Plantação de aveia: confira os tipos, além de como realizar o plantio, manejo da cultura, colheita e mais.
A aveia é um cereal de inverno assim como o trigo e a cevada, mas diferentes desses outros, é uma planta mais rústica, apresentando maior resistência a doenças e pragas.
Segundo dados de 2019 da Conab, a aveia conta com uma área de 398 mil hectares, produção anual de 900 mil toneladas e produtividade média de 2,2 toneladas por hectare.
Outro ponto positivo é sua tolerância aos solos ácidos e pouco férteis, o que tem contribuído para o aumento da área plantada para cobertura, grãos e forragem no período de inverno. Outra razão para o crescente uso da aveia é o sistema de plantio direto.
Veja a seguir, um pouco mais sobre plantação de aveia e seu cultivo no Brasil. Vamos lá?
Plantação de aveia: quais os tipos?
Existem várias espécies no gênero da aveia (Avena spp.), mas são duas as que se destacam na produção de grãos mundial: a Avena sativa ou aveia branca (80% da área mundial) e a Avena byzantina ou aveia amarela (20% da área).
Mas, principalmente aqui na América do Sul, outra espécie se destaca: a Avena strigosa ou aveia preta, como é popularmente conhecida.
Essa espécie de aveia é bem mais rústica que as comumente utilizadas para grão e seu uso é basicamente como cultura de cobertura ou forragem para a alimentação animal.
A aveia teve sua origem lá no Oriente Médio, em locais muito próximos de outros cereais de inverno como o trigo. Mas seu cultivo só passou a ser explorado muitos anos depois, já que no início, esse vegetal era apenas uma planta daninha da cultura do trigo.
A aveia é uma planta anual, sendo que algumas cultivares podem apresentar rebrota (duplo propósito) e têm um crescimento ereto, variando entre 0,7 e 2 metros de altura.
Além disso, ela tem raízes profundas e fasciculadas, ou seja, não apresenta uma raiz pivotante ou principal.
Como fazer a plantação de aveia?
A aveia é cultivada ao longo do outono e inverno aqui no Brasil por se tratar de uma planta de clima temperado.
Apesar de ser extremamente tolerante quanto ao solo (pH 4,5 a 6 e menor exigência de nutrientes que trigo), o plantio de aveia é bem mais exigente quanto às condições climáticas.
Assim, a temperatura ideal para a semeadura é acima dos 7º C, sendo abaixo de 4º C diminui drasticamente a germinação das sementes.
A época de semeadura varia de 15 de março (para o MS) até 15 de julho (em SC), e a quantidade de sementes entre 200 e 300 por metro quadrado.
No Brasil é recorrente o uso de sementes piratas na semeadura da aveia e essa prática apresenta altos riscos que, muitas vezes, não são contabilizados pelo produtor.
Entre esses perigos estão a contaminação das sementes por patógenos e pragas, sem contar possíveis sementes de daninhas que podem infestar a área e a baixa germinação que podem apresentar, afetando diretamente a produção.
O perfilhamento está diretamente relacionado com a produtividade da aveia, sendo que ao final do ciclo, os perfilhos mais jovens auxiliam no enchimento de grãos dos mais velhos.
Dessa forma, regiões mais quentes e semeaduras tardias requerem uma quantidade maior de sementes.
A recomendação de espaçamento é entre os 17 e 20 cm entre linhas com uma profundidade de deposição da semente entre 2 e 4 cm.
Manejo da cultura de aveia
A duração do ciclo da cultura de aveia varia entre 120 e 130 dias aqui no Brasil, mas podem chegar de 90 a 180 dias no mundo todo.
O desenvolvimento da aveia é dividido basicamente em quatro etapas: a fase vegetativa, a fase de transição, a fase reprodutiva e a fase de formação dos grãos.
Sendo que após a fase vegetativa (3 a 4 folhas e início do perfilhamento), é quando se inicia o controle químico em pós-emergência das plantas daninhas.
Desenvolvimento da aveia (Fonte: Adaptado de Zocks et al (1974))
Os principais herbicidas registrados para a cultura da aveia são o 2,4 D e o metasulfuron, ambos recomendados para o controle de folhas largas.
O controle químico de azevém em campos de aveia ainda não é possível por meio dos herbicidas registrados disponíveis no Brasil.
Já para o manejo de pragas, o mais indicado é o tratamento de sementes (Imidacloprido e Tiodicarbe), que combate duas das principais pragas da aveia, os corós e os afídeos (ou pulgões).
Agora, as principais doenças que afetam a plantação de aveia são a ferrugem das folhas, a qual a aveia branca é mais susceptível, e a ferrugem dos colmos, que não tem grande incidência na região Sul, mas pode ter grande gravidade em condições de alta umidade e temperatura.
Como realizar a colheita de grãos
Na maturação, a plantação de aveia tolera altas temperaturas diurnas, baixas temperaturas noturnas e baixa umidade, permitindo a colheita e evitando a perda de grãos.
Para a produção de sementes, baixas temperaturas durante o desenvolvimento elevam os níveis de dormência das sementes.
Assim, a colheita da aveia deve ser realizada quando os grãos estão em condições de debulha (teor de água abaixo dos 20%) e a planta ainda está de pé.
A regulagem da colhedora é essencial, já que quando descascado, o grão ativa enzimas que causam a rancificação do produto.
Para o fornecimento industrial, os grãos não devem receber chuvas após a maturação, a fim de evitar que eles adquiram coloração escura.
Vantagens da produção de forragem
A produção de aveia forrageiras possui vantagens como:
Tolerância ao frio e geadas;
Resistência ao pisoteio;
Boa produção de massa verde (alta qualidade);
Boa rusticidade;
Existência de cultivares com diferentes ciclos de produção.
A aveia forrageira pode ser usada para corte verde, feno, silagem ou ainda pastejo, sendo a altura de entrada entre 25 e 30 cm e a altura de saída dos animais em torno dos 10 cm.
Para produção de silagem, o ideal é realizar o corte das plantas inteiras com a matéria seca dos grãos entre 30% e 40% (ou seja 60% a 70% de umidade nos grãos).
Para implantar um pasto de aveia forrageira, o indicado é utilizar espaçamento de 17 cm entre linhas e populações com 350 plantas por metro quadrado.
Além de produzir forragem, esse sistema de plantio também pode ser utilizado para a produção de palha para o plantio direto. Sendo que a produção de matéria seca varia entre 3 e 6 toneladas.
Conclusão
A plantação de aveia como cultura de cobertura deu início ao sistema de plantio direto, dando a possibilidade de acumular biomassa sobre o solo ao longo do ano para a realização da semeadura na safra de verão.
Mas, apesar disso, o mau manejo pode gerar complicações.
Por isso, é sempre importante realizar o controle adequado da aveia espontânea em outras culturas (tiguera). Isso garante a diminuição de doenças e pragas.
Portanto, a aveia é uma planta extremamente versátil que pode ser utilizada desde a produção de grão, forragem e cultura de cobertura. Seu uso estratégico ajuda a garantir a força do agro brasileiro.
Colheitadeira ideal: veja quais são as mais indicadas para a cultura de grãos e café, além de dicas de manutenção e tecnologias disponíveis no mercado
A escolha da colheitadeira certa pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso da sua lavoura.
Para cada tipo de propriedade ou cultura existe uma máquina ideal que possibilitará rendimentos maiores à sua fazenda.
Por isso, separei neste artigo, algumas das melhores colhedoras disponíveis no mercado, além de outras dicas e informações importantes. Confira!
Colheitadeira ideal de grãos
As colhedoras de grãos possuem a funcionalidade da troca das plataformas para a colheita efetiva de soja e milho, sendo muito versáteis àqueles que realizam o plantio destas culturas.
Colhedora Massey Ferguson 4690
A colheitadeira híbrida 4690 da MF possui motor AGCO Power de 7,4 litros, de acordo com o MAR-1 (máquinas agrícolas e rodoviárias – Fase 1) de redução de emissão de poluentes, com 200 cv de potência e capacidade de 5.500 L no tanque graneleiro.
O sistema híbrido possui dois rotores e ventilação de dupla cascata, permitindo que a limpeza dos grãos seja feita em etapas bem definidas, não sobrecarregando as peneiras e possibilitando a entrega de um material limpo e de qualidade ao tanque graneleiro.
Com capacidade de 86 litros por segundo, esvaziando o tanque da máquina, a descarga desse material é bem rápida e neste modelo demora cerca de 64 segundos para a descarga total dos grãos.
O picador de palhas também é muito eficiente! Conta com duas velocidades e lâminas tratadas termicamente, propiciando excelente cobertura do solo.
