Veja tudo sobre como controlar a ferrugem do cafeeiro

Ferrugem do cafeeiro: conheça os sintomas da doença, quais são as condições favoráveis para seu desenvolvimento e qual a melhor forma de manejo

A ferrugem alaranjada é considerada a doença mais importante da cultura do café. Ela se destaca por causa dos muitos danos causados à lavoura.

Essa doença está disseminada por todas as áreas produtoras de café do país. Apesar disso, o Brasil responde como o maior produtor e exportador de café do mundo.

Neste artigo, confira mais um pouco sobre a ferrugem do cafeeiro e aprenda a melhor forma de controlar a doença.

O que é a ferrugem do cafeeiro

A ferrugem do cafeeiro pode ser causada por duas espécies de fungos

No Brasil, a espécie responsável pela ferrugem alaranjada da plantação de café é a Hemileia vastatrix. Esse é um parasita que necessita de tecido vegetal vivo do hospedeiro para se desenvolver.

A espécie Hemileia coffeicola causa a ferrugem farinhosa. Essa doença é menos agressiva que a ferrugem alaranjada. Não há relatos de sua presença nas lavouras brasileiras de café. 

Sintomas da ferrugem do cafeeiro

Os sintomas são observados primeiro nas folhas da saia do cafeeiro. Com a evolução da doença, os sintomas avançam para o topo da planta. 

Em qualquer fase do desenvolvimento, as folhas estão suscetíveis ao ataque do fungo.

Os primeiros sintomas da ferrugem no café são lesões claras nas folhas. Com o tempo, elas ficam necrosadas. 

A redução da área foliar diminui a fotossíntese da planta. Como consequência, o desenvolvimento do café é prejudicado.

Foto de folha de cafeeiro com sintomas de ferrugem. A folha apresenta pontos alaranjados e amarelados.
Folhas de café com sintomas de ferrugem causada por Hemileia vastatrix
(Fonte: Daily Coffee News)

Na parte inferior da folha, é possível observar massas de esporos. Elas têm aspecto empoeirado e cor amarelo-alaranjada. 

Foto de verso da folha do café com ferrugem. A folha está repleta de manchas alaranjadas.
Face inferior da folha de café com sintomas de ferrugem
(Fonte: World Coffee Research)

Outro sintoma provocado pela ferrugem é a desfolha das plantas. A queda precoce das folhas, associada à morte dos ramos, afeta a produção. 

A desfolha provocada pela ferrugem prejudica o vingamento da florada do café e dos frutos na fase de chumbinho.

Os sintomas dessa doença refletem nas próximas safras, com a queda da produção de frutos. 

Em casos avançados da doença, pode ocorrer a morte das plantas.

Dependendo da severidade, a doença pode reduzir a longevidade do cafezal, além de inviabilizar economicamente a atividade.

Condições ideais para a doença

Dentre os aspectos favoráveis à ocorrência da ferrugem alaranjada nos cafezais, destacam-se a umidade e a temperatura. Esses fatores interferem diretamente no ciclo de vida do fungo e no estabelecimento da doença.

As condições ideais para a ocorrência e o desenvolvimento dessa doença são:

  • alta umidade relativa do ar;
  • temperatura moderada, entre 22 °C e 24 °C;
  • ausência de luz direta;
  • presença de um filme de água na superfície das folhas.

Disseminação

A disseminação dos esporos do fungo Hemileia vastatrix acontece pela ação do vento e por respingos de água da chuva

Os insetos, as pessoas e alguns tratos culturais também são responsáveis pela disseminação da ferrugem.

No caso da poda, é muito importante fazer a limpeza das ferramentas. 

Uma lâmina de corte pode entrar em contato com uma planta infectada. Se, em seguida, ela encosta em uma planta saudável, pode disseminar uma série de doenças.

Dessa forma, mantenha as ferramentas de poda sempre limpas e afiadas.  

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Como fazer o manejo da ferrugem do cafeeiro

Considerando a extensão dos danos causados pela ferrugem, o monitoramento da lavoura é uma importante ferramenta no manejo.

Quanto antes ela for detectada, maiores são as chances de sucesso no seu controle. 

Cultivares tolerantes e fungicidas 

O controle da ferrugem do cafeeiro é realizado pelo plantio de cultivares tolerantes/resistentes e pela pulverização de fungicidas químicos.

Os fungicidas à base de cobre são utilizados no controle preventivo da doença. 

Quando pulverizados na superfície das folhas, eles formam uma barreira tóxica. Isso protege a planta e evita o desenvolvimento da ferrugem.

Além disso, o cobre é um elemento essencial para a cultura do café. Seu uso melhora o estado nutricional das plantas. 

Os fungicidas do grupo químico estrobilurina e carboxamida têm ação sistêmica. Eles são  aplicados na parte aérea das plantas no combate à ferrugem.

Os fungicidas do grupo triazol também são sistêmicos, e podem ser aplicados via foliar ou via solo. 

Esses produtos podem ser utilizados em associação com inseticidas sistêmicos, como o tiametoxan e o imidacloprido, para o controle do bicho-mineiro do café.

Os ingredientes ativos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle da ferrugem alaranjada na cultura do café são:

  • ciproconazol;
  • mancozebe;
  • tebuconazol;
  • azoxistrobina + ciproconazol; 
  • azoxistrobina + benzovindiflupyr.

Faça a rotação dos produtos químicos e siga as recomendações do fabricante quanto à forma de aplicação e dosagem dos produtos. Assim, o controle da doença não terá sua eficiência prejudicada.

Por se tratar de uma cultura com potencial de ser explorada por longos períodos, os cuidados com a implantação do pomar são de extrema importância. 

Por isso, escolha sempre cultivares resistentes às doenças.

As mudas devem ser adquiridas de viveiros certificados. Isso garante a sua procedência e a qualidade fitossanitária. Assim, você não coloca em risco a sanidade da sua lavoura. 

Espaçamento entre plantas

O espaçamento do café também pode favorecer a doença. Quando adensado, o espaçamento favorece as doenças fúngicas devido às condições microclimáticas. 

Além disso, a proximidade das plantas dificulta a chegada dos defensivos agrícolas nas folhas localizadas nas regiões internas da planta. 

Isso interfere na eficácia do controle químico.

As podas são uma prática de manejo bastante utilizada na cafeicultura. Essa técnica contribui para melhorar a arquitetura da planta, promover maior luminosidade e arejamento da lavoura.

Ela também facilita a realização de outros tratos culturais, reduz a incidência de pragas e doenças, além de facilitar o controle fitossanitário.

Cuide do solo da sua lavoura

Em relação à fertilidade do solo, existe uma relação entre a deficiência de nitrogênio e a incidência de ferrugem alaranjada e cercosporiose.

A adubação equilibrada contribui para o bom desenvolvimento do plantio.

Além disso, melhora a capacidade de resposta das plantas frente às adversidades e minimiza os prejuízos causados por essas doenças.

Em resumo, as práticas que podem ser adotadas para o controle da ferrugem do cafeeiro são:

  • aplicação de fungicidas químicos;
  • plantio de cultivares resistentes/tolerantes;
  • evitar espaçamento adensado;
  • podas;
  • adubação equilibrada.
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Conclusão

A ferrugem alaranjada do cafeeiro é uma doença presente em todas as áreas produtoras de café do Brasil.

Os sintomas da doença são muitos, e prejudicam a florada e formação dos frutos. Por isso, estar sempre de olho na sua lavoura é fundamental.

A disseminação dos esporos ocorre pela ação do vento, respingos de água, pelas pessoas, insetos e algumas práticas culturais.

O manejo da ferrugem do cafeeiro é realizado, principalmente, pela aplicação de defensivos químicos e pelo plantio de cultivares resistentes à doença. Faça o controle correto para evitar grandes danos na lavoura!

