Consultoria contábil e financeira adequada podem contribuir até para redução da carga tributária da propriedade
Com a informatização chegando ao campo, o papel do contador que atua na fazenda mudou.
Em vez de apenas executar as declarações e pagamentos de cada exercício, ele passou a prestar um serviço de consultoria contábil e financeiradecisivo para os resultados do produtor.
A transformação é significativa. Antes, era o encarregado de cumprir a burocracia fiscal e tributária a partir dos dados e documentos que o cliente fornecia. Agora, é um parceiro que utiliza o planejamento tributário como instrumento de gestão.
O que isso quer dizer? Explicaremos melhor ao longo deste artigo. Boa leitura!
Transformação do papel do contador
Sócia da Muza Assessoria Contábil, Jussara Kuntzler trabalha com contabilidade desde 1985. Naquela época, ouvia que o contador era sempre “o último a saber” e o “culpado de tudo”, já que era o encarregado de fazer as declarações e se encarregar das obrigações tributárias.
“Durante muito tempo, acontabilidade ficou restrita a apenas registrar os acontecimentos conforme eles já tinham ocorrido. Nunca chegava para ele a intenção do contribuinte de fazer uma operação. Era sempre depois”, relembra.
Se a operação já ocorreu, porém, é tarde demais para resolver uma questão tributária, segundo ela. “Depois que o fato aconteceu, dificilmente você consegue reverter.”
Desde 2004, Jussara trabalha com assessoria contábil para o agronegócio no Mato Grosso. De lá para cá, ela percebeu uma grande mudança no campo, com a informatização, chegada da internet, acesso à informação eemissão de nota fiscal eletrônica.
“Essa mudança pegou o produtor que não estava acostumado com a tecnologia de surpresa. Porque agora as informações são emitidas e já vão direto para o banco de dados da Receita Federal“, conta Jussara.
Com esse novo cenário, não sobra muito o que fazer para o contador à moda antiga, aquele que é “sempre o último a saber”.
Muitos profissionais, porém, não identificaram a necessidade de se adaptar. O que, na opinião de Jussara, gerou um vácuo ocupado por advogados, agrônomos, administradores e outros profissionais que atuam como consultores e acabam dando conselhos que seriam da alçada da contabilidade.
Contabilidade como instrumento de gestão
Para Jussara, com essa nova realidade, o contador precisa se antecipar ao fato em vez de apenas registrá-lo.
“Em nosso escritório, fazemos a contabilidade do produtor rural mensalmente. Quando chega setembro ou outubro, no fim do ciclo da receita dele, já temos uma previsão de qual vai ser a tributação naquele exercício. Então, se ainda tiver alguma coisa para ser feita, há tempo”, explica.
A “coisa a ser feita”, neste caso, é explorar possibilidades de dedução nos tributos que o produtor deve pagar.
Se ele sabe que terá um resultado positivo e investe em maquinário, por exemplo, poderá deduzir esses valores do imposto sobre a renda obtida com a produção.
Outra possibilidade é negociar com os compradores dos grãos para que o pagamento ocorra apenas no exercício seguinte. O objetivo é o mesmo: reduzir a carga tributária — sempre dentro da legalidade, é claro — que incidirá naquele momento.
Esses são exemplos de situações em que o contador pode “se antecipar ao fato”, como recomendou Jussara. Afinal, pôde analisar os números antes do exercício chegar ao fim.
Exemplo de fluxo de caixa possível com uso do Aegro
Convencimento e confiança do produtor
Para que o trabalho de consultoria contábil e financeira realmente ajude na tomada de decisão do produtor e tenha impacto em seus resultados, é preciso que o cliente compreenda antes a importância do trabalho do contador.
Segundo Jussara, isso passa por um trabalho de convencimento e pela construção de uma relação de confiança entre os dois. Mas começa com a consciência do próprio contador. “Ele quer ser um profissional que só faz a guia do imposto ou que ajuda o cliente?”, instiga.
Nesse sentido, Jussara vê os produtores da nova geração, mais abertos e com maior domínio da tecnologia, como aliados. O software de gestão rural, por exemplo, facilita o processo de análise dos números em tempo real — assim que a informação é registrada, o contador já pode exportar relatórios e planilhas com poucos cliques.
“Quando o Aegro entrou na rotina de trabalho do nosso escritório, vislumbramos uma outra maneira de trabalhar”, comenta Jussara.
Além da gestão tributária, o software organiza dados sobre estoques de grãos e insumos, produtividade e rentabilidade por talhão e muito mais.
É um recurso importante para diminuir o tempo gasto com planilhas e reduzir o número de erros, permitindo maior dedicação ao planejamento estratégico — e tributário — da lavoura.
Conclusão
É possível explorar a atividade rural com uma pessoa física ou jurídica. Entre os produtores que criam uma empresa rural, é mais fácil ver sentido em uma gestão profissionalizada, com análise de dados constante.
Só que nada impede que o produtor pessoa física faça o mesmo. Qualquer pessoa que lucra com a venda de sua colheita precisa pagar imposto sobre a sua renda. Por esse motivo, o planejamento tributário é um recurso de gestão útil para todos os perfis de produtor.
Para isso, os contadores precisam entender que seu papel mudou. Em vez de aguardar os resultados e executar as declarações e pagamento de impostos, ele precisa ter voz ativa na fazenda, orientando o produtor antes que o exercício chegue ao fim.
Restou alguma dúvida sobre a consultoria contábil e financeira? Quer saber mais sobre como o Aegro pode te ajudar nessa questão? Acesse nosso programa de parcerias aqui!
Certificado digital para produtor rural: quais as diferenças entre os certificados A1 e A3 e outras dúvidas que você pode ter!
O Brasil caminha para, em breve, tornar o certificado digital tão comum quanto a assinatura à mão e a firma reconhecida em cartório.
Além de garantir a segurança e autenticidade nas transações eletrônicas, ele contribui para o fim da papelada de documentos que precisavam ser acumulados nos escritórios.
Com o certificado digital você poderá assinar documentos online de forma que eles tenham validade jurídica, cumprir obrigações do negócio pela internet e autenticar transações do seu computador.
Quer entender melhor como tudo isso funciona e como tirar o seu certificado digital facilmente? Neste artigo, explicamos tudo o que você precisa saber para obter a certificação e emitir a nota fiscal eletrônica! Confira as instruções a seguir!
O que é um certificado digital?
O certificado digital é a identidade digital da sua empresa – ou seu, no caso da pessoa física. Ele permite fazer a assinatura eletrônica/digital de documentos com validade jurídica, assim como fazer transações online com segurança.
Isso facilita a assinatura de documentos digitais, o envio de obrigações ligadas ao governo, evitando a necessidade de reconhecimento de firma em cartório ou assinatura em papel.
O Brasil passou a utilizar o certificado digital em 2001, com a criação da ICP-Brasil pela Medida Provisória n.º 2.200-2/2001.
A partir disso, surgiram as autoridades certificadoras, órgãos responsáveis pela criação e gerenciamento dos certificados digitais, que devem seguir as regras da ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira).
Boa parte das empresas que geram NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) e NFS-e (Nota Fiscal de Serviço Eletrônica) tem a utilização do certificado digital obrigatória.
A utilização dos certificados já vinha crescendo no Brasil e foi acelerada por conta da pandemia de Covid-19.
