Como ter mais eficiência na adubação com ureia agrícola

Ureia agrícola: qual a situação ótima para sua aplicação e estratégias para evitar perdas em sua lavoura

A ureia é um dos fertilizantes mais importantes para a produção agrícola, por ter alto teor de nitrogênio e custo relativamente baixo.

Mas esse adubo requer cuidado quanto à utilização e manejo, pois é propenso a variáveis que podem acarretar grandes perdas. 

Confira neste artigo as estratégias para maximizar a eficiência na utilização da ureia agrícola em sua lavoura!

O que é a ureia agrícola?

A ureia CO(NH2)2 é um fertilizante sólido granulado tida como principal e mais eficaz fonte de nitrogênio (N) para adubação no Brasil. Apresenta-se na forma de grãos e contém concentração de 44% a 46% de nitrogênio.

Esse fertilizante apresenta como vantagem a alta concentração de N aliada a baixo custo de produção e transporte, além da facilidade de aplicação. Tem alta solubilidade e facilidade de mistura com outras fontes de fertilizantes. 

Mas, por outro lado, existe facilidade de perdas devido à sua elevada higroscopicidade (tendência de absorver umidade do ar atmosférico) e maior suscetibilidade à volatilização

Vou explicar melhor tudo isso a seguir!

Como evitar perdas de ureia durante a aplicação na lavoura

Como a ureia agrícola apresenta limitações quanto ao uso, algumas estratégias devem ser adotadas para diminuir as perdas de nitrogênio para a atmosfera, que podem ultrapassar a marca de 50%. 

A situação ótima para a aplicação da ureia agrícola na lavoura ocorre antes da chuva e/ou irrigação, ou seja, em local seco e somente depois expor a ureia à umidade

Se a ureia for aplicada sob condições de solo úmido (após chuva) e não chover em seguida, é bem provável que ela se transforme em amônia, um gás que acaba evaporando juntamente com os vapores de água

E o que ocorre quando a ureia entra em contato com as folhas molhadas?

Nesse caso, a ureia pode provocar queimaduras irreversíveis na planta devido à concentração do fertilizante.

Para maximizar a eficiência da ureia agrícola, é comum usar como estratégia o parcelamento do fertilizante, principalmente quando se trabalha com altas dosagens. Isso permite um certo “controle”, diminuindo as perdas por volatilização. 

O parcelamento da adubação nitrogenada normalmente é realizado quando ocorre condições de chuvas fortes ou muito calor e seca, casos em que a ureia pode se perder por lixiviação e volatilização.

Aplicação da ureia em milho

Na cultura do milho, recomenda-se que a aplicação seja feita quando a planta já está bem nutrida de N, o que ocorre em torno do V5. Isso porque é nessa fase que os componentes de rendimentos já foram definidos. 

Além desse componente de rendimento, a aplicação é feita nem V5 porque o milho tem crescimento acelerado de V7 até a fase de emissão de pendão, demandando altas taxas de nitrogênio.

Aplicação da ureia em feijão

O feijoeiro apresenta associação com bactérias fixadora de N, porém o que é fixado não é suficiente para o pleno desenvolvimento do feijoeiro. 

Além da quantidade provinda da FBN não suprir a demanda da planta, essa quantidade N fixado só passa a ser considerável a partir de 35 a 40 dias após a emergência (DAE), requerendo, desta maneira, adubação nitrogenada

Assim, é muito comum ocorrer a aplicação de fertilizantes nitrogenados, como é o caso da ureia. 

É recomendada a aplicação de ⅓ na semeadura e ⅔ 20 DAE. Esse N de cobertura pode ser parcelado quando ocorrem altas dosagens, podendo ser feito em 2 vezes. A primeira seria entre 15 e 20 dias e a segunda até 35 dias da emergência das plantas.

Aplicação da ureia em trigo

Sabemos que a dosagem de N aplicado é baseado na quantidade de matéria orgânica do solo na cultura precedente e na expectativa de rendimento de grãos. 

Em geral, na cultura do trigo, é recomendada a aplicação de 15 kg/ha a 20 Kg/ha de N na semeadura. 

Já na cobertura, o ideal é aplicar no início do afilhamento. Porém, quando as doses são mais elevadas, pode-se fracionar aplicando também no início do alongamento

ilustração do manejo do nitrogênio nas Fases do desenvolvimento do trigo

Fases do desenvolvimento do trigo
(Fonte: Mais Soja)

A aplicação tardia de N em cobertura, após a fase de emborrachamento, geralmente não afeta o rendimento de grãos, mas pode aumentar o teor de proteína do grão.

Aplicação da ureia em aveia 

Aveia para grãos 

Estudos trabalhando com dose de base e épocas de aplicação de cobertura relatam que as melhores produções de grão de aveia se deram quando na semeadura aplicou-se 30 kg/ha de N. 

Já na cobertura, os melhores resultados foram constatados quando a adubação nitrogenada (ureia) foi aplicada entre os 25 a 30 dias após a emergência. 

Aveia para forragem 

Já na aveia para forragem, em recomendações técnicas da Embrapa, indica-se aplicação de 20 Kg/ha de N no plantio. 

Na cobertura e após cada corte é aconselhável aplicação de 20 kg/ha de N em cobertura na fase de perfilhamento (20 a 25 DAE). 

Estratégias para reduzir perdas de N dos fertilizantes nitrogenados

Os adubos nitrogenados, como a ureia, podem apresentar grandes perdas. Assim, inúmeras pesquisas e produtos buscam aumentar a eficiência desses fertilizantes. Essas pesquisas trabalham com as seguintes classificações conforme a especificação:

Fertilizante de liberação lenta ou controlada 

Nessa situação, o elemento apresenta um atraso na disponibilidade inicial ou um prolongamento na disponibilidade devido a alguns mecanismos como:

  • controle na solubilidade em água do material por camadas semipermeáveis;
  • materiais proteicos; 
  • outras formas químicas (por reduzir a hidrólise de compostos solúveis em água de baixo peso molecular).

Fertilizante nitrogenado estabilizado 

Nessa classificação, diz-se que foi adicionado uma estabilidade de N no fertilizante, o qual é responsável por manter o N por mais tempo, seja na forma da ureia ou amoniacal.  

Inibidor da nitrificação

Os fertilizantes deste grupo são aqueles que foram acrescidos de uma substância que inibe a oxidação biológica (bactérias). 

Os fertilizantes com inibidores de reações químicas são divididos em dois grupos: os inibidores de nitrificação e os inibidores da urease

Esquema da  demanda da planta versus suprimento dos fertilizantes convencionais e dos de eficiência aumentada

Esquema da  demanda da planta versus suprimento dos fertilizantes convencionais e dos de eficiência aumentada
(Fonte: Embrapa Solos)

Tecnologias que podem aumentar a eficácia da ureia

A ureia pode sofrer altas taxas de volatilização sob condições de:

  • pH acima de 7,0;
  • temperatura elevada;
  • altas doses podem acarretar maiores perdas;
  • aplicação em solos compactados e com acúmulo de água também podem incrementar esses valores de perda.

Dessa forma, alguns mecanismos têm sido trabalhados para melhorar a eficiência desse fertilizante. A seguir, elenco as principais:

Ureia de liberação controlada

A ureia de liberação controlada com grânulos revestidos tem a proposta de aumentar a eficiência de uso pelo fornecimento gradual do nitrogênio de acordo com a necessidade da planta. Além disso, visa reduzir perdas por volatilização.

Os materiais mais comuns no revestimento são: formaldeído (baixa solubilidade), fonte inorgânica (enxofre) e polímeros sintéticos.  

imagem com quatro fotos de ureia agrícola revestida com enxofre

Imagem de ureia revestida com enxofre
(Fonte: Embrapa Solos)

Esquema das camadas de revestimento

Esquema das camadas de revestimento
(Fonte: Unesp)

Ureia com inibidores de reação química

Os fertilizantes com inibidores de nitrificação atuam diminuindo a ação das bactérias que transformam o N-amoniacal em N-nítrico. 

Mas por que manter o N amoniacal? Essa forma do nitrogênio é a mais assimilável pelas plantas e menos propensa a perdas por lixiviação.  

