Entenda como a biotecnologia no algodão pode melhorar o controle de Spodoptera e Helicoverpa na sua lavoura

Biotecnologia no algodão: como novas cultivares Bt podem ser eficientes e trazer resultados mais positivos à produção

Diversos desafios são enfrentados pelo produtor para tirar da lavoura o máximo lucro. 

Os custos com aplicações de defensivos no controle de pragas e doenças podem representar uma fatia grande do orçamento, isso sem contar com possíveis danos ambientais e de saúde dos trabalhadores. 

Na cotonicultura, a tecnologia Bt pode ajudar a controlar duas pragas que dão muita dor de cabeça: Spodoptera frugiperda e Helicoverpa.

A seguir, entenda melhor como a biotecnologia no algodão pode ser benéfica para diminuir custos e melhorar a produtividade da sua lavoura!

A biotecnologia e o controle de pragas da lavoura

A biotecnologia vem auxiliando de forma estratégica no melhoramento de diversos setores. Com o setor primário não seria diferente. 

Plantas tolerantes à seca, ao ataque de pragas, resistentes a doenças, entre diversas outras características que vemos em inúmeras cultivares, estão ligadas aos processos de melhoramento vegetal e ao avanço da biotecnologia na agricultura.

Mas e o que é biotecnologia? A biotecnologia é um conjunto de técnicas que utilizam organismos no desenvolvimento de novos produtos, em geral modificando o material genético do produto foco. Daí vem o nome Organismos Geneticamente Modificados, os famosos OGMs.

A biotecnologia ocupa espaço importante na produção de novas cultivares. Estudos na área permitem a identificação e seleção de genes de interesse que são capazes de expressar características agronômicas desejáveis e melhorar a produção e a produtividade.

Como o avanço das pragas e doenças no campo é muito rápido, assim também precisa ocorrer o desenvolvimento de plantas que sejam resistentes e/ou tolerantes a determinado organismo. 

Além desta maior rapidez, a biotecnologia auxilia em transformações mais estáveis, o que pode conferir maior duração das características desejadas no campo. 

Não podemos esquecer que pragas e doenças também evoluem com o passar dos anos e desenvolvem estratégias genéticas para superar a resposta do sistema imune das plantas.

A tecnologia Bt utiliza os genes da bactéria de solo Bacillus thuringiensis. Essa bactéria produz proteínas tóxicas que determinam a morte de determinados tipos de insetos. Quando introduzido no material genético da planta, essas proteínas conferem ação inseticida.

imagem que representa laboratório - biotecnologia no algodão

(Fonte: Tecnologia Cultura)

Biotecnologia no algodão

A cotonicultura é uma cultura de alto valor no Brasil, sendo nosso país o quinto maior produtor e segundo maior exportador do mundo. 

Diversas pragas e doenças atacam as plantas do algodoeiro, mas as que causam danos diretos, no botão floral, são as de maior importância na cultura.

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a lagarta Helicoverpa (Helicoverpa armigera) são dois exemplos de pragas que determinam enormes perdas na lavoura.

Essas lagartas podem danificar tanto plantas jovens quanto folhas, botões florais e as maçãs em desenvolvimento. 

Esses danos irão acarretar diminuição da produção e redução da qualidade das fibras.

foto de Helicoverpa em maçã de algodão

Helicoverpa em maçã de algodão 
(Fonte: Embrapa)

O algodão Bt traz em seu material genético a resistência ao ataque destas pragas de forma mais estável e duradoura. 

Mas não é de hoje que o algodão Bt está no campo. O primeiro algodão transgênico foi aprovado no Brasil em 2005 pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). 

De lá para cá, muitas proteínas foram descobertas e, recentemente, novas cultivares foram lançadas no mercado.

Vantagens do algodão Bt

O algodão Bt traz vantagens para quem está no dia a dia na lavoura:

  • possui ação inseticida permanente na planta;
  • menores custos de aplicações;
  • menores danos nas plantas e, consequentemente, menor a perda econômica do cultivo;
  • menor agressão ambiental e de exposição dos trabalhadores rurais devido aos menores volumes de inseticidas aplicados.

Desvantagens do algodão Bt

  • mais investimento para aquisição das sementes.
  • manejo específico na aplicação da tecnologia.

Algodão Bt e controle das pragas Spodoptera e Helicoverpa

Recentemente foi lançada a biotecnologia Widestrike®3, na verdade em sua terceira geração.

Desenvolvida pela Corteva Agriscience e a Tropical Melhoramento & Genética (TMG), chega aos produtores na safra 2020/2021 com a promessa de alta produtividade e controle de amplo espectro das lagartas que atacam a cultura. 

As cultivares trazem no código genético modificado três proteínas das bactérias Bacillus thuringiensis, ou seja conteúdo Bt. 

A ação conjunta das proteínas Cry1F, Cry1Ac e Vip3A conferem às plantas potencial inseticida à Spodoptera e à Helicoverpa, simultaneamente.

Serão duas cultivares oferecidas no mercado com esta tecnologia: 

  • TMG 50WS3 – mais precoce, alto potencial produtivo, tolerância à ramulária e qualidade de fibra
  • TMG 91WS3 – alto teto produtivo, ampla adaptabilidade e elevado peso de capulho.

Estas cultivares são indicadas para os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo.

Ao utilizar desta tecnologia, existem ainda recomendações fundamentais quanto ao manejo destas plantas no campo:

Consulte sempre o técnico responsável pelo acompanhamento da sua lavoura para maiores orientações!

Como escolher a melhor cultivar de algodão para sua lavoura

Para escolha da melhor cultivar para plantio do algodão, existem diversas características edafo-climáticas que devem ser consideradas. 

Abaixo listamos algumas das mais importantes:

  • rendimento de fibra
  • produtividade ou rendimento de pluma
  • nível de resistência e tolerância a doenças e ao ataque de insetos
  • adaptabilidade ao clima da região
  • necessidades nutricionais 
  • necessidades de rega
  • rusticidade

Uma condição bastante relevante que você pode considerar na sua tomada de decisão é a presença de ensaios técnicos e de campos experimentais na sua região. 

Observe quais cultivares deram certo nestes casos e apresentaram bons resultados das características citadas acima. Isso pode ajudar a escolher a melhor cultivar de algodão para sua propriedade.

E lembre-se: o cultivo dentro do zoneamento agroclimático também deve ser considerado na sua escolha. Isso porque, além de já atestadas as melhores condições para produção, irá influenciar na tomada de seguro agrícola no caso de sinistro.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O desenvolvimento da biotecnologia vem avançando a passos largos para auxiliar os produtores de algodão no seu sucesso na lavoura. 

Como vimos neste artigo, novas cultivares já trazem tecnologia suficiente para controlar de forma eficaz pragas como a Spodoptera frugiperda e a Helicoverpa.

Discutimos ainda as características que você deve considerar para a escolha de melhor cultivar para a lavoura.

Com as informações passadas aqui, espero que você aproveite todo o esforço científico investido, otimize as atividades rotineiras no campo e maximize seus ganhos no final da safra!

Você já utilizou cultivares Bt na sua fazenda? Restou alguma dúvida sobre biotecnologia no algodão? Vamos continuar essa conversa nos comentários abaixo!

O que você precisa saber para definir o melhor espaçamento para plantio de café

Espaçamento para plantio de café: entenda quais fatores considerar na hora de escolher o espaçamento do seu cafezal.  

Ao longo dos últimos anos, a cafeicultura nacional vem evoluindo, adotando novas práticas e, por consequência, produzindo mais.

Isso acontece porque passamos a entender melhor o sistema produtivo como um todo,  desde a população de plantas até o manejo. Em outras palavras, estamos cuidando melhor dos nossos pés de café.

