Saiba como ocorre a germinação das sementes e conheça 11 fatores que influenciam o processo

Como ocorre a germinação das sementes: entenda quais são as etapas, cuidados necessários e como avaliar a germinação do lote

A germinação de sementes é um processo decisivo no estabelecimento da população de plantas em uma lavoura, considerada o primeiro componente de rendimento das culturas.

Informações sobre a germinação de um lote de sementes são importantes. Através delas, você pode calcular a quantidade que deverá ser utilizada na semeadura por área.

Conhecer a porcentagem de sementes de qualidade, que poderão originar plantas vigorosas antes da semeadura, pode te garantir sucesso produtivo das culturas.

Neste artigo, entenda como ocorre o processo de germinação, as etapas envolvidas, além dos fatores que interferem no sucesso da germinação e na produção de sementes!

Como ocorre a germinação de sementes

O processo de desenvolvimento das sementes envolve uma sequência ordenada de eventos. Dentre eles há divisões celulares, acúmulo de reservas e perda de água.

As sementes se desenvolvem, passam pelo repouso fisiológico, criptobiose, quiescência e dormência. Conheça mais sobre cada um desses processos a seguir!

1. Desenvolvimento das sementes

Quando as sementes estão ligadas à planta-mãe, ocorre o acúmulo inicial de açúcares, aminoácidos e amidas.

Depois, moléculas mais complexas são formadas, incluindo proteínas, amido, lipídeos, celulose, dentre outras.

O acúmulo de matéria seca ocorre durante o enchimento das sementes, até que ela atinja o PMF (ponto de maturidade fisiológica). Nesse ponto, a semente possui alta porcentagem de água e é desligada da planta-mãe.

No PMF, a semente possui maior porcentagem de germinação e vigor. A partir dessa fase, é armazenada no campo até que o teor de água seja adequado à colheita.

A partir do PMF, as sementes iniciam seu processo de secagem, e estão suscetíveis a deterioração por umidade, temperatura, pragas e doenças

Elas devem ser colhidas o mais rápido possível e submetidas à secagem em temperatura do ar ideal. Depois disso, devem ser armazenadas em temperatura e umidade relativa do ar baixas, para que sua qualidade seja conservada ao longo do tempo.

Temperatura, umidade e teor de água baixos das sementes reduzem o metabolismo e a respiração, evitando a rápida deterioração.

Tabela com percentual de umidade de espécies em relação à colheita e ao armazenamento de sementes

Percentual de umidade de algumas espécies em relação à colheita e ao armazenamento

(Fonte: Senar, 2018)

2. Repouso fisiológico

O período de repouso fisiológico não ocorre com frequência em sementes que não toleram a dessecação e temperaturas baixas, como as recalcitrantes. Este período está associado às condições ambientais e à espécie.

Esse mecanismo permite que as sementes germinem apenas quando as condições de temperatura e umidade estiverem ideais. 

3. Criptobiose

Na criptobiose, há baixo consumo de água. O teor de água da semente é baixo, e há presença de substâncias inibidoras do metabolismo.

4. Quiescência

Este processo é inibido principalmente por:

  • restrição ou baixo teor de água nas sementes; 
  • baixo consumo de oxigênio;
  • menor atividade enzimática;
  • presença de substâncias inibidoras.

5. Dormência

A dormência das sementes acontece quando elas são expostas a condições ambientais específicas durante o período de maturação.

O período de repouso fisiológico de uma semente antes da germinação envolve a repressão. Isso significa paralisação do crescimento do embrião da semente.

Desta forma, para que a germinação ocorra, é necessária a reativação do crescimento embrionário.

A semente deve ser hidratada, reiniciando os processos anteriores.

Esta reativação depende da disponibilidade de água, que deve ser suficiente. Também depende de condições ideais de temperatura.

O tempo em dias para que ocorra a germinação de uma semente depende da espécie, da cultivar e das condições ambientais.

Representação de eventos que caracterizam o repouso após maturidade das sementes

Representação da sequência de eventos que caracterizam o repouso pós-maturidade fisiológica

(Fonte: Marcos Filho, 2005)

Agora que compreendemos os eventos relacionados ao desenvolvimento das sementes e mecanismos que regulam a sua germinação, evitando que estas germinem ainda em campo, embora em algumas espécies este fenômeno ocorra em determinadas situações, como no trigo, vamos entender quais as etapas estão envolvidas na germinação das sementes e quais fatores que contribuem para o seu sucesso ou insucesso.

Foto de uma espiga de trigo, em que sementes estão germinando.

Germinação de sementes de trigo na espiga, com formação do sistema radicular visível, em decorrência das chuvas no período pré-colheita. A suscetibilidade da germinação ainda na espiga depende da cultivar e condições climáticas vigentes.

(Fonte: Pires, 2017).

Etapas da germinação das sementes

A germinação é caracterizada pelo fim do período de repouso fisiológico. O processo começa com o contato da semente com água.

Na germinação começa o desenvolvimento embrionário, que resulta na formação de uma plântula normal.

A germinação das sementes é caracterizada por três principais eventos metabólicos. Veja mais detalhes na imagem abaixo:

Gráfico que mostra os principais eventos metabólicos da germinação das sementes. O processo é dividido em três fases.

Principais eventos metabólicos que caracterizam a germinação de sementes

(Fonte: Adaptado de Bewley, 1997. In: Marcos Filho, 2005)

11 fatores que afetam a germinação das sementes

O desempenho das sementes é influenciado por fatores relacionados à própria semente e ao ambiente. Confira quais são eles!

1. Vitalidade e viabilidade 

A semente deve ser viável, viva e completamente desenvolvida. Suas características morfológicas e fisiológicas devem estar preservadas. 

Além disso, não deve estar sob interferência de mecanismos que bloqueiam a germinação, como a dormência. Sementes dormentes são consideradas vivas, mas não viáveis.

Logo, antes da implantação de uma lavoura, é indispensável que se conheça o potencial fisiológico de um lote de sementes.

Embora o teste de germinação seja o único obrigatório para os lotes de sementes, é importante saber que elevadas porcentagens no teste de germinação não são garantias de que elevadas germinações a campo.

Ou seja, um lote de sementes pode apresentar elevada germinação e baixo vigor.

Para isso, o teste de vigor pode ser utilizado, para conhecimento do real potencial fisiológico do lote.

2. Longevidade 

Período em que a semente permanece viva. Esta característica é determinada pelo genótipo e influenciada pelo ambiente.

Sementes armazenadas com alto teor de água e em locais com alta umidade relativa do ar deterioram rápido. Isso interfere diretamente na capacidade de germinação.

Além disso, essas sementes devem ser imediatamente submetidas ao processo de secagem. Afinal, a deterioração ocorre de forma rápida em condições de altas temperaturas e umidade.

3. Grau de maturidade

 Os valores máximos de germinação ocorrem na maturidade fisiológica. Nessa fase, há maior acúmulo de matéria seca. 

O ponto de colheita é fundamental para a produção de sementes de alto potencial fisiológico.

4. Dormência

Embora as sementes dormentes estejam vivas, a germinação não ocorre.

Neste caso,  mecanismos (relacionados a temperatura, umidade, concentração e produção de enzimas e fitormônios) devem ser anulados. Só assim a germinação acontece.

Para isso, é importante observar o período de dormência e se a espécie a ser cultivada apresenta esta característica. 

5. Sanidade

Patógenos estabelecem relação com as sementes antes da germinação em campo, na fase de maturação. 

Fungos e bactérias podem estar associados às sementes. Assim, são disseminados para novas áreas.

Além disso, a contaminação por patógenos pode favorecer a deterioração durante o armazenamento. Isso reduz o potencial germinativo e de vigor de um lote de sementes.

Para conhecimento sobre a sanidade de um lote de sementes, o teste de sanidade pode ser solicitado em um laboratório de análise de sementes.

6. Genótipo 

Processos fisiológicos da semente são programados geneticamente durante a sua formação. Por isso, na mesma espécie, podem existir diferenças devido às características do material genético (cultivar) utilizado.

Por isto, o conhecimento sobre as características do material genético utilizado quanto às necessidades de água e condições ambientais é indispensável!

7. Água

 A água é responsável pela retomada da atividade metabólica da semente após a maturidade.