Ureia com inibidores da urease apresenta a hidrólise mais tardia, ou seja, fica por mais tempo na forma de ureia, reduzindo as perdas. Isso ocorre mesmo sob casos de aplicação superficial na presença de resíduos vegetais e solo úmido, situações comuns no sistema de plantio direto

planilha-adubacao-milho

Conclusão 

A ureia agrícola é um dos adubos de maior importância no cenário produtivo, tendo em vista seus altos teores de N e custo-benefício compensatório. 

Mas esse fertilizante requer cuidado quanto à utilização e manejo, pois é propenso a variáveis que podem acarretar grandes perdas. 

Hoje no mercado há tecnologias que tentam aumentar sua eficiência, porém, isso ainda requer mais estudos e acessibilidade

Mesmo com as grandes perdas que a ureia agrícola pode apresentar, se bem planejado, seu uso assegura ganhos produtivos. 

>> Leia mais:

Superfosfato triplo e simples: solubilidade, formas e diferenças

Fertilizantes NPK: como obter alta eficiência das fórmulas comerciais

Como você trabalha com a ureia agrícola em sua propriedade? Já utiliza ureias de alta eficiência? Conte sua experiência nos comentários!

6 recursos do Aegro que vão te ajudar durante o plantio

Chegou a temporada de plantio na sua região? Veja como um software de gestão agrícola pode te ajudar a atingir melhores resultados.

Você já negociou insumos com fornecedores, finalizou os preparativos do solo e está esperando as condições certas para dar largada à semeadura.

Daqui pra frente, será necessário manter um ritmo de trabalho intenso para cumprir o calendário de plantio.

Mas os próximos meses podem se tornar mais tranquilos com o apoio de um software de gestão agrícola, como o Aegro.

Esta tecnologia facilita a organização dos seus processos no campo e no escritório para assegurar os resultados da safra. Conheça abaixo os recursos do Aegro!

1. Controle de custos agrícolas

Um controle eficiente de gastos tem impacto direto sobre a rentabilidade do seu cultivo. Por isso, o Aegro possui diversas ferramentas de gestão financeira.

No período de entressafra, você pode usar o software para montar um orçamento para a sua produção. 

E na temporada de plantio, quando os investimentos da fazenda começam a se concretizar, é só lançar as suas notas fiscais e pedidos de compra no sistema.

Registre as despesas pelo computador ou celular e aproprie facilmente os custos para a safra ou estoque.

Desta forma, você mantém o fluxo de caixa atualizado e consegue avaliar a saúde do seu negócio.

O Aegro ainda apresenta um gráfico interativo onde é possível analisar a participação de cada produto e serviço nos seus custos.

Painel de custos: um dos recursos do aegro
Painel de custos: um dos recursos do Aegro para tornar sua fazenda mais eficiente

Verifique o percentual de gastos com sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, entre outros.

Você também pode comparar o custo realizado com o custo orçado para entender se o seu planejamento financeiro está sendo seguido.

2. Metas de produtividade para a lavoura

Se você experimentou os recursos do Aegro nas safras passadas, é provável que tenha um registro preciso de quantas sacas foram colhidas na propriedade. 

Este histórico vai te ajudar a prever a produção da safra atual. E sabe por que é importante ter uma estimativa de produtividade? Porque, assim, você não precisa esperar a colheita para saber qual será a sua margem de lucro ou prejuízo.

O Aegro calcula o lucro esperado da safra com base nas suas metas de produtividade, no seu custo de produção e no preço estipulado para a venda das sacas.

gif que mostra previsão de custos, um dos recursos do aegro
Recursos do Aegro: previsão de custos

Com este recurso, você pode acompanhar a projeção de lucro durante o plantio para não ter surpresas desagradáveis no final da safra.

A estimativa de produtividade também serve para balizar a quantidade de produto em contratos de venda com entrega futura.

3. Calendário de manejo

Definir o calendário de manejo é uma ótima forma de ficar em dia com as etapas do cultivo.

Com os recursos do Aegro, você pode planejar todas as atividades de antemão. Desde o preparo do solo até a colheita.

Comece programando a data do plantio e estabelecendo a cultivar que será plantada em cada talhão.

Você também pode determinar quais funcionários serão responsáveis pela atividade de plantio e quais máquinas serão utilizadas.

Depois a sua equipe pode consultar essas informações de forma prática e registrar a realização da atividade diretamente da lavoura, pelo celular.

Gif que mostra painel de atividades no aegro
Recursos do Aegro: painel de atividades

O aplicativo móvel do Aegro funciona mesmo sem internet e agiliza o trabalho dos operadores.

No decorrer da safra, você consegue visualizar o progresso das atividades através do software para evitar atrasos no calendário.

E não deixe de registrar a data de emergência da planta no Aegro para ter a contagem de Dias Após a Emergência (DAE) e acompanhar o desenvolvimento da cultivar.

4. Manutenção preventiva das máquinas

Problemas no maquinário, como o embuchamento, podem atrasar o seu plantio e custar caro.

Para garantir a operacionalidade dos equipamentos, você pode gerenciar o patrimônio da fazenda com os recursos do Aegro. 

O software permite que você acompanhe as horas trabalhadas pela máquina e configure alertas de manutenção preventiva.

Crie alertas para revisão de óleo, troca de correias, checagem de bicos e mangueiras, entre outros. Você receberá esses lembretes pela central de notificações do Aegro e por e-mail.

gif com a tela do Aegro mostrando a função de alertas de manutenção

As manutenções e os abastecimentos do maquinário podem ser registrados rapidamente pelo celular.

Além do mais, você pode acompanhar todas as informações da máquina por um painel de controle. 

Isso vai ter ajudar a descobrir máquinas com baixa capacidade efetiva e perceber o momento certo de adquirir um novo equipamento. 

5. Monitoramento integrado de pragas

Produtores que optam pelo plantio tardio acabam sofrendo com a incidência de pragas e doenças na lavoura.

Felizmente, o uso de um software auxilia no controle de infestações e na consequente redução de custos com defensivos e perda de produtividade. 

Dentre os recursos do Aegro, há um módulo específico para o Monitoramento Integrado de Pragas (MIP).

Você pode definir o nível de controle das pragas e doenças e registrar as amostragens pelo celular.

Os resultados do monitoramento são apresentados através de um mapa de calor, que indica a gravidade da infestação em cada ponto verificado.

foto que mostra seção de mip, um dos recursos do aegro
O Manejo Integrado de Pragas é mais um dos recursos do Aegro

Assim, fica mais simples de decidir a hora e o local certo para pulverizar.

6. Relatórios e indicadores automáticos

As informações que você lança no Aegro ao longo do plantio vão alimentando relatórios e indicadores automaticamente.

Você pode consultar esses dados sempre que quiser, para ter uma visão geral da safra, avaliar o seu andamento e tomar decisões estratégicas.

Um dos recursos do Aegro é o indicador de evolução da safra, pelo qual você confere o percentual de área que já foi plantada.

Já o indicador de cultivares mostra a área total e a proporção em que cada variedade foi utilizada.

gif com a tela de recursos do Aegro com o indicador de cultivares

Também é possível gerar relatórios em Excel ou PDF a partir de diversas áreas do Aegro, como atividades, custo realizado, custo orçado, insumos, monitoramento.

Esta é uma maneira eficiente de checar os seus dados e enviar informes para pessoas que não acessam o sistema.

Ainda não gerencia sua fazenda com os recursos do Aegro?

O Aegro é seu parceiro durante todo o ano agrícola, pois agrega diversas funcionalidades em um único software. 

Com os recursos do Aegro, você pode fazer desde o planejamento da safra até o controle de vendas no final do ciclo produtivo.

Além de ter uma interface amigável no computador, o Aegro oferece um aplicativo para celular que torna mais práticas as rotinas do campo e do escritório.

Os recursos do Aegro contribuem para a otimização de processos na sua fazenda e consequente aumento de lucratividade.

Não é à toa que mais de mil propriedades do Brasil inteiro usam os recursos do Aegro! Experimente você também:

>>Leia mais:

“Como protegemos os dados da sua fazenda no Aegro”

“5 vantagens de sair do papel e utilizar um caderno de campo digital”

“Saiba aproveitar ao máximo os programas de pontos do produtor rural”

Quais controles você precisa melhorar em sua fazenda? Gostou dos recursos do Aegro? Clique aqui e faça o teste grátis!

