Gesso agrícola: o que é, benefícios para o solo e como usar para elevar sua produção

Gesso agrícola: o que é, qual é a sua função, diferenças entre calcário e gesso, quando aplicar e benefícios da gessagem.

A gessagem é uma prática agrícola que consiste na aplicação de gesso com o intuito de melhorar o ambiente para o desenvolvimento das raízes no perfil do solo.

O gesso tem ação condicionante e fertilizante pois também fornece alguns nutrientes para as plantas.

Muitas vezes a gessagem é confundida com a calagem, mas essas duas estratégias de manejo têm objetivos diferentes. Quer saber mais sobre o assunto? Confira a seguir. Boa leitura!

O que é gesso agrícola? Qual é a sua função

O gesso agrícola (sulfato de cálcio) é um condicionante de solo e corretivo de sodicidade. Isso quer dizer que ele melhora as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo e reduz a saturação de sódio.

O termo gesso agrícola se refere tanto ao fosfogesso quanto ao gesso natural.

O fosfogesso é um subproduto obtido durante a produção de fertilizantes fosfatados, como o superfosfato simples. Já o gesso natural é produzido a partir do processamento da gipsita, um mineral abundante na natureza.

Independente da origem, a aplicação de gesso no solo tem a função de melhorar o ambiente em profundidade para o desenvolvimento das raízes. Ou seja, a gessagem beneficia o aprofundamento das raízes, o que favorece a absorção de água e nutrientes.

Além disso, o gesso agrícola fornece cálcio e enxofre para as plantas. Esse insumo tem em média 18% de cálcio e 15% de enxofre.

O gesso agrícola é um produto relativamente barato. Porém, o maior problema na compra desse insumo está na distância dos centros distribuidores, o que eleva o valor do frete. Em muitos casos, o frete é mais caro do que o gesso.

Diferença entre calcário e gesso agrícola

As técnicas de calagem e gessagem são fundamentais para a obtenção de altas produtividades, principalmente em áreas de cerrado. Essas práticas são complementares e uma não substitui a outra. 

O calcário é um insumo utilizado para corrigir a acidez do solo e neutralizar os efeitos tóxicos do alumínio e do manganês. Além disso, o calcário fornece cálcio e magnésio para as plantas.

No entanto, a calagem não corrige a acidez e a deficiência de cálcio em maiores profundidades. O gesso agrícola já atua nas camadas mais profundas do solo.

O gesso agrícola é considerado um condicionante do solo. Ele melhora as condições físico-químicas em subsuperfície e favorece a atividade microbiana, o que contribui para o desenvolvimento de raízes mais profundas. 

É importante dizer que a gessagem não altera o pH do solo — ou seja, essa prática não neutraliza a acidez. Ao contrário do calcário, o gesso não reage com o alumínio. Porém, ele tem a capacidade de carrear, o que significa levar o alumínio para maiores profundidades. 

O gesso agrícola também é fonte de cálcio e enxofre para as culturas.

Confira no quadro abaixo as diferenças entre a calagem e a gessagem.

comparativo entre calagem e gessagem

Quando fazer gessagem?

A gessagem é uma prática realizada após a calagem e em área total. Não há a necessidade de incorporação do gesso. 

Antes da aplicação desse insumo é preciso avaliar se a área apresenta deficiência de cálcio e alumínio em excesso nas camadas mais profundas do solo.

Nesse caso, para as culturas anuais, o recomendado é fazer a amostragem de solo nas profundidades de 20 a 40 centímetros e de 40 a 60 centímetros.

Somente a partir da análise físico-química do solo é possível determinar a necessidade de gessagem.

Benefícios da aplicação de gesso no solo

A acidez do solo e a deficiência de nutrientes, não apenas nas camadas superficiais mas também nas camadas mais profundas, é um fator limitante para a produção agrícola. 

Nesse sentido, a gessagem é uma prática de grande importância e que viabiliza o cultivo em diferentes solos. Os principais benefícios do uso do gesso na agricultura são:

  • redução da atividade do alumínio nas camadas mais profundas;
  • redução da salinidade;
  • melhora a estrutura do solo;
  • fornece cálcio e enxofre para as culturas;
  • favorece o crescimento radicular;
  • aumenta a absorção de água e nutrientes pelas plantas;
  • aumenta a tolerância das plantas ao estresse hídrico;
  • eleva a produtividade.

Confira a seguir como as raízes exploram um maior volume de solo quando é feita a gessagem.

Veja como as raízes exploram um maior volume de solo quando é feita a gessagem.
Distribuição relativa de raízes de milho no perfil de um latossolo argiloso, sem aplicação e com aplicação de gesso
(Fonte: Embrapa)

Como calcular a necessidade de gessagem?

1. Você pode utilizar essas duas fórmulas:

NG (kg/ha) = 0,30 x Necessidade de calcário (NC) recomendada para o solo

Nessa fórmula, utilize a NC recomendada para a camada de 20 cm a 40 cm.

QG = NG x (SC/100) x (PF/20), onde:

QG = quantidade de gesso em t ha-1;

NG = necessidade de gessagem em t ha-1, obtido com a fórmula anterior;

SC = superfície coberta pelo gesso em %. Se for área total, utilize SC = 100% e para aplicação em faixas como no café, SC = 75%;

PF = espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. Para camada de 20 a 40, PF = 20 cm. Para camada de 30 a 60 cm, PF=30 cm.

2. Culturas anuais e perenes

Culturas anuais:

NG = 50 x %teor de argila
ou
NG = 5 x teor de argila (g kg-1)

Culturas perenes:

NG = 75 x %teor de argila
ou
NG = 7,5 x teor de argila (g kg-1)

3. Recomendação de acordo com a textura do solo

Na tabela abaixo você pode conferir a recomendação de gessagem em função da textura do solo e do tipo de cultura, se anual ou perene.

dose de gesso agrícola

Recomendação de gesso agrícola em função da classificação textural do solo
(Fonte: Vitti e Priori, 2009)

4. Capacidade de troca catiônica e saturação por bases:

Abaixo está a recomendação de aplicação de gesso de acordo com a capacidade de troca catiônica do solo e a saturação por bases.

Quantidade aproximada de gesso a ser aplicada de acordo com a capacidade de troca catiônica (T) e saturação por bases (V) do subsolo
(Fonte: Vitti e Priori, 2009)

Por fim, é importante ressaltar que a aplicação de gesso em excesso prejudica o equilíbrio nutricional do solo, principalmente no que diz respeito ao magnésio.

Em grandes quantidades, o gesso favorece a movimentação do magnésio para as camadas mais profundas, o que provoca um desequilíbrio no solo. Por isso é tão importante que a recomendação de gessagem seja orientada pela análise do solo.

planilha de planejamento para milho e soja

Conclusão

O gesso agrícola é um condicionante do solo e corretivo da sodicidade, além de ter efeito fertilizante, por fornecer cálcio e enxofre para as plantas. 

A gessagem e a calagem são práticas com objetivos diferentes e uma não substitui a outra.

Os principais benefícios da aplicação de gesso no solo são maior volume de solo explorado pelas raízes, fornecimento de cálcio e enxofre para as plantas, redução da atividade do alumínio em subsuperfície, maior absorção de água e nutrientes, aumento da produtividade.

A recomendação de gessagem deve ser sempre pautada pelos resultados da análise de solo.

>> Leia mais:

Esteja preparado e não se engane na pré-safra: Saiba quais corretivos utilizar

Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

“Como fazer o cálculo de gessagem: métodos recomendados e as novas pesquisas”

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redatora Tatiza Barcellos

Atualizado em 10 de agosto por Tatiza Barcelos

Sou engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

Crotalária: por que ela é uma boa opção de adubação verde e controle de nematoides

Atualizado em 16 de maio de 2022.

Crotalária: conheça os diferentes tipos, melhores épocas de plantio, tudo sobre seu manejo, benefícios, e mais!

A crotalária é uma leguminosa que pode reduzir até 80% dos nematoides da lavoura. Ela também é muito utilizada em adubação verde, e apresenta vários benefícios para a lavoura.

Muitos produtores já têm aderido à planta, e conhecer todos os detalhes é essencial para você decidir se ela é válida no seu campo.

Nesse artigo, você verá tudo sobre essa leguminosa, desde os manejos recomendados até os benefícios que ela proporciona. Acompanhe a leitura!

O que é e para que serve a crotalária? 

A crotalária é uma leguminosa da família Fabaceae que possui diversas espécies. Muito usada para adubação verde, ela tem rápido crescimento e sistema radicular pivotante. Isso significa que sua raíz penetra verticalmente o solo, favorecendo a absorção de nutrientes.

A crotalária controla nematoides de solo, e também é excelente na fixação biológica de nitrogênio. A consequência disso é você precisar usar menos adubos nitrogenados na cultura. Seu ciclo dura de 170 a 180 dias. 

Essa leguminosa é uma espécie de clima tropical, e tem baixa resistência ao frio. Porém, resiste bem à seca e a altas temperaturas. Ela produz compostos tóxicos que impedem a movimentação dos nematoides na lavoura.

Quando plantar crotalária?

O plantio da crotalária ocorre entre os meses de outubro e novembro, durante a primavera. Para a crotalária spectabilis, porém, a época de plantio é diferente: caso opte por essa espécie, plante entre outubro e março.

Você pode fazer a lanço ou em linhas, e preparar o solo como se fosse cultivar cana-de-açúcar. O comportamento dessas espécies é parecido. Além disso, o cultivo pode ser solteiro ou em consórcio com gramíneas forrageiras.

Espaçamento e profundidade

O espaçamento ideal para a crotalária é entre 25 cm a 50 cm. A profundidade ideal de semeadura deve ser de 2 cm a 3 cm

É extremamente importante distribuir entre 25 e 30 sementes por metro linear. Além disso, lembre-se de não irrigar em excesso, porque a cultura se adapta bem a solos arenosos e mais secos.

Controle de doenças

As principais doenças que ocorrem na crotalária são a antracnose, murcha vascular, podridão da haste e oídio.

Essas doenças podem comprometer muito o desenvolvimento da cultura. O mais recomendado para reduzir as doenças é o controle químico, sobretudo com fungicidas

É importante ressaltar que cada uma dessas doenças é causada por um fungo diferente. Escolha o fungicida com base na doença presente na sua cultura para garantir um controle efetivo.

Controle de pragas

A lagarta-das-crotalárias (Utetheisa ornatrix) é a principal praga que ataca essa leguminosa. Ela costuma ser presente principalmente na fase de inflorescência e nas vagens da planta.

Se você pretende utilizar as sementes da crotalária, faça uso de inseticidas com ação de contato. Os fisiológicos também funcionam nesses casos.

Ela pode reduzir a área foliar e prejudicar a produção de sementes. Para o controle dessa praga, o manejo mais adequado é o uso de inseticidas a partir do momento em que você notar a presença na cultura.

