Irrigação de feijão: quando vale a pena investir?

Irrigação de feijão: como avaliar melhor esse investimento, vantagens, desvantagens e o resultado na produtividade da lavoura.

O feijão é uma cultura de ciclo curto, por isso pode ser muito afetada pela deficiência hídrica. 

A primeira safra de 2020, por exemplo, sofreu com a estiagem e teve impactos na sua produtividade.

A irrigação é uma tecnologia que pode ajudar muito, pois permite planejar melhor a lavoura e não contar somente com a “sorte” da chuva na hora certa.

Mas o que considerar antes de optar pela irrigação de feijão? Neste artigo vou mostrar as principais vantagens e desvantagens para que você faça a melhor escolha. Confira a seguir!

O ciclo do feijão e suas exigências hídricas

O feijão possui três safras por ano, o que proporciona sazonalidade das condições ambientais em cada safra. Mas as exigências da cultura durante o ciclo são sempre as mesmas, claro que de acordo com a cultivar utilizada. 

A exigência hídrica do feijão começa na germinação, a qual requer uma lâmina mínima de água de 1,3 mm. 

Mas é em V4 que a necessidade da cultura é maior. Neste momento em que existe mais área foliar, são necessários 56 mm ao todo.

Em R5, com o surgimento dos primeiro botões florais, também ocorre uma demanda hídrica grande. Em R7, na formação das vagens, ocorre outro pico de exigência hídrica.

Já falamos isso em detalhes no Blog do Aegro. Confira os “Manejos essenciais em cada um dos estádio fenológicos do feijão”.

O plantio de outono/inverno é o que enfrenta maior escassez de chuvas e, por isso, é uma das que mais requer o uso da irrigação para a produção. Mas quando vale a pena fazer a irrigação e quais são suas vantagens e desvantagens? Vou mostrar a seguir:

Vantagens e desvantagens da irrigação de feijão

Alguns pontos devem ser bem considerados para avaliar se vale a pena ou não o uso da irrigação para o feijão.

Antes de instalar a irrigação, considere:

  1. distribuição das chuvas da sua região;
  2. necessidade de água na cultura;
  3. efeito da irrigação na produtividade;
  4. fonte de água.

Vantagens 

Com o uso da irrigação, há todo suprimento hídrico necessário à cultura. 

Isso garante produtividade, eficiência de aplicação com a regulação correta do bicos irrigadores, proteção contra geadas e a possibilidade de uso para fertirrigação. 

E, se tudo for bem planejado, não há qualquer desperdício de água na propriedade. 

Desvantagens 

Para a implantação da irrigação, as condições locais vão fazer toda a diferença. Por isso, a declividade do terreno e as condições meteorológicas, como o vento, devem ser bem avaliadas.

Há também a necessidade do investimento inicial na estrutura para a irrigação e as despesas recorrentes com manutenção e energia elétrica que devem entrar no planejamento agrícola

Além disto, você necessita de autorização para captação de água: a outorga.

Tipos de irrigação para feijão

São três os principais tipos de irrigação: a localizada, a superficial e a de aspersão. Vou explicar melhor cada uma deles a seguir.

Localizada

Esse tipo de irrigação é realizada próximo às raízes das plantas, promovendo o umedecimento do solo. As técnicas utilizadas podem ser o gotejamento ou a microaspersão

foto com foco na irrigação localizada, mostrando a técnica de gotejamento em solo. irrigação de feijão

(Fonte: Érico Andrade/G1)

Superficial

Essa é a irrigação realizada por meio de sulcos na lavoura ou pela realização de inundações. A água é conduzida pela superfície do solo até o ponto de infiltração. 

Aspersão

Esse é o tipo de irrigação que simula uma chuva. 

Os sistemas mais utilizados nesses casos são o autopropelido, convencional ou pivô central. Vou falar um pouco mais sobre eles. 

Autopropelido

Nesse sistema existe o deslocamento pela área de cultivo de um carrinho com plataforma onde ficam as mangueiras e aspersores, podendo utilizar barras ou canhão de irrigação.

A vantagem desse sistema é ser utilizado em diversos tipos de áreas (com relevos e delimitações diferentes) e ter baixa exigência de trabalho manual

As desvantagens são o custo de investimento no equipamento e uma inadequada proteção contra geadas e gotas muito grandes quando mal regulado. 

foto de carrinho com plataforma autopropelido em um campo para irrigação de feijão

(Fonte: Embrapa)

Pivô Central

Como o próprio nome já diz, esse sistema é baseado em um pivô fixado ao centro de uma área circular, no qual as barras de irrigação atingem para a aspersão da água.

A vantagem desse sistema é a baixa exigência de mão de obra, a uniformidade da aplicação da irrigação, possibilidade de aplicação frequente em pequenas quantidades de água, protegendo de geadas e adaptação à fertirrigação. 

Por outro lado, o custo inicial da implantação é alto e a área irrigada pelo pivô é delimitada.

Aspersão Convencional 

Nesse sistema, a aspersão é fixada em um local que realiza a aspersão da água por canhão. 

As vantagens são o custo menor de implantação, facilidade de operação, além de poder ser utilizada em diversos tipos de área.

As desvantagens são a exigência de mão de obra para movimentação dos canhões na lavoura para irrigar outras regiões e dificuldade em possibilitar outros manejos fitossanitários da lavoura.

Ferramentas para intervalo de irrigações 

Para que não haja desperdícios, é necessário que se tenha um gerenciamento correto dos turnos de regas (ou o intervalo de irrigações). Por isso, vamos entender algumas ferramentas de controle: 

Tensiômetro 

Essa aparelho é colocado no solo para medir a tensão da água em duas profundidades diferentes: a 15 cm e a 30 cm. 

É a leitura dos dados dos tensiômetros que baseiam o processo de irrigação, que segue o método de turno de rega (TR). O cálculo do intervalo entre regas considera fatores como:

  • capacidade de campo;
  • ponto de murcha permanente;
  • densidade do solo;
  • profundidade efetiva das raízes da planta;
  • fator de disponibilidade de água;
  • evapotranspiração;

Ao longo do ciclo de feijoeiro, esses fatores variam. 

Em pivô central, os tensiômetros são instalados em distâncias de 4/10, 7/10 e 9/10 do raio do pivô.

Irrigâmetro

Esse aparelho contém um evaporímetro e o objetivo é estimar a evapotranspiração da cultura. Ele é constituído de um recipiente de seção cônica, de cor verde, que mantém uma superfície de água exposta à atmosfera e foi desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa.

Sensores

Através do uso de sensores é possível acompanhar diversas variáveis ambientais que influenciam diretamente na necessidade de rega.

Esses sensores podem ser distribuídos em várias partes da lavoura e coletando, a todo o momento, informações sobre a disponibilidade hídrica. 

planilha custos de pivô Aegro

Conclusão

O importante é você começar pelo simples: conheça bem a sua região, o clima, relevo, solo e o ciclo da cultura do feijão. 

Depois, faça bem feito o seu planejamento agrícola e conheça outras experiências de agricultura irrigada. Com isso, você saberá avaliar bem se a prática se encaixa no seu planejamento. 

