Manual rápido da contabilidade agrícola

Contabilidade agrícola: Veja os primeiros passos para começar a contabilidade, como fazê-la de forma fácil e eficiente, além de entender sua importância.

No meio da correria da safra ter que tomar nota de tudo que entra e sai do seu bolso pode parecer perda de tempo.

Se cada minuto investido na lavoura é precioso, mais importante ainda é entender (em números) o quê e como é investido. Os gastos com defensivos comprados de última hora valeram a pena? Quanto aquele fertilizante novo impactou no meu custo?

Só olhar o saldo positivo ou negativo no banco não respondem essas perguntas.

Por isso aqui vamos ver um manual rápido da contabilidade agrícola, conhecendo os principais passos para colocar em ordem as finanças da fazenda.

Contabilidade agrícola: o que é e sua importância para a fazenda

De cara, quando nos deparamos com o nome contabilidade (rural ou agrícola) a primeira coisa que nos vem a mente são todos aqueles números, com tabelas impossíveis de entender.

Balanço patrimonial, ativo circulante, fluxo contábil e inventário periódico são alguns termos complicados que sempre aparecem. Mas aqui vamos ver que não precisa ser assim. Podemos facilitar essas tabelas e números sem perder a qualidade do controle financeiro.

E, se está pensando que ela é usada somente para grandes produtores, você está enganado. Em pequena ou grande propriedade a agricultura sempre é complexa, envolvendo inúmeros custos.

contabilidade agrícola

(Fonte: Escola Aberta)

Além disso, sempre estamos buscando melhores tecnologias, sementes, técnicas de máquinas e outros a fim de alcançar uma melhor produtividade.

Mas nem sempre damos importância ao fato de que é preciso utilizar todos esses recursos verificando se a produtividade a mais compensou os gastos. Com isso, não conseguimos saber no que realmente vale a pena investir.

Muitos produtores rurais do país dizem que ganham dinheiro, mas não sabem quanto. A produção de grãos em muitos casos é levada como Deus quer”, Gustavo Pedroso.

Dessa forma, a contabilidade chegou no campo como uma ferramenta que te apresenta todas essas informações bem claras e objetivas.

A contabilidade agrícola e capaz de auxiliar você nas tomadas de decisões, já que possibilita a melhor visualização de como administrar as atividades e resultados.

Contabilidade agrícola e registros: O primeiro passo

Antes de mais nada, registre tudo o que você possui em sua propriedade e tudo o que você faz na safra, especialmente as datas e todos os custos.

Para facilitar, você pode separar esses registro em 3 categorias:

  1. Patrimônio;
  2. Estoque;
  3. Atividades.

Registro do seu patrimônio

Nos dias de hoje, a gestão empresarial é importante e necessária nas mais variadas áreas e segmentos do mercado, inclusive nas propriedades rurais. E, uma das ações de extrema importância é a realização de um inventário completo de uma propriedade rural.

Já que é por meio do mesmo que o indivíduo, dono da fazenda ou outra propriedade rural, tem controle sobre os bens da sua propriedade de uma forma integral.

Se atente a detalhes como: a fusão de instituições, valor do ativo, reserva legal, licenciamento ambiental, partilhas, valor de locação, incorporações e outro.

Podemos então destacar que é por meio de tal inventário completo de uma propriedade rural que o dono da mesma tem total controle sobre os processos que envolvem a sua fazenda, além de ter total controle da avaliação dos processos, dados e bens da mesma.

A avaliação de máquinas e demais equipamentos agrícolas, obras rurais, vegetação também precisam constar no seu registro de patrimônio.

Tenha o controle de seu estoque por meio dos registros

É um serviço trabalhoso, mas isso lhe dará segurança para tomadas de decisão e controle da sua propriedade. Além disso, somente a primeira vez desse levantamento realmente será trabalhosa.

Depois, conforme for comprando os insumos e outras necessidades, o hábito de registrar já vai virar rotina. Assim, comece anotando que achar melhor, tudo o que possui guardado em seu depósito, seja defensivo agrícola, adubo, semente, etc.

Mantenha uma sequência de organização, anotando cada objeto conforme sua data de validade e seu lote, por dessa forma você sabe o que deve usar com maior rapidez.

Isso te deixa atento a quantidade de produtos que estão com prazo de validade pequeno e principalmente, o que você deve comprar para completar seu estoque.

Percebeu que são muitas informações que facilmente você pode perder a organização? Tente os registros por meio de planilhas de excel ou softwares agrícolas. Aqui vamos disponibilizar uma planilha grátis de controle de estoque.

Mas para visualizar realmente seu estoque e automatizar a saída e entrada de produtos, é um software agrícola que você procura.

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Veja como o Aegro pode te ajudar no controle de estoque aqui.

Registre suas atividades e entenda melhor seus custos

Boa parte dos agricultores cometem o erro de não registrar todos os fatos contábeis, como as atividades agrícolas por talhão.

Estes dados muitas vezes são guardados apenas na memória do dono do negócio e, assim, pequenos descontroles vão se acumulando em uma verdadeira “bagunça”, prejudicando todo o planejamento.

Dificilmente em uma propriedade de terra você possuirá padrões uniformes de terra. Por isso, saber quais foram as atividades agrícolas, registrando o quanto elas custaram e qual foi a produtividade, é essencial para conhecer o seu negócio. Assim, anote:

  • Qual a data de realização;
  • Qual a atividade agrícola (plantio, adubação, pulverização, etc.)
  • Qual foi o talhão em que foi realizada a atividade (identificação do talhão e área);
  • Insumos utilizados e seu preço (incluindo o combustível);
  • Anote a produtividade por talhão na colheita.
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Assim você saberá exatamente o manejo em cada talhão e qual foi a resposta em produtividade. Isso resultará em maior detalhe e controle das suas movimentações financeiras e na sua rentabilidade. Ou seja, em uma contabilidade agrícola bem feita.

Além disso, sempre vai ter um talhão que tem mais foco de doença, maior incidência de um certo tipo de lagarta, histórico de nematoide em outro, e assim vai. Por isso, separar em talhões conformes essas características te proporciona conhecer 100% da sua área em tempo real, assim nada vai sair de forma generalizada.

– “… No talhão C, na próxima safra que já sei que tenho que comprar mais herbicida porque percebo uma reboleira resistente de uma daninha”.

Com os registros você saberá exatamente quanto foi investido em cada um desses talhões, e na próxima safra poderá se programar melhor considerando as diferenças entre áreas e o manejo passado.

Se atente para todos os gastos envolvidos na produção agrícola

Anote também gastos que sempre deixa passar batido, como o que você gasta em impostos, manutenção preventiva de máquinas, diesel, mensalidades de maquinários, etc.

Para isso, ter um fluxo de caixa em ordem é essencial, sendo que disponibilizamos aqui uma planilha grátis de fluxo de caixa para você começar o seu.

fluxo de caixa Aegro, baixe agora

Para ter ainda mais precisão, é indicado a comparação das despesas registradas com as movimentações feitas no banco, processo que fica ainda mais prático com a ajuda da função de conciliação de extrato bancário por arquivo OFX oferecida pelo Aegro.

Com esse controle mais detalhado, muitas vezes, gastos que não damos muita importância podem representar um alto impacto nos custos totais.

Elivelton, por exemplo, descobriu que o custo de manutenção de uma máquina era tão alto que compensava a compra de outra nova. Mas ele só conseguiu visualizar isso quando obteve o controle das finanças pelo Aegro. Veja a história completa neste caso de sucesso.

Separe gastos pessoais com os gastos da fazenda

Um dos erros mais comuns é a confusão patrimonial. Nós acabamos misturando as despesas pessoais com as da atividade profissional, já que por vezes se trata de uma empresa familiar rural.

Isso é péssimo porque envolve toda renda de uma atividade que participam outras pessoas que não são da família. Acontece muito, por exemplo, trocar de caminhonete e esquecer que isso é um patrimônio pessoal. Essa despesa jamais deve ser envolvida com a receita da fazenda.

Por isso, tenha contas separadas e faça o controle financeiro de sua família separado do financeiro da fazenda.

Se atente para a folha salarial na sua contabilidade

Nada mais justo do que chamar a propriedade rural de empresa, isso porque ela engloba todos os processos comuns de uma. A empresa rural mensalmente tem a responsabilidade de saber como contabilizar folha de salarial e tomar nota de tudo em sua contabilidade.

E por ser uma obrigatoriedade da lei, esse processo não exige só atenção, mas planejamento para que os documentos sejam montados da forma correta. É por meio dela também que é possível planejar gastos e ser um apoio de controle financeiro.

Para que o processo de como contabilizar folha salarial seja organizado da maneira correta é necessário se atentar as seguintes informações:

  • Definir a categoria dos trabalhadores;
  • Fazer uma análise das horas trabalhadas;
  • Calcular os encargos, imposto de renda pra produtor rural e outros;
  • Calcular os benefícios legais.