Quais são os tipos de crotalária

Existem três tipos principais de crotalárias: Spectabilis, Juncea e ochroleuca . Veja como inseri-las no seu sistema de lavoura.

Crotalaria spectabilis

As sementes do tipo spectabilis contêm quantidades abundantes de proteínas.  As principais são peroxidases, proteases cisteínicas e inibidores de proteases cisteínicas.

Essas substâncias são significativas na redução de populações de nematoide das lesões (P. brachyurus). Pesquisas comprovaram seu potencial no controle do nematoide de cistos. 

Essa espécie tem algumas especificidades:

  • época de plantio vai de outubro a novembro em grande parte do Brasil;
  • para a semeadura a lanço, são recomendáveis cerca de 15 kg/ha;
  • fixação biológica de nitrogênio entre 100 kg/ha e 150 kg/ha

Crotalaria juncea 

A crotalária juncea é uma espécie de clima tropical. Essa é a espécie que mais produz biomassa. Ela também tem contribuições para o sistema de produção, melhorando a matéria orgânica e a microbiota do solo.

Essa espécie ficou bem famosa pelo combate à dengue. Ela atrai libélulas que são predadoras do mosquito transmissor da doença. 

As especificidades dessa espécie são:

  • época de plantio ideal de setembro a março em grande parte do Brasil. 
  • para semeadura a lanço, são recomendados cerca de 30 kg/ha.
  • a floração plena dessa espécie ocorre entre 107 e 157 dias;
  • a altura da planta pode passar de 2 metros;
  • suas raízes têm grande comprimento (cerca de 50 cm);
  • a espécie faz fixação biológica de nitrogênio entre 300 kg/ha e  450 kg/ha
Foto de crotalária juncea, já em estádio avançado

Crotalaria juncea: plantio da crotalária é feito entre setembro e março na maior parte do país

(Fonte: Embrapa)

Crotalaria ochroleuca

Esta é considerada a leguminosa mais eficiente na redução da população de nematoides. Além disso, o sistema radicular dessa espécie é agressivo. Isso melhora muito a qualidade física do solo.

As especificidades mais importantes dessa espécie são:

  • época de plantio ideal de setembro a dezembro em grande parte do Brasil. 
  • para semeadura a lanço, são recomendados 8kg/ha.
  • a fixação biológica de nitrogênio varia de 200 kg/ha a 300 kg/ha.

Quais os benefícios da crotalária?

A crotalária pode ser uma ótima opção para a lavoura, promovendo a adubação verde, o controle de nematoides e a recuperação do solo. A leguminosa também é forte aliada no controle de plantas daninhas.

Como a crotalária controla nematoides 

As crotalárias não são apenas uma hospedeira pobre ou não hospedeira de muitos nematoides parasitas de plantas. Elas têm a capacidade de produzir compostos alelopáticos (tóxicos) que impedem, por exemplo, a movimentação dos nematoides.

Elas atuam como plantas armadilhas, fazendo com que os nematoides não consigam completar seu ciclo até a vida adulta. 

O ideal é entrar na entressafra com a cultura. Somente a sua palhada, em um sistema de plantio direto, já possui contribuição enorme no controle de nematoides do solo.

Uma pesquisa realizada pela Unesp mostrou a possibilidade de fazer consórcio entre milho safra e safrinha com Crotalaria spectabilis. Houveram bons resultados de produtividade do milho e acúmulo de palhada sem a necessidade de uso de herbicidas.

Campo com plantio de milho e crotalária

Experimento conduzido em Taquaruçu do Sul, RS

(Fonte: Arquivo pessoal)

É fundamental que você saiba qual nematoide está presente em sua área. Só então é possível determinar qual tipo de crotalária será mais eficaz no controle.

  • Controle do nematoide das lesões radiculares: é indicado o uso de qualquer crotalária;
  • Controle de nematoide do cisto: é indicado o uso de qualquer crotalária;
  • Controle do nematoides de galhas: é indicada a rotação das crotalárias C. spectabilis e C. breviflora.
  • Controle do nematoide das galhas do algodão: a indicação é utilizar qualquer uma das crotalárias, mas evitar o plantio de milho.

Outro ponto importante é o monitoramento. Sem ele, você até pode reduzir a população de nematoides, mas garante as pragas (como lagartas) para a próxima safra.

Recuperação do solo 

A crotalária também apresenta grandes impactos no solo da sua lavoura. Dentre eles, estão:

  • proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
  • minimiza os danos causados pelo uso intensivo do solo;
  • melhora a infiltração e retenção de água no solo;
  • maior disponibilidade de nutrientes;
  • raízes profundas que auxiliam na descompactação do solo;

Controle de plantas daninhas

A utilização da crotalária como cobertura do solo e adubação verde proporciona a redução da incidência de plantas daninhas.  Isso acontece pela cultura manter o solo coberto durante a entressafra.

Aumento da produtividade da lavoura

As crotalárias são grandes aliadas para o aumento da produtividade das lavouras. O uso da crotalária durante a entressafra favorece a manutenção da matéria orgânica e a atividade dos microrganismos do solo. 

Se você precisa produzir muita matéria orgânica em pouco tempo, pode apostar na crotalária. Além disso, essa leguminosa reduz a aplicação de fertilizantes nitrogenados no solo.

Consórcio de gramíneas forrageiras com crotalária

A crotalária consorciada com gramíneas forrageiras é uma alternativa de baixo custo para produção de palha. Isso tanto em quantidade quanto em qualidade.

Além disso, as crotalárias podem fornecer nitrogênio ao solo, via fixação biológica de nitrogênio. Dependendo da crotalária cultivada, há possibilidade de pastejo nos sistemas integrados.

O consórcio de crotalária com gramíneas forrageiras aumenta a produtividade de grãos da soja cultivada em sucessão. Isso acontece porque a rápida decomposição dos resíduos vegetais das crotalárias oferece nutrientes ao solo em curto prazo.

Gráfico de produtividade média de grãos de soja em duas safras, com e e sem crotalária.

Produtividade média de grãos de soja de duas safras, em função do cultivo de Brachiaria solteira e consorciada com crotalárias na entressafra

Fonte: (Garcia & Machado, 2019)

O consórcio de gramíneas forrageiras com crotalárias é uma alternativa para produção de biomassa em quantidade e qualidade.

Adubação verde

Os adubos verdes são bem conhecidos pela capacidade de fixar nitrogênio

Eles fornecem grande volume de matéria orgânica. Esse volume aumenta a atividade biológica do solo e contribui com o sistema de plantio direto.

Outra vantagem é o aumento dos inimigos naturais de nematoides parasitas de plantas. Um grande exemplo são os fungos que capturam nematoides ou se alimentam de seus ovos. 

A adubação verde também contribui para a liberação de ácidos graxos voláteis pelas plantas. Essa substância pode ser muito tóxica aos nematoides.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

A crotalária é uma leguminosa que reduz a incidência de nematoides nas áreas.

Antes de utilizá-la em seu manejo, é preciso conhecer muito bem a sua área. Assim, saberá qual tipo de crotalária trará melhores resultados.

A melhor solução é a prevenção. Por isso, é recomendado manter o solo sempre coberto, diversificar e manter raízes vivas pelo maior tempo possível. Espero que com as dicas passadas aqui você consiga obter ótimos resultados.

>> Leia mais: Tudo sobre as novas cultivares de soja com resistência ao nematoide do cisto

Restou alguma dúvida sobre o manejo da crotalária? Já utilizou essa leguminosa na sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

Atualizado em 16 de maio de 2022 por Denise Prevedel.

Denise é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Doutoranda em agronomia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

O guia completo do manejo do caruru Amaranthus palmeri

Caruru Amaranthus palmeri: Época certa para controle, quais herbicidas usar e as principais dicas para minimizar casos de resistência e evitar o prejuízo da lavoura. 

O caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) é uma planta daninha exótica que teve seu primeiro relato no Brasil em 2015, no Mato Grosso. 

O que mais preocupa é o histórico de infestação e agressividade que esta planta apresenta nos Estados Unidos e Argentina, associados a uma grande capacidade de selecionar resistência a herbicidas

Nesses países, a presença de Caruru-palmeri é critério de desvalorização das terras atualmente. Isso porque ela eleva os custos de manejo e possui grande potencial para reduzir a produtividade dos principais cultivos. 

Quer saber como identificar corretamente e realizar um manejo eficiente do caruru Amaranthus palmeri? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

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Caruru Amaranthus palmeri: Principais pontos sobre essa daninha

A principal característica que torna o caruru Amaranthus palmeri um planta daninha de grande importância econômica é sua agressividade competitiva. Ainda, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas importantes, como a cochonilha.

Principalmente devido ao ótimo arranjo espacial de suas folhas, que possuem excelente captação de luz e, consequentemente, produção de energia.

caruru amaranthus palmeri
Distribuição simétrica das folhas de caruru Amaranthus palmeri em torno de seu caule
(Fonte: Purdue Extension

No Brasil existem relatos de que esta planta tenha taxa de crescimento de 4 cm a 6 cm por dia, podendo atingir mais de 2 m de altura. 

Desta forma, não existe cultura que consiga competir com esta planta daninha, podendo ser prejudicial em diversas fases do  ciclo do cultivo. 

Foram registradas perdas rendimento de até 90% na soja e 79% no milho

Além disso, sua capacidade de dispersão é muito alta. As plantas fêmeas podem produzir de 200 mil a 1 milhão de sementes por planta, dependendo das condições do ambiente.

Um detalhe importante é que as plantas fêmea podem produzir sementes viáveis, mesmo não sendo polinizadas pelas plantas macho.  

As sementes de caruru Amaranthus palmeri possuem tamanho muito pequeno. Assim, podem ser facilmente dispersadas pelo vento, por animais e por implementos agrícolas que trabalham em áreas contaminadas. 

caruru amaranthus palmeri
Sementes de caruru Amaranthus palmeri
(Fonte: Idtools) 

Um dos pontos mais cruciais é que os produtores possam realizar a correta identificação desta planta daninha em suas lavouras e, rapidamente, comuniquem o Mapa, para que os grupos de contenção desta praga o auxiliem. 

O problema é que o Brasil possui várias espécies nativas que possuem características semelhantes ao caruru-palmeri.  

Mas, fique tranquilo, pois vamos te passar algumas dicas que ajudarão no momento da identificação!

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Identificação do caruru Amaranthus palmeri

As folhas do caruru Amaranthus palmeri possuem lâminas foliares de formato variado, entre o formato de ovado a rômboico-ovada. 

Não possui pilosidade (presença de pelos) em qualquer superfície da planta.

caruru amaranthus palmeri
Plântula de Caruru-palmeri
(Fonte: Purdue Extension

O comprimento dos pecíolos das folhas costuma ser maior ou igual ao comprimento do limbo foliar, principalmente em folhas mais velhas. 

caruru amaranthus palmeri
Comprimento do pecíolo em relação a folha de caruru-palmeri
(Fonte: Purdue Extension)

O principal ponto de identificação da espécie está na inflorescência. O caruru-palmeri possui flores femininas e masculinas em plantas separadas, diferente das espécies nativas do Brasil, que possuem os dois sexos na mesma planta. 

