Como escolher o melhor trator agrícola para a realidade de sua fazenda

Trator agrícola: veja os principais nas categorias de pequeno, médio e grande porte e mais dicas de como escolher o melhor para sua propriedade

Utilizar uma frota mal dimensionada pode encarecer a operação na propriedade. Além disso, utilizar a máquina errada também pode trazer problemas e prejuízos.

Tratores pequenos e compactos são ideais para o dia a dia no campo. Porém, eles não servem para operações que demandam maiores fontes de potência. 

Por outro lado,  tratores grandes e robustos gastam muito combustível para utilização em atividades cotidianas. Assim sendo, eles podem apresentar custos fixos elevados.

Para te ajudar a escolher o trator agrícola ideal para a sua propriedade, reunimos os melhores tratores agrícolas de cada categoria (pequeno, médio e grande porte), além de te oferecer outras dicas. Boa leitura!

O que é um trator agrícola?

Os tratores agrícolas são máquinas multifuncionais utilizadas em diversas atividades, como na agricultura. O trator agrícola é uma máquina projetada para transformar a energia química em energia mecânica útil para a realização de trabalho.

Essa energia útil pode ser utilizada para as mais diversas funções no campo. Essas máquinas agrícolas podem ser classificadas de acordo com os seguintes critérios: tipos de rodado e chassi. De acordo com os tipos de rodado, eles podem ser:

  • De 2 rodas: chamado também de trator de rabiça, esse tipo de trator necessita que o operador auxilie no processo motriz, caminhando atrás do implemento agrícola;
  • De 3 rodas: mais comumente usado em cultivos em linhas, esse tipo de trator conta com duas rodas traseiras e uma pequena dianteira;
  • De 4 rodas: o mais utilizado na agricultura, ele possui 2 rodas traseiras e duas dianteiras. Esse trator pode ser ainda dos tipos 4RM ou 2RM. Os tratores de 2 RM tem duas rodas traseiras e duas rodas dianteiras menores, apenas para direcionamento. Já o 4RM tem as 4 rodas grandes motrizes;
  • De esteira: são tratores que não tem rodas propriamente ditas, mas sim um sistema motriz baseado em uma esteira.

De acordo com o tipo de chassi, os tratores podem ser classificados em: rígidos ou articulados. Os tratores articulados permitem uma maior transferência de potência do trator para o solo, aumentando a capacidade de tração. 

Porém, eles normalmente apresentam menor versatilidade para acoplamento de implementos e maior dificuldade de manobras.

Tratores Pequenos (até 100 cv)

São conhecidos por serem utilizados em todos os tipos de propriedades por conta da sua versatilidade. Os tratores pequenos são equipamentos mais estreitos, ideais para atividades como cultivo de frutas, granjas e lavouras de café.

Além disso, podem ser acopladas lâminas dianteiras, pulverizadores agrícolas no engate de três pontas ou até mesmo equipamentos de arrasto.

Tratores dessa categoria possuem cerca de 55 cv e 100 cv. Por serem compactos, são muito versáteis e bastante eficientes, seja em peças de reposição como no consumo de combustível. Nessa categoria, os tratores que merecem meu destaque são:

Trator Agrícola: Massey Ferguson 4707 (75 cv)

Esse trator vem se destacando no mercado pela possibilidade de sair configurado cabinado ou não, dependendo da necessidade dos clientes. Esse modelo foi o vencedor da categoria até 100 cv na Agrishow 2021.

Com motor aspirado AGCO Power de 3 cilindros e turbo intercooler, o equipamento merece destaque pela sua capacidade de entrega de potência. Ainda, merece destaque pela grande eficiência no consumo de combustível.

O sistema hidráulico também proporciona fluxo máximo de 65l/min a uma pressão de 200 bar. Ela é ideal para atividades cotidianas de fazendas de silagem e grãos. E, ainda, oferece capacidade de opcional de telemetria para melhor gestão do equipamento.

(Fonte: Vale Rural)

John Deere 5078E (78 cv)

Esse é um trator muito versátil, que pode ser tanto cabinado quanto plataformado. Ele é ideal para realização de grande parte das operações diárias das propriedades de médio porte.

Ele possui um motor aspirado de 4.5L que fornece potência e eficiência em consumo de combustível. Essa característica une desempenho e qualidade durante todo o trabalho.

Para os produtores que adquirirem este equipamento em uma das concessionárias da rede, o fabricante fornece garantia de 3 anos ou 2000h de uso. Isso, é claro, desde que sejam seguidas as manutenções do trator com peças e serviços via concessionário.

Ela também conta com equipamentos passíveis de acoplar lâminas ou carregadores frontais, roçadeiras ou outros acessórios disponíveis. Esses acessórios são compatíveis com os presentes no mercado de máquinas e implementos agrícolas.

(Fonte: John Deere)

Valtra A94 (99 cv)

O Valtra A94 (99 cv) foi vencedor do prêmio “Trator do Ano”, na Agrishow 2019, em sua categoria de até 100 cv. Esse trator também é equipado com um motor aspirado AGCO Power de 3 cilindros e turbo intercooler, destacado pela eficiência e qualidade.

Assim, o Valtra A94 possui controle remoto no acionamento do sistema hidráulico. Ainda, possui a capacidade de acionar duas válvulas a um fluxo máximo de 57l/min com uma pressão de 200 bar.

A caixa de transmissões 12×12 com reversão mecânica ou eletro-hidráulica garantem a eficiência e o alto rendimento. Esse trator também oferece capacidade opcional de telemetria para melhor gestão do equipamento.

Juntamente com o modelo A93F cabinado, eleito o trator especial do ano na Agrishow 2021, eles formam uma linha que tem grande apreço entre os produtores brasileiros.

trator
(Fonte: Valtra)

Tratores médios (100 cv a 200 cv)

Os tratores de médio porte podem variar em 100 cv a 200 cv dependendo da marca e modelo. São tratores com maior potência, melhor capacidade nos sistemas hidráulicos e na maioria dos casos, transmissões com maior durabilidade.

As vazões hidráulicas geralmente ficam em torno de 65 L/min a 120 L/min. É muito importante que você observe o conjunto de trator de implemento que será utilizado na propriedade.

Além disso, a maioria desses tratores também possuem itens de série ou opcionais tecnológicos. Eles asseguram melhorias nas operações realizadas em campo.

Massey Ferguson MF 7719 DYNA-6 (115 cv)

Eleito o melhor trator na categoria entre 100 cv e 200 cv na Agrishow 2021, esse trator é recomendado para uso em diversas culturas agrícolas e em várias condições de campo.

Ele é equipado com motor eletrônico AGCO Power de 6 cilindros e potência de 195 cv. 

É um trator que combina potência, resistência e controle, tendo ótimo aproveitamento para produtividade na lavoura. Por possuir um sistema eletrônico de transmissão, se torna um trator de ótimo controle, sendo bastante versátil para quem produz. 

Além disso, esse motor apresenta a possibilidade de operação combinada com o uso. Ao mesmo tempo, possui dois sistemas dianteiro e traseiro de levante.

(Fonte: Massey Ferguson)

Trator Agrícola: John Deere 6115J (115 cv)

O trator John Deere 6115J possui versatilidade para uso em culturas de grãos, pecuária e em plantação de cana-de-açúcar. Por ter porte médio, ele propicia força e consumo de combustível e, dessa maneira, o resultado é o baixo custo operacional.

Ele pode ser equipado com um pacote de luzes para o trabalho noturno, no qual são instaladas duas luzes de serviço na frente da cabine e duas voltadas para trás sobre os pára-lamas.

Além disso, são equipamentos passíveis de receber soluções de gerenciamento agrícola como piloto automático, telemetria e afins.

(Fonte: John Deere)

Case IH Puma 185 (182 cv)

O trator Case IH Puma 185 faz parte da categoria de linha de média potência. 

É um trator que pode ser utilizado em operações mais pesadas como preparo de solo e até mesmo como semeadora agrícola.

Com cabine ergonômica e amplo campo de visão, esse trator é bem versátil nas diversas operações agrícolas.

Sua transmissão semi-powershift seleciona a melhor marcha para a rotação escolhida e carga tracionada. Isso proporciona economia de combustível e de trabalho nas marchas adequadas.

Outra vantagem desse equipamento é a possibilidade de financiamento via Finame, como alguns de outras marcas.

(Fonte: Case)

John Deere 7200J (200 cv)

Esse trator da John Deere possui suspensão no eixo dianteiro, que aumenta o rendimento da produtividade em 8%. Devido à sua motorização, esse trator é ideal para operações mais pesadas que demandam maior força de tração.

Apesar de ter motores potentes, o sistema de injeção de combustível eletrônico de alta pressão é o Common Rail. Ele garante a melhor eficiência operacional e assegura bom consumo de combustível.

Assim, os tratores dessa linha já saem de fábrica com sistema JDLink e piloto automático. Isso serve para aumentar as eficiências produtivas e melhorar as eficiências operacionais.

Essa linha de tratores também possui um sistema conhecido como IMS (Sistema de Gerenciamento do Implemento), que permite gerenciar até 5 comandos:

  • Avanço das marchas;
  • Bloqueio do diferencial;
  • Tração dianteira;
  • Levante hidráulico;
  • TDP (Tomada de Potência).

Além disso, a série também possui opções canavieiras que contam com ajustes de bitolas de até 3 m. Isso evita o amassamento da soqueira de cana.

(Fonte: John Deere)

Tratores Grandes (acima de 200 cv)

Os tratores de grande porte devem ser comprados com bastante cuidado. Eles possuem grande fonte de potência e a sua ociosidade pode encarecer os custos da fazenda.

São tratores que variam em média de 200 cv a 400 cv. Eles possuem grande robustez e capacidade para operar em longas e exigentes jornadas de trabalho.

Grande parte dessas máquinas agrícolas já vêm equipadas de série com diversas ferramentas para agricultura de precisão, telemetria e conectividade.

Eles também contam com maiores vazões hidráulicas (cerca de 120 L/min a 180 L/min). Porém, consomem mais combustível devido à sua maior fonte de potência.

Trator Case Magnum AFS Connect 400 (400 cv)

Esse é o trator de grande porte mais aprovado pelos produtores brasileiros e foi o vencedor da categoria acima de 200 cv na Agrishow 2021. Ele é recomendado para grandes propriedades de produção de cana e grãos. 

Ele possui conectividade, o que permite seu uso com ferramentas tecnológicas de piloto automático, geolocalização e agricultura de precisão.

Além disso, essa máquina apresenta sistemas que aumentam sua eficiência e diminuem as emissões de gases e o uso de combustível. A telemetria e controle do trator também estão disponíveis ao usuário. 

(Fonte: Case)

Trator Agrícola: John Deere 8400R (400 cv)

Esse é um dos tratores mais potentes produzidos no Brasil e certamente um equipamento perfeito para trabalho em grandes extensões rurais. Afinal, elas necessitam de ótimos rendimentos operacionais.