Ao longo de 2020, foram emitidos mais de 5,9 milhões de certificados digitais, sendo 52,2% para pessoas jurídicas, 47,2% pessoas físicas e 0,6% de equipamentos.
E, de acordo com as projeções publicadas, a tendência é que esse número cresça ainda mais, chegando a 6.957.015 emissões de certificados em 2021, o que tornará ainda mais comum a utilização dos certificados digitais!
Formatos e comercialização
No Brasil, existem dois formatos disponíveis para utilizar o certificado digital. Um deles é no formato de arquivo para ser instalado no computador, como um dispositivo (cartão inteligente, token, pen drive ou kit leitora). O outro é como um arquivo na nuvem.
A comercialização fica a cargo das Autoridades Certificadoras credenciadas pela ICP-Brasil, como a Caixa Econômica Federal, Serasa Experian, Receita Federal e Serpro.
É importante também ressaltar a garantia de segurança da informação, uma preocupação central para empresas, pessoas físicas e governo.
O certificado digital foi desenvolvido com o que há de mais avançado em criptografia, assegurando a proteção dos dados e validade das operações.
Desta forma, é possível afirmar que, graças a essa tecnologia, os certificados digitais permitem a troca de informações online de forma totalmente segura. Assim, sua função é emitir, carregar e entregar informações que só você pode criar e depois transmitir esses dados exclusivamente para as pessoas ou entidades que você quer que os recebam.
Mas, afinal, para que serve o certificado digital?
O certificado digital tem como utilidade autenticar todas as transações e atividades online, garantindo segurança, agilidade e privacidade aos seus usuários.
Você pode utilizar seu certificado digital, por exemplo, para:
enviar declarações e obrigações da empresa a órgãos do governo;
fazer login em ambientes restritos como o Portal e-CAC da Receita Federal;
assinar e enviar documentos digitais (contratos, acordos, declarações) com assinatura eletrônica;
emitir e importar NF-e para a Sefaz.
Ele simplifica qualquer operação em que se faça necessária a identificação e validade jurídica pela internet, tanto de pessoas jurídicas como pessoas físicas.
Quais benefícios posso ter?
Você terá maior praticidade para resolver qualquer trâmite burocrático sem ter a necessidade de sair de casa.
Ou seja, você evita que seja necessário ir até o cartório para reconhecer firma da assinatura ou se deslocar para assinatura física de documentos.
Conseguirá ter segurança em suas transações, principalmente online e que envolvam seu dinheiro, dados pessoais ou dados sigilosos da empresa, garantindo segurança total nas suas transações.
Apesar do investimento inicial para adquirir o certificado digital, haverá uma redução de custos, eliminando compra e impressão de papel; abertura e reconhecimento de firma em cartório; custo de envio de documentos; e necessidade de espaço físico para armazenar documentos.
Além disso, também garante o fácil acesso a serviços públicos do governo pela internet. Vale ressaltar que para muitas empresas a assinatura digital é obrigatória para poder emitir notas fiscais.
Quem precisa fazer o certificado digital?
A lei diz que toda empresa que emite NF-e (Nota Fiscal Eletrônica de produtos) é obrigada a ter um certificado digital.
Empresas inscritas nos regimes tributário do Lucro Presumido e Lucro Real também precisam da assinatura digital para declarar suas obrigações à Receita.
As empresas do Simples Nacional são obrigadas a usar o certificado digital se tiverem mais de um empregado.
A única exceção é para o MEI (Microempreendedor individual), que ainda está desobrigado na maioria dos casos, mas pode utilizar o certificado digital de forma voluntária.
Há diversos tipos de certificados digitais à disposição tanto de pessoas físicas como jurídicas no mercado. Veja:
NF-e
Destinado especificamente à emissão de notas fiscais eletrônicas como NF-e, NFS-e e NFC-e, além do Danfe (Documento Auxiliar na Nota Fiscal Eletrônica).
e-Simples ou e-CNPJ ME/EPP
Certificado digital que funciona como um e-CNPJ para pequenas empresas do Simples Nacional.
e-CNPJ
Versão digital do CNPJ usada para acessar sistemas públicos como e-CAC, Receitanet e emissores de documentos (pode ser usado para gerar NF-e quando o próprio titular for emitir as notas, mas não é recomendado que seja compartilhado com outros funcionários).
e-CPF
Versão digital do CPF que permite acessar serviços públicos como o eSocial, e-CAC e Receitanet.
e-MEI
Certificado exclusivo para o MEI que permite emitir NF-e e registro de funcionário pelo eSocial.
Estes certificados podem ser adquiridos em dois diferentes tipos:
Certificado A1
É um arquivo digital com validade de 12 meses que pode ser instalado em várias máquinas e acessado de qualquer dispositivo. Além disso, é integrado à NF-e e exige a senha uma única vez
Certificado A3
É comercializado na forma de um dispositivo móvel (cartão inteligente, token, pen drive ou kit leitora) e possui validade maior, de até 36 meses, podendo ser usado em apenas um computador por vez, além de exigir a senha em cada acesso.
Tipos de Certificados Digitais (Fonte: DLL Automação)
Como obter um certificado digital A1 ou A3?
Escolha a sua autoridade certificadora(AC) Assim, o primeiro passo é escolher uma das autoridades certificadoras subordinadas à ICP-Brasil.
A certificadora deve possuir um catálogo com as opções de certificados digitais disponíveis, como você pôde ver acima.
O produtor rural que precisa emitir e importar uma nota fiscal, por exemplo, pode escolher o NF-e (nesse caso o mais recomendado) ou e- CNPJ.
Também deve escolher o tipo do certificado, se A1 ou A3 citados anteriormente.
Importante salientar que para a utilização no Aegro, o certificado escolhido deverá ser o do tipo A1 e e-CPF.
Realize o cadastro e agendamento
Essas etapas são online: Cadastro: será necessário fornecer todas as informações sobre seu negócio. Observe o correto preenchimento dos dados para não haver problemas futuros. Quaisquer erros nas informações nesse passo são de difícil correção depois.
Agendamento da validação presencial com a empresa de certificação. É necessário nessa etapa apresentar toda a documentação para que a implementação do sistema de certificação digital seja autorizada em seu empreendimento.
Quais são os documentos necessários?
Para e-CNPJ e e-Simples é preciso apresentar o documento original e 1 cópia simples de cada um dos citados abaixo:
documento de constituição da empresa (contrato social, por exemplo, quando houver);
alteração contratual registrada nos órgãos competentes (se houver);
documentos de eleição da diretoria vigente – quando aplicável;
documentos pessoais dos representantes legais (RG e CPF);
cartão do CNPJ impresso no dia anterior da validação presencial.
Para e-CPF é preciso apresentar o documento original e 1 cópia simples de cada um dos citados abaixo:
documento de identificação;
CPF;
comprovante de endereço no nome do titular do certificado e emitido em até 3 meses.
título de eleitor (opcional).
Observe que todos os documentos devem estar em ordem para evitar problemas.
Após seguir todos os passos anteriores, o certificado digital para emissão de notas fiscais ficará disponível geralmente em alguns dias no máximo, dependendo do tipo e da empresa escolhida.
Se você optou pelo certificado do tipo A1, você receberá um link para o seu e-mail para fazer o download do arquivo.
Se você optou pelo certificado do tipo A3 e tiver um dispositivo físico, você poderá retirar o hardware no local da validação.