Percevejo no milho: identifique os danos e saiba manejar

Percevejo no milho: veja quais são as principais espécies, os danos causados, as fases mais críticas e como fazer um controle assertivo

O ataque de percevejos é frequente na cultura do milho, especialmente em em sucessão com soja. Alguns fatores fazem com que essas principais pragas do milho estejam presentes na safra principal e na safrinha.

Muitas vezes, os danos causados são observados após um tempo. Isso pode refletir na necessidade de replantio da cultura. 

Neste artigo, veja como reconhecer os principais percevejos do milho, saiba como reconhecer os danos na lavoura e entenda as melhores estratégias de manejo. Boa leitura!

O que são percevejos no milho?

Os percevejos são insetos difíceis de controlar. Eles podem ser pragas iniciais ou tardias, que são encontrados em diversos locais da cultura. A cada ano, os percevejos ganham mais importância devido aos danos causados.

Os percevejos podem atacar a cultura do milho em diferentes fases de desenvolvimento. Os danos podem aparecer desde os estágios iniciais até os mais avançados. Os que atacam a cultura do milho são, em sua maioria, da família Pentatomidae

Diversas espécies podem ser encontradas nas lavouras, como:

Os percevejos barriga-verde são os que mais causam problemas. Isso principalmente no milho safrinha, implementado após soja ou feijão. Existem duas espécies que podem deixar o início da lavoura comprometida: Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus

Quais são os danos causados na cultura?

Os percevejos podem reduzir a produção da cultura do milho. Afinal, nas fases iniciais de desenvolvimento os percevejos podem: 

  • reduzir a altura de plantas;
  • reduzir número de folhas expandidas;
  • reduzir a massa seca de raízes;
  • provocar injúrias no cartucho;
  • causar enrolamento das folhas centrais da planta.

Na figura a seguir, é possível observar os danos dos percevejos no milho.

percevejos-no-milho
Adultos de Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus
(Fonte: Eco Registros)

Principais espécies de percevejos do milho

Não existe apenas uma espécie de percevejo no milho, e saber reconhecê-las é fundamental para evitar danos na lavoura. Veja abaixo quais são as principais:

Percevejo-barriga-verde

As espécies Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus têm características muito semelhantes. Sua atividade maior se dá em horários com temperaturas mais amenas

No entanto, D. furcatus é maior e seus espinhos são escuros. Já o Dichelops melacanthus é uma espécie menor e as extremidades dos espinhos são mais escuras do que o restante do corpo.

Além disso, D. furcatus é mais frequente em regiões de temperaturas mais amenas e Dichelops melacanthus em regiões mais quentes. O período de incubação dos ovos de ambas espécies é de aproximadamente seis dias.

Esses percevejos se alimentam de diversas espécies de plantas, inclusive de plantas daninhas. Isso contribui para que os insetos permaneçam na área.  D. melacanthus é uma praga do milho, mas também ataca outras culturas:

Tanto as ninfas como os adultos perfuram o colo das plântulas e sugam o conteúdo da seiva. Ao mesmo tempo, injetam substâncias tóxicas nas plantas.

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Diferentes estágios do percevejo-barriga-verde.
(Fonte: Embrapa)

Percevejo-marrom

Em semeaduras de milho após a soja, o ataque do percevejo-marrom ocorre na fase inicial de desenvolvimento. Ele causa danos semelhantes aos causados pelo percevejo-barriga-verde. No entanto, isso acontece em menor intensidade.

Em regiões com temperaturas mais amenas, o percevejo-marrom migra para áreas de mata ou vegetação nativa. Eles permanecem nesses locais até o final de setembro.

Por isso, o monitoramento dos percevejos do milho deve ser realizado antes mesmo da semeadura. Afinal, eles estarão presentes nas áreas de produção ou próximo delas.

percevejos-no-milho
Diferenças entre o adulto do percevejo-marrom e do percevejo-barriga-verde. 
(Fonte: Corrêa-Ferreira, 2017)

Percevejo-verde (ou percevejo-do-mato)

O percevejo-verde também é capaz de se alimentar de diversas espécies de plantas. Entretanto, os danos provocados por esse percevejo são diferentes dos demais. Afinal, ele injeta toxinas nos tecidos da planta hospedeira, podendo também disseminar fungos.

O ciclo de vida total do inseto depende de diversos fatores, principalmente temperatura. As ninfas (fase anterior à adulta), apresentam diferentes cores a depender do estágio de desenvolvimento:

  • alaranjada no primeiro ínstar;
  • preto com manchas brancas no segundo ínstar;
  • preto com manchas brancas no tórax e abdome verde com manchas amarelas no terceiro ínstar;
  • tórax preto e abdome vermelho com manchas amareladas ou verdes no quarto e quinto ínstar.

Na fase adulta, a coloração do inseto é verde. Ele pode se tornar verde escuro, dependendo dos fatores ambientais

percevejos-no-milho
Diferenças morfológicas e de coloração das principais espécies de percevejos que ocorrem na cultura do milho
(Fonte: Promip, 2019)

Percevejo-gaúcho ou percevejo-do-milho

Além de causar falhas nas espigas, o percevejo-gaúcho pode contaminar os grãos com fungos, principalmente Fusarium moniliforme, Penicillium spp. Embora o milho seja o alimento mais completo para a espécie, ele causa danos em inúmeras culturas.

Esse percevejo mede cerca de 2 cm de comprimento e tem coloração pardo-escura. Uma das características para identificação da praga é a presença de duas manchas circulares de coloração amarela em zigue-zague, localizadas nas asas.

A oviposição é realizada em linhas nas folhas. As ninfas dessa espécie (fase anterior a adulta), possuem coloração avermelhada a amarelada. Dependendo da condição climática, o ciclo biológico deste percevejo pode ser de um a dois meses.

Fases críticas para o ataque dos percevejos 

Os percevejos aproveitam a “ponte verde” para migrarem das culturas anteriores para o milho safrinha. Assim que as plantas começam a emergir, começam os ataques. Eles sobrevivem sob a palhada de plantas hospedeiras, que podem ser daninhas à cultura. 

Depois eles dispersam para a soja ou milho, e depois para o milho safrinha. Na fase vegetativa, com entre três e quatro folhas expandidas, é o período mais crítico. A alimentação intensa interfere nos estádios posteriores ao desenvolvimento da cultura.

Após esse período, ocorre a dispersão. Nesse momento, os percevejos aumentam a sua população, causando danos à cultura do milho e da soja

percevejos-no-milho
Dinâmica de percevejos em sistemas de produção milho-soja no sul do Brasil
(Fonte: Toledo et al., 2021)

Como saber o momento certo de controle?

Se houver 0,58 percevejos por m² é o momento ideal para entrar com controle. Quando a amostragem mostrar necessidade de controle, entre imediatamente com os métodos. 

Para te ajudar com o registro e controle dos percevejos na lavoura, a tecnologia pode ser um divisor de águas. Separamos uma planilha gratuita para te ajudar nessa etapa. Clique na imagem abaixo para acessar o material: 

Ao decidir pelo método químico, é importante utilizar uma boa tecnologia de aplicação para conseguir atingir os percevejos de maneira eficaz. Rotacionar diferentes ingredientes ativos ajudará a evitar perda de tecnologia devido à pressão de seleção. 

É importante evitar as aplicações em períodos em que a praga está abrigada. Por exemplo, durante a noite, em dias chuvosos ou com temperaturas amenas

Como acabar com percevejo nas plantas de milho?

O controle de percevejos pode ser feito antes e depois de identificar a presença na lavoura. Veja a seguir as melhores práticas:

Controle antes de identificar a presença

O controle deve ser feito antes mesmo da implementação da lavoura. Para isso, você deve seguir o Manejo Integrado de Pragas

Outra forma de controle é o revolvimento do solo e eliminação de plantas daninhas. Isso serve para evitar que os insetos permaneçam na área. No entanto, essa prática é inviável em sistemas de plantio direto.

O tratamento de sementes de milho com inseticidas sistêmicos vai garantir que, mesmo se houver percevejo na área, os danos sejam mais baixos. Mas para isso, é importante que as espécies presentes sejam devidamente identificadas

A identificação é importante para manejar a área antes da implantação da cultura. Assim, é possível selecionar o inseticida mais adequado para controle das espécies existentes.

Adquirir as sementes tratadas pode ser uma ótima forma de manter as plantas homogêneas, uma vez que o tratamento na propriedade pode ficar com falhas. 