Possui pneus duplos na traseira para garantir menor compactação do solo, maior tração e flutuação. Consequentemente, a manutenção dos pneus agrícolas é fundamental. 

Esse modelo de trator é equipado com uma transmissão E23 Powershift com gerador de eficiência, que assegura 16% mais economia. Além disso, ele é ajustado sempre para o ponto de maior eficiência e menor consumo de combustível.

Também pode ser equipado com um pacote de luzes de LED que garantem cobertura 360° e melhoria no trabalho noturno. Sendo assim, são 40% maior alcance e 45% menor consumo de energia.

O 8400R é um trator agrícola extremamente tecnológico, recebendo também o prêmio de trator do ano em sua categoria (acima de 200 cv) na Agrishow de 2019.

Se equipado com pacotes de agricultura de precisão como sistemas de direcionamento automático, realiza até as manobras de cabeceira de maneira automatizada.

(Fonte: John Deere)

New Holland T9.700 Smarttrax (682 cv)

A New Holland lançou um trator de esteira para grandes áreas com grande potência de tração. É um novo conceito de rodado que garante menor compactação e força de tração, mesmo em condições desuniformes de terreno.

Portanto, para grandes grupos que necessitam de ótimos rendimentos operacionais de centenas de hectares por dia, esses tratores maiores são excelentes opções.

Além de durabilidade e robustez, todos os rolamentos são blindados e lubrificados, o que acaba com a necessidade de lubrificação diária. Como o chassi é único dos rodados, não há necessidade de mecanismos complexos de alinhamento das correias.

No quesito tecnológico, os equipamentos desse trator agrícola são os melhores do mercado. Eles podem ser:

  • sistemas de direcionamento automático;
  • monitores inteligentes;
  • sistemas de telemetria;
  • controle de navegação;
  • Isobus para compatibilidade com implementos agrícolas diversos.
(Fonte: New Holland)

Trator agrícola: tipos existentes no mercado e como escolher o melhor equipamento

No ramo agrícola existe uma infinidade de tratores e marcas disponíveis no mercado, adequados para cada operação. 

Há marcas tradicionais que estão há anos no mercado brasileiro, como John Deere, New Holland, Massey Ferguson, Valtra, Case, Agrale e Yanmar. Entretanto, outras estão surgindo e caindo no gosto de alguns produtores.

Marcas como a italiana Landini, a sul-coreana LS e a indiana Mahindra estão inserindo seus produtos no mercado. Afinal, há alta demanda por equipamentos no Brasil. Mas no momento da compra do trator ideal para a fazenda, o pós-venda é um fator crucial.

Escolher uma revenda já conhecida na região ou que presta assistência, reparos e manutenção de tratores pode ser um diferencial na tomada de decisão

Equipamentos mais tecnológicos e com ferramentas de agricultura de precisão auxiliam na condução das lavouras. Entretanto, vale ficar de olho para saber utilizar e calibrar cada equipamento.

Assim, os dados coletados serão reais aos que vemos no campo. Caso contrário, o investimento será em vão.

Tecnologias de agricultura de precisão em trator agrícola

Os tratores podem ser preparados para receber kits de ferramentas para agricultura de precisão. No momento da compra, o ideal é que você saiba se pretende utilizar tais ferramentas e se o trator que você está pensando em adquirir pode receber esses sistemas.

Atualmente, as tecnologias mais comuns no mercado de tratores são sistemas de direcionamento automático. Eles são mais conhecidos como piloto automático e sistemas de telemetria.

Se sua intenção é trabalhar com essas ferramentas, a busca por um revendedor especializado com essas tecnologias será vital. Assim você garantirá o sucesso das suas lavouras e operações agrícolas.

Conclusão

No mercado existe uma infinidade de marcas e modelos de tratores agrícolas. Por isso, não adianta ter o trator agrícola mais caro e tecnológico do mercado se em nossa região não conseguirmos comprar as peças de reposição para o equipamento. 

No momento da compra, é ideal que se tenha o tipo de trabalho que o trator realizará em mente. Além disso, fique por dentro da capacidade de atendimento do concessionário local, bem como a reposição das peças.

Após estas dicas, espero que fique mais fácil identificar pontos positivos que ajudarão na escolha de seu trator agrícola ideal.

>> Leia mais:

Depreciação de máquinas: Todos os cálculos de forma prática

Qual tipo de trator agrícola você considera adequado para a sua fazenda? Já comprou algum trator e se arrependeu depois? Deixe seu comentário abaixo!

redator João Paulo Pennacchi

Atualizado em 12 de janeiro de 2023 por João Paulo Pennacchi.

João é engenheiro eletricista formado pela Unifei e engenheiro-agrônomo formado pela UFLA. Mestre e doutor em agronomia/fisiologia vegetal pela UFLA e PhD em ciências do ambiente pela Lancaster University.

Fungicidas da cultura da soja que já apresentam resistência e alternativas de controle

Fungicidas da cultura da soja: resistência, como realizar o manejo disso, além de fungicidas e medidas alternativas de manejo para doenças da soja.

A soja é um importante grão para o país, com produção estimada de 121 milhões de toneladas para a safra 2019/20, segundo a Conab.

Muitos fatores prejudicam a produção, mas no cultivo da soja as doenças vêm ganhando destaque.

Uma das razões para isso ocorrer, é que alguns fungos causadores de doença já foram identificados como resistentes a fungicidas (redução da sensibilidade).

Por isso, neste texto descrevemos alguns dos fungicidas da cultura da soja que já apresentaram resistência, medidas para realizar esse manejo e informações sobre alternativas de controle. Confira!

Importância dos fungicidas da cultura da soja

A lavoura é um sistema complexo, envolvendo fatores que podem contribuir ou afetar a produção.

Uma das razões que pode impactar negativamente a sua produção agrícola da lavoura de soja são as doenças.

O uso de fungicidas para o manejo das doenças da soja é muito importante, mas não podemos nos esquecer das outras estratégias que devem ser integradas ao manejo.

No Brasil foram utilizados cerca de 15% de fungicidas, dentre os demais defensivos agrícolas consumidos em 2017, nas diversas plantas cultivadas no país. 

defensivos agrícolas em 2017

Tipos de defensivos agrícolas empregados em 2017 (toneladas)
(Fonte: Sindiveg em Marques Junior)

Em áreas produtoras de soja, a utilização de fungicidas é bastante expressiva, que pode contribuir para o manejo da ferrugem e outras doenças como mancha alvo, mancha parda, antracnose e outras.

O volume de fungicida aplicado na cultura da soja teve um aumento ao longo dos anos, sendo um dos motivos pela ocorrência da ferrugem asiática no Brasil na cultura da soja a partir de 2001 (uso intensivo).

E esse uso de fungicidas vem sendo utilizado amplamente nessa cultura para o manejo de fungos fitopatogênicos, no entanto, deparamos com relatos de resistência a esses produtos.

Resistência de um fungo a um fungicida é a redução da sensibilidade do fungo ao defensivo agrícola, ou seja, é a resposta natural do fungo a uma ameaça externa que pode afetar sua sobrevivência, que nesse caso é o fungicida. 

Essa característica é herdável e estável em um fungo como resposta da aplicação de fungicida.

A resistência implica em falhas de manejo de doenças em uma lavoura.

Com esta definição surge o seguinte questionamento: O que leva a ter resistência de fungos a fungicidas?

Como ocorre a resistência de fungos a fungicidas?

Normalmente, a resistência a fungicidas ocorre por processos evolutivos, que pode manifestar pelo uso contínuo do defensivo agrícola com o mesmo modo de ação, uso de doses incorretas do fungicida recomendado, entre outros.

Ou seja, ocorre a seleção dos fungos resistentes pela utilização inadequada dos produtos (fungicidas).

A resistência é um processo natural (evolução), assim, populações de fungos menos sensíveis a fungicidas já estão presentes na natureza, mesmo sem nunca terem sido expostas aos mesmos.

Mas com o uso inadequado adiantamos esse impacto e, desta forma, ocorre uma influência na velocidade de desenvolvimento da resistência, com a tendência de eliminar populações mais sensíveis do patógeno, aumentando a frequência dos menos sensíveis e atuando como agentes de seleção.

Resistência de fungos aos fungicidas

Representação de como os fungos podem se tornar resistentes a fungicidas (pressão de seleção)
(Fonte: Summa Phytopathologica)

E quais os relatos de resistência dos fungicidas da cultura da soja?

Fungicidas da cultura da soja que já apresentam resistência

Alguns fungicidas que foram relatados com perda de eficiência para algumas doenças de soja foram:

– Para ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) houve redução na sensibilidade de fungicidas dos grupos químicos: Estrobilurinas, Triazóis e Carboxamidas.

A partir da safra 2007/08 foi detectado redução na eficiência dos fungicidas. Na safra 2007/08 de Triazóis, em 2013/14 de Estrobilurinas, e das Carboxamidas na safra 2016/17.

– Para mancha alvo (doença de final de ciclo) causada por Corynespora cassiicola apresentou resistência aos grupos químicos benzimidazóis, estrobilurinas e carboxamidas.

Nesses casos de redução na eficiência dos fungicidas, deve-se utilizar outras medidas de manejo das doenças de soja, mas antes, veja algumas recomendações para o manejo de resistência a fungicidas.

Como realizar o manejo de resistência a fungicidas?

Como vimos, o manejo de doenças pode ficar menos eficiente com a utilização de alguns fungicidas.

Para reduzir essa resistência e aumentar a vida útil dos fungicidas, o Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC) recomenda as seguintes estratégias que podem ser utilizadas no controle:

  • Realizar rotação de fungicidas com diferentes modos de ação;
  • Utilizar o fungicida somente na época, na dose e nos intervalos de aplicação recomendados no rótulo/bula;
  • Contar com outras medidas de manejo para o controle das doenças da soja (manejo integrado de doenças que vamos discutir no próximo tópico);
  • Consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações, monitoramento da safra e na tomada de decisão quanto à estratégia de controle para as doenças da soja na lavoura.

Além dessas estratégias, não se esqueça de realizar a aplicação do fungicida de forma eficiente, observando as condições climáticas adequadas e dos equipamentos agrícolas a serem utilizados.

A Embrapa também orienta para evitar mais que duas aplicações do mesmo produto em sequência.

Contudo, para o controle eficiente das doenças da soja da sua lavoura, verifique as alternativas de manejo.

planilha de produtividade da soja

Alternativas de controle das doenças da soja

Devemos lembrar que os fungicidas são parte do controle de doenças da soja, mas como já comentamos, devem ser utilizadas e integradas outras estratégias de manejo, que vamos discutir a seguir.

