Plantação de feijão: veja as melhores práticas para sua produção

Plantação de feijão: entenda mais sobre as épocas de plantio, variedades e preparo do solo desta cultura.

A plantação de feijão tem uma grande importância para o agronegócio nacional, uma vez que o grão é uma das bases da alimentação brasileira.

Na última década, conforme dados da Conab, a produção de feijão, incluindo as três safras, foi de 3.133,8 milhões de toneladas.

Vários fatores influenciam na produtividade das lavouras. Neste artigo, vamos falar sobre como fazer o melhor plantio de feijão e os principais manejos para que você obtenha sucesso e lucro com sua produção! Confira! 

Qual é a época de plantar feijão?

As épocas recomendadas para semeadura do feijão podem ser divididas em três: período das águas (nos meses de setembro a novembro), o período da seca (de janeiro a março) e período de outono-inverno ou terceira época (que vai de maio a julho).

A melhor época para plantar feijão, no entanto, varia por ser uma cultura de ciclo curto. As recomendações também mudam conforme o Estado. 

Melhor época para plantar feijão em diferentes estados
 Épocas de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região Central brasileira
(Fonte: adaptado de ProEdu)

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre qual a melhor época para plantar feijão em cada região do país. Confira!

Como iniciar uma plantação de feijão: pré-plantio

Antes de iniciar o plantio, você precisa considerar diversos fatores que interferem na produtividade do feijão. As condições edafoclimáticas como clima, solo, temperatura e precipitação são decisivas no resultado no plantio e para evitar quebra de safra.

Veja um pouco mais sobre cada uma delas.

Temperatura

A temperatura ideal de produção de feijão é de 21 °C. A faixa de 18 °C e 24 °C é ótima para o bom desenvolvimento das plantas, vagens e grãos.

Locais onde a média de temperatura fica abaixo de 12 °C e acima de 30 °C são prejudiciais para produção de feijão. Essas temperaturas podem causar: 

  • atraso na germinação;
  • redução na porcentagem de germinação;
  • atraso no desenvolvimento;
  • abortamento de flores, grãos e vagens.

Radiação solar

Se a quantidade de luz nas plantas for reduzida, ocorre menor índice de área foliar. Isso gera menor captação de energia, afeta o metabolismo fisiológico da planta e diminui a produção.

Quando a radiação solar é intensa durante todo o ciclo das plantas, ocorre maior produção de massa foliar. A consequência disso é o auto-sombreamento. Ele causa abortamento de flores, reduzindo a quantidade de vagens e grãos.

O ideal é que as plantas de feijão consigam interceptar a maior quantidade de radiação solar possível no período vegetativo.

No manejo, procure oferecer maior intensidade luminosa até o florescimento. Fique de olho no espaçamento e na população de plantas. 

Precipitação pluvial

A quantidade de chuvas ideias durante o ciclo do feijoeiro é de 300 mm a 400 mm. Essa quantidade deve ser bem distribuída até antes da época de colheita.

Excesso de chuvas em locais de acúmulo de água reduz o tamanho das plantas e favorece doenças no feijão. As plantas podem morrer nessas condições. 

Na época de colheita, as chuvas dificultam a retirada dos grãos do campo. Isso causa acamamento de plantas e reduz a qualidade do produto.

A falta de chuvas durante o desenvolvimento das plantas também é prejudicial. Essa falta causa falha no estande, caso ocorra no período de germinação e emergência.

Durante o desenvolvimento, as plantas sem a quantidade de água necessária crescem pouco. Isso influencia na quantidade de vagens produzida. Na época da floração, a falta de água leva ao abortamento das flores, menor quantidade de vagens e de grãos.

Solo

As plantas de feijão preferem solos soltos, fofos, bem areados, ricos em matéria orgânica e livres de encharcamento.

Entretanto, regiões de várzea e de solos encharcados também servem para o cultivo de feijão, com alguns cuidados. Isso ocorre desde que sejam cultivados em épocas de seca, com baixa quantidade de chuva.

Assim, estes solos não ficam encharcados e fornecem água para o desenvolvimento das plantas. Mesmo que seja possível, o cultivo de feijão nesse tipo de solo deve ser evitado. Afinal, em casos de chuvas intensas, o sistema radicular não suporta o alagamento.

Como fazer o preparo do solo para a plantação de feijão

O feijão tem algumas exigências que precisam ser seguidas para que se possa atingir produtividades elevadas. 

No plantação de feijão, uma das principais operações é a calagem e a adubação do solo. Além disso, o pH do solo deve estar entre 6 e 7. A saturação por bases ideal é acima de 70%.

Para obter esses resultados é importante realizar a análise química do solo a cada 2 ou 3 anos, somente assim você conseguirá ter a fertilidade ideal que as plantas de feijão necessita.

Outro ponto importante é o sistema de plantio que você realiza na sua área, ele pode ser: convencional ou direto. O preparo do solo convencional é realizado normalmente com discos como arados, grades pesadas ou arado de aiveca.

É importante evitar o uso frequente da mesma profundidade dos implementos e trabalhar o solo com o teor de umidade ideal para evitar camadas de compactação que prejudicam o desenvolvimento radicular das plantas, reduzindo a produtividade do feijoeiro.

Já o plantio direto na palha visa o não revolvimento do solo e também a cobertura total do solo por resíduos vegetais. Além de reduzir a erosão causada pelas chuvas, isso aumenta a disponibilidade de água e diminui a compactação do solo. 

É importante na entressafra sempre utilizar diferentes espécies para cobertura vegetal, assim o solo terá uma camada de palha constantemente, o uso de espécies com raízes agressivas também é recomendado, como nabo forrageiro, para descompactar a camada superficial do solo.

Espaçamento, densidade e profundidade ideais de plantio

Para garantir uma plantação de feijão de sucesso, o planejamento começa antes mesmo do plantio. Por isso, você deve estar de olho em aspectos como:

Profundidade 

O tipo de solo influencia na profundidade da semeadura do feijão.

Em solos arenosos, a profundidade ideal de plantio é de 5 a 6 centímetros. Em solos argilosos, por sua vez, é ideal semear com profundidade de 3 a 4 centímetros. 

Densidade 

Outro fator importante na hora da semeadura é a densidade de plantio. A densidade ideal para o feijão é aquela em que as plantas recobrem toda a área durante o florescimento.

A média recomendada é de no mínimo 10 e no máximo 15 sementes a cada metro. O número de plantas varia em média de 250 mil a 300 mil plantas/ha. 

Entretanto, no momento de definir a densidade, é necessário considerar o histórico de doenças na lavoura. 

Espaçamento 

Feijões do tipo 1 e 2 requerem um espaçamento em torno de 40 cm a 50 cm entre linhas.  Para feijões do tipo 3,  o espaçamento varia de 50 cm a 60 cm entre linhas. 

Pesquisas da Embrapa relatam que os melhores rendimentos têm sido obtidos com espaçamentos de 40 cm a 60 cm entre linhas e com 10 a 15 plantas/m

Adubo para plantação de feijão

Dos nutrientes exigidos pelo feijoeiro, os principais são nitrogênio, fósforo e potássio. A absorção desses macronutrientes, no entanto, ocorre em épocas diferentes. 

  • Adubação nitrogenada: é essencial durante todo o ciclo do feijoeiro, com maior absorção de nitrogênio ocorrendo entre 35 e 50 dias após a emergência da planta – época do florescimento.”;
  • Fósforo para plantas: a maior absorção é entre 30 e 55 dias após a emergência do feijão. Ou seja, antes de aparecerem os botões florais, indo até o florescimento e início da formação das vagens;
  • Potássio para plantas: a máxima absorção pode ser observada em 2 períodos, o primeiro entre 25 e 35 dias (período em que ocorre a diferenciação dos botões florais) e o segundo dos 45 aos 55 dias (época final do florescimento e início da formação das vagens).

Para garantir que a planta tenha acesso a esses nutrientes essenciais em cada fase do seu desenvolvimento, é fundamental o uso de um adubo para feijão adequado. O adubo deve ser rico em nitrogênio, fósforo e potássio, fornecendo os nutrientes necessários para maximizar a produtividade da cultura e evitar deficiências nutricionais ao longo do ciclo.