Controle depois de identificar a presença das pragas

Após identificar a presença dos percevejos, você precisa entrar com o controle químico. Alguns ingredientes ativos que podem ser utilizados no controle:

  • Tiametoxam (neonicotinóide) para o percevejo-barriga-verde (ambas as espécies), dentre outros grupos químicos;
  • Para o percevejo-marrom: Beauveria bassiana e bactérias como Bacillus thuringiensis. No entanto, é necessário verificar se a bactéria produzida pelo fabricante é registrada para a cultura;
  • Outros grupos químicos podem ser consultados no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários.

Para que o controle seja realmente efetivo, é ideal realizar monitoramento constante. É importante que você saiba que fazer aplicações de inseticidas preventivos ou esperar que os sintomas apareçam não é viável.

Como controlar percevejo no milho com tecnologia?

Para controlar os percevejos, nem sempre planilhas e cadernos dão conta. Isso sobretudo em grandes propriedades, com maior área a ser controlada. Justamente por isso, softwares como o Aegro estão disponíveis para mapear as pragas na área de cultivo.

Ainda, conhecendo o histórico da área, você pode planejar de forma mais assertiva quais métodos de controle usar.

Tela do Aegro, na aba de MIP aberta.
Monitoramento de pragas agrícolas no Aegro. Com o software, todos os dados do monitoramento ficam guardados de forma segura e prática.
(Fonte: Aegro)

O Aegro também oferece a você dados climáticos. Essas informações ajudam a determinar o risco de ocorrência de doenças de plantas em diversas culturas. Comece a controlar as pragas na sua lavoura com o Aegro

Conclusão

Os percevejos podem comprometer a sanidade do milho. As espécies do gênero Dichelops são as que mais causam danos à cultura.

No milho safrinha, o grande problema é a “ponte verde” que ocorre por meio das culturas anteriores, como soja e feijão.  Os sintomas só aparecem após já ter ocorrido danos, que não podem ser revertidos.  

Por isso, lembre-se que o controle dessas pragas deve ser sempre atrelado ao monitoramento desde antes mesmo do plantio até o estabelecimento da cultura. 

Você enfrenta problemas com percevejos no milho na lavoura? Não deixe de compartilhar este artigo com outros produtores ou com sua equipe de trabalho!

Manejos pré-plantio: o que você precisa para começar bem a próxima safra

Pré-plantio: confira as dicas de planejamento, adubação, correção e preparo do solo para as principais culturas agrícolas.

A safra atual está quase no fim e as expectativas para a próxima (2020/21) são grandes. As áreas para cultivo de soja e milho têm previsão de aumento de 2,5% e 1,8%, respectivamente.

Para muitos especialistas, o cenário é favorável e o Brasil poderá inclusive superar a produção da atual temporada.

Mas, antes de chegar à produção final, muito tem de ser feito! E tudo isso começa no pré-plantio!

Você conhece os principais manejos e cuidados que devem ser tomados nessa fase de preparação para a próxima safra? Confira a seguir! 

Principais atividades do pré-plantio

Os manejos pré-plantio diferem de cultura para cultura. Cada uma delas apresenta particularidades.

Nem todos os manejos feitos no pré-plantio da soja ou feijão serão realizados para o pré-plantio do milho ou algodão.

Entretanto, muitas das atividades que devem ser realizadas no pré-plantio são comuns a diversas culturas agrícolas.

Algumas delas são feitas diretamente no campo enquanto outras são feitas ainda no escritório, durante o planejamento agrícola.

Planejamento da safra

O planejamento da safra é o momento para fazer um bom levantamento da capacidade operacional e de ativos da propriedade.

Com base no levantamento, pode-se identificar se há necessidade de alterações ou ajustes nos planos.

Caracterização das condições químicas, físicas e biológicas do solo devem estar em mãos ou já em análise, para que possam ser planejadas as correções necessárias.

Essa caracterização será necessária para a correção do pH do solo e como base para os cálculos de necessidade e parcelamento da adubação.

Feito isso, é possível traçar um plano de ação e, dessa forma, executar todas as operações desejadas sem grandes problemas.

Adubos verdes e culturas de cobertura

Os adubos verdes têm como função principal ciclar e fornecer nutrientes para o solo ao mesmo tempo que atuam trazendo benefícios às características físicas do solo.

Muitas das espécies utilizadas como adubos verdes podem também ser utilizadas como culturas de cobertura, ou seja, para produção de palhada.

foto de exemplo de área com adubo verde e outra sem - pré-plantio

Exemplo de área com adubo verde e outra sem

Além da biomassa que produzem, muitos adubos verdes, principalmente as leguminosas, podem auxiliar na redução do uso de fertilizantes nitrogenados.

Existem diversos outros benefícios do uso de adubos verdes. Algumas espécies, como a crotalária, atua no controle de nematoides no pré-plantio da cultura agrícola.

O uso e a escolha do adubo verde dependerá do sistema de produção trabalhado e das atividades que você verá a seguir.

Adubação, correção e preparo do solo no pré-plantio

Essas três atividades, adubação, correção e preparo do solo estão intimamente relacionadas e dependem muito uma das outras. Portanto, requerem atenção redobrada!

Preparo do solo

O preparo do solo é um manejo que deve vir alinhado às demais atividades que se planeja realizar.

Os diferentes sistemas de produção, convencional, reduzido ou o plantio direto, demandam mais ou menos operações e interferem na forma como devem ser realizadas as demais atividades.

Isso deve ser levado em consideração para não perder o cronograma de atividades no pré-plantio nem errar na realização delas. 

Atenção para as boas práticas agrícolas de modo a evitar a compactação dos solos ou ainda uso excessivo de corretivos e fertilizantes.

Correção e adubação

A correção dos solos no pré-plantio depende muito dos solos que será trabalhado e, muitas vezes, pode exigir parcelamento. Isso deve ser levado em consideração no cronograma.

A adubação no pré-plantio é a primeira etapa do cronograma de adubação elaborado com base nos resultados da análise de solo.

Diferentes culturas apresentam diferentes necessidades: esse ponto é o que mais diverge nos manejos.

Aqui no Blog do Aegro nós já falamos sobre adubação específicas para citros, café, feijão, milho e soja

Dessecação pré-plantio

A dessecação pré-plantio, ou dessecação antecipada, é uma prática recomendada para eliminar toda a vegetação existente em uma área antes da semeadura da cultura.

Isso inclui plantas daninhas e restos de culturas antecessoras.

foto de Dessecação da área pelo menos 30 dias antes do plantio do cultivo agrícola - pré-plantio

Dessecação da área pelo menos 30 dias antes do plantio do cultivo agrícola
(Fonte: Dekalb)

A dessecação pode vir associada com o período de vazio sanitário, quando necessário, e deve ser realizada pelo menos 30 dias antes do plantio.

Seus objetivos são facilitar o plantio, permitir o desenvolvimento inicial das plantas, facilitar o controle de plantas daninhas e, é claro, aumentar a produtividade!

Vazio sanitário

O vazio sanitário é um período de ausência de plantas nas áreas, sejam ela cultivadas ou voluntárias (daninhas).

Portanto, nesse período pré-plantio, principalmente da soja, feijão e algodão, todas as espécies vegetais devem ser retiradas das áreas que serão cultivadas.

A duração desse período de vazio sanitário pré-plantio pode variar de 30 até 90 dias, de acordo com a localização dos plantios.

Tabela com Período de vazio sanitário nos diferentes estado e regiões brasileiras

Período de vazio sanitário nos diferentes estado e regiões brasileiras
(Fonte: Embrapa)

E você pode se perguntar: “Mas pra que eu preciso seguir o vazio sanitário?”

A aplicação desta técnica no pré-plantio visa minimizar a disseminação de pragas e doenças em restos culturais de uma safra para a outra.

Além disso, por ser regulamentado pelo Estado, produtores que descumprirem essa norma estão sujeitos a punições e multas.

De olho no clima

O clima é sempre o fator que mais preocupa, afinal, é muito difícil de prevê-lo, mesmo com os excelentes centros de pesquisa.

O excesso de chuva, ou ainda a falta dela, pode prejudicar e muito as lavouras, sendo fator determinante para o início das atividades, principalmente no pré-plantio.

Por esse motivo, é essencial acompanhar de perto as previsões meteorológicas.

El Niño, La Niña ou neutralidade

Tão importante quanto as previsões de curto prazo é o acompanhamento do fenômeno conhecido como ENOS, que pode se configurar como El Niño, La Niña ou neutralidade.