As plantas fêmeas possuem brácteas rudimentares, que envolvem a inflorescência.

caruru amaranthus palmeri
Inflorescência masculina (esquerda) e inflorescência feminina (direita) de caruru Amaranthus palmeri
(Fonte: IMAmt) 

Além disso, podem (mas não obrigatoriamente) ocorrer marcas d’água em formato de “V” no limbo foliar e presença de um pequeno pelo no término do limbo foliar. 

caruru amaranthus palmeri
Marca d’água em formato de “V” invertido nas folhas de caruru Amaranthus palmeri
(Fonte: Purdue Extension

caruru amaranthus palmeri
Presença de pelo no término do limbo foliar de caruru-palmeri
(Fonte: Daniel Tuesca

A espécie mais facilmente confundida com o caruru-palmeri é o caruru-de-espinhos (Amaranthus spinosus). 

Mesmo algumas espécies possuindo algumas das características citadas acima, você deve analisar o conjunto para a correta identificação. 

Para facilitar o processo de identificação, veja o compilado dessas informações: 

caruru amaranthus palmeri
P: presença da característica na espécie; PV: presença variável da característica na espécie; – -: Ausência da característica na espécie. Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri); Caruru-de-espinhos (Amaranthus spinosus); Caruru-rasteiro (Amaranthus deflexus); Caruru-roxo (Amaranthus hybridus); Caruru-gigante (Amaranthus retroflexus); Caruru-da-mancha (Amaranthus viridis). (Fonte: Embrapa)

O problema da resistência do Caruru Amaranthus palmeri no Brasil

Acredita-se que o caruru-palmeri tenha sido introduzido no país por meio de colhedoras trazidas da Argentina, que não passaram pela devida limpeza. Assim, essas sementes infestaram lavouras do Mato Grosso. 

Após a confirmação da espécie, o MAPA, em parceria com outras instituições, iniciou ações para conter a dispersão e tentar a erradicação nessas áreas. 

Após testes, foi identificado que estas populações já possuem resistência ao glifosato devido à seleção ocorrida no país de origem. 

No ano seguinte, 2016, foram identificadas populações com resistência múltipla a inibidores da EPSPs (ex: glifosato); e inibidores da ALS (ex: chlorimuron, cloransulam e imazethapyr).

O grande problema é que esta espécie possui um grande histórico de infestação e resistência a herbicidas em vários outros países. 

Além dos casos relatados no Brasil, foram relatados 62 casos de resistência em outros 3 países. 

Casos de resistência simples de caruru Amaranthus palmeri a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato)
  • Inibidor da tubulina (ex: Trifluralina)
  • Inibidor do Fotossistema II (ex: Atrazina)
  • Inibidores de ácidos graxos de cadeia longa (ex: S-metolachlor)
  • Auxinas sintéticas (ex: 2,4 D)
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron)
  • Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)

Casos de resistência múltipla de caruru Amaranthus palmeri a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron)
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor da Protox (ex: fomesafen)
  • Fotossistema II (ex: Atrazina) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da Protox (ex: fomesafen)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Fotossistema II (ex: Atrazina) 
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor do Fotossistema II (ex: Atrazina) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor do Fotossistema II (ex: Atrazina)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor da Protox (ex: fomesafen) + Inibidores de ácidos graxos de cadeia longa (ex: S-metolachlor)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Fotossistema II (ex: Atrazina) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione) + Auxinas sintéticas (ex: 2,4 D)

Manejo de caruru Amaranthus palmeri na entressafra do sistema soja-milho

O ponto primordial no manejo do caruru-palmeri é o estádio de desenvolvimento. Por se tratar de uma planta daninha de difícil controle, é recomendado que aplicação ocorra até, no máximo, 5 cm. 

Plantas com mais de 8 cm apresentam menor suscetibilidade a herbicidas. E, devido à sua taxa de crescimento altíssima, isso ocorre em poucos dias após a emergência. 

Após perenizadas, deve-se realizar um manejo com aplicações sequenciais espaçadas em 15 dias. 

Devido a estas características, o uso de herbicidas aplicados em pré-emergência é primordial para realizar um bom controle. 

Ainda não existem herbicidas registrados para controle de caruru Amaranthus palmeri disponíveis no mercado no Brasil. Por isso, é muito importante que ao suspeitar/identificar esta planta daninha em sua lavoura, comunique ao MAPA. 

Atualmente no Brasil, os órgãos de defesa agropecuária tem recomendado “tolerância zero” em áreas com infestação do caruru-palmeri. 

Todas as plantas devem ser controladas antes do florescimento, associando diversas técnicas de manejo para que isso seja realizado. 

Vamos descrever algumas alternativas de manejo que vêm sendo utilizadas em outros países que esta planta infesta e de resultados preliminares de pesquisas no Brasil.

caruru amaranthus palmeri
Infestação de caruru Amaranthus palmeri em lavoura de soja
(Fonte: IMAmt) 

Herbicidas pós-emergentes: 

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Recomendável dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1.

2,4 D 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes. Recomendável dose de 1,2 a 2 L ha-1

Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado.

Saflufenacil 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Indicada dose de 35 a 100 g ha-1.

Dicamba

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,0 a 1,5 L ha-1

Deve-se ocorrer um intervalo mínimo de 30 dias entre a aplicação do produto e a semeadura da soja, para que não ocasione danos ao cultivo. 

Glifosato

Mesmo não sendo efetivo para as populações presentes no país, pode ser usado no manejo para controle de outras plantas daninhas.

Herbicidas pré-emergentes:

Flumioxazin 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendada dose de 120 g ha-1.

Sulfentrazone 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. 

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

S-metolachlor 

Herbicida com ação residual  para controle de banco de sementes.

Utilizado no sistema de aplique plante da soja e milho, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos. 

Manejo na pós-emergência da soja 

Fomesafen

Realizar uma aplicação de 20 a 30 dias após emergência da cultura, na dose de 0,9 a 1,0 L ha-1.

Lactofen

Realizar uma aplicação no estádio inicial de desenvolvimento da cultura, na dose de 0,62 a 0,75 L ha-1.

Este herbicida provoca muitos sintomas de fitointoxicação nas folhas cultura. Após um período de algumas semanas, porém, estes sintomas desaparecem e as perdas no crescimento costumam ser compensadas por maior engalhamento da cultura!

Manejo na pós-emergência do milho

Atrazine

Pode ser aplicado na pré-emergência da cultura imediatamente antes da semeadura, simultaneamente ou logo após a semeadura. Em aplicações em pós-emergência da cultura e plantas daninhas deve-se acrescentar óleo vegetal. 

Recomendações de dose de  3 a 5 L ha-1, dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes. Pode ser misturado com: glifosato (se misturado em pós-emergência – milho RR), mesotrione, nicosulfuron, S-metolachlor. 

Glufosinato de amônio

No caso de milho Liberty Link! Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.

Perspectivas para controle do caruru-palmeri

Nos próximos anos, existem previsões da liberação comercial de novos “traits” de resistência a herbicidas para as culturas de soja e milho.

  • Soja: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio) e Xtend (Dicamba, glifosato).
  • Milho: Enlist (2,4D colina, glifosato, glufosinato de amônio e haloxyfop).

Isso aumentará as opções de manejo para caruru-palmeri em pós-emergência das culturas!

Conclusão

Neste artigo, vimos a importância econômica que o caruru Amaranthus palmeri possui em outros países e o potencial de dano, se não contido, no Brasil. 

Entendemos quais são as principais características que devem ser examinadas para correta identificação desta daninha.

Vimos algumas recomendações que têm sido eficientes em outros países e o resultado de teste preliminares no Brasil.   

 Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar a correta identificação do caruru-palmeri e saiba como iniciar o planejamento do manejo caso esta daninha infeste sua lavoura!

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O que você precisa saber para fazer sua melhor venda de grãos

Venda de grãos: o que e como fazer para comercializar no momento certo e ter a melhor negociação de seus grãos

Em todas as safras a dúvida é sempre a mesma: será que será possível vender os grãos por um preço bom? Como qualquer produto, as movimentações de compra e venda no mercado refletem diretamente nos preços agrícolas. 

Quanto maior a produção de um produto agrícola específico (maior oferta), menor fica o preço de venda. E isso pode se refletir em baixo lucro ou até em prejuízo para o produtor.

Neste artigo, vamos mostrar algumas dicas de comercialização agrícola e como o planejamento pode ser essencial para garantir mais lucro! Boa leitura!

Quando fazer a venda de grãos para ter mais lucros?

Normalmente, há uma tendência de vender grãos quando o preço tem um leve aumento no mercado. Mas será que essa realmente é a melhor estratégia? A palavra chave para a comercialização de grãos com sucesso é: cautela. 

Você deve entender quais fatores interferem na variação de preços dos grãos e acompanhá-los. Hoje, somente observar os fatores econômicos e as oscilações da bolsa de valores não é suficiente para obter sucesso na venda de seus grãos. 

Conhecer e acompanhar os principais países produtores também é muito importante!

Além disso, é fundamental ter um consultor agrícola de confiança que indique, por meio de experiência e análise do cenário atual, qual é o melhor momento para vender.

Quais fatores influenciam mais os preços de mercado de grãos?

Existem diversos fatores que podem modificar o preço de commodities agrícolas. Normalmente, os preços são estimados pelo que se chama de mercado futuro. Ele é a indicativa das previsões de valores para um determinado produto nos meses seguintes.

Como toda previsão, ela é influenciada por diversos fatores que, no momento de venda, irão definir o preço atual do produto no chamado mercado físico. Abaixo, citamos alguns dos pontos mais importantes.

Área plantada/produção de outros países

A estimativa ou realidade de produção de outros países com potencial de produção alto podem influenciar o preço dos grãos. No caso da soja, os maiores produtores mundiais são Brasil, EUA, Argentina, China e Índia. 

Já no milho, o ranking engloba EUA, China, Argentina, Brasil e União Europeia.

Por exemplo, uma redução na área plantada de milho nos EUA tende a gerar uma ideia de diminuição de oferta no longo prazo, afetando tanto preços atuais como futuros.

Quebras de safra

Ao início das safras, é feita uma previsão de produção total em cada país, de acordo, principalmente, com a área plantada. Essa estimativa vai sendo avaliada e atualizada ao longo da safra.

Condições como ataques de doenças ou pragas e questões climáticas podem causar quebras de safra e diminuição bruscas nessas produção. Isso acaba afetando a oferta e alterando preços.

Estoques mundiais

Os estoques mundiais de cada commodity é um dos fatores de maior impacto nos preços. Eles influenciam diretamente na oferta do produto. Maiores ofertas tendem a diminuir preços de mercado, enquanto menores ofertas valorizam o preço de venda do produto.

