Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença

Podridão parda da haste da soja: entenda o impacto da doença, as condições favoráveis para a sua ocorrência e como controlá-la para evitar perdas

Inúmeras doenças relatadas na cultura da soja são responsáveis pela diminuição da produtividade e qualidade dos grãos e sementes produzidas.

Você conhece a podridão parda da haste da soja? Essa doença pode causar danos, especialmente nos estádios reprodutivos da cultura.

Quer saber mais? Confira neste artigo como evitar perdas pela podridão da haste da soja e quais manejos podem ser utilizados na sua lavoura!

O que é a podridão parda da haste da soja

A podridão parda da haste da soja é causada pelo fungo Cadophora gregata (também conhecido como Phialophora gregata). Sua ocorrência pode reduzir até 25% da produtividade da cultura, principalmente nos estádios reprodutivos.

Cadophora gregata foi relatado ocorrendo na Argentina, América do Norte, distribuído em regiões de temperaturas amenas e umidade relativa do ar e solo altas; em alguns países da Europa, como a Croácia; no Japão e no Egito.

No Brasil, a podridão parda da haste pode ocorrer principalmente nos estados da região sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, locais caracterizados pelo clima ameno.

O fungo pode ser disseminado para áreas sem ocorrência da doença em forma de hifas e esporos que não são visíveis a olho nu, através de:

  • irrigação;
  • vento;
  • animais;
  • flores e inflorescências;
  • frutas, vagens e raízes;
  • caules acima do solo;
  • brotos;
  • troncos e galhos;
  • sementes verdadeiras (incluindo grãos).

Outro agravante deste patógeno é que, embora a infecção das plantas ocorra ainda durante os estádios vegetativos, seus sintomas e sinais são observados apenas no período reprodutivo, principalmente durante o enchimento dos grãos.

É importante que você monitore a área, uma vez que o controle mais eficiente é o uso de cultivares resistentes, e diversos patógenos já têm apresentado resistência aos fungicidas disponíveis no mercado.

Sintomas e danos 

Os sintomas podem ser facilmente confundidos com o cancro da haste e da podridão vermelha da raiz.

Porém, distinguem-se principalmente pela alteração da cor da parte interna da haste, o que não ocorre nas demais doenças.

Os sintomas foliares da podridão parda da haste, de folhas “carijó”, podem ser confundidos com os causados pelo nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines), mas diferenciam-se por estes estarem associados aos cistos nas raízes.

Esses sintomas são observados a partir do estádio R5, caracterizado pelo início do enchimento dos grãos.

Descoloração de cor marrom-escura pode ser observada no tecido vascular da planta, incluindo raízes e colo. Em casos severos, pode apresentar sintomas de murcha intensa, semelhante à restrição hídrica.

sintomas da podridão parda da haste da soja

Sintomas na haste de plantas de soja causados por Cadophora gregata, causador da podridão parda da haste

(Fonte: Saran, 2017)

O escurecimento interno da haste e do sistema vascular são observados na planta. Eles podem estar associados a sintomas de clorose e necrose internerval, acarretando queda precoce das folhas e vagens.

O ciclo da cultura pode ser acelerado e o enchimento dos grãos prejudicado pela redução da área foliar.

necrose interna do sistema vascular da planta

Alterações características de plantas de soja, com necrose interna do sistema vascular causado por Cadophora gregata

(Fonte: Costamilan, L. M., 2014)

sintomas foliares da podridão parda

Sintomas foliares da podridão parda da haste de soja, com necrose internerval, sintoma de folhas “carijó”, causada por Cadophora gregata

(Fonte: Costamilan, L. M., 2014)

O fungo pode sobreviver por longos períodos no solo e em profundidades de até 30 centímetros.

Condições favoráveis para ocorrência da podridão parda da haste da soja

Temperaturas entre 15°C e 27°C,  associadas à alta umidade do solo após o florescimento, são ideais para o desenvolvimento do fungo.

Temperaturas superiores a 27 °C diminuem os danos pelo patógeno, reduzindo a descoloração do sistema vascular.  Em temperaturas maiores que 32 °C, o desenvolvimento do patógeno é prejudicado, podendo cessar.

A infecção ocorre aproximadamente 30 dias após a germinação, através do sistema radicular.

O inóculo inicial pode ser proveniente dos restos culturais de plantas hospedeiras (como Vigna angularis, do feijão) e plantas de soja, disseminado pelo vento, e encontrado em reboleiras e manchas ao acaso ao longo da lavoura.

Por isso é importante que você fique de olho nos sintomas durante o cultivo.

Manejo da podridão parda da haste da soja

Prevenção

O uso de cultivares resistentes pode diminuir significativamente o inóculo da doença nas áreas de produção ao longo dos anos.

Mas, atenção! É importante que os materiais resistentes sejam utilizados por mais de quatro anos, para que uma cultivar suscetível seja novamente implantada na área

A diminuição dos danos ao longo do tempo está associada ao menor inóculo do patógeno na área e a linhagens menos agressivas.

Sistemas de plantio também interferem na severidade da doença. Sistemas de plantio direto costumam favorecer a intensidade da doença, pela degradação lenta da palhada na superfície do solo.

É importante ressaltar que embora não desenvolva estruturas de sobrevivência no solo, o patógeno pode permanecer viável nos restos culturais por longos períodos, devido à capacidade de hibernar como micélio nos resíduos da cultura que permanecem no solo.

Em sistema de plantio convencional, estudos demonstram que a incorporação da palhada e revolvimento do solo diminuem o inóculo primário do patógeno nas áreas de produção.

Por isso, inspecione e monitore a sua área de produção para a ocorrência dessa e de outras doenças. Realize o planejamento do manejo que pode ser utilizado para diminuir o inóculo primário de doenças.

A rotação de culturas também é eficiente no controle, mas somente após o terceiro ano. Assim, você reduz as perdas e os custos de controle.

Controle

O tratamento de sementes com fungicidas pode evitar o desenvolvimento do fungo nas fases iniciais, conferindo proteção às sementes ainda no solo.

Porém, quando o inóculo primário já se encontra na lavoura, o tratamento de sementes não é eficiente. 

Por ser um patógeno de solo, o controle químico é bastante difícil, não havendo produtos registrados para o seu controle.

Limpeza das máquinas e implementos utilizados em diferentes áreas são medidas eficientes para evitar a disseminação do patógeno para áreas livres da doença.

Conclusão

A podridão parda da haste da soja é uma doença de grande impacto. O manejo adequado, como sistema de plantio e rotação de culturas, pode reduzir perdas. 

Embora a podridão parda da haste da soja seja considerada uma doença de final de ciclo, ela pode reduzir significativamente a produção e qualidade dos grãos colhidos.

É importante que você tente evitar ao máximo a disseminação de doenças para áreas em que elas não estão presentes. Assim você evita os custos aliados ao controle, bem como a resistência de patógenos a fungicidas.

>> Leia mais:

Tudo o que você precisa saber sobre Macrophomina em soja

“Como identificar e manejar a podridão radicular em soja”

Você já precisou lidar com a podridão parda da haste da soja? Conseguiu resolver o problema? Deixe um comentário com sua experiência!

5 passos para realizar o fechamento de safra de forma prática e rápida

Fechamento de safra: como é feito, o que influencia e como a tecnologia pode ser sua aliada nesse processo

Toda a produção é voltada para a rentabilidade! Quantas vezes você pensou se a safra te daria ou não o retorno esperado? Se pagaria todas as aplicações e operações feitas?

Para você não perder noites e dias pensando a respeito, algumas atitudes durante os meses de produção podem e devem ser tomadas. 

Saber o que foi gasto, quanto foi colhido e por quanto foi vendido te ajuda neste processo, mas apenas isso não basta

Neste artigo, te mostrarei 5 passos para você saber se sua safra foi rentável e qual sua lucratividade. Confira!

Produção, custo e fechamento de safra 

Neste ano, a cultura da soja obteve uma produção recorde estimada em 135,4 milhões de toneladas, sendo 8,5% superior à safra 2019/2020.

O mesmo está ocorrendo com as demais culturas de primeira safra. O milho, com crescimento de 3,7% superior em relação à safra passada, estima 106,4 milhões de toneladas.

Esse aumento de produção foi reflexo da expansão das áreas de produção para as culturas de milho e soja, principalmente.

O que impulsionou esse aumento de área foram os preços elevados dos grãos dessas culturas, no segundo semestre de 2020.