A velocidade da absorção da água é diferente entre as espécies. Ela não deve acontecer de forma rápida, pois provoca danos às sementes.

Em sementes em deterioração avançada a absorção é mais rápida.

Conteúdo de água necessário para que o processo de germinação ocorra

(Fonte: Adaptado de Peske; Rosenthal; Rota, 2003)

As relações entre sementes e água no solo também são importantes. O excesso provoca problemas relacionados às trocas gasosas e danos relacionados à absorção.

Em solos com pouca disponibilidade de água, há redução da velocidade da germinação, estande desuniforme e estabelecimento da população de plantas.

Por isso, é importante conferir a umidade do solo antes da semeadura e se esta encontra-se abaixo do ideal, a conferência das previsões meteorológicas de chuva e temperaturas devem ser realizadas.

No caso de previsões de chuvas próximas, a semeadura pode ser realizada sem maiores problemas. 

8.Temperatura

A germinação pode ocorrer em amplas faixas de temperatura. Porém, a temperatura ótima para a maioria das espécies cultivadas é entre  20 °C e 30 °C.

Tabela com temperatura mínima do solo e temperaturas cardinais necessárias para ocorrer a germinação de sementes

Temperatura mínima do solo e temperaturas cardinais para que ocorra a germinação da semente de algumas espécies cultivadas

(Fonte: Peske; Rosenthal; Rota, 2003)

Para a cultura da soja, por exemplo, excesso de água, combinados com temperaturas elevadas, podem resultar no tombamento de plântulas e comprometer a germinação.

9. Oxigênio

É indispensável para as reações de oxidação das reservas. O oxigênio disponibiliza energia para o desenvolvimento do embrião.

Desta forma, em ambientes muito úmidos, o processo germinativo é influenciado negativamente.

10. Luz

A luz não é um fator determinante para a maioria das espécies.  Espécies como alface, gramíneas e forrageiras, em contrapartida, são beneficiadas pela presença de luz.

11. Promotores químicos

Nitrato de potássio, água-oxigenada, ácido sulfúrico e os fitormônios (produzidos pelas plantas em pequenas quantidades) auxiliam ou bloqueiam a germinação das sementes.

No caso dos fitormônios, as auxinas favorecem o crescimento da raiz primária e do caule. As giberelinas favorecem a expansão celular e o crescimento da plântula. 

Citocininas estimulam a divisão celular, e o etileno está envolvido na superação da dormência de várias espécies.

Como avaliar a germinação de um lote de sementes?

Para conferir o potencial germinativo de um lote, diferentes métodos podem ser empregados. O teste de germinação em canteiros é o método mais utilizado entre produtores.

Confira o passo a passo:

  1. Adicione uma camada de 10 cm a 15 cm de solo em um canteiro;
  1. Abra sulcos de 3 cm de profundidade (consulte a profundidade recomendada para a semeadura da espécie a ser avaliada. Os 3 cm são adequados à cultura da soja);
  1. Acomode as sementes nos sulcos, que deverão ter de 1,5 cm a 2 cm de comprimento;
  1. Utilize um espaçamento de 10 cm a 15 cm entre os sulcos;
  1. Recubra as sementes com solo, de modo que o máximo da profundidade seja de 4 cm;
  1. Realize a semeadura de 4 repetições de 100 sementes por amostra a ser testada;
  1. Cada repetição deverá ser semeada em um sulco.
Foto de um canteiro com plântulas de soja em fileiras

Canteiro para avaliação da emergência de plântulas de soja

(Fonte: Kryzanowski; França-Neto; Henning, 2018)

Avaliação da germinação

A contagem do percentual de emergência de plântulas pode ser realizada em dois momentos. O tempo também varia conforme a espécie.

Germinação de sementes de diferentes espécies e indicações de substratos para o teste de germinação, faixa de temperatura e tempo em dias para a primeira e última contagem de sementes germinadas.

Germinação de sementes de diferentes espécies e indicações de substratos para o teste de germinação, faixa de temperatura e tempo em dias para a primeira e última contagem de sementes germinadas. Substratos: RP=Rolo de Papel; SA= Sobre Areia; EP=Entre Papel; EA=Entre Areia

(Fonte:  Regras para Análise de Sementes, 2009)

Para a avaliação, conte as plântulas que surgiram no solo por cada repetição de 100 sementes. Depois, some todas as 4 repetições do lote e calcule a média de germinação do lote.

A contagem final deverá ser realizada no 8º ou 9º dia após a semeadura.

Cuidados na implantação do teste de germinação em canteiros

  • Não conduza o teste em canteiros de hortas domésticas;
  • Nos canteiros, utilize solo de área de lavoura. Colete em camada superficial de 0 – 20 cm de profundidade;
  • O solo não deve conter inóculo de patógenos ou pragas da lavoura;
  • O solo deverá estar seco e de preferência ser peneirado;
  • O solo não deve ser reaproveitado em outros testes;
  • Para facilitar o processo de semeadura nos canteiros e garantir o espaçamento recomendado, utilize uma régua guia perfurada.

13 dicas para obter sementes de qualidade 

Existem uma série de processos que devem ser seguidos para obter qualidade das sementes. 

As vantagens do pré-condicionamento são a rápida e uniforme germinação (se o lote de sementes possui alto potencial fisiológico e vigor). O resultado disso é bom desenvolvimento e maturação uniforme.

  1. Em época de semeadura, a maturidade em período de chuva pode prejudicar a semente. Programe a semeadura para maturidade em período seco;
  2. O manejo de água também é importante. A seca durante o desenvolvimento prejudica a qualidade da semente, então maneje a irrigação corretamente;
  3. Plantas daninhas podem dificultar a colheita e interferir na qualidade das sementes. Elimine-as do estande da cultura quanto antes;
  4. Picadas de insetos podem prejudicar sementes, sobretudo as de soja. Pulverize com inseticida caso a população seja alta, e comece cedo;
  5. Existem doenças que reduzem a germinação, então utilize variedades resistentes, escolha locais com baixa incidência e realize o tratamento de sementes adequado;
  6. Não atrase a colheita! Inicie assim que as sementes debulharem ou atingirem o teor de água ideal para esta operação;
  7. Faça o monitoramento de pragas e doenças durante o cultivo;
  8. Escolha o material genético mais apropriado para as condições ambientais da região. Considere a tolerância ao estresse hídrico, caso na sua região períodos de estiagem sejam comuns;
  9. Monitore o ponto de colheita ideal. As sementes devem estar com teor de água que não provoque trincamentos (teor de água baixo: 13% para soja) ou amassamentos (teor de água alto: 18% para soja);
  10. Cuide da velocidade e regulagem da colheitadeira, além da rotação do motor adequada. Rotações do cilindro superiores a 450rpm provocam em soja com 22% de teor de água danos mecânicos. Com umidade da semente mais alta, a velocidade do cilindro pode ser entre 400 e 700rpm;
  11. A umidade da semente varia, a depender das horas do dia. Ela é maior no período da manhã e menor durante a tarde;
  12. A colheita deve ser realizada o mais próximo possível do ponto de maturidade fisiológica;
  13. A depender da espécie cultivada, as sementes podem ser pré-condicionadas através do umedecimento prévio controlado. Assim, elas reiniciam os processos metabólicos sem haver protusão da radícula e podem ser semeadas, garantindo maior uniformidade e estande a campo.
Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

A germinação é um processo complexo, que depende de fatores intrínsecos (associados à própria semente)  e ambientais.

Conhecer as necessidades das culturas é importante, principalmente na produção de sementes de alto potencial fisiológico. Isso também vale para a implantação de uma lavoura.

Faça a avaliação de germinação de sementes para garantir uma lavoura sadia e produtiva. E na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo.

>>Leia mais: “Sementes esverdeadas: 3 causas mais comuns e dicas para evitá-las

Genética na agricultura: veja como ela vai mudar sua lavoura

Restou alguma dúvida sobre como ocorre a germinação das sementes? Envie a sua abaixo! 

Espaçamento entre plantas e entre linhas: saiba qual é o ideal para a sua lavoura

Espaçamento entre plantas e entre linhas: entenda as variações e como ele pode ser otimizado em áreas com boas condições de produção 

Você sabe qual o espaçamento ideal entre plantas e entre linhas para a sua lavoura? 

