Como fazer o cálculo de depreciação da lavoura de forma simples e rápida

Depreciação da lavoura: entenda a importância, o que considerar para formar seu custo de produção e mais!

Fazer o custo de produção é essencial para uma empresa rural.

Existem diversos modos de realizar o custo de produção da sua lavoura. O importante é considerar todos os gastos, inclusive os futuros.

Assim, a depreciação entra nos cálculos, que têm a função de considerar os desgastes de diversos bens da fazenda para posteriormente substituí-los ou arrumá-los.

No seu custo de produção, você considera a depreciação da lavoura? Confira neste artigo a importância de considerar esse fator nos seus custos!

O que é depreciação da lavoura?

Depreciação é o valor que você precisa ter para substituir os bens de capital quando eles se tornam improdutivos. 

A improdutividade acontece pelo desgaste físico ou quando os bens perdem valor com o decorrer dos anos, devido à obsolescência tecnológica ou ação natural.

Todos os bens necessários para a manutenção das atividades rurais são denominados ativos imobilizados.

Assim, tudo o que compõe a produção está sujeito a depreciar com o tempo, por exemplo:

  • máquinas;
  • equipamentos;
  • utensílios;
  • implementos;
  • benfeitorias;
  • instalações;
  • lavouras;
  • animais de trabalho;
  • embalagens.

Para cada tipo de bem, a depreciação considera uma porcentagem do valor relativo ao uso.

Aqui no blog da Aegro, já falamos sobre a depreciação de máquinas e implementos. Confira: “Depreciação de máquinas: todos os cálculos de forma prática”.

A depreciação de benfeitorias e instalações inclui locais utilizados pela fazenda, como barracão, represa, escritório, entre outros.

Por exemplo, o barracão que armazena os maquinários ao longo do tempo precisa de reforma. Assim, é necessário calcular a depreciação desse imóvel para quando for preciso realizá-la e ter dinheiro em mãos. 

A depreciação da lavoura, ou custo de produção como exaustão de cultivo, considera culturas permanentes ou semi-perenes. Essas culturas utilizam a terra por mais de um ano, como cana-de-açúcar, café, laranja, entre outros.

O cálculo de depreciação é feito em culturas permanentes porque ao término da vida útil da plantação, o produtor deve ter dinheiro para renovar sua plantação.

Não acontece o mesmo com as culturas anuais, pois as plantas produzem, morrem e não geram mais gastos após sua colheita, fazendo com que o ciclo da safra seja renovado.

Componentes que sofrem depreciação no custo de produção

Componentes que sofrem depreciação no custo de produção
(Fonte: adaptado de Esalq)

Como é feito o cálculo de depreciação da lavoura?

A depreciação de uma lavoura é calculada considerando os custos totais gastos para a formação da lavoura, além do tempo de vida útil médio da produção. 

Devemos considerar para o cálculo:

  • os gastos com mudas ou sementes;
  • atividades de plantio e replantio;
  • insumos e operações mecanizadas e manuais.

O cálculo da depreciação da cultura é diluído pelos anos de vida útil a partir da primeira colheita. Ou seja, se a cultura produzir somente em dois anos, o valor gasto nos dois anos é somado e distribuído ao longo dos anos de produção.

Modelos de cálculo 

Há dois modelos de cálculos para depreciação da lavoura:

  • o que considera apenas o valor gasto de formação e implementação diluído nos próximos anos (exemplo 1).
  • o que considera o custo de oportunidade do capital investido com a depreciação, denominado Carp (Custo Anual de Recuperação do Patrimônio) (exemplo 2).

Veja os exemplos desses cálculos na tabela abaixo:

dois exemplos de modelos de cálculo de depreciação da lavoura

(Fonte: adaptado de HFBrasil)

Você pôde perceber que o valor é maior quando se considera o custo de oportunidade do capital, pois acrescenta uma taxa considerando esse dinheiro em outra atividade.

O valor residual da cultura é considerado nos dois cálculos, já que ao término da vida útil, as plantas são retiradas e substituídas por outras.

Mesmo que para algumas culturas, como por exemplo o café, pode-se vender a madeira após o término da vida útil, este valor não é considerado no cálculo de depreciação.

Ou seja, mesmo ocorrendo entrada de dinheiro devido à venda da madeira, este valor não é abatido do valor que deve ser poupado durante cada ano pelo cálculo da depreciação.

Porém, em alguns casos, como as plantas de café, é possível utilizar madeira de fabricação de móveis ou de lenha. Essa não é uma prática usualmente utilizada, então não é considerado esse valor.

O FRC (Fator de Recuperação do Capital) pode variar de acordo com a região e o custo de oportunidade considerado.

Em área de cafezal, por exemplo, o valor do FRC pode ser considerado de 6% ao ano. Vai depender do que você considerar.

Em relação ao tipo de cálculo utilizado, fica a seu critério. Mas lembre-se: o valor poupado ao longo dos anos será a sua base financeira para a implantação da cultura novamente.

Caso tenha dúvida sobre qual valor considerar ou qual cálculo mais adequado, procure um consultor financeiro na sua região para te auxiliar nestas dúvidas.

Tabela de FRC para cálculo do Custo Anual de Recuperação do Patrimônio

Tabela de FRC para cálculo do Custo Anual de Recuperação do Patrimônio
(Fonte: adaptado de Fapan)

Importância de calcular a depreciação da lavoura

Como foi dito, a razão de calcular a depreciação dos bens é saber quanto de capital o bem vai perder ao longo da vida útil e garantir esse recurso no futuro.

Calcular a depreciação de sua lavoura é essencial. Assim, você pode poupar um valor determinado durante o ano para que, ao terminar a vida útil da cultura, você tenha o dinheiro disponível para a nova formação.

Se você não considerar o valor da depreciação da sua lavoura, ao ter de fazer alguma reforma, não haverá dinheiro em caixa para essa finalidade.

A consequência disso seria precisar realizar empréstimos, tirar dinheiro de algum outro setor da fazenda ou até mesmo colocar mais capital próprio no seu negócio.

Por isso é importante fazer um bom planejamento financeiro e considerar sempre a depreciação dos seus bens. Tendo um aporte de capital financeiro definido antes do início da lavoura, haverá dinheiro em caixa para reparos, manutenção e reforma da cultura.

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Conclusão

Neste artigo, vimos que a depreciação da lavoura é algo importante a ser considerado no seu custo de produção.

Aprendemos a realizar, de modo simples, os dois cálculos mais comumente utilizados para calcular a depreciação. 

Além disso, vimos que o dinheiro da depreciação deve ser poupado para ser usado na sua área novamente.

Você faz o cálculo de depreciação da sua lavoura? Qual metodologia você utiliza? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Como combater o estresse térmico nas plantas?

Estresse térmico nas plantas: saiba como ele pode afetar a produtividade da sua lavoura e o que fazer para contornar esse problema!

Todos nós já passamos por situações estressantes em algum momento da vida, não é mesmo? E as plantas também podem passar por estresses. É claro que o estresse nas plantas não é o mesmo que o nosso, mas a ideia e os efeitos são parecidos.

Quando estamos estressados, muitas vezes não conseguimos pensar ou agir direito, o que afeta diretamente nosso rendimento nas atividades diárias.

O mesmo acontece com as plantas! Quando submetidas a estresses, principalmente por longos períodos, as plantas perdem rendimento. Isso reflete diretamente na produtividade.

Um dos principais estresses pelos quais as plantas passam é o estresse térmico, e você pode aprender um pouco mais sobre ele no texto a seguir!

O que é o estresse térmico?

Estresses são fatores externos que exercem influências desvantajosas sobre as plantas.

O estresse térmico nada mais é que o efeito negativo das condições térmicas, ou seja, da temperatura do ar sobre as plantas.

É natural pensarmos logo nas altas temperaturas e como elas podem causar estresse nas plantas – e isso realmente acontece! 