A colhedora New Holland TC 5090 possui motor de 258 cv e uma capacidade de 7.200 L no tanque graneleiro.
Com capacidade de descarga de 63 litros por segundo e comprimento do tubo de descarga de 4,68 metros, essa colhedora possui um ótimo rendimento operacional.
Além disso, possui peneiras autonivelantes que propiciam menores perdas e, seu sistema de debulha por cilindro, apresenta um excelente desempenho em condições de talo verde, alta umidade e durabilidade de seus componentes.
A abertura e fechamento do côncavo podem ser realizados de dentro da cabine e as barras de alta inércia auxiliam na sua limpeza, melhorando a performance da colhedora.
Ademais, a linha TC oferece a opção de tração traseira auxiliar, acionada por motores hidráulicos independentes. Essa funcionalidade oferece 30% a mais na tração da colhedora, auxiliando no deslocamento em locais de difícil acesso e reduzindo a compactação do solo.
Colhedora New Holland TC 5090 (Fonte: New Holland)
Colhedora John Deere S790
A colheitadeira John Deere S790 possui um sistema Dyna-Flo Plus que reduz o volume de retrilha em até 28%, assegurando melhores rendimentos operacionais.
Também possui um motor de 13,5 L, 550 cv e atende às condições impostas pelo MAR-1, garantindo melhor eficiência no consumo de combustível e redução na emissão de poluentes.
Com capacidade de 14.100 L no depósito de grãos e taxa de descarga de 135 litros por segundo, essa colhedora é uma excelente opção para quem busca maiores rendimentos operacionais em campo.
Possui tecnologia embarcada denominada Combine Advisor com ActiveVision, assegurando a realização de calibrações automáticas e ganhos em produtividade e qualidade, independente das condições da lavoura ao longo da colheita.
Ainda, essa tecnologia embarcada é totalmente automatizada, sendo de fácil operação para o trabalho no campo, uma vez que o trabalhador não necessita realizar todos os ajustes ou calibrações.
Colheitadeira ideal de café
A cafeicultura está passando por modernizações tanto na aplicação de fertilizantes quanto na colheita dos produtos.
Duas colhedoras de café presentes no mercado que merecem destaque são: a Coffee Express 200 Multi, da Case iH, e a K3 Millennium, da Jacto.
Coffee Express 200 Multi Case IH
A colheitadeira de café Coffee Express 200 Multi da Case IH possui agora um rebaixamento do chassi de 100 mm que melhorou a derriça principalmente em plantas mais novas, uma vez que a estrutura está mais próxima do solo.
Esse novo modelo de colhedora possui mais paletas retráteis que o modelo anterior, o qual passou de 32 para 62 paletas e acarretou em redução de perdas de café no chão.
Também possui maior quantidade de varetas e sua disposição em formato de colmeia auxilia na maior eficiência de colheita e menor desfolha das plantas.
Coffee Express 200 Multi (Fonte: Case IH)
K3 Millennium da Jacto
Uma colhedora muito versátil com grande eficiência na colheita. A K3 Millennium é robusta e se adapta bem às condições da cafeicultura brasileira.
Consegue reduzir até 50% das perdas de café no chão, segundo o fabricante, e isso ocorre devido aos recolhedores possuírem 260 mm associados a um conjunto de câmeras, as quais facilitam o correto alinhamento das plantas.
As lâminas retráteis se fecham abaixo da saia do cafeeiro, garantindo que o café derriçado não seja perdido e nem impurezas sejam coletadas.
Ainda, o sistema derriçador da Jacto permite operar a colhedora com velocidades de até 2,5 km/h em colheitas seletivas e eficiência de derriça de 97%, mesmo em plantas de pequeno porte.
Ótima opção para compra e utilização desde as fases de implantação do café.
Manutenção das máquinas e tecnologias embarcadas
A manutenção das máquinas agrícolas é essencial para o bom funcionamento da sua colheitadeira ideal.
A manutenção preventiva e reposição das peças necessárias asseguram melhores rendimentos operacionais.
Dessa maneira, antes da escolha da máquina ideal para a sua propriedade é necessário levar em consideração a proximidade da revenda ou serviço de pós-venda na sua região.
Atualmente, além de manter os equipamentos com as manutenções em dia, temos inúmeras tecnologias que podem ser agregadas nas operações de colheita.
O piloto automático, por exemplo, possibilita ganhos operacionais – uma vez que auxilia o operador na condução do equipamento de maneira a permitir que sua atenção seja direcionada para outros aspectos importantes durante a colheita.
Assim como os sistemas de telemetria que fornecem dados em tempo real da colheita, sendo possível a correção de erros operacionais ainda em campo.
Conclusão
Antes de escolher a colheitadeira ideal para a sua fazenda, é importante checar se existem revendas ou peças de reposição de fácil acesso na sua localização.
As manutenções preventivas são essenciais para o bom funcionamento dos equipamentos.
No momento da compra é ideal que o produtor rural tenha o tamanho da área a ser colhida, uma vez que a colhedora bem dimensionada assegura bons rendimentos operacionais e a redução de custo.
Restou alguma dúvida sobre como escolher a colhetadeira ideal para sua fazenda? Você possui alguma destas máquinas que eu citei? Acha que existem outras colhedoras que deveriam estar nesta lista? Deixe comentário abaixo!
Atualizado em 23 de abril de 2021. Colheita do milho safrinha: entenda como obter melhores resultados na colheita para grãos e silagem; e como anda o mercado para a segunda safra.
O milho safrinha já foi sinônimo de inferioridade… “safrinha” se referia à baixa produção e à importância que se dava para a segunda safra da cultura do milho no Brasil. Mas parece que o jogo virou, não é mesmo?
Segundo a última estimativa da Conab, a safrinha 2020/2021 apresentará 75,8% da produção total de milho. São 82,6 milhões de toneladas! Um aumento de 10,1% em relação à safrinha passada.
Isso só é possível por conta de muita competência no manejo da produção e da colheita.
Além disso, com tanto milho sendo produzido, como será que está o mercado?
Preparei este texto com alguns pontos importantes da colheita do milho safrinha para grãos e silagem, além da expectativa de mercado nesse cenário de COVID-19. Confira a seguir!
O milho safrinha
Não é de hoje que a safrinha corresponde à maior produção de milho e área plantada da cultura. Isso porque ela está associada à dobradinha soja-milho, ocupando a maior parte da área liberada após a colheita da soja.
Com tanto milho sendo produzido, a colheita do milho safrinha deve ser bem feita para colhermos os frutos de tanto trabalho na condução da lavoura. Mas alguns cuidados devem ser tomados.
Essa época de cultivo do milho já têm maiores riscos devido a piores condições de luminosidade e de chuvas. Porém, neste ano estamos passando por algo inédito: o tal do coronavírus.
Como veremos a seguir, embora o agro não pare e a pandemia não afete o ciclo do milho safrinha, esse novo cenário afeta o mercado.
Expectativa do mercado para a colheita do milho safrinha 2020/21
Omercado do milho está voltado para o que está acontecendo nas lavouras de milho safrinha, principalmente a aspectos relacionados ao clima, já que uma área considerável foi semeada fora da janela de zoneamento para a segunda safra do milho.
O atraso nas colheitas da soja fez com que muitos produtores se arriscassem fora do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) do milho safrinha.
Em alguns estados produtores, como no Mato Grosso, 45% da área total de milho safrinha foi semeada fora do período recomendado pelo Zarc.
O clima e os riscos do milho safrinha 2020/21
As incertezas quanto à produtividade da safrinha em 2021 começaram quando estados como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul atrasaram a semeadura da soja, à espera de chuvas em 2020.
Isso acarretou a semeadura do milho safrinha fora do período recomendado pelo zoneamento agrícola de risco climático, em grande parte das regiões produtoras do país.
Quando semeado fora da janela ideal, os riscos climáticos aumentam, já que o cultivo do milho na safrinha é uma atividade de alto risco.
Contudo, como a área semeada fora da janela do zoneamento é significativa, chuvas que ainda estão por vir podem ser benéficas e garantir menor perda de sacas por hectare nessas áreas.
Histórico das condições hídricas e possíveis impactos sobre as diferentes fases das lavouras de milho segunda safra (Fonte: Conab)
Mercado do milho safrinha 2020/21
O mês de março de 2021 foi marcado por recordes nos preços do milho em muitas regiões do país. O aumento ocorreu devido à alta do dólar, a baixa oferta do cereal no mercado spot e de incertezas quanto à produtividade das lavouras de milho safrinha.