Se isso for feito de forma correta, minimiza as chances de erro na montagem da folha de pagamento. Além controle financeiro, a folha salarial é uma obrigatoriedade da lei e um direito do colaborador.

Banner para baixar o kit de planejamento tributário rural

Você não precisa fazer tudo sozinho: Escolha um serviço de contabilidade geral

É claro que você precisa estar ciente e no controle de suas finanças e contabilidade agrícola. Porém, alguns termos legais, documentos para declarações governamentais, documentos para pessoa jurídica e outros são necessários conhecimento técnico de contabilidade.

Esses profissionais vão pegar as informações da sua contabilidade agrícola, dividir entre ano agrícola x exercício social.

Ele vai verificar as atividades agropecuárias (criação de animais, como bovinos, apicultura avicultura, etc.) se houver (contabilidade agropecuária), quais são os produtos agrícolas da sua propriedade (culturas temporárias e permanentes), fazendo a operacionalização do plano de contas inventário.

Assim, escolha um profissional de confiança para assegurar os dados de sua atividade rural e tenha todos os documentos legais feitos adequadamente.

Facilite sua contabilidade agrícola com um software agrícola

Diante de tudo isso, eu garanto a você que todo o sucesso na sua contabilidade só é possível com organização e fácil visualização dos dados. E isso só conseguimos com o uso de software de gestão agrícola.

Como já comentei, quando falamos em contabilidade já temos em mente as tabelas impossíveis de entender. Mas não precisa ser assim. A contabilidade agrícola deve fazer parte da rotina, fácil de ser visualizada e monitorada. Nada pior para isso do que dados em papéis, planilhas e espalhados por aí.

Além disso, na correria do dia a dia podemos esquecer de anotar vários detalhes que podem fazer diferença no final do mês.
O Aegro é um software que engloba todas essas características: todas as informações em um  mesmo lugar, maior automatização dos dados e fácil visualização dos mesmos.

Isso resulta em uma gestão agrícola melhor, com menos tempo perdido dentro do escritório. Você pode começar pelo aplicativo grátis disponível em:

Aegro aplicativo de gestão rural

Simplifique a gestão do seu negócio com a importação financeira de contas a pagar e receber

A importação de histórico financeiro é o jeito mais simples e prático de começar a utilizar o Aegro. 

Importe os dados de contas a pagar e receber de suas planilhas ou de outras ferramentas e ganhe agilidade no uso do sistema. Assim, você mantém o controle do seu histórico e garante a eficiência do seu time, reduzindo o tempo gasto com a digitação dos dados para outras atividades.

Seus dados são importados de uma vez, permitindo que o Aegro utilize as informações para gerar as análises necessárias para o controle do negócio.

Tela que mostra importação de histórico financeiro com Aegro

Conclusões

A contabilidade agrícola quando aplicada em uma propriedade rural, de pequeno, médio ou grande porte, apresenta benefícios. Para isso, é muito importante o registro correto e constante dos insumos, atividades agrícolas e patrimônio da fazenda.

Manter essas informações organizadas e fáceis de serem visualizadas é tão relevante quanto fazê-las.

Aqui vimos mais detalhes sobre esses registros e como você pode mantê-los de forma fácil de serem visualizados. Aproveite as dicas e comece hoje mesmo sua contabilidade agrícola!

>>Leia mais:

Imposto de Renda Produtor Rural: Esclareça as principais dúvidas sobre a declaração

Enquanto o Leão não vem: Faça o planejamento tributário da fazenda em 5 passos

Nota fiscal eletrônica de produtor rural obrigatória? Veja o que fazer

Como você faz sua contabilidade agrícola hoje? Usa alguma planilha ou software agrícola? Tem mais dicas? Deixe seu comentário abaixo!

Soja RR: tire suas dúvidas e consiga melhores resultados

Soja RR: saiba sua história, como é feita, como funciona e as principais dicas para tirar o máximo proveito de sua lavoura de soja.

Das lavouras de soja brasileiras, 96,5% é transgênica, sendo a maior parte com resistência a herbicidas.

Dentre elas, a tecnologia Roundup Ready (RR) é a mais adotada, conferindo resistência ao glifosato.

Apesar de tão empregadas, é normal ter algumas dúvidas sobre essas tecnologias.

Aqui vamos discutir suas principais informações, como surgiu, como funciona e as melhores maneiras de aproveitar essa tecnologia em campo.

História da soja RR (Roundup Ready)

A história do melhoramento de plantas começou com a domesticação das mesmas há mais de 10 000 anos.

Esse melhoramento era feito pela simples seleção das melhores plantas da área para a alimentação humana ou animal.

Com o desenvolvimento e evolução da tecnologia o melhoramento das plantas começou a ser feito também pela transformação genética.

Dessa forma hoje nós conseguimos ter uma planta resistente a insetos e herbicidas, como a soja RR ou Bt. Conseguimos também aumentar a produtividade de soja, obter culturas mais tolerantes à seca, e outros.

Assim, há 20 anos os transgênicos foram aprovados no Brasil.

A primeira soja transgênica foi desenvolvida nos Estados Unidos em 1995, era justamente a semente de soja tolerante ao glifosato (Roundup Ready ou RR).

Dois anos depois, em 1997, a soja RR foi aprovada na Argentina e em 1998 foi aprovada no Brasil.

Porém, enquanto Estados Unidos e países vizinhos já possuíam a legalização da soja RR há alguns anos, no Brasil ela só foi legalmente cultivada em 2005.

Desde então, o manejo de ervas daninhas na cultura ficou mais fácil e barato pelo uso da soja RR, resultando em intensa adoção dessa tecnologia.

Em trabalho realizado por Duarte (2009), foi pesquisado os principais motivos pelos quais os produtores adotaram o uso dos transgênicos.

planilha de produtividade da soja

Entenda o que são transgênicos

Transgênicos são organismos geneticamente modificados (OGM), que através do uso da biotecnologia recebem um gene de outro organismo.

Dentre todas as culturas com eventos transgênicos, a cultura de soja é a mais conhecida e plantada.

Mas muitas outras culturas, como algodão, milho, feijão, eucalipto e cana-de-açúcar possuem eventos transgênicos aprovados no Brasil.

E não é só na agricultura que os transgênicos estão presentes.

No Brasil existem 144 aprovações de eventos transgênicos, o que inclui plantas, vacinas, insetos, microrganismos e medicamentos.

No entanto agricultura corresponde a uma grande e importante parte dos transgênicos no país, já que O Brasil é o segundo país com maior área de cultivo desses organismos, com 50,2 mil hectares.

Desse total de área cultivada com transgênicos, 67% são de soja, 31% de milho e 2% com algodão.

Embora tenha discussões sobre os transgênicos, temos que admitir que essa tecnologia na agricultura proporciona inúmeros benefícios:

Como funciona a soja Roundup Ready (RR)?

Conforme vimos acima, podemos definir a soja geneticamente modificada como aquela  que teve seu código alterado pela inserção de um gene de um outro organismo.

Essa modificação genética tem como objetivo introduzir características que a soja convencional não tem.

Mas eu não conseguiria introduzir essas características sem a ajuda da transgenia?

A resposta é sim, entretanto o melhoramento genético pode levar anos para selecionar e conseguir transferir essa característica.

A soja RR possui um evento transgênico que confere tolerância ao herbicida glifosato, tecnologia a qual foi desenvolvida pela Monsanto.

O glifosato é um herbicida pós-emergente, não seletivo, de amplo espectro de controle de plantas daninhas, com ação sistêmica.

Esse produto é absorvido pelas folhas e translocado pelo floema, impedindo a formação dos  aminoácidos: fenilalanina, tirosina e triptofano.

No caso da soja RR, o gene que confere a tolerância ao herbicida glifosato é conhecido por cp4-epsps;

Esse gene foi isolado de uma bactéria chamada Agrobacterium spp. Assim, segmentos do DNA dessa bactéria são introduzidas nas plantas de soja, dando origem à soja RR.

Adoção da soja RR e suas consequências

O produtor brasileiro adotou muito rápido e extensivamente a soja RR, o que se deve especialmente pela facilidade do manejo que ela proporciona.

Como o glifosato é um herbicida com boa eficiência de controle e barato, é normal “se acomodar” a esse sistema.

No entanto, isso essas aplicações repetidas do mesmo produto vão selecionando as plantas que não morrem. Com isso, ao longo dos anos você terá uma área cheia de plantas daninhas que desenvolveram resistência ao glifosato, além de prejudicar o meio ambiente.

Você pode ver mais sobre a resistência a herbicidas aqui: “9 Fatos primordiais para o manejo de plantas daninhas resistentes ao glifosato”.

