Commodities agrícolas: conheça os 4 tipos de negociação

Commodities agrícolas: veja como funcionam, os tipos de negociações possíveis, as diferentes categorias e mais!

Commodities agrícolas são mercadorias que sofrem pouca ou nenhuma interferência industrial. Soja, milho e café são apenas alguns exemplos.

Se você produz alguma dessas culturas, ficar por dentro do mercado das commodities é fundamental. Afinal, esse mercado pode influenciar muito o gerenciamento da fazenda.

Quer conhecer os diferentes tipos de negociação, como funciona este mercado e como você pode sofrer os impactos? Acompanhe o artigo! 

O que são commodities agrícolas?    

Commodities agrícolas são as mercadorias do agronegócio que sofrem o mínimo possível de interferências industriais em seus processos.

Commodity significa mercadoria. Ele vale para a maioria dos produtos comercializados no mercado internacional.

O preço de uma commodity não possui grandes diferenças de um país para o outro. Afinal, o produto segue uma padronização de tamanho, tipo, peso, dentre outras especificações.

Commodities negociadas em qualquer país vão obedecer a um preço internacional por determinada quantidade/peso.

Fatores que influenciam os preços das commodities     

As commodities sofrem impacto com as mudanças climáticas (secas, geadas, La Niña e excesso de chuvas). Perdas em diversas culturas são a consequência.

A situação fica mais preocupante por causa da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que agravou a crise dos fertilizantes.

Esses fatores fazem com que os preços das commodities agrícolas e dos insumos necessários para produzi-las sofram grandes mudanças.  

A variação de preços é influenciada pela bolsa de valores. Nas bolsas, são registrados os preços que vão balizar as negociações atuais ou do mercado futuro.

Os preços sofrem oscilações acontecem por vários fatores. Por exemplo: safra, entressafra, distância entre compradores e vendedores, eficiência dos portos.

Outras influências nos preços das commodities são:

  • Riscos geopolíticos, como o da guerra na Ucrânia;
  • Crises sanitárias (pandemia de Covid-19);
  • Cenários macroeconômicos;
  • Nível de desenvolvimento da economia internacional, sobretudo porque eles são indicativos das demandas por matérias-primas ou produtos primários e da movimentação de câmbio.

Requisitos das commodities agrícolas    

Para ser uma commodity, a mercadoria precisa ser negociada em bolsa de valores. Ela também precisa obedecer características pré-estabelecidas do contrato negociado em bolsa.

Por exemplo, a soja precisa ter um máximo de 14% de umidade, máximo de 8% de grãos avariados, máximo de 8% de grãos esverdeados e até 30% quebrados. Caso a saca não se enquadre nessas regras, ela não pode ser negociada.

Para ser uma commodity, a mercadoria precisa ser negociada em bolsa de valores. Nelas são registrados os preços que vão balizar as negociações atuais ou do mercado futuro 

Para um produto agrícola ser considerado commodity, deve ser in-natura ou sofrer o mínimo de interferência possível da indústria.

As commodities agrícolas são produtos primários. Por exemplo, o grão de café é uma commodity, mas a bebida pronta não. Chocolate não é commodity, mas o cacau é.

Quais mercadorias são consideradas commodities    

As mercadorias consideradas como commodities podem ser:

  • Financeiras (títulos do Tesouro Direto, euro, dólar, real, além de moedas fiduciárias);
  • Ambientais (água, energia, madeira);
  • Agrícolas.

Na agricultura, existem vários produtos comercializados no mercado nacional e no internacional. 

O Brasil é destaque como maior produtor e exportador de soja, açúcar, café e suco de laranja. Também é um grande competidor de milho, algodão e carnes

Quais são os tipos de commodities?

As commodities são classificadas “de origem” e “por uso”. A classificação é feita conforme a organização do próprio mercado. 

As commodities do grupo de origem são:

  • Agrícolas: soja, milho, café, açúcar, algodão, biocombustíveis, trigo, cacau;
  • Minerais: gás natural, petróleo, minérios;
  • Industriais: inclui os petroquímicos. 

O grupo de commodities do grupo por uso são:

  • Alimentos: soja, milho, açúcar;
  • Metais: minérios, aço, alumínio;
  • Energia: petróleo, gás, gasolina, biocombustíveis;
  • Fibras: pluma de algodão, fibras sintéticas.

As commodities também podem ser agrupadas entre soft e hard. As soft commodities são os produtos agrícolas e as hard commodities os minerais.

Imagem do quadro de commodities da bolsa de valores do Brasil

Quadro de commodities da B3, a bolsa de valores do Brasil

(Fonte: B3

Subdivisões das commodities    

As commodities agrícolas possuem uma subdivisão:

  • grãos: soja, milho e trigo;
  • proteínas: carnes, leite e derivados;
  • softs: açúcar, cacau, café, suco de laranja e algodão.

Esse agrupamento pode variar de acordo com o que cada país produz. No entanto, seguem a mesma linha de comercialização e padronização.

Talvez você tenha estranhado não ter visto o feijão nessa lista de commodities agrícolas. Ele, apesar de também ser exportado, não é considerado uma commodity. 

Isso acontece por o feijão ser de difícil padronização. Há diferentes características dele, assim como do arroz, como teores de amilose e amilopectina, além do comprimento dos grãos.

Como funciona o mercado de commodities agrícolas   

As negociações das commodities agrícolas podem ser feitas no mundo todo.

No mercado internacional, um dos principais fatores que interferem nos preços das commodities é a oferta e a demanda agregada.

Normalmente, as empresas não interferem nos preços das negociações. 

Porém, as indústrias nacionais estão com prêmios mais altos que a exportação nos últimos tempos. Isso acaba influenciando, mesmo que indiretamente, o mercado físico e os preços.

Os países também possuem poder limitado de influenciar nos preços das commodities. 

Uma vantagem das bolsas de valores é que algumas delas atuam também com a estocagem de commodities para venda futura. Por exemplo, as bolsas de Nova Iorque, Chicago e Londres.

Isso favorece as commodities agrícolas porque a oferta ocorre durante certa época do ano, mas a demanda ocorre o ano todo

A instabilidade dos preços é uma grande característica das commodities agrícolas.

Isso porque as culturas sofrem grande influência das instabilidades climáticas. Elas interferem nas épocas de plantio e colheita, bem como no volume da produção.

Tipos de negociações das commodities agrícolas 

Existem quatro tipos de mercados de negociação das commodities agrícolas:

1. Mercado físico

Se caracteriza pela troca de mercadorias em dinheiro (à vista). 

A venda é feita para um comprador que atua no mercado físico, também conhecido como spot ou disponível.

2. Mercado a termo

Nesta negociação, ocorre um acordo de pagamento a prazo entre vendedor e comprador. Todos os detalhes da negociação são definidos previamente, sem haver variações de preço após finalizado o acordo.

Com isso, neutraliza-se a instabilidade dos preços. Isso pode causar prejuízos ou lucros para as partes, a depender do cenário futuro do produto negociado.

3. Mercado futuro

Segue o mesmo tipo de negociação do mercado a termo. A diferença é de que os contratos futuros derivam de produtos agrícolas, e não ocorre a entrega física quando o contrato é encerrado. 

É também conhecido como mercado de derivativos.

A liquidação é financeira, com diferença de preços baseada nas oscilações da bolsa de valores. Com isso, ocorre uma maior proteção das safras agrícolas de eventuais prejuízos.

4. Mercado de opções

É também um mercado de derivativos. Porém, ele dá a opção para o negociador vender ou comprar um produto agrícola com prazos e preços pré-definidos.

Cenário das commodities do Brasil

Nos últimos meses, o setor agrícola mundial tem sentido de maneira mais firme os impactos das mudanças climáticas nas negociações.  Com a guerra na Ucrânia, houve uma oscilação ainda maior dos preços das commodities.

Soja

A soja é um dos principais grãos produzidos no Brasil. O preço da soja tem sido muito influenciado pela instabilidade geopolítica no leste europeu. Outras grandes influências são as perdas da safra no Brasil e Argentina, devido à seca e excesso de chuvas. 

Entre fevereiro e março de 2022, o preço subiu 10,6% (está em US$ 16,9/bu). A colheita de deve ficar em 121,17 milhões de toneladas (-4,2%);

Milho

Em dois meses, o preço do milho valorizou 20,4% (cotado a US$ 7,64/bu), atingindo os maiores preços desde 2012.  O cenário de guerra na Ucrânia e seca no Brasil fizeram o preço disparar. 

