O que é seguro de máquinas e equipamentos: vantagens e desvantagens

Seguro de máquinas e equipamentos: saiba como funciona esse serviço, dicas para contratação e motivos para valer a pena esse investimento

Quando pensamos em seguro, seja ele residencial, automotivo ou até de maquinário agrícola, algumas frases surgem automaticamente em nossas mentes: “O seguro morreu de velho”; “É melhor ter um seguro e não usar”; “Nada vai acontecer comigo”.

Essas e muitas outras frases associam o gasto com seguro como um desperdício mensal de dinheiro.

Neste artigo falaremos sobre o que é seguro de máquina agrícola, vantagens e desvantagens desse tipo de serviço. Aproveite!

Como funciona o seguro de máquinas agrícolas?

A finalidade do seguro de máquinas agrícolas e tratores é proteger os principais equipamentos utilizados na condução da lavoura – o que pode incluir semeadoras, tratores, colheitadeiras, entre outros. As proteções mais comuns são contra roubo, incêndio e acidentes (danos físicos e elétricos).

Muitos pensam se vale a pena gastar com a aquisição de seguro de máquinas agrícolas ou se será apenas parte do nosso dinheiro sendo jogado fora. Na realidade, essa visão pode ser bem diferente!

Todos sabem que quem se previne evita surpresas desagradáveis, como por exemplo, a perda de uma máquina agrícola devido a algum acidente durante o trabalho na lavoura.

Já ouviu falar que “É melhor se prevenir do que remediar!”? A ideia do seguro de máquinas agrícolas parte do mesmo princípio.

Por mais cuidadoso que você ou seus operadores sejam, os riscos estão presentes no dia a dia agrícola e esperar algo acontecer para contratar o seguro não adianta.

Se algo ocorrer com alguma máquina agrícola, quanto tempo será necessário para juntar o dinheiro para a compra de uma nova?

o que é seguro de máquina

(Fonte: Bradesco Rural)

Seguro para tratores agrícolas e outras máquinas

Existem muitas seguradoras que realizam seguro para trator agrícola, colheitadeiras, plantadeiras, plataformas, pulverizadores e pivôs. O seguro pode ser contratado para trator de pequeno porte até máquinas mais complexas, com custos variados.

As apólices de seguros podem variar desde coberturas básicas como:

  • Roubo; 
  • Furto (atenção, nem todos os tipos de furtos são cobertos);
  • Danos materiais decorrentes de acidentes de causa externa como colisão, capotamento, abalroamento, etc.
  • Incêndio, raio, explosão;
  • Vendaval, granizo.

Até coberturas adicionais – aquelas que você opta por contratar – que cobrem:

  • Danos elétricos;
  • Lucros cessantes;
  • Perda ou pagamento de aluguel;
  • Despesas fixas;
  • Responsabilidade civil;
  • Viagens de entrega;
  • Entre outros.

A disponibilidade e detalhes de cada uma variam de seguradora para seguradora.

O mercado de seguros, seja ele de qualquer natureza, é regulamentado e fiscalizado pela Susep, a Superintendência de Seguros Privados. 

Qualquer dúvida ou irregularidade na prestação do serviço pela seguradora é possível comunicar à Susep, que tomará as providências de modo que o produtor rural não seja lesado.

Como fazer seguro de máquinas e equipamentos

Antes de fechar o contrato da apólice, consulte a lista de empresas autorizadas a operar no mercado.

Veja o passo a passo para contratação do seguro:

  1. Escolha uma corretora de seguros e solicite um orçamento:  Opte por uma corretora de seguros especialista que terá melhores preços e buscará o melhor custo-benefício dentre diversas seguradoras, orientando-o quanto às coberturas e exclusões do seguro. 
  2. Leia a proposta e as coberturas oferecidas: ao receber a proposta, leia atentamente as cláusulas e, se estiver de acordo, envie os dados necessários para a contratação.
  3. Finalização do contrato e realização do seguro: a corretora de seguros agendará a vistoria presencial, se necessária. Na maior parte dos casos, o seguro já fica valendo no mesmo dia. Pode ser necessário assinatura e envio de documentos  como notas fiscais, recibos de compras, etc.

Após a quitação da 1ª parcela, vistoria e aceitação por parte da seguradora, a apólice será gerada e enviada para o contato cadastrado. Leia atentamente a apólice de seguro a ser contratado para sua máquina agrícola e guarde uma via com você.

Como já comentado, em caso de alguma irregularidade na prestação do serviço o ideal é entrar em contato com a Susep e fazer a sua reclamação.

Algumas das principais seguradoras que as corretoras de seguros trabalham são: 

Ao escolher o seguro, tenha sempre em mente a necessidade de proteger os seus bens e prevenir os riscos que possui em sua lavoura.

O ideal é negociar as coberturas do seguro para cada máquina agrícola, ponderar o valor e decidir se aquele bem merece a proteção que está sendo oferecida.

Dessa forma, o segurado garante a restituição do bem de acordo com o que foi negociado na apólice contratada.

Vantagens do seguro para máquinas e tratores agrícolas

Vantagens como agilidade e flexibilidade estão presentes em algumas corretoras de seguro do mercado. 

Os agricultores conseguem pedir uma proposta e fechar um seguro no mesmo dia para seus equipamentos agrícolas, gerando agilidade no processo.

A flexibilidade está na aceitação da contratação do seguro, em certos casos, mesmo que o equipamento esteja com nota fiscal faltando ou tenha sido adquirido no exterior. E na possibilidade de incluir coberturas e ajustar franquias. 

Algumas seguradoras geram descontos e bonificação de acordo com a experiência do seguro, ou por quantidade de equipamentos segurados, ampliação da franquia e instalação de rastreadores.

Além disso, há possibilidade de contratar o seguro plurianual (de 2 até 5 anos) e obter algum desconto com isso.

O seguro de máquinas agrícolas é muito similar ao de automóveis, podendo até ser parcelado sem acréscimo de juros – de acordo com cada seguradora contratada.

A desvantagem principal é que cada seguradora oferece garantias diferentes. Por exemplo, algumas cobrem furto simples, outras não, algumas garantem acidente em rodovias, outras não.

Para entender isso melhor, é fundamental contratar o seguro com atenção e com uma corretora de seguros que o oriente sobre esses detalhes bem como o que não está coberto. 

Outra desvantagem é que as seguradoras costumam ter aceitação restrita para maquinários mais antigos.

Conclusão

Entre os bens essenciais e preciosos das fazendas estão suas máquinas agrícolas. Um seguro desses bens garantirá a proteção desse patrimônio crucial para o sucesso do negócio e que está exposto a diversos riscos.

A contratação de um seguro para esse maquinário gera maior tranquilidade aos agricultores frente a fatores que, na maioria dos casos, são externos ao bom uso das máquinas “dentro da porteira”.

Ao contrário do que muitos pensam, a contratação de um seguro não é somente para aqueles que possuem muito dinheiro, a ideia é justamente oposta, pois, quem tem muito dinheiro consegue bancar o custo de outra máquina em uma eventualidade.

Quem batalhou anos para comprar uma máquina e não tem recursos para adquirir outra é quem mais necessita do seguro, caso ocorra um imprevisto!

>> Leia mais: “Renagro: como funcionará o registro nacional de tratores e máquinas agrícolas”

Você possui seguro de máquinas e equipamentos agrícolas? Acha que o seguro é uma vantagem ou desvantagem no seu caso? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Ciclo da ferrugem da soja e novidades da doença para esta safra

Ciclo da ferrugem da soja: ciclo da doença, ocorrência na safra 2019/20, medidas de manejo, controle químico e redução da eficiência de fungicidas.

A ferrugem asiática é uma doença de grande importância para a cultura da soja, que além do elevado custo com o seu manejo, pode causar perdas de produtividade.

Essa doença possui custo médio de US$ 2,8 bilhões por safra no Brasil, o que pode afetar a lucratividade da lavoura de soja.

Para reduzir custos e perdas é importante conhecer o seu ciclo, saber como está a ocorrência da doença nas regiões produtoras e as principais medidas de manejo.

Por isso, aproveite este texto para tirar suas dúvidas sobre o ciclo da ferrugem da soja, assim como medidas para combatê-la. Confira!

Como está a ocorrência da ferrugem asiática na safra 2019/20?

A ferrugem chegou ao Brasil em 2001, na região do Paraná, e rapidamente foi constatada nas demais regiões produtoras de soja do país. 

Sendo considerada uma das doenças mais severas da cultura da soja, ela pode interferir na produção e causar danos de até 90%.

Nesta safra (2019/20), o primeiro registro da doença ocorreu no Paraná no fim de 2019.

Houve um menor número de ocorrência nesta safra – 68 – contra 242 focos da safra passada 2018/19, no mesmo período do ano (até 28 de janeiro).

