Elaboração de projetos de crédito rural: entenda pra que serve e como fazer

Elaboração de projetos de crédito rural:  saiba quais informações são necessárias e em que ordem elas devem estar no roteiro 

Uma das principais demandas dos produtores rurais no Brasil é a elaboração de projetos de crédito rural, por meio do qual se obtém acesso aos recursos do Plano Safra.

Mesmo que instituições financeiras, onde estão boa parte da verba do Plano Safra, disponibilizem roteiro para elaborar o projeto, a tarefa não é fácil.

A depender da situação, a elaboração do projeto exige conhecimento técnico especializado.

Por isso, neste artigo, trouxemos um passo a passo com o que você precisa saber para ter sucesso na elaboração do seu projeto de crédito rural. Boa leitura!

O que é e para que serve o projeto de crédito rural 

O projeto de crédito rural é um documento que você deve apresentar a bancos e instituições governamentais. Isso deve ser feito ao solicitar acesso a financiamento público para sua fazenda.

O projeto deve conter os investimentos que você deseja fazer em sua propriedade rural, o motivo e capacidade de pagamento da dívida.

Um projeto de crédito rural bem elaborado está em sintonia com a linha de financiamento contida no Plano Safra. Afinal, é por meio dela que se busca o empréstimo.

É importante que antes de definir qual linha de financiamento optar, você verifique quais são as necessidades de sua fazenda. Dessa forma, você fará a solicitação conforme a situação.

Mais demanda por crédito

Nos últimos anos, tem sido cada vez maior a demanda do agronegócio por mais recursos para:

  • produção;
  • custeio e comercialização;
  • investimentos em tecnologia e inovação;
  • sustentabilidade.

Por isso, o Governo Federal aumentou os recursos do Plano Safra 2021/2022 em R$ 14,9 bilhões, em relação ao plano anterior.

Foram disponibilizados, no total, R$ 251,22 bilhões. Desse valor, R$ 177,78 bilhões foram para custeio e comercialização e R$ 73,44 bilhões para investimento.

Os valores são disponibilizados em linhas de crédito específicas. Essas linhas possuem limites de valores, juros e prazo de pagamento para o pequeno, médio e grande produtor rural.

Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Elaboração de projeto de crédito rural

Aqui,você verá o caminho a ser seguido por você na elaboração do projeto de crédito rural. No entanto, o ideal é que tenha o auxílio de profissional para acompanhamento técnico.

Cadastro de produtor rural

O primeiro passo a ser dado é a verificação do seu cadastro de produtor rural junto ao governo e instituições financeiras. Isso serve para saber como você se enquadra: pequeno, médio ou grande produtor.

Caso você não tenha o cadastro, os documentos básicos para que ele seja efetuado são:

  • seus documentos pessoais;
  • documentos da sua propriedade;
  • comprovantes de renda e de pagamentos de impostos, como do ITR (Imposto Territorial Rural).

Os documentos do cônjuge e da sua empresa também são necessários, bem como de um eventual avalista do seu empréstimo.

O cadastro é feito de forma gratuita. No entanto, podem haver custos se for necessário levantamento patrimonial, em caso de médio e grande produtor.

Assistência técnica e extensão rural

Com a papelada em mãos, você deve procurar o órgão de assistência técnica e extensão rural do seu estado. Na maioria dos estados, esse órgão é a Emater.

A partir daí, você saberá:

  • seu enquadramento;
  • as linhas de financiamento disponíveis;
  • juros e prazos de pagamento;
  • carência;
  • limite de valores que pode conseguir.

Com a documentação em dia, a próxima etapa começa. 

Ela envolve a apresentação do roteiro a ser seguido na elaboração do projeto de crédito rural. Os valores devem se basear no MCR (Manual de Crédito Rural).

Imagem de lavoura em segundo plano, com uma mão e primeiro, segurando várias cédulas de dinheiro.

(Fonte: BeefPoint)

Como elaborar o projeto de crédito rural?

O projeto de crédito rural não é um documento meramente burocrático, criado apenas para dificultar sua vida junto ao banco.

Para além disso, o projeto é uma ferramenta importante para o seu planejamento e gestão eficiente da fazenda

Ele também é essencial para a demonstração do emprego correto dos recursos públicos, que depois terão que ser devolvidos com juros.

Você não precisa se preocupar demais com os bancos. Eles não vão recusar seu projeto no primeiro envio, mesmo tendo alguns erros.

Na elaboração do projeto, o banco dá a orientação necessária para acessar o recurso. Oferece também informações que demonstram a viabilidade técnica e econômico-financeira do empreendimento rural.

O roteiro disponibilizado pelos bancos pode ser adaptado conforme a sua realidade. Você pode acrescentar informações e, sobretudo, números.

Seu projeto de crédito rural será analisado do ponto de vista da consistência das informações contidas nele, e não por conta de um erro ou outro.

O Banco do Brasil, por exemplo, orienta que os valores informados devem ser acompanhados das respectivas memórias de cálculo. Sem elas, todo o trabalho fica comprometido.

Orçamentos, estudos de mercado, plantas, mapas, croquis e outros documentos relevantes também são partes integrantes do projeto. 

Elas devem acompanhá-lo na entrega ao banco, conforme orienta a própria instituição financeira.

Informações que devem estar no projeto de crédito rural 

Na primeira parte do projeto, você deve inserir:

  • resumo;
  • identificação;
  • proponente(s);
  • propriedade(s) a ser(em) beneficiada(s).

Na segunda parte do projeto, você deve fazer um levantamento geral dos seus patrimônios, receitas e infra-estrutura do seu imóvel:

  • patrimonial (imóveis, máquinas, veículos e equipamentos, semoventes, outros bens e direitos, resumo do patrimônio, obrigações e situação patrimonial líquida atual);
  • características e infra-estrutura do imóvel beneficiado (clima e localização geográfica, recursos hídricos, meio ambiente, energia, transporte, armazenamento, meios de comunicação, mão de obra, etc);
  • receitas e produção do último triênio (agricultura, pecuária e outras atividades).

Na terceira parte do projeto, é essencial que você defina onde atua ou deseja atuar, no caso de ampliação de mercados. 

O projeto em si é apresentado na última parte do projeto, com os seguintes itens:

  • finalidade (financiamento, valor, prazo e carência, investimentos propostos, fontes dos recursos e épocas de realização, cronograma de execução físico-financeiro e usos e fontes, cronograma de reembolso do crédito e de dívidas preexistentes);
  • administração/tecnologia (técnicas e controles, impactos socioambientais);
  • engenharia (estimativa da produção agropecuária, cálculos e dimensionamentos, investimentos futuros e reinvestimentos, desembolsos com a atividade agropecuária);
  • projeção financeira (previsão de receitas, estrutura dos custos operacionais, fluxo de caixa e capacidade de pagamento);
  • conclusão (aqui, você destaca novamente a importância do seu projeto de crédito para o seu desenvolvimento no setor).

Enviei meu projeto de crédito rural. Quando serei contemplado?

Sobre prazos para obtenção do crédito, não há. Vai da própria elaboração do projeto (se foi feito tudo certo) e da viabilidade econômica do mesmo. 

Vale lembrar que são bancos que estão emprestando dinheiro e querem recebê-lo de volta, com juros. Ou seja: eles precisam estar seguros realmente do negócio que estão fazendo.

Conclusão

A elaboração de projetos de crédito rural requer muita atenção e conhecimento técnico para que seja feito da melhor forma.

É um documento que você deverá seguir à risca durante as diversas fases da sua produção agrícola. Assim, você conseguirá alcançar os objetivos da sua lavoura e pagar as parcelas do empréstimo.

O projeto de crédito rural é uma ferramenta de gestão agrícola. A sua execução, sendo bem feita, resultará em maior lucratividade e desenvolvimento da sua fazenda. 

>> Leia mais:

Imposto de Renda Produtor Rural: Esclareça as principais dúvidas

“Como vai funcionar o bureau verde do crédito rural e como ele pode impactar os financiamentos”

“Consórcio rural: veja o que é e conheça as vantagens”

Você precisa solicitar crédito? Já começou a elaboração de projeto de crédito rural? Não deixe para última hora, e deixe um comentário abaixo contando a sua experiência.

