Tudo o que você precisa saber sobre controle da broca-das-axilas

Broca-das-axilas: saiba mais sobre o ciclo de vida, época de ataque, sintomas e como fazer o manejo mais eficiente! 

Algumas pragas só são lembradas quando já estão causando danos no campo

A broca-das-axilas não gera surtos recorrentes, mas é importante que você conheça suas características principais, os males que causa e as formas de controle. 

Assim, você pode evitar o crescimento anormal das plantas e, consequentemente, a queda na produtividade da lavoura. Além disso, pode impedir a ocorrência de prejuízos econômicos.

Entenda melhor sobre essa lagarta e saiba como se livrar dela a seguir!

Características da broca-das-axilas

A espécie Crocidosema (Epinotia) aporema, popularmente conhecida como broca-das-axilas, é um tipo de mariposa. 

Pertence à família Tortricidae e à ordem Lepidoptera, e tem distribuição em todo o continente Americano, desde o sudeste dos Estados Unidos até a Argentina. 

Embora ela tenha sido encontrada em diversas regiões do Brasil, tem preocupado mais os produtores de soja das regiões de clima frio. Por isso, é considerada uma praga secundária. 

Ela ataca diversas espécies cultiváveis de leguminosas, mas principalmente a cultura da soja.

Os adultos da broca-das-axilas são microlepidópteros, medem cerca de 10 mm de comprimento, e apresentam  coloração amarronzada. Os machos são mais escuros que as fêmeas.

Adultos de Crocidosema aporema. A - fêmea; B - macho

Adultos de Crocidosema aporema. A – fêmea; B – macho
(Fonte: Vanusa Horas)

O ciclo biológico desta praga dura cerca de 30 a 40 dias, dependendo das condições climáticas. Ela passa pela fase de ovo, por cinco estádios larvais, pela pupa e pelo estádio adulto. 

Caso você queira identificar se existem ovos de broca-das-axilas no cultivo, observe os folíolos dos brotos terminais da soja. Embora muito pequenos, os ovos têm uma coloração amarelo-claro e são depositados de maneira isolada. 

Ao eclodirem, as lagartas têm coloração branca e cabeça preta. Ao longo do desenvolvimento, vão se tornando rosadas com cabeça marrom. 

No final da fase larval, as lagartas procuram o solo e ficam sob cerca de 1 cm a 2 cm de profundidade para pupar. 

O período mais favorável para o desenvolvimento dessa espécie é de setembro a abril, podendo chegar a ter até sete gerações sobrepostas.

Sintomas e danos

Como os ovos são colocados nos brotos mais novos, ao eclodirem, as lagartas passam a consumi-los e formam uma espécie de “teia”, unindo os folíolos ao produzir fios de seda. 

As lagartas permanecem dentro dessa estrutura e provocam um retardamento do desenvolvimento dos brotos, dificultando sua abertura. 

Ao longo do desenvolvimento das lagartas, os folíolos vão se deteriorando, podendo secar e morrer. Dessa forma, as lagartas vão para as axilas das folhas.

O nome comum dessa praga se dá pelo fato de penetrarem, por meio das axilas, os pecíolos e hastes, provocando uma obstrução no fluxo da seiva

Quando dentro dessas estruturas, as lagartas fazem galerias descendentes, o que causa um desenvolvimento anormal das plantas.

Quando os brotos atacados abrem, as folhas ficam com aspecto rugoso, com os contornos irregulares e encarquilhadas. O consumo dos folíolos pode provocar uma redução de 50% da área foliar nessa fase. 

três fotos, a) dano causado nos brotos; b) lagarta; c) adulto de broca-das-axilas

a) dano causado nos brotos; b) lagarta; c) adulto de broca-das-axilas
(Fonte: Embrapa)

Além disso, em estágios mais avançados da cultura, podem atacar os botões florais e também as vagens, principalmente em cultivares tardias.

Quando ocorre uma alta incidência no período vegetativo, ocorre uma redução na altura da planta, provocando a formação de ramos secundários. Em consequência, a inserção das primeiras vagens acaba ficando em uma altura em que dificulta a colheita.

Manejo da broca-das-axilas

Antes de falar sobre os controles que podem ser utilizados para reduzir as populações de broca-das-axilas, é importante salientar alguns pontos. 

Essa é uma praga considerada secundária por não causar problemas em todas as regiões produtoras de soja no país.

Porém, é fundamental lembrar que, se forem utilizadas táticas de maneira incorreta, ela pode se tornar uma praga primária. O método químico é um exemplo disso. 

Se o uso dos inseticidas for feito de maneira calendarizada, ou seja, com aplicações pré-determinadas, o risco de fazer com que se tornem primárias é maior. 

Hoje em dia, a tecnologia tem avançado e não há necessidade de utilizar os produtos químicos de maneira errada.

Depois da introdução do MIP (Manejo Integrado de Pragas) e seus conceitos, ficou ainda mais fácil usar diversos métodos sem a necessidade de fazer somente o controle com pesticidas.

Até mesmo se for utilizar inseticidas para controle desta praga, é importante que se use a dose recomendada pelo fabricante. 

planilha de manejo integrado de pragas, baixe agora

Controle varietal

Desde 2013, você pode utilizar a tecnologia da soja Intacta RR2 PRO para controle dessa e de outras pragas, como lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens), e a lagarta-das-maçãs (Chloridea virescens).

Ela confere resistência por meio da toxina da proteína Bt, Bacillus thuringiensis (Cry1Ac). Essa proteína é bastante específica para lagartas, porque age em enzimas (caderinas) localizadas no mesêntero.   

Em 2021, foi aprovada a soja Intacta 2 Xtend. Além de conferir resistência às pragas já mencionadas, também poderá controlar Helicoverpa armigera e Spodoptera cosmioides.  

Como a proteção pode variar dependendo do nível de infestação, é essencial que sejam feitas amostragens para monitoramento constante.

apresentação em infográfico das vantagens da plataforma intacta 2 Xtend

(Fonte: Plataforma Intacta 2 Xtend)

Controle químico 

O controle químico, se utilizado de maneira incorreta para pragas secundárias, pode piorar o cenário. Por isso, antes de entrar com aplicações inseticidas, realize o monitoramento.

Quando 30% dos ponteiros forem atacados, entre com as pulverizações

Existem 54 produtos registrados no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), mas existem apenas dois grupos químicos – organofosforado e metilcarbamato de oxima

captura de tela dos 54 produtos registrados no site do Mapa para controle química da broca-das-axilas

(Fonte: Agrofit)

Conclusão  

Neste artigo, você viu que apesar de não ser uma praga com sinal de alerta em todas as regiões brasileiras, a broca-das-axilas pode causar sérios danos em sua plantação. 

Você também viu que os sintomas que ela causa nas plantas são bastante característicos. Por isso, é importante que você saiba identificar na lavoura a tempo de evitar perda de produtividade.

O controle, seja químico ou varietal, não pode ser negligenciado, porque as opções de manejo são reduzidas. 

>>Leia mais:

Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu

E você, já precisou realizar o manejo contra a broca-das-axilas? Assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como esse!

Como reduzir os custos da gestão de herbicidas e tornar o manejo mais eficiente

Gestão de herbicidas: quais cuidados você deve tomar para um manejo eficiente e econômico de herbicidas

A qualidade e produtividade das plantas e a colheita mecanizada são negativamente afetadas pela presença de plantas daninhas.

Sem os herbicidas, o controle de plantas daninhas seria realizado manualmente.

O custo do controle pode triplicar quando há plantas resistentes a um ou mais modos de ação de herbicidas na lavoura. Por isso, plantas resistentes a herbicidas na lavoura merecem atenção redobrada!

Neste artigo, você verá como praticar a gestão de herbicidas e ter maior produtividade e qualidade do produto com o controle das plantas daninhas.   

Importância do uso e da gestão de herbicidas

A utilização de herbicidas é importante na produção agrícola brasileira porque permite minimizar a competição das culturas de interesse com plantas daninhas, e assim, maximizar os rendimentos da lavoura.

Culturas como soja, milho, trigo, feijão, algodão e cana-de-açúcar são produzidas em larga escala em grandes áreas e são dependentes dos herbicidas para reduzir a matocompetição.