Essa incerteza quanto a produtividade da cultura ocorreu devido ao estado do Mato Grosso, maior produtor do cereal no Brasil, ter encerrado a semeadura do milho safrinha com 45% da área total, fora da janela ideal de semeadura.
Devido a esse atraso, a cultura vem sofrendo muito com a falta de chuvas e isso pode prejudicar a produtividade das lavouras. Porém, os produtores ainda contam com as chuvas de abril e maio para garantir uma boa safrinha.
No dia 14 de abril, o indicador Esalq/BM&Bovespa (Campinas – SP) alcançou patamares recordes, fechando em R$ 96,92/ sc de 60 kg de milho.
Tendo em vista as incertezas sobre a produção do milho safrinha no Brasil e, principalmente, as previsões climáticas de baixa ocorrência de chuvas, os preços devem se manter altos.
No gráfico abaixo é possível verificar o constante aumento nos preços da saca de milho nos últimos 12 meses:
Variação do indicador do preço do milho ESALQ/BM&FBOVESPA nos últimos 12 meses (Fonte: Cepea/Esalq)
Devido ao crescimento exponencial da demanda mundial por grãos, é esperado que os preços do milho permaneçam em alta na safra 2021/2022.
Dicas para uma melhor colheita do milho safrinha
Planejamento é essencial
Mesmo antes do início da safra, é importante ter um planejamento já preparado. Qual será o destino da safrinha? Silagem ou venda de grãos? Utilize o tempo ocioso da entressafra para se organizar.
Esse ano está atípico por conta da semeadura fora do período ideal, mas mesmo assim, com um cronograma bem feito, as chances de erro podem ser reduzidas.
Como já vimos, os atrasos na safra de verão podem afetar diretamente a segunda safra do milho.
Logicamente que tudo depende de São Pedro colaborar com as chuvas, mas um bom plano evita surpresas – inclusive no preço. Veja mais em nosso guia de manejo do milho.
Colha no ponto certo: grãos ou silagem
O ponto correto para a colheita do milho safrinha depende da finalidade de uso e da existência de infraestrutura para secagem dos grãos na propriedade.
Para grãos, a colheita deve ser feita na fase de desenvolvimento R6, na maturidade fisiológica. Esperar demais pode favorecer a infestação de plantas daninhas no final do ciclo e prejudicar a colheita.
Como a umidade de armazenamento é de 13%, devemos colher valores próximos a esse. Se houver disponibilidade de secadores na fazenda, a janela é maior, podendo realizar a colheita com maior umidade.
Se o objetivo é a produção de silagem, a colheita deve ser realizada quando a matéria seca estiver entre 30% e 35%. Valores fora desse limite dificultam o processo e prejudicam a qualidade da silagem.
Dica extra: a tal da linha do leite não correlaciona muito bem com a matéria seca da planta, um dos principais parâmetros para a ensilagem. Por isso, não é o melhor critério para se usar – pode dar certo, mas pode dar errado. Com a matéria seca não tem erro!
Regule bem as máquinas
Para o milho em grão, a velocidade de rotação do cilindro e o espaçamento entre cilindro e côncavo devem ser ajustados de acordo com a lavoura e a umidade dos grãos no momento da colheita.
Os danos e as perdas são geralmente menores em rotações mais baixas e com umidade dos grãos inferior a 16%.
Para silagem, um aspecto importante é o tamanho da partícula. Isso depende do maquinário utilizado para colheita e também da categoria animal que vai alimentar.
Em geral, recomenda-se um tamanho médio próximo a 10 mm para máquinas acopladas ao trator e de até 17 mm para automotrizes.
Conclusão
Durante o texto, pudemos acompanhar os aspectos mais marcantes do mercado e para uma boa colheita do milho safrinha.
Vimos a importância do planejamento do ano-safra como um todo, pois atrasos na semeadura impactam diretamente nos riscos e produtividade da safrinha.
A semeadura da safrinha fora do período recomendado pelo zoneamento e as condições climáticas desfavoráveis podem afetar a produção de milho este ano.
Desse modo, há muitas incertezas no que há por vir e, por isso, o mercado está receoso e os preços altos.
Pragas e doenças no sorgo: veja quais são as principais e como você pode manejá-las em sua lavoura para não ter perdas.
No Brasil, o sorgo é mais utilizado para a ração animal, sendo cultivado principalmente na segunda safra, com produção estimada de 2,3 milhões de toneladas (Conab) na safra 2019/20.
Mas podem ocorrer perdas nas lavouras por ataques de pragas e doenças, o que causa muita dor de cabeça para o produtor.
Por isso, preparamos este texto com as principais pragas e doenças do sorgo que podem ocorrer na sua lavoura e como combatê-las. Confira!
Doenças na cultura do sorgo
Antracnose do sorgo
No sorgo, a antracnose é considerada a doença mais importante por sua ampla distribuição nas áreas produtoras e pelos danos causados.
Essa doença pode ocasionar perdas na produção de grãos superiores a 80%, por conta da utilização de cultivares suscetíveis e de condições favoráveis à doença.
O fungo que causa a antracnose no sorgo é o Colletotrichum graminicola, que também causa antracnose na cultura do milho.
Assim, a doença no sorgo pode ocorrer em: folhas, colmo, panícula e grãos.
Nas folhas podem ocorrer sintomas em qualquer estádio, principalmente a partir do desenvolvimento da panícula.
Inicialmente, as lesões são circulares a ovais, com centros necróticos de coloração palha, depois se tornam escuras com a margem avermelhada ou castanha, dependendo da variedade.
No colmo, formam-se cancros caracterizados pela presença de áreas mais claras circundadas pela pigmentação característica da planta hospedeira, principalmente em plantas adultas.
E na panícula, pode ser a extensão da fase de podridão do colmo. As lesões nesta fase se formam abaixo da epiderme com aspecto encharcado, adquirindo posteriormente coloração cinza a avermelhada.
E como consequência da doença, as panículas de plantas infectadas são menores e amadurecem mais cedo.
Algumas medidas de manejo para antracnose no sorgo são:
Causada pelo fungo Puccinia purpurea, a ferrugem do sorgo é considerada uma doença comum na cultura e favorecida por regiões frias e úmidas.
Inicialmente, você pode observar pústulas (urédias) de coloração vermelha a castanha nas folhas mais próximas ao solo.
Com o desenvolvimento da doença, as pústulas liberam os esporos que são disseminados pelo vento.
Recomenda-se o uso de variedades resistentes para o controle da ferrugem do sorgo.
Míldio do sorgo
O míldio é causado por Peronosclerospora sorghi e apresenta ampla distribuição nas áreas produtoras de sorgo, podendo causar danos de até 80% com a utilização de cultivares suscetíveis.
Na região Sul do país, esta doença é considerada a segunda mais importante, atrás apenas da antracnose.
Assim, podem ocorrer duas formas de infecção: localizada e sistêmica.
A localizada se caracteriza por apresentar lesões necróticas nas folhas e, em condições frias e úmidas, pode ocorrer crescimento pulverulento e acinzentado na parte inferior da folha.
Já a infecção sistêmica, as plantas ficam cloróticas (clorose foliar). Na parte inferior das folhas com clorose, em condição de umidade, pode-se observar um revestimento branco, que são estruturas do agente causal do míldio.
Plantas com infecções sistêmicas podem se tornar raquíticas e morrer precocemente ou ficarem estéreis, não produzindo grãos.
Algumas medidas de manejo que você pode utilizar para o manejo do míldio são:
Variedades resistentes;
Uso de sementes de boa qualidade;
Rotação de culturas.
Mosaico comum do sorgo
Esta doença é virótica, causada por Sugarcane mosaic virus (SCMV), no entanto, mais recentemente, pesquisas relataram que outros vírus podem causar o mosaico em sorgo, tendo como vetor várias espécies de afídeos, como o pulgão do milho.
Como sintomas, podemos observar mosaico principalmente nas folhas mais novas, que podem desaparecer com a idade da planta.
Além disso, pode apresentar sintomas mais necróticos nas folhas, com áreas amareladas e avermelhadas, o que pode levar à morte da planta ou baixa produção de grãos.
Para o controle dessa doença é recomendado utilizar variedades tolerantes ou resistentes.
Doença açucarada do sorgo
Esta doença também é conhecida por secreção doce ou ergot, causada pelo fungo Sphacelia sorghi, e reduz a quantidade de grãos produzidos afetando seu desenvolvimento.
Como sintoma da doença, você pode observar a presença de um líquido pegajoso de coloração rosada que progride para parda na região da panícula.
Algumas medidas de manejo para a doença açucarada são:
Utilização de fungicidas na fase de floração;
Tratamento de sementes;
Eliminação de plantas com sintomas da doença, principalmente em áreas de produção de sementes.