A primeira safra deve ficar em 25 milhões de toneladas (-1,1%) e a segunda em 89,4 milhões de toneladas. Isso resultaria em safra recorde de 116,1 milhões de toneladas.

Algodão

A expectativa real de redução do consumo pela indústria, por conta do cenário global, fez preço cair 2,3%, indo a cUS$ 108,2/lp.

As cotações da pluma no Brasil devem seguir o mercado internacional, com preocupações com poder de compra por parte da indústria local;

Arroz

O preço do arroz aumentou 13,8% em dois meses, cotado a R$ 75,18/sc. Isso aconteceu devido à alta demanda provocada pelo andamento da colheita no Rio Grande do Sul. 

Na bolsa de Chicago, chegou a US$ 15/cwt, por conta da redução de área plantada nos EUA, secas e excesso de chuvas.          

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Conclusão

O mercado de commodities agrícolas é essencial para um controle maior sobre as negociações globais dos alimentos. As regras são claras e valem para todos.

Para quem produz, são várias as opções de negociação.

É importante estar sempre em constante atualização dos seus conhecimentos sobre o tema. O mercado varia bastante, e ficar sempre de olho é fundamental.

>> Leia mais: “O que é hedge e por que você deveria ter essa opção

Você costuma se informar sobre as commodities agrícolas? Quais são suas fontes de informação? Deixe seu comentário!

Impostos sobre a venda de soja: saiba quais são os principais

Impostos sobre venda de soja: saiba como funciona para pessoa física e jurídica, e regras para o MT, MS e RS.

A soja é a cultura agrícola mais importante do país. Sua cadeia de produção movimenta bilhões de dólares todos os anos, tanto em receita quanto em impostos.

É importante saber quais impostos incidem sobre a comercialização desse produto. Assim, é mais fácil traçar um plano de venda e chegar a um preço justo.

Neste artigo, veja como esses impostos funcionam e tire todas as suas dúvidas. Boa leitura!

Impostos sobre venda de soja para pessoa física x pessoa jurídica

Os impostos sobre a comercialização da soja variam de acordo com:

  • o regime tributário da empresa rural;
  • Estado de origem;
  • destino da mercadoria.

A escolha do regime de tributação impacta diretamente os resultados financeiros de quem produz. A diferença na tributação da venda de soja por pessoa física e a pessoa jurídica acontece na incidência do Funrural e do Imposto de Renda.

Veja um pouco mais sobre essas tributações.

Funrural

O Funrural é a contribuição previdenciária da atividade rural. Ela incide sobre a receita bruta de comercialização dos produtos.

Ele engloba o INSS Patronal, o Gilrat (Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho) e o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).

Para os produtores de soja, a alíquota do Funrural é de:

  • 1,5% para pessoa física;
  • 2,05% para pessoa jurídica.

Imposto de Renda

Para produtores pessoa física, a tributação do Imposto de Renda deve ser feita pela escrituração do Livro Caixa com todas as receitas, despesas e investimentos.

Se o resultado for apurado de forma presumida, a alíquota do IR fica limitada a 20% da receita bruta.

No caso da pessoa jurídica, a tributação vai depender do regime tributário que a empresa rural está enquadrada. A tributação pode ser feita pelo Simples Nacional, Lucro Real ou Lucro Presumido.

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PIS/Pasep e Cofins

A contribuição do PIS/Pasep e Cofins é aplicável apenas para as pessoas jurídicas e está suspensa sobre as receitas decorrentes da venda de soja por produtores, conforme Art. 29, Lei nº 12.865/2013.

As pessoas jurídicas têm direito ao crédito presumido do PIS/Pasep e Cofins. Isso desde que produzam mercadorias por processo de industrialização da soja adquirida de pessoa física ou cooperado pessoa física.

ICMS

O ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é de competência dos estados. Ele incide sobre as operações relativas à circulação de mercadorias. 

Nas operações interestaduais se aplica a alíquota de:

  • 12%, quando o  destinatário estiver localizado nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo;
  • 7%, quando o destinatário estiver localizado nos demais Estados e no Distrito Federal.

Em relação à tributação da soja na operação dentro do estado, depende da legislação de cada Unidade da Federação.  Agora, você verá a legislação em alguns dos estados produtores de soja.

Impostos sobre venda de soja por Estados

Mato Grosso

No estado do Mato Grosso (MT), a alíquota interna do ICMS para a soja é de 17%. Porém, o RICMS (Regulamento do ICMS) de 2014 determina algumas especificidades para a comercialização da soja.

De acordo com o Art. 31, inciso 2, do Anexo 5 do RICMS/MT, nas operações entre Estados, a base de cálculo do ICMS será reduzida para 70% do valor da operação nos casos de:

  • farelos;
  • tortas;
  • cascas;
  • sojas desativadas e seus farelos.

A regra vale quando esses elementos são destinados à alimentação animal ou fabricação de ração animal.

As operações dentro do Estado desses mesmos subprodutos, destinados à alimentação animal ou fabricação de ração, tem suas operações isentas até o final de 2032. Essa regra é de acordo com o  Art. 115, inciso 17, do Anexo 4 do RICMS/MT. 

Conforme Art. 7º do Anexo 7 do RICMS/MT, o imposto incidente na venda de soja em vagem ou batida poderá ser diferido no momento que ocorrer:

  • a venda para outro estado ou exterior
  • venda para outro estabelecimento comercial ou industrial; 
  • venda com destino a estabelecimento varejista; 
  • saída de produto resultante de seu beneficiamento ou industrialização.

O diferimento nas operações internas só poderá ser concedido para os produtores remetentes da mercadoria.  A regra vale para quem contribuiu para as obras e serviços do Sistema Rodoviário e Habitacional do Estado do Mato Grosso.

Mato Grosso do Sul

No Mato Grosso do Sul (MS), os produtores de soja devem recolher o ICMS nas saídas interestaduais de soja e farelo de soja. 

Isso vale quando os produtos são destinados a estabelecimentos industriais produtores de óleo de soja detentores de Regimes Especiais de Pagamento do ICMS.

Nas operações interestaduais de soja destinadas à alimentação animal ou à fabricação de ração animal, há uma redução de 30% da alíquota até 2025. Essa regra está de acordo com o Decreto n.º 15.643/2021.

A alíquota efetiva nas operações com soja dentro do estado é de 17%. Entretanto, para os casos que não se aplica o diferimento e que sejam destinados à comercialização ou industrialização, o produtor tem benefício da redução da base de cálculo.

Neste caso, a carga tributária de ICMS sobre a venda de soja é de 12% (Art. 23, Decreto nº 9895/2000).

As operações internas de soja podem ter o benefício de diferimento do ICMS a depender da destinação da mercadoria, como:

  • Soja destinada a estabelecimentos industriais, exceto estabelecimentos de ração animal;
  • Soja destinada a estabelecimentos industriais detentores de regimes especiais, exceto estabelecimentos de ração animal;
  • Soja destinada a estabelecimentos da própria cooperativa, cooperativa central ou de federação de cooperativa de que o produtor remetente faça parte, desde que seja detentor de regime especial;
  • Soja destinada à industrialização de ração animal pelo estabelecimento industrial adquirente;
  • Soja destinada a produtores rurais, para uso como ração animal.

>> Leia mais: “Guia completo para emitir a nota fiscal eletrônica de produtor no MS

Rio Grande do Sul

Segundo o Art.9º, inciso 9, alínea a do Livro 1 do RICMS/RS, as vendas dentro do Estado do Rio Grande do Sul são isentas de ICMS. Essa regra é válida quando os seguintes produtos são destinados à alimentação animal ou fabricação de ração:

  • farelos;
  • tortas de soja;
  • cascas e farelos de cascas de soja;
  • sojas desativadas e seus farelos.

Esse benefício é válido até o fim do ano de 2022.

Além disso, o comércio interno de cascas e farelos de cascas de soja, soja desativadas, seus farelos e o grão têm o benefício do diferimento da alíquota de ICMS.

Nas operações interestaduais desses produtos, a base de cálculo tem redução de 30% (corresponde a 70% da base de cálculo) até 2025. A regra está conforme o Art. 23, inciso 10, alínea a do Livro 1 do RICMS/RS 

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Conclusão

A tributação na venda de soja pode ser diferente de acordo com o regime de tributação do produtor rural, do subproduto e com o Estado de origem e de destino.

A comercialização de soja triturada, em farinha e resíduos sólidos provenientes da extração do óleo de soja isenta quem produz de impostos como PIS/Pasep e Cofins.

Ficar por dentro dessas regras pode ajudar quem produz a pensar melhor os preços de comercialização. Como consequência, mais lucros na venda podem ser possíveis.