A matocompetição é a “disputa” por espaço, luz, água e nutrientes de plantas daninhas com as cultivadas. Além de reduzir a produtividade das culturas, as espécies invasoras comprometem a qualidade dos grãos/sementes/pluma e a colheita mecânica.

Capim-amargoso (Digitaria insularis) na soja

Capim-amargoso (Digitaria insularis) na soja
(Fonte: Agronegócio em foco)

Não é só a falta de controle das plantas daninhas que gera prejuízos. Estratégias mal elaboradas ou falta de planejamento também resultam em danos. 

O gerenciamento adequado do uso de herbicidas envolve a diversificação dos produtos. Ela deve ser realizada pela rotação de moléculas com diferentes mecanismos de ação. 

Também é essencial que sejam respeitadas as orientações quanto à dosagem. Essas estratégias contribuem para prevenir a seleção de genótipos resistentes.

Ainda é importante conhecer o momento correto para a aplicação dos herbicidas. Ele é determinado pelo estádio de desenvolvimento da planta daninha e da cultura.

Má gestão dos herbicidas, aplicações não planejadas no estádio inadequado de desenvolvimento da cultura ou da daninha, além das sub ou super doses são comuns no campo. 

Tudo isso pode gerar problemas sérios, como a seleção de plantas resistentes.

Resistência de plantas daninhas aos herbicidas

Os índices de resistência de plantas daninhas a herbicidas vem crescendo de forma alarmante, resultado do uso equivocado de herbicidas.

No Brasil, algumas plantas invasoras já apresentaram resistência ao glifosato. A buva (Conyza spp.)  e o capim-amargoso (Digitaria insularis) são os principais exemplos.

Em um estudo realizado em 2017 pela Embrapa, foi determinado que no sistema de produção da soja, os prejuízos causados pela resistência de plantas a herbicidas se aproximam de R$ 5 bilhões anualmente.

Hoje, o custo com o manejo de plantas daninhas pode triplicar em lavouras com plantas resistentes quando comparado a um cenário sem elas.

Em lavouras com a presença de espécies resistentes aos herbicidas, os custos com o manjo podem triplicar. Isso quando comparados ao controle feito em áreas sem genótipos resistentes.

e-book para manejo de plantas daninhas, baixe agora

Custo do controle de daninhas

Operações de pulverização com herbicidas são um custo relevante na safra. As diversas aplicações e o valor dos produtos tornam essencial o gerenciamento desta prática.

O conhecimento do histórico da área, das espécies predominantes ou existência de plantas resistentes auxilia o produtor na escolha de diferentes tratamentos.

O custo varia de acordo com o tamanho da área, com o grau de infestação da lavoura e da estratégia de manejo utilizada.

Não procure a forma mais barata de manejar plantas daninhas, mas sim a mais eficiente. Doses fora do recomendado e produtos inadequados selecionam plantas resistentes.

Veja na tabela abaixo como os custos aumentam à medida que há uma ou mais plantas com resistência na área, e entenda como a falta de gerenciamento pode encarecer o manejo.

tabela com custo (em 2017) do controle de diferentes plantas resistentes ao glifosato

Custo (em 2017) do controle de diferentes plantas resistentes ao glifosato
(Fonte: Embrapa Soja)

Em áreas em que não há presença de plantas resistentes, o manejo se resume a uma aplicação (de glifosato) na dessecação e uma ou duas em pós-emergência.

Segundo a Embrapa, o custo médio para o controle de plantas espontâneas é de R$ 120 por ha por safra.

No entanto, numa área onde há plantas com resistência ao glifosato, é necessário a combinação de mais de um produto para garantir a eficiência do manejo. 

Em caso de resistência múltipla, as opções de herbicidas são ainda mais restritas. Nesse caso, os custos podem chegar a R$ 380 por ha por safra.

Como controlar as plantas daninhas de forma eficiente

Para que a aplicação dos herbicidas seja eficiente, você precisa ter planejamento e saber como e quando irá fazer. Para isso:

  • Respeite as orientações da bula do produto quanto à dosagem e modo de aplicação;
  • Siga as orientações relativas às normas de segurança e ao uso de equipamento de proteção individual;
  • Realize a aplicação do herbicida somente sob condições climáticas favoráveis;
  • Em caso de mistura de produtos, avalie a compatibilidade dos herbicidas;
  • Utilize equipamentos limpos, regulados e calibrados;
  • Conheça as plantas invasoras predominantes na área e a melhor época para realizar o controle.

Como a agricultura de precisão pode ajudar na gestão de herbicidas

Uma boa forma de controlar a aplicação de herbicidas é gerenciar através de planilhas o histórico de cada área ou talhão, registrando, por exemplo:

  • espécies daninhas presentes, com ou sem resistência;
  • produtos utilizados (modo de ação, ingrediente ativo);
  • estádio da planta daninha e comercial no momento das pulverizações;
  • custo de aplicação (considerar todas as variáveis);
  • produtividade e valor de venda do produto.

Todas as informações possíveis de registrar são importantes, permitindo ao final da safra avaliar qual

Quanto mais informações forem coletadas melhor. Isso permite avaliar quais áreas merecem mais atenção, qual manejo foi mais eficiente e economicamente viável. 

Essas informações são muito importantes para o gerenciamento das próximas safras.

A informatização dos dados com a agricultura de precisão reúne técnicas que vêm se tornando comuns nas propriedades agrícolas, e auxiliam no gerenciamento da informação e do manejo.

Mapa digital de identificação de plantas daninhas - gestão de herbicidas

Mapa digital de identificação de plantas daninhas
(Fonte: Avantagro)

Hoje há equipamentos que fazem o mapeamento de plantas daninhas na lavoura através de sensores, e junto da tecnologia de aplicação em taxa variável, reduzem o número de aplicações de 40% a 60%.

planilha para cálculo de pulverização, baixe agora

Conclusão

Para o controle eficiente das plantas daninhas, realize a aplicação dos herbicidas seguindo as recomendações abordadas neste artigo. 

Use os produtos e doses indicadas, no momento certo, analisando a espécie invasora e a cultura que será ou está plantada, para não errar o manejo. Isso irá te auxiliar no controle dos gastos com herbicidas.

Tenha a gestão de herbicidas como uma rotina na propriedade, para que não surjam casos de plantas daninhas resistentes. Assim, você irá aumentar sua produtividade sem elevar custos.

Tome muito cuidado com as daninhas resistentes. Elas podem se tornar um gasto muito grande. Utilize a rotação de princípio ativo e modo de ação para evitar esta dor de cabeça.

E por fim, utilize as ferramentas disponíveis no mercado, inove na sua propriedade, busque novos conhecimentos com pessoas capacitadas e invista em novas tecnologias.  

Todos esses passos te ajudarão a gerenciar e aumentar seus lucros!

>> Leia mais:

Tudo o que você precisa saber sobre plantas daninhas na pré-safra

Como fazer o controle não químico das plantas daninhas

“Tudo a respeito do novo herbicida terbutilazina”

Este artigo te ajudou a entender melhor como a gestão de herbicidas pode aumentar sua lucratividade sem elevar os seus custos? Conte-nos sua experiência aqui nos comentários!

Guia rápido da adubação de boro e zinco no café

Boro e zinco no café: entenda a importância desses nutrientes para a sanidade, vigor e produtividade do cafeeiro e as opções de produtos 

A nutrição de plantas é, junto do clima e da interação de microrganismos, um dos fatores primordiais para a produção vegetal. 

Cada tipo de nutriente apresenta particularidades com relação às suas fontes, modo de absorção, teores recomendados, mobilidade no solo e na planta, pH ideal para absorção, dentre outros.

Por isso, fazer o manejo adequado de micronutrientes pode te ajudar a garantir a produtividade do café.

Neste artigo, você verá  a importância de micronutrientes específicos como boro e zinco para a cultura do cafeeiro e as suas formas de correção na lavoura. Acompanhe!

O que são micronutrientes e qual a sua importância?

Os nutrientes minerais se dividem entre macro e micronutrientes, conforme a quantidade necessária para o desenvolvimento vegetal.