Uma das mudanças que contribuíram de maneira mais significativa para essa evolução foi a mudança do espaçamento para o plantio do café. Pode parecer um detalhe apenas, mas isso contribuiu, e muito!

Separei algumas informações sobre o espaçamento do cafezal, como isso pode influenciar no dia a dia da propriedade e na produtividade da lavoura. Confira a seguir!

Espaçamento para plantio do café: um pouco de história 

Antigamente, media-se o espaçamento para plantio de café em palmos. Depois, adotaram-se os espaçamentos bem largos, de 3 m x 4 m, 4 m x 4 m e por aí vai, similar a um pomar de laranja. 

Eram poucas plantas por hectare, às vezes, mais de uma planta por cova.

foto em preto e branco de cafezal antigo com espaçamentos mais largos
Cafezal antigo com espaçamentos mais largos
(Fonte: IBGE cidades)

Aos poucos, foi adensado o cafezal e passou-se a produzir em renques (linhas de café). 

Isso gerou enormes ganhos na população de café por área plantada – passamos de menos de 1.000 planta/ha para 3.000 ou mais –  e, consequentemente, na produtividade do cafezal.

foto de cafezal plantado em renques, espaçamento atual - espaçamento para plantio de café
Cafezal plantado em renques, espaçamento atual
(Fonte: Valor Econômico)

Passamos a produzir menos por planta, mas mais por área. E isso foi uma grande vantagem, que culminou nos espaçamentos para plantio de café atuais. 

Mas você já se perguntou o que muda com um espaçamento mais ou menos adensado? Como a cultivar de café influencia nisso ou ainda as implicações no manejo?

Bem, é isso que pretendemos responder a seguir. 

O que considerar na escolha do espaçamento para plantio de café?

De forma resumida, é preciso ter em mente que quatro coisas andam juntas: o espaçamento, a população de plantas, a cultivar de café e a mecanização da lavoura. 

Esses pontos devem ser considerados e ponderados para que o espaçamento para  plantio de café seja o melhor possível para evitar problema indesejados ao longo da vida útil do cafezal.

População de plantas 

O espaçamento refere-se à distância entre plantas na linha e à distância entrelinhas (o tamanho da rua). Geralmente a distância das plantas na linha varia entre 50 cm e 1 metro; e de 1,5 m a 4 metros na entrelinha, de acordo com o sistema.

Isso dá uma variação entre 2.500 e 13.000 plantas por hectare!

O espaçamento para plantio de café define, portanto, a população de plantas da área e o adensamento do cafezal. 

Podemos classificar os sistemas quanto à população de plantas e adensamento da seguinte maneira:

  • tradicional: até 3.000 plantas/ha.
  • semiadensado: de 3.000 a 5.000 plantas/ha.
  • adensado: de 5.000 a 10.000 plantas/ha.
  • superadensado: até 10.000 a 20.000 plantas/ha.
  • hiperadensado: acima de 20.000 plantas/ha.

Sistemas mais adensados usam espaçamentos menores e tem maior população. Os menos adensados, espaçamentos maiores e menores populações.

Cabe lembrar que uma mesma população de plantas pode ser resultado de espaçamento diferentes. 

Para calcular a população de plantas a partir do espaçamento basta multiplicar a distância entre plantas na linha pela distância na entrelinha, tudo em metros. E dividir 10.0000 por esse valor. Por exemplo:

cálculo da população de plantas a partir do espaçamento, sendo espaçamento de 70 centímetros por 3,5 metros. 0,7 x 3,5 = 2,45
10.000/2,45 = 4081 plantas por hectare

Cultivar de café

Existem inúmeras cultivares de café disponíveis no mercado, já comentamos sobre a escolha delas em outro artigo aqui no blog da Aegro. Confira: “Variedades de café mais produtivas: como escolher a melhor para a sua propriedade”

Quanto a sua influência sobre o espaçamento, o mais importante é considerar o porte e vigor da cultivar.

Cultivares mais altas e vigorosas, como Mundo Novo, necessitam de maior espaçamento entre plantas na linha, acima de 70 cm.  Se usarmos espaçamentos menores, a tendência da planta é estiolar e ficar ainda mais alta. 

Isso aumenta a necessidade de podas para adequar a arquitetura da planta e também os riscos de quebra/tombamento com ventos. 

O problema é maior em regiões mais quentes onde a taxa de crescimento é mais elevada.

Cultivares de porte menor podem ser utilizadas em uma faixa mais ampla de espaçamentos entre plantas.

Mecanização da lavoura

Bem, para uma lavoura mecanizada, o espaçamento entrelinhas deve permitir o tráfego das máquinas

Deve-se considerar o diâmetro da copa da cultivar e o tamanho do trator e implementos. Nesses casos, geralmente adota-se algo entre 3 m e 4 m.

Por outro lado, em locais onde não é possível a mecanização e propriedades que colhem manualmente, talvez a melhor opção seja diminuir o espaçamento entrelinhas, adensando o cafezal e colhendo mais, na área. Nesse caso, o espaçamento seria 2 m a 2,5 m.

Esse maior adensamento aproveita melhor a área, aumenta a reciclagem de nutrientes, a produtividade e o retorno do capital investido é mais rápido.

Por outro lado, o investimento inicial é maior, os custos com colheita e podas também, além da maior incidência de doenças.

Espaçamento para plantio do café canephora 

O que conversamos até agora é válido para café arábica e canephora. Mas algumas particularidades do canephora devem ser ressaltadas.

Nas lavouras de café canephora, bons resultados têm sido obtidos com espaçamento de 3 m entrelinhas e 1 m a 1.2 m entre plantas, o que resulta em 2.700 a 3.300 planta/ha. Uma média de 3.000 plantas/ha, abaixo do utilizado para arábica.

Contudo, a planta de café canephora – robusta ou conilon – é multicaule, isso significa que mais de um ramo ortotrópico é conduzido por planta e isso contribui para a produtividade da lavoura. 

Por essa razão, definido o espaçamento ideal, é mais importante controlar a população de hastes ortotrópicas na área. Geralmente são 4 a 5 hastes por planta, resultando em uma população de 12 mil a 15 mil hastes/ha.

Em locais mais férteis e de alta tecnologia, pode-se aumentar a população de plantas e diminuir de hastes (3 a 4/planta) o que dá bons resultados e facilita o manejo, segundo a Incaper. 

Por outro lado, locais menos férteis podem trabalhar com populações de hastes mais altas, de 16 a 20 mil/ha.

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Conclusão

Como pudemos conferir ao longo do texto, o espaçamento para plantio de café não é uma simples receita de bolo a ser seguida em todas as situações. 

É preciso prestar atenção nos fatores que influenciam ou sofrem influência do espaçamento para escolher.

De antemão, o clima local, a declividade da área, bem como se a colheita é manual ou mecanizada podem determinar o espaçamento. Além disso, o porte da cultivar também deve ser considerado nessa hora.

O espaçamento define a população de plantas da área. E, adotando-se um espaçamento mais ou menos adensado, o manejo de podas, sanitário e até nutricional do cafezal será diferente e deve ser ajustado de acordo.

A determinação do espaçamento para plantio de café deve ser feita de maneira consciente, pois determinará grande parte do manejo ao longo da vida útil do cafezal. Fazendo da maneira correta, não teremos dor de cabeça!

>> Leia mais:

“10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café”

Como melhorar a plantabilidade e corrigir falhas e duplas na lavoura”

“Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle”

E você, o que achou do texto? Restou alguma dúvida sobre espaçamento para plantio do café? Conte para gente nos comentários. Grande abraço e até a próxima!

