Armazenamento de café: dicas para fazer corretamente

Armazenamento de café: saiba a importância desse processo, as melhores técnicas e os principais problemas e soluções

A cultura do café tem grande destaque no Brasil, que é o maior produtor e exportador mundial dessa commodity agrícola. A demanda de café dos países importadores é variável. 

Isso faz com que haja necessidade de armazenamento para venda futura e para controle de preço das commodities agrícolas. Para garantir uma boa armazenagem, é necessário manter a temperatura em torno de 20 °C.

Além disso, a umidade relativa do ar deve estar em 65%, enquanto a umidade do grão deve estar entre 11% e 12%. Além desses aspectos, muitos outros precisam ser cuidados nesse processo.

Nesse artigo, veja os aspectos mais importantes sobre o armazenamento de café, além dos principais problemas que podem surgir nessa etapa. Boa leitura!

Por que armazenar o café?

Apesar de ser uma prática usada há muito tempo, é importante ressaltar os principais motivos que levam à necessidade de se armazenar o café. Os principais motivos são o controle de estoque, oportunidades de negócio, manutenção da qualidade e bienalidade.

  • Controle de estoque: esse controle é importante para se ter poder de manejo no preço do café mundial, uma vez que uma alta oferta (alto estoque) pode gerar queda de preço e uma baixa oferta (baixo estoque) pode gerar subida repentina;
  • Oportunidades de negócio: apesar do controle de estoque, também existem outros fatores que ditam os preços do café no mercado internacional, como por exemplo, quebras de safra. Assim, oportunidades de venda de café a preços melhores podem surgir;
  • Manutenção da qualidade: a qualidade de bebida tem sido cada vez mais requerida por consumidores no mundo todo. De nada adianta um manejo correto de produção e colheita se a pós-colheita do café e a estocagem forem deficientes. Isso deprecia a qualidade de bebida do café;
  • Bienalidade: esse caráter produtivo do cafeeiro causa uma variação entre anos de alta e baixa safra. Isso altera grandemente a disponibilidade de café no mercado e o armazenamento pode ajudar a diminuir os impactos dessa variável nos estoques e no preço.
Gráfico que mostra preços de café ao longo dos anos, demonstrando que o armazenamento de café é positivo
Indicador de preço do café arábica
(Fonte: Cepea/USP)

Em quais estágios fazer armazenagem de café?

É importante conhecer a anatomia do fruto do café para entender em quais estágios de beneficiamento do grão eles podem ser armazenados. O fruto do café é formado pela casca, polpa, pergaminho e semente/grão.

Foto de grão de café cortado ao meio. É possível ver a casca, a polpa, o pergaminho e a semente.
Anatomia do fruto de café
(Fonte: O Fruto)

Após a colheita, e durante o processo de beneficiamento e limpeza do grão, há alguns estágios em que ele pode ser armazenado. São eles: café em coco, café em pergaminho e café em grão.

O café em coco é o café colhido e seco, mas ainda com a presença da casca e polpa, na forma de fruto seco. O café em pergaminho é o grão de café já sem a casca e a polpa, mas ainda com o pergaminho, que recobre a semente.

O café em grão é o endosperma sem a cobertura do pergaminho. Cada fruto gera 2 grãos.

Normalmente, cafés em coco e em pergaminho são armazenados por períodos menores. Muitas vezes, se aguarda o final da colheita ou a possibilidade de terminar o beneficiamento para armazená-los por maiores períodos, na fazenda ou em cooperativas/empresas.

Fotos de café em vários estágios: em coco, em grão e em pergaminho.
Tipos de café passíveis de armazenamento
(Fonte: editado pelo autor de diversas fontes)

Tipos de armazenamento de café

Existem diferentes estruturas para armazenamento de café, cada uma com sua especificidade, vantagens e desvantagens. As principais estruturas são as tulhas, os silos e os armazéns.

Tulhas

As tulhas são estruturas que podem ser de metal, alvenaria ou madeira. Normalmente, são construídas nas proximidades do terreiro suspenso ou secador. 

O uso de madeira é mais comum por ter maior capacidade de manter a temperatura interna. Essa estrutura é recomendada para armazenamento de cafés secos, em coco, pergaminho ou grão. 

O café pode ser estocado a granel ou em sacaria. Normalmente o café beneficiado é armazenado em sacaria e os cafés em coco e pergaminho, a granel. O armazenamento em sacaria facilita o movimento, transporte do produto e controle de lotes, sem mistura. 

Além de armazenagem, o café também passa por processos de secagem dentro das tulhas. A recomendação é de que o café seja mantido por pelo menos 30 dias dentro da tulha.

Silos

Os silos são estruturas que podem ser fixas ou móveis, normalmente em metal, para receber café a granel. Além dos silos de armazenamento, existem também silos-secadores que além de armazenar, fazem a secagem do café.

Armazém de café

Os armazéns são, normalmente, estruturas fixas para armazenamento de café. Em geral são armazenados cafés ensacados e não à granel. O tamanho das estruturas depende da necessidade de capacidade de armazenamento.

Além dos mencionados acima, existem novas opções de armazenamento como galpões flexíveis metálicos ou galpões de lona.