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

Algodoeiro resistente a doenças: saiba tudo sobre qualidade da fibra, produtividade e vantagens da nova cultivar

O manejo de pragas, doenças e plantas daninhas na cultura do algodão tem custo elevado para o cotonicultor. 

Em 2021, a Embrapa divulgou o lançamento da cultivar transgênica de algodão BRS 500 B2RF.  Ela apresenta resistência a algumas doenças e pragas, além de ser tolerante ao herbicida glifosato

A cultivar também promete alta produtividade e fibras com características exigidas pela indústria têxtil.

Neste artigo, você pode conferir um pouco mais sobre as principais características dessa nova cultivar, suas vantagens e quais estratégias de manejo fitossanitário devem ser adotadas. 

Como nova cultivar torna o algodoeiro resistente a doenças

A cultivar de algodão transgênico (BRS 500 B2RF) é de ciclo médio/tardio e possui porte alto. Ela combina três tecnologias:

● Roundup Ready Flex (RF);

● Bollgard II (B2);

● FRdC1.

Esse pacote tecnológico torna a nova cultivar de algodão resistente a algumas lagartas.

Além disso, o algodoeiro é parcialmente resistente ao nematoide-das-galhas, e tem tolerância ao herbicida glifosato em todas as fases da cultura.

A nova cultivar também apresenta resistência às seguintes doenças:

mancha de ramulária (Ramularia areola);

● mancha angular (Xanthomonas citri pv. malvacearum);

● doença azul típica (Cotton leafroll dwarf virus – CLRDV).

Atualmente, a mancha de ramulária é a doença mais importante do algodão. Ela está presente nas principais áreas produtoras da fibra, especialmente em regiões de Cerrado

Para o controle dessa doença, são necessárias de 4 a 8 pulverizações com fungicidas durante todo o ciclo do algodão. 

Em casos de maior severidade, o número de aplicações pode subir para 12. Isso acaba elevando bastante o custo de produção.

A resistência da nova cultivar de algodão às doenças citadas traz economia, maior produtividade e menores danos ambientais.

Afinal, há menor número de pulverizações para o controle das doenças.

Tabela que mostra nível de resistência da nova cultivar de algodão

Nível de resistência à doenças da cultivar BRS 500 B2RF

(Fonte: Embrapa Algodão)

Qualidade da fibra

Outro ponto importante se refere à qualidade da fibra da nova cultivar. Ela apresenta um conjunto de atributos importantes para a indústria têxtil. 

A cultivar de algodão produz fibra branca. A fibra também possui:

  • comprimento médio de 30,4 mm;
  • índice micronaire médio de 4,6;
  • resistência média de 30,8 gf.tex-1.

Produtividade

Segundo a Embrapa Algodão, a produtividade média da nova cultivar é de 5.667 quilos/hectare de algodão em caroço. Na fibra, o valor é de 2.579 quilos/hectare.

Ela apresenta ainda rendimento de fibra de 38,5 a 40,5. 

Áreas indicadas para o plantio

A cultivar BRS 500 B2RF é indicada para o plantio em áreas de Cerrado dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e parte do Maranhão, do Piauí e da Bahia.

A nova cultivar é recomendada também para áreas em que a mancha de ramulária e o nematóide-das-galhas sejam um problema fitossanitário para a produção da fibra.

Manejo de pragas, doenças e plantas daninhas

O manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas do algodão é uma prática indispensável para a preservação da tecnologia transgênica. 

Algumas medidas precisam ser adotadas quanto ao plantio de organismos geneticamente modificados.

No manejo integrado, é fundamental realizar a rotação dos ingredientes ativos dos agroquímicos aplicados na lavoura. 

Isso contribui para impedir que ocorra a seleção de populações resistentes aos produtos utilizados. 

É preciso estar de olho na população de insetos que não são alvo da tecnologia transgênica. Eles precisam ser controlados de forma seletiva e eficiente. 

Outra medida a ser adotada é a rotação das cultivares de algodão com diferentes tecnologias transgênicas (rotação de genes). 

O vazio sanitário é uma medida de caráter obrigatório e que deve ser adotada para a prevenção e o controle de pragas e doenças. Nesse período não pode haver plantas vivas e resíduos de algodão na área (soqueira e tiguera).

Na cultura do algodão, o vazio sanitário tem como foco o bicudo do algodoeiro, praga de grande importância econômica.

Refúgio agrícola

A adoção do refúgio agrícola é uma estratégia de manejo de resistência de insetos-praga. A estratégia consiste em manter uma área da lavoura cultivada com plantas não transgênicas

Essa medida diminui a pressão de seleção dos insetos-pragas, retarda a quebra de resistência da cultivar e contribui para manter a eficácia da tecnologia transgênica.

As áreas de refúgio agrícola devem ser cultivadas na mesma época que a cultivar transgênica. Elas devem receber os mesmos tratos culturais (adubação e controle de plantas invasoras, por exemplo). 

Além disso, essas áreas precisam ser cultivadas com plantas da mesma espécie e com ciclo similar ao da cultivar transgênica.

Para a cultura do algodão, a recomendação é que a área de refúgio corresponda a 20% da área total plantada com transgênico. 

A área de refúgio precisa ser instalada a uma distância máxima de 800 metros da área plantada com a cultivar transgênica, independente da cultura.

As áreas de refúgio podem ser instaladas de três formas: 

● faixas;

● blocos;

● bordadura/perímetro.

Vantagens da nova cultivar 

Confira a seguir as principais vantagens da cultivar de algodão BRS 500 B2RF desenvolvida pela Embrapa: 

● tolerância ao herbicida glifosato;

● tolerância à mancha de ramulária, mancha angular e doença azul típica;

● tolerância parcial ao nematóide-das-galhas;

● resistência a algumas lagartas;

● produz fibra de qualidade para a indústria têxtil;

reduz o número de aplicações de defensivos agrícolas;

diminui custos de produção;

● melhora a competitividade do algodão brasileiro no mercado;

menor impacto ambiental;

● maior sustentabilidade da cotonicultura.

Conclusão

A nova cultivar de algodão apresenta resistência múltipla a doenças, tolerância ao herbicida glifosato e a algumas lagartas. Também tem alta produtividade e produz fibra de qualidade.

A tecnologia da nova cultivar possibilita menor impacto ambiental, maior sustentabilidade da atividade e melhora a competitividade do algodão no mercado global.

Além disso, a cultivar possibilita que você faça um menor número de aplicações de agroquímicos. Consequentemente, isso diminui os custos da sua produção!

Você já conhecia a nova cultivar de algodão? Já procurou saber mais sobre como algumas práticas de manejo contribuem para proteger a resistência do algodoeiro a doenças? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Tudo a respeito do novo herbicida terbutilazina

Terbutilazina: saiba quando, onde e como usar esse novo herbicida que promete revolucionar o manejo de plantas daninhas no milho

O controle de plantas daninhas é um desafio nas lavouras de milho.

A terbutilazina é uma molécula nova, como ótima opção de manejo de daninhas de difícil controle.

Ela possui seletividade ao milho e bom controle de diversas espécies invasoras tolerantes ou resistentes a outros mecanismos de ação.

Neste artigo, você irá conhecer essa nova molécula, como age, recomendações de uso e muito mais. Boa leitura!

Terbutilazina: conheça o histórico do herbicida 

O princípio ativo terbutilazina foi desenvolvido na Europa, no final dos anos 1990, com uma molécula do grupo químico das triazinas.

Mas foi só em 2004, com o banimento da atrazina (devido a seu potencial de contaminação) em toda a União Europeia, que maior importância foi dada à terbutilazina.

Entre  2013 e 2016, a companhia detentora da tecnologia fez estudos no Brasil para o registro da terbutilazina para o milho. O registro foi concedido em outubro de 2020.

Os estudos dos efeitos desse herbicida no controle de plantas daninhas do milho duraram 8 anos no Brasil. Houve participação de muitos pesquisadores.

Segundo a indústria fabricante e as pesquisas, esse herbicida substitui a atrazina com alta eficiência na cultura do milho.

Já estão sendo realizados estudos para o registro da terbutilazina em outras culturas. Até o momento, ela mostrou-se eficaz no controle pré e pós emergente inicial de plantas daninhas, com alta seletividade.

Características da terbutilazina

A molécula integra um dos grupos químicos com características herbicidas mais importantes para a agricultura, as triazinas.