Segundo a pesquisadora da Embrapa Cláudia Vieira Godoy, isso ocorreu porque a semeadura da safra atual aconteceu mais tardiamente e de maneira mais espalhada por conta da falta de chuva, diferente da safra passada.

Mas as chuvas do início de 2020 podem proporcionar condições que favoreçam a ocorrência da doença, por isso, os produtores não podem descuidar do monitoramento da ferrugem e das medidas de manejo.

Até o momento já foram registrados mais de 65 focos de ferrugem asiática pelo Brasil, sendo apresentado maiores ocorrências nos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul. 

Você pode utilizar o Consórcio Antiferrugem para monitorar os focos de ferrugem da soja na sua região. 

ciclo da ferrugem da soja

Para entender mais sobre a doença e quais medidas de manejo utilizar, é importante conhecer o ciclo da ferrugem asiática.

Ciclo da ferrugem da soja

A ferrugem asiática da soja é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que é disseminado principalmente pelo vento, ou seja, os esporos do fungo (urediniósporos) são disseminados de um local para outro podendo ir a longas distâncias. 

Os esporos são depositados na folha de soja e para que o fungo infecte a planta são necessárias condições favoráveis como disponibilidade de água livre na folha, no mínimo de 6 horas de molhamento foliar e temperatura entre 15 e 25°C

Dessa forma, as chuvas também podem favorecer o desenvolvimento da doença.

O fungo da ferrugem da soja penetra através da cutícula da folha da soja de forma direta, para infectar a planta. Após alguns dias, podem ser observados os primeiros sintomas.

Inicialmente, na parte superior das folhas podem ter pequenos pontos, com coloração mais escura que o tecido sadio, variando de verde a cinza.

Na parte inferior das folhas ocorrem as lesões – urédias (também chamadas de pústulas), com coloração castanha a marrom.

E nessas pústulas são formados os esporos que podem ser dispersos para o ambiente e começar novamente o ciclo.

Sintomas da ferrugem asiática na parte inferior da folha
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Com o progresso da doença, se as folhas apresentarem alta densidade de lesões ficam amarelas e caem, causando desfolha na lavoura e afetando a produção.

Em condições favoráveis, o fungo completa o seu ciclo de vida de 6 a 9 dias.

Essa foi uma rápida explicação do ciclo da ferrugem asiática da soja que você pode conferir na ilustração abaixo.

ciclo da ferrugem da soja

(Fonte: Reis e Carmona em Promip)

A doença evolui em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, mas é possível observar com frequência a partir do fechamento do dossel, pela formação de um microclima favorável ao desenvolvimento da doença.

Além das plantas de soja da lavoura e das tigueras (plantas voluntárias), a ferrugem apresenta uma ampla gama de plantas hospedeiras, mais de 150 espécies.

E como você pode identificar essa doença na sua lavoura? Veja a seguir.

Identificação da ferrugem asiática na lavoura 

Para manejar o ciclo da ferrugem da soja é muito importante identificar a doença rapidamente na lavoura.

Para isso é importante o monitoramento constante!

Primeiro observe as folhas do terço inferior e/ou médio das plantas, principalmente nos locais com maior probabilidade de acúmulo de umidade, para verificar se há sintomas e estruturas do fungo.

Após isso, verifique as folhas na parte superior e veja se há pontos escuros.

Se observar pontos escuros, utilize uma lupa e verifique se existe a presença de saliências (urédias) na parte inferior (face abaxial ou verso da folha) das folhas .

urédias ferrugem da soja - Grupo Cultivar

(Fonte: Grupo Cultivar)

Quando as urédias liberam os esporos, fica-se com aspecto de “vulcão”.

Assim, quanto antes você perceber que a sua lavoura está doente, mais cedo vai controlá-la e menos perdas a doença causará.

Além do monitoramento, veja outras medidas de controle durante o ciclo da ferrugem da soja.

Manejo da ferrugem asiática da soja

Para o controle da ferrugem asiática da soja, as medidas de manejo que você pode utilizar são:

  • Monitoramento da lavoura de soja e de focos da ferrugem asiática na região para definir o momento ideal do controle;
  • Vazio sanitário: período de 60 a 90 dias sem o plantio de soja ou plantas voluntárias no campo. Esse período reduz a sobrevivência do fungo no campo, atrasando a ocorrência da doença na safra;
  • Uso de variedades precoces; 
  • Calendarização da semeadura (no início do período recomendado): para reduzir o número de aplicações de fungicidas e, com isso, diminuir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas, já que essa doença pode ser dispersa a longas distâncias pelo vento;

Veja os estados que fazem parte da calendarização e do vazio sanitário e não se esqueça de observar o período ou a data dessas medidas para a sua região.

Estados calendarização e vazio sanitário
  • Controle químico (fungicidas): pode ser utilizado de maneira preventiva ou no aparecimento de sintomas;
  • Uso de cultivares resistentes ou mais tolerantes quando disponíveis;
  • Integração de vários métodos de manejo para prevenir a redução da eficiência de fungicidas e de plantas resistentes.

Baixe grátis a planilha de Estimativa da Produtividade da Soja

Fungicidas para o manejo do ciclo da ferrugem da soja

Como já comentamos, os fungicidas podem ser utilizados após a identificação dos primeiros sintomas ou preventivamente.

Para realizar o controle preventivo é importante observar alguns fatores como: aparecimento da ferrugem asiática (presença do fungo e condição climática favorável), logística de aplicação (disponibilidade de equipamentos e tamanho da propriedade), presença de outras doenças e custo do controle.

Já são 68 fungicidas registrados com vários modos de ação que você pode consultar no Agrofit e utilizar para o controle da ferrugem da soja na sua lavoura.

Para te auxiliar nessa escolha, a Embrapa realiza um estudo durante toda a safra de soja sobre a eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem asiática.

Assim são obtidas a severidade da doença, a porcentagem de controle, a produtividade e a porcentagem de redução de produtividade. Veja as informações que foram obtidas durante a safra 2018/19.

Lembre-se que se deve utilizar mais de um tipo químico para melhorar a eficiência do controle e reduzir a resistência do fungo a fungicidas.

Redução da eficiência de fungicidas para controle da ferrugem asiática 

A resistência de fungos a fungicidas ocorre por processos evolutivos, mas o uso incorreto (uso contínuo do mesmo fungicida com mesmo modo de ação e doses incorretas) pode adiantar esse processo.

Para o ciclo da ferrugem da soja houve redução da eficiência dos fungicidas dos grupos químicos: Estrobilurinas, Triazóis e Carboxamidas.

Para utilizá-los, o FRAC orienta que:

As Estrobilurinas devem ser utilizadas no controle da ferrugem de forma preventiva, combinadas com fungicidas triazóis, triazolintione e/ou carboxamidas, garantindo adequados níveis de eficácia. 

Já as Carboxamidas devem ser utilizadas de forma preventiva e também em combinação com o grupo químico das Estrobilurinas.

Para reduzir a resistência de fungos a fungicidas, algumas medidas podem ser utilizadas, como:

– Realizar rotação de fungicidas com diferentes modos de ação;

– Uso do fungicida somente na época, na dose e nos intervalos de aplicação recomendados no rótulo/bula;

– Utilizar outras medidas de manejo (integração);

– Redução do número de aplicações e calendarização da semeadura;

– Consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações.

Conclusão

Vimos que conhecer o ciclo da ferrugem da soja é importante para entender como ela ocorre, as condições do ambiente que são favoráveis e para identificar as melhores medidas de manejo.

E que entre essas medidas, o controle químico é muito usado nas lavouras de soja, mas já foram identificados fungicidas com redução da eficiência para controle. 

Agora que você sabe essas informações, monitore a sua lavoura, integre várias medidas de manejo e reduza perdas com a ferrugem asiática na sua lavoura!

Você teve problemas com essa doença na safra 2019/20 na sua propriedade? Como você controla o ciclo da ferrugem da soja? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Veja o desenvolvimento da sua lavoura com imagens de satélite na agricultura

Imagens de satélite na agricultura: Como a visualização do desenvolvimento da sua lavoura te ajuda no manejo, na redução de custos e no aumento da rentabilidade.

É evidente a utilização das imagens de satélite na agricultura, sejam elas gratuitas ou pagas.

Mas é também fundamental que cada produtor rural saiba qual a melhor imagem e sensor a ser utilizado nas suas áreas.

Com isso, é possível conseguir um relatório do status da sua lavoura em tempo real ou até mesmo contar o gado por meio de imagens de satélites.

Veja neste artigo como utilizar as imagens de satélite na agricultura e mais! 

Como as imagens de satélite têm auxiliado os agricultores

Com inúmeros sensores acoplados nos satélites já é possível identificar pragas nas lavouras, variedades diferentes de solo, reboleiras de nematoides, além de vários outros produtos.