As perspectivas mais recentes para a primavera/verão de 2020 é de prevalecimento de La Niña seguido de neutralidade.

Projeções de probabilidade de ocorrência de El Niño, La Niña ou neutralidade

Projeções de probabilidade de ocorrência de El Niño, La Niña ou neutralidade
(Fonte: Notícias Agrícolas)

Isso significa que, para a região Sul, há maior possibilidade de escassez de chuvas, enquanto para o Nordeste, as chuvas devem vir em volume pouco acima do esperado.

As regiões Sudeste e Centro-Oeste entram na chamada “zona de transição” que é pouco afetada pelas mudanças trazidas por esse fenômeno.

Previsões do tempo

Você deve estar sempre atento também a mudanças abruptas e pode acompanhar tudo isso pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

É preciso estar de olho nas variações climáticas que podem ser adversas, como possibilidade de seca prolongada, tempestades, geadas, etc. 

Você pode planejar corretamente seus manejos no pré-plantio acompanhando as previsões para a sua região aqui.

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Os cultivo agrícolas apresentam particularidades e semelhanças e, muitas vezes, parte das atividades realizadas no pré-plantio destas são similares.

Entretanto, os períodos de realização das atividades podem variar para cada região, como no caso do vazio sanitário da soja.

Estar atento às condições climáticas da região para a próxima safra é essencial para um melhor planejamento das atividades do pré-plantio.

Para todas as atividades propostas é bom estar sempre atento às boas práticas agrícolas, evitando o desperdício de recursos, protegendo o ambiente e as pessoas!

Quais dessas ou outras atividades você realiza no pré-plantio em sua região? Conta pra gente nos comentários!

Qualidade do solo: o que é e como fazer a avaliação em sua propriedade

Qualidade do solo: entenda os indicadores de qualidade química, física e biológica que devem ser considerados.

Na última safra, o Brasil produziu cerca de 255 milhões de toneladas de grãos, um aumento de quase 5% em relação à safra passada.

Todo esse alimento, fibra e combustível produzido tem algo em comum: eles dependem do solo não apenas como como substrato, mas também como fonte de nutrientes, água e oxigênio.

Pode parecer que existe solo para “dar e vender”, mas ele é um recurso importante que é “gerado” a uma velocidade de apenas 0,01 a 0,02 milímetros ao ano, enquanto a média mundial é de perdas de 1,54 mm ao ano. Ou seja, perde-se a camada arável mais rápido do que a natureza consegue formá-la. 

Por isso, é essencial entender o que é qualidade de solo ou saúde do solo, quais os indicadores e como conseguir um solo saudável que possa entregar todo o potencial produtivo da lavoura.

Qualidade do solo

O solo é um ambiente vivo e dinâmico. A ciência ainda não conseguiu entender todos os processos que ocorrem nele, apenas indicadores relacionados a solos saudáveis e que permitem às plantas atingirem altas produtividades.

De forma geral, a qualidade do solo depende de seus próprios atributos, mas também das práticas de uso e manejo, além de interações com o ecossistema. Saber a classificação do solo também é essencial para determinar a qualidade.

As plantas se relacionam com os solos através das raízes e são capazes de selecionar microrganismos no entorno do sistema radicular a fim de auxiliar no seu desenvolvimento e na obtenção de nutrientes por exemplo.

Mas para as relações biológicas acontecerem, plantas e microrganismos precisam de um ambiente química e fisicamente favoráveis.

A seguir vamos falar sobre cada um desses pontos com mais detalhes. 

Qualidade química do solo

Os indicadores da qualidade química do solo são os mais frequentemente utilizados e o que você deve estar mais acostumado.

Normalmente, a atenção maior é dada ao pH do solo e ao teor de macro e micronutrientes. Entretanto, existem alguns outros indicadores extremamente importantes nas análises de solo.

Um deles é o teor de alumínio. Esse elemento é extremamente tóxico para as plantas na sua forma solúvel, inibindo o crescimento radicular. A calagem e o uso de gesso são técnicas já consolidadas para controlar o alumínio no solo.

Outro indicador importante é a CTC do solo. Ela diz qual é a capacidade de nutrientes que o solo pode reter sem sofrer perdas por lixiviação. A CTC dos solos brasileiros está intimamente ligada com outro indicador que também se relaciona com a parte física e biológica: o teor de matéria orgânica.

gráfico com a relação entre o teor de matéria orgânica do solo (MO) e a capacidade de troca de cátions do solo (CTC)

Relação entre o teor de matéria orgânica do solo (MO) e a capacidade de troca de cátions do solo (CTC)
(Fonte: Barbosa, 2017)

A matéria orgânica tem uma altíssima CTC e, quanto maior seu teor no solo, maior a capacidade desse solo reter os nutrientes aplicados. 

Para aumentar a quantidade de matéria orgânica, o jeito é só adicionando material vegetal de decomposição lenta ao solo, ou seja, culturas de cobertura e, principalmente, gramíneas.

Qualidade física do solo

Continuando no assunto matéria orgânica, ela influencia a qualidade física do solo também, melhorando indicadores como: densidade do solo, porosidade e estabilidade dos agregados.

Todos os indicadores da qualidade física do solo têm como objetivo garantir que a planta tenha acesso à água e oxigênio para se desenvolver.

Para crescer, as raízes precisam de um solo que apresente baixa resistência, ou seja, que não esteja compactado.

O problema da compactação

A compactação destrói os poros do solo, que é por onde a água e o ar passam. Dessa forma, um solo compactado inibe o crescimento profundo do sistema radicular, não permitindo que as plantas acessem a água contida nas camadas mais profundas.

Esse problema se torna mais visível em anos com veranicos ou secas prolongadas. As plantas com o sistema radicular profundo conseguem se sair melhor nesses períodos e têm sua produtividade menos afetada por esses eventos climáticos.

O plantio convencional (com arado e grade) parece melhorar as condições físicas do solo em um primeiro momento. 

Contudo, esses implementos quebram os agregados do solo, fazendo com que, após as primeiras chuvas, os poros do solo sejam obstruídos. Isso causa uma camada compactada abaixo de onde esses implementos passam. Essa camada de impedimento físico irá limitar a profundidade do sistema radicular.

Mas aí você pensa: é só usar um subsolador. Infelizmente essa solução é provisória.

O processo de subsolagem faz o mesmo trabalho do arado e da grade, mas em profundidade. Ele quebra a compactação, mas quebra os agregados também, fazendo com que, após alguns meses, as partículas se “assentem” novamente e formem uma nova camada de impedimento.

qualidade do solo

Resistência à penetração do solo; A) 6 meses após a implantação dos tratamentos; B) 18 meses após a implantação dos tratamentos.  DMS – diferença mínima significativa.
(Fonte: Piccin, 2020)

Para evitar esse problema, o melhor é utilizar culturas de cobertura com um sistema radicular amplo e agressivo. Dessa forma, após a subsolagem, as raízes irão estruturar o solo, impedindo que uma nova camada de compactação se forme, além de incorporar matéria orgânica ao solo.

Qualidade biológica do solo

A cobertura do solo e a matéria orgânica estão intimamente relacionadas com a qualidade biológica do solo.

Os microrganismos do solo são os responsáveis pela ciclagem de nutrientes, tornando-os disponíveis para as plantas.

Um caso muito conhecido é o da fixação biológica de nitrogênio (FBN) na soja. Os microrganismos fixadores conseguem suprir uma boa parte do nitrogênio requerido pela planta (50%-70%).

gráfico que mostra Nitrogênio derivado da atmosfera (FBN) ao longo do ciclo da soja

Nitrogênio derivado da atmosfera (FBN) ao longo do ciclo da soja
(Fonte: Zambon, 2020)

Dessa forma, principalmente em lavouras de altas produtividades (acima de 4 toneladas), quem fornece o restante de nitrogênio demandando pela planta é o solo, através dos microrganismos.

Eles irão mineralizar a matéria orgânica, fornecendo nitrogênio para o ambiente do solo. Isso mostra como é de vital importância a qualidade biológica dos solos.

Para se atentar a isso, utilizam-se alguns indicadores como:

  • presença de minhocas e insetos;
  • massa microbiana;
  • taxa de respiração do solo;
  • algumas enzimas específicas (que permitem verificar a existência de organismos que podem aumentar a disponibilidade de fósforo, por exemplo).