Pragas na cultura do sorgo
Lagarta-do-cartucho
Essas lagartas são larvas de mariposa (Spodoptera frugiperda) que afetam o cartucho da planta, sendo mais prejudicial quando ataca a planta com até 8 folhas.
A lagarta-do-cartucho é uma importante praga para a cultura do sorgo, podendo causar prejuízos de 17% a 38,7% na produção.
Inicialmente esta praga pode “raspar” as folhas e depois se alimentar das mais novas e centrais da planta (palmito).
O ataque em plantas pequenas pode causar a morte, já em plantas maiores ocorre a redução da produtividade.
Por isso é importante realizar o monitoramento da lavoura, que pode ser feito com armadilhas para a captura de insetos adultos (uma armadilha a cada cinco hectares) ou o monitoramento das plantas de sorgo.
Para definir quando realizar o controle, fique de olho se a praga atinge o nível de controle que é em média 3 mariposas por armadilha de feromônio.
Ao monitorar as plantas, recomenda-se o manejo da lagarta quando for observado que 10% das folhas do cartucho estão com pequenas lesões circulares e algumas pequenas lesões alongadas, de até 1,3 cm de comprimento.
Tanto o uso de controle químico (inseticidas) quanto de controle biológico são recomendados para a lagarta-do-cartucho.
Lagarta-elasmo
Elasmopalpus lignosellus causa danos principalmente em locais em que ocorreu estiagem após a emergência das plantas.
Inicialmente, as lagartas podem “raspar” as folhas e depois afetam a região do colo da planta. Desta forma, podem danificar o ponto de crescimento e favorecer a morte das folhas centrais, provocando o sintoma de “coração morto”.
Recomenda-se realizar o manejo com o uso de inseticidas nas plantas ou nas sementes, além do plantio direto.
Broca-da-cana-de-açúcar
A broca-da-cana (Diatraea spp.) pode causar dano pelo quebramento e ataque no colmo das plantas.
No início do seu desenvolvimento, a broca também pode raspar as folhas do sorgo.
O controle dessa praga pode ser semelhante ao realizado em cana-de-açúcar com a liberação de parasitóides.
Outras medidas de controle que também podem ser utilizadas são o tratamento de sementes e destruição de restos culturais.
Pulgão no sorgo
O sorgo pode ser infestado pelo pulgão do milho (Rhopalosiphum maidis) e pelo pulgão verde (Schizaphis graminum).
O pulgão verde pode introduzir toxinas que causam o bronzeamento das folhas e até a morte das áreas afetadas, podendo ainda ser vetor de viroses.
O controle pode ser realizado por inimigos naturais e, também, aplicação de inseticidas quando ocorrer altas populações.
Corós
Corós, bichos-bolo ou pão-de-galinha são larvas de várias espécies que podem atacar as plantas de sorgo.
Para a identificação, você pode observar que as larvas apresentam formato de “C” de cor clara e a cabeça de coloração marrom.
Normalmente, elas afetam o sistema radicular das plantas podendo causar murcha nas plantas, tombamento ou a morte.
Algumas medidas de manejo são:
Eliminação de hospedeiros alternativos;
Destruição de restos culturais;
Utilização de inseticidas.
Larva arame
A larva arame, Conoderus scalaris, causa danos principalmente na destruição das sementes no sulco de plantio, reduzindo o estande inicial e vigor das plantas, o que causa perdas em seu sistema de produção.
As recomendações de manejo são:
Rotação de culturas;
Tratamento de sementes.
Percevejos no sorgo
Esses insetos se alimentam principalmente dos grãos no momento de enchimento, o que podem torná-los manchados e reduzir o tamanho.
Existem dois grupos de percevejos: grandes (percevejo-gaúcho, percevejo-verde e percevejo-pardo) e pequenos (percevejo-do-sorgo e percevejo-chupador-do-arroz).
Normalmente, o controle desses percevejos é natural. Quando em altas populações, pode-se utilizar controle químico (aéreo).
Controle de pragas e doenças do sorgo
Até aqui, comentei sobre as particularidades de pragas e doenças do sorgo, no entanto, algumas medidas gerais de manejo que você pode utilizar na sua área são:
Planejamento agrícola da cultura: é nessa fase que se escolhe a variedade de sorgo e, como vimos, o uso de variedades resistentes é uma medida de manejo muito utilizada;
Identificar as pragas e doenças que afetam a cultura do sorgo;
Conhecer o histórico da área a ser cultivada (quais os problemas que ocorreram nas culturas ao longo dos anos);
Conhecer as culturas em volta da sua plantação: várias doenças e pragas do sorgo podem ocorrer em outras culturas;
Monitoramento da área.
Lembrando que se for utilizar produto químico, verifique o registro no Agrofit para a cultura e para praga/doença.
Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).
Conclusão
Como vimos, existem muitas pragas e doenças que podem afetar a sua cultura de sorgo.
Algumas podem atacar as plantas no início do desenvolvimento ou já na fase de panícula.
Por isso, é importante conhecê-las e manejá-las para não afetar a produção da sua lavoura.
Plantas daninhas da soja como o caruru, leiteiro, capim-pé-de-galinha, capim-amargoso e trapoeraba podem dificultar e encarecer o controle na lavoura.
Dentre os diversos problemas que temos que lidar no campo, as plantas daninhas são um daqueles desafios que sempre tiram o nosso sono, não é mesmo?
Isso porque sabemos que os gastos com as práticas de manejo, principalmente com os herbicidas, podem ser de alto custo.
É por isso que separei para você cinco espécies de plantas daninhas da soja e algumas dicas para auxiliar no controle.
E, já falando da primeira dica, um dos principais manejos é fazer uma boa dessecação antes do plantio, pois isso vai ajudar a reduzir a competição inicial entre plantas daninhas e cultivadas. Veja mais a seguir!
As 6 principais plantas daninhas da soja
A cultura da soja pode ser afetada por diversas daninhas. A seguir, listaremos as 6 principais e as formas de controle mais recomendadas:
Capim-amargoso
Capim-pé-de-galinha
Amendoim-bravo ou leiteira
Buva
Trapoeraba
Caruru
1. Capim-amargoso (Digitaria insularis)
Logo que falamos em soja, já pensamos em uma das principais espécies que vêm causando problemas no campo: o capim-amargoso.
Também conhecido por capim-flecha, capim-açu e capim-pororó, é uma planta de ciclo perene, herbácea, ereta e que forma touceiras.
Sua reprodução ocorre via sementes e por meio de curtos rizomas, tendo seu controle dificultado.
Na cultura da soja, as perdas de produtividade podem chegar a 20% na presença de apenas uma planta de capim-amargoso/m².
Entre os herbicidas registrados para o controle de Digitaria insularis em soja temos:
graminicidas: cletodim, fenoxaprop, haloxifop, quizalofop e setoxidim;
diclosulam, imazapir, imazetapir;
glifosato;
glufosinato;
s-metolachlor;
trifluralina;
flumioxazin + imazetapir.
Na 37ª Reunião de Pesquisa de Soja (RPS 2019) foi estudado o controle de capim-amargoso em soja e os pesquisados obtiveram bons controles com os herbicidas em pré-emergência:
diclosulam (29,4 g i.a. ha-1);
trifluralina (1.200 g i.a. ha-1);
trifluralina + imazetapir (1.200 + 160 g i.a. ha-1);
s-metolacloro (1.440 g i.a. ha-1).
Para plantas perenizadas ou em áreas de elevada infestação de amargoso, serão necessárias três aplicações sequenciais de herbicidas ou uma roçada e duas aplicações.
Na hora da escolha dos produtos, o ideal é usar o glifosato junto com outros herbicidas. Por exemplo:
1° aplicação: glifosato + graminicida;
2° aplicação (rebrota): produto com ação de contato;
3° aplicação: não usar o mesmo graminicida da primeira aplicação.
2. Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)
O capim-pé-de-galinha, também conhecido por capim-do-pomar ou pé-de-galinha, é uma planta anual ou perene, que forma touceiras e tem reprodução por sementes.
Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)
Entre os herbicidas registrados para o controle de capim-pé-de-galinha em soja temos:
graminicidas: cletodim, fenoxaprop, haloxifop, quizalofop e setoxidim, fluazifop, propaquizafop, tepraloxidim;
metribuzin;
sulfentrazone
glifosato;
glufosinato;
s-metolachlor;
trifluralina;
carfentrazone + clomazone;
clomazone;
glifosato + imazethapyr;
glifosato + s-metolachlor.