O que muitos agricultores não sabem é que existem diversas bibliotecas com históricos de imagens que são gratuitas e passíveis de serem utilizadas em suas propriedades.

Com a utilização das imagens de satélite na agricultura, os estudos das lavouras podem ficar muito mais assertivos.

Utilização de imagens de satélite na agricultura

Para identificação de potenciais de biomassa dentro das lavouras, os agricultores podem utilizar imagens gratuitas dos satélites Sentinel-2A ou Sentinel-2B, por exemplo.

imagens de satélite na agricultura

(Fonte: EngeSat)

Os satélites Sentinel-2A e Sentinel-2B são parte de uma missão imageadora multispectral, ou seja, possuem uma grande quantidade de bandas em diversos comprimentos de ondas.

O que isso significa? Com a utilização de algumas bandas combinadas, ou não, é possível obter mapas de:

  • Vegetação
  • Solos
  • Umidade
  • Rios e Áreas Costeiras

Esses satélites fazem parte do Programa Global Monitoring for Environment and Security, administrados pela Comunidade Européia e ESA.

Os satélites Sentinel possuem pixels de tamanho 10 m para as bandas RGB e infravermelho próximo, contando com imagens desde junho de 2015 em seu banco de dados.

Sensibilidade Espectral

Sensibilidade Espectral: O Instrumento MSI a bordo do Sentinel-2  gera 13 bandas espectrais
(Fonte: EngeSat)

Devido à alternância das órbitas dos dois satélites do programa, a frequência de imagens é de cerca de 5 dias de revisita, sendo estes satélites uma solução para confecção de mapas de biomassa de vegetação.

Ambos os satélites possuem os mesmos sensores e são excelentes ferramentas para utilização na agricultura.

índice de vegetação NDVI

(Fonte: Agricolus)

O NDVI  é o índice de vegetação da diferença normalizada (Normalized Difference Vegetation Index). Para confecção dos mapas de NDVI utilizando as bandas dos satélites Sentinel a equação correta é:

NDVI =
(banda 8 – banda 4)
(banda 8 + banda 4)

Saiba mais sobre o NDVI e seus mapas neste artigo: O que são mapas NDVI e como consegui-los de graça para sua fazenda

Mapas de altimetria

Também é possível a criação de mapas de altimetria utilizando monitoramento por satélite.

Existem satélites em órbita que possuem radares capazes de mapear a altimetria do terreno.

O satélite Alos Palsar – artificial japonês – lançado em janeiro de 2006, possui um radar com pixel de 12,5 m.

imagens de satélite na agricultura

(Fonte: ALOS PALSAR)

ALOS significa Advanced Land Observing Satellite, satélite avançado de observação terrestre e PALSAR Phased Array type L-band Synthetic Aperture Radar, radar de abertura sintética para observação terrestre diurna e noturna.

Com este satélite é possível a confecção de mapas de altimetria com imagens de radar de 2006 a 2011 da superfície terrestre.

O seu processamento em softwares SIG (Sistema de Informação Geográfica) pode gerar modelos de elevação, mapas 3D e relevo de cada propriedade.

(Fonte: IDEChile)

Esses mapas de altimetria não devem ser utilizados para geração de curvas de nível, uma vez que a precisão altimétrica não é suficiente devido ao tamanho do pixel.

Por outro lado, este tipo de mapeamento pode ser usado para planejamento de áreas para plantio e colheita mecanizada, construção de reservatórios de água e afins.

Para confecção de mapas de curvas de nível como cana de açúcar, por exemplo, devem ser contratados equipamentos com melhores precisões, tais quais GPS geodésicos, níveis de precisão ou estação total.

Imagens de satélite na agricultura para comprar

Além das imagens gratuitas, muitas empresas possuem pacotes de imagens pagas que já vêm prontas para o processamento de imagens ou até já processadas.

Os satélites Dove, Rapideye, Planet, Plêiades, entre outros presentes no mercado, possuem melhores resoluções espaciais e temporais quando comparados com os satélites da linha Sentinel

Classificação elaborada em base ao melhor produto que cada satélite oferece

Classificação elaborada em base ao melhor produto que cada satélite oferece 
(Fonte: Engesat)

Os satélites Dove e Rapideye chegam a apresentar resolução temporal de um dia e resoluções espaciais da ordem de 0,3 m, uma vez que possuem câmeras e sensores melhores que do satélite Sentinel.

Com constelações de maiores números de satélites, as resoluções temporais e espaciais apresentam, de maneira geral, melhores resultados que os satélites gratuitos.

As bandas mais utilizadas na agricultura são RGB e IV, usadas para confecção de produtos como mapas de biomassa, mapas atuais das propriedades, mapas de reboleiras, entre outros.

Além destas, outras bandas podem ser utilizadas dependendo do produto de interesse de cada agricultor.

Alguns índices de vegetação utilizados para identificação de densidade de vegetação e teor de clorofila
(Fonte: Sensix)

Os sensores mais utilizados desses dois satélites possuem pixels de 3 a 5 m, gerando mapas com boas resoluções para auxílio na identificação de alvos de interesse e auxílio na tomada de decisão nas fazendas.

>> Leia mais: Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Custo de imagens de satélite na agricultura

O custo das imagens de satélite podem variar de acordo com os mapas e sensores de interesse. 

Geralmente, o orçamento possui uma área mínima de cobertura que pode variar de 25 km² a 100 km², porém é possível a contratação de pacotes de imagens que permitem o processamento de determinada área ao longo do ano.

O preço de cada imagem de satélite pode variar de mil a cinco mil reais, ou mais, dependendo do tipo de imagem e resolução de interesse.

Existem algumas empresas que vendem estes pacotes de imagens aqui no Brasil e você pode enviar o perímetro da sua fazenda para solicitar uma cotação, como:

Imagens de satélite atualizadas

Já é possível a realização do mapeamento das fazendas utilizando imagens provenientes de satélites.

Aliás, dependendo da qualidade do satélite utilizado se pode mapear os talhões da fazenda toda do escritório, sem a necessidade da ida ao campo.

Engesat

(Fonte: Engesat)

O levantamento dos hectares produtivos de cada porção da fazenda pode auxiliar os produtores no planejamento agrícola. 

Pulverizações, semeaduras, quantia demandada de sementes e insumos já é possível de ser calculada utilizando apenas um mapeamento.

Aos que ainda não possuem muita habilidade em processamento de mapas, o Google Earth é um programa gratuito.

Você pode baixar e instalar o Google Earth Pro no seu computador e começar a mapear suas áreas hoje mesmo!

Uma vez que sabemos quantos hectares serão pulverizados, semeados ou adubados, fica simples o planejamento dos insumos de forma otimizada.

Integrando imagens de satélite à gestão agrícola

Como comentamos ao longo do artigo, existem diversas formas de realizar o sensoriamento remoto de uma lavoura.

Você pode, por exemplo, comprar pacotes de imagens de tempos em tempos para monitorar a evolução da safra.

Mas uma alternativa ainda mais eficiente é contratar ferramentas completamente integradas à sua gestão rural, como o Aegro Imagens.

Essa solução garante acesso contínuo a mapas atualizados da sua propriedade. Com ela, você recebe novas imagens do satélite Sentinel-2 em uma frequência de 3 a 5 dias.

YouTube video player

Nas imagens, é possível ver o Índice Vegetativo (NDVI) da plantação. Ao identificar uma área problemática, você consegue gerar observações georreferenciadas para que uma vistoria seja feita no local.

Além disso, as imagens de satélite ficam organizadas em uma linha do tempo e podem ser analisadas juntamente com o histórico das operações agrícolas realizadas em cada talhão.

Assim, fica fácil de acompanhar se as suas atividades de manejo estão gerando o resultado desejado no desenvolvimento do cultivo.

Como consequência, o mapeamento por satélite se torna mais uma ferramenta estratégica dentro do seu planejamento de safra, ajudando você a tomar decisões mais assertivas.

Peça uma demonstração gratuita do Aegro Imagens e simplifique o uso de imagens de satélite no dia a dia da sua fazenda.

Sensoriamento remoto em agricultura e futuro das imagens de satélite

O uso do sensoriamento remoto não é um assunto tão recente quanto muitos pensam.

Nos dias atuais, frente a computadores com maior capacidade de processamento e de cobertura de grandes áreas, a utilização na agricultura está se popularizando.

Assim, o uso e cobertura das imagens de satélite é maior se comparadas com drones, porém cada tecnologia possui seus benefícios.

Com o lançamento de nanossatélites, balões atmosféricos, drones e aviões, o sensoriamento remoto estará cada vez mais presente nas propriedades brasileiras.

Dessa forma, no futuro será possível identificar e atuar rapidamente em larga escala no combate a pragas, doenças e deficiências nutricionais das plantas.