Ao longo do desenvolvimento, a planta de feijão é capaz de exportar as seguintes  quantidades desses nutrientes:

  • 35,5 kg de nitrogênio;
  • 4 kg de fósforo;
  • 15,3 kg de potássio;
  • 3,1 kg de cálcio; 
  • 2,6 kg de magnésio;
  • 5,4 kg de enxofre.

Essas quantidades consideram cada 1.000 kg de grãos produzidos. Conhecer esses detalhes é fundamental para garantir uma adubação de qualidade para o seu feijoeiro.

Colheita do feijão

Por ser uma cultura semeada de pequenas a grandes áreas, a colheita de feijão pode ser feita de forma manual, semimecanizada ou mecanizada.

A época ideal de colheita é logo após a maturidade fisiológica do feijão (estádio R9) o que ocorre normalmente de 80 a 100 dias após a germinação. Um indicador de que se atingiu esse ponto é a mudança de coloração das vagens do feijão de verde para “cor de palha”.

Em pequenas áreas,  a colheita do feijão geralmente é realizada manualmente devido ao menor volume de produção.

Neste método de colheita manual, as plantas são arrancadas, secadas e trilhadas (separação do grãos da vagem) de forma manual.

Já na colheita semimecanizada, parte é feita manual e parte é mecanizada. É feito o arranquio das plantas e o enleiramento manualmente. Já o trilhamento e as etapas seguintes é feita mecanizada. Veja na figura abaixo:

Fluxograma com aspectos da colheita do feijão
Fluxograma de colheita semimecanizada de feijão
(Fonte: Unesp)

Em grandes áreas, devido à rapidez da operação, a colheita mecanizada é a mais realizada.

A colheita mecanizada pode ser dividida em colheita indireta – onde são utilizadas uma máquina para arranquio e enleiramento, e outra para trilha, abanação e ensacamento; e colheita direta – onde todas as operações são realizadas por uma única máquina.

Não é necessária grande quantidade de trabalhadores: uma ou duas pessoas realizam a operação.

Colhedora vermelha em plantação de feijão
Colhedora automotriz para colheita de feijão
(Fonte: Miac)

Armazenamento do feijão

Após a colheita, a umidade dos grãos deve estar abaixo 13% para que o armazenamento dos grãos seja seguro.

O local adequado para o armazenamento, tanto para semente quanto para grãos, deve ser limpo, arejado, frio, com pouca luminosidade, seco e as sacarias não devem ter contato direto com o chão, assim as características desejadas são mantidas.

Foto de sacas de feijão armazenado
Exemplo de armazenamento de feijão para consumo em sacaria
(Fonte: Embrapa)

Hábito de crescimento e ciclo do feijoeiro

Existem 4 tipos de hábitos de crescimento desse grão. Você deve conhecê-los antes de iniciar a plantação de feijão, porque cada um desses hábitos exige manejos diferentes.

  • Tipo 1: o porte das plantas do tipo 1 é ereto, com arquitetura arbustiva. A ramificação terminal é uma inflorescência. Como o ciclo deste tipo de crescimento é rápido, entre 60 a 80 dias, a falta de água e luz comprometem a produtividade.
  • Tipo 2: o crescimento de plantas do tipo 2 continua após o início da floração. As plantas têm porte arbustivo, semi ereto e pouco ramificação nos caules. A duração do ciclo é de 82 a 95 dias.
  • Tipo 3: as plantas do tipo 3 apresentam crescimento indeterminado com boa ramificação. Isso favorece o acamamento das plantas e dificulta os tratos culturais.
  • Tipo 4: plantas do tipo 4 exigem suporte para condução das ramificações. O crescimento é indeterminado e trepador. Sem a condução das plantas, elas formam um emaranhado de caules, aumentando a incidência de doenças e pragas do feijão, dificultando a colheita.
Ilustração de plantas com hábitos de crescimento diferentes.
Diferentes hábitos de crescimento das plantas de feijão
(Fonte: Embrapa)

Independente do hábito de crescimento do feijão, todos apresentam a mesma fenologia, ou seja, apresentam fase vegetativa e reprodutiva.

Estádios completos de desenvolvimento do feijão em ilustração
Estádios de desenvolvimento da planta de feijão
(Fonte: Embrapa)

Veja abaixo, resumidamente, cada fase da planta de feijão:

Vegetativa 

A fase vegetativa é composta por 5 etapas. Elas são classificadas de V0 até V4.

V0 – Germinação

Ocorre o início da germinação, com desenvolvimento da radícula. Termina com o rompimento do solo pelos cotilédones.

V1 – Emergência

Inicia quando 50% dos cotilédones estão visíveis e termina quando ocorre o aparecimento das folhas primárias.

V2 – Folhas primárias

Ocorre quando as folhas primárias estão totalmente expandidas e termina com a abertura da primeira folha trifoliolada.

V3 – Primeira folha composta aberta

Nesse momento, a primeira folha trifoliolada está totalmente aberta. Esse estádio vai até o início do crescimento da terceira folha trifoliolada.

V4 – Terceira folha composta aberta

Com a terceira folha trifoliolada totalmente desenvolvida, começa o desenvolvimento dos ramos secundários na planta. Esse estádio termina com o surgimento dos primeiros botões florais.

A duração desse estádio é menor nas plantas com hábito de crescimento tipo I, em comparação com as demais.

Foto de feijão germinado e em estado de plântula
Estádios vegetativos da cultura do feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Reprodutiva 

A fase reprodutiva também é dividida em 5 momentos, de R5 até R9.

R5 – Pré-floração

Em R5, as plantas já apresentam os primeiros botões florais. O período de duração deste estádio é menor em cultivares de hábito de crescimento tipo 1 e 2.

R6 – Floração

O final de R5 e começo de R6 ocorre quando 50% das flores estão abertas, e termina com 100% das flores abertas.

Em plantas do tipo 2, 3 e 4, a abertura das flores inicia de baixo para cima, devido ao hábito de crescimento ser indeterminado. Nas de tipo 1, ocorre de cima para baixo.

R7 – Formação das vagens

Com a fecundação, as flores murcham e ocorre a formação das vagens, este é o sinal que iniciou o estádio R7. Neste estádio, o tamanho das vagens vai desde canivete até a formação completa.

R8 – Enchimento das vagens

O enchimento de grãos ocorre neste estádio. As vagens começam a pesar, as folhas começam a cair. No final de R8, os grãos de feijão já começam a adquirir a coloração da cultivar, deixando de ser verdes.

R9 – Maturação

O último estádio de desenvolvimento do feijão ocorre quando os grãos estão prontos. Ou seja, as vagens já estão secando e os grãos já estão com coloração do cultivar semeado.

O acompanhamento quando as plantas estão em R9 é fundamental para iniciar o momento de colheita.

Fotos da floração, vagens e grãos prontos para a colheita
Estádios reprodutivos da cultura do feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre o ciclo do feijão. Recomendo que você confira tudo no artigo: “Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão”.

Tipos de feijão

Considerar a variedade a ser plantada também é uma etapa importante. Afinal, cada variedade possui características que podem interferir no seu manejo.