Mercados consumidores

Em combinação com a oferta do produto, a demanda também é outro fator definidor dos preços de grãos. Ela depende das condições econômicas e interesses de países compradores.

Para a soja, os maiores consumidores mundiais são a China e a União Europeia, enquanto para o milho são Estados Unidos e China. Os maiores mercados para exportação brasileira são a China para a soja e a União Europeia para o milho

Políticas de juros, de exportação/importação e cotação do dólar

A definição de taxas de juros e dos valores sobre importação e exportação também alteram o preço final dos produtos. Além disso, têm papel crucial na definição dos custos de produção das culturas, principalmente pelo preço de fertilizantes importados.

Taxas mais altas de importação visam, normalmente, fortalecer o mercado interno. Entretanto, elas podem causar aumento de preços de alguns insumos que são obrigatoriamente importados.

Taxas de exportações mais baixas tendem a ser mais interessantes para compradores, causando maior volume de vendas. Além disso, a cotação do dólar acaba influenciando os preços nos mercados internacionais, por ser a moeda usada como base.

Condições inesperadas

Algumas condições alteram sobremaneira os preços de produtos agrícolas, mas nem sempre são esperadas. Recentemente, tivemos dois exemplos bastante marcantes com a pandemia mundial e a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Mercado do milho

Situação atual

Os preços do milho vêm observando uma constante baixa, desde os preços recordes atingidos entre o final de 2021 e 2022 quando ultrapassou os R$ 100/saca. Em março de 2023, alguns pontos influenciaram os preços da commodities no mercado internacional:

  • Nos EUA, a safra de grãos será plantada entre abril e maio e a área destinada ao grão pode impactar os preços. Há uma tendência de que haja crescimento nas áreas de milho em comparação à safra passada;
  • Houve anúncio de estoques de milho dos EUA que esteve abaixo do esperado;
  • Iniciou-se a colheita do milho na Argentina, com estimativas de redução de cerca de 30% na produção esperada para o país nesta safra;
  • O Brasil avançou no plantio da safrinha, apesar do atraso devido ao acúmulo de chuvas e atraso na colheita da safra de soja;
  • Houve uma aceleração das exportações brasileiras de milho, apesar do mercado estar com foco na venda da produção da safra de soja;
  • Há incerteza sobre a continuidade das exportações de milho da Ucrânia pelo acordo do Mar Negro, devido ao conflito com a Rússia.

O valor atual do preço do milho para venda em maio/2023, na bolsa Chicago, é de US$ 6,53/bushel. Esse valor equivale a cerca de R$ 78/saca. No Brasil, o indicador de mercado físico Esalq/B3 é de R$ 82,40/saca, no Porto de Paranaguá.

Previsões futuras

As condições climáticas da safrinha de milho brasileira irão influenciar os preços futuros, bem como o potencial de produção da safra nos EUA. Nesse momento, os EUA podem assumir protagonismo nas exportações por terem estoques maiores que outros países. 

Porém, as exportações brasileiras seguem aquecidas. No Brasil, a tendência é de uma forte pressão de queda nos preços da commodities, motivadas pela previsão de boas condições durante a safrinha e aumento da oferta.

venda de grãos
(Fonte: Canal Rural)

Mercado da soja

Situação atual

Os preços da soja, assim como no milho, vêm observando queda após período de valores recordes em 20221 e 2022, quando ultrapassou os R$ 200/saca. Em março de 2023, os pontos que mais influenciaram os preços da soja no mercado internacional foram:

  • Definição das áreas destinadas a cada plantio nos EUA, com previsão de aumento da área de milho em relação à soja na safra que será plantada a partir desse mês;
  • O final da colheita atrasada no Brasil, principalmente devido às condições de chuvas constantes nas regiões produtores na época da safra, causando aumento da oferta instantânea no mercado;
  • Previsão quebra de safra na soja Argentina, devido a eventos de seca;
  • Incertezas na definição de taxas de juros pelo governo brasileiro, causando instabilidades nas previsões de marcadores econômicos como o PIB e a inflação;
  • Anúncio de greve dos trabalhadores do sindicato de inspetores de grãos na Argentina, podendo influenciar a capacidade de exportação do país vizinho.

O valor atual do preço da soja para venda em maio de 2023, na bolsa Chicago, é de US$ 15,19/bushel. Esse valor equivale a cerca de R$ 170/saca. No Brasil, o indicador de mercado físico Esalq/B3 é de R$ 155,83/saca, no Porto de Paranaguá.

Previsões futuras

As condições climáticas para a safra norte-americana e a possível influência do El Niño nessas condições será um indicador dos preços futuros da soja. Ainda no cenário mundial, deverá haver nova comunicação sobre os resultados da safra da Argentina e do Brasil.

Isso também pode impactar os preços. Com a tendência da manutenção de alta nos preços de venda do farelo de soja, há esperança de que isso ajude a manter os preços dos grãos. 

No cenário brasileiro, espera-se que uma possível alta no dólar e diminuição da oferta da Argentina possam causar uma pequena elevação nos preços, no curto prazo.

Como vender melhor os grãos?

Existem inúmeras formas para obter mais rentabilidade na venda de grãos. E a diversificação dessas modalidades de comercialização pode diminuir seus riscos. Confira as principais operações para a venda de grãos:

Barter 

O termo barter significa “troca”. De forma prática, consiste em uma modalidade que envolve a troca dos grãos por insumos em geral. Esse tipo de negociação acontece com antecedência e não envolve dinheiro.

Hedge

O termo hedge significa “proteção”. Nessa modalidade, os preços são fixados antes da venda, também chamado de operação a termo. O objetivo dessa forma de comercialização é proteger o valor dos grãos devido à grande instabilidade do mercado.

Pré-fixação 

Nessa modalidade, o produtor negocia os grãos com alguma cooperativa ou empresa e “trava” preços. Normalmente entrega fisicamente o produto.

venda de grãos
(Fonte: Dinheiro Rural)

Venda a fixar 

Nessa modalidade, o comprador antecipa o pagamento, mas são descontados juros até a entrega dos grãos. A diferença entre o valor antecipado e os juros aplicados vira a remuneração do produtor rural. 

Essa modalidade não é muito indicada, pois não dá muito lucro ao produtor. Então, fique atento se vale a pena de acordo com as características do seu negócio rural.

Pré-pagamento

Nessa modalidade, o comprador paga os grãos com antecedência e os entrega pessoalmente. Nessa modalidade também existe cobrança de juros. 

Além dessas modalidades citadas acima, conhecidas como “mercados futuros”, vamos citar algumas outras opções que se enquadram em pré-pagamento:

Comercialização via cooperativas

Essa modalidade irá possibilitar ao produtor o desenvolvimento de um negócio integrado, facilitando o planejamento. Apesar de algumas vantagens na compra de insumos, nessa modalidade você tem menor liberdade na escolha de compradores e fornecedores. 

Comercialização via Tradings e Corretoras 

São as instituições as responsáveis pela negociação tanto nacional quanto internacional. Elas vão facilitar os processos de negociação e chegar a alternativas boas para os produtores e compradores. Contudo, elas cobram uma porcentagem para isso.

Internet 

Com a digitalização, inúmeras empresas responsáveis pela comercialização atuam via sites e redes sociais. Atualmente, por exemplo, a CBC agronegócios é um dos maiores sites de compras e vendas no agro.

venda de graos
(Fonte: Ideal)

5 dicas para melhorar sua venda de grãos

Antes de escolher a melhor modalidade para a venda de grãos, confira as dicas a seguir.

Planejamento

Realize o planejamento de sua safra sempre. Isso irá facilitar em todas as etapas da produção agrícola e, principalmente, na comercialização.

Gestão da propriedade

Tenha na sua equipe pessoas que entendam sobre os fatores que interferem nos preços dos grãos. Assim, você irá vender seus produtos agrícolas com mais tranquilidade.
Especialmente na colheita, é preciso ter uma gestão precisa da sua fazenda. Com o Aegro você pode fazer isso em alguns cliques.

Diversificação 

Diversifique as formas de comercialização. Assim, as chances de prejuízos vão diminuir. Para fazer isso, é claro, conte com ajuda de especialistas ou consultores que te ajudem a entender quais as melhores formas de comercialização para se utilizar em conjunto.

Perfil

Verifique qual o perfil de sua propriedade rural e quais modalidades de comercialização se enquadram melhor com seu empreendimento.


(Fonte: Olhar Direto)

Atenção ao mercado externo e interno

Fique atento em tudo que ocorre no setor e as perspectivas do agronegócio no Brasil e no mundo. Com essas dicas, tenho certeza que terá mais segurança na tomada de decisão no momento da venda!

Ganhe qualidade nas vendas com o Aegro

O primeiro passo para vender com mais qualidade e menor custo é um bom planejamento.

Com o Aegro você pode planejar suas atividades, custos, insumos e monitorar sua safra. Analise seu histórico de safras anteriores para identificar oportunidades de redução de custo e ações necessárias para melhorar a qualidade e produtividade da safra.

Além dos recursos oferecidos para planejamento e gestão, o Painel de Controle é seu grande aliado para identificar na gestão de suas vendas. No painel o sistema calcula o lucro esperado através das informações de produtividade, custo e valor projetado de venda. 

Assim, você pode identificar oportunidades para reduzir o custo e aumentar a produtividade para garantir um lucro maior, além de projetar diferentes cenários com base no valor de venda.

Ninguém merece ficar calculando na mão ou em planilhas, não é mesmo? Deixe que o software de gestão agrícola Aegro faça os cálculos para você!

painel de controle

Descubra o lucro esperado com o painel de controle do Aegro

Banner para baixar o kit comparativo de custos de safra

Conclusão

Após todo o esforço para garantir uma boa safra, é preciso também que a venda seja rentável. Neste artigo, você viu como realizar a venda de grãos de forma mais estratégica para conseguir driblar a instabilidade econômica.

Falamos sobre hedge, barter, comercialização via cooperativas e outras operações praticadas no mercado. Espero que com essas dicas você consiga realizar uma boa venda dos seus grãos!

Como você está planejando sua venda de grãos? Tem acompanhado as oscilações de mercado? Compartilhe este artigo com sua equipe para deixarem todos na mesma página.

Mosca-branca: como fazer o manejo eficiente

Atualizado em 10 de junho de 2022.

Mosca-branca: entenda como identificar, o que esta praga causa nas culturas agrícolas e como o seu controle pode ser realizado

A mosca-branca (Bemisia tabaci) é uma praga agrícola presente em diversas regiões produtoras no Brasil e no mundo. 

Ela causa danos e perda de produtividade em mais de 600 espécies, como soja, feijão e algodão. Por também atacar plantas daninhas, ela pode sobreviver na entressafra. 