A possibilidade de processamento dos dados ainda em voo por meio dos drones e aviões otimizará as aplicações.

Um bom planejamento agrícola das tecnologias utilizadas durante a safra é essencial para o aumento dos lucros das fazendas.

Como resultado, as imagens de satélite associadas com conceitos de agricultura de precisão ajudarão os produtores rurais a tornarem suas atividades mais rentáveis e sustentáveis.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Sejam imagens de maior resolução ou não, as imagens de satélite na agricultura estão auxiliando muito no entendimento das lavouras.

No futuro teremos um maior número de nanossatélites orbitando ao redor do nosso planeta.

A tendência é o surgimento de maiores camadas de informação e mapas que facilitem as tomadas de decisões nas propriedades agrícolas.

Com relatórios e informações mais assertivas, o aumento das eficiências produtivas são evidentes.

>> Leia mais:

“Como o mapeamento de fertilidade do solo pode gerar economia na fazenda”

“Como a agricultura digital facilita e otimiza o planejamento da próxima safra”

“Como usar imagens NDVI para melhorar a tomada de decisão na sua lavoura”

Você já utiliza imagens de satélite nas suas propriedades? Sabia que existiam todas essas funções para imagens de satélite na agricultura? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Milho precoce: vantagens e desvantagens para 1ª e 2ª safra

Milho precoce: entenda mais sobre o ciclo, vantagens, desvantagens, diferentes tecnologias e mais estratégias para o manejo eficiente de sua lavoura!

As expectativas de produção do milho para 2020, de acordo com o IBGE, são cerca de 92,7 milhões de toneladas.

Esse número leva em conta a maior participação do milho safrinha (2ª safra). 

Uma das estratégias para alta produção do milho safrinha é o uso de milho precoce, buscando as melhores condições climáticas para a cultura. 

Aqui você pode conferir as principais vantagens e desvantagens de se utilizar o milho precoce, qual híbrido de milho usar na lavoura e outras dicas para o sucesso de sua produção.

Milho precoce: como é o ciclo e como varia dependendo da data de semeadura

O milho precoce nada mais é que híbridos que se desenvolvem em um menor período de tempo, possuindo um ciclo entre plantio e colheita menor quando comparados com materiais denominados como normais.

Os materiais de ciclo precoce permitem uma colheita em um menor período de tempo, mantendo a qualidade dos grãos.

Além disso, a utilização do milho precoce na safrinha (2º safra) pode ser uma excelente alternativa para evitar longos períodos de seca ou geada. 

Como comentamos acima, é a principal estratégia dos produtores para garantir boas condições para o milho safrinha.

Mas fique atento para a escolha de seu híbrido, pois o ciclo pode apresentar variação de acordo com a data de semeadura, condições climáticas e região.

Veja como o ciclo de um mesmo híbrido pode variar de acordo com a época de semeadura:

Variação do ciclo da cultura de milho Embrapa

Variação do ciclo da cultura de milho em função da época de plantio para a produção de milho verde
(Fonte: SANS et al. citados por PEREIRA FILHO & CRUZ (1993), adaptado por Embrapa)


Além disso, tenha em mente que, em geral, a duração média de cada ciclo é esta:

  • Superprecoce: Ciclo menor que 120 dias
  • Precoce: Ciclo entre 120 e 130 dias
  • Normais: Acima de 130 dias

Milho precoce: vantagens e desvantagens

Vantagens

  • Redução dos riscos de estresses
  • Menor pressão de doenças
  • Redução dos riscos com variabilidade do clima
  • Escalonamento da colheita
  • Possibilidade do plantio subsequente de outra cultura
  • Cobertura do solo
  • Aumento da janela de plantio

Desvantagens

Com a redução do ciclo do cultivo, a principal desvantagem do milho precoce é que a cultura frente à uma condição climática adversa apresenta um curto período de tempo para se recuperar.

Até por isso, o milho precoce exige alta necessidade de manejo e adubação.

De modo geral, as vantagens e desvantagens do milho primeira e segunda safra são bem parecidas!

Cabe ao engenheiro(a) agrônomo(a) responsável juntamente com o empresário rural estabelecer qual a melhor estratégia para o sucesso da lavoura!

Diferentes híbridos de milho precoce

Para o sucesso de sua lavoura, tanto em primeira quanto em segunda safra, a palavra-chave é planejamento.

Analise qual o melhor híbrido para sua fazenda e não se esqueça de pensar na safra subsequente. Para te ajudar, abaixo separei alguns híbridos de milho precoce disponíveis no mercado:

DKB 360 PRO3

É um híbrido de milho precoce, com excelente performance em todos os ambientes de produção.

Tem excelente potencial produtivo, alta qualidade de grãos com boa tolerância a grãos ardidos. Também possui tolerância à cercóspora e à mancha branca.

DKB 363 PRO3

É um híbrido de milho precoce com ampla adaptação e alto teto produtivo. Possui uniformidade de espigas e alta sanidade.

Além disso, apresenta excelente resposta no manejo fertilidade e de fungicidas. Tolerante à mancha branca e polysora.

2B688PW

Possui precocidade, com excelente qualidade bromatológica da silagem e estabilidade com potencial produtivo e qualidade de colmo.

2A510PW

Possui precocidade, alto potencial produtivo com boa uniformidade e padrão de espiga. Além disso, apresenta grande sanidade foliar.

Defender Viptera

Possui precocidade com estabilidade, ampla adaptabilidade e alto potencial produtivo. Possui boa tolerância a doenças foliares e colmo, além de alta qualidade de grãos.

Contribuindo para o manejo de plantas daninhas, é tolerante aos herbicidas:

  • Callisto + Primóleo (0,25 + 3,0 L/ha);
  • Nicosulfuron + atrazina (0,5 + 3,0 L/ha);
  • Tembotriona + atrazina (0,24 + 2,0 L/ha).

Supremo

Elevado potencial produtivo e precocidade com estabilidade. Boa resposta a manejo, ampla adaptação e alta qualidade de grãos. O Supremo possui baixo fator de reprodução de nematoides.

Milho Precoce: outras dicas para uma estratégia de sucesso

Realizar um planejamento adequado é fundamental para maior lucratividade, principalmente no milho safrinha, onde a cultura pode ficar exposta a condições adversas.

Por isso, a escolha da cultivar e de algumas técnicas de manejo são essenciais para plantar milho precoce com segurança.

Além dos cuidados no momento da semeadura, para o sucesso de sua lavoura não deixe de ter atenção com:

Tratamento de sementes

Essa técnica é uma forte aliada para o estabelecimento do estande adequado da lavoura, principalmente em condições adversas.

Um tratamento de sementes de milho de qualidade reflete em maior produtividade.

milho-precoce

(Fonte: Blog do Aegro)

Residual de herbicidas

Esse ponto é muito importante! Antes de realizar o plantio do milho, observe quais herbicidas foram utilizados para o manejo da cultura anterior.

Alguns herbicidas podem apresentar efeito residual, influenciando no estabelecimento da cultura.

Manejo da cultura

Em cultivos de ciclo precoce, fique atento aos manejos! Eles são fundamentais para garantir alta produtividade.

Primeiro realize a análise de solo em sua fazenda, em seguida efetue a adubação!

Lembre-se: faça o manejo preventivo de pragas e doenças!

Além do controle de plantas daninhas, que podem influenciar negativamente na sua lucratividade.

Rotação de culturas

Planeje a rotação de culturas de sua propriedade e a realize de modo correto!

Assim, este manejo será benéfico para sua lavoura a pequeno, médio e longo prazo!

Colheita

O momento da colheita é planejado no plantio. Evite períodos chuvosos para que, principalmente, a colheita do milho não influencie a semeadura da cultura subsequente.

planilha de planejamento da safra de milho

Conclusão

Neste artigo vimos o que são híbridos precoces de milho e quais as principais vantagens e desvantagens.

Mostramos os principais híbridos de milho precoce disponíveis no mercado.

Você também conferiu a importância do manejo em híbridos de milho precoce e algumas dicas para melhorá-lo na lavoura.

Espero que com essas dicas você alcance ainda mais sucesso em sua empresa rural!

>>Leia mais:

Como escolher as variedades de milho mais produtivas para sua lavoura

“O que esperar do milho safrinha em 2021?”

“O que é e por que adotar o sistema de combinação de híbridos”

“Safra de milho: conheça as previsões para 2022/23”

Você utiliza milho precoce? Realiza o manejo adequado? Deixe seu comentário! 

Integração Lavoura Pecuária: como implementar e tirar o melhor proveito

Integração Lavoura Pecuária: conceitos e dicas para fazer na prática e aumentar a produtividade da sua fazenda. 