Apesar de serem requeridos em menores quantidades, os micronutrientes são tão limitantes para a produtividade quanto os macronutrientes. 

Conforme a lei do mínimo, a produção é definida pelo elemento mais limitante no solo, seja ele um macro ou micronutriente.

foto de um barril de madeira com as siglas dos nutrientes  e no meio onde estão N, P e K tem uma abertura saindo grãos de soja e espalhando para fora - Lei do mínimo para a produção vegetal
Lei do mínimo para a produção vegetal
(Fonte: AgroFácil)

Nutrientes podem ser considerados essenciais para as plantas quando se encaixam nos critérios de essencialidade. São eles:

  • ser parte de um composto vital para a planta; 
  • ser necessário para que a planta complete seu ciclo de vida;
  • não pode ser substituído por outro nutriente ou elemento.

Os micronutrientes vegetais são: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn). 

Cada um desses elementos tem funções específicas no metabolismo de plantas. As deficiências de boro e o zinco são frequentes na agricultura brasileira.

O boro no cafeeiro

Funções

O boro é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, como:

  • germinação do grão de pólen e crescimento do tubo polínico: isso faz com que o boro seja primordial para o desenvolvimento e pegamento de florada, influenciando no potencial de produção de frutos;
  • divisão e diferenciação celular, síntese de celulose e lignina, e síntese de parede celular: isso aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças;
  • translocação de açúcares da folha para outros órgãos;
  • crescimento de meristemas.

Sintomas da deficiência

A deficiência de boro nas plantas é comum em condições de campo devido à sua alta mobilidade no solo e potencial lixiviação.

Os principais sintomas dessa deficiência nutricional no cafezal aparecem em folhas novas e regiões de crescimento. Os mais comuns são: 

  • folhas menores, verde-claras e com deformações;
  • diminuição do crescimento radicular; 
  • morte da gema apical e superbrotação;
  • baixo pegamento de florada.
três fotos com sintomas da deficiência de boro em café: folhas verde-claras, deformadas e superbrotação
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas verde-claras, deformadas e superbrotação
(Fonte: Emater)

Correção

O boro é um nutriente com alta mobilidade no solo, porém com baixa mobilidade na planta, sendo imóvel no floema. Sendo assim, a recomendação é de correção de boro via solo.

Os teores ideais desse nutriente são de 40-80 ppm em nível foliar, ou acima de 0.5 mg/dm3 no solo. Em valores abaixo desses, a correção é recomendada.

As principais fontes de boro para aplicação no solo são o ácido bórico, o Boráx e a ulexita. Os dois primeiros são solúveis em água, e a solubilidade da ulexita depende da razão entre sódio e cálcio, que também fazem parte desse composto.

As recomendações para a produção do cafeeiro são de 6,5g de B por saca de café ou, para 30 sacas/ha, seriam necessários cerca de 200 g/ha de B, o que representa cerca de 1 kg/ha de ácido bórico. 

Porém, devido à alta lixiviação e perda, não é incomum que doses maiores sejam recomendadas, como de 2 a 6 kg/ha de boro.

Toxidez

Níveis de boro com cerca de 100 ppm em nível foliar são considerados tóxicos. Os sintomas de toxidez são folhas rajadas de verde e amarelo com bordas deformadas.

O zinco no cafeeiro

Funções

O zinco também é um micronutriente essencial para plantas e atua em múltiplas funções, dentre elas:

  • componente de enzimas: são importantes como facilitadores de reações da fotossíntese durante a formação da glicose;
  • atua na síntese do triptofano: esse aminoácido é precursor da molécula de auxina, um importante regulador do crescimento de plantas;
  • importante na síntese de proteínas.

Sintomas da deficiência

A deficiência de zinco é comum no cafeeiro. Os sintomas aparecem normalmente em folhas novas, devido à sua baixa mobilidade na planta, assim como o boro. Os mais comuns são: 

  • folhas alongadas, finas e com bordas enroladas;
  • destaque das nervuras verdes pelo amarelecimento do limbo foliar; 
  • encurtamento de internódios nas pontas dos ramos com formação de roseta;
  • redução de tamanho dos frutos.
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas alongadas e finas, nervuras verdes e limbo amarelado
Sintomas da deficiência de boro em café: folhas alongadas e finas, nervuras verdes e limbo amarelado
(Fonte: Yara)

É importante ressaltar que os sintomas de deficiência de zinco são semelhantes aos sintomas de toxidez por glifosato, sendo primordial detectar sua origem para decidir o melhor manejo.

Correção

A correção de zinco pode ser feita via solo ou foliar no cafeeiro. Os teores ideais são de 8 a 20 ppm em folhas e em torno de 3 mg/dm3 no solo.

A recomendação de 6 kg/ha de zinco é comum para a adubação via solo. Nesse caso, você deve se atentar a alguns fatores que podem diminuir a disponibilidade de zinco para a planta. São eles:

  • presença de fósforo (P) em excesso;
  • solos mais arenosos;
  • aumento do pH do solo.

Toxidez

Os níveis de toxidez de zinco podem variar conforme a fase de desenvolvimento da cultura. Porém, valores acima de 20 ppm nas folhas são normalmente considerados como tóxicos. 

O excesso de zinco em época de florada pode causar abortamento de flores

O monitoramento das quantidades de zinco no solo e na folha, assim como o acompanhamento preciso das atividades de manejo da lavoura, são importantes para detectar a possibilidade de toxidez desse nutriente.

A importância do manejo correto de boro e zinco no café

O manejo dos teores de nutrientes no solo é crucial para o bom andamento da lavoura e expressão máxima do potencial produtivo da cultura.

No caso dos micronutrientes, seu uso tem que ser ainda mais cuidadoso visto que, por serem requeridos em menor quantidade, um erro de cálculo ou falha na aplicação pode facilmente causar deficiência ou toxidez.

gráfico com relação entre disponibilidade de nutrientes e produção de plantas
Relação entre disponibilidade de nutrientes e produção de plantas
(Fonte: Faquin, 2002)

Isso acontece normalmente com o zinco e o boro, e suas concentrações têm de ser bem manejadas e monitoradas através de análises de solo e foliares.

Abaixo, você verá valores de referência para teores foliares dos dois nutrientes ao longo do ano, para café arábica em produção

Valores adequados de boro e zinco, em teores foliares, para cafezais com produção de 30 a 40 sacas/ha
Valores adequados de boro e zinco, em teores foliares, para cafezais com produção de 30 a 40 sacas/ha
(Fonte: Potafos)
banner-adubacao-cafe

Conclusão

O manejo adequado de nutrientes no solo é fator primordial para o sucesso do cultivo

Realize o manejo no momento da correção dos teores presentes no solo ou na fertilização para viabilizar o crescimento, desenvolvimento e produtividade do cafeeiro.

As recomendações de produtos, doses e épocas de aplicação também são muito importantes para o manejo de micronutrientes, principalmente o zinco e o boro.

Uma consulta a seu assistente técnico é o procedimento ideal para sanar dúvidas e obter os melhores resultados em sua lavoura.

>> Leia mais: 

“Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora”

“Tudo o que você precisa saber sobre a produção de cafés especiais”

Você já precisou realizar o manejo de boro e zinco no café? Conte sua experiência nos comentários, e assine nossa newsletter para receber mais artigos como este.

O que é evapotranspiração e como ela pode te ajudar a explorar o potencial máximo de produção

Evapotranspiração: o que é, como é sua participação no ciclo da água e qual a sua importância para agricultura

Conhecer a movimentação da água no planeta, assim como sua influência na vegetação, te auxilia a tomar decisões mais assertivas

A evapotranspiração é um fator que está diretamente ligado à presença da água na lavoura, e pode te ajudar a realizar a irrigação de maneira mais sustentável e econômica.

Seu entendimento a respeito pode ajudar a explorar o potencial máximo de sua produção, porque a falta de água durante o desenvolvimento da cultura gera queda de produtividade.

Quer entender melhor tudo isso e saber por que determinar esse parâmetro é importante na agricultura? Veja a seguir!

O que é evapotranspiração? 

A evaporação é a somatória de dois processos: a evaporação e a transpiração das plantas.