Tipos de grãos de milho: tudo o que você precisa saber para fazer a escolha certeira

Tipos de grãos de milho: conheça as características e veja como cultivar melhor cada uma delas

O milho é o cereal mais produzido no mundo, sendo utilizado na indústria e alimentação humana e animal, para consumo in natura ou processado. 

Muita dessa sua versatilidade se deve aos diferentes tipos de grãos que essa cultura apresenta. 

Você já deve ter notado as diferenças visuais e de utilização que cada um dos tipos apresenta, mas sabe o que define cada um?

Neste artigo, confira as características de diferentes tipos de grãos de milho e como cultivar melhor cada uma delas! 

Diferentes tipos de grãos de milho e suas características

Os grãos de milho são classificados em cinco tipos, de acordo com seu formato e composição, sendo denominados: dentado, duro, farináceo, pipoca e doce.

Um fator importante para entender a classificação dos tipos de grãos é conhecer o endosperma presente em cada tipo. 

O endosperma é o tecido de reserva dos grãos e representa cerca de 83% da matéria seca total do grão. 

No caso do milho, essas reservas são basicamente amido e proteína. Dependendo da forma como o amido e a proteína se organizam, o endosperma pode ser considerado córneo (duro) ou amiláceo (farináceo), como você pode ver na figura abaixo:

ilustração com tipos de grãos de milho e as relativas proporções do endosperma farináceo e vítreo

Tipos de milho e as relativas proporções do endosperma farináceo e vítreo
(Fonte: adaptado de Pereira e Antunes, 2007, via Pubvet)

Vamos agora conhecer melhor cada um dos cinco tipos de grãos de milho?

1 – Milho dentado

O milho dentado, “Dent Corn”, possuiu seu endosperma duro nas laterais e farináceo no centro. Isso faz com que, ao desidratar, o grão forme uma depressão na região da coroa (parte superior do grão) e fique com o seu formato semelhante a um dente. 

Pode apresentar bastante variação na coloração, indo do branco e amarelo até tons mais avermelhados e marrons.

É amplamente utilizado na nutrição animal e indústria, para produção de álcool e xaropes.

Caso sua produção seja para silagem, é muito importante ficar atento à adubação nitrogenada e potássica, nutrientes mais exportados pela planta. Isso porque, ao remover a planta inteira da lavoura, seu solo precisará de maior reposição desses nutrientes.

2 – Milho duro

Nesse tipo de grão de milho, o endosperma duro, além de estar em maior proporção em relação ao amiláceo, recobre toda a superfície do grão. Isso confere firmeza e um aspecto liso e brilhante

Esse tipo de milho possui grãos grandes e de coloração laranja-avermelhada.

Devido a essas características, o grão duro ou “Flint Corn”, possui um bom rendimento para indústria, sendo amplamente utilizado na fabricação de canjicas, fubás, snacks, massas, cervejas, condimentos, etc.

3 – Milho farináceo

O milho farináceo, como o próprio nome sugere, possui seu endosperma mole, ou seja, farináceo. 

Seus grãos são de coloração branca e amarela, possuem sabor suave e adocicado, além de textura macia.

A maciez desse grão favorece sua moagem e possibilita uma alta extração de amido. Por isso, é ideal para a produção de farinhas, sendo muito utilizado na produção de pães e biscoitos. 

Essas características ainda o tornam uma boa opção para produção de alimentos sem glúten.

4 – Milho-pipoca

O milho do tipo pipoca possui espigas menores, grãos duros e pequenos e, em sua maioria, cor amarelo-alaranjada. 

Seu pericarpo (casca) duro de alta resistência e o teor de água e óleo no interior do grão fazem com que, ao ser aquecido, a pressão no interior do grão aumente. Assim, ele expande até estourar. Esse tipo, você já sabe a finalidade, não é mesmo?

Essa sua principal característica, a expansão, é fator importante para determinar o valor comercial. Quanto maior sua capacidade de expansão, maior o valor, pois isso significa uma pipoca grande e macia.

Produção de milho-pipoca

Para garantir uma produção de qualidade, é muito importante que você escolha variedades específicas para o cultivo de milho-pipoca.

Como comentei acima, é preciso que ele tenha uma boa capacidade de expansão, sendo desejável acima de 21 mL/mL. Variedades com excelente capacidade de expansão ficam acima de 26 mL/mL.

Outro fator importante é que, como o milho-pipoca normalmente não é transgênico, é preciso ficar ainda mais atento ao controle de pragas. As principais são a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), das espigas (Helicoverpa zea) e os percevejos.

Além disso, o cultivo do milho-pipoca exige uma qualidade ainda maior nas operações de colheita e secagem, para garantir a qualidade do produto final. 

Esse fator tem feito os produtores investirem mais em tecnologia, optando por colhedoras cada vez mais precisas e secadores de grãos mais modernos.

5 – Milho-doce ou milho-verde

Esse tipo é oriundo de uma mutação genética, fazendo com que no interior do endosperma ocorra a produção de fitoglicogênio em vez de amido. Isso confere a esse tipo de grão o sabor adocicado. 

Possui coloração amarela, formato ovalado e miolo translúcido.

Devido ao seu sabor, pericarpo fino e textura macia, o milho-doce, também conhecido como milho-verde, é utilizado basicamente para a alimentação humana. Por ter baixo teor de amido, também favorece o processo de enlatamento, pois não torna o caldo turvo. 

Produção de milho-doce

A produção de milho-verde é uma ótima alternativa para pequenos produtores, pois é um cultivo que não necessita de mecanização.

Para produzir espigas maiores e mais cheias, com maior valor de mercado, a densidade de semeadura desse cultivo deve ser menor, ficando em torno de 50 mil plantas/ha. 

O espaçamento entre linhas deve ficar em torno de 0,9 m a 1 m, o que além de proporcionar um bom desenvolvimento, facilita a entrada de pessoas na lavoura.

Para qualquer produção de milho, é preciso atenção à disponibilidade hídrica, mas para o milho-verde isso se torna ainda mais relevante. 

A falta de água em momentos-chave, como o embonecamento, pode afetar o número de grãos que irão se formar, provocando uma espiga com falhas no preenchimento. Tal condição, além de diminuir a produtividade, também acarreta menor valor comercial.

Outro fator que merece atenção redobrada é o ataque de lagartas como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a das espigas (Helicoverpa zea).

Para garantir a maciez ideal do produto final, a colheita desse tipo de milho deve ser realizada na fase de grão leitoso.

Uma boa dica para identificar esse momento é observar se os estigmas (cabelos) já possuem coloração marrom e aspecto seco.

Agora que você  já sabe as principais diferenças entre os tipos de grãos, vamos falar sobre estratégias para alcançar um bom rendimento na sua lavoura?

Como escolher o tipo de grão de milho e planejar sua lavoura

É aqui que você deve definir quais dos tipos de grãos se enquadram melhor na sua realidade e finalidade de produção. Para isso, você pode seguir algumas dicas:

  • Avalie o mercado da região: existe demanda para esse tipo de grão? Como e para onde irá escoar a produção?
  • Quais as características físicas da sua propriedade?
  • Você possui mão de obra, maquinário e possibilidade de investimento para qual tipo de produção?

Definido qual o tipo de grão você vai produzir, começa o planejamento da lavoura

Para isso, fique atento à época ideal de desenvolvimento da cultura e, para minimizar o risco da sua produção, sempre siga o zoneamento agrícola.