Nos últimos anos, a técnica de produção que integra a lavoura com a pecuária tem caído no gosto dos produtores, principalmente no cerrado onde existem largas áreas de pecuária subutilizadas. 

A integração lavoura pecuária (ILP) tem sido uma revolução na agricultura tropical, pois permite aumentar a lotação animal e ainda produzir grãos na mesma área.

Nesse texto veremos quais os conhecimentos necessários para a implantação do sistema e como adotar a integração lavoura pecuária para aumentar a produtividade da fazenda.

O que é Integração Lavoura Pecuária?

A Integração Lavoura Pecuária ou ILP é uma técnica que possibilita o cultivo de pastagem e de produção de grãos ao mesmo tempo na mesma área.

Isso é possível graças ao consórcio entre culturas, o qual já abordamos aqui no Blog do Aegro. A pastagem pode ser consorciada com grãos como milho, sorgo, arroz e até mesmo com a soja.

integração lavoura pecuária
(Fonte: Banco de imagens do autor)

Alguns dias ou semanas após a colheita dos grãos, o capim já está pronto para o pastejo – garantindo um pasto de ótima qualidade na entressafra.

Ela pode ser utilizada para a pecuária ao longo do período da seca e depois dessecada para uma nova semeadura de grãos ou pode continuar como pasto por algumas safras, sendo rotacionada com outras áreas.

O sistema de Integração Lavoura Pecuária pode resultar em vários benefícios à fertilidade do solo quando bem implantado.

modelos ILP
Fonte: (Bungenstab et al. (2012))

Os benefícios da ILP se originam da entrada das plantas forrageiras no ambiente de produção. 

Com suas raízes e sua grande produção de biomassa, elas reciclam nutrientes, melhoram a física do solo e aumentam os teores de matéria orgânica em profundidade no solo.

Implantando um Sistema de Integração Lavoura Pecuária

Pré-requisitos

Ao pensar em adotar o sistema de ILP, o produtor deve se atentar às ferramentas que ele tem na propriedade e na região para a devida mão de obra.

Isso porque para um pecuarista ter o maquinário necessário para a implantação, manutenção e colheita de uma lavoura nem sempre é algo comum. 

Por isso é importante que o pecuarista se certifique da existência de vizinhos ou prestadores desses tipos de serviços na sua cidade e região.

Já para o agricultor, a infraestrutura necessária para a pecuária é um grande investimento.

Dessa forma, o primeiro passo é planejar a manufatura das cercas e divisão dos talhões (futuros pastos) bem como de embarcadouros e troncos.  

Se certificar da estrutura pecuária da região também é extremamente importante, assim como os fornecedores de matrizes ou de novilhos(as) e possíveis abatedouros para a comercialização.

Em qual safra consorciar?

Deve-se realizar um planejamento para consorciar a forragem na primeira ou na segunda safra.

Se o produtor rural optar por um consórcio com a cultura de primeira safra teremos um pasto com mais matéria seca e com formação mais rápida, já que ele crescerá com abundância de luz e calor e com baixo ou nenhum estresse hídrico.

Por outro lado, o consórcio do capim com a cultura de segunda safra proporcionará uma menor produção de forragem.

Porém o produtor terá produzido duas safras na área, o que pode aumentar o lucro ou a oferta de alimento final para o gado.

Sistema de Produção de braquiária consorciada com milho
Sistema de Produção de braquiária consorciada com milho em primeira e segunda safra
(Fonte: Oliveira et al. (2019))

Antes de decidir quando semear a forrageira é preciso verificar se a oferta de forragem será suficiente nas áreas que não serão semeados os grãos, garantindo sempre áreas de pastagens em meio à rotação de culturas dos talhões.

Após certificar que o gado não passará fome durante o crescimento da primeira ou da segunda safra, é o momento de escolher o capim e a forma de semeá-lo.

Bem, já escrevi aqui no Blog sobre as diferentes espécies de braquiárias e os prós e contras de cada uma (confira aqui), então falarei diretamente sobre os modos de implantação do consórcio de grãos com forrageiras tropicais.

Integração Lavoura Pecuária: quando semear a forrageira?

As forrageiras podem ser semeadas em dois tempos diferentes, no mesmo momento da semeadura dos grãos ou um período depois.

Para a semeadura conjunta do capim com a cultura granífera é necessário utilizar culturas de rápido crescimento como o milho ou o sorgo forrageiro que sombreiam rapidamente as entrelinhas, limitando o crescimento da forragem.

Nesse caso, também utilize algum herbicida como Nicosulfuron e Mesotrione para o milho (ou Glifosato para milho resistente) em subdose (1/2 ou 1/3) para diminuir a competição do capim com a cultura.

Para consórcio da forrageira com sorgo, ainda não existem graminicidas registrados para a cultura, mas mesmo assim a competição entre as espécies pode ser diminuída aumentando a população de sorgo ou semeando a forrageira na época da adubação de cobertura. 

A forrageira é semeada após a cultura quando se deseja diminuir a competição por risco climático, no caso do milho, ou por conta da cultura apresentar crescimento mais lento, como no caso da soja e do sorgo forrageiro (porte baixo e demora para sombrear a entrelinha).

Quando a semeadura da forrageira é feita de forma defasada (após o plantio da cultura) no milho ou no sorgo, ela é realizada a lanço por causa da adubação de cobertura.

integração lavoura pecuária
Produção de braquiária semeada simultaneamente ao milho e na ocasião da adubação de cobertura
(Fonte: Borghi et al. (2015))

Já no caso da soja, a semeadura do capim é feita a lanço também, mas no final do enchimento dos grãos (R5-R6), para que após isso as folhas da soja caiam e cubram as sementes da forrageira.

Como semear a forrageira?

No sistema de Integração Lavoura Pecuária a forrageira pode ser semeada em consórcio com a cultura de grãos de duas formas: a lanço e em linha.

Quando semeada em linha, o capim pode ser colocado na caixa do adubo de plantio e semeado na mesma linha da cultura. O importante aqui é lembrar de utilizar apenas adubo fosfatado para não prejudicar a semente.

Dessa forma, a germinação da planta forrageira será mais lenta e pode reduzir a competição entre as espécies. 

Além disso, a forrageira também pode ser semeada na entrelinha da cultura, apesar de ser um método menos utilizado.

Isso é possível quando o milho ou o sorgo são semeados com espaçamentos maiores (90, 80 cm) e os carrinhos da semeadora são usados intercalados.

E o método mais utilizado pelos produtores é a semeadura a lanço da forrageira, com um implemento de distribuição na frente do trator. 

Massa Seca de Milho e de Forrageira no momento da colheita do milho
Massa Seca de Milho e de Forrageira no momento da colheita do milho, de acordo com o método de semeadura do consórcio
(Fonte: Pereira et al. (2015))

Esse método é mais eficaz quando se usa uma semeadora de arrasto, que é capaz de incorporar de maneira mais eficiente a semente do capim semeado a lanço. 

Lembre-se: É importante aumentar a porcentagem de sementes utilizada em 20% a 30% quando aplicada a semeadura a lanço!

banner-5-planilhas-para-controlar-a-fazenda

Conclusão

A Integração Lavoura Pecuária possibilita uma rotação entre agricultura e pastagem que beneficia o solo, a recuperação de áreas degradadas e auxilia intercalando princípios ativos de fitossanitários na produção.

Como resultado, vimos nesse texto que a técnica pede cuidado maior do produtor e atenção no manejo, mas que a longo prazo esse trabalho pode gerar rendimento maior no bolso.

Agora que sabemos que essa tal de ILP não é um bicho de sete cabeças, você pode se informar mais sobre o método com consultores, cooperativas ou aqui mesmo no Blog do Aegro! 

>> Leia Mais:
ILPF: O que você precisa saber para utilizar esse sistema

“O que é e por que investir em tecnologias poupa-terra?”

Pretende implementar a Integração Lavoura Pecuária? Tem alguma dica para nos passar? Deixe seu comentário abaixo para continuarmos essa conversa!

Regularização Fundiária: entenda como funciona e as últimas atualizações

Regularização Fundiária: Dicas e as mudanças recentes para você legalizar sua propriedade rural.

Problemas vinculados à terra sempre existiram e por isso que os governantes vêm buscando estratégias para regularizar a situação fundiária. 

Relata-se que desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) foram implantados 9.469 assentamentos para 974.073 famílias, porém apenas 5% desses foram consolidados e somente 6% receberam títulos da terra. 

Para vencer essa burocratização do serviço público, foi publicado uma medida provisória que altera alguns tópicos da lei anterior para agilizar e modernizar todo o processo. 

Conheça a seguir mais sobre essa medida provisória e como realizar sua declaração para a correta regularização fundiária. Confira! 

O que é Regularização Fundiária?

A regularização fundiária consiste no conjunto de medidas jurídicas, ambientais e sociais com o objetivo de legalizar e titularizar as pessoas ocupantes de terras da União.