  • Grupo preto BRS Esteio: ciclo de 85 a 90 dias, adaptada à colheita mecanizada devido à arquitetura ereta. Resistente ao vírus do mosaico comum e a quatro raças do agente causador da antracnose, moderadamente resistente à antracnose e ferrugem e moderadamente suscetível à murcha de fusário.
  • BRS Esplendor: adaptado à colheita mecanizada, resistente ao crestamento bacteriano comum e mosaico comum. É moderadamente resistente à antracnose, ferrugem e murchas de fusarium e curtobacterium.  
  • BRSMG Madrepérola: cultivar de grãos tipo carioca, porte ereto e hábito de crescimento indeterminado. Baixa tolerância ao acamamento, considerada como semi-precoce, resistência ao mosaico comum e a várias raças de antracnose.
  • Feijão-caupi: também conhecido por feijão-de-corda, feijão-miúdo e feijão-fradinho. Tolera temperaturas elevadas, mas não muito altas durante o florescimento.
  • Cultivar de feijão carioca BRS: alto potencial produtivo, arquitetura de planta ereta, adaptada à colheita mecânica, moderadamente resistente à antracnose, ferrugem e ao crestamento bacteriano comum, suscetível à mancha angular, ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro e à murcha de Fusarium.
  • BRS FC104: cultivar de feijão superprecoce com ciclo abaixo de 65 dias, o que permite diminuir o risco de perdas por estiagem na safra de verão e escapar das doenças de solo. Possui moderada resistência à antracnose. 
  • Feijão-vagem: não tolera frio e geadas, a temperatura ótima para o desenvolvimento está entre 18 °C e 30 °C.
  • BRS FC402: é cultivar do grupo carioca, resistente à antracnose e à murcha de fusário, adaptada às principais regiões produtoras, ciclo normal de cerca de 90 dias, arquitetura de planta semiereta (favorece colheita manual e semimecanizada).

Conclusão

Neste texto, você viu os principais fatores edafoclimáticos que influenciam diretamente a produtividade da sua plantação de feijão.

Também viu todas as especificidades de espaçamento, densidade e profundidade, todas fundamentais para garantir ótimas produtividades.

Reúna todos esses conhecimentos para estabelecer uma plantação de feijão de sucesso na sua lavoura. Boa safra!

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a plantação de feijão? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Triticale: alternativa de cultura de inverno para sua fazenda

Triticale: saiba quando e como cultivar, como é feito o controle de pragas e doenças, recomendações de colheita e muito mais!

O triticale é um cereal de inverno gerado a partir do cruzamento do trigo com o centeio. Ele herdou o potencial de rendimento de grãos do trigo e a rusticidade do centeio.

Uma das dificuldades que você pode enfrentar no cultivo do triticale está no manejo da cultura. Afinal, esse cereal possui muitas especificidades.

Neste artigo, você verá detalhes sobre a semeadura e a colheita do triticale, assim como manejo de pragas e doenças. Aproveite a leitura! 

O que é o triticale?

O triticale é um cereal híbrido de inverno. Ele é resultado da hibridação do trigo com o centeio, e possui alta tolerância às geadas. O cereal contribui com a manutenção de palhada em solos arenosos e fracos, além de colaborar com o plantio direto.

Consequentemente, o triticale tem baixa resistência à seca e ao calor excessivo.

Esse cereal se adapta a diferentes condições de solo e clima. Além disso, tem alta capacidade de produção e resistência a doenças fúngicas.

Ele é utilizado principalmente no Sul do Brasil. Afinal, é uma ótima opção para anteceder o cultivo de grandes culturas como milho, soja e feijão

Quando o triticale pode ser cultivado?

A semeadura do triticale ocorre entre os meses de fevereiro e maio

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, é semeado na mesma época que a cultura de trigo. Nessa época, há maior possibilidade de a cultura ter um bom rendimento.

Plantio do triticale

A semeadura deve ser feita em linhas, com espaçamento de 17 cm, e a densidade indicada é de 400 sementes por metro (ou 300 sementes por metro, em locais com risco de acamamento).  A profundidade ideal de semeadura deve ficar entre 2 cm e 5 cm.

Outros espaçamentos podem ser utilizados, mas não ultrapasse 20 cm.

É recomendado que você eleve a saturação de bases do solo para 70%.  Conforme os teores de nutrientes do solo, faça a adubação corretiva.

Devido a sua rusticidade, o cereal possui tolerância a solos ácidos e a altos teores de alumínio tóxico. Apesar dessa tolerância, a correção da acidez por meio da aplicação de calcário é fundamental.

Ela proporciona incrementos significativos na sua produtividade. Além disso, o triticale também responde significativamente à adubação nitrogenada

Antes de semear, avalie as condições e faça a adubação e as correções conforme os resultados da análise de solo.

Grãos de triticale vistos de perto

Grãos de triticale após serem colhidos

(Fonte: Kaufmann seeds)

Quantidade de triticale por hectare

A quantidade de triticale por hectare deve ser de 350 a 400 sementes viáveis/m².

Em áreas onde existe o risco de acamamento, a densidade de semeadura pode ser reduzida para 300 sementes viáveis/m².

Esse cereal é rústico e tolera bem solos ácidos e a toxidez de alumínio. Por isso, pode ser cultivado em regiões classificadas como marginais à cultura do trigo.

Controle de doenças do triticale

O primeiro passo para o controle de pragas e doenças está no tratamento de sementes com fungicidas e inseticidas. O tratamento de sementes apresenta diversas vantagens, como:

  • reduz o inóculo inicial de doenças;
  • controla de pragas iniciais;
  • proporciona maior porcentagem de germinação de sementes;
  • garante plântulas mais vigorosas;
  • garante estande adequado de plantas;
  • fornece maior rendimento de grãos.

Durante o desenvolvimento da cultura, a giberela e a brusone merecem atenção especial. Essas doenças atacam as espigas do triticale. Consequentemente, causam danos significativos ao rendimento da cultura.  

Portanto, faça o controle fitossanitário dessas doenças no início da floração plena.

Controle de pragas do triticale

As pragas de maior ocorrência no triticale são lagartas, pulgões, corós e percevejos.

No entanto, vale alertar que o controle dessas pragas deve ser realizado somente quando a população das pragas atingirem o nível de dano econômico utilizando inseticidas.

Para calcular o nível de dano econômico, contar com ferramentas é essencial. Por isso, separamos para você uma planilha de Manejo Integrado de Pragas que te permite fazer esse cálculo.

Clique na imagem a seguir para baixar a planilha gratuita:

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Recomendações de colheita para o triticale

A colheita do triticale deve ser feita com a máquina em baixa velocidade. A umidade das espigas e dos grãos também precisa estar baixa, e o uso de batedores em barras é o mais recomendado.

Além disso, a colheita dependerá da forma de utilização da cultura.

Quando usadas para produção de feno ou silagem pré-secada, as plantas devem ser colhidas até o estádio do emborrachamento.

Quando utilizado como silagem da planta inteira, a colheita deve acontecer quando os grãos atingirem o estádio leitoso a pastoso.

A colheita pode ser feita de forma manual ou mecânica. Na colheita manual, o grão deve ser colhido com menos de 25% de umidade. Em seguida, esses grãos devem ser secos até 14% de umidade para realizar a sua trilha.

Já na colheita mecanizada, o grão deve apresentar entre 14% e 25% de umidade. É importante que a máquina esteja bem regulada e ajustada para colher cereais de inverno de grãos pequenos.

Colha o mais cedo possível. Assim você evita prejuízos na germinação, vigor qualidade dos grãos.

A colheita com menos de 20% de umidade é aconselhável. Isso pode evitar perdas econômicas quando há ameaça de chuva, além da facilidade de secagem.

Pela maior quantidade de palha em relação ao trigo, a colheita deve ser realizada com menor velocidade.

Triticale em fase adulta, em ponto de colheita

Triticale em fase adulta, prestes a ser colhido

(Fonte: FMApa)

Cuidados na pós-colheita

Após a colheita, é importante observar se há a presença de grãos giberelados.

A retirada desses grãos permite que os grãos sadios sejam usados sem problemas na alimentação dos animais. Esse processo pode ser feito com uma máquina de ar e peneira ou outra prática de seleção, como a manual.

Isso é importante porque tanto o triticale como outros cereais de inverno giberelados podem causar problemas de toxidez em animais. Portanto, tenha atenção na pós-colheita e garanta a seleção dos melhores grãos.

Zoneamento Agrícola para o triticale

Recentemente, o triticale entrou para a base de dados do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Ele pode ser acessado gratuitamente pela internet.

Ele permite a indicação da melhor época de semeadura nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Isso tanto em sistema de sequeiro quanto irrigado.

A criação do zoneamento para a cultura foi impulsionado pelo aumento da demanda desse cereal na alimentação animal. Essa expansão permitirá o aumento do cultivo do cereal no país.