Outro indicador visual é a cor do solo. A matéria orgânica tende a “tingir” os solos com tons de marrom escuro, principalmente na superfície.

cálculo de calagem Aegro

Conclusão

A qualidade do solo pode ser acompanhada com diversos indicadores que ajudam a escolher o manejo necessário para sanar possíveis problemas.

Você deve sempre se atentar a esses indicadores, pois eles mostram, com antecedência, de onde o prejuízo pode vir.

Acompanhar a análise química do solo é essencial, mas não é tudo! É preciso considerar os indicadores físicos e biológicos do solo.

Não pense que para isso são necessárias análises caras e complexas: o olho de quem está todo dia no campo consegue perceber esses problemas!

Não são necessárias mais que algumas “cavucadas” para notar um possível problema de compactação na subsuperfície do solo ou a falta de “vida”, como minhocas e insetos.

Então, não há desculpas! Atente-se à qualidade do solo para garantir que ele possa oferecer o ambiente ótimo para o potencial produtivo da lavoura. 

>> Leia mais:

“Como melhorar a qualidade do solo com o terraceamento”

“Como analisar o DNA do solo pode te ajudar a prevenir problemas e fazer um manejo mais efetivo da lavoura

“Como a agricultura regenerativa pode te dar bons resultados a longo prazo”

“O que é e por que investir na análise microbiológica do solo”

Como está a qualidade do solo em sua propriedade? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Como a gestão agrícola pode trazer mais lucro para sua empresa rural

Gestão agrícola: entenda porque ela é o caminho para aumentar a lucratividade e minimizar os custos em sua fazenda!

Não ter uma visão clara e estratégica do próprio negócio é um problema para você? Ao final da safra, é difícil saber com certeza quanto teve de rentabilidade com a lavoura?

Uma boa gestão agrícola permite que você tenha um controle mais preciso das operações e trace estratégias para reduzir custos e aumentar a lucratividade da fazenda.

Mas por onde começar a gestão agrícola? Quais ferramentas podem ajudar a tomar decisões mais certeiras? Confira!

Como a gestão agrícola pode trazer mais lucro para sua empresa rural

O que é gestão agrícola?

A gestão agrícola é o processo para administrar uma propriedade rural com o objetivo de otimizar todo o planejamento da produção agrícola. Isso envolve desde o preparo do solo à colheita, gestão orçamentária, controle da frota e estoque, até a venda dos produtos.

Ela auxilia na organização mais eficiente da empresa rural, visando principalmente lucratividade e minimização de custos. Além disso, possibilita um melhor controle sobre as operações da fazenda e, consequentemente, maior produtividade.

Com dados precisos em mãos, você consegue saber quais insumos comprar, quanto comprar, quando plantar e por quanto vender sua produção.

Na prática, utilizando a gestão agrícola, você transforma dados em lucro, pois, consegue traçar estratégias certeiras e realizar um melhor planejamento da safra. Isso também diminui seus riscos.

Sabendo efetivamente todos os custos envolvidos e tendo uma visualização facilitada das operações da fazenda, as etapas de produção ficam mais organizadas e ágeis. Isso simplifica o controle da propriedade, proporciona mais efetividade no manejo e mais qualidade da produção.

Levando em conta os benefícios, você já deve ter observado que a gestão agrícola não é um diferencial e sim uma necessidade de toda empresa rural, independente do tamanho. Ela deve ser vista como uma aliada, pois proporciona menores custos e maior rentabilidade a você!

Desafios da gestão agrícola

A boa gestão agrícola é uma necessidade de toda empresa rural que busca alcançar melhores resultados.

Mas, na prática, ainda há muitas dificuldades quanto à adoção de medidas que propiciem esse gerenciamento efetivo.

Estoque e armazenamento

Saber realmente o que se tem em estoque é um dos grandes desafios no campo. Afinal, é necessário ter um controle total sobre as entradas e saídas de diversos itens e estar atento quanto às futuras aplicações para garantir que não falte produto.

No dia a dia, não é fácil gerir todas as etapas da produção e ainda pensar em abastecer planilhas para gerar relatórios. Mas você pode contar com ferramentas como um software de gestão agrícola para te ajudar nessa tarefa.

Gestão Financeira

Esse certamente é um dos maiores desafios do setor! É preciso saber separar os custos da sua empresa rural dos seus gastos pessoais e fazer a administração correta.

A gestão financeira envolve desde o pagamento de impostos e funcionários, à compra de insumos. Por isso, ter bem organizada essa etapa é fundamental para gerar lucratividade para a empresa rural.

Aumento da produtividade

Alcançar uma produtividade melhor envolve diversas variáveis tanto operacionais (escolha da melhor semente, preparação adequada do solo, etc.) quanto administrativas (melhor gestão dos insumos, por exemplo).

É preciso ter uma visão clara do todo da fazenda para conseguir resultados melhores e a gestão agrícola é fundamental nesse processo.

Outros desafios que você pode ter aí na sua fazenda são:

  • Não visualizar a fazenda como uma empresa rural;
  • Falta de tempo para preencher planilhas;
  • Não ter uma pessoa com conhecimento em finanças;
  • Não realizar um planejamento para gastos e investimentos a longo prazo;
  • Ignorar o planejamento para a próxima safra e vendas futuras.

Áreas da gestão agrícola: como elas funcionam na sua fazenda?

A gestão agrícola envolve diversas áreas, cada uma delas com impacto direto na produção e nos resultados da sua empresa rural.

A fazenda deve ser encarada como um negócio que precisa ser rentável, por isso, cada área precisa de atenção!

Produção

Essa é uma das áreas dentro da gestão agrícola que merecem olhar mais atento. Nesse setor, você deve se preocupar com a parte técnica do sistema de produção. 

Quais são os recursos necessários para a implementação, desenvolvimento e colheita dos cultivos?

Planeje-se para que a produção seja eficiente e tenha os melhores resultados. Conte com apoio de engenheiros agrônomos especializados para o acompanhamento e recomendação de sua propriedade.

Cada detalhe no manejo pode fazer a diferença em sua produtividade!

Finanças

Ter um bom controle dessa área permite visualizar como está sua situação financeira da fazenda: quantas entradas, saídas, qual a rentabilidade por área e por talhão. Ou seja, é uma área fundamental para o sucesso da fazenda! 

Esse setor também é responsável por verificar a possibilidade de novos investimentos. Quando administrado de forma correta, permite alcançar mais lucratividade e atingir crescimento.

Caso você não tenha um contador, invista em uma consultoria contábil! Ela irá auxiliar muito em seu dia a dia. 

Gestão de pessoas

A gestão de pessoas está ligada à profissionalização do agronegócio! Gerir bem os recursos humanos consiste em várias estratégias para atrair e manter bons profissionais.

Uma boa gestão de pessoas envolve seleção de funcionários, programas de treinamento e desenvolvimento do capital humano.

Já dizia o professor Dirceu Gassen: a lavoura responde ao manejo e quem faz todos os manejos são pessoas. No final das contas, são as pessoas que importam!

Quando se possui uma boa gestão na fazenda, o trabalhador “veste a camisa” e possui interesse em ver a propriedade crescer. Por isso, invista em sua equipe para uma boa gestão agrícola: ela é fundamental!

infográfico sobre gestão de pessoas que envolve motivação, comunicação, trabalho em equipe, conhecimento e competência e treinamento e desenvolvimento.

(Fonte: Soften)

Comercial

Essa é a área dentro da gestão agrícola que responde pelo contato com clientes e distribuidores. É responsável por definir, juntamente com o financeiro, quais os melhores contratos de venda, além de identificar quais as melhores opções de comercialização do produto final.

Essa área deve estar atenta não apenas ao mercado interno, mas ao externo também, acompanhando as oscilações de preços, demanda dos produtos e possíveis contratos de comercialização.

Como melhorar a gestão agrícola?

Fazer a gestão da fazenda fica mais fácil quando os dados estão centralizados e podem ser visualizados de forma simples e rápida. Ferramentas digitais ajudam muito nesse processo.

O Aegro é um software que une a rotina da lavoura à gestão financeira para te oferecer mais controle sobre o processo produtivo. Com ele, você planeja e acompanha a trajetória completa da safra. 

Dados relativos a técnicas de manejo, estoque e contas a pagar ficam centralizados no mesmo sistema. A qualquer momento, você pode gerar análises detalhadas de custo e rentabilidade com base nas informações que inseriu no Aegro.