Contratando uma certificadora
O mercado está repleto de empresas certificadores e escolher a ideal requer atenção e cuidado.
Para facilitar essa tarefa, a Aegro lançou uma parceria com a Rede Ideia, que é reconhecida como uma autoridade no campo da identificação digital, destacando-se pela sua expertise e pelo respaldo legal que possui e desde 2019, possui o status de Autoridade Certificadora junto ao ICP-Brasil.
Você pode emitir seu certificado digital e contar com o suporte do time de especialistas da Rede Ideias e ainda obter desconto sendo cliente Aegro.
Como usar o certificado digital no Aegro
Em um software de gestão agrícola, como o Aegro, o seu certificado digital A1 viabiliza operações fiscais e ainda facilita as rotinas administrativas.
A seguir, conheça duas funções que estão disponíveis por meio da assinatura eletrônica.
Emissão de nota fiscal de venda
Desde 2020, todas as operações de venda realizadas pelo produtor rural devem ser registradas por meio da NF-e.
Essa obrigatoriedade vale para todo o país e visa tornar mais segura a circulação das mercadorias.
No Aegro, você consegue emitir a nota fiscal de forma prática ao cadastrar uma nova receita agrícola. A emissão pode ser feita com múltiplas inscrições estaduais e e-CPFs.
Em poucos minutos, sua transação é autorizada pela Sefaz e o arquivo XML é automaticamente enviado para o destinatário da nota.
Importação de nota fiscal de compra
O Aegro também se conecta à Sefaz para buscar, proativamente, todas as notas fiscais que são emitidas contra o seu CPF ou CNPJ.
Assim, você não precisa correr atrás dos seus fornecedores para ter acesso ao arquivo XML da nota após uma compra.
A captura é feita a partir do certificado digital A1 e facilita a entrada de despesas no seu controle financeiro.
Bastam alguns cliques para importar a NF-e, gerar uma conta a pagar e direcionar produtos para o estoque da fazenda.
Ácaros na soja: entenda o que são, principais espécies, danos causados e como realizar o manejo eficiente para evitar a perda de produtividade da sua lavoura.
Os ácaros são pragas consideradas secundárias que, a depender das condições climáticas vigentes da safra, podem se tornar pragas primárias, requerendo seu controle adequado para evitar perdas de produtividade da soja.
Os danos causados pelos ácaros são variáveis e dependem do genótipo, região de cultivo e ano agrícola, podendo ser de mais de 400 kg/ha e representando até 33% de redução na produtividade da soja.
Isso exige atenção quanto ao seu monitoramento e ações de controle para evitar perdas maiores de produtividade na lavoura.
Mas você sabe como identificar as principais espécies de ácaros na soja? E como as amostragens de ácaros devem ser realizadas, bem como os danos causados por cada uma das principais espécies? Sabe fazer o manejo necessário para controlar as pragas na sua lavoura?
Confira essa e outras informações a seguir!
O que são os ácaros na soja, afinal?
Os ácaros são aracnídeos, de tamanho pequeno e que podem se tornar um grande problema para as lavouras de soja.
As principais espécies de ácaros que ocorrem na soja pertencem à família Tetranychidae, incluindo:
Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
Ácaro-verde (Mononychellus planki);
Ácaro vermelho (Tetranychus desertorum, T. gigas e T. ludeni);
Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus. latus).
Dessas espécies, o ácaro-rajado e o ácaro-verde são os ácaros mais encontrados nas lavouras. Mas as espécies podem variar de região para região e ano agrícola.
Os ácaros são consideradas pragas secundárias pois dependem das condições ambientais para que ocorram, no entanto, em condições favoráveis, atingem altas populações rapidamente, causando prejuízos significativos às lavouras de soja.
Quais as condições climáticas favoráveis a ocorrência de ácaros?
Essa resposta pode parecer óbvia, mas depende, pois em um cenário, em que espécies diferentes de ácaros tem causado problemas na soja, as condições ambientais de alta e baixa umidade relativa do ar podem favorecer uma ou outra espécie.
De modo geral, as principais espécies de ácaros, à exceção do ácaro-branco, são favorecidos por baixa umidade relativa do ar, associada a ocorrência de altas temperaturas, condições essas registradas em períodos de estiagem.
Essas condições aceleram não somente o ciclo dos ácaros-praga, mas também estimulam a sua alimentação, desfavorecendo por outro lado, importantes inimigos naturais, que manteriam a população de ácaros sob certo equilíbrio em condições favoráveis.
No Brasil, mais de 44 espécies de ácaros já foram relatados. Os primeiros relatos de danos ocorreram a partir da década de 1990, e desde então, danos são registrados safra após safra em diferentes regiões do país.
A maior ocorrência dos ácaros se dá por alguns motivos principais, incluindo:
aumento das áreas cultivadas;
uso de genótipos ou cultivares geneticamente modificados;
introdução de novos genótipos de soja;
ocorrência de veranicos ou secas prolongadas, associadas a altas temperaturas.
Mas quais são os danos causados pelos ácaros nas lavouras de soja? E como identificar esses pequenos aracnídeos que muitas vezes passam despercebidos aos nossos olhos?
Danos causados pelos ácaros na soja
Os ataques de ácaros em lavouras de soja podem ocorrer em diferentes momentos do desenvolvimento da cultura.
Inúmeros estudos indicam que boa parte das espécies é comumente encontrada na fase vegetativa e de enchimento de grãos, sendo favorecidos principalmente pelas condições climáticas.
Nas fases vegetativas, os ácaros prejudicam a atividade fotossintética da folha por causarem minúsculas pontuações que evoluem rapidamente para manchas contínuas. Isso influencia no crescimento e desenvolvimento das plantas.
Fios de seda característico do ácaro-rajado cobrindo o ponteiro da planta em soja em estádio reprodutivo (Fonte: Tamai et al., 2020)
A intensidade do ataque dos ácaros varia de acordo com a espécie presente na lavoura.
Em áreas com a presença de ácaro-verde, por exemplo, as folhas de diferentes posições na planta podem apresentar intensidade de ataque semelhante entre si.
Já para áreas com ácaro-rajado, as folhas de uma mesma planta podem apresentar intensidades de ataques muito diferentes entre si.
Esse pode ser um detalhe importante para auxiliar a diferenciar os ácaros no campo, apesar de ambas as espécies ocorrerem em reboleiras.
Apesar de não serem consideradas pragas primárias na maioria dos anos agrícolas, a presença de ácaros na lavoura pode refletir em perdas acentuadas de produtividade.
Por isso, realizar o monitoramentoconstante da sua lavoura é fundamental para tomada de decisão a respeito do controle de ácaros.
O manejo preventivo é sempre a melhor saída, por isso utilize sementes de qualidade e realize o MIP (Manejo Integrado de Pragas).
Principais espécies de ácaros na soja
Ácaro-verde
Os ácaros-verdes apresentam o corpo com coloração verde e pernas de cor amarelo-ouro.
Os ovos são depositados pela fêmea na superfície da folha, normalmente próximo às nervuras e possuem coloração variada de translúcida a branca.
O ataque dessa espécie ocorre em épocas de estiagem, na fase de enchimento de grãos. Normalmente, se concentra nas proximidades das nervuras e se distribui de acordo com a intensidade do ataque por toda a folha.
Diferentemente das demais espécies, o ácaro-branco é favorecido pela ocorrência de chuvas. Sua coloração é creme-brilhante em todas as fases de desenvolvimento.