Entretanto, o custo de produção também foi superior, com aumento de fertilizantes, defensivos, sementes, dentre outros insumos necessários para produção.

gráfico com comparativo dos custos de produção da soja

(Fonte: Canal Rural)

Ao finalizar a colheita, não basta apenas ver o valor recebido pela sua produção e achar que tudo foi lucro. Para saber sua lucratividade exata você precisa fazer um planejamento, antes mesmo de iniciar a lavoura.

Veja nos tópicos abaixo algumas informações que te ajudarão a fazer o fechamento de safra de modo fácil e correto.

Por que fazer o fechamento da safra? 

O aumento do valor pago na saca do produto colhido foi um estímulo ao produtor.

Entretanto, ao final da safra, também olhe o valor gasto para a implantação, manutenção e colheita da sua lavoura. Somente assim você saberá sua rentabilidade exata.

Fechar a safra é fazer o cálculo de tudo que foi gasto com a lavoura, inclusive mão de obra, energia, escritório. Também tenha em mãos tudo o que você recebeu com a venda do produto.

Assim, o cálculo do fechamento fornece informações importantes, como onde foi o maior gasto de dinheiro desta safra.

Através dessas informações, você pode chegar a conclusões como: 

  • Por que determinada atividade gastou este valor?
  • O que fazer para reduzir este custo?
  • Qual foi a margem de lucro?
  • Qual foi a rentabilidade desta atividade?
  • O que é necessário mudar para a próxima safra e garantir mais lucro?

Ao saber o destino do dinheiro da sua lavoura, você consegue tomar decisões mais assertivas sobre como economizar mais, além de fazer o planejamento para a próxima safra.

Saber quanto foi gasto e recebido te permite entender quanto terá em caixa para a próxima safra.

Como fazer o fechamento da safra?

Antes de conferir o passo a passo, veja algumas informações sobre neste vídeo que eu separei:

Como fazer o fechamento da safra

Para o cálculo de final de safra, são necessários dados do início da atividade, que muitas vezes começa antes mesmo da semeadura.

Fazer o balanço de quanto foi gasto e quanto foi recebido é importante. Você anota tudo o que gasta, inclusive as despesas cotidianas? 

Pensando em auxiliar você nessa etapa final da safra, separei alguns passos para te ajudar.

1. Faça o planejamento 

A agricultura é uma atividade de ciclos, então é possível planejar o que e quando será semeado.

Sabendo o que será cultivado, você consegue comprar os produtos antecipadamente, conseguindo tempo para pesquisar e negociar preços.

Esse é um passo importante, porque ao planejar, você diminui seus custos, sabe aproximadamente quanto irá gastar na safra, e com isso, determina o valor mínimo necessário de venda.

Não se preocupe se você não fez o planejamento da safra atual. Ainda é possível fazer o fechamento.

2. Tenha todos os gastos anotados 

Anotar todos os gastos, inclusive aqueles que você tem no cotidiano da fazenda, como parafusos, mangueiras de máquinas, por exemplo, é de extrema importância.

Fazer o fluxo de caixa te auxilia em diversos momentos. 

infográfico com composição do fluxo de caixa

(Fonte: MPinvest)

Para te ajudar a fazer um fluxo de caixa rápido e sem complicações, separei uma planilha gratuita. Para baixar, clique na figura a seguir:

3. Separe suas despesas pessoais das despesas da fazenda 

Um erro muito comum é misturar as contas pessoais com as contas da fazenda.

Já que muitas vezes a agricultura é uma atividade familiar, os gastos acabam se misturando.

Ter controle do que foi gasto com a fazenda faz com que seus custos fiquem mais corretos, e consequentemente, o valor da sua lucratividade também.

4. Acompanhe os preços de venda 

Os preços de venda da maioria das culturas agrícolas estão em alta nos últimos meses, acompanhados por grande volatilidade dos preços pagos ao produtor.

Sabendo seu fluxo de caixa e seu custo de produção, é possível saber qual o preço mínimo de venda da produção para pagar os gastos e ter uma margem de lucro.

É muito importante sempre acompanhar o preço pago pelo seu produto.

Lembre-se, no entanto, de que os preços podem sofrer quedas e altas em curto espaço de tempo. Fique atento(a)  para fazer a melhor negociação para sua empresa rural.

>> Leia mais: “Como usar software para agricultura para melhorar seu custo de produção”

5. Faça as contas 

Tendo todos os dados, é possível fazer as contas e saber realmente qual foi sua lucratividade. Então tire um tempo após a finalização da safra e faça as contas.

Utilize todas as informações anotadas durante a safra e pronto, você saberá quais foram seus gastos, seus recebimentos e sua rentabilidade.

Utilizando tecnologia no fechamento de safra

A tecnologia te auxilia em diversos momentos, e no fechamento da safra não é diferente!

Um aplicativo de gestão agrícola como o Aegro facilita o controle de despesas e receitas ao longo de todo o processo produtivo.

Assim, quando você chega no final da safra, bastam alguns cliques para descobrir quais talhões da fazenda deram lucro ou prejuízo.

relatório de rentabilidade no software de gestão rural Aegro

Experimente hoje mesmo o Aegro gratuitamente!

  • Computador (teste grátis por 7 dias – clique aqui)
  • Celular Android (aplicativo gratuito – clique aqui)
  • Celular iOS (aplicativo gratuito – clique aqui)
  • Utilize seus Pontos Bayer para contratar a versão completa do Aegro (clique aqui)
planilha fluxo de caixa Aegro, baixe agora

Conclusão

O fechamento de safra deve ser realizado para você ter a melhor noção possível da situação do seu negócio e saber se ele foi rentável.

Ao fazer o fechamento, você saberá quanto tem em caixa, e se esse valor será suficiente para custear a próxima safra.

Para te auxiliar nessa jornada, existem tecnologias como o software da Aegro. Com ele, suas contas ficaram mais claras, corretas e rápidas.

Você faz o cálculo dos valores gastos e recebidos na sua lavoura? Já utilizou o software Aegro para te auxiliar a fazer o fechamento de safra? Deixe seu comentário abaixo!

Todos os cuidados para maximizar o enchimento de grãos de soja

Enchimento de grãos de soja: o que ocorre nessa fase, quais os cuidados a serem adotados e como garantir uma boa colheita 

Para que você obtenha altas produtividades, conhecer o ciclo da soja é fundamental. Assim, as práticas de manejo adotadas atendem às necessidades específicas das plantas em cada estádio de desenvolvimento. 

Você sabia que a falta de água durante o florescimento até a granação plena é prejudicial e compromete o rendimento de grãos? Sabe quando a soja precisa receber cada nutriente? Sabe quais são as pragas e doenças mais perigosas na fase do enchimento?

Neste artigo, você vai ler sobre o ciclo fenológico da soja e os cuidados essenciais na fase de enchimento de grãos de soja.

Estádios fenológicos da soja

A escala fenológica da soja é uma ferramenta muito importante no manejo da lavoura. A partir dela é possível relacionar as fases de desenvolvimento às necessidades da cultura.

A fase vegetativa começa com a emergência das plântulas (VE) e termina com o surgimento dos primeiros botões florais. Nesse período, ocorre a formação de estruturas vegetativas como folhas, ramos, caule e raízes.

A fase reprodutiva da soja é o período desde o início do florescimento (R1) até a plena maturação da planta (R8). Nesse momento ocorre o florescimento, desenvolvimento das vagens, enchimento de grãos e maturação.

Abaixo estão representados os estádios vegetativos e reprodutivos da soja. 

tabela com descrição dos estádios vegetativos e reprodutivos da soja

Descrição dos estádios vegetativos e reprodutivos da soja
(Fonte: adaptado de Embrapa Soja e Fehr & Caviness, 1977)

No estádio V(n), “n” se refere ao número de nós, acima do nó cotiledonar, com folhas totalmente desenvolvidas. A folha totalmente desenvolvida é aquela em que as bordas dos folíolos não se tocam mais.

O que ocorre na fase de enchimento de grãos de soja?

Na fase de enchimento de grãos da soja (R5) ocorre rápido acúmulo de matéria seca e nutrientes nos grãos, que são translocados das folhas, ramos e caule.

Esse período é caracterizado pela presença de vagens com grãos de 3 mm de comprimento em um dos 4 nós superiores do caule, com folha completamente desenvolvida.

