Por que o controle biológico com Trichoderma pode ser uma boa opção para sua lavoura

Controle biológico com Trichoderma: entenda como o fungo pode auxiliar no controle de doenças, seus mecanismos de ação, cuidados e recomendações de aplicação.

O uso de biopesticidas no controle de pragas e doenças impacta positivamente na produtividade. Ele reduz perdas e custos, e garante uma produção cada vez mais  sustentável.

Fungos do gênero Trichoderma spp. podem promover crescimento às mais diversas culturas, como cereais e grãos. 

Estes microrganismos podem aumentar a produtividade em até 60%, além de melhorar a tolerância das culturas aos estresses. 

Neste artigo, você verá as características desse fungo, os mecanismos de ação, a quais doenças é recomendado e os cuidados necessários na aplicação. Boa leitura!

Características do gênero Trichoderma

Trichoderma é um fungo encontrado naturalmente nos solos, em populações variáveis. 

Eles representam um grupo de diversas espécies de interesse agrícola. São capazes de controlar uma gama de doenças de plantas.

Aspecto visual das estruturas fúngicas de Trichoderma spp. à esquerda e colônias de diferentes espécies à direita, demonstrando variação da coloração entre isolados e espécies

Aspecto visual das estruturas fúngicas de Trichoderma spp. à esquerda e colônias de diferentes espécies à direita, demonstrando variação da coloração entre isolados e espécies
(Fonte: Bhaszcyet al., 2014)

São decompositores de madeiras e matéria orgânica. 

Atualmente, existem mais de 200 espécies do gênero. Elas possuem diferentes potenciais para a proteção dos cultivos, promoção de crescimento e tolerância aos estresses.

Têm alta capacidade de colonizar a rizosfera, região do solo influenciada pelas raízes. Ela tem máxima atividade microbiana, localizada próximo às raízes das plantas.

Esses fungos também colonizam diversos outros substratos, sob diferentes condições ambientais.

Representação visual das raízes de uma planta, e do local onde localiza-se a rizosfera (em marrom). A rizosfera é rica em compostos liberados pelas raízes, atrativos aos microrganismos presentes no solo

Representação visual das raízes de uma planta, e do local onde localiza-se a rizosfera (em marrom). A rizosfera é rica em compostos liberados pelas raízes, atrativos aos microrganismos presentes no solo
(Fonte: Cardoso et al., 2016)

Esse gênero também tem a capacidade de produzir estruturas de resistência no solo. As estruturas permitem a sua sobrevivência por longos períodos e em condições adversas.

Mecanismos de ação para o controle de doenças de plantas

Os mecanismos de ação de controle de fitopatógenos por fungos do gênero Trichoderma incluem:

  • micoparasitismo;
  • antibiose;
  • competição;
  • indução de defesas ou resistência nas plantas.

A seguir, veja um pouco sobre como funciona cada um dos mecanismos de ação.

Micoparasitismo

Os fungos Trichoderma se alimentam absorvendo nutrientes por meio de estruturas chamadas hifas. 

As hifas penetram o tecido do hospedeiro e liberam enzimas que degradam a parede celular dos fitopatógenos.

A grande diversidade de enzimas degradadoras de parede celular, produzidas pelo fungo, impossibilita a defesa dos patógenos alvos.

Essas enzimas interferem na germinação de esporos, crescimento de hifas e desenvolvimento de estruturas de resistência pelos patógenos.

Antibiose

O fungo inibe os demais microrganismos fitopatógenos que também se desenvolvem no solo, a partir da produção de metabólitos secundários (tóxicos).

Os metabólitos, combinados com a ação das enzimas degradadoras, já foram relatados efetivos no controle de pulgões

Eles possuem capacidade entomopatogênica.

Competição

Caracteriza-se pelo comportamento/crescimento desigual de dois organismos.

Ambos competem por recursos essenciais à sobrevivência, como nutrientes, oxigênio, espaço, luz, dentre outros.

Fungos do gênero Trichoderma possuem vantagens no ambiente, como:

  • rápido crescimento e estabelecimento;
  • produção de enzimas (micoparasitismo);
  • produção de compostos metabólitos secundários tóxicos (antibiose).

São considerados ótimos competidores e oportunistas. Apresentam grande adaptabilidade. Eles podem crescer sobre uma gama de fontes de carbono, nitrogênio e diferentes temperaturas.

esquema de mecanismos de ação de Trichoderma no controle de fitopatógenos e produção de compostos relacionados à promoção de crescimento em plantas

Mecanismos de ação de Trichoderma no controle de fitopatógenos e produção de compostos relacionados à promoção de crescimento em plantas
(Fonte: adaptado de Konappa et al., 2020)

Confronto direto in vitro à esquerda, de isolado de Trichoderma (representado pela letra T na figura) e o patógeno Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco em diversas culturas, incluindo a soja (representado pelas letras Ss). À direita é possível observar o fungo biocontrolador Trichoderma spp. envolvendo as estruturas de S. sclerotiorum

Confronto direto in vitro à esquerda, de isolado de Trichoderma (representado pela letra T na figura) e o patógeno Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco em diversas culturas, incluindo a soja (representado pelas letras Ss). À direita é possível observar o fungo biocontrolador Trichoderma spp. envolvendo as estruturas de S. sclerotiorum
(Fonte: Eriston Vieria Gomes, 2015)

Indução de resistência e promoção de crescimento

Os fungos Trichoderma auxiliam na disponibilização de nutrientes presentes no solo que não estavam prontamente disponíveis às plantas. Como consequência:

  • aumentam a porcentagem e taxa de germinação de sementes;
  • estimulam as defesas das plantas contra estresses;
  • tornam o fósforo absorvível pelas plantas;
  • auxiliam na aquisição de nutrientes, devido ao aumento da expressão de genes relacionados;
  • promovem crescimento pela produção de auxinas e metabólitos que favorecem o desenvolvimento de raízes mais vigorosas e profundas. Através dessa característica, auxiliam na tolerância à seca;
  • incrementam a absorção de nutrientes e desenvolvimento de pêlos absorventes nas raízes laterais do sistema radicular;
  • aumentam a superfície de absorção de nutrientes pelas raízes;
  • provocam diminuição dos níveis de etileno nas plantas, favorecendo seu crescimento;
  • ajudam no incremento da massa seca, conteúdo de amido e açúcares solúveis, e eficiência fotossintética;
  • interferem positivamente na assimilação de nitrogênio;
  • ativam a resistência sistêmica induzida, a partir de fitormônios.

Aplicação de produtos à base de Trichoderma para o controle de doenças de plantas

Diversas espécies de Trichoderma spp. podem ser utilizadas no controle de doenças, especialmente aquelas causadas por fungos e nematoides

É importante que a bula, bem como a dose recomendada pelo fabricante, seja rigorosamente utilizada. 

Embora diversos produtos sejam formulados a partir da mesma espécie de Trichoderma, existem distinções quanto à gama de doenças que eles podem controlar.

Além disso, embora seja um produto biológico, doses excedentes podem causar problemas aos cultivos.

Confira a seguir alguns produtos indicados e para o controle de quais doenças são recomendados:

Espécies do gênero Trichoderma e pragas alvo a quais são recomendados.

tabela com produtos indicados e para o controle de quais doenças são recomendados

(Fonte: elaborada pela autora a partir da consulta do Sistema de Agrotóxicos fitossanitários (Agrofit))

Informações e cuidados importantes: manipulação e aplicação de Trichoderma spp.