Evaporação é o processo de passagem de um líquido ao estado de vapor. Por exemplo, a água superficial (como de rios e lagos) é aquecida pela radiação solar e evapora.

Já a transpiração acontece quando a água que as plantas absorvem do solo é eliminada pelas folhas na forma de vapor d’água, por meio dos estômatos.

A evapotranspiração é toda a movimentação da água da forma líquida retornando à atmosfera.

É a combinação da passagem da água para o ar, que ocorre com a água presente tanto no solo (rios, lagos, mares, entre outros), quanto nas plantas.

Exemplificação de evapotranspiração

Exemplificação de evapotranspiração
(Fonte: Árvore, ser tecnológico)

Relação com o ciclo hidrológico 

A água do mundo está em constante mudanças de estado, seja líquido, sólido ou gasoso.

Essas mudanças de estados e sua movimentação no planeta configuram o ciclo hidrológico (ciclo da água).

O ciclo hidrológico, como você verá na figura abaixo, envolve vários processos que fazem a movimentação da água no subsolo, solo e ar.

infográfico com ciclo hidrológico

Ciclo hidrológico
(Fonte: USGS)

A evapotranspiração tem grande importância no ciclo hidrológico, porque é nesse processo que a água passa do estado líquido para o de vapor.

Além disso, estudos indicam que aproximadamente 70% da água precipitada é devolvida para a atmosfera em seu processo.

O conhecimento da evapotranspiração é importante para vários estudos da água no planeta.

Determiná-la tem diversos propósitos, como verificar o rendimento de bacias hidrográficas, acompanhar a capacidade de reservatórios ou aquíferos, além de ser de grande necessidade na agricultura pela irrigação.

Influência da evapotranspiração na agricultura 

Na agricultura, o conhecimento da evapotranspiração é fundamental, pois é a movimentação da água no solo e na planta.

O solo e a planta são os elementos chaves de produção, e desse modo, não ocorreria produção sem a quantidade de água mínima exigida pelas culturas.

É pela evapotranspiração que se estima a exigência de água pelas culturas, e por esse conhecimento é possível definir com maior precisão a irrigação.

Saber a demanda hídrica das culturas é importante para conseguir explorar o potencial máximo de produção. Isso porque a falta de água durante o desenvolvimento, na maioria das culturas, resulta em quedas de produtividade.

tabela com demanda hídrica aproximada de algumas culturas

Demanda hídrica aproximada de algumas culturas
(Fonte: adaptado de Carvalho et al., 2013)

Assim, conhecer a demanda hídrica das culturas, sabendo regularmente os dados de precipitação, evapotranspiração, temperatura, umidade relativa do ar, torna a irrigação mais eficiente.

A irrigação desempenha um grande papel no uso da água. Cerca de 67% da água consumida no Brasil é utilizada nos sistemas de irrigação.

Desse modo, para fazer uma irrigação de modo sustentável e econômico, a determinação da evapotranspiração é uma das medidas fundamentais. 

Fatores como tipo e manejo do solo, dossel das plantas, velocidade do vento, temperatura e umidade do ar interferem nela.

Sendo assim, essa relação pode variar conforme a área, a época, o clima, entre outras influências.

infográfico com total de água consumida no Brasil (média anual)

Total de água consumida no Brasil (média anual)
(Fonte: ANA)

Determinação da evapotranspiração

Há fatores que interferem na evapotranspiração, como você acabou de ler, sendo principalmente consideradas as condições climáticas.

4 tipos diferentes usualmente presentes na agricultura brasileira, dependendo das condições calculadas. Você os verá a seguir.

1. Evapotranspiração de referência (ETo) ou potencial (ETp) 

A evapotranspiração de referência e potencial são iguais. Antigamente o termo utilizado era potencial, hoje é de referência.

Para ela são consideradas condições climáticas como radiação solar, temperatura, umidade relativa do ar e velocidade dos ventos, além da cobertura vegetal de referência.

Para a determinação da evapotranspiração de referência, a cultura vegetal de referência não tem restrição hídrica, e apresenta uma área de bordadura para evitar perda de calor no solo.

Desse modo, a ETo considera apenas as condições climáticas do momento.

Representação da evapotranspiração de referência (ETo)

Representação da evapotranspiração de referência (ETo)
(Fonte: Decivil)

2. Evapotranspiração real (ETR)

É determinada pelas condições reais de evaporação e transpiração.

Sua determinação é realizada da mesma forma que a ETo, com a diferença de que a cultura de referência pode ou não estar em deficiência hídrica.

A área de determinação também é delimitada com uma área de bordadura, assim como na evapotranspiração de referência.

Representação da evapotranspiração real (ETR)

Representação da evapotranspiração real (ETR)
(Fonte: Decivil)

3. Evapotranspiração da cultura (ETc)

É a fase de desenvolvimento em que a cultura se encontra, em ótimas condições de crescimento e desenvolvimento.

Para a determinação, os parâmetros são: sem restrição e ampla área de bordadura.

A a ETc é calculada pela ETo x KcKc é o coeficiente de cultura, que varia conforme a área foliar da cultura.

Ou seja, valores de Kc menores geralmente são de início e final de ciclo, onde a área foliar é menor.

Representação da evapotranspiração da cultura (ETc)

Representação da evapotranspiração da cultura (ETc)
(Fonte: Decivil)

4. Evapotranspiração da real da cultura (ETr)

Como diz o nome, esse tipo é determinado pela condição real de campo.

Assim, a cultura pode estar com ou sem restrição hídrica, e não há área de bordadura, ocorrendo a influência do solo.

Para o cálculo, é considerado, além da ETo e Kc, o Ks: o coeficiente de solo, sendo ETr = ETo x Kc x Ks.

Para resumir os tipos possíveis na agricultura, temos:

  • Evapotranspiração de referência (ETo): considera apenas as condições meteorológicas, sem restrição hídrica;
  • Evapotranspiração real (ETR): considera as condições meteorológicas reais, ou seja, com ou sem restrição hídrica;
  • Evapotranspiração da cultura (ETc): considera condições meteorológicas e condições da cultura;
  • Evapotranspiração da real da cultura (ETr): considera condições meteorológicas, condições da cultura e manejo do solo.
Representação dos tipos de evapotranspiração

Representação dos tipos de evapotranspiração
(Fonte: UTFPR)

Conclusão

Como você viu ao longo do texto, a evapotranspiração é a combinação dos processos da transpiração e evaporação.

Determiná-la é fundamental na tomada de decisão de modo rentável e sustentável da irrigação.

Ela ocorre a todo momento na sua lavoura e é dependente da quantidade de área foliar da cultura. 

E, por fim, existem vários modos de calcular esse parâmetro – e cada um tem algo a ser considerado.

Espero que as informações aqui apresentadas te ajudem a conhecer melhor a evapotranspiração e, assim, aumentar a produtividade da sua lavoura.

>> Leia mais:

“Entenda como a fertirrigação pode aprimorar sua produção”

“Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas”

Restou alguma dúvida sobre este assunto? Você já conhecia esse efeito? Deixe sua experiência aqui nos comentários e assine nossa newsletter para receber mais conteúdos semelhantes.

Principais recomendações de manejo dos herbicidas para arroz

Herbicidas para arroz: confira os produtos mais recomendados para arroz de sequeiro e irrigado, além do posicionamento mais adequado

Um dos grandes problemas que afetam a produtividade dos cultivos é a ocorrência de plantas daninhas na lavoura. 

Você sabia que a estimativa de perda de produção agrícola devido às plantas daninhas é de 15%? Há casos em que as perdas podem chegar a 90%, quando nenhum método de controle é utilizado.

Para o melhor manejo dessas plantas indesejadas, o uso de várias práticas de controle é essencial. Esses métodos podem desde evitar a entrada de plantas daninhas na área até  eliminar as já existentes através da aplicação de herbicidas.

Quer saber mais sobre como realizar o controle químico de forma adequada e evitar perdas na sua lavoura? Então confira as dicas a seguir! 

Interferência das daninhas na cultura do arroz

A interferência das plantas daninhas no cultivo do arroz pode ocorrer de várias formas. A principal delas é pela perda por competição de água, luz e nutrientes. Também pode acontecer devido ao parasitismo ou por hospedar pragas e doenças.