Imagem mostra a fórmula química molecular da terbutilazina

Fórmula molecular da terbutilazina

(Fonte: Fitogest)

Terbutilazina é um herbicida seletivo de ação sistêmica. É recomendado para o controle pré-emergente e pós-emergência inicial de plantas daninhas no milho.

É classificado em classe toxicológica 4 (produto pouco tóxico) e classe ambiental 2 (muito perigoso).

Mecanismo de ação

A terbutilazina inibe a fotossíntese no fotossistema 2.

O herbicida mantém-se ativo nos primeiros 5 cm do solo. Por isso, atua no banco de sementes das invasoras, com prolongado residual.

O produto é absorvido pelas folhas e principalmente pelas raízes. Nas folhas, ele interage com a proteína D1, inibe a transferência de elétrons.

Como resultado da ação na planta-alvo, você verá as folhas com clorose (folhas amareladas). Após isso, verá a necrose e a morte da planta daninha.

Foto de uma folha de soja, com sintoma de clorose por inibição do FS II

Sintoma de clorose por inibição do FS II em soja

(Fonte: BoosterAgro)

Eficiência na cultura do milho

O manejo de plantas daninhas do milho, especialmente das fases iniciais, é primordial para que o rendimento seja o melhor possível ao término da safra.

Mas tome cuidado, porque o erro na aplicação de alguns herbicidas faz crescer o número de daninhas resistentes.

A terbutilazina amplia o número de produtos disponíveis para o manejo integrado, com rotação de mecanismos de ação.

O uso desse produto reduz consideravelmente a população de plantas na fase inicial do desenvolvimento do milho. Isso acontece mesmo sob alta pressão de infestação.

Foto de uma lavoura de milho sob alta pressão de infestação de plantas daninhas. Na imagem, diversas daninhas estão no solo, aos pés das plantas de milho.

Lavoura de milho sob alta pressão de infestação de daninhas

(Fonte: Quimiweb)

Estudos demonstram a eficácia desse herbicida no controle de diversas espécies de difícil controle. A terbutilazina é eficiente até mesmo contra plantas daninhas resistentes a outros herbicidas comuns no manejo da cultura.

Espécies controladas pela terbutilazina

Você pode utilizar a terbutilazina para o controle de:

Faça a aplicação da terbutilazina em pré ou pós emergência inicial. Assim, você garante o controle e proporciona um campo limpo na fase crítica de desenvolvimento do milho (a fase inicial).

Como utilizar a terbutilazina?

Tenha conhecimento de quais plantas daninhas estão presentes em sua lavoura. Saiba também qual a pressão de infestação delas.

Para isto, é necessário um bom planejamento, gerenciamento de aplicações e controle da safra.

Para te ajudar a fazer um bom controle da aplicação da terbutilazina, preparamos uma planilha para você. Baixe gratuitamente clicando na imagem abaixo.

Procedimento de aplicação

Antes da aplicação, fique de olho nas condições ideais de solo e clima. Observe principalmente a umidade do solo, para que a eficácia do produto seja a maior possível.

Não aplique a terbutilazina em solo seco. Para maior eficiência do produto, o solo deve estar úmido durante a aplicação.

Aplique a terbutilazina logo após a semeadura, em pré-emergência. Faça isso em área total, via terrestre.

Podem aparecer plantas daninhas de folhas largas e estreitas após o milho germinar. Nesses casos, aplique em pós-emergência quando elas estiverem com até 6 folhas.

Não aplique terbutilazina com o solo seco. A umidade é necessária para que a molécula seja absorvida pelas plantas.

Dose

Utilize a dose de 1-3 L/ha para um volume de calda de 250 a 400 L/ha. Use esse volume para a aplicação tanto em pré quanto em pós emergência.

No preparo da calda, siga todos os procedimentos de segurança. Deixe todo o equipamento de pulverização em perfeita ordem. Aqui no blog,  nós já mostramos como fazer a limpeza do pulverizador agrícola de forma eficiente. Confira!

Durante a aplicação, use todos os equipamentos de proteção indicados e registrados para a tarefa.

Foto de um homem vestindo equipamento de proteção individual indicado para agroquímicos. Ele usa luvas, sapatos, roupa cinza e um capuz na cabeça. No fundo há um campo aberto, e ao lado, ícones em desenho que mostram cada parte da vestimenta adequada para aplicação de defensivos.

Equipamentos de proteção individual indicado para agroquímicos

(Fonte: CropLife)

Para a sua segurança, não entre nas áreas tratadas por pelo menos 24 horas após a aplicação do herbicida.

Esse intervalo de segurança serve para garantir a secagem da terbutilazina e minimizar possíveis intoxicações.

Produtos comerciais

Atualmente, estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento três produtos comerciais à base de terbutilazina. São eles:

  • Click;
  • Sonda;
  • Terbutilazina Oxon 500 SC I.

Todos os produtos citados são seletivos para a cultura do milho e apresentam formulação suspensão concentrada.

Na classificação toxicológica, esses herbicidas são considerados pouco tóxicos (Categoria 4).

Do ponto de vista ambiental, eles são classificados como muito perigosos ao meio ambiente (Classe II). Em caso de dúvidas sobre esses produtos, consulte a plataforma Agrofit do Mapa.

Conclusão

A variação de mecanismos de ação é muito importante para reduzir o banco de sementes de espécies daninhas resistentes.

A terbutilazina é uma molécula nova, presente em dois produtos comerciais que prometem revolucionar o manejo de plantas invasoras no milho.

Nesse artigo, você ficou sabendo que o herbicida causa clorose e morte nas folhas. Conferiu qual dose utilizar, o volume de calda ideal e os cuidados que devem ser tomados no momento da aplicação.

Inicie a safra livre da infestação de plantas daninhas, faça os manejos necessários e planeje-se!

E você? Já precisou utilizar a terbutilazina em sua lavoura de milho? Percebeu a eficiência desse herbicida? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Conheça a relação entre taxa Selic e agronegócio

Taxa Selic e agronegócio: saiba como a taxa influencia os juros do crédito rural, conheça o efeito do sobe e desce e os impactos no agro

Conhecida como taxa básica de juros da economia, a taxa Selic influencia todas as taxas de juros do país. Exemplos são as taxas de financiamento do crédito rural e do Plano Safra.

No agronegócio, ela é um fator de retração ou estímulo aos investimentos nas atividades agrícolas como um todo.

No crédito rural, a taxa Selic serve como parâmetro para determinar os juros que você terá de pagar por determinado empréstimo.

É importante que você considere o histórico da taxa Selic no planejamento financeiro da sua fazenda, para evitar surpresas desagradáveis.

Neste artigo, você saberá como a taxa Selic funciona e como ela impacta nos negócios da sua fazenda. Boa leitura!

O que é a taxa Selic

A taxa Selic é a taxa média dos financiamentos diários.

A taxa funciona como principal instrumento balizador da política monetária para controlar a inflação. Essa inflação se refere à variação de preços dos produtos e serviços.

Selic é a sigla de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. O sistema é administrado pelo BC (Banco Central do Brasil), e é onde são negociados títulos públicos federais.

O sistema Selic, como infraestrutura do mercado financeiro, faz parte do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiros).

Ao fazer parte da infraestrutura do mercado financeiro, o sistema Selic tem papel fundamental no bom funcionamento do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Conforme o BC, o sistema Selic é importante para resolver possíveis casos de falência ou insolvência de instituições financeiras.

Ele serve para coibir fraudes e prevenir o contágio de instituições

Afinal, o sistema registra em seu banco de dados, em tempo real, a liquidação das transações com títulos públicos federais.

Infográfico azul que mostra a diferença entre taxa e sistema selic.

Taxa Selic X Sistema Selic

(Fonte: Banco Central)

Como a taxa Selic é regulada

No BC, a taxa Selic é regulada pelo Copom (Comitê de Política Monetária). Ele se reúne a cada 45 dias para definir se mantém ou altera, para mais ou para menos, o valor da taxa.

A atualização mais recente ocorreu dia 5 de agosto de 2021, quando a taxa Selic foi definida em 5,25% ao ano

O valor foi a alta de um ponto percentual em relação à alteração anterior.

Tabela com taxas de juros básicas.

Histórico recente das variações da taxa Selic

(Fonte: Banco Central)

Desde abril deste ano, a taxa Selic está em alta.