Você sabe como funciona os impostos sobre venda de soja no seu Estado? Por onde costuma se informar? Adoraria ler seu comentário.

Guia completo de manutenção de máquinas agrícolas + planilha grátis

Manutenção de máquinas agrícolas: saiba quais são os principais processos, melhores épocas e cuidados que você deve tomar.

O trabalho em uma propriedade rural é baseado no uso das mais diversas máquinas

O uso inadequado do maquinário pode gerar custos desnecessários e queda de produtividade. Por isso, existem três tipos de manutenção que você pode e deve fazer: preditiva, preventiva e corretiva.

Quer conhecer todas elas e garantir uma ótima manutenção?

Neste artigo, confira os principais procedimentos de manutenção e tudo o que você precisa saber para manter sua frota em dia. Boa leitura!

Principais usos das máquinas agrícolas

São várias as atividades agrícolas que podem ser efetuadas por máquinas e implementos:

  • Preparo de solo: essa etapa consiste em revolver, descompactar, nivelar e fazer sulcos de plantio. As máquinas utilizadas são subsolador, grade, arado, sulcador;
  • Correção do solo e adubação: consiste em corrigir as propriedades químicas do solo por meio de adubos, gessagem e calagem. As máquinas utilizadas são carretas, calcareadoras, adubadoras;
  • Plantio: consiste em semear (no caso de sementes) ou plantar (no caso de plântulas ou toletes). As máquinas utilizadas são semeadoras e plantadoras;
  • Controle de plantas daninhas: consiste em diminuir ou eliminar a população de plantas que podem competir com a cultura de interesse. As máquinas utilizadas são roçadeiras, enxada rotativa, pulverizadores;
  • Controle de pragas e doenças: consiste em controlar a população de pragas e doenças que podem diminuir a produtividade das culturas. As máquinas utilizadas são pulverizadores, fumigadores, atomizadores;
  • Colheita: consiste em tirar do campo o produto agrícola de interesse como grãos, frutos ou plantas inteiras. As máquinas utilizadas são colhedora de grãos e ensiladora.

Além dos implementos mencionados, o trator agrícola  é uma máquina que está envolvida em todas essas atividades. 

Manutenção de máquinas agrícolas. Foto de vários tipos diferentes de máquinas, como trator, colhedeira de grãos, enxada rotativa, etc.

Exemplos de implementos agrícolas

(Fonte: Adaptação feita pelo autor)

Pra que serve a manutenção de máquinas agrícolas

As máquinas agrícolas podem ser muito caras e necessitar de alto investimento. 

Por isso, devem ser cuidadas e preparadas para o trabalho. Essa é uma forma de aumentar sua vida útil.

É importante  que o maquinário esteja sempre disponível e que apresente o menor número de falhas durante o funcionamento. Assim, suas tarefas na lavoura não serão atrasadas.

A manutenção prepara a máquina para estar em perfeitas condições de uso e diminui os riscos de problemas durante a atividade no campo. 

Isso aumenta a eficiência dos processos e evita perdas da sua cultura, de combustível, de tempo, de mão de obra e de insumos. Além disso, você garante um menor custo operacional das máquinas.

Porém, é importante lembrar que nem toda manutenção deve ser feita a qualquer momento. Veja um pouco mais sobre isso em seguida.

Épocas ideais para a manutenção de máquinas agrícolas

Os maquinários agrícolas são demandados em diferentes épocas do ano ou do ciclo das culturas. Pensando nisso, sempre planeje a manutenção de algumas máquinas enquanto outras estão em uso.

Por exemplo: arados e sulcadores são mais utilizados na época de estiagem, antes do plantio. 

Semeadoras são necessárias no início da safra e antes da implantação da safrinha. As colheitadeiras precisam estar disponíveis no final do ciclo das culturas

Seguindo esse exemplo, você pode planejar a manutenção das semeadoras durante o uso das colheitadeiras. Assim, para a próxima semeadura, elas estarão prontas e disponíveis.

O planejamento das épocas também deve acontecer de acordo com o tipo de manutenção. Elas são três:

Manutenção preventiva das máquinas

Esse tipo de manutenção é feito de tempos em tempos, em intervalos definidos pelos manuais das máquinas.

O objetivo é verificar o estado geral de componentes da máquina, fazer sua troca e prevenir falhas e danos ao seu maquinário. Esse tipo de manutenção pode e deve ser planejada.

As manutenções preventivas mais comuns são, normalmente, as seguintes: 

  • verificação de filtros e níveis de fluido de refrigeração;
  • lubrificação;
  • condição de pneus;
  • checar nível de combustível;
  • identificar possíveis bloqueios ou vazamentos em sistemas de circulação de ar ou fluido;
  • lubrificação de sistemas móveis;
  • verificação da fixação de peças, etc.

Apesar da manutenção preventiva evitar as manutenções corretivas, elas também podem gerar gastos desnecessários. Isso principalmente porque o desgaste ou estados de algumas peças podem depender do tipo de atividade e não apenas das horas de uso indicadas no manual.

Para evitar esse problema, a manutenção preditiva pode ser uma solução.

Manutenção preditiva das máquinas

A manutenção preditiva procura predizer a possibilidade de falhas dos sistemas de máquinas agrícolas baseados em informações provenientes de equipamentos de análise.

Por ser feita baseada em marcadores mais confiáveis, ela aumenta a confiabilidade do maquinário. Isso diminui a necessidade de manutenções corretivas e a execução de manutenções preventivas não necessárias.

Esse tipo de manutenção ainda não é muito utilizada em máquinas agrícolas, mas deve ser implementada de acordo com a possibilidade.

Elas são bastante utilizadas, por exemplo, em veículos de passeio ou de transporte, por meio de equipamentos de telemetria como:

  • ultrassom;
  • sensores de vibração;
  • escaneamento de central de injeção eletrônica;
  • testes de bateria;
  • termografia.

Manutenção corretiva das máquinas

Ela é feita quando um problema surge durante a operação da máquina. Nesses casos, é necessária a intervenção imediata.

Essa manutenção é crítica, afinal, pode causar perdas e diminuição da eficiência da atividade. Por exemplo, algumas falhas que podem gerar manutenções corretivas são:

  • sobretemperatura de motores;
  • falta de líquido de lubrificação;
  • peças emperradas ou soltas;
  • pneus murchos;
  • sistemas de ar ou fluidos bloqueados;
  • falha elétrica;
  • baterias descarregadas, etc.

É muito importante ter à disposição peças de reposição, ferramentas, equipamentos e mão de obra para a execução dessa manutenção. Assim, caso a manutenção seja necessária, o tempo de inatividade da máquina será menor.

Principais manutenções de máquinas agrícolas

Cada tipo de maquinário apresenta um nível de tecnologia e demanda um tipo de manutenção. 

Quanto maior o nível de detalhes e de peças da máquina, maior será a necessidade e a quantidade de manutenções a serem executadas.

Por isso, é normal que a atividade de manutenção em um semeadora-adubadora seja muito mais detalhada que em um arado simples.

Além disso, o tipo de manutenção dependerá da composição da máquina e se ela tem motores, sistemas hidráulicos, peças móveis, etc. 

Veja quais são as atividades mais comuns:

  • Troca de filtros de ar, óleo e combustível;
  • Verificação de níveis de água, fluidos e combustíveis;
  • Lubrificação de peças móveis;
  • Calibragem das condições de pneus e fixação de rodados;
  • Limpeza e desbloqueio de sistemas de circulação e/ou injeção de ar ou líquidos;
  • Detecção de vazamentos em tubulações;
  • Isolamento e conectividade de sistemas elétricos;
  • Teste de sistemas de freio e movimentação.

Cuidar da manutenção de máquinas não é uma tarefa fácil, sobretudo em fazendas com frota grande. Você e a equipe responsável pelo maquinário devem estar sempre na mesma página quanto aos status de manutenção.

A tecnologia pode e deve ser sua aliada nesses momentos. Por isso, separamos para você uma planilha para gerenciar a manutenção das suas máquinas de forma simples e intuitiva.