O ideal é aquele que está mais condizente com a realidade da sua área de produção e com o que você produz.

Em qualquer cultura, o espaçamento pode ser utilizado para otimizar a produção e obter boas rentabilidades. Isso vale para lavouras temporárias ou permanentes.

Para saber o espaçamento ideal, você deve considerar as condições do solo, o regime hídrico, a variedade da cultura e a operacionalidade. Veja mais detalhes a seguir!

Importância do espaçamento entre plantas e entre linhas

Independente do tamanho da sua área de produção ou cultura, o espaçamento entre plantas e linhas é algo que deve ser sempre considerado.

As plantas precisam de um espaço mínimo para que não haja competição entre elas. Elas podem competir por luz, água e nutrientes do solo, o que gera baixa produção.

Com a evolução da agricultura, há diversas recomendações de espaçamento entre plantas e entre linhas. Elas são utilizadas após pesquisas comprovarem sua eficácia

Na busca por informações, você precisa saber exatamente a variedade a ser cultivada. Após isso, observe as recomendações de espaçamento mínimo.

O espaçamento determina o tráfego de maquinários na lavoura, na realização dos manejos durante o crescimento da planta e na colheita.

Um dos fatores importantes para determinar o espaçamento é a condição climática da sua área de produção. Você deve observar o regime pluviométrico, luminosidade e condições do solo e clima.

Estando de olho nesses fatores gerais, você já estará em um bom caminho. 

Linhas duplas (ou gêmeas) e plantio cruzado

O plantio em filas duplas (ou gêmeas) ou no plantio cruzado volta e meia despertam a atenção dos produtores de grãos. Afinal, a busca por maior produtividade é frequente.

Os estudos da Embrapa sobre plantios de soja em fileiras duplas demonstram que elas não geram maior produtividade. São semelhantes ao plantio convencional.

No plantio cruzado da soja, os resultados de produtividade também não têm sido relevantes.

Já no sorgo, as pesquisas mostram ganhos de produtividade no plantio em fileiras duplas, assim como no plantio de milho.

Espaçamento para a soja

A soja é cultivada no espaçamento de:

  • 40 cm a 50 cm entre linhas;
  • 5 cm a 16 cm entre plantas na linha. 

A soja tem uma parte do rendimento atribuído a fatores genéticos e a outra parte ao manejo da lavoura. O espaçamento entre plantas e entre linhas faz parte desse manejo. 

O adensamento de plantas varia conforme o quadro abaixo:

Tabela que mostra o espaçamento correto entre plantas, de acordo com os hectares

Adensamento pode chegar a 450.000 por m²

(Fonte: Embrapa)

No cultivo de soja, um dos objetivos do espaçamento é reduzir a competição das plantas por água, luz e nutrientes. Além disso, evita a propagação de pragas e doenças.

Para produzir bem, a soja precisa de melhor aproveitamento da irradiação solar na área foliar. Isso garante a fotossíntese necessária para o crescimento das plantas.

Um estudo da Embrapa mostrou que o adensamento de plantas no espaçamento de 25 cm entre linhas resultou em 4,7 sacas de 60 kg/ha a mais de soja. Esse número foi comparado ao resultado no espaçamento de 50 cm.

No sistema mais adensado, ocorre o aumento mais rápido da área foliar. A consequência é que o crescimento da planta é acelerado, fazendo com que haja o acúmulo de massa para produção de grãos.

Espaçamento para o milho

A semeadura de milho tem espaçamento reduzido. Ele varia entre:

  • 45 cm e 50 cm entre linhas;
  • 6 a 7 sementes por metro.

As orientações sobre espaçamento para o milho são semelhantes às da soja. Isso quanto a consulta ao Zarc e às especificações das sementes/cultivares.

No caso do milho, fique de olho no espaçamento adequado para a finalidade do cultivo: milho silagem, pipoca, doce, grão, milho branco ou minimilho.

A diferença se dá mais com o milho silagem. Geralmente, ele é cultivado com 50 cm a 75 cm entre linhas. Assim, sobra mais espaço para o manejo de pragas e durante a colheita com máquinas.   

O maior adensamento do  proporciona uma cobertura mais rápida do solo, melhor aproveitamento da radiação solar e redução de ervas daninhas do milho.

No entanto, o adensamento pode favorecer as doenças, devido à menor aeração e do microclima favorável.

Densidade da plantação de milho: imagem mostra redução de espaços, que favorece a cobertura do solo

Densidade da plantação do milho: redução de espaços favorece a cobertura do solo

(Fonte: Embrapa)

O rendimento do milho, assim como da soja, depende de outros manejos e especificidades genéticas das sementes. Condições climáticas favoráveis também são importantes.

Espaçamento para o trigo

A semeadura do trigo é bem diferente da soja e do milho:

  • Nas linhas a distância é de 20 cm, mas pode chegar até 17 cm.  A profundidade varia entre 2 cm a 5 cm;
  • A densidade indicada é de 350 a 450 sementes por metro quadrado. Em área irrigada, entre 270 a 350 sementes por metro quadrado. 

O Zarc do trigo também é uma ferramenta importante para você. Com ela, você pode saber a época certa de realizar o plantio e reduzir os riscos da atividade.

Espaçamento para o café

O espaçamento das lavouras de café, assim com todas as permanentes, são bem variáveis:

  • o espaçamento entre linhas varia entre 3,5 m a 4 m;
  • o espaçamento entre plantas varia entre 50 cm a 1 m.

As principais influências no espaçamento são o manejo e os tratos culturais, que envolvem também a poda.

A introdução de máquinas, sobretudo durante a fase da colheita, é um dos principais fatores que devem ser observados na implantação da lavoura.

O cafeeiro leva de 3 a 5 anos para produzir. Após implantado, pode chegar até 25 anos de vida, em produção anual.

Assim, a decisão no espaçamento na produção de café é algo que não dá para mudar.

A maior distância de uma planta para outra é mais recomendável para áreas de sequeiro. Para áreas irrigadas, o adensamento é mais possível de ser feito.

Cuide do manejo de semeadura

Além de cuidar do espaçamento entre linhas e entre plantas, é necessário realizar um bom manejo de semeadura para garantir bons resultados. 

Atente-se para a época certa da semeadura. Uma cultivar pode ser ideal para determinada época e não render bem em outra. Na época correta, há condições favoráveis à expressão do potencial genético da semente.

A Embrapa orienta que você se atente à melhor época de plantio da sua região, que pode não ser a mesma de outros locais.

Para reduzir os riscos, consulte o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) da soja no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Os estudos da Embrapa nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apontam que as maiores produtividades da soja são das semeaduras realizadas entre outubro e novembro.

Nessa época, as condições climáticas (chuvas, luminosidade, temperatura do ar e solo e fotoperíodo) são ideais para o crescimento, florescimento e enchimento dos grãos.

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Conclusão

O espaçamento entre plantas e entre linhas faz parte do manejo de semeadura. É uma das fases mais importantes da produção, já que ele interfere na produtividade.

O sucesso da lavoura, contudo, também dependerá de outros fatores.

A diminuição dos riscos para a semeadura pode ser reduzida consultando o Zarc.

Buscar orientação/informação técnica sobre a semente que será utilizada no plantio é algo que você deve fazer sempre. Assim, terá certeza da época certa para a semeadura.

>> Leia mais: “Como melhorar a plantabilidade e corrigir falhas e duplas na lavoura”

Como você calcula o espaçamento entre plantas e entre linhas dos seus cultivos? Já procurou ajuda de um profissional da área para te ajudar? Deixe seu comentário!

Saiba como a drenagem do solo na agricultura melhora as condições da sua lavoura

Drenagem do solo na agricultura: entenda o que é, formas de realizar, efeitos do excesso de água nas plantas, benefícios da drenagem do solo e muito mais

A drenagem artificial do solo é uma técnica que remove o excesso de água da área. Essa remoção possibilita a exploração econômica a longo prazo de diversas culturas.

A drenagem é recomendada para áreas em que a capacidade de drenagem natural seja insuficiente para a tolerância hídrica das plantas.

Essa prática favorece as condições de aeração, umidade, atividade microbiana e estruturação do solo.

Confira a seguir um pouco mais sobre essa técnica de manejo tão importante para a agricultura.