Outra vantagem do software é que ele está disponível para computadores e celulares. A versão para celular funciona mesmo sem internet, permitindo que você faça lançamentos diretamente do campo.

Conheça as principais funcionalidades do Aegro:

Confira nossa demonstração do Aegro e aproveite todas essas funcionalidades na sua fazenda.

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Conclusão

A gestão agrícola é peça-chave para alcançar altas produtividades.

Mostramos neste artigo o que é a gestão agrícola, sua importância no dia a dia do campo e como ela é necessária em sua empresa rural.

Você pode conferir também informações sobre algumas áreas que a gestão agrícola engloba e como melhorar o gerenciamento da sua fazenda!

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Como realizar o preparo do solo para plantio de milho

Preparo do solo para plantio de milho: entenda qual é o sistema mais adequado para sua propriedade.

O milho é uma cultura de grande importância no agronegócio brasileiro. Só na temporada 2019/20, mais de 106 milhões de toneladas devem ser produzidas em primeira, segunda e terceira safras.

Para alcançar o melhor potencial da lavoura, vários fatores devem ser considerados. Um dos primeiros é o preparo do solo.

Quais são as condições ideais para o cultivo do milho? Qual é o sistema de preparo do solo mais adequado? 

Confira como realizar o melhor preparo do solo para plantio de milho a seguir!

Preparo do solo para plantio de milho

O preparo do solo abrange um conjunto de operações que visam proporcionar condições favoráveis à semeadura e desenvolvimento adequado da cultura durante seu ciclo.

Alcançar altas produtividades também depende do uso sustentável desse solo, do meio ambiente e dos recursos hídricos.

Para que você decida qual sistema de preparo do solo é mais adequado para sua propriedade, antes precisa conhecer mais a fundo os sistemas de manejo do solo. Vou explicar melhor:

Sistemas de manejo do solo

Sistemas de manejo incluem o preparo do solo (preparo convencional, preparo mínimo/reduzido e preparo conservacionista), culturas de rotação e/ou sucessão e o controle de plantas daninhas.

O preparo convencional é qualquer sistema que deixa menos de 15% da superfície do solo coberta com resíduos após o plantio. 

O preparo reduzido deixa de 15% a 30% de cobertura. Já o preparo conservacionista, como o plantio direto, deve apresentar mais de 30% de cobertura.

esquema de um sistema conservacionista com definições de cultivo: preparo convencional, cultivo mínimo e plantio direto.

Definições de cultivo
(Fonte: adaptado de Corn Agronomy)

O preparo adequado do solo também precisa considerar a época do cultivo – se primeira, segunda ou terceira safras. 

O milho safra é plantado entre outubro e dezembro. Já o milho safrinha pode ser cultivado entre janeiro e abril. Há ainda uma terceira safra incipiente de milho sendo plantada principalmente no nordeste, de abril a junho.

Diferentes épocas refletem condições climáticas diferentes, que interferem no ciclo da cultura e também nas condições de umidade do solo para o preparo.

Para que você faça um bom planejamento do preparo do solo para plantio de milho é preciso entender algumas características e propriedades do solo.

Principais características dos solos do Brasil

O solo é o resultado dos fatores de formação: material de origem, relevo, organismos, clima e tempo. 

Portanto, cada solo possui sua “identidade”, proporcionada pela interação entre estes fatores. No Brasil, ocorre a predominância de solos ácidos e muito intemperizados.

Assim, as práticas de correção do solo são necessárias na maior parte dos casos, pois o milho possui baixa tolerância à acidez. A condição de pH ideal é em torno de 6,0. 

A análise de solo deve ser realizada para que o produtor determine a necessidade de correção e/ou adubação do solo visando a produtividade esperada.  

foto de uma plantação de milho em desenvolvimento com folhas verdes.

(Fonte: Revista Globo Rural)

Saiba quanto você vai colher! Baixe aqui uma planilha gratuita para estimar sua produtividade de milho!

Características e propriedades do solo

A textura e a estrutura do solo são essenciais para o entendimento da resistência do solo aos impactos do sistema de preparo adotado.

  • Textura – uma análise física do solo (granulometria) fornecerá dados sobre as proporções entre os diferentes tamanhos de partículas primárias (areia, silte e argila).

    Os resultados dessa análise de solo podem auxiliar na tomada de decisão sobre o preparo do solo para plantio do milho. Há uma tendência de solos mais arenosos serem mais propensos à erosão em comparação aos solos argilosos
  • Estrutura – é o arranjo das partículas primárias do solo formando agregados. Estes agregados definem o sistema poroso do solo. A estrutura do solo pode ser analisada no campo de forma visual (morfologia) e por análise de solo com amostras indeformadas. 

A agregação em solos tropicais é resultante dos constituintes mineralógicos, como os óxidos de ferro e alumínio e a caulinita, matéria orgânica e organismos.

Devido ao maior efeito cimentante dos óxidos, solos com altas proporções desses minerais geralmente são mais resistentes e possuem elevada resiliência física à compactação do solo.

Solos mais resistentes aos processos erosivos, como alguns solos argilosos com altas proporções de óxidos de ferro e alumínio, podem ser recomendados para cultivo do milho em sistema convencional.

Já para solos menos resistentes, como os arenosos, recomenda-se sistemas mais conservacionistas, como o plantio direto.

Compactação do solo

A compactação é um dos efeitos do manejo que afeta diretamente a estrutura do solo. Como consequência, há aumentos da densidade, redução da porosidade e da capacidade de infiltração da água no solo, levando ao aumento da erosão.  

duas fotos, uma apresenta uma mão segurando uma porção da terra e a outra mostra uma quantidade de solo com matéria orgânica

Importância dos óxidos de Fe e Al e da matéria orgânica na formação da estrutura do solo 
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

As condições de umidade do solo para o preparo do milho conforme a época do ano também merece destaque por interferir na consistência do solo.

A consistência é importante para se definir o bom preparo, que deve ser realizado quando o solo apresenta conteúdo de água equivalente à consistência friável

Estudos mostram perdas na produtividade do milho 2ª safra em função do estado de compactação do solo, em conteúdo de água equivalente à capacidade de campo com resistência do solo à penetração – RP, equivalente a 2,6 MPa.

Outro estudo mostrou que, em sistema convencional, valores de RP variando entre 0,9 e 2,0 MPa não restringiram a produtividade de grãos de milho.

Preparo convencional x plantio direto na cultura do milho

Diferentes preparos do solo para plantio de milho têm vantagens e desvantagens.

No preparo convencional, pode ocorrer um maior controle de plantas daninhas. Entretanto, há redução dos níveis de matéria orgânica e maior risco de erosão, principalmente em solos arenosos.

No plantio direto, existe uma alta dependência de herbicidas no controle de plantas daninhas. Não há incorporação de corretivos, sendo um sistema pouco recomendado para solos de baixa drenagem.

Quando bem manejado com práticas de rotação, o sistema de plantio direto pode trazer benefícios principalmente durante o cultivo do milho safrinha. Isso porque este sistema pode auxiliar no aumento do conteúdo de água disponível para a cultura e reduzir as perdas por evaporação.

Conclusão

Nesse texto você conferiu as recomendações sobre o preparo do solo para plantio de milho.

Você viu como as características e propriedades dos solos podem interferir nos sistemas de preparo. 

É importante conhecer a textura e estrutura do solo na tomada de decisão de práticas adequadas de manejo.

Espero que este texto tenha ajudado você a pensar um pouco sobre o como está o manejo do seu solo e acertar no preparo para seu próximo plantio!

>> Leia mais:

“O que esperar do milho safrinha em 2021?”

“Tipos de grãos de milho: tudo o que você precisa saber para fazer a escolha certeira”

Qual é sua maior dificuldade no preparo do solo para plantio de milho? Você está usando as técnicas adequadas? Adoraria ler seu comentário!

O que você precisa saber sobre melhoramento genético do milho

Melhoramento genético do milho: entenda as diferenças entre variedades e híbridos, novas tecnologias e mais!

Na hora de escolher as sementes, é comum se deparar com uma diversidade de materiais e tecnologias. E muitas vezes não dá para saber as diferenças entre eles!

Mas entender como usar essas tecnologias para suprir suas necessidades impacta muito a produtividade.