  • Vazio sanitário (controle da ferrugem asiática): é o período em que a área fica sem plantas de soja. Ele varia de 60 a 90 dias, o que reduz a sobrevivência do fungo;
  • Calendarização da semeadura (ferrugem asiática): realizar a semeadura no início do período recomendado pode reduzir o número de aplicações de fungicidas na sua área;
  • Uso de variedades resistentes;
  • Utilização de variedades precoces;
  • Uso de sementes certificadas;
  • Rotação de culturas ou sucessão;
  • Plantio no espaçamento adequado;
  • Evitar a semeadura em épocas com condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento do fungo;
  • Controle químico, o qual se caracteriza pelo uso de defensivos agrícolas.

Uso consciente de fungicidas para a ferrugem asiática da soja

Para o uso do controle químico, o produtor deve utilizar produtos registrados para a doença de soja que se pretende manejar, além de serem aplicados em doses, épocas e intervalos de aplicação como recomendado pelo fabricante.

Para a ferrugem asiática da soja, uma importante doença da cultura, têm-se 67 produtos registrados para a doença no Agrofit, que você pode consultar e definir qual deve ser utilizado de acordo com os mecanismos de ação e das recomendações a seguir.

Alguns fungicidas que podem ser utilizados para o manejo dessa doença da soja, segundo o FRAC, são:

Estrobilurinas (QoI): Inibidores de respiração no complexo 3

Essas devem ser utilizadas combinadas com os fungicidas triazóis, triazolintione e/ou carboxamidas para garantir adequados níveis de eficiência.

E o programa de controle de ferrugem deve ser iniciado de forma preventiva à ocorrência da doença.

Triazóis e Triazolintione (DMI): Inibidores da síntese de ergosterol

Indica a associação de DMI com estrobilurinas, como descrito no tópico anterior.

Carboxamidas (SDHI): Inibidores de respiração no complexo 2

Este grupo de fungicida deve ser combinado com fungicidas do grupo químico das estrobilurinas, para garantir adequados níveis de eficácia.

Além disso, a Embrapa também realizou um estudo sobre a eficiência de fungicidas multissítios para o controle da ferrugem da soja.

Esses fungicidas afetam diferentes pontos metabólicos do fungo e apresentam baixo risco de resistência.

Os multissítios são diferentes dos fungicidas sítio-específicos que são ativos contra um único ponto da via metabólica de um patógeno ou contra uma única enzima ou proteína necessária para o fungo, que são os que comentamos acima. 

Diante da pesquisa da Embrapa sobre a eficiência dos fungicidas multissítios na safra 2018/19, esses podem ser uma ferramenta importante para o manejo da ferrugem-asiática na soja, sendo necessário o registro do fungicida no MAPA para a sua utilização.

Dessa forma, podem-se realizar aplicações de fungicidas sítio-específicos com misturas com fungicidas multissítios.

Além da ferrugem, para a mancha alvo, o Frac recomenda não utilizar Carboxamidas de maneira isolada, mas deve-se realizar a associação com fungicidas multissitios no manejo da doença.

Conclusão

Os fungicidas são importantes para o controle de doenças da soja, mas vimos que alguns fungos se tornam resistentes a fungicidas.

Assim, neste texto foi discutido o que é resistência a fungicidas e como elas ocorrem.

Além disso, falamos sobre os fungicidas que tiveram relatos de perda de eficiência e como manejar essa suscetibilidade. E ainda, discutimos alternativas de manejo para doenças da soja.

Com isso, você pode ter um manejo mais eficiente na sua lavoura, controlando as doenças da soja e também os custos agrícolas.

>> Leia mais:

5 maneiras de controlar os nematoides na soja

O que são fungicida sistêmico e de contato e qual utilizar

“Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?”

Você teve problemas com perda da eficiência de fungicidas da cultura da soja? Você realiza rotação de mecanismos de ação? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Cálculo de adubação para soja

Cálculo de adubação para soja: As principais recomendações para nitrogênio, fósforo e potássio que vão aumentar sua produtividade. 

A fertilidade do solo é um dos fatores mais importantes para a produção de grãos.

Em solos tropicais, como os do Brasil, é fundamental que se faça uso de fertilizantes para que sejam alcançadas altas produtividades no cultivo de soja.

Por isso, um bom manejo da adubação, além de aumentar a produtividade, pode promover a economia deste insumo. Os fertilizantes consomem uma grande porção dos recursos investidos na lavoura!

Confira o passo a passo do cálculo de adubação para soja:

Cálculo de adubação NPK para soja em solos do Cerrado e do Rio Grande do Sul

Nitrogênio

A soja é uma planta leguminosa e que tem, portanto, capacidade de se associar a bactérias que realizam a fixação biológica de nitrogênio (FBN).

Por isso, não é necessário fazer a adubação com N para a cultura da soja.

Alguns autores recomendam que caso seja aplicado N, a dose não deve exceder 20 kg/ha.

O excesso de N pode inibir a nodulação e consequentemente a FBN.

Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo, José Pereira da Silva Junior, o uso do inoculante pode aportar mais de 300 kg/ha de N.

O inoculante possui um custo de até 95% menor em comparação ao fertilizante nitrogenado.

Formação de nódulos da bactéria fixadora

Formação de nódulos da bactéria fixadora de nitrogênio Bradyrhizobium japonicum em raízes de soja 
(Fonte: Koppert)

Adubação com Fósforo e Potássio 

A recomendação de adubação fosfatada e potássica é feita em função da exigência da cultura, da textura do solo e da disponibilidades de nutrientes nos solos. 

Como estes fatores possuem particularidades regionais, é importante aprendermos a interpretar os teores de P e K no solo conforme a recomendação de cada região.

Além disso, a forma de aplicação, se em área total (adubação corretiva) ou no sulco de plantio (adubação de manutenção) é muito importante na definição da dosagem. 

Recomendação para solos do Cerrado

Para os solos da região do Cerrado, o manejo da adubação de soja com P e K é recomendado conforme a disponibilidade destes nutrientes no solo. 

Para P, a interpretação dos teores é feita com base no teor de argila como na tabela abaixo.

Classes de interpretação de fósforo para solos de Cerrados

Classes de interpretação da disponibilidade de fósforo para solos de Cerrados, de acordo com os teores de argila
(Fonte: Embrapa (2007))

Quando a disponibilidade de P nos solos for classificada como baixa e muito baixa, deve ser feita a correção do grau de fertilidade do solo.

Essa correção pode ser feita aplicando fontes de P em área total ou de forma gradual, ou seja, no sulco de semeadura

Nestas condições a mesma é feita com base na tabela abaixo.

Embrapa - adubação fosfatada solos de Cerrados

Indicação de adubação fosfatada corretiva e adubação fosfatada corretiva gradual para solos de Cerrados, de acordo com a classe de disponibilidade de P e os teores de argila
(Fonte: Embrapa (2007))

Caso a disponibilidade de P no resultado de sua análise de solo esteja nas classes médio ou bom, recomenda-se apenas a adubação de manutenção que é de 20 kg/ha de P2O5 por tonelada de soja a ser produzida. 

A adubação potássica corretiva é feita quando o teor de argila é maior que 20%.

A tabela abaixo indica as dosagens de K que devem ser aplicadas com base nos teores de K disponíveis no solo.

cálculo de adubação para soja

Indicação de adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com teores de argila maiores que 200 g kg-1, de acordo com a classe de disponibilidade de K
(Fonte: Embrapa (2007))

E no momento da semeadura da soja, deve-se aplicar 20 kg de K2O por tonelada de soja que se espera produzir. 

Doses acima de 50 kg/ha devem ser fracionadas.

Se este for o caso da sua lavoura, ⅓ da dose deve ser aplicado na semeadura e ⅔  da dose em cobertura (de 30 a 40 dias após a semeadura).

Recomendação para solos do Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a recomendação de adubação com P e K para soja é feita com base no Manual de Adubação e de Calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Neste caso, vamos interpretar uma análise de solo e fazer recomendação de adubação para a soja. 

Abaixo, temos os resultados da análise de solo de 5 glebas diferentes.

Análise de solo de cinco glebas de uma lavoura

Resultados da análise de solo de cinco glebas de uma lavoura
(Fonte: Manual de adubação)

Vamos tomar a gleba 1 como exemplo para interpretarmos os teores de P e K no solo.

Para P, a classificação é feita conforme o teor de argila como pode ser visto na tabela a seguir.

Interpretação do teor de fósforo no solo

Interpretação do teor de fósforo no solo extraído pelo método Mehlich-1, conforme o teor de argila e para solos alagados
(Fonte: Manual de adubação)

Como o solo da gleba 1 possui 65% de argila, o mesmo se encaixa na classe 1.

Este mesmo solo possui um teor de 2,0 mg/dm3 de P, considerado um teor de P muito baixo.

Já para K, a interpretação do teor no solo é feita com base no resultado da CTC do solo a pH 7,0.

erpretação do teor de potássio

Interpretação do teor de potássio conforme as classes de CTC do solo a pH 7,0
(Fonte: Manual de adubação)

A CTCpH7,0 do solo da gleba 1 foi de 14,2 cmolc/dm3.

Portanto, este solo se encaixa na classe com CTCpH7,0 entre 5,1 e 15,0 cmolc/dm3.

O teor de K foi de 65 mg/dm3, sendo classificado como alto.

Agora que já sabemos como interpretar os teores de P e K em uma análise de solo, vamos aprender qual quantidade recomendada por ha.

Recomendação de P e K por hectare

A produtividade média da soja no estado do Rio Grande do Sul é de aproximadamente 3 t/ha.

Usaremos então esta produtividade média para fazer a recomendação para uma lavoura de soja no primeiro cultivo.

Neste caso, geralmente a rotação é feita com milho ou trigo no segundo cultivo.

A tabela a seguir mostra a recomendação de P e K em P2O5 e K2O, respectivamente:

Fósforo e Potássio por cultivo

Fósforo e Potássio por cultivo
(Fonte: Manual de adubação)

Como a soja é o primeiro cultivo e o teor foi classificado como muito baixo, a recomendação é de 110 kg/ha de P2O5.

É importante lembrar que este valor é para uma produtividade de 2 t/ha de soja.

Para uma produtividade maior que 2 t/ha, deve ser acrescido 15 kg de P2O5 por tonelada.

Portanto, a recomendação final é de 125 kg/ha de P2O5.

A mesma lógica é aplicada para definir quanto de K deve ser aplicado.

O teor no solo foi classificado como alto e portanto a recomendação é de que seja aplicado 45 kg/ha de K2O mais 25 kg/ha por tonelada extra.

A recomendação para K é de que seja aplicado 70 kg/ha de K2O.

Lembramos que a aplicação de K no momento do plantio não deve exceder 50 kg/ha de K2O.

Nestas condições, deve-se optar pelo parcelamento da dose.

Formulação do fertilizante para plantio

A quantidade de fertilizantes recomendada para plantio da cultura da soja no solo da gleba 1 foi de 125 kg/ha de P2O5 e 50 kg/ha de K2O.

Mas como saber a formulação do adubo que devo aplicar e a quantidade?