Plantas no estágio R5 atingem o máximo índice de área foliar, desenvolvimento de raízes e fixação biológica de nitrogênio

Além disso, esse é um período bastante sensível ao déficit hídrico

A falta de água nessa fase provoca a queda prematura das estruturas reprodutivas e o chochamento dos grãos. Isso interfere negativamente na qualidade e no peso, além de diminuir o rendimento de grãos. 

O estádio de enchimento de grãos apresenta cinco subdivisões: R5.1, R5.2, R5.3, R5.4 e R5.5.

Divisão do estádio R5 (enchimento de grãos) em cinco subestádios
(Fonte: adaptado de Stoller e Ritchie et al., 1977)

Cuidados na fase do enchimento de grãos de soja

Veja quais as exigências hídricas e nutricionais da soja no estádio R5 e quais as pragas e doenças que causam danos nesse período.

Exigência hídrica

Dois momentos do ciclo da soja merecem atenção quanto ao suprimento de água: a germinação-emergência e o florescimento-enchimento de grãos. Nesses períodos, o déficit hídrico pode comprometer a produtividade da lavoura.

A necessidade de água aumenta à medida que a lavoura se desenvolve. O estádio de maior consumo hídrico ocorre na fase de florescimento até o completo enchimento dos grãos. Segundo a Embrapa, nesse período (R1-R6) as plantas necessitam de 7 a 8 mm/dia de água.

Exigência nutricional 

O nitrogênio é o nutriente exigido em maior quantidade pela cultura da soja. Ele é obtido pelo processo de fixação biológica, realizado por bactérias do gênero Bradyrhizobium

Depois no nitrogênio, o fósforo e o potássio são os elementos mais requeridos.

O fósforo atua na fotossíntese e no crescimento das plantas de soja. O potássio é responsável pela translocação de carboidratos para os grãos, além de participar do controle da atividade estomática. 

O cálcio e o boro são nutrientes que, quando em falta, podem ocasionar má formação dos grãos

O magnésio faz parte da composição da molécula da clorofila, que é um pigmento indispensável para a realização da fotossíntese. Como na fase de enchimento de grãos ocorre a maior atividade fotossintética, o magnésio é muito importante nesse período.

Pragas na fase de enchimento de grãos

Durante a fase de enchimento de grãos, as principais pragas que atacam a soja são percevejos, nematoides e lagartas.  

Os percevejos são os insetos-praga que apresentam maior impacto econômico para a soja nesse período, em decorrência dos elevados prejuízos que podem causar. 

Dentre os percevejos que causam danos à cultura da soja, há:

  • percevejo-marrom (Euschistus heros);
  • percevejo-verde (Nezara viridula);
  • percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii).

Eles são insetos sugadores que se alimentam inserindo o aparelho bucal (estilete) nas vagens de soja. Isso compromete a qualidade dos grãos que ficam menores, murchos, enrugados e com a cor mais escura.

Além disso, o ataque de percevejos retarda a maturação da soja pela indução de um distúrbio fisiológico. Nesse caso, as plantas permanecem com as folhas verdes ao final do ciclo da cultura, o que dificulta a colheita.

Os danos causados pelos percevejos incluem também o abortamento de vagens e a redução do conteúdo de proteína e óleo da semente.  

Os percevejos podem causar danos indiretos à soja pela transmissão de doenças durante o processo de alimentação. Um exemplo é a mancha-fermento, causada pelo fungo Nematospora coryli.

Os nematoides de galhas (Meloidogyne spp.) podem provocar abortamento das vagens de soja e também o amadurecimento prematuro das plantas.

A Helicoverpa armigera é um exemplo de lagarta que se alimenta de folhas, hastes, flores e vagens da soja.

infográfico com desenvolvimento de pragas seguindo o estádio fenológico da soja

Desenvolvimento de pragas seguindo o estádio fenológico da soja
(Fonte: Brasmax)

Doenças na fase de enchimento de grãos

As doenças da soja são um dos fatores limitantes na produção.

A antracnose e a ferrugem asiática são exemplos de doenças fúngicas que afetam as plantas em qualquer momento do ciclo fenológico. Alguns dos sintomas são a queda das vagens e problemas na formação e no enchimento dos grãos

O crestamento foliar de cercóspora (ou mancha púrpura) e a mancha-parda (ou septoriose) são consideradas doenças de final de ciclo da soja (DFC). Elas se desenvolvem com maior frequência na fase final do enchimento de grãos.

A mancha olho-de-rã é outra doença com maior ocorrência no período reprodutivo da soja, ou seja, na fase de florescimento até o enchimento de grãos.

A podridão parda da haste e a podridão por fitóftora também podem pode ser observadas nas lavouras de soja em diferentes momentos do período reprodutivo.

Resumidamente, as principais doenças na fase de enchimento de grãos da soja são:

  • antracnose (Colletotrichum truncatum);
  • ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhiz);
  • crestamento foliar de cercóspora (Cercospora kikuchii);
  • mancha-parda (Septoria glycines);
  • mancha olho-de-rã (Cercospora sojina);
  • podridão parda da haste (Cadophora gregata);
  • podridão por fitóftora (Phytophthora sojae).
infográfico com desenvolvimento de doenças seguindo o estágio fenológico da soja

Desenvolvimento de doenças seguindo o estágio fenológico da soja
(Fonte: Brasmax)

Como garantir um bom período de enchimento de grãos?

É importante ter em mente que a colheita é reflexo das práticas de manejo adotadas ao longo do desenvolvimento da lavoura. 

Para garantir um bom período de enchimento de grãos e atingir altas produtividades, é preciso que as recomendações de adubação sejam feitas com base na análise de solo

Além disso, é fundamental conhecer o ciclo da cultura, de modo que os nutrientes sejam disponibilizados nas fases de maior demanda. 

O manejo de pragas e doenças deve ser realizado durante todo o ciclo da soja. Porém, na fase de enchimento de grãos deve-se dar atenção especial aos percevejos e às doenças de final de ciclo.

O controle de plantas daninhas também é importante, pois elas competem com a cultura por recursos como água, luz, nutrientes e espaço.

Conclusão

O estádio de enchimento de grãos é o período em que ocorre rápido acúmulo de matéria seca e nutrientes nos grãos. Nitrogênio, fósforo, potássio, boro, cálcio e magnésio contribuem positivamente nessa fase.

Tenha cuidado com os percevejos, porque eles são os insetos-praga com maior importância econômica para a cultura da soja.

Fique por dentro de doenças como antracnose, ferrugem asiática, crestamento foliar de cercóspora, mancha-parda, mancha olho-de-rã, podridão parda da haste e podridão por fitóftora. Elas são as mais impactantes nesse período.

Não esqueça de realizar o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas durante todo o ciclo da cultura.  Essa atitude é essencial para garantir a qualidade do grão e atingir altas produtividades.

>> Leia mais: “Tudo o que você precisa saber sobre Macrophomina em soja

Quais medidas você toma no período de enchimento dos grãos de soja? Já precisou realizar o manejo de alguma daninha, praga ou doença mencionadas nesse artigo? Deixe sua resposta aqui nos comentários!

Como identificar e realizar o controle de tripes em soja

Tripes em soja: o que é, danos causados, transmissão de viroses e quais cuidados você deve ter durante o cultivo para evitar perdas

As tripes são pragas secundárias da cultura da soja, o que significa que, apesar de causarem danos, os prejuízos econômicos não são tão expressivos. Porém, esses insetos podem ser responsáveis por uma grande redução de produtividade, especialmente em longos períodos de estiagem e em solos de baixa fertilidade.

Essa praga pode transmitir viroses e deixar lesões que servem de porta de entrada para outros patógenos, como fungos e bactérias

Neste artigo, você lerá sobre as características das tripes e sobre aspectos importantes na tomada de decisão do controle a ser utilizado.

O que são tripes: características biológicas da praga

As tripes são pequenos insetos da família Thripidae, que possui mais de 290 gêneros e duas mil espécies. Podem ser de colorações variadas – marrons, brancas, bege-claras, amareladas ou pretas. Diversas espécies de tripes podem ser encontradas nas plantas de soja, com destaque para Caliothrips brasiliensis, C. phaseoli e Frankliniella schultzei.

As ninfas, que eclodem dos ovos, têm aparência semelhante aos insetos adultos e parte de seu ciclo de vida ocorre no solo

Costumam se abrigar em folíolos novos e interiores e na face inferior das folhas. Atingem a fase adulta entre oito e nove dias após a fase de ninfa.