Você já conhecia a ferrugem alaranjada do cafeeiro? Já teve problemas com essa doença? Conte sua experiência nos comentários.

Como usar e obter lucros com a energia solar na agricultura

Energia solar na agricultura: saiba como funciona, os diferentes tipos, quanto tempo dura a estrutura implantada na sua fazenda e muito mais!

A energia solar na agricultura ganha cada vez mais importância em todo o mundo. Ela reduz os efeitos das mudanças climáticas, tem baixo custo de produção e é sustentável.

Ela é uma das principais opções para viabilizar a irrigação no campo. E o melhor de tudo: atende desde as pequenas propriedades até grandes fazendas equipadas com pivôs centrais.

Neste artigo, confira como a energia solar te ajuda a aumentar seus lucros e como usá-la na sua fazenda.

Quais os benefícios de usar a energia solar na agricultura?

A energia solar pode ser uma grande aliada na agricultura! Não importa o tamanho da sua propriedade rural. Se você tem uma horta de 0,5 hectare ou uma fazenda equipada com pivôs centrais, a energia solar trará diversos benefícios, como:

  • autonomia com a geração de energia;
  • redução de custos com energia elétrica;
  • uso de energia para irrigação ou demanda doméstica na fazenda;
  • você pode fazer a venda do excedente de energia para o Sistema Elétrico Brasileiro;
  • baixo custo de manutenção;
  • mais sustentabilidade, pois é fonte de energia renovável e limpa.

A desvantagem desse sistema de energia é o alto investimento inicial para instalação. No entanto, após dois ou cinco anos, você recupera esse valor de investimento e começa a lucrar.

O sistema dura cerca de 25 anos.

Foto de usina de energia solar em campo. As placas de energia solar são azuis, posicionadas no chão cercado. Atrás, é possível ver a propriedade rural.

Usina de energia solar em área rural

(Fonte: Canal Solar)

Você pode fazer uma simulação de custos neste link do Simulador Solar, baseado no seu consumo atual de energia.  

Outra opção é obter parâmetros mais técnicos de investimentos e custos neste estudo acadêmico sobre uso de energia fotovoltaica.

O estudo foi feito em área irrigada com pivô central no estado de Goiás. Nesse caso, o custo ultrapassou R$ 1 milhão.

No entanto, o estudo apontou que o sistema de energia fotovoltaica é viável economicamente. Isso mesmo centrando-se apenas na relação custo de produção, investimento e manutenção do sistema. 

Não foram inclusos lucros com a venda da energia para o Sistema Elétrico Brasileiro. 

Custos para implantação da energia solar na fazenda

Os custos para investimento vão depender de vários fatores, sendo os principais:

  • demanda hídrica da cultura agrícola e a área a ser irrigada;
  • tipo de sistema de captação de água que consumirá a energia;
  • tipo e quantidade de placas fotovoltaicas necessárias para atender a demanda;
  • quantidade de baterias utilizadas para armazenamento;
  • estrutura necessária para instalar os equipamentos.

O custo de implantação depende de vários fatores além da demanda de energia. 

Como funciona o sistema de energia solar

A energia solar vem da luz e do calor do sol, por ondas emitidas por ele. Existem duas formas de energia solar: a térmica e a fotovoltaica, a mais utilizada na cidade e no campo.

Energia solar térmica

Esse tipo de energia também é chamada fototérmica. Nela, a energia do sol é utilizada na forma de calor para aquecer outro corpo, por meio de placas solares.

Também podem ser utilizados tubos à vácuo para transferir o calor para um meio líquido. Esse tipo de energia é muito utilizado em áreas residenciais urbanas.

Energia solar fotovoltaica

A energia solar fotovoltaica utiliza módulos solares. O calor e a luz do sol são transformados em energia elétrica.

Por isso, quanto maior a radiação solar nas placas solares, maior a quantidade de energia elétrica que será gerada.

Quando a energia solar é ligada ao Sistema de Energia Brasileiro, ela se chama “on-grid” e quando não é, “off-grid”.

Crescimento do uso de energia solar na agricultura brasileira

O uso da energia solar na agricultura cresceu 1,3 mil vezes nos últimos 5 anos, segundo a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

Centenas de empresas nacionais e estrangeiras têm oferecido serviços e equipamentos diversos para atender as mais diversas demandas.

Isso favorece a diversidade na qualidade dos equipamentos e nos preços.

Em 2021, houve no Brasil o dobro da importação de painéis solares, em comparação com 2020, segundo a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

A compra dos equipamentos para energia solar em outros países deve chegar este ano a cerca de R$ 11,2 bilhões, aumento de 98% em relação ao ano passado. 

Isto resulta também em novas oportunidades no agro, como a instalação no Brasil, por uma empresa multinacional, do primeiro pivô central movido à energia solar do mundo

O sistema tem potência de 128 kWp e pode irrigar quase 100 hectares por uma média de 6 a 8 horas por dia.

Foto de área de irrigação com pivô central com energia solar. Na foto, três placas grandes de energia solar estão posicionadas no solo, levemente inclinadas.

Área de irrigação com pivô central que funciona com energia solar

(Fonte: Valmont

Investir em energia solar fotovoltaica pode ter um custo alto. Porém, o lado bom é que a implantação do sistema pode ser financiada por meio do Plano Safra, do Governo Federal.

No Plano Safra, há o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono). 

Através do programa, é possível ter acesso a projetos que incluem energia solar, como a Proirriga (financia projetos de irrigação) e Inovagro (de inovação e tecnologia).

Energia solar e os novos desafios do agronegócio

O agronegócio brasileiro tem sido cada vez mais cobrado pela comunidade internacional a desenvolver práticas sustentáveis.

Além disso, internamente, o setor é obrigado a lidar com mudanças climáticas. Em 2021, elas causaram diversos danos nas regiões Sul e Centro-Sul, com secas e geadas.

Cada vez mais é preciso buscar meios de reduzir riscos na atividade agrícola. 

Uma das formas de fazer isto é por meio da energia solar, pois ela favorece a implantação ou expansão das áreas irrigadas.

Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), há no Brasil 8,2 milhões de hectares com sistemas de irrigação.

Desses, 5,3 milhões de hectares são com água de mananciais e 2,9 milhões de hectares com fertirrigação com água de reúso.

Assim, o fortalecimento da competitividade do agronegócio brasileiro passa também pela expansão das áreas com energia solar

Conclusão

A energia solar na agricultura apresenta diversos benefícios. Apesar de seu custo inicial ser alto, ela se torna lucrativa com o tempo e promove a sustentabilidade na fazenda.

Busque informações sobre como implantar a energia solar em sua fazenda. Antes disso, consulte preços dos equipamentos, além de buscar financiamentos.

Eu nunca ouvi falar de alguma pessoa que se arrependeu por implantar a energia solar e você, muito provavelmente, não será a primeira.

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E você, já pensou em implantar energia solar na agricultura? Já usa esse tipo de energia e gostaria de contar sua experiência? Adoraria ler seu comentário!

Saiba como calcular o custo de produção de arroz por hectare

Custo de produção de arroz por hectare: Saiba como montar um planejamento de custos e tornar sua lavoura mais eficiente e rentável

A cultura do arroz é muito importante para o Brasil, em termos de valor econômico e social.

A inflação, mudanças do câmbio monetário e outras alterações no mercado modificam os custos de produção e o preço de venda dos grãos.

Por isso, é indispensável um bom planejamento e controle de custo de produção para haver retorno econômico.

Neste artigo, saiba como controlar os custos por hectare e garanta mais rentabilidade da sua lavoura. Confira!

Como calcular o custo de produção de arroz por hectare?

Você deve ter uma ideia do seu gasto e do seu ganho com a lavoura de arroz. No entanto, é comum que gestores não saibam precisamente o custo de produção por hectare.