Além disso, a presença das daninhas pode causar uma série de consequências como:

  • contaminações na pós-colheita;
  • aumento no custo de produção;
  • desgaste e maior consumo das máquinas;
  • diminuição do valor das terras;
  • degradação do solo, ambiente e risco à saúde humana e animal.

Para ter um controle eficiente, vários métodos devem ser empregados. O ideal é que você os utilize em conjunto

Para o sucesso da lavoura, é fundamental que você opte por sementes de qualidade. Além disso, faça a semeadura “no limpo” e mantenha sempre um baixo nível de infestação, principalmente durante o período crítico de competição (PCC).

Período crítico de competição

  • Período anterior à interferência (PAI): período até aproximadamente 15 dias após a emergência do arroz (DAE). Neste momento, as plantas daninhas e o arroz podem conviver sem redução na produtividade.
  • Período crítico de prevenção à interferência (PCPI): em torno de 15 – 45 DAE. Neste período, o controle é obrigatório para que não haja perdas na quantidade e qualidade da produção.
  • Período total de prevenção da interferência (PTPI): período da emergência até aproximadamente 45 DAE. Nessa etapa, quando não houver competição, a planta de arroz expressa seu melhor potencial.

A contagem de dias após a emergência é um balizador para o seu controle, mas não esqueça: além da fase, dependendo do nível de infestação e o tipo de planta daninha existente, podem ocorrer mais ou menos danos.

Principais plantas daninhas

Confira aqui as principais espécies de plantas daninhas encontradas na cultura do arroz

Folhas largas

  • Angiquinho – Aeschynomene Rudis
  • Corriola – Ipomoea grandifolia
  • Cruz de malta – Ludwigia spp
  • Erva-de-bicho –  Polygonum hidropiperoides 

Folhas estreitas

  • Arroz vermelho – Oryza sativa
  • Papuã/Campim marmelada – Brachhiaria spp
  • Junquinho/Tiririca – Cyperus
  • Milhã/Capim-colchão – Digitaria spp
  • Capim-arroz – Echinochloa spp
  • Capim-pé-de-galinha – Eleusine indica
  • Cuminho – Fimbristylis miliacea 
  • Aguapé – Heteranthera reniformis 
  • Capim do banhado – Panicum dichtomiflorum; 
  • Grama-de-ponta – Paspalum distichum 
  • Sagitária – Sagittaria spp
Plantas daninhas em lavoura de arroz

Plantas daninhas em lavoura de arroz podem trazer perdas de até 90% na produtividade se não controladas adequadamente
(Fonte: CPT)

Aplicação dos principais herbicidas para arroz

Tanto no cultivo de arroz de sequeiro quanto no de arroz irrigado, grande parte do manejo é feito através do controle químico com o uso de herbicidas pré e pós emergentes.

Veja quais são os principais herbicidas para arroz e como utilizá-los da melhor maneira possível.

Gladium

Cultivo: Arroz irrigado.

Quando usar: na pré e pós-emergência das plantas infestantes. Aplique entre o estádio de 2.ª folha até o 3.º perfilhamento. Realize no máximo 1 aplicação por ciclo da cultura.   

Espectro de controle: eficiente no controle de plantas daninhas de folha larga e estreita, como angiquinho, tiriricas, cuminho e sagitária.

Dosagem recomendada: aplique de 100 a 133,3 g de produto comercial por hectare.

Cuidados: O intervalo de segurança é de 50 dias.

Herbadox 

Cultivo: Arroz de sequeiro.

Quando usar: na pré-emergência.

Espectro de controle: controla grande parte dos capins, como capim-marmelada, capim-arroz, capim-colchão e capim-pé-de-galinha. É eficaz também no manejo do caruru de mancha.

Dosagem recomendada: de 3L a 4,5L de produto comercial por hectare, dependendo do tipo de solo. As menores doses são recomendadas para solos arenosos e as maiores para os argilosos. Somente uma única aplicação é necessária.

Cuidados: faça a aplicação na hora do plantio ou logo após. Cuide para que as sementes estejam bem cobertas pelo solo e nunca aplique após a germinação.

Gamit 

Cultivo: Arroz de sequeiro e irrigado.

Quando usar: na pré-emergência.

Espectro de controle:

  • para arroz de sequeiro: capim-pé-de-galinha, picão grande, trapoeraba, corriola;
  • para arroz irrigado: Angiquinho, capim-colchão, capim-marmelada e capim-arroz.

Dosagem recomendada: 

  • para arroz de sequeiro:  1,7L a 2L de produto comercial por hectare;
  • para arroz irrigado: 1,1L a 1,7L de produto comercial por hectare.

Cuidados: Para a utilização desse produto, as sementes de arroz devem ter sido previamente tratadas com Safener (produto específico para proteção da cultura quanto a aplicação do herbicida). 

No momento da aplicação, o solo deve estar livre de torrões e com uma umidade mínima para a ativação do produto. 

Caso precise fazer o controle de plantas já germinadas, cuide para que não haja muita movimentação de solo no processo, de modo a  manter o defensivo na camada superficial.

Basagram 

Cultivo: Arroz de sequeiro e irrigado.

Quando usar: na pós-emergência.

Espectro de controle: 

  • Para arroz de sequeiro: trapoeraba e corriola;
  • Para arroz irrigado: erva-de-bicho e tiriricas.

Dosagem recomendada: de 1L a 1,6 L por hectare, utilizando doses menores quando as folhas estiverem molhadas por neblina ou orvalho.

Cuidados:  Ao aplicar em lavouras de arroz irrigado, retire a água para deixar as folhas das plantas daninhas bem expostas. Caso seja preciso voltar com a irrigação, faça isso após 48h. O intervalo de segurança é de 60 dias.

Only 

Cultivo: Exclusivo para arroz Clearfield.

Quando usar: em dose única na pós-emergência ou sequencial, sendo uma em pré e outra em pós-emergência.

Espectro de controle: herbicida chave para controle de arroz vermelho, também controla capim-arroz e tiririca.

Dosagem recomendada: 

  • Em pós-emergência: 1L/ha, entre 4 folhas e primeiro perfilho do arroz;
  • Sequencial: 0,75L + 0,75L/ha entre 4 folhas e primeiro perfilho do arroz.

Cuidados: utilize adjuvante variando de 0,5% a 1% v/v. Para um bom funcionamento do produto, é necessário  que ocorra chuva nos próximos 5 dias ou que a área seja irrigada. O intervalo de segurança é de 60 dias.

Kifix 

Cultivo: arroz de sequeiro e irrigado, exclusivo para arroz Clearfield.

Quando usar: na pré e pós-emergência das daninhas.

Espectro de controle: amplo espectro de controle, controlando folhas largas e estreitas, inclusive arroz vermelho.

  • Para arroz de sequeiro: algumas das invasoras controladas são, capim-colonião,   capim-amargoso, trapoeraba, leiteiro, corriola; 
  • Para arroz irrigado: espécies como, arroz vermelho, angiquinho, sagitária, tiriricas, cuminho, papuã e capim-arroz. 

Dosagem recomendada: 

  • Para arroz de sequeiro: de 100g/ha a 140 g/ha ou 70g + 70g, se sequencial;
  • Para arroz irrigado: 140g de produto comercial por hectare.

Cuidados: para esse produto também utilize adjuvante 0,5% v/v. Para uma boa ação deste herbicida no arroz irrigado, é importante que a entrada da água ocorra entre 48h e 72h após a aplicação. O intervalo de segurança é de 60 dias.

O Sistema Clearfield é uma tecnologia desenvolvida pela Basf, onde sementes geneticamente selecionadas toleram a aplicação de herbicidas específicos do grupo das imidazolinonas.

banner ebook produção eficiente de arroz, baixe agora

Conclusão

Nesse artigo, você viu como as plantas daninhas afetam a produtividade do arroz, e que dependendo do período e do nível de infestação, seu cultivo pode ser mais ou menos afetado.

Você também ficou por dentro das plantas daninhas mais recorrentes na cultura e quais os principais herbicidas para arroz indicados para o controle dessas invasoras.

