Como calcular o custo operacional de máquinas agrícolas

Custo operacional de máquinas agrícolas: como avaliar a eficiência econômica dentro de sua propriedade e obter redução de custos na lavoura.

As máquinas, equipamentos e implementos agrícolas podem representar até 40% dos custos de produção da sua lavoura.

Mas para saber como reduzir esses gastos e aumentar a rentabilidade da fazenda é preciso ter em mãos dados precisos do custo de cada uma dessas ferramentas operacionais.

Assim, é possível tomar decisões acertadas sobre terceirizar uma operação ou mesmo decidir quando é hora de investir em um novo trator, por exemplo.

A seguir, apresentamos o passo a passo de como fazer os cálculos para saber o custo operacional das máquinas agrícolas na sua propriedade e também uma ferramenta gratuita para automatizar essa conta – e que você pode usar sempre que precisar! Confira a seguir.

Custo operacional de máquinas agrícolas: por que você deve controlar

Gerenciar bem o maquinário agrícola pode ser a diferença entre o lucro e o prejuízo ao final da safra. Em um cenário de aumento nos custos produtivos e instabilidade nos preços de venda, se torna ainda mais necessário controlar de forma precisa o custo operacional das máquinas agrícolas.

O sistema mecanizado agrícola – conjunto de equipamentos, máquinas e implementos que realizam os processos de implantação, condução e retirada das culturas comerciais – pode representar de 20% a 40% dos custos de produção, dependendo da cultura. Por isso, seu gerenciamento adequado pode ser considerado um ponto estratégico para obter redução dos custos produtivos

Além do valor elevado para aquisição dos bens, as máquinas têm custos fixos (aqueles que independem da utilização) que oneram muito, principalmente pela grande sazonalidade de utilização. 

Desta forma, muitas vezes a terceirização das máquinas ou contratação de uma empresa para realizar as operações mecanizadas em sua lavoura se torna uma opção mais vantajosa. 

Na mensuração dos custos de um conjunto mecanizado (como um trator aliado a um implemento), contabiliza-se o tempo utilizado em horas. Assim, temos o custo horário, o qual é calculado para cada parte do conjunto. 

Na terceirização de máquinas, bem mais do que em utilizações em fazendas, é fundamental ter um controle detalhado do custo horário que os conjuntos mecanizados geram. Isso porque é esse valor, aliado à eficiência da operação, que indicará se o negócio está produzindo lucro ou prejuízo. 

Mas como saber quanto gasta seu trator? Vamos explicar o passo a passo a seguir.

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Como calcular o custo por hora de uma operação agrícola

O cálculo do custo de uma operação agrícola pode ser determinado a partir da quantificação de dois principais componentes: os custos fixos e variáveis

O modelo como são calculadas as variáveis dentro de cada componente muda conforme a realidade de cada propriedade. É preciso considerar, por exemplo:

  • a preexistência de um controle de dados das máquinas e implementos ao longo do ano;
  • gasto de combustível de cada trator nas diferentes operações;
  • registro das informações de manutenção;
  • quantidade de horas para as trocas de filtros e óleos.

Como você pode perceber, tudo isso acaba tornando a estimativa do custo operacional de cada atividade mais preciso. 

Veja a seguir quais variáveis podem ser utilizadas para obter os valores dos custos fixos (CF) e variáveis (CV) de cada operação e que somados possibilitam estimar o custo operacional total (CT):

CT = CF + CV

Vamos entender melhor o que é cada uma dessas variáveis e como definir seus custos em cada categoria a seguir.

Custos fixos

Os custos fixos são aqueles que devem ser debitados, independentemente da máquina ser usada ou não

É necessário ponderar que, a partir do momento em que foi adquirida, a máquina passa a onerar seu proprietário, mesmo que seja mantida inativa no galpão de máquinas. 

A forma de remover o ônus é utilizar o bem o maior número de horas por ano, reduzindo ao máximo o tempo ocioso. 

Entre os custos fixos são incluídos:

  • depreciação (D)
  • juros (J)
  • alojamento e seguros (AS)
  • mão de obra (MO)

CF = D + J + A + S + MO

Depreciação (D) 

A parcela de depreciação, que é incluída nos gastos fixos, representa a constituição de um fundo de reserva para a aquisição de uma máquina nova, do mesmo tipo, potência, peso, etc. 

A depreciação se refere à desvalorização da máquina em função do tempo, seja ela utilizada ou não. 

Ou seja, se uma máquina for pouco utilizada durante o ano, sua depreciação ocorrerá principalmente devido à obsolescência. Se for intensamente utilizada, a depreciação se dará devido ao desgaste. A diferença é que, no segundo caso, a máquina proporcionou um retorno por meio do serviço prestado. 

A depreciação de uma máquina não é conhecida com precisão enquanto ela não for vendida, pois apenas nesta ocasião se terá certeza do seu valor real. 

Por esse motivo, a depreciação é estimada por meio de diversos métodos: método da linha reta, do saldo decrescente, da soma dos dígitos e depreciação dedutível. 

O método da linha reta é o mais simples de ser usado, resultando numa depreciação anual constante da máquina, durante a vida útil, calculado da seguinte forma: 

D = (Vi – Vs)/ Vu x Hua

Onde: 

D (R$/h)  = depreciação 

Vi (R$) = valor de aquisição da máquina (valor de compra do produto novo ou usado)

Vs (R$) = valor de sucata ou de revenda (pode variar de 10% a  60% do valor de aquisição, dependendo da máquina) 

Vu (anos) = vida útil em anos (número de anos de uso).

Hua (horas/ano) = número de horas de uso por ano.

A vida útil ou econômica varia muito em função do tipo de máquina utilizado e da sua manutenção. 

Na falta de estatísticas bem detalhadas para a estimativa da vida útil das máquinas agrícolas, podem-se utilizar valores tabelados como indicação aproximada. Veja:

tabela com vida útil das máquinas e implementos agrícolas

 Vida útil das máquinas e implementos agrícolas 
(Fonte: Pacheco, 2000)

Juros (J)

As metodologias para cálculo do custo horário de operações agrícolas consideravam que o capital utilizado na aquisição das máquinas deveria ser computado como retendo juros à base do que é obtido quando este capital estivesse aplicado no comércio.

Porém, na época em que esses trabalhos foram elaborados, os investimentos de baixo risco, como a poupança, apresentavam rentabilidade de 6,16% ao ano.

Isso significa que a máquina deveria apresentar eficiência operacional e retorno econômico suficientes para justificar manter aquele capital imobilizado em maquinário. 

Atualmente, essa metodologia não se aplica, pois a poupança rende 70% da taxa básica de juros (Selic), que está em 2% (outubro/2020).

Isso significa que deixar o dinheiro “parado” nessa modalidade de investimento, com rentabilidade muito baixa, não compensa. 

A consideração de juros ao custo horário de máquinas é relevante quando assumimos que muitas máquinas e implementos agrícolas são adquiridos através de financiamentos. 

Dessa forma, torna-se importante dissolver os juros anuais sobre esse capital pela fórmula a seguir:

J = (Vi x Tj) / Hua

Onde:

J (R$/h)  = juros 

Vi (R$) = valor de aquisição da máquina

Tj (%) = taxa de juros anual atribuída ao financiamento da máquina (ex: 8,5%, 4% a.a.)

Hua (horas/ano) = tempo de uso por ano 

Abrigo (A) e Seguro (S)

Se a máquina for mantida sob abrigo quando estiver fora de uso, certamente sua vida útil será maior pela proteção e facilidade de se fazer reparos em quaisquer condições climáticas.

No Brasil, não é muito comum fazer o seguro de máquinas agrícolas. Esse fato pode levar à falsa impressão de que não é necessário calcular o custo desse seguro. 

Não podemos esquecer, porém, que o custo do seguro não é repassado a uma seguradora, é bancado pelo proprietário da máquina, pois o risco de acidentes e perdas sempre existe.

Assim, seguindo a mesma metodologia para atribuir a participação de juros ao cálculo do custo horário, é aconselhável utilizar uma porcentagem do custo inicial para os cálculos de abrigo e seguro, feito ou não em uma companhia seguradora, conforme as fórmulas a seguir:

A = (Vi x Ta) / Hua

Onde:

A (R$/h)  = Abrigo

Vi (R$) = valor de aquisição da máquina

Ta (%) = Taxa de abrigo (geralmente estipulada entre 1 e 2%, é definida conforme o tipo de abrigo, qualidade e durabilidade das construções, etc.)