Eventos transgênicos aprovados para soja no Brasil

Abaixo você pode conferir todos os tipos de transgênicos aprovados para a cultura da soja no Brasil:

  • Tolerante ao herbicida glifosato;
  • Tolerante aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas;
  • Tolerante ao herbicida glufosinato;
  • Resistente aos insetos da ordem Lepidóptera (lagartas) e tolerante ao herbicida glifosato;
  • Tolerante aos herbicidas à base de ácido diclorofenoxiacético (2,4-D) e ao glufosinato de amônio;
  • Tolerante aos herbicidas glifosato e de isoxaflutole;
  • Tolerante aos herbicidas glifosato, glufosinato e isoxaflutole;
  • Resistente a insetos da ordem Lepidóptera e tolerante ao herbicida glufosinato;
  • Resistente a insetos da ordem Lepidóptera (lagartas) e tolerante ao herbicida glufosinato;
  • Tolerante ao herbicida dicamba;
  • Tolerante aos herbicidas dicamba e glifosato;
  • Resistente a insetos da ordem Lepidóptera (lagartas);
  • Resistente a insetos e tolerante aos herbicidas 2,4-D, glifosato e glufosinato;
  • Resistente a Insetos e tolerante aos herbicidas glifosato e dicamba;
  • Soja com perfil de ácidos graxos modificado e tolerante a glifosato;
  • Soja com perfil de ácidos graxos modificado;
  • Resistente a insetos e tolerante aos herbicidas 2,4-D, glifosato e glufosinato.

Além disso, em 2017 foram aprovados vários eventos transgênicos de diversas culturas, veja abaixo:

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As empresas têm um grande portfólio de cultivares de soja, com diversas transgenias. Veja o da Embrapa Soja aqui.

Para conferir quais variedades estão sendo comercializadas e entender se são recomendadas para sua área, veja este artigo: “Como escolher as melhores cultivares de soja para sua lavoura”

Soja Bt

A soja resistente a insetos é conhecida por Bt. Isso porque o gene que confere esta característica vem da bactéria Bacillus thuringiensis;

A  soja Bt é eficaz contra alguns dos insetos-praga que atacam as lavouras como:

  • Lagartas desfolhadoras: lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a falsa-medideira (Chrysodeixis includens);
  • Lagartas das vagens: lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens) e as lagartas do gênero Helicoverpa;
  • Broca-das-axilas ou dos-ponteiros (Epinotia aporema);
  • Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus).

No entanto, há relatos de perda da tecnologia Bt por resistências dos insetos. Isso se deve ao uso indevido desse tipo de transgênico.

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10 Dicas para usar soja RR e outros transgênicos envolvendo herbicidas

1. O manejo integrado de plantas daninhas sempre deve ser priorizado;

2. Manejo adequado ajudam a preservar a eficácia e o valor da semente de soja tolerante, além de auxiliar na prevenção de plantas daninhas resistentes;

3. Limite o número de aplicações de um único defensivo agrícola, herbicidas da mesma família ou modo de ação dentro de uma única safra;

4. Nesse sentido, mesmo utilizando a soja resistente  ao glifosato, você pode e deve utilizar herbicidas de outros ingredientes ativos e mecanismos de ação;

5. Leia a bula, aplique apenas produtos registrados para a cultura, na dose correta recomendada e no estágio adequado, seja de desenvolvimento da planta daninha como da cultura;

6. Observe na bula fatores importantes para tecnologia da aplicação: pressão, vazão adequada, condições ambientais no momento da aplicação (temperatura do ar, umidade relativa do ar e vento), volume de calda, tipos de pontas;

7. Além de herbicidas você deve fazer a rotação de culturas;

8. Pratique o manejo preventivo através da limpeza de máquinas e implementos agrícolas;

9. Monitore a lavoura para detectar escapes de plantas daninhas ou novas germinações;

10. Faça o manejo da entressafra, não deixando sua área muito tempo em pousio, com uso de adubação verde ou culturas de cobertura.

Conclusão

Os transgênicos foram amplamente adotados no Brasil. A soja está entre as principais culturas com transgênicos, com a maior parte dos eventos voltados para a tolerância aos herbicidas e insetos.

Aqui vimos as principais informações sobre os transgênicos, especialmente sobre a soja RR.

Apesar de seus inúmeros benefícios, precisamos de alguns cuidados ao utilizar os transgênicos, sendo que aqui vimos as principais dicas nesse sentido.

Dessa forma, sabendo de tudo isso, tire o máximo proveito das plantas de soja, sendo elas transgênicas ou não.

Gostou do texto? Tem mais informações, opiniões ou sugestões sobre soja RR ou outra transgênica? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Percevejo marrom: 7 estratégias de controle na soja

Percevejo marrom: conheça quais são as melhores estratégias de controle, incluindo os principais inseticidas, controle biológico, época de aplicação e outros.

O percevejo marrom da soja, Euschistus heros, é um grande desafio no manejo de pragas na cultura da soja.

Ao atacar as vagens de soja o percevejo afeta diretamente a produtividade e a sanidade do produto final.

Estima-se que na colheita os grãos atacados apresentam peso 40% inferior ao sadios implicando em perdas de até 10 sacas de soja por hectare.

Devido a limitação de ferramentas de manejo efetivas, essa praga tem tirado nosso sono safra após safra.

Por isso aqui vamos ver quais são as principais estratégias de controle para que você escolhas as que mais se enquadrem a sua realidade.

1ª Saiba qual o período de maior ataque do percevejo marrom na soja

Como próprio nome diz, esse inseto possui coloração marrom e mede cerca de 11 mm de comprimento.

Durante o inverno, o percevejo marrom pode entrar em diapausa. Ou seja, há redução do desenvolvimento do percevejo devido as baixas temperaturas.

Nesses períodos ele sobrevive nas palhadas/restos culturais, ou migra para áreas de refúgio e de mata.

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Atividade alimentar do percevejo marrom na safra e entressafra da cultura da soja

(Fonte: Fundação MS)

Normalmente fêmeas ovipositam nas folhas ou vagens em formato de massas ou fileiras com 5 a 7 ovos de cor amarelada.

Ao eclodir, as ninfas de 1° instar (1° estágio) ficam juntas sobre os ovos.

No 2° instar já iniciam o processo de alimentação, mas os danos são insignificantes. No entanto, no 3° instar os prejuízos da alimentação se tornam significativos.

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Percevejo marrom Euschistus heros adulto (a), ovos (b), ninfas de primeiro (c) e quinto ínstar (d)

(Fonte: Embrapa)

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Ciclo de desenvolvimento do percevejo marrom, Euschistus heros
(Fonte: Cividanes)

Assim, o período de ataque que causa maiores prejuízos é de R3 até R7 na cultura da soja, quando devemos realizar amostragens e tomar as medidas de controle necessárias.

Ainda, é bom lembrar que uma das plantas daninhas maiores hospedeiras do percevejo é o capim-rabo-de-burro. Portanto, ao notar a presença dessa planta na lavoura, você deve ficar de olho também na possível presença dos percevejos.

2ª Reconheça os danos do percevejo marrom

Em fase inicial de cultivo, ataques podem levar ao abortamento de vagens e implicar no retardamento da maturação dos grãos.

É comum observar a planta com retenção foliar e hastes verdes, distúrbio fisiológico denominada de Soja Louca I.

Já ataques no seu período mais suscetível (R3- 7), o percevejo marrom da soja ataca as vagens e reduz o peso e tamanho de grãos (g). Os grãos também ficam enrugados e chochos, apresentando coloração arroxeada a enegrecida.

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Danos nos grãos ocasionados pela alimentação do percevejo marrom da soja
(Fonte: Bayer)

Dessa forma, em lavouras para a obtenção de sementes, as mesmas se tornam inviáveis para tal devido ao seu baixo vigor.

Também pode haver danos na qualidade ou danos invisíveis ao produtor, os quais são alterações nos teores de proteína e de óleo no grão.

Por isso, após a venda da produção, penalidades financeiras poderão vir a acontecer por parte da indústria devido aos grãos escurecidos ou sujos, que dificultam o beneficiamento e produção de óleo.

3ª Utilize inseticidas apenas ao atingir o Nível de Controle (NC)

Embora o percevejo marrom se faça presente na área desde o período vegetativo da cultura, é no período reprodutivo que ocorrem os prejuízos.

O estágio fenológico de maior suscetibilidade ocorre no início do desenvolvimento das vagens – R3 (fase de “canivetinho”) e vai até a maturação fisiológica da planta – R7.

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Nível de controle para o percevejo marrom da soja pelo monitoramento por exame de plantas
(Fonte: Embrapa)

Para estimar a população do percevejo marrom na cultura da soja você pode usar o método de exame de plantas (como mostra figura acima). Mas o método mais eficaz continua sendo o pano de batida.

Recomenda-se iniciar as amostragens semanalmente nos períodos mais frescos do dia.