Neste artigo, veja como a mosca-branca pode ser identificada, o que ela causa nas culturas agrícolas e como o seu controle pode ser realizado! Boa leitura!

Mosca-branca nas plantas 

A mosca-branca é um inseto sugador de seiva, dentre as quais a espécie Bemisia tabaci tem se tornado alvo de preocupação pelos problemas que pode causar às culturas agrícolas. 

Essa praga polífaga tem capacidade de se alimentar de diversas espécies de plantas e pode causar danos diretos e indiretos nas culturas, seja a partir da sucção da seiva das plantas, seja a partir da transmissão de viroses.  

Ela pode reduzir a produtividade das culturas de 20% a 100%, a depender da infestação.

Já foi observada se alimentando e se reproduzindo em mais de 84 família botânicas, sendo as de maior importância agrícola: 

  • Fabáceas ou leguminosas: soja, feijão, feijão-vagem, ervilha;
  • Cucurbitáceas: abóbora, abobrinha, melão, pepino, melancia;
  • Solanáceas: tomate, berinjela, pimenta, tabaco, batata;
  • Brássicas: repolho, couve, couve-flor, canola
  • Euforbiáceas: mandioca e daninhas;
  • Malváceas: algodão;
  • Asteráceas: alface e crisântemo;
  • Plantas ornamentais: hibisco, dentre outras.

O termo mosca-branca vem das características dessa praga, que possui asas brancas. Diferente das moscas comuns, as moscas-brancas pertencem à ordem Hemiptera e possuem dois pares de asas. 

Elas são da família Aleyrodidae e já foram registradas cerca de 1.550 espécies de 160 gêneros diferentes. Dentre as várias espécies existentes, Bemisia tabaci se tornou alvo de preocupação, especialmente pelo maior número de plantas hospedeiras.

A alta capacidade de reprodução em diferentes condições climáticas e a resistência a diversos inseticidas são outros motivos.

Biótipos de mosca-branca encontrados no Brasil

Para a espécie Bemisia tabaci biótipo B,  já há relatos de resistência a inseticidas, principalmente dos grupos dos organofosforados, carbamatos e piretróides.

Por ser uma espécie com grande diversidade genética, a maioria dos pesquisadores 

considera que existam diferentes biótipos.

Acredita-se que, no Brasil, ocorra uma maior incidência do Biótipo B (Middle East Asia Minor 1 whitefly – MEAM1).

Porém, já foram encontrada espécimes de mosca-branca B. tabaci Biótipo Q (Mediterranean – MED) no Sul do Brasil, no Centro-Oeste e no Sudeste.

mosca-branca

Adultos de mosca-branca em soja; nível de dano varia de acordo com a cultura

(Fonte: Mais Soja)

Como identificar a mosca-branca?

Para identificar a mosca-branca é necessário identificar os adultos e ovos, que normalmente ficam na parte de trás das folhas. Os adultos da mosca-branca possuem coloração amarelo-palha e medem de 1 mm a 2 mm. As fêmeas são maiores que os machos. 

No caso dos ovos da mosca-branca, eles têm formato de pêra e ficam agrupados nas folhas.

Quando em repouso, é possível observar também as asas brancas da mosca, levemente separadas. É possível observar o corpo do inseto, de coloração amarela característica.

Para identificar a mosca-branca na lavoura, fique de olho na coloração de cada fase do inseto: 

  • No primeiro ínstar, possui coloração branco-esverdeada, e formato do corpo plano.  
  • No segundo ínstar, apresenta coloração branco-esverdeada. 
  • No terceiro ínstar, as ninfas são ligeiramente transparentes, com coloração  verde-pálida a escura e olhos vermelhos.
  • No quarto ínstar, as ninfas têm formato oval e parecem ter uma cauda. Neste estágio, as ninfas são planas e transparentes e com olhos vermelhos visíveis.

Ciclo de vida

O ciclo de vida da mosca-branca dura entre 25 e 50 dias, sendo que em condições de temperatura e umidade ideais, pode gerar de 11 a 15 gerações por ano. Esse inseto possui quatro fases de vida: ovo, ninfa, pupa e adulto

Na primeira fase, ao eclodir, as ninfas são capazes de se locomover. Essa característica é essencial para o sucesso desse inseto. Afinal, quando as folhas não apresentam condições ideais, a ninfa se locomove para as mais adequadas ao seu desenvolvimento.

Logo em seguida, as ninfas se fixam nas folhas para sugar a seiva da planta até que se tornem adultas.

Cada fêmea tem capacidade de colocar entre 100 a 300 ovos durante seu ciclo de vida. Por isso, é importante monitorar a população deste inseto.

A duração do ciclo de vida da mosca-branca varia conforme a temperatura e a planta  hospedeira, principal fator para o desenvolvimento deste inseto.

Danos causados 

Os danos da mosca-branca nas culturas são causados por adultos e pelas ninfas do inseto. Eles introduzem o aparelho bucal no tecido da planta e injetam um tipo de toxina. Isso provoca alteração no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da cultura, reduzindo a produtividade.

Além disso, também excretam líquido açucarado, o “honeydew”, que induz o crescimento de fungos. Isso reduz a capacidade de fotossíntese da planta.

Porém, o maior perigo dessa praga agrícola está na transmissão de vírus que causam doenças bastante severas. Cerca de 120 espécies de vírus já foram descritas sendo transmitidas por mosca-branca B. tabaci:

  • vírus do mosaico comum em algodoeiro;
  • vírus do mosaico anão em soja;
  • vírus do mosaico crespo em soja;
  • vírus do mosaico dourado em feijoeiro.

Mais recentemente, foi detectada a transmissão de geminivírus por B. tabaci em lavouras de soja no Brasil.

Além dos danos causados, a mosca-branca ainda possui alta taxa reprodutiva, fácil dispersão e polifagia. O desenvolvimento de resistência à inseticidas é comum, o que contribui para a disseminação das doenças.

Danos da mosca-branca na soja

Os danos da mosca-branca na soja podem ser tanto diretos quanto indiretos. Além da sucção da seiva e injeção de toxinas que reduzem a produtividade e o desenvolvimento da soja, a mosca-branca é transmissora do vírus da necrose-da-haste.

A evolução da doença leva as plantas à morte.

Foto de haste da soja aberta e necrótica, causada pelo virus transmitido pela mosca-branca

 Necrose parcial à esquerda e total a direita, de medula em haste de soja, causada pelo vírus causador da necrose da haste da soja (Cowpea mild mosaic virus (CpMMV))

(Fonte: Almeida e colaboradores, 2003)

Em plantas de soja, os sintomas podem ser observados a partir de necrose nas brotações novas. As brotações novas se curvam e o broto adquire aspecto queimado.

Também é possível observar a necrose do tecido que liga a folha ao caule e a necrose na haste principal. A depender da cultivar, algumas plantas podem apresentar desenvolvimento reduzido e deformação da folha, com aspecto de bolhas.

Considerando todos esses danos, o controle da mosca-branca na soja é essencial.

Danos da mosca-branca no algodão

Entre os danos da mosca-branca no algodão, o principal dano causado é a secreção de substâncias que favorecem o fungo causador da fumagina

A fumagina é um fungo de coloração escura que ocorre em hastes, ramos, folhas, frutos e capulhos. Ele recobre todos os tecidos da planta, reduzindo a capacidade de fotossíntese.

Além disso, o fungo causa mela no algodão. Esse fator reduz o valor comercial das fibras do algodão, pela dificuldade no processamento.

Monitoramento da mosca-branca nas áreas de cultivo

O monitoramento da mosca-branca deve ser realizado com amostragens de plantas no campo. O uso de armadilha para mosca-branca também é interessante. São usadas armadilhas amarelas  para captura de insetos adultos.

É importante ficar de olho na localização onde a mosca-branca ataca na hora do monitoramento:

  • No terço inferior das folhas, são comuns as ninfas de 2º, 3º e 4º instares;
  • No terço mediano, encontram-se predominantemente ninfas de 1º, 2º e 3º instares;
  • No terço superior é possível encontrar ovos e ninfas de 1º e 2º instares, além de adultos.

O monitoramento das plantas deve ser realizado com frequência. Inspecione o terço inferior, superior e mediano das folhas, na 3ª ou 4ª folha de cima para baixo. 

O controle deve ser realizado assim que o inseto for detectado na área.

Para a soja, quando cinco ninfas forem encontradas por amostra de folha, você deve iniciar o controle químico. O mesmo vale para a presença de adultos da mosca-branca na área de cultivo.

No algodão, este número é reduzido. O controle deve começar ao identificar pelo menos três adultos por folha.

Como controlar a mosca-branca?

É  muito provável que você comece com o controle químico para acabar com a mosca-branca na lavoura. Isso não é errado, mas é importante considerar outras táticas de manejo, de acordo com o MIP (Manejo Integrado de Pragas.

Isso serve até mesmo para não ter problemas futuros como resistência das pragas aos inseticidas.

Controle cultural

O controle cultural pode ser feito antes, durante e depois do cultivo e inclui:

  • Fazer o plantio com mudas sadias e utilizar sementes certificadas;
  • Uso de armadilhas para reduzir a população da praga (armadilhas adesivas amarelas para monitorar a população do inseto na área, ou uso de armadilhas luminosas);
  • Manter a lavoura livre de plantas daninhas hospedeiras de mosca-branca;
  • Eliminar restos culturais para impedir o ciclo da praga;
  • Barreiras vivas para impedir ou retardar a disseminação de adultos pelo vento;
  • Eliminar plantas que estejam contaminadas com vírus
  • Uso de cultivares resistentes (observar se a resistência é para a espécie que está ocorrendo na lavoura e até mesmo para o biótipo);
  • Vazio sanitário entre culturas hospedeiras;
  • Uso de coberturas repelentes.

Controle químico

O controle químico com uso de inseticidas para mosca-branca registrados deve ser realizado considerando a rotação de modos de ação diferentes.

Alguns desses conhecidos venenos para mosca-branca, devido ao uso contínuo, perderam a eficiência devido ao desenvolvimento da resistência

Segundo o Agrofit, os seguintes grupos químicos e ingredientes ativos registrados podem ser utilizados em rotação para o controle da mosca-branca: 

  • Piretroides como o lambda-cialotrina, o alfa-cipermetrina. No entanto, este grupo é de amplo espectro de ação;
  • Tiadiazinona como buprofezina;
  • Neonicotinoide como acetamiprido, acetamiprido, dinotefuram, tiametoxam;
  • Sulfoxaflor como sulfoxaminas.

Sempre verifique se o produto tem registro para a cultura em que você queira controlar a mosca-branca. Para a cultura da soja, os inseticidas de maior eficiência nas últimas safras foram os à base de:

  • Imidacloprido + piriproxifem;
  • Diafentiurom + bifentrina;
  • Acetamiprido + piriproxifem;
  • Ciantranliprole, 
  • Sulfoxaflor (dose de 144 gramas de ingrediente ativo por hectare); 
  • Acetamiprido + piriproxifem e;
  • Abamectina + ciantraniliprole.