Formas de drenar a água do solo

O processo de drenagem na agricultura pode ser realizado de duas formas: superficial e subterrânea. Somente um profissional habilitado consegue determinar qual a melhor forma de drenar a água da área.

A drenagem superficial retira o excesso de água acumulado na superfície do solo. Nesse caso, o excesso de água pode ser provocado por chuvas intensas, aliadas à baixa taxa de infiltração de água no solo. 

Essa técnica consiste na abertura de valas ou canais para escoamento do excesso de água.

Imagem de canais escavados para drenagem da água presente na superfície do solo.  O primeiro canal é reto, e o segundo é curvilíneo.

Canais escavados para drenagem da água presente na superfície do solo

(Fonte: Drenagem – Materiais e Instalação)

A drenagem subterrânea controla o nível do lençol freático a uma profundidade que não prejudica o desenvolvimento das plantas. 

Esquema que mostra tubos de drenagem subterrânea em solos mal drenados.

Tubos de drenagem subterrânea colocados em solos mal drenados

(Fonte: Traduzido de University of Minnesota Extension)

Como fazer a drenagem do solo na agricultura

A técnica de drenagem do solo é complexa. Ela deve ser feita por profissionais habilitados

Não existe receita para esse processo. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando fatores como:

  • origem do excesso de água;
  • condições climáticas;
  • estudos hidrológicos;
  • topografia do terreno;
  • propriedades do solo;
  • fisiologia das plantas;
  • planejamento do uso da terra;
  • recursos financeiros disponíveis.

A partir dessas informações, é possível elaborar um projeto bem dimensionado e viável tecnicamente.

Na drenagem agrícola, é possível utilizar bombas para acelerar o processo. No entanto, o uso de motores para retirada da água pode encarecer a drenagem.

É importante lembrar que o projeto também precisa ser viável economicamente. Como os custos do processo de drenagem são altos, todo o cenário precisa ser avaliado com cuidado para o melhor direcionamento dos recursos. 

Além disso, o projeto precisa ser elaborado para minimizar os impactos ambientais.

Problemas da drenagem ineficiente e do excesso de água para as plantas

A água é indispensável para o desenvolvimento da agricultura. No entanto, o excesso dela pode prejudicar e inviabilizar a produção.

Quando realizada de forma ineficiente, a drenagem pode não retirar todo o excesso de água. Dessa forma, o solo não irá apresentar condições favoráveis ao desenvolvimento das plantas.

A seguir, você pode conferir os efeitos que o excesso de água pode causar à sua lavoura: 

  • redução do crescimento do sistema radicular;
  • redução do tamanho das plantas;
  • redução das trocas gasosas do solo;
  • redução da fixação de nitrogênio;
  • amarelecimento das folhas, em função da deficiência de nitrogênio;
  • queda das folhas e de estruturas reprodutivas;
  • favorecimento do aparecimento de doenças;
  • morte das plantas;
  • queda de produtividade.

Salinidade do solo

A salinização é resultado do aumento da concentração de sais na solução do solo. Em níveis elevados, ela compromete o desenvolvimento das plantas e a produtividade.

No Brasil, esse processo tem maior ocorrência nas regiões áridas e semi-áridas do Nordeste

Alguns fatores que colaboram para o processo de salinização do solo nessas regiões são:

  • solos rasos ou com drenagem ineficiente;
  • lençol freático pouco profundo e salino;
  • baixo índice pluviométrico;
  • alto déficit hídrico.

A baixa qualidade da água e a baixa eficiência do sistema de irrigação também contribuem para acumular sais na região do solo onde está o sistema radicular das plantas.

A irrigação e a drenagem subterrânea atuam juntas no controle dos níveis de sais presentes no perfil do solo.

A água da irrigação deve ser aplicada em quantidade que possibilite a infiltração por toda a profundidade do sistema radicular. Assim, ela promove a lixiviação dos sais. 

Enquanto isso, a drenagem subterrânea controla a profundidade do lençol freático, a um nível abaixo da zona radicular das plantas.

É importante ressaltar que irrigação e drenagem são técnicas complementares, e de grande importância para a agricultura. 

Benefícios da drenagem agrícola

Confira a seguir os benefícios da drenagem do solo na agricultura:

  • viabiliza a produção agrícola em solos encharcados ou alagados;
  • melhora as condições do solo para o desenvolvimento das plantas;
  • saneamento de áreas inundadas;
  • aumento da produtividade;
  • controle da salinidade do solo;
  • recuperação de áreas com problemas de salinidade.
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Conclusão

A drenagem do solo remove o excesso de água e melhora as condições para o desenvolvimento das plantas.

A técnica pode ser realizada de duas formas: superficial e subterrânea.

Existem muitos benefícios na drenagem do solo. Novas áreas para a agricultura podem ser incorporadas e a salinidade do solo pode ser controlada.

Além disso, as condições do solo para o desenvolvimento das plantas melhoram e há  aumento da produtividade

Procure um profissional habilitado para o planejamento desse processo. Assim, a água será retirada de forma eficiente, e os impactos ambientais serão reduzidos.

>> Leia mais:

Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda

DNA do Solo: Como analisar e fazer um manejo mais efetivo da lavoura

Você já conhecia a técnica de drenagem do solo na agricultura? Conte sua experiência nos comentários.

Saiba quais são e como se preparar para os efeitos do La Niña na agricultura

Efeitos do La Niña: saiba quais as chances de o fenômeno afetar a agricultura, como se preparar e as previsões para a safra 2021/2022

Com certeza você já ouviu alguém falar “esse ano é ano de La Niña” ou que “estamos em ano de El Niño”, não é mesmo?

O La Niña é um evento climático de resfriamento e aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Essas pequenas mudanças de temperatura têm efeitos mundiais! Saber mais sobre elas é fundamental para quem produz.

Você sabe quais são as expectativas climáticas para a safra 2021/2022? Sabe como se preparar para elas? Confira a seguir!

Entenda os efeitos do La Niña: o fenômeno Enos

O La Niña e o El Niño são partes do mesmo fenômeno atmosférico-oceânico. Ele ocorre no Oceano Pacífico Equatorial e é chamado Enos (El Niño Oscilação Sul).

O Enos é o aquecimento ou resfriamento anormal das águas do oceano em regiões específicas. 

A movimentação e relação entre atmosfera e oceano nessa região são conhecidas. Elas  apresentam níveis e variações consideradas normais, chamados anos neutros.

Essas regiões do mapa são as mais importantes. Elas permanecem sob monitoramento para identificação desses fenômenos.

Quando as águas dessas regiões estão mais quentes, temos o El Niño. Quando mais frias, a La Niña. Saiba mais sobre cada um deles neste vídeo:

El Niño, La Niña

La Niña

O La Niña é o resfriamento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.

O fenômeno começa com a intensificação dos ventos alísios. Eles sopram no sentido Oeste, na faixa equatorial do continente americano.

Isso faz com que grandes quantidades de água quente se acumulem no Oceano Pacífico Equatorial Oeste.

Relações oceano-atmosféricas de Walker normais (acima) e sob a influência do La Niña (abaixo).

Relações oceano-atmosféricas de Walker normais (acima) e sob a influência do La Niña (abaixo).

(Fonte: UFBA Conquista)

Esse acúmulo de águas quentes causa chuvas abundantes na região, graças à grande quantidade de evaporação.

Além disso, aumenta o fenômeno da ressurgência na costa da América do Sul.

Essa alteração causada pelas águas frias da ressurgência muda as chuvas e a temperatura média de diversas regiões.

Alterações climáticas e efeitos do La Niña na agricultura

Veja os principais riscos de efeitos do La Niña sobre as diferentes regiões brasileiras:

Efeitos do La Niña no brasil: ilustração mostra que há risco de estiagem e invernada na colheita.

(Fonte: Canal Rural)

Os efeitos do La Niña em dezembro, janeiro e fevereiro são:

  • chuvas acima da média nordeste brasileiro;
  • condições de frio acentuado no Sul do Brasil.
  • a Região Central do Brasil fica bastante instável e de difícil previsibilidade.