O controle deve ser realizado atingir a média de 2 percevejos por pano-de-batida para produção de grãos e 1 percevejo por pano-de-batida em áreas destinadas a produção de sementes.

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Com o Aegro você tem todos os dados de monitoramento de pragas agrícolas organizados, seguros e fáceis de serem visualizados.

Aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP: saiba qual o Nível de Controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Clique na figura a seguir para baixar!

4ª Inseticidas para percevejo marrom

Entre as estratégias de controle do Manejo Integrado de Pragas, o controle químico por meio da pulverização de inseticidas tem sido a mais efetiva.

Infelizmente os produtos comerciais destinados ao controle do percevejo marrom se limitam basicamente a 3 grupos químicos: Organofosforado, Piretróide e Neonicotinóide.

Atualmente existem no portal Agrofit do Mapa 47 produtos registrados.

Já foi levantada a hipótese de casos de resistência do percevejo marrom ou perda da eficiência das moléculas existentes no mercado, mas nada ainda foi confirmado em campo.

Um projeto entre IRAC e PROMIP estudou as principais substâncias utilizadas no controle e que tiveram suspeita de perda de eficiência. O resultado foi de que esses produtos não perderam eficiência sobre o percevejo marrom, sendo eles:

  • Acefato;
  • Tiametoxam;
  • Imidacloprid;
  • Lambda-cialotrina;
  • Beta-ciflutrina;
  • Imidacloprid + beta-ciflutrina.

Além disso, em trabalho realizado pelo pesquisador Edmar Tuelher e colaboradores foi mapeado o risco da falha de controle do percevejo marrom em Goiás.

Também foi concluído que os produtos ainda apresentavam a eficiência mínima recomendada pelo Mapa de 80%.

Apenas foi verificada falha de controle para a beta-ciflutrina no sudoeste de Goiás e para o imidaclopride no nordeste do estado.

5ª Não promova a resistência do percevejo marrom aos inseticidas na sua área

As suspeitas de resistência na maioria das vezes são falhas na aplicação ou pulverizações em momentos inadequados, como aplicações tardias.

Mesmo assim é necessário prevenir a resistência para que os produtos continuem a ter eficiência de controle.

Para isso, tenho algumas dicas:

  • Invista em tecnologia de aplicação: barra, bicos e vazão adequada;
  • Pulverizar no momento de maior atividade da praga, normalmente nos meses mais quentes;
  • Evitar “aplicações caronas” junto aos fungicidas para o controle da ferrugem asiática. Essas aplicações são feitas em intervalos de até 21 dias, o que pode ser inapropriado ao controle do percevejo marrom;
  • Ainda nesse sentido, sempre utilize o monitoramento o Nível de Controle para direcionar suas pulverizações.

6ª Inclua o controle biológico no seu manejo

Ressalta-se que, além da eficiência dos inseticidas é importante priorizar aqueles seletivos a inimigos naturais.

Inúmeros inimigos naturais são encontrados nas lavouras de soja. Eles contribuem na redução populacional do percevejo marrom, sendo os parasitoides de ovos os mais importantes.

Destacam-se as espécies Trissolcus basalis e Telenomus podisi que atacam os ovos do percevejo marrom da soja. Já foram relatadas taxas de parasitismo de 60% para T. basalis e 80% para T. podisi.

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Parasitoides em ovos de percevejo
(Fonte: BUG/Koppert em Veja)

No decorrer da safra, os índices de parasitismo em ovos variam de 30 a 70%, sendo E. heros, o mais parasitado, especialmente por T. podisi.

Além de parasitoides de ovos, o parasitoide de ninfas e adultos do percevejo marrom Hexacladia smithii tem mostrado taxas de parasitismos de até 14%.

Dessa maneira, a escolha de inseticidas seletivos permite a sobrevivência desses inimigos naturais na área. Somados a eficiência dos inseticidas, eles maximizam as chances de sucesso no controle do percevejo marrom da soja.

>> Leia mais: “Todas as formas de controle para se livrar do percevejo-castanho” 

7ª Conheça e faça controles alternativos

Outras estratégias de controle também podem ser utilizadas e associadas aos métodos químico e biológico.

Uma das alternativas, é o uso de cultivares precoces associado à manipulação da época de semeadura. Também pense sobre o uso de plantas armadilhas.

Além disso, algumas novidades relacionadas ao manejo devem ser introduzidas no mercado em breve em forma de pacote tecnológico.

São elas a soja tolerante ao percevejo, até 4 percevejos/metro linear sem afetar sua produtividade e a armadilha iscada como feromônio sexual que auxiliará no monitoramento populacional da praga.

>> Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente da mosca-branca

Conclusão

Apesar das dificuldades no controle do percevejo marrom, o monitoramento da praga para acertar o momento de aplicação maximiza as chances da efetividade do controle químico.

Ao lado desse, outras estratégias como medidas culturais e biológicas contribuem para minimizar o impacto do ataque de percevejos na cultura da soja.

Assim, utilize todas essas estratégias e informações para melhorar seu manejo e combater eficientemente o percevejo marrom!

Como você faz hoje o manejo do percevejo marrom? Restou alguma dúvida? Tem outra estratégia que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!

Controle biológico das lagartas da soja

Controle biológico da lagarta da soja: Conheça os principais produtos, como funciona esse tipo de controle e fique livre do prejuízo causado pelas lagartas.

Mesmo após a aplicação de inseticidas nós podemos ver as folhas de soja recortadas pelas lagartas.

Isso pode resultar em grande perda de área foliar, de produtividade e até mesmo obrigar o replantio como aconteceu na safra 2016/17.

Nesse momento achamos que não tem jeito: todas aquelas lagartas não vão sair da lavoura.

Mas existe saída para se livrar desses insetos, e ela envolve o controle biológico.

Veja como esse tipo de controle funciona e como implementá-lo na sua fazenda para um manejo eficaz das lagartas.

Os tipos de controle biológico da lagarta da soja ou de outras culturas

O princípio de qualquer controle é interromper o ciclo de vida de lagartas pragas da soja ou de outra cultura.

No controle biológico há duas formas de controles principais promovidas, que são:

  • Parasitismo: associação entre seres vivos no qual apenas um se beneficia, ou seja, um é o parasita agente agressor e o hospedeiro;
  • Predação: aqui a relação entre dois seres vivos no qual um é uma presa e o outro predador;

Além disso, os produtos de controle biológico podem ser de origem:

  • Microbiológicos, como bactérias, fungos e vírus;
  • Macrobiológicos, como parasitóides e predadores.

O primeiro passo para o controle biológico da lagarta da soja é a identificação

Sei que você já conhece elas, mas na prática às vezes muitas dúvidas surgem para identificarmos quem é quem.

E essa correta identificação é essencial para o manejo, mas é ainda mais no controle biológico da lagarta da soja.

Isso porque os produtos biológicos são mais seletivos, controlando mais especificamente cada inseto.

Assim, para te ajudar vamos conferir as principais características dessas lagartas.

Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

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(Fonte: Insect Images)

Sua coloração é verde, com estrias brancas na parte superior. Em casos de grandes populações na área, ou seja, em certa escassez de alimento, sua coloração pode se tornar mais escura.

É a desfolhadora mais comum na cultura da soja, sendo encontradas geralmente nas partes inferiores das folhas se protegendo.

Possui como hábito alimentar as partes centrais das folhas, mas deixando as nervuras intactas.

Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens e Rechiplusia nu)

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Lagarta Chrysodeixis includens, uma das espécies chamadas “lagarta falsa-medideira
(Fonte: Insect Images)

Sua coloração é verde-clara, com pontos pretos e linhas esbranquiçadas no dorso.

Possui como características se movimentar como se estivessem “medindo palmos”.

E o hábito de se proteger na face inferior das folhas, dificultando a sua detecção no início do ciclo de vida.

Se alimenta da região central das folhas, conforme o desenvolvimento da cultura elas se alimentam de folhas mais velhas ou do baixeiro.

Esse hábito de ficar no terço-inferior da cultura, desafia o seu controle, principalmente no momento em que as linhas da cultura já estão fechadas.

Além de causar desfolhas, também atacam flores, gerando abortamento das mesmas. O abortamento resulta em perdas de produtividade para além de diminuição do processo fotossintético.

>> Leia mais: “As 4 principais pragas no plantio da soja e como combatê-las

Broca das axilas (Crocidosema aporema)

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(Fonte: Insect Images)

Sua coloração é branco esverdeada com a cabeça preta. Nos últimos instares de desenvolvimento, se torna bege-amarelada com a cabeça marrom.

Realizam seu ataque na extremidades das folhas, se agrupando como fios de seda.

Também realizando o ataque através da penetração no caule da cultura, bloqueando o fluxo de seiva para as folhas, comprometendo o desenvolvimento da planta.

Mais ao final do ciclo podem ficar escondidas nas flores e vagens, dificultando o seu monitoramento.