Também as baixas temperaturas podem ser uma forma de estresse térmico, embora isso seja menos comum para os climas tropicais e subtropicais do Brasil.

Sejam temperaturas altas ou baixas, a duração do estresse também é importante.

Quando o período de estresse é muito prolongado, as lavouras sentirão seus efeitos e isso vai refletir na colheita e na produtividade.

Vamos ver agora como o estresse térmico atua nas plantas?

Como o estresse térmico afeta a lavoura?

Os efeitos do estresse térmico nas plantas podem variar de acordo com o estágio de desenvolvimento em que elas se encontram.

Confira na tabela que preparei para vocês:

Possíveis danos causados pelo estresse térmico nas plantas nos estágios de desenvolvimento

Possíveis danos causados pelo estresse térmico nas plantas nos estágios de desenvolvimento
(Fonte: Tabela elaborada pelo autor, baseada em Ali et al., 2020)

Como podemos ver, independente do estágio em que as plantas se encontram, o estresse térmico traz grandes prejuízos.

Além dos efeitos citados, plantas sob condições de estresse tornam-se mais suscetíveis a doenças, reduzindo ainda mais a produtividade da lavoura.

A influência dos estresses na incidência de doenças

Quando pensamos em doenças de plantas, a primeira coisa em que devemos pensar é no famoso triângulo da doença.

Com base nele, sabemos que a doença é um resultado da interação de 3 fatores: o ambiente, o hospedeiro e o patógeno.

Assim, podemos concluir que mudanças ambientais vão influenciar na relação de nossas plantas com as doenças. E, nesse caso, não só o estresse térmico nas plantas irá afetar a incidência de doenças, mas também outros tipos de estresse, como o hídrico.

ilustração com o triângulo da doença, influências dos estresses na incidência de doenças sendo ambiente, hospedeiro e patógeno.

O triângulo da doença

Estresse hídrico

O estresse hídrico pode ocorrer de duas formas: pelo excesso ou pela falta de água para as plantas.

No caso da falta de água, as plantas crescem menos e tornam-se subdesenvolvidas.

Consequentemente, apresentam menores taxas fotossintéticas, de síntese proteica, de atividade metabólica e enzimáticas.

foto de área com irrigação e área de sequeiro com plantas submetidas a estresse hídrico

Área com irrigação e área de sequeiro com plantas submetidas a estresse hídrico
(Fonte: Café Point)

Muitas dessas enzimas e proteínas têm função primordial no processo de defesa das plantas contra os patógenos. Dessa forma, plantas submetidas a estresses tornam-se mais suscetíveis a doenças.

o excesso de água no solo também torna as plantas mais vulneráveis à ação de patógenos. 

Quando em situação de excedente hídrico, os tecidos radiculares se tornam mais suculentos, o que facilita a penetração dos patógenos.

Se o encharcamento for muito prolongado, as plantas começam a ficar sem oxigênio nas raízes, e isso afeta diretamente a respiração aeróbica (dependente de oxigênio), causando:

  • redução do metabolismo celular;
  • perda da integridade da membrana celular;
  • acúmulo de gases como dióxido de carbono e etileno.

Tudo isso deixa as plantas cada vez mais atrativas aos agentes patogênicos!

Claro que cada patógeno é favorecido por um cenário. Há patógenos que se desenvolvem melhor no excedente do que na escassez (e vice-versa).

Estresse térmico

O estresse térmico nas plantas, assim como o hídrico, favorece a incidência das doenças quando as temperaturas são muito elevadas ou muito baixas.

De modo geral, as plantas que crescem sob condições de estresse térmico têm um desenvolvimento debilitado

Além disso, o estresse térmico nas plantas afeta diretamente a expressão gênica, o que  pode favorecer e/ou inibir genes que atuam diretamente na resistência aos patógenos.

Os estresses térmicos podem influenciar também no ciclo de vida dos patógenos, os acelerando! 

Isso significa que as infestações podem se tornar mais severas do que o normal, e o controle, mais difícil.

Como amenizar os efeitos do estresse térmico nas plantas?

O controle dos causadores do estresse térmico nas plantas é impossível, pois não podemos controlar o clima, não é mesmo?

Existem algumas estratégias que podemos adotar na lavoura para reduzir os efeitos ou a ocorrência do estresse térmico nas plantas.

Se nossa região de plantio apresentar histórico de elevadas temperaturas que podem causar estresse térmico, devemos “de cara” buscar por cultivares de maior tolerância.

Programas de melhoramento genético de diversas culturas de grãos já selecionaram e desenvolveram cultivares mais resistentes.

Nos últimos anos, estudos vêm mostrando efeitos positivos da aplicação de substâncias chamadas osmólitos, como o ácido abscísico, jasmonatos e ainda o ácido ascórbico, para a redução do estresse em plantas.

Claro que essas substâncias não são milagrosas, e podem não surtir efeito em condições extremas de estresse.

O manejo do solo, com aplicação de compostos orgânicos e corretivos de solo (orgânicos e inorgânicos), e outras técnicas agrícolas (culturas de cobertura, mulching e a rotação) podem também promover a redução do estresse térmico nas lavouras.

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Conclusão

Como vimos no decorrer do texto, os estresses das plantas podem causar danos irreversíveis e, como consequência, reduzir a produtividade.

O estresse térmico é um dos mais comuns e com grande potencial de interferir no sucesso das lavouras do Brasil afora. Além dos prejuízos que ele traz, pode servir como facilitador para a incidência de doenças nas lavouras.

Por isso, é importante conhecer como ele pode afetar a lavoura para que possamos combatê-lo da melhor forma possível.

>> Leia mais:

“Como minimizar os impactos e prejuízos da geada no milho”

“Agricultura irrigada ideal e produtiva”

“Entenda os principais fenômenos meteorológicos na agricultura e planeje melhor sua produção”

E você, tem observado perdas por estresse térmico em sua região? Conte pra gente nos comentários como você contorna a situação.

Inseticidas ecdisteroides: como agem nos insetos e por que são uma boa opção de manejo

Inseticidas ecdisteroides: entenda como contribuem para redução das pragas sem gerar efeitos colaterais como outros químicos!

A agricultura brasileira é um dos setores mais importantes para a economia do país

Está enganado quem pensa ser possível produzir a quantidade de alimentos produzida hoje sem o uso de pesticidas. Existem 33 sítios de ação registrados e diversos grupos químicos de inseticidas no mercado para controle de insetos-praga. 

É importante buscar conhecimento sobre a ação desses pesticidas

Os reguladores de crescimento agem de maneira mais seletiva. Já os inseticidas ecdisteroides são exemplos dos que agem com um espectro menor. 

Eles contribuem com a redução das pragas sem gerar grandes efeitos colaterais, como acontece com outros grupos químicos. Entenda mais sobre esses compostos a seguir! 

O que são inseticidas ecdisteroides?

Para que você possa compreender melhor o que são esses inseticidas, vamos recapitular quais são suas classificações.

Segundo o Irac-Brasil (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas), os inseticidas se enquadram em cinco categorias de acordo com a atuação nos seguintes aspectos:

  • sistema nervoso central;
  • sistema digestivo;
  • respiração celular; 
  • crescimento e desenvolvimento;
  • compostos com modo de ação desconhecido ou incerto. 

Aqui, o nosso foco será no grupo de inseticidas que atuam no crescimento e desenvolvimento dos insetos. 

Esse grupo é dos IRCs (Inseticidas Reguladores de Crescimento),  introduzidos no mercado na década de 70 pela empresa Bayer Cropscience. 

O grupo possui classificações e especificações diferentes para atuar no crescimento e no desenvolvimento dos insetos. Por isso, os IRCs podem ser:

  • mímicos do hormônio juvenil;
  • inibidores da biossíntese de quitina;
  • agonistas receptores de ecdisteroides

Cada um deles tem um sítio de ação e resultam em algum efeito adverso no processo de desenvolvimento e crescimento da fase jovem dos insetos-praga.