Você deve dividir a dose recomendada pelo nutriente em menor quantidade para determinar a proporção entre eles.

cálculo de adubação para soja

Dessa maneira, uma formulação adequada deve obedecer esta relação de 2,5/1,0.

Uma formulação NPK comercial facilmente recomendada neste caso é a 0 – 25 – 10.

Esses valores são expressos em porcentagem.

Então, em 100 kg do formulado, temos 25 kg de P2O5 e 10 kg de K2O.

Pela legislação brasileira, o somatório do teor dos nutrientes nas formulações deve ficar no intervalo de 24 a 54%:

Neste caso 25 + 10 = 35.

Ou seja, esta formulação atende a legislação.

Devem ser aplicados 500 kg/ha da formulação para atender a exportação de P e K pela cultura da soja.

>> Leia mais: Cuidados que você deve ter para evitar deficiência de potássio na Soja

Cálculo de adubação para soja: Fatores que afetam a produtividade de grãos

O Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, disputando com os Estados Unidos, a cada ano, a liderança no ranking mundial.

Segundo levantamento do Departamento de Agricultura dos EUA de novembro de 2019, o Brasil tem uma estimativa de produção de 123 milhões de toneladas na safra 19/20.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, elencaram seis fatores como sendo os mais importantes na definição da produtividade de soja:

  • Clima;
  • Fertilidade do solo;
  • Genótipo/variedade;
  • Proteção foliar (aplicação de fungicidas e inseticidas);
  • Tratamento de sementes;
  • Espaçamento de plantio.

Assim, para obter uma boa produtividade, todos esses fatores devem ser otimizados.

Para isso, o produtor deve fazer um bom planejamento antes do plantio da soja. Tudo isso passa pela correção do solo, escolha do espaçamento e da cultivar adequada, entre outros fatores.

A importância do manejo adequado da adubação na soja

Depois do clima, a fertilidade do solo é o fator mais limitante para a produção de soja.

Um bom manejo da adubação é muito importante não só para alcançar altas produtividades como para reduzir custos de produção.

Os fertilizantes compõem em média 27,82% dos custos de produção da soja no Brasil.

O gráfico abaixo mostra a participação percentual média dos principais itens que compõem os custos operacionais de soja, entre os anos-safra 2007/08 e 2015/16.

custos operacionais de soja

(Fonte: Conab)

Cálculo de adubação para soja: Análise e correção do solo

O cálculo da adubação para soja deve ser feito com base no resultado das análises química e física do solo.

É importante também realizar uma boa correção do solo para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes aplicados.

A calagem fornece Ca e Mg para a cultura da soja e aumenta a disponibilidade de outros nutrientes, como o fósforo (P) por elevar o pH e neutralizar o alumínio trocável (Al3+).

A gessagem é uma opção interessante em áreas em que os efeitos da calagem são limitados às camadas mais superficiais, em especial solos argilosos.

Apesar de não corrigir o pH, o gesso agrícola fornece Ca e S e reduz o Al3+ em profundidade, aumentando o crescimento radicular.

planejamento de safra de soja Aegro

Conclusão

Os custos com a aplicação de fertilizantes na lavoura são muito elevados. Por isso, um bom manejo da adubação pode promover grande economia de recursos.

A soja é capaz de se associar a bactérias fixadoras de N atmosférico e, a aplicação de N em formas minerais, inibe a formação de nódulos nas raízes.

A adubação com P e K pode ser facilmente calculada após a interpretação do teor dos nutrientes no solo.

Vimos neste artigo que o P deve ser preferencialmente aplicado na semeadura.

E o parcelamento da adubação potássica em soja pode ser necessário quando as recomendações de K forem maiores que 50 kg/ha. 

Com estas informações, espero que você possa fazer o melhor manejo de adubação na sua lavoura de soja.

>> Leia mais: 

Tipos de adubos químicos na cultura da soja

Manejo do zinco na soja: Como utilizá-lo para potencializar sua produção

Como cobalto e molibdênio na soja podem elevar sua produtividade

Restou alguma dúvida sobre o cálculo de adubação para soja? Adoraria ler seu comentário!

Adubação para café: simples e prática (+ planilha)

Adubação para café: as principais dicas para melhorar a produção nas diferentes fases do cafezal + planilha para cálculo automático de adubação!

Na hora de fazer a adubação do café surgem várias dúvidas, não é mesmo?

Ainda existe muita desinformação e picaretagem por aí, o que muitas vezes leva o produtor ao erro na adubação. E isso pode significar prejuízos tanto na produção como no bolso.

Confira no artigo a seguir as dicas para adubação nas diferentes fases do cafezal, exigências nutricionais e outras informações para não fazer feio na adubação para café! 

Princípios da adubação para café 

A adubação de café deve levar em conta três princípios básicos: exigência e estado nutricional do cafeeiro, a disponibilidade de nutrientes no solo e a eficiência da adubação.

1 – Exigência e estado nutricional do café

A demanda de nutrientes do cafeeiro depende da sua produção de biomassa: frutos + vegetação. Isso vale tanto para café arábica como conilon.

Os frutos demandam mais nutrientes. Portanto, a frutificação é a época de maior demanda.

E, quanto maior a produção, maior será a demanda nutricional do cafeeiro.

Nos anos de baixa, quando o café vegeta e produz menos, a demanda por nutrientes também é menor!

O estado nutricional da planta na cultura de café é indicado pela análise foliar do 3º ou 4º par de folhas totalmente expandidas.

teores foliares para café

2 – Disponibilidade de nutrientes no solo

Ao longo dos anos, a pesquisa determinou classes de teores de nutrientes no solo para a produção de café. Existe mais de um tipo de classificação, mas vamos focar nas recomendações do Novo Boletim 100.

nutrientes no solo para café

Esses teores servem de base para comparar os resultados da nossa análise de solo e sabermos como está a fertilidade da lavoura de café.

O ideal é manter os teores de nutrientes na faixa “adequada”.

Abaixo dessa faixa, pode haver deficiência nutricional no cafezal e devemos fazer a adubação de correção na cultura. 

Acima dela, não há resposta à adubação, portanto, basta repor os nutrientes exportados na colheita.

Veja que não existem valores para o nitrogênio (N). A adubação nitrogenada é feita de acordo com a expectativa de produção da área e teor foliar de N.

3 – Eficiência de adubação

A fonte, modo e época de aplicação dos adubos influenciam na eficiência da adubação. 

O cálculo dessa eficiência não é tão simples, mas podemos dizer que, em geral, a eficiência da adubação química é de 50% para o N; 70% para o K; e de menos de 20% para o P.

Adubos de liberação lenta/controlada, com inibidores ou adubos orgânicos/organominerais, podem aumentar essa eficiência em alguns casos por liberar os nutrientes de forma gradual. 

Contudo, isso não necessariamente é verdade ou resulta em maior produtividade e lucro. Fique com o pé atrás com “produtos milagrosos”…

Adubação para café em diferentes fases

Aqui no Blog do Aegro, já mostramos as recomendações de adubação no plantio no artigo “Todas as recomendações para o melhor plantio do café”!

Nos resta então comentar sobre as adubações de café em formação e em plena produção.

As tabelas de adubação são bons guias, contudo, conhecendo o histórico de nossa lavoura e sua resposta à adubação, podemos refinar esses valores e adaptar a dose para nossa realidade.

Não há segredo: temos que fornecer nutrientes que atendam à demanda das plantas de café na dose e na época correta.

Considerando que a calagem e a gessagem foram bem feitas, não teremos problemas com pH, alumínio e teores de cálcio (Ca) e enxofre (S). 

Adubação para cafeeiros em formação

Cafeeiros em formação estão vegetando, formando suas raízes e parte aérea. Nessa fase, as exigências de nutrientes são menores e diferentes de uma lavoura em produção.

Cafeeiro em formação
Cafeeiro em formação 
(Fonte: Arquivo do autor)

É muito importante que tenhamos P, Ca e Boro (B) para o desenvolvimento das raízes e que não falte N para vegetar. A aplicação destes nutrientes é sempre via solo, para melhor aproveitamento. 

Os demais nutrientes devem ser mantidos em níveis adequados para não comprometer o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo dos cafeeiros em formação.

É considerada adubação de formação a realizada após o plantio até o primeiro ano produtivo do cafeeiro. Ela geralmente é concentrada no período chuvoso.

adubação para café

Adubação para cafeeiro em produção

O cafeeiro produzindo tem uma maior exigência nutricional. Para cada saca produzida são necessários: 6,2 kg de N; 0,6 kg de P; e 5,9 kg de K para vegetar e frutificar.

Cafeeiros em produção plena
Cafeeiro em produção plena
(Fonte: Arquivo do autor)

Para o N, a dose será definida com base na produção esperada e análise foliar. Já para P e K, o que manda é a análise de solo e a produção esperada.

recomendação para adubação de café

Adubação para café: macro e micronutrientes

Nitrogênio (N)

Como referência prática, até o final de janeiro, devemos fornecer 70% de todo o N que vamos aplicar. 

A aplicação deve antecipar a florada principal e o novo ciclo vegetativo e ir até a granação dos frutos de forma parcelada.

Prefira nitrato de amônio à ureia para evitar perdas por volatilização do N.

As doses variam de acordo com a produtividade do sistema, como podemos ver na tabela acima.

Fósforo (P)

O fósforo é pouco exportado pela colheita: apenas 60 g por saca produzida. Portanto, sua importância maior está no plantio e formação do cafezal, pois este elemento é essencial no crescimento das raízes do cafeeiro.

Com os teores de P adequados no solo, basta adubar com a quantidade exportada.

Adubação P (kg/ha) =  
sc/ha produzidas x 0,06 kg de P/sc x 0,2 (eficiência da adubação)

Do contrário, deve-se realizar a adubação corretiva de P para elevar seus teores para a faixa adequada, entre 15 e 30 mg.kg-1. 

Feita a correção, a adubação de P para café segue como na conta acima.

Fontes menos solúveis de fósforo são preferíveis na instalação da lavoura e na adubação corretiva. Para os cafés em produção, prefira fontes solúveis como o super simples e triplo, MAP, DAP, etc.

Potássio (K)

A maior parte do potássio é exigida da floração à formação dos frutos. Portanto, na época da floração, já deve haver K disponível para a planta.

A primeira parcela deve anteceder a floração e a adubação deve seguir até a granação dos frutos.

O parcelamento deve ser maior em solos mais arenosos, onde o risco de lixiviação de K é maior.

Atenção redobrada na relação entre a disponibilidade de K e Mg. Ela deve ser 1:2 para que não haja deficiência de Mg devido à inibição de sua absorção pelas altas doses de K.

Uma fonte rica de Potássio (e também de Nitrogênio) é a palha do café. Fazer a adubação de macronutrientes com esse resíduo pode ser uma boa opção.

Micronutrientes

Os micronutrientes que demandam maior atenção na adubação para café são boro e zinco.

As doses de Zn ficam entre 1 e 4 kg.ha-1 fornecidos entre outubro e março, mas podem variar de acordo com a cultivar e análise foliar.