Não se esqueça de sempre usar as boas práticas de manejo e aplicação para um controle eficiente e seguro! 

Além disso, conte sempre com a ajuda do seu engenheiro-agrônomo e siga as recomendações do fabricante. 

>> Leia mais:

“Pragas do arroz: como identificar e combatê-las na cultura”

“Como fazer o controle não químico para plantas daninhas” 

Você já precisou lidar com as plantas daninhas na sua plantação? Conhecia os principais herbicidas para arroz? Conte para a gente sua experiência aqui nos comentários!

Tudo o que você precisa saber sobre os tipos de irrigação na agricultura para acertar na escolha

Tipos de irrigação na agricultura: confira os principais sistemas de irrigação, suas vantagens e desvantagens e quais critérios considerar no momento da escolha.

Existem diversos tipos de irrigação na agricultura. Eles podem ter elevado nível tecnológico, ser bastante complexos e muitas vezes custosos.

Encontrar um tipo de irrigação que seja compatível com as características da sua plantação, portanto, pode ser uma tarefa difícil.

Você sabe quais aspectos considerar ao escolher o tipo correto de irrigação?

Confira um pouco mais sobre os tipos de irrigação na agricultura e entenda como acertar na escolha!

Método x sistema de irrigação na agricultura

Existe uma diferença entre método e sistema de irrigação.

Os métodos de irrigação estão relacionados à forma de aplicação da água nas lavouras. Eles podem ser:

  • superficiais (ou por superfície);
  • por aspersão;
  • localizados;
  • por subsuperfície (ou subterrânea).

Os diferentes métodos ou tipos de irrigação podem se relacionar com um ou mais sistemas de irrigação.

Para selecionar o melhor método, você deve avaliar fatores como o tipo de solo, terreno, clima e a cultura em questão.

Sistema de irrigação diz respeito ao conjunto de equipamentos e peças que atuam para realizar a irrigação.

Você verá agora quais são os principais tipos de irrigação.

Irrigação superficial

Este tipo de irrigação é provavelmente o mais antigo de todos e vem sendo usado pela humanidade desde os primórdios da agricultura.

É incrivelmente simples: consiste na cobertura gradual do solo com água por ação da gravidade.

Este tipo de irrigação na agricultura possui duas possibilidades de sistema: o de inundação e o de sulcos.

Diferentes sistemas de irrigação do tipo superficial: inundação (esquerda) e sulcos (direita)

Diferentes sistemas de irrigação do tipo superficial: inundação (esquerda) e sulcos (direita)
(Fonte: Embrapa)

No sistema de inundação, a água é aplicada em toda a área do cultivo. No sistema de sulcos, a água é direcionada apenas aos sulcos.

Veja na tabela as vantagens e desvantagens do uso desse tipo de irrigação na agricultura.

tabela com principais vantagens e desvantagens da irrigação superficial

Principais vantagens e desvantagens da irrigação superficial
(Fonte: elaborado pelo autor com base em Testezlaf, 2017)

Irrigação por aspersão

A irrigação por aspersão é o tipo mais clássico da agricultura atual. Nele, aspersores expelem a água para a simular a chuva numa área de lavoura.

Na irrigação por aspersão, há os sistemas convencionais e os mecanizados.

Os convencionais são os clássicos, que utilizam motobombas, tubulações e aspersores. Podem ser fixos ou móveis. 

Os mecanizados são sistemas com sprays montados em estruturas metálicas que se movimentam pela lavoura (como os pivôs centrais e carreteis).

duas fotos com sistemas de irrigação por pivô central (esquerda) e aspersão convencional (direita)

Sistemas de irrigação por pivô central (esquerda) e aspersão convencional (direita)
(Fonte: Safra Irrigação)

Uma das principais vantagens da irrigação por aspersão é a baixa necessidade de mão de obra

Não é necessário fazer nivelamento do terreno, ter boa uniformidade e eficiência de aplicação. Mas tudo tem seu revés.

Esse tipo de irrigação é muito afetado pelo vento e o custo inicial pode ser elevado. Além disso, por molhar as folhas muitas vezes, o ambiente se torna propício para o desenvolvimento de patógenos.

Irrigação localizada

Esse tipo de irrigação, diferente dos demais que você viu até aqui, aplica a água de forma localizada, próximo ao sistema radicular das plantas.

A principal característica é o uso de baixos volumes de água, mas em elevadas frequências de aplicação (ou turnos de rega frequentes).

A utilização desse tipo de irrigação é mais comum para espécies perenes, principalmente frutíferas. Também pode ser utilizado para olerícolas, ornamentais e florestais.

Existem dois sistemas principais para a irrigação localizada: o gotejamento e a microaspersão. Entenda as características de cada um deles:

tabela com principais diferenças entre os sistemas de irrigação do tipo localizada

Principais diferenças entre os sistemas de irrigação do tipo localizada
(Fonte: Elaborado pelo autor com base em Testezlaf, 2017)

duas fotos com exemplos de irrigação por microaspersão (esquerda) e gotejamento (direita) - tipos de irrigação na agricultura

Exemplos de irrigação por microaspersão (esquerda) e gotejamento (direita)
(Fonte: Jacobucci)

As vantagens desse tipo de irrigação estão relacionadas ao melhor aproveitamento da água, pois há pouca evaporação e escoamento.

O sistema também pode ser utilizado para aplicação de fertilizantes, não interfere nos demais manejos das culturas e requer pouca energia.

Entretanto, seu custo inicial é bastante elevado e requer água de melhor qualidade, pois podem ocorrer entupimentos.

Em alguns casos, a irrigação localizada pode limitar o desenvolvimento do sistema radicular das plantas, devido à zona de molhamento restrita que se forma.

Subsuperfície

O método da irrigação por subsuperfície funciona aplicando água diretamente ou abaixo do sistema radicular das plantas.

Existem dois sistemas de irrigação por subsuperfície: o de gotejamento subterrâneo e a elevação do lençol freático.

Exemplo de gotejamento por subsuperfície em cafeeiros.

Exemplo de gotejamento por subsuperfície em cafeeiros.
(Fonte: CaféPoint)

Apesar de incomum, esse é um método de alta eficiência e uniformidade. Ele reduz a perda de água e forma a  zona de molhamento restrito.

Porém, o custo inicial para enterrar é elevado e exige um sistema de filtragem muito bom, pois em caso de entupimento será necessário desenterrar.

Como escolher corretamente o tipo de irrigação na agricultura?

Para escolher o melhor método de irrigação na agricultura, você precisa considerar aspectos relacionados à cultura, solo, clima e a água que você tem disponível.

Separei alguns pontos-chave que podem te ajudar.

tabela com aspectos a considerar na escolha do sistema de irrigação - tipos de irrigação na agricultura

Aspectos a considerar na escolha do sistema de irrigação
(Fonte: elaborado pelo autor)

planilha custos de pivô Aegro, baixe agora

Conclusão

É muito importante que você conheça todos os tipos de irrigação existentes na agricultura para que possa fazer uma escolha mais assertiva.

Cada lavoura é única, e não adianta “colar” do vizinho. É importante que você estude o tipo de solo, declividade e as necessidades da sua cultura para a correta escolha e dimensionamento da irrigação.

Lembre-se que existem muitos profissionais capacitados no mercado que podem te auxiliar com isso. Arriscar fazer por conta pode trazer apenas prejuízos.

>> Leia mais: 

“Irrigação com drip protection: conheça as vantagens e cuidados necessários”

“O que é evapotranspiração e como ela pode te ajudar a explorar o potencial máximo de produção”

“Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda”

Quais tipos de irrigação na agricultura você utiliza ou pensa em utilizar? Restou alguma dúvida ou tem alguma experiência para compartilhar? Conta pra gente nos comentários!

Como fazer o manejo eficiente e livrar sua lavoura da cigarrinha-verde

Cigarrinha-verde: entenda seu comportamento e confira quais práticas de manejo cultural, biológico e químico podem ser mais eficazes no controle

A cigarrinha-verde é uma praga de grande importância nas principais culturas do Brasil. Sua presença descontrolada na lavoura pode causar perdas de até 90% na produção de grãos.