Realizando a regularização, o proprietário tem a garantia de função social da propriedade rural e direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 

Últimas atualizações sobre a regularização fundiária

Você sabia que recentemente foi publicada uma medida provisória (MP) que trata de algumas mudanças sobre regularização fundiária?

Pois bem, no dia 10 de dezembro de 2019 o presidente assinou a MP nº 910 alegando que as mudanças são para agilizar o processo de regularização fundiária, modernizando em alguns aspectos. 

De início, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) relata que a medida vai beneficiar cerca de 300 mil famílias com títulos, mas o governo deseja emitir o dobro em três anos.  

Vejamos agora quais foram as mudanças com essa MP:

Autodeclaração para áreas maiores: de acordo com a medida provisória, imóveis com até 15 módulos fiscais poderão ser declarados pelo próprio ocupante da propriedade, estando sujeito à responsabilidade penal, civil e administrativa.

O que mudou nesse contexto foi apenas o tamanho que é permitido para realizar a autodeclaração, de 4 para até 15 módulos fiscais (75 a 1650 hectares).

regularização fundiária

(Fonte: G1/Rodrigo Sanches)

Exigência do Cadastro Ambiental Rural – CAR e, em caso de necessidade, o proprietário deverá aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA). 

3º Alteração de data: antes os ocupantes das áreas poderiam pedir a titularidade da propriedade somente se estivesse ocupado até 2008, agora essa data foi alterada para 5 de maio de 2014.

4° Fiscalização: a lei permite a utilização de tecnologia (drones, dentre outras ferramentas) para fazer a checagem das áreas. 

5° Regularização gratuita: propriedades com até 4 módulos fiscais têm o processo de fiscalização de forma gratuita. 

6° Imóvel e empréstimos: o imóvel pode ser dado como garantia em financiamentos rurais. 

Utilização de apenas uma legislação facilitando todo o processo. 

8° Certificado digital: o processo será tramitado online, desta forma e a fim de agilizar, ocorrerá a emissão do CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural) online. 

Dicas para realizar o processo de regularização fundiária

O que é preciso para realizar a declaração? 

É necessário a apresentação do CAR para atender ao código florestal e ainda será necessário um memorial descritivo assinado por um responsável habilitado, constando as coordenadas geográficas do imóvel rural.

E qual a obrigação de quem fizer o pedido? 

  • O solicitante não pode ter outras propriedades rurais; 
  • Deve exercer ocupação e exploração direta, mansa e pacífica desde antes de 5 de maio de 2014; 
  • Praticar cultura efetiva na área; 
  • Não ser servidor público (no Ministério da Economia, Mapa, Incra ou em órgãos estaduais e distrital de terras); 
  • Não manter trabalhadores em condições parecidas às de escravos em sua propriedade;
  • E o imóvel não deve ter infração ambiental. 

E quem é responsável pela checagem da documentação? 

O Incra é o órgão que se responsabiliza por checar a documentação e anexar em plataforma digital.

Nesta medida provisória, o órgão calcula que possa existir cerca de 900 mil títulos que podem ser concedidos em assentamentos da reforma agrária e pelo menos 300 mil regularizações em outras áreas.

Para que fazer a regularização fundiária?

Um dos argumentos levantados pelo governo brasileiro é a redução nos conflitos de terras que ocorrem com maior frequência nos estados do Pará e de Rondônia.

Geralmente são motivados pela falta de título e de documento que comprove a posse da propriedade. 

Além disso, relatam que regularizando a situação da terra é possível dar condições para que os assentados prosperem e passem a fazer parte do sistema produtivo, como por exemplo, ter acesso a financiamento rural, à tecnologia e à assistência técnica rural capacitada. 

Também dizem que não é apenas conceder a terra, mas que é importante a inclusão dos produtores na cadeia de produção, nem que seja a mais simples, a local.

O título da propriedade é fundamental para garantir o acesso dos pequenos produtores ao crédito agrícola e a programas governamentais, assim como o fornecimento de alimentos para a merenda escolar, creches, asilos, dentre outros. 

Incra regularização fundiária

(Fonte: Incra)

O que é legitimação fundiária?

A legitimação fundiária constitui forma originária de aquisição do direito real de propriedade, conferido por ato do Poder Público, e é concedida quando:

1- Não for o beneficiário concessionário, foreiro ou proprietário de imóvel urbano ou rural; 

2- Não for o beneficiário contemplado por legitimação de posse ou fundiária de imóvel urbano com a mesma finalidade, ainda que situado em núcleo urbano distinto; 

3- Quando o imóvel urbano com finalidade não residencial for reconhecido pelo Poder Público o interesse público de sua ocupação.

Banner de chamada para portal de consultores agrícolas

O que é a legitimação da posse?

É um ato do Poder Público destinado a conferir título de reconhecimento de posse do imóvel, com a devida identificação do ocupante e do tempo e natureza da posse. 

Mas por que legitimar posse ao invés de fundiária? 

Porque o município pode não estar seguro quanto à legitimação fundiária a determinado ocupante, preferindo se respaldar fornecendo a posse, a qual é conversível automaticamente em propriedade após o transcurso de ao menos cinco anos da expedição da Legitimação de Posse – podendo ser um prazo maior dependendo da área. 

O que é a Reurb?

O Reurb (Regularização Fundiária Urbana) é a técnica por meio da qual se garante o direito à moradia digna daqueles que residem em assentamentos irregulares localizados nas áreas urbanas.

Consiste no agrupamento de medidas jurídicas, urbanísticas, ambientais e sociais destinadas à inclusão dos núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial urbano e à titulação de seus ocupantes. 

A regularização fundiária, conforme o art. 13 da Lei Federal 13.465/2017, é classificada em regularização fundiária de interesse social (REURB-S) e interesse específico (REURB-E).

Isto serve para identificar os responsáveis pela implantação das melhorias, sendo que na Reurb-S será o município e na Reurb-E será o particular (ou loteador faltoso ou o ocupante).

E para que serve a REURB? Para compatibilizar o registro de imóveis com a realidade, desta maneira, o resultado da regularização é o direito real registrado no cartório de imóveis, garantindo a segurança jurídica na posse para o morador do imóvel regularizado.

banner que convida o leitor para baixar um informativo, de diagnóstico de gestão 360º da propriedade rural

Conclusão 

Neste texto vimos o que é a regularização fundiária e o porquê de fazermos a mesma!

Mostramos o que mudou com a publicação da medida provisória que se trata da regularização fundiária. 

Ainda demos dicas do que é necessário para realizá-la, quais as peculiaridades de quem pede a titulação e ainda informamos qual órgão responsável pela emissão da declaração. 

>> Leia Mais: 

Imposto de renda para produtor rural: Leis e normas para ficar atento
Imposto de Renda Produtor Rural: Esclareça as principais dúvidas sobre a declaração
Livro caixa digital do produtor rural (LCDPR): Tudo o que você deve saber
Nota fiscal eletrônica de produtor rural obrigatória? Veja o que fazer
Funrural: 7 dúvidas mais comuns e atualizações para 2020

E você, tem alguma dúvida sobre regularização fundiária? O que acha da nova medida provisória? Deixe nos comentários abaixo!

Sensoriamento remoto na agricultura: 7 coisas que você deveria saber

Sensoriamento remoto na agricultura: Veja como funciona, quais suas aplicações e como isso pode te auxiliar na hora da tomada de decisão.

O sensoriamento remoto vem se tornando cada vez mais presente na agricultura.

Há muitas maneiras de inserir essa ferramenta na sua propriedade, e no texto de hoje vamos ver algumas delas para você ficar mais familiarizado. 

Mas afinal, o que é essa ferramenta? E será mesmo que ela pode te ajudar na propriedade ou é só mais uma moda?

Confira os 7 tópicos mais interessantes e suas respostas sobre o sensoriamento remoto na agricultura e conheça tudo sobre o tema!

1. O que é e para que serve sensoriamento remoto?

É o conjunto de técnicas que tem como objetivo a obtenção de informações sobre alvos na superfície terrestre.

Essas informações são obtidas por meio do registro da interação da radiação eletromagnética com a superfície, que é realizado por sensores distantes (imagens de satélite) ou remotos (fotos aéreas).

Participação do sensoriamento remoto na agricultura 5.0

Participação do sensoriamento remoto na agricultura 5.0
(Fonte: Hayrton (2019))

2. Georreferenciamento e sensoriamento remoto

O sensoriamento remoto, como já comentamos, é o conjunto de técnicas que permite conseguir informações da superfície terrestre e o que há nela.

Isso ocorre através da interação eletromagnética com a superfície. Sem contato físico, a forma de transmissão de dados é pela radiação eletromagnética.