O cálculo exige muita organização. Você deve calcular a soma de todas as despesas fixas e variáveis criadas para implantar e manejar a lavoura.

Veja uma lista das despesas que devem entrar no cálculo do custo de produção de arroz.

1. Insumos para a produção

Para muitos, é a parte mais simples da equação. No entanto, não é tão simples quanto parece. 

Além de somar tudo que foi investido para implantar a lavoura, você deve saber o que foi realmente utilizado.

Sementes

Através da densidade de plantio, você sabe a quantidade de sementes que deve ser utilizada num hectare.

Calcule o preço por kg de sementes e transforme isso para um hectare. Multiplique o preço por kg e a quantidade de sementes por hectare (em kg).

Correção e Fertilização

Utilize a mesma lógica do cálculo para o custo de sementes.

O custo com calcário pode ser calculado descontado numa única safra. Também pode ser diluído nos anos em que dura o efeito da calagem.

Para uma safra, essa conta é realizada multiplicando o preço da tonelada do calcário pela quantidade a ser aplicada em um hectare

Se desejar diluir por mais safras, divida o valor de custo por hectare pelos anos de duração do efeito da correção.

O cálculo da adubação do arroz deve ser realizado por safra. Afinal, a adubação é feita anualmente.

Para este cálculo, você deve multiplicar o valor do kg de fertilizantes (seja ele individual ou NPK) pela quantidade aplicada por hectare.

Agrotóxicos

Aqui você irá calcular o custo de todos os defensivos utilizados na safra, utilizados no pré e pós plantio, até a colheita.

Tome cuidado ao realizar essa conta, porque é fácil se perder nela.

Use no cálculo a quantidade de produto comercial utilizada por hectare (em litros ou kg) e multiplique pelo valor do litro do produto.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Reduza em mais de 40% os seus custos e tenha um planejamento mais eficiente com o Aegro.

2. Operações

O gasto com operações é um pouco mais complexo. O uso de insumos está atrelado a uma ou mais operações.

O valor do insumo também conta a operação para aplicação.

As operações de preparo do solo no cultivo de arroz são muito variáveis. Elas dependem do sistema de cultivo que você utiliza.

As operações demandadas no cultivo de arroz são:

  • plantio convencional: aração, gradagem e operações de semeadura e aplicação de defensivos;
  • plantio direto: semeadura e operações com defensivos;
  • pré-germinado: aração, enxada rotativa para formação de lama, nivelamento, alisamento, semeadura e aplicação de defensivos.

As operações mecânicas para a implantação ou manutenção do sistema de irrigação também devem ser contabilizadas.

Calculando os custos de operação

Use a quantidade de horas para cada atividade.

Separe as atividades uma a uma. Assim, seu controle será mais efetivo, e você saberá onde há espaço para melhorar a performance e reduzir custos.

Listadas as operações demandadas para a implantação e condução da lavoura, calcule o custo de cada uma.

Caso as suas operações sejam realizadas com maquinário alugado, a organização dos custos é simplificada. Entretanto, se você usa maquinário próprio, são diversos fatores a considerar.

Cada hora trabalhada tem um custo. 

Considere a manutenção do equipamento, a depreciação ou desvalorização da máquina e o valor do combustível multiplicado pelo consumo por hora. Divida pelos hectares cultivados.

O cálculo de depreciação de máquinas pode ser facilitado com a ajuda dessa planilha gratuita! Clique na imagem abaixo para baixar:

Na manutenção, considere uma média do valor das manutenções necessárias por safra. Quanto mais detalhado, melhor!

A depreciação anual pode ser calculada pela fórmula:

Depreciação anual = (valor de compra – valor residual ao final da vida útil) / anos de Nvida útil

Você pode calcular essa depreciação por horas de vida útil. Basta saber a média de horas em que o equipamento é usado por ano ou safra.

Esses custos são bastante variáveis. Você deve adaptar tudo de acordo com as condições da sua região.

3. Mão de obra

Seja funcionário contratado, você mesmo ou um membro da família, a mão de obra representa um custo. Por isso, você deve contabilizá-lo.

Caso a mão de obra seja contratada, você colocará na planilha o salário por safra. Coloque também todos os impostos embutidos nos funcionários.

É muito comum nas lavouras de arroz utilizar mão de obra familiar

Mas não se esqueça: a lavoura é o seu negócio, e qualquer pessoa que trabalhar com você (e até você) deve receber por isso.

Funcionário do campo fazendo manejo da água em arroz irrigado

(Fonte: Planeta Arroz)

O cálculo pode ser feito estipulando um salário por hora trabalhada para cada membro da família ou funcionário. Ao final, multiplicam-se as horas totais trabalhadas pelo valor estimado.

Você também pode somar aqui os custos da assistência técnica.

4. Custos financeiros

Nesse item, você poderá inserir:

  • juros cobrados referente ao custeio da safra;
  • juros de financiamentos de aquisição de máquinas e implementos;
  • custo de oportunidade (o lucro que você deixa de ganhar caso use a área com outra atividade).

5. Transporte e armazenagem

Os custos de colheita podem ser inseridos em custos operacionais e de mão de obra. No entanto, o transporte deve ser separado.

A logística de colheita de arroz é delicada, e o produto deve ir para a armazenagem o mais rápido possível

Se o transporte for fretado, verifique a quantidade de horas das operações e o preço pago por hora. Divida tudo pelo número de hectares.

O custo de armazenagem varia se: tiver silo próprio ou alugar estrutura de armazenamento.

A contabilização do aluguel facilita o cálculo

Utilize o valor gasto para armazenar a produção total, dividido pelo número de hectares produzidos.

Se você trabalhar com silo próprio, deve utilizar no cálculo o investimento inicial, dividido pelos anos de retorno de investimento

Some com os custos de manutenção da estrutura de armazenagem, dividido pelos hectares colhidos e armazenados.

Conclusão

O custo de produção de arroz por hectare varia conforme a região.

Neste artigo, você viu que pode calcular de maneira simplificada separando os custos de sua lavoura em cinco categorias.

Faça um planejamento antes de iniciar a safra e utilize a tecnologia disponível. Dessa maneira, tudo ficará mais fácil e a sua gestão mais eficiente.

Com essas informações em mãos, a sua produtividade e rentabilidade serão maiores!

Como você controla os custos de produção do arroz por hectare? Conte-nos suas dificuldades e seus acertos. Adoraria ler seu comentário!

Saiba o que é e como é feito o arrendamento rural

Arrendamento rural: saiba como funciona, como renovar o contrato, formas de pagamento, proibições e muito mais!

Você tem vontade de desenvolver atividades agrícolas mas não pode comprar um pedaço de terra? Tem uma terra disponível mas não tem vontade de produzir?

Saiba que existe uma opção para você.

O arrendamento rural permite o uso temporário da terra para atividade agrícola, mediante o pagamento de uma quantia.

É interessante saber todos os detalhes desse tipo de contrato para avaliar se é uma boa opção para a sua realidade!

Neste artigo, você vai saber tudo sobre como funciona o contrato de arrendamento rural. Confira!

O que é arrendamento rural e quais são as obrigatoriedades

O arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa cede à outra, por tempo determinado ou não, o uso de partes do imóvel rural. Isso pode ou não incluir outros bens, benfeitorias e facilidades.

O imóvel é cedido com o objetivo de exercer nele atividade de exploração agrícola, mediante certa retribuição ou aluguel.

Assim, arrendar uma propriedade rural pode ser uma ótima alternativa se você possui uma terra mas não a utiliza para produzir e não quer vendê-la.

Também é uma boa alternativa para produtores que não tem um local para produzir e não tem condições de comprar uma propriedade rural.