Agora sobre as folhas largas, podemos citar as espécies de plantas daninhas da soja: carurus, o leiteiro e a buva que veremos a seguir.
3. Amendoim-bravo ou leiteira (Euphorbia heterophylla)
Também conhecida por flor-dos-poetas e café-do-diabo, o amendoim-bravo pertence à família Euphorbiaceae. É uma planta de ciclo anual, ereta, pouco ramificada, lactescente e com reprodução por sementes.
Leiteiro (Euphorbia heterophylla)
O leiteiro possui algumas características que lhe garantem sucesso como:
viabilidade longa das sementes, permanecendo mais tempo viáveis no solo;
germinação em maiores profundidades;
rápido crescimento vegetativo.
Antes da soja tolerante ao glifosato, o leiteiro era uma das principais plantas daninhas na cultura da soja.
Os principais herbicidas utilizados para o controle eram os inibidores da ALS. Mas, em 1993, o primeiro caso de resistência foi relatado com os herbicidas chlorimuron, cloransulam, imazamox, imazaquin e imazethapyr.
Isso dificultou o manejo que, após a aprovação da soja tolerante a glifosato, foi facilitado novamente, até que na safra 2018/19 foi verificado biótipos de leiteiro resistentes ao glifosato.
Por isso, dentre os herbicidas registrados hoje para o controle de leiteiro em soja temos:
2,4-D;
acifluorfen + bentazon;
chlorimuron;
dicamba;
diclosulam;
diquat;
fluazifop + fomesafen;
sulfentrazone;
saflufenacil;
lactofen;
imazethapyr;
imazaquin;
imazamox;
glufosinato;
glifosato + imazethapyr.
Estudos realizados por Ramires et al. (2010) demonstram a associação de herbicidas no controle de leiteiro com uma a três folhas, obtendo controle acima de 90% quando associado glifosato com cloransulam, flumiclorac, chlorimuron, imazethapyr, bentazon, fomesafen ou lactofen.
4. Buva (Conyza sumatrensis, C. bonariensis e C. canadensis)
A buva, também conhecida por voadeira, pertence à família Asteraceae.
São espécies anuais, herbáceas, eretas, com reprodução por sementes, que se não controladas até o final de seu desenvolvimento podem produzir até 350 mil sementes.
Por conta das sementes de buva serem leves, sua dispersão ocorre principalmente pelo vento, além de permanecerem viáveis por longos períodos no solo.
Além disso, plantas de buva no final do ciclo da cultura podem servir de hospedeiras de doenças e pragas.
Plantas de buva (Conyza spp.)
Entre os herbicidas registrados para o controle de buva temos:
C. sumatrensis: 2,4-D, chlorimuron e diclosulam;
Imazethapyr, glifosato e saflufenacil: C. canadensis;
C. bonariensis: 2,4-D, sulfentrazone, saflufenacil, diclosulam, dicamba, diquat, chlorimuron, flumioxazin, imazapyr, glufosinato e glifosato.
5. Trapoeraba (Commelina benghalensis)
A trapoeraba tem maior incidência na soja no período final do ciclo da cultura. Embora pareça uma folha larga, ela é classificada como folha estreita devido às suas características morfológicas e fisiológicas.
Assim, a falta de controle durante o ciclo da soja pode prejudicar a próxima cultura.
Esta espécie é uma planta complexa, pois possui produção de sementes aéreas e subterrâneas, além de ser tolerante ao herbicida glifosato.
Entre os herbicidas utilizados para o manejo da trapoeraba estão: 2,4-D, glufosinato, chlorimuron, sulfentrazone, glifosato + imazethapyr, dicamba, clomazone, carfentrazone, lactofen, imazethapyr, s-metolachlor, fomesafen e flumioxazin.
Lembrando que a seletividade à cultura da soja deve ser consultada na bula de cada produto.
6. Caruru
Diversas espécies de caruru podem infestar as lavouras de soja, entre elas temos:
caruru-rasteiro (Amaranthus deflexus);
caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus);
caruru (Amaranthus hybridus var. patulus);
caruru-gigante (Amaranthus retroflexus);
caruru-de-espinho (Amaranthus spinosus);
caruru-de-mancha (Amaranthus viridis).
Caruru (Amaranthus hybridus var. patulus), caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus) e caruru-de-mancha (Amaranthus viridis)
Hoje, o uso dos herbicidas em pré-emergência é uma ferramenta fundamental no manejo de plantas daninhas.
Por que usar herbicidas em pré-emergência da soja
Podemos citar diversas vantagens no uso de herbicidas em pré-emergência como:
aumento do período anterior à interferência (PAI);
redução do banco de sementes (propágulos) do solo;
rotação dos mecanismos de ação dos herbicidas, pois muitos possuem mecanismo de ação diferente dos herbicidas utilizados em pós-emergência;
vantagem competitiva para as plantas cultivadas.
Como vimos ao longo do texto, sempre há um herbicida recomendado em pré-emergência para o controle de plantas daninhas.
Em resumo, para a soja temos registrados os herbicidas:
Diclosulam: possui ação residual, ótimo controle de folhas largas, como a buva, e também algumas gramíneas como o capim-amargoso;
Clomazone: possui ação residual, utilizado no sistema de aplique-plante, além de bom controle de gramíneas de sementes pequenas como capim-colchão e capim-pé-de-galinha;
Flumioxazin: possui ação residual, pode ser usado no sistema aplique-plante da soja e também é utilizado no controle de plantas daninhas de folhas largas e algumas gramíneas;
S-metolachlor: possui ação residual, usado para o controle de plantas daninhas gramíneas de sementes pequenas como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso;
Sulfentrazone: possui ação residual sobre plantas daninhas de folhas largas, algumas gramíneas e tiririca;
Trifluralin: possui ação residual com controle de plantas daninhas de semente pequena, como o capim-amargoso e o capim-pé-de-galinha.
Conclusão
Neste texto, vimos algumas espécies de plantas daninhas que podem prejudicar a lavoura de soja como caruru, trapoeraba, capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e buva.
Vimos também os herbicidas registrados para o controle e a importância do uso dos pré-emergentes.
Lembre-se que os herbicidas registrados podem ou não ser seletivos para a soja. Assim, é necessário buscar sempre a bula para posicionar corretamente os produtos.
Gestão da propriedade rural, estratégia e passo a passo para o sucesso do seu negócio. Confira agora!
Ter conhecimento sobre tudo que vem ocorrendo na propriedade rural é uma estratégia certeira para tomar melhores decisões. Porém, a importância de realizar um controle eficiente da fazenda muitas vezes passa despercebida pelos empresários rurais.
Para atingir bons resultados é preciso analisar uma série de fatores que influenciam na produtividade e na rentabilidade do negócio.
Neste texto, vou te mostrar como melhorar a sua gestão rural e obter uma ampla visão sobre o cenário da sua fazenda.
O que é gestão rural?
Gestão rural é um conjunto de atividades e processos que têm como objetivo aprimorar o planejamento, organização e controle da fazenda, envolvendo tanto os processos produtivos quanto a visão de negócio da empresa rural. Assim, é possível tomar decisões mais conscientes para maximizar a produção, reduzir custos e melhorar os resultados financeiros da propriedade.
Mas nem todo produtor encara a fazenda como uma empresa ou um negócio. É muito comum encontrar pessoas que realizam atividades da forma como os seus antecessores faziam, sem buscar trabalhar de formas mais eficientes.
Para ser tratado como empresário rural, o produtor precisa utilizar recursos voltados ao gerenciamento, planejamento e execução do seu trabalho – sempre visando a melhoria de processos. A gestão rural se caracteriza por isso!
Quando o produtor cumpre papel de gerente e supervisor, ele se torna mais independente, pois adquire o domínio da rotina básica de seu empreendimento rural. Em posse de todas as informações do negócio, o produtor consegue estabelecer relações evolutivas com o mercado, pois começa a lidar com a profissionalização.
É crucial, nesse processo de profissionalização, a coleta, o processamento e a análise de uma grande quantidade de dados.
Por isso, é necessário ter em mãos ferramentas robustas e completas que permitam um estudo generalizado da fazenda, relacionando todos os seus pilares e permitindo resultados produtivos de sucesso.
Quais são os pilares da gestão rural
Fazer uma boa gestão rural está baseado em quatro conceitos, como: planejar, organizar, dirigir e controlar.
Planejar
No planejamento são definidos os objetivos do negócio e como chegar até eles. Para isso, é necessário discutir as prioridades para fazer um plano de safra que atenda às necessidades do negócio.