Antes de fazer o controle químico, fique de olho nos seguintes detalhes: não utilize controle preventivo, sem a presença de insetos na lavoura. Essa prática reduz a população de inimigos naturais e causa o desperdício de produto.

Além disso, a rotação de ingredientes ativos e o uso da dose recomendada é indispensável para um manejo eficiente.

A observação da fase predominante do inseto também é fundamental, pois alguns inseticidas possuem controle efetivo de uma fase e da outra não. Você pode precisar fazer a associação de ingredientes ativos.

A observação das condições climáticas no momento da aplicação também são necessárias (vide recomendações da bula).

Controle biológico

O controle biológico da mosca-branca pode ser feito de maneira natural. Você deve fornecer condições para que os insetos benéficos possam permanecer na área.

O uso de inseticidas seletivos vai contribuir muito para que isso aconteça. Você também pode liberar insetos produzidos em laboratório e comercializados, em épocas em que a população da praga estiver alta.

Existe uma variedade de inimigos naturais da mosca-branca. Predadores, parasitóides e entomopatógenos são alguns exemplos.

Controle com parasitóides

O controle biológico com parasitóides pode reduzir o número de aplicações de inseticidas químicos. Por isso, é essencial evitar o uso de produtos de amplo espectro. Priorize os inseticidas seletivos.

Os parasitóides recomendados para o controle da mosca-branca são:

  • De ninfas: Encarsia formosa;
  • De ovos de lepidópteros: Trichogramma pretiosum e Telenomus remus;
  • Adultos: afelinídeos dos gêneros Encarsiae e Eretmocerus;

Predadores

Além disso, predadores do inseto também podem ser utilizados. Dentre os principais, temos: 

  • Coleoptera: Espécies de joaninhas como Coleomegilla maculata e Eriopis connexa.
  • Hemiptera: Espécies das famílias Anthocoridae, Berytidae, Lygaeidae, Miridae, Nabidae e Reduviidae.
  • Neuroptera: Chrysoperla spp. e Ceraeochrysa spp.
  • Ácaros da família Phytoseiidae: Amblydromalus limonicus, Amblyseius herbicolus, Amblyseius largoensis, Amblyseius tamatavensis e Neoseiulus tunus.

Controle com fungos entomopatogênicos

Fungos entomopatogênicos também podem ser utilizados no controle biológico. Eles são fungos que ocorrem naturalmente, e são capazes de colonizar diversas espécies de insetos. Os principais produtos registrados são a base de:

  • Isaria fumosorosea: indicado para o controle apenas da mosca-branca;
  • Paecilomyces fumosoroseus: bastante eficiente para o controle de B. tabaci raça B, e para a cigarrinha-do-milho;
  • Beauveria bassiana, isolado IBCB 66*: além da eficiência contra a mosca-branca, também é indicado no controle da cigarrinha-do-milho, ácaro-rajado e do bicudo da cana-de-açúcar.

Produtos registrados para controle biológico da mosca-branca

Existem atualmente 55 produtos biológicos registrados para o controle da mosca-branca (B. tabaci biotipo B), em todas as culturas. Eles estão disponíveis no Agrofit.

Um dos principais é o Chrysoperla externa. Ele é indicado para uso em todas as culturas, especialmente em soja, algodão e tomate, onde a mosca-branca é um sério problema.

É um inseto da ordem Neuroptera. São popularmente conhecidos na sua fase larval como “bicho lixeiro”, pois utilizam os restos de suas presas para cobrir o seu corpo, como forma de camuflagem e defesa

Conforme indicação de uso, deve-se utilizar um predador para cada ninfa de mosca-branca identificada na amostragem da lavoura. Isso acontece em função do nível de infestação.

O Chrysoperla externa também é indicado para o controle do pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii), pulgão-verde-dos-cereais (Schizaphis graminum) e pulgão-verde (Myzus persicae).

Fique de olho na quantidade de C. externa  de acordo com a infestação de mosca-branca:

  • Nível de infestação baixo: 1 predador para cada 40 moscas: (este tratamento pode ser utilizado de forma preventiva, em áreas com histórico de ocorrência de mosca-branca);
  • Nível de infestação médio: 1 predador para cada 20 moscas;
  • Nível de infestação alto: 1 predador para cada 10 moscas.

A dose deve ser calculada em função das indicações da empresa fornecedora do predador, e da forma de liberação: ovos ou larvas. 

Além disso, na liberação de ovos  acrescenta-se 10% para cultivos em casa de vegetação, e 20% para liberações em culturas a campo.

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Conclusão

A mosca-branca é uma praga que causa infestações cada vez mais frequentes em diversas culturas de interesse econômico.

Além de causar danos diretos, também é vetor de vírus causadores de doenças. O uso de diversas táticas para o controle da mosca-branca é importante como forma de integração e para evitar resistência aos inseticidas.

Com as informações passadas aqui, espero que você tenha um ótimo controle da mosca-branca em sua propriedade.

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Inovações tecnológicas na agricultura que prometem aumentar seu lucro

Inovações tecnológicas na agricultura: como elas podem facilitar o dia a dia no campo e as melhores ferramentas para obter mais rentabilidade em sua fazenda

Na era da agricultura 4.0, considerada a maior inovação tecnológica no agronegócio, a transformação digital vem revolucionando as cadeias produtivas. 

Várias empresas vêm desenvolvendo pacotes tecnológicos, plataformas e aplicativos que facilitam o dia a dia no campo.

Você está por dentro das novas tecnologias que estão surgindo no mercado? Elas estão revolucionando o dia a dia no campo, e conhecê-las te ajuda a melhorar os processos na fazenda.

Acompanhe quais são as principais inovações tecnológicas no agronegócio, como elas funcionam e as tendências para o futuro. Boa leitura!

O que é inovação tecnológica no agronegócio?

A inovação tecnológica é o uso de técnicas modernas mais eficientes em substituição a técnicas obsoletas ou menos eficientes nas várias etapas da atividade agrícola.

As principais inovações tecnológicas na agricultura  incluem o uso de inteligência artificial, sensores, máquinas autônomas, drones e satélites. Ainda, envolvem a geração e integração de dados que permitem otimizar e aumentar a produtividade da lavoura.

Agora, veja detalhes de cada uma dessas tecnologias e como elas podem ser úteis para o seu trabalho.

Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial está relacionada ao uso de uma inteligência acoplada aos softwares dos equipamentos. Com o auxílio da IA, os softwares conseguem armazenar dados, entender as informações presentes nesses dados e tomar  decisões a partir deles.

Por meio de combinações de ferramentas, sistemas e softwares de gestão agrícola, é possível processar dados com mais rapidez e maior eficiência do que qualquer humano poderia realizar.

Por meio de dados provenientes do campo, os programas computacionais, por exemplo, poderão informar:

Telemetria e máquinas autônomas (smart machines)

A telemetria consiste na coleta de dados (metria) e compartilhamento remoto (tele) destes dados através de sistemas de comunicação.

Esses dados podem ser coletados através de sensores acoplados a máquinas, às plantas, ao solo, ou em estações meteorológicas, por exemplo.

Esses sensores podem trazer informações detalhadas sobre o estado e necessidade de manutenção de máquinas agrícolas. O mesmo vale para características de plantas e áreas da propriedade.

A capacidade de monitorar características das plantas e das áreas com as máquinas, de forma remota, diminui a necessidade de interferência humana. Isso tem sido um salto enorme na eficiência de processos agrícolas.

Os maquinários autônomos atuam baseados nos dados coletados pela telemetria. Eles podem executar funções sem a necessidade de interação humana. 

Foto de trator agrícola na fazenda, uma das maiores inovações tecnológicas na agricultura
Conceito de trator autônomo: uso dessa tecnologia é uma inovação no campo
(Fonte: I Profesional)

Além disso, é possível verificar e manter os trajetos feitos pelos maquinários ao executar atividades no campo. Isso diminui a compactação do solo, evita retrabalho e poupa combustível. 

Essa técnica, conhecida como tráfego controlado, já tem sido utilizada em diversas fazendas.

Pulverização inteligente 

O campo da pulverização agrícola está cada dia mais tecnológico. Os pulverizadores já possuem estações meteorológicas acopladas aos sistemas da máquina, e tudo isso contribui para uma economia de água cada vez maior.

De acordo com a velocidade do vento, umidade relativa do ar e temperatura, o equipamento mostra se as condições estão ideais para realização da operação.

O mercado de sensores está cada dia mais eficaz no controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Afinal, a redução do uso de agroquímicos e água é um dos maiores requerimentos na agricultura moderna.

Um exemplo desses sensores que merece destaque é o Weedit. Comercializado no Brasil pela Smart Sensing, o Weed-it é um produto de origem holandesa. É um sensor ativo e por isso possui luz própria, sendo possível execução de trabalho 24h por dia.

O Weed-it é um sistema de pulverização localizada formada por sensores de detecção de clorofila e válvulas. Elas aplicam os produtos somente onde há detecção de plantas daninhas

Essa tecnologia possibilita economia de até 95% de herbicida na aplicação, considerando uma velocidade de pulverização de até 25 Km/h. Isso sem alterar a pressão da barra ou tamanho de gotas, uma vez que utiliza válvulas de tipo PWM.

Máquina agrícola em campo, utilizando laser
(Fonte: Smart Sensing)

Drones e aviões agrícolas

Os drones já são uma realidade dentro de muitas propriedades agrícolas. Atualmente, eles são bastante utilizados com sensores acoplados para medição de características de plantas. A pulverização com drones tem sido cada vez mais presente.

Apesar dos limites de carga e o custo alto dos aviões, essas novas técnicas têm o benefício de serem mais eficientes. Tanto em termos do tempo de execução da tarefa quanto em relação à cobertura de áreas maiores.

Foto de drone em campo agrícola
Novos modelos de drones são cada vez mais presentes na agricultura digital
(Fonte: Pegn)

Biotecnologia, melhoramento genético e minicromossomos

Quando se fala em tecnologia, muito se pensa em máquinas e sistemas computadorizados. Porém, também há avanços de alta tecnologia na área da biologia e das plantas.

O melhoramento genético moderno tem usado técnicas cada vez mais avançadas com o uso de mini cromossomos e as técnicas de modificação genética como o Crispr

Essas tecnologias permitem que plantas com maior resistência a estresses e doenças e mais produtivas sejam uma realidade.

Além disso, o uso de bioestimulantes tem trazido bastante progresso às culturas, contribuindo para aumentos de produtividade.

Outra tecnologia importante são os hidrogéis fertilizantes, capazes de aumentar o armazenamento de água no solo. Eles também podem liberar nutrientes de maneira controlada durante o ciclo da cultura.