Já o geoprocessamento é o conjunto de técnicas e metodologias para obter, arquivar, processar e representar os dados georreferenciados. Tudo isso com técnicas matemáticas e computacionais.

Por isso, os dois em conjunto são consideradas técnicas fundamentais para registrar e aumentar a eficiência do uso da terra, especialmente ao longo do tempo. 

A agricultura de precisão, que contém o conceito da variabilidade do campo, é uma das áreas em que podemos aplicar essas ferramentas, já que elas permitem verificar onde e como é essa variabilidade das áreas agrícolas.

sensoriamento remoto na agricultura

Satélites e drones para monitorar sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta
(Fonte: Senar)

3. Coleta de dados em sensoriamento remoto

A coleta de dados em sensoriamento remoto é obtida por sensores colocados em diferentes tipos de plataformas carregadoras.

A plataforma carregadora pode ser laboratório, campo, aéreo ou orbital. Vamos ver a seguir mais sobre cada uma delas:

Níveis de coletas de dados do sensoriamento remoto

Níveis de coletas de dados do sensoriamento remoto
(Fonte: Jocilene Barros (2018))

Laboratório

Utiliza radiômetros e estes registram a radiação refletida pelas plantas, folhas e solos em locais onde pode ser controlada a iluminação.

Campo

Também podem ser utilizados radiômetros. Neste caso, eles podem ficar presos em suportes acima dos alvos estudados.

Podem ser utilizados veículos com guindastes hidráulicos, que são conhecidos como cherry pickers. 

Aéreo

Neste caso, o nível de coleta é dividido em diferentes altitudes:

  • Alta altitude (ao redor de 20 km);
  • Média altitude (menos de 20 km até 5 km);
  • Baixa altitude (abaixo de 5 km).

São usados para simular diferentes condições de obtenção de dados. Quanto menor a altitude utilizada, menor a influência atmosférica.

Aqui podemos incluir o uso de drones, com a vantagem de utilizá-los quando precisar das informações.

Orbital

Nesse nível de coleta são utilizados os satélites como plataformas.

Aqui é possível realizar a cobertura de grandes áreas e a repetitividade temporal, muito importante para áreas extensas.

sensoriamento remoto na agricultura

Nível de coleta de dados orbital
(Fonte: Bernadete Prado Ramires)

4. Qual a diferença entre os sensores ativos e passivos?

Você sabia que existem sensores ativos e passivos? Sabe dizer qual a diferença entre eles?

Os sensores passivos só podem operar quando há luz solar, pois dependem disso para iluminar as imagens que captura, ou seja, dependem das condições atmosféricas. 

Já os sensores ativos não necessitam da luz solar, podendo ser utilizados também durante a noite, além de não dependerem de condições atmosféricas.

Outra diferença entre os sensores é que os passivos atuam na região espectral do óptico (400 nm a 2.500 nm), já os ativos atuam na faixa das micro-ondas. 

Utilizando as imagens tanto do sensoriamento remoto óptico quanto das obtidas nas micro-ondas, você pode obter maior riqueza de informações.

Curvas espectrais e comprimentos de onda

Curvas espectrais e comprimentos de onda – visível, infravermelho próximo e infravermelho médio
(Fonte: Rafael Briones Matheus (Parque da Ciência))

5. Aplicações do sensoriamento remoto na agricultura

Na agricultura o sensoriamento remoto pode ser usado para diversas atividades como:

  • Estimativa de área plantada;
  • Estimativa de produção agrícola;
  • Vigor vegetativo das culturas;
  • Manejo agrícola em nível de país, estado, município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda;
  • Análise da cobertura vegetal, topografia, drenagem e tipo de solo;
  • Determinação das áreas de preservação de mananciais, reservas florestais e áreas agrícolas;
  • Detecção de falhas na irrigação, adubação ou preparo do solo;
  • Sintomas de injúrias por produtos fitossanitários;
  • Manchas de solo com baixa produtividade;
  • Áreas com erosão laminar;
  • Identificação de reboleiras de baixo vigor causadas por nematoides ou patógenos de solo;
  • Regiões com maiores potenciais de produção.

Como vimos acima, com o sensoriamento remoto conseguimos captar o vigor das plantas. 

Aqui vale uma explicação mais longa, já que a detecção do vigor das plantas e, consequentemente, da sua saúde, resulta em diversos outros resultados como estimativa de produção e outros.

Isso é possível pois a banda de radiação do NIR – Infravermelho Próximo, diferencia plantas vigorosas (que refletem mais o NIR) e plantas mais fracas (que absorvem a radiação). 

As imagens em NIR, que são obtidas por satélites, são tratadas em uma equação denominada de NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) que transforma as leituras de NIR em tons de cores.

Índice de vegetação e comportamento espectral

Índice de vegetação e comportamento espectral
(Fonte: Rayssa Viveiros Espírito Santo)

6. Sensoriamento remoto e irrigação

Já vimos os diversos usos que o sensoriamento remoto pode ter dentro da agricultura, vamos ver agora um pouco mais de como ele pode ser utilizado na irrigação das culturas.

Sensoriamento remoto na irrigação

Sensoriamento remoto na irrigação
(Fonte: Hidrodinâmica Irrigação)

O sensoriamento remoto na agricultura pode ser usado, por exemplo, para estimar a evapotranspiração real (ETr), o que ajuda a identificar se a quantidade de água aplicada é ideal, abaixo ou superior à necessária, como feito por Silva et al. (2012).

sensoriamento remoto na agricultura

Sensoriamento remoto na irrigação, anel formado por emissor entupido ou inadequado
(Fonte: Cultivar (Irriger/Farmers Edge) – Nelson Sá)

7. Sensoriamento remoto na soja

O sensoriamento remoto na cultura da soja está sendo aplicado de diversas maneiras.

Utilizando um VANT com câmeras multiespectrais, as imagens são analisadas e utilizadas para a geração de um mapa que indica a distribuição de cada campo de produção aptas para beneficiamento e eventual produção de sementes (DroneShow).

Com o uso de câmera termal será possível monitorar plantas em situação de seca e, com a ajuda de um sensor, medir a deficiência de potássio nas folhas mesmo antes dos sintomas aparecerem (Embrapa, 2019).

Perfil temporal das áreas de soja da região norte do Rio Grande do Sul

Perfil temporal das áreas de soja da região norte do Rio Grande do Sul gerado a partir de imagens NDVI (índice de vegetação) dos meses de outubro a maio, safra 2005/06. Em destaque a evolução temporal do NDVI nas etapas de semeadura (A), máximo desenvolvimento vegetativo (B) e colheita (C).
(Fonte: Santos et al. (2014))

Há também estudos com o uso do sensoriamento remoto para identificar sintomas de ferrugem em soja. 

sensoriamento remoto para identificar sintomas de ferrugem em soja.

Estágios da doença causada pelo patógeno (esquerda) e quatro tipos de folhas com os diferentes níveis de severidade da ferrugem (direita)
(Fonte: Cui et al. (2009))

Como fazer o sensoriamento remoto da sua lavoura

Existem formas muito práticas de aplicar técnicas de sensoriamento remoto nas fazendas. Uma delas é contratar soluções integradas à gestão rural.

Com o Aegro Imagens, por exemplo, você pode obter mapas NDVI para a sua lavoura durante toda a safra.

As imagens são geradas pelo satélite Sentinel-2 em uma frequência de 3 a 5 dias e ficam organizadas em ordem cronológica.

Isso te ajuda a acompanhar o desenvolvimento do cultivo com passar do tempo e identificar potenciais problemas com agilidade.

https://youtu.be/_-4LJXin1sY

Além disso, você pode analisar os resultados do sensoriamento remoto juntamente com o histórico de operações agrícolas realizadas em cada talhão.

Esse é um jeito fácil de conferir se as suas atividades de manejo estão tendo o impacto desejado na saúde da plantação.

Assim, as imagens de satélite se tornam uma ferramenta estratégica para o seu planejamento de safra, pois auxiliam você a tomar decisões mais assertivas.

Peça uma demonstração gratuita do Aegro Imagens e simplifique o uso de NDVI na sua fazenda!

Conclusão

No texto de hoje vimos alguns exemplos de como o sensoriamento está sendo utilizado na agricultura.

Você pôde conhecer também as principais diferenças entre sensores ativos e passivos, técnicas de sensoriamento remoto na irrigação e na cultura da soja.

Por último, você conferiu como uma solução para imagens de satélite integrada à gestão rural facilita a aplicação dessa tecncologia no dia a dia das fazendas.

Assim, fica claro que o sensoriamento remoto na agricultura é uma importante ferramenta que veio para auxiliar o produtor na tomada de decisão.