  • Escolha a cultivar de acordo com sua finalidade de produção, nível de investimento, e condições climáticas e sanitárias da região. Lembre-se sempre de seguir as recomendações do obtentor.
  • Prepare o solo de 3 a 6 meses antes do plantio: faça análise de solo e contate seu engenheiro-agrônomo para a recomendação de adubação e correção da área. Trace estratégias para manter sua área livre de plantas daninhas, para proporcionar um bom desenvolvimento inicial da cultura.
  • Defina o arranjo de plantas: lembre-se sempre de seguir a orientação das cultivares e avaliar as condições ambientais do local. Se você fará um menor investimento em nutrição e o ano promete ser de chuva abaixo da média, uma boa estratégia é utilizar o limite inferior recomendado de densidade de plantas.
  • Regule o maquinário: isso é fundamental para garantir uma semeadura de qualidade.

Conclusão

O milho é uma cultura muito versátil, podendo ser utilizado para várias finalidades, é atualmente é o cereal mais consumido no mundo.

Nesse artigo vimos como é feita a classificação dos tipos de grãos de milho de acordo com sua composição e forma.

Também falamos sobre as características e algumas dicas de manejo do milho  dentado, duro, farináceo, pipoca e doce, além de como definir o melhor tipo de grão para a sua lavoura.

Você já escolheu qual dos tipos de grãos de milho vai produzir? Conte aqui nos comentários qual se enquadra melhor na sua propriedade!

O que você precisa saber sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos

Mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides e outros: como eles funcionam no combate às pragas da sua lavoura

Você sabe como exatamente funcionam inseticidas do tipo neonicotinoides, organofosforados e carbamatos?

O mecanismo de ação de um inseticida neurotóxico varia de acordo com o princípio ativo e grupo químico. 

Aqui você irá compreender melhor sobre os mecanismos de ação dos neonicotinoides, organofosforados e carbamatos. Eles agem no sistema nervoso dos insetos e é importante que você entenda o que os diferencia. Confira a seguir!

O que são os inseticidas neurotóxicos?

Existem diversos inseticidas no mercado agrícola com diferentes grupos químicos, que podem atuar sobre:

  • sistema nervoso e/ou a musculatura;
  • desenvolvimento e crescimento;
  • intestino médio;
  • respiração;
  • e alguns que têm ação desconhecida.

Os inseticidas neurotóxicos são aqueles que agem no sistema nervoso dos insetos. Mas não existe somente uma forma e sim várias delas.

O sistema nervoso é composto por células nervosas chamadas de neurônios, responsáveis pelas funções de sensação, coordenação e condução

Imagem ilustrativa de um neurônio

Imagem ilustrativa de um neurônio
(Fonte: Larry Keeley – YouTube)

Além dos neurônios, existem as células gliais que dão suporte, proteção e nutrição aos neurônios. 

O sistema nervoso central dos insetos fica localizado na parte ventral do corpo e consiste do cérebro ou gânglio, localizado na região central da cabeça, e uma série de gânglios da corda nervosa ventral ao longo do corpo. 

Imagem ilustrando o sistema nervoso central de um inseto ortóptero (em amarelo) - artigo sobre mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides

Imagem ilustrando o sistema nervoso central de um inseto ortóptero (em amarelo)
(Fonte: Larry Keeley – YouTube)

Os inseticidas neurotóxicos vão atuar no corpo dos insetos, perturbando as funções elétricas do sistema nervoso, como nas sinapses, por exemplo, onde agem os neurotransmissores para transmitir os impulsos nervosos. 

Dentre os inseticidas, existem vários grupos químicos com diferentes modos ou mecanismos de ação em alguma parte desse sistema. 

Além disso, dentre os grupos químicos, são diversos os ingredientes ativos, ou seja, diferentes estruturas moleculares para atuar com aquele mesmo princípio ativo.

Vou te explicar melhor sobre eles.

Mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides

Os neonicotinoides são inseticidas de ação sistêmica e de contato. Devido às suas características físico-químicas, podem penetrar nos tecidos das plantas após aplicação e translocar por todas as partes por meio dos vasos condutores de seiva. 

Independente da forma de aplicação, conseguem atingir toda a planta e agem nos organismos, principalmente, naqueles que se alimentam succionando os tecidos.

O mecanismo de ação dos neonicotinoides é a atuação como agonistas da acetilcolina. 

O que acontece é que, após ocorrer a sinapse (onde ocorre comunicação entre os neurônios), as moléculas inseticidas se ligam aos receptores nicotínicos da acetilcolina localizados no neurônio pós-sináptico. 

O resultado disso, é um estímulo constante da mensagem da acetilcolina no sistema, o que gera impulsos nervosos transmitidos continuamente, levando à hiperexcitação do sistema nervoso, com consequente paralisia e morte do organismo. 

Existem diferentes ingredientes ativos no grupo químico dos neonicotinoides que são: 

  • Acetamiprido;
  • Clotianidina;
  • Dinotefuran;
  • Imidaclopride;
  • Nitenpiram; 
  • Tiaclopride;
  • Tiametoxam. 
captura de tela da tabela de ingredientes ativos de neonicotinoides registrados no site do Mapa

Ingredientes ativos de neonicotinoides registrados no site do Mapa
(Fonte: Mapa)

Os mais utilizados e que têm maior número de produtos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) são acetamiprido, imidaclopride e tiametoxam.  

São utilizados em culturas muito distintas pelo fato de controlarem insetos polífagos, como mosca-branca, pulgões, cigarrinhas e percevejos. 

Como agem os inseticidas organofosforados e carbamatos

São inseticidas que agem por contato e ingestão, e inibem a ação da enzima acetilcolinesterase (que é responsável pela eliminação da acetilcolina no momento no estímulo nervoso).

As moléculas destes inseticidas apresentam conformações estruturais que permitem um encaixe na molécula de acetilcolinesterase.

Organofosforados: por meio do grupamento fosfato.

Carbamatos: por meio do grupamento carbamila.

A hidrólise, ou quebra, da molécula de acetilcolina no corpo do inseto acontece de forma lenta devido ao grupamento fosfato (organofosforados) e ao grupamento carbamila (carbamatos).

Em consequência, há acúmulo de moléculas de acetilcolina na sinapse, que também leva o inseto a uma hiperexcitação, com consequente morte de maneira rápida. 

Esses inseticidas foram muito utilizados até a década de 1990. Entretanto, com a descoberta de diversas outras moléculas atuando no sistema nervoso central dos insetos, e com risco de toxicidade mais baixo, o uso desses grupos químicos foi sendo reduzido.

Hoje, no site do MAPA, é possível encontrar diversos ingredientes ativos registrados dos organofosforados, mas um número bem reduzido de carbamatos. 

Principais ingredientes ativos dos organofosforados disponíveis comercialmente no mercado:

  • Acefato;
  • Cadusafós;
  • Clorpirifós;
  • Dimetoato;
  • Etoprofós;
  • Fenamifós;
  • Fenitrotiona;
  • Fosmete;
  • Fostiazato;
  • Malation.

Para o grupo químico dos carbamatos, existe apenas um ingrediente ativo disponível que é cloridrato de propamocarbe

Todos esses inseticidas são utilizados para o controle de um vasto número de pragas por agir de maneira bastante generalizada.

Além disso, os organofosforados agem como inseticidas, acaricidas, nematicidas e formicidas. 

captura de tela com tabela de ingredientes ativos de organofosforados registrados no site do Mapa

(Fonte: Mapa)

Vantagens e desvantagens dos inseticidas neurotóxicos

Mesmo sendo muito úteis na agricultura, os neonicotinoides, os carbamatos e os organofosforados têm suas vantagens e desvantagens. 

É importante que você se atente a essas informações para não cometer equívocos ao utilizar esses produtos.

Vantagens

  • Costumam ser baratos e de fácil aquisição;
  • São rapidamente absorvidos pela camada de cera da cutícula para entrar no corpo do inseto;
  • Rápida ação em pragas-alvo;
  • A maioria dos produtos tem boa persistência no campo;
  • Têm amplo espectro de ação e podem atingir várias espécies de insetos-praga.