São pequenos e difíceis de ser vistos a olho nu. Geralmente detectados apenas com lupa de aumento de pelo menos 20 vezes.
O principal diferencial entre esta espécie e as demais é a não produção de teias.
Normalmente, essa espécie ataca aface inferior de folhas novas em processo de expansão e, nas últimas safras, tem aparecido em diversas regiões de cultivo da soja.
Apesar de os ácaros serem considerados pragas secundárias na soja, eles vêm ganhando atenção em muitas regiões devido à instabilidade climática e ao uso intensivo de pesticidas, como inseticidas e acaricidas.
Períodos prolongados de estiagem são muito favoráveis ao crescimento e desenvolvimento desta praga, e vêm sendo muito comum em algumas regiões do país nos últimos anos.
Além disso, a ausência de inimigos naturais, como ácaros benéficos (ácaros que predam ácaros-praga) e fungos (Neozygites floridana), é determinante para a ocorrência de surtos de ácaros nas lavouras.
Por isso, a maneira mais efetiva de controlar os ácaros na soja é utilizar ummanejo integrado de pragas e doenças, utilizando os defensivos de forma equilibrada, em doses adequadas, e de forma estratégica, prezando inclusive por aqueles de menor impacto aos inimigos naturais.
Manejos alternativos como controle biológicoe cultural também são medidas importantes no controle da população de ácaros.
Assim, você terá uma maior incidência de predadores naturais em sua lavoura, o que dificulta que os ácaros atinjam níveis de dano econômico.
Controle químico
Existem alguns produtos disponíveis para o controle químico dos ácaros na cultura da soja, entre inseticidas com ação acaricida e acaricidas, que podem ser consultados no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit).
O controle de ácaros deve levar em consideração o manejo antirresistência e, para isso, é imprescindível a rotação de ingredientes ativos e a observação a campo do desempenho dos acaricidas utilizados no controle.
Para o ácaro-rajado, ainda, há a problemática da resistência. Mais informações sobre o manejo de resistência desta e demais pragas, com relatos ou atenção à sua resistência, podem ser consultados no Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC).
Acaricidas que contenham misturas, de abamectinas a outros grupos químicos, são frequentemente utilizados no manejo.
Atualmente, existem mais de 44 produtos registrados para controle da cultura da soja, no caso do ácaro-rajado. Para o ácaro-branco, no entanto, a lista é mais restrita — são apenas oito.
Controle biológico
O controle biológico de ácaros com espécies como Phytoseiulus persimilis e Neoseiulus californicus é muito utilizado em outros países.
No Agrofit é possível encontrar produtos registrados para o controle biológico – mais de 51 acaricidas classificados como microbiológicos, principalmente para o ácaro-rajado, a partir do fungo Beauveria bassiana.
Para encontrar os produtos disponíveis, é necessário clicar na aba produtos formulados (parte superior) e então em classe, e selecionar a opção Acaricidas Microbiológicos.
Controle cultural
Para evitar problemas com essas pragas, você precisa eliminar possíveis espécies hospedeiras. Nesse sentido, realize o controle dos ácaros ou sua eliminação após identificar a espécie que ocorre na sua lavoura.
A rotação de culturas também pode ser uma alternativa para redução da população da praga. No entanto, é necessário conhecimento técnico sobre quais espécies não são hospedeiras da praga.
Conclusão
Os ácaros podem causar danos consideráveis à lavoura, podendo se tornar pragas primárias e resultando em menor produtividade da soja.
Neste artigo, você pôde conferir as características dos principais tipos de ácaros, assim como os problemas que eles podem causar.
O controle de ácaros deve seguir todas as recomendações do manejo antirresistência, para evitar a redução ou até mesmo a perda total da eficiência dos acaricidas disponíveis no mercado.
A rotação de ingredientes ativos e o uso de defensivos de forma estratégica (ou seja, quando necessário), baseado no monitoramento de pragas, priorizando o uso de acaricidas seletivos e de menor impacto aos inimigos naturais presentes na lavoura, são medidas necessárias e indispensáveis para um manejo preciso de ácaros.
Conhece alguma fazenda com problemas com ácaros na soja? Compartilhe com os responsáveis pelo manejo de pragas da lavoura e assine nossa newsletter, para receber mais artigos como este!
Atualizado em 12 de junho de 2023 por Bruna Rhorig.
Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.
Impactos da seca no plantio de café: entenda como a seca afeta o cafeeiro e quais atitudes podem contornar essa situação.
Historicamente, a cafeicultura brasileira sofre com episódios de seca severa. Isso vem se agravando dada a expansão dos cultivos para áreas marginais e as mudanças climáticas que acontecem no planeta.
A seca e as temperaturas inadequadas são as principais limitações climáticas da produção de café. Geralmente, elas andam de mãos dadas, o que agrava ainda mais seus impactos negativos.
Os impactos da seca no café podem ser mais ou menos severos dependendo do tipo de solo, sistema de cultivo, espécie,variedade e estágio da produção de café.
Separei algumas dicas sobre os impactos da seca na produção cafeeira, o que podemos esperar nos próximos anos e medidas para lidar com esse problema. Confira!
Impactos da seca sobre as espécies de café
Antes de falarmos sobre os impactos da seca sobre o café, precisamos entender um pouco sobre o ambiente de origem do cafeeiro e como ele molda as respostas das plantas às adversidades climáticas.
O ambiente de origem do cafeeiro
A produção mundial e brasileira de café é baseada em duas espécies: café arábica (Coffea arabica L.) e canephora (C. canephora Pierre). Contudo, essas espécies têm ambientes de origem distintos.
O caféarábica tem origem na Etiópia, em condições de temperatura mais amena e altitude superior a 1.600 m.
O canephora, por outro lado, vem de regiões equatoriaisbacia do Rio Congo, mais quentese com ar saturado de umidade.
Mas, por que isso é importante para o manejo nos dias atuais?
Embora o melhoramento genético de café tenha possibilitado a produção de café a pleno sol e em áreas marginais, é certo que as condições em que a planta evoluiu têm influência direta sobre seu comportamento frente a estresses como a seca.
Dada a grande disponibilidade de água em sua origem, o cafeeiro não desenvolveu mecanismos robustos para lidar com déficit hídrico. Isso significa dizer que os cafeeiros, de modo geral, não lidam bem com o déficit hídrico.
Existe variabilidade entre variedades quanto à tolerância à seca, mas dificilmente a produção não é afetada. Ressalta-se que o impacto negativo da falta de água pode variar com as cultivares, estádio fenológico e as condições do local de produção.
Impactos da seca sobre o café
No ambiente tropical, a seca é agravada por altas temperaturas e alta incidência de radiação solar. Dependendo do tipo de solo, haverá mais ou menos água armazenada também.
Fato é, que quanto mais tempo durar o déficit hídrico e menos água armazenada o solo tiver, maiores serão os danos. Dependendo da fase de desenvolvimento da cultura, os danos podem ser piores.
Os impactos da seca sobre o plantio do café são grandes, já que podem levar as mudas recém-plantadas à morte.
As lavouras em formação, embora maiores e mais resistentes, podem sofrer com desfolha, seca de ramos e até morte de plantas.
Já em lavouras em produção, dependendo do estádio fenológico (ilustrados na figura abaixo), os danos podem ser distintos.
Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica, durante 24 meses, nas condições climáticas tropicais do Brasil. (Fonte: Camargo & Camargo, 2001)
A seca na fase vegetativa pode comprometer a produção da safra seguinte e a atual, dependendo da severidade, perdendo folhas e ramos.
Embora um período de déficit moderado seja importante para maturação das gemas florais, uma seca severa pode abortar/secar as gemas e as flores, comprometendo a produção que viria.
Na fase de chumbinho, o pegamento pode ser reduzido e os grãos podem ser pequenos e chochos caso a seca venha na fase de enchimento de grãos.
Medidas para minimizar os efeitos da seca
Existem medidas que podem minimizar os efeitos da seca. Sua efetividade depende do momento de uso da técnica, mas principalmente da severidade dos danos já causados pela seca.
Irrigação
Quando o assunto é seca, com certeza a primeira coisa que vem à cabeça para resolver o problema é irrigação, não é mesmo?
Pois bem. É claro que a irrigação é uma medida para conviver com a seca, que permite o fornecimento de água na quantidade certa e na época correta para o cafeeiro.
Contudo, nem sempre é possível instalar um sistema de irrigação, dada a indisponibilidade de fontes de água no local ou o alto custo envolvido.
Existem medidas que devem ser tomadas antes mesmo de se pensar em irrigar e que podem beneficiar todos os sistemas de produção, sejam eles de sequeiro ou irrigados.
Preparo profundo de solo
Enquanto as camadas mais superficiais do solo podem estar secas, o subsolo pode representar um reservatório de água ainda disponível. Para que essa água seja acessada, é necessário que as raízes do cafeeiro cheguem até essas camadas mais profundas
No entanto, as recomendações de correção e adubação são focadas nas camadas mais superficiais do solo e as camadas mais profundas podem apresentar limitações químicas e físicas ao desenvolvimento de raízes.
Uma solução possível seria o preparo profundo de solo na hora do plantio do café. Esse assunto foi abordado em mais detalhes no nosso artigo sobre o plantio do café. Dê uma conferida lá, pois vale a pena!
Uso de culturas intercalares e arborização
Como geralmente as entrelinhas do café ficam expostas ao sol, a perda de água por evaporação é alta.
Uma maneira de evitar essa perda, aumentar a infiltração de água e manter mais água disponível no solo é o uso de culturas intercalares.
Nesse aspecto, é preferível utilizar culturas perenes, com sistema radicular vigoroso e boa produção de biomassa, mas que ao mesmo tempo sejam de fácil manejo e não atrapalhem o cafeeiro se bem manejadas.
Nesse quesito, as braquiárias são campeãs.
Há ainda a possibilidade de produzir café sombreado, sistema no qual o cafeeiro está submetido a condições mais similares a de seu ambiente de origem e, portanto, sofre menos estresses.
Café e mudanças climáticas: o que o futuro nos reserva?
Considerando as previsões científicas quanto ao aquecimento global, o cenário não era muito agradável para a produção de café.
Contudo, em recente revisão publicada pelo professor Fabio DaMatta e colaboradores, o cenário apresentado parece mais otimista.
Os dados mostram que o CO2 elevado pode ajudar a reduzir os efeitos negativos das elevadas temperaturas e estresse hídrico sobre a produtividade do cafeeiro.
Entretanto, as incertezas do clima, a possibilidade de maior ocorrência de eventos extremos (tempestades, altas temperaturas, etc.) e a interação disso com pragas,doençase genótipos de café tornam qualquer previsão complicada e mais estudos são necessários sobre o assunto.
De qualquer maneira, fica o registro do que se tem de recente na literatura científica e sobre a necessidade de pesquisas futuras quanto à produtividade e qualidade de café no contexto de mudanças climáticas.
Conclusão
Como pudemos acompanhar no texto, os cafeeiros arábica e canephora podem sofrer impactos negativos com a seca, principalmente em regiões marginais, onde as condições são naturalmente mais estressantes à planta de café.
Dependendo da severidade da seca, duração e do estádio fenológico no qual a planta se encontra, a produção atual e a da safra seguinte podem ser comprometidas.
Além da irrigação, existem medidas que podem ajudar a reduzir os impactos negativos da seca e tornar o sistema de produção mais resiliente.
Entre essas medidas destacam-se o preparo profundo de solo, o uso de culturas de cobertura nas entrelinhas dos cafezais e em alguns casos, a adoção da produção arborizada.
Resistência de plantas daninhas a herbicidas: o que é, quais os principais mecanismo e como evitar esse problema em sua lavoura.
Atualmente, o Brasil apresenta 28 espécies de plantas daninhas com resistência simples ou múltipla a vários herbicidas.
E, novos casos surgem todos os anos, enquanto pouquíssimos herbicidas novos entram no mercado.
Por isso, é essencial saber identificar e manejar plantas daninhas resistentes em sua lavoura, pois sua presença pode diminuir a produtividade da cultura e aumentar o custo de manejo em mais de 200%.
Pensando nisso, separei algumas informações sobre resistência de plantas daninhas. Confira!
O que é resistência de plantas daninhas?
A resistência de plantas daninhas a herbicidas pode ser definida como habilidadehereditária de uma planta sobreviver e se reproduzir após a exposição a uma dose de herbicida normalmente letal para o biótipo selvagem da planta.
Isso ocorre devido a mutações que aumentam a variabilidade genética das plantas daninhas, tratando-se de um processo natural para assegurar a sobrevivência da espécie.
Na prática, podemos pensar que, de maneira natural, surgiu em sua lavoura uma planta daninha com uma mutação, tornando-se resistente a um herbicida.
Assim, conforme esse herbicida é utilizado em sua lavoura, as plantas suscetíveis morrem e as resistentes sobrevivem e geram descendentes.
Com o passar dos anos utilizando esse mesmo manejo, baseado em apenas um determinado herbicida, o produto perderá a eficiência.
Esse fenômeno foi facilmente observado com o uso intensivo do glifosato em sistema RR, em que plantas como abuva desenvolveram resistência e se espalharam pelo Brasil inteiro pela falta de manejos alternativos.
Agora vamos entender melhor como funcionam essas mutações e porque possibilitam que uma planta daninha sobreviva ao herbicida.
O que é mecanismo de resistência de plantas daninhas a herbicidas?
Antes de falarmos sobre como as plantas sobrevivem a um herbicida, precisamos entender primeiro por que um herbicida mata uma planta.
Cada herbicida possui um modo de ação que determina como ele vai atuar na planta e quais injúrias irá causar.
O mecanismo de ação do herbicida é o primeiro passo bioquímico ou biofísico no interior celular a ser inibido pela atividade herbicida.
Somente esse processo pode ser suficiente para matar plantas daninhas suscetíveis. Entretanto, geralmente são necessárias diversas outras reações ou processos para matar uma planta, cujo somatório é denominado modo de ação.
Os mecanismos de ação geralmente estão associados à inibição de uma rota metabólica vital para as plantas ou à produção de espécies reativas tóxicas que degradam as células da planta.
Por isso, para entendermos o mecanismo que torna uma planta daninha resistente a um herbicida é importante conhecer o modo de ação daquele herbicida. Assim, podemos compreender quais alterações poderiam impedir que o herbicida atue na planta.