São inseticidas bastante seletivos. Isso implica em uma efetiva ação sobre as pragas, mas que não prejudica organismos benéficos. 

Os inseticidas ecdisteroides são tipos de IRC e atuam na muda dos insetos, fazendo com que eles acelerem o processo de desenvolvimento e fiquem deformados. 

A forma mais comum de rota de exposição aos insetos-praga é por meio da ingestão. 

Esses inseticidas não possuem ação de choque, por isso é comum observar que os efeitos são mais lentos que os inseticidas de amplo espectro. Entretanto, esse não é um ponto desvantajoso quando comparado com outros grupos.

Modo de ação de inseticidas ecdisteroides 

Como já citado, os inseticidas ecdisteroides estão no grupo que atua no crescimento e desenvolvimento dos insetos.

O subgrupo que representa essa classe são as diacilhidrazinas, que são agonistas dos receptores de ecdisteroides (hormônio da ecdise). 

Mas para que você entenda como esses inseticidas agem nos insetos é necessário saber como o organismo do inseto funciona sem a ação desses compostos.

Durante a fase jovem, o exoesqueleto dos insetos vai se tornando insuficiente para os tecidos e órgãos que estão em desenvolvimento dentro deles. Por isso, é necessário que ocorra a muda e a cutícula seja trocada. 

O processo de muda começa quando as células epidérmicas cuticulares são estimuladas pela exposição do hormônio 20-hidroxiecdisona (o hormônio da muda do inseto). 

ilustração de células cuticulares epidérmicas de inseto jovem no início do processo de muda com a ação do hormônio 20-hidroxiecdisona

Células cuticulares epidérmicas de inseto jovem no início do processo de muda com a ação do hormônio 20-hidroxiecdisona
(Fonte: Larry Keeley)

Esse hormônio entra nas células epidérmicas, onde estimula genes relacionados à muda e à formação de uma nova cutícula. 

Depois disso, as células epidérmicas passam por mitose ou crescem pelo alargamento celular. Esse é o período em que o inseto jovem cresce e forma uma cutícula maior para começar o próximo instar. 

A cutícula velha (exúvia) se separa da epiderme no processo de apólise e dá lugar à nova cutícula. Dessa maneira, ocorre a muda ou ecdise, onde o inseto faz a troca de exoesqueleto. 

ilustração de momento em que ocorre a muda ou ecdise do inseto para troca de exoesqueleto

Momento em que ocorre a muda ou ecdise do inseto para troca de exoesqueleto 
(Fonte: Larry Keeley)

Ação do inseticida ecdisteroide

Quando os inseticidas ecdisteroides entram em ação, eles agem como se fossem o hormônio 20-hidroxiecdisona. 

E, como você viu, esse hormônio estimula as células epidérmicas cuticulares a começarem um novo processo de muda. 

Por isso, o inseto sofre uma mudança de forma prematura. Quando o composto começa a agir, a larva sofre inanição. 

A troca do exoesqueleto fora da hora faz com que a nova cutícula seja deformada. O inseto continua sem se alimentar e acaba morrendo. 

Como eu disse, a ação desses inseticidas é mais lenta que os de amplo espectro (que agem em vários organismos), mas o processo todo não demora mais que um dia. 

Por ter uma ação específica nas pragas e pela segurança aos inimigos naturais presentes na área de cultivo, são bastante recomendados em programas de MIP (Manejo Integrado de Pragas). 

Principais pragas que controlam

Esses inseticidas têm ação específica sobre lepidópteros-praga em diversas culturas como algodão, cana-de-açúcar, citros, eucalipto, milho e soja

Veja alguns exemplos de pragas que são controladas pelas diacilhidrazinas:

Algodão 

Cana-de-açúcar

Citros

  • Larva-minadora-das-folhas (Phyllocnistis citrella)
  • Bicho-furão (Ecdytolopha aurantiana)

Eucalipto

  • Lagarta-de-cor-parda (Thyrinteina arnobia)

Milho

Soja

Produtos ecdisteroides no mercado

As diacilhidrazinas possuem quatro ingredientes ativos segundo o Irac, que são:

  • cromafenozida;
  • halofenozida;
  • metoxifenozida;
  • tebufenozida.

Entretanto, os ingredientes ativos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) são cromafenozida, metoxifenozida e tebufenozida

captura de tela da agrofit, Ingredientes ativos de diacilhidrazinas registrados pelo Mapa

Ingredientes ativos de diacilhidrazinas registrados pelo Mapa
(Fonte: Agrofit)

Cromafenozida

Existem dois produtos registrados com este ingrediente ativo, ambos da empresa Iharabras: Ciclone e Matric. 

captura de tela Agrofit com Produtos registrados com cromafenozida

Produtos registrados com cromafenozida
(Fonte: Agrofit)

Metoxifenozida

Existem 6 produtos registrados com este ingrediente ativo, de diferentes empresas.

Os produtos Fidele, Intrepid Edge, Intrepid 240 SC e Revolux da Dow Agrosciences; Masterole da Rainbow Defensivos; e Tecal 240 SC da Rotam do Brasil Agroquímica. 

captura de tela da Agrofit com Produtos registrados com metoxifenozida

Produtos registrados com metoxifenozida
(Fonte: Agrofit)

Tebufenozida

Existe apenas um produto registrado com este ingrediente ativo, da empresa Iharabras S.A., o Mimic 240 SC.

captura de tela Agrofit com Produto registrado com tebufenozida

Produto registrado com tebufenozida
(Fonte: Agrofit)

Cada ingrediente ativo possui as pragas-alvo principais. Por isso, é importante que você leia a bula e siga as instruções corretamente. 

Além disso, é essencial que você consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). 

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Conclusão

Neste artigo, você encontrou informações sobre os inseticidas reguladores de crescimento, que são os que agem no crescimento e desenvolvimento dos insetos. 

Existem três sítios de ação desses produtos e o foco aqui foi sobre os agonistas dos receptores de ecdisteroides, que provocam a muda prematura em lagartas

No mercado brasileiro, você encontra 9 produtos que pertencem ao grupo das diacilhidrazinas e que podem controlar diversas pragas de diferentes culturas. 

Referência

NATION SR, James L. Insect physiology and biochemistry. CRC press, 2015. 

Restou alguma dúvida sobre os inseticidas ecdisteroides? Adoraria ler seu comentário!

Quando a irrigação de café pode ser uma alternativa rentável para sua lavoura?

Irrigação de café: entenda os benefícios e desafios, custos envolvidos, potencial de ganho e compensação econômica do investimento

O déficit hídrico é um dos fatores de maior impacto na cafeicultura, prejudicando a sobrevivência, o crescimento e a produtividade das plantas. 

Contar apenas com a variação de chuva ao longo do ano aumenta a incerteza e os riscos da cultura do café. 

Por isso, o uso da irrigação tem se tornado uma alternativa bastante interessante, permitindo o aumento da produção do cafeeiro e também da qualidade das bebidas.

Mas quando vale a pena investir na irrigação de café? Qual método pode ser o mais adequado para a sua lavoura? Confira essas e outras respostas a seguir!

Por que irrigar o cafeeiro?

A principal intenção de irrigar o cafeeiro é fornecer uma quantidade de água ideal para o bom crescimento e desenvolvimento das plantas. 

Ao  corrigir a umidade do solo, a planta pode se aproximar do seu potencial produtivo, diminuindo perdas e aumentando a produção.

Essa técnica diminui o risco da atividade agrícola, que passa a não depender apenas dos níveis de chuva naturalmente acumulados. 

Ao manter o fornecimento de água ideal, a planta aumenta a eficiência do seu processo de fotossíntese, que é a sua maior fonte de biomassa.

Além disso, a cultura do café tem seu florescimento estimulado pela precipitação após um período de seca. Nesse caso, o uso de irrigação pode induzir floradas mais homogêneas, gerando maior produtividade, grãos de maior peneira e maturação mais igualitária de frutos.