Desvantagens

  • Por terem amplo espectro de ação, podem atingir organismos não-alvo como predadores e parasitoides. Isso quer dizer que, em sua maioria, não são inseticidas seletivos aos inimigos naturais;
  • Podem afetar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) se forem utilizados de maneira irracional;
  • Também podem causar distúrbios neurológicos em animais vertebrados, incluindo o homem;
  • A maioria persiste no ambiente e pode afetar os organismos não-alvo;
  • A exposição constante das pragas a esses inseticidas pode causar seleção de insetos resistentes;
  • Muitos neonicotinoides têm causado problemas em polinizadores, o que pode gerar um grande desequilíbrio. 
Banner planilha- manejo integrado de pragas

Conclusão 

Aqui você viu um pouco sobre três grupos químicos que agem no sistema nervoso dos insetos. Aprendeu sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos.

São inseticidas de rápida ação, mas que o seu uso tem vantagens e desvantagens.

Por isso, é muito importante que você analise bem a sua cultura, as reais necessidades de controle das pragas e quais as doses necessárias para aplicação no campo.

Lembre-se que utilizar inseticidas sem necessidade pode te causar alguns problemas. Se utilizados da maneira correta, podem te auxiliar na redução das pragas da área. 

>> Leia mais:

“Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura”

Restou alguma dúvida sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides? Deixe seu comentário e também assine a nossa newsletter!

Como obter mais sucesso na prospecção de clientes no agronegócio

Prospecção de clientes no agronegócio: confira os passos que podem te ajudar a melhorar a abordagem de vendas e ganhar novos parceiros!

Não existe uma fórmula mágica para conseguir novos clientes

Mais do que gerir bem a carteira de produtores que você atende, é preciso acompanhar as tendências e o comportamento do mercado, conhecer a fundo seu público-alvo, potenciais clientes e garantir a fidelização dos atuais.

Mas como ganhar mais espaço neste mercado de consultoria rural? Como alcançar o produtor “ideal” para seus serviços e conquistá-lo para que se torne um parceiro de seu trabalho?

Algumas dicas podem ajudar em todo esse processo! Por isso, conversamos com a consultora rural, Margareth Senne, autora de um programa de formação de consultores em gestão agrícola. Confira a seguir!

Prospecção de clientes no agronegócio

A prospecção de clientes é a primeira etapa de um processo de venda. Por meio dela, é possível identificar novas oportunidades de negócios e também produtores rurais com perfil para se transformar em cliente real.

É também uma etapa desafiadora, especialmente em tempos de crise. Por isso, quanto mais definidas suas ações, mais preciso pode ser esse processo.

Autora de um programa de formação de consultores em gestão agrícola, Margareth Senne cita alguns passos que podem ser seguidos para obter mais sucesso na prospecção de clientes no agronegócio:

  • conheça a fundo suas soluções e o seu mercado;
  • estabeleça um perfil de cliente ideal para a consultoria;
  • crie uma lista com os prospectos mais quentes
  • faça o primeiro contato com os potenciais clientes da lista; 
  • e use a tecnologia a seu favor, com ferramentas para conquistar o público-alvo.

Segundo ela, se antes da pandemia a busca por futuros clientes ocorria em maior quantidade em eventos, hoje a realidade é outra:

Margareth conta que já chegou a se deslocar de Uberlândia, onde mora, para participar de feiras agropecuárias no Paraná e no Rio Grande do Sul antes da pandemia. Hoje, o foco tem sido a prospecção via mídias sociais e eventos online. 

“Com todo mundo dentro de casa, as pessoas ficam mais propícias para receber ligações de quem elas não conhecem. Hoje eu prospecto clientes contando com agrônomos, corretores rurais, todos os profissionais que trabalham na cadeia do agronegócio, como fornecedores de vários serviços”, diz. 

“Muitas vezes ligo para presidentes de entidades como sindicatos rurais, que têm uma lista de contatos muito grande de produtores”, explica.

Como conseguir novos clientes para sua consultoria

Monte uma lista de contatos 

É importante que esses contatos sejam possíveis de serem conquistados! Para isso é essencial procurar por pessoas que possam vir a se interessar pelo produto ou serviço oferecido. 

Para chegar até uma lista ideal, vale responder perguntas como:

  • Quem compraria seus produtos e serviços? 
  • Onde encontrar essas pessoas? 
  • Que tipo de soluções estes possíveis clientes estão buscando? 
  • Qual é a melhor forma de divulgação para atingi-los?

Feito isso, vamos ao próximo passo!

Monte uma estratégia

Conhecendo seu público-alvo, siga para a definição de estratégias que serão usadas na prospecção. Como você estabelecerá contato com esse produtor?

Margareth conta que faz ligações e também envia mensagens diretas pelas redes sociais com objetivo de estabelecer uma relação cordial com seus possíveis clientes. 

Com sua lista em mãos, mantenha uma apresentação rápida sobre seus produtos e serviços também.

Aproveite as redes sociais

Elas são grandes aliadas neste período em que a informação é transmitida cada vez mais rápido. Mensagens diretas pelo Instagram e WhatsApp podem ser muito úteis. Questione, converse com o produtor e aguce a curiosidade deste potencial cliente. 

>> Leia mais: “Como divulgar sua consultoria rural nas redes sociais e atrair mais negócios”

Aumente sua presença social 

Faça palestras, participe de eventos pequenos ou virtuais, esteja conectado a tendências e ajude o produtor rural com a oferta de conteúdos gratuitos. Fale sobre assuntos do mundo do agronegócio, temas que interessem a seu público-alvo.

Tudo isso também agrega valor à sua consultoria e gera autoridade, ampliando sua presença social.

Faça dos seus resultados uma vitrine para novos clientes

Nem sempre é fácil garantir uma abordagem assertiva para atrair a atenção do produtor rural. 

Manter o interesse do prospecto e fazer com que ele deseje comprar os serviços oferecidos também é um desafio, mas que pode ser minimizado com uma boa pesquisa das necessidades do cliente. 

“Uma alternativa é questionar o produtor rural sobre suas necessidades, fazendo-o refletir a partir das respostas que ele mesmo dará a tudo que lhe foi perguntado,” orienta a consultora Margareth Senne.

A partir daí, é feita a entrega de benefícios e valor ao cliente, que deve ser compreendida com a realização de um bom trabalho, pois o cliente satisfeito vai te indicar para mais pessoas. 

Na entrega do trabalho, peça ao seu cliente indicações de, pelo menos, três produtores rurais. 

Faça fotos de tudo que foi executado, grave depoimentos e peça que esse produtor fale sobre sua consultoria para os amigos. 

Trabalhe com qualidade! Mesmo que seja algo pequeno, faça o seu melhor, porque os clientes também surgem passivamente quando você realiza um bom trabalho. 

E, se ficar aquela pergunta “como neutralizar possíveis objeções ao seu trabalho?” Reforce sua forma de atuação, tenha uma apresentação verbal na ponta da língua, mas ofereça algo palpável. Venda soluções.

Oferecer visitas e acompanhamento de vistorias, além de visitas de auditorias – que podem ser disponibilizadas como bônus -, podem garantir que todo o processo seja compreendido e bem aceito pelo cliente.

Como reverter uma resposta negativa?

Apesar de toda estratégia, nem sempre a resposta do prospecto é positiva em uma primeira abordagem.

Nestes casos, o que fazer para reverter uma resposta negativa dada no passado? Como abordar novamente esse cliente? 

A saída pode estar na forma de atuação do consultor na abordagem. 