Essas alterações fisiológicas e/ou morfológicas que impedem que o herbicida controle uma planta daninha naturalmente suscetível são denominadas mecanismo de resistência de plantas daninhas a herbicidas. Eles podem ser classificados em dois grupos:
Mecanismos de resistência no sítio de ação ou específicos
São mecanismos que estão ligados diretamente com o local de ação do herbicida, por exemplo, uma alteração na enzima que impede sua inibição.
Mecanismos de resistência fora do sítio de ação ou não específicos
São mecanismos que não estão ligados diretamente ao sítio de ação, mas interferem no modo de ação do herbicida, impedindo sua atividade no local alvo, por exemplo, metabolização do herbicida.
Principais mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas
Atualmente existem pelo menos seis mecanismos que conferem a plantas daninhas resistência a herbicidas.
Contudo, é importante entender que, em uma mesma planta, podem ocorrer mais de um destes mecanismos, proporcionando resistência a herbicidas de um ou mais modos de ação.
Mecanismos de resistência no sítio de ação
Alteração no sítio de ação do herbicida
Esse mecanismo altera a conformação ou forma do sítio de ação (geralmente uma enzima ou proteína) de modo que a molécula herbicida fica incapaz de se ligar apropriadamente ao local onde atua como agente inibidor.
Desta forma, a rota metabólica segue seu curso natural e a planta não é mais afetada pelo herbicida.
Este tem sido o mecanismo de resistência que ocorre com maior frequência nas populações resistentes de plantas daninhas.
Amplificação gênica
Esse mecanismo ocorre devido a uma alteração genética que aumenta significativamente o número de cópias da sequência de DNA que codifica a expressão gênica de síntese da enzima relacionada à ação do herbicida.
Assim, as plantas daninhas com esse mecanismo sintetizam inúmeras cópias da enzima alvo do herbicida, o que torna a dose utilizada ineficiente para inibir todas as cópias.
Devido à quantidade muito maior de cópias, geralmente, o aumento de dose do produto fica inviável do ponto de vista econômico e ambiental, inviabilizando o herbicida.
Metabolização ou desintoxicação do herbicida
Esse mecanismo ocorre devido ao metabolismo da molécula herbicida a compostos não tóxicos. As principais enzimas envolvidas neste mecanismo são as mono-oxigenases do citocromo P450 e a glutationa.
Absorção foliar e translocação diferencial do herbicida
Esse mecanismo promove menor absorção e translocação do herbicida na planta, retendo o máximo possível do produto nas folhas tratadas.
Esse processo se dá muitas vezes por alterações morfológicas na superfície foliar (espessamento de cutícula, maior acúmulo de cera, maior número de tricomas e menor número de estômatos), que prejudicam a absorção do herbicida.
Devido a essas barreiras desenvolvidas pela planta, a quantidade de herbicida que chega no sítio de ação não é suficiente para ocasionar sua morte.
Translocação diferencial de herbicida de biótipos de azevém resistente (R) e suscetível (S) a glifosato (Fonte: Fernández-Moreno et al, 2017)
Sequestro ou compartimentalização do herbicida
A base deste mecanismo é aprisionar as moléculas de herbicida em locais onde não tenham contato com o sítio de ação. Assim, as plantas sequestram o herbicida e acumulam em organelas onde não têm atividade, geralmente os vacúolos.
Rápida necrose
Esse mecanismo de resistência foi registrado recentemente no Brasil para um biótipo de buva. Como estratégia de defesa, a planta necrosa os tecidos que tiveram contato com o herbicida rapidamente, impedindo que o mesmo transloque pela planta.
Devido à grande capacidade de rebrota da buva, poucas semanas após tratamentos, as plantas recuperaram os tecidos necrosados pelos herbicidas.
Como identificar a ocorrência de plantas resistentes em sua lavoura
Sempre que houver a suspeita de um novo caso de resistência em uma lavoura, é importante descartar totalmente a possibilidade de falhas no controle.
Por isso, ao identificar um possível caso de resistência de um planta daninha, é preciso se fazer as seguintes perguntas:
Os herbicidas e doses recomendados tem um bom histórico de controle daquela planta daninha?
O produto foi aplicado no estádio ideal de controle?
A calda de aplicação não teve problemas com incompatibilidade de produtos, dureza da água ou pH?
As falhas de controle ocorreram apenas para uma espécie de planta daninha?
Em anos anteriores, já vinha notando escape de algumas plantas da espécie ou escutava reclamações de controle em áreas vizinhas?
Caso a resposta para todas essas perguntas seja afirmativa, é interessante que você contate uma instituição de pesquisa próxima de sua região para obter mais informações sobre possíveis casos de resistência.
Confirmado o caso de resistência, esse contato rápido acelera os estudos de combate à resistência e facilita a contenção e manejo deste novo problema.
9 dicas para evitar novos casos de resistência
Para garantir que não haja seleção de resistência para novos herbicidas ou disseminação de populações resistentes para novas áreas, é muito importante que o você siga estas dicas:
Conheça o histórico de resistência da área e região;
Realize rotação de mecanismo de ação de herbicidas;
Realize limpeza correta de máquinas ou implementos antes de utilizá-los em novas áreas.
Conclusão
Neste artigo vimos o que é a resistência de plantas daninhas a herbicidas e conceitos importantes desta área.
Também vimos os principais mecanismos que ocasionam resistência e entendemos quais as principais perguntas para saber se há um novo caso de resistência na lavoura.
Além disso, acompanhamos as principais dicas para manejar plantas daninhas resistentes e evitar o surgimento de novos casos.
Você enfrenta ou enfrentou casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas em sua lavoura? Quais as mais problemáticas? Adoraria ver seu comentário abaixo!
Diversificação de culturas na fazenda: saiba por onde começar e como essa ação pode gerar impactos positivos e rentáveis para seus clientes!
No cenário de incertezas em que 2021 chegou, a gestão do agronegócio deve estar ainda mais atenta às oportunidades de evitar prejuízos e garantir a rentabilidade do produtor rural.
Sem trocadilhos, a diversificação da cultura agrícola pode ser, literalmente, a salvação da lavoura. Essa visão é capaz de fazer a grande diferença nas atividades desenvolvidas por um consultor rural.
A aposta em apenas uma cultura pode ser uma fragilidade para o produtor em casos de adversidade climática, provocando prejuízos, por exemplo. E é papel do consultor ajudar a evitar esses riscos.
Mas quais opções de diversificação podem ser implantadas dentro do um plano de gestão? Como incentivar o produtor a ter essa variação de culturas de forma sustentável? Conversamos com o consultor agrícola Douglas Rathke e as principais dicas você confere a seguir!
Por que diversificar as culturas agrícolas da fazenda?
As estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU)apontam que, até 2030, o mundo viverá um aumento populacional de mais de 8 bilhões de pessoas. Este cenário sinaliza quão importante continuará sendo o agronegócio.
Neste sentido, o consultor pode atuar para orientar o produtor a ter mais rentabilidade, sem perder o foco na subsistência e na qualidade da oferta de produtos ao consumidor final.
“Dentro dessa realidade, é importante garantir formas de sustentabilidade ambiental e financeira na produção agrícola”, comenta Rathke.
“A produção de subsistência aliada ao uso de tecnologias, já que as commodities estão com preços elevados e nossa economia está defasada, são uma alternativa viável no agronegócio. Assim, é possível despertar o senso de produção mais intensificada de alguns alimentos básicos, fazendo uma gestão inteligente da lavoura”, afirma o consultor.
Quais os impactos da diversificação da lavoura?