Com ela, você pode ficar sempre por dentro do que foi feito e do que precisa ser ajustado em cada máquina. Clique na imagem abaixo para baixar:

Banner da planilha de manutenção de máquinas

Cuidados a serem tomados na manutenção

Há uma série de cuidados que devem ser tomados na execução da manutenção. Esses cuidados garantem:

  • segurança de quem estiver envolvido na atividade;
  • o bom uso de ferramentas e insumos;
  • a integridade da máquina;
  • a eficiência da atividade,

Estas são algumas boas práticas importantes de serem verificadas durante a manutenção:

  • Executar manutenção sempre com as máquinas e implementos desligados;
  • Verificar a fixação da máquina em caso de necessidade de elevação do maquinário;
  • Uso de peças originais ou similares de boa qualidade;
  • Uso de insumos de qualidade e de ferramentas adequadas;
  • Controle de estoque e armazenamento de insumos para evitar indisponibilidade;
  • Planejar uma janela de tempo adequada para a execução do serviço;
  • Buscar mão de obra especializada caso não haja um  especialista na propriedade;
  • Seguir sempre o manual do fabricante;

Conclusão

Ter um maquinário sempre em bom estado e disponível para as atividades da propriedade pode definir o sucesso do seu negócio. Porém, são inúmeras as atividades que precisam ser organizadas em conjunto.

O gerenciamento de manutenções de um número grande de máquinas pode ser bastante confuso e complicado. 

Isso pode causar indisponibilidade de máquinas, gerar atrasos e perdas na atividade, além de diminuir a eficiência da propriedade. 

Por isso, conte com ferramentas como a planilha disponibilizada no artigo para tornar esse processo mais simples e intuitivo.

Como você faz a manutenção de máquinas agrícolas? Ficou com alguma dúvida? Adoraria ler seu comentário!

MDF-e para produtor rural: como funciona e como emitir

MDF-e Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais para produtores rurais: entenda sua definição, quem está sujeito à obrigatoriedade de emissão, qual sua finalidade e demais informações relevantes!

O MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais) é um documento emitido para o transporte de cargas. Muitas empresas e produtores rurais ainda desconhecem.

O documento é regido pelo Ajuste SINIEF 21/2010.  Nele, é instituída a obrigatoriedade do documento para alguns produtores emitentes de NF-e (Nota Fiscal Eletrônica), modelo 55.

Neste artigo, abordaremos detalhadamente o documento, esclareceremos quem possui a obrigação de emiti-lo e forneceremos instruções sobre como proceder. Acompanhe!

O que é MDF-e para produtor rural?

O Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), modelo 58, é um documento digital com validade jurídica assegurada pela assinatura digital do emissor, conforme exigido pela Secretaria da Fazenda (Sefaz). 

Sua finalidade é registrar operações de transporte de mercadorias, integrando a Nota Fiscal Eletrônica e o CT-e (Conhecimento de Transportes). 

O MDF-e inclui informações cruciais, como origem e destino, dados do veículo e do motorista. 

Ao substituir a versão em papel, simplifica as responsabilidades do contribuinte e possibilita o monitoramento em tempo real das operações pelos órgãos fiscais.

Quem é obrigado a emitir o MDF-e?

Desde abril de 2020, o MDF-e é obrigatório nas operações de transporte intermunicipal em todos os estados. A exceção é São Paulo, que segue sua legislação própria.

Via de regra, o  MDF-e deve  ser emitido pela transportadora  emitente do CT-e.

No entanto, quando não há um transportador contratado, a responsabilidade pela emissão do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) recai sobre o emissor da NF-e. Essa condição aplica-se aos casos de transporte de bens ou mercadorias conduzido em veículos de propriedade própria, arrendados ou na contratação de um transportador autônomo.

Na contratação de uma transportadora para o transporte das mercadorias, o documento deverá ser emitido pelo transportador responsável pelo serviço.

Se você vai realizar o transporte em veículo próprio ou arrendado, ou se for contratado um transportador autônomo, você pode precisar emitir o MDF-e.

O MDF-e deve ser emitido nas operações dentro do Estado e entre Estados. 

A emissão do MDF-e não é obrigatória nas operações realizadas por produtores rurais e acobertadas por Nota Fiscal Avulsa Eletrônica, modelo 55. 

Emissão de MDF-e simplificada

Para que serve o MDF-e?

O Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos registra o transporte de mercadorias. Além disso, concentra todos os dados necessários em um só documento.

Nele ficam registrados:

  • todos os documentos (NF-e ou CT-e) das mercadorias que estão sendo transportadas;
  • o local de origem e destino da carga;
  • informações sobre o motorista e o veículo.

O MDF-e desempenha um papel crucial na fiscalização da mercadoria nos postos de controle. Ao apresentar esse documento, a fiscalização é capaz de verificar integralmente todas as informações relacionadas ao trânsito da mercadoria.

O que é necessário para emitir o MDF-e?

Para emitir o Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos, você precisa ter um certificado digital. É através dele que você assinará o documento.

O credenciamento na Sefaz também é necessário, além de um sistema que emita o MDF-e.

Como emitir o MDF-e para produtor rural

Se você emite NF-e, já deve utilizar um programa para sua emissão. Neste mesmo programa, é possível preencher e emitir o Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos.

Para evitar erros, procure sempre importar os dados diretamente da NF-e ou do CT-e através da sua chave de acesso ou arquivo XML.

Você deverá preencher o MDF-e com as seguintes informações:

  • informações e identificação dos documentos relativos à carga transportada;
  • local de origem e destino do transporte;
  • nome e documento do motorista;
  • possuir número sequencial por estabelecimento e série;
  • assinatura digital do emitente, com certificado digital.

Ao preencher o documento, realize a transmissão para que ele seja autorizado. Se algum campo foi informado incorretamente, o MDF-e será rejeitado. Caso isso aconteça, corrija a informação antes de tentar transmitir novamente.

Antes de começar o  transporte das mercadorias, é preciso imprimir o DAMDF-e (Documento Auxiliar do Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos).

Este documento é a comprovação de que o MDF-e foi autorizado e deverá ser apresentado em caso de fiscalização durante a viagem. Assim, é importante anexá-lo às notas fiscais e CT-e.

Com todos esses documentos em mãos, você já pode despachar a mercadoria, realizando o mesmo itinerário informado no MDF-e.

Cancelamento ou alterações no MDF-e

Você pode cancelar o MDF-e autorizado, desde que solicite em até 24 horas desde a autorização.

É possível também incluir, trocar ou substituir novos condutores no MDF-e autorizado, caso seja preciso alterar o motorista informado anteriormente.

MDF-e para transportes para mais de um Estado

Se a carga for destinada para mais de um estado, o transportador deverá emitir um MDF-e para cada estado em que irá descarregar

Só é possível utilizar o mesmo MDF-e para cidades de destino no mesmo estado.

Após a entrega das mercadorias no endereço de destino, é necessário enviar o comando de encerramento através do programa emissor de MDF-e. Dessa forma, o veículo estará disponível para iniciar uma nova viagem.

Se o MDF-e não for encerrado por quem o emitiu, não será possível iniciar um novo MDF-e para o mesmo veículo, com mesmo estado de origem e destino e com outra data. 

Neste caso, você receberá uma mensagem de rejeição do MDF-e. O encerramento do MDF-e também se dá quando houver transbordo ou substituição do veículo.

Diferença entre MDF-e e CT-e

O MDF-e costuma ser confundido com o CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico). Porém, eles não são a mesma coisa.

A emissão do CT-e tem como objetivo acobertar a prestação de serviço de transporte. Ele também certifica que a transportadora está informando ao fisco sobre a operação de transporte que está sendo realizada.

Ou seja, ele tem a função de fazer a identificação do remetente, destinatário e a rota de entrega da mercadoria. Além disso, o CT-e é emitido para registrar a prestação de serviço da transportadora. Ele também serve para fins de tributação.

O MDF-e engloba todas as informações do remetente, destinatário, motorista, da rota e mercadoria. Ele serve apenas para o acompanhamento do transporte, ou seja, não sofre tributação.

Conclusão

Neste artigo, discutimos a aplicação técnica do Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos (MDF-e). 

Essa ferramenta é essencial para registrar minuciosamente as operações de transporte de mercadorias, abrangendo informações detalhadas sobre as próprias mercadorias, dados do destinatário e remetente, bem como as rotas utilizadas no transporte.

 Se você é um contribuinte de ICMS e emite a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a emissão do MDF-e para o transporte dos produtos vendidos pode ser compulsória, estando sujeita à legislação específica do seu Estado.

Em síntese, o MDF-e simplifica a gestão logística para produtores rurais ao consolidar informações de transporte, destinatários e rotas. Essencial para atender aos requisitos fiscais, sua emissão eficiente requer conhecimento das normativas estaduais e expertise especializada.

Ficou alguma dúvida sobre o MDF-e para produtor rural? Já precisou emitir esse documento alguma vez? Deixe seu comentário!