Faça vendas sem pressão, ou seja, “esqueça” que sua prospecção quer levar a uma venda. 

Saliente problemas que são encontrados com facilidade no agronegócio e que podem causar danos ao produtor rural. Mostre soluções palpáveis. 

Uma fala, uma reclamação do produtor, pode servir de celeiro para muitas ideias de trabalho dentro de um projeto de consultoria

Por isso, não perca as particularidades: elas ampliam as oportunidades de colocar seu trabalho alinhado às necessidades daquele produtor rural, que pode ter rejeitado sua primeira proposta.

Quanto tempo gastar com a prospecção de clientes? 

O tempo necessário para conquistar a confiança dele em seu trabalho, indica Margareth Senne.

Muitas vezes, um “não” recebido hoje se torna um “sim” amanhã por conta de um trabalho realizado na fazenda ao lado ou “por conta dos bons resultados apresentados como exemplos em uma palestra, uma live, um depoimento ou demonstração em algum evento”, explica a consultora.

Conclusão 

Saber quem é o seu cliente é o caminho mais perto para uma prospecção de sucesso. Ela é capaz de levar você, consultor rural, até uma venda ideal de seu trabalho.

Neste artigo você viu as dicas para conseguir fazer uma prospecção de sucesso e como transformar potenciais clientes em parceiros reais do seu trabalho.

Também mostramos como aproveitar os resultados das suas consultorias anteriores, tornando-os uma vitrine para alcançar mais produtores interessados em seus serviços.

Outro ponto importante detalhado foi como reverter resultados que foram negativos de uma primeira abordagem.

Então, faça todo o possível para construir uma boa rede de relacionamentos e garanta a oportunidade de mostrar soluções eficientes. Assim, com certeza, suas chances de prospectar e ganhar novos clientes serão reais! 

Margareth Senne é consultora agrícola e parceira Aegro! 

Instagram: margareth.senne

LinkedIn: Margareth Senne

>>>Leia mais:

“Tendência do agronegócio para 2023: veja o que espera”

Ainda tem dúvidas sobre como fazer a prospecção de clientes no agronegócio e vender sua consultoria rural? Conheça aqui o programa de parcerias Aegro!

Entenda os principais fenômenos meteorológicos na agricultura e planeje melhor sua produção

Fenômenos meteorológicos na agricultura: tire suas dúvidas sobre El Niño, La Niña e microclima e o que fazer para preparar sua lavoura!

O bom desenvolvimento da atividade agrícola é dependente do clima. Além do solo, a umidade e a temperatura impactam diretamente na germinação ou não da semente e no andamento da lavoura. 

As mudanças climáticas alteram todo o desenvolvimento das culturas, com ventos, falta ou excesso de chuva e temperatura aumentando. 

Mas quais são os fenômenos meteorológicos na agricultura aos quais você deve atentar?

Neste artigo, separamos o que você deve conhecer sobre o “tempo” e qual é sua principal influência nas atividades agrícolas. Confira!

Impacto dos fenômenos meteorológicos na agricultura

Acompanhar as previsões climáticas ao longo de toda a safra pode fazer a diferença para acertar nos manejos da propriedade.

Monitorar o clima diariamente até já é rotina para grande parte dos produtores, mas existem processos climáticos mais amplos que são muito importantes de serem considerados quando se planeja uma safra.

Um dos fenômenos meteorológicos na agricultura que causa variabilidade climática na América do Sul é o chamado fenômeno Enos (El Niño e La Niña), que afeta diretamente o regime de chuvas de várias regiões. 

Vou explicar melhor esses e outros eventos climáticos a seguir.

checklist planejamento agrícola Aegro

Chuvas

As chuvas são um dos fenômenos meteorológicos na agricultura mais possíveis de se prever. Elas são fundamentais para a lavoura, principalmente quando bem distribuídas.   

As chuvas são divididas em:

  • orográficas: geradas quando há um impedimento da massa de ar úmida por uma montanha.
  • convectivas: são as chuvas decorrentes de altas temperaturas.
  • frontais: ocorre pelo choque de uma massa de ar fria com uma massa de ar quente.

Em cada região do Brasil, as chuvas também são influenciadas por zonas diferentes como ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) e ZCIT (Zona de Convergência Intertropical). 

Nesse caso, as regiões Sudeste e Centro-Oeste são influenciadas pela ZCAS e as regiões Nordeste e Norte pela ZCIT. 

A expectativa, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), para o verão de 2021 são chuvas frequentes em praticamente todo o país. 

São exceções o extremo sul do Rio Grande do Sul, leste da região Nordeste e a faixa nordeste de Roraima, onde geralmente o total de chuva é inferior a 400 mm. 

Volumes mais altos de precipitação devem ser observados sobre as regiões Norte e Centro-Oeste, com totais na faixa entre 700 mm e 1.100 mm. 

E falando em chuvas, um fenômeno meteorológico que ocorre no Brasil e influencia o clima do país é o chamado rios voadores, que são cursos de água atmosféricos. 

Segundo o pesquisador da Fapesp, Antônio Donato Nobre, este é um fenômeno que ocorre na Amazônia e influencia outras regiões do Brasil em seu regime de chuvas, como o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul. 

Vale muito conferir essa entrevista do professor sobre o assunto no vídeo a seguir!

https://www.youtube.com/watch?v=uxgRHmeGHMs

Fenômenos Enos

Esse fenômeno é o aquecimento ou resfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial, promovidos pelas duas famosas variações: El Niño (águas mais quentes) ou La Niña (águas mais frias). 

Ele impacta o regime de chuvas, embora o regime térmico também possa ser afetado. 

Sua influência ocorre em cerca de 20 regiões no mundo. No Brasil, as regiões mais afetadas são a parte nordeste e leste da Amazônia (na faixa tropical) e a região Sul (na faixa extratropical).

Vale a pena dar uma conferida nesse vídeo que explica claramente como funciona essa dinâmica na zona tropical do oceano:

Entenda o que é El Niño

El Niño

Os efeitos do El Niño vão do aumento de chuvas ao aumento de temperaturas. Em cada região do país, os efeitos são sentidos de forma diferente.  

No Sul e Sudeste, ocorre um aumento da temperatura média. No sul, as precipitações também ficam mais abundantes. 

Já no Nordeste e Norte, há aumento das secas. 

No Centro-Oeste, a tendência é de aumento de temperatura, mas sem efeitos pronunciados nas chuvas.

La Niña

De modo geral, o La Niña tem efeito contrário ao El niño. Em 2021, o Instituto Americano de Meteorologia e Oceanografia manteve o cenário de La Niña para o verão, chegando ao fim no decorrer do outono.

O La Niña tende a favorecer as culturas de inverno (trigo, cevada, aveia, canola, etc) e prejudicar as culturas de verão (soja, milho, feijão, pastagem). Já o El Niño tem efeito inverso.

Microclima

O microclima é o agrupamento de fenômenos meteorológicos na agricultura que acontecem na camada de ar junto à cultura ou ao solo, influenciado diretamente pela localização da lavoura, o tipo de solo e altura da cobertura do solo.

O que promove algumas condições melhores para evitar muito calor ou escassez de água, por exemplo, são práticas como: 

Assim como o fenômeno dos rios voadores, a vegetação próxima às suas lavouras e a cobertura do solo fazem toda a diferença tanto na proteção das áreas quanto a adversidades como ondas de frio e calor, secas e geadas.

Sobre esse assunto, vale a pena conferir também o artigo “Como prevenir a perda de grão por geada”

Outros pontos a serem considerados

Para minimizar os impactos das condições climáticas, alguns pilares podem ser trabalhados:

  • aumento do perfil do solo
  • maior exploração do sistema radicular
  • escolha de genética adequada, genética mais produtiva; 
  • posicionamento.