O contrato garante o uso da propriedade rural por aquele que deseja explorá-la, comprometendo-se o proprietário a não intervir.

Prazo mínimo do contrato de arrendamento rural

Para assegurar a proteção social e econômica dos arrendatários, o decreto n.º 59.566/66 e o Estatuto da Terra determinam prazos mínimos de vigência do contrato. São eles:

  • 3 anos: arrendamentos em que ocorram atividades de exploração de lavoura temporária e/ou de pecuária de pequeno e médio porte;
  • 5 anos: arrendamentos em que ocorram atividades de exploração de lavoura permanente e/ou de pecuária de grande porte para cria, recria, engorda ou extração de matérias primas de origem animal;
  • 7 anos: arrendamentos em que ocorram atividades de exploração florestal.

Pode acontecer de o arrendatário explorar uma cultura cujos frutos não possam ser recolhidos antes do término do prazo de arrendamento. 

Nesse caso, ele deve ajustar previamente com o arrendador a forma de pagamento do uso da terra para esse prazo excedente.

O prazo do arrendamento termina sempre depois da última colheita ou depois da safra de animais de abate. 

Renovação do contrato

O arrendatário tem preferência na renovação do contrato de arrendamento. 

Caso existam propostas de terceiros, o proprietário deve notificar o arrendatário extrajudicialmente. Isso deve acontecer em até 6 meses antes do fim do contrato.

Se não ocorrer essa notificação extrajudicial, o contrato é renovado automaticamente. 

Isso desde que o proprietário da terra não manifeste desistência ou formule nova proposta nos 30 dias seguintes à renovação.

É necessário que as declarações de renovação, desistência ou encerramento do contrato sejam registradas em um Cartório de Registro de Títulos e Documentos.

Formas de pagamento do arrendamento

O decreto determina critérios para o cálculo do preço de arrendamento do imóvel rural.

Nos casos de arrendamento da área total do imóvel, o preço do arrendamento não pode ser superior a 15% do valor da terra. Estão inclusas as benfeitorias que entram na composição do contrato.

Nos casos de arrendamento da área parcial do imóvel, o preço do aluguel não pode exceder 30% do valor da área arrendada. Esse preço é determinado com base no valor do hectare.

O preço do aluguel só pode ser ajustado em quantia fixa de dinheiro. No entanto, o pagamento pode ser feito em quantidade de frutos cujo preço corrente no mercado local 

seja igual ao aluguel. 

Lembre que o preço dos frutos não pode ser inferior ao preço mínimo oficial.

Proibições no contrato de arrendamento rural

O Art.93 do Estatuto da Terra determina que, nos contratos de arrendamento, é proibido estipular:

  • Prestação de serviço gratuito pelo arrendatário;
  • Exclusividade da venda dos frutos ou produtos ao arrendador;
  • Obrigatoriedade do beneficiamento da produção em estabelecimento determinado pelo arrendador;
  • Obrigatoriedade da aquisição de gêneros e utilidades em armazéns determinados pelo arrendador.
Foto de dois homens em uma lavoura. Os dois estão de mãos dadas, e atrás deles há um trator vermelho.

Fonte: (Lucro Florestal)

Diferença entre arrendamento e parceria rural

O arrendamento e a parceria são contratos agrários

Eles são reconhecidos pela lei, e servem como acordo de posse ou uso temporário da terra por aquele que exerça atividades agrícolas e o proprietário.

A parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico do imóvel rural

O objetivo é ser exercida atividade de exploração agrícola.

Diferente do arrendamento, na parceria o proprietário e o parceiro partilham os riscos do empreendimento rural e dos frutos, produtos ou lucros havidos. 

As proporções são estipuladas entre eles, de acordo com os limites estabelecidos em lei.

No contrato de arrendamento, o proprietário transfere a utilização do imóvel para o arrendatário em troca de um aluguel

Na parceria rural, há a transferência do uso do imóvel para o parceiro e ambos compartilharão os resultados (positivos ou negativos) do negócio.

Essa diferença reflete na tributação, como na declaração do IRFP (imposto de renda de pessoa física)

No arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário é tributado como se fosse um aluguel comum.

No caso do contrato de parceria, tanto o proprietário quanto o parceiro tem seus rendimentos tributados como atividade rural. Essa tributação acontece na proporção que couber a cada um deles.

Tributação dos contratos de arrendamento rural

O RIR/2018 (Regulamento do Imposto de renda de 2018), regulamenta a tributação dos proventos de pessoas físicas e jurídicas.

Os arrendatários, proprietários e parceiros na exploração da atividade rural pagarão o imposto separadamente. O pagamento é feito na proporção dos rendimentos que couber a cada um. 

O resultado da atividade rural deve ser apurado mediante escrituração do livro-caixa.

O livro-caixa deve abranger as receitas, despesas de custeio, investimentos e os demais valores da atividade. 

O produtor rural que não tiver a escrituração contábil do seu negócio será tributado em 20% da receita bruta.

O arrendatário segue as regras de tributação de atividade rural estabelecidas na lei. 

Ele pode deduzir as despesas, investimentos e eventuais prejuízos advindos de exercícios anteriores, caso faça a escrituração do livro-caixa.

Se você optar por não fazer o livro-caixa e receber a tributação por lucro presumido, não é permitido deduzir os investimentos, despesas e prejuízos fiscais. 

Nesse caso, a tributação será de 5,5% (27,5% sobre 20% da renda bruta).

Entretanto, o arrendador pagará o imposto sobre o valor do aluguel firmado em contrato. 

Ele estará submetido à tabela progressiva de tributação, de até 27,5% sobre a receita. O valor do IR deverá ser recolhido mensalmente.

planilha - faça o planejamento tributário para diferentes fazendas

Conclusão

O arrendamento rural é um tipo de contrato agrário que o proprietário da terra cede o uso do imóvel rural para um arrendatário

Esse tipo de contrato deve ser renovado, e merece atenção especial. 

Saiba bem as diferenças entre o arrendamento e a parceria rural para decidir qual é a melhor opção para você, de acordo com as necessidades do seu negócio. 

A tributação no Imposto de Renda de cada uma das partes do contrato de arrendamento rural é diferente, então fique de olho.

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E você? Já sabia o que é o arrendamento rural? Já fez algum tipo de contrato semelhante? Deixe sua experiência aqui nos comentários!

Como cultivar e garantir lucros com a cevada como cultura de inverno

Cevada como cultura de inverno: conheça a importância, onde e como cultivar, nutrição, manejo de pragas, doenças, daninhas e muito mais!

O cultivo da cevada vem ganhando força na safra de inverno, como fonte de renda alternativa.

Essa espécie ainda é pouco explorada, mas tem grande potencial econômico.

Antes de cultivar, saber como evitar as doenças das culturas de inverno e fazer o manejo correto é essencial. Assim, você garante a produtividade do grão.

Neste artigo, você saberá mais sobre como cultivar o grão e terá muitas outras informações. Confira!

Características gerais da cevada 

A cevada é uma planta típica de inverno.

Ela precisa de períodos frios para se desenvolver, e não se adapta a qualquer região. A região Sul do Brasil possui os requisitos ideais para o desenvolvimento da cevada.

O período de cultivo no Sul é entre junho e novembro. Em São Paulo, Goiás e Minas Gerais, pode ser produzida entre maio e setembro.

A germinação leva de um a três dias, e o ciclo total dura 110 dias.

Foto aproximada de espigas de cevada na lavoura

Espigas de cevada com aquênios ovalados

(Fonte: Embrapa)

É uma das culturas mais cultivadas no mundo, com área plantada de mais de 50 milhões de hectares.

Para 2022, há expectativa de produção de 427,5 mil toneladas de grãos.

A planta é utilizada principalmente como:

  • fonte de nutrientes para animais (forragem e ração);
  • alimentação humana (farinha);
  • matéria-prima da indústria cervejeira (malte).