Nos meses de junho, julho e agosto:

  • toda costa Oeste da América do Sul sente temperaturas mais baixas, e o Sul do Brasil tem um inverno bastante seco.
Ilustração que mostra efeitos globais do la niña

Efeitos globais do La Niña

(Fonte: Enos – Cptec)

Efeitos do La Niña para a safra 2021/2022

O La Niña acontece quando em 5 trimestres consecutivos há alterações nas temperaturas das águas do Oceano Pacífico.

As alterações devem ser abaixo de -0,5.

Na safra passada, 2020/2021, houve uma La Niña moderada. Os valores, do ONI (Oceanic Niño Index), foram de -0,5 a 1,5.

Tabela que demonstra as variações do La Niña nos anos de 2020 e 2021

Variações do ONI (Oceanic Niño Index) nos anos de 2020 e 2021 (até setembro)

(Fonte: Noaa)

O resfriamento das águas influenciará a safra 2021/22. A temperatura da superfície do mar esteve, entre julho e setembro, em -0,5 °C.

Portanto, prepare-se para os efeitos do fenômeno na próxima safra e fique sempre por dentro da situação climática.

Como preparar a lavoura para os efeitos do La Niña

Saiba o que esperar do clima

O mais importante é conhecer a sua região e usar ferramentas como o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

O Zarc é um programa nacional que facilita o acesso e uso dos dados e informações de risco climático no Brasil.

Ele indica datas e/ou períodos de semeadura por cultura e por município. Além disso, o programa considera características do clima, o tipo de solo e ciclo de cultivares.

Isso garante com que as adversidades climáticas sejam evitadas. Assim, elas coincidem com as fases mais críticas das culturas, minimizando as perdas agrícolas.

É uma ferramenta essencial para a gestão agrícola e para a tomada de decisão!

Planeje-se e proteja a sua lavoura

Após se informar sobre as condições climáticas na época do plantio, algumas mudanças no planejamento agrícola podem ser bem-vindas.

  • Não antecipe a compra de defensivos para doenças, porque o clima seco proporcionado pelo La Niña desfavorece algumas doenças;
  • Invista em sementes resistentes e tolerantes à seca;
  • Compre insumos quanto antes e verifique se o maquinário está pronto para a semeadura. O ideal é aproveitar um período de mais umidade para o plantio;
  • Tente tornar a janela de plantio maior. Assim, você terá mais tempo para encontrar a umidade ideal.
  • Estude o histórico da safra passada e arquive os dados da safra atual para te ajudar na próxima. Avalie quais insetos, plantas daninhas e doenças estiveram presentes e previna-se contra eles. Esteja com o manejo integrado de doenças e pragas em dia.
checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

 La Niña pode afetar as diferentes regiões produtoras do Brasil.

Ainda não há definição de um evento climático de La Niña para a safra de 2021/2022. No entanto, as chances de sua ocorrência são grandes.

É importante agora ficar de olho nas notícias. Também é importante fazer o monitoramento das condições meteorológicas da sua região.

Afinal, elas irão definir quando realizar os principais manejos e tratos culturais nas lavouras.

>> Leia mais:

Fenômenos meteorológicos na agricultura: Planeje sua produção!

Influência da lua na agricultura: saiba o que é verdade e o que é mito

E você, alguma vez já sentiu os efeitos do La Niña na sua lavoura? Como fez para contorná-los? Deixe seu comentário!

O que é a La Ninã?

O La Niña é um evento climático de resfriamento e aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Quais as consequências do La Ninã?

O fenômeno começa com a intensificação dos ventos alísios. Eles sopram no sentido Oeste, na faixa equatorial do continente americano. Isso faz com que grandes quantidades de água quente se acumulem no Oceano Pacífico Equatorial Oeste. Esse acúmulo de águas quentes causa chuvas abundantes na região, graças à grande quantidade de evaporação. Além disso, aumenta o fenômeno da ressurgência na costa da América do Sul.

Quais os efeitos do La Ninã no Brasil?

Os efeitos do La Niña em dezembro, janeiro e fevereiro são: chuvas acima da média nordeste brasileiro; condições de frio acentuado no Sul do Brasil; a Região Central do Brasil fica bastante instável e de difícil previsibilidade. Nos meses de junho, julho e agosto:
toda costa Oeste da América do Sul sente temperaturas mais baixas, e o Sul do Brasil tem um inverno bastante seco.

Como o tratamento de plasma em sementes pode impulsionar a germinação

Tratamento de plasma em sementes: entenda como funciona, como controla patógenos e melhora a produtividade das culturas agrícolas

Diversos avanços têm sido alcançados nos últimos anos na área de sementes. Afinal, elas estabelecem o estande inicial de plantas e impactam na produtividade da lavoura.

A qualidade das sementes pode ser conservada ao longo do armazenamento. No entanto, não pode ser recuperada.

A aplicação de técnicas de plasma tem demonstrado resultados animadores na qualidade de sementes. Na soja, o plasma pode aumentar a germinação e vigor das sementes, além de reduzir a infecção por fungos.

A seguir, saiba mais como funciona o tratamento de sementes com o plasma frio, vantagens, desvantagens, e como ela pode melhorar os lotes de sementes! Boa leitura.

O que é o tratamento de plasma em sementes

O tratamento de sementes por plasma frio consiste na adição de gases à superfície das sementes. Esses gases podem ser oxigênio ou nitrogênio, que modificam as propriedades das sementes.

Nesse processo, ocorre uma diminuição significativa do ângulo de contato aparente das sementes. Isso melhora a absorção de água e a germinação.

Há três tipos de técnicas de plasma: 

  • LPRF (Plasma de radiofrequência de baixa pressão);
  • DBD (Descarga de barreira dielétrica plasma atmosférico);
  • Jato de plasma.

Tratamento de sementes a plasma frio

Também conhecido como plasma não térmico, é caracterizado por uma mistura de gás neutro, gás ionizado e diferentes moléculas excitadas. 

Isso inclui as ROS (espécies reativas de oxigênio) e RNS (espécies reativas de nitrogênio), elétrons e partículas positivas carregadas.

ROS e RNS estão envolvidas em uma série de funções regulatórias em plantas, como:

  • metabolismo;
  • sinais químicos;
  • transporte e absorção de nutrientes;
  • germinação;
  • senescência (perda de atividade);
  • tolerância a estresse hídrico, estresse térmico, e outros causados por microrganismos, pragas, salinidade.

O plasma frio é gerado da seguinte forma: 

  1. Ocorre uma descarga da barreira de baixa pressão;
  2. O reator da barreira está inserido em uma câmara de vácuo, constituída por dois eletrodos e um vidro;
  3. Sementes são depositadas no vidro;
  4. A pressão é reduzida (a depender da espécie) por uma bomba de vácuo;
  5. A válvula 1 é fechada e a válvula 2 aberta (conforme imagem a seguir);
  6. As sementes são tratadas através da regulação da potência de saída da fonte de alimentação de plasma.
Imagem esquemática de um dispositivo para tratamento de sementes com plasma a frio

Imagem esquemática de um dispositivo para tratamento de sementes com plasma a frio

(Fonte: traduzido de Li e colaboradores, 2021)

A potência e duração do tratamento das sementes variam, a depender da espécie. 

LPRF (Plasma de radiofrequência de baixa pressão)

É uma técnica tradicional, utilizada principalmente para a inativação de determinadas enzimas.

A técnica inativa microrganismos, especialmente os causadores de doenças em plantas. 

Também é útil na alteração das propriedades de afinidade pela água das sementes. Dessa forma, ajudam na absorção de água e na germinação das mesmas.

DBD (Descarga de barreira dielétrica plasma atmosférico)

É um tipo de plasma frio operado em atmosferas de pressão, gerando raios ultravioletas e elétrons variados. Para isso, não é necessário o uso de gases especiais, ou equipamentos de vácuo.

Jato de plasma

É também uma categoria de plasma frio, de fácil operação em diferentes potências e pressões atmosféricas. Conta com diferentes gases que podem influenciar positivamente nas propriedades físicas, químicas e biológicas das sementes.