Este planejamento deve acontecer com antecedência do início do novo plantio, com o gestor rural estimando a área produtiva, levantando o custo previsto com insumos e traçando metas de produtividade.
Este momento também é o ideal para verificar os erros cometidos em safras anteriores, fazer diagnóticos e correções.
Organizar
A organização está diretamente ligada aos recursos de um negócio. Depois da definição do plano de metas, o gestor se organiza e distribui as funções necessárias para alcançar os objetivos.
Através de uma boa organização, as pessoas certas serão colocadas nos lugares certos, com as normas e as regras do negócio rural sendo melhor definidas.
Durante a organização, o gestor rural é o responsável por revisar os processos como o de gestão de compras, controle de orçamento e das movimentações financeiras.
Neste momento é essencial buscar as melhores estratégias para elevar a produtividade.
Dirigir
Em um negócio, a direção significa liderar, ou seja, a capacidade de gerir os recursos humanos de uma entidade.
Diferentemente da etapa anterior, a direção não é sobre distribuir tarefas, mas sim, sobre motivar e influenciar os colaboradores da fazenda.
Para liderar, é necessário que o gestor rural invista na capacidade de se comunicar com os colaboradores, criando um clima agradável no ambiente de trabalho e melhorando a produtividade.
Controlar
Para garantir que o pllanejamento e a distribuição de tarefas sejam cumpridos, cabe ao gestor rural controlar seu negócio.
Este controle deve ser feito através de números e informações, utilizando indicadores técnicos e planilhas gerados diariamente.
Além disso, cabe ao gestor ter comprometimento com seu negócio, devendo acompanhar o andamento das atividades, avaliar os resultados e tomar medidas corretivas sempre que necessário.
Qual a diferença entre administração e gestão rural
Quando se trata de administração rural e gestão rural, existem algumas diferenças conceituais.
A administração rural envolve conhecimentos técnicos e aplicações práticas no dia a dia da propriedade. Além disso, o planejamento é realizado a partir de uma visão financeira ampla, para que níveis satisfatórios de produtividade e faturamento sejam alcançados.
Por outro lado, a gestão rural está associada a um planejamento mais complexo, que se relaciona tanto com a administração como com ações agrícolas realizadas na empresa rural.
Como deve ser feita a gestão da propriedade rural
A gestão de uma empresa rural envolve diversos eixos: gestão de processos, gestão de pessoas e gestão de informação. Neste tópico explicamos o que são cada um desses eixos.
Gestão de Processos
Assim como em qualquer empresas, as empresas rurais também precisam ter uma integração eficiente entre seus setores.
Dessa forma, o primeiro passo passa pelo diagnóstico dos processos, com um entendimento melhor de como está a comunicação entre as áreas da propriedade.
Por exemplo, suponha que na área de operação do campo tem uma máquina parada porque está faltando uma peça.
Se o responsável pelo setor de suprimentos não for ágil em comprar, receber e disponibilizar a peça para os operadores, você poderá ter atraso na produção por conta de falhas na comunicação.
Então, é preciso entender o nível de maturidade dos processos da fazenda. Se os pequenos gargalos não estão ocorrendo e prejudicando o andamento das atividades.
Além disso, é importante entender qual é a confiabilidade e como é feita a organização das informações dentro da propriedade. Ter o registro de informações dos setores é necessário para entender o andamento de qualquer processo.
Gestão de Pessoas
Para que os pilares da gestão rural funcione, é fundamental ter funcionários engajados nos objetivos do negócio.
Para colocar a gestão de pessoas em prática, é preciso ter comunicação transparente, investimento em treinamento e considerar os diferentes tipos de aprendizagem.
Comunicação transparente
Um caminho para a comunicação transparente é a de fazer uma reunião com todos na fazenda para, por exemplo, o planejamento da safra, dos donos aos operadores. Todos devem estar alinhados com os objetivos de produtividade e as expectativas de colheita.
Nessa reunião, também é interessante trazer os aprendizados da safra anterior e os desafios enfrentados. Da mesma forma, é importante fazer a reunião depois da colheita para compilar aprendizados e conquistas.
Assim, você e sua equipe podem conhecer e melhorar o que não teve um bom andamento e a repetir o que foi realizado de positivo. Esse alinhamento sempre é importante independente do tamanho da equipe.
Outro caminho é fazer pequenas reuniões diárias entre o gerente da fazenda e a equipe. Um alinhamento de 10 minutos sobre as prioridades do dia, com a resolução de dúvidas e a comunicação do andamento das atividades entre os setores.
Esse alinhamento é necessário, principalmente, se a sua propriedade estiver passando por alguma mudança de processo ou plataforma.
Além disso, não se esqueça de definir com clareza as funções e obrigações de todos os envolvidos no negócio. A clareza das informações é indispensável.
Treinamento da equipe
Pode haver um desencontro entre as habilidades necessárias para executar as atividades na fazenda e as experiências profissionais.
Com a utilização de softwares de gestão rural, como o Aegro, para lançamento das atividades de campo, bem como outras ferramentas semelhantes, os profissionais precisam aprender novas rotinas. Para isso, o treinamento da equipe é fundamental.
É importante que os profissionais estejam sempre em evolução, para que o negócio evolua a cada ano, aumentando a produtividade.
Diferentes tipos de aprendizagem
Com todos os funcionários da fazenda engajados nos objetivos do negócio e dispostos a aprender novas habilidades, é preciso agora considerar os diferentes tipos de aprendizagem. Ou seja, cada pessoa aprende melhor de um jeito e é preciso reconhecer essas diferenças.
Por exemplo, um consultor do Aegro, durante a realização de um treinamento presencial na fazenda para implementação do sistema, identificou que alguns funcionários se sentiam pressionados com a epxlicação presencial e não conseguiam aprender bem com alguém ao seu lado.
Dessa forma, para esses colaboradores, o consultor enviou os tutoriais gravados e ficou à disposição para tirar as dúvidas.
Então, se alguém na sua empresa rural não estiver confortável com um método de aprendizagem de alguma ferramenta ou processos novos, busque caminhos diferentes e veja o resultado.
Gestão de Informação
Existem ferramentas que ajudam na gestão da empresa rural com informações da propriedade.
A gestão da informação também é fundamental para a boa produtividade da lavoura.
Um exemplo é o de controle das datas de aplicação de fungicida. Se o responsável pela parte agronômica define uma data de 15 dias de intervalo para a aplicação de um fungicida e a informação sobre a data da última aplicação se perder e for feito um intervalo maior, a entrada de uma praga pode se alastrar e o dano econômico ser significativo.
Na área administrativa, se a fazenda não tiver um fluxo de caixa bem organizado e uma provisão de despesas e receitas de curto, médio e longo prazos, a falta de informação também pode gerar prejuízos econômicos.
Uma informação confiável e atualizada do estoque impede que você faça compras baseadas nas indicações de um vendedor, por exemplo, e acabe não fazendo as melhores escolhas.
Entretanto, com um planejamento de compras e sabendo exatamente o que você tem de estoque, é possível otimizar as suas compras.
Vantagens da gestão rural
Melhorar a gestão rural permite:
1. Assegurar que haja estabilidade nas entradas e saídas (fluxo de caixa) mensais de recursos financeiros na propriedade;
2. Equilibrar a combinação dos recursos produtivos ao longo do tempo, em termos de demandas de mão de obra, equipamentos e insumos, bem como as fontes de renda e formas de comercialização dos vários produtos;
3. Minimizar os riscos do produtor ao selecionar bem as atividades e trabalhar com estudos futuros do mercado;
4. Preparar o produtor rural para ajustar as atividades em função de diferentes períodos de crise, de preços de insumos e de produtos gerados na propriedade;
5. Viabilizar a adequação ambiental da propriedade rural, assegurando a manutenção dos recursos naturais fundamentais aos processos produtivos.
Algo que jamais pode ser esquecido é que o processo de gestão deve ser contínuo e permanente. Afinal, manter um histórico produtivo auxilia na tomada de decisões.
5 Práticas para melhorar sua gestão rural
Controle de custos inteligente
No processo de gestão de um negócio rural, assim como no plantio, o controle de custos de produção também tem sua carga de importância.
Conhecer todas as entradas e saídas da propriedade rural não é uma atividade tão complexa, mas requer o acompanhamento periódico das contas.
Esse acompanhamento pode ser feito de forma manual, com a inserção de dados em planilhas de Excel.
Todavia, para agilizar a sistematização dessas informações no dia a dia, os produtores rurais podem contar com a tecnologia, com uso de um software e aplicativos rurais.
Esta ferramenta vem substituindo os métodos anteriores porque torna mais fácil a manutenção de um fluxo de caixa.