Para calcular o seguro é necessário apenas substituir a taxa de abrigo (Ta) pela taxa de seguro (Ts):

S = (Vi x Ts) / Hua

Onde:

S (R$/h) = Seguro

Ts (%) = Taxa de seguro (depende da região e da máquina, varia de 0,5% a 2%) 

Mão de obra (MO)

Os salários, benefícios e encargos sociais referentes à mão de obra do operador da máquina devem ser computados no cálculo do custo operacional das máquinas. Para isso, deve-se considerar, no mínimo, a média que prevalece na região. 

Também podem ser calculados conforme as fórmulas a seguir:

Salário mensal = 1,5 x salário mínimo + 20% de encargos sociais
MO (R$/h) = (salário mensal x 13) / horas de trabalho por ano

Sugestão:
A quantidade de horas de trabalho por ano pode ser obtida através do seguinte cálculo: 47 semanas no ano x 5 dias por semana x 8 horas de trabalho por dia = 1.880 horas de trabalho por ano.

Custos variáveis (CV) 

Os custos variáveis são aqueles que dependem da quantidade de uso que se faz da máquina e são constituídos por: combustíveis (C), lubrificantes (L), reparos e manutenção (RM).

CV = C + L + RM

Combustíveis (C) 

Os combustíveis são usados principalmente para o acionamento dos motores de tratores, pulverizadores e distribuidores autopropelidos e colheitadeiras

É difícil avaliar com precisão o consumo de combustível dos tratores, devido às condições variáveis a que são submetidos durante os trabalhos de campo. Ou seja: profundidade de operação, estrutura e umidade do terreno, declividade do terreno, condições de manutenção e regulagem de implementos, por exemplo. 

Essas variáveis influenciarão o consumo mesmo que outras característica como regulagem da bomba injetora e motor, condições de lastragem, estado dos pneus e nível de combustível estejam compatíveis entre as máquinas submetidas ao comparativo. 

Portanto, o custo por hora gasto com combustível pode ser calculado por meio da fórmula a seguir: 

C = cons. horário x custo/litro

Onde: 

C (R$/h) = Combustível
Consumo horário (mL/CV.h-1) = quantidade de combustível consumida, varia de 90 a 120 mL/CV.h-1, dependendo do esforço exigido do motor. Motores de colhedoras, normalmente, consomem entre 120 a 140 mL/CV.h-1

Custo/litro (R$/L) = Custo do diesel

Lubrificantes (L)

Após calcular o consumo e o custo de combustíveis nas máquinas agrícolas, é necessário calcular o custo dos lubrificantes. 

Esse controle é fundamental para o gerenciamento das máquinas agrícolas e seu uso correto deve ser respeitado para maximização da vida útil dos componentes da máquina

Com o aumento da tecnologia no campo, tratores e colhedoras passaram a utilizar uma ampla gama de lubrificantes (motor, transmissão, hidráulico). 

Estudos nos Estados Unidos demonstram que os custos com lubrificantes são aproximadamente 15% do custo dos combustíveis. 

Então, uma vez calculado o custo dos combustíveis, pode-se calcular o custo dos lubrificantes como sendo 15% desse valor. Assumindo que o custo de combustível calculado seja de R$ 45/hora, por exemplo, então o custo com lubrificantes será igual a R$ 6,75/hora.

Reparos e manutenção (RM) 

Dentre as despesas de manutenção que devem ser computadas para o cálculo do custo operacional de máquinas agrícolas, estão aquelas realizadas para a manutenção preventiva e corretiva. 

Na manutenção preventiva, devem-se computar os gastos com componentes trocados a intervalos regulares. É o caso dos filtros de ar, filtros de óleos, lubrificantes, filtros de combustível, correias de polias, etc.

A manutenção corretiva é bem mais difícil de ser estimada, pois depende de fatores de difícil controle, como a habilidade do operador, condições do terreno, etc. 

Esses custos devem ser considerados até mesmo antes da aquisição das máquinas necessárias.

A tabela que separamos abaixo contém valores em porcentagem para a estimativa do custo inicial com reparos e manutenção durante a vida útil de tratores e outras máquinas agrícolas. 

tabela com parâmetros para cálculo de custos com reparos e manutenção de máquinas agrícolas

Parâmetros para cálculo de custos com reparos e manutenção de máquinas agrícolas
(Fonte: retirado de Pacheco, 2000)

Conclusão

Os sistemas mecanizados representam grande parte do custo de produção das culturas agrícolas.

Além disso, a intensificação do uso da mecanização na agricultura exige novos investimentos que imobilizam grande capital em máquinas com maior potência e tecnologia incorporada

Do ponto de vista da propriedade rural, à medida que o número, tamanho e complexidade das máquinas aumenta, maior se torna o impacto do gerenciamento desse sistema sobre a rentabilidade do negócio.

Portanto, é fundamental ter uma análise crítica dos custos envolvidos. Assim, o cálculo do custo operacional dos sistemas mecanizados é uma importante alternativa, não só para tomadas de decisão no momento da seleção dessas máquinas, mas também para comparação com os preços de hora/máquina praticados na sua região. 

Tudo isso te dará subsídios no momento da decisão de comprar ou alugar algum equipamento para realizar uma determinada operação.

Esperamos que você aproveite essas informações e a calculadora gratuita para tornar mais lucrativa a sua empresa rural!

Referências:

PACHECO, E. P.. Seleção e custo operacional de máquinas agrícolas. Rio Branco: Embrapa Acre, 2000. 21p. (Embrapa Acre. Documentos, 58).

Como está o custo operacional de máquinas agrícolas em sua propriedade? Restou alguma dúvida sobre o tema? Deixe seu comentário!

Artigo elaborado por nossos profissionais:

joao.franceschette

João Franceschette
Engenheiro-agrônomo em formação e parte do time de Relacionamento com o Cliente da Aegro.

jerônimo lopes

Jerônimo Branco Lopes
Engenheiro-agrônomo em formação e parte do time de Relacionamento com o Cliente da Aegro.

Como controlar a lagarta enroladeira das folhas na sua lavoura

Lagarta enroladeira das folhas: confira as características da praga, em quais estádios podem causar mais problemas e as recomendações de manejo.

A presença de pragas na lavoura é sempre um sinal de alerta. E é fundamental que você esteja sempre atento para evitar gastos e perdas de produtividade.

A lagarta enroladeira das folhas, apesar de não ser uma praga primária, vem ganhando destaque, principalmente em leguminosas.

Neste artigo, separei as informações mais importantes para que você faça um manejo eficiente da lagarta enroladeira das folhas na sua fazenda.

Características da lagarta enroladeira das folhas

Existe um complexo de lagartas da ordem Lepidoptera que causa danos nas lavouras. Dentre as várias espécies existentes, a lagarta enroladeira das folhas (Hedylepta indicata – sinonímias: Bleprosema indicata, Lamprosema indicata, Hedylepta vulgaris e Anania indicata), apesar de não ser uma praga primária, merece cuidados.

Ela ocorre em condições de climas tropicais e subtropicais, sendo que o pico populacional é observado no mês de abril. 

Pode se hospedar nas culturas da soja, feijão, milho, ervilha e amendoim.

A lagarta enroladeira das folhas possui cinco instares larvais que têm duração de aproximadamente 16 dias.

O adulto é de fácil identificação, pois possui coloração castanho-claro, com três estrias transversais escuras nas asas anteriores e envergadura de até 12 mm.

As fêmeas procuram realizar a oviposição nas folhas ou botões novos das plantas hospedeiras. Cada fêmea pode colocar em média 300 ovos.

Já nas lagartas, é possível observar que, logo nos primeiros ínstares, possuem coloração amarela, evoluindo para um verde-claro e, no final de sua fase larval, apresenta como coloração um verde mais acentuado. Seu tamanho pode variar de 12 mm a 15 mm.

O ciclo biológico dessa praga varia de 22 a 31 dias, dependendo das condições climáticas da região. 

Essa praga é facilmente reconhecida no campo por possuir o hábito de enrolar ou unir os folíolos da soja.

uma foto ao lado da outra, em uma tem a lagarta e na outra adulto da lagarta enroladeira das folhas

Lagarta (a) e adulto da lagarta enroladeira das folhas (b)
(Fonte: Embrapa)

Danos causados às lavouras

Os ataques da lagarta enroladeira das folhas ocorrem em diferentes momentos do desenvolvimento da cultura.