Você conhece a diferença entre os híbridos de milho disponíveis? Sabe o que os transgênicos possuem para serem resistentes a insetos e tolerantes aos herbicidas? Confira essas e outras informações sobre melhoramento genético do milho a seguir!

Histórico do melhoramento genético do milho

O melhoramento genético do milho no Brasil teve destaque em 1939, com o primeiro híbrido duplo desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas. Ele possibilitava o dobro de produção em comparação com as variedades da época.

A partir desse evento, empresas começaram a investir em pesquisas genéticas para criarem novos híbridos com melhor desempenho em campo.

Já no início do século 21, os milhos transgênicos foram liberados no Brasil. Desde então, a cada ano vão surgindo novos materiais visando altas produtividades, resistentes a pragas e a herbicidas, por exemplo, e possibilitando o cultivo da safra ou safrinha.

Isso aumentou o leque de opções de sementes de milho no mercado, dificultando muitas vezes saber qual o melhor híbrido utilizar.

ilustração de Teosinto ancestral do milho e do milho moderno

Teosinto ancestral do milho 
(Fonte: CIB)

Milho: variedades e híbridos

Variedades

Uma variedade consiste em plantas com características genéticas iguais, que são obtidas com polinização aberta. 

Plantas de milho provenientes de variedade tendem a produzir menos que os híbridos. Além disso, as sementes têm menor custo por possuírem menos tecnologia. 

Por esse motivo, as variedades são comumente utilizadas por pequenos produtores com pouco investimento em sua propriedade.

Se necessita produzir sua semente para uso pessoal, exclusivamente na próxima safra, deve utilizar milho variedade. 

Contudo, lembre-se de seguir a legislação e que a qualidade da semente não é a mesma que sementes certificadas!

banner ebook manejo do milho

Híbridos

Os híbridos são resultantes de cruzamentos realizados por melhoristas, utilizando pais com caracteres hereditários diferentes. Podem ser produzidos híbridos simples, duplos e triplos.

Os híbridos são indicados de acordo com a tecnologia que você utiliza em sua propriedade.

Híbrido simples

O melhoramento genético do milho de híbrido simples é por cruzamento entre duas linhagens puras. 

Por serem linhagens endogâmicas, a produção de sementes é baixa. Com isso, têm alto valor de mercado.

Caso você seja um produtor que gosta de investir em altas tecnologias, essa pode ser uma ótima opção!

Dos híbridos, os simples são potencialmente mais produtivos, com plantas e espigas mais uniformes.

Híbrido duplo

É obtido pelo cruzamento de dois híbridos simples, ou seja, quatro linhagens puras.

Considerando o início do melhoramento genético na obtenção das linhagens, são necessários dois anos para se ter sementes de milho de híbrido duplo.

No primeiro ano, cruzam-se duas as linhagens puras (A x B) e (C x D), que darão origem às sementes básicas para, no próximo ano, obter o híbrido duplo.

Não são muito produtivos como os híbridos simples e triplos, porém, são amplamente utilizados pelo baixo preço em comparação com esses dois híbridos.

Se você não deseja ter um custo elevado em sementes, essa pode ser uma ótima opção!

Híbrido triplo

O cruzamento de um híbrido simples com uma terceira linhagem pura resulta em híbrido triplo. 

A produtividade do híbrido triplo é menor que do simples e maior a do duplo.

Apresentam boa uniformidade de plantas e são indicados para áreas que possuem de média a alta tecnologia.

Esquema de obtenção de híbridos simples, duplos e triplos

Esquema de obtenção de híbridos simples, duplos e triplos
(Fonte: adaptado de Geagra)

Biotecnologia: transgenia do milho

O melhoramento genético do milho, há alguns anos, abriu novas portas com início da comercialização de cultivares de milho transgênicos.

A transgenia é um processo no qual os melhoristas alteram o material genético de uma espécie, introduzindo um ou mais genes específicos de outras espécies.

Em milho, em alguns híbridos e variedades de alto potencial produtivo foram inseridos genes específicos de resistência a herbicidas e insetos.

Milhos transgênicos tolerantes aos herbicidas

O Milho RR possui no seu material genético um segmento de DNA da bactéria Agrobacterium spp, que confere às plantas de milho a tolerância ao herbicida glifosato.

Com o novo gene (cp4 epsps), a enzima produzida pela planta é insensível ao herbicida, de modo que a produção dos aminoácidos aromáticos na rota do ácido chiquímico será normal e a planta não será afetada. 

Rota de ação do glifosato em plantas convencionais e transgênicas

Rota de ação do glifosato em plantas convencionais e transgênicas
(Fonte: Pioneer)

Milho com tecnologia LibertyLink® possui tolerância ao glufosinato de amônio devido à inserção do gene pat, que expressa uma enzima responsável por catalisar a conversão do glufosinato em um produto não tóxico.

A tecnologia Enlist® confere às plantas tolerância aos herbicidas 2,4 D, glufosinato de amônio e glifosato devido à inserção de genes cp4 epsps (glifosato), pat (glufosinato) e aad-12 (2,4D).

Fique sempre atento ao utilizar soja RR seguida por milho RR. Nesses casos, um bom manejo é essencial para que o milho tiguera não prejudique a cultura posterior.

Milhos transgênicos resistentes aos insetos

A primeira tecnologia a surgir nesse segmento foram os milhos Bt, no qual as plantas possuem em seu DNA a delta-endotoxinas (proteínas Cry) da bactéria Bacillus thurigiensis.

Essas proteínas possuem propriedades inseticidas específicas que atacam o sistema digestório de lepidópteros.

No mercado há cultivares que têm maior espectro no controle devido às sementes possuírem em seu material genético mais de uma proteína Cry como:

  • Yield Gard® proteína Cry1Ab que confere resistência às brocas (Ostrinia nubilalis e Sesamia nonagrioides);
  • YieldGard VTPro® proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 resistente a lagarta-do-cartucho, lagarta-da-espiga e broca do colmo;
  • Leptra® proteínas Cry1Ab, Cry1F e Vip3Aa20, com controle de lagarta-do-cartucho, lagarta elasmo, lagarta eridania, lagarta-da-espiga e lagarta-rosca.

Milhos transgênicos tolerantes a herbicidas e resistentes aos insetos

Com avanço tecnológico, pesquisadores de melhoramento genético foram desenvolvendo novos cultivares transgênicos com presença de genes tolerantes a herbicidas e resistentes a pragas. Veja alguns a seguir:

  • PowercoreTM resistência ao glifosato, ao glufosinato de amônio, broca do colmo e lagartas do cartucho, da espiga, elasmo, rosca e das vagens.
  • Viptera – resistência ao glifosato e lagartas do cartucho, da espiga, rosca e elasmo.
  • VT PRO3 – resistência ao glifosato, broca do colmo e lagartas do cartucho, da espiga e elasmo.

Observe na figura abaixo os eventos transgênicos utilizados na safra 2019/2020 e a porcentagem de uso:

tabela com eventos transgênicos utilizados na safra 2019/2020 e a porcentagem de uso

(Fonte: Embrapa)

Com uso de milhos transgênicos você tem vantagens como:

Como principais des desvantagens podemos citar:

  • alto custo das sementes;
  • pouca variabilidade genética, que se não manejada adequadamente pode ocorrer perda do melhoramento;
  • tempo de desenvolvimento de novos materiais;

Observe as principais pragas e plantas daninhas em sua área e escolha o material que mais se adeque à sua região e necessidades!

Melhoramento genético do milho: saiba como manter essa tecnologia viável

As boas práticas agrícolas devem ser realizadas em todas as culturas, independentemente do uso de híbridos ou variedades transgênicos.

Você deve realizar os manejos recomendados para prolongar a eficácia e durabilidade das tecnologias desenvolvidas.

Para isso, faça sempre o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Manejo de Resistência de Insetos (MRI)! 

Conclusão

Neste artigo você viu os tipos de melhoramento genético existentes para a cultura do milho.

Acompanhou como ocorrem os cruzamentos para obtenção de híbridos e a diferença entre híbridos simples, duplos e triplos.

Além disso, conferiu as principais transgenias inseridas nas cultivares de milho e modos de atuação.  

Vale lembrar que, com o avanço tecnológico, os melhoristas sempre obterão novos materiais para o campo com cada vez mais tecnologia! É importante estar atento às novidades.

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Quais tecnologias do melhoramento genético do milho você considera mais importante? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!