A cafeicultura irrigada representa 12% da área total de café do país, mas responde por 30% da produção. Isso mostra a vantagem do uso da irrigação na produtividade quando comparada à cultura de sequeiro.

6 principais métodos de irrigação na cultura do café

Existem alguns métodos mais empregados para a irrigação do café. São eles:

  1. canhão hidráulico: é um sistema com alto consumo de energia e pode ainda causar desuniformidade de aplicação e desperdício de água;
  2. malha: é um método simples e efetivo, com baixo custo de implantação;
  3. pivô central: é um sistema preparado para irrigar uma área circular de lavoura e com boa uniformidade;
  4. microaspersores: é um sistema de irrigação localizada com alto rendimento e precisão;
  5. Gotejamento: usado para irrigação localizada, possui custo mais elevado, mas com alto rendimento e precisão;
  6. Tripas: é um sistema de irrigação localizada de custo mais baixo que os microaspersores e gotejamento.

A recomendação do método de irrigação depende de fatores como:

  • topografia da área;
  • disponibilidade de água na propriedade;
  • porosidade do solo;
  • nível tecnológico da fazenda;
  • condições climáticas como pluviosidade, temperatura e velocidade do vento.
gráfico com custo de implantação de sistemas de irrigação de café
Custo de implantação de sistemas de irrigação
(Fonte: Esalq, 2013)

Quando utilizar irrigação no cafeeiro?

As condições climáticas ideais para a cultura do café são temperaturas entre 19℃ e 21℃ e precipitação anual acumulada de 1.400 mm. 

Na maioria das regiões, onde a cultura é mais presente, as condições se aproximam das ideais.

Porém, tem-se verificado a alteração de padrões climáticos em algumas regiões, o que pode ocasionar aumento de temperatura e regime hídrico mais variável. 

O déficit hídrico a partir de 150 mm passa a causar danos no vigor e produtividade de plantas de café.

A recomendação de irrigação está muito ligada às condições climáticas de cada região.  Quanto maiores as limitações climáticas – como temperaturas altas e disponibilidade hídrica baixa – mais benéfica se torna a irrigação. 

Qual o potencial de ganho com uso da irrigação de café?

Assim como a recomendação do uso, o potencial da irrigação do café também depende das limitações climáticas da região.

Em regiões quentes e secas, o uso de irrigação pode aumentar a produtividade em 100%. Nas demais regiões o ganho pode variar de 25% a 60%.

Além disso, a irrigação proporciona uma florada mais homogênea, que pode garantir uma frutificação mais robusta, com grãos maiores e de maior qualidade. Isso aumenta a qualidade do café em termos de classificação de peneira e quantidade de defeitos.

Finalmente, a irrigação pode aumentar a qualidade de bebida do café pelo acúmulo de qualidades sensoriais do produto final.

Compensação econômica

A compensação econômica da implantação de um sistema de irrigação de café vai depender das limitações climáticas da região, da capacitação técnica da propriedade e do sistema escolhido.

Isso definirá os custos de produção e operação e também os ganhos em produtividade e qualidade do café

A tabela a seguir mostra um comparativo financeiro da implantação e produção de cafeeiros em sequeiro e irrigado.

O ganho com o sistema de irrigação no estudo de caso apresentado abaixo foi de 41% de aumento no lucro final por hectare. Esse índice, entretanto, pode ser maior ou menor de acordo com os fatores acima citados. 

Em alguns casos, o investimento na irrigação pode ser pago já na primeira safra  ou em um período maior, de até 2,2 anos, dependendo das realidades dos estudos de caso.

tabela com custos de produção de cafeeiros em sequeiro e irrigado obtidos em estudo de caso
Custos de produção de cafeeiros em sequeiro e irrigado obtidos em estudo de caso
(Fonte: Educampo, 2015)

Quais os desafios para a implementação da irrigação?

Os principais desafios para a implementação da irrigação no cafeeiro estão relacionados ao uso racional de água e energia

O planejamento e execução da irrigação deve ser feita por um profissional especializado. Além disso, a automatização de cálculos de lâmina de irrigação podem auxiliar na eficiência do processo. 

Outro ponto importante é a constante verificação e manutenção dos equipamentos de irrigação para evitar possíveis danos e problemas.

Finalmente, a boa escolha do sistema de irrigação e o conhecimento das legislações referentes à outorga e uso de água são fundamentais para aumentar a porcentagem de sucesso do empreendimento.

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Conclusão

A irrigação do cafeeiro tem se mostrado uma opção viável e rentável. Ela contribui para diminuir os riscos da atividade agrícola, contornar as variações climáticas regionais, aumentar a produtividade da lavoura e racionalizar o uso de recursos vitais como água e energia.

A escolha do sistema de irrigação, sua instalação, manejo e manutenção são atividades primordiais para o sucesso do empreendimento.

Além disso, as recomendações de lâminas de água de acordo com a fase fenológica da cultura, das características climáticas e de solo também são importantes.

Como você viu, essa técnica se apresenta financeiramente viável através do pagamento de investimento por meio do aumento da produtividade do cafeeiro, da qualidade dos grãos e da bebida.

>> Leia mais:

“Poda do cafezal: como fazer para aumentar sua produção”

“Adubação para café: simples e prática (+ planilha)”

Você tem alguma experiência com relação à irrigação de café? Deixe seu comentário e vamos continuar essa conversa!

Passo a passo de como fazer a limpeza de pulverizador agrícola com segurança

Limpeza de pulverizador agrícola: quais cuidados você deve seguir antes e durante o procedimento para aumentar a vida útil e ter melhores resultados com o equipamento

Você sabia que a limpeza correta do pulverizador agrícola aumenta a vida útil do implemento, evita fitotoxicidade e melhora a eficiência das aplicações de defensivos agrícolas?

A limpeza deve ser rígida interna e externamente, além de realizada atendendo diversos procedimentos. 

Tanque, bomba, mangueiras e pontas de pulverização devem ser completamente limpos para evitar contaminação.

A seguir, vou explicar como realizar a limpeza correta do pulverizador. Confira!

Importância da limpeza e descontaminação do pulverizador agrícola

A utilização de produtos como agroquímicos, pesticidas, produtos fitossanitários ou defensivos agrícolas para controlar pragas, plantas daninhas e doenças faz parte do manejo de lavouras. Ela está relacionada à produtividade agrícola.

No século 20, houve um aumento considerável na utilização desses produtos, desenvolvidos comercialmente e em larga escala, movimentando bilhões de dólares no mundo todo.

Existem diversos produtos com variados ingredientes ativos para controle de insetos, fungos, plantas-daninhas, nematoides, ácaros, etc. 

Muitos destes produtos reagem entre si. Portanto, é indispensável conhecer sua natureza e indicações antes de realizar a pulverização.

O alvo, o momento de pulverização, o produto utilizado, o equipamento (pulverizador) adequado e em condições de uso comandam a tecnologia de aplicação do defensivo agrícola.

A preparação do pulverizador para uma aplicação começa bem antes da regulagem (calibração de velocidade de trabalho e/ou pressão de operação). 

É indispensável conhecer o funcionamento do seu pulverizador e entender como alguns produtos reagem com o sistema de pulverização.

A limpeza do tanque de pulverização e o sistema de distribuição da calda são as manutenções mais básicas e frequentes que precisam ser feitas. Caso contrário, o implemento pode ser danificado e ter sua vida útil consideravelmente reduzida.

foto com filtros de pontas do pulverizador agrícola com resíduos de agroquímico

Filtros de pontas do pulverizador agrícola com resíduos de agroquímico
(Fonte: DocPlayer)

Diversos agroquímicos podem se incrustar em partes ocultas do sistema, como mangueiras, filtros, registros, pontas de pulverização, etc.