Uma coisa é certa: se planejar bem o uso da irrigação da sua lavoura o resultado vem, pois o feijão é uma cultura com o mercado aquecido. 

>> Leia mais:

Melhore seu plantio de feijão (Phaseolus vulgaris L.)

Gostou do texto? A irrigação de feijão é uma opção para a sua propriedade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Veja 5 formas de fazer o controle não químico para plantas daninhas

Controle não químico para plantas daninhas: aprenda a manejar as invasoras na ausência dos herbicidas.

Você já esteve diante de uma situação em que não podia recomendar ou usar herbicidas para controlar as plantas daninhas?

O que você faria se não existisse o manejo químico das invasoras?

Um dos principais métodos para prevenir a resistência de daninhas aos herbicidas é o MIPD (Manejo Integrado de Plantas Daninhas). Além disso, em sistemas orgânicos de produção, o uso de herbicidas também não é permitido.

Por isso, é essencial conhecer e saber como utilizar os métodos de controle não químicos para plantas daninhas. Confira e tire suas dúvidas a seguir!

Formas de controle não químico para plantas daninhas

Hoje, temos seis métodos de controle para plantas daninhas:

  • preventivo;
  • cultural;
  • mecânico;
  • físico;
  • biológico;
  • químico.

O uso de outros métodos de controle que não apenas o químico ajuda a prevenir ou retardar a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Além disso, alguns métodos de controle não químicos são muito eficientes dependendo da planta daninha que queremos controlar. É o caso do uso da palha, que ajuda a controlar invasoras que precisam de luz para germinar.

A palha também ajuda no controle por meio da liberação de aleloquímicos, que podem atuar inibindo a germinação e o estabelecimento de plantas daninhas. Além disso, atua como uma barreira física, desfavorecendo as plantas daninhas de sementes pequenas.

A seguir, vou explicar melhor cada uma das formas de controle não químicas que você pode utilizar em sua lavoura.

1. Controle preventivo de plantas daninhas

O controle preventivo deve sempre estar presente no seu planejamento, pois ele tem como objetivo evitar a entrada de plantas daninhas na lavoura.

Alguns manejos preventivos são:

  • evitar o uso de esterco, palha ou compostos com propágulos de plantas daninhas;
  • limpeza completa de equipamentos agrícolas antes e após a entrada em talhões onde existam espécies-problemas;
  • inspeção de mudas e gramados (comprar sementes e mudas sem a presença de propágulos de plantas daninhas);
  • limpeza e manutenção de canais de irrigação;
  • limpeza de roupas e equipamentos agrícolas;
  • controlar as plantas daninhas durante a entressafra;
  • evitar o florescimento das plantas daninhas e dispersão das sementes;
  • colocar animais em quarentena em área isolada logo após serem adquiridos e/ou após transferência de localidades em sistema de integração lavoura-pecuária. Este processo facilita a limpeza de sementes aderidas em suas pelagens e a saída das sementes presentes no trato digestivo.

Pelos exemplos, você pode notar que fazemos o manejo preventivo sem perceber, mas é sempre bom lembrarmos quais são estes métodos e como utilizá-los a nosso favor!

duas fotos de sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto na palma de uma mão

Sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto são facilmente aderidas a pelagens dos animais
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

2. Controle mecânico 

O controle mecânico de plantas daninhas é o procedimento que envolve o uso de ferramentas específicas e pessoas para controlar as invasoras.

Os métodos utilizados no manejo mecânico são:

  • arranquio manual;
  • roçadeira;
  • enxada;
  • rolo de facas;
  • cultivador rotativo;
  • cultivador de dentes;
  • revolvimento do solo;
  • roçadeira articulada.
foto de um homem com chapéu de palha capinando com enxada uma lavoura. Controle não químico para plantas daninhas

Capina com enxada
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

3. Controle cultural de plantas daninhas

O controle cultural tem objetivo de fazer com que a lavoura manifeste seu máximo potencial produtivo.

Todos os manejos que favoreçam a cultura em detrimento das plantas daninhas pode ser considerado um controle cultural.

Neste método de controle, vamos proporcionar à cultura todas as vantagens para uma rápida germinação, emergência e desenvolvimento, para que ela consiga sombrear as entrelinhas o mais rápido possível.

Para isso, algumas táticas culturais utilizadas são:

  • rotação de culturas;
  • consórcio de culturas;
  • culturas em faixas;
  • plantio na época adequada, de acordo com o zoneamento agrícola;
  • espaçamento e densidade de plantio adequados;
  • controle de plantas daninhas na entressafra;
  • cobertura do solo com palha;
  • plantio no limpo, ou seja, sem a presença de plantas daninhas;
  • preparo físico e químico do solo;
  • cultivares adaptadas para a região de plantio.

A manutenção da cobertura do solo com palha pode reduzir a emergência de plantas daninhas de sementes pequenas e que precisam de luz para germinar.

Plantar a cultura na época correta, na densidade e espaçamento corretos, ajuda a cultura a germinar e se estabelecer de forma mais rápida. Isso reduz a competição com as plantas daninhas no início do desenvolvimento.

A rotação de culturas faz com que outros manejos sejam adotados de acordo com o cultivo estabelecido. São outros manejos de pragas, doenças e plantas daninhas – e isso também auxilia na redução do banco de sementes.

Para aqueles que não adotam o plantio direto, o revolvimento do solo que é feito no plantio convencional estimula a quebra de dormência das sementes ou ainda expõe as sementes à superfície.

O preparo químico mantém o equilíbrio do solo, algumas plantas daninhas são favorecidas por solos ácidos e de baixa fertilidade.

Espécies como assa-peixe, capim-barba-de-bode, capim-favorito e guanxuma são favorecidas por solos ácidos.

4. Controle físico de plantas daninhas

O controle físico não é tão conhecido como os outros métodos de manejo, porém é muito importante. 

Dentre os controles físicos de plantas daninhas podemos incluir:

  • cobertura morta;
  • solarização;
  • inundação;
  • drenagem;
  • eletricidade.

Vou explicar melhor cada um deles!

Cobertura morta ou alelopatia

Os restos culturais que ficam sobre o solo podem servir como uma barreira física. Essa barreira impede a emergência de sementes pequenas de daninhas, pois elas possuem poucas reservas, que são insuficientes para que a plântula ultrapasse a cobertura morta. 

A cobertura morta também favorece sementes fotoblásticas negativas e desfavorece as fotoblásticas positivas, ou seja, as que são favorecidas pela luz no processo de germinação.

A decomposição da cobertura morta também pode liberar compostos que são conhecidos por aleloquímicos, que podem interferir negativamente na germinação e emergência de plantas daninhas. É a chamada alelopatia.

Solarização

O processo de solarização consiste na utilização de coberturas plásticas com o objetivo de aumentar a temperatura do solo e causar a morte das plantas daninhas pelo excesso de calor. 

Para a solarização ocorrer da forma adequada, é necessário um clima quente, úmido e de intensa radiação solar, com dias longos para aumentar a temperatura do solo. 

É preciso a presença de umidade no solo para aumentar a condução de calor e estimular a germinação do banco de sementes. 

Inundação

A inundação impede que as raízes das plantas sensíveis obtenham oxigênio para sobreviver.  