No Brasil, a malteação é o principal uso e o maior potencial econômico da cevada. Afinal, o país produz 30% da demanda da indústria cervejeira.

Cevada como oportunidade de renda

A produtividade da cevada gira em média de 4000 kg/ha. Há um potencial produtivo de mais de 5000.

Segundo pesquisador da Embrapa trigo, os preços podem variar de 120% a 135% do preço do trigo pão quando houver boa qualidade de grãos.

A rentabilidade tende a aumentar se houver mais de 85% dos grãos na classe 1. Além disso, deve chegar a 150% a mais que o preço do trigo.

O Brasil é um dos maiores mercados consumidores de cerveja no mundo. Por isso, absorve cerca de 70% dos grãos para malteação.

Foto de grãos de cevada maltados. Dos grãos, saem pequenos fiapos claros.

Grãos de cevada maltados

(Fonte: HominiLupulo)

Quando não atende à demanda das cervejarias, a cevada é destinada para ração animal. Essa indústria absorve 30% da produção.

A cervejaria Ambev, uma das maiores do mundo, anunciou em 2021 que incentivará a produção de cevada em Santa Catarina.

A empresa fornece a semente e possui contratos de venda garantida para o produtor. 

A expectativa da empresa é haver oferta de 2000 hectares nos próximos anos. Isso é muito mais que os atuais 500 hectares aproximados.

Por ser um mercado pouco explorado, o cultivo da cevada pode te render grandes lucros. Além disso, a cultura trará benefícios à sua lavoura, como a proteção do solo no inverno. 

Cultivo da cevada como cultura de inverno

Cultive a cevada nas estações mais frias (outono e inverno).

Planeje a sua safra de acordo com as perspectivas para a lavoura. A cevada para grãos ou para malte requerem algumas particularidades.

De acordo com o zoneamento agroclimático, a cevada de sequeiro para malte é produzida em:

  • Santa Catarina;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul.

O cultivo sob irrigação é indicado para os estados:

  • São Paulo;
  • Minas Gerais;
  • Goiás;
  • Distrito Federal.

Semeadura

Semeie em solo com pH e nutrientes corrigidos de acordo com a recomendação regional. Dê preferência para o sistema de plantio direto.

Utilize densidade de semeadura para estabelecer uma população de 250 plantas/m², ou 2.500.000 plantas/ha. O espaçamento entre linhas deve ser entre 15 cm e 20 cm.

Foto aproximada de plântulas da cevada na lavoura, sobre palha.

Plântulas de cevada na lavoura

(Fonte: Embrapa)

Uma cultivar com alta capacidade de perfilhamento pode ser plantada com até 30 cm com a mesma densidade de plantas.

Utilize a profundidade de 3 cm a 5 cm, depositando as sementes uniformemente.

Nutrição

A cevada é suscetível à acidez. Utilize calcário para elevar o pH do solo para 5,5 – 6,0. Essa prática também coloca cálcio e magnésio no solo.

A dose de nitrogênio varia de acordo com a quantidade de matéria orgânica no solo. Ela também varia de acordo com a cultura anterior e expectativa de rendimento.

Aplique entre 15 kg e 20 kg de nitrogênio por hectare na semeadura. O restante deve ser aplicado em cobertura entre os estádios de afilhamento e alongamento. 

Reduza a dose de cobertura em cultivares suscetíveis ao acamamento.

Doses maiores que 40 kg de nitrogênio por hectare podem ter a cobertura dividida em duas: 

  • no início do afilhamento;
  • e o restante no início do alongamento.

É necessário usar redutor de crescimento em alguns cultivares. Aplique dose de 0,4 L/ha do produto Moddus quando visualizar o primeiro nó no colmo principal.

As quantidades de fósforo e potássio são determinadas em função de dois fatores: 

  • seu teor no solo;
  • expectativa de rendimento da cultura.

Faça a interpretação da análise de solo e considere aspectos financeiros para determinar a dose e fontes de fósforo e potássio utilizar.

Manejo integrado

Dê preferência a áreas sem gramíneas no último ano, com prática do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

Quando for escolher a sequência de espécies para usar na rotação de culturas, considere:

  • Aspectos técnicos: fertilidade exigida, suscetibilidade a pragas e doenças, controle de plantas daninhas, disponibilidade de equipamentos adequados;
  • Aspectos econômicos: expectativa de produção, custo de produção e preço de venda.

No sul do Brasil, as espécies recomendadas para um período de três anos envolve a sequência (cultura de inverno/verão): 

  1. aveia/soja;
  2. cevada/soja e leguminosa;
  3. nabo forrageiro/milho.

Com a rotação de culturas, haverá menor incidência de doenças, pragas e plantas daninhas para todas as espécies da sequência.

Controle de plantas daninhas na cevada

Quando a infestação exigir o controle químico das plantas daninhas, lembre-se de fazer a limpeza do pulverizador agrícola. Use todos os equipamentos de proteção individual.

Use entre 100 L e 150 L de calda por hectare. Os bicos devem se adequar às condições ambientais locais.

Veja a seguir os herbicidas recomendados para a cevada:

Tabela com nomes de herbicidas indicados para o controle de daninhas na cevada

Herbicidas indicados no controle de daninhas na cevada

(Fonte: Embrapa)

Controle de pragas

Pulgões, lagartas e corós são as pragas mais comuns. Elas podem reduzir a produção de grãos.

Faça o Manejo Integrado de Pragas adequadamente para a população não atingir o nível de dano econômico. Utilize o controle biológico sempre que possível.

Caso a população de pragas exija o controle químico, use produtos indicados para a cultura. Estes produtos estão disponíveis no site Agrofit, do Ministério da Agricultura.

Controle de doenças

Diversas são as doenças que afetam a cevada. Fique de olho e faça monitoramento periódico na lavoura.

As melhores estratégias de controle são:

  • rotação de culturas;
  • eliminar plantas voluntárias e hospedeiros secundários;
  • usar sementes sadias e tratadas;
  • optar por cultivares resistentes;
  • usar produtos biológicos
  • aplicar fungicidas específicos.

Colheita

A colheita deve ser realizada em dias secos, evitando períodos de orvalho.

O grãos devem estar com 15%, para evitar a secagem artificial e a colheita de grãos verdes.

A colhedora deve estar adequadamente regulada, para evitar perdas de grãos retidos nas espigas, descascamento e quebra de grãos.

Se houver manchas de plantas ainda verdes na área de cultivo, elas devem ser colhidas separadamente.

Guia completo sobre as culturas de inverno

Conclusão

A cevada deve ser cultivada nos meses mais frios.

Ela pode ser uma boa fonte de renda para a sua propriedade, com bons preços de venda.

Os grãos são destinados principalmente à indústria cervejeira, mas também para outras finalidades.

Por isso, se você busca uma opção para a entressafra, vale a pena considerar a cevada.

Restou alguma dúvida sobre porque a cevada como cultura de inverno é uma grande oportunidade de negócio? Deixe sua dúvida ou conte sua experiência nos comentários!

5 formas de implementar a automação agrícola na sua fazenda

Automação agrícola: veja quais são as possibilidades, os benefícios, áreas de atuação e muito mais!

A agricultura mundial está em um processo de modernização nas últimas décadas. O aumento da eficiência de processos e um controle maior de atividades são os objetivos.

Por isso, o conceito de agricultura 4.0 tem sido bastante discutido no campo.

Tratores, semeadoras, pulverizadores e colhedeiras vêm sendo automatizados. A avaliação de lavouras por meio de drones e softwares de gestão de recursos humanos também.

Neste artigo, você saberá mais sobre como a tecnologia de automação está presente nas atividades agrícolas e todos os seus benefícios. Aproveite a leitura!