Tudo o que você precisa saber para o manejo da mancha-branca do milho

Mancha-branca do milho: entenda o que causa, sintomas, condições favoráveis, disseminação e manejo da doença.

A mancha-branca (ou pinta-branca) é uma doença foliar de grande importância agronômica. Ela está presente nas principais regiões produtoras de milho do Brasil.

Essa doença é agressiva e acontece mais em plantios de milho safrinha

Quando não controlada ou manejada de forma ineficiente, pode causar sérios prejuízos e reduzir a produtividade da lavoura.

Neste artigo, confira mais sobre as causas e consequências dessa doença no seu milharal. Boa leitura!

O que causa mancha-branca do milho

A mancha-branca é uma doença do milho provocada por mais de um agente.

O principal microrganismo causador da mancha-branca é a bactéria Pantoea ananatis. Além dessa bactéria, alguns fungos também estão associados à doença, como:

  • Phaeosphaeria maydis;
  • Phoma sorghina;
  • Phyllosticta sp.;
  • Sporormiella sp.

Como a mancha-branca se espalha na lavoura

A disseminação dos microrganismos responsáveis pela mancha-branca ocorre pela ação do vento e por respingos de água.

Os patógenos sobrevivem nos restos culturais, constituindo a fonte primária do inóculo

As lavouras de milho em sistema de plantio direto estão mais sujeitas à ocorrência da doença. Afinal, nesses casos há aumento na concentração do inóculo.

Como identificar a mancha-branca no milho

Inicialmente, você vai observar sintomas nas folhas inferiores da planta de milho. Porém, com a evolução da doença, as folhas superiores também podem apresentar sintomas. 

As lesões começam na ponta das folhas. À medida que a doença avança, as manchas foliares progridem para a base das folhas do milho. 

Foto de uma folha de milho com manchas brancas na ponta.

Sintomas iniciais da mancha-branca na ponta da folha de milho 

(Fonte: Circular Técnica 167 — Embrapa)

As lesões foliares provocadas pela mancha-branca têm formato circular ou oval. Elas têm aspecto encharcado e coloração verde-clara.  Com o tempo, essas manchas tornam-se necróticas e adquirem coloração palha.

O tamanho das lesões varia de 0,3 cm  a 1,0 cm de diâmetro.

Foto de mancha branca em folha de milho, vista de perto

Sintomas da mancha-branca do milho

(Fonte: Agência Embrapa de Informação Tecnológica)

Dependendo da severidade da doença, os sintomas também podem ser observados na palha das espigas

A severidade da doença está relacionada ao nível de suscetibilidade do híbrido de milho. Condições ambientais também podem agravar a mancha-branca. 

A mancha-branca provoca a seca prematura das folhas. Ela também pode causar prejuízos ao processo de enchimento de grãos.

Em geral, não é comum observar sintomas de mancha-branca em plântulas de milho. Os sintomas da doença são mais severos durante a fase reprodutiva da lavoura, especialmente após o pendoamento.

Como fazer manejo preventivo da mancha-branca do milho

Melhor que cuidar da mancha-branca no milho é conseguir evitar que a doença chegue na lavoura. Isso é possível de três formas: através do manejo de resistência, da antecipação de semeadura e evitando as condições favoráveis.

Faça o manejo de resistência 

O primeiro passo do manejo preventivo é a resistência genética. Essa é uma alternativa eficiente e de baixo impacto ambiental no manejo dessa doença. 

Os híbridos desenvolvidos pela Embrapa (BRS 1010, BRS 1030 e BRS 1035) são exemplos de milho com resistência à mancha-branca.

Evite as condições favoráveis da mancha-branca

O segundo passo é evitar as condições climáticas que favorecem a doença. A mancha-branca se desenvolve em alta umidade relativa do ar (acima de 60%) e temperaturas amenas (14 °C a 20 °C).

Geralmente, as lavouras de milho plantadas na segunda safra têm maior ocorrência da mancha-branca. Nesse período, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença:

  • elevado índice de chuvas;
  • noites com temperaturas mais baixas;
  • formação de orvalho.

A fase mais comum de início da doença é durante o estádio V9 de desenvolvimento do milho. A fase mais crítica acontece entre os estádios VT — R5.

Antecipe a semeadura

Outra boa forma de evitar a mancha-branca é a rotação com culturas não suscetíveis à doença

A antecipação da semeadura do milho também é uma boa opção.  Isso reduz as chances de que a fase de maior suscetibilidade da cultura coincida com condições climáticas favoráveis à doença.

Melhores fungicidas para mancha-branca do milho

Se você identificou a doença na lavoura, é necessário fazer o manejo químico quanto o antes. A aplicação de fungicidas para milho é indicada para plantações suscetíveis à doença.

Uma pesquisa realizada pela Embrapa concluiu que alguns produtos têm baixa eficiência no controle da mancha-branca. São eles:

  • carbendazim (fungicida);
  • triazóis (fungicida);
  • oxitetraciclina (antibiótico);
  • kasugamicina (antibiótico).

O estudo também apontou que os fungicidas do grupo químico das estrobilurinas têm muita eficiência no controle dessa doença.

No controle químico, é essencial fazer a rotação dos produtos com diferentes ingredientes ativos. Isso previne o desenvolvimento de resistência dos patógenos.

Também é fundamental seguir as recomendações do fabricante quanto à dosagem, modo e época de aplicação dos produtos. Esses fatores interferem na eficiência do defensivo agrícola no controle da mancha-branca.

Além de tudo, faça monitoramentos periódicos na lavoura. Essa ação permite identificar a doença ainda em fase inicial

Você também poderá quantificar a área afetada, estabelecer como é a distribuição na lavoura (reboleiras, bordaduras, etc) e quais os sintomas das plantas. 

O diagnóstico correto da doença, as informações coletadas no monitoramento e os dados meteorológicos são fundamentais para a tomada de decisão. 

A partir disso, é possível traçar um plano de manejo preciso para a doença. 

Vale lembrar que, no controle da mancha-branca, é fundamental a necessidade de adotar estratégias integradas de manejo

Conclusão

A mancha-branca é uma doença foliar causada por bactéria e fungos

Em geral, os sintomas são mais severos na fase reprodutiva do milho, especialmente após o pendoamento.

Alta umidade e temperaturas amenas favorecem o desenvolvimento da mancha-branca. A disseminação ocorre pela ação do vento e respingos de água.

Faça um manejo integrado para garantir sucesso no controle. Plante híbridos resistentes e aplique defensivos químicos quando necessário. Na dúvida, consulte um especialista!

>> Leia mais:

“Mancha foliar milho: como livrar a sua lavoura?”

“Como prevenir e manejar o enfezamento do milho”

“Podridão-branca da espiga: entenda mais e controle essa doença na lavoura”

Você já conhecia a mancha-branca do milho? Essa doença já foi detectada na sua lavoura? Como foi realizado o manejo? Deixe seu comentário.

Contra nota produtor rural: veja o passo a passo para emitir

Contra nota de produtor rural: entenda o que é, a importância, legislação e como emitir em MG, MT, RS, RO e SP.

A contra nota é um documento essencial para quem produz. Você ainda tem dúvidas de quando e onde emitir?

Ela deve ser emitida pelas empresas que compram mercadorias de produtores rurais não obrigados a emitir documentos fiscais. Isso ocorre devido à regulamentação do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias).

Esta nota fiscal  é uma confirmação de recebimento dos produtos. Ela serve como registro da operação na Receita Federal.

Neste artigo, veja como emitir e a legislação deste documento em alguns estados.

O que é a contra nota de produtor rural

A contra nota do produtor rural é uma nota fiscal emitida pela empresa que está recebendo as mercadorias de produtores rurais pessoa física. 

Ela serve como a confirmação do recebimento dos produtos.

Esse documento mostra se tudo o que a empresa recebeu está correto. Por exemplo, é possível saber se o peso, quantidade e qualidade das mercadorias correspondem ao pedido.

A contra nota permite que os órgãos reguladores fiscalizem todas as operações de compra e venda do setor. Afinal, ela registra a circulação de mercadorias por todo o território brasileiro.

Assim, emitir a contra nota corretamente é estar em conformidade com as leis brasileiras.

Importância de emitir a nota fiscal de produtor rural (NFP-e)

A legislação do ICMS de vários estados exige a emissão da contra nota. Portanto, a empresa que recebe mercadorias de um produtor rural deve tomar alguns cuidados.

Isto significa que somente a emissão da Nota Fiscal de Produtor Rural nas operações com mercadorias não é suficiente.