Benefícios do triticale na sucessão de culturas

Com a inserção do triticale como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso. Afinal, o cereal minimiza danos do solo e suprime plantas daninhas da lavoura

Além dessas, existem outras vantagens:

  • o triticale tem qualidades panificáveis;
  • é uma ótima opção para cobertura do solo na entressafra, protegendo-o da erosão e da lixiviação de nutrientes/
  • é uma excelente alternativa para adubação verde, garantindo muitos nutrientes para a lavoura;
  • possui alta resistência ao frio;
  • seus grãos têm alta qualidade nutricional;
  • também pode ser utilizado na consorciação e rotação de culturas.
planilha controle de custos por safra

Conclusão

O triticale pode ser utilizado na rotação e/ou sucessão de culturas como cobertura do solo, produção de grãos e alimentação animal.

A giberela e a brusone são as principais doenças que atacam as espigas do triticale, e merecem atenção especial. Com sua inserção como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso.

Agora que você tem essas informações, que tal considerar o triticale como cultura de inverno em sua propriedade?

Restou alguma dúvida sobre o tema? Quais espécies de triticale você utiliza no cultivo de inverno em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Seguro de propriedade rural: o que você precisa saber para contratar

Seguro de propriedade rural: conheça as coberturas dessa modalidade, seguradoras disponíveis, vantagens desse seguro rural e muito mais!

O seguro de propriedade rural é uma modalidade do seguro rural e cobre perdas parciais ou totais dos bens relacionados às atividades agrícolas. 

Os problemas causados pelas mudanças climáticas causam prejuízos à lavoura e ao patrimônio da propriedade.

É preciso buscar meios para que os riscos da atividade agrícola sejam reduzidos. Uma das principais formas é a grande quantidade de seguro para agronegócio existentes.

Neste artigo, você saberá como funciona o seguro de propriedade rural, quais as coberturas e muito mais. Boa leitura!

O que é um seguro rural?

O seguro rural (ou seguro agrícola) é um instrumento de política agrícola fundamental para o produtor rural. Ele protege quem produz contra perdas ocasionadas pelas mais variadas adversidades climáticas.

Existem diversas modalidades do seguro rural, como o seguro de propriedade rural. Conhecer essa modalidade é um passo fundamental para uma gestão agrícola completa e precavida contra riscos.

Caso qualquer uma das causas a seguir cause prejuízo aos seus bens, a seguradora pode precisar pagar. Essas causas também precisam estar bem especificadas na apólice.

  • Chuvas excessivas ou com granizo;
  • Incêndios, fumaça, explosões e quedas de raios;
  • Furacões, ciclones e alagamentos;
  • Roubos;
  • Furtos ocorridos mediante arrombamento;
  • Danos de ordem elétrica;
  • Colisões de veículos;
  • Quedas de aeronaves;
  • Recomposição de documentos.

Esses problemas são também um alerta para que você faça um seguro multirrisco rural, o seguro residencial rural e o seguro porteira fechada.

O que é o seguro de propriedade rural?

O seguro de propriedade rural cobre perdas em caso de danos parciais ou totais aos bens relacionados às atividades agrícola, pecuária, aquícola ou florestal. Isso desde que não tenham sido oferecidos em garantia nas operações de crédito rural

Ele faz parte das modalidades do seguro agrícola e é também conhecido como seguro residência rural ou seguro de benfeitorias e produtos agropecuários

Pode ser contratado por pessoa física ou jurídica. Ele abrange bens utilizados nas operações de:

  • produção no campo;
  • armazenamento;
  • processamento;
  • beneficiamento;
  • manipulação;
  • acabamento do produto agrícola.

Todas essas atividades devem estar listadas na apólice. Só assim elas terão validade em caso de sinistros, que podem ter várias causas.

Bens cobertos pelo seguro de propriedade rural   

Existe uma grande quantidade de bens que podem ser assegurados pelo seguro. Veja abaixo quais bens podem ser cobertos:

  • Construções, benfeitorias e outras instalações destinadas ao desempenho das atividades agropecuárias;
  • Dependências anexas às construções, como instalações fixas de água, eletricidade, gás, refrigeração, calefação e energia solar, além de locais onde são criados animais, cultivada uma lavoura ou mantida exploração de terra;
  • Imóveis destinados à moradia do produtor e familiares ou funcionários;
  • Móveis e utensílios onde são guardados os imóveis (sacarias, embalagens, ferrarias, recipientes e aparelhos eletrîonicos);
  • Equipamentos diversos, como balança rodoviária, geradores e transformadores;
  • Produtos agropecuários, a exemplo de insumos e mercadorias agrícolas;
  • equipamentos, máquinas e implementos agrícolas

Regras para ressarcimento no Seguro de Propriedade Rural

O ressarcimento do prejuízo causado a esses bens mencionados acima deve ocorrer, conforme as seguintes regras:

  • ser de propriedade do segurado, com comprovação da posse no contrato;
  • estar identificado/discriminado na apólice/certificado de seguro;
  • ser relacionado às atividades rurais realizadas pelo segurado;
  • não estar relacionado como garantia de operações de crédito rural.

Valores e relação custo-benefício

Na indenização de um sinistro, é preciso avaliar quais são os valores necessários para a indenização para atender às necessidades geradas pelo evento.

Por isso, analise todas as coberturas conforme as suas necessidades. Considere também o custo das operações, como o prêmio a ser pago todo mês.

Avalie também o valor da franquia e o quanto será descontado do valor devido pela indenização que cabe a você garantir como segurado.

Na relação custo-benefício, avalie cada caso de forma separada e de preferência com a assessoria de uma empresa corretora especializada em seguros rurais. Agindo dessa forma, você estará se precavendo de algum eventual erro de cálculo.

Qual seguradora faz seguro rural?   

Existem 16 seguradoras que atuam com o seguro agrícola no Brasil, segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 

Além disso, existem diversos prestadores de serviços e tecnologias agrícolas que auxiliam na oferta de cotações entre produtores e seguradoras.

Além do seguro de propriedade rural, o sistema também oferece as modalidades de:

  • Seguro agrícola
  • Seguro de máquinas e equipamentos
  • Seguro automóveis
  • Seguro de vida

Basta preencher um breve formulário totalmente digital que uma corretora parceira entrará em contato com uma proposta personalizada, sem qualquer compromisso prévio.

Quais são as vantagens do Seguro de Propriedade Rural?

O Seguro de Propriedade Rural tem como principais vantagens a proteção do patrimônio e a possibilidade de ressarcimento dos prejuízos causados por eventos diversos. É essencial para evitar grandes perdas e continuar na atividade rural.

Os efeitos das mudanças climáticas têm sido intensificados nos últimos anos. Secas severas, geadas e excesso de chuvas, com inundações de lavouras são mais frequentes.

Chuvas, desabamentos, ventos fortes e raios podem causar prejuízos nos bens necessários para a atividade agrícola. Com um seguro, você garante o ressarcimento por esses bens.

Não deixe de se precaver com um seguro de propriedade rural para garantir a estabilidade financeira da fazenda.

>> Leia mais: O que é seguro de máquina agrícola, vantagens e desvantagens

Comparação entre opções de seguro de propriedade rural 

Ao estabelecer contato com empresas corretoras de seguro para o agronegócio, peça comparativos entre as opções que podem ser utilizadas. Essas opções devem estar de acordo com as necessidades da sua fazenda.

Agindo dessa forma, você poderá assinar um contrato com a garantia das vantagens que o seguro de propriedade rural oferece.

Antes de assinar, leia e revise todos os pontos para que você esteja muito ciente do que está fazendo. Assim, você também confere se as informações inseridas estão corretas.

Caso as informações estejam erradas e houver um prejuízo, as seguradoras podem se negar a pagar por conta desses erros.

Coberturas em combinação 

Você também pode averiguar ainda a necessidade de fazer outros tipos de seguros para ampliar a sua cobertura.

Avalie as modalidades de seguro rural e verifique quais delas podem ser melhor utilizadas para proteger seu patrimônio e a sua produção agrícola.

Quais são as modalidades de seguros rurais?