Entre agosto de 2020 e abril de 2021, ela ficou estável, em 2% ao ano. A alta veio após quedas frequentes desde agosto de 2016, quando bateu 14,25% ao ano.

De acordo com analistas financeiros, a tendência é que a taxa Selic suba mais um ponto percentual em setembro de 2021, indo a 6,25%.

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Efeitos do sobe e desce da taxa

A alteração na taxa Selic provoca diversas mudanças. Elas vão desde as operações financeiras até o consumo pelos cidadãos

Nos bancos, ocorre alteração no custo de captação quando há mudança na meta para a taxa Selic. Afinal, a rentabilidade dos títulos indexados à taxa também muda.

Quando a taxa é reduzida, cai também o custo de captação dos bancos, pois eles tendem a emprestar dinheiro a juros menores. Isso estimula a tomada de empréstimos e o consumo.

Do contrário, quando a taxa sobe, os bancos cobram juros mais altos nos empréstimos, financiamentos e cartões de crédito

Como consequência, o consumo e a inflação caem.

Impactos da alta da taxa Selic no agronegócio

Os efeitos das alterações da taxa Selic no agronegócio têm foco nos financiamentos e empréstimos

Neste sentido, é importante que você avalie as tendências de subida ou descida da taxa de juros. Assim, você pode fazer apostas mais seguras.

No momento atual, por exemplo, a tendência é de subida da taxa Selic para combater a inflação. 

Agora, ela é de 8,99% no acumulado dos últimos 12 meses, medido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Mas com a taxa Selic com tendência de alta, sua preocupação deve ser com o financiamento e o crédito rural: fazer ou não?

Sobretudo para quem teve prejuízo com seca e geada neste ano, o crédito ou o financiamento rural podem servir como alavanca para retomada ou permanência na atividade

Tabela com taxas de juros do plano safra 2021-2022

Veja as taxas de juros do Plano Safra 2021-2022

(Fonte: Mapa)

As preocupações maiores devem ser com operações de custeio, como:

  • preparo do solo;
  • compras de insumos e maquinários;
  • outras operações cotidianas, até a colheita.

Deve ser feita avaliação, ainda, sobre a possibilidade de obter créditos de comercialização. 

Eles são utilizados para garantir que você tenha recursos para esta finalidade ou para armazenar a produção, na espera do melhor preço para venda.

Os créditos de investimento, utilizados para compra de bens duráveis, também podem entrar na lista de prioridades, já que são para uso de longo prazo.

Tabela com linhas de funcionamento de outros programas do plano safra 2021-2022, como pronaf, pronamp, abc e inovagro, por exemplo.

Linhas de financiamento de outros programas do Plano Safra 2021-2022

(Fonte: Mapa)

As taxas de juros do Plano Safra são reflexos da tendência de aumento da taxa Selic. 

Em 2020, por exemplo, os juros do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) eram de 2,75% a 4% ao ano. Em 2021, estão entre 3% e 4,5%.

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Conclusão

Neste artigo, você viu como a taxa Selic impacta no agronegócio. A taxa é um importante instrumento de regulação da economia.

Para o desenvolvimento da sua fazenda, o que mais interessa são as taxas de juros dos financiamentos e do crédito rural.

Acompanhe as análises de especialistas em mercado para saber as tendências de subida e descida dos juros e metas anuais do governo.

Sempre dentro das necessidades da sua fazenda, faça análises de investimentos para longo prazo, com base também nas perspectivas governamentais. Na dúvida, consulte um especialista.

>> Leia mais:

“Como fazer fluxo de caixa sem complicação na sua fazenda”

“Software para agronegócio: veja os 10 melhores para sua fazenda”

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Quais os impactos da nanotecnologia na agricultura?

Nanotecnologia na agricultura: saiba o que é, como ela está presente no agro e quais as potenciais vantagens pode trazer à produção

Quando falamos em nanotecnologia, a primeira coisa que nos vem à mente são os filmes de ficção científica e cenários futurísticos, não é mesmo?

Isso pode até parecer coisa de filme de ficção. Entretanto, nos últimos anos, já é realidade em diversas áreas do conhecimento.

A nanotecnologia já está presente em diversos setores da produção agrícola, na agricultura de precisão e no meio ambiente.

Quer saber mais sobre como a nanotecnologia na agricultura vem sendo utilizada na prática, e como ela pode estar ao seu favor? Confira a seguir!

O que é a nanotecnologia?

Nanotecnologia é um conjunto de atividades ou mecanismos que ocorrem em uma escala extremamente pequena. No entanto, elas têm implicações significativas.

Esses mecanismos estão muito além da percepção dos olhos humanos. Afinal, a escala nanométrica equivale à bilionésima parte do metro.

A ideia de nanotecnologia pode ser um pouco abstrata para muitos. Em 1 metro, há 1 bilhão de nanômetros. Para você ter uma melhor ideia de quão pequeno é um nanômetro, observe a escala.

Imagem mostra escala de tamanhos nanométricos.

Escala nanométrica de diversas estruturas

(Fonte: Minas faz Ciência)

Os nanômetros são estruturas que têm o tamanho aproximado de um vírus. Elas são ainda menores que as bactérias!

Essas estruturas são totalmente invisíveis sem o auxílio de equipamentos, como microscópios.

Potencial da nanotecnologia na agricultura

No âmbito da produção agrícola, a nanotecnologia pode ser muito útil.

Na agricultura, ela ainda está dando seus primeiros passos. Mas é importante lembrar que já existem muitos grupos de pesquisa atuando na área.

Existem áreas, como a medicina, já mais avançadas no uso da nanotecnologia. Elas trabalham não apenas com nanopartículas, mas também com nanorobôs.

Para entender como a nanotecnologia pode se encaixar na agricultura, é possível traçar um paralelo entre ela e a eletricidade.

Antes, a eletricidade era pouco utilizada, mas em poucos anos tornou-se essencial.

A aplicação da nanotecnologia na agricultura será um ponto chave para o aumento da produção de alimentos no mundo.

O aumento produtivo trará inúmeras vantagens. Essas vantagens serão econômicas, relacionadas à qualidade de vida e ao meio ambiente.

O aumento não ocorrerá da forma convencional, com a expansão das áreas cultivadas. Acontecerá pela melhoria da qualidade de processos agroindustriais.

O Brasil, como um dos principais produtores agrícolas do mundo, não poderia estar fora dessa. E não está.

Com apoio e incentivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação e da Finep, foi criado o LNNA (Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio).

Além disso, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) vem estudando e pesquisando soluções para o agronegócio e a agroindústria. Ela formou a rede Agronano, composta por diversos pesquisadores brasileiros.

Aplicações da nanotecnologia na agricultura

A agricultura por si só é um ramo amplo. Ela engloba os processos de produção dos insumos, os sistemas de produção, a pós-colheita e o processamento dos mais diversos produtos.

Da mesma forma, o potencial de aplicação da nanotecnologia na agricultura é bem diversificado.

Atualmente, os principais pontos de maior atuação da nanotecnologia na produção agrícola são seis:

  • entrega de agroquímicos;
  • entrega de fertilizantes;
  • entrega genética;
  • remediação do solo;
  • degradação de agroquímicos;
  • nanosensores.

Todas essas áreas, apesar de diferentes, garantem para o produtor rural a produtividade. Além disso, preservam o meio ambiente e a economia de insumos.

E para isso, surgiram as principais demandas em que a nanotecnologia pode atuar.

Fertilizantes que apresentam maiores taxas de absorção e aproveitamento pelas plantas, ou ainda, que não segregam no processo de formulação.

Além disso, agroquímicos com maior eficiência, que não causam prejuízos ambientais, sejam eles herbicidas, inseticidas ou fungicidas.

Também existe um potencial de aplicação para o pós-colheita dos produtos agrícolas:

  • aumento da vida útil de frutas e verduras;
  • biofilmes e bioplásticos que reduzem a pegada de carbono.

Exemplos de nanotecnologia na agricultura

Óleo de citronela em nanocápsulas

Pesquisadores conseguiram desenvolver e encapsular nanopartículas de óleo de citronela.

Essas nanocápsulas com o óleo atuam como inseticidas. Elas se mostraram eficientes para evitar a aproximação do ácaro-rajado de plantas de feijoeiro.

Para melhorar, as nanocápsulas são feitas de zeína, uma proteína natural do milho. Ou seja, não deixam resíduos plásticos.