Ampliar a gama de produtos produzidos no campo buscando uma diversificação, principalmente no caso de pequenos produtores, pode ajudar na diminuição de custos totais da fazenda.
Independente do tamanho da propriedade, sempre é possível destinar uma área para culturas que podem ser comercializadas “in natura”. Aquelas em que não é preciso investimento significativo, já que é possível aproveitar o que já existe na aplicação de outros cultivos.
Alguns exemplos dados por Rathke são os plantios de acerola, laranja e maracujá.
“O produtor tem a possibilidade de comercializar a fruta pronta para o consumo, mas também pode lucrar com produção de polpas, suco e geleias, como variantes do cultivo. Isso sem deixar suas culturas de soja, algodão ou milho de lado, por exemplo. A ideia é aproveitar melhor a capacidade produtiva da fazenda”, explica o consultor.
São alternativas de trabalho que não exigem um grande esforço. “Muitas vezes, o produtor paga seus funcionários por dia de trabalho e, dependendo das tarefas, sobram horas. Por isso, a criação dessa diversificação de culturas se torna uma oportunidade para um melhor emprego da mão de obra.”
Maracujá pode ser uma boa opção para diversificação em áreas de café (Fonte: Revista Campo e Negócios)
Outra opção são as hortaliças, que garantem a alimentação da família na propriedade e também das equipes de trabalhadores. Nesse caso, a mão de obra também é menos penosa e menos onerosa, além da atividade ser bem rentável, porque o ciclo é mais curto.
Também é importante se atentar para o fato de que é possível garantir uma redução de cerca de 20% dos custos com alimentação de pessoal.
Utilizando ferramentas de gestão, fica fácil mensurar esses resultados positivos, inclusive. “Com o Aegro, fica otimizada esta avaliação dos benefícios, já que é possível registrar tudo e obter uma análise do cenário de gestão”, explica o consultor.
Geração de resultados
Em muitos casos, o produtor rural pode se ver diante da perda de rentabilidade por fatores alheios à sua vontade. Por isso, cabe ao consultor pôr em prática seus conhecimentos para levar resultados importantes para o cliente.
A proposta, explica Douglas, é lançar mão de ideias que não sejam fantasiosas, mas sim de fácil implantação, capazes de gerar resultados perceptíveis e a curto prazo.
Portanto, trata-se de um processo de trabalho que deve ser incluído na forma de atuar do consultor rural.
Ao ser contratado, ele deve sempre estar atento às oportunidades que a rotina do cliente e suas necessidades podem proporcionar na economia, na geração de boas iniciativas e no resultado de umagestão mais eficiente da fazenda.
O objetivo é estar ciente que se você, consultor, foi contratado, é porque seu cliente está passando por dificuldades ou tem dúvidas sobre como potencializar seus resultados.
“É preciso estar sempre atento, se organizar, ler muito e conhecer outras experiências. Assim, o profissional de consultoria personaliza seu trabalho com boas práticas que vão gerar economia e ótimos resultados”, diz o consultor.
“São ações deste tipo que ampliam a confiança do cliente no seu trabalho, o colocam em destaque no mercado e fazem o diferencial entre os seus concorrentes,” explica Rathke.
Como montar um projeto de diversificação de culturas na fazenda
Alternativas que efetivamente permitam a diversificação podem parecer um desafio da agricultura moderna. Entretanto, se observados alguns aspectos, fica claro identificar como montar um bom projeto de plantio.
O primeiro passo é avaliar se o ambiente é favorável à diversificação. Segundo o consultor Douglas Rathke, é quase certo que ocorra uma resposta positiva, pois depende muito do desejo do produtor em obter mais lucratividade para seu negócio.
Se ele tem consciência de que a diversificação vai lhe promover benefícios, o próximo passo é definir em que parte da propriedade será implantada essa diversificação.
Em seguida, deve-se definir quais serão os cultivos – hortaliças, leguminosas ou frutíferas, por exemplo.
O ideal aqui é garantir um baixo investimento. Isso é essencial e também uma das estratégias que dão sustentação dessa novidade na rotina da propriedade.
A partir daí, é dar o andamento devido ao plantio e esperar pelos bons resultados. Enquanto isso, já vale elaborar um plano de ação para a comercialização destes produtos.
Conclusão
A produção de grandes culturas não precisa eliminar possibilidades de um cultivo em menor escala de outro tipo de plantação.
Cabe ao consultor demonstrar ao seu cliente ideias que possam ajudar para que, além da busca pela eficiência, seja possível promover uma gestão inteligente.
Com boas práticas, é possível garantir a sustentabilidade ambiental e também financeira de uma lavoura.
Neste artigo, mostramos como o consultor pode ajudar o produtor a diversificar as culturas agrícolas da fazenda e por onde começar.
Além dos cuidados básicos para a manutenção da qualidade dos grãos, não esqueça de monitorar a temperatura e aeração de seu ambiente de armazenamento.
Quando for armazenar seus grãos, siga esta regrinha:
(UMIDADE RELATIVA DO AR (%) + TEMPERATURA (°C)) < 55,5 = ARMAZENAMENTO SEGURO
Fatores que determinam a qualidade de grãos
A qualidade de grãos pode ser determinada por alguns fatores, que podem ocorrer tanto no campo quanto na pós-colheita.
Você pode realizar algumas destas análises em sua fazenda ou em laboratórios parceiros após realizar a amostragem de seus grãos.
Veja os principais fatores utilizados no setor para determinação da qualidade de grãos e onde você pode realizar essas avaliações:
teor de água – pode ser realizado na fazenda utilizando medidores de umidade portáteis.
determinação de grãos com danos mecânicos – pode ser feito com o Kit da Embrapa ou testes rápidos.
determinação de impurezas: para resultados mais precisos, o indicado é que você realize em um laboratório parceiro.
presença de grãos avariados e com outros defeitos: você pode realizar em um laboratório parceiro.
determinação de óleo e proteína: pode ser feito em um laboratório parceiro.
presença de pragas e doenças: vocêpode realizar em sua fazenda com testes rápidos. Para testes mais específicos, como de patologia, faça em um laboratório parceiro.
determinação das características nutricionais: pode ser realizado em um laboratório parceiro.
No momento da avaliação, lembre-se de considerar fatores como as especificidades da espécie, condições climáticas e manejos adotados durante a produção dos grãos.
Contudo, é importante ressaltar que as avaliações realizadas no campo são apenas para o monitoramento de seus grãos.
Para determinação da qualidade dos grãos com laudo, você deve enviar suas amostras para um laboratório credenciado.
Quais são as características desejáveis de um grão com valor comercial?
As características desejadas para grãos são variadas de acordo com as espécies.
Algumas culturas possuem classificação própria que determinam o valor comercial de cada lote.
De modo geral, são considerados grãos de qualidade aqueles que possuem resultados satisfatórios quanto as avaliações citadas acima, ou seja:
grãos com baixo teor de água;
baixa porcentagem de danos mecânicos (grãos quebrados/trincados);
porcentagem de impurezas aceitáveis, de acordo com a legislação (que varia para cada espécie).
bons teores de óleo e proteína;
ausência de pragas e doenças;
ausência de grãos avariados e com outros defeitos;
características nutricionais elevadas.
Requisitos para a determinação da qualidade de grãos
A determinação da qualidade dos grãos deve ser realizada por um laboratório especializado.