É um método utilizado em culturas inundadas, como o arroz. 

A inundação controla plantas daninhas como: tiririca (Cyperus rotundus), grama-seda (Cynodon dactylon) e capim-kikuio (Pennisetum clandestinum). 

Drenagem

A drenagem pode ser utilizada no controle de plantas daninhas aquáticas.

Capim-arroz e arroz-vermelho são plantas daninhas favorecidas pela inundação. Ao se fazer a drenagem de água do ambiente, as espécies hidrófitas não conseguem se desenvolver.

Eletricidade

O controle de plantas daninhas com corrente elétrica é denominado de eletrocussão

Consiste na capina por meio de descarga elétrica.

Neste sistema ocorre o contato direto dos eletrodos aplicadores com a invasora.

A eletricidade, ao atingir as plantas daninhas, provoca alteração na fisiologia das plantas de forma irreversível. Assim, elas murcham e morrem em pouco tempo.

5. Controle biológico de plantas daninhas

De todos os métodos de controle, o biológico é o menos utilizado

Sua principal vantagem é também sua principal desvantagem: a especificidade do hospedeiro.

A especificidade é uma vantagem por sabermos qual planta o organismo vivo irá controlar.

Mas, no caso das daninhas, temos uma comunidade composta por várias espécies. Dificilmente vamos ter de controlar apenas uma planta invasora.

Entretanto, este método é bem empregado com o uso de peixes que conseguem controlar a população de plantas daninhas aquáticas, por exemplo.

Conclusão

No texto de hoje você aprendeu sobre os manejos não químicos de plantas daninhas.

Vimos que temos os controles preventivos, culturais, biológicos, mecânicos, físico e químicos.

Quanto mais métodos você empregar na sua lavoura, melhor será o controle das plantas daninhas.

Lembre-se sempre de pensar em sistemas de produção e não apenas em uma safra. Com isso, você conseguirá manejar adequadamente as plantas daninhas na sua área.

Quais métodos de controle não químico para plantas daninhas você utiliza em sua lavoura? Restou alguma dúvida? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas na sua lavoura.

Tudo o que você precisa saber sobre mapeamento de plantas daninhas

Mapeamento de plantas daninhas: veja o que é, a importância, os principais sistemas disponíveis no mercado, vantagens e desvantagens. 

O manejo de plantas daninhas resistentes vem provocando aumento representativo no custo de produção. Isso se deve principalmente às pulverizações realizadas na lavoura inteira e não especificamente onde estão as plantas daninhas.

Isso resulta em aumento dos gastos com defensivos, desperdício de produtos e contaminação ambiental sem necessidade.

Ferramentas de agricultura de precisão vêm se mostrando aliadas importantes na eficiência da aplicação e na economia de produtos. 

Confira neste artigo como fazer o mapeamento de plantas daninhas e como ele pode ajudar a resolver muitos problemas na sua lavoura!

O que é o mapeamento de plantas daninhas?

O mapeamento de plantas daninhas é uma técnica que visa identificar as plantas invasoras presentes na lavoura.

Inicialmente, o levantamento de plantas daninhas de uma área era realizado por meio de amostragem. Para isso, uma equipe treinada se deslocava até pontos amostrais pré-determinados, realizava a identificação e estimava a distribuição de plantas daninhas na área. 

Mas esse método tradicional necessita de grande disponibilidade de mão de obra e a realização de uma quantidade de amostras que represente fielmente a área, o que é inviável. 

Desta forma, a agricultura de precisão vem se tornando forte aliada na solução desse problema.

Os sensores facilitam o levantamento de plantas daninhas, diminuindo custos e possibilitando maior estimativa da distribuição de plantas invasoras.

Na prática, eles podem ser facilmente acoplados a implementos agrícola ou serem transportados por drones, cobrindo com maior facilidade a área em sua totalidade. 

imagem representando o voo do drone da Horus realizando o mapeamento de plantas daninhas na lavoura

Ilustração do mapeamento de plantas daninhas realizado com drones
(Fonte: Horus Aeronaves)

Qual o melhor sistema para mapear plantas daninhas na lavoura?

A escolha dos diferentes sistemas de mapeamento dependerá do objetivo de uso das informações que serão obtidas.

Se o mapeamento for utilizado para identificar em quais talhões as plantas daninhas começaram a emergir primeiro ou localizar grandes reboleiras, a precisão do sensor não necessita ser tão grande. Assim, você pode utilizar sensores orbitais com até 5 m de precisão. 

Já para identificação de pequenas reboleiras ou da distribuição de plantas daninhas na área, é mais interessante utilizar sensores com precisão maior, próximo a 5 cm, como os acoplados em aeronaves. 

Além disso, é possível utilizar sensores acoplados diretamente no equipamento de pulverização, gerando informações em tempo real. 

E qual ferramenta escolher para aproveitar esses mapas? Vou explicar melhor a seguir:

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas em pré-emergência

A aplicação de herbicidas em pré-emergência é uma importante aliada no controle de plantas daninhas resistentes. 

Entretanto, você só conseguirá um controle eficiente sem prejudicar o cultivo se utilizar a dose correta para cada porção de sua área. 

Os herbicidas aplicados em pré-emergência interagem diretamente com o solo e, dependendo de características (como teor de argila, teor de matéria orgânica e pH), o ajuste de dose deve ser feito.

Uma ferramenta que ajuda na aplicação de herbicidas em taxa variável conforme as características de solo é a tecnologia HTV®, desenvolvida pela APagri em parceria com a Esalq/USP. 

Primeiramente são coletados dados das principais características do solo, o que pode ser feito junto com o mapeamento da fertilidade do solo. Depois, é realizada a recomendação de produtos de acordo com essas informações e com o histórico de infestação da área. 

Definindo quais herbicidas serão utilizados, são gerados os mapas com doses específicas para aplicação localizada!

Esses mapas deverão utilizados por um pulverizador que contenha um sistema de aplicação em taxa variável. Isso irá garantir a dose ideal de herbicida em cada ponto mapeado.

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®
(Fonte: APagri)

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas pós-emergente 

Para o controle de plantas daninhas em pós-emergência, o mapeamento pode ser realizado anteriormente, desde que o tempo de processamento das imagens seja rápido.

Outra opção é fazer esse mapeamento em tempo real por meio de sensores acoplados ao pulverizador, que podem controlar o acionamento e vazão dos bicos. 

No mapeamento prévio, as imagens podem ser geradas por satélite ou sensores acoplados a drones. Elas são utilizadas principalmente para catação de plantas na entressafra ou na pós-emergência dos cultivos (desde que no processamento da imagens seja possível diferenciar plantas daninhas e cultura). 

Já no sistema de mapeamento em tempo real, os sensores captam informações de presença de plantas daninhas alguns segundos antes da chegada do bico no alvo e comandam uma válvula de acionamento muito rápida para aplicação do produto e/ou ajuste de dose (ex: Pulse Width Modulation). 

