinativo = 98% (informação no saco da semente evitando confusões);
  4. Sobrevivência = 95% (estimado).

Sementes/ha = 350.000/ 0,98x 0,95 = 375.939,9 sementes/ha

Metros Lineares ou metros de sulco/ha  = 10.000/0,45m = 22.222,22 metros lineares

Sementes/metro = 375.939,9/ 22.222,22 = 17 sementes em cada linha de plantio.

Andar com a plantadeira 10 metros e coletar as semente depois de 5 metros rodados, já que assim a velocidade da máquina e a dosagem de sementes foi estabilizada.

Desse modo, em 5 metros o valor total coletado deve ser próximo de 17 x 5 = 85 sementes.

Calculadas as sementes, vamos para os cálculos de fertilizantes:

Regulagem de plantadeira de soja e cálculo da quantidade de adubo

Algumas semeadoras também adubam o sulco de semeadura, sendo que o fertilizante deve ficar ao lado ou abaixo da semente.

As partes responsáveis pela distribuição do adubo devem ser checadas e reparadas se houver necessidade.

Devido ao fertilizante ser um produto com características salinas, as peças envolvidas nestas distribuições podem apresentar oxidações.

Dessa forma, é comum ocorrer o travamento da transmissão destes mecanismos.

Como teste rápido, pode-se tentar girar o eixo responsável pela distribuição com uma chave ou manivela, o sistema deve virar sem muito esforço.

Para correta distribuição de fertilizantes, deve-se verificar o estado dos rotores denteados e das roscas sem-fim.

No caso das roscas sem-fim, deve-se checar as bases do distribuidor. Se as peças das bases estiverem muito desgastadas devem ser substituídas, a fim de evitar quebras durante o plantio.

Após essa checagem, vamos para o cálculo do adubo:

Cálculo do adubo para regulagem de plantadeira de soja

Passe a área de hectares para metros lineares:

1 ha/ espaçamento da cultura (m)

10000m²/0,45m = 22.222 metros lineares

Supondo 500 Kg de adubo por hectare:

500 kg/22.222 metros lineares = 0,0225 Kg

Ou seja, em 1m a plantadeira coloca 0,022 Kg ou 22,5 g de adubo.

Se você preferir, é possível conferir apenas em um metro linear se há 22,5 g de fertilizante.

Mas você pode testar melhor ao andar 10 metros com a plantadora, coletando o adubo após 5 metros caminhados, onde devemos ter um valor de 22,5 x 5 = 112,5 g de adubo.

Caso os volumes coletados estiverem fora dos calculados, novas regulagens nas engrenagens devem ser realizadas até que se atinja o número desejado de adubo.

Agora que temos a quantidade adequada de adubo e semente que serão requeridas, vamos para outros cuidados fundamentais:

Outros cuidados fundamentais com a regulagem de plantadeira de soja

Outros cuidados devem ser tomados para o sucesso da operação de semeadura, dentre eles podemos citar:

  • Velocidade de semeadura de 4 a 6 Km/h;
  • Calibragem dos pneus;
  • Engrenagens em perfeito estado (limpas e lubrificadas);
  • Lubrificação das correntes;
  • Verificação de pinos e contrapinos;
  • Lubrificação geral da máquina e graxeiras.

Além desses fatores citados, de uma maneira geral, as peças com defeito devem ser listadas e trocadas.

Faça isso de preferência antes da plantadeira iniciar a semeadura, e assim possibilitar maiores eficiências operacionais e gerenciais.

Ademais, a procedência das peças adquiridas deve ser levada em conta, uma vez que as peças originais garantirão melhores desempenhos.

A qualidade da operação também depende do operador.

Os funcionários ou operadores das plantadeiras devem saber tudo o que acontece com as máquinas e possuir treinamento especializado para realização da operação.

A manutenção preventiva é a mais recomendada, uma vez que máquina quebrada durante a curta janela de semeadura poderá ocasionar no fracasso na cultura.

Com o Aegro é possível programar alertas de manutenção e recebê-los no seu e-mail

Para saber mais sobre manutenção preventiva e corretiva, acesse:

O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas “.

Além disso, também vale a pena verificar o vídeo da Embrapa, Canal Rural e Projeto Soja Brasil com as principais dicas na semeadura da soja:

(Fonte: Embrapa)

Tecnologias para melhorar a semeadura e evitar falhas

Existem no mercado uma infinidade de sensores e produtos que podem ser acoplados às linhas de semeadura e permitem a checagem em tempo real da qualidade da operação.

Tais sensores óticos calculam quantas sementes caíram em cada porção da lavoura, horas trabalhadas, rendimento operacional, população de sementes e possibilitam a análise de qualidade do plantio aos produtores.

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(Fonte: John Deere, MPA2500)

Estes sensores também auxiliam e avisam em tempo real a ocorrência de algum problema em alguma linha de semeadura, como entupimento ou falhas.

Dessa forma, com estes sensores é possível checar plantas duplicadas e falhas no estande.

A agricultura de precisão também entra nesse contexto de tecnologias na agricultura que ajudam no plantio.

Outro fator importante da semeadura é o seu planejamento e acompanhamento de custos.

Antes mesmo de colocar a semente no solo é preciso estar consciente de todo o custo da operação, inclusive dimensionando a quantidade de máquinas agrícolas e pessoal envolvido corretamente.

Além disso, o acompanhamento dos custos da semeadura e de toda a safra permite verificar o que está ou não dando certo, evitando desperdícios e melhorando a gestão.

Isso fica muito mais fácil quando realizado em um software agrícola, trazendo agilidade e segurança para sua tomada de decisão.

O Elivelton, por exemplo, percebeu que o seu custo de manutenção era tão alto que compensava a compra de uma nova máquina. Veja esse caso de sucesso real aqui.

Conclusão

Para o sucesso do plantio, vários são os fatores que devem ser levados em conta, inclusive,  se o maquinário estiver pronto para o uso e devidamente calibrado e regulado.

Essa pode ser a diferença entre o sucesso ou o fracasso da safra.

O plantio é uma das operações mais importantes nas lavouras, e uma vez que os estandes estiverem bem semeados e as lavouras bem implementadas, maiores serão as chances de sucesso.

Como qualquer máquina agrícola, a plantadeira também exige regulagens, planejamento e acompanhamento, e o produtor que as realiza sai na frente no plantio!

Agora que você já sabe como fazer a regulagem de plantadeira de soja, ficou alguma dúvida? Quer saber mais sobre novas tecnologias acoplados às máquinas? Deixe seu comentário abaixo.