  • O mesmo microrganismo, da mesma espécie, pode ter indicações de controle de doenças distintas, conforme o isolado e comprovação pelo fabricante;
  • Condições meteorológicas devem ser ideais para aplicação dos produtos biológicos, para garantir que eles possam se estabelecer adequadamente sobre a cultura. Evite a aplicação em dias muito quentes e secos;
  • A temperatura ideal de aplicação varia entre 20 ℃ a 35  ℃;
  • Faça a aplicação preferencialmente no final da tarde ou à noite, em dias nublados ou com garoa fina;
  • Evite a exposição a dias muito ensolarados e muito quentes ou frios (superior a 35  ℃ e inferior a 20  ℃). Essas condições podem inviabilizar as estruturas do fungo;
  • Consulte sempre a compatibilidade do formulado à base de Trichoderma spp. com defensivos químicos. Assim você evita a redução ou até mesmo ineficiência do produto biológico na cultura;
  • Existem diversos produtos que possuem em sua formulação mais de uma espécie do gênero Trichoderma;
  • Armazene o produto em local seco e fresco (4 ℃) para durabilidade máxima em prateleira (consulte a bula do produto).

Principais vantagens do controle biológico com Trichoderma

A aplicação de biopesticidas, especialmente os do gênero Trichoderma, incluem uma série de vantagens, como:

  • redução da contaminação humana e ambiental pelo uso de moléculas químicas;
  • introdução de agentes benéficos no ambiente agrícola, que ali se estabelecem e promovem uma série de benefícios;
  • controle de diversos fitonematoides, que normalmente são de difícil controle;
  • custo próximo ou inferior ao empregado no uso de defensivos químicos;
  • manejo de resistência de pragas às moléculas químicas, uma vez que esses microrganismos possuem diferentes mecanismos de ação.

Desvantagens

É necessário se atentar a algumas questões, que podem ser desvantajosas em  determinadas situações: 

  • na conduta do fabricante, para que o produto contenha o número de células ou colônias viáveis adequado, para sua correta eficiência;
  • nas condições de armazenamento, tanto enquanto o produto é distribuído entre os fornecedores quanto com o consumidor final. Nessa etapa, é importante que o produto não seja submetido a temperaturas inadequadas;
  • na durabilidade do produto depois de aberto, que é limitada;
  • no tempo de resposta no tratamento, que é variável em função de uma série de fatores, incluindo a temperatura e umidade em que o produto é aplicado. Esse tempo pode não ser imediato (quando comparado ao uso de moléculas químicas). 

Conclusão

Nesse artigo, você conheceu um pouco mais sobre os fungos do gênero Trichoderma

Conheceu os mecanismos de ação envolvidos no controle de doenças de plantas e sua aplicabilidade, inclusive no controle de pragas, como pulgões.

É importante que você tome cuidados antes da aplicação destes produtos. Armazene em locais frescos, secos e arejados conforme indicado na bula do produto, e siga rigorosamente as orientações.

Além disso, vale reforçar que a lista de patógenos que podem ser controlados é grande.

Você sempre deve conferir a bula do produto. Os patógenos que são controlados e as culturas em que a aplicação é recomendada podem variar.

>> Leia mais: “Como o baculovírus pode controlar as pragas na sua lavoura”

Você já realizou o controle biológico com Trichoderma na sua lavoura? Ficou com alguma dúvida? Deixe aqui nos comentários que terei o prazer em te auxiliar. 

Como minimizar os impactos e prejuízos da geada no milho

Geada no milho: principais regiões de ocorrência, efeitos em cada estágio fenológico da cultura, como reduzir as consequências e mais!

O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo. Essa cultura pode ser produzida em duas safras nos estados brasileiros.

Em determinadas épocas do ano, as lavouras ficam sujeitas a desafios climáticos, como seca e frio.

A geada é uma das condições climáticas que influencia a produtividade do milho. Ela pode gerar grandes perdas econômicas.

Neste artigo, você lerá sobre os efeitos da geada no milho e como reduzir os efeitos dessa condição climática na lavoura. Confira!

Locais de ocorrência da geada no milho 

O clima interfere e gera risco a quem produz, e o milho segunda safra é o principal influenciado.  Quanto mais tarde o milho safrinha for semeado, maior o risco de geada em algumas regiões.

Isso pode ocorrer em alguns anos, quando a onda de frio intenso atinge o país. Os estados do Sul e Sudeste são os mais afetados.

mapa que mostra frequência das geadas nas regiões do Brasil

Frequência das geadas nas regiões do Brasil
(Fonte: Esalq)

O milho pode ser produzido em todos os estados brasileiros. A produção é dividida pelo calendário agrícola da Conab em três safras.

No Brasil são consagradas a primeira e segunda safra, conhecidas como safra e safrinha.

O plantio do milho de primeira safra (ou verão) ocorre entre outubro e dezembro. Já o  milho safrinha, entre janeiro e abril.

A época ideal de cultivo de milho é o verão. Entretanto, devido à maior competitividade com a soja por área, a maior parte do milho brasileiro é semeada na segunda safra.  

Com o investimento no milho segunda safra, a produtividade é igual ou superior ao milho de verão. 

Consequências da geada na cultura do milho

A temperatura ideal para a cultura do milho varia entre 15 °C a 30 °C, sem ocorrência de déficit hídrico e livre de geadas.

Conhecer os estágios fenológicos do milho em épocas de ocorrência de geada é importante. Assim, você consegue saber os efeitos e decidir quais ações realizar.

Estágios iniciais

Se a planta estiver nova, entre os estágios VE e V2, provavelmente ocorrerá recuperação da planta. Até o estágio V2, o ponto de crescimento está abaixo do solo.

Conforme a planta vai crescendo, a ocorrência da geada vai se tornando mais prejudicial.

Estágios V3 e V4

Em V3 e V4, a reserva da semente já foi totalmente consumida. A planta precisa produzir sua energia por meio da fotossíntese.

Com a ocorrência da geada, há o congelamento das células da planta, especialmente das folhas. Como consequência, há ruptura da célula e morte do tecido.

Plantas de milho afetadas pela geada

Plantas de milho afetadas pela geada
(Fonte: AssisCity)

A geada na cultura do milho afeta principalmente as folhas jovens. Nelas, há maior quantidade de água e menor quantidade de sais.

Estágios até 6 folhas

Se a planta se recuperar nos estágios vegetativos até 6 folhas, ocorrerá diminuição de 10 a 25% da produção, devido à diminuição da fotossíntese.

Além disso, pode ocorrer redução do crescimento da planta. Isso reduz o tamanho das espigas devido ao menor acúmulo de fotoassimilados.

Estágio de embonecamento

Se a planta estiver no estágio de embonecamento (quando o pendão e os estilos-estigmas, ou cabelos, estão aparentes), a ocorrência de geada afeta diretamente a produção de grãos, devido à má fecundação.

Estágio de enchimento de grãos

Também pode acontecer a perda de grãos por geada, caso os grãos ainda não estejam bem formados. 

Para o enchimento dos grãos, as folhas produzem fotoassimilados e encaminham os nutrientes para os grãos.

Devido à redução da área foliar, os grãos ficam pequenos e mais leves, o que reduz a produtividade do milho.

Estimativa de perda de produtividade em relação a desfolha e estágios fenológicos do milho

Estimativa de perda de produtividade em relação a desfolha e estágios fenológicos do milho
(Fonte: Dekalb)

A redução de produção em casos extremos de geada pode chegar a 100% da área semeada. Confira mais informações neste vídeo.

Como minimizar os efeitos da geada no milho? 

Não é possível mudar o clima. Mas você pode adotar medidas para reduzir os danos que podem ser causados pelas geadas. O planejamento é fundamental neste momento. 

Cultivares precoces

Em anos em que houver atraso da semeadura do milho segunda safra, utilizar cultivares mais precoces pode ser uma opção.

Adubação foliar com potássio

O ponto de congelamento da célula das plantas muda com a concentração de sais na célula.

Desse modo, outra opção para evitar grandes perdas pela ocorrência de geadas é fazer uma adubação foliar com potássio.

O potássio eleva o ponto de congelamento da seiva. Assim, as folhas toleram o frio intenso das geadas.

Irrigação

Outro fator que interfere no congelamento das folhas é a irrigação. Se há previsão de geada e você tiver sistema de irrigação em sua área, utilize-o!

A irrigação aumenta a umidade do ar, interferindo no ponto de congelamento das células. Além disso, a massa de ar frio congela primeiro as gotas de água presentes nas folhas.