Contra nota produtor rural: passo a passo para emitir

Para emitir a contra nota de produtor rural, é preciso preencher os campos da nota fiscal de acordo com as exigências legais. Veja como deve ser preenchido abaixo:

1. Informações básicas

Insira a data de emissão, em que o produto foi recebido pela empresa.

Você também deve inserir os documentos básicos da sua empresa rural e seus, como nome completo, CPF e Inscrição Estadual.

Na seção de Indicador da Inscrição Estadual do destinatário, escolha a opção “1 — contribuinte de ICMS”.

2. CFOP e natureza da operação

O CFOP a ser utilizado dependerá da destinação que será dada ao bem ou mercadoria adquirida. Caso seja compra para a industrialização ou comercialização será:

  • 1.101 para compra para a industrialização;
  • 1.102 para compra para a comercialização.

3. Código de Situação Tributária do ICMS

O CST será conforme a tributação da mercadoria adquirida pelo produtor rural. Por exemplo, se a mercadoria não for tributada no seu estado, será:

  • 041 — para empresas do Lucro Real ou Presumido;
  • 400 — para optantes do Simples Nacional.

4. Código de Situação Tributária do PIS/COFINS

Nessa seção, utilize o código 99. Ele é referente a “outras”.

5. Documentos Referenciados

Se foi emitida a NFP-e ou Nota Fiscal Avulsa Eletrônica, você deve inserir a chave de acesso dessas notas. Por isso é muito importante ter controle das notas emitidas, para não perder essas informações.

6. Informações complementares

Você deve preencher esse campo com “Nota Fiscal de Produtor nº ______ emitida em ______”. 

O valor da contribuição no Funrural, se existente, também deve ser inserido.

Legislação da contra nota de produtor rural nos estados

Cada estado tem uma legislação própria para emitir a contra nota de produtor rural. Verifique com atenção o regulamento do ICMS de seu Estado.

Minas Gerais

A regulamentação sobre a contra nota no estado de Minas Gerais se encontra no Artigo 20 do RICMS/MG. A legislação não se aplica  nas operações com produto ou subproduto florestal.

Mato Grosso

A obrigatoriedade da contra nota de produtor rural no estado está prevista no Artigo 201 do RICMS/MT

Todo contribuinte, com exceção do produtor rural, deverá emitir nota fiscal sempre que entrarem mercadorias remetidas por produtores rurais.

A contra nota pode ser utilizada como nota fiscal de ajuste, para corrigir divergências no peso e quantidade recebida pelo comprador.

O produtor rural deverá utilizar essa nota para regularizar seus controles fiscais.

Rio Grande do Sul

A legislação sobre contra nota no Rio Grande do Sul se encontra no Artigo 26 do Livro II — Das obrigações acessórias no RICMS/RS. 

No Estado, todo contribuinte, com exceção do produtor rural, emitirá a contra nota. Isso sempre que em seus estabelecimentos entrarem mercadorias remetidas por produtores rurais.

Rondônia

O Artigo 88 do RICMS/RO traz orientações sobre quem deve emitir a contra nota de produtor rural.

A contra nota de produtor rural não precisa ser emitida se não houver divergência de peso na mercadoria. A Nota Fiscal Avulsa deve ser emitida para a regra valer.

São Paulo

Para o estado de São Paulo, a regulamentação se encontra no Artigo 136 do RICMS/SP.

Os contribuintes, exceto o produtor, emitirá Nota Fiscal quando receber mercadoria de produtor não obrigado à emissão de documentos fiscais.

Conclusão

A contra nota de produtor rural registra a circulação de produtos. Assim, os negócios rurais ficam em conformidade com a regulamentação do ICMS.

Além disso, esse documento é importante também para registrar se houve diferenças entre a quantidade de mercadoria comprada

Assim, para evitar problemas com a legislação, é sempre importante tirar dúvidas com um(a) contador(a).

Você costuma emitir contra nota produtor rural? Já enfrentou alguma dificuldade nesse processo? Deixe seu comentário!

Conheça 4 grandes desafios da comercialização agrícola e saiba como eles te afetam

Comercialização agrícola: saiba o que é, conheça suas quatro funções, canais, compradores, preços e muito mais!

A comercialização agrícola é o grupo de atividades necessárias para os produtos agrícolas chegarem à mesa da população. Esse é um dos principais desafios do agronegócio.

A comercialização agrícola funciona como um sistema econômico que precisa atuar de forma organizada. Além de produzir os alimentos, você precisa estar por dentro de como esse processo funciona.

Afinal, ele impacta diretamente o seu trabalho, no quanto você tem de lucro, no seu capital de giro e em outros aspectos do seu negócio.

Neste artigo, você saberá quais fatores interferem na comercialização agrícola e como ela precisa funcionar para você obter sucesso em seu negócio rural. Acompanhe!

O que é a comercialização agrícola

A comercialização agrícola é um conjunto de ações necessárias para os produtos agrícolas chegarem à cidade

O Estado brasileiro desenvolve políticas públicas sobre o tema desde 1943. Aí foi criada a Comissão de Financiamento da Produção.

Hoje, o apoio oficial à venda dos produtos agrícolas é dado também por meio do crédito rural. A comercialização é um dos quatro tipos de crédito: os outros são os créditos custeio, investimento e industrialização.

O crédito comercialização pode ser usado para:

  • financiar estocagem;
  • proteção de preços e prêmios de risco;
  • equalizar preços; 
  • garantir preços ao produtor.  

Além disso, o Governo Federal apoia também a comercialização agrícola por meio da:

  • PGPM (Política de Garantia de Preços Mínimos);
  • AGF (Aquisição do Governo Federal);
  • EGF (Empréstimo do Governo Federal), dentre outras ações pontuais e regulares.

Funções da comercialização agrícola

Na comercialização agrícola, há funções importantes que fazem parte da venda dos produtos.

A função de comercialização é definida como uma atividade especializada, desempenhada nas várias fases da comercialização.

É importante que você faça uma análise funcional, ou seja: um estudo das funções ou serviços executados durante a venda da produção. 

De acordo com o professor Judas Tadeu Grassi Mendes, Pós-Doutor em Economia Rural, a análise das funções é útil para:

  • avaliar custos de comercialização dos intermediários;
  • comparar custos dentro de uma mesma categoria de intermediários;
  • e entender a diferença nos custos de comercialização entre os produtos. 

Agora, veja abaixo quais são essas funções.

Funções de troca

Envolve a transferência de propriedade dos bens, com a criação da utilidade de posse. Fazem parte dela a compra, a venda e a formação de preços.

Funções físicas

Relaciona-se com as atividades de manuseio e movimentação das mercadorias: transporte, armazenamento, processamento, beneficiamento e embalagem.

A função de transporte é uma das mais importantes, pois faz com que a mercadoria chegue ao destino. Isso envolve a escolha de rotas e meios de transportes.

Funções auxiliares

São funções que facilitam e permitem o funcionamento das funções descritas acima.

Nas funções auxiliares estão incluídas a padronização e a classificação; o financiamento (crédito), o risco, a informação de mercado e a pesquisa de mercado.

Outras funções  

O agrônomo e professor Alberto Martins Rezende, mestre em Economia Aplicada, acrescenta ainda as funções:

  • mercadológica (ajustamento dos produtos para atender ao mercado);
  • de propaganda (indução à compra);
  • terminação (qualidade, quantidade e preço).

As funções devem ser balanceadas. Você ou a pessoa responsável pela negociação deve aumentar as vendas e obter bons lucros.

Canais de comercialização agrícola

Acima, definimos que a função de comercialização envolve o desempenho de atividades especializadas. Veja quem realiza tais ações.

  • Corretor: atua como intermediário na aproximação entre compradores e vendedores, ou vice e versa. Não estoca bens, não financia e nem assume riscos.
  • Facilitador: influencia no processo de distribuição, sem assumir a posse dos bens, nem negociar a compra ou venda;
  • Representante de fabricante: empresa que vende bens de vários fabricantes, de forma independente;
  • Comerciante: influencia a compra, assume o bem e revende.
  • Varejista: vende bens ou serviços ao consumidor final;
  • Agente de vendas: procura clientes e negocia em nome de um fabricante, mas não assume a propriedade dos bens;
  • Força de vendas: grupo de pessoas que vendem produtos e serviços em nome de uma empresa;
  • Atacadista: empresa que vende bens ou serviços comprados para revenda ou uso empresarial.

Assim, o canal de comercialização ou de distribuição é a sequência de etapas por onde passa o produto agrícola, até o consumidor final.