O boro deve ser aplicado no solo. Na forma de ácido bórico pode ser fornecido junto da calda de herbicidas. Recomenda-se 2 a 3 aplicações de 1 kg.ha-1 de B. 

Boro foliar somente para correções pontuais, pois ele não se move na planta. O correto é aplicar sempre no solo.

Adubação em café sombreado

Será que cafés sombreados devem receber a mesma adubação que os cultivados a pleno sol? 

A resposta é: depende do nível de sombreamento!

Pesquisas mostram que, com um sombreamento de até 30%, a produção do café é igual a do pleno sol. Portanto, a exigência nutricional e a adubação seriam equivalentes.

Para maiores níveis de sombra, a conversa é outra.

A diferenciação em gemas florais seria menor e, consequentemente, a produção de frutos também.

Além disso, menos luz significa menos fotossíntese, menos energia para a planta produzir, vegetar e assimilar N.

Portanto, se a adubação fosse feita com a dose do cultivo a pleno sol, estaria em excesso e o produtor estaria perdendo dinheiro, principalmente no caso do N.

A dose deve ser reduzida de acordo com as característica de sua lavoura sombreada.

>> Leia mais: “Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle

Planilha de cálculo de adubação para café

Para te ajudar nas contas de adubação para seu café, nós fizemos uma planilha para cálculo de adubação baseada nas recomendações do Novo Boletim 100 do IAC.

Nela você pode inserir as informações de suas análises de solo e foliar, além da produtividade esperada e automaticamente visualizar os valores recomendados para lavouras em produção.

O download você pode fazer clicando na imagem abaixo! 

banner-de-implantacao-e-renovacao-do-cafezal

Conclusão

Como pudemos acompanhar no texto, a adubação para café deve ser feita de acordo com parâmetros da planta e do solo, bem como o histórico de produção e manejo da área.

A exigência nutricional do cafeeiro deve ser suprida na quantidade e na época certas para termos maior eficiência de uso dos adubos e melhor produção.

É importante ressaltar que, dependendo do sistema, as adubações para café serão distintas. 

Por isso, as tabelas de adubação são apenas um guia que devemos adequar à realidade de nossa propriedade.

>> Leia mais:

Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Restou alguma dúvida sobre adubação para café? Conte para gente nos comentários! Grande abraço!

5 Planilhas de Excel para administração rural grátis para usar agora

Planilhas de Excel para administração rural grátis: baixe ferramentas para controle de estoque, fluxo de caixa, custos de safra, depreciação de máquinas e controle de custos!

As planilhas possibilitam maior domínio sobre a fazenda, podendo controlar atividades, produtos e recursos.  Mas nem sempre é fácil começar uma planilha do zero, ainda mais com tantos fatores a serem considerados na atividade rural.

Alguns modelos prontos que separamos aqui vão te ajudar muito com controle de custos, estoque, fluxo de caixa e até depreciação de máquinas. Assim fica mais fácil gerir sua produtividade, finanças e lucratividade a partir de planilhas de Excel para administração rural grátis.

Tem alguma dúvida sobre como extrair o melhor desses materiais? Confira a seguir.

Por que usar planilhas?

Inúmeras atividades requerem controle preciso na fazenda. Desta forma, é usual a utilização de planilhas que se atualizem instantaneamente com a inserção de dados. 

As planilhas vêm sendo cada vez mais utilizadas como ferramenta para o gerenciamento rural. Elas podem, através dos números, auxiliar em estratégias que garantam mais sucesso na produção.

Existem inúmeras planilhas de Excel para administração rural grátis que auxiliam a ter a fazenda em suas mãos, garantindo a utilização de recursos com eficiência. Abaixo, separamos 5 planilhas de Excel que podem direcionar bastante seu gerenciamento agrícola. Aproveite! 

1ª planilha de Excel para administração rural grátis: Fluxo de caixa

Em um negócio rural, para tomadas de decisões, é necessário que se saiba do estado financeiro da empresa, não é mesmo? Esse controle, chamado de fluxo de caixa, pode ser realizado por planilhas. Com elas, pode-se ter o domínio de todo o recurso que sai (despesas) e que entra (receitas) na empresa rural.

Nessa planilha de fluxo de caixa da Aegro, os registro são feitos periodicamente. Desta forma, você consegue inserir as informações facilmente. Ainda, ao final, é possível:

  • verificar o total de entradas;
  • total de saídas;
  • saldo acumulado;
  • saldo mensal. 

Como essa planilha detalha cada gasto e receita, é possível discriminar em qual setor está ocorrendo os maiores gastos. Você também pode ver quais geram as maiores entradas e tudo isso permite a adoção de estratégias embasadas em dados financeiros.  Baixe a planilha gratuita:

2ª planilha: Controle de estoque

Uma das atividades que requer maior atenção dentro da fazenda é o controle de estoque. É através dele que temos conhecimento de todo movimento de entrada e saída de mercadorias da propriedade. 

Isso implica no bom funcionamento da empresa. Afinal, sempre que demandado, o produto estará de imediato em mãos, resultando em um sistema eficaz.  Nas planilhas de Excel para administração rural grátis normalmente existem três abas:

  • controle de estoque;
  • entrada de estoque;
  • saídas. 

A aba de controle é utilizada para discriminar por categoria o que se tem e qual a quantidade do produto no estoque.  Além disso, com ela se pode determinar precisamente a quantidade mínima de cada produto no estoque. 

Já as outras duas abas serão as responsáveis por abastecer as saídas e entradas de produtos no estoque. Desta forma, tem-se o controle do estoque da fazenda com precisão. Clique na imagem abaixo para baixar a planilha gratuita:

planilha de controle de estoque

3ª planilha de Excel para administração rural grátis: Custos de safra

Planilhas que controlam o custo da safra são essenciais para gestão do agronegócio. É através delas que conseguimos estimar preço de mercado (venda) e determinar em qual categoria estamos elevando os preços. 

Conseguimos elencar ainda estratégias de manejo que estejam direcionadas ao bom funcionamento financeiro do negócio. Planilhas de custo de safra são normalmente muito detalhadas e categorizadas, baseando-se nos gastos com:

  • insumos;
  • custo de manutenção de máquinas;
  • investimentos;
  • colheita;
  • transporte, etc.   

Tudo isso facilita a gestão com foco na rentabilidade. Para acessar a planilha, basta clicar na imagem abaixo:

Banner de chamada para o download da planilha de controle de custos de safra

4ª planilha: Depreciação de máquinas agrícolas

A depreciação de máquinas agrícolas significa o quanto ela se desvaloriza com o passar do tempo. E ter o controle disso é crucial para os dados financeiros do negócio rural.  A forma como calculamos a depreciação pode ser embasada no tempo de utilização ou desgaste da máquina.

Em planilhas de Excel grátis ocorrem os cálculos de depreciação Fiscal e Gerencial. O primeiro é muito utilizado para precificar a atividade enquanto o cálculo gerencial é mais voltado à tomada de decisão em casos de venda (indicando também quando deveria ocorrer essa venda). 

Clique na imagem abaixo para baixar a planilha gratuita:

Banner de chamada para o download da planilha de depreciação de máquinas agrícolas

5ª planilha de Excel para administração rural grátis: Controle de custos com insumos 

O custo de produção é essencial na precificação do produto visando um negócio lucrativo. Porém, dentro do custo de produção, os insumos são a parte mais considerável de gastos.

Em planilhas que fazem esse tipo de controle, é de suma importância a categorização dos produtos (sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas e outros). O detalhamento das categorias é o que direciona o gestor, que pode fazer uma melhor distribuição de recursos. 

Além de planilhas, a demonstração gráfica auxilia na visualização da situação como um todo. Para facilitar mais ainda na interpretação da situação, recomenda-se o registro por talhões, o que facilita no gerenciamento de decisões de maneira pontual. 

Clique na imagem abaixo para baixar a planilha gratuita:

Banner de chamada para o download da planilha de controle de custos com insumos

Planilhas x softwares agrícolas: O que vale mais a pena?

As planilhas ajudam a organizar as informações da sua fazenda, mas será que são a melhor alternativa? A resposta depende de cada gestão agrícola. As planilhas agrícolas são ótimas para começar a gestão da empresa rural. Com o passar do tempo você vai notar que:

  • Seu conhecimento e gestão da fazenda melhoraram muito;
  • As planilhas podem ser difíceis de analisar.

Neste momento de maturidade da gestão, os softwares podem facilitar muito mais esse trabalho. Um software rural concentra todas as informações espalhadas em diferentes planilhas e facilita a análise de dados da fazenda.

Além disso, as informações ficam disponíveis em nuvem, podendo ser acessadas de qualquer lugar, inclusive do celular – mesmo em locais com difícil acesso à internet.

Se nas planilhas você precisa dar baixa no que entra e sai do estoque, inserir os custos de insumos e calcular o custo da safra, com um software agro isso pode ser feito em um clique. Essa facilidade agiliza muito a tomada de decisão. Um software agrícola permite outras vantagens como:

  1. Redução de custos na produção agrícola, pois você consegue saber onde estão os gastos excessivos e pontos de melhoria na questão financeira da produção;
  2. Aumento da produtividade dos talhões, realizando controle detalhado e sabendo precisamente sua demanda;
  3. Segurança financeira da safra devido ao total controle das despesas;
  4. Dados e informações em qualquer lugar e momento, além de análises de como está o seu negócio.
Software de gestão agrícola Aegro para computador, celular e tablet

Teste você mesmo o sistema de gestão agrícola Aegro. Temos algumas opções grátis para você começar agora:

Para conhecer o sistema completo, fale com um de nossos especialistas aqui!

Conclusão 

Organizar e controlar os dados da fazenda é essencial para obter mais rentabilidade com o negócio rural.

Neste artigo mostramos as vantagens da utilização de planilhas e disponibilizamos cinco modelos prontos para usar na sua propriedade. Com eles você tem melhor controle de custos, estoque, fluxo de caixa, dados sobre depreciação de máquinas e custos de safra.

Também falamos sobre as diferenças e quando optar pelo uso de planilhas ou de um software rural. Assim, fica mais fácil planejar melhor os próximos passos da sua empresa rural.  Aproveite as informações trazidas aqui e melhore a gestão do seu negócio!

Gostou das planilhas de Excel para administração rural grátis? Você já utilizava alguma delas? Compartilhe conosco suas experiências nos comentários!

Agricultura de precisão: equipamentos essenciais e novidades do mercado

Agricultura de precisão: equipamentos mais utilizados, etapas e recomendações de como e quando usar, além das inovações tecnológicas.  

Com tecnologias de ponta para o setor e interligando toda a propriedade, a agricultura de precisão (AP) é uma abordagem que envolve uma integração de técnicas agrícolas. 

Buscando minimizar perdas, na AP são utilizados métodos inovadores desde a amostragem de solo e de plantas até para os silos de grãos e os armazéns. 