Barreira natural

Se sua área é aberta e sua região está sempre com risco de geada, cercar a área com árvores pode diminuir a intensidade da geada.

Nebulização artificial

Em pequenas áreas é possível fazer a formação de uma névoa que ajuda a evitar a perda de calor pelo solo, consequentemente ajuda a minimizar os efeitos da geada.

Planejamento

Atenção ao clima sempre é importante, mesmo não havendo previsões climáticas precisas para os meses do ano.

Ainda assim, o acompanhamento das massas de ar fornece informações de como o clima pode se comportar durante o ano agrícola.

Com o conhecimento do histórico climático na sua região, aliado ao comportamento do clima no mundo, é possível traçar estratégias para prevenir ou minimizar os riscos da geada.

O que fazer quando a geada afetar a plantação de milho?

Caso sua lavoura de milho tenha sofrido danos por geada, é importante esperar de 5 a 7 dias para avaliar as perdas e tomar as ações necessárias.

Com planta ainda pequena, você deve avaliar se o ponto de crescimento foi afetado. Em caso afirmativo, a planta não cresce e provavelmente não irá produzir.

Nesses casos, avaliar as opções de ressemeadura, se a janela de plantio estiver adequada. Semear outra cultura no lugar ou derrubar as plantas e mantê-las na área também são opções viáveis.

planilha de produtividade de milho Aegro, baixe agora

Conclusão

Neste texto, você viu que as geadas no milho são mais frequentes nas regiões Centro-Sul do país.

Viu também que os danos ocorrem em qualquer estágio fenológico. O que muda de um estágio para outro é a porcentagem de perda que poderá ocorrer na lavoura de milho.

As plantas podem se recuperar da geada mesmo sofrendo perdas em sua produtividade. Porém, também é possível sofrer grandes perdas econômicas.

Além disso, você viu que é possível minimizar os efeitos da geada com planejamento,  conhecimento da área e algumas técnicas simples. Não deixe a prevenção para depois.

>> Leia mais:

Cálculo de perdas na colheita de milho: Passo a passo de como fazer

A ocorrência de geadas é frequente em sua região? Você já teve perdas ocasionadas pela geada no milho? Deixe seu comentário abaixo!

Entenda a importância da construção do perfil do solo e como ela impacta sua produtividade

Construção do perfil do solo: saiba quais práticas favorecem a fertilidade e como contornar os principais desafios relacionados

Conhecer e construir o perfil do solo é essencial para o sucesso das lavouras. Esse é um dos grandes desafios para os produtores brasileiros.

Quando bem realizada, a construção pode ser uma grande aliada do aumento da produtividade das culturas.

Quem investe na construção do perfil do solo compartilha bons resultados

Quer entender melhor como funciona a construção do perfil de solo e como utilizá-la em sua fazenda? Confira a seguir!

O que é perfil do solo

O perfil do solo é formado por uma sequência de camadas horizontais, chamadas horizontes. Esses horizontes iniciam-se na camada superficial do solo até chegar à camada de rocha. E o conjunto desses horizontes constitui o perfil do solo.

Ou seja, o perfil pode ser formado de diversos horizontes, que são as camadas que o constitui. Veja abaixo as principais características dos horizontes do solo:

infográfico dos horizontes do solo

Os horizontes do solo
(Fonte: Geophild, 2020)

Algumas características diferenciam esses horizontes, como:

  • cor;
  • textura;
  • composição;
  • estrutura;
  • atividade biológica;
  • tipos de agregados.

Objetivos da construção do perfil de solo

Os solos brasileiros são geralmente ácidos e de baixa fertilidade. Eles necessitam de manejo, correção e fornecimento adequado de nutrientes em seu perfil.

O equilíbrio adequado dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo servem para que as plantas utilizem eficientemente os recursos disponíveis (água, luz e nutrientes). Dessa forma, elas expressam seu máximo potencial produtivo.

Neste sentido, é de grande importância o manejo correto do sistema como um todo. É necessário empregar práticas conservacionistas, como:

Qualquer uma dessas práticas serve para quem busca melhorar a fertilidade do solo em suas áreas de cultivo.

Perfil químico do solo

As correções químicas melhoram as condições que restringem o desenvolvimento das culturas.

A viabilização do uso do solo por meio da incorporação de calcário e adubos minerais é conhecida como a etapa da “construção da fertilidade”.

Essa etapa serve para manter o equilíbrio químico do solo, ou seja:

  • manter o pH do solo na faixa ideal para a cultura de interesse;
  • eliminar o alumínio tóxico do solo;
  • aumentar a disponibilidade de nutrientes;
  • fornecer nitrogênio, fósforo, cálcio, potássio, magnésio e outros nutrientes. 

Perfil físico do solo

Outro ponto importante para a construção do perfil do solo está na melhoria das suas propriedades físicas.

A adoção de práticas conservacionistas pode auxiliar nessa melhoria física. Elas proporcionam condições como: 

  • maior aeração e menor compactação do solo;
  • maior crescimento radicular das plantas;
  • maior retenção e infiltração de água no solo;
  • menor escorrimento superficial de água;
  • menor lixiviação de nutrientes.

Perfil biológico do solo

A construção do perfil do solo também envolve a conservação e melhoria das suas características biológicas.

Também através das práticas conservacionistas, é possível aumentar o aporte de matéria orgânica no solo.

A presença da matéria orgânica melhora a qualidade do solo. Isso porque proporciona benefícios como:

  • maior agregação do solo;
  • maior porosidade do solo;
  • favorecimento da penetração das raízes, ou seja, menor resistência do solo;
  • maior retenção e infiltração de água;       
  • maior absorção de nutrientes;      
  • liberação de exsudados;       
  • aumento da atividade e diversidade biológica do solo.

Como a construção do perfil de solo impacta a produção agrícola

Os solos de fertilidade construída diferenciam-se dos demais pelo seu manejo. Neles, são realizadas aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes.

Essas aplicações proporcionam efeitos residuais cumulativos. Esses efeitos aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muitos altos. 

gráfico de aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes proporcionam efeitos residuais cumulativos que aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muito altos

Aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes proporcionam efeitos residuais cumulativos que aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muito altos
(Fonte: adaptada de Gianello e Wietholter, 2004)

Veja algumas características de solos de fertilidade construída:

  • altas produtividades das culturas;
  • altos teores de matéria orgânica do solo;
  • solo descompactado;
  • teores adequados de nutrientes;
  • maior retenção e infiltração de água.

O solo de fertilidade construída equivale a uma poupança que precisa ser administrada, com o recebimento e retirada de aplicações

Tudo isso deve ser feito na forma e momento mais adequado ao sistema produtivo.

infográfico, explica que os solos funcionam como “contas bancárias”, que guardam a capacidade de suprimento de nutrientes e água para as plantas

Os solos funcionam como “contas bancárias”, que guardam a capacidade de suprimento de nutrientes e água para as plantas
(Fonte: Resende, 2017)

Áreas com fertilidade construída, em solos de textura média a argilosa e sob sistema de plantio direto, podem manter sua estabilidade produtiva por um tempo. 

Isso é possível com aplicação de quantidades menores de fertilizantes, em comparação com a quantidade utilizada habitualmente. 

Desafios para a construção de perfil do solo

Ao utilizar as doses fixas de fertilizantes sem examinar a análise do solo e as estimativas de exportação, você pode aumentar o risco de promover desbalanço nutricional do solo.

Isso faz com que solos de fertilidade construída fiquem propensos a desequilíbrios nutricionais, devido às aplicações super ou subestimadas.

Realizar um manejo nutricional insatisfatório das lavouras pode ocasionar prejuízos futuros ao sistema de produção.

A análise química do solo é o primeiro passo para aprimorar a gestão de solos de fertilidade construída. Ela ajuda na determinação da quantidade de cada insumo a ser aplicado.

Esses solos não estão livres da ocorrência de desequilíbrios nutricionais. A manutenção dos nutrientes é um dos principais desafios de manejo, principalmente em sistemas intensivos de produção.