Nas fases iniciais, a lagarta raspa o parênquima foliar, rendilhando os folíolos, que acabam secando, sendo possível observar pequenas manchas brancas

Conforme ocorre o desenvolvimento das larvas, as lagartas necessitam de mais alimento, destruindo completamente a área foliar das plantas.

Nessa fase, a praga é considerada um grande problema no campo, pois, em casos de ataque intenso, ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influência no crescimento e desenvolvimento.

Caso não seja realizado o controle no momento exato, o ataque da lagarta enroladeira das folhas pode danificar até as hastes mais finas.

No campo, para observar a presença da praga nas plantas, fique atento às folhas. A lagarta entrelaça as folhas formando uma massa folhosa por meio de secreções que é utilizada também como alimento.

Caso note a presença dessa praga no final do ciclo da soja, a perda de área foliar não interfere na produtividade. Mesmo assim, é importante realizar o manejo da lavoura.

Para evitar riscos da presença dessas e outras pragas em sua lavoura, utilize sementes de qualidade e não deixe de lado o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

Como fazer o manejo da lagarta enroladeira das folhas

Para o manejo adequado da lagarta enroladeira das folhas, o primeiro passo é verificar o histórico de pragas da fazenda. Assim, você consegue realizar o planejamento de manejo

É fundamental também realizar o monitoramento da lavoura com frequência. Isso irá facilitar a tomada de decisão.

Antes de realizar o controle, quantifique a infestação (%) em sua lavoura. Para isso, observe o número de plantas com sintomas.

Separei aqui uma planilha gratuita que pode te ajudar muito neste controle! Clique na imagem abaixo para fazer o download!

Controle cultural

Para evitar problemas com essa praga, realize:

Controle químico

Existem inúmeros produtos disponíveis para o controle químico da lagarta enroladeira das folhas. 

Você pode consultar o registro dos inseticidas no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Agrofit

Veja os principais produtos recomendados nas culturas da soja e do feijão:

tabela com produtos recomendados para controle da lagarta enroladeira das folhas em soja, apresentando marca comercial e ingrediente ativo (grupo químico)

Produtos recomendados para controle da lagarta enroladeira das folhas em soja
(Fonte: Mapa)

tabela com produtos recomendados para controle da  lagarta enroladeira das folhas em feijão apresentando marca comercial e ingrediente ativo (grupo químico)

Produtos recomendados para controle em feijão
(Fonte: Mapa)

Contudo, é essencial que você consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para detalhamentos de acordo com a sua realidade.

Controle biológico

O uso de controle biológico pode ser uma alternativa para minimizar os custos com inseticidas e evitar a seleção de resistência dessa praga.

Uma opção é utilizar o parasitoide Trichogramma spp. como estratégia no manejo integrado.

Planilha MIP Aegro. Baixe grátis

Conclusão

A lagarta enroladeira das folhas, apesar de não ser uma praga primária, pode causar danos consideráveis na lavoura, provocando menor produtividade.

Neste artigo, você pôde conferir como identificar essa praga no campo e os principais prejuízos causados à lavoura.

Também falamos sobre as opções de controle químico, cultural e biológico que você pode aproveitar para fazer um manejo adequado dessa invasora. 

Com essas informações, espero que você proteja sua propriedade e não registre prejuízos com essa praga!

>> Leia mais:

11 pragas da soja que podem acabar com sua lavoura

Como acabar com as lagartas da lavoura com estas 5 dicas

Você tem problemas com lagarta enroladeira das folhas na sua lavoura? Quais medidas de prevenção realiza? Adoraria ver seu comentário abaixo!

10 principais erros na consultoria rural e o que fazer para resolver

Consultoria rural: descubra as principais falhas cometidas e as dicas de uma especialista sobre o que fazer para contorná-las!

O início de qualquer nova atividade é desafiador. Conhecer os erros que podem acontecer te auxilia a evitá-los ou superá-los.

Com a consultoria rural não é diferente. Na verdade, é mais desafiador, pois além de gerir pessoas e negócios, você ainda tem que ficar atento ao clima, que pode mudar todo o planejamento.

Você verá nesse texto 10 erros cometidos durante a consultoria rural e as dicas de como contorná-los com a consultora Margareth Senne que tem experiência em comércio exterior e consultoria industrial e rural por mais de 20 anos. 

Boa leitura!

O que é prestar serviço de consultoria rural

Ser consultor é uma atividade profissional de ação ou efeito de dar consultas na sua área de especialidade.

Na consultoria rural você deve ser capaz diagnosticar o problema, traçar um planejamento e solucionar, buscando sempre melhorar o sistema de gestão e gerar mais rentabilidade para o produtor.

A consultoria rural é, portanto, um desafio a cada novo serviço e saber os erros que você pode estar cometendo te auxilia a melhorar sua atuação e conquistar o mercado.

Segundo a consultora Margareth Senne, erros são comuns de acontecer, o que você precisa é corrigi-los rapidamente

Veja 10 erros que podem ser cometidos durante a consultoria rural

1- Falta de foco no seu objetivo

Começar ou desenvolver uma atividade sem ter um objetivo é ruim, pois você não consegue traçar metas e objetivos. Isso dificulta a superação de obstáculos e a persistência no seu negócio.

A dica da consultora Margareth Senne é:

“Se prepare muito se realmente é isso que você deseja! Tenha seu objetivo sempre em mente, tenha foco e saiba que você levará vários ‘nãos’, mas não desista. Entenda a diferença entre as pessoas que desistem e as que não desistem facilmente. Saiba diferenciar entre desistir e persistir em algo que não te brilhe os olhos.”

2- Falta de conhecimento sobre o negócio

O agronegócio é amplo e não conhecer seus caminhos e sua estruturação é um erro!

Há muitas variáveis a serem consideradas na fazenda como máquinas, culturas diferentes, pragas, doenças, preços de compra e venda, valor do dólar, condições climáticas, entre outros.

Não conhecer onde irá atuar, qual problema você irá resolver e como irá resolver, gera falhas na sua atuação.

A dica da especialista aqui é buscar saber como estruturar um negócio. “Entenda dos processos, utilize uma metodologia e saiba implementar as ferramentas corretamente, principalmente as de automação que irão lhe auxiliar”, recomenda Margareth.

3- Falta de atualização profissional 

Achar que já sabe tudo de determinado assunto, é um grande erro. Mesmo que você seja especialista em um determinado assunto, sempre há algo de novo para aprender. 

Acreditar que você sabe tudo te limita a explorar e expandir seu mercado de atuação – que exige estudo, dedicação e meta. 

“Leia livros que farão você ser melhor gestor, entenda de pessoas, estude análise de processos, seja curioso para pesquisar diversas ferramentas de produtividade e gestão”, aconselha Margareth. “Estude sobre empresas e gestão de sucesso, estude sobre empresas que faliram e erraram. Você vai se surpreender e entender os erros cometidos.”

4- Falta de flexibilidade na gestão de pessoas

Na fazenda há dois tipos de personas, cada uma com uma perspicácia diferente. Alguns mais teóricos e outros mais práticos – e lidar do mesmo modo com ambos, é um erro!

Definir planos e estratégias com o gerente é diferente de realizar essa tarefa com os trabalhadores do campo. Os problemas que enfrentam no dia a dia são distintos.

A dica da consultora Margareth Senne é:

“Entenda os principais problemas das personas dentro da fazenda, tenha versatilidade ao conversar com cada persona, haja de forma coerente nos ambientes distintos, ou seja, saiba se comunicar tanto no ambiente de escritório quanto no ambiente de lavoura, pois juntos formam a empresa e você precisa integrar esses ambientes.”

5- Não diagnosticar corretamente o problema  

Conversar com o produtor e saber o que ele precisa e voltar para seu escritório para desenvolver o planejamento é um erro!

Você tem que conhecer e verificar onde estão as limitações da fazenda. Às vezes, o que o produtor pede para você não é a principal fonte da limitação.

Não rastrear o foco do problema dificulta sua resolução.

“Saiba os problemas do produtor, porque ele te contratou, mas você deve entender o que a empresa/fazenda precisa. Mostre ao produtor o que vai acontecer se ele não encontrar uma solução para o principal problema dele”, afirma a especialista.

6- Não incluir o produtor e trabalhadores no processo 

É preciso planejar e traçar as ações que serão realizadas considerando todos que fazem parte do processo.

Conversar apenas com o produtor, sem ouvir os funcionários de campo ou de escritório, e não incluí-los no desenvolvimento do seu planejamento faz com que as ações não sejam efetivas.