Lagarta militar ou lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

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(Fonte: Insect Image)

Sua coloração varia entre cinza-escuro, verde, marrom e preta.

A lagarta apresenta também uma faixa com pontos pretos e três linhas branco-amareladas e na cabeça um desenho de “Y” invertido, características que facilitam sua identificação.

E como característica forte para identificar a lagarta é a grande quantidade de excrementos (fezes) na folha.

Além de que, só se encontra uma lagarta por planta, pois essa espécie pratica canibalismo.

Sua mariposa possuem hábitos noturnos, com asas anteriores pardo-escuras e posteriores branco-acinzentadas.

Ela realiza ataque na cultura desde a emergência (cortando as plântulas) até as fases vegetativa e reprodutiva (raspando as folhas e desfolhando).

Os principais produtos para controle biológico da lagarta da soja

Baculovírus

O baculovírus promove a mortalidade de lagartas.

Ele é conhecido a um bom tempo, principalmente no sul do brasil. Seu uso é muito frequente na cultura da soja.

Ele pode promover o controle de até 95% das lagartas até 1 cm.

Recentemente, foi lançado no mercado o Cartucho CartuchoVIT, a base de baculovírus spodoptera. O produto é recomendado para o controle da Spodoptera frugiperda.

As vantagens são a baixa necessidade de entrada e um formulado de fácil aplicação. Além disso, o baculovírus pode ser fabricado na sua própria fazenda.

Veja aqui a bula aqui.

Bacillus thuringiensis

A tecnologia Bt é uma das principais para o controle biológico da lagarta da soja ou de outras culturas.

Conhecida pelas culturas Bt, onde os genes que produzem as proteínas tóxicas às lagartas são incorporadas às plantas de soja.

Se a tua cultivar não tiver essa tecnologia, você pode entrar com o bioinseticida a base de Bt.

Quando a lagarta ingere um folha que foi “inoculada” com a bactéria Bt, ela entra no organismo da lagarta.

Com isso, ela promove a produção de proteínas, sendo que a mais conhecida é a Cry, a qual leva a morte das lagartas.

Além de, produtos comerciais registrados de alta qualidade no mercado, a Embrapa tem promovido formações de capacitações para a produção agrícola.

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(Fonte: Apresentação Promip Curso de Controle Biológico em Embrapa Clima Temperado)

Trichogramma pretiosum

Esse inseto é uma mini vespa que pode controlar lagartas ainda na fase de ovo, evitando e reduzindo os danos na lavoura.

Seus ovos são distribuídos na quantidade de cerca de 100 mil ovos por hectare previamente parasitados, que após eclodidos irão colonizar os ovos de lagartas.

Assim, o controle é através do parasitismo, pois ele localiza o alvo enquanto um produto convencional tem que atingir o alvo.

O Trichogramma também tem ação sobre as principais lagartas da soja como a Spodoptera frugiperda, a Falsa-medideira, Helicoverpa spp. e a Anticarsia gemmatalis.

A frequência de aplicação é de cerca de duas a três em um intervalo de dez dias.

A entrada na cultura da soja é recomendada em R1 a R2, pré-fechamento de linhas, cerca de 5 a 7 dias após a aplicação para ferrugem.

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(Fonte: Apresentação Promip Curso de Controle Biológico em Embrapa Clima Temperado)

Beauveria bassiana

É um fungo, nos quais os esporos entram em contato com as lagartas germinando e crescendo diretamente através da cutícula para o interior do corpo do hospedeiro.

Assim, o fungo prolifera por toda lagarta, produzindo toxinas e utilizando seus nutrientes.

Algumas pesquisas já foram feitas no Brasil sobre o fungo no combate a S. frugiperda, veja duas delas aqui e aqui.

Ao contrário da bactéria Bacillus thuringiensis, esse fungo não precisa ser ingerido para combater as pragas.

Manejo Integrado de Pragas

O controle biológico da lagarta da soja faz parte do MIP. Pode até parecer que esse é só mais um termo que temos repetido bastante nos textos.

Mas o objetivo é trazer informações válidas e que te ajudem nos manejos. Por isso, sempre vale focar no Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Ele tem como base três fatores, que são: o nível de controle, o monitoramento, e o nível de dano econômico.

Com isto você controla bem melhor as entradas com inseticidas, evitando aumento de resistências e promovendo naturalmente os inimigos naturais de pragas agrícolas.

Talvez não em níveis que por si só façam o controle das lagartas, mas ajuda no controle das infestações. É também um sinal muito positivo de que o agroecossistema está entrando em equilíbrio.

Além disso, pense no MIP como um método de prevenção da com resistência de defensivos agrícolas. Por isso, sempre recomendo seguir os passos que o IRAC orienta:

  • Siga os dados existentes nas instruções de uso de cada produto;
  • Consulte os rótulo para conhecer melhor o modo de ação de cada produto, e pode ser ainda mais facilitado pela consulta deles no site do IRAC;
  • Alternar os mecanismos de ação, não faça aplicação de mesmo mecanismos de ação de forma seguida;
  • Planeje as janelas de aplicações da tua lavoura.

Aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP: saiba qual o Nível de Controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Clique na figura a seguir para baixar!

E para as janelas de aplicações, a recomendação é que não ultrapasse 30 dias. De modo geral, esse é o tempo de geração de um inseto-praga. Nesta janela considere também os residuais dos produtos na lavoura.

Além disso, saiba também sobre os fundamentos do MIP e o  Manejo Integrado de Pragas no Milho.

 Para continuar a saber mais sobre o manejo de pragas agrícolas, recomendo bastante o artigo “Principais pragas agrícolas: Como se preparar”.

>>Leia mais: “6 Inseticidas naturais para você começar a usar na sua lavoura”
>>Leia mais: “Entenda a importância das abelhas na agricultura”

Conclusão

As lagartas são um grande desafio nas lavouras de soja, principalmente aquelas que apresentam população grande na área.

Utilizar o controle biológico da lagarta da soja é uma grande vantagem, já que é outro tipo de controle para colaborar no seu manejo.

Desse modo, planeje bem o seu programa de defensivos e inclua algum desses controles biológicos como uma alternativa, monitore bem e teste.

Tenho certeza que agora, conhecendo os principais produtos biológicos e todas as dicas que falei aqui, você  conseguirá manter as lagartas sob controle!

Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo
7 verdades sobre “Helicoverpa zea: sua origem e como combatê-la
“Percevejo marrom:  7 Estratégias de controle na soja”

Como fazer o MIP da soja?

Você já usa algum controle biológico da lagarta da soja? Tem outras dicas além das que citei? Conte para nós deixando seu comentário abaixo!

Drones e Agricultura de Precisão: Conheça os melhores tipos

Os drones podem nos ajudar em uma variedade de tarefas na agricultura de precisão, desde o planejamento até a análise da colheita.

O setor de drones está em enorme expansão no Brasil, sendo que esse mercado fatura R$ 300 milhões, com boa parte desse proveniente do agronegócio.

Mas quando será que vale a pena comprar um drone? O que se deve levar em conta para sua escolha?

Neste artigo, veremos como é o funcionamento de drone agricultura de precisão, os principais tipos e o que considerar no momento da sua compra de equipamento ou serviço.

Como um drone agricultura de precisão funciona?

Antes de iniciar as dicas, é importante que você entenda como funciona um drone agricultura de precisão.

O aparelho é programado para sobrevoar a área com rotas predefinidas via GPS, capturando imagens e dados com câmeras e sensores avançados, como multiespectrais e térmicos.

Esses dados são processados para gerar índices como o NDVI, que indicam a saúde das plantas, identificando problemas como pragas, doenças, falta de nutrientes ou estresse hídrico.

Com isso, são criados mapas detalhados que mostram a variabilidade da lavoura, permitindo ações direcionadas, como aplicar fertilizantes ou defensivos apenas onde necessário.

Assim, os drones tornam o manejo mais eficiente, econômico e sustentável, otimizando os recursos e aumentando a produtividade.

Leia também:

Tipos de drone agricultura de precisão

Hoje em dia temos uma variedade de tipos de drones no mercado brasileiro. As principais variações são acerca das câmeras e dos sensores embarcados.

Para a escolha da câmera e dos sensores, faça seu planejamento agrícola. Pense no que é mais importante para sua propriedade que seja monitorado e analisado.

Se sua área é grande, por exemplo, e há diversas reboleiras de plantas daninhas de difícil controle, talvez seja interessante buscar por mapas NDVI de alta qualidade, que vão indicar exatamente onde é necessário fazer aplicações.

Além disso, os tipos de drones ainda podem ser divididos entre com asas fixas, multirotores, híbridos e de grande escala. Entenda mais detalhes abaixo:

Drones Multirotores

São drones de múltiplas hélices, geralmente de 4 a 6, oferecendo grande estabilidade e capacidade de voo controlado em altitudes baixas. São ideais para inspeções detalhadas de áreas pequenas a médias, permitindo voos lentos e estáveis, capturando imagens e dados com alta precisão.