Veja alguns danos que esses detritos podem causar:

  • contaminação de lavouras;
  • alteração da composição química do produto aplicado;
  • obstrução da tubulação, filtros e pontas;
  • corrosão de partes do sistema;
  • comprometimento do manejo e perdas significativas na lavoura.

Por fim, a limpeza correta deve ser realizada sempre entre operações de modo a minimizar danos ao equipamento, tornar a pulverização mais eficiente e colher bons resultados ao final da safra.

Procedimentos antes da limpeza do pulverizador agrícola

Para limpar o pulverizador agrícola, você deve seguir alguns passos:

Sobrou produto no tanque?

O volume de calda preparada deve ser exatamente a quantidade a ser aplicada no campo.

Se mesmo assim sobrar, o tanque deve ser esvaziado completamente, preferencialmente sobre a mesma lavoura que foi pulverizada.

Irá realizar outra pulverização no dia seguinte?

Se a resposta for sim, e com o mesmo produto, é recomendado colocar água limpa no tanque e pulverizar até o fim. Dessa forma, você evita que resíduos sequem no fundo do tanque e em seus demais componentes.

Caso vá trocar o produto fitossanitário na próxima pulverização, outro procedimento será adotado – e está explicado logo abaixo em 5 passos!

foto de filtro entupido por incompatibilidade de agrotóxicos no tanque - texto sobre limpeza de pulverizador agrícola

Filtro entupido por incompatibilidade de agroquímicos no tanque
(Fonte: Infobibos)

Local de limpeza e descontaminação

O equipamento deve ser levado a um local adequado, onde a limpeza e descontaminação devem ser realizadas com água e solução de limpeza (limpa tanque agrícola).

O local adequado corresponde a uma área:

  • aberta, ampla e isolada;
  • longe de cursos d’água;
  • cercada de modo a ser inacessível a animais e outras pessoas não autorizadas;
  • com acesso à água pressurizada e um piso impermeável com canaletas que direcionam a água da operação para local adequado.

Não há uma legislação específica para isso. Entretanto, algumas recomendações podem ser extraídas do artigo 7.º da IN n.º2 de 2008, que trata deste procedimento para aviões agrícolas.

Equipamentos e proteção

É indispensável que o agente de limpeza e descontaminação esteja protegido de todas as formas de exposição aos agroquímicos.

Há legislação vigente no Brasil que regula o uso de agroquímicos, inclusive tratando sobre a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs)

A NR-31,presente no artigo 13 da Lei n.º 5.889/73, trata da segurança e saúde no trabalho na agricultura.

Operador com EPI de pulverização adequado em uma lavoura de café

Operador com EPI de pulverização adequado
(Fonte: Campo e Negócios)

4 passos para fazer a limpeza interna do pulverizador agrícola

A técnica utilizada difere da tríplice lavagem, onde são feitas limpezas por três vezes com apenas água.

Neste caso, utiliza-se água e um produto químico (limpa tanque). Usualmente no rótulo ou bula dos agroquímicos os fabricantes recomendam princípios ativos específicos para o produto.

Confira abaixo o passo a passo para a limpeza interna:

  1. Coloque meio tanque de água limpa, agite e pulverize por pelo menos 5 minutos, limpando o tanque, mangueiras de linhas e pontas. Deve ser dada atenção aos componentes do circuito hidráulico para notar possíveis peças danificadas ou vazamentos;
  2. Após retirar a água, encha o tanque com água limpa e adicione o limpa tanque específico. Agite o tanque por 15 minutos e opere por tempo suficiente para que as linhas de barra e pontas sejam preenchidas com a água + limpa tanque. 
  3. Mantenha o implemento em repouso por diversas horas, preferencialmente durante a noite e, após esse período, agite o tanque novamente e pulverize a solução.
  4. Complete o tanque com água para o enxágue final e limpe combinando agitação e pulverização por 5 minutos, liberando o restante pelo fundo do tanque.

Como fazer a limpeza externa do pulverizador

Finalizado o procedimento de lavagem interna, remova filtros e pontas, que podem ser deixados em um balde com água e limpa tanque por alguns minutos. Feito isso, lave-os com água limpa e escovas de cerdas macias.

No restante do implemento, utilize um  jato de água pressurizado para remover resíduos. 

Geralmente se usa apenas água, entretanto, dependendo do estado do equipamento, é necessário utilizar agentes de limpeza adicionados à água pressurizada.

foto de limpeza externa com água pressurizada, operador com todos os equipamentos de segurança

Limpeza externa com água pressurizada
(Fonte: HardiSprayer)

Produtos para limpeza

Os mais comuns e recomendados são à base de amônia, pois elevam o pH da solução, facilitando a remoção de resíduos de agroquímicos.

Produtos à base de cloro também são amplamente utilizados. Porém, é preciso ter cuidado para não utilizá-los com produtos amoniacais e nem em tanques onde se utilizou agroquímicos à base de amônia, pois os dois componentes juntos reagem e formam gás tóxico.

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Conclusão

Planeje a pulverização para não sobrar calda no tanque e, após o manejo, limpe e descontamine o pulverizador.

Use produto limpa tanque recomendado na limpeza do pulverizador agrícola para cada categoria de agroquímico –  e leia sempre o rótulo.

Limpe cuidadosamente as partes da máquina que estiveram em contato com a calda.

Utilize corretamente todos os equipamentos e proteção individual (EPIs).

Sempre siga as recomendações de um profissional agrônomo nas operações de pulverização.

Espero que, com essas dicas, você prolongue a vida útil dos equipamentos e obtenha resultados melhores na sua fazenda!

>>Leia mais:

“Entenda os princípios e benefícios da pulverização eletrostática na agricultura”

Já enfrentou dificuldades na limpeza do pulverizador agrícola? Ainda tem alguma dúvida sobre o assunto? Conte sua experiência nos comentários!

Como garantir a qualidade durante os processos de secagem e armazenamento de trigo

Armazenamento de trigo: confira os principais manejos que você deve adotar na pós-colheita para evitar as perdas e a desvalorização dos grãos.

O cuidado na pós-colheita do trigo é fundamental para garantir a manutenção da qualidade dos grãos e evitar perdas no seu preço de venda.

Mas você sabe quais fatores devem ser observados durante a secagem do trigo e como manejá-los? 

Sabe quais manejos devem ser adotados na armazenagem do trigo para minimizar as perdas e evitar pragas? 

Sabe quais são os principais contaminantes do trigo na pós-colheita e como monitorá-los?

Confira essas e outras recomendações a seguir!

A pós-colheita do trigo

A pós-colheita do trigo compreende a limpeza, a secagem e o armazenamento dos grãos.

A limpeza geralmente não ocasiona danos à qualidade dos grãos de trigo, pelo contrário, pode melhorar a qualidade do lote pela retirada das sujidades e de grãos chochos e quebrados.

Já na secagem e no armazenamento, os grãos de trigo podem sofrer danos se não forem adotados os manejos corretos.

Portanto, como você verá a seguir, cuidados devem ser tomados para que a qualidade dos grãos seja mantida nas operações após a colheita do trigo.

Secagem de trigo

Antes da secagem, os grãos devem passar pela pré-limpeza realizada por uma máquina de ar e peneiras. O objetivo é retirar restos culturais e materiais estranhos como pedras, terra, etc., da massa de grãos.

Essa limpeza facilita a secagem e permite o armazenamento com melhor qualidade.

A secagem dos grãos de trigo serve para reduzir o teor de água, permitindo o armazenamento seguro por maior tempo. 

Esse processo pode ser realizado com ar aquecido ou com ar natural (sem aquecimento). Vou explicar cada um deles a seguir.

Secagem com ar aquecido

O principal aspecto relacionado à secagem de grãos de trigo com ar aquecido é a temperatura do ar de secagem, que vai depender do tipo de secador (estacionário ou intermitente) e do teor de água inicial dos grãos.