Mas o principal benefício de um software é a forma como ele faz uma análise global da situação financeira da propriedade através do cruzamento de dados, permitindo tomadas de decisões mais assertivas.
Fluxo de caixa em dia
Os ajustes no âmbito agrícola devem ser feitos interligando planejamento e controle. Antes de tomar qualquer decisão, o produtor rural deve conhecer bem como está a situação financeira de sua propriedade.
Esse controle é nomeado como fluxo de caixa, onde serão inseridas as receitas e despesas, ou seja, o cadastro do seu saldo atual, saldo de entrada, saldo de saída, e saldo final.
Neste tipo de controle, subdividir as categorias em grupos facilita a caracterização das despesas e das entradas, aliando ainda, ao período que estão ocorrendo essas movimentações.
Com isso, o produtor consegue identificar onde ocorrem gastos excessivos e tentar de alguma forma contornar a situação, para estabilizar os valores financeiros.
Desta maneira, as decisões adotadas serão fundamentadas em dados numéricos, propiciando a sustentação da empresa rural.
Análise de dados
Quando estamos falando de planejamento, logo temos em mente dados. E quanto mais, melhor!
Mas de que adianta uma grande quantidade de dados se quando buscamos respostas não sabemos interpretá-los?
Com isso, uma tendência é a utilização de big data, que consiste no armazenamento de um grande grupo de dados, chegando com rapidez a interpretações que garantem produtividade.
Com essa tecnologia conseguimos manter um negócio rural muito mais produtivo, pois temos um aproveitamento eficaz dos recursos.
Gestão de pessoas
No processo de gestão de pessoas é necessário definir cargos e tarefas para que as demandas sejam atendidas.
Além de elencar o que fazer a estas pessoas é fundamental o ensinamento de como fazer, isto é, treinamento. Visto que cada vez mais vêm ocorrendo mudanças e tecnificação no sistema de gerenciamento.
O produtor que é bom gestor, também consegue identificar a necessidade de capacitações e consegue reconhecer habilidades e agrupamentos favoráveis de pessoas para a realização de atividades.
Afinal, de nada adianta usar soluções tecnológicas e ferramentas de gestão se as pessoas não estão familiarizadas com a tecnologia e com a estrutura de gestão da empresa.
Tecnologia para gestão rural
A melhor maneira de agregar dados estratégicos para a boa gestão da propriedade rural é utilizando um software agrícola como o Aegro.
Essa ferramenta une as áreas operacional e financeira da fazenda, centralizando informações que costumam ficar espalhadas em diferentes sistemas ou planilhas.
Com o Aegro, você automatiza seu fluxo de caixa. É possível vincular diferentes contas bancárias ao sistema e ficar em dia com as parcelas a pagar e receber em cada uma delas.
Além disso, o software permite que você planeje as atividades realizadas pela sua equipe, definindo quantas horas de trabalho devem ser gastas com cada operação.
No final do ciclo produtivo, o Aegro ainda te oferece uma análise detalhada de rentabilidade. Desta maneira, você pode entender o que deu certo ou errado e otimizar os processos da sua lavoura.
Tudo isso pode ser feito pelo computador ou celular! Confira as principais funcionalidades do software:
Gestão de patrimônio e de máquinas;
Operações agrícolas;
Gestão financeira e comercialização;
Monitoramento integrado de pragas;
Cotação de seguros agrícolas;
Integração com o Climatempo, para verificar as previsões em tempo real;
Exemplo de visualização da rentabilidade da safra com uso do software de gestão agrícola Aegro
Confira algumas opções para começar a gerenciar sua propriedade com o Aegro agora mesmo:
Teste grátis do sistema completo por 7 dias (clique aqui);
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Aplicativo gratuito para celular iOS (clique aqui);
Utilize seus Pontos Bayer para contratar a versão completa do Aegro (clique aqui).
Conclusão
Como você conferiu ao longo do texto, as melhores práticas para gestão da propriedade rural ajudam o produtor a identificar pontos de melhoria no seu negócio e alcançar o sucesso.
É possível concluir que a agricultura cada vez mais será sustentada por ferramentas dinâmicas de gestão, como é o caso dos softwares, que possibilitam a associação de informações e rapidez nas interpretações.
Com gestão, o negócio rural começa a ser mais eficiente e mais produtivo, podendo, então, ser caracterizado como profissional.
Mariana é formada em economia e mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Economia e graduanda de Ciências Contábeis na mesma instituição.
Pragas do arroz: saiba quais as principais pragas, como identificá-las, técnicas de amostragem e mais.
Na safra de 2018/2019 foram plantados 1,69 milhões de hectares no Brasil, sendo 79,5% de áreas de arroz irrigado e 20,5% de arroz de sequeiro, produzindo um total de 10,44 milhões de toneladas.
Sabemos que o arroz faz parte da alimentação básica do brasileiro, compondo inúmeros pratos típicos do país.
Como seus grãos são consumidos diretamentes ou com alguns processos de beneficiamento, o manejo de pragas implica diretamente sobre a produtividade e qualidade final do produto.
Desta forma, é muito importante que os agricultores conheçam as principais pragas e saibam identificá-las.
Neste artigo, separei para você informações importantes sobre as principais pragas do arroz.
Gorgulho aquático ou bicheira do arroz (Oryzophagus oryzae)
Considerada uma das pragas mais importante da cultura do arroz irrigado.
Seus adultos possuem coloração cinza e começam seu ataque no início do período quente, nos meses de setembro a dezembro.
Assim, os adultos do gorgulho aquático atacam as folhas da cultura sem provocar grandes danos, deixando cicatrizes longitudinais brancas nas folhas. Mas após isso, as fêmeas depositam seus ovos nas folhas.
Quando os ovos eclodem, surgem as larvas que vão ocasionar os verdadeiros danos ao se alimentarem das folhas e irem para as raízes do cultivo. Nas raízes, estas se tornarão pupas.
As larvas preferem as raízes novas para sua alimentação, por isso, geralmente cortam a parte central delas.
Durante o ciclo da cultura, geralmente, ocorrem duas gerações larvais: uma próximo à irrigação (20 dias após irrigação) e outra 70 dias após emergência.
Para o controle desta praga o monitoramento é muito importante, iniciando-se 20 dias após a irrigação.
Desta forma, percebe-se os danos ocasionados pelas larvas pela ocorrência de plantas menores de coloração amarelada e que podem ser facilmente arrancadas (consequência dos danos nas raízes). O dano econômico ocorre a partir de cinco larvas por amostra.
No mês de março, retornam ao período de hibernação que ocorre na própria lavoura ou em áreas adjacentes. Demonstrando assim, a importância do manejo de plantas daninhas na lavoura e áreas próximas.
Lagarta da panícula (Pseudaletia sequax e P. adultera)
A fase adulta desta praga é uma mariposa que possui um ponto escuro no centro das asas anteriores.
Assim, o início do ciclo desta praga ocorre pela oviposição nas folhas e colmo do arroz. Após 8 dias aparecem as lagartas com coloração pardo-escura para a espécie P. adultera e rosada para P. sequax.
Essa praga ataca as folhas nos estádios iniciais do arroz e, com o passar do tempo, as panículas da cultura.
A lagarta da panícula pode iniciar sua ocorrência na fase de afilhamento, porém é mais frequente na fase de emissão da panícula, permanecendo até a colheita.
Ela possui hábitos alimentares noturnos, ficando abrigadas na parte inferior das plantas na maior parte do dia.
Por isso, as amostragens devem ser realizadas ao entardecer e com maior frequência (se possível diariamente) na formação da panícula, verificando a presença da lagarta e a ocorrência de grãos ou parte das panículas no solo.
Pragas do arroz: Percevejo do colmo (Tibraca limbativentris)
Estes percevejos quando adultos possuem coloração marrom e, quando jovens, coloração preta.
Seu ciclo de vida inicia pela oviposição nas folhas e, após 8 dias, surgem as ninfas.
O ataque do percevejo ocorre logo após a emergência, quando a praga se alimenta da seiva proveniente do colmo, ocasionando pontuações marrons na planta e podendo evoluir para o sintoma de coração morto.
Já em plantas mais desenvolvidas, o ataque do colmo pode resultar na má formação da panícula, apresentando coloração da panícula branca ou esterilidade parcial dos grãos.
Atenção: aamostragem deve ser feita com cuidado, pois 70% dos insetos se encontram abrigados na parte inferior da planta. Caso ocorram, seu controle deve ser realizado o quanto antes para evitar danos à panícula.
Além disso, essa praga possui um período de hibernação, em que a partir no mês de março pode se abrir na resteva ou em plantas hospedeiras, como a planta daninha rabo de burro (Andropogon sp.).