Importância da automação para a Agricultura 4.0

Você já deve saber que as principais bases da Agricultura 4.0 são:

  • gestão a partir de dados;
  • produção a partir de novas ferramentas e técnicas;
  • sustentabilidade;
  • profissionalização.

A automação tem papel importante em cada uma dessas etapas. 

Ela gera dados confiáveis e em intervalos de tempos melhores. Isso permite maior assertividade nas tomadas de decisão e gestão da propriedade.

A automação agrícola também é crucial no uso e implantação de novas ferramentas e técnicas agrícolas baseadas em sensores mais modernos. 

Ela permite a implantação da agricultura de precisão

Essa maior assertividade diminui o desperdício e uso indevido de recursos como água, produtos químicos, sementes e combustível.

A consequência é um aumento da sustentabilidade ambiental e econômica do agro.

Esse conjunto de técnicas também aumenta a profissionalização das atividades, desde o campo até a administração. Isso diminui muito os seus riscos. 

Áreas de atuação da automação agrícola

Há várias áreas que podem ser automatizadas ou adaptadas para o uso de avanços tecnológicos

Muitos desses avanços estão relacionados ao uso de diversas tecnologias da automação industrial

Sensores, micro controladores e sistemas de localização, como o GPS, são alguns exemplos.

A automação agrícola está presente em áreas como:

  • Captação de dados: o uso de sensores para medições de características de solo, planta e clima aumenta a capacidade de monitoramento dos cultivos;
  • Máquinas e sistemas inteligentes: tratores e implementos com maior tecnologia permitem um manejo diferencial de áreas com características diferentes. Elas são verificadas através dos dados captados;
  • Localização: o uso de tecnologias como o GPS permite o uso combinado de dados e máquinas de sistema inteligente. Eles geram mapas específicos de cada área de acordo com produtividade, características do solo, doenças, nutrição, etc.
  • Armazenagem e análise de dados: o armazenamento de dados em nuvens e o uso de sistemas de análise aumentam a capacidade de entendimento dos processos na atividade agrícola;
  • Gestão: a automação de atividades como controle de estoque, horários de funcionários, compra e venda de produtos auxiliam na gestão da propriedade. Como consequência, os desperdícios são diminuídos e os processos ganham mais eficiência.

5 tecnologias disponíveis para automação agrícola

1. Sensores

Existem inúmeros tipos de sensores para avaliação do sistema de produção agrícola. Alguns exemplos são sensores de:

  • umidade;
  • compactação de solo;
  • temperatura e umidade do ar;
  • coloração e teor de água da vegetação, entre outros.
Sensor de umidade sobre planta. O sensor é pequeno, redondo e prateado.
Sensor de umidade foliar
(Fonte: Walz)

2. Máquinas

Tratores, pulverizadores, semeadoras e colhedeiras com GPS, piloto automático e aplicação diferencial têm grande desenvolvimento tecnológico. O melhor de tudo é que eles têm estado cada vez mais viáveis.

Esquema que mostra como o herbicida é aplicado, através de uma máquina.
Esquema de aplicação diferencial de herbicida
(Fonte: Agronline)

3. Drones e aviões 

O uso de equipamentos que permitam o sensoriamento remoto do cultivo aumenta a capacidade de cobertura e o monitoramento da área.

Além disso, eles podem ser usados também para aplicações de produtos com maior alcance e menor tempo.

Foto de drone sobrevoando lavoura
Drone em uso em área agrícola
(Fonte: Atomic Agro)

4. Sistemas inteligentes

Sistemas automáticos que recebem dados e tomam decisões são uma opção para manejos automáticos. A irrigação é um dos principais.

Um conjunto de sensores e microcontroladores são suficientes para automatizar um sistema de irrigação.

5. Softwares de gestão 

Atualmente, existem opções de softwares de gestão que auxiliam no controle de equipamentos, bens de consumo e pessoas, tanto no campo quanto no escritório. 

Eles substituem o uso de planilhas físicas, uma vez que oferecem uma análise de dados mais rápida, segura e eficiente, otimizando a administração da lavoura.

Um bom exemplo disso é o Aegro, sistema que garante maior controle da fazenda de ponta a ponta, automatizando processos e organizando fluxos de trabalho com poucos cliques.

Foto de uma tela do app Aegro, na apa de operações de safra. Na tela, é possível ver todas as tarefas em andamento.
Planeje e acompanhe todas as operações da safra a partir do Aegro

A partir dessas informações, o software gera indicadores de produção que te ajudam a entender os custos por cultivar, qual o talhão mais produtivo, entre outras métricas de desempenho. 

Foto de uma tela do app Aegro, na aba de análise de cultivos. O andamento dos cultivos é exposto através de barras verdes.
No Aegro, você consegue personalizar sua análise do cultivo

Além disso, ele reúne diversas soluções em tecnologia agrícola, inclusive algumas que citamos anteriormente, em uma só ferramenta.

Como a integração com os sistemas de maquinário da Climate FieldView™ e o Operations Center da John Deere, as imagens NDVI por satélite e os mapas de calor para o manejo de pragas e doenças.     

Você pode pedir uma demonstração do Aegro ou testar o app gratuitamente na sua propriedade por 7 dias!

A agricultura digital e de precisão

O uso do conjunto de tecnologias de automação e comunicação é uma das bases da Agricultura Digital.

Um dos benefícios do uso da agricultura digital é a possibilidade de aumentar a eficiência e assertividade das atividades agrícolas. 

Isso também é conhecido como agricultura de precisão.

A agricultura de precisão é extremamente dependente da automação agrícola na captura de dados por meio de sensores, direta ou remotamente. 

Ela também necessita dos sistemas de localização precisos, que se comuniquem com máquinas automáticas e tecnologia de ponta, como os recursos do Aegro.

Tela do app Aegro, na aba de informações das máquinas. É possível ver todas as tarefas realizadas pelo maquinário.

O Aegro conecta informações das operações realizadas pelas suas máquinas

Isso permite criar e armazenar informações em tempo real ou avaliar no detalhe áreas específicas de talhões. 

Esse processo auxilia no entendimento dos possíveis pontos de melhoria.

Por exemplo, é possível realizar um manejo diferente e mais eficiente em uma área que teve menor produtividade. 

Afinal, você poderá enxergar os problemas de maneira mais prática e rápida, e terá mais tempo hábil para tomadas de decisões.

Foto de uma tela do app Aegro, na aba de imagens NDVI. É possível ver a lavoura através de vista aérea, com as marcações de NDVI na tela.

Monitoramento da saúde e produtividade da lavoura pelos mapas NDVI no Aegro

Conclusão

A agricultura moderna tem sofrido extrema pressão para o aumento da produtividade agrícola. O uso sustentável de recursos e a proteção ambiental também estão nessa agenda. 

Os métodos citados neste texto deixaram de ser um diferencial e estão sendo obrigatórios no meio rural.

A aplicação de técnicas de automação tende a aumentar a capacidade de produção e de uso de recursos

Elas mapeiam os pontos limitantes e dão a você maior autonomia e capacidade de gerenciamento da sua propriedade.

>> Leia mais: “Conheça as 8 melhorias que a mecanização agrícola traz para a sua fazenda

Quais meios de automação agrícola você já utiliza na sua fazenda? Quais ainda não utiliza, mas implementará em breve? Deixe seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre Macrophomina em soja

Macrophomina em soja: saiba o que é, quais os sintomas, como a doença se desenvolve e como realizar o manejo

O fungo Macrophomina phaseolina é o causador da doença podridão de carvão na cultura da soja

Essa doença também é conhecida por podridão negra da raiz ou podridão cinzenta da raiz. Ela é bem presente nas áreas produtoras de soja no país.

Além da soja, esse fungo também ataca o feijão, milho, sorgo, algodão, girassol, café e citrus. Algumas plantas daninhas também são hospedeiras do fungo. 