A imagem mostra um esquema, que representa como são feitos os nanorrepelentes de citronela.

Processo de produção de nanorrepelente de citronela

(Fonte: Revista Fapesp)

Diferente da pulverização convencional, o uso dessas nanocápsulas protege e faz com que a liberação da citronela ocorra de forma gradual. Isso aumenta o tempo de atuação do produto.

E há potencial de utilizar esse produto em outros cultivos que também são atacados pela mesma praga. Esse conceito pode ser aplicado para outros princípios ativos e outras culturas.

Inovação da fertilização: fertilizantes e bioestimulantes

A nanotecnologia permite a otimização de agroquímicos. O caso dos fertilizantes não é diferente.

A liberação controlada de fertilizantes ou de bioestimulantes pode desencadear reações nas plantas. 

Essas reações podem ser redução da resistência, de estresses e da abscisão foliar.

Outra realidade são os fertilizantes compostos de macronutrientes. Eles são envoltos por uma película de micronutrientes, evitando desuniformidade.

O produto Microactive vem sendo desenvolvido pela Embrapa, em parceria com empresas privadas.

A nanotecnologia e os herbicidas

Os herbicidas também se aliaram à nanotecnologia para garantir aumento de eficiência e melhor distribuição de produto.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina conseguiram reduzir em 10x o uso do herbicida atrazina em ensaios.

Apesar de ainda ser uma descoberta inicial, esse avanço é muito importante. Afinal, além de resultar em menor impacto ao meio ambiente, também significa economia para o produtor rural.

Da mesma forma que os fertilizantes, os herbicidas nanoencapsulados têm uma liberação mais lenta e gradual. Isso aumenta sua uniformidade de distribuição e eficácia.

Monitoramento e controle de pragas e doenças

Os princípios ativos podem ser combinados com a nanotecnologia para auxiliar no controle das pragas. Mas como eles poderiam auxiliar no monitoramento?

Muitos já estão acostumados com a presença de sensores na agricultura. Eles estão nas máquinas, nos implementos de agricultura de precisão ou nos sistemas de irrigação.

Graças à nanotecnologia, agora há também os nanosensores, que podem fazer o monitoramento inteligente da propriedade rural.

Esses nanosensores podem atuar na agricultura, pecuária, e até mesmo no monitoramento ambiental e na rastreabilidade de produtos.

Na agricultura, podem monitorar a produtividade, o amadurecimento e o desenvolvimento de doenças em plantas ou animais no campo.

A nanotecnologia e a água

A nanotecnologia também pode ajudar a agricultura na gestão hídrica. Isso é possível através do hidrogel.

A Embrapa Instrumentação, em parceria com a Fertigel, desenvolveu um gel nanomolecular que controla a liberação da água.

Ele é composto de um polímero modificado por nanopartículas. Essa modificação faz com que o polímero consiga absorver até 600x seu peso em água.

Após hidratado, o produto consegue liberar água e nutrientes de forma controlada.

Isso implica na redução de lixiviação de fertilizantes, redução da perda de água para o solo e no bom desenvolvimento das plantas, mesmo na seca/veranicos. 

Além disso, também ajuda na economia de água.

Embalagens e vida útil dos produtos vegetais

A produção de embalagens biodegradáveis, sem o uso de plástico, é algo revolucionário na produção sustentável, não é?

Imagine agora que essas embalagens façam também a regulação da taxa respiratória dos produtos vegetais. Imagine que realizem o bloqueio de patógenos.

Isso é possível devido à aplicação da nanotecnologia na criação das embalagens.

Diferentes processos podem criar coberturas, revestimentos ou embalagens que realizam diferentes funções.

Isso garante ao consumidor produtos de qualidade, além de reduzir o desperdício!

Imagem mostra mulher com luvas e touca no cabelo fazendo nanoemulsão em ceras de carnaúba em um mamão, duas laranjas e três maçãs.

Nanoemulsão em ceras de carnaúba da Embrapa

(Fonte: Embrapa)

Essas coberturas e revestimentos são comestíveis, e não trazem prejuízos aos consumidores.

banner que convida o leitor para baixar um informativo, de diagnóstico de gestão 360º da propriedade rural

Conclusão

A nanotecnologia terá cada vez mais aplicações na agricultura.

Os exemplos do texto foram apenas alguns em meio a um universo de possibilidades.

Os resultados que temos são muito promissores, mas ainda é necessária muita pesquisa para refinar os resultados.

Tudo o que é novidade pode causar certo receio e medo. Mas lembre-se do exemplo da eletricidade: quando menos esperamos, estará por todos os lados.

Por isso, fique de olho nas novidades que estão surgindo. Não fique para trás nessa nova revolução agrícola!

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Gostou de aprender um pouco mais sobre o uso da nanotecnologia na agricultura? Deixe seu comentário pra gente!

4 dicas para melhorar a gestão de tempo na fazenda

Gestão de tempo na fazenda: saiba como organizar sua rotina de atividades no campo com o auxílio de processos e ferramenta digital!

Gerir uma fazenda demanda tempo. Mas o que fazer quando não conseguimos administrar esse tempo?

Esse é um desafio de muitos produtores rurais, e tem impacto direto na produtividade de cada safra. 

Felizmente, você pode solucionar esse problema com algumas mudanças práticas que trazem diversos benefícios.

Já te adianto: usar as horas do seu dia da melhor forma é o caminho! 

Por isso, separei 4 dicas fáceis que vão te ajudar a melhorar a gestão de tempo na fazenda. Confira a seguir.

Por que a gestão de tempo na fazenda é importante?

Na rotina do campo, atividades de escritório e operação frequentes, como controle financeiro e decisões de manejo, se misturam a contratempos. 

Em meio a essa quantidade de afazeres, fica difícil conciliar os diferentes setores e dar a atenção necessária a cada tarefa.

Nesse caso, a falta de organização só colabora com a perda de tempo. Isso torna a operação insustentável, enquanto causa estresses desnecessários e afeta a lucratividade.

Para modificar esse cenário, a gestão de tempo na fazenda é a ferramenta ideal

Quando temos noção das tarefas que devem ser realizadas – seus prazos e o empenho que deve ser destinado a cada uma delas – otimizamos nosso dia

Ou seja, você é capaz de executar suas funções em um tempo menor que antes. Isso contribui para um trabalho cada vez mais produtivo, além de outros benefícios, como:

  • mais foco no que é importante;
  • facilidade para planejar e alcançar objetivos;
  • melhor desempenho das equipes;
  • capacidade de identificar problemas com antecedência, reduzindo erros e gastos;
  • maior controle financeiro, diminuindo desperdícios;
  • eficiência para melhorar os resultados.

Todavia, isso exige planejamento, paciência, disciplina e prática. Por isso, listei um passo a passo de como implementar a gestão do tempo em sua propriedade rural.

Dicas de gestão de tempo na fazenda

Comece aos poucos e amplie progressivamente para diferentes atividades e cargos. Lembre-se que a ideia não é complicar ou engessar processos, mas simplificar seu dia a dia.

Na hora de compartilhar as novas estratégias com os funcionários, comunique com clareza. Destaque as vantagens dessa transição e tire todas as dúvidas necessárias.

Sempre que possível, fique disponível para troca cotidiana de experiências e dificuldades.

Esse período que você dedicará para aplicar as mudanças não será em vão, pelo contrário! A partir dele se ganha tempo, qualidade de trabalho e melhorias de gestão. 

1. Mapeie suas tarefas

Visualizar a sequência produtiva de atividades da lavoura, do macro (grandes processos) ao micro (pequenos processos), é o primeiro passo. 

Para isso, comece anotando as atividades que são de sua responsabilidade, partindo do mais amplo para o mais detalhado. 

Por exemplo, se você executa atividades administrativas, dentre elas está o planejamento de safra. Ele envolve definir o orçamento de custos e assim por diante, até as coisas mais simples, como a verificação de e-mails. 

Não economize na descrição dos procedimentos, incluindo cada pequena ação dentro de uma sequência de execuções

Em tarefas que passam por várias mãos, descreva também o responsável por cada etapa e seu setor.

Com o mapeamento pronto, você terá uma melhor compreensão de tudo. Dessa forma, ficará claro o que é dispensável, o que gera atritos e o que deve ser otimizado.