“Converse com todos que participam do processo, explique suas ações e ensine o que deve ser realizado. Entregue relatórios semanais ou quinzenais, mostrando seu trabalho diário na empresa/fazenda, e com a equipe de campo, se possível, faça reuniões diárias, para saber quais problemas estão enfrentando naquele dia”, diz Margareth.

7- Querer resolver demandas de vários sistemas diferentes 

Querer, inicialmente, resolver sozinho os problemas de vários processos diferentes pode ser um erro.

Na fazenda o produtor pode ter problemas:

  • na lavoura, sendo mais de uma cultura durante o ano, as quais demandam produtos diferentes e conhecimento específico como o tipo de solo, entre outros. 
  • no escritório, com anotações de custos, gestão de pessoas, entrada e saída de mercadorias e produtos no estoque, entre outros.
  • No galpão, com quebra de máquinas e implementos, que entravam a produção, entre outros.

Muitas vezes esses problemas são interligados e requerem experiência para poder resolvê-los em conjunto, principalmente em grandes propriedades.

Mas você não precisa resolver todos os problemas logo no começo! “Vá devagar, foque em um nicho para se especializar e conseguir ganhar confiança do mercado. Comece com áreas pequenas, com poucas pessoas trabalhando, assim vai ganhando experiência e confiança”, diz Margareth.

“Faça parcerias com consultores que tenham habilidades diferentes das suas e que buscam o mesmo objetivo. Tenha um mentor para ajudar você a se desenvolver, que possua experiência e possa entregar conhecimentos que não existem na internet e nem são ensinados na faculdade”, reforça a especialista.

8- Não automatizar os processos de gestão 

O mundo está cada vez mais tecnológico e ao ignorar ferramentas que auxiliam o desenvolvimento do seu trabalho, além de demandar mais tempo do seu dia, te deixa limitado.

A dica da consultora Margareth Senne é:

“A tecnologia de informação está trazendo sempre inovação e guiando a gestão. As ferramentas conseguem trazer uma visão mais clara de determinados sistemas como um todo, te auxiliando a passar as transformações para cada setor. Algumas ferramentas que me auxiliam são as da Aegro, por exemplo, para verificar custos e produtividade e de cada talhão da fazenda.”

Exemplo da visualização de custos da fazenda possível com uso do Aegro

9- Não apresentar com clareza os resultados 

Entregar um relatório padrão, com várias folhas e somente parte escrita, é um erro.

Não utilizar gráficos, imagens e até mesmo vídeos com a parte escrita minimiza a compreensão do seu alvo, seja produtor, gestor da fazenda, funcionários de campo ou de escritório.

Use ferramentas distintas para mostrar as transformações que estão ocorrendo. Algumas pessoas são mais visuais, outras mais auditivas, então, utilize vídeos, gráficos ou elementos que as pessoas entendam com maior facilidade como deve ser feita determinada atividade, e tenha horário de início e fim das reuniões”, afirma Margareth.

10- Não saber vender seu trabalho 

Não basta ser um bom consultor: é preciso saber vender seu trabalho!

Não adianta ter conhecimento de estruturação do negócio, saber os processos que é capaz de atuar e ter uma metodologia sólida, se você não souber mostrar isso para os produtores e mercado de trabalho.

A dica da consultora Margareth Senne é:

“Saiba vender seu trabalho, mostrando a importância de resolver determinado problema e as ferramentas que você utilizará para ajudar na resolução. Não acredite que vendas e marketing são áreas distintas, hoje são habilidades que o consultor tem que desenvolver para mostrar seu trabalho para o mercado.”

Dica bônus: sempre aperfeiçoe sua consultoria rural 

Ser consultor rural é um desafio, pois no campo há pessoas de diferentes níveis de conhecimento, existem diversos sistemas de produção e vários modos de realizá-los.

Toda consultoria bem-sucedida precisa ter três elementos: gestão de pessoas, processos e ferramentas de gestão e automação, como a desenvolvida pela Aegro”, diz Margareth.

Desenvolva sempre esses três elementos durante sua vida profissional, pois desafios sempre irão surgir e estar preparado para enfrentá-los e resolvê-los é o diferencial! 

planilha para gestão de clientes

Conclusão

Tenha sempre seus objetivos em mente, planeje bem seu negócio e tenha uma metodologia de trabalho.

Sempre busque conhecimento, aprimore o que você sabe e vá em busca do desconhecido.

Aprenda a lidar com pessoas diferentes e ser dinâmico na resolução e apresentação dos problemas.

Use ferramentas que auxiliam seu trabalho, e ensine o produtor a usá-las também para que ele mantenha o controle e gestão da fazenda.

A consultora Margareth Senne tem mais de 20 anos de experiência como gestora de empresas, consultoria e assessoria, atuando na estruturação e gestão na área de agronegócio e indústrias de bens e serviços, além de ser mentora de negócios. Instagram: @margareth.senne; LinkedIn: Margareth Senne.

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Como identificar e controlar a giberela no trigo

Giberela no trigo: sintomas, ciclo da doença, micotoxinas e como fazer o manejo adequado em sua lavoura.

A giberela é uma das principais doenças da cultura do trigo e pode causar danos significativos na lavoura.

Além da redução produtiva, ela pode causar micotoxinas, um grande contaminante dos cereais. 

Mas como identificar os sintomas da doença? Quais as formas de manejo mais indicadas? Confira essa e outras respostas a seguir!

Ocorrência e importância da giberela no trigo

A giberela ou fusariose da espiga é causada pelo fungo Fusarium graminearum. É mais frequente em regiões quentes e que coincidam períodos prolongados de chuva com a fase de floração da cultura do trigo.

A doença pode causar redução de até 30% no rendimento dos grãos e está associada à presença de micotoxinas, substância contaminante e tóxica ao homem, como veremos em detalhes mais adiante. 

Além da presença dessas micotoxinas, o fungo pode colonizar uma ampla gama de hospedeiros como aveia, cevada, centeio, milho, triticale e sorgo

Agora veja como identificar a giberela do trigo na lavoura.

Identificação da giberela na lavoura 

Na cultura do trigo, o F. graminearum infecta a flor da planta, que pode ser totalmente destruída e nem chegar a formar grão. Além disso, pode colonizar todos os componentes da espiga.

Caso a infecção do fungo seja lenta, pode ocorrer o desenvolvimento do grão com os seguintes sintomas: coloração rósea (por conta do desenvolvimento do fungo – formação de macroconídeos), que ficam enrugados e chochos.

foto de quatro grãos infectados. Genética amplia resistência à Giberela e Brusone no trigo – O Presente Rural

(Fonte: O Presente Rural)

Já as espiguetas infectadas pelo fungo exibem coloração palha, despigmentada ou esbranquiçadas, apresentando um branqueamento prematuro.

Um sintoma de fácil reconhecimento da doença são as aristas arrepiadas em espiguetas esbranquiçadas ou mortas, sinal bastante característico da giberela.

Assim, como principais danos da doença em trigo, temos o abortamento das flores e a má formação dos grãos, o que interfere na produção da lavoura.

Além disso, o fungo ainda pode produzir micotoxinas. Ou seja, a giberela no trigo provoca danos qualitativos e quantitativos.

Mas, afinal, o que são micotoxinas?

Giberela e a formação de micotoxinas

Micotoxinas são substâncias químicas produzidas por alguns fungos que são nocivas aos homens e animais.

A principal micotoxina formada por este patógeno é desoxinivalenol (DON), que atua na inibição da síntese de proteínas.

Para proteger a saúde, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) exige analises laboratoriais de grãos e produtos à base de trigo, como farinha, farelo, alimentos infantis, pães, massas e biscoitos.

Assim, os limites de DON são 3.000 ppb para grãos de trigo para processamento, 1.000 ppb para farinha integral e 750 ppb para farinha branca.

Tabela de micotoxinas no trigo - legislação brasileira.

Limites de micotoxinas no trigo determinados pela Anvisa
(Fonte: Embrapa)

Agora que você conhece os sintomas e danos da giberela no trigo, veja como é o ciclo da doença na cultura, de forma resumida.

checklist planejamento agrícola Aegro

Ciclo da doença no trigo

O fungo que causa a giberela sobrevive em restos culturais (estrutura de sobrevivência do fungo), quando as condições não são favoráveis para seu desenvolvimento, fato muito importante para determinar as medidas de controle da doença.