Mas com tantas novidades para AP no mercado, quais são essenciais na lavoura? 

Aproveite este artigo para ficar por dentro das inovações e dos principais equipamentos para implementar a agricultura de precisão na sua produção rural. Confira!

Para que serve a agricultura de precisão? 

A agricultura de precisão trata nosso ambiente de uma forma desuniforme, o que é mais condizente com a realidade.

E, tratando o ambiente com suas diferenças na qualidade do solo, fertilidade, temperatura do ar, umidade e velocidade dos ventos, podemos proporcionar o manejo necessário para a lavoura atingir todo seu potencial.

mapa de produtividade desuniformidade

Exemplo de mapa de produtividade ilustrando a desuniformidade na produção
(Fonte: Arquivo pessoal do autor)

Utilizando os insumos e manejando o local correto de acordo com sua desuniformidade, conseguimos ir para uma situação mais uniforme.

mapa de produtividade uniformidade

Exemplo de mapa de produtividade ilustrando a maior uniformidade na produção
(Fonte: Arquivo pessoal do autor)

Tudo isso, usando menos insumos nas áreas com menor necessidade e investindo estrategicamente nas áreas com maior prioridade, uniformizando a lavoura.

As vantagens da AP são inúmeras:

  • Diminuição no uso de fitossanitários;
  • Diminuição no uso de adubos;
  • Aplicação de insumos no momento correto;
  • Menores perdas na colheita, etc. 

Agricultura de precisão: equipamentos essenciais nas fazendas 

Há alguns anos, os principais instrumentos utilizados na agricultura de precisão eram os sensores de produtividade em tempo real das colhedoras.

Em seguida vieram os aplicadores de insumo a taxas variáveis.

As colhedoras com sensores de produtividade em tempo real são, de longe, a tecnologia mais adotada atualmente. Elas já estão presentes na maior parte das fazendas de grande porte do nosso país!

agricultura de precisão equipamentos

Agricultura de precisão: equipamentos como console de colhedora com sensor de produtividade e variabilidade espacial já é realidade no campo
(Fonte: Farmers Weekly)

Já os aplicadores de fitossanitários e adubos a taxas variáveis são equipamentos com uso ainda em crescimento no Brasil.

E, mais recentemente, vieram as semeadoras que ajustam a taxa de semeadura para adequar à população de plantas. 

Culturas como o milho, por exemplo, podem ter um incremento expressivo da produtividade com o aumento da população em locais com alta fertilidade.

Já a soja funciona ao contrário: altas populações em solos com alta fertilidade podem levar ao acamamento de plantas. 

Então, nesse caso, a semeadora pode aumentar a população em áreas de baixa fertilidade visando maximizar o lucro daquela área.

Mesmo que os aplicadores a taxas variáveis ainda sejam pouco usados por aqui, são eles que propiciam, na prática, reduções nos usos de insumos na propriedade.

Porcentagem e tempo de uso, mapas, imagens aéreas e equipamentos presentes nas propriedades AP

Porcentagem e tempo de uso, mapas, imagens aéreas e equipamentos presentes nas propriedades que adotam AP
(Fonte: Senar)

Esses aparelhos, aliados às tecnologias de georreferenciamento, mapas de produtividade e fertilidade – e ao já bastante usado piloto automático – conseguem distribuir os insumos em maior ou menor quantidade dependendo da programação.

Mas, nos últimos anos, a chegada dos drones agrícolas e sensores cada vez mais precisos fizeram uma nova revolução na própria AP.

Sensores que indicam como a planta está nutricionalmente, além do acúmulo de biomassa e qualidade do solo, foram acoplados aos drones na agricultura de precisão.

Isso fez com que essas informações pudessem ser geradas com mais rapidez e frequência, facilitando a tomada de decisão na lavoura.

Etapas da agricultura de precisão

A agricultura de precisão se baseia essencialmente em um ciclo de três etapas: 

  • Levantamento de dados
  • Interpretação desses dados; 
  • Medidas de manejo adotadas com base nos dados levantados.

Para cada uma das etapas existem equipamentos para auxiliar o produtor, desde o levantamento dos dados até o manejo propriamente dito.

O levantamento de dados pode ser feito manualmente ou através de sensores, que têm a capacidade de adquirir um volume maior de dados, aumentando sua precisão.

Já a interpretação desses dados é feita pelo produtor rural ou por técnicos capacitados com o auxílio de programas ou softwares de gestão. 

Tecnologia e a agricultura de precisão

Esses programas, ligados aos sensores, são capazes de transformar a informação gerada em mapas e gráficos que vão embasar a tomada de decisões na propriedade.  

E, ao final do ciclo, temos os aparelhos que são instalados aos implementos para, de fato, realizar as mudanças de manejo planejadas na fase de interpretação dos dados coletados.

Na agricultura de precisão, os equipamentos permitem o uso de taxa variável na semeadura, adubação de base/cobertura e uso dos produtos fitossanitários

Eles auxiliam também na precisão do plantio, com ajustes automáticos de espaçamento e velocidade da semeadura.

>> Leia mais: “Software para Agricultura de Precisão: o guia definitivo para escolher um

Kit para Agricultura de Precisão: Equipamentos  essenciais para começar

O essencial para iniciar a Agricultura de Precisão em áreas de grandes culturas é ter uma boa administração do faturamento e gastos da propriedade.

Isso é primordial para reconhecer se o investimento em AP pode gerar retorno favorável.

Constatada a viabilidade, vale investir em equipamentos básicos que cumpram cada uma das etapas que descrevemos anteriormente!

No caso do levantamento de dados, os sensores das colhedoras para gerar mapas de produtividade são o principal equipamento.

Seguido pelas análises de solo em grade e georreferenciadas que são essenciais para se sobreporem aos mapas de produtividade, indicando como a lavoura está performando em cada situação de solo.

Já existem também alguns sensores fixos com baixo custo que podem ser deixados no campo gerando esses dados. 

Também existem formas indiretas de levantar essas informações, como no caso de equipamentos que medem a condutividade elétrica do solo e a relaciona às características físicas e químicas desse solo.

Após levantar os dados e interpretá-los junto a um técnico, é necessário aplicar as medidas de manejo diferenciadas.

Para isso, aplicadores de taxa variável são essenciais, pois são eles que colocam tudo em prática.

Como já vimos aqui, eles podem ser os aplicadores de adubo ou de semente à taxa variável ou sensores que leem, ao mesmo tempo, imagens do solo e aplicam herbicidas de acordo com a quantidade de plantas daninhas.

Novidades de mercado e o futuro do agro

O mercado da Agricultura de Precisão foi revolucionado pela ascensão dos drones, barra de luzes, sensores e algoritmos, por meio da “internet das coisas”.

A popularização dos drones na agricultura possibilitou que sensores avançados fossem capazes de analisar as lavouras em um tempo mais curto.

Os drones agrícolas são uma grande contribuição da agricultura de precisão
Os drones agrícolas são uma grande contribuição da agricultura de precisão (Fonte: DJI)

Isso melhorou o entendimento das informações sobre o que os sistemas de produção dão em resposta aos diferentes manejos adotados, que podem variar.

Por sua vez, os sensores são capazes de levantar essa quantidade de dados de forma rápida graças aos algoritmos e à inteligência artificial, permitindo a relação de dados antes sem relevância com índices de qualidade das lavouras.

Já a “internet das coisas” promete interligar todos os equipamentos e máquinas das propriedades, formando uma rede que levanta, interpreta e define o manejo, tudo na tela do proprietário.   

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão 

As inovações não param, por isso que a agricultura de precisão tende a melhorar cada vez mais o agro e a rotina do produtor rural com a implementação dessas tecnologias no campo. 

Neste artigo, vimos os equipamentos essenciais para a agricultura de precisão na fazenda, as etapas de utilização e as novidades de mercado.  

Essas novas tecnologias prometem deixar a lavoura mais eficiente, incrementando a produção de alimentos diante de um cenário de aumento da população mundial e da escassez de comida. 

E ainda mais, aumentando a rentabilidade das fazendas ao minimizar desperdícios. 

>> Leia mais:

“Quais os impactos da nanotecnologia na agricultura?”

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Se na agricultura de precisão equipamentos de ponta fazem a diferença, quais você já utiliza? Gostaria de saber mais sobre AP? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo. 

Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar

Broca da cana-de-açúcar: características, sintomas da praga no canavial e diferentes formas de controle para evitar prejuízos.

A broca da cana-de-açúcar é considerada praga-chave da cultura por estar presente em todo o território nacional e em outros países do continente Americano.

Sua presença na lavoura pode representar perdas significativas na produtividade, além de afetar a qualidade da produção de açúcar e de etanol.

Mas como fazer para identificar esta praga? Qual parte da planta ela ataca e como fazer um controle eficaz? Veja a seguir! 

Importância da broca da cana-de-açúcar

Esta praga é pertencente à ordem Lepidoptera e as principais espécies são Diatraea saccharalis e Diatraea flavipennella. A primeira pode ser encontrada em todo o território brasileiro enquanto a segunda é mais frequente na região nordeste do Brasil.

Daremos maior ênfase aqui para a espécie Diatraea saccharalis

A mariposa tem coloração amarelo-palha com manchas escuras nas asas anteriores e cor branca nas asas posteriores. 

 Diatraea saccharalis

Adulto de Diatraea saccharalis; broca-da-cana é importante praga da cultura 
(Fonte: Invasive.org)

Os ovos são colocados nas folhas, tanto na parte abaxial como adaxial, de forma imbricada (coberta parcialmente)

Após a eclosão, as lagartas (de coloração branco-leitosa e com pontos escuros ao longo do corpo) permanecem por um tempo nas folhas e se alimentam do parênquima foliar, por meio da raspagem.

Ovos de broca-da-cana

Ovos de broca-da-cana podem ser observados nas partes abaxial e adaxial folhas
(Fonte: Panorama Fitossanitário) 

Entre o segundo e o terceiro ínstar, as lagartas migram para o colmo da planta, o perfurando. Ali permanecem consumindo o conteúdo interno e formando galerias abertas.

broca da cana-de-açúcar

Lagarta de Diatraea saccharalis dentro do colmo 
(Fonte: Agro Bayer) 

Além disso, o ciclo total da broca da cana-de-açúcar dura até 90 dias, por isso pode haver ocorrência de quatro a cinco gerações por ano na lavoura. 

Danos da broca-da-cana

Esta praga causa danos diretos e indiretos na cultura da cana. 

Os danos diretos são causados pelo ataque da praga no colmo, formando galerias longitudinais e transversais. Isso impede o fluxo da seiva e pode, pela ação do vento, causar a quebra ou tombamento das plantas. 

Também podem ocorrer problemas como perda de peso, morte das gemas, secamento dos ponteiros (conhecido como coração morto), enraizamento aéreo e brotações laterais. 