Seu uso é comum para monitoramento de lavouras, levantamento de dados para mapas de NDVI, análises de saúde das plantas e inspeção de infraestruturas.

Drones de Asa Fixa

Neste modelo as asas são fixas, semelhantes a aviões, proporcionando maior alcance e eficiência em grandes áreas. O desempenho é melhor em áreas vastas, com capacidade de cobrir grandes distâncias e maior tempo de voo.

Drones Híbridos (asa fixa + multirotor)

É a combinação das características dos drones multirotores e de asa fixa, oferecendo a estabilidade de voo vertical e a autonomia das asas fixas. Por ser versátil, é ótimo para áreas grandes e pequenas, além de poder de decolagem e pouso vertical, ideal para áreas com espaço limitado.

Drones de Grande Escala (Industrial)

São equipados com sensores avançados e capacidade para carregar grandes cargas, como câmeras de alta resolução, além de mais recursos para análise de dados complexos, adequados para grandes propriedades e áreas agrícolas.

Entre as suas vantagens estão o levantamentos topográficos de alta precisão, monitoramento ambiental em larga escala, e mapeamento avançado de lavouras.

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Drone asa fixa Verok e Drone multirotor Phantom DJI
(Fonte: Horus)

Satélites ou drones: Qual escolher?

Tanto os satélites quanto os drones oferecem dados importantes para a criação de mapas de avaliação de propriedades e lavouras.

No entanto, é importante entender as diferenças entre esses dois tipos de tecnologia para escolher a mais adequada conforme a necessidade da operação. Veja:

Vantagens dos satélitesVantagens dos drones
– Tem maiores áreas de cobertura com uma imagem;– Alta resolução espacial (centímetros);
– Maiores estabilidades e confiabilidade de correções atmosféricas;– Maior flexibilidade para obtenção das imagens;
– Disponibilidade de sensores multi e hiperespectrais;– Baixo custo (dependendo do produto de interesse);
– Tendência de baixo custo;– Cobertura menor e dependente da autonomia da bateria;
– Problemas de indisponibilidade com nuvens;– Dificuldade de correções atmosféricas;
– Dependente do tempo de revisita .– Sombreamento com nuvens.

A principal diferença entre satélites e drones é a cobertura e resolução. Satélites cobrem grandes áreas com uma resolução menor e são ideais para monitoramento em larga escala, mas podem ser afetados por nuvens e têm uma menor resolução temporal.

Já os drones tem alta resolução (centímetros), são mais flexíveis e ideais para análises detalhadas de áreas menores, mas têm autonomia limitada pela bateria e cobrem uma área reduzida. Ambos funcionam bem, mas tudo depende da necessidade da sua lavoura.

Que tipo de agricultura usa drones?

Os drones são utilizados em diversos tipos de agricultura de precisão, aplicados para otimizar o manejo e aumentar a produtividade. Alguns exemplos incluem:

  1. Agricultura de grãos: para monitorar a saúde das plantas, identificar pragas e doenças e otimizar a aplicação;
  2. Horticultura: na análise da saúde das plantas, detecção de estresse hídrico, monitoramento de irrigação e produtividade das colheitas;
  3. Viticultura: criação de mapas de vigor da vegetação e identificação de áreas que necessitam de mais ou menos irrigação;
  4. Agricultura Orgânica: monitoramento de solo e na gestão integrada de pragas;
  5. Pastagem e Pecuária: monitoramento de áreas de pastagem, controle do estado das plantas e manejo do gado;
  6. Florestas e Agroflorestas: verificação de crescimento da vegetação, detecção de áreas de risco de incêndios e avaliação da saúde das árvores.

Qualquer tipo de agricultura que precise de monitoramento detalhado, análise de dados e otimização de recursos pode se beneficiar do uso de drones, até mesmo aquelas fora da lista acima.

diagnostico de gestao

Como os drones facilitam a agricultura de precisão?

Os drones são equipados com sensores que capturam dados específicos, como mapas de biomassa, infestação de pragas e modelos digitais de elevação.

Esses mapas são gerados por algoritmos que processam faixas de luz ou radiação eletromagnética, fornecendo informações valiosas para a agricultura de precisão.

Muitas empresas oferecem plataformas de processamento na nuvem, acelerando a análise e garantindo que os agricultores obtenham as informações rapidamente, o que pode ser crucial para o sucesso da safra.

Ao escolher um drone agricultura de precisão, é essencial considerar a agilidade no processamento dos dados e a plataforma de suporte.

Drone para Agricultura de Precisão: Tipos de resolução

Na agricultura de precisão, a resolução dos drones afeta diretamente a qualidade dos dados coletados. Por conta disso, precisamos saber o que eles significam para fazer a escolha correta.

Considerando esse ponto, existem três tipos principais de resolução usados por drones na agricultura, sendo elas:

1. Resolução espacial

É representada pelo tamanho do pixel, ou também a capacidade de utilização da imagem para distinguir objetos. Geralmente os satélites possuem tamanhos de pixel maiores, o que não expressa tanto a variabilidade em pequenas distâncias.

2. Resolução espectral

Representada pelo número de bandas espectrais de um sensor. Podem ser os comuns em uma câmera colorida (RGB), ou ainda infravermelho próximo (NIR), Red-Edge, etc.

3. Resolução temporal

É o tempo de revisita do satélite (sensoriamento remoto orbital). Importante um intervalo de poucos dias, a fim de que seja possível o monitoramento das culturas em tempo hábil para a tomada de decisões.

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(Fonte: Eye Above)

Leia mais:

Drone Agricultura de Precisão: O que considerar para comprar?

Em primeira lugar, considere como está a sua gestão agrícola, especialmente a gestão de custos. Se estiver tudo ordem, sabendo exatamente qual o capital que você tem disponível para investimentos futuros, pode realizar a compra.

Além do fator financeiro, considere alguns fatores que vão influenciar na performance e no retorno sobre o investimento. Como:

Tipo de Sensor

  • Multiespectral: Essencial para mapear a saúde das plantas (NDVI, por exemplo).
  • Hiperspectral: Oferece maior profundidade de análise, ideal para diagnósticos mais complexos.
  • RGB (Câmera Normal): Para inspeções visuais e imagens gerais da lavoura.

1. Autonomia de Voo

Avalie a duração da bateria, que impacta diretamente a área coberta por voo. Drones de asa fixa, por exemplo, têm maior autonomia, enquanto multirotores cobrem áreas menores, mas oferecem maior flexibilidade para ajustes rápidos.

2. Facilidade de Processamento de Dados

Considere drones que oferecem plataformas de processamento em nuvem, para análise rápida e eficiente dos dados coletados. Isso agiliza a tomada de decisões e otimiza o tempo de resposta em campo.

3. Cobertura e Alcance

O alcance do drone afeta o tamanho da área que pode ser monitorada em uma única missão. Drones de asa fixa cobrem grandes áreas rapidamente, enquanto drones multirotores são ideais para áreas menores, com maior precisão.

4. Software de Gerenciamento

Verifique se o drone vem com software para planejar missões, processar imagens e gerar relatórios. Alguns sistemas oferecem integração com outras ferramentas de agricultura de precisão, facilitando o manejo das lavouras.

5. Facilidade de Uso

Para garantir eficiência no campo, escolha drones com interface intuitiva e fácil controle, permitindo que você se concentre no monitoramento da lavoura e não no aprendizado do equipamento.

Como está o mercado de drones no Brasil?

Devido à crescente demanda por tecnologias no campo, o mercado de drones aposta alto neste setor. Mais de um terço das empresas inseridas nesse ambiente de drones no Brasil está voltada ao agronegócio.

Equipamento desse tipo, e outras tecnologias no campo, podem auxiliar os produtores, desde tarefas cotidianas, como simples verificação da lavoura, até tarefas mais elaboradas, como de mapas de vigor de vegetação, contagem de gado, etc.

Nos primeiros cinco meses de 2024, as importações de drones no Brasil alcançaram US$ 16 milhões, representando um aumento de 24,1% em relação ao mesmo período de 2023. Em termos de unidades, o crescimento foi de 115%, indicando uma demanda crescente por essa tecnologia.

Além disso, o mercado de drones no Brasil deve gerar uma receita de US$ 33,9 milhões em 2024, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 5,27% prevista até 2029.

O setor agrícola se destaca no uso de drones, sendo o responsável pela expansão, com perspectivas promissoras para os próximos anos.

Gestão de custos: como controlar sua fazenda e saber para onde está indo o dinheiro

Gestão de custos: veja como começar a gestão efetiva, controlando melhor a fazenda e sabendo para onde seu dinheiro está indo

Como pensar em expansão dos nossos negócios sem saber quanto de dinheiro realmente temos?