Além do Seguro de Propriedade Rural, as modalidades de seguro rural são:

  • Seguro agrícola;
  • Seguro Pecuário;
  • Seguro Aquícola;
  • Seguro de Penhor Rural;
  • Seguro de Florestas;
  • Seguro de Vida do Produtor Rural;
  • Seguro de Cédula de Produtor Rural.

Ao contratar uma modalidade de seguro, é importante ficar de olho nas coberturas e o que está especificado na apólice de seguro. 

Conclusão

Estabelecer estratégias que reduzam os riscos da atividade agrícola deve estar sempre presentes na gestão de uma propriedade rural.

Por isso, contratar um Seguro de Propriedade Rural é de grande importância, e ele ganha ainda mais força quando combinado com outros tipos de coberturas de seguros.

Consulte uma seguradora de sua preferência para proteger seu patrimônio e a renda dos seus colaboradores.

Leia mais >>

“Penhor rural: veja como facilitar sua obtenção ao crédito”

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Renagro: como funcionará o registro nacional de tratores e máquinas agrícolas

Renagro: saiba o que é, quando entra em vigor, se é obrigatório, quais os regulamentos, exigências e muito mais!

O Renagro é um registro nacional de tratores e máquinas agrícolas que entra em vigor a partir de outubro deste ano. Essa novidade deve colaborar para dar mais segurança aos produtores rurais em casos de roubo.

Neste artigo, você saberá como funcionará o registro e como ele pode oferecer mais segurança a quem possui máquinas agrícolas. Aproveite a leitura!

O que é Renagro?

O Renagro é a sigla para Registro Nacional de Tratores e Máquinas Agrícolas e será um importante mecanismo para registro e controle desses tipos de veículos no Brasil.

De acordo com o Governo Federal, será facultativo até 30 de setembro de 2022. A partir de outubro, o registro será obrigatório.

Segundo a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), a cada ano o país ganha 35 mil novos tratores e máquinas agrícolas. Uma das grandes vantagens do Renagro é trazer mais segurança aos donos de máquinas agrícolas. 

Os órgãos de segurança pública e do Sistema Nacional de Trânsito terão acesso ao Renagro para consultas, como em casos de roubo.

Até então, a forma de comprovar a posse de maquinário agrícola tem sido por meio de nota fiscal de compra. Outra forma é o registro da posse em cartório, o que gera altos custos.

Geralmente, o registro em cartório é uma exigência das seguradoras para a realização do seguro da máquina agrícola

Com o Renagro, não haverá custo algum ao dono de veículos do tipo para que faça o cadastro nacional, segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

O Renagro vai ser obrigatório?

O registro no Renagro será obrigatório para quem tem máquinas agrícolas que transitam em via pública. O registro será opcional para máquinas que não transitam em via pública.

Vale lembrar que é obrigatório portar o documento ao transitar em via pública. 

O registro de máquinas agrícolas ou tratores fabricados antes de 2016 é opcional, sejam eles de trânsito em via pública ou não. Caso o registro seja feito, deve seguir as mesmas regras dos demais veículos

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Como o Renagro vai funcionar?

O registro funcionará da seguinte forma: fabricantes, importadores e agentes autorizados deverão fazer o pré-cadastro das informações da máquina no Renagro.

Tudo será feito de forma digital, por meio do ID Agro. Essa é uma plataforma que interliga:

  • fabricantes;
  • autorizadas (revendedoras);
  • proprietários;
  • Sistema CNA/Senar;
  • Mapa, responsável pela gestão do Renagro.

Regulamento

O Regulamento do Renagro é um documento que determina as regras para a realização do registro de tratores e máquinas agrícolas.

Ele reconhece como “agente autorizado” a empresa autorizada pelo fabricante ou importador a comercializar ou dar assistência técnica a máquinas agrícolas.

No documento do Renagro, conforme o regulamento, devem constar informações básicas como:

  • dados do trator ou máquina agrícola;
  • dados do proprietário;
  • número de registro do trator ou máquina no sistema.

Regras para gravação do chassi 

A gravação do chassi deve ser feita pelo fabricante, importador ou agente autorizado. Os caracteres de cada chassi são exclusivos para cada veículo. 

Eles devem seguir as normas do Contran, e devem permitir identificar o fabricante ou importador e o modelo da máquina.

A regravação poderá ser feita somente em caso de dano à gravação original. Apenas fabricantes, agentes autorizados e importadores estão autorizados a fazê-la.

Regras para plaquetas de identificação

Outro meio de identificação do trator é por meio das plaquetas. Elas terão o nome e o endereço do fabricante. É importante lembrar que as plaquetas precisam ser fixadas em um local que:

  • dificulte a adulteração ou remoção sem detecção;
  • dificulte a mutilação das características originais da máquina;
  • minimize o risco de danos durante a operação agrícola;
  • seja legível à luz do dia.

Tanto o número do chassi quanto da plaqueta devem vir no manual do trator ou maquinário agrícola ou do sistema Renagro. Pode ser usado um adesivo com essas informações, mas isso é opcional.

Vale lembrar que além de portar chassi e plaquetas conforme o exigido,  o motorista que conduz a máquina agrícola deve ser habilitado na categoria B.

Outras exigências básicas de segurança são requisitadas. Por exemplo, o uso de cinto de segurança, faróis em pleno funcionamento, espelhos bem posicionados, etc.

Documentos necessários para fazer o registro de tratores e máquinas

A análise documental do Renagro deve ser feita pelo fabricante, importador ou agente autorizado. Ela inclui informações fiscais do trator ou da máquina agrícola, condições de uso e informações do proprietário.

Conforme o regulamento, o proprietário pode ser pessoa física ou jurídica. Se você for pessoa física, precisará de:

  • nome completo; 
  • CPF; 
  • comprovante de residência; 
  • telefone;
  • email. 

Agora, se você for pessoa jurídica precisa de alguns documentos diferentes:

  • CNPJ;
  • razão social; 
  • nome fantasia; 
  • endereço; 
  • telefone; 
  • e-mail;
  • identificação de representante legal. 

Em qualquer situação, o documento será obtido de forma gratuita. A validade é em todo o território nacional, e o documento pode ser apresentado em meio físico ou digital.

Como dar baixa de uma máquina no Renagro

É possível dar baixa no sistema Renagro em casos de roubo, furto, perda ou destruição total da máquina agrícola. 

Neste caso, somente é possível com registro policial de boletim de ocorrência. 

Como realizar o pré-cadastro no Renagro

Para fazer o registro de tratores e máquinas agrícolas no Renagro, é necessário um pré-cadastro no sistema. Ele deve ser feito por agentes autorizados, fabricantes ou importadores. As seguintes informações referentes aos veículos são necessárias:

  • modelo;
  • local de produção;
  • nome e registro profissional do responsável técnico;
  • código do chassi;
  • ano de fabricação;
  • dimensões referentes à altura, largura e comprimento;
  • itens obrigatórios para o trânsito em via pública.

Como fazer transferência de propriedade no Renagro

Para transferir a propriedade no Renagro, o novo dono da máquina precisa já ter cadastro no sistema para a troca de titularidade ser feita.

Após a transferência, o novo dono terá 30 dias para aceitar a transferência em sua conta no sistema. Se não fizer isso no prazo, o registro da máquina será bloqueado e o documento ficará indisponível. Uma nova alteração será impedida.

O desbloqueio só será possível se o novo proprietário solicitar ao administrador do sistema. Se houver recusa, a máquina permanecerá no nome do antigo dono.

Conclusão

O Renagro é um importante passo para a modernização dos processos do setor agrícola no país. A partir de outubro de 2022, será obrigatório para as máquinas agrícolas.

Espera-se que por meio dele, daqui a 5 anos ou mais, tenhamos informações mais concretas sobre a frota de tratores e maquinários agrícolas do Brasil. 

A medida também promete mais segurança aos donos dos veículos. Aproveite que é de graça e faça o registro da sua máquina no Renagro, seja ela nova ou antiga.