Demonstrando assim, que o manejo de plantas daninhas pode interferir sobre o controle de pragas em sua lavoura.
A lagarta-da-folha possui três fases de vida: larva, lagarta e mariposa, apresentando coloração marrom-acinzentada.
Em todos os estágios essa praga é prejudicial à cultura, causando danos desde o estabelecimento do estande adequado até na diminuição da área foliar.
Além disso, pode diminuir consideravelmente a produtividade dos grãos e, quando não manejada a tempo, a lagarta pode levar à morte da planta.
Na prática, cada lagarta pode reduzir cerca de 1% no rendimento de grãos por m² e ela costuma atacar as plantas o início da manhã, por isso, fique atento!
Lagarta-da-folha (Fonte: Bayer)
Percevejo-do-grão (Oebalus poecilus e O. ypsilongriseus)
Os percevejos causam danos em diversas culturas, no arroz não é diferente.
Assim como o percevejo-do-colmo, se alimenta da sucção de seiva e influencia diretamente na qualidade dos grãos.
O percevejo-do-grão causa o chochamento e gessamento dos grãos, os deixando extremamente frágeis, o que é prejudicial no beneficiamento.
Fique atento: pois plantas daninhas podem ser hospedeiras dessa praga!
Então, o fundamental é realizar a amostragem com frequência porque tanto as ninfas quanto os adultos se deslocam com facilidade.
Com o auxílio de um SIG é possível otimizar a aplicação de insumos nas fazendas e, ainda, criar mapas temáticos para o correto manejo das lavouras.
Deste modo, com os dados provenientes dele fica mais simples a tomada de decisões dentro das empresas rurais. Veja mais sobre SIG na agricultura!
O que é um SIG?
A sigla SIG significa Sistema de Informação Geográfica e os SIGs podem ser hardwares ou softwares que nos permitem trabalhar com dados georreferenciados.
Os dados georreferenciados são informações que possuem coordenadas geográficas atreladas às características de interesse, possibilitando o trabalho e as análises dos fenômenos no local exato onde ocorrem.
Como muitos destes softwares são universais, podemos encontrar a sigla também em inglês: GIS que significa Geographic Information System.
Os SIGs possibilitam a localização espacial dos nossos dados de interesse, sendo possível sua organização em camadas de informações, além de visualização em mapas temáticos e até em 3D.
Uma vez que temos diversas camadas de dados em mãos é possível identificar padrões e utilizar tais mapas para tomar decisões mais assertivas de cada talhão da fazenda.
Com o auxílio de um SIG conseguimos coletar, armazenar, analisar e criar mapas com os dados atrelados a um sistema de coordenadas conhecido.
Assim que nossas camadas de informações geográficas SIG estão organizadas e armazenadas, diversos processamentos são passíveis de serem realizados de forma simples e eficiente.
(Fonte: National Geographic)
Os modelos de arquivos mais comuns gerados dentro dos SIGs são: raster e vetorial.
O modelo raster, também conhecido como matricial, centra-se geralmente em propriedades do espaço, segmentando em células quadradas, retangulares, triangulares ou hexagonais.
Cada célula representa um único valor e quanto maior o tamanho ou dimensão da célula, menor é a exatidão ou detalhamento da informação no espaço geográfico. Como exemplo podemos citar as imagens de satélite.
Já o modelo vetorial, centra-se na exatidão da localização dos elementos no espaço geográfico, utilizando os arquivos utilizados de ponto, linha e polígono. Como exemplo podemos citar rotas, waypoints e contornos.
Quais SIG existem no mercado?
No mercado existe uma infinidade de SIGs e talvez os mais conhecidos são o ArcGis e o QGIS.
Ainda nesta linha de SIGs e softwares que permitem trabalhar com dados georreferenciados, podemos encontrar uma infinidade de programas.
Dentre eles pode-se citar:
Spring;
GRASS;
uDIG;
ÚrsulaGIS;
Kosmo GIS;
TerraView;
gvSIG;
FalkerMap 2.0;
AgroCAD;
Entre outros.
Alguns destes softwares são mais completos e possibilitam o trabalho com diversas camadas de informação e formatos de arquivos.
Encontramos, dentre eles, softwares que são de propriedade de empresas privadas e outros que são gratuitos, muitos em português, alguns em inglês e outros em espanhol.
Um dos softwares gratuitos mais conhecidos e utilizados é o QGIS.
O QGIS é um software “open source”, ou seja, de código aberto e que possibilita a criação de plugins programados, permitindo que você possa até contribuir com melhorias para o programa.
Qual o SIG mais indicado para agricultura?
Os dois SIGs mais indicados para a agricultura são o ArcGis e o QGIS.
O ArcGis é um software pago, porém, que possui muitas funcionalidades de complementos e scripts já prontos para o trabalho com mapas utilizados nas fazendas.
O QGIS é o SIG que mais gosto e utilizo no meu dia a dia, principalmente por ser em português, gratuito, de código aberto (open source) e possuir uma comunidade muito ativa que o utiliza e produz centenas de tutoriais que encontramos disponíveis online.
Uma dica antes de selecionar o SIG que você vai trabalhar é pesquisar que formatos de arquivos este software lê.
Os arquivos mais comuns para trabalho dentro dos SIGs são: shapefile, txt, csv, DWG, DXF e GPX.
Além do software ser capaz de ler e importar tais formatos, ele também deve ser capaz de exportar da mesma maneira estes dados, uma vez que estes arquivos, em algum momento, terão que ser utilizados em máquinas e equipamentos compatíveis.
O QGIS já traz em seu banco de dados um grande número de ferramentas para o trabalho com arquivos georreferenciados, mas esse número ainda pode ser aumentado uma vez que é possível a instalação e habilitação de novos complementos e plugins.
Os plugins podem ser desenvolvidos e compartilhados por qualquer pessoa que saiba programar em Python ou C++.
Se você é consultor, produtor ou está começando a trabalhar com mapas e dados georreferenciados, o QGIS pode ser uma excelente escolha.
Ainda pode ser instalado nas diversas plataformas operacionais, sendo totalmente funcional para Windows, Mac OS X, Linux e sistemas UNIX.
O que é possível criar em um SIG na agricultura?
Os SIGs atualmente são bem completos, sendo possível a criação de uma infinidade de mapas e camadas de informação.
Criação de MDT (Modelo Digital do Terreno) e MDE (Modelo Digital de Elevação);
Interpolação dos dados;
Criação de mapas de NDVI (e outros índices de vegetação);
Criação de zonas de manejo;
Mapas de condutividade elétrica;
Criação de mapas de textura dos solos;
Criação de mapas gerais dos talhões;
Traçar rotas mais curtas do maquinário;
Criação de grids amostrais;
Desenhar os talhões e carreadores de forma otimizada;
Entre diversas outras funções.
Portanto, os SIGs nos permitem produzir mapas com maior rapidez e facilitar as análises qualitativas e quantitativas dos dados espaciais coletados.
Além disso, os SIGs permitem a realização de comparações espaciais e temporais de dados, álgebra de mapas, cálculos de caminhos, rotas e áreas de geração de modelos explicativos de acordo com o comportamento analisado de cada talhão ou fazenda.
Aegro como aliado ao SIG na agricultura
Para quem já está acostumado a realizar sua gestão rural por meio do aplicativo Aegro, o uso do SIG em conjunto com as funcionalidades de imagens de satélite e sensoriamento remoto do software farão toda a diferença.
Basta contratar a integraçãoAegro Imagens para ter acesso ao mapeamento por satélite da sua propriedade rural.
Com essa integração, você recebe imagens atualizadas do satélite Sentinel-2 em uma frequência de 3 a 5 dias.
É possível visualizar os índices de vegetação de cada talhão, juntamente com as operações agrícolas que foram realizadas no local.
Dentro do Aegro Imagens também é possível criar os mapas NDVI, que serão extremamente úteis para o planejamento de operações nas suas safras e servirão de base para tomadas de decisões assertivas.
Conclusão
O SIG na agricultura possibilita o trabalho com dados georreferenciados das propriedades rurais.
Os mapas e camadas de dados gerados num SIG facilitam as análises, interpretações e tomadas de decisão nas fazendas.
Com o auxílio de um SIG, consegue-se entender melhor o que ocorre em cada porção das lavouras, além de otimizar custos e aplicações de insumos baseados em conceitos de agricultura de precisão (AP).
Agora que você já sabe o que é um SIG na agricultura, quais os presentes no mercado e como essa tecnologia pode ser utilizada na sua fazenda, faça uma boa escolha!