A gestão de custos da propriedade pode parecer ser algo trabalhoso e talvez menos importante que o anseio de produzir cada dia mais. Mas é com ela que conseguimos enxergar para onde nosso dinheiro está indo.

Afinal, quais são as atividades que nos fazem desembolsar mais? Quais custos podemos reduzir para aumentar o lucro?

Não espere a safra acabar para começar a tabular os custos da sua propriedade rural. Confira aqui como começar a gestão de custos e entenda os benefícios dessa prática.

O que é gestão de custos?

A gestão de custos no meio agronômico pode ser explicada como o conhecimento de todos os custos envolvidos na atividade agrícola. Essa gestão também envolve controlar os custos durante o processo produtivo.

Quando não se tem uma gestão de custos bem feita, fica difícil saber se está realmente tendo lucro com a atividade agrícola, por exemplo.

Mas mais importante que o conhecimento e o controle é mudar fatores na produção conforme o andamento da safra e seus custos. Assim, você garante a sustentabilidade da empresa rural e pode fazer planejamentos futuros mais eficientes.

Além disso, abaixo você pode ver efeitos diretos de uma boa gestão de custos:

gestão de custos

(Fonte: Folha Vitória)

Nem sempre é fácil ter o conhecimento real dos custos de produção agrícola. Isso exige registros constantes e diversas informações das operações agrícolas.

Vou explicar melhor como realizar e facilitar essa gestão de custos a seguir!

Importância da gestão de custos da fazenda

A gestão dos custos da fazenda é tão importante quanto o manejo correto do plantio ou da colheita.

Pode parecer simples em seu conceito, porém requer certa prática e habilidade para ser realizada da maneira correta.

A venda do produto agrícola, por ser commodity, segue o preço praticado pelo mercado.

As commodities são basicamente produtos de qualidade e características que não são diferenciadas de acordo com quem os produziu ou sua origem.

Por isso, seu preço de venda é igual para todo o mercado, sendo determinado pela oferta e procura internacional.

Frente a isso, fica claro que é preciso realizar a gestão dos custos para o aumento do lucro na fazenda.

Como os preços dos produtos obedecem os preços determinados pelo mercado e a lei da oferta e demanda, apenas com uma redução de custos, os produtos podem se tornar competitivos nesse cenário.

Como começar a gestão de custos

A administração de custos pode ser realizada de diversas maneiras na fazenda.

O principal fator aqui é registrar todos os gastos. Para isso tenho 4 dicas:

  • Tenha um controle do estoque, com o registro de tudo que foi gasto com os produtos ali guardados;
  • A cada operação agrícola peça para o operador anotar quanto foi utilizado de cada insumo;
  • Tenha registrado também o custo do serviço de terceiros, manutenção de máquinas agrícolas, e outros;
  • Mantenha todos esses registros em local seguro e, de preferência, em um só lugar, permitindo a visualização do todo da fazenda.

Gestões tradicionais envolvem a utilização de planilhas eletrônicas, como o Excel, e as mais desenvolvidas utilizam softwares de gestão agrícola.

Você pode começar sua gestão de custos com uma planilha de fluxo de caixa gratuita que preparamos. Para baixá-la, clicando na imagem abaixo!

planilha de fluxo de caixa

Ambas as ferramentas, planilhas ou softwares, se bem manuseadas, proporcionarão o mesmo resultado final. A diferença entre elas é o tempo despendido para tal.

Simplifique sua gestão com tecnologia

Alguns softwares como o Aegro facilitam muito a rotina do produtor rural, pois permite que a gestão custos e operacional da fazenda seja feita em um único lugar.

O planejamento da safra, o registro de atividades de manejo, o controle de estoque e o fluxo de caixa ficam completamente integrados no sistema.

Desta forma, você consegue visualizar a trajetória do seu dinheiro ao longo de todo processo produtivo. Fica muito mais simples de visualizar problemas e soluções que antes eram impossíveis de enxergar.

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Organização de um fluxo de caixa extenso no Aegro

Você pode descobrir, por exemplo, onde o custo realizado extrapolou o custo orçado ou quais foram os talhões mais produtivos da lavoura. Tudo isso em alguns cliques.

Além do mais, as informações são armazenadas na nuvem. Isso representa maior segurança para os dados da fazenda e permite que você acesse o software a qualquer momento, pelo computador ou celular.

Confira algumas opções para começar a gerenciar a sua propriedade rural com o Aegro:

  • Teste grátis do sistema completo por 7 dias (clique aqui);
  • Aplicativo gratuito para celular Android (clique aqui);
  • Aplicativo gratuito para celular iOS (clique aqui);
  • Utilize seus Pontos Bayer para contratar a versão completa do Aegro (clique aqui).

Como classificar custos e ter uma gestão melhor

Os custos podem ser divididos em fixos e variáveis, sendo o custo total de produção composto pela soma de todos os recursos utilizados.

Custos fixos são aqueles que não irão variar de acordo com a quantidade produzida. Podem ser classificados como: pagamentos rotineiros de contas, fornecedores, funcionários, aluguel, terras, equipamentos, máquinas, entre outros.

Principais itens que compõem os custos fixos são:

  • Depreciação;
  • Juros sobre capital investido;
  • Capital investido em terras;
  • Seguro sobre o capital fixo;
  • Mão de obra permanente;
  • Taxas e impostos fixos .

Os custos variáveis são aqueles que irão variar de acordo com a quantidade produzida. Eles estão relacionados a todos os fatores utilizados no processo produtivo, como se fossem as “matérias-primas”.

Podem ser classificados como gastos com sementes, fertilizantes, defensivos, serviços de máquinas e equipamentos etc.

Principais itens que compõem os custos variáveis

  • Reparo de máquinas e equipamentos;
  • Implementos e utensílios;
  • Mão de obra temporária;
  • Insumos;
  • Transporte externo;
  • Armazenagem.

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Com o Aegro você consegue visualizar seus custos em diferentes categorias, de forma organizada e fácil de entender

Mais informações a respeito dos custos de produção agrícola podem ser acessados neste documento da Conab.

Como já comentamos você deve registrar todos os seus gastos. Se esse registro seguir as categorias que mostrei aqui, você conseguirá ter uma gestão ainda melhor.

Assim você identifica com maios facilidade para onde está indo seu dinheiro e como ajustar seus investimentos para ter mais retorno.

Contabilidade rural

Nem sempre as empresas que mais produzem são as que possuem a maior margem de lucro. Hoje, a sua empresa é a sua fazenda – e é importante você enxergá-la como tal.

Uma empresa que vende produto ou serviço sempre se atenta para a contabilidade. Não pode ser diferente na empresa rural.

A contabilidade rural nada mais é que o conhecimento e interpretação das movimentações financeiras (entradas pelo volume de vendas e saídas pelos custos). Por isso, a gestão de custos é parte da contabilidade rural.

O uso desses dados e informações gerados, com base na análise de todos os custos, é uma excelente ferramenta de melhoria na parte financeira das unidades produtivas.

Decisões a respeito de expansão ou melhorias das atividades econômicas podem ser implantadas com embasamento em tais informações técnicas e econômicas. Quem conhece bem seus custos e faturamentos dos negócios consegue gerenciar a propriedade de forma mais clara e objetiva.

A contabilidade rural te auxilia a conhecer o comportamento dos preços dos insumos gastos em suas propriedades, além de entender os custos das safras passadas. Com posse de tais informações e observando os principais custos de produção, o planejamento das ações futuras pode ser realizado para aumentar a rentabilidade.

Confira como o produtor de soja Fernando economizou pelo menos 5% em custos da safra com gestão tecnológica da fazenda, acesse aqui.

Conclusão

Não existe negócio pequeno ou pequeno produtor, existem produtores que não fazem gestão da fazenda e, por isso, lucram menos.

Todo negócio deve ter seus custos de produção registrados, sabendo exatamente para onde o dinheiro está indo. E, com a agricultura, não pode ser diferente.

Com o que vimos aqui, você conseguirá começar essa gestão de custos o quanto antes, iniciando o controle da fazenda. Aproveite as dicas, as planilhas grátis e boa gestão!

Você realiza a gestão de custos da sua empresa rural? Tem dificuldade na hora da organização dos dados na planilha? Deixe seu comentário abaixo!

Plantio direto na soja: como fazer ainda melhor na sua lavoura

Plantio direto na soja: as espécies de cobertura mais indicadas, as máquinas agrícolas recomendadas e outras orientações para fazer esse sistema ainda melhor.

No Rally da Safra 2017/18 foi levantado que 99% produtores adotam o plantio direto em algum grau de medida. Ou seja, são milhões de hectares já com o plantio direto em algum nível.

Isso mostra que percebemos os benefícios do plantio direto na produtividade: o sistema pode aumentar em até 60% a produtividade de grãos.