Esquema do jato de plasma (a) e imagem do tratamento de sementes de arroz com o plasma (b)

Esquema do jato de plasma (a) e imagem do tratamento de sementes de arroz com o plasma (b)

(Fonte: traduzido de Billah e colaboradores, 2021)

Tabela com tipos de plasma disponíveis e suas principais características quanto a pressão, quantidade de amostras processadas e custo

Tipos de plasma disponíveis e suas principais características quanto a pressão, quantidade de amostras processadas e custo

(Fonte: Sarapirom; Yu, 2021)

Vantagens e desvantagens do tratamento de plasma

Dentre os benefícios e vantagens, destacam-se:

  • Atraso na perda da atividade dos cotilédones das mudas tratadas. Isso garante maior vigor e tolerância a estresses;
  • Aumento da taxa de germinação de sementes e redução dos patógenos contaminantes;
  • Pode aumentar a biomassa seca das plantas em até 45%. Também pode ser utilizado em áreas com elevadas concentrações de Cádmio;
  • Pode promover resistência de sementes ao frio;
  • Pode recuperar a dormência de sementes.
  • Inibição de fungos na pós-colheita de grãos e sementes,  devido à perda da integridade da membrana plasmática.

A principal desvantagem da técnica é a acessibilidade e aplicação restrita. Ela só é empregada em pequenas escalas e principalmente ao nível científico. 

Os laboratórios que aplicam e estudam a tecnologia de plasma no Brasil são recentes. Eles têm menos de 15 anos de operação.

Aplicação na agricultura e objetivos

A aplicação dos diferentes tipos de plasma na agricultura vem ganhando visibilidade. Afinal, novos estudos vêm sendo realizados.

No quadro a seguir é possível observar que, a depender da espécie, utiliza-se determinada potência, tempo de exposição e tipo de plasma

Essas escolhas são feitas em função dos objetivos do tratamento a ser realizado.

(Fonte: Pizá, legatechnics, Li, Sarapiron, Daiber, Gomi, Billah, Karkamar)

Locais em que o tratamento de sementes com plasma pode ser feito

O tratamento de plasma em sementes tem sido realizado em locais específicos e com direcionamento inicial para a pesquisa.

Em breve, deverá estar disponível no mercado, mas até o momento não pode ser realizado diretamente na fazenda.

A técnica exige equipamento e gases específicos para sua manipulação.

Para aplicação e possíveis parcerias com instituições de pesquisa, você deve entrar em contato com as instituições da sua região.

Veja os principais laboratórios que abordam a tecnologia do tratamento de sementes com plasma:

Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

O tratamento de sementes a plasma é uma técnica promissora e viável para diferentes espécies de interesse agrícola. 

Ele pode ser utilizado para acelerar o processo germinativo, expondo por menos tempo as sementes no solo aos patógenos e condições ambientais adversas.

A técnica também pode ajudar na recuperação da dormência de algumas sementes. Assim, a germinação acontece e há aumento da vida de prateleira em pós-colheita.

No momento a aplicação da tecnologia é restrita, mas em breve pode estar disponível em larga escala. 

Ela será grande aliada no tratamento de sementes, especialmente por ser uma tecnologia limpa.

>> Leia mais:

Tratamento de sementes na fazenda ou industrial? Faça a melhor escolha!

Coinoculação: como a prática pode aumentar a produtividade da soja

Sementes piratas: porque elas são um risco para sua lavoura

E você? Já leu a respeito do tratamento de plasma em sementes? Ficou com alguma dúvida? Vou adorar ler o seu comentário!

Saiba como identificar e evitar os danos em grãos de milho

Danos em grãos de milho: saiba quando acontecem, o que pode ser feito para resolver,  quais os resultados desses danos e mais!

A qualidade do milho é fundamental na alimentação humana e animal. Sua perda por danos diretos ou indiretos pode trazer grandes prejuízos.

Saber o momento em que seus grãos estão em risco é fundamental para evitar dores de cabeça. 

Então, não espere chegar o momento da venda para identificar problemas!

Neste artigo, você entenderá mais sobre os tipos de dano e os períodos mais sensíveis da sua safra. Confira essas e outras informações!

Principais danos em grãos de milho

Nas culturas agrícolas, a qualidade física e nutricional dos grãos começa durante a produção. Ela se estende até o consumo.

Para você obter uma produção de grãos rentável e com alta qualidade, é necessário prestar atenção desde o manejo até a pós-colheita.

Os danos nos grãos acontecem por uma série de eventos, durante toda a produção. É possível dividir esses danos em: antes, durante e depois da colheita.

É importante conhecer todos os possíveis problemas conforme o período de produção. Assim, você pode evitar grandes perdas.

Antes da colheita

Os danos que acontecem antes da colheita refletem principalmente no peso e qualidade física dos grãos. As pragas, doenças e os microrganismos são os principais vilões nesse momento.

Pragas que atacam as espigas, como percevejo-do-milho e lagarta-da-espiga, são um problema. Elas interferem na qualidade devido à presença de manchas nos grãos, além  de reduzir seu peso.

Além disso, as espigas afetadas por pragas durante o desenvolvimento ficam mais sujeitas aos ataques de patógenos. 

Os patógenos, como os fungos, causam grãos ardidos.

Os grãos ardidos de milho apresentam descoloração. Eles podem ter cor marrom, roxa ou vermelho claro a escuro.

Geralmente são causadas por fungos que atacam as espigas durante a fase de maturação dos grãos.

Imagem de grãos ardidos em milho

Aspecto de grãos ardidos de milho

(Fonte: Embrapa)

Devido ao aspecto, os grãos ficam com preço desvalorizado. Além disso, os fungos são responsáveis por:

  • redução da qualidade do grão;
  • degradação de proteínas;
  • degradação de carboidratos;
  • degradação de açúcares;
  • produção de toxinas, que podem causar uma série de problemas a quem consome.

Para que as espigas fiquem sujeitas a produzir toxinas, devem estar em temperaturas muito baixas (geralmente, abaixo dos 15 °C). Nessas condições, há biossíntese da toxina. 

Grãos ardidos são uma grande preocupação das indústrias. 

Além dos limites máximos de grãos estabelecidos na Instrução Normativa no 60/2011, às vezes há limites ainda inferiores. O objetivo é garantir a segurança dos produtos fabricados.

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho

(Fonte: Senar)

Ainda antes da colheita, pragas muito perigosas em grãos armazenados podem estar presentes no campo e em espigas mal empalhadas. Esse é o caso dos carunchos.

Os adultos colocam seus ovos no interior ou no exterior dos grãos.

Na colheita

Os danos durante a colheita são principalmente causados pela má regulagem da colhedora e pelo teor de água dos grãos.

A qualidade também está relacionada à quantidade de impurezas que o lote apresenta.

Quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do seu lote. Afinal, essas  impurezas devem ser retiradas no beneficiamento, gerando aumento dos custos.

O mau planejamento no controle de plantas daninhas, como a corda-de-viola, é um dos pontos responsáveis pelo aumento de impurezas.

As plantas daninhas também dificultam a operação das colhedoras, reduzindo seu  rendimento.

Outro ponto é a má regulagem da colheitadeira. Quando elas não retiram todas as impurezas, causam perdas quantitativas e qualitativas da massa de grãos.

Além destes fatores, o teor de água dos grãos é mais um problema. Ele pode causar amassamento, quebra e trincas nos grãos de milho durante a colheita.

Grãos muito úmidos (acima 25%) ou muito secos (abaixo de 10%), aliados à má regulagem da colhedora, causam danos mecânicos nos grãos. 

Esses danos, além de reduzirem a qualidade, são portas de entrada de insetos e fungos durante o armazenamento.

Foto de grãos de milho trincados e quebrados

Grãos trincados e quebrados de milho.

(Fonte: Dykrom)

Após a colheita

Após a colheita, os danos podem acontecer no período de armazenamento dos grãos de milho.

O teor de água nos grãos no momento do armazenamento deve estar entre 12% e 13%. Teores elevados são favoráveis para ataques de insetos e fungos.

Insetos como os carunchos podem estar presentes nos armazéns. Além dos carunchos, as traças também atacam os grãos de milho durante o armazenamento.

Assim como o que ocorre com os carunchos, as larvas se alimentam do interior do grão, reduzindo a qualidade e peso.

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita)

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita).

(Fonte: Agrolink)

Fungos de armazenamento, como Aspergillus e Penicillium, causam mofo nos grãos. Assim como os fungos do gênero Fusarium, são produtores de micotoxinas nos grãos de milho.