Um sistema que já vem sendo utilizado no Brasil com mapeamento em tempo real para pulverização agrícola é o WEED – It. Confira no vídeo que eu separei:

Vantagens e desvantagens do mapeamento

Separei algumas vantagens e desvantagens do mapeamento de plantas daninhas utilizando tecnologia:

Vantagens

  • otimização da aplicação;
  • menor dano ambiental em longo prazo;
  • facilidade na tomada de decisão de qual herbicida utilizar;
  • menor gasto com herbicidas;
  • possibilidade do mapeamento durante a realização dos tratos culturais;
  • determinação prévia da quantidade de herbicidas a ser utilizado;
  • traçar estratégias de manejo antecipadamente.

Desvantagens

  • alto custo de implementação de sistemas;
  • dinamismo na população de plantas daninhas, podendo mudar suas características em pouco tempo;
  • mapeamento necessita de programas específicos;
  • equipe treinada;
  • erros na aplicação podem ocorrer devido a problemas na geração de imagens ou na elaboração do mapa de recomendação.
guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Neste artigo, vimos como a tecnologia pode auxiliar no mapeamento de plantas daninhas.

Entendemos o que é um mapeamento e como escolher o melhor método para sua lavoura.

Vimos também as possibilidades da utilização dessa técnica pensando na pré e pós-emergência das daninhas, além das principais vantagens e desvantagens.

Espero que com essas informações você consiga realizar um bom monitoramento de plantas daninhas em sua lavoura.

>> Leia mais:

Índice de vegetação: o que ele pode dizer sobre sua lavoura

Mapas de produtividade na agricultura de precisão: como otimizar seus insumos

Você realiza o mapeamento de plantas daninhas em sua lavoura? Já enfrentou problemas? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café e o que fazer caso ela ocorra

Fitotoxicidade por herbicidas no café: entenda os principais pontos para evitar os danos da deriva de herbicidas e como atuar em lavouras afetadas por isso

Como evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café e o que fazer caso ela ocorra

As plantas daninhas do café dão a maior dor de cabeça na lavoura, não é mesmo? Principalmente nas fases iniciais de implantação do café, estamos sempre de olho nas invasoras.

Para controlá-las podemos recorrer ao uso de consórcios na entrelinha, ao controle mecânico com trincha ou roçadora e, mais comumente, aos herbicidas.

Embora os herbicidas tenham facilitado o manejo de diversas daninhas no café, quando erramos o alvo, o tiro pode sair pela culatra. Com isso, essa ferramenta pode se tornar um problema, atrapalhando o crescimento e desenvolvimento da lavoura. 

Separei algumas dicas de como evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café e como proceder caso ela ocorra. Confira!

Entenda a fitotoxicidade por herbicidas no café

Quando aplicamos herbicidas no café, nosso alvo são as plantas daninhas. Portanto, as aplicações devem atingi-las para que o controle seja efetivo.

Quando erramos o alvo, temos uma eficácia de controle reduzida, gastos desnecessários – pois estamos “jogando produto fora” – mas também podemos causar danos ao cafeeiro. É isso que chamamos de fitotoxicidade por herbicidas, aquela história de “deu uma fito na lavoura”. 

A fitotoxicidade por herbicidas no café é fruto de aplicações feitas em condições ambientais impróprias, com má regulagem do equipamento e/ou sem as devidas precauções durante o processo, causando deriva do herbicida. 

Isso é relativamente comum no caso de aplicações de glifosato, herbicida bastante utilizado e não seletivo. Mas esse problema ocorre para outros herbicidas também.

Mas, então, como evitar que a aplicação de herbicidas cause fitotoxicidade no cafeeiro? Veremos isso a seguir!

3 passos para evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café

O alvo das aplicações de herbicida são as plantas daninhas, não o café. Mas, por mais que estejamos “mirando” o alvo, alguns pontos devem ser levados em conta para garantir o sucesso da aplicação e evitar a fitotoxicidade no café.

Fatores do ambiente, da regulagem do equipamento e da experiência do operador podem afetar a aplicação.

1 – Aplique nas melhores condições possíveis

O ambiente influencia o sucesso das aplicações de herbicida. 

Condições de umidade relativa abaixo dos 50%, temperaturas acima de 30℃ e velocidade dos ventos acima de 10 km/h inviabilizam a operação!

Os dois primeiros fatores (temperatura e umidade) podem favorecer a volatilização dos compostos, os quais podem atingir o café. Os ventos podem, por si só, causarem a deriva da aplicação até o cafeeiro

Isoladamente, cada um desses fatores afeta negativamente a operação, mas a combinação deles é pior

Por isso, prefira horas mais amenas do dia, com pouco vento e dias com umidade do ar maior. 

É claro que, na prática, dificilmente esse cenário ideal é alcançado para todos os fatores, mas é sempre necessário buscar as melhores condições.

2 – Regule bem os implementos

O ambiente é importantíssimo, mas a maior responsável pela fitotoxicidade por herbicidas no café é a má regulagem dos equipamentos ou uso de equipamentos errados. 

Seja na aplicação manual ou mecanizada, regule a vazão correta de acordo com a recomendação de aplicação. A regulagem também deve levar em conta as condições ambientais, como mostra a figura abaixo.

tabela com informações de regulagem do tamanho de gota de acordo com as condições ambientais

Regulagem do tamanho de gota de acordo com as condições ambientais
(Fonte: Jacto)

Prefira bicos antideriva com indução de ar para evitar problemas e mantenha a barra de aplicação mais baixa e próxima ao dossel das invasoras, para evitar deriva ao café.

Não comece a aplicação sem antes ter tudo bem regulado e pare a aplicação se verificar algum problema!

Proteja o cafezal

Uma maneira de evitar deriva e fitotoxicidade por herbicidas no café é o uso de protetores. Eles são utilizados principalmente em aplicações manuais e evitam que o produto se espalhe fora do local de aplicação desejado. 

imagem de Chapéu protetor para evitar a deriva da aplicação de herbicidas

Chapéu protetor para evitar a deriva da aplicação de herbicidas
(Fonte: Jacto)

3 – Utilize outros métodos de controle

É importante ressaltar que existem opções para reduzir os efeitos negativos de herbicidas que não estão diretamente relacionadas à sua aplicação. O uso de métodos de controle alternativos, reduz o uso de herbicidas e, consequentemente, as possibilidades de deriva.

O controle de plantas daninhas (assim como o de pragas e doenças) deve ser feito dentro de um programa de manejo integrado. 

Assim, o uso de herbicidas não é (ou não deveria ser…) o único método de controle de daninhas no cafezal. Podemos e devemos lançar mão, sempre que possível, de controle mecânico e cultural.

O controle mecânico está relacionado ao uso de trincha e/ou roçadora na entrelinha do cafezal. 

Já o controle cultural está relacionado ao espaçamento da lavoura e uso de culturas intercalares. 

Menor espaçamento reduz a incidência de luz e, consequentemente, de daninhas. Já as culturas intercalares “abafam” as daninhas e tornam-se as espécies dominantes. 

Existem várias opções de espécies, mas as braquiárias têm se mostrado eficientes nesse quesito, pois são perenes e tem grande produção de biomassa, reduzindo as infestações. 

Manejo pós-fitotoxicidade na lavoura

Ainda é incerto qual é o melhor manejo após a ocorrência da fitotoxicidade de herbicidas. Afinal, existem vários herbicidas que podem causar esse problema e vários graus de fitoxicidade que o cafeeiro pode ter sofrido. 