Para que a qualidade tecnológica dos grãos de trigo não seja prejudicada, a temperatura da massa de grãos não deve ultrapassar 60 ℃. 

Na secagem estacionária, pelo fato de ser realizada em camadas fixas, pode haver super secagem e aquecimento excessivo da camada inferior. Portanto, é recomendada a utilização de temperaturas mais baixas (45 ℃ a 50 ℃). 

Já em secadores intermitentes, em que os grãos não permanecem o tempo todo em contato com o ar aquecido, a temperaturas deve ficar em torno de 70 ℃.

Quanto ao teor de água inicial, é recomendado que grãos com teor mais elevado (em torno de 20%) sejam secos com temperaturas mais baixas. 

Por outro lado, grãos com teor de água mais baixo (em torno de 15%) podem ser submetidos a temperaturas mais próximas da máxima indicada.

Essa recomendação é importante, visto que a retirada de água dos grãos de forma muito abrupta pode ocasionar fissuras e quebras. Isso reduz a qualidade, o potencial de conservação e o valor comercial dos grãos.

Secagem com ar natural

A secagem com ar natural é realizada em secadores estacionários ou em silos-secadores, sem o aquecimento do ar.

Neste tipo de secagem, os principais parâmetros a serem observados são:

  • temperatura e umidade relativa do ar;
  • teor de água da massa de grãos.

A secagem com ar natural é mais barata e os danos pela temperatura do ar de secagem são inexistentes. 

Por outro lado, é mais demorada e, dependendo das condições do ar e do teor de água inicial dos grãos, o produto pode demorar demais para secar e, consequentemente, sofrer deterioração.

Sendo assim, para regiões com histórico de altas umidades relativas do ar, não é indicado realizar este tipo de secagem. 

Já em regiões de clima mais seco, a secagem com ar natural funciona muito bem.

Principais cuidados no armazenamento de trigo

Os principais fatores que precisam ser observados durante o armazenamento de trigo são o teor de água e a temperatura da massa de grãos.

Grãos armazenados com elevado teor de água e em alta temperatura aumentam suas taxas respiratórias e se deterioram com maior velocidade.

Desta forma, os grãos devem ser armazenados secos (teor de água inferior a 13%) e em temperaturas da massa de grãos baixas (em torno de 18 ℃). 

O monitoramento do teor de água dos grãos pode ser realizado por amostragens sistemáticas. 

Já a temperatura da massa de grãos pode ser monitorada com o auxílio de termopares, que são sensores instalados em meio aos grãos e fazem a medição da temperatura em tempo real.

Sistema de monitoramento da temperatura da massa de grãos por termopares

Sistema de monitoramento da temperatura da massa de grãos por termopares
(Fonte: Fockink)

É importante que os silos destinados à armazenagem de grãos de trigo a granel sejam equipados com ventiladores, visando a aeração.

A aeração proporciona a uniformização da temperatura e do teor de água dos grãos, além de promover a renovação do ar intergranular.

Para realizar a aeração dos grãos, são necessários cuidados quanto às condições de temperatura e umidade relativa do ar.

Pragas do armazenamento de trigo

Durante o armazenamento, os grãos de trigo podem ser atacados por pragas, principalmente fungos e insetos, denominadas pragas de armazenagem.

Estas pragas podem ocasionar perdas significativas. Por isso, é importante conhecê-las, monitorá-las e controlá-las.

Fungos

Os fungos encontrados em grãos de trigo no armazenamento são principalmente a giberela (Fusarium graminearum), os mofos e bolores (Aspergillus spp. e Penicillium spp).

fotos de quatro grãos de trigo contaminados pela giberela (Fusarium graminearum) em estágios diferentes

Grãos de trigo contaminados pela giberela (Fusarium graminearum)
(Fonte: O Presente Rural)

Os fungos de armazenamento são os principais produtores de micotoxinas, que são toxinas produzidas pelo seu metabolismo secundário e que podem causar doenças e a morte de humanos e animais.

O controle de fungos deve ser realizado de forma preventiva. Portanto, recomenda-se que os grãos de trigo sejam armazenados com baixos teores de água (<13%) e a baixas temperaturas (em torno de 18%). 

Além disso, o processo de limpeza e higienização das estruturas de armazenagem e dos grãos antes de serem estocados é indispensável, pois restos culturais e sujeiras podem ser fonte de inóculo para os fungos.

Insetos

As principais espécies de pragas de grãos de trigo no armazenamento são o besourinho dos cereais (Rhyzopertha dominica) e o gorgulho (Sitophilus sp.).

duas fotos de grãos de trigo atacados por insetos de R. dominica e Sitophilus sp.

Grãos de trigo atacados por insetos de R. dominica e Sitophilus sp.
(Fonte: Grupo Líder e Minden Pictures)

Para fazer o controle de insetos em grãos de trigo armazenados, utilize as práticas do MIP (Manejo Integrado de Pragas)

Algumas medidas de controle são:

  • limpeza, higienização e tratamento com inseticidas protetores nas estruturas do armazém (a mais importante);
  • limpeza e secagem adequada dos grãos;
  • armazenamento de grãos secos (<13%) e a baixas temperaturas (18 ℃);
  • monitoramento da presença das pragas ao longo do armazenamento;
  • tratamento dos grãos com inseticidas recomendados no enchimento do silo;
  • expurgo com fosfina (medida corretiva).

Em silos equipados com sistema de termometria, é possível realizar o monitoramento da presença de insetos pelo surgimento de pontos localizados de aquecimento na massa de grãos, típicos da presença destas pragas.

Monitoramento de contaminantes

Devido à importância da cultura do trigo e da forma de consumo, principalmente para os produtos integrais, é importante que se faça o monitoramento dos contaminantes durante o armazenamento, buscando a identificação e as soluções a serem tomadas.

Micotoxinas, fragmentos de insetos e resíduos de agrotóxicos são os principais contaminantes que devem ser monitorados.

O monitoramento da contaminação por micotoxinas pode ser realizado de forma rápida e ágil. Já existem no mercado várias opções de monitoramento com testes rápidos para a detecção de diferentes micotoxinas e concentrações.

Equipamentos utilizados para a detecção de micotoxinas em trigo - armazenamento do trigo

Equipamentos utilizados para a detecção de micotoxinas em trigo
(Fonte: Vicam)

O limite de fragmentos de insetos em farinha de trigo está disposto na RDC N° 14 da Anvisa. O limite máximo considerado é de 75 fragmentos para cada 50 g de farinha.

Já o monitoramento da presença de resíduos de agrotóxicos nos grãos é dificultado devido à necessidade de equipamentos específicos.

Assim, é necessário respeitar o período de carência do agrotóxico e utilizar apenas produtos indicados para a aplicação em grãos armazenados.

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Conclusão

As etapas de pós-colheita do trigo são fundamentais para que o grão não perca qualidade e sofra desvalorização, o que prejudica sua lucratividade.

Vimos que, na secagem, o principal fator a ser considerado é a temperatura, que depende do teor de água inicial dos grãos e do tipo de secador.

Também falamos sobre os cuidados na etapa de armazenamento de trigo e sobre a importância do monitoramento de contaminantes, que deve ser frequente, principalmente com relação às micotoxinas. Assim, é possível identificar rapidamente as alterações e minimizar perdas.

Espero que, com essas informações, você tenha uma excelente pós-colheita do trigo!

Restou alguma dúvida sobre os processos relacionados ao armazenamento de trigo? Deixe seu comentário abaixo!

Saiba o que muda com as novas regras de sementes salvas

Sementes salvas: entenda o que diz a nova legislação que passa a vigorar em 21 de março de 2021

O decreto 10.586/2020 entra em vigor no dia 21 de março de 2021 e nele constam algumas alterações no que diz respeito às sementes salvas. 

As novas orientações prometem desburocratizar o processo e facilitar a vida do produtor. Mas também prevê punições mais severas, diferenciando o usuário do produtor ilegal de sementes. 