Em condições de alta umidade e temperatura (condições ideais para o desenvolvimento do patógeno) ocorre o seu desenvolvimento e os esporos são dispersos no ambiente.

Os conídeos do fungo (ascósporos) são levados a longas distâncias pelo vento, sendo o principal inóculo. Estes atingem as anteras do trigo, germinam e penetram na flor, que inicia o processo de infecção da planta.

Na figura abaixo você pode observar como ocorre o ciclo desse fungo na cultura do trigo.

infográfico com ilustrações do ciclo do fungo da giberela no trigo

(Fonte: APS)

Como comentamos, o fungo que causa a giberela no trigo sobrevive em restos culturais e também tem como fonte de inóculo as sementes.

A suscetibilidade da cultura do trigo é entre o período da floração até a maturação.

As condições para a ocorrência da infecção do fungo na planta são 30 horas de molhamento foliar contínuo e temperaturas em torno de 20℃. Por isso, é preciso ter atenção em épocas de ocorrência de chuva.

Controle da giberela no trigo

A giberela é considerada uma das doenças de mais difícil controle entre as que ocorrem nas culturas de inverno.

No Brasil, ainda não estão disponíveis cultivares tolerantes ou resistentes a ela. Existem algumas pesquisas para a obtenção de cultivares resistentes, mas enquanto isso não está disponível, é importante observar outras estratégias de manejo da doença.

Algumas medidas de manejo para a giberela no trigo são:

  • semeadura antecipada – possibilita que a planta atinja o florescimento (período de ocorrência da doença) em condições menos favoráveis à doença.
  • uso de fungicidas no início da floração – deve-se realizar a pulverização antes da ocorrência de chuva (de maneira preventiva), tendo duração de cerca de 15 dias.

No Agrofit estão registrados 63 fungicidas para o controle da giberela no trigo. A maioria desses fungicidas é dos grupos dos triazóis, benzimidazol e estrubilurina.

Algumas pesquisas indicam que o controle químico da doença pode ser realizado quando as plantas estiverem com 25% a 50% de florescimento para primeira aplicação

Uma segunda aplicação pode ser feita quando as plantas apresentarem 75% de florescimento, tendo um intervalo de 5 a 7 dias entre as aplicações.

Em anos de condições favoráveis para o fungo (chuvoso), pode-se realizar uma terceira aplicação ou diminuir o intervalo entre as duas aplicações. Já em anos secos, uma única aplicação é eficiente.

ilustração mostra o controle químico em três aplicações no espigamento-florescimento da planta.

(Fonte: Embrapa)

Lembre-se de utilizar mais de um tipo de fungicida, com modo de ação diferente, para reduzir a probabilidade de resistência.

Faça também a rotação de culturas com plantas que não são hospedeiras do fungo.

Deve ser feito o manejo integrado, ou seja, utilizar um conjunto de medidas para minimizar os efeitos da doença na lavoura de trigo.

Para te auxiliar com o manejo da giberela no trigo consulte um(a) agrônomo(a) para as recomendações.

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Conclusão 

A giberela é de grande importância para a cultura do trigo, podendo causar perdas na produtividade da lavoura e ainda apresentar micotoxinas nos grãos.

Neste texto, falamos da importância da doença, seu ciclo no trigo, os principais sintomas e a presença dessas micotoxinas.

Discutimos ainda as principais medidas de manejo para a giberela no trigo, que devem ser preventivas para que o fungo não se instale na lavoura e cause prejuízos.

Espero que com essas informações você tenha um ótimo manejo da doença em sua propriedade!

>> Leia mais:

O que você precisa saber sobre manejo das viroses no trigo

5 dicas para uma lavoura de trigo mais produtiva

Você já teve problemas com giberela no trigo? Como realiza o manejo dessa doença? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Telemetria na agricultura: como ela melhora a gestão das máquinas na sua fazenda

Telemetria na agricultura: entenda o que é como aproveitar essa tecnologia para reduzir custos na sua propriedade.

A tecnologia tem deixado as fazendas cada vez mais inteligentes. Hoje é possível acompanhar as operações do maquinário sem precisar estar 100% no campo.

Com o auxílio de sensores acoplados nas máquinas, é possível ter redução de custos operacionais e otimizar as atividades da fazenda analisando os dados de telemetria.

Quer entender melhor como a telemetria ajuda na gestão da frota e de que forma ela pode ser aproveitada na sua propriedade? Acompanhe a seguir!

O que é telemetria?

A telemetria é uma tecnologia que permite a coleta e o compartilhamento de informações sobre equipamentos, veículos e máquinas de forma remota. O termo tem origem na palavra grega tele, que significa remoto, e metron que significa medida.

Explicando melhor: a telemetria é um sistema de monitoramento de dados e transferência por meio de sinais de rádio para uma central, que não necessariamente precisa estar dentro da propriedade. 

Em muitos casos, temos a utilização de um datalog para gravação dos dados coletados e posterior envio à central de controle, que geralmente armazena as informações na nuvem.

Na Agricultura de Precisão (AP), por meio dessa tecnologia, é possível coletar os dados utilizando sensores acoplados nas máquinas e também georreferenciar de acordo com o interesse de cada propriedade agrícola. 

Muito conhecida das corridas de Fórmula 1, a telemetria foi adaptada para o agronegócio e está cada dia mais presente nas fazendas.

Como utilizar a telemetria na agricultura

A telemetria pode ser amplamente aplicada no agronegócio, desde atividades relacionadas à coleta de dados de condições de solo e condições climáticas por meio de estações meteorológicas a dados provenientes de sensores embarcados nas máquinas. 

Os sensores nas máquinas podem ser de vários tipos: óticos, elétricos, capacitivos, acústicos, entre outros, e podem fornecer dados como:

  • pressão do óleo do motor;
  • pressão do corte de base;
  • rotações por minuto do equipamento;
  • consumo de combustível;
  • temperatura do motor;
  • horímetro;
  • posicionamento do maquinário;
  • velocidade instantânea;
  • horas do equipamento ligado;
  • motor ocioso;
  • locais de parada;
  • eficiência durante a operação;
  • área trabalhada;
  • horas produtivas;
  • e muito mais!
ilustração de como funciona um sistema de telemetria na fazenda: Por meio de um modem com software específico de telemetria instalado nas máquinas, o agricultor pode acompanhar e fazer correções em tempo real nas atividades do campo.

(Fonte: Globo Rural)

Como reduzir os custos com essa tecnologia

A telemetria ajuda na coleta de dados para análises posteriores. Inúmeras plataformas de telemetria já fornecem relatórios personalizados de acordo com os objetivos de cada cliente.

Os relatórios ajudam a identificar otimizações dentro das atividades agrícolas e reduções de custo.

Com metas e objetivos, a análise dos dados propicia que as otimizações sejam conseguidas em curto e médio prazos.

Como as máquinas e equipamentos são monitorados a todo momento, é possível tomar decisões e atuar em tempo real, ainda com as operações sendo realizadas em campo.

As análises e relatórios podem indicar que a máquina está operando fora dos padrões pré-estabelecidos, por exemplo. Tal informação auxilia na redução de custo durante a operação e possíveis reduções de custos como manutenção dos equipamentos.

Semeadura, aração, gradagem, colheita e outras operações realizadas fora dos padrões pré-estabelecidos podem acarretar falhas no plantio, consumo excessivo de combustível e maiores perdas durante a colheita.

A telemetria permite que estas informações sejam checadas e corrigidas sempre que possível.

Como otimizar a gestão de frotas com a telemetria

São muitos os benefícios da aplicação da telemetria nas fazendas agrícolas:

  • consumo de combustível;
  • temperatura e rotação do motor;
  • trajeto realizado pelo equipamento;
  • parada da máquina por quebra de peças;
  • parada do equipamento por falta de insumos;
  • tempos gastos para reabastecimento, entre outros.

Esses indicadores são muito úteis para reduções de custos e otimizações.

Caso seja analisado um consumo de combustível fora dos padrões já observados no histórico da fazenda, o equipamento pode ser destinado a manutenções ou substituições de peças.

Operadores que utilizam rotações mais altas do que as necessárias podem provocar maior consumo de combustível e o sistema de telemetria pode emitir alertas sonoros ou visuais para auxiliar na correta condução do equipamento.

Com relatórios das máquinas provenientes da telemetria sendo analisados, é possível saber quais são os equipamentos com melhor consumo de combustível e menos paradas por quebra de peças. Isso beneficia o rendimento operacional. 