Se alimentam dos tecidos vegetais e possuem um estilete em seu aparelho bucal raspador. Esse aparelho raspa a epiderme, suga a seiva e causa posterior morte do tecido.

Possuem corpo alongado e asas franjadas, ligeiramente transparentes, medindo entre 1 mm a 3 mm de comprimento.

Corpo característico das tripes: alongado e um par de antenas

Corpo característico das tripes: alongado e um par de antenas
(Fonte: SOSA-GOMEZ et al., 2013)

Caliothrips brasiliensis e Caliothrips phaseoli

Ambas as espécies são encontradas de forma mais abundante na cultura da soja no Sul do Brasil.

Caliothrips phaseoli é uma espécie polífaga, capaz de causar danos em diversas culturas de interesse agrícola, como feijão, soja e outras fabáceas.

Caliothrips brasiliensis causa danos em algodão, feijão, soja, amendoim e ervilha.

Os adultos medem cerca de 1 mm de comprimento, e possuem coloração amarelada. Ninfas e adultos se alimentam da seiva das plantas, que se tornam amareladas e deformadas e sofrem queda prematura.

Quando associados a outras pragas, como ácaros, foram relatadas reduções significativas de 50% na taxa de fotossíntese

Localizados no extrato superior no estádio R5 da cultura (início do enchimento dos grãos) 73 tripes/folíolo ocasionam perdas de 17%  no rendimento da cultura.

Caliothrips brasiliensis causando lesões características prateadas em soja. Adulto (a), ninfa (b) e sintomas de raspagem das folhas (c)

Caliothrips brasiliensis causando lesões características prateadas em soja. Adulto (a), ninfa (b) e sintomas de raspagem das folhas (c)
(Fonte: SALVADORI et al., 2007)

Frankliniella schultzei

Vem sendo relatada com frequência em infestações elevadas em regiões da Bahia, especialmente no oeste.

Ovos de Frankliniella schultzei são introduzidos no interior do tecido epidérmico das folhas, com eclosão em média quatro dias após

As fêmeas ovipositam de 20 a 139 ovos durante o seu ciclo de vida, com duração de 9 a 18 dias, a depender da temperatura e umidade relativa do ar. Em temperaturas mais elevadas, o ciclo é acelerado.

Ambas as fases, adulta e ninfa, provocam danos por raspagem na superfície foliar. Podem causar ainda, danos nas flores, causando sua esterilidade e aspecto de coloração avermelhada.

Na fase reprodutiva, atingem seu maior nível populacional, sendo indispensável o monitoramento prévio.

Vista dorsal de Frankliniella schultzei

Vista dorsal de Frankliniella schultzei
(Fonte: KAKKAR et al., 2010)

Identificação e danos causados pelas tripes em soja

Reduções entre 10% a 25% na produtividade da cultura foram registradas quando o controle adequado das tripes não foi feito.

De forma geral,  elas provocam lesões em faixas ou estrias, de coloração escura ao longo do caule das vagens, curvamento dos ponteiros e bronzeamento das folhas, além das manchas características prateadas.

São disseminadas pelo vento, e embora possuam asas na fase adulta, sua capacidade de voo é considerada baixa.

tripes em folha de soja

Tripes em soja
(Fonte: Manual de Pragas da Soja)

Danos diretos 

As tripes causam manchas esbranquiçadas no feixe, com áreas de coloração prateada, que evoluem para manchas bronzeadas, marrons e posteriormente necrosadas.

Danos e infestações de níveis populacionais diferentes podem ser observados para cultivares distintas. 

Danos indiretos

Um dano indireto é a transmissão do vírus TSV (tobacco streak vírus), responsável pela “queima-do-broto” apical da planta, que pode acarretar até 100% de perdas na lavoura

O TSV afeta o desenvolvimento das plantas, deixando-as com porte reduzido, atrofiado, reduzindo consideravelmente a produtividade. No entanto, apenas as fases adultas são capazes de transmitir o vírus ao longo da área de produção.

Infestação de cravorana em lavoura de soja

Infestação de cravorana em lavoura de soja
(Fonte: KLENJI, C. A., 2020)

A maior ocorrência do TSV é relatada nas regiões do Paraná e São Paulo, devido principalmente à presença de plantas daninhas hospedeiras perenes e semiperenes.

Essas plantas favorecem a reprodução nas demais épocas do ano, como a cravorana (Ambrosia polystachya).

Sintomas do vírus TSV, transmitido por tripes, em vagens de soja (esquerda), com lesões necróticas características em formato de estrias e em grãos (direita)

Sintomas do vírus TSV, transmitido por tripes, em vagens de soja (esquerda), com lesões necróticas características em formato de estrias e em grãos (direita)
(Fonte: MUELLER, D., 2013)

Controle de tripes em soja: quando e de que forma fazer

As tripes em soja reduzem a área fotossinteticamente ativa das plantas, especialmente no terço inferior (baixeiro), nos estádios vegetativo e reprodutivo.

Causam lesões em vagens e prejudicam triplamente o enchimento dos grãos, pela diminuição da área foliar, perda de água pelas lesões, aceleração do ciclo da cultura e redução do peso.

Esses danos diminuem a qualidade dos grãos e aceleram a sua deterioração.

A decisão de controle de tripes através de inseticidas deve considerar alguns pontos importantes, como população da praga, estádio de desenvolvimento da cultura e ingredientes ativos.

Além disso, é necessário considerar que a reinfestação pela praga é rápida, uma vez que seu ciclo é completo em aproximadamente 15 dias.

Acompanhar as previsões meteorológicas de precipitações torna-se importante. Condições de baixa umidade e estresse hídrico, favorecem a reprodução da praga. Porém, ela também pode ocorrer em temperaturas amenas em períodos de estiagem.

Para o controle do vírus da queima-do-broto, é imprescindível a remoção de plantas hospedeiras, realização da rotação de culturas, além do controle das tripes (vetor).

A época de semeadura também deve ser programada para evitar que as fases críticas da cultura coincidam com menor disponibilidade hídrica (final do vegetativo e até o final do enchimento dos grãos).

8 pontos importantes sobre o controle de tripes em soja

  1. controle com populações altas (superior a 50 tripes/folha) – utilizando o método de pano de batida para contagem dos indivíduos;
  2. controle com inseticidas devem atingir as partes inferiores das folhas trifoliadas, onde as tripes normalmente estão localizadas;
  3. em estádios reprodutivos, a população deve se manter abaixo de 25 tripes por folíolo;
  4. controle dificultado pelas características da praga: alto potencial reprodutivo, pequeno intervalo entre gerações e altas populações, especialmente em plantas submetidas a estresses hídricos prolongados;
  5. parte do ciclo de vida ocorre no solo, dificultando o controle efetivo da praga;
  6. monitoramento da população da praga em estádios vegetativos: para evitar perdas de área foliar, que são importantes no período de enchimento de grãos; 
  7. monitoramento da população da praga em estádios reprodutivos: para evitar a senescência e maturação precoce, o que diminui a fase de enchimento de grãos;
  8. planejar adequadamente as plantas utilizadas em bordaduras e plantios subsequentes. O milho é uma espécie hospedeira, e não é recomendada como barreira.

Controle químico: melhores inseticidas para tripes

Além das recomendações de manejo anteriormente citadas, o controle  químico, aliado a detecção precoce da praga antes do estádio reprodutivo são consideradas as estratégias de maior efetividade.

Produtos de ação translaminar são os mais indicados. São aplicados na superfície das folhas e capazes de translocar ao lado oposto, onde ninfas e adultos estão localizados em maiores populações.

Para as três espécies principais, ingredientes ativos como o acefato, cipermetrina, metomil e clorfenapir podem ser empregados e podem ser consultados no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit).

Estudos destacam que o MIP (Manejo Integrado de Pragas) pode ser eficiente, utilizando de uma mesma molécula para controle de diversas pragas alvo

O imidacloprido pode ser utilizado para o controle de tripes, porque apresenta alta eficiência econômica e controle de percevejo-verde, vaquinha-verde-amarela, mosca-branca, percevejo-marrom e percevejo-verde-pequeno.

Observe o momento, dose, intervalo adequado e número máximo de aplicações recomendadas na bula pelo fabricante. 

planilha Aegro manejo integrado de pragas, baixe agora

Conclusão

Neste artigo, você viu quais são as características biológicas das tripes e quais danos diretos e indiretos elas podem causar na lavoura de soja.