Os canais de distribuição são conjuntos de organizações interdependentes. Elas são envolvidas no processo de tornar um produto disponível para consumo.

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Desafios na comercialização dos produtos 

A comercialização dos produtos agrícolas envolve diversos fatores e ações que devem ser bem executadas.

É importante ter cuidados em ao menos 4 pontos. Acompanhe abaixo. 

1. Prazo de validade dos produtos

A produção agrícola tem prazo de colheita. Ela deve ser feita no tempo certo para poder ser comercializada e suportar melhor longas viagens.

Da mesma forma, tem também prazo para comercialização. Os produtos não podem ficar em estoque por muito tempo, sobretudo frutas, legumes, carnes e produtos lácteos

Outros cuidados essenciais são a organização da logística para manter os produtos em bom estado de comercialização.

2. Custos com frete

Os custos com frete devem estar embutidos na comercialização. Assim, você terá o máximo de lucros possível. Mas, para isso ocorrer, vai depender muito da sua habilidade de negociação.

Alguns compradores já negociam com frete próprio e pegam o produto na fazenda. Outros pedem que a mercadoria seja entregue no local de comercialização ou no porto para embarque.

Então, você deve avaliar sempre qual a opção que não vai te dar prejuízo ou reduzir seu lucro.

3. Época em que as culturas são produzidas (sazonalidade)

Este é um fator que contribui bastante para a obtenção de lucros na comercialização agrícola.

Se tem muito produto no mercado, o preço cai; se não tem, ele sobe.

Produtos comercializados em suas épocas normalmente vão ser comercializados quando há muitos concorrentes no mercado.

O preço pode subir dependendo de outros fatores, sobretudo climáticos. 

Eles podem favorecer uma redução do abastecimento. Assim, a grande procura faz os preços subirem, mesmo em épocas normais de comercialização.

Estocar produtos também é algo muito utilizado para comercialização em melhor preço, quando há redução da oferta.

4. Instabilidade nos preços

A produção agrícola, comercializada em nível nacional ou global, sofre diversas influências no seu preço.

Um bom exemplo é o que ocorre atualmente com a alta dos preços dos fertilizantes. Eles têm grande impacto nos custos de produção agrícola, e devem ser repassados para evitar prejuízos.

fidelizar clientes na consultoria agrícola

(Fonte: Shutterstock)

Compradores de produtos agrícolas

Com o avanço das tecnologias e das comunicações, as fronteiras dos negócios deixaram de existir.

Qualquer produto, desde que atenda às exigências dos compradores, pode ser comercializado para qualquer local do mundo.

Os compradores estão nas feiras livres (consumidores diretos), podem ser outros agricultores, atacadistas e varejistas, restaurantes, etc.

Os preços da comercialização agrícola 

A formação de preços dos produtos agrícolas depende de vários fatores. Eles podem ser:

Tipo de cultura

Há produtos mais valorizados que outros, tanto no mercado interno quanto externo. Essa preferência influencia na formação do preço.

Qualidade

Produtos certificados ou com selos de qualidade são mais valorizados no mercado. A  procedência, produção sustentável e orgânica também contam.

Sazonalidade

A demanda e a oferta do produto são de grande importância para formação de preços. A sazonalidade ou época em que estão disponíveis no mercado vai influenciar no valor final.

Tendência

Essa é uma importante estratégia na formação de preços. A tendência envolve diversos fatores, desde a demanda por maior consumo até a busca por determinado produto em específico.

Ela deve ser feita sempre com base em critérios técnicos que envolvem o histórico dos preços. A tendência pode indicar a necessidade de inovação e uso de tecnologia para atendimento das demandas.

Ciclos

Os produtos agrícolas podem ser influenciados pelos ciclos de preços, geralmente em períodos mais longos (um ano ou mais) de estabilidade. Por isso, sobem de valor. 

Geralmente, os agentes de mercado atuam com mais firmeza para ajustar os valores. Tudo isso é feito conforme os produtos.

Movimento brusco

Problemas emergenciais, como desastres naturais ou o início de uma guerra, podem ser a razão de um movimento brusco no mercado. Isso faz com que os preços subam de uma hora para outra, podendo ou não se manterem depois. 

Época de comercialização (safra ou entressafra) 

Os produtos comercializados na época da safra sofrem com baixa dos preços, sobretudo se houver grande produção. 

No entanto, essa situação pode ser revertida por outros fatores externos ou internos que geram alta dos preços. Por exemplo, fatores climáticos, desabastecimento em grandes regiões produtoras, etc.

Oscilação do mercado (no caso de produtos exportados)

A oscilação no mercado de commodities é uma das principais características desses produtos. Afinal, há variáveis que interferem nos valores a nível internacional;

Fatores climáticos, sanitários, políticos ou sociais

Os preços dos produtos agrícolas podem ser afetados por fatores não previstos. Isso pode gerar uma baixa da procura pela impossibilidade de comercialização em determinados estabelecimentos comerciais.

Alguns exemplos desses fatores são a Pandemia do Coronavirus e a Guerra entre Rússia e Ucrânia.

Como é feita a comercialização agrícola

Há produtos, como os grãos, que também possuem características próprias de comercialização. Uma delas é o barter, uma troca de insumos pela produção de grãos.

Outra opção de comercialização de grãos é o hedge, no qual os preços são fixados conforme a cotação da bolsa de valores.

É possível, ainda, negociar grãos a preços pré-fixados, com pagamentos antecipados. Também é possível por meio de cooperativas, que armazenam e negociam os produtos dos cooperados.

As tradings e corretoras possuem também papel de grande relevância na comercialização agrícola. Elas atuam no mercado internacional, com commodities.

Essas empresas são especializadas em suas áreas de atuação. Por isso, são muito exigentes com o tipo de mercadoria que vão comercializar. 

Elas prezam muito pela qualidade do produto para atendimento a mercados mais exigentes.

Como são feitas as entregas dos produtos comercializados

Na negociação, as partes decidem se o preço da mercadoria será com base no tipo de entrega. Essa entrega pode ser feita de duas formas: por FOP ou por CIF.

Por FOB, o comprador é responsável pelo transporte do produto comercializado. Esse comprador também é responsável por eventuais perdas no transporte. Nessa modalidade, a remuneração é menor.

Por CIF, quem faz a entrega é o próprio vendedor. Ele também é responsável pelo valor do frete e pelas eventuais perdas do produto.

>> Leia mais: “Como fazer um contrato de hedge e como ele pode assegurar sua rentabilidade

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Conclusão

A comercialização agrícola é um sistema complexo. 

É preciso estar atento a todos os detalhes, com o objetivo de reduzir os riscos que envolvem a comercialização

Fatores relacionados à logística e que interferem nos preços também devem ser cuidados.

É importante que tais atividades sejam realizadas por pessoas ou empresas especializadas. Assim, há garantia de que os lucros finais sejam satisfatórios.

Você já conhecia o termo comercialização agrícola? Quais profissionais costuma chamar para te ajudar nessa etapa? Adoraria ler seu comentário.

10 passos para uma manutenção de tratores eficiente

Manutenção de tratores: conheça os tipos, as melhores épocas para se fazer, como gerenciar, organizar a frota e muito mais!

Os tratores agrícolas são máquinas indispensáveis para quem produz. 

Eles são usados em várias atividades na propriedade e precisam estar sempre prontos para a tarefa.

Como toda máquina ou automóvel, o trator também necessita de manutenção. Ela é  necessária para diminuir a depreciação das máquinas e evitar problemas.

Neste artigo, você verá tudo sobre a manutenção dos tratores agrícolas e sua composição! Boa leitura!

Pra que serve a manutenção de tratores agrícolas?

Os tratores agrícolas, por realizarem tarefas muito desgastantes, precisam de manutenção constante.

Esse trabalho é crucial em diversos pontos, como: 

  • aumentar a vida útil do trator;
  • diminuir gastos desnecessários;
  • manter a eficiência da atividade executada;
  • diminuir o custo de consertos;
  • menor custo com abastecimento das máquinas;
  • dar mais segurança a quem realiza as operações.

Além disso, esses serviços evitam que seus tratores não estejam disponíveis para as atividades. 

As falhas e atrasos nas atividades também diminuem. Isso aumenta a eficiência geral da atividade, já que o trator precisa de menos tempo para cumprir uma tarefa. 