Por meio da telemetria, é possível otimizar a frota da propriedade, assim como fez a Usina São Manoel.

A instalação de computadores de bordo em toda a frota utilizada nas operações agrícolas aumentou a moagem em 30% nos últimos cinco anos da usina. Isso sem a necessidade de ampliação da frota.

Sistemas de telemetria modernos conseguem auxiliar na gestão de centenas de equipamentos ao mesmo tempo, centralizando todas as informações em um único local. Assim, o gestor pode analisar os relatórios para tomar a melhor decisão.

A centralização desses dados em uma única plataforma propicia que, mesmo com equipes pequenas, a gestão possa ser feita de maneira eficiente.

As anotações em papéis ou planilhas impressas são substituídas pelas coletas e transmissões automáticas das informações, quando se utiliza telemetria, assegurando dados mais confiáveis.

Desafios para começar a usar a telemetria

Para implementar sistemas de telemetria na fazenda e equipamentos, alguns desafios devem ser considerados.

O primeiro é a escolha da melhor plataforma de telemetria presente no mercado, seleção da compra e implantação dos sensores de coleta e transmissão de dados nos equipamentos.

O segundo desafio são as máquinas mais antigas, que não possuem sistemas Isobus/CAN para coleta dos dados. Assim, é um pouco mais complicado para realizar a telemetria.

As máquinas (tratores e colhedoras) mais novas possuem um protocolo de comunicação de dados conhecida como Isobus/CAN, descrito pela norma ISO 11783, sendo mais simples a coleta e transmissão dos dados desses equipamentos para central.

O terceiro desafio está relacionado às falhas de conectividade no campo. Com isso, algumas máquinas poderão ficar de 24h a 48 horas ou mais, sem enviar dados à central. Assim, a correção da operação em tempo real é ineficiente.

Além desses desafios, é importante que as fazendas tenham pessoas e gestores capacitados a interpretar e analisar os dados gerados na central, com intuito de traçar novos planos e metas para otimizar as atividades agrícolas.

Como implementar a telemetria na fazenda

Existem diversas maneiras de se implantar a telemetria nas máquinas da fazenda.

Os métodos mais simples envolvem a aquisição de iPads, chips com sinal gprs e sensores acoplados diretamente na rede CAN das máquinas que coletam e enviam os dados a central.

Outra maneira é por meio da aquisição de plataformas e adaptações realizadas nas máquinas com hardwares e softwares como a JD Link, Solinftec, Climate Fieldview, Otmis Maps, entre outros.

imagem de um notebook aberto mostrando o sistema de telemetria na agricultura JDLink, da John Deere.

(Fonte: John Deere)

Os hardwares e softwares precisam ser instalados nas máquinas e possuir integração com a plataforma que irá receber os dados e gerar os relatórios. 

As plataformas arquivam os dados históricos dos equipamentos para que possam ser utilizados para futuros planejamentos e análises.

E, além das análises de relatórios gerados, as máquinas podem ser acompanhadas em tempo real, sempre que estiverem conectadas com sinal de rádio para transmitir os dados. Assim, é possível fazer correções no momento em que as operações estão sendo executadas.

Conclusão

A telemetria já vem sendo muito utilizada em diversos setores da economia. No agronegócio, se mostra uma ferramenta muito valiosa no gerenciamento da frota em campo e no auxílio às tomadas de decisões gerenciais.

As máquinas conectadas mostra aos operadores quais áreas já foram manejadas, reduzindo aplicações desnecessárias e otimizando os custos.

Ferramentas de telemetria otimizam as atividades no campo, trazendo novas tecnologia e inovação no setor que mais cresce no país.

>> Leia mais: 

Máquinas agrícolas: como gerenciá-las

“Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda”

“Como a agricultura preditiva e autônoma pode impulsionar sua lucratividade”

O que você acha sobre a telemetria na agricultura? Você utiliza essa tecnologia na sua fazenda?Adoraria ver seu comentário abaixo.

Saiba as consequências das queimadas no solo e os impactos para a agricultura

Consequências das queimadas no solo: os impactos do fogo no meio ambiente, o que diz a legislação, como evitar e o que deve ser feito após as queimadas.

Épocas com tempo seco e ventos são propícias para ocorrência das queimadas.

Elas podem ser prejudiciais tanto para o meio ambiente (solo, água e ar), quanto para sua lavoura, podendo ocasionar multa de até R$ 50 milhões.

Saber dos problemas que as queimadas podem ocasionar para o meio ambiente e sua área é fundamental para conscientização da adoção dessa prática. 

Pensando nisso, separei algumas informações importantes sobre o impacto das queimadas. Confira!

Consequências das queimadas no solo: ocorrência 

As queimadas no meio ambiente podem ocorrer em decorrência de causas naturais ou pela ação humana.

Por causas naturais, geralmente ocorrem em regiões do Cerrado, em que o fogo favorece algumas espécies de plantas e suas sementes só germinam devido ao calor produzido.

Nesses casos, a recuperação desse bioma é rápida, atraindo diversos animais em busca da rebrota das plantas. 

Entretanto, atualmente a maioria das queimadas se deve à ação do homem que, por acidente ou não, ocasiona sérios prejuízos ao meio ambiente.

Geralmente as queimadas são realizadas em áreas agrícolas, de pecuária e silvicultura. 

Muitas vezes são realizadas por produtores, sem acompanhamento técnico, por acreditarem que essa queimada aumentaria a fertilidade do solo, assim como para limpeza de pastos e eliminação de restos vegetais.

As queimadas, na maioria das vezes, ocorrem em grandes áreas e sem um sistema de  controle de fogo, em diversas épocas do ano. E, o principal, sem licença concedida pelo órgão responsável.

Legislação sobre queimadas

A Lei n.º 12.651, de 25 de maio de 2012, sobre a proteção da vegetação nativa e Lei n.º 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, sobre as penalidades, são algumas leis brasileiras que falam sobre a utilização de fogo em áreas rurais.

Segundo a Legislação, o uso de fogo é proibido, exceto em três situações:

  • em locais ou regiões que justifiquem o uso do fogo em práticas agropastoris ou florestais, desde que com autorização do órgão ambiental
  • em unidades de conservação para conservar a vegetação nativa (quando as características dela se associarem evolutivamente à ocorrência de fogo);
  • atividade de pesquisa científica.

Para solicitar a autorização é necessário apresentar um estudo detalhado da atividade rural, que deve conter o planejamento específico sobre o emprego do fogo e o controle dos incêndios.

Além disso, algumas regras devem ser seguidas como: respeitar as metragens em relação às linhas de transmissão elétrica, distância dos aceiros e unidades de conservação.

Os procedimentos, regras de execução e medidas de precaução a serem obedecidas quanto ao uso do fogo em práticas agrícolas, pastoris e florestais, também sofrem alterações conforme a legislação de cada Estado.

Então, é importante você saber quais leis regulamentam o uso de queimadas no seu estado, evitando possíveis problemas. 

De acordo com a legislação brasileira, a multa para quem realiza queimas sem licença vai de R$ 1.000 por hectare até R$ 50 milhões.

ilustração de queima controlada com realização de aceiros em volta da área

Queimada controlada com realização de aceiros em volta da área
(Fonte: Defesa do Meio Ambiente)

Os impactos da ocorrência das queimadas no solo 

As queimadas são prejudiciais não apenas para o local em que ocorrem: seus danos podem chegar a quilômetros.

Dependendo do tamanho da área atingida pelo fogo não controlado, a fumaça e calor podem afetar a composição atmosférica, chegando a grandes centros.  

Além disso, as queimadas são uma fonte global de gases do “efeito estufa” como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, e emissões de monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio.

A fumaça proveniente das queimadas afetam o homem, ocorrendo e agravando problemas respiratórios como rinite, asma e bronquite, principalmente em idosos e crianças.

A ocorrência das queimadas traz consequências também para o solo

Apesar de alguns agricultores utilizarem queimadas por acreditarem na melhoraria da fertilidade do solo, como citei acima, isso não traz benefícios a longo prazo.

A passagem do fogo sobre o solo acarreta danos químicos, físicos e biológicos.

Impactos nos atributos químicos do solo 

A queimada do material seco sobre o solo influencia a fertilidade do solo pela presença das cinzas, que são compostas dos nutrientes mineralizados da parte vegetal queimada.