Demonstração do melhor software para a gestão de tempo na fazenda

2. Classifique por níveis de prioridade

Com todas as atividades listadas, vamos ao segundo passo: classificar e priorizar.

Nesse caso, a classificação de período é a inicial, pois é ela que determina a urgência e com qual regularidade você deve executar tal ação: diariamente, semanalmente, a cada início/fim de safra ou esporadicamente

É comum finalizar essa organização e ver uma agenda lotada. 

Como não é possível fazer tudo ao mesmo tempo, mas também não se pode perder o prazo de certas demandas, a solução é criar um cronograma embasado em diferentes níveis de prioridade

Uma das formas mais populares para definir essa categorização é a de “importante ou urgente”. Essa técnica é utilizada por diversos profissionais, e é conhecida como Matriz Eisenhower.

  • Importantes: são todas as tarefas que exigem planejamento e maior tempo de realização;
  • Urgentes: são todas as tarefas que exigem resposta rápida em um menor prazo.
Gráficos que demonstram o quanto de tempo você precisa gastar em tarefas importantes, não importantes, urgentes e não urgentes.
Gráfico de gestão de tempo na fazenda
(Fonte: “Sucesso no Leite”, Paulo Machado)

Além disso, aproveite este momento para determinar os afazeres que podem ser padronizados, substituídos ou automatizados. 

Cada uma dessas modificações ajuda a reduzir situações que ocupam seu tempo indevidamente ou de forma repetitiva. 

3. Crie uma rotina

Com um conhecimento aprofundado de suas prioridades, é mais simples criar e executar uma rotina de trabalho produtiva, saudável e realista

Assim, o terceiro passo é montar um cronograma que te ajude a visualizar as atividades e quando colocá-las em prática

Para que ele seja efetivo, faça uma distribuição viável de tempo para cada demanda. Evite o acúmulo de tarefas e reserve tempo extra para possíveis imprevistos

Outra dica que pode ajudar é descobrir o período do dia em que você se sente mais produtivo e motivado. Independente de quando for, coloque as atividades mais importantes para serem feitas nesse momento.

No Aegro, uma forma eficaz de estipular a rotina para sua fazenda é utilizando a aba de atividades

Nela, você consegue planejar todas as operações da safra, desde o preparo do solo até a colheita. A cada ação, você determina o período para execução, a área, os insumos, o maquinário e a equipe. 

Tela do aplicativo Aegro, na aba de planejamento de atividades de safra.

No Aegro, você consegue planejar e visualizar todas as atividades de safra, sem sair do lugar

Além de facilitar a organização, isso também garante mais autonomia aos funcionários. Eles podem acessar a tarefa pelo aplicativo diretamente da lavoura, mesmo sem internet. 

Outra opção é você gerar um relatório para ser enviado via WhatsApp, como uma ordem de serviço.

Imagem de relatório digital de atividade gerado pelo Aegro.

Relatório de atividade gerado pelo Aegro. Dados fictícios.

Com essa informação em mãos, seus funcionários executam a demanda e depois a registram no aplicativo. Pelo software agrícola, você pode acompanhar a execução dos trabalhos sem se preocupar. 

Imagem de uma tela de celular com o aplicativo Aegro aberto, na aba de aplicações de defensivos.

Acompanhe os registros de todas as atividades pelo Aegro através da tela do seu celular

4. Automatize as tarefas burocráticas recorrentes

Boa parte do cotidiano de uma fazenda é voltada para atividades burocráticas e repetitivas. Com o avanço da tecnologia, o que era feito manualmente pode e deve ser automatizado para a melhor gestão de tempo na fazenda.

Nesse caso, um software de gestão como o Aegro pode ser seu grande aliado, pois ele ajuda a centralizar informações da fazenda e organizar fluxos de trabalho. Isso agiliza tanto a execução quanto a análise dos processos operacionais. 

Um bom exemplo é a opção de planejamento das atividades da safra. Logo que elas são concluídas pela sua equipe, o aplicativo já desconta no estoque os insumos utilizados e contabiliza as horas de trabalho do maquinário.

Quando se trata de financeiro, também existem várias facilidades! Primeiro, as despesas contínuas e padrões, como salários de profissionais, podem ser programadas para se repetirem no futuro de maneira recorrente.

Os custos de compras de insumo e outros podem ser importados por XML ou manualmente. 

Em ambos os casos, é feita a entrada automática da quantidade no estoque. O mesmo vale para o lançamento de uma nova receita, para a qual você também pode emitir a nota fiscal de venda e atualizar a quantidade no silo.  

Outra possibilidade é conectar a sua conta à Sefaz. Assim, todas as notas fiscais emitidas contra o seu CPF são automaticamente importadas para dentro do Aegro. 

Basta confirmar com um clique o registro do custo, mantendo o fluxo de caixa atualizado. 

Além disso, cada ação que você registra no Aegro alimenta indicadores de maneira automática. Saiba, por exemplo, qual é o seu custo por hectare em poucos segundos, sem precisar fazer cálculos ou cruzar diferentes planilhas.

Conclusão

Conforme esses primeiros passos são realizados, você vai notar uma grande diferença. 

Uma vez feitos, não é preciso repeti-los, é só revisar e atualizar as informações de acordo com sua necessidade ou o crescimento da produção.

Mesmo assim, cada fazenda tem sua própria realidade e talvez não seja tão simples de se aplicar as dicas na prática. De qualquer forma, mesmo a introdução da menor modificação já faz a diferença em facilitar sua rotina.

Para tal, conte com a ajuda da Aegro! Nosso software para gestão de fazendas busca otimizar processos do campo ao escritório, podendo ser acessado de qualquer lugar, de forma prática e rápida. 

Aproveite também todos os conteúdos e materiais ricos sobre gestão e agronegócio, disponibilizados gratuitamente aqui no blog!

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Como a gestão agrícola pode trazer mais lucro para sua empresa rural

Aegro Conecta 2: veja o que aconteceu na segunda edição do evento

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Como melhorar a qualidade do solo com o terraceamento

Terraceamento: conheça a prática conservacionista que visa ao controle da erosão e à conservação do solo e da água

Você já pensou em usar o terraceamento para evitar a erosão do solo e melhorar a infiltração de água na lavoura? Além de ajudar na compensação ambiental por preservar o solo, essa técnica ajuda nas altas produtividades da cultura.

Além desses benefícios, essa prática também ajuda a manter o solo fértil e produtivo.  Conhecer o tipo de solo é essencial para escolher qual técnica utilizar.

Neste artigo, você vai aprender a fazer o terraceamento e a definir o tipo ideal para a sua propriedade. Confira a seguir!

O que é o terraceamento agrícola?

O terraceamento é uma prática que evita a erosão do solo, retém a água no terreno e mantém a produtividade e a fertilidade do solo

A técnica consiste na construção de terraços para reduzir o escoamento da água da chuva. 

Ilustração que demonstra a função do terraço: reter a água da enxurrada.

A função do terraço é reter a água da enxurrada

(Fonte: Lombard Netto et al., 1994)

Ilustração que mostra as partes que compõem um terraço: o aterro, o corte e o nível original do terreno.

Partes componentes de um terraço

(Fonte: Bertolini & Cogo, 1996)

A área da lavoura é dividida em curvas de nível. Nelas, são construídos os terraços no sentido transversal ao escoamento da água. O objetivo é reduzir a velocidade da enxurrada. Os benefícios podem ser potencializados com a utilização de outras práticas conservacionistas do solo, como:

Como fazer o terraceamento?

Seguindo as recomendações da Embrapa, é possível realizar um terraceamento com trator e arado. Bastam apenas cinco etapas.

Alguns materiais e equipamentos são necessários. Você precisará de uma trena com 30 metros, de piquetes de madeira para cada 15 metros da sua lavoura e de uma mangueira de pedreiro com 35 metros.

Além disso, um trator agrícola 75 cavalos e arados de três discos são essenciais.

1ª etapa: definição da textura do solo

É preciso definir se a textura do solo da sua propriedade é arenosa ou argilosa. Afinal, ela é importante para definir a distância entre os terraços.