Confira a seguir um pouco mais sobre a podridão de carvão e aprenda a manejar a doença.  

Sintomas de Macrophomina em soja

Nas lavouras de soja, a distribuição dos sintomas da podridão de carvão não é uniforme. Eles podem ser observados tanto em fileiras de plantas quanto em reboleiras

Um sintoma característico é a presença de minúsculas partículas pretas na porção inferior do caule e nas raízes. 

Dependendo do grau de severidade da doença, o sintoma pode ser observado em toda a planta. Essas partículas escuras são fonte de contaminação para a próxima safra

A presença das partículas dá ao caule e raízes aparência empoeirada, parecido com pó de carvão. 

Outro sintoma é o escurecimento dos tecidos vasculares do caule e raízes.

Foto de tronco de soja com sintomas da podridão do carvão. O tronco está descascando e o centro está necrosado.

Sintoma característico da doença podridão de carvão quando a epiderme do caule é raspada

(Fonte: Bayer)

A infecção das plantas ocorre logo nas primeiras semanas após o plantio. No entanto, enquanto não houver condições favoráveis, a doença permanece latente, sem se manifestar.

É comum que os sintomas da podridão de carvão apareçam durante a fase reprodutiva das plantas de soja. 

Apesar disso, sob condições favoráveis, mudas recém-germinadas também podem apresentar sintomas.

Esses sintomas  incluem o aparecimento de lesões marrons no hipocótilo.

A podridão de carvão provoca também maturação precoce e desuniforme, e prejudica o enchimento de grãos da soja. Além disso, a doença reduz a qualidade da semente.

Como identificar

Plantas de soja doentes podem apresentar: 

  • perda de vigor;
  • menor estatura;
  • folhas pequenas, que podem estar enroladas ou não. 

Com a evolução da doença, as folhas ficam amarelas, murcham e morrem. As raízes também apodrecem, então fique de olho nesses sinais.

Mesmo após a morte das folhas, elas podem continuar presas à planta-mãe.

Esses sintomas foliares podem ser confundidos com várias outros distúrbios ou doenças da soja, como nematoides, estresse hídrico e senescência precoce.

O diagnóstico correto é essencial para traçar um plano de manejo eficiente, seja qual for a origem do problema.

As lavouras doentes têm o estande de plantas reduzido e, consequentemente, têm menor produtividade.

Foto de lavoura de soja com estande reduzido. Algumas plantas estão amareladas e murchas.

Plantas de soja com sintomas de podridão de carvão

(Fonte: Iowa State University)

Condições para o desenvolvimento da doença

A podridão de carvão na soja tem maior ocorrência em solos compactados e temperaturas entre 28 °C a 35 °C.

Os danos causados pela doença são mais severos quando as plantas estão sob altas temperaturas e estresse hídrico.

Períodos secos também contribuem para a incidência e a severidade da doença.

O fungo causador da podridão de carvão sobrevive no solo e em restos culturais. Essas são as principais fontes do inóculo. 

A transmissão do patógeno ocorre via sementes contaminadas. Elas, geralmente, não apresentam sintomas.

Ciclo da Macrophomina

O fungo Macrophomina phaseolina pode sobreviver mesmo sob condições adversas. Ele sobrevive em forma de pequenas estruturas escuras, em restos culturais e no solo. 

Microescleródios do fungo M. phaseolina causador da podridão de carvão na soja

(Fonte: Crop Protection Network)

Sob condições favoráveis, essas estruturas germinam e infectam o sistema radicular das plantas. 

A partir daí, o fungo se multiplica no interior das raízes e caule das plantas. 

À medida que novas estruturas e hifas são formadas, ocorre a obstrução dos tecidos vasculares das plantas. Como consequência, há interferência na absorção de água e nutrientes.

A presença de novas estruturas dá às raízes e ao caule das plantas de soja aparência parecida com pó de carvão.

Quando as plantas infectadas morrem, essas estruturas são liberadas na área. Elas são fonte de contaminação para a próxima safra.

Esquema do ciclo da doença causada pela macrophomina em soja.

Ciclo da doença podridão de carvão na soja

(Fonte: Traduzido de Crop Protection Network)

Manejo da Macrophomina em soja

A podridão de carvão é uma doença de difícil controle.

Até o momento, não há produtos químicos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle.

Também não há cultivares resistentes ao fungo no mercado. Porém, genótipos que apresentaram menor sensibilidade à doença já foram identificados.

Um aspecto que contribui para o difícil controle da doença é o fato de o fungo se alimentar de diferentes culturas.

Dessa forma, a rotação de culturas não é uma alternativa eficiente para o controle da doença.

Adotar medidas preventivas que contribuam para o bom desenvolvimento da lavoura de soja é essencial.

A data de plantio deve ser orientada segundo o calendário agrícola da região. Isso colabora para diminuir os riscos de estresse hídrico

Uma lavoura que tenha as suas necessidades nutricionais atendidas tem maiores chances de resistir à doença. Por isso, faça uma adubação equilibrada, baseada na análise de solo da área.

O manejo de plantas daninhas também é fundamental para eliminar espécies que possam ser hospedeiras da doença.

O controle dessas plantas reduz a competição por água, luz, nutrientes e espaço. Controle as plantas daninhas também nas bordaduras e nos carreadores da lavoura.

Outro método que você pode adotar é a limpeza das máquinas e implementos agrícolas antes de transferi-los para outra área. 

Isso evita que torrões de solo com restos culturais contaminados e partículas da doença sejam transportados para áreas sem o fungo.

planilha - monitore e planeje a safra de soja de forma automática

Conclusão

A podridão de carvão é uma doença perigosa para a cultura da soja. Como não há produtos específicos para eliminá-la, você deve ter atenção redobrada na sua lavoura.

Procure eliminar as condições ideais para o desenvolvimento da podridão de carvão. Evitar altas temperaturas e períodos secos é um bom passo.

Algumas cultivares já se mostraram resistentes à doença. Procure investir nelas para, assim, garantir a produtividade da sua sojicultura.

>> Leia mais:

Seguro soja: por que você deve fazer

O que você precisa saber para fazer aplicação de fungicidas na soja

Como identificar e fazer o manejo da podridão vermelha da raiz da soja

Podridão parda da haste da soja: como identificar e controlar

Você já conhecia a Macrophomina em soja? Já enfrentou problemas para controlar essa doença na lavoura? Adoraria ler seu comentário.

Como fazer a implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

Consórcio milho-braquiária: saiba quais os benefícios, qual espaçamento utilizar, como semear, manejo de herbicidas e mais!

Já pensou em utilizar uma tecnologia que viabiliza o sistema plantio direto e produz grãos e palha para cobertura do solo?

O consórcio milho-braquiária proporciona esses e muitos outros benefícios. Um dos principais é o aumento da produtividade da soja em sucessão.

Para saber se vale a pena investir nessa tecnologia de consorciação, você deve estar por dentro de todas as características e exigências.

Nesse artigo, você encontrará dicas de implantação e manejo do consórcio milho-braquiária. Confira a seguir!

Implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

O cultivo consorciado de milho safrinha com braquiária é eficiente para a formação de pastagem e de palha para cobertura do solo.

Ele proporciona melhorias dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo. A semeadura do milho e da forrageira deve acontecer ao mesmo tempo, para diminuir custos.

O milho deve ser cultivado como se fosse solteiro. Isso pode te garantir altas produtividades.

Escolha da forrageira

A escolha da forrageira dependerá do objetivo do consórcio.

Tabela com forrageiras indicadas de acordo com o tipo de consórcio milho-braquíária

Na formação de pastagem permanente, a população da forrageira deve ser aumentada.