As cinzas, por serem ricas em nutrientes como cálcio, fósforo, magnésio, nitrogênio, entre outros, dão a impressão de aumentar a fertilidade do solo. Entretanto, esse aumento é por pouco tempo

Com a chegada das chuvas, as cinzas são lixiviadas, ocorrendo diminuição dos nutrientes na camadas superiores do solo.

Além disso, com lixiviação dos nutrientes, principalmente compostos nitrogenados e o potássio, a qualidade da água superficial e subterrânea é afetada.

Impactos nos atributos físicos do solo

Com a retirada do material vegetal, seja palhada ou matéria verde, o solo fica desprotegido, sofrendo mais com a ação do sol e chuva.

Em solos desprotegidos, a ocorrência de chuvas fortes ou com alta frequência, favorece o processo de erosão, que leva a camada superficial do solo e seus nutrientes com a água das chuvas.

Com o calor ocasionado pelo fogo, ocorre perda de água pela evaporação na camada superficial do solo. Desse modo, pode ocorrer uma camada compactada.

Propriedades físicas do solo como macroporos, tamanho de agregados e taxa de infiltração, são afetados com o calor do fogo.

Após a queimada, ocorrem ainda mudanças nestas propriedades, podendo levar ao aumento da densidade do solo na camada superficial.

O aumento da densidade dificulta a infiltração da água e penetração das raízes, afetando a umidade e a vida dos microrganismos do solo.

Impactos nos atributos biológicos do solo 

Com a redução do ar e água presentes no solo, os organismos do solos são diretamente afetados.

Os microrganismos são importantes na decomposição da matéria orgânica e ciclagem de nutrientes, além de aumentarem a porosidade, aeração, infiltração e drenagem do solo, devido à movimentação desses organismos no perfil do solo.

E, como consequências das queimadas no solo, a macrofauna e microfauna do solos são reduzidas, principalmente nas camadas superficiais.

Como recuperar áreas afetadas pelo fogo?

Em áreas de florestas, escolher espécies nativas de fácil propagação e de crescimento rápido para cobrir o solo e fornecer matéria orgânica ao ambiente pode ser uma ótima alternativa para recuperar áreas.

Já em áreas agrícolas, após a queimada, é recomendável realizar o preparo do solo, a fim de romper a camada compactada formada, aumentando a aeração do solo e infiltração da água.

Realizar uma adubação verde e rotação de culturas, também podem auxiliar na recuperação de sua lavoura. Deixar a palhada sobre o solo tem a finalidade de melhorar seus atributos físicos, químicos e biológicos.

Fazer análise do solo para saber os níveis de nutrientes, realizar calagem e usar adequadamente fertilizantes também é muito importante!

Mas fique atento! Para fazer análise do solo, espere as chuvas após a ocorrência da queimada, pois as cinzas interferem nos resultados

foto mostrando solo em recuperação pós-queimada

Recuperação de áreas com solo degradado
(Fonte: Ciclo Vivo)

O que pode ser feito para evitar as queimadas? 

Com a falta de chuvas e o clima seco, a ocorrência de queimadas, naturais ou não, são elevadas. Então, é necessário ficar atento e tomar medidas de precaução:

  • não jogue cigarros nas áreas;
  • não queime lixo, folhagens, galhadas e entulhos;
  • fique atento ao surgimento de queimada em sua área ou na vizinhança;
  • esteja preparado para situações como essa – informe-se e solicite em locais como o sindicato rural um treinamento para combate à incêndio.

Caso veja um incêndio, entre em contato imediato com o Corpo de Bombeiros pelo número 193 ou Defesa Civil no número 199.

É recomendável que você não realize queimadas em suas áreas. Opte por outros manejos, assim você não prejudica seu solo e o meio ambiente.

foto de aceiros entre áreas para evitar propagação do fogo

Aceiros entre áreas para evitar propagação do fogo
(Fonte: Compre Rural)

Conclusão

Neste artigo você viu as consequências das queimadas no solo, afetando os atributos físico, químicos e biológicos.

Viu que as queimadas sem autorização são ilegais e que cada Estado possui procedimentos para realização de queimadas autorizadas.

Você também pôde conferir sobre o que deve ser feito para evitar queimadas em sua área e o que fazer caso ocorra. 

Você conhecia as consequências das queimadas no solo? Sabe quais as leis do seu Estado a respeito de queimadas? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Sensores no manejo integrado de pragas: por que você deve começar a usar!

Sensores no manejo integrado de pragas: entenda como essa tecnologia pode otimizar suas operações e reduzir seus custos com defensivos

A tecnologia se faz cada vez mais presente na agricultura brasileira. 

No monitoramento de pragas, que é uma das bases para o sucesso do controle efetivo, o uso de sensores tem mudado muito a forma como essa tática é implementada no campo. 

As ferramentas digitais prometem melhorar a amostragem no campo, tornar o manejo mais eficaz e fazer um controle mais eficiente!

Quer entender melhor tudo isso? Confira a seguir:

MIP e agricultura digital

Como sempre falamos aqui, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) preconiza o uso de vários métodos de controle de pragas visando uma produção mais sustentável. 

Isso inclui uso dos controles químico, biológico, comportamental, genético, além de diversas outras maneiras de reduzir as pragas de forma integrada.  

Mas, antes mesmo de entrar com os controles, é muito importante que você faça o monitoramento das pragas. Essa é uma das principais bases para que o MIP realmente aconteça. 

bases do MIP Monitoramento Integrado de Pragas

“Casa do MIP”, com destaque para o monitoramento

Entretanto, muitas vezes, o monitoramento se torna bastante custoso ao produtor e acaba sendo deixado de lado por inúmeras dificuldades que são encontradas no caminho. 

Com isso, o risco de haver gastos desnecessários com defensivos químicos e tomadas de decisão equivocadas é grande. Então, como fazer? Qual a solução? 

A resposta não é tão simples e imediata, mas podemos dizer que a agricultura digital tem colaborado muito para que essa etapa seja um pouco mais facilitada no campo.

Com a evolução tecnológica, a coleta de dados automatizados tem sido uma realidade e pode ser aplicada no MIP para monitorar as pragas em uma velocidade que, antes, não seria possível. 

O uso de sensores promete melhorar a relação do produtor com a amostragem no campo, principalmente com o sensoriamento remoto.

O sensoriamento remoto faz aquisição das informações sem entrar em contato direto com o objeto a ser monitorado – nesse caso, as pragas.

E para que as informações cheguem nas mãos do produtor, a Internet das Coisas – IoT, em inglês Internet of Things – possibilita a conexão desses sensores à aparelhos com acesso à internet, como um tablet ou um smartphone.

Sensores no Manejo Integrado de Pragas

O sensores têm diversas aplicações que vão desde avaliação do estado nutricional da planta até a detecção de insetos-praga na lavoura. 

Os sensores mais comumente utilizados na agricultura são os térmicos, ópticos e elétricos

Para monitoramentos de pragas, os sensores podem ser acoplados a drones, fixados em implementos ou em locais específicos da lavoura para detecção das pragas.

As chamadas armadilhas inteligentes têm sensores que detectam os insetos capturados, possibilitando um acompanhamento muito preciso das pragas em tempo real. 

foto de armadilha inteligente na soja - sensores no manejo integrado de pragas

Armadilha inteligente na soja
(Fonte: Divulgação IAgro)

De forma geral, os sensores são essenciais para que a Agricultura de Precisão (AP) contribua com o MIP, principalmente em extensas áreas de produção. 

Com a AP, o manejo se torna mais eficaz por considerar pequenas áreas de forma simultânea e, na maior parte do tempo, não costumam ter um manejo homogêneo. 

Dessa forma, é possível fazer as correções necessárias em uma determinada propriedade de acordo com as necessidades de cada talhão, por exemplo. 

Assim, a tomada de decisão estará de acordo com cada área amostrada e não com a propriedade inteira – o que, em um monitoramento convencional, é algo realmente difícil de ser feito. 

Quando o controle for requisitado, será feito somente naqueles pontos específicos em que os sensores detectaram. Isso vai evitar desperdício de defensivos, desequilíbrio do agroecossistema e ainda promove economia do tempo para o manejo. 

Além de ter um controle mais efetivo e assertivo, o produtor ainda consegue realizar procedimentos agrícolas de forma otimizada, reduzir a mão de obra e se manter mais fiel aos preceitos do MIP.

Benefícios x gargalos no uso de sensores para o MIP

Existem muitos benefícios com o uso de sensores para o MIP. Podemos elencar:

  • redução de uso de defensivos;
  • controle somente onde há necessidade;
  • redução de mão de obra;
  • manejo mais sustentável;
  • preservação do agroecossistema
  • economia de tempo. 