Realize o monitoramento e planejamento das culturas implantadas na área e a rotação ao longo do ano agrícola.

Além disso, realize o controle de plantas daninhas, para que espécies hospedeiras não estejam presentes entre os cultivos de soja. 

O MIP (manejo integrado de pragas) pode ser utilizado com sucesso. Além de controlar diversas pragas, o manejo integrado reduz o número de aplicações e aumenta a eficiência econômica dos produtos.

Você está passando por problemas com tripes em soja? Espero que esse artigo tenha te ajudado. Assine nossa newsletter para receber mais conteúdos semelhantes!

Por que a adubação com silício pode ser sua aliada na produtividade

Adubação com silício: a importância dessa estratégia de manejo e os benefícios no desenvolvimento das plantas.

O aumento da produtividade agrícola se deve ao manejo adequado de fatores como a adubação. A fertilização promove muitos benefícios no desenvolvimento das lavouras.

Os efeitos positivos da adubação com silício podem ser observados principalmente nas gramíneas  como arroz, cana-de-açúcar, milho e trigo, consideradas acumuladoras desse elemento.

Além de minimizar os efeitos do déficit hídrico, essa substância aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças.

Quer saber como a adubação com silício pode te ajudar a aumentar a produtividade da sua lavoura? Confira a seguir!

O que é o silício?

O silício é um mineral que promove melhorias no desenvolvimento das plantas, encontrado naturalmente na maioria dos solos. Os solos brasileiros apresentam cerca de 5% a 40% de silício em sua composição. 

Embora faça parte da constituição da solo, este elemento está presente em maiores quantidades em ambientes pouco intemperizados. Em geral, solos arenosos apresentam baixa disponibilidade de silício assimilável pelas plantas.

Sua absorção está diretamente relacionada ao pH do solo. Em condições de pH mais elevado, há maior quantidade de silício disponível. Dessa forma, ocorre maior absorção do elemento pelas plantas.

O silício é absorvido pelas plantas na forma de ácido silícico (H4SiO4) e esse processo ocorre, preferencialmente, pelas raízes. No entanto, a adubação silicatada pode ser feita tanto via solo quanto via foliar.

Fontes de silício para as plantas

Segundo a legislação brasileira que regulamenta a produção e comercialização de fertilizantes e corretivos, a adubação com silício é considerada benéfica para as plantas

O silício pode ser comercializado na forma isolada ou misturado a outros nutrientes. Dentre os materiais utilizados como fonte de silício para as plantas, há:

  • escórias da indústria siderúrgica
  • metassilicato de cálcio;
  • termofosfato;
  • wollastonita;
  • silicato de potássio; 
  • silicato de cálcio;
  • silicato de magnésio.

O silicato de cálcio é um exemplo de adubo aplicado diretamente no solo, enquanto o silicato de potássio é um fertilizante foliar

Além disso, o silicato de sódio, bastante empregado no modelo de agricultura convencional, é uma substância liberada para uso na produção de orgânicos. 

Importância da adubação com silício

Várias pesquisas científicas demonstram a importância do silício na relação planta-ambiente. 

Esse elemento atua como protetor, fornecendo condições para que a lavoura tenha maior resistência a estresses bióticos (pragas e doenças) e abióticos (déficit hídrico, salinidade e estresse térmico).

Silício no controle de pragas e doenças

Ao ser absorvido, o silício é depositado na epiderme das folhas e nos colmos, que ficam mais espessos. O acúmulo desse elemento nas células epidérmicas funciona como uma barreira física que dificulta o ataque de insetos e o desenvolvimento de doenças.

tabela com pragas controladas com a utilização de silício em diversas culturas

Pragas controladas com a utilização de silício em diversas culturas
(Fonte: International Plant Nutrition Institute)

O silício também atua induzindo mecanismos naturais de defesa das plantas, como a produção de compostos fenólicos, enzimas e acúmulo de lignina

Essa resposta metabólica das plantas interfere negativamente no desenvolvimento de agentes fitopatogênicos, por exemplo. 

tabela com efeito do silício na supressão de doenças fúngicas em grandes culturas e hortaliças

Efeito do silício na supressão de doenças fúngicas em grandes culturas e hortaliças
(Fonte: International Plant Nutrition Institute)

A deposição de silício nas folhas também melhora a arquitetura foliar. Isso quer dizer que as folhas ficam mais eretas, o que favorece a penetração da luz no dossel das plantas e evita o auto-sombreamento. 

Com isso, há melhora na capacidade fotossintética das plantas e há aumento da produtividade. O enrijecimento das paredes das células também reduz o acamamento das plantas.

Silício na correção da acidez do solo

O silicato de cálcio e o silicato de magnésio são substâncias que contêm silício em sua composição. Elas podem ser usadas na correção da acidez do solo, além de fornecer os nutrientes para as plantas.

As escórias siderúrgicas (subprodutos da indústria do ferro e do aço) também são utilizadas na agricultura para correção da acidez do solo. 

Elas aumentam a saturação por bases (V%) e a capacidade de troca de cátions (CTC do solo). Além disso, sua ação como corretivo da acidez do solo pode ser comparada à do calcário

No entanto, é bom destacar a importância desse material não apresentar substâncias contaminantes, principalmente metais pesados. Isso evita a contaminação do solo, dos cursos d’água e protege o ecossistema.  

O silício contribui ainda na redução da toxicidade de alumínio, manganês e ferro presentes no solo.

Silício e a adubação NPK

Os fertilizantes silicatados têm importante papel no aumento da eficiência da adubação feita com nitrogênio, fósforo e potássio. 

Como o silício contribui para o aumento da taxa fotossintética, ocorre maior incorporação do nitrogênio nas atividades metabólicas. Além disso, o silício aumenta o teor de fósforo no solo e diminui a lixiviação de potássio e outros nutrientes móveis. 

Silício no aumento da resistência ao estresse hídrico e salino

Em condições de déficit hídrico, a adubação silicatada contribui para minimizar os efeitos negativos. 

O espessamento da epiderme das folhas, em decorrência da deposição de silício, reduz a transpiração da planta e diminui a abertura estomática. Isso resulta em menor perda de água pela planta

Em condições de salinidade, o silício atua na preservação da parede celular. Ele estimula o sistema antioxidante da planta que garante a integridade e estabilidade da membrana celular. 

10 benefícios da adubação com silício

Você viu todas as vantagens que a adubação com silício pode promover. Confira a síntese desses benefícios e considere essa possibilidade!

  • maior resistência ao ataque de pragas e doenças;
  • aumento da capacidade fotossintética em função do melhor arranjo foliar;
  • maior resistência ao acamamento;
  • indução de mecanismos naturais de defesa, como a produção de polifenóis e enzimas;
  • correção da acidez do solo;
  • aumento dos teores de cálcio e magnésio trocáveis;
  • redução da toxicidade do alumínio, manganês e ferro;
  • contribui para a melhoria do estado nutricional da planta;
  • aumento da resistência ao estresse hídrico e salino;
  • aumento da produtividade.
planilha de controle dos custos com insumos Aegro, baixe grátis

Conclusão

O silício é um mineral com influência positiva sobre o desenvolvimento das plantas, principalmente as gramíneas. Pode ser aplicado via solo ou via foliar.

O silicato de sódio não apresenta restrição de uso na agricultura orgânica, sendo utilizado no controle de pragas e doenças.

A adubação silicatada é uma estratégia de manejo importante no aumento da produtividade e que contribui para a maior resistência a pragas e doenças, melhora o estado nutricional da lavoura, além de aumentar a resistência à salinidade e a falta de água.

O silício funciona como corretivo da acidez do solo e, além disso, fornece cálcio e magnésio para as plantas

Com quais produtos você realiza a adubação do solo da sua lavoura? Já fez adubação com silício? Quais foram os resultados? Conte sua experiência aqui nos comentários!

Saiba como funcionam os bioativadores e quais são os tipos disponíveis no mercado

Bioativadores: o que são, como utilizar e qual a diferença entre eles, os bioestimulantes e os biorreguladores

O potencial genético é um fator determinante no desenvolvimento e na produtividade das culturas, mas sua expressão precisa de condições favoráveis.