2ª etapa: definição da declividade do solo

  1. Pegue um piquete de madeira e coloque na parte mais alta do terreno. Você deve medir 30 metros no sentido morro abaixo. Então, coloque o segundo piquete.
  2. Encha a mangueira de pedreiro com água. 
  3. Coloque uma ponta da mangueira no piquete de cima e a outra ponta no piquete de baixo.
Esquema que demonstra como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

Esquema de como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

  1. Meça a distância de onde se encontra a extremidade da água na mangueira até a superfície do solo nos dois piquetes.
  2. Para calcular a declividade, basta subtrair o valor encontrado no piquete de baixo pelo valor encontrado de cima.

Por exemplo: 

  • piquete de baixo = 2,0 m; 
  • piquete de cima: 0,5 m 
  • (2,0 – 0,5 = 1,5 m). 

Pegue o valor (1,5 m), multiplique por 100 e divida por 30. Essa é a distância entre os piquetes. Agora, encontre a declividade deste ponto do terreno, que é de 5%.

Se observar mudança na declividade do terreno, repita o procedimento.

3ª etapa: definição da distância entre os terraços

Com a textura e o valor da declividade do passo anterior (5%), é possível definir a distância entre os terraços. Use a tabela abaixo como referência:

Tabela que demonstra a declividade dos tipos de solo (arenoso e argiloso), e a melhor distância entre os terraços, de acordo com esses dados.

(Fonte: Embrapa, 2016)

Se o solo for arenoso, o espaçamento entre os terraços será de 19,20 metros. Se o solo for argiloso, será de 21,95 metros. Por fim, marque as distâncias entre os terraços com o uso da trena e dos piquetes.

4ª etapa: piqueteamento da curva de nível

  1. Pegue a mangueira de pedreiro com água e os piquetes.
  2. Coloque uma ponta da mangueira no primeiro piquete que já está posto no terreno. 
  3. Em seguida, procure o mesmo nível da mangueira para colocar o segundo piquete, a 30 metros ao lado. Faça isso até o fim do terreno.
  4. Com a primeira curva em nível já marcada, marque as demais curvas pelo mesmo procedimento no terreno abaixo. 
  5. Como foram colocados piquetes a cada 30 metros, é preciso suavizar a curva. Isso é possível ao colocar piquetes intermediários a cada 15 metros, sem que seja necessário o uso da mangueira.
Esquema que mostra a marcação das curvas em nível do terraço, através dos piquetes de madeira.

Marcação das curvas em nível com piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

Assim, você terá as curvas em nível marcadas no terreno.

5ª etapa: construindo terraço com trator e arado

Finalizadas as etapas anteriores, comece a construção dos terraços. Você precisa regular o arado no trator da seguinte forma:

  • o terceiro disco deve cortar mais profundamente o solo, em torno de 30 centímetros;
  • o primeiro disco deve cortar mais superficialmente, em torno de 10 centímetros.

O arado deve ficar inclinado, com a parte de trás mais para baixo.

Ilustração que demonstra a inclinação adequada do arado de discos do trator, a fim de construir os terraços.

Inclinação adequada do arado de discos para construção dos terraços

(Fonte: Embrapa, 2016)

Corte o terreno, jogando o solo da parte de cima para a parte de baixo. Faça isso até o final da curva em nível. Em seguida, volte cortando o solo, jogando de baixo para cima.

Faça isto o quanto for necessário. A base do terraço deve ter:

  • entre 1,5m e 2,0m de largura;
  • 70 cm de altura no meio do terraço.
Ilustração de um terraço finalizado, com 1,5 a 2 metros de largura por mais de 70 centímetros de de altura.

Terraço finalizado com altura e largura adequadas

(Fonte: Embrapa, 2016)

Enfim, o seu terraço estará pronto.

Tipos de terraços

Os terraços podem ser classificados das seguintes maneiras:

  • quanto à função;
  • à largura da base ou faixa de terra movimentada;
  • ao processo de construção;
  • à forma do perfil do terreno.

Quanto à função

Terraço em nível ou infiltração

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 12% de declividade e com boa permeabilidade.

Ele deve ser construído com o canal em nível, e suas extremidades bloqueadas devem impedir a interceptação da água da chuva. Assim, haverá posterior infiltração no perfil do solo.

Sua principal função é facilitar a infiltração da água da chuva no perfil do solo.

Terraço em desnível ou de escoamento

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 20% de declividade e com permeabilidade lenta.

Ele deve ser construído com o canal em pequeno desnível. Uma de suas extremidades devem estar abertas para o escoamento da água para bacias de captação.

Sua principal função é escoar e conduzir a água da chuva para fora da área.

Quanto à largura da base ou faixa de terra movimentada

Terraço de base estreita

A faixa de movimentação de terra é de até 3 metros de largura. Uso restrito a pequenas propriedades com terrenos muito íngremes.

Ilustração da seção transversal do terraço, com base estreita

Seção transversal de terraço base estreita

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base média

A faixa de movimentação de terra é de 3 a 6 metros de largura. Recomendado para pequenas ou médias propriedades, e para solos com declividades de 10% a 12%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base média

Seção transversal de terraço base média

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base larga

A faixa de movimentação de terra é de 6 m a 12 m de largura. Esse tipo de terraço é adequado para declividades entre 6% e 8%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base larga

Seção transversal de terraço base larga

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Quanto ao processo de construção

Tipo Nichol’s ou Canal

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo, formando um canal triangular. Pode ser construído em declividades de até 18%.

Ilustração do canal do tipo Nichol's ou canal

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Na faixa de construção do canal, não é possível o cultivo agrícola.

Tipo Mangum ou camalhão

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo e de baixo para cima, formando um canal largo e raso. Indicado para solos de menor declividade.

Ilustração do terraço do tipo camalhão ou magnum

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Quanto à forma do perfil do terreno

Tipo comum

Constituído por um canal com camalhão construído em nível ou em desnível. É o tipo de terraço mais utilizado no Brasil, recomendado para solos com declividade inferior a 18%.

Ilustração de um terraço do tipo comum

Terraço tipo comum

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

Tipo Patamar

Recomendado para solos com declividade maior que 18%. Também é recomendado para culturas de alto retorno econômico, devido ao alto custo de construção.

Ilustração de um terraço do tipo patamar

Terraço tipo patamar

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

No patamar do terraço,é feita a semeadura da cultura. A parte do talude deve ser recoberta com uma planta de cobertura.

Tipo Comum Embutido

Pode ser construído com motoniveladora ou com trator de lâmina frontal, para formar um canal triangular. Forma um talude que separa o canal do camalhão na vertical.

Ilustração de um terraço do tipo comum embutido

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Apenas uma pequena área fica inutilizada para o cultivo. Muito utilizado em áreas com cana-de-açúcar.

Tipo Murundum ou Leirão

São caracterizados pela grande movimentação de solo. Precisam de trator de lâmina frontal, e por isso os custos são mais altos.

Esse tipo de terraço dificulta a movimentação de máquinas agrícolas. Devido a altura, a área do camalhão não pode ser cultivada.

Ilustração de um terraço do tipo murundum ou leirão

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Recomendado apenas para áreas que necessitam reter um grande volume de água.

Qual tipo de terraceamento escolher?

Diante dos inúmeros tipos de terraços, existem algumas características que auxiliam na escolha do tipo adequado para a sua propriedade. Veja:

  • topografia do terreno;
  • características do solo;
  • condições climáticas;
  • cultura a ser implantada;
  • sistema de cultivo;
  • disponibilidade de máquinas agrícolas na propriedade.

Vantagens do terraceamento

Veja algumas vantagens do terraceamento agrícola:

  • é uma prática que conserva o solo;
  • provoca maior infiltração de água no solo;
  • controla a erosão do solo;
  • evita o carregamento de adubo e matéria orgânica;
  • mantém o solo fértil e produtivo;
  • favorece o desenvolvimento das culturas.

Desvantagens

Apesar de todas as vantagens, existem desvantagens importantes:

  • custos com maquinários para construção dos terraços;
  • contratação de mão de obra especializada para construção dos terraços;
  • em alguns tipos de terraço a área útil de cultivo pode ser diminuída;
  • necessário a manutenção adequada dos terraços.

Software para o dimensionamento de terraços

Software para o dimensionamento de terraços

A nova metodologia é realizada por meio do software Terraço for Windows, desenvolvido pela UFV (Universidade Federal de Viçosa). Ele foi validado pela Embrapa de Passo Fundo e difundido pela Epagri.

O software utiliza como base a declividade do terreno, a infiltração de água no solo e o histórico de chuvas da região.