Cada cultura possui padrões peculiares de extração e exportação de nutrientes durante o ciclo.

A falta de equilíbrio entre adubação e exportação de nutrientes no sistema de produção pode ocasionar o esgotamento das reservas do solo

Como consequência, a condição de fertilidade construída é prejudicada.

tabela com estimativas de exportação de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), em lavouras de milho safrinha

 Estimativas de exportação de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), em lavouras de milho safrinha
(Fonte: Simão, 2016)

O acompanhamento das flutuações de nutrientes no solo é necessário. Há um confronto de entradas via adubação, saídas pela exportação e os teores disponíveis na análise do solo.

É importante identificar esses pontos para realizar a reposição, recolocando ou utilizando os créditos de nutrientes ao longo do tempo.

Dificuldades

Você pode encontrar algumas dificuldades na construção do perfil do solo, como:

  • alto investimento para a melhoria do perfil do solo;
  • o retorno econômico não é imediato;
  • o tempo para a construção de um perfil do solo de qualidade pode ser longo;
  • demanda maior conhecimento dos agrônomos e produtores;
  • necessidade de equipamentos modernos e de alta qualidade;
  • presença e auxílio de profissionais capacitados.

Práticas que favorecem a construção do perfil do solo

A análise química do solo é crucial para aprimorar a gestão de solos de fertilidade construída. Ela determina a quantidade de cada insumo a ser aplicado.

Normalmente, solos de fertilidade construída estão associados ao manejo adequado

Sistema plantio direto, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura são apenas alguns exemplos.

Solos manejados sob sistema plantio direto podem manter ou aumentar os teores originais de matéria orgânica. Isso depende da região e do tempo de adoção do sistema.

Normalmente, os acréscimos de matéria orgânica são pequenos. Porém, são de grande importância para a capacidade produtiva do solo.

gráfico de teores de argila em áreas agrícolas da região Oeste da Bahia e respectivas perdas de matéria orgânica do solo e da capacidade de troca de cátions, após cinco anos de preparo do solo com aração/gradagem e monocultivo de soja

Teores de argila em áreas agrícolas da região Oeste da Bahia e respectivas perdas de matéria orgânica do solo e da capacidade de troca de cátions, após cinco anos de preparo do solo com aração/gradagem e monocultivo de soja
(Fonte: adaptado de Silva et al., 1994)

Como construir a fertilidade do solo?

A construção da fertilidade do solo envolve diversas práticas, como:

  • análises frequentes do solo;
  • rotação de culturas;
  • sistema plantio direto;
  • mínimo revolvimento do solo;
  • plantas de cobertura;
  • uso racional de defensivos e fertilizantes, entre outras.
Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

A construção da fertilidade do solo possui passos bem definidos.

Para a maior eficiência na construção da fertilidade é preciso investir na qualidade dos diagnósticos, a partir de análises mais frequentes do solo.

É importante que a adubação seja regulada em quantidade e qualidade. Assim, haverá um correto balanceamento dos nutrientes.

Invista na construção da fertilidade do solo de sua propriedade para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura. 

>> Leia mais:

Saiba como fazer um projeto de fazenda sustentável

Solo humífero: vantagens e desvantagens de utilizar para plantio

“Como melhorar a qualidade do solo com o terraceamento”

Você tem investido ou pensa em investir na construção do perfil do solo da sua fazenda? Realiza análises químicas, físicas e biológicas periodicamente? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Entenda os princípios e benefícios da pulverização eletrostática na agricultura

Pulverização eletrostática: confira o que é e como ela pode te ajudar a garantir melhores resultados na lavoura

Os agroquímicos são um dos insumos mais importantes para a agricultura, independente de sua categoria. Eles ajudam a preservar a sanidade das lavouras e combatem uma gama de agentes prejudiciais.

Porém, a eficiência de deposição desses agroquímicos sobre as plantas ainda é muito baixa. Essa baixa eficiência eleva a frequência de pulverizações. 

Consequentemente, há gastos exagerados, ocorrência de resíduos nos produtos e aumento dos impactos ambientais.

Buscando uma agricultura mais sustentável, a pulverização eletrostática surgiu como alternativa promissora para contornar esse cenário!

Quer saber mais? Confira neste artigo como a pulverização eletrostática pode te ajudar. Aproveite a leitura!

O que é pulverização eletrostática?

A pulverização eletrostática é diferente da convencional, graças ao processo de eletrificação das gotas.

As gotas pequenas são as que geram os melhores resultados de controle dos problemas fitossanitários nas plantas. Porém, essas gotículas são extremamente suscetíveis à deriva.

Para contornar esse problema, você precisa dar, literalmente, uma força para as gotículas. É aí que entra a pulverização eletrostática.

Nesse tipo de pulverização, uma força elétrica é acrescentada às gotículas, controlando seus movimentos.

Eletrificação de gotas

A eletrificação das gotas torna-as fortemente atraídas pelas plantas.

Através desse processo, as gotículas alcançam partes das plantas que dificilmente seriam atingidas na pulverização convencional. A parte inferior das folhas é um exemplo.

Para você entender mais a fundo a eletrificação das gotas, vale revisar algumas leis da eletrostática.

A primeira é que cargas de polaridades opostas se atraem e semelhantes se repelem:

  • cargas positivas e negativas se atraem;
  • carga positiva com positiva ou negativa com negativa se repelem.

A segunda lei diz que a carga de um corpo (ou partículas) induz a formação de uma carga igual, mas oposta nos corpos aterrados mais próximos.

gráfico de efeito de atração da gotícula eletrificada por sua imagem no objeto aterrado a uma distância ‘d’

Efeito de atração da gotícula eletrificada por sua imagem no objeto aterrado a uma distância ‘d’
(Fonte: adaptado de Chaim, 2006)

No caso da pulverização eletrostática, o corpo aterrado é a planta. Ou seja, a nuvem de gotículas eletrificadas será atraída em direção às plantas.

A eficiência da pulverização eletrostática dependerá diretamente do processo utilizado para eletrificar as gotas.

Processos de eletrificação de gotas

É possível eletrificar as gotas de três formas diferentes: por “efeito corona”, por eletrificação indireta e por eletrificação direta.

Conheça melhor cada uma delas a seguir.

Eletrificação por efeito corona 

Nesse processo, um eletrodo pontiagudo sob tensões elevadíssimas ioniza o ar. 

As cargas livres vão se chocar com as gotas que saem do bico de pulverização, tornando-as carregadas.

Esse processo é adequado para diâmetros de gota inferiores a 20 micrômetros. 

Portanto, não é muito adequado para a agricultura, em que as pulverizações com gotas mais finas são superiores a 20 micrômetros.

Eletrificação indireta 

Na eletrificação indireta, a calda de pulverização permanece inicialmente neutra (ou aterrada).

O eletrodo de indução é posicionado na borda do jato, onde as gotas são formadas.

Assim, as gotas adquirem carga na presença do campo eletrostático presente, conforme o esquema.

Esquema de um sistema eletrificação indireta de pulverização eletrostática

Esquema de um sistema eletrificação indireta de pulverização eletrostática
(Fonte: adaptado de Chaim, 2006)

Esse sistema de eletrificação apresenta a enorme vantagem de ter a calda e as tubulações neutras. Entretanto, há uma desvantagem.

Como as gotas adquirem uma carga oposta à do eletrodo, são atraídas para ele. Elas o molham e causam corrimento, o que torna o sistema ineficiente.

Para solucionar isso é necessário o uso de bicos eletrostáticos pneumáticos. Neles, o ar que pulveriza o líquido também o carrega para longe da zona de atração do eletrodo de indução.

Eletrificação direta

No sistema de eletrificação direta, a calda de pulverização encontra-se sob alta tensão e sem o eletrodo de indução.

Sem ele, a voltagem de eletrificação deve ser alta o suficiente para criar um campo eletrostático bastante intenso. Deve ser algo próximo de 30 mil volts.