Danos diretos causados por broca da cana-de-açúcar
(Fonte: Manual de Identificação de Pragas da Cana

De maneira indireta, a abertura de orifícios torna a planta mais suscetível ao ataque de microrganismos como Colletotrichum falcatum e Fusarium moniliforme, que causam doenças como a podridão vermelha. Isso diminui a pureza do caldo pela inversão da sacarose. 

podridão vermelha

Danos indiretos causados por broca-da-cana – podridão vermelha
(Fonte: Manual de Identificação de Pragas da Cana)

Controle da broca da cana-de-açúcar

Uma praga que fica, na maior parte de seu desenvolvimento, dentro do colmo, parece ser impossível de ser controlada.

Mas existem diversos métodos de controle capazes de reduzir a população da broca da cana-de-açúcar de maneira efetiva dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP)

E, como em qualquer outra cultura, é essencial realizar o monitoramento. 

Monitoramento

O controle deve ser baseado na intensidade de infestação da praga. Para isso, é necessário fazer cortes dos colmos da cana. 

É importante que sejam feitos levantamentos de 2 a 4 meses após o plantio (cana-planta) ou após o corte da cana (cana-soca). 

O ideal é fazer dois pontos de amostragem por hectare em sistema de mosaico:

  • Duas ruas de 5 metros cada (total de 10 m por ponto); 
  • Cada ponto amostrado deve ter um espaçamento de 50 m x 100 m;
  • Devem ser coletados cerca de 100 colmos por talhão. 
levantamento populacional da broca da cana-de-açúcar

Esquema de levantamento populacional da broca da cana-de-açúcar
(Fonte: Socicana) 

Para calcular a intensidade de infestação (IF), deve-se contar o número de internódios e o número de internódios atacados e usar a seguinte fórmula:

IF= 100 x n° internódios atacados
n° total de internódios

Se o IF estiver em nível igual ou maior do que 3%, é imprescindível entrar com controle. 

Veja as formas de controle a seguir.

Controle biológico 

Quando existe infestação em nível igual ou maior do que 3%, a maneira ideal de controlar as lagartas é por meio da liberação da vespa parasitoide Cotesia flavipes. 

Cotesia flavipes e lagarta da broca-da-cana

Cotesia flavipes parasitando lagarta da broca-da-cana
(Fonte: Defesa Vegetal) 

Muitas usinas têm produção própria, mas também existem muitas biofábricas que produzem este parasitoide em larga escala. 

A liberação vai depender da população da broca no campo. 

bula de Cotésia Biocontrol

Tabela com informações da bula de Cotésia Biocontrol
(Fonte: Agrofit

Um outro parasitoide muito utilizado é a espécie de microvespa Trichogramma galloi. Ela também tem registro de várias empresas no site do Mapa (Agrofit).

O Trichogramma galloi, diferente da Cotesia flavipes, parasita ovos da broca da cana-de-açúcar. 

Trichogramma galloi

Trichogramma galloi parasitando ovos da broca-da-cana
(Fonte: Defesa Vegetal) 

Juntos, esses dois parasitoides podem controlar até 60% da infestação da broca da cana-de-açúcar.

Existem outros inimigos naturais que ocorrem naturalmente nos canaviais. O ideal é que sejam conservados para que possam contribuir na redução da população da praga.

Controle cultural 

O controle cultural também pode ser feito para prevenir que a praga atinja o nível de controle. 

Alguns métodos são bastante difundidos e têm tido sucesso, alguns deles são:

  • Eliminar plantas hospedeiras;
  • Corte da cana sem desponte;
  • Moagem rápida da cana.

Variedade resistente

Utilizar variedade com uma boa tolerância ou resistência à praga pode contribuir muito no controle da broca-da-cana. 

Como, por exemplo, a variedade CTC9001BT que foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no final do ano de 2018. 

Controle químico

Embora não atinja a broca quando já está alojada dentro do colmo, os inseticidas podem contribuir na redução das lagartas neonatas, logo após a eclosão. 

Logo após a eclosão, as lagartas ficam um período se alimentando das folhas por raspagem. Esse período pode durar de 2 a 6 dias. E é nesse momento que, se necessário, pode entrar com o controle químico.

Existem 45 produtos registrados para o controle de Diatraea saccharalis pelo MAPA que estão no site Agrofit

Produtos registrados pelo MAPA para controle de Diatraea saccharalis
(Fonte: Agrofit)

É importante que os inseticidas sejam seletivos aos inimigos naturais presentes no agroecossistema. Além disso, fazer rotação de ingrediente ativo impede que ocorra seleção de insetos resistentes. 

Veja alguns exemplos de inseticidas mais seletivos:

  • Altacor (clorantraniliprole)
  • Atabron (clorfluazuron)
  • Certero (triflumuron)
  • Mimic (tebufenozida)
  • Rimon (novaluron)

As doses e caldas podem ser encontradas na bula dos produtos de acordo com cada fabricante. 

Sempre consulte um engenheiro agrônomo.

Conclusão

A broca da cana-de-açúcar é a principal praga da cultura canavieira.

Os danos causados podem ser tanto diretos como indiretos e prejudicar muito a produção final.

A lagarta passa a maior parte do seu desenvolvimento dentro do colmo, por isso o monitoramento é importante. 

Existem diversos métodos de controle pelo manejo integrado de pragas que podem ser utilizados de forma concomitante, como você viu aqui.

Com essas informações, ficará mais fácil fazer o manejo adequado da broca e evitar prejuízos na lavoura.

>> Leia mais:

Nematoides na cana-de-açúcar: como reconhecer e manejar

Plantação de cana-de-açúcar: maior produtividade e ponto ótimo de renovação

Colheita de cana: 5 dicas para otimizar a sua

Restou alguma dúvida sobre a broca da cana-de-açúcar? Você já enfrentou problemas com essa praga na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário!

Conheça as 11 principais doenças da soja e como combatê-las (+ nematoides)

Doenças da soja: saiba como identificar as mais frequentes, incluindo nematoides, e os métodos de controle mais eficazes para cada uma delas.

Identificar e controlar as doenças da soja exige um nível cada vez maior de conhecimento técnico e acompanhamento prático da lavoura. 

Embora a mais importante seja a ferrugem asiática, diversas outras doenças podem afetar a produtividade, causando perdas de até 100%.

A chave para manter a lavoura saudável é identificar a doença em seu início e realizar medidas de manejo adequadas. 

Por isso, fizemos este artigo exclusivo com a Agronômica Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário para que você entenda e controle as doenças da soja. Confira!

Agronômica Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário

Principais doenças da soja

As doenças podem ocorrer em todo o ciclo da cultura ou em períodos específicos (estádios de desenvolvimento). As principais doenças da soja são:

  • Ferrugem asiática
  • Mancha-alvo
  • Oídio
  • Mofo-branco
  • Crestamento foliar de cercospora e mancha púrpura da semente
  • Antracnose
  • Mancha parda ou septoriose
  • Mancha olho-de-rã
  • Cancro da haste
  • Mela ou requeima
  • Podridão de carvão das raízes

Confira o período de ocorrência mais frequente das doenças da soja na imagem a seguir:

doenças da soja
(Fonte: Paulo Saran)

Tendo isso em vista, vamos agora para a identificação e manejo das principais doenças da soja:

Ferrugem asiática da soja

ferrugem asiática
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

A ferrugem asiática da soja é considerada a mais importante na cultura da soja e é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Os sintomas podem aparecer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta.

ferrugem asiática da soja pode causar perdas de 10% a 90% nas lavouras, atingindo todas as regiões produtoras do Brasil. 

O diagnóstico nos estádios iniciais da doença pode ser difícil por não ter os esporos alaranjados como em outras ferrugens.

Por isso, inicialmente, procure por minúsculos pontos mais escuros nas folhas, variando de coloração verde a cinza (utilize uma lupa).

Na face inferior das folhas no local correspondente ao dos pontos, observe pequenas saliências, que são as urédias (estruturas de reprodução do fungo).

Na safra 2019/20, já tivemos registro da ferrugem asiática no campo. Acompanhe os dados de ocorrência da doença no Consórcio Antiferrugem.

Manejo da ferrugem asiática:

  • Monitore a lavoura

Não se esqueça de utilizar uma lupa e observar a parte de baixo da folha para visualização das urédias.

  • Utilize fungicidas

Use fungicidas, como a morfolina, preventivos ou quando aparecer os primeiros sintomas.

Lembre-se que já foi registrada a redução da eficiência de fungicidas à base de carboxamidas, triazóis e estrobilurina isolada.

Como existem vários produtos registrados para manejo da ferrugem da soja e com vários ingredientes ativos, você pode utilizar fungicidas com diferentes modos de ação.

Isso minimiza riscos de perda da eficiência dos fungicidas.

Além disso, reduza a aplicação excessiva de fungicidas e realize a calendarização da semeadura.

  • Vazio sanitário

É o período que a área fica sem plantas de soja. Ele varia de 60 a 90 dias, o que reduz a sobrevivência do fungo.

Atente-se ao período do vazio sanitário da sua região. Você pode conferi-lo aqui.

  • Calendarização da semeadura

Realizar a semeadura no início do período recomendado pode reduzir o número de aplicações de fungicidas na sua área. Isso ocorre porque há menos esporos da doença no ambiente.

Calendarização da semeadura
  • Uso de variedades precoces

Utilizando essas variedades, você irá reduzir o tempo de exposição da planta no campo, podendo reduzir a infecção.

Além da ferrugem asiática, conheça outras doenças da soja que podem afetar a sua lavoura e como fazer seu controle:

Mancha-alvo

doenças-da-soja-mancha-alvo
(Fonte: Mais soja)

É causada pelo fungo Corynespora cassiicola, podendo ocasionar perdas de até 50% em cultivares suscetíveis.

Nas folhas, os sintomas se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para mancha foliar circular, de coloração castanho-clara a castanho-escura.

Essas manchas podem apresentar pontuação no centro e anéis concêntricos de coloração mais escura (semelhantes a um alvo).

Formas de manejo para a mancha-alvo:

  • Utilização de cultivares resistentes;
  • Tratamento de sementes;
  • Rotação/sucessão de culturas;
  • Uso de fungicidas.

Para te auxiliar na escolha do fungicida, veja o trabalho que a Embrapa realizou para determinar a eficiência de fungicidas da cultura da soja no controle da mancha-alvo. 

Além disso, atente-se que já foram relatadas populações do fungo C. cassiicola resistentes a fungicidas MBC (metil benzimidazol carbamato).

Oídio

oídio soja
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

O oídio é uma doença é causada pelo fungo Microsphaera diffusa. Em algumas regiões do país a doença ocorre por ter as condições favoráveis para o desenvolvimento do fungo.

Essas condições são temperaturas amenas e baixa umidade, sendo frequente em regiões com maior altitude. Além disso, esse fungo tem fácil dispersão pelo vento.

Sintomas da doença podem ser observados nas folhas, que vão apresentar uma estrutura branca (micélio e esporos do fungo) – que podem se tornar cinzas com o passar do tempo.