O objetivo da metodologia é construir terraços em nível para concentrar toda a água da chuva dentro da lavoura.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

O terraceamento agrícola é uma prática conservacionista que pode trazer inúmeros benefícios. Os terraços protegem a lavoura da erosão e armazena água nos períodos de estiagem.

Antes de utilizar a técnica, não se esqueça de avaliar todas as condições da sua propriedade. Afinal, existem muitas formas de realizá-la e escolher a ideal depende de um bom planejamento.

Agora que você tem essas informações e sabe de todas as vantagens e desvantagens do terraceamento agrícola, fica mais fácil tomar uma decisão. 

>> Leia mais:

Veja como funciona a compensação ambiental e seus benefícios

“Entenda o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES) e como ele pode ser útil para sua lavoura”

“Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você realiza ou pensa em realizar o terraceamento em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Saiba como gerenciar o ciclo de produção agrícola com o Aegro

Ciclo de produção agrícola: sistema digital facilita tomadas de decisões nas diferentes etapas do ciclo de produção 

Cada safra que se inicia representa uma oportunidade de produzir mais e melhor.

Para superar os resultados do ano anterior, o produtor moderno pode somar a sua experiência ao uso de sistemas digitais.

Um sistema como o Aegro ajuda a gerenciar as diferentes etapas do ciclo de produção agrícola. Ele automatiza processos e facilita o acesso às informações.

Assim, sobra tempo para que o fazendeiro pense suas estratégias dentro deste ambiente extremamente complexo que é o agronegócio.

Continue lendo para entender como planejar e executar uma safra de sucesso com o Aegro!

Comece pelo planejamento agrícola

Você precisa saber aonde quer chegar com sua empresa rural a curto, médio e longo prazos

Com uma visão clara de futuro, fica mais fácil traçar as ações necessárias para atingir os seus objetivos.

Comece analisando as tendências de mercado, estabeleça a sua estratégia de rotação de culturas e o sistema de plantio.

Então, inicie o planejamento agrícola com o seu sistema de gestão!

No Aegro, é possível mapear as áreas da propriedade em poucos minutos e definir metas de produtividade para os talhões.

Tela do Aegro, na aba de planejamento de aplicação de insumos.
Com o Aegro, é possível fazer todo o planejamento de aplicação de insumos

Você também pode usar o sistema para programar as atividades de safra, prevendo o uso de insumos e máquinas ao longo dos meses.

Desta forma, você consegue fazer as compras com antecedência e preparar o patrimônio da fazenda para as operações.

Gerenciando o ciclo de produção agrícola com o Aegro

Siga com o planejamento financeiro da safra

Depois de realizar o planejamento agrícola, é importante verificar a viabilidade econômica da sua safra.

A boa notícia é que o Aegro te ajuda nessa etapa do ciclo de produção agrícola.

Você pode montar um orçamento, de forma prática, com base nas atividades que já programou.

Basta inserir no sistema o valor base dos insumos e complementar com outras categorias de gastos, como: administração, fretes e o salário dos funcionários.

A partir das projeções de custos e produtividade, o Aegro calcula o lucro ou prejuízo que a fazenda terá ao final do ciclo produtivo.

Descubra qual é o seu ponto de equilíbrio e avalie quais investimentos realmente cabem no seu bolso.

Esse é o momento de decidir, por exemplo, se você vai fechar barter ou contratar crédito agrícola.

Tela do Aegro, na aba de informações gerais da fazenda, todas reunidas em um só lugar.
Todas as informações da sua fazenda ficam reunidas em um só lugar

Organize o fluxo de caixa da fazenda

À medida que os gastos se concretizam, o Aegro descomplica um dos trabalhos mais burocráticos do ciclo de produção agrícola: o fluxo de caixa.

Você pode cadastrar o seu certificado digital no sistema para receber automaticamente todas as notas fiscais que são emitidas contra o seu CNPJ.

Isso quer dizer que você não precisará mais perder horas juntando comprovantes de abastecimento, ou correndo atrás dos seus fornecedores.

Com alguns cliques, você importa a nota fiscal de compra e a transforma em uma despesa no seu financeiro.

Como consequência, o controle do custo de produção se torna mais detalhado. Além disso, você deixa de atrasar o pagamento de contas por falta de organização.

O Aegro também permite que você emita as suas notas fiscais de venda, gerenciando as receitas da fazenda com precisão. 

Tela do Aegro, na aba de organização do financeiro. A imagem demonstra dados fictícios.
Organização do financeiro de uma fazenda. Dados fictícios.
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Mantenha o registro de atividades agrícolas

Se por um lado você tem os lançamentos feitos no escritório, por outro tem as anotações de campo.

Aquela árdua tarefa de registrar as atividades realizadas na lavoura, abaixo de sol, chuva e poeira.

Mas a confusão das agendas de papel que molham, sujam e se perdem com o tempo já ficou no passado.

O Aegro oferece duas alternativas mais práticas para o controle de operações ao longo do ciclo de produção agrícola.

A primeira delas é o aplicativo para celular, que funciona mesmo sem internet e permite que você faça apontamentos de campo georreferenciados

A segunda é a conexão com sistemas de telemetria, como Climate FieldView™ e John Deere Operations Center. 

A partir dessa conexão, você pode transferir dados de plantio, aplicação e colheita das suas máquinas diretamente para o Aegro.

Tela do Aegro, na aba de controle do maquinário da propriedade rural.
Controle todo o maquinário da propriedade rural durante o ciclo de produção agrícola

Faça o controle de estoque rural

A dificuldade de gerenciar o estoque rural tira o sono de muitos produtores. 

Afinal, ninguém quer paralisar uma operação de última hora por descobrir que não há produto suficiente na fazenda. 

Para reduzir os riscos operacionais relacionados ao estoque, o Aegro automatiza completamente este controle.

Você dá entrada nos insumos ao registrar uma nova compra através do financeiro, e dá baixa ao realizar as atividades de campo.

Com isso, não precisa mais se preocupar em atualizar as planilhas de inventário ao longo da safra.

E você ainda pode definir alertas no sistema para a reposição de itens que considera essenciais, como o diesel, evitando sua indisponibilidade durante o ciclo de produção agrícola.

Tela do Aegro, na aba de estoque da fazenda. A imagem apresenta dados fictícios.
Exemplo de controle de estoque com o Aegro. Dados fictícios.

Acompanhe o resultado dos talhões

À medida que você cadastra custos e operações agrícolas no Aegro, o sistema cruza essas informações para entregar relatórios individualizados de desempenho.

Funciona com um raio-X do talhão, mostrando o que deu certo e o que deu errado.

É possível visualizar, com o apoio de gráficos de fácil entendimento, a margem de lucro ou prejuízo que cada área trouxe para o seu negócio.

Esses relatórios te ajudarão a medir o retorno dos investimentos em seu ciclo de produção agrícola. 

Entenda, por exemplo, se aquele cultivar com melhor potencial produtivo realmente impactou no resultado da safra.

Tela do Aegro, na aba de controle de resultados por talhão.
Controle dos resultados por talhão. Dados fictícios.

Tome melhores decisões no próximo ciclo de produção agrícola

Com o histórico da safra documentado no seu Aegro, é chegada a hora de pensar no próximo ciclo de produção agrícola.

Desta vez, ao invés de contar com a sua memória e intuição, você poderá iniciar o planejamento com base em fatos e dados

Use as informações exatas que o sistema fornece para aprender com o passado e determinar quais serão seus passos seguintes.

Será que você deve trocar a plantadeira de 30 linhas por uma de 35? Será que deve substituir a aplicação interna por uma terceirizada?

O Aegro vai te ajudar com essas decisões que envolvem tantas variáveis. Muitas vezes, elas são tomadas sem confiança.

Assim, você entrará em um processo de melhoria contínua, atingindo maiores níveis de rentabilidade.

Conclusão

Sem dúvida, a experiência do produtor rural é insubstituível.

Somente ele conhece a fundo todas as particularidades da sua terra e pode tomar as decisões difíceis ao longo do ciclo de produção agrícola. 

Porém, o uso de tecnologia digital pode trazer mais assertividade para as escolhas do dia a dia. 

Neste artigo, mostramos como o Aegro automatiza as rotinas da propriedade e transforma dados em informações de negócio relevantes.

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