Mas sua identificação nem sempre é fácil: os danos causados por ela podem ser facilmente confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes nas plantas.

Neste artigo, você irá conhecer melhor a cigarrinha-verde e aprender como controlá-la de maneira eficiente na lavoura. Confira a seguir!

Características da cigarrinha-verde

A cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri ROSS & MOORE, 1957) pertence à ordem Hemiptera, a mesma dos percevejos e pulgões

A família Cicadellideae, onde está inclusa, é a maior da ordem, com mais de 21 mil espécies descritas.

O inseto adulto possui coloração verde-clara e corpo de aproximadamente 3 mm. É extremamente ágil e pode se dispersar rapidamente na lavoura.

Os ovos são postos nas nervuras no lado inferior das folhas e eclodem entre uma e duas semanas. As cigarrinhas ninfas (inseto jovem) são verdes-translúcidas e tornam-se adultas com aproximadamente 15 dias.

duas fotos de Ninfa de cigarrinha-verde

Ninfa de cigarrinha-verde
(Fonte: Biodiversidadvirtual)

Ação da cigarrinha

Grãos como feijão e soja podem ter a produtividade amplamente afetada com a alta população de cigarrinha-verde.

Elas possuem aparelho bucal picador-sugador: se alimentam introduzindo o estilete no floema e sugam a seiva da planta pela parte inferior da folha (mais acessível).

Somente o fato de inserir o estilete causa injúria na planta, pois é uma porta de entrada para outros patógenos como fungos e bactérias.

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão
(Fonte: Embrapa)

Enquanto suga a seiva, a cigarrinha injeta compostos tóxicos que podem bloquear o floema, impedindo que água e nutrientes cheguem a algumas partes da folha.

Por se tratar de uma praga polífaga, ela pode permanecer na lavoura entre cultivos. Isso acontece principalmente se houver plantas remanescentes (tiguera) ou plantas daninhas hospedeiras.

Sintomas e danos

Os danos causados pela cigarrinha-verde podem ser confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes, justamente pelo fato do bloqueio dos vasos do floema. Só são visíveis dias após o ataque.

As lesões começam no ponto de alimentação e se desenvolvem com áreas de clorose (amarelecimento da folha). 

Além disso, as bordas das folhas apresentam leve encarquilhamento, com aspecto coriáceo e secamento.

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde
(Fonte: Embrapa)

Com o tempo, a área de clorose se expande e vai tomando conta da folha, que se curva e finalmente cai. 

Quanto maior a população de cigarrinhas, mais rápido esse processo ocorre e maior a área foliar perdida. O rendimento da lavoura é reduzido.

Além de tudo, pode acontecer abortamento de flores. Por isso o cuidado com o inseto deve ser redobrado na época de floração.

A cultura do feijão é a mais afetada por essa praga. O feijoeiro sofre sérios danos, especialmente no cultivo de seca, época em que a gama de outros hospedeiros é escassa. 

Há relatos de que o não controle da cigarrinha-verde gera expectativa de perdas de até 90% na produção de grãos.

Como fazer o controle da cigarrinha-verde

Várias estratégias de manejo podem e devem ser adotadas para controlar a população de cigarrinhas. 

A seguir, você verá o que fazer para se livrar dos problemas causados por essa praga.

Manejo integrado de pragas (MIP)

O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é um sistema de manejo que associa o ambiente e a dinâmica populacional da praga. 

O sistema considera todos os métodos de proteção das plantas apropriados. Ele busca manter a população da praga abaixo de um nível de dano econômico (NDE) e dentro de um nível de equilíbrio (NE) ecologicamente viável.

Dentro do MIP, delimita-se um nível de controle (NC): uma população mínima da praga, onde táticas de manejo devem ser realizadas para não alcançar o NDE. 

Algumas medidas preventivas que devem ser adotadas no MIP são:

  • amostrar e monitorar a lavoura;
  • usar armadilhas;
  • promover ambiente adequado para inimigos naturais;
  • utilizar plantas isca;
  • controlar plantas daninhas e plantas “tiguera” (manejo cultural);
  • usar controle químico quando necessário.

Monitoramento semanal:

  • da emergência até 3-4 trifólios: avaliar a parte superior e inferior das folhas em 2m;
  • a partir de 3-4 trifólios até a floração: usar pano de batida;
  • o nível de controle para ambas as amostragens é de 40 ninfas.

A avaliação de adultos é difícil pela agilidade de deslocamento do inseto.

Você pode fazer o acompanhamento do monitoramento e outras práticas do MIP através de planilhas ou de um software agrícola como o Aegro

Com o Aegro, você pode registrar o monitoramento e o armadilhamento da lavoura pelo celular, acompanhando os resultados a qualquer momento.

Também gera relatórios sobre a incidência de pragas-alvo e verifica o momento certo para pulverizar, reduzindo até mesmo os custos com defensivos.

O MIP pode ser testado gratuitamente por 7 dias. Solicite aqui uma demonstração e experiência gratuita!

Controle Biológico

Agentes como parasitoides (Anagrus spp.) e fungos entomopatogênicos que atacam ovos, além de insetos benéficos (joaninhas e crisopídeos) que atacam ovos e ninfas, são indicados.

Parasitoide Anagrus flaveolus

Parasitoide Anagrus flaveolus
(Fonte: Wikimedia)

Este tipo de controle alternativo ainda é pouco utilizado, mas ultimamente vem ganhando muitos adeptos devido a sua eficiência e baixo custo.

Controle Químico

O controle químico com inseticidas é o manejo mais utilizado. Considere fazer a rotação de ingredientes ativos e mecanismos de ação diferentes para não selecionar insetos resistentes.

Os inseticidas de contato devem ser aplicados de maneira que atinja a superfície inferior das folhas. Os inseticidas sistêmicos podem ser pulverizados na superfície superior das folhas.

Listei alguns inseticidas registrados no Agrofit, de grupos e ingredientes ativos recomendados para controle de sugadores no algodão, feijão e soja.

Neonicotinoides

  • Acetamiprido – Aceta 200SP; Acetamiprid 200SP; AutenticoBR 200SP;
  • Imidacloprido – Gaucho FS; Imidagold 700WG;
  • Tiacloprido – Calypso 480SC;
  • Tiametoxam – Actara 250WG.

Organofosforados

  • Cloropirifós – Ciclone 480EC; Catcher 480EC;
  • Terbufós – Counter 150GR.

Piretroides

  • Fenpropatina – Meothrin 300EC; Damimen 300EC;
  • Bifentrina – Brigade 25EC; Seizer 100EC;
  • Etofenpoxi – Safety 300EC.

Usar uma combinação de ingredientes ativos é uma ótima alternativa por unir ação sistêmica e de contato.

Sempre utilize produtos registrados para a cultura e na dose recomendada, de acordo com o receituário agronômico.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Conclusão

A cigarrinha-verde tem causado infestações cada vez maiores e danos principalmente à cultura do feijão.

A praga suga a seiva na parte inferior das folhas, que apresentam sintomas de encarquilhamento, secamento e amarelamento das bordas e necrose nos pontos de injúria.

Observe atentamente e faça amostragens periódicas da emergência ao florescimento, entrando com manejo ao atingir o nível de controle (NC).

O controle biológico é bastante eficiente se feito corretamente. Já o controle químico é o mais utilizado por sua eficácia e praticidade. 

Lembre-se desses detalhes ao escolher a melhor forma de manejo!

Já enfrentou problemas com cigarrinha-verde em sua lavoura? Como fez o controle? Divida sua experiência nos comentários!

Estratégias para o manejo de grãos ardidos de milho e soja

Grãos ardidos: saiba como fazer a identificação correta e quais cuidados tomar a campo, secagem e armazenagem da sua produção! 

Os grãos ardidos são um dos principais defeitos na classificação de grãos de milho e soja

Eles estão relacionados à contaminação por micotoxinas, o que pode inviabilizar a sua utilização, gerar perda de valor comercial e causar prejuízos na lavoura

Você sabe identificar os grãos ardidos e como diferenciá-los dos demais defeitos? 