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Você já sabia da existência do Renagro? Ficou alguma dúvida sobre o assunto? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Beneficiamento de grãos: entenda as 7 etapas fundamentais

Beneficiamento de grãos: saiba a importância, quais são as etapas obrigatórias, cuidados que você deve ter e muito mais!

A qualidade de grãos e sementes não pode ser melhorada, apenas conservada

Por isso, todas as etapas do processo produtivo são importantes.

O beneficiamento de grãos é um processo que procura eliminar impurezas de um lote, melhorando suas características. Isso é fundamental para garantir uma boa comercialização.

Neste artigo, veja quais são as etapas do beneficiamento e quais cuidados devem ser tomados no processo. Boa leitura!

O que é o beneficiamento de grãos?

O beneficiamento é uma das últimas etapas da produção de grãos e sementes, e procura melhorar as características de um lote

Isso é feito através da eliminação de impurezas; matérias estranhas (como sementes de outras espécies e outros contaminantes); e também danos leves e graves, até que se alcancem os limites tolerados pela legislação.

Para manter a qualidade dos lotes, são retiradas as matérias estranhas. Alguns exemplos são:

  • grãos e sementes de outras culturas;
  • insetos vivos ou mortos;
  • partes de insetos;
  • torrões de solo;
  • sujidades, dentre outros.

Também são eliminados todos os materiais vegetais que pertencem à cultura, como:

  • folhas;
  • hastes;
  • colmos;
  • raízes;
  • vagens;
  • pedaços de sabugo, dentre outros.

Esses limites máximos tolerados variam conforme o produto (grão). Percentuais acima dos descritos na legislação resultam em descontos no momento da comercialização. 

Embora a legislação traga limites máximos tolerados, eles também podem ser especificados pelas empresas, UBGs (Unidades de Beneficiamento de Grãos) ou UBSs (Unidades de Beneficiamento de Sementes).

As unidades de beneficiamento de grãos (UBGs) são locais onde os grãos são encaminhados após a colheita pelo produtor. 

São localizadas normalmente próximo do local de produção. É nas UBGs que os grãos são limpos, secos, e beneficiados (retirada de matérias estranhas, impurezas, contaminações).

Quais são as etapas do beneficiamento de grãos

As etapas do beneficiamento de grãos são: recepção, amostragem, pré-limpeza, limpeza, secagem, classificação e armazenamento. O objetivo é retirar possíveis contaminações que contribuem para a deterioração dos grãos.

Esquema demonstrativo das etapas de beneficiamento de grãos.

Fluxograma operacional de uma unidade de beneficiamento

(Fonte: Silva e colaboradores, 2012)

Confira a seguir como funciona cada uma das operações envolvidas no beneficiamento de grãos!

1. Recepção

Na recepção, os grãos ficam armazenados provisoriamente na moega. Depois, são  encaminhados para a pré-limpeza, limpeza ou secagem. O destino varia de acordo com o grau de umidade, impurezas e matérias estranhas do lote.

Para que se saiba quais as operações são necessárias, é preciso retirar amostras do produto e avaliar suas condições. A primeira delas é o grau de umidade. Esta informação determina se será necessária a secagem do produto.

Quando o grau de umidade é elevado, é importante que a secagem seja realizada o mais rápido possível. Afinal, a deterioração (redução da qualidade) já estará ocorrendo.

A recepção deve ser programada para que não sejam misturados produtos diferentes. Isso vale principalmente para produtos já secos com produtos que necessitam de secagem.

2. Amostragem

A amostragem é uma etapa importante para que as condições do lote recebido sejam averiguadas. Ela deve ser realizada seguindo metodologias padrão e com auxílio de caladores, que podem ser manuais ou pneumáticos.

Os pontos para retirada das amostras também são importantes. Elas devem ser de diferentes locais e profundidades.

Etapas da amostragem de grãos

  • Tenha em mãos um calador (hidráulico ou manual), um balde plástico, caderno e caneta para anotação;
  • Colete as subamostras: elas são amostras parciais, e devem ser coletadas em diferentes pontos. Isso depende de como a carga de grãos estiver disposta.
  • Misture as amostras uniformemente: assim você terá a amostra para análise, que deve ser identificada corretamente. As subamostras devem contemplar as laterais e o centro da carga;
  • Posicione o calador no ponto, verticalmente e enterrado até o fundo da massa de grãos. Só assim a subamostra pode ser retirada. 

Para checar os sistemas e comparar a eficiência das operações, você pode retirar amostras durante o funcionamento dos equipamentos. Dessas amostras, são avaliadas a porcentagem de cada um dos danos. Nesse caso:

  • Pese a amostra total;
  • Retire os danos a serem avaliados;
  • Calcule a porcentagem desses grãos com danos em relação ao peso inicial.

Fórmula para amostragem de grãos com danos

Para calcular a quantidade de grãos com danos, você pode utilizar uma fórmula. Por exemplo, considere uma amostra de 250 gramas em que 0,8 gramas são de grãos quebrados/partidos.

Basta fazer uma regra de três:

Fórmula para amostragem de grãos com danos: 250 gramas - 100% da amostra/ 0,8 gramas - X. Esquema representado em regra de três.

(Fonte: adaptação da autora)

Essa amostra contém 0,32% de grãos quebrados/partidos. Os valores dos resultados obtidos são comparados aos limites máximos tolerados para cada uma das operações.

3. Pré-limpeza

A pré-limpeza é a retirada inicial de impurezas e matérias estranhas com percentuais próximos a 4%

No beneficiamento de sementes, são tolerados pequenos índices de outras sementes (1%), e zero material inerte. Porém, esse valor pode mudar de acordo com as classes de sementes.

Além disso, as operações de pré-limpeza têm várias vantagens

  • facilidade na operação de secagem, quando necessária;
  • melhor transporte entre os elevadores;
  • condições de armazenamento facilitadas;
  • fluxo no armazém facilitado.

A pré-limpeza é uma etapa obrigatória. Em alguns casos, ela pode ser suficiente. 

Nesta etapa, as peneiras devem ser adequadas. Além disso, o fluxo de ar do ventilador deve ser ajustado corretamente (o que depende do grão a ser beneficiado).

Na pré-limpeza e na limpeza, as sementes são beneficiadas em máquinas de ar e peneiras. Elas usam ventiladores para separar materiais contaminantes e indesejáveis de menor peso e tamanho. 

4. Secagem

A secagem de grãos é a etapa para retirar a água em excesso. Isso pode ser feito através de ar natural ou aquecido. Realize essa etapa o mais rápido possível, após a colheita dos grãos com alto grau de umidade.

O grau de umidade deve ser mais baixo para armazenamento em locais sem aeração.

Na tabela a seguir, confira o grau de umidade recomendado para o armazenamento seguro de diferentes culturas:

Grau de umidade recomendado para feijão, milho, soja, azevém, arroz e aveia.

(Fonte: Elias, 2000)

5. Classificação

A classificação de sementes em relação ao tamanho é feita para padronizar os lotes

Esta operação facilita a semeadura e distribuição no campo. Além disso, proporciona maior plantabilidade quando os equipamentos são ajustados da forma correta. 

6. Limpeza de sementes e grãos

No caso de sementes, os cuidados devem ser redobrados. Afinal, elas são armazenadas até a semeadura da próxima safra.

A retirada de impurezas, matérias estranhas, sementes danificadas e verdes é indispensável. Assim, o vigor das sementes não é reduzido

Este processo é parecido com a limpeza de grãos. Acontece através da passagem das sementes por peneiras de ar e mesa densimétrica.

A mesa densimétrica separa as sementes através da densidade ou peso. Sementes mais leves geralmente têm qualidade reduzida.

No caso de grãos, a limpeza é uma operação extra. Ela faz com que impurezas e matérias estranhas que tenham permanecido após a pré-limpeza sejam retiradas.

7. Armazenamento

Para armazenamento de grãos seguro, eles devem ser secos a uma porcentagem ideal. Assim devem ser mantidos durante o processo. 

O percentual de umidade muda conforme a cultura. Confira: 

Tabela com percentual de umidade em grãos como café, milho, soja, arroz, sorgo e trigo.

(Fonte: Senar, 2018)

Quais etapas de beneficiamento de grãos são obrigatórias?