Devem ser aplicadas subdoses de herbicida para retardar o seu crescimento inicial e reduzir sua competição com o milho.

Quanto semear por metro quadrado?

A população adequada da forrageira é um dos principais fatores para o sucesso do consórcio milho-braquiária.

Uma quantidade maior que o recomendado prejudica o desenvolvimento do milho. A população da braquiária deve estar entre 5 e 10 plantas por metro quadrado.

As sementes devem ser distribuídas uniformemente na área.

Quantidades maiores são utilizadas para formação de pastagem. As menores, para cobertura do solo.

A equação abaixo pode ser utilizada para estimar a quantidade de sementes e ajustar a quantidade de plantas da forrageira.

Veja:

Fórmula: taxa (kg/ha) = pop * PMS sobre VCG
  • Taxa: Quilos de sementes por hectare;
  • Pop: População de plantas por metro quadrado;
  • PMS: Peso de mil sementes;
  • VCG: Valor cultural de germinação.
  • Importante: o valor cultural de germinação (VCG) não é o valor cultural (VC).

O VCG é calculado pela equação abaixo:

Fórmula: VCG = %pureza * %germinação sobre 100

O resultado obtido será em quilos de sementes comerciais por hectare.

Imagine que você irá semear um hectare de B. ruziziensis, com população de 8 plantas por metro quadrado. 

Considere o peso de mil sementes de 5,55 gramas e VCG de 65%. Assim, seriam necessários 0,683 kg/ha.

Em uma propriedade de 500 hectares, seriam necessários 341 kg de sementes de B. ruziziensis.

Esse cálculo pode te ajudar  a adquirir a quantidade necessária de sementes para estabelecer a lavoura.

Veja alguns cuidados que você deve tomar:

  • adquira sementes de empresas que forneçam garantia de germinação;
  • invista em lotes com alto percentual de pureza; 
  • controle pragas iniciais, principalmente lagartas, para que não haja redução da população da forrageira.

Qual espaçamento utilizar?

O espaçamento entre plantas é definido em função do posicionamento das sementes da forrageira em relação às sementes do milho. Ele pode ser feito de diversas formas.

Linha intercalar

Nessa modalidade, a semeadura é realizada em linhas intercaladas de milho e forrageira. Pode ser utilizada para formação de palhada e cobertura do solo.

É uma modalidade de consórcio eficiente e de baixo custo. Aqui, você posiciona as sementes em profundidade adequada para a germinação (3 cm a 4 cm).

Foto de lavoura com consórcio milho-braquiária. As plantas de milho estão intercaladas com as braquiárias.

(Foto: Gessí Ceccon, 2015)

Restrito a espaçamentos de 0,70m a 0,90m entre linhas de milho. Também é restrito a espaçamentos de 2 linhas de milho e 1 de braquiária, com 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Em linhas

Nessa modalidade, a forrageira é semeada na mesma linha do milho.

Posicione as sementes da braquiária em profundidade adequada de germinação (2 cm a 3 cm).

As sementes da forrageira podem ser misturadas ao adubo, porém, sua emergência será afetada. É recomendada para espaçamentos de 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Indicada tanto para produção de palha e cobertura do solo quanto para formação de pastagem.

Em área total

As sementes de forrageira são distribuídas a lanço, em área total e antes da semeadura do milho. Por depender das condições climáticas, essa modalidade tem menor precisão no estabelecimento.

A quantidade de sementes deverá ser maior, pois há forte dependência da qualidade operacional. A implantação da forrageira em área total é indicada para qualquer espaçamento.

Como realizar a semeadura do consórcio milho-braquiária?

A semeadura do consórcio pode ser realizada de três formas:

Com disco para sementes de forrageiras nas caixas de sementes

Esse tipo é recomendado para semear a forrageira nas entrelinhas do milho.

Possui ajuste complexo. Afinal, a população da forrageira depende da população de plantas do milho, do diâmetro do furo do disco e da germinação da forrageira.

Com caixa adicional para sementes de forrageira ou “terceira caixa” acoplada à semeadora

Esse tipo é recomendado para qualquer modalidade de consórcio. O milho e a forrageira são semeados simultaneamente.

Porém, você tem autonomia para posicionar as sementes da forrageira e para regular a sua população.

Com uma operação adicional para distribuição das sementes da forrageira

A semeadura à lanço pode ser realizada com semeadora ou avião antes da semeadura do milho, como uma operação adicional.

Manejo com herbicidas

As espécies forrageiras são divididas em três grupos, de acordo com a sua sensibilidade aos herbicidas:

  • B. ruziziensis, B. brizantha cv. Paiaguás e P. maximum cv. Aruana, são muito sensíveis a herbicidas;
  • P. maximum cv. Tamani, Massai e Tanzânia e B. decumbens, B. brizantha cv. Xaraés, Marandu e Piatã são moderadamente sensíveis;
  • P. maximum cv. Mombaça e Zuri são pouco sensíveis.

Forrageiras pouco sensíveis devem receber doses maiores de herbicida para reduzir o seu crescimento e facilitar a sua dessecação.

Herbicidas em pós-emergência

Quando há excesso de plantas ou quando o consórcio objetiva a formação de pastagem, aplique herbicida para diminuir a competição com o milho.

O herbicida atrazine pode ser utilizado como pós-emergente para controlar soja tiguera, sem causar danos na forrageira.

Os herbicidas mesotrione e nicosulfuron podem ser utilizados em pós-emergência para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas.

Tabela de doses de herbicidas

 Herbicidas e doses a serem aplicadas no consórcio em pós-emergência do milho e da forrageira

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Pontos de atenção:

  • o mesotrione tem ação rápida e permite a retomada do crescimento da forrageira;
  • o nicosulfuron tem ação prolongada e reduz o crescimento da forrageira.
  • é recomendo acrescentar 0,5% de óleo mineral ao volume de calda para aplicações em pós-emergência.

Dessecação da forrageira para semeadura da soja

O consórcio milho-braquiária possui uma vantagem importante. Ele aumenta a produtividade da soja em sucessão. 

A dessecação para o plantio da soja é determinada por fatores como:

  • sensibilidade da forrageira ao herbicida;
  • quantidade de massa verde produzida;
  • condições climáticas durante o cultivo;
  • intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão;
  • dose do herbicida a ser utilizado.

Quanto mais tardia a dessecação da forrageira, maior a produção de massa verde e maior a dose do herbicida.

Para forrageiras mais sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão podem ser menores.

Já para forrageiras menos sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão devem ser maiores.

Tabela com tipo de forrageira e dose de produto comercial correspondente, usados no intervalo de dessecação do consórcio milho braquiária

 Doses do herbicida glifosato para dessecação de forrageiras e intervalo entre a dessecação e a semeadura da soja em sucessão

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Benefícios do consórcio milho-braquiária

  • cobertura satisfatória do solo, promovendo muita matéria orgânica;
  • favorece a infiltração de água;
  • maior exploração do perfil do solo pelas raízes;
  • menor ocorrência de processos erosivos, reduzindo a lixiviação de nutrientes;
  • acesso a água e nutrientes;
  • melhorias físico-químicas do solo;
  • maior atividade biológica do solo;
  • aumento da produtividade da soja em sucessão;
  • redução da oscilação de temperatura;
  • supressão de plantas daninhas.
Kit de Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

Conclusão

O consórcio milho-braquiária aumenta a produtividade da soja em sucessão.

Essa junção produz quantidade satisfatória de palha para a cobertura do solo. Isso diminui a ocorrência de processos erosivos.

Proporciona melhorias nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio milho-braquiária  é vantajoso na sua fazenda!

>> Leia mais:

5 passos para cultivar o consorcio cana e milho

O que você precisa saber sobre cobertura do solo com nabo forrageiro

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você utiliza ou quer utilizar o consórcio milho-braquiária em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!