Esquema de um sistema eletrificação direta de pulverização eletrostática

Esquema de um sistema eletrificação direta de pulverização eletrostática
(Fonte: adaptado de Chaim, 2006)

A principal vantagem desse sistema de eletrificação direta é a ausência do eletrodo de indução próximo ao bico de pulverização.

Entretanto, como a calda deverá estar sob alta tensão, é necessário isolar o tanque e as tubulações envolvidas no processo.

Vantagens da pulverização eletrostática

Independente da forma de eletrificação da calda a ser aplicada, a pulverização eletrostática é uma tecnologia promissora e apresenta uma série de vantagens, como:

  • melhor combate às pragas, já que as gotículas carregadas conseguem superar a força da gravidade e resistência do ar, alcançando locais que a convencional não conseguiria;
  • ao contrário da convencional, as gotas são atraídas para os alvos e não lançadas ao ar, sujeitas à deriva;
  • melhor deposição de gotas na superfície das folhas;
  • as gotas, por estarem com a mesma carga, não se unem formando gotas maiores;
  • economia de calda de pulverização;
  • menor necessidade de reabastecimento do tanque;
  • economia de mão de obra;
  • redução dos custos operacionais;
  • menor perda por evaporação;
  • menor perda para o solo;
  • menor risco de contaminação de lavouras vizinhas;
  • menor impacto ambiental (devido ao menor uso de produto e diminuição de desperdícios).
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Desvantagens 

Para a agricultura, os resultados têm apresentado baixa consistência, devido à baixa carga aplicada.

Outro ponto importante diz respeito à avaliação do custo benefício deste equipamento. E isso está diretamente relacionado com o custo do equipamento.

Custos e equipamentos para a pulverização eletrostática

A pulverização eletrostática pode ser realizada em pulverizadores costais ou nos pulverizadores de barra, axiais ou até mesmo aéreos.

Pulverizadores com essa tecnologia apresentam preços superiores aos mesmos equipamentos convencionais.

Entretanto, a médio prazo, o valor do equipamento é coberto. Afinal, dentre as vantagens, há economia de calda e redução de custos de produção.

A Embrapa Meio Ambiente desenvolveu um kit de adaptação de baixo custo para pulverizadores do tipo costal.

Kit de adaptação de pulverização eletrostática desenvolvido pela Embrapa

Kit de adaptação desenvolvido pela Embrapa
(Fonte: Embrapa)

Esse kit, na época de seu desenvolvimento, custou cerca de R$ 100. Ele podia ser adaptado a qualquer pulverizador hidráulico do mercado.

Porém, por envolver corrente elétrica, a segurança deve vir sempre em primeiro lugar.

Para isso é interessante adquirir os pulverizadores já adaptados das diversas empresas existentes no mercado.

O tipo de pulverizador a ser adquirido é o que mais influencia no preço.

Um pulverizador costal é muito mais barato do que um pulverizador de barra ou axial, por exemplo.

Dentro da mesma categoria, existem muitas variações nos preços destes equipamentos, desde R$ 200 a R$ 2.000. Isso acontece porque essa é uma tecnologia ainda em desenvolvimento.

>> Leia mais:  “Limpeza de pulverizador agrícola com segurança: Confira passo a passo!

Conclusão

A pulverização eletrostática tem enorme potencial para redução das perdas na aplicação de agroquímicos.

Além de reduzir as perdas, essa técnica pode aumentar os níveis de controle de pragas e doenças.

Seu sucesso depende do desenvolvimento de novas tecnologias, capazes de formar gotas menores e com maiores intensidades de carga.

Considere as vantagens e as desvantagens desse tipo de pulverização de acordo com as necessidades do seu plantio, e faça um bom planejamento.

>> Leia mais:

Aplicação Localizada de Insumos para Otimizar os Custos da sua lavoura

Drone para pulverização: Como funciona e principais modelos do mercado

Você já conhecia a tecnologia de pulverização eletrostática? Já fez o uso em sua propriedade? Deixe seu comentário abaixo!

Zoneamento agrícola para o sorgo forrageiro: o que você precisa saber sobre essa nova medida

Zoneamento agrícola do sorgo forrageiro: entenda o que é, qual a sua importância, onde e como consultar os dados deste estudo.

O clima na agricultura é um fator de risco. Saber onde e quando plantar é fundamental.

O Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) é um importante instrumento de gestão de riscos. Ele contribui para a redução de perdas em decorrência de problemas climáticos.

O Zarc identifica os municípios e os períodos do ano que apresentam condições de cultivo mais favoráveis. Os resultados são apresentados considerando o ciclo fenológico da cultura e as diferentes classes texturais do solo.

Neste artigo, você pode conferir como funciona o Zarc para a cultura do sorgo forrageiro, onde e como consultar essa ferramenta. Boa leitura!

Zoneamento agrícola do sorgo forrageiro

Recentemente, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) divulgou o Zarc para a cultura do sorgo forrageiro. 

O sorgo é uma planta classificada em cinco grupos: granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura. 

Apesar de se tratar da mesma espécie, os sistemas de produção dos tipos de sorgo são diferentes

O Zarc direcionado para o sorgo forrageiro permite o melhor manejo da cultura. Além disso, reduz a probabilidade de perdas de produtividade em função de adversidades climáticas. 

No Zarc, foram identificadas áreas com condições favoráveis para o cultivo de sorgo: aquelas que apresentavam menor risco climático

Também foram definidas as melhores épocas de plantio, considerando a textura do solo e o ciclo do sorgo forrageiro.

>> Leia mais: “Veja como lidar com as pragas e doenças do sorgo”

Tipos de solo

Nos resultados gerados pelo Zarc, são considerados três tipos de solo aptos para o cultivo: 

  • solo tipo 1: solos arenosos, com teor de argila acima de 10% e menor ou igual a 15%;
  • solo tipo 2: solos com textura média, com teor de argila entre 15% e 35%, e menos de 70% de areia;
  • solo tipo 3: solos argilosos, com teor de argila acima de 35%.

Ciclo fenológico da cultura do sorgo

Além do tipo de solo, os resultados do Zarc são fornecidos em função do ciclo fenológico da espécie cultivada. O ciclo da cultura é dividido em quatro fases:

  • fase 1, estabelecimento: semeadura/germinação/emergência;
  • fase 2, crescimento vegetativo: das primeiras folhas verdadeiras até o surgimento da primeira flor;
  • fase 3, reprodução: da primeira flor, incluindo floração e frutificação, até o enchimento dos grãos;
  • fase 4, maturação: do enchimento dos grãos até a maturação fisiológica.

Veja na tabela a duração média dos ciclos e as respectivas fases fenológicas do sorgo forrageiro:

Sorgo forrageiro: tabela de duração média dos ciclos e suas respectivas fases fenológicas

Sorgo forrageiro: duração média dos ciclos e suas respectivas fases fenológicas
(Fonte: Mapa – Portaria 268, de 6 de julho de 2021)

Segundo a Embrapa, o estudo que permitiu a elaboração do Zarc do sorgo forrageiro mostrou que seu cultivo deve ser iniciado em outubro e finalizado em fevereiro na maioria das regiões do Brasil Central. 

Já nas áreas em que o regime de chuvas começa e termina mais tarde, o sorgo forrageiro pode ser plantado até março – caso da região Nordeste.

A seguir, veja como pesquisar as épocas para plantio do sorgo forrageiro na sua região!

Como funciona o Zarc

Os dados do Zarc podem ser acessados de três formas:

Como consultar o zoneamento agrícola do sorgo forrageiro

Painel de Indicação de Riscos do Zarc

Veja como consultar as datas de plantio pelo Painel de Indicação de Riscos do Zarc:

  1. acessar o Painel no site do Mapa;
  2. selecionar a aba Zarc – 20%;
  3. selecionar o indicativo de safra;
  4. selecionar a safra;
  5. selecionar a cultura;
  6. selecionar a unidade federativa;
  7. selecionar o município.

Feito isso, são apresentadas as melhores datas para semeadura. Isso de acordo com o tipo de solo e o grupo da cultura, considerando um nível de risco de perda de 20%.