Não é possível eliminar o estresse das plantas no campo. No entanto, o desenvolvimento de ferramentas como os bioativadores te auxiliam a mitigar essas condições e a aumentar a qualidade e vigor das plantas.

Nesse artigo, você terá as principais informações sobre essa ferramenta e seus benefícios. 

Fisiologia da planta

O segredo para o melhor desenvolvimento da cultura é o equilíbrio ambiental.

Os principais fatores para o desenvolvimento da planta são o potencial genético, o equilíbrio fisiológico funcional, além de condições de solo e ambientais adequadas. 

Por isso, ao implantar uma lavoura, é desejável que ela tenha todas as condições ideais para o alcance do seu potencial genético. 

Para se desenvolver, a planta baseia-se em seu metabolismo primário: fotossíntese, respiração e o acúmulo de carbono. 

O metabolismo secundário é promovido por condições ambientais, como respostas morfológicas via sistemas enzimáticos e não enzimáticos.

A planta se adapta e realiza esses metabolismos de acordo com estresse térmico e outros tipos de estresse. Além disso, durante o desenvolvimento da cultura, as concentrações de hormônios vegetais se modificam.

Substâncias como os bioativadores são capazes de atuar contra condições de estresse e promover o desenvolvimento genético potencial.

infográfico dos hormônios vegetais no ciclo de vida das plantas

(Fonte: Planeta Biologia)

Bioativadores

Bioativadores são substâncias orgânicas que atuam no equilíbrio fisiológico da planta, auxiliando em sua proteção. 

A aplicação em baixa concentração modifica, promove ou inibe os processos morfológicos e fisiológicos vegetais. O objetivo é favorecer a fotossíntese, promover maior resistência aos estresses e aumentar a produtividade.

A aplicação de aminoácidos promove uma menor necessidade energética da planta para a formação de proteínas. Assim, ela permite que a fotossíntese siga o fluxo natural de perpetuação da espécie.

Em resposta às condições de estresse hídrico e salinidade, é produzido o ABA (ácido abscísico), um hormônio natural. Ele promove o acúmulo de carbono e o fechamento dos estômatos da planta.

Os biorreguladores entram nesse momento para  manter o equilíbrio da planta. Não é possível falar de equilíbrio hormonal sem lembrar o papel que os nutrientes cumprem. Por isso, preparar e corrigir o solo é fundamental. 

A falta de nutrientes (Boro, Fósforo, Cálcio) e o solo compactado afetam diretamente o desenvolvimento, desde as raízes até a parte aérea.  Há muita interferência dos nutrientes no  equilíbrio hormonal.

Bioativadores, bioestimulantes e biorreguladores são a mesma coisa?

Os biorreguladores são os hormônios vegetais como: 

  • auxinas;
  • giberelinas;
  • citocininas;
  • retardadores;
  • inibidores;
  • etileno;
  • brassinosteróides;
  • ácido salicílico;
  • jasmonatos;
  • poliaminas.  

Os bioativadores são compostos de biorreguladores e de macro e micronutrientes. 

Os bioestimulantes são substâncias naturais ou microrganismos que melhoram a resposta a estresses abióticos e a eficiência nutricional. 

A diferença é que os bioestimulantes são constituídos de misturas de grupos hormonais no mesmo produto. São precursores hormonais ou hormônios em si. Entender melhor como funcionam e o posicionamento na cultura é muito importante.

O produto utilizado deve ser recomendado à cultura, pois nos estudos de liberação dos produtos todos os testes são realizados e ajustados às recomendações, são identificados seus efeitos e indicadas as dosagens corretas. 

Para os bioativadores e biorreguladores, existem legislações específicas para o registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Quais os tipos de bioativadores?

O portfólio disponível no mercado é grande. Você deve ter as informações principais dos princípios ativos e a sua concentração no produto.

Assim, você saberá qual o melhor posicionamento para a  aplicação, que promova alterações em processos vitais e estruturais em busca de maior produção.

Veja quais são os tipos de bioativadores disponíveis no mercado!

Extrato de algas

Produtos à base de extrato de algas podem reduzir o estresse nas plantas e causar condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Os principais gêneros encontrados no mercado são:

  • Phaeophyceae;
  • Ascophyllum nodosum;
  • Macrocystis pyrifera;
  • Durvillea potatorum;
  • Ecklomia maxima;
  • Lithothamnium calcareum. 

Aminoácidos

Eles são os reguladores de expressão e repressão genética, interferindo na susceptibilidade e tolerância às condições adversas. 

As plantas naturalmente produzem seus aminoácidos, mas a contribuição do uso em alguns momentos na cultura tem apresentado resultados surpreendentes na tolerância ao estresse.

Eles têm sido aplicados em tratamentos de sementes e na fase vegetativa de culturas como a soja. Apresentam resultados no desenvolvimento de raiz, acúmulo de matéria seca e redução de estresse. 

Seu uso na fase vegetativa para o controle do efeito fitotóxico tem apresentado resultados muito positivos em restituir e estimular o desenvolvimento da planta. 

Quando o triptofano (percursor do ácido indolacético) é aplicado na fase vegetativa, há desenvolvimento radicular e aumento da vida microbiana do solo.

Ácidos orgânicos

O uso de ácidos húmicos e fúlvicos, produtos da decomposição da matéria orgânica, promove melhoria da estrutura física e química do solo.

Isso contribui diretamente para o aumento da microbiologia do solo e consequentemente na melhoria do metabolismo da planta.

O seu uso causa aumento significativo da absorção de íons, potencializa a respiração e a velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, além de aumentar a produção de ATP nas células radiculares e os níveis de clorofila

Pode ser empregado como um condicionador de solo e também tem efeitos positivos sobre a germinação

O uso de ácido húmico e fúlvico em ambientes salinos permite que o sódio fique mais diluído no solo. Ele pode ser perdido pela lixiviação (promovida pela presença de cálcio, magnésio e potássio em sua composição) que mantém os sítios de troca catiônica ativos. 

Modelo proposto do efeito da aplicação de substâncias húmicas (SH) em solos salinos - bioativadores

(Fonte: Biorreguladores e bioestimulantes agrícolas)

Posicionamento em algumas principais culturas

No que se refere às aplicações agrícolas dos biorreguladores, algumas plantas cultivadas no Brasil já atingiram estágios de evolução que exigem nível técnico avançado para alcançar a produtividade.

Na cultura da soja, o uso de bioestimulantes e biorreguladores tem apresentado ótimos resultados, atingindo mais de 30% de aumento de produtividade. Eles têm sido empregados no tratamento de sementes e em aplicação foliar na fase vegetativa.

E esses resultados são bem entendidos, se, por exemplo, uma cultivar precoce de ciclo de cerca de cem dias for exposta a estresse ambiental por pouco mais de uma semana.

Isso corresponde a 10% do ciclo do vegetal que não está funcionando adequadamente.

O uso de bioestimulantes e biorreguladores promove resultados muito positivos.  

Na cultura do algodoeiro, os resultados com o uso têm sido observados na resistência da cultura e até mesmo na qualidade da fibra produzida. O seu uso no tratamento de semente melhora o vigor das plantas.

Na cultura de cana-de-açúcar, bioestumulantes e biorreguladores também têm sido utilizados para favorecer o brotamento, além de promover a fixação biológica de nitrogênio.

O uso de bioativadores ainda é um campo amplo de pesquisa, visto que respostas vegetais nem sempre são atribuídas à aplicação de um único regulador, porque é preciso considerar que existam hormônios que contribuam para as respostas obtidas. 

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Ao longo do artigo, você viu que há diferenças entre biorreguladores, bioativadores e bioestimulantes. 

Biorreguladores são hormônios vegetais, bioativadores são compostos de biorreguladores, macro e micronutrientes. Os bioestimulantes são substâncias naturais que melhoram a resposta a estresses e a nutrição das plantas.

Os resultados com bioativadores são muitos, mas é importante lembrar que utilizar somente um tratamento de semente ou um produto foliar é relativamente simples.

O posicionamento correto do produto dentro do seu planejamento agrícola e das condições da sua lavoura são a chave para você obter a produtividade final

Você já utilizou bioativadores e bioestimulantes na sua lavoura? Como foi a experiência e o seu retorno com o uso?  Compartilhe sua experiência comigo nos comentários!

O que você precisa saber sobre a cobertura do solo com nabo forrageiro

Cobertura do solo com nabo forrageiro: quando e como cultivar, benefícios da produção e seu impacto na cultura seguinte

Manter o solo coberto no outono-inverno é uma alternativa benéfica para o sistema produtivo.