Quer entender melhor as novas regras para sementes salvas? Confira a seguir!

O que são sementes salvas?

Sementes salvas são aquelas sementes reservadas pelo produtor para serem plantadas exclusivamente na próxima safra, não sendo possível sua comercialização.

Essa reserva é feita somente após a aquisição comercial da semente. Ou seja, o produtor compra as sementes de uma empresa devidamente cadastrada no Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas) para formar sua lavoura, que terá parte da sua produção reservada para ser plantada na safra seguinte. 

É direito do produtor, previsto em lei, guardar parte da sua produção. No entanto, é preciso estar em concordância com o que preconiza a legislação, que agora tem mudanças. Separei as principais para que você entenda melhor.

Quais alterações foram feitas?

A primeira alteração trazida pelo decreto 10.586/2020 está no aumento do prazo para que o produtor rural solicite junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a amostragem para verificação do índice de germinação ou viabilidade, quando for o caso. 

Após o recebimento da semente pelo produtor, o prazo para solicitação de amostragem foi estendido de 10 para até 20 dias. É importante ressaltar que a solicitação deve ser feita mediante justificativa e que a embalagem das sementes não tenha sido violada. 

Outra modificação se refere à documentação que o produtor deve ter sob sua posse. Continua sendo obrigatório, por parte do produtor, manter à disposição da fiscalização a documentação original de aquisição da semente. Porém, a documentação necessária e o tempo de arquivamento ainda serão determinados. 

Outra alteração está relacionada às exigências quanto à identificação da embalagem e local de armazenamento das sementes. O antigo decreto não especificava essas questões.

O novo decreto indica que a semente reservada pelo produtor rural deverá ser identificada em seu local de armazenamento. Entretanto, mais informações precisam ser determinadas em norma complementar a ser divulgada.

Antes, somente as áreas destinadas à produção de cultivares protegidas precisavam ser inscritas pelo produtor. Com a nova legislação, tanto as cultivares protegidas quanto as de domínio público precisam ter suas áreas de produção declaradas.

Reserva técnica

Outra modificação trazida pelo decreto 10.586/2020 refere-se à reserva técnica

Antes, a reserva de sementes para uso próprio era quantificada somente com base na área a ser plantada na próxima safra. 

Já o novo decreto autoriza que o produtor tenha uma reserva técnica com quantidade de sementes maior que a necessária para o plantio da safra seguinte. 

Essa atualização na legislação possibilita que o produtor tenha material de propagação no caso da necessidade de ressemeadura

Apesar disso, é importante lembrar que informações sobre o percentual da reserva técnica terá por base a espécie a ser cultivada e ainda será divulgado.

Confira também: “Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda”

Punições previstas

O novo decreto também prevê que o produtor que descumprir as orientações poderá ser enquadrado como produtor ilegal de sementes, estando sujeito às penalidades administrativas, civis e financeiras.

A reserva de sementes não pode ser plantada fora da área de posse do produtor e deve ainda ser utilizada, exclusivamente, na safra seguinte à da sua reserva. 

Além disso, a reserva de semente deve estar em concordância com o tamanho da área a ser cultivada na safra seguinte e de acordo com as recomendações técnicas indicadas para a cultura. 

Já o percentual da reserva técnica não pode exceder o estabelecido pela legislação para a cultura.

Veja mais informações sobre as mudanças nas regras na figura abaixo:

infográfico que mostra todas as mudanças das sementes salvas para o novo decreto

(Fonte: adaptado de Sistema Faep)

Como armazenar sementes com segurança?

Depois de beneficiadas, as sementes salvas podem ser armazenadas em sacos de papel, polipropileno ou juta e também em sacos tipo big bag. 

foto de armazenamento de sementes em sacos de papel

Armazenamento de sementes em sacos de papel
(Fonte: Cocari)

foto de armazenamento de sementes em sacos tipo big bag

Armazenamento de sementes em sacos tipo big bag
(Fonte: Sementes São Francisco)

Outra forma de armazenagem é em silos de madeira com sistema de ventilação para auxiliar no processo de conservação das sementes.

Silos de madeira utilizados no armazenamento de sementes

Silos de madeira utilizados no armazenamento de sementes
(Fonte: Sementes Simão)

As sementes também podem ser armazenadas em contêineres. Essas estruturas metálicas são herméticas, de fácil higienização e podem ser transferidas de um local para outro sem prejuízo para as sementes. 

Container dry utilizado para armazenamento de sementes

Container dry utilizado para armazenamento de sementes
(Fonte: Miranda Container)

Vale lembrar que a escolha de como será o armazenamento deve considerar as características fisiológicas das sementes, bem como fatores econômicos e tecnológicos disponíveis. 

9 dicas para o armazenamento de sementes

Abaixo você pode conferir algumas orientações de como armazenar sementes de forma correta:

  1. o local deve ser seco e arejado;
  2. controle e monitore as condições ambientais do armazém como temperatura e umidade. Para a preservação e conservação das sementes é preciso ambiente com baixa temperatura e baixa umidade. É necessário respeitar as características intrínsecas de conservação de cada espécie.
  3. mantenha os sacos de sementes sob estrados (pallets), de modo que não fiquem em contato direto com o solo;
  4. identifique as sementes por lotes;
  5. não faça pilhas de sacos muito altas e mantenha distanciamento das paredes e do telhado do armazém, facilitando a ventilação;
  6. evite o contato direto das sementes com a luz solar;
  7. não guarde as sementes e outros tipos de insumos como adubos, defensivos agrícolas e ração no mesmo local;
  8. controle insetos e roedores no local de armazenagem e arredores;
  9. mantenha o local limpo, organizado e bem sinalizado.
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Conclusão

A semente é um organismo vivo e seu armazenamento requer cuidados específicos para melhor conservação. 

As corretas condições de armazenamento das sementes salvas, aliadas ao manejo adequado, garantem o bom desenvolvimento inicial da cultura e um estande de plantas uniforme, o que é importante para atingir altas produtividades. 

Diante deste cenário, é preciso estar atento às mudanças na legislação. Como você viu nesse artigo, algumas informações ainda precisam ser divulgadas por meio de normas complementares, que não têm data prevista para serem publicadas.

Enquanto algumas orientações específicas não são determinadas, considere o decreto atual para não sofrer penalidades.

>> Leia mais:

“O que caracteriza sementes piratas e como fugir disso”

“Tratamento de sementes na fazenda ou industrial? Faça a melhor escolha!”

“O que é e por que adotar o sistema de combinação de híbridos”

Restou alguma dúvida sobre as novas normas para sementes salvas? Como você faz em sua propriedade hoje? Deixe seu comentário!

O que são fungicidas multissítios e por que você deve passar a utilizá-los

Fungicidas multissítios na cultura da soja: como eles podem ser importantes aliados no controle e manejo de resistência de doenças. 

O Brasil é o maior produtor de soja no mundo. Mas você sabia que a produtividade poderia ser 42% superior com manejos adequados da lavoura?

O controle de doenças é um dos pontos que mais interferem nos resultados da sua safra. Por isso, conhecer as estratégias mais eficientes e fazer a utilização racional de produtos para evitar casos de resistência é fundamental!

Já utilizados com sucesso em diversas culturas, os fungicidas multissítios vêm sendo uma ferramenta importante no manejo de doenças fúngicas, especialmente em soja. 

A seguir, conheça melhor esses fungicidas e saiba por que eles podem fazer uma grande diferença nos resultados da sua próxima safra!

O que são fungicidas multissítios?

Os fungicidas podem ser classificados de acordo com o seu espectro de ação em sítio-específicos ou multissítios.  

Os fungicidas de sítio-específico atuam sobre um único ponto da via metabólica de um patógeno fúngico ou ainda sobre uma única proteína ou enzima necessária para a sua sobrevivência. 

São mais propensos a apresentarem resistência. São absorvidos pelas plantas, e geralmente possuem atuação sistêmica, ou seja, são transportados para outras partes da planta. 