Portarias de Zarc por Estado

As Portarias de Zarc são publicadas a cada ano-safra no Diário Oficial da União. Elas podem ser acessadas pelo site do Mapa.

Na consulta pelas portarias vigentes do Zarc, é necessário indicar o seu Estado e a cultura de interesse

São apresentadas informações técnicas sobre a cultura e a janela de plantio por município, textura de solo e ciclo da planta

Também são considerados três níveis de risco de perda: 20%, 30% e 40%.

Aplicativo Zarc – Plantio Certo

O aplicativo possibilita uma consulta fácil e rápida aos dados do Zarc. Nele, é necessário selecionar o município e a cultura de interesse

A partir disso, é indicada a melhor época do ano para se realizar a semeadura, com base no tipo de solo e no ciclo fenológico da cultura. São considerados diferentes níveis de risco de perda.

Confira como são apresentados os resultados da pesquisa pelo aplicativo:

Aplicativo Plantio Certo: recomendação de datas de plantio do sorgo forrageiro no município de Rio Verde, Goiás, para a safra 2021/2022

Aplicativo Plantio Certo: recomendação de datas de plantio do sorgo forrageiro no município de Rio Verde, Goiás, para a safra 2021/2022
(Fonte: Aplicativo Zarc – Plantio Certo)

Zarc para concessão de crédito e seguro agrícola 

O Zarc também é cada vez mais utilizado por instituições financeiras como um dos critérios para concessão de crédito de custeio e seguro agrícola.

O Proagro e Proagro Mais (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) são políticas de seguro agrícola do governo federal. 

Elas têm seu acesso facilitado quando as recomendações do Zarc são seguidas.

Ao adotar as orientações do Zarc e práticas de manejo adequadas, você reduz os riscos de perda de produtividade em decorrência de problemas climáticos, como períodos de seca.

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Conclusão

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma importante ferramenta na orientação da melhor época para a semeadura, além de indicar as regiões aptas para o plantio das culturas de interesse agronômico.

O Zarc também influencia na orientação da concessão de crédito de custeio e seguro agrícola.

É importante ressaltar que o Zarc te orienta quanto à melhor época de plantio e quanto às regiões com condições para o cultivo.

Aliado a isso, é imprescindível adotar um manejo agronômico adequado que contribua para o pleno desenvolvimento da lavoura.

Restou alguma dúvida sobre o zoneamento agrícola do sorgo forrageiro? Já consultou qual a melhor época de plantio em sua região? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como a colheita mecanizada do café pode reduzir os custos da sua operação

Colheita mecanizada do café: confira as vantagens, desvantagens e cuidados que você deve ter utilizando esse método!

A colheita mecanizada na cafeicultura brasileira ganhou novo impulso com a pandemia da Covid-19. A mão de obra no campo foi reduzida por conta do distanciamento social

Os avanços em pesquisa e inovação têm mostrado diversos benefícios deste método de colheita.

redução de custos de até 62,36% em relação à colheita manual. Além disso, há ganho de qualidade do grão com a colheita seletiva, essencial para cafés especiais.

Mas a colheita mecanizada do café exige diversos cuidados para que seja realizada de maneira eficiente, como você verá neste artigo. Confira!   

A colheita mecanizada de café no Brasil

No Brasil, a maior parte das áreas produtivas realiza a colheita do café entre maio/junho e segue até agosto/setembro

Líder mundial na produção, o país deve colher em 2021 pouco mais de 47 milhões de sacas de 60 kg do grão, 68% do tipo arábica e 32% da variedade conilon (ou robusta).

A colheita mecanizada do café responde por metade dos métodos empregados nessa fase da produção no Brasil:

  • 24% dos produtores fazem a colheita manual;
  • 22% usam a derriçadora, máquina portátil que retira o café;
  • 4% realizam a colheita manual seletiva;
  • e 50% a colheita mecanizada.

A colheita mecanizada do café predomina em propriedades acima de 25 hectares. Isso principalmente nas áreas com 26 a 50 hectares, em que 59% usam este método

Mas até em propriedades menores (entre 6 e 15 hectares), a colheita mecanizada chega a 25%. Nas áreas com 15 a 25 hectares, 38%.

máquina azul e colheita mecanizada em área de produção de café no oeste da Bahia
Colheita mecanizada em área de produção no oeste da Bahia
(Foto: Divulgação/Pinhalense)

Métodos de colheita de café

Há três tipos:

1. Manual   

Neste método, são selecionados os frutos maduros por meio da catação, a dedos ou da derriça. Os grãos são jogados em uma lona ao chão, recolhidos, peneirados e ensacados. 

2. Semimecanizada

É feita com o uso de derriçadores portáteis (costais). Alguns podem multiplicar por quatro a produtividade em campo.

3. Mecanizada 

Utiliza máquinas automotrizes cuja eficiência depende de regulagens, conforme a topografia do terreno e o objetivo da colheita.

A colheita deve ser feita de duas a três passadas, em intervalos de até 25 dias, a depender da região.

Vantagens da colheita mecanizada do café

A principal vantagem da colheita mecanizada no café, em relação à colheita manual, é a redução de custos. Ela varia entre 30% a 40%, mas pode chegar a 62,36%.

Outra vantagem é a redução do tempo da colheita, pois o uso de máquinas multiplica o trabalho. Os custos de mão de obra também são reduzidos.

Quando a planta é liberada mais cedo da época de colheita, ela ganha tempo de recuperação para a próxima floração, o que pode resultar em maior produtividade.

Desvantagens

A exemplo de outras culturas, a mecanização na cafeicultura só não é possível em áreas de muito declive. 

As máquinas conseguem atuar em áreas com inclinação de até 20% – a maioria, até abaixo disso, no máximo 15%.

Quando as condições topográficas não são favoráveis, é preciso empregar outros tipos de máquinas, geralmente de menor capacidade. Isso prolonga o tempo de colheita e eleva o custo.

O custo inicial elevado (uma colhedora custa entre R$ 300 a R$ 450 mil) é a principal desvantagem da colheita mecanizada.

Porém, a depender da área de produção, o investimento pode ser recuperado em duas ou três safras.

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Principais modelos de colhedoras

No Brasil, as principais são:

  • Case;
  • Jacto;
  • Avery;
  • Matão;
  • Selecta;
  • Pinhalense;
  • Vn Suprema;
  • Maco Matao;
  • IH.

É importante observar que há máquinas específicas para atuação em lavouras de café conilon e arábica. A regulagem de cada uma depende das particularidades do cafezal.

As colhedoras, geralmente, trabalham com segurança em áreas com declividade de até 20%. Algumas chegam a operar com pouco mais que isso. 

tabela com detalhes dos modelos de algumas colhedoras
Detalhes dos modelos de algumas colhedoras
(Foto: Grupo Cultivar)

A maioria das colhedoras opera de forma parecida na derriça e recolhimento dos frutos.

A descarga do café normalmente é feita por meio da bica lateral em carreta graneleira, ensaque ou depósito. Elas rendem em torno de 3 mil litros de café por hora.

Há fatores que interferem na regulagem das colhedoras. Veja:

  • condições das plantas
  • a temperatura;
  • a altitude;
  • chuvas;
  • declividade do terreno;
  • estágio de maturação dos frutos. 

Pesquisas científicas recentes sugerem que a vibração da máquina deve ser entre 800 rpm e 1.000 rpm. A velocidade deve estar entre 1.000 metros/hora e 1.300 metros/hora.

Etapas da colheita mecanizada

O trabalho dessas máquinas, que operam por meio de sistemas hidráulicos, consiste em fazer a derriça com o trabalho de varetas vibratórias. 

Em seguida, é feito o recolhimento, abanação e descarga do café.

O recolhimento mecanizado tem duas etapas. Na primeira, o café e detritos são soprados para as ruas paralelas, e são formadas as leiras, numa operação de 2h/há.

Já na segunda, entra em ação a recolhedora, cujo trabalho é o dobro do tempo.   