O nabo forrageiro é uma opção que traz benefícios a mais. Além de poder descompactar o solo da sua propriedade, ele pode inibir a emergência e desenvolvimento de plantas daninhas.

Ele possui alta capacidade de reciclar nutrientes e é muito utilizado na sucessão e/ou rotação de culturas com soja, milho e algodão.

Se você deseja melhorar a qualidade do solo e a produtividade da sua lavoura, utilizar o nabo forrageiro pode ser interessante.

Neste artigo, você verá alguns dos motivos pelos quais você deve investir nessa opção. Confira!

Quando e como cultivar o nabo forrageiro?

O nabo forrageiro é uma cultura anual de inverno, com hábito de crescimento ereto, herbáceo e muito ramificado. É tolerante à seca e ao frio, além de ser pouco exigente em fertilidade e tolerante a solos ácidos.

Por ser uma cultura de inverno, sua semeadura deve ocorrer entre os meses de março e abril, quando ainda há disponibilidade hídrica.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas, com espaçamento de 20 cm a 40 cm, distribuindo de 3 kg a 15 kg de sementes por hectare.

Devido ao pequeno tamanho das sementes, é recomendado misturá-las com calcário ou superfosfato simples, na proporção de 1 kg de sementes para 50 kg de corretivo ou fertilizante, com objetivo de facilitar a semeadura.

Por ser muito vigorosa, sua altura varia entre 1 m e 1,8 m. Pode produzir de 5 a 10 toneladas de massa seca por hectare.

Seu sistema radicular pivotante pode atingir até 2 metros de profundidade, sendo capaz de romper camadas compactadas do solo.

Seus restos culturais decompõem rapidamente (baixa relação C/N). Por isso, faça sua consorciação com espécies gramíneas como aveia, centeio e azevém, que possuem decomposição mais lenta e cobertura prolongada do solo.

gráfico com distribuição da massa seca (%) em plantas de nabo forrageiro com 50% das plantas em florescimento

Distribuição da massa seca (%) em plantas de nabo forrageiro com 50% das plantas em florescimento
(Fonte: adaptado de Lima et al. 2007)

Por ser precoce e agressiva, a cultura cobre cerca de 70% do solo em até 60 dias após a semeadura, e é uma excelente opção para cobertura do solo.

Utilização

O nabo forrageiro é uma alternativa para produtores que não conseguiram acompanhar a janela de semeadura do milho safrinha.

Também pode ser utilizado para adubação verde, na rotação ou sucessão de culturas com soja, milho e algodão.

Seu sistema radicular é agressivo. Por isso, funciona como um subsolador natural, por romper as camadas compactadas do solo. Também possui efeito alelopático, que inibe a germinação de plantas daninhas.

Em razão da sua alta capacidade de produção de massa verde, pode ser utilizado na alimentação animal na forma de pastejo direto ou corte para fornecimento no cocho.

Suas flores brancas e roxas enfeitam o campo e funcionam como fonte de alimento para as abelhas no outono-inverno.

A partir de seus grãos pequenos, arredondados e marrons, é possível extrair óleo de excelente qualidade para produção de biodiesel.

A torta, oriunda da prensagem dos grãos para extração de óleo, pode ser utilizada na formulação de rações para alimentação animal.

Por que cultivar o nabo forrageiro?

Recapitulando, a utilização do nabo forrageiro é um método biológico de descompactação do solo, que apresenta diversas vantagens, como:

  • rápido crescimento inicial;
  • cobertura total e rápida do solo;
  • supressão de plantas daninhas;
  • rápida decomposição devido à baixa relação C/N;
  • excelente capacidade de reciclagem de nutrientes (N e P);
  • sua raiz pivotante melhora as condições físicas do solo, atuando sobre sua descompactação;
  • cultura de baixo investimento;
  • suas flores são fontes de alimentos para as abelhas no outono-inverno;
  • seus grãos funcionam como matéria-prima para a produção de biodiesel.

Entretanto, considere alguns pontos antes de utilizar o nabo forrageiro, já que do ponto de vista fitopatológico, o cultivo da cultura pode ser problemático.

Por exemplo, em áreas com histórico e ocorrência recente de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), evite o cultivo do nabo forrageiro.

Ele é uma planta hospedeira do mofo-branco, e pode aumentar o inóculo da doença na área.

Além disso, o seu cultivo também não é recomendado em áreas com histórico de nematoides de galhas (Meloidogyne javanica), por ser uma cultura suscetível.

Nessas condições, evite o nabo forrageiro e opte por espécies gramíneas como aveia, centeio, azevém, entre outras.

Invista no cultivo do nabo forrageiro em sua propriedade, pois as vantagens são muitas.

Impactos na produção de grãos em sucessão 

Como você sabe, manter o solo coberto durante a entressafra é uma alternativa benéfica para o sistema produtivo.

Os benefícios do nabo forrageiro nas culturas são evidentes. Seu cultivo prepara o solo para a semeadura de culturas como soja, milho e algodão.

O nabo forrageiro, solteiro ou em consórcio com aveia-preta, produz volume considerável de massa seca para cobertura do solo.

tabela com produção de massa seca da parte aérea do nabo forrageiro solteiro e consorciada com aveia-preta

Produção de massa seca da parte aérea do nabo forrageiro solteiro e consorciada com aveia-preta
(Fonte: adaptado de Forte et al. 2018)

Essa cobertura proporciona diversos benefícios ao solo e às culturas em sucessão, devido à rápida decomposição dos seus resíduos vegetais. Há disponibilização, de imediato, dos nutrientes no solo.

Veja o aumento da produtividade de grãos de milho após o cultivo de nabo forrageiro.

tabeça com cobertura do solo com nabo forrageiro contribui para o aumento da produtividade de grãos do milho em sucessão

 A cobertura do solo com nabo forrageiro contribui para o aumento da produtividade de grãos do milho em sucessão
(Fonte: adaptado de Forte et al. 2018)

O milho cultivado após o nabo forrageiro pode produzir mais de uma tonelada por hectare em relação ao seu cultivo em área de pousio.

Culturas como soja, feijão, algodão, entre outras, também se beneficiam com a inserção do nabo forrageiro no sistema produtivo.

e-book culturas de inverno Aegro, baixe agora

Conclusão

O nabo forrageiro é muito utilizado como cobertura do solo e adubação verde, na rotação e/ou sucessão de culturas e na alimentação animal.

Por ser tolerante à seca e à geada é uma ótima opção de cultura de outono-inverno.

Suas raízes descompactam o solo, permitindo um preparo biológico do mesmo. Possui alta capacidade de reciclagem de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo.

A partir dessas informações, você sabe que fazer a cobertura de solo com nabo forrageiro traz inúmeros benefícios para a sua lavoura.

>> Leia mais: Saiba como o estilosante pode ser uma boa opção para a cobertura do solo”

Já tentou fazer a cobertura do solo com nabo forrageiro? Como você costuma fazer em sua propriedade? Deixe sua experiência aqui nos comentários.

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Cafeicultura de Precisão: como técnicas inovadoras aliadas às tecnologias favorecem  o aumento da produtividade, redução de custos e sustentabilidade

A cafeicultura de precisão é um modelo de gestão da fazenda que se utiliza de tecnologias para o manejo da lavoura em taxas variáveis, com baixo impacto ambiental.

Também chamada de Cafeicultura 4.0, a técnica possui diversas ferramentas que favorecem a maior eficiência na produção e a sustentabilidade econômica. 

Neste artigo, saiba as vantagens que ela oferece e as metodologias de aplicação. Confira!

O que é cafeicultura de precisão

A cafeicultura de precisão está em evolução no país, sobretudo em Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, e nos estados do Espírito Santo, São Paulo e Bahia. 

Pesquisas sobre a técnica e métodos de aplicação mostram a redução de custos com insumos, aumento da produtividade e baixo impacto ambiental.  

Apontam também a viabilidade em pequenas, médias e grandes áreas, com cultivo do arábica ou robusta (conilon). 

Essência da AP

Em sua essência, a cafeicultura de precisão é baseada em dois conceitos da AP (Agricultura de Precisão): o de variabilidade espacial e o de variabilidade temporal. 