Além disso, cultivares de café têm diferentes tolerâncias aos danos por herbicidas.

Em sua dissertação de mestrado, Alecrim (2016) estudou os efeitos da aplicação de sacarose na recuperação e desintoxicação de mudas de café atingidas por deriva de glifosato

O autor conclui que a aplicação de sacarose na concentração de 2% em até uma hora após a ocorrência da deriva pode ajudar na recuperação do cafeeiro.

Outros estudos devem ser feitos para verificar outras alternativas e efeitos sobre outros herbicidas.

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Conclusão

Como pudemos acompanhar ao longo do texto, existem alguns herbicidas disponíveis para serem utilizados no manejo de daninhas na cultura do cafeeiro. Todos ele têm potencial para causar fitotoxicidade no café.  

De qualquer maneira, existem boas práticas que podem ser empregadas para evitar a deriva e a fitotoxicidade por herbicidas no café. O importante é acertar o alvo, ou seja, as daninhas!

Condições ambientais ideais devem ser preferidas para a aplicação dos herbicidas. Além disso, a vazão de aplicação deve ser ajustada e os bicos devem estar bem regulados! 

Vimos que, caso ocorra danos ao cafeeiro, uma alternativa pode ser a aplicação foliar de sacarose. Mas ainda são necessários novos estudos sobre esse tema. 

De qualquer forma, por algum tempo o café irá sentir a fitotoxicidade por herbicidas até que se recupere.

>>Leia mais:

10 dicas para melhorar a gestão da sua lavoura de café

Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais

Você já teve problemas de fitotoxicidade por herbicidas no café? Como você faz para evitar ou remediar essa situação? Conte para gente nos comentário!

O que você precisa saber sobre manejo das viroses no trigo

Viroses no trigo: conheça as principais, os sintomas, vetores e as medidas de controle mais eficazes.

As viroses são importantes doenças na cultura do trigo e podem causar redução de até 60% na produção dos grãos.

Mas como evitar que esses vírus atinjam a lavoura? 

Como identificar os principais sintomas das doenças e quais as melhores formas de manejo? Confira a seguir!

Importância do trigo e as doenças que ocorrem na cultura

O trigo é a principal cultura de inverno no país. Segundo estimativa da Conab, houve incremento de 14% na área plantada nesta safra em relação à passada devido aos preços atrativos do grão.

Com isso, a produção estimada é de 6,832 milhões de toneladas, com 2,329 milhões de hectares cultivados (Conab).

A triticultura está distribuída em vários estado do Brasil, podendo ser cultivada como sequeiro ou irrigada. Rio Grande do Sul, Paraná (maior área plantada), Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul são os principais produtores.

Como acontece com outras culturas agrícolas, o trigo pode ser afetado por doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. Algumas das principais doenças do trigo são:

  • mancha amarela;
  • ferrugem da folha do trigo;
  • oídio;
  • podridão comum de raízes;
  • mancha marrom;
  • giberela;
  • brusone;
  • estria-bacteriana;
  • mosaico comum do trigo;
  • nanismo amarelo da cevada.

Nesta lista, falamos de duas doenças de origem viral. Você já ouviu falar ou teve problemas com elas na sua lavoura?

Mas, antes, vou explicar melhor como acontecem as viroses.

O que são as viroses nas culturas agrícolas?

As viroses são doenças causadas por vírus – pequenos agentes infecciosos que não possuem metabolismo próprio. Ou seja, os vírus precisam do metabolismo do organismo parasitado, no caso as plantas, para a replicação. Por isso, é chamado de parasita obrigatório.

A partícula viral é bastante simples, constituída de moléculas de DNA ou RNA de fita simples ou dupla, sendo, ainda nesta partícula, moléculas proteicas e podem apresentar um envelope lipoproteico. 

Algo muito importante para as viroses é entender sobre seu controle. O manejo deve ser preventivo, como vou explicar melhor adiante.

Na cultura do trigo, as principais viroses são o mosaico comum do trigo e o nanismo amarelo da cevada.

Aqui no Blog do Aegro nós já falamos sobre doenças fúngicas e bacterianas do trigo. Confira no artigo “As principais doenças de culturas de inverno e como combatê-las”.

Viroses no trigo: mosaico comum do trigo

O mosaico comum do trigo é causado pelo vírus Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV). É transmitido pelo protozoário Polymyza graminis (habitante do solo – parasita de raízes de algumas plantas), que, quando presente no solo, se espalha através de esporos que são liberados com a água da chuva.

Além do SBWMV, o vírus Wheat spindle streak virus (WSSMV) também está associado à doença, que tem o mesmo vetor.

A lavoura afetada por esta virose pode chegar a registrar até 60% de redução no peso dos grãos.

O mosaico comum pode também ser identificado como mosaico verde, mosaico amarelo, mosaico estriado do trigo, virose da estria amarela do trigo e mosaico roseta

Esta doença é detectada em regiões frias como nos estados do Rio Grande do sul, Paraná e Santa Catarina. 

A temperatura ótima para seu desenvolvimento é de 16℃. Temperaturas acima de 20℃ cessam seu desenvolvimento.

O mosaico comum do trigo começou a ter importância pela adoção do sistema de plantio direto. Além de áreas com compactação do solo e encharcamento, cultivos que apresentaram alta precipitação favorecem o vetor do vírus.

Além do trigo, a virose afeta as culturas de centeio, triticale e cevada.

Sintomas e manejo do mosaico comum do trigo

Como sintoma do mosaico comum do trigo você pode observar, nos estádios iniciais da cultura, estrias amarelas, que são paralelas à nervura. 

Pode surgir ainda o sintoma roseta, que paralisa o crescimento da planta e afilhamento exagerado. A doença é o maior problema logo após o plantio da cultura.

Essa virose pode causar danos consideráveis, principalmente quando se utiliza cultivares suscetíveis.

foto de Douglas Lau - Listras amarelas são o principal sintoma do mosaico

(Fonte: Douglas Lau em Embrapa)

No campo, normalmente, você observa a doença em reboleira, por causa da distribuição do vetor no solo.

infográfico com Ciclo do mosaico comum do trigo e da Polymyza graminis

Ciclo do mosaico comum do trigo e da Polymyza graminis}
(Fonte: Reis e Danelli)

A rotação de cultura não é eficiente para esta doença, por isso, as medidas de manejo devem ser preventivas utilizando cultivares resistentes.

Nanismo amarelo da cevada

Esse nanismo é causado pelo vírus Barley yellow dwarf virus (BYDV), com maior ocorrência na região sul do Brasil. Dados indicam que podem ocorrer perdas de até 50% dos grãos devido à virose.

O vírus é transmitido por afídeos (pulgões), de forma persistente circulativa, com aquisição de 15–60 minutos e transmissão de 24h a 48 horas. Os afídeos são favorecidos por tempo seco e temperaturas amenas.

Há uma ampla gama de hospedeiros do vírus além do trigo como arroz, aveia, cevada, centeio, milho e outras.

E, como o próprio nome da doença sugere, a planta com a virose sofre nanismo, interferindo no seu desenvolvimento, e há amarelecimento das folhas.