Na abanação, o café passa por um processo de limpeza e retirada de detritos. Depois, é enviado para a descarga em sacos ou caçambas.

Regulagem da colheita mecanizada

Na avaliação sobre a regulagem ideal para a eficiência da colheita mecanizada, é essencial que você observe:

  • a cultivar do café;
  • a altura;
  • a idade das plantas;
  • a região da área de produção;
  • o objetivo do plantio.

Pesquisadores recomendam utilizar vibrações menores em plantas mais novas. Assim, elas não ficarão muito danificadas.

Cada cultivar tem uma tem um tipo de maturação (pode ser precoce ou tardia). Além disso, há diferenças na arquitetura e desprendimento dos frutos.

As características climáticas de cada local, sobretudo o regime pluviométrico, influenciam na maturação dos frutos, crescimento e produtividade do café

Caso a irrigação do café seja feita por meio de pivô central, é necessária maior atenção na colheita. Haverá variabilidade de maturação dos dois lados da linha do café.

Café colhido de forma manual
Café colhido de forma manual
(Foto: Fábio Moreira)
Café colhido de forma mecanizada
Café colhido de forma mecanizada
(Foto: Fábio Moreira)
Café de colheita mecanizada seletiva
Café de colheita mecanizada seletiva
(Foto: Fábio Moreira)

Carga de café nas plantas e maturação

Um ponto importante a se observar é a carga de café presente nas plantas. Essa carga influenciará na eficiência da colheita mecanizada. 

Quanto maiores as cargas, maiores as vibrações das varetas e menores velocidades na derriça, para que os frutos sejam recolhidos no sistema de recolhimento. 

A observação da maturação dos frutos é importante, sobretudo na realização da colheita seletiva do café.

Frutos verdes exigem que a vibração das varetas sejam maiores e a velocidade da colhedora reduza. Isso gera maior gasto de combustível.

O contrário ocorre com frutos cereja e secos, o que favorece a colheita seletiva. A partir dessa avaliação, é programado o intervalo para a segunda e terceira passada.   

O intervalo de uma passada para outra é menor em regiões mais quentes. Em geral, fica em torno de 25 a 40 dias, a depender das condições da região da lavoura. 

Para essa segunda operação, é preciso retirar as varetas da parte de baixo da máquina. Mas essa retirada não pode ser total: é preciso deixar a parte de baixo (duas linhas).

A terceira passada é recomendada para áreas com cargas muito altas de café.

Nesse caso, a colheita deve ser iniciada de forma antecipada, para os intervalos coincidirem com o tempo de colheita normal.  

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Conclusão

A colheita mecanizada do café promove redução de custos e influencia diretamente na qualidade da bebida.

Fique por dentro dos fatores que influenciam na eficiência da colheita mecanizada, principalmente na seletiva para cafés especiais.

Os aprimoramentos dos maquinários estão em processo constante, assim como as pesquisas sobre avaliações das condições das plantas e do amadurecimento dos frutos.

Ao escolher o tipo de máquina que você utilizará, considere as necessidades da sua área de produção e a relação custo/benefício

Consultar um especialista no assunto é essencial para ter segurança no que será feito.

>> Leia mais:

O que fazer para minimizar os impactos da geada no café e evitar prejuízos

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade

Você faz a colheita mecanizada do café em sua propriedade? Faz a regulagem da máquina de acordo com as especificações da sua área de plantio? Deixe sua experiência aqui nos comentários!

Uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides na soja

Bacillus subtilis no controle de nematoides: veja como utilizar e conheça as vantagens e desvantagens da sua aplicação 

Os nematoides são parasitas presentes no solo. Eles podem causar danos severos à lavoura.

O uso de agentes biológicos, como a aplicação de Bacillus subtilis, é uma ferramenta interessante para o manejo dessas pragas na soja. 

Neste artigo, você saberá mais sobre o Bacillus subtilis e como utilizá-la no manejo de nematoides da sua lavoura.

Nematoides na cultura da soja

Os nematoides são organismos de formato parecido com o de um verme, dificilmente visíveis a olho nu. Eles podem ocasionar danos severos à lavoura quando não controlados.

Por causa de características como formação de estruturas de resistência e por atacarem várias espécies de plantas, são de difícil controle.

Os principais nematoides que atacam a cultura da soja são os formadores de cistos e de galhas.

Os nematoides de cisto (Heterodera glycines) produzem uma estrutura de resistência (cisto). Essa estrutura permite a sobrevivência dos ovos por muito tempo no solo.

Os nematoides das galhas  (Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita) produzem protuberâncias denominadas galhas nas raízes.

Seu ataque na lavoura pode ser identificado pela presença de manchas ou reboleiras, contendo plantas amareladas e com crescimento irregular. 

O manejo é realizado através de técnicas como a rotação de culturas, uso de cultivares resistentes, uso de agrotóxicos e cultivo em áreas livres da praga.

Uma alternativa interessante para o manejo de nematoides na soja é o controle biológico, através do uso de organismos vivos, como bactérias.

O uso de bactérias do gênero Bacillus sp., como Bacillus subtilis, vem sendo empregado com sucesso para o controle desses patógenos

Uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides

O Bacillus subtilis é uma bactéria que ocorre naturalmente nos solos, principalmente naqueles bem estruturados e com boa matéria orgânica.

Essa espécie tem a capacidade de colonizar as raízes das plantas, e também pode ser chamada de rizobactéria.

É uma espécie muito estudada para o controle biológico. Ela tem a capacidade de produzir compostos tóxicos aos patógenos, como compostos antimicrobianos e antifúngicos.

Essas substâncias interferem no ciclo reprodutivo da praga, além da indução de resistência na planta.

Outra característica importante desta espécie é sua ação no controle de nematoides.

Sua eficácia já foi verificada em várias culturas agrícolas, como cana-de-açúcar, tomate e soja. 

Na tabela abaixo, você pode observar a redução no número de ovos de nematoides (Meloidogyne spp.) em raízes de plantas de soja após a inoculação das sementes com Bacillus subtilis.

tabela com número de ovos de Meloidogyne spp. em raízes de dois genótipos de soja (BRS 184 e BRS 282), em função do tratamento de sementes com carbofurano e Bacillus subtilis (Alvorada do Sul, PR, 2010)

Número de ovos de Meloidogyne spp. em raízes de dois genótipos de soja (BRS 184 e BRS 282), em função do tratamento de sementes com carbofurano e Bacillus subtilis (Alvorada do Sul, PR, 2010)
(Fonte: Araújo et al.,2012)

Além do controle de patógenos e nematoides, o Bacillus subtilis é uma bactéria promotora de crescimento.

Ao se associar com as raízes das plantas, ela melhora a disponibilidade de nutrientes

Além disso, através de compostos antimicrobianos e fitorreguladores, proporciona melhor sanidade e crescimento à cultura.

Quando e como aplicar o Bacillus subtilis?

Já existem no mercado produtos à base de Bacillus subtilis para aplicação em diversas culturas.

A época e a forma de aplicação dependem do produto usado.

A aplicação pode ser feita em pré-semeadura, como tratamento de sementes ou no sulco de semeadura. 

Também pode ser feita no solo em que será realizado o plantio, no caso de mudas. 

Em pós-semeadura ou plantio, a aplicação pode ser realizada através de pulverizações diretamente sobre as culturas ou no solo.     

Vantagens e desvantagens do uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides

Além de vantagens como ação tóxica contra patógenos e nematoides e a promoção de crescimento nas plantas, a aplicação de Bacillus subtilis apresenta outros benefícios, como:

  • baixo custo;
  • fácil aplicação;
  • boa eficiência;
  • baixa toxidez;
  • não deixam resíduos no ambiente;
  • pode ser aplicado em diversas culturas além da soja;
  • não possui período de carência.

 Por outro lado, a utilização desta ferramenta apresenta algumas desvantagens:

  • o ambiente deve ser favorável para o seu desenvolvimento. Sua eficácia depende de fatores como pH, temperatura, aeração e tipo de solo, dentre outros;
  • são necessários maiores cuidados no transporte e armazenamento;
  • pode apresentar incompatibilidade com alguns produtos, principalmente inseticidas e fungicidas utilizados no tratamento de sementes.
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Conclusão

Os nematoides são pragas de difícil controle e que podem ocasionar perdas importantes na lavoura.

O uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides pode ser uma excelente ferramenta na soja e em muitas outras culturas.

Além do controle destas pragas, seu uso apresenta inúmeras vantagens: dentre elas a promoção do crescimento das plantas, podendo refletir em maior produtividade.

Por outro lado, por ser um organismo vivo, depende de alguns fatores para que a sua utilização seja eficiente. Também atente-se a eles no momento de realizar o manejo.

>> Leia mais:

“5 maneiras de controlar os nematoides na soja”

“Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura”

Restou alguma dúvida sobre o uso de Bacillus subtilis no controle de nematoides em soja? Deixe seu comentário abaixo!

Blockchain na agricultura: conheça as 3 principais funções e seus benefícios

Blockchain na agricultura: o que é a ferramenta que reduz custos nas transações e permite registrar as etapas da produção, oferecendo transparência aos negócios

O uso da blockchain na agricultura tem chamado a atenção de toda a cadeia produtiva do agronegócio. Essa é uma ferramenta nova que traz muitos benefícios. 

Por meio dessa tecnologia, é possível estabelecer mais segurança nas negociações digitais de produtos agrícolas.

A blockchain permite compartilhar informações diversas, desde a produção no campo até a venda no varejo. Isso favorece a rastreabilidade de todo o setor.

Conheça, neste artigo, o que é a blockchain, sua origem, os benefícios para os seus negócios no campo e como utilizá-la. Confira!

O que é a tecnologia blockchain? 

Cadeia de blocos. A tradução literal do termo inglês blockchain resume bem o que é essa tecnologia.

A blockchain é consequência da criação dos bitcoins, as famosas moedas virtuais, ou criptomoedas. O artigo acadêmico que deu origem à blockchain apresentava uma proposta de transações financeiras com bitcoins.

Isso aconteceria sem a intermediação de terceiros (como bancos), já que isso gerava gasto duplo nas negociações.

Para que as transações fossem viáveis – e confiáveis –, apresentou-se como solução a criação de uma rede ponto a ponto, interligada do início ao fim.

Essa rede forma uma cadeia contínua de prova de trabalho com o histórico público das transações (data e hora de recebimento e envio de arquivos). As transações não podem ser alteradas sem refazer a prova de trabalho.

Na cadeia estão os blocos, pedaços de códigos gerados online e conectados entre si, como uma corrente. Cada bloco tem uma identificação digital chamada hash, que os interliga.

A cada nova transação é criado um bloco com dois hashes: um hash do novo bloco e o outro do bloco que já existia.

Nesses blocos estão arquivos. Eles só entram no sistema após validação pelos “nós”, computadores que escrevem em blocos e os validam.

Só as partes envolvidas nas negociações têm acesso ao sistema. Por isso, as violações por invasores são praticamente impossíveis, devido aos dois hashes em cada bloco.

Além disso, os blocos ficam armazenados em nuvem digital (cloud computing), o que também dificulta a violação. Qualquer tentativa pode ser bloqueada em segundos. 

Basicamente, a blockchain tornou viáveis as transações com as criptomoedas, mas sua funcionalidade hoje vai muito além das transações financeiras.

Benefícios da blockchain na agricultura

Com o aprimoramento das funções e usos, a blockchain virou um livro-razão contábil. Ali, estão informações que permitem, por exemplo, a rastreabilidade dos produtos.

Na agricultura, a rastreabilidade dos alimentos tem sido cada vez mais cobrada. Essa cobrança acontece sobretudo por parte dos países mais desenvolvidos, e também da sociedade brasileira.

A rastreabilidade permite identificar a origem dos alimentos até o consumidor final.

Através dessa tecnologia, é possível saber, por exemplo:

  • se determinado produto foi cultivado em área que não é de desmatamento ilegal;
  • a procedência de um selo orgânico;
  • se utiliza mão de obra infantil ou análoga à escravidão.

São diversos os setores do agronegócio brasileiro que enfrentam problemas com a transparência na produção dos alimentos, algo que também não é fácil de resolver.

Mas a tecnologia blockchain já mostra caminhos a serem seguidos. O setor de produção de cacau é um dos que já aderiram à tecnologia no Brasil.

Outro setor do país que tem grande potencial para se beneficiar dessa tecnologia é o de grãos, sobretudo soja, e o de pecuária de corte.

A partir do uso da tecnologia blockchain, esses setores podem comprovar diretamente para seus parceiros comerciais toda a origem dos seus produtos, bem como para o consumidor final.

No caso do consumidor, as informações podem ser acessadas por meio de um QR code. A leitura é feita por meio de aparelho celular (Android ou iOS). 

Veja abaixo algumas das aplicações da blockchain no agronegócio:

tabela de aplicações da blockchain no agronegócio com alimento, objetivo, vantagem e resultado. Redução de riscos e aumento da confiança estão entre as vantagens

Redução de riscos e aumento da confiança estão entre as vantagens
(Reprodução: Digital Agro)

>> Leia mais: “5 formas de aproveitar a Internet das Coisas na agricultura e tornar sua fazenda mais rentável”

3 principais funções da blockchain na agricultura 

A tecnologia blockchain possui três funções básicas que você pode aproveitar bastante para dar mais segurança, transparência e reduzir custos da sua produção agrícola

Veja como funciona cada uma delas.

1. O livro-razão distribuído

Todos os participantes têm acesso ao livro-razão, onde estão as informações distribuídas e o seu registro empresarial.

Por ser compartilhado e registrado só uma vez, o livro-razão evita ações duplicadas, como tradicionalmente ocorre nas empresas.  

2. Contratos inteligentes

A tecnologia blockchain possui em seu armazenamento contratos inteligentes, com um conjunto de regras executadas de forma automática.

Essas regras definem, por exemplo, as condições de pagamento, seguros, etc.

3. Registros fixos

Lembre-se: uma vez criado um bloco com informações sobre determinada transação ou informação sobre a rastreabilidade do produto, ele não pode mais ser alterado.

Por isso, é preciso muita atenção com a inclusão das informações para que não haja erro.

A correção só é possível por meio da criação de outro bloco, e ambos ficarão disponíveis para as partes envolvidas na transação.

A depender da situação, seu erro pode ser interpretado como má-fé.

>> Leia mais: “Big data no agronegócio: a revolução dos dados”

Redes de blockchain

Existem quatro tipos de redes:

  • Pública: qualquer um pode participar. As informações dos blocos, como as transações, podem ser visualizadas. Por ser mais aberta, a segurança diminui;
  • Privada: uma organização controla a rede e autoriza ou não a entrada de participantes ao livro-razão. Favorece a segurança dos participantes;
  • Autorizada: geralmente, derivam da rede privada, mas podem ser do tipo pública também. Podem ser impostas regras sobre quem pode participar de certas transações;
  • Consórcio: várias empresas participam e compartilham responsabilidades. É ideal para quando os integrantes necessitam ser autorizados e assumir atribuições.  

Como entrar para o mundo da blockchain

No Brasil e no mundo, há diversas empresas que oferecem soluções em agricultura digital por meio da blockchain. Algumas delas são agtechs, as startups do agronegócio.

Elas podem oferecer serviços exclusivos, como de rastreabilidade, financeiros, seguro da produção, realização de contratos, etc. Avalie suas necessidades e faça uma consulta.

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Conclusão

A blockchain na agricultura, conforme você viu, oferece diversas vantagens: redução de custos nas negociações, rastreabilidade e mais transparência na produção.

O agronegócio brasileiro tem sido muito cobrado por mais informações sobre a origem dos alimentos. A blockchain é uma ferramenta importante para este fim.

Como toda ferramenta tecnológica, ela está em constante evolução. Por isso, você deve verificar suas necessidades e buscar empresas que ofereçam a solução que precisa.

>> Leia mais:

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