Nem todas as operações de beneficiamento são necessárias, a depender das condições dos grãos. Em alguns casos, a pré-limpeza é suficiente e a secagem não é necessária, por exemplo.

Duas situações podem ocorrer: 

  • Se os grãos forem limpos, secos e comercializados imediatamente: você deve fazer secagem, limpeza e classificação. Isso garante que impurezas e materiais estranhos não ultrapassem 1%, e que o grau de umidade seja de 13%. Esses são os limites impostos pelo Mapa.
  • Se os grãos forem secos, limpos e armazenados: nesse caso, você deve fazer a pré-limpeza, secagem (e limpeza, quando necessário) e armazenamento. 

8 cuidados essenciais durante o beneficiamento de grãos

No beneficiamento de grãos e sementes, alguns pontos merecem atenção:

  1. Injúrias mecânicas (trincas, quebrados, partidos) são geralmente agravadas pela secagem. A temperatura do ar de secagem deve ser adequada para o teor de água inicial dos grãos;
  2. O local de armazenamento dos grãos e sementes deve ser limpo, seco e arejado. Isso evita a proliferação de pragas de armazenamento, fungos e deterioração;
  3. O ambiente de armazenamento não pode ter goteiras. O contato com a água favorece a germinação dos grãos e sementes. Além disso, acelera sua deterioração.
Foto de sementes de soja germinadas

Grãos de soja germinados devido a goteiras no telhado do silo, provocando aceleração da deterioração dos grãos armazenados.

(Fonte: De Souza, 2012)

  1. Materiais quebrados, trincados, fragmentados, arranhados e danificados são causados por choques com as superfícies durante o beneficiamento. Por isso, regule a velocidade das operações e as monitore sempre;
  2. Grãos danificados são mais suscetíveis ao ataque de fungos e insetos. Isso pode provocar o aquecimento da massa de grãos, e até mesmo gerar fogo;
  3. A conservação dos grãos pode ser comprometida a partir dos 60 a 120 dias. Isso acontece quando os valores de grãos quebrados são entre 5% e 8%.
  4. As perdas durante o beneficiamento podem ser superiores a 3%. A cada 30 mil sacos de grãos beneficiados, 900 podem ser perdidos por manuseio incorreto;
  5. Regule e monitore os equipamentos utilizados durante o beneficiamento. Eles podem trincar os grãos, agregar cinzas, odores e provocar a perda de peso da massa.

Processo de beneficiamento de soja

O beneficiamento da soja começa com a pré-limpeza e é seguida da secagem, pós-limpeza, padronização, tratamento e pesagem. Após a pesagem, os grãos são embalados, amostrados, identificados e armazenados.

É importante ressaltar que o beneficiamento destinado a grãos e a sementes tem operações diferentes. Na primeira, o foco é retirar as impurezas e matérias estranhas que afetam a qualidade do grão, para posterior processamento na indústria.

Na segunda, o objetivo é selecionar sementes de alto potencial germinativo, a depender do padrão da empresa produtora de sementes ou cultivar que está sendo produzida.

Além da máquina de peneiras, a mesa densimétrica é usada. Ela separa as sementes por densidade.

Foto de mesa densimétrica vermelha, utilizada no processo de beneficiamento de grãos de soja

Mesa densimétrica de uma unidade de beneficiamento de sementes. Na imagem à direita é possível observar os dutos de entrada de sementes de diferentes densidades.

(Fonte: Reisorfer, 2012)

Sementes mais leves estão geralmente associadas a danos provocados por insetos, fungos, ou até mesmo má formação. Sementes mais pesadas, em contrapartida, possuem a maior qualidade.

Outro processamento que ocorre é a padronização de lotes de sementes em função do seu tamanho. Isso é importante para a regulagem das semeadoras e para garantir melhor uniformidade de sementes na lavoura.

A padronização é realizada através de peneiras com diferentes tamanhos. O tamanho da semente está relacionado diretamente ao de 1000 sementes. Essa informação é utilizada para que o produtor possa calcular a quantidade de sementes necessária para a semeadura.

Esta classificação em tamanho em função de peneiras pode ser de peneira 50 a 75.

  • Sementes de soja de peneira 50 apresentam peso de 1000 sementes (a depender da cultivar), aproximados a 92 gramas, Logo, 92/1000=0,09 gramas por sementes. Na peneira 50, um grama de sementes conterá 11 sementes, e um saco de 40 kg de sementes conterá 440.000 sementes.
  • Sementes de soja de peneira 75 apresentam peso de 1000 sementes aproximado de 244 gramas. Logo, 244/1000=0,244 gramas por semente. Na peneira 75, um grama de sementes conterá 4 sementes, e um saco de 40 kg de sementes, conterá 160.000 sementes.

Em função da população de sementes desejada, você deverá escolher o tamanho de peneira mais adequado para calcular.

Se as sementes são de diversos tamanhos, na regulagem e na semeadura, mais sementes podem cair no solo. Isso prejudica a plantabilidade (distribuição uniforme de plantas na lavoura). 

Processo de beneficiamento de milho

As etapas de beneficiamento do milho incluem a amostragem inicial do produto, pré-limpeza do lote recebido (etapa que conta com as máquinas de pré-limpeza e mesa de gravidade) e secagem.

Esses processos de beneficiamento possuem o objetivo de limpar o material para ser armazenado adequadamente.

Foto de mesa de gravidade com grãos de milho

A mesa de gravidade é utilizada para realizar a separação de diferentes densidades (pesos) do produto. Os materiais de menor densidade normalmente são restos de sabugo de milho e grãos ardidos

(Fonte: Trogello, 2013)

As sementes de milho ainda são classificadas quanto ao seu tamanho e formato, e posteriormente estocadas em bags até a expedição.

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Conclusão

O beneficiamento de grãos e sementes é uma etapa importante para conservar a qualidade.

O processo é composto por 7 etapas, mas nem todas elas são obrigatórias. Vale analisar a situação dos seus grãos para definir quais das etapas serão fundamentais.

Fique de olho nos limites máximos de umidade, impurezas, matérias estranhas e danos. Assim, você não sofrerá penalidades na comercialização dos seus grãos.

Como você faz o beneficiamento de grãos na sua fazenda? Tem dificuldade em algum desses processos? Adoraria ler seu comentário.

Produção de grãos no Brasil: entenda o cenário e como ele afeta sua lavoura

Produção de grãos no Brasil: importância da agricultura brasileira, cenário de produção de arroz, feijão, soja, milho e muito mais!

Se você produz grãos, ficar por dentro do mercado é essencial.

Conhecer a  lei da oferta e demanda e o cenário de produção de grãos influencia diretamente nos preços recebidos por você. Isso também impacta nos preços que você vai colocar nos seus produtos.

Neste artigo, veja como anda a produção de grãos no Brasil e como isso afeta o seu trabalho no campo. Confira!

Quais os maiores produtores de grãos do mundo?

A alimentação mundial é muito baseada no consumo de grãos, seja de cereais ou de oleaginosas. No cenário mundial os cinco países em destaque são a China, Estados Unidos, Índia, Brasil e Rússia.

Segundo o Conselho Internacional de Grãos (IGC) a estimativa de produção de grãos em 2021/22 será de 2,287 bilhões de toneladas.

Cada país apresenta um destaque da produção. Por exemplo, a China é maior produtor de arroz. O Brasil vem assumindo a posição de maior produtor de soja, antes dos Estados Unidos.

Veja mais adiante a posição de cada país na produção de grãos no mundo.

Produção de grãos no Brasil

A participação do setor do agronegócio no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro tem média acima de 20% do total.

Em valores reais, o PIB do agronegócio gerou nos últimos anos uma média de mais de R$ 1,2 trilhões. Somente o ramo agrícola apresenta grande parte destes ganhos.

Qual é a área cultivada com grãos no Brasil?

A área cultivada na safra 2021/22 é de 72,9 milhões de hectares. Há um aumento de área prevista para soja e milho, impulsionado pelos preços dessas commodities. Graças a essas duas culturas, a safra 2021/22 pode ser 3,8% maior que a safra 2020/21.