Essas estruturas são capazes de impedir a fotossíntese e provocar queda prematura das folhas. 

Como fazer o manejo do oídio:

  • Utilização de variedades resistentes;
  • Controle químico;
  • Evitar a semeadura em épocas com condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento do fungo.

Mofo-branco

O mofo-branco é causado por Sclerotinia sclerotiorum, fungo que tem mais de 400 espécies de hospedeiros, incluindo soja e feijão. A doença é responsável por até 30% de perdas da produção em um campo agrícola.

Os sintomas são lesões encharcadas inicialmente, que evoluem para uma coloração castanha e, depois, há a formação de um micélio branco, que formam escleródios.

O fungo pode sobreviver no solo por um longo período (em média de 5 a 10 anos) na forma de estruturas de resistência do fungo (escleródios).

mofo-branco
Placa de Petri com crescimento em meio de cultura de Scletotinia sclerotiorum com micélio branco e escleródios
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

Manejo do mofo-branco:

  • Sementes certificadas, limpeza de máquinas e implementos agrícolas;
  • Tratamento de sementes com fungicidas do grupo MBC (metil benzimidazol carbamato);
  • Rotação/sucessão de culturas;
  • Semeadura em palhada de plantas não hospedeira como as gramíneas (isso desfavorece a formação e liberação de esporos do fungo);
  • Utilização de cultivares que favoreçam a aeração entre as plantas para não criar um ambiente ideal para desenvolvimento do fungo;
  • Controle de daninhas hospedeiras do mofo branco;
  • Controle químico com aplicação no início da floração até a formação das vagens.

Crestamento foliar de cercospora e mancha púrpura da semente

mancha púrpura cercospora soja
(Fonte: Pioneer)

Doença causada pelo fungo Cercospora kikuchii, que ataca todas as partes da planta.

Ocorre em várias regiões produtoras de soja, sendo mais intensa em locais quentes e chuvosos. 

Nas folhas, você pode observar manchas castanho-avermelhadas, produzindo o efeito chamado de “bronzeamento” na folha, que pode evoluir para grandes manchas escuras.

Já nas vagens, causa manchas vermelhas a castanhas. É através das vagens que o fungo atinge a semente, causando manchas avermelhadas denominadas “mancha púrpura”.

Principais manejos

  • Uso de sementes certificadas;
  • Tratamento de sementes com fungicidas;
  • Pulverização com fungicida na parte aérea da planta: existem vários produtos registrados para este patógeno.

>> Leia mais: “Como identificar e manejar o crestamento bacteriano na soja”

Antracnose

O fungo mais comum que causa antracnose em soja é o Colletotrichum truncatum. A doença pode ocorrer no início da cultura e você pode observar o tombamento das plantas jovens de soja.

antracnose soja
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

Nas vagens surgem manchas aquosas no início da doença, escurecendo depois.

Isso pode favorecer a queda das vagens e sementes com manchas deprimidas. Já nas folhas podem ocorrer manchas e necrose.

Manejo da antracnose:

  • Utilização de sementes certificadas;
  • Sementes tratadas com fungicidas;
  • Controle químico;
  • Rotação de culturas;
  • Plantio da soja no espaçamento adequado, especialmente no plantio direto, para não apresentar condições adequadas para o fungo (alta umidade e clima quente).

Mancha parda ou septoriose 

A mancha parda é causada por Septoria glycines e está disseminada por todo o país.

No início do desenvolvimento da doença, você pode observar pequenas pontuações de cor parda nas folhas que, ao se desenvolverem, formam manchas com halos amarelados e centro de contornos angulares, de coloração parda da face superior e rosada na parte inferior da folha. Pode haver desfolha prematura. 

Manejo da mancha parda:

  • Rotação de culturas;
  • Aplicação de fungicidas na parte aérea durante a formação e enchimento das vagens.

Mancha olho-de-rã

É causada pelo fungo Cercospora sojina e pode ocasionar perdas de 10% a 60%.

Os sintomas da doença podem ser observados nas folhas, hastes, vagens e sementes. 

Nas folhas ocorrem pequenas manchas encharcadas na face superior que evoluem para lesões de formato arredondado, com o centro castanho claro e bordas castanho-avermelhadas. 

Já na face inferior das folhas, as lesões apresentam coloração mais escura.

Os sintomas nas vagens são lesões circulares a alongadas, deprimidas, com coloração marrom-avermelhada.

Nas sementes, causa rachaduras e manchas de coloração parda e cinza. 

Manejo da mancha olho-de-rã:

  • Variedade resistente;
  • Tratamento de sementes.

Cancro da haste

A doença pode ser causada por Diaporthe aspalathi e Diaporthe caulivora. Ambas as espécies causam sintomas semelhantes nas plantas.

Você pode observar lesões profundas nas hastes, com coloração castanho-avermelhadas a negras, alongadas e elípticas, adquirindo coloração castanho-clara com bordas castanho-avermelhadas. 

Um aspecto importante desta doença são folhas amareladas e com necrose internerval (folha “carijó”), permanecendo presas à planta.

Já as sementes podem apresentar enrugamento e rachaduras no tegumento. E é possível observar micélio de coloração esbranquiçada a bege sobre a superfície. 

As lesões causadas por D. aspalathi raramente circundam a haste e não há murcha.

Já as lesões causadas por D. caulivora circundam o caule, causando murcha e morte da planta. 

Manejo do cancro da haste:

  • Tratamento de sementes;
  • Rotação/sucessão de culturas;
  • Cultivares resistentes (D. aspalathi).

Mela ou requeima 

Doença causada por Rhizoctonia solani, podendo apresentar até 60% de redução na cultura da soja.

Ocorre em reboleira nas lavouras e tem desenvolvimento em alta umidade relativa. 

Os sintomas são folhas com lesões encharcadas de coloração pardo-avermelhada a roxa, evoluindo para marrom-escura a preta. 

Uma particularidade é que folhas infectadas geralmente ficam aderidas às outras ou às hastes por meio do micélio, que pode disseminar o fungo para tecidos sadios.

Nas hastes, pecíolos e vagens ocorrem manchas castanho-avermelhadas. 

Nos tecidos mortos, o fungo forma um micélio fino com produção de escleródios de cor bege a castanho escuro. 

Manejo da requeima

  • Rotação de culturas não hospedeiras do fungo;
  • Semeadura direta;
  • Sementes sadias;
  • Tratamento de sementes;
  • Espaçamento de plantio adequado;
  • Fungicidas;
  • Nutrição equilibrada.

Podridão de carvão das raízes

A podridão de carvão na soja é causada pelo fungo Macrophomina phaseolina, sendo a doença radicular mais comum nas áreas de soja.

A infecção pode acontecer na germinação das sementes, tornando as radículas escuras.

Se sua lavoura apresentar a doença no período do florescimento e ocorrer falta de água, as folhas tornam-se cloróticas, secam e adquirem coloração marrom, permanecendo aderidas aos pecíolos.

O colo da planta apresenta lesões de coloração marrom-avermelhada e superficiais.

podridão de carvão das raízes
(Fonte: Agronômica)

Já as raízes das plantas adquirem coloração cinza com microescleródios negros.

Manejo da podridão de carvão das raízes: 

  • Cobertura do solo;
  • Plantio em campos que não tenham tido histórico da doença.

Nematoides na cultura da soja

Os nematoides causam doenças na cultura da soja que podem chegar ao prejuízo estimado de R$ 35 bilhões ao ano no Brasil.

10-doenças-da-soja-sintomas-nematoides
Danos causados pelo nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines) e pelo nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) na região de Primavera do Leste (MT)
(Fonte: Tatiane Zambiazi em Grupo Cultivar)

Para evitar esses prejuízos na lavoura, conheça os principais nematoides que podem ocorrer na soja e suas medidas de manejo:

11-doenças-da-soja-nematoides

Manejo de nematoides:

O controle dos nematoides é muito difícil, já que são parasitas do solo. Algumas medidas que podem te auxiliar são:

  • Evitar áreas com histórico dos nematoides;
  • Evitar a entrada dos nematoides: sementes de boa qualidade, limpeza de implementos, máquinas agrícolas e outros;
  • Rotação de culturas com espécies não hospedeiras, em especial as práticas de adubo verde e culturas de cobertura;
  • Uso de cultivares de soja tolerantes ou resistentes.

Para te auxiliar nas recomendações, monitoramento da safra e tomada de decisão quanto à estratégia de controle para as doenças, procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Caso os sintomas estejam inconclusivos, é importante que você encaminhe o material para um laboratório especializado em diagnóstico. Assim você terá o diagnóstico de forma mais rápida e precisa.

>>Leia mais: “Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença”

Como obter sucesso no controle das doenças da soja

Antes de falarmos sobre as principais doenças da cultura da soja, é importante sabermos sobre o planejamento do manejo. Para isso, considere as seguintes informações: 

  • Histórico da área de cultivo; 
  • Conheça os sintomas e condições favoráveis para as doenças; 
  • Conheça todos os métodos de manejo que podem ser utilizados e avalie qual o melhor para sua propriedade; 
  • Utilize sementes de boa qualidade;
  • Não utilize apenas uma medida de manejo: tente integrar vários métodos;
  • Faça a adubação de soja adequadamente.

O sucesso no controle, principalmente das doenças causadas por fungos, está correlacionado ao momento em que o manejo é iniciado na lavoura.

Isso pode ser devido a medidas legislativas, como vazio sanitário, ou práticas culturais.

Para reduzir a introdução de patógenos na lavoura é preciso utilizar sementes de boa qualidade e procedência.

Por isso, é importante fazer a análise destas sementes em laboratórios confiáveis. Essa medida ajuda a garantir a alta produtividade nas próximas safras.

As sementes de soja podem transmitir alguns patógenos fúngicos como: 

  • Cercospora kikuchii
  • Septoria glycines
  • Colletotrichum truncatum
  • Diaporthe aspalathi
  • Cercospora sojina

Eles também podem ser transmitidos por restos culturais e servir de fonte de introdução para a lavoura. 

Você também pode ter doenças na lavoura de soja causadas por Sclerotinia sclerotiorum, Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina.

Esses fungos de solo formam estruturas de resistência denominadas escleródios, que podem causar danos enormes nas lavouras por serem bem agressivos e de difícil controle.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

Neste texto foram discutidas as principais doenças da soja, seus sintomas e melhores práticas para controle na lavoura.

Além disso, falamos sobre os quatro nematoides mais importantes para a soja e também como combatê-los.

Com isso, você pode orçar os custos dessas medidas de manejo e fazer um planejamento efetivo. 

Desse modo, tenho certeza que você terá uma lavoura com maior controle das doenças e também dos seus custos!

>> Leia mais:

“Mancha-púrpura na soja: como livrar sua lavoura dela”

Quais doenças da soja você encontra hoje na sua propriedade? Como você controla essas doenças? Têm problemas com nematoides? Adoraria ver seu comentário abaixo!