Finalmente, existem grandes avanços no uso de novas técnicas agrícolas como, por exemplo, a integração lavoura-pecuária-floresta. Isso diminui riscos da atividade, de maneira mais sustentável.

Internet das Coisas (IoT)

A internet das coisas está ligada à conexão dos equipamentos da fazenda com a internet. Com equipamentos conectados na internet, é possível a visualização em tempo real e acionamento remoto de sensores acoplados nas máquinas.

Dessa forma, é possível otimizar nossos sistemas produtivos. Com o auxílio da IoT, é possível conectar celulares às máquinas da fazenda e aos sistemas eletrônicos da propriedade. 

É possível fazer o rastreamento de animais nos pastos, acompanhar a localização dos equipamentos e das atividades operacionais de campo de qualquer lugar do mundo.

Um dos principais benefícios da IoT é trazer a fazenda para a palma da mão dos donos, gerentes ou gestores das atividades. 

Esse avanço tecnológico facilita o acompanhamento remoto de diversas operações que estão ocorrendo de maneira simultânea, e às vezes, até em fazendas de cidades diferentes.

Big Data

O Big Data, como é conhecido, nada mais é do que um conjunto de dados robusto.

Geralmente podem ser de dados gerados, captados ou até mesmo compartilhados por pessoas ou empresas.

Eles são gerados por meio de serviços ou produtos tecnológicos como aplicativos e plataformas. Esse conjunto de dados pode vir de diversas fontes como: 

  • informações de sensores conectados ao solo ou às plantas;
  • sensores de das máquinas;
  • satélites;
  • estações meteorológicas;
  • dados climáticos;
  • telemetria métricas da lavoura;
  • mídia social, etc.

Saber utilizar os dados armazenados em sistemas de Big Data te dá uma série de vantagens. Você consegue melhorar a gestão da propriedade, planejar decisões, entender o mercado, clima, e as reações das nossas lavouras aos diferentes manejos propostos. 

Softwares de gestão agrícola

Tela do software aegro, na aba de informações gerais
O Aegro reúne uma das inovações tecnológicas na agricultura mais úteis e fáceis de usar
(Fonte: Aegro)

O Aegro é um software agrícola que faz com que toda a enorme quantidade de informações da fazenda se traduza em uma gestão agrícola bem feita.

O futuro da tecnologia na fazenda

O nível de inovação em várias áreas do conhecimento tem sido enorme. Porém, é certo que muitas das tecnologias citadas aqui serão cada vez mais robustas e presentes no dia-a-dia do produtor.

Abaixo citamos alguns aspectos que devem apresentar evoluções tecnológicas no futuro próximo:

  • Smart farms: as “fazendas inteligentes” agregaram várias das tecnologias acima citadas, permitindo um controle remoto e em tempo real de atividades, com diminuição da necessidade da interação humana;
  • Robótica: algumas atividades repetitivas e trabalhosas poderão ser executadas por robôs ou máquinas automáticas, assim como os maquinários autônomos;
  • Impressoras 3D: essa tecnologia pode permitir a impressão de peças de reposição para maquinários na fazenda, diminuindo a espera e necessidade de monitoramento extensivo de estoque;
  • Agtechs: as empresas que apresentem soluções digitais para os avanços requeridos no meio agro já são uma realidade e no futuro elas tendem a ser mais importantes ainda. 
  • Produção integrada: os sistemas integrados para produção de alimento e energia por meio de uso de painéis solares retráteis serão uma realidade. Isso acaba diminuindo estresses potenciais, distribuindo recursos hídricos mais inteligentes e aumentando a eficiência do uso de água e radiação solar;
  • Foco no consumidor: tecnologias, como o blockchain, permitem maior rastreabilidade do produto, do campo à mesa serão o futuro da produção agrícola para nichos específicos. Nessas tecnologias, o consumidor pode escolher a origem do seu produto de acordo com as características da propriedade que o produz. 

Conclusão

Os avanços tecnológicos são uma realidade sem volta e com desenvolvimento em velocidade altíssima.

Várias empresas e startups vêm desenvolvendo pacotes tecnológicos, plataformas e aplicativos que utilizam IA e Big Data para otimizar os sistemas de cultivo.

Cabe a cada fazenda decidir qual modelo tecnológico melhor se encaixa no dia a dia do campo. As propriedades precisam se preparar para implementar pacotes tecnológicos em seus sistemas produtivos.

Esteja preparado(a) para inovar e utilizar algumas dessas tecnologias em sua propriedade!

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redator João Paulo Pennacchi

Atualizado em 15 de julho de 2022 por João Paulo Pennacchi.

João é engenheiro eletricista formado pela UNIFEI e engenheiro-agrônomo formado pela UFLA. Mestre e doutor em agronomia/fisiologia vegetal pela UFLA e PhD em ciências do ambiente pela Lancaster University

Manejo de fósforo para plantas: Tudo o que você precisa saber

Fósforo para plantas: Como fazer a aplicação correta e na melhor época para obter maior produtividade na sua lavoura.

O fósforo é um macronutriente essencial para o desenvolvimento e crescimento das plantas. O fornecimento inadequado também um dos maiores limitadores da produção.

Nossos solos têm pouco desse nutriente e o aproveitamento da planta após aplicações nem sempre é eficiente.

Então, conhecer melhor as formas, fontes, época e local ideal de aplicação são boas estratégias para manejar esse fósforo para plantas e obter ganhos produtivos. Confira a seguir!

Função do fósforo para plantas

O fósforo (P) é um macronutriente primário, sendo tratado como essencial por estar intimamente ligado ao desenvolvimento e crescimento da planta.

Ele é responsável pelo armazenamento e transferência de energia como, por exemplo, a glicose, frutose e ATP.

Faz parte ainda da constituição dos nucleotídeos e participa das membranas fosfolipídicas.  O fósforo é um componente vital!

Notando sua importância, podemos dizer que, quando o solo apresenta deficiência de P, ocorre uma limitação direta na produção. Destaca-se dentre os demais nutrientes quando estamos falando de limitação produtiva.

E porque nosso solo é tratado como pobre em P?

Nosso solos são fortemente intemperizados devido às nossas condições climáticas. E, como consequência disso, são ricos em óxido de ferro e alumínio – e de baixa fertilidade.

O P é fixado nesses óxidos ficando, desta forma, indisponíveis para as plantas absorverem o fósforo. Ou seja, não ficam na solução do solo.

É importante ressaltar que, em solos com maiores teores de matéria orgânica (MO), encontram-se quantidades significativas de fósforo.

Além disso, essa MO atua também como agente quelante, se ligando ao ferro, evitando a formação de fosfato de ferro, uma forma fixada que não é absorvida pela planta.

E qual a melhor época para a aplicação de fósforo para plantas? Veremos seguir!

fósforo nas plantas
Respostas de algumas culturas a doses de fertilizantes fosfatados solúveis em água aplicados a lanço e incorporados em latossolo argiloso do Cerrado, com disponibilidade de fósforo muito baixa
(Fonte: IPNI)

Épocas de aplicação do fósforo para plantas

O P é um nutriente exigido em pequenas quantidades pelas plantas. Porém, a aplicação normalmente é feita em grandes quantidades, visto que ele tem grande capacidade de se fixar (ligar) a outros elementos, se tornando mais insolúvel.

Trabalhos mostram que, no solo, o fósforo é pouco móvel. Isto porque, em solos com pH alto, ocorre a formação de fosfato de Ca. E, quando baixo (solo ácido), ocorre a formação de fosfato de Al e Fe.

Dessa maneira, a disponibilização de P deve ser feita em solos com o pH em torno de 5,5 a 6,5.

Assim, para suprir a quantidade de fósforo nas plantas, é recomendável a aplicação na semeadura e/ou plantio. É preciso posicionar essa adubação ao lado da semente ou abaixo da mesma, chamada também de aplicação de arranque.

E porque essa aplicação tão no início da cultura?

Isso pode ser justificado devido à exigência de energia demandada para que a planta cresça. E caso haja limitação, isso pode comprometer a produção.

Quando feita a aplicação na época certa, os resultados de produção são notórios tanto em solos deficientes quanto em solos com P relativamente alto.

Local de aplicação de fósforo para plantas

O local de aplicação faz diferença quando se trata de fósforo para plantas.  Ele é essencial para um sucesso produtivo.

Quando estamos falando de fosfatagem corretiva, aplica-se em área total com incorporação. Isso para tentar chegar à quantidade adequada de fósforo.

Já quando estamos falando de adubação de manutenção, realiza-se de forma localizada no solo, visando a aplicação próximo à região das raízes. Isso é tido como crucial para o crescimento da planta.

Então, como você pode notar, o local de aplicação está influenciado pela fertilidade do solo e posicionamento radicular.

Mas, vale ainda dizer que existem fungos chamados micorrízicos que, em associação com as raízes das plantas, conseguem ampliar a área de absorção da rizosfera.

Tal condição permite uma maior busca pelo fósforo na solução do solo.

fósforo nas plantas
Plantas de arroz sem (-P) e com (+P) fósforo
(Fonte: Embrapa)

Fontes fosfatadas

Os fertilizantes são oriundos de rochas fosfatadas, onde o mineral predominante é a apatita.

A rocha mais comum é a fluorapatita, porém, para fazer esse P ficar mais solúvel e disponível para as plantas, são necessários tratamentos ácidos e de temperatura nessas rochas.

A seguir irei elencar alguns dos fertilizantes fosfatados:

Fosfato natural

Normalmente de baixa eficiência agronômica devido à baixa solubilidade do fósforo em água.

Superfosfato simples

É advindo de um tratamento de rocha fosfatada com ácido sulfúrico. Desta maneira, quando realizada a fosfatagem com esse fertilizante, realiza-se uma gessagem “conjunta”.

Superfosfato triplo

No superfosfato triplo ocorre o tratamento da rocha com altas doses de ácido sulfúrico e ainda há a separação do gesso, que se torna um subproduto. Contém menos cálcio e não contém enxofre comparado ao superfosfato simples.

Termofosfatos

Fertilizante obtido do tratamento térmico das rochas fosfatadas. É importante em fosfatagem corretivas em solos levemente ácidos, pois, além de disponibilizar fósforo, ainda tem o poder neutralizante da acidez.

Fosfatos de amônio

Adubo advindo da reação do amônio e do ácido fosfórico, formando o MAP ou DAP, ambos bastante solúveis.

Ácido fosfórico

Normalmente utilizado como constituinte de outros adubos fluidos.  

fósforo nas plantas
(Fonte: Do Autor)

Doses recomendadas

As doses recomendadas para cada cultura dependem da condição que o solo está e da produtividade desejada.

fósforo nas plantas
(Fonte: Furtini Neto et al., 2001)

A produtividade sempre estará vinculada à quantidade aplicada. Ou seja, produtividades mais grandiosas vão requerer maiores aplicações. É neste ponto que entra o planejamento de custo e benefício!