Entretanto, existem alguns gargalos que impedem que a tecnologia esteja mais difundida, que seriam: 

  • qualidade de conexão na áreas rurais;
  • falta de capacitação dos usuários;
  • dificuldades com mão de obra;
  • maior investimento financeiro. 

Apesar de haver algumas falhas para que o uso de sensores seja mais difundido, o setor vem crescendo cada vez mais.

Diversas pesquisas em startups, universidades e grandes empresas estão voltadas para um manejo de pragas mais digitalizado com o intuito de facilitar ainda mais a vida do produtor. 

O que parecia muito distante, já está se tornando realidade e, muito brevemente, a tendência é a melhora do setor para a detecção de pragas com ainda mais precisão. 

Segundo a pesquisadora do Inpe, Ieda Sanches, as aplicações do sensoriamento remoto para o monitoramento de pragas com uso de satélites e drones é uma forte demanda tanto dos produtores quanto dos prestadores de serviço. E, futuramente, deve ser concretizado e já estará bastante acessível!

Aplicativo para o manejo integrado de pragas

Para tornar o seu manejo de pragas ainda mais eficiente, você também pode apostar em um software para o monitoramento da lavoura.

O Aegro, por exemplo, facilita as rotinas de monitoramento a partir de um aplicativo para celular que funciona mesmo sem internet. Com ele, você registra com precisão a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas, diretamente do campo. 

Depois é só conferir, através de um mapa de calor, onde estão os focos de infestações. Assim, você consegue planejar atividades de controle somente quando for necessário.

Além disso, o Aegro oferece imagens de satélite com índice NDVI. Através desse índice, você acompanha a saúde da vegetação a distância e identifica com agilidade os talhões que estão sofrendo ataques de pragas.

Clique aqui para saber mais sobre o MIP no Aegro!

Conclusão 

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) usa de várias táticas, principalmente o monitoramento de pragas.

O uso de sensores tem contribuído para melhorar as amostragens de pragas no campo e facilitar a tomada de decisão do produtor. 

Apesar de ser uma área nova, existem diversos sensores para essa finalidade. 

Além de obter dados com maior confiabilidade, o produtor ainda pode usar da Agricultura de Precisão para fazer o controle somente onde é realmente necessário.

Você já pensou em usar sensores no manejo integrado de pragas da sua lavoura? Restou alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário! 

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

2,4 D em trigo: por que utilizar, momento ideal de aplicação e principais cuidados para um manejo eficiente. 

Com o surgimento de plantas daninhas resistentes, é importante que você realize o planejamento para a utilização de herbicidas alternativos em sua área. 

Na cultura do trigo, uma importante alternativa para o manejo em pós-emergência de plantas daninhas de folhas largas é o herbicida 2,4 D

Porém, ainda há um grande receio quanto a seu uso, principalmente por parte de quem já teve problemas ao utilizá-lo na lavoura.

Por isso, separei aqui o que você deve considerar para fazer um manejo eficiente de plantas daninhas com 2,4 D, mantendo alta produtividade. Confira!

Por que utilizar 2,4 D em trigo?

Antigamente, o controle de plantas daninhas em pós-emergência na cultura do trigo era realizado prioritariamente com herbicidas do grupo ALS. 

E apesar desses herbicidas serem extremamente eficientes, seu uso indiscriminado selecionou populações resistentes de várias espécies de plantas daninhas. Por isso, foi necessária a utilização de outras opções para controle de folhas largas na pós-emergência do trigo.  

Assim, os herbicidas hormonais ou auxinas sintéticas começaram a ser utilizados com maior frequência no trigo (ex: 2,4 D e MCPA).  

Embora muito eficientes no controle de plantas daninhas, eles demandam uma série de cuidados quanto ao momento de aplicação, dosagem e tecnologia de aplicação, para que não ocorram prejuízos em sua lavoura de trigo ou em áreas vizinhas. 

Vou explicar melhor como o trigo suporta a aplicação de 2,4 D e quais cuidados você deve tomar para um manejo eficiente. 

Mecanismo de seletividade do 2,4 D no trigo

Mecanismo de ação em plantas sensíveis 

Os herbicidas mimetizadores de auxinas têm uma atuação muito semelhante aos hormônios nas plantas.

Entretanto, por serem moléculas exógenas, não possuem um sistema que regula sua atuação como os hormônios endógenos. Assim, provocam mudanças metabólicas e bioquímicas que levam plantas sensíveis à morte. 

Dentre essas mudanças, as principais estão relacionadas ao metabolismo de ácidos nucleicos e a plasticidade da parede celular. 

Essas auxinas sintéticas (ex: 2,4 D) induzem uma intensa proliferação celular em tecidos, ocasionando epinastia de folhas e caule (crescimento anormal), além de interrupção do floema, impedindo o movimento de fotoassimilados das folhas para as raízes.  

Além disso, há um grande aumento na produção de enzimas celulase, principalmente nas raízes. Por isso, o sistema radicular é muito afetado em plantas sensíveis. 

De modo geral, o mecanismo de ação dos herbicidas auxínicos, por atuar em diversos locais da planta, ainda não foi completamente explicado. 

Mecanismo de seletividade em gramíneas

Uma das principais características que possibilita a utilização de 2,4 D em cultura de folha estreita (gramíneas) é que essas espécies possuem seu tecido vascular arranjados em feixes dispersos, que são protegidos pelo esclerênquima. Tal condição previne a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. 

Além dessa proteção dos feixes vasculares, as gramíneas podem possuir outro mecanismo de seletividade como menor absorção e translocação ou metabolização do herbicida. 

Contudo, no trigo, esses mecanismo de tolerância somente serão efetivados se o estádio e dose recomendados forem respeitados.

Momento ideal para aplicação e principais cuidados

Na cultura do trigo, existe uma janela de aplicação do 2,4 D para que não ocorram injúrias significativas na cultura. 

O melhor momento é durante a fase de perfilhamento até o início da fase elongação, com doses que variam de 806 g e.a. ha-1 a 1200 g e.a. ha-1

Também é importante se informar sobre a resposta da variedade de trigo escolhida ao uso do herbicida. 

infográfico de estádio ideal de aplicação de 2,4 D em trigo

Estádio ideal de aplicação de 2,4 D na cultura do trigo
(Fonte: adaptado de Mais soja)

Caso você realize aplicações antes do período ideal, podem ocorrer danos ao meristema apical da planta (principal zona de crescimento), deformações morfológicas (folhas e espigas) e nanismo (redução do porte do cultivo).

três fotos que mostram sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo

Sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo 
(Fonte: ORSementes)

Já se a aplicação ocorrer após o período recomendado, podem prejudicar a diferenciação floral do trigo. Isso pode ocasionar perdas de até 60% no rendimento da cultura.   

Além de se preocupar com o momento ideal de aplicação, é importante utilizar um boa tecnologia visando evitar deriva em culturas suscetíveis.

Esses herbicidas apresentam efeitos muito prejudiciais em algumas culturas (como uva, tomate e girassol), mesmo em doses muito reduzidas. 

Ainda que o 2,4 D seja muito efetivo no controle de muitas plantas daninhas de folha larga, não se esqueça que é importante sempre realizar um bom manejo integrado de plantas daninhas!

Utilize rotação dos mecanismo de ação herbicidas e herbicidas aplicados em pré-emergência, pois, infelizmente, já se relatou um caso de buva resistente ao 2,4 D no Brasil. 

Caso você aplique-o em sua propriedade e observe, logo após aplicação, as plantas de buva com uma rápida necrose em suas folhas (sintoma anormal para este herbicida), fique atento, pois sua buva pode ser resistente ao 2,4 D!

Conclusão

Neste artigo, você conferiu a importância da utilização de 2,4 D no trigo para manejo de plantas daninhas resistentes. Também entendeu como esse herbicida atua em plantas sensíveis e por que o trigo o tolera. 

Você agora sabe o momento ideal para aplicação sem prejudicar a produtividade do cultivo. Entendeu ainda quais os principais cuidados para evitar danos em área vizinhas e a seleção de novos casos de resistência. 

Espero que, com essas dicas, você consiga realizar o manejo efetivo de plantas daninhas em sua lavoura.

Você utiliza o herbicida 2,4 D em trigo? Já observou alguma injúria devido a essa aplicação? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia do Manejo de Plantas Daninhas!