Qual a produção de grãos no Brasil em 2022?

A projeção de produção de grãos no Brasil para a safra 2021/22 é de até 269,3 milhões de toneladas, de acordo com a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento).

Em comparação à safra passada, a produção aumenta cerca de 13,8 milhões de toneladas.

A produção de grãos no Brasil está aumentando?

Nas primeiras projeções da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) a produção era de 288,6 milhões de toneladas. Essa redução foi provocada pelo clima adverso em algumas regiões produtoras brasileiras.

Entretanto, observando o histórico de produção do Brasil nos últimos anos, a produção de grãos vem aumentando. Esse aumento está sendo causado por:

  • aumento de área de produção;
  • aumento de produtividade;
  • melhoramento das cultivares;
  • manejo de produção; 
  • investimento em tecnologia no campo.

Quais os grãos mais produzidos no Brasil? 

Soja, milho, arroz, feijão, trigo e algodão estão entre os principais grãos produzidos no Brasil. Na produção mundial, o país assume a quarta colocação, ficando atrás dos Estados Unidos, China e Índia.  Veja um pouco mais esse cenário para os principais grãos produzidos no Brasil.

Soja

O Brasil ganha o cenário mundial como maior produtor e exportador da cultura da soja.

A produção nacional média supera a marca de 120 milhões de toneladas. O Estado do Mato Grosso produziu mais de 34 milhões de toneladas nos últimos anos.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de soja nas regiões produtoras brasileiras

(Fonte: Adaptado de Conab)

O principal país importador da soja brasileira e americana é a China, com uso principal para ração animal. Logo atrás do Brasil, há os Estados Unidos lidera na produção e exportação. 

Milho

No Brasil, a semeadura do milho pode acontecer em três épocas: 

Esta produção coloca o Brasil como o terceiro maior produtor deste cereal, logo atrás dos Estados Unidos e da China. Juntos, os três produzem mais de 60% do milho do mundo.

Como destaque dos estados produtores temos Minas Gerais na safra e Mato Grosso na safrinha. Na terceira safra, o milho é produzido em poucos estados, mas o destaque é para o Sergipe.

A maior produção e área semeada desta cultura ocorre no milho safrinha. Mais de 65 milhões de toneladas são produzidas. Somando as três épocas, a média da produção nacional nos últimos anos é de 96 milhões de toneladas.

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Arroz 

O arroz é o terceiro cereal mais produzido no mundo, ficando atrás do milho e trigo.

Todos os continentes produzem arroz, com destaque para a Ásia. O principal país produtor é a China, e o Brasil assume o nono lugar.

No Brasil o arroz pode ser cultivado irrigado ou em sequeiro (também conhecido como arroz de terras altas). As maiores produções são obtidas nas plantações de arroz irrigado. 

Em sequeiro, o Brasil produz em média 1 milhão de toneladas. A produção do arroz irrigado é, em média, de mais de 10 milhões de toneladas

O estado do Mato Grosso é o principal produtor, seguido do Maranhão. O destaque para o maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul, em seguida Santa Catarina. Juntos, esses dois estados produzem mais de 87% do total de arroz nacional.

A época de semeadura do arroz de sequeiro vai de outubro a fevereiro. O irrigado pode ser semeado de agosto a dezembro. Essas datas são definidas pelo Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

Tabela com áreas e produção de grãos de arroz sequeiro e irrigado, em todas as regiões do Brasil.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de arroz de sequeiro (amarelo) e arroz irrigado (azul), das regiões produtoras brasileiras

(Fonte: Adaptado de Conab)

Feijão 

Na produção de feijão, o Brasil está na terceira posição. Ele fica atrás de dois países asiáticos: Myanmar e Índia. No Brasil, o plantio de feijão pode acontecer em 3 épocas: 

  • 1ª safra (ou safra das águas);
  • 2ª safra (ou safra da seca);
  • 3ª safra (ou safra de inverno).

Em relação à produção, a 2ª safra é a principal época de produção no Brasil. Nela, são produzidas mais de 1 milhão de toneladas.

Na 1ª safra, os principais produtores são Paraná e Minas Gerais. 

Na 2ª safra, o Paraná segue como principal produtor, logo após o Mato Grosso. Na 3ª safra, os destaques de produção são os estados de Minas Gerais e Goiás. A melhor época para plantar feijão depende da região produtora.

Produção de feijão no Brasil nas três safras, em todos os Estados Brasileiros.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de feijão nas 3 épocas

(Fonte: Adaptado de Conab)

Algodão

Para a cultura do algodão, o Brasil é o quinto colocado no ranking mundial.

A produção de pluma brasileira é de mais de 2,5 milhões de toneladas. Além do aproveitamento da pluma na indústria têxtil, o caroço também é aproveitado.

Seu uso vai desde a produção de óleo comestível, até na mistura em rações animais e na na produção de biodiesel.  

Em disparada,  o Mato Grosso é o principal Estado produtor. A média dos últimos anos é maior que 1,7 milhões de toneladas.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de algodão das regiões produtoras brasileiras.

(Fonte: Adaptado de Conab)

Trigo

Dos principais grãos produzidos no mundo, o trigo é o único em que o Brasil não aparece entre os 10 primeiros países produtores.

O Brasil é o 16º produtor mundial deste cereal, com uma produção média de mais de 6 milhões de toneladas. 

O Brasil não produz a quantidade de trigo consumida. Por isso, é necessário importar principalmente dos Estados Unidos e Argentina quase a mesma quantia que produz.

O Paraná e o Rio Grande do Sul são responsáveis por cerca de  85% a 90% do total de trigo produzido. A época de semeadura do trigo nestes estados varia de abril e agosto, conforme o zoneamento agroclimático.

Qual a projeção de produção de grãos no Brasil até 2031?

Dos principais grãos produzidos e comercializados no mundo, o Brasil tem sua parcela de produção e comercialização, interna e externa.

A produção brasileira, mesmo em anos de intempéries climáticas, como secas e geadas, ainda consegue obter grandes volumes. Esse volume abastece o mercado interno e externo.

A demanda por alimentos é cada vez maior. Por isso, a  busca por produzir mais e com melhor qualidade tem se tornado uma realidade. Isso tudo se agravou após as consequências da pandemia de coronavírus na agricultura.

Pelas projeções realizadas pelo Mapa, até a safra de 2030/31, o Brasil deve ultrapassar a marca de 333 milhões de toneladas de grãos produzidos.

Projeções de produção de grãos no Brasil das próximas safras, até 2031, em 4 regiões: sul, centro-oeste, norte e sudeste.

Projeções da produção de grãos no Brasil entre 2020/2021 e 2030/2031

(Fonte: Mapa)

Projeção do aumento e redução da área de produção no Brasil

Há estimativas para um aumento de área de produção. Mas, segundo as projeções, nem todas as culturas participarão deste aumento de área.

Segundo o Mapa, o arroz perderá 62% de área colhida. O feijão perderá 36,9% de área. Por outro lado, o milho segunda safra ganha 35,2% de área plantada, a soja ganha 26,9% e o milho, 10,6% a mais.

A boa notícia é que não haverá redução da produção destas culturas que perdem área. Afinal, as projeções realizadas consideram vários fatores, como:

  • aumento tecnológico;
  • novas cultivares mais adaptadas e resistentes às principais doenças e pragas;
  • novos produtos para manejo e maior produtividade, etc.

Assim, mesmo com a redução da área de plantio de algumas culturas, a produtividade pode manter ou até mesmo aumentar ao longo dos anos.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

A produção de grãos no Brasil é competitiva com demais países produtores.

Entre os seis principais grãos produzidos no mundo, em cinco deles o Brasil está entre os dez primeiros. No caso da soja, é o maior produtor do mundo.

É clara a importância da agricultura na economia mundial. E, além disso, a quantidade de área e produção do Brasil ainda tem potencial para crescimento nos próximos anos.

Você sabia o quanto a produção de grãos no Brasil é promissora? Qual ou quais desses grãos você produz? Adoraria ler seu comentário!