É importante colher os grãos com o teor de água o mais próximo do adequado

Se não for possível, é necessário realizar a secagem artificial dos grãos colhidos, até valores de 13% de umidade.

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados

(Fonte: Dagma D. Silva)

Roedores e pássaros também causam danos aos grãos. No entanto, eles são menos frequentes.

Como evitar danos em grãos de milho

Para ter grãos pesados, inteiros e granados, os cuidados começam no planejamento.

Informe-se sobre os cultivares ou híbridos recomendados para sua região. Observe a ocorrência das principais pragas e doenças que afetam o milho e sua resistência a elas.

Semeie na época recomendada para o milho escolhido. Não se esqueça de fazer corretamente os manejos de pragas, doenças e plantas daninhas até o momento de colheita.

Estas são algumas práticas importantes a serem adotadas para reduzir ou eliminar os danos nos grãos de milho ainda em campo.

Existem outras práticas que podem ser úteis para manter a qualidade e garantir a produtividade. 

  • Faça rotação de culturas com outras espécies que não sejam suscetíveis aos fungos causadores de micotoxinas, como Fusarium e Stenocarpella;
  • Realize o controle de plantas daninhas durante a maturação e colheita dos grãos;
  • Controle os insetos e fungos que atacam a formação das espigas;
  • Não demore para realizar a colheita;
  • Regule corretamente a colhedora;
  • Colha com umidade adequada ou realizar secagem após a colheita;
  • Mantenha o armazém limpo;
  • Faça o expurgo dos armazéns, principalmente de locais com a presença dos insetos e pragas.
Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O milho é uma cultura de grande importância mundial, e os danos nos grãos podem reduzir a quantidade e qualidade do produto.

É importante realizar corretamente o manejo da cultura antes, durante e após a colheita. Assim, você evita perdas precoces na produção.

Fique sempre de olho nos riscos, para evitá-los e não registrar prejuízos. 

Afinal, além de prejudicar a aparência, danos nos grãos de milho reduzem a qualidade nutricional, prejudicam o cheiro e sabor do alimento.

Você já se deparou com algum desses danos em grãos de milho? O que fez para resolver e recuperar sua produtividade? Deixe seu comentário!

4 Impostos Obrigatórios na Tributação do Produtor Rural

Tributação do produtor rural: conheça os tributos que devem ser pagos e os regimes que podem ser adotados pelo seu negócio.

Você já parou para pensar em quantos e quais são os tributos que você paga?

Para ter uma atividade rural bem sucedida, você sabe que o conhecimento sobre os tributos e o regime tributário é fundamental.

A atividade rural possui um tratamento diferenciado na legislação brasileira, e você pode exercer sua atividade como pessoa física ou jurídica. 

A escolha do melhor regime tributário impacta diretamente nos resultados do seu negócio.

Neste artigo, você saberá quais tributos deve pagar e qual o melhor regime de tributação para os negócios da sua fazenda. Confira a seguir!

1. ITR (Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural)

O ITR é um imposto federal anual. Ele é obrigatório para:

  • pessoas físicas proprietárias;
  • pessoas jurídicas proprietárias; 
  • titulares de domínio útil;
  • pessoas possuidoras de qualquer título de imóvel rural, inclusive posse por usucapião. 

A alíquota do imposto considera a área total do imóvel e o GU (grau de utilização). Quanto maior o tamanho da terra, maior o imposto a ser pago. 

Quanto maior o GU da terra para atividades de agricultura e pecuária, menor o imposto a ser pago.

São excluídos do cálculo do ITR:

  • terras com algum tipo de proteção ambiental e cobertas por florestas;
  • proprietários de pequenas glebas rurais (de até 30 hectares), desde que não tenham outro imóvel rural ou urbano;
  • propriedades de instituições sem fins lucrativos de educação e assistência social.

O pagamento do imposto deve ser feito até o último dia útil do mês para a entrega da DITR (Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). 

Em 2021, a data limite foi 30 de setembro, com multa de 1% ao mês se o pagamento ocorrer após o prazo.

A quantia pode ser paga em até quatro parcelas mensais, desde que o valor de cada uma não seja inferior a R$50. O ITR menor que R$100 deve ser pago em quota única. 

Tabela com alíquotas do ITR por GU e área do imóvel

Alíquotas do ITR por GU e área do imóvel

(Fonte: Lei Nº 9.393/96)

2. ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)

O ICMS é o imposto de competência dos Estados, que incide sobre as operações relativas à circulação das mercadorias. É bom lembrar que o ICMS pode ser recuperado em alguns estados.

Portanto, são contribuintes do ICMS tanto o produtor rural pessoa física quanto o produtor rural pessoa jurídica

Este imposto é disciplinado pelo Art. 155, inciso II, da Constituição Federal e pela Lei Complementar Nº 87/96.

Por se tratar de um imposto de competência estadual, as alíquotas do ICMS podem variar. Verifique a legislação do seu estado!

O ICMS possui alíquota diferente para as operações internas (deve ser verificada na legislação estadual) e para as operações interestaduais, que serão:

  • se você vender para os estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina ou São Paulo: 12%;
  • se você vender para os demais estados e o Distrito Federal: 7%;
  • nas operações com mercadorias importadas com similar nacional ou nacionais com  mais de 40% de conteúdo de importação: 4%.

É importante ressaltar que os produtos vindos da atividade rural geralmente possuem previsão de benefício fiscal nos estados. Por isso, é essencial verificar qual a tributação se aplica ao produto que você está comercializando.

3. Funrural

O Funrural é a contribuição previdenciária da atividade rural. Ela é obrigatória, e deve ser feita em cima da folha de pagamento ou sobre a receita bruta da comercialização de produtos rurais. 

É obrigatório para todos os produtores (pessoa física e jurídica). É parecido com o INSS, mas voltado para os trabalhadores rurais. 

Sobre a receita bruta da comercialização de produtos rurais:

Produtor rural pessoa física

  • 1,2% destinado para o INSS Patronal; 
  • 0,1% para o RAT (Riscos Ambientais do Trabalho); 
  • 0,2% para o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).

Produtor rural pessoa jurídica

  • 1,7% destinado para o INSS Patronal; 
  • 0,1% para o RAT (Riscos Ambientais do Trabalho); 
  • 0,25% para o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).

É importante comentar que esse valor recolhido sobre a receita bruta se trata de INSS patronal e não influencia na aposentadoria

Portanto, deve haver mais recolhimento do INSS individual ou sobre a folha do empregado quando se falar em contribuição para a aposentadoria.

O segundo tipo é o imposto sobre a folha de pagamento, descontado automaticamente. Em 2021, a alíquota nessa modalidade gira em torno de 23%.

Para determinar o mais vantajoso, faça uma projeção das suas vendas e veja se o valor do imposto será maior ou menor que o valor pago sobre a folha de pagamentos. 

Só assim será possível decidir pelo melhor modelo de contribuição.  

4. IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física)

Os produtores rurais podem ser tributados pelo imposto de renda como pessoa física, conforme o Decreto 9.580/2018. 

O resultado da exploração da atividade rural deve ser apurado pela escrituração do livro caixa com todas as receitas, despesas e investimentos. 

A alíquota do IRPF varia entre 7,5% e 27,5% conforme o valor da receita. 

Se você não apresentar o livro caixa do seu negócio com todas as informações, será aplicada a alíquota de 20% sobre a receita bruta.

O resultado também pode ser apurado da forma presumida. Neste caso, a alíquota fica limitada a 20% da receita bruta. Além disso, ao optar por esse tipo de tributação, os prejuízos não podem ser totalmente compensados.

Para gerir seu negócio o melhor possível, você deve ter todas as informações contábeis organizadas no livro-caixa. 

Você pode gerar esse documento com a ajuda do software Aegro.

Conforme você faz a gestão financeira da fazenda, o Aegro alimenta seu livro caixa digital de maneira automática. Bastam alguns cliques para gerar o arquivo final que deve ser entregue à Receita!

>> Leia mais: “Imposto de renda atrasado: veja o que o produtor pode fazer”

4.1 Tributação do produtor rural pessoa jurídica

A diferença entre o produtor pessoa física para o produtor pessoa jurídica está, principalmente, na alíquota de impostos pagos por cada um deles

Além dos tributos já mencionados, a pessoa jurídica está sujeita à contribuição do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.