Esse laboratório irá gerar um laudo de classificação preenchido com todas as informações sobre a amostra dos grãos.
Após as comparações com as tabelas do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), será liberado o resultado com o preenchimento do Laudo de Classificação de Grãos.
Enfezamento do milho: principais sintomas, medidas de prevenção à doença e as formas de controle mais indicadas
O enfezamento do milho vem ganhando cada vez mais importância devido aos plantios consecutivos da cultura.
A doença pode reduzir muito a produção de grãos, colocando todo o resultado da safra a perder.
Por isso, é importante conhecer as medidas de prevenção e controle da doença, que envolvem também o manejo correto da cigarrinha-do-milho, principal transmissora dos enfezamentos. Confira!
Importância do enfezamento do milho
Há alguns anos, o enfezamento não era considerado uma doença de grande importância para as lavouras de milho.
Mas, com a expansão da área cultivada e plantios contínuos, que proporcionam ter a cultura durante boa parte do ano, essa doença começou a ter alta incidência e perdas consideráveis na lavoura.
Há relatos de que o enfezamento do milho pode causar perdas e reduzir a produção de grãos em até 70%. Algumas publicações falam até em perda total da produção.
O enfezamento é causado por patógenos da classe dos molicutes e tem como vetor a cigarrinha-do-milhoDalbulus maidis.
Em 2020, houve vários relatos das altas populações de cigarrinha nas lavouras, o que favorece sua disseminação em plantios tardios (até de uma safra para outra) e a ocorrência da doença.
Existem dois tipos de enfezamento na cultura do milho:
enfezamento amarelo, causado por espiroplasma Spiroplasma kunkelii.
Vou explicar melhor os sintomas e características de cada um deles a seguir!
Enfezamento vermelho do milho
Como sintoma do enfezamento vermelho, pode ser observada a clorose marginal nas folhas do cartucho, que depois segue para avermelhamento das folhas inferiores e diminuição das mesmas.
Sintomas enfezamento vermelho – A- estrias cloróticas, B – Estrias avermelhadas (Fonte: Janine Palma em Mais Soja)
Nas plantas infectadas também pode ser observado maior número de espigas, que produzem pouco ou nem produzem grão.
Também podem ser observadas redução do porte da planta e redução do tamanho dos entrenódios.
Enfezamento pálido do milho
O enfezamento pálido, também chamado de enfezamento amarelo tem sintomas iniciais de clorose mais acentuada na base foliar (estrias cloróticas claras da base para o ápice das folhas). Este é o sintoma que o difere do enfezamento vermelho.
Os sintomas dos enfezamentos podem ser confundidos, mas também podem ocorrer simultaneamente, pois a planta pode desenvolver o enfezamento vermelho e pálido ao mesmo tempo.
(Fonte: Rodrigo Véras da Costa em Embrapa)
Sintomas dos enfezamentos vermelho e pálido:
Os principais sintomas de ambos os enfezamentos são:
redução do porte das plantas;
avermelhamento ou estrias cloróticas claras nas folhas;
maior espigamento, mas as espigas têm pouco ou nenhum grão;
grãos chochos;
encurtamento de entrenódios;
falhas na granação dos grãos;
redução da produtividade.
Enfezamento e o problema da cigarrinha-do-milho
Como já mencionei acima, a cigarrinha-do-milho é o vetor dos enfezamentos. Além disso, sua presença também pode causar danos nas plantas de milho pela sucção de seiva (dano direto – inseto sugador). Mas é como vetor que ela apresenta sua maior importância (dano indireto).
Além dos enfezamentos vermelho e pálido que a cigarrinha transmite, ela também pode ser vetor do vírus da risca do milho (Maize rayado fino virus – MRFV).
Na fase adulta, a cigarrinha apresenta coloração amarelo-palha, de tamanho pequeno com cerca de 4 mm.
Como característica para a diferenciar de outras cigarrinhas da cultura do milho, ela apresenta duas manchas circulares negras bem marcadas no alto da cabeça.
O ciclo da cigarrinha, de ovo a adulto, é influenciado pela temperatura, mas dura em média 25 dias, como você pode conferir no esquema abaixo:
Mas como ocorre a transmissão do enfezamento pela cigarrinha-do-milho?
Explicando de forma breve, quando a cigarrinha se alimenta de plantas doentes com enfezamento, pela sucção da seiva, adquire o espiroplasma, fitoplasma ou os dois.
A infecção normalmente ocorre em plantas jovens, mas os sintomas aparecem quando já estão adultas.
Um ponto importante é que as cigarrinhas podem migrar para longas distâncias, inclusive de uma lavoura para outra de milho, transmitindo o enfezamento,
O hospedeiro da cigarrinha é o milho, por isso, o cultivo durante vários períodos do ano e as plantas tigueras favorecem a presença do vetor e da doença na cultura.
Agora que conhecemos mais sobre os sintomas e o vetor do enfezamento do milho, vamos discutir como prevenir e manejar a doença!
Como prevenir o enfezamento do milho na sua lavoura
No planejamento da lavoura de milho, é muito importante pensar em como prevenir as doenças da cultura. Algumas medidas preventivas do enfezamento do milho são:
evitar o plantio próximo de áreas com milho mais velhas, que podem favorecer a presença da cigarrinha e da doença;
evitar plantios consecutivos de milho na mesma área;
sincronizar a época de semeadura do milho (em regiões com histórico de enfezamento);
evitar plantios tardios, para que o desenvolvimento vegetativo das plantas não coincida com o período de maior infestação da cigarrinha;
eliminar a presença de plantas voluntárias (tigueras) na área, pois elas servem como hospedeiras e favorecem a sobrevivência do vetor e da doença;
utilizar rotação de culturas, para não ter áreas com cultura de milho após milho.
Como controlar o enfezamento do milho
O manejo do enfezamento do milho tem que englobar medidas preventivas e de controle. Entre as medidas de controle estão:
uso de cultivares tolerantes ou resistentes ao enfezamento do milho;
monitoramento do vetor na plantação;
controle químico para o vetor, lembrando que esse manejo pode não ser eficiente para a cigarrinha do milho. Isso ocorre devido à rapidez da transmissão da doença para as plantas de milho, pois o vetor pode infectar plantas antes do controle da cigarrinha e pela entrada contínua na plantação;
Ou seja, recomenda-se realizar o manejo integrado, utilizando várias medidas de controle e de prevenção da doença na lavoura de milho.
Para te ajudar no monitoramento e controle da cigarrinha-do-milho, separei uma planilha gratuita. Para baixar, clique na imagem a seguir!
Caso vá utilizar inseticidas para controle, verifique quais são registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para a doença e para a cultura (Agrofit). Para te auxiliar no manejo, procure um(a) agrônomo(a).
Conclusão
Muitas doenças podem afetar a cultura do milho. Mas, nos últimos anos o enfezamento vem ganhando importância, principalmente devido a plantios consecutivos da cultura.
Neste artigo, abordamos os dois tipos de enfezamento do milho: pálido e vermelho.
Você conferiu quais são os sintomas que permitem identificar a doença na lavoura e o que fazer como medida de prevenção.
Também aprendeu sobre a transmissão do enfezamento através de seu principal vetor, a cigarrinha-do-milho, e as medidas de controle do inseto e da doença.
Com essas informações, espero que você faça o manejo adequado e reduza as perdas na sua lavoura com enfezamento do milho.