Abaixo separei um quadro das necessidades do milho:

fósforo nas plantas
(Fonte: Furtini Neto et al., 2001)

Para estimarmos essas dosagens, recomenda-se sempre consultar os boletins de cada Estado e trabalhos acadêmicos, que vêm atualizando os valores para o suprimento adequado.

Sintomas de deficiência e toxicidade

Diferente do seu comportamento no solo, o fósforo na planta é móvel, ou seja, consegue ser redistribuído pelo floema da planta.

Portanto, os sintomas de deficiência se manifestam primeiramente nas folhas mais velhas.

Sua tremenda importância quanto ao crescimento da planta, como já citado anteriormente, é o primeiro sintoma, pois causa retardamento no crescimento da planta.

Nas folhas, os sintomas são: cor amarelada, pouco brilho, cor verde-azulada, chegando até a ficar rígida.

Em plantas de milho, a ausência de fósforo é manifestada pela coloração arroxeada das folhas devido ao acúmulo de açúcares que favorecem a produção de antocianina (pigmento roxo vegetal).

Casos de toxidez são bem raros. Os nossos solos são bem pobres deste nutriente devido a seu avançado grau de intemperização.

fósforo para plantas
Lavoura de milho com plantas deficientes de fósforo
(Fonte: INPI)

Conclusão

Para uma boa produção, é necessário que o fornecimento de nutrientes esteja adequado.

E o fósforo é fundamental, nesse balanço, visto sua importância e funcionalidades.

Para melhorar sua produtividade, você viu aqui como deve ser o manejo do fósforo para plantas, explorando seu potencial produtivo.

Também citamos as respostas das plantas quando em situação de deficiência desse nutriente.

Espero que você consiga fazer, assim, o melhor manejo do fósforo em sua propriedade e obtenha ótimos resultados!

>> Leia mais:

“Deficiência de fósforo no milho: como identificar e resolver?”

Veja (de uma vez por todas) como fazer fosfatagem na sua fazenda

Como fazer manejo de fósforo para aumentar a produção de cana

Você se atenta ao fósforo na sua lavoura? Restou alguma dúvida de como disponibilizar o fósforo para plantas? Deixe seu comentário!

O guia da interpretação da análise de solo

Interpretação da análise de solo: qual a utilidade, como coletar as amostras, aspectos que devem ser considerados e mais!

Para obter grande produtividade agrícola, é importante que a recomendação de calagem e adubação seja determinada pela análise de solo. Além disso, as exigências nutricionais da cultura precisam ser consideradas e devidamente supridas.

Os resultados da análise de solo possibilitam definir o tipo e a quantidade de calcário e fertilizantes, o modo e melhor época de aplicação.

Você sabe interpretar uma análise de solo? Neste artigo, saiba qual é a utilidade da análise de solo, pontos importantes a considerar na análise de terra e muito mais! Boa leitura.

Como é feita uma análise de solo completa?

A análise de solo tem como objetivo averiguar a fertilidade do solo, identificando a presença de acidez e de elementos tóxicos para as plantas. Ela também indica a textura do solo pela relação dos teores de argila, silte e areia. 

É importante que toda recomendação de adubação e calagem seja orientada pela análise do solo. Somente a partir dela é possível determinar a disponibilidade dos nutrientes e a quantidade de corretivos e adubos necessários para o bom desenvolvimento da cultura.

Além disso, os resultados dessa análise contribuem na escolha das espécies mais adaptadas às condições de solo da área amostrada.  

O fornecimento dos fertilizantes na proporção correta contribui para altas produtividades, reduz os custos de produção e também reduz os impactos ambientais causados pela aplicação de adubos em excesso

Na análise de solo completa, são avaliadas as características físicas e químicas da amostra. Veja a seguir quais as análises laboratoriais feitas na caracterização do solo.

Análise física

A análise física caracteriza o solo quanto a proporção entre os teores de areia, silte e argila. Ou seja, nessa avaliação é determinada a textura do solo.  Não há a necessidade de realizar a análise física do solo mais de uma vez

Isso porque a  textura do solo é uma das propriedades que menos sofre alteração ao longo do tempo. Porém, caso você não conheça a textura do solo onde será instalada a lavoura, é recomendado fazer essa avaliação. 

Conhecer a textura do solo é fundamental para fins de manejo. Esse atributo influencia em diversos fatores, como:

  • aeração do solo;
  • nutrição das plantas;
  • interpretação do teor de fósforo;
  • taxa de infiltração de água;
  • capacidade de retenção de água;
  • aderência das partículas do solo.

Análise química

A análise química do solo tem o objetivo de determinar a fertilidade do solo. Ou seja, a capacidade que determinado solo tem de fornecer nutrientes para as culturas agrícolas.  

Nessa avaliação são utilizados extratores químicos que simulam a extração dos nutrientes pelas plantas. Dessa forma, é possível quantificar quais os macro e micronutrientes estão disponíveis. 

Na análise química também são definidas as acidezes ativa, trocável e titulável, a CTC do solo e o teor de matéria orgânica. Assim, as recomendações de calagem e adubação são feitas de acordo com as condições do solo e da exigência nutricional da espécie.

Como fazer análise de solo?

Para que os resultados da análise de solo sejam confiáveis e representativos, alguns cuidados precisam ser tomados. Veja a seguir algumas dicas para não errar na análise de solo.

Qual é a época ideal para o processo?

A análise do solo deve ser realizada alguns meses antes da implantação da lavoura. No caso das culturas anuais, essa avaliação pode ser feita na entressafra, cerca de três meses antes do início do plantio.

Assim há tempo para planejar, adquirir os insumos e executar as operações pré-plantio como calagem e gessagem, conforme os dados da análise. Para as culturas perenes, a análise de solo deve ser realizada logo após a colheita.

Como fazer a coleta do solo para análise?

É fato que não há como analisar todo o solo da propriedade rural. Para isso, são retiradas amostras representativas da área a ser cultivada.  Se a coleta da amostra de solo não for realizada da maneira correta, os resultados da análise não serão confiáveis.

Quanto mais heterogênea a área, maior o número de pontos de amostragem. Para a coleta das amostras é preciso dividir a área em glebas homogêneas de até 20 hectares. Essa divisão deve considerar:

  • textura do solo;
  • coloração;
  • topografia;
  • vegetação;
  • sistema de cultivo;
  • adubação;
  • calagem anteriores. 

De cada gleba serão coletadas 20 subamostras (amostras simples). Elas serão misturadas para formar a amostra composta e a partir dela uma porção será enviada para análise no laboratório.

Passo a passo de como coletar amostras de solo
Passo a passo de como coletar amostras de solo
(Fonte: Calcário Solo Fértil)

Qual a profundidade da amostragem?

Em áreas sob sistema de plantio direto, sistema de integração lavoura-pecuária e pastagens, as amostras devem ser retiradas de forma específica. Faça isso nas camadas de 0 cm a 10 cm e 10 cm a 20 cm de profundidade.

Já em lavouras conduzidas sob o sistema de plantio convencional, a profundidade da amostragem é de 0 cm a 20 cm. Maiores profundidades de amostragem (20 cm a 40 cm e 40 cm a 60 cm) são usadas para detecção de deficiência de cálcio e toxidez por alumínio.

Como escolher o melhor laboratório de análise?

Quem faz a análise do solo são os laboratórios especializados, e escolher o ideal é fundamental para garantir assertividade no processo.

A escolha do laboratório de análise do solo que realizará as análises físico-químicas  também é uma etapa muito importante. Resultados errados levam a erros de interpretação da análise de solo. As amostras devem ser confiadas a um laboratório de confiança

Qual a frequência de análise?

Para as culturas anuais, o ideal é fazer a análise química do solo anualmente. Apesar disso, é comum que alguns produtores façam essa avaliação a cada 2 ou 3 anos. 

Em áreas intensamente cultivadas ou com problemas de fertilidade, a orientação é fazer a análise química do solo com maior frequência.

Como interpretar análise de solo?

A interpretação dos resultados da análise de solo é uma atividade complexa. A recomendação de calagem e adubação deve ser feita considerando alguns fatores como:

  • região da área analisada;
  • histórico da área;
  • profundidade da amostragem;
  • sistema de cultivo;
  • produtividade esperada;
  • exigência nutricional da cultura;
  • recursos financeiros disponíveis.

Erros envolvendo a super ou sub dosagem de corretivos e fertilizantes podem comprometer o desenvolvimento das plantas. Assim, em caso de dúvidas, o melhor a fazer é consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Agora, veja como interpretar os indicadores da análise do solo.

Acidez ativa ou pH

O pH do solo influencia diretamente na absorção dos nutrientes

Valores mais altos de pH reduzem a disponibilidade de micronutrientes como cobre, ferro, manganês e zinco. O pH mais ácido diminui a disponibilidade de molibdênio, cloro e boro, além de aumentar a solubilidade do alumínio.

Para a maioria das culturas, o índice de pH indicado é entre 6 a 6,5. Confira no gráfico a seguir a disponibilidade dos macro e micronutrientes tendo como referência o pH do solo.

Disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo
Disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo
(Fonte: Incaper)

Calagem 

Existem diferentes métodos para determinar a calagem do solo. Esses métodos variam sobretudo de acordo com a porcentagem de argila, teor de cálcio e magnésio e da CTC do solo. Ainda, eles variam conforme o PRNT.

O PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) informa a qualidade do calcário. Esse indicador tem valor diferente de 100% e precisa ser corrigido utilizando o fator de correção (f) como demonstrado na fórmula abaixo:

  • f = 100 dividido pelo PRNT

Para determinar a quantidade de calcário no solo, você pode utilizar planilhas editáveis, como a da Aegro. Clique na imagem abaixo para acessar gratuitamente esse material que te ajuda no cálculo de calagem:

Adubação com NPK

No caso do nitrogênio, a resposta à adubação depende da cultura. Assim, a adubação com NPK é feita com base na produtividade esperada.

O teor de fósforo no solo varia em função do teor de argila, podendo ser classificado como muito baixo, baixo, médio, adequado ou alto. Você pode consultar as recomendações desses nutrientes dependendo da sua região, como o Boletim 100 e a 5a Aproximação.

Essas recomendações te auxiliam no planejamento e na tomada de decisão, mas tenha em mente que cada caso é um caso. Ou seja, não existe receita. As estratégias de correção e adubação dependem da análise de solo e do histórico de manejo da área.

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Conclusão

A análise química do solo é utilizada para determinar a fertilidade e a presença de alumínio tóxico. Já a análise física define a textura do solo.

Para realizar uma boa análise de solo se atente a época da avaliação, ao modo de amostragem, a profundidade de amostragem e ao laboratório que irá fazer as avaliações. 

A correta interpretação dos resultados da análise de solo é fundamental para obter altas produtividades. Somente por essa avaliação é possível determinar a real fertilidade do solo. Em caso de dúvida, não deixe de consultar uma pessoa especialista da agronomia.

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