Sintomas e manejo do nanismo

Como sintomas, é comum observar que as folhas bandeiras ficam eretas e de coloração amarelo brilhante. 

Essa folha pode morrer precocemente e causar escurecimento na espiga. Os grãos de plantas infectadas ficam chochos e enrugados.

foto com Sintomas do nanismo amarelo da cevada com pulgões Rhopalosiphum padi

Sintomas do nanismo amarelo da cevada com pulgões Rhopalosiphum padi
(Fonte: Douglas Lau em Embrapa)

Medidas de manejo para a virose do nanismo amarelo da cevada são:

Um recente vírus identificado no trigo no Brasil: WhSMV

O Wheat stripe mosaic virus (WhSMV) foi relatado no final de 2018 em um estudo realizado pela Embrapa Trigo, em parceria com a Biotrigo Genética, Universidade Federal de Santa Catarina e outros órgãos.

Este estudo foi sobre a população viral e manejo do mosaico comum do trigo, o que acabou descobrindo mais um vírus que está associado a esta doença. Isso foi possível através de técnicas de sequenciamento genético.

Então, além do SBWMV e, posteriormente, do WSSMV associado ao mosaico comum do trigo, também foi identificado o WhSMV.

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

As viroses são importantes doenças para a cultura do trigo, podendo causar perdas de até 60% nos grãos.

Neste texto, falamos das duas principais viroses para a triticultura que são mosaico comum e nanismo amarelo.

Agora que você sabe sobre os sintomas e o manejo, que deve ser preventivo, reduza as perdas com viroses na sua lavoura de trigo.

Você teve problemas com viroses na cultura do trigo na sua lavoura? Como realizou o manejo da doença? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Semeadura no pó: quando vale a pena arriscar?

Semeadura no pó: riscos, recomendações, qual a importância da água nesse momento e mais!

A escolha do momento da semeadura é fundamental para o sucesso da lavoura.

Apesar disso, entra safra e sai safra e a dúvida é: espero a chuva ou semeio no pó?

Semear no pó é uma decisão arriscada, que pode comprometer o estabelecimento de seu estande, uma vez que a presença de água no solo é essencial para a germinação.

Pensando nisso, separei algumas informações sobre a semeadura no pó e como manejar essa situação no dia a dia no campo. Confira a seguir!

Semeadura no pó: momento de semear

Iniciar a semeadura logo após o fim do vazio sanitário é ideal para se ter uma janela de plantio para realizar a safrinha na mesma área.

Além disso, semear assim que possível auxilia no escalonamento do plantio em grandes áreas.

Contudo, acabou o vazio sanitário, estamos há vários dias sem chuva e o solo continua seco. Nesse momento vem a dúvida: esperar ou não as chuvas para iniciar o plantio?

As sementes são seres vivos, assim, a água é fundamental para realização de diversos processos.

A água tem de estar presente desde a germinação até o enchimento de grãos, sendo o principal fator limitante da produção.

Então, o momento ideal de semear é quando a umidade do solo for o suficiente para que as sementes absorvam a quantidade de água suficiente para poderem germinar e emergir.

Quantidade de água necessária para germinação e emergência

As sementes adquiridas para o plantio apresentam teor de água de 10% a 13%. Contudo, esses valores são adequados para armazenamento e não para a plantio.

Para início e continuidade do processo de germinação, o teor de água das sementes deve aumentar.

Veja abaixo o teor de água que as sementes de milho (albuminosas) e de soja ou feijão (exalbuminosas) precisam ter durante a germinação para emissão da radícula:

gráfico com teor de água que as sementes de milho (albuminosas) e de soja ou feijão (exalbuminosas) precisam ter durante a germinação para emissão da radícula

(Fonte: Esalq/USP)

Para que as sementes absorvam essa quantidade de água, o solo deve ter uma umidade de 50% a 85% de água disponível.

Desse modo, a quantidade de água presente no solo é suficiente para garantir que ocorra germinação e emergência das sementes.

Então, é importante conhecer a capacidade de retenção de água do solo que você irá semear, pois essa quantidade de água varia de acordo com o tipo de solo, compactação, sistema de produção, entre outros.

O que acontece se realizar a semeadura no pó?

Ao semear em solo seco, é como se você estivesse armazenando as sementes em condições de pouca umidade, alta temperatura e presença de microrganismos.

Se as sementes permanecerem nessa combinação de fatores durante um período superior a 15 dias, a germinação é drasticamente afetada.

O calor e falta de água faz com que as sementes respirem mais e se desenvolvam lentamente, ficando mais expostas ao ataque de pragas e microrganismos do solo.

A porcentagem, velocidade e uniformidade de germinação é afetada, podendo ocorrer perdas de 50% da produção.

Além disso, na cultura da soja ocorre perda da eficiência da inoculação, reduzindo a quantidade de bactérias viáveis.

Na prática, semeando no pó você pode perder a sua inoculação.

Outro fator bastante importante é a quantidade de chuva após dias de estiagem.

Se acaso você semear e ocorrer uma chuva de poucos milímetros, as sementes podem absorver água, entretanto, não será o suficiente para completar a germinação e emergir. Assim, ocorre morte das sementes e, consequentemente, falhas no seu estande.

Em casos de muitas falhas no estande, recomenda-se realizar a ressemeadura, resultando em tempo perdido e, principalmente, aumento do custo da lavoura.

foto que mostra falha na emergência de plântulas em campo

Falha na emergência de plântulas em campo
(Fonte: Conesul News)

Estratégias para otimizar a semeadura no pó

Apesar de não ser uma técnica recomendável, caso seja extremamente necessário realizar a semeadura em solo seco, você deve levar em consideração alguns fatores como:

Qualidade das sementes

Utilizar sementes com alta porcentagem de germinação e vigor é fundamental. Sementes de alta qualidade suportam por um período maior condições adversas, como a pouca umidade do solo, neste caso. 

Além disso, apresentam desenvolvimento mais rápido se comparada a sementes de qualidade inferior.

Por isso, é muito importante que você utilize sementes certificadas, que possuam qualidade garantida!

Tratamento das sementes

O tratamento de sementes pode ser um forte aliado caso você deseje realizar a semeadura no pó.

Como o desenvolvimento das sementes é mais lento pela falta de água e alta temperatura do solo, o tratamento com fungicida previne o ataque de microrganismos e pragas, que aceleram a deterioração das sementes.

Veja na figura abaixo sementes com e sem tratamento em condições de baixa umidade do solo:

semeadura no pó - gráfico de emergência e umidade do solo de sementes com e sem tratamento

 (Fonte: SEEDNews)

Inoculação

Para promover uma nodulação adequada em plantas de soja, a semente deve apresentar, no momento da semeadura, de 80 mil a 100 mil células de bactérias.

Ao semear no pó, os solos apresentam alta temperatura e pouca umidade, o que reduz, em menos de uma semana, metade do número de células viáveis, ocorrendo prejuízo no fornecimento de nitrogênio para planta.

Se você realizar a semeadura em solo seco, faça inoculação, mas busque métodos de complementar o fornecimento de N para planta.

Uma opção de complementação é a inoculação via pulverização em cobertura ou uso de fertilizante mineral.