>> Leia mais:

O que é SIG na agricultura e como essa tecnologia pode ser útil na sua fazenda

Como realizar a aplicação localizada de insumos e otimizar os custos da sua lavoura

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Gostou do texto? Têm mais dicas sobre sensoriamento remoto na agricultura? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Barter de milho: como começar e como melhorar suas negociações

Barter de Milho: Entenda o que é e como funciona essa operação, conferindo como você pode realizá-la no seu negócio rural e ter benefícios.

Vários são os custos de uma lavoura de milho e ter capital suficiente para tudo isso exige muito trabalho, além de inúmeros cálculos e estratégias.

Você pode dispor de recursos próprios, linhas de créditos ou de operações financeiras.

Uma operação financeira que pode auxiliar o produtor rural a ter os insumos para a próxima safra é o chamado Barter.

Nessa operação, os insumos agrícolas ou maquinários são comercializados e o pagamento é feito com produto agrícola após a colheita.

Aqui vamos comentar mais sobre o Barter de Milho. Aproveite os benefícios dessa operação e tire todas as suas dúvidas!

Barter de milho: significado

O termo Barter vem do inglês que significa permutar, ou também chamado de troca. Ou seja, é uma operação financeira baseada em troca de mercadorias, em que o produtor se compromete a entregar uma parte da sua produção em troca de insumos ou serviços, que podem ser herbicidas, inseticidas, adubos e outros.

A operação de Barter normalmente acontece antes da colheita ou até mesmo do plantio, sendo negociado os insumos que serão utilizados na lavoura para efetuar o pagamento com produto colhido (paga com o que produz) e não realizando o pagamento em dinheiro.

Assim o produtor não precisa mexer no capital de giro e pode até melhorá-lo.

Se pensarmos na história, essa operação se remete ao escambo, um dos comércios mais primitivos de troca de mercadorias – mas com suas diferenças.

A operação de Barter começou com a cultura do café e, hoje, já é utilizado nas culturas como milho, soja, algodão e café – e está no mercado brasileiro desde 1990.

Para o produtor rural, o Barter é uma opção para obtenção de insumos que são necessários para a lavoura por meio de pagamento quando colhe a safra.

Além disso, o agricultor pode adquirir insumos sem ter crédito no mercado.

E também pode facilitar a negociação entre produtor e empresa de insumos ou serviços, em que a moeda de compra é o próprio produto da lavoura, sem usar dinheiro.

Contrato de Barter de milho: Como funciona

Como já comentamos, o Barter é importante ao produtor por permitir a compra de insumos agrícolas, maquinários ou equipamentos que são necessários para realizar a safra sem tirar dinheiro do bolso.

Então, além do produtor e da empresa de insumos ou de maquinários, que já discutimos neste texto, esta operação geralmente também envolve off-taker (trading, cerealista ou comercial exportadora).

São três partes que realizam uma negociação onde cada uma tem seus objetivos e, que muitas vezes, escutamos falar de ser uma “troca triangulada”. 

Veja o objetivo de cada parte envolvida nesta operação financeira:

  • Produtor: aquele que precisa de insumos ou maquinário para sua lavoura e prazo para pagamento, em troca disso, entrega parte dos produtos colhidos da lavoura;
  • Empresa de insumos ou de maquinários: quem fornece insumo ao produtor e estipula o prazo para o pagamento desses insumos;
  • Trading, cerealista ou comercial exportadora: compra a produção do produtor para revender no mercado interno, exportar ou para utilizar como matéria-prima em seus processos produtivos e paga a empresa de insumos.

Então, o produtor adquire insumo para sua lavoura e em troca realiza o pagamento com milho. E, normalmente, as empresas de insumos trabalham em parceria com as tradings que vão adquirir o milho.

Essa operação pode trazer benefícios para ambas as partes envolvidas, o que podemos chamar de relação ganha-ganha.

O Barter, em geral, está associado a uma Cédula de Produto Rural (CPR) que é um documento/contrato em que o produtor se compromete a entregar parte da produção agrícola (próxima colheita) como pagamento dos insumos utilizados.

barter de milho

(Fonte: TerraMagda)

Como em todo contrato, é preciso cuidado para o preenchimento e formulação da CPR para ambas as partes.

Por isso, busque auxílio de um profissional especializado para começar essa operação.

Como começar uma operação de Barter

Quando os produtores rurais precisam de produtos agropecuários e querem entregar parte da sua produção como pagamento, eles podem realizar o Barter.

Para iniciar este processo é necessário definir quais insumos e/ou maquinários são necessários para a implantação da lavoura e que precisam ser negociados.

Além disso, precisa-se verificar quais são as empresas ou cooperativas que realizam essa operação com o produtor de milho e como é realizada através da CPR, como já comentamos.

É necessário ficar atento a esse documento e verificar se a operação é vantajosa para o produtor, definindo se irá ou não realizá-la.

O Barter é uma opção de negociação interessante quando não há disponibilidade de compra dos insumos para a safra à vista.

Mas lembre-se: há várias formas de custeio da lavoura, por isso, é necessário conhecê-las e determinar qual é a melhor para a empresa agrícola na safra de milho.

Barter de milho: como a operação é utilizada por agricultores e cooperativas

Como exemplo, temos o caso de produtores de milho do Mato Grosso que no último ano realizaram a operação de Barter quando o preço do grão era baixo, como forma mais segura de não obter prejuízo, mas com empresas confiáveis para fazer o procedimento.

Cooperativas podem ajudar nessa escolha de empresas que auxiliam nas transações.

Elas também podem estimular o Barter para alcançar uma produção mínima de milho na região.

Foi isso que algumas cooperativas fizeram em 2018, quando havia redução no preço do grão e, com isso, desestímulo para a produção do milho pelos agricultores e da área plantada.

Modalidades de Barter

No canal da AgroSchool, a Marina Piccini explica as principais modalidades de Barter que são:

Compra de contrato

Produtor já fechou contrato com a trading, sendo que esse contrato não está ligado a nenhum financiamento. 

Assim, o produtor entrega o produto colhido à trading – como já foi negociado em contrato – e essa pagará para a empresa fornecedora de insumos ao produtor.

Campanha da empresa/cooperativa com a Trading

Neste caso, a empresa de insumos ou cooperativa decide fazer campanha para aumentar suas vendas em parceria com uma trading.

Quando o produtor está colhendo a safra, a empresa cria um pacote promocional com preços diferenciados aos produtores e a trading entra com uma cotação de preço para àquela safra futura.

Empresa ou Cooperativa assume o preço

Situação na qual a empresa ou cooperativa assume o risco, sem ter auxílio da trading. Ela monta o seu pacote de insumos e cobra um valor de produção por isso.

bot diagnóstico de gestão agrícola Aegro

Vantagens da operação de Barter de milho

Em qualquer operação financeira, precisamos saber suas vantagens. Para a operação de Barter, alguns benefícios são:

  • Oportunidade de financiamento seguro;
  • Facilidade na compra de insumos ou maquinários;
  • Oportunidade dos produtores com menor crédito rural realizar as atividades agrícolas;
  • Negociação travada: redução das variações dos preços tanto dos insumos como das commodities;
  • Redução do risco na operação financeira devido ao CPR, que legaliza e formaliza o processo;
  • Conhecimento antecipado da quantidade de produto agrícola para realizar o pagamento da operação financeira.

Além de conhecer todas essas vantagens, é necessário ficar atento a alguns pontos na operação de Barter (precauções):

  • Analise a equivalência de preço dos insumos e dos produtos agrícolas;
  • Veja as condições de contrato (CPR) entre os envolvidos no Barter;
  • Observe o custo-benefício desta operação (taxa de juros).

E você ficou interessado(a) no tema e quer aprender mais sobre essa operação financeira? Você pode se especializar em Barter realizando um curso. Confira abaixo:

Curso de Barter 

Se você quer conhecer mais sobre esta operação financeira para te auxiliar com o seu negócio agrícola ou quer ser um profissional neste tipo de operação, faça uma especialização. 

A AgroSchool possui um curso online sobre Barter e você pode aprender o passo a passo de como realizar essa operação, além de quais são os riscos e oportunidades, estrutura necessária, estudos de casos e exercícios.

Conclusão

Sabemos que Barter é uma operação financeira para adquirir insumos ou maquinários e realizar o pagamento com o grão colhido.

Ela é utilizada por produtores de milho para troca de insumos e quando há variação no preço do grão, estimuladas por cooperativas e empresas.

Por isso, vale a pena considerar essa opção de negociação da sua safra e para a sua empresa rural. Então, analise esta operação para a aquisição de insumos e maquinários para sua lavoura.

>> Leia Mais: 

O que é hedge e por que você deveria ter essa opção
Como fazer um contrato de hedge e como ele pode assegurar sua rentabilidade

Você realiza Barter de Milho na sua propriedade rural? Quais as vantagens dessa operação para sua empresa? Adoraria ver seu comentário abaixo.