Mas ao deixar a palha sobre o solo para começar o plantio direto você teve algumas dúvidas?

É normal que algumas questões apareçam ao mudar o sistema de produção agrícola.

Por isto, conheça mais desta prática que pode te ajudar a consolidar este sistema sustentável na sua lavoura.

plantio direto na soja

(Fonte: Revista Granja, outubro de 2018)

O Plantio Direto na soja

O Sistema Plantio Direto (SPD) tem se destacado como uma das estratégias mais eficazes para melhorar a sustentabilidade da agricultura em regiões tropicais e subtropicais.

O grande resultado é por minimizar as perdas de solo e de nutrientes por erosão, além de ajudar a conservar a umidade de solo.

Isto devido aos três princípios básicos do SPD, que são:

  • Cobertura permanente do solo;
  • Sistema de rotação de culturas;
  • Mínimo revolvimento do solo.

São cerca de 40% a mais de carbono sequestrado do que o sistema convencional.

Plantar sem tirar a palhada das culturas anteriores, é a proteção mais assertiva na proteção das chuvas, de erosão, lixiviação de fertilizantes.

A rotação de culturas também é importante para ajudar a resolver o problema de compactação do solo.

Dessa forma você mantém seu investimento a longo prazo no campo, além de que todos esses benefícios do SPD fazem com que seja aumentado a produtividade da cultura da soja.

Além disto, há redução de operacional, e maior sustentabilidade ambiental na tua propriedade e no teu bolso.

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(Fonte: Paulo Odilon Kurtz em Embrapa)

Como fazer plantio direto na soja?

Tudo vai começar com a escolha da cultura de rotação que será a fonte de cobertura e palhada para a cultura da soja.

Normalmente, essas espécies são chamadas de cultura de cobertura, as quais são também  utilizadas na adubação verde.

E esta cultura pode ser a responsável pela quebra de ciclo de doenças e patógenos, e de grande importância no Manejo Integrado de Pragas.

Segundo estudos do IAPAR, algumas cultivares de aveia tiveram resultados muitos positivos no controle de nematoides.

Como a IPR Afrodite, que é resistente ao nematóide das galhas (Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita), enquanto o URS Brava é resistente ao nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus).

O nabo forrageiro também é uma ótima opção. É uma planta que em 60 dias cobre cerca de 70% do solo, e produz 20 a 35 t/ha de massa verde, 3,5 t/ha a 8 t/ha de massa seca.

Claro que este tipo de rotação é favorecido nas regiões mais subtropicais do Brasil, onde o inverno permite a sua produção.

Nesse sentido, manejos consorciados e de rotação foram discutidos na 5º Jornada Tecnológica no campo da IAPAR, neste ano de 2018.

Além disso, nas regiões mais quentes, tropicais do país, devemos incluir gramíneas, e não só leguminosas, para que a palha permaneça no solo e não se degrade tão rapidamente.

Gramíneas para culturas de cobertura no plantio direto

Com certeza a gramínea mais utilizada como palha no plantio direto na soja, são os restos da lavoura de milho, fazendo a sucessão de culturas soja e milho.

No entanto, é muito interessante a utilização de espécies diferentes, como no consórcio de braquiárias com leguminosas.

Por exemplo, consórcio de gramíneas com crotalárias, que possui alto potencial de reciclagem nutricional e controle de nematóides.  

Um exemplo disso é a espécie Eleusine coracana (pé-de-galinha-gigante) consorciada com crotalária.

Bem como consórcios com culturas safrinhas como o milho, com crotalárias, guandú, ou com braquiárias.

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Consórcio de milho safrinha com guandú, safra 2018.
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

Outra gramínea para ser usada é a Brachiaria ruziziensis, que possui abundância e matéria seca, podendo agregar 1% de matéria orgânica ao solo.

(Fonte: Vídeo SOESP)

Além desta temos a Mombaça e a quênia (Panicum maximum), a BRS Paiaguás (Brachiaria brizantha), o milheto e muitas outras.

Assim, procure informações sobre as plantas que pode utilizar na rotação, fique à vontade para escolher a da sua preferência.

Lembre-se, se você planejar, dá para casar as operações nas lavouras, colher e já plantar.

Acertar no momento de roçar e dessecar o adubo verde escolhido para formação de palhada, é o segredo.  

Já falamos disso aqui no blog:Adubação verde e Cultura de Cobertura: Como fazer?”.

Além disso, você pode ver mais sobre adubação de soja neste manual rápido.

Falando em operações agrícolas, veremos agora quais as máquinas para o plantio direto na soja:

Quais as principais máquinas agrícolas para o plantio direto?

As principais são a semeadora e a colhedora diferenciais para este tipo de sistema de plantio.

São tão importantes de serem adequadas, que pode se perder cerca de 10% com uma semeadura inadequada em uma lavoura de soja.

Isso pode ocasionar uma perda de cerca de 6 sacas por hectare, significativo né?

No plantio direto você precisa de uma máquina adequada. Aquela que mobilize o mínimo necessário a linha de plantio, que corte e afaste a palha, bem como uma que distribua bem a palhada na colheita.

Muitos detalhes e dicas importantes sobre as principais características de máquinas do SPD, você pode conferir emSemeadoras plantio direto: como encontrar a melhor para sua fazenda”.

Além disto, a colhedora deve ser equipada com picador de palha regulado para distribuir uniformemente a palhada sobre o solo, na faixa equivalente a largura de corte da colhedora.

E o válido mesmo, é estar sempre observando na hora da colheita como está a distribuição da palhada.

Isso porque, quanto mais você regular a distribuição de palhada neste momento, melhor será todo o teu futuro nesta lavoura.

A distribuição irregular da palhada dificulta as próximas operações agrícolas, e também pode deixar alguns espaços de área descoberta.

Isso faz com que não tenhamos os benefícios da palha em toda a área, especialmente na conservação da umidade e controle de plantas daninhas.

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Colheita de soja em SPD, Mato Grosso
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

gerenciando o maquinário agrícola

Vantagens do Sistema Plantio Direto na soja

O SPD é por si só uma vantagem ao seu sistema agrícola.

Com ele fica mais fácil otimizar o seu maquinário, você vai formando solo e contribuindo nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo mesmo com a intensidade de manejo no mesmo nas safras.

Além de, ser significativo sua contribuição na redução dos gases do efeito estufa, bem como nos seus custos se bem planejado.

É claro que temos desafios, as opções de rotações para formação de palhada nas entressafras ou até mesmo nos consórcios das safra, nem sempre são comerciais, e isto ainda é um obstáculos.

Mas se pensar a longo prazo a palhada deixada no teu sistema é um dos melhores investimentos de baixo custo que terá feito na sua propriedade.

Você pode ler mais em “Porque o Plantio Direto contribui na fertilidade do solo?

O que é o Padrão RTRS de Produção de Soja Responsável?

Resultado do envolvimento na cadeia de valor da soja, principalmente produtores e indústrias, foi criado o padrão RTRS, como o nome diz, uma padrão de produção de soja responsável.

Os princípios e critérios para a certificação da soja como uma cultura responsável são:

  • Cumprimento legal e boas práticas empresariais;
  • Condições de trabalho responsáveis;
  • Relações comunitárias responsáveis;
  • Responsabilidade ambiental;
  • Práticas agrícolas adequadas.
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(Fonte: Responsiblesoy)

E se tratando das práticas agrícolas, o Sistema Plantio Direto é um deles.

Além disto, por exemplo, a propriedade deve ter um plano de manejo integrado, que preveja prevenção e outros tipos de controle, como o biológico e defensivos naturais.

Assim como, medidas sistemáticas para planejar e implementar o monitoramento de proliferação de novas pragas e espécies invasoras introduzidas.

Conclusão

De cara, parece fácil escrever aqui como se faz, mas eu sei que na prática é um desafio enorme.

Às vezes a rotação estava perfeita, mas deixamos passar um mal espalhamento de palhada em alguma parte do talhão, e só isso já traz consequências lá na frente.

Mas tenha o objetivo de ir consolidando o Sistema Plantio Direto na soja. A palhada pode ser a sua poupança segura a longo prazo.

Lembre se que a meta é você conseguir ter maior domínio dos fatores que são chave na sua propriedade, e que realmente podem ser controlados por você.

Ou seja, não falo do clima ou dos valores de mercado dos insumos e do seu produto, mas dos fatores internos a tua propriedade.

Com um bom sistema de gestão e planejamento vai ficando mais “fácil” manejar esses fatores, fazendo decisões mais assertivas.

Leia mais:

“Como fazer a dessecação de soja para colheita eficiente”

Calagem plantio direto: Dúvidas frequentes e suas respostas

4 cuidados que você precisa ter no plantio direto de milho

E você, como tem feito o plantio direto na soja? Tem mais algumas dicas para esse sistema? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!