Proximidade das chuvas

Não faça semeadura no pó sem ao menos ter uma previsão de chuva para os próximos 10 a 15 dias.

Mesmo com uso de sementes de alta qualidade e tratamento de sementes, a exposição em solo com pouca umidade por um período prolongado reduz a germinação e emergência das plantas.

Ter acesso a informações meteorológicas de qualidade minimiza esses riscos e permite traçar um planejamento melhor das operações da fazenda. Se esses dados estiverem integrados aos da propriedade, a tomada de decisão fica mais precisa.

Utilizar um software de gestão agrícola como o Aegro reúne as informações da fazenda e a previsão climática por geolocalização da área rural. 

As informações de tempo e temperatura são atualizadas de hora em hora, com dados detalhados dos próximos 3 dias e previsões para os próximos 15 com relação à variação de temperatura, possibilidade de chuva, vento (velocidade e direção) e até janela de pulverização.

O sistema traz ainda dados sobre umidade relativa do ar por 15 dias e histórico das chuvas por geolocalização. 

imagem mostra como funciona o Climatempo no aplicativo Aegro.

A integração do Aegro com o Climatempo está disponível para produtores de todo o Brasil na versão completa do software agrícola. 

Sistema de plantio

Se você se depara todos os anos com esse questionamento de semear ou não no pó, uma opção que auxilia nesse momento é a adoção do sistema de plantio direto.

Em comparação com sistema convencional, a palhada no solo no plantio direto tem várias vantagens, como a manutenção da umidade do solo por mais tempo.

Outro ponto positivo desse sistema é maior facilidade de infiltração de água no solo. Consequentemente, as raízes das plântulas emergidas utilizarão a água presente no perfil do solo.

Diferença visual de solo com sistema de plantio convencional e direto
(Fonte: Integrar)

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Neste artigo vimos que o momento ideal de semear é com a chegada das chuvas, pois a água é fundamental para a formação e manutenção da lavoura.

Semeio em solo seco apenas em situações de extrema necessidade, pois é uma técnica bastante arriscada! Utilize sempre sementes de alta qualidade e realize um bom tratamento.

Como você viu, o recomendável é esperar as condições ideais para realizar a semeadura e, assim, evitar riscos de perdas!

>> Leia mais:

Cálculo de semeadura da soja: 5 passos para a população de plantas ideal no seu sistema

Você já realizou ou realiza a semeadura no pó? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Guia para o controle eficiente da poaia-branca

Poaia-branca: conheça a época certa para controle, quais herbicidas usar e as principais dicas para evitar o prejuízo da lavoura.

A poaia-branca vem preocupando produtores de diversas regiões do país devido à dificuldade no seu controle com o uso de alguns herbicidas.

E saber manejar essa planta daninha é fundamental para evitar futuros casos de resistência. 

Hoje, a presença dessa daninha na soja já reflete em 2,6% menos rendimento da lavoura, além de ser um grande problema na colheita devido à sua expressiva massa verde.

Quer saber o segredo para fazer um manejo eficiente de poaia-branca? Nesse artigo, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Principais pontos sobre a poaia-branca

A Richardia brasiliensis, também conhecida como poaia-branca ou poaia-do-campo, é uma espécie de planta daninha de ciclo anual. 

Ela infesta principalmente lavouras anuais, se desenvolvendo bem em solos com boa umidade e sua reprodução ocorre via sementes.

foto de planta de Richardia brasiliensis - poaia-branca

Planta de Richardia brasiliensis
(Fonte: Weedimages)

A poaia-branca pode ser encontrada em quase todas as regiões do país, infestando os cultivos de grãos e culturas perenes.

Quando há interferência desta planta daninha nas culturas, cada planta de poaia-branca presente por metro quadrado em uma lavoura de soja pode reduzir 2,6% do rendimento da cultura. 

Além disso essa planta possui grande vigor vegetativo, cobrindo completamente o solo, sendo assim considerada um grande problema nas operações de colheita devido à sua massa vegetal.

Cobertura do solo por plantas de poaia-branca

Cobertura do solo por plantas de poaia-branca
(Fonte: Sistema Roundup Ready Plus)

Sua ampla dispersão está associada ao tamanho de suas sementes (aproximadamente 4 mm), que são facilmente disseminadas durante todo o ano.

As sementes da poaia-branca germinam em temperatura média de 25℃ e na presença de luz.

Por apresentar alta capacidade de germinação, é comum observarmos a emergência de poaia-branca o ano todo em regiões mais quentes.

Já em regiões mais frias, a planta pode entrar em repouso no inverno e retomar sua reprodução na primavera.

Por isso, fique atento ao controle correto desta planta daninha, pois ela pode ser “ponte verde” para pragas e doenças que afetam os cultivos.

Manejo da poaia-branca na entressafra do sistema soja-milho

A poaia-branca é considerada uma planta daninha de difícil controle devido a restrições de absorção e translocação de herbicidas que ocorrem em algumas situações. 

Por isso, o segredo para realizar um manejo eficiente de poaia-branca é aplicar em plantas pequenas (2 a 4 folhas), com condições climáticas ideias, e utilizando boa tecnologia de aplicação

foto de Plântula de poaia-branca

Plântula de poaia-branca
(Fonte: Pedro J. Christoffoleti)

Cuidado principalmente com aplicações de baixo volume. Devido às características morfológicas desta planta daninha, vários herbicidas podem diminuir a sua eficiência nessa condição. 

Herbicidas aplicados em pós-emergência: 

Glifosato 

O glifosato possui ótimo controle de plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes), na dose de 5,0 a 6,0 L ha-1.

Glufosinato de amônio 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,0 a 2,5 L ha-1. Adicionar óleo mineral ou vegetal 0,2% v.v.

Saflufenacil 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 35 a 100 g ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5% v.v.

2,4 D 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de antagonismo entre herbicidas (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado.

Dicamba 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,0 a 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de antagonismo entre herbicidas (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar dicamba próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de no mínimo 15 dias.

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Flumioxazin 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja na dose de 50 g ha-1.

Sulfentrazone 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e chlorimuron). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,75 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos!

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

O manejo de poaia-branca na pós-emergência da soja é pouco recomendado, pois existem poucas opções que podem ser utilizadas. 

Imazetapir

Utilizado em pós-emergência precoce da poaia e na soja com até 2 trifólios, na dose de 0,8 a 1,0 L ha-1.

Caso a soja possua tecnologia transgênica para tolerância a herbicidas, outros produtos podem ser usados para controle de poaia na pós-emergência da soja:

  • soja RR: Glifosato;
  • Xtend: glifosato e dicamba;
  • soja enlist: glifosato, 2,4 D e glufosinato de amônio.    

Para controle da poaia-branca na pós-emergência do milho safrinha, pode-se utilizar os herbicidas atrazina 1,5 a 3,25 L ha-1 (dependendo do tipo de solo) e nicosulfuron 1,25 a 1,50 L ha-1.

Cuidado com a sensibilidade diferencial dos híbridos de milho ao herbicidas nicosulfuron. Antes de utilizá-lo, confirme com a empresa produtora das sementes se o mesmo tolera este herbicida. 