A tributação da pessoa jurídica pode ser calculada de três formas diferentes, observando o regime que a empresa rural está enquadrada. A tributação pode ser feita pelo Simples Nacional, Lucro Real ou Lucro Presumido.

Veja mais sobre cada um deles em seguida.

Simples Nacional

O Simples Nacional é um sistema tributário simplificado. Conforme a Lei Complementar 123/2006 podem ser enquadradas nesse sistema:

  • microempresas com receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000;
  • empresas de pequeno porte, com receita bruta entre R$ 360.000 e R$ 4.800.000.

Nesse regime, o recolhimento mensal do IRPJ, CSLL, Cofins, PIS/Pasep e ICMS é feito pelo pagamento de uma guia única.

Lucro Real

O Lucro Real é obtido pelo resultado contábil da empresa rural

Nesse caso, fique de olho, porque após a apuração do lucro contábil, é preciso fazer ajustes com adições e exclusões para se chegar ao lucro real.

Lucro Presumido

Conforme a Lei Nº 12.814/2003, no regime de Lucro Presumido, se enquadram as empresas que não são obrigadas ao Lucro Real e tenham receita bruta anual de até R$ 78 milhões.

A lei atribui um percentual de lucro, que no caso da atividade rural é de 8%. Sobre este valor, incidirão as alíquotas dos tributos. 

banner de chamada para gestão fiscal

Conclusão sobre Tributação do Produtor Rural

Neste artigo, você viu mais detalhes de como é feita a tributação do produtor rural pessoa física e jurídica.

Para gerir seu negócio de forma eficiente, é importante ter todas as informações contábeis organizadas no livro-caixa. 

Esse documento vai te auxiliar na apuração da receita bruta e na escolha do melhor regime tributário.

Organizar essas informações é um tanto trabalhoso. 

Entretanto, hoje contamos com ferramentas que facilitam e agilizam o trabalho. Isso permite análises mais precisas para a sua tomada de decisão.

>> Leia mais:

Faça o planejamento tributário da fazenda em 5 passos”

Nota fiscal eletrônica de produtor rural: veja o passo a passo para emitir

Como você faz a tributação do produtor rural? Como organizar todas as informações de que precisa para não deixar de lado nenhum tributo? Adoraria ler seu comentário!

3 causas mais comuns das sementes esverdeadas em soja e o que fazer para evitá-las

Sementes esverdeadas: saiba o que são, quais as fases críticas para o acontecimento e quais problemas causam no campo e na indústria

A produção de soja demanda muito cuidado com a lavoura.

A presença de sementes esverdeadas na hora da colheita pode inviabilizar todo um lote de sementes.

Elas têm baixa germinação e vigor. Portanto, devem ser evitadas, seja com manejo no campo ou no beneficiamento.

Apesar disso, há como reduzir e até evitar completamente as sementes esverdeadas. É o que você verá nesse artigo. Confira a seguir!

O que são sementes esverdeadas na soja?

São sementes com os cotilédones de coloração intensa verde ou esverdeados.  São o resultado das plantas de soja que sofreram algum inconveniente na fase final do desenvolvimento.

A produção de sementes de soja com alta qualidade necessita de condições adequadas, de solo, clima e manejo

Condições climáticas adversas causam prejuízos aos produtores de sementes. Afinal, a semente não será de boa qualidade e a presença da cor esverdeada poderá inviabilizar o lote.

Três causas mais comuns das sementes esverdeadas

A ocorrência de uma ou mais destas condições pode causar queda da qualidade fisiológica de sementes.

A maturação será acelerada e a degradação da clorofila dos cotilédones será comprometida. Isso é uma consequência da interrupção da ação de algumas enzimas.

A presença de clorofila (pigmento verde) na semente, por causa da maturação e morte prematura das plantas, gera essa característica.

As fases críticas para as condições que aceleram a maturação são as seguintes:

1. Adversidades climáticas

As plantas ainda imaturas sofrem estresse. Esse estresse acelera o processo de maturação e morte, produzindo sementes esverdeadas.

Estas condições são, principalmente:

  • ocorrência de seca;
  • elevadas temperaturas;
  • excesso de chuvas;
  • umidade relativa baixa;
  • elevada intensidade luminosa.

2. Presença de pragas e doenças

A presença de percevejos em alta população ao final do ciclo da soja também pode causar maturação desuniforme, morte prematura e sementes esverdeadas. Algumas doenças que causam sementes esverdeadas são:

  • fusariose;
  • podridão radicular por macrofomina;
  • cancro da haste;
  • doenças foliares em fase de enchimento de grãos/pré-colheita.

3. Manejo

Não utilize dessecantes em momentos inapropriados. Na pré-colheita, eles podem interromper a ação das enzimas que degradam a clorofila. 

Isso resulta em altos índices de grãos ou sementes esverdeadas.

Antecipar a colheita para janeiro e fevereiro (meses com bastante chuva), também é um fator importante. Isso pela utilização de cultivares de soja precoces e superprecoces.

Nunca se esqueça de observar os boletins meteorológicos no planejamento da safra.

Problemas relacionados ao campo

No campo, alguns problemas ambientais vão acarretar uma maturação desuniforme. Isso reflete em folhas, hastes, vagens e grãos verdes no momento da colheita.

A colheita é prejudicada devido ao embuchamento causado pelas plantas verdes.

Estes fatores causam perdas e redução de produtividade.

Além disso, quando a maturação é antecipada, não há tempo hábil da planta desenvolver o embrião completamente.

Sem o embrião perfeito e sem reserva energética, a qualidade das sementes produzidas será baixa. Ou seja, as sementes terão baixa germinação e vigor. Lotes de sementes podem ser descartados por isso!

Segundo pesquisadores da Embrapa Soja, 9% de sementes esverdeadas em pré-colheita podem ser toleradas.

Faça a análise de pré-colheita. Caso exceda esse valor, não colha o campo para a produção de sementes. A remoção das sementes esverdeadas dos lotes no beneficiamento é um custo extra e inviabiliza o lote.

A imagem a seguir demonstra a diferença que há entre sementes amarelas (normais) e sementes esverdeadas.

Perceba a diferença que existe no teste e velocidade de germinação das sementes esverdeadas!

Problemas na indústria

As vagens e sementes esverdeadas dificultam o processo de seleção e classificação das sementes. A maturação precoce deixa as sementes menores e mais suscetíveis a danos mecânicos.

Outro problema está relacionado ao grão para produção de óleo.

Um alto percentual de grãos esverdeados causa o escurecimento do óleo. O clareamento gera muitos gastos ou até inviabiliza a comercialização. Indústrias evitam adquirir grãos com essas características.

6 dicas para evitar as sementes esverdeadas na lavoura

  1. Utilize plantas de cobertura e faça um bom manejo do solo. Assim, você aumenta a retenção de água e ameniza as consequências de períodos de seca.
  2. Preste atenção nas condições climáticas. Se necessário, intervenha com irrigação para amenizar os períodos de seca ao final do ciclo.
  3. Observe a suscetibilidade genética da variedade de soja utilizada. Existem cultivares que expressam mais o problema das sementes esverdeadas.
  4. Utilize o MIP (Manejo Integrado de Pragas) como aliado durante o ano todo para reduzir o aparecimento de pragas e doenças.
  5. Adote práticas corretas de dessecação em pré-colheita. Sempre desseque na fase de maturidade fisiológica (R7).
  6. Preste atenção nos dados de qualidade de semente do lote adquirido para uma safra. Além disso, faça o teste de germinação em areia para garantir a uniformidade da lavoura.
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Conclusão

A maturação e morte precoce da soja causam as sementes esverdeadas.

Essas sementes têm germinação e vigor comprometidos, e são um problema para a comercialização.

As fases de enchimento de grãos e pré-colheita são críticas para controlar essa adversidade.

Períodos de seca associados a alta temperatura, excesso de chuvas, alta incidência de pragas e doenças são fatores que fazem aparecer as sementes esverdeadas.

Fique sempre de olho nesses fatores, e procure os evitar para garantir a produtividade!

>> Leia mais: “Seguro soja: por que você deve fazer

E você? Já teve algum problema relacionado a sementes esverdeadas? Já programou o manejo para se prevenir nessa safra? Deixe seu comentário!