Em contrapartida, os fungicidas multissítios atuam sobre diferentes pontos do metabolismo dos fungos e, devido às suas características, apresentam baixo risco de resistência, geralmente com ação de contato.

Necessitam permanecer sobre a superfície das folhas como camada de proteção contra a germinação dos esporos fúngicos. Logo, normalmente são aplicados de forma preventiva.

Essa característica dos fungicidas multissítios faz com que eles estejam suscetíveis à remoção pela água da chuva, especialmente logo após a aplicação e até mesmo pela degradação causada pela luz solar. Assim, pode conferir menor proteção ao longo do tempo e, por isso, são empregados em associação. 

Quais são os benefícios do uso desses fungicidas?

Os fungicidas multissítios apresentam capacidade de controlar vários patógenos, como demonstrado na tabela que você confere mais à frente no texto.

Por ter uma atuação de modo não específico, dificulta a pressão de seleção de patógenos resistentes. Se um local de atuação for burlado pelo patógeno, de modo que ele possa sobreviver, outros ainda estarão atuando no seu controle.

Podem ser utilizados em misturas com fungicidas de sítio específico a fim de retardar ou evitar o surgimento de resistência,  garantindo níveis de controle satisfatórios e prolongando sua vida útil.

Recomendações para aplicação de fungicidas na cultura da soja

Fungicidas multissítios

Considerando os relatos de menor sensibilidade dos principais grupos de fungicidas (triazois, estrobilurinas e carboxamidas) no manejo da ferrugem asiática da soja no Brasil, alternativas que diminuam a severidade dessa doença devem ser utilizadas. 

Resultados de pesquisa indicaram maior controle da severidade da ferrugem com a associação de picoxistrobina+ciproconazol e oxicloreto de cobre, com severidades próximas a 20%, enquanto o tratamento testemunha, sem aplicação, apresentou 73%.

A utilização de picoxistrobina+ciproconazol e clorotalonil reduziu em aproximadamente 60% a severidade da ferrugem em experimentos de campo.

Clorotalonil e mancozebe também apresentaram reduções na severidade da ferrugem em experimentos na safra 2019/20, de valores entre 40% e 50% em comparação ao tratamento controle, demonstrando potencial de utilização.

O Frac (Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas do Brasil) indica que as recomendações de fungicidas sejam baseadas em produtos registrados para o controle da ferrugem asiática. 

Você pode consultar a lista de produtos registrados no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit).

Produtos de sítio-específico

Alguns fungicidas de sítio específico, quando aplicados de forma conjunta, conferem maior proteção e podem se tornar uma opção interessante. 

Estrobilurinas devem ser aplicadas combinadas com triazóis, triazolinthione e ou/carboxamidas. 

Triazóis e triazolinthione não devem ser utilizados de forma isolada por apresentarem níveis de resistência.

Carboxamidas devem ser utilizadas sempre em combinações com estrobilurinas.

O controle deve ser iniciado preventivamente, evitando assim a exposição dos produtos a altas populações dos patógenos.

Novas tecnologias, combinando a aplicação de carboxamidas (sítio específico) e multissítio como oxicloreto de cobre foram disponibilizadas recentemente para o manejo da ferrugem asiática.

A lista completa dos grupos de fungicidas e seus respectivos modos de ação, pode ser consultada na Frac.

Lembre-se que todos esses produtos devem ser utilizados conforme recomendação do fabricante quanto a doses, épocas e intervalos de aplicação. 

Combinações de fungicidas de diferentes sítios de ação (sítio específico e multissítio) no controle de diferentes patógenos causadores de doenças na cultura da soja

Combinações de fungicidas de diferentes sítios de ação (sítio específico e multissítio) no controle de diferentes patógenos causadores de doenças na cultura da soja
(Fonte: adaptado de Agrofit)

Resistência de fungos aos fungicidas: por que ocorre e como evitar?

A resistência ocorre principalmente devido à grande variabilidade de microrganismos existentes, aliada à sua capacidade de multiplicação rápida.

Dessa forma, ao aplicarmos um fungicida de sítio específico de ação, repetidas vezes e sem utilizar táticas de manejo integrado de doenças (MID), estamos realizando uma pressão de seleção.

Alguns microrganismos desenvolvem estratégias de sobrevivência à aplicação dos ingredientes ativos, que são passadas de geração para geração.

A Frac recomenda algumas estratégias para evitar a resistência dos fungos aos fungicidas, incluindo:

  • rotação de ingredientes ativos, com emprego de mecanismos de ação diferentes;
  • utilização de fungicidas na época, dose e intervalos de aplicação recomendados pelo fabricante;
  • emprego de diferentes métodos de controle de doenças, fazendo adoção do MID – Manejo Integrado de Doenças, o que inclui controle cultural, genético e biológico (quando for possível, respeitando a compatibilidade de produtos);
  • consulta a um profissional engenheiro-agrônomo para recomendações dos ingredientes ativos mais apropriados para aplicação na sua realidade.

A avaliação da necessidade de aplicação e momento (preventivo para algumas doenças) também torna-se importante para reduzir o número de tratamentos durante a safra. 

Para evitar a resistência, planeje a utilização de produtos em misturas e com diferentes mecanismos de ação.

Programa de aplicação de fungicidas, estratégia e risco de resistência. A - fungicida com alto risco de resistência; B - fungicida com baixo risco de resistência.

Programa de aplicação de fungicidas, estratégia e risco de resistência. A – fungicida com alto risco de resistência; B – fungicida com baixo risco de resistência.
(Fonte: adaptado de Zambolim, 2008)

9 possíveis causas de “insucesso” no uso de fungicidas

As falhas no controle químico de doenças geralmente são atribuídas aos fungicidas… mas você já pensou que outros fatores podem estar relacionados?

Veja os principais a seguir:

  1. diagnose do agente causal incorreta;
  2. escolha do local de plantio inadequada, com o estabelecimento da cultura em locais extremamente úmidos;
  3. clima favorável a doenças (como o caso de regiões de produção de sementes no Mato Grosso do Sul, onde a cultura da soja é cultivada sob irrigação de pivô central e o vazio sanitário muitas vezes não é adotado, favorecendo a ocorrência de inóculo inicial de ferrugem). 
  4. desconhecimento de fatores de predisposição a doenças como nutrição, clima, umidade do solo, compactação, etc.
  5. utilização de uma única medida de controle, como no caso do controle químico, usando um único ingrediente ativo durante todo o cultivo;
  6. época de aplicação inadequada (fora do estádio fenológico em que é indicada) e local de penetração dos patógenos na planta (verso das folhas, flores, frutos em formação, caules, etc);
  7. aplicação de fungicidas sistêmicos quando os patógenos já estão estabelecidos na cultura em níveis populacionais severos, como no caso da ferrugem asiática da soja; 
  8. uso de doses abaixo ou acima do recomendado, bem como utilização de um único fungicida (princípio ativo);
  9. adjuvantes inadequados e pH da calda, além da tecnologia de aplicação, tipos de bico e regulagem de equipamentos.
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Conclusão

Neste artigo vimos as diferenças entre os espectros de ação sítio-específicos e multissítios, bem como a forma que protege os cultivos. E pudemos entender como eles se tornam aliados quando utilizados em conjunto.

Vimos também as principais causas de resistência dos fungos aos fungicidas e as formas de manejo recomendadas para evitar com que elas ocorram.

Vale lembrar que um bom monitoramento da lavoura, com diagnóstico correto e precoce das doenças, bem como planejamento da utilização de produtos são fatores que determinam o sucesso no controle de doenças.

>> Leia mais:

“Lavoura saudável: como combater as doenças da soja (+ nematoides)”

“Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?”

Restou alguma dúvida sobre como atuam os fungicidas multissítios e por que são importantes no controle de doenças da cultura da soja? Deixe seu comentário!