Por isso, a construção de um bom solo é necessária, com boa capacidade de armazenamento de água. 

As mudanças climáticas trazem tendências como o aumento da temperatura, o que consequentemente altera a taxa de sobrevivência de pragas, parasitas, patógenos de plantas e micróbios do solo, além de estações de cultivo mais longas. 

Nesse cenário, é preciso planejar melhor a produção, utilizar soluções inteligentes como a agricultura digital e manejos mais sustentáveis do solo.

Além disso, não deixe de analisar o zoneamento climático agrícola: ele é fundamental!

Dicas para planejar melhor a sua produção

No planejamento da safra, é preciso manter o hábito de verificar os boletins de previsão de tempo, como os do Inmet.

Além disso, vale acompanhar diariamente e realizar o ajuste do manejo da lavoura de produção de grãos, aguardando as melhores condições para plantio, manejos de aplicações, irrigação e a colheita.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

Vamos precisar nos adaptar e inovar nos próximos anos para melhor manejar nossas lavouras de acordo com os fenômenos meteorológicos na agricultura. 

Quase todos reconhecem que os padrões climáticos estão mudando e a agricultura sente de maneira profunda essa mudança. Talvez seja um dos maiores desafios da nossa atualidade. 

Acompanhar as previsões no planejamento da safra é básico. E saber o impacto dos fenômenos meteorológicos na agricultura é fundamental.

Espero que, com as informações passadas aqui, você consiga ter um melhor entendimento e ações em sua lavoura!

>> Leia mais:

“As melhores práticas para o reúso da água na agricultura

“A influência da lua na agricultura: verdades e mitos”

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Como evitar e controlar a mancha de Phoma no cafeeiro

Mancha de Phoma no cafeeiro: entenda as condições para ocorrência e os principais cuidados para prevenção e controle.

Inúmeras doenças podem ocorrer em diferentes estágios da lavoura de café. Não é fácil!

Além da conhecida ferrugem, temos algumas doenças que podem causar danos na flora do cafeeiro, dentre elas, a mancha de Phoma. 

A mancha de Phoma é uma das principais doenças que atacam a florada do café, mas seu monitoramento e controle deve começar ainda antes desse período.

Separei alguns pontos importantes para entender essa doença e o que fazer para prevenir e controlá-la. Confira a seguir!

Doenças da florada do café

Antes de falar da mancha de Phoma no cafeeiro propriamente dita, é importante relembrar que existem diversas doenças que podem acometer o cafeeiro durante seu ciclo produtivo, como mostra a figura abaixo.

Se repararmos bem nessa figura, podemos observar que as principais doenças que acometem o cafeeiro durante o período da florada são a mancha de Phoma e a mancha aureolada. 

Embora o assunto desse artigo seja a mancha de Phoma, é importante destacar que essas duas doenças geralmente ocorrem ao mesmo tempo no cafeeiro. 

A mancha de Phoma no cafeeiro

O primeiro registro da mancha de Phoma no Brasil se deu nos anos 70. Desde então, ela foi disseminada pelas principais regiões produtoras do país. A doença é causada pelos fungos do gênero Phoma spp., daí vem seu nome. 

Esses fungos penetram nas folhas, frutos e brotações do café, infeccionando-os. E isso pode ser facilitado por lesões mecânicas pré-existentes, como as que a colheita mecanizada pode ocasionar. 

Condições ambientais favoráveis

A mancha de Phoma é disseminada por respingos de chuva/irrigação e é favorecida por temperaturas amenas e alta umidade. Portanto, regiões mais altas e amenas apresentam mais problemas.

Isso não significa dizer que a doença não pode ocorrer em situações de baixa altitude, já que, se as condições favoráveis ocorrerem, a doença pode se manifestar. Mas que condições são essas?

  • Temperaturas próximas a 18℃;
  • Alta umidade;
  • Ventos frios.

Períodos prolongados com essas condições, associados ao ataque de pragas e danos de geada podem favorecer a ocorrência da Phoma, mesmo em locais mais baixos ou até em viveiros.

Sintomas da mancha de Phoma

São vários órgãos atacados e sintomas distintos provocados pela Phoma, já que ela pode atacar folhas, ramos e frutos. 

Nas folhas mais novas, observa-se geralmente manchas escuras e circulares, que se expandem e tomam a folhas, encurvando-a. 

Sintomas de mancha de Phoma em folhas
Sintomas de mancha de Phoma em folhas
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)

A mancha de Phoma também pode causar danos aos botões florais, morte ascendente dos ramos produtivos (die-back) e a mumificação dos chumbinhos no pós-florada. 

Seca dos ponteiros por mancha de Phoma
Seca dos ponteiros por mancha de Phoma
(Fonte: Agrolink)
Mumificação dos chumbinhos
Mumificação dos chumbinhos
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)

Portanto, a mancha de Phoma pode impactar diretamente na produção do cafeeiro, matando o crescimento vegetativo e também as flores e os frutinhos já formados.

Formas de controle da mancha de Phoma no cafeeiro

Geralmente, é utilizado o controle químico preventivo, mas existe a possibilidade de se realizar o controle cultural da Phoma. 

Cabe destacar também que  uma nutrição correta e bem dimensionada, além do controle de pragas, são práticas fundamentais para a resiliência de qualquer lavoura. 

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Controle cultural

Como vimos anteriormente no artigo, ventos frios podem favorecer a ocorrência de Phoma. Por isso, o uso de quebra-ventos pode ser uma maneira de prevenir que isso ocorra.

Além disso, em áreas com condições favoráveis, espaçamentos mais adensados vão contribuir para o agravamento do problema. Melhor será utilizar espaçamentos maiores.

Controle químico

Em áreas onde as condições são favoráveis para o desenvolvimento da mancha de Phoma, o controle químico deve ser feito de forma preventiva, iniciando no outono-inverno, visando a pré-florada.

O controle deve seguir até a fase de chumbinho, já que o cafeeiro apresenta várias floradas. Isso garante uma boa proteção no pós-florada. 

Qual produto utilizar?

No caso da Phoma, o ingrediente ativo mais utilizado é a Boscalida, do grupo das carboxamidas, na dose recomendada em bula. Mas existem outros ingredientes ativos disponíveis:

  • triazóis: difenoconazol, epoxiconazol, flutriafol, triadimenol, ciproconazol, propiconazol, fluquinconazol, etc.
  • dicarboxamidas: iprodione.

Essa variedade, permite o uso de diferentes produtos e isso é importante, pois pode ser que existam focos de ferrugem (Hemileia vastatrix) e mancha aureolada na lavoura

Assim, se faz necessário utilizar outros fungicidas, como misturas de estrobilurinas, triazóis e/ou carboxamidas para a ferrugem; e adição de cúpricos para a mancha aureolada.

Como aplicar?

Geralmente, 4 a 5 aplicações são realizadas. Mas a frequência de aplicações depende de monitoramento, do residual do fungicida e das condições de cada lavoura.

Aplicações com as flores presentes podem atrapalhar atingir o alvo adequadamente. Por essa razão, as aplicações pré e pós-florada (quando as pétalas já caíram) são capazes de atingir e proteger os botões florais e os chumbinhos mais facilmente.

É preciso evitar a aplicação com as flores presentes, pois as pétalas impedem que o fungicida atinja o alvo adequadamente.

Conclusão

Como pudemos acompanhar ao longo do texto, a mancha de Phoma é causada por um grupo de fungos que leva esse mesmo nome e está presente nas principais regiões produtoras de café do Brasil.

Esses fungos são favorecidos por temperaturas amenas e umidade relativa alta, portanto, ocorrem em maior frequência em plantios adensados e plantios em altitudes mais elevadas. 