Composição de um trator agrícola

O trator agrícola é composto de partes externas e internas. Ele pode ser detalhado nos sistemas a seguir:

  • Carenagem, lataria ou carroceria: protege o motor e os sistemas acessórios;
  • Cabine: local de trabalho de quem opera os comandos e controle da máquina;
  • Chassi: é a parte de sustentação do trator, sobre a qual a carroceria é montada. É uma parte bastante robusta;
  • Motor: gera potência para o trabalho e a movimentação da máquina;
  • Rodado: é o sistema de rodas, normalmente divididas em rodas de direção ou rodas motrizes; 
  • Sistemas Acessórios: são os sistemas hidráulico, de direção, de transmissão, alimentação, elétrico, de lubrificação, de arrefecimento ou refrigeração.
Manutenção de tratores: foto mostrando as partes do trator: motor, cabine, carenagem, chassi e rodado..

Esquema geral de partes de um trator 

Fonte: (adaptado de Navarra)

Tipos de manutenção de tratores

A manutenção de tratores pode ser feita em diversas épocas do ano ou do ciclo agrícola. Elas são definidas de acordo com o momento em que são executadas.

Manutenção preventiva

Esse tipo de manutenção é feita de tempos em tempos, em intervalos definidos pelos manuais das máquinas.

Seu objetivo é verificar o estado geral de componentes do trator. Assim, as trocas podem ser feitas preventivamente, evitando falhas e danos ao trator.

Manutenção preditiva

Essa manutenção se baseia nas condições de marcadores como filtros, óleos e peças.

Ela evita que problemas inesperados ocorram entre os intervalos de manutenções preventivas.

Manutenção corretiva

A manutenção corretiva é feita quando um problema surge durante a operação da máquina. Ou seja, quando é necessária uma intervenção imediata.

Cada uma dessas prevenções tem um papel diferente e um impacto maior ou menor na eficiência da máquina. 

Melhor época para fazer a manutenção de tratores agrícolas

As manutenções preventivas e preditivas devem ser programadas para as épocas em que a necessidade do uso de trator seja menor. Por exemplo, nos períodos de entressafra

Essas manutenções, quando bem executadas, irão diminuir necessidade de correções. Agora, veja as atividades de manutenção e a recomendação de horas para sua execução.

Manutenção diária 

Diariamente, você precisa:

  • Checar o nível de água do radiador;
  • Checar o nível de óleo do motor;
  • Checar o nível de óleo da transmissão;
  • Avaliar a condição dos freios;
  • Drenar o sedimentador;
  • Drenar filtros de combustível;
  • Lubrificar o trator.

Manutenção semanal

A cada semana, é necessário:

  • Verificar correias;
  • Verificar o sistema elétrico;
  • Conferir o nível de óleo dos sistemas hidráulicos e de transmissão;
  • Checar e ajustar a pressão dos pneus.

Manutenção mensal

As tarefas mensais são menores. São elas:

  • Trocar o óleo lubrificante do motor e filtro;
  • Conferir o nível de óleo bomba injetora.

Manutenção semestral

A cada semestre, você precisa fazer as seguintes operações:

  • Desmontar as rodas e engraxamento;
  • Substituir a água do radiador e limpá-lo;
  • Substituir os filtros de combustível;
  • Checar o filtro primário (pré-filtro);
  • Conferir o filtro secundário (de combustível).

10 passos para uma manutenção de tratores completa

O trator é dividido em partes e sistemas. Cada um desses sistemas precisa de manutenções específicas. Confira a seguir:

1. Manutenção do sistema elétrico

O sistema elétrico fornece energia elétrica para os demais sistemas de controle do trator. Ele é composto por alternador, bateria, fiação, indicadores do painel e lâmpadas. Nesse sistema, é preciso:

  • Avaliar o estado dos cabos e conectores;
  • Checar o nível de água de fluido da bateria;
  • Analisar o estado e tensão da correia do alternador.

2. Manutenção do sistema de combustível

Esse sistema faz o transporte de combustível do tanque e sua injeção no motor. Ele é composto por tanque de combustível, tubulação, bomba, injetores e filtros. Nele, você precisa:

  • Drenar o copo sedimentador;
  • Trocar o filtro de combustível;
  • Verificar a presença de vazamentos na tubulação;
  • Conferir o estado geral e entupimentos da bomba de injeção.

3. Manutenção do sistema de resfriamento do motor

Esse sistema é responsável pelo controle da temperatura do motor. É composto por radiador e tampa, termostato, ventilador, bomba de água e mangueiras. Você precisa:

  • Limpar o radiador;
  • Conferir o nível da solução de arrefecimento;
  • Trocar os aditivos do líquido de arrefecimento;
  • Conferir vazamento na tubulação ou tampa do radiador;
  • Analisar o funcionamento e tensão da correia da ventoinha.

4. Manutenção do sistema de ar

Ele é responsável pela alimentação de ar para o motor, permitindo a combustão. É composto por pré-filtro e filtro, turbo compressor, coletor e válvulas de admissão. Você deve:

  • Fazer a regulagem de válvulas;
  • Verificar a pressão de ar;
  • Conferir a integridade dos dutos de transporte;
  • Fazer a limpeza ou troca de filtros.

5. Manutenção do sistema de lubrificação do motor

Ele diminui o atrito e desgaste das peças do motor. É composto por cárter, bomba de óleo, filtro e dutos. Os pontos de manutenção são:

  • Conferir nível e qualidade do óleo;
  • Ver a necessidade de troca de filtros;
  • Identificar a presença de vazamentos.

6. Manutenção do sistema de transmissão

Esse sistema transforma a energia produzida no motor para o sistema de rodado. É composto por embreagem, caixa de marchas, conjunto coroa/pinhão, diferencial e redução final. Os pontos de manutenção são:

  • Checar e trocar óleo;
  • Checar e trocar filtros;
  • Averiguar a presença de vazamentos;
  • Fazer a limpeza de respiros.

7. Manutenção do sistema hidráulico

Esse sistema fornece potência para sistemas de direção, freio e levante do trator. É composto por bomba hidráulica, reservatório de óleo, válvulas e atuador motriz. Aqui, você deve:

  • Conferir nível e qualidade do óleo;
  • Checar necessidade de troca de filtros;
  • Analisar a presença de vazamentos e atuação de válvulas;
  • Acoplar mangueiras.

8. Manutenção do sistema de rodado

O sistema é responsável pela movimentação do trator através da potência gerada pelo motor. É composto por aro, pneu e componentes de fixação. Nesse sistema, você deve:

  • Calibrar e conferir o estado de conservação dos pneus do trator;
  • Reapertar componentes de fixação ao eixo;
  • Conferir níveis de patinagem.

9. Manutenção do sistema de freios

O sistema controla a velocidade do trator. É composto por pedais, cabos, discos e reservatórios de fluidos. Nele, você deve: 

  • Conferir a altura dos pedais;
  • Analisar a qualidade e nível do fluido;
  • Acionar os freios.

10. Manutenção da lubrificação

A lubrificação diminui o atrito entre partes móveis do seu trator. Por isso, você deve aplicar graxa periodicamente, sempre que necessário.

Gerenciamento e organização da manutenção de tratores

O gerenciamento da manutenção pode ser feito por meio de planilhas baseadas nas recomendações dos manuais de trator. 

Porém, contar com softwares de gestão agrícola pode ser uma saída muito mais prática. O Aegro, por exemplo, permite que você ative lembretes de manutenção e faça uma checklist das atividades previstas. 

alerta de manutenção no Aegro

Fazer a manutenção dos seus tratores é mais fácil com o Aegro

Fonte: (Aegro)

Assim, você evita esquecimentos e aumenta a eficiência desse processo.

Além disso, é importante que seus funcionários tenham acesso a cursos sobre a manutenção de tratores. Isso dará à sua equipe maior capacidade de solução de problemas.

Os gastos desnecessários e falta de maquinário em etapas cruciais do ciclo da cultura também serão evitados dessa forma.

Além disso, não se esqueça de organizar o estoque para não faltarem ferramentas e peças de reposição para as manutenções.

Conclusão

Ter um maquinário sempre preparado para uso é essencial para o sucesso do manejo da sua lavoura. 

A manutenção bem executada e no tempo correto evita atrasos e possíveis perdas na lavoura. Isso também diminui custos desnecessários e evita desperdícios.

Além disso, você pode aumentar o rendimento e vida útil da máquina

Não se esqueça de fazer um bom controle do seu estoque de peças e de gerenciar bem as atividades de manutenção das máquinas. Na dúvida, sempre procure um profissional.

>> Leia mais: “Renagro: como funcionará o registro nacional de tratores e máquinas agrícolas”

E você? Como costuma se organizar para fazer a manutenção de tratores na sua propriedade? Segue todos os passos citados no artigo? Adoraria ler seu comentário!