Sabe quais manejos adotar para evitar a incidência deste problema na sua produção? Eu conto para você!

Classificação de grãos de milho e soja

A classificação de milho e soja tem o objetivo de caracterizar o lote de grãos para a comercialização.

A classificação do milho é normatizada pela Instrução Normativa 60/2011. Já as regras para a classificação da soja são dadas pela Instrução Normativa 11/2007. 

Dentre os defeitos analisados estão os grãos ardidos, um dos principais problemas porque, além de reduzirem a qualidade do lote, podem estar contaminados com micotoxinas.

O que são grãos ardidos e como identificá-los

Na legislação, o enquadramento dos grãos ardidos de milho e soja é diferente. Portanto, o manejo visando a redução deste defeito também pode ser um pouco diferente. Vejamos:

No caso do milho, são considerados grãos ardidos aqueles “que apresentam escurecimento total, por ação do calor, umidade ou fermentação avançada atingindo a totalidade da massa do grão, sendo também considerados como ardidos, devido à semelhança de aspecto, os grãos totalmente queimados” (IN n.º 60/2011). 

No caso da soja, são considerados ardidos aqueles “grãos ou pedaços de grãos que se apresentam visivelmente fermentados em sua totalidade e com coloração marrom escura acentuada, afetando o cotilédone” (IN n.º 11/2007).

Desta forma, para milho, enquadram-se defeitos que podem ocorrer no campo, na secagem e no armazenamento.

Já para soja, por tratar somente como fermentados, separando os grãos danificados por calor em “queimados”, os cuidados devem ser tomados, principalmente, no campo e no armazenamento.

Outro aspecto importante a ser destacado é que, para o milho, os grãos somente serão considerados ardidos se a sua totalidade estiver fermentada. Caso contrário, serão classificados fermentados.

Diferenças entre grãos de milho ardidos (esquerda) e fermentados (direita)

Diferenças entre grãos de milho ardidos (esquerda) e fermentados (direita)
(Fonte: adaptado de Aiba)

Para a soja, essa diferenciação está relacionada à coloração. Os grãos que sofreram fermentação com alteração da cor dos cotilédones, desde que não seja a definida para ardidos (marrom escuro acentuado), serão considerados fermentados.

Diferenças entre grãos de soja ardidos e fermentados
Diferenças entre grãos de soja ardidos e fermentados
(Fonte: Referencial fotográfico dos defeitos da soja)

Estratégias de manejo para evitar os grãos ardidos em milho e soja

Os principais momentos para o manejo de grãos ardidos em milho e soja são no campo, na secagem (no caso do milho) e no armazenamento

Portanto, vamos ver quais cuidados devem ser tomados em cada uma destas etapas, visando a reduzir a incidência de grãos ardidos na sua produção.

1. Manejo a campo

O manejo a campo deve ser realizado para reduzir a incidência de patógenos que ocasionam doenças nos grãos, principalmente para o milho.

Além disso, deve ser dada atenção à colheita, pois ela deve ser planejada adequadamente

Controle de doenças

O controle de doenças que causam grãos ardidos é importante para o milho devido às podridões de espiga, suas principais causadoras na cultura. Estes cuidados também podem ser tomados em relação à soja.

Os principais agentes causadores de grãos ardidos em milho pertencem às espécies Stenocarpela maydis, Stenocarpela macrospora, Fusarium verticillioides, Fusarium subglutinans e Gibberella zeae (Fusarium graminearum).

três fotos: Podridão rosada da ponta da espiga (Gibberella zeae), podridão branca da espiga (Stenocarpella maydis) e podridão rosada da espiga (Fusarium verticilleoides)

Podridão rosada da ponta da espiga (Gibberella zeae), podridão branca da espiga (Stenocarpella maydis) e podridão rosada da espiga (Fusarium verticilleoides)
(Fonte: adaptado de Embrapa e Pioneer)

O manejo destes patógenos a campo deve ser realizado através de várias estratégias diferentes:

  • escolher híbridos e cultivares resistentes;
  • realizar a rotação de culturas;
  • semear na época e na densidade recomendada;
  • realizar a análise do solo, visando equilíbrio da adubação;
  • realizar a aplicação de fungicidas, tomando cuidado com a escolha do produto e com o momento e a qualidade da aplicação.

Os cuidados com a sanidade da planta devem ser tomados desde a semeadura, partindo do tratamento adequado de sementes

No entanto, o momento mais crítico para a infecção destes patógenos é durante a fase reprodutiva, em que há a formação do pendão e dos estigmas. Aplicações de fungicidas são recomendadas nesta fase. 

Gerenciamento da colheita

O planejamento adequado da colheita pode fazer a diferença na redução de grãos ardidos, principalmente em relação ao momento da sua realização.

O retardo na colheita poderá impactar no percentual de grãos ardidos na sua produção, principalmente se neste período ocorrerem chuvas

A manutenção dos grãos úmidos no campo por muito tempo acelera a perda de qualidade, aumenta o ataque dos patógenos e o percentual de ardidos. 

Recomenda-se a retirada dos grãos da lavoura o quanto antes, os encaminhando diretamente para a secagem.

2. Manejo na secagem

O manejo da secagem deve ser observado principalmente para o milho, já que para essa cultura os grãos danificados pelo calor estão inclusos como ardidos na legislação.

O principal fator a ser manejado deve ser a temperatura do ar de secagem

Temperaturas elevadas podem ocasionar o escurecimento e a queima dos grãos, o que aumenta o percentual de ardidos. Além disso, ocasionam vários danos aos grãos, principalmente físicos, como trincas e fissuras que podem ser porta de entrada para fungos no armazenamento.

A temperatura adequada para a secagem do milho depende da sua finalidade. Para a semente, recomenda-se que a temperatura da massa de grãos não ultrapasse 40°C. 

Já para consumo humano, não deve ultrapassar 55°C. Para ração, a temperatura deve ser no máximo 82°C.

E para secagem com ar natural em silo-secador, os cuidados devem ser quanto à demora no processo. Quanto mais tempo os grãos permanecerem úmidos, maior a probabilidade de sofrerem fermentação. Essa recomendação serve também para soja.

A secagem com ar natural só deve ser realizada em grãos com teor de água inicial de no máximo 20% e em locais que possibilitem condições de umidade relativa adequadas para este tipo de secagem.

3. Manejo no armazenamento

Os grãos devem ser armazenados limpos, frios e secos, visando a redução da degradação e a proliferação de fungos. 

Os principais fatores a serem observados são a temperatura e o teor de água da massa de grãos.

O teor de água indicado para o armazenamento de milho é no máximo 14%. Para ter mais segurança, opte por secar mais, até no máximo 13%. 

Para a soja, devido ao maior percentual de óleo, recomenda-se teores de água mais baixos no armazenamento, em torno de 11% a 12%.

A temperatura de armazenamento recomendada deve ser a mais baixa possível: em torno de 15°C. Para isso, o silo deve estar equipado com sistema de aeração.

Estes manejos visam a reduzir a proliferação de fungos, principalmente os mofos e bolores (Penicillium spp. e Aspergillus spp.). Eles são os principais responsáveis pelo aparecimento de grãos ardidos no armazenamento e, também, os principais produtores de micotoxinas em grãos.

calculadora de custos Aegro, acesse agora

Conclusão

Como vimos, os grãos ardidos são um dos principais problemas na classificação de soja e milho.

O manejo para evitar ou reduzir o percentual deles nestas culturas deve ser realizado a campo, na secagem e no armazenamento.

No campo, os cuidados devem acontecer para evitar as doenças que atacam os grãos, principalmente para o milho. Além disso, a colheita deve ser planejada, visando a retirada dos grãos do campo o quanto antes possível.

Na secagem, o cuidado deve ser com a temperatura, que não pode ser elevada demais. 

Já no armazenamento, os grãos devem ser conservados limpos, frios e secos para evitar a deterioração e a contaminação por fungos.

Espero que essas informações te ajudem a realizar o manejo adequado desses grãos e, assim, você consiga evitar futuros problemas.

Restou alguma dúvida sobre as estratégias de manejo de grãos ardidos em milho e soja? Assine nossa newsletter para receber mais artigos assim em seu e-mail.