Os sintomas se apresentam em folhas novas, ramos, flores e frutos e podem afetar a produtividade da lavoura de café.  

Como controle, temos que começar já no planejamento do plantio de café, incluindo quebra ventos e evitando lavouras mais adensadas nas regiões com condições predominantemente favoráveis. 

Além disso, o controle químico deve iniciar antes mesmo da florada, no outono-inverno e continuar até a fase de chumbinho, já no pós-florada. 

>> Leia mais:

“Colheita do café: evite perdas e mantenha a qualidade com estas 7 dicas”

“Tudo o que você precisa saber sobre a mancha de mirotécio no café”

Restou alguma dúvida sobre a mancha de Phoma no cafeeiro? Conte pra gente nos comentários abaixo. Grande abraço!

Veja 4 indicadores de desempenho para colheita de grãos

Indicadores do desempenho da colheita de grãos mecanizada: entenda melhor as perdas fisiológicas, físicas e operacionais

Apesar da importância de todos os cuidados ao longo do ciclo de uma cultura, é na colheita que o produtor irá, de fato, converter todos os tratos culturais em um produto comercial.

E todas as perdas ocorridas nessa etapa podem impactar muito a lucratividade da fazenda. Por isso, reduzi-las é fundamental para a saúde financeira da propriedade.

Entenda, a partir de agora, quais são os principais indicadores de desempenho para a colheita mecanizada de grãos e onde estão as perdas mais relevantes da produção relacionadas a essa operação!

Funcionamento da colhedora 

A colheita é a etapa que tem como objetivo retirar o produto agrícola do campo, em tempo hábil, com a mínima perda quantitativa e o máximo de qualidade

Porém, para que se obtenha sucesso, devem ser considerados inúmeros fatores que    influenciam diretamente ou indiretamente nesse processo.

O processo de colheita de grãos envolve algumas etapas básicas, sendo elas:

  • o corte: que é responsável por cortar ou arrancar a planta ou parte dela;
  • a trilha: onde ocorre o desprendimento dos grãos da planta;
  • a limpeza: que separa os grãos da palha e do restante da planta.

A colhedora é composta pelos sistemas de corte, alimentação, trilha, separação, limpeza e armazenamento dos grãos, efetuando todas as etapas que vimos logo acima.

ilustração de sistemas de uma colhedora

Sistemas de uma colhedora
(Fonte: Embrapa, 1998)

Embora as perdas durante a colheita sejam diversas, 80% delas estão relacionadas com a plataforma de corte e alimentação. Destes, uma porcentagem significativa está relacionada à perda de qualidade dos grãos no processo de trilha.

Adiante, falarei um pouco mais sobre as perdas físicas, operacionais e as ligadas à fisiologia da planta.

Indicadores de perdas fisiológicas

As principais perdas relacionadas com a fisiologia da planta acontecem devido ao teor de água (umidade) no grão e ao ponto de maturação fisiológica do grão.

Quando a cultura não atingiu esse ponto de maturação, os grãos não se desprendem devidamente das plantas. Um indicador desse problema são vagens não trilhadas caindo do sacapalhas e das peneiras da colhedora no caso da soja.

Outro problema se deve ao teor de umidade dos grãos, que apesar de terem atingido a maturidade fisiológica estão com umidade superior ou inferior à recomendada para a colheita mecanizada (em torno de 13% de umidade).

No caso da soja, o excesso de umidade dos grãos pode ser observado com a quantidade de grãos quebradiços na colhedora.

Já para o milho, grãos muito úmidos ou secos podem acarretar espigas não colhidas no campo, excesso de grãos quebrados ou amassados e sabugos e sujeira acumulados no tanque graneleiro.

Sobre esse assunto, leia também o artigo “Umidade do milho para colheita: todas as dicas para não perder seus grãos”!

Perdas físicas 

As perdas físicas estão relacionadas muitas vezes aos impedimentos ou dificuldades físicas na colheita. Algumas delas são o excesso de plantas daninhas, a altura das plantas ou desuniformidade do terreno.

Muitas vezes isso pode ser solucionado com um ajuste mais cuidadoso da plataforma de corte e/ou molinete da colhedora.

Problemas relacionados à altura das plantas ou desuniformidade do terreno podem ser indicados pelo amontoamento de plantas na barra de corte, plantas se enrolando no molinete (quando há excesso de plantas daninhas).

Na cultura de milho, esses indicadores se relacionam à perda de espigas. Plantas com alta inserção de espiga podem ter as espigas arremessadas lateralmente na plataforma de corte.

Outro indicador é o excesso de milho debulhado no rolo das espigadoras, o qual ocorre devido às unidades de recolhimento operarem em altura superior à recomendada.

Como medir as perdas físicas

Uma forma de medir as perdas anteriores à colheita, as perdas na plataforma e as perdas totais é pela amostragem.

Ela é feita através de uma armação da largura da plataforma e meio metro de comprimento. Nessa armação serão contados o número de grãos caídos antes da passagem da colhedora.

Para determinar as perdas na colheita deve-se retirar a armação, passar com a colhedora e afastá-la, recolocando a armação no local. A contagem dos grãos caídos irá indicar as perdas referentes ao processo de colheita.

ilustração que mostra quantificação das perdas totais: perdas anteriores à colheita (1); perdas na plataforma (2); e perdas totais (3)

Quantificação das perdas totais: perdas anteriores à colheita (1); perdas na plataforma (2); e perdas totais (3)
(Fonte: Adaptado de Aprosoja)

Perdas operacionais 

As perdas operacionais estão diretamente relacionadas com as regulagens dos diferentes sistemas presentes na colhedora.

Como um sistema está diretamente ligado ao outro, erros na regulagem de um deles podem ocasionar perdas no sistema seguinte também.

ilustração que mostra o esquema de uma colhedora - texto sobre indicadores do desempenho da colheita de grãos

(Fonte: Embrapa, 1998)

A velocidade excessiva do molinete ou da colhedora, por exemplo, pode acarretar vagens caídas ou amontoadas na barra de corte, bem como em sobrecarga do cilindro. Essa sobrecarga pode provocar vagens não trilhadas.

As peneiras, divididas em 3 partes, devem estar limpas no terço dianteiro. Já no terço traseiro, deve haver apenas resíduos. 

Caso exista a presença excessiva de grãos na peneira superior, haverá queda de grãos na parte traseira da colhedora.

Na trilha e retrilha, a regulagem do côncavo é de extrema importância, já que pode ocasionar excesso de espigas e vagens não trilhadas no retorno da trilha, indicando uma grande folga entre o cilindro e o côncavo.

Já a pouca folga entre o cilindro e côncavo pode ocasionar na quebra dos grãos, diminuindo a qualidade e facilitando a entrada de patógenos pós-colheita.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

Mesmo com toda a tecnologia disponível, as perdas durante a colheita sempre serão consideradas. Mas um excesso de perdas pode acarretar diversos prejuízos na propriedade.

Dessa forma, minimizá-las deve ser o foco no final da safra! Atentar-se às condições meteorológicas e à situação da cultura no campo são os primeiros passos para uma colheita eficiente.

E, como você viu neste artigo, durante o processo de colheita, é essencial acompanhar as etapas, realizando amostragens de perdas sempre que possível. 

É preciso ainda ficar de olho nos diferentes indicadores da colhedora, entendendo qual sinal eles estão passando para que você possa realizar uma colheita mais eficiente e lucrativa!

>> Leia mais:

“5 perdas na colheita que você pode estar sofrendo e o que fazer para resolver”

“O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas”

Restou alguma dúvida sobre os indicadores do desempenho para colheita de grãos? Deixe seu comentário abaixo!