Conclusão

Neste artigo vimos a importância que poaia-branca ou poaia-do-campo possui nas lavouras e as principais características dessa planta daninha

Vimos algumas estratégias de manejo para controle eficiente e para evitar a seleção de resistência.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente da poaia-branca em sua lavoura!

Como você controla a infestação de poaia-branca hoje? Já enfrentou problemas com outras invasoras também? Aproveite e baixe aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e faça o melhor controle em sua lavoura.

Como fazer o manejo e a correção do solo alcalino

Solo alcalino: como identificar e as opções mais efetivas para corrigir o pH em sua propriedade

O pH de um solo tem relação direta com a disponibilidade dos nutrientes. E a nutrição correta das suas plantas é um dos principais fatores para o sucesso da produção.

A correção dos solos pode até parecer um detalhe do manejo, mas a realidade é que ela é uma das principais práticas a ser realizada para a fertilidade do solo.

Em solos ácidos, as práticas são mais conhecidas, pois a maior parte dos solos tropicais é acidificada. Mas a presença de solos alcalinos também é uma realidade brasileira e é necessário ajustar o pH para as plantas. 

Qual corretivo utilizar? Qual o manejo realizar? Confira essa e outras respostas a seguir!

Ph do solo 

O pH é o potencial ou teor de hidrogênio do solo, do H⁺ presente na solução do solo e um dos principais indicadores da sua fertilidade.

A variação do pH se encontra entre 1 e 14, sendo 7 o valor para um solo neutro. 

É considerado um solo ácido aquele com pH abaixo de 5,5, o qual estaria saturado de H⁺ e com maior presença de Al³. Os solos com pH acima de 7 são solos alcalinos. 

A faixa ideal de pH para as plantas gira em torno de 6 a 7, pois nessa faixa os nutrientes se encontram mais disponíveis. 

A relação direta com a fertilidade é no equilíbrio químico de trocas que acontecem e disponibilizam ou complexam os nutrientes no solo. A capacidade de troca de cátions, a CTC do solo, também é pH dependente. 

gráfico com disponibilidade crescente e pH do CTC do solo
(Fonte: Adaptado de Malavolta, 1979. Apresentação Prof. Dr. Gustavo Brunetto)

Como solos alcalinos possuem baixa quantidade de íons de H e Al, os pontos de troca de cargas encontram-se ocupados por bases trocáveis. 

Solos alcalinos

O clima e a morfologia têm interferência direta no tipo de solo. O solo alcalino é característico das regiões com climas mais seco ou semi-árido (ou ainda com processos inundativos), como alguns solos do nordeste e Pantanal. 

A alcalinidade também pode ocorrer devido à calagem feita de forma equivocada, por exemplo. 

Os solos alcalinos possuem um poder tampão forte, ou seja, apresentam resistência à mudança do seu pH.

A presença de carbonatos de cálcio e magnésio no solo promovem a neutralização de adubações acidificantes. 

O acúmulo de sais de cálcio, magnésio, potássio e carbonato de sódio saturam as cargas negativas do solo e diminuem a disponibilidade de micronutrientes como Manganês, Zinco, Ferro, Cobre e do macro P (potássio).

banner da planilha de calagem com uma tela de computador e texto explicativo

Como identificar um solo alcalino? 

A análise de solo é a principal ferramenta para identificar todas as condições do solo. Já falamos aqui no blog sobre o assunto, confira: Análise química do solo: o porquê da sua realização.

Um indicador visível na lavoura de que o solo está alcalino pode ser a clorose promovida pela deficiência de ferro. Isso ocorre pois, no processo da fotossíntese, o ferro é um elemento importante. A clorose se inicia nas folhas jovens com o amarelecimento do limbo foliar. 

quatro fotos da clorose férrica induzida pelo calcário, do dia 01 ao dia 30.
Clorose férrica induzida pelo calcário
(Fonte: Revista Ceres)

Como corrigir o pH do solo alcalino?

Assim como na correção de solos ácidos utilizamos fontes minerais, em solos alcalinos elas também são uma das opções. 

É possível utilizar materiais como enxofre e adubos nitrogenados, mas também a utilização de adição de material orgânico e manejos com leguminosas. 

O planejamento agrícola aqui é fundamental, pois alguns processos de correção são lentos e têm interferência direta com a umidade, temperatura e bactérias presentes no solo.

Enxofre elementar

O enxofre elementar (So) contribui para a regulação do pH do solo e é uma das opções com ótimo custo benefício. 

Alguns fatores são importantes e devem ser considerados no seu uso, como a granulometria do produto, que interfere na reação do mesmo, e o solo possuir umidade para solubilização. 

A liberação do S no solo é um processo de oxidação biológica e, por isso, a presença de bactérias sulfurosas para realizar a transformação do S em sulfato (SO4)² é fundamental.

Ureia revestida com enxofre

O enxofre é uma barreira física, semipermeável que permite que a ureia seja solubilizada de forma gradual.

A sua atuação na diminuição do pH do solo é percebida em cerca de duas a três semanas após a aplicação, por sua reação no solo. 

É um bom fertilizante, pois, com o revestimento, a lixiviação e volatilização diminuem em cerca de 50%. É promovida uma proteção gradual às ureases presentes nos solo e resíduos, auxiliando a lenta disponibilização para o solo. 

Adubações nitrogenadas

O sulfato de amônio é comumente utilizado para a adubação de cobertura. Como esse fertilizante conta com a presença de N e S, seu processo no solo promove a acidificação do mesmo. 

Matéria orgânica

O ciclo natural de decomposição da matéria orgânica promove a geração de ácidos orgânicos. 

Por isso, uma das formas de promover a acidificação do solo é a  adição de matéria orgânica como compostos ou turfa na camada arável do solo, de 0 cm a 20 cm.

O ideal é fazer aplicações graduais, podendo ser seguidas de aplicação de microrganismos benéficos como EM, Bacilus subilits ou biofertilizantes que possam contribuir com a microbiota do solo. Isso favorece a decomposição da matéria orgânica adicionada. 

Adubação verde

Como um dos principais papéis das leguminosas no solo é a adição de nitrogênio, esse passa naturalmente pelo processo de nitrificação e, consequentemente, lixiviação do nitrato, promovendo a acidificação do solo pela liberação maior de íons H+. 

Além disso, o processo de decomposição da massa verde também gera ácidos orgânicos no solo, ou seja, contribuindo para a acidificação do solo. 

solo alcalino - ilustração de Plantas de cobertura no sistema soja-milho-algodão no cerrado
Plantas de cobertura no sistema soja-milho-algodão no cerrado
(Fonte: IPNI)

Conclusão

Sem dúvidas, a correção dos solos alcalinos é fundamental para a produtividade da sua lavoura. 

Neste artigo, você viu diversas possibilidades de corrigir um solo alcalino, como adubação verde, adubação nitrogenada, utilização de enxofre e ureia, por exemplo.

A escolha da melhor prática do ponto de vista técnico e econômico será a chave do seu retorno econômico.

Realize o planejamento agrícola adequado, sem perda de tempo nem desperdícios, e obtenha maior rentabilidade em sua fazenda!

Você tem solo alcalino em sua propriedade? Como tem feito o manejo? Deixe seu comentário abaixo!