As variabilidades espacial e temporal apontam as particularidades do cafezal e fornecem dados para tomada de decisão, manejo eficiente e planejamento da safra

Mapa de variabilidade espacial para aplicação de fósforo em taxa variável
Mapa de variabilidade espacial para aplicação de fósforo em taxa variável
(Fonte: PrecisãoAP)

Com isso, diversas variáveis que influenciam na produtividade do cafeeiro podem ser melhores gerenciadas, tais como:

  • propriedades físicas e químicas do solo e das plantas;
  • incidência de pragas e doenças e o índice vegetativo;
  • quantidade de aplicação de insumos;
  • água na irrigação;
  • floração e a maturação dos frutos;
  • uso de mão de obra ou máquinas na colheita;
  • infraestrutura do pós-colheita;
  • orçamento e lucro final.

É importante conhecer bem as particularidades da lavoura, pois o café é perene e qualquer fator influencia na produtividade da planta durante anos.

Mapa de variabilidade temporal do índice vegetativo
Mapa de variabilidade temporal do índice vegetativo
(Fonte: José Diógenes Alves Silveira e outros)

DNA do solo 

Uma novidade importante da cafeicultura de precisão é o mapeamento da variabilidade dos teores de argila, considerada o DNA do solo

As pesquisas mostram redução de 68% da necessidade de área subsolada com base na qualidade das argilas em comparação ao método tradicional. 

Ocorre ainda redução de 7,1% no consumo de combustível e na emissão de dióxido de carbono na atmosfera, o que dá mais sustentabilidade à lavoura.

banner-de-implantacao-e-renovacao-do-cafezal

Ferramentas de AP para a cafeicultura 

As ferramentas utilizadas na cafeicultura de precisão são as tecnologias (máquinas, softwares, equipamentos, etc.) e as metodologias de aplicação. 

Dentre as tecnologias, estão o GNSS (Global Navigation Satellite System), o GPS (Global Position System) e os SIGs (Sistemas de Informações Georreferenciadas). 

Elas atuam com monitores, pilotos automáticos, sensores, drones, aplicativos e softwares instalados em máquinas, implementos, computadores e celulares. 

Características das colhedoras da Cafeicultura 4.0
Características das colhedoras da Cafeicultura 4.0
(Fonte: Rouverson Pereira da Silva)

Colheita mecanizada

Na colheita do café, a mecanização ocorre com derriçadeira costal, que chega a multiplicar por quatro a produtividade em campo, ou pode ser seletiva, demanda de quem produz cafés especiais.

A regulagem da máquina é manual, mas a amostragem da variabilidade espacial sobre a maturação dos frutos pode ser por meio da AP.

Mapa de variabilidade espacial da maturação dos frutos e uma área de produção de café com pivô central em Minas Gerais
Mapa de variabilidade espacial da maturação dos frutos e uma área de produção de café com pivô central em Minas Gerais
(Fonte: Felipe Santinato)

Drones e sensores 

Na cafeicultura, os drones são muito úteis para em áreas onde não é possível a mecanização devido à topografia irregular. 

Muitos são equipados com câmeras RGB e NDVI (alta resolução) e sensores multiespectrais que identificam desde déficits nutricionais até pragas e doenças.

Há drones que sobrevoam 20 hectares em 15 minutos e coletam informações sobre a quantidade de plantas e identificam falhas de plantio. 

Na pulverização, o drone reduz tempo e custos: em 10 minutos, cobre 1 hectare. 

Ortomosaico georreferenciado de área de produção de café para contagem das plantas
Ortomosaico georreferenciado de área de produção de café para contagem das plantas
(Fonte: Plan4r)

Os sensores são uma ferramenta importante para o manejo nutricional.  

Estudo realizado na Bahia apontou correlação entre o nitrogênio e os índices vegetativos do cafeeiro, a partir do uso calibrado de sensoriamento remoto

Por esse método, o tempo de análise foliar, normalmente de 30 dias, caiu para 1 dia.

Análise foliar do N no cafeeiro a partir do sensoriamento remoto
Análise foliar do N no cafeeiro a partir do sensoriamento remoto
(Fonte: Crislaine Ladeia)

Metodologias mais utilizadas 

O uso das ferramentas tecnológicas segue metodologias de aplicação. Os métodos mais conhecidos são os seguintes:

  • geoestatística;
  • malhas amostrais;
  • semivariograma;
  • índices de Moran Local (IML) e Global (IMG);
  • krigeagem;
  • mapas de isolinhas;
  • modelagem de SIGs. 

A mais utilizada entre os pesquisadores é a geoestatística, que é fundamentada em dois conceitos: o de semivariograma e o de krigeagem. 

O semivariograma tem o papel de descrever a estrutura da variabilidade espacial e a krigeagem prediz valores não medidos, sem tendenciosidade e com variância mínima. 

A utilização dessas tecnologias e métodos possibilita fazer mapas de variabilidade espacial e temporal para gerenciamento eficiente da lavoura.

Os softwares realizam a leitura dos mapas e, por meio de comandos hidráulicos e eletrônicos, regulam a dose e aplicam a quantidade necessária do insumo.

Há no mercado softwares com imagens de satélite em alta resolução: as imagens são em WDRVI, mais potentes que o NDVI dos drones. A licença de utilização para 50 ha custa R$ 500/ano. 

Com essas imagens, é possível verificar o índice vegetativo, monitorar pragas e doenças, construir zonas de manejo e identificar falhas de plantio. 

Como aplicar a cafeicultura de precisão 

Como vimos, a cafeicultura de precisão pode ser aplicada de várias formas e sua eficiência depende das tecnologias e do método.

Mas há também maneiras de praticar a AP sem muitos recursos tecnológicos. 

Por exemplo: se sua área de produção tem 20 ha, faça a divisão em 5 subáreas de 4 ha ou em 4 subáreas de 5 ha. Após isso, realize análise de solo em cada subárea.

A divisão deve ser feita com o uso de um aplicativo com GPS, a exemplo do Fields Area Measure, de fácil manuseio.

tabela com análise de solo de uma área de 20 ha, dividida em quatro subáreas de 5 ha, mostra níveis diferentes dos atributos químicos
Análise de solo de uma área de 20 ha, dividida em quatro subáreas de 5 ha, mostra níveis diferentes dos atributos químicos
(Fonte: Labominas)

Variabilidade espacial

Faça a análise de solo de cada subárea e crie um mapa (numa folha de papel mesmo) com as particularidades químicas das subáreas. 

Dessa forma, você observará a variabilidade do cafeeiro e fará um manejo mais eficiente, pois haverá recomendações diferentes.

E, como consequência, será gasto só o necessário com insumos. 

Uma pesquisa sobre AP na cafeicultura mostrou economia de 23,76% (R$ 318,36/ha) nos custos totais com adubação em taxa variável em comparação à adubação convencional.

Software para gestão da lavoura

O uso de um software de gestão agrícola, como o Aegro, auxilia na prática da agricultura de precisão.

Você pode obter imagens NDVI pelo sistema, para avaliar áreas historicamente problemáticas e direcionar as suas amostragens de solo.

Além disso, o software possui um módulo especializado no monitoramento de pragas que ajuda você a mapear focos de infestação e realizar aplicações localizadas.

Todo o cronograma de manejo pode ser planejado e controlado no Aegro a partir do celular. O aplicativo utiliza tecnologia de georreferenciamento para facilitar as movimentações da equipe no campo.

Outra vantagem do Aegro é que ele computa todos os seus gastos com insumos, oferecendo uma análise de rentabilidade por talhão ao final da safra.

Assim você verá, com clareza, o retorno financeiro das técnicas de AP na sua fazenda.

>> Leia mais: “Como grupo cafeeiro realiza o monitoramento de pragas em 5 fazendas com apoio da tecnologia”

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão 

Os métodos e tecnologias da cafeicultura de precisão estão em aperfeiçoamento, mas não restam dúvidas sobre os impactos positivos que ela gera no setor.

Neste artigo, mostramos como ela pode beneficiar o manejo da sua lavoura e, consequentemente, sua produtividade.

Falamos ainda sobre as principais ferramentas de AP e as dicas de como praticar a cafeicultura de precisão mesmo sem muitos recursos tecnológicos.

Então, aproveite essas informações, busque mais conhecimento sobre como aplicar a técnica em sua lavoura e se beneficie das vantagens que ela oferece. Você e o meio ambiente só terão a ganhar!

Restou alguma dúvida sobre a cafeicultura de precisão? Deixe seu comentário!