Fotos de tipos de armazenamento de café: tulhas, silos e armazéns
Tipos de café passíveis de armazenamento
(Fontes: Cafés Terra de Santana, Granfinale e Dinheiro Rural)

Alguns aspectos são importantes no design e construção de armazéns de café. De acordo com o Manual de segurança e qualidade para a cultura do café, esses são os pontos mais importantes a serem considerados para armazéns para estocagem de café em sacaria:

  • Instalação de portas de maneira técnica, facilitando operação de carga e descarga;
  • Portas frontais umas a outras em paredes opostas;
  • Pé-direito de no mínimo 5 metros;
  • Paredes lisas, evitando-se reentrâncias e terminando em “meias cana” junto ao piso e nunca em ângulo reto;
  • Fechamento lateral de paredes, junto ao piso e à cobertura, para evitar acesso de animais;
  • Aberturas laterais de ventilação com aberturas reguláveis e telas de proteção;
  • Instalações de lanternins para a boa circulação de ar natural;
  • Uso de telhas transparentes, para aproveitamento da iluminação natural;
  • Uso de piso de concreto impermeável, no mínimo, a 40 cm acima do nível do solo;
  • Construção de marquises externas nas portas para carga e descarga em dias chuvosos;
  • Instalação de sistema de prevenção e combate a incêndios.

Estratégia de armazenagem de café: tipos de embalagens

Existem várias opções para armazenagem de café, mas as mais comumente usadas, são os sacos de juta e as big bags.

Sacos de juta

Os sacos de juta são os mais usados para armazenagem de café. Suas vantagens são a boa ventilação e o fato de terem menor impacto ambiental.

No entanto, esses sacos também apresentam desvantagens. A possibilidade de entrada de água e patógenos são algumas delas.

Big bags

Os bags plásticos têm sido cada vez mais usados. Suas principais vantagens são o fato de serem mais herméticos, evitando entrada de água e patógenos e as variedades de volumes disponíveis. 

Uma de suas desvantagens é o potencial de condensação de água dentro do bag. Posso pode deteriorar a qualidade do produto armazenado.

Fotos de sacas e big bags de café.
Tipos de ensacamento de café
(Fontes: Mercado Livre e Rafitec)

Existem diversos estudos para o desenvolvimento de novas opções de sacaria para armazenamento de café. Essas pesquisas têm por objetivo minimizar os problemas citados acima, mantendo ao máximo as características de qualidade do café.

Uma das soluções são sacos de papel kraft especial, que impedem as trocas gasosas e de umidade entre o produto e o ambiente. Por outro lado, eles evitam a condensação de água dentro da sacaria. 

Esse produto já foi apresentado em uma parceria entre a Klabin, a Universidade Federal de Lavras e a Associação Brasileira de Cafés Especiais.

Banner de chamada para download da ferramenta: calculadora de custos por saca

Quais fatores causam perda de qualidade do grão?

Existem vários fatores que podem influenciar a qualidade do café durante o armazenamento. As principais características que podem sofrer alterações no café são composição química, umidade e textura do grão, sabor e aroma do produto final.

Para evitar esses problemas, é necessário controlar temperatura, umidade do ar, umidade do grão, luminosidade e presença de pragas do armazenamento e patógenos.

Existe uma nova tendência de um nicho de mercado para o consumo de cafés fermentados. Nesse caso, as condições de armazenamento podem necessitar de adequação, de maneira que propiciem a fermentação e não a evite.

Essa fermentação controlada cria características únicas no café que podem se adequar mais ao paladar.

planilha de controle de estoque

Conclusão

O café necessita de uma cadeia de produção e distribuição bastante estratégica. O armazenamento do produto tem papel crucial nessa cadeia e é muito importante para produtores, cooperativas, empresas de trade e compradores.

Nesse artigo, apresentamos e discutimos as principais características do armazenamento de café, as opções mais utilizadas e as novas tecnologias.

As soluções para armazenamento de café são bastante específicas para cada tipo e tamanho de propriedade. Busque sempre o aconselhamento técnico com empresas, engenheiros(as)-agrônomos(as) ou representantes de cooperativas.

Como você faz o armazenamento de café na sua propriedade? Ficou com alguma dúvida sobre o tema? Adoraria ler seu comentário!

Seguro soja: por que você deve fazer

Seguro soja: saiba a importância desse recurso, como é a subvenção, como contratar, quanto custa e muito mais!

Devido aos fatores climáticos, sobretudo a falta de chuvas, fazer o seguro da soja é uma ação estratégica para a gestão rural que ajuda a se manter na atividade 

Na safra 2021/2022, a produção de soja foi marcada pela falta de chuvas e altas temperaturas em regiões produtivas. Houve perda de 10% em relação à safra anterior.

A soja teve sua produção afetada, principalmente, nos estados do Sul e Centro-Sul. Só no Rio Grande do Sul, a quebra foi de mais de 50%.

Neste artigo, saiba o que é o seguro soja, como funciona, como é a subvenção e quais os benefícios de contratá-lo. Confira!

O que é o seguro rural?

O seguro rural é um instrumento de política agrícola criado para minimizar as perdas decorrentes de eventos climáticos e sanitários que podem afetar a atividade no campo.

A sua utilização deve sempre fazer parte das estratégias de gestão rural (previsão de riscos e eliminação de prejuízos). Isso evita danos causados à lavoura e ao financeiro do seu negócio.

Além do clima, você precisa lidar com as pragas, cada vez mais destrutivas e resistentes aos defensivos químicos. Outro problema são as oscilações do mercado, causadas por questões geopolíticas, guerras e de saúde da população, dentre outros.

Por isso, o seguro soja representa uma ferramenta para evitar perdas, contribuindo para a estabilidade financeira. Ele atua como transferência do risco da agricultura para o mercado securitário, minimizando a necessidade de socorro financeiro do governo.

Através da subvenção econômica ao prêmio do seguro rural, o Governo Federal apoia financeiramente os que contratarem essa modalidade de garantia. Ele arca com parcela dos custos de aquisição do seguro.

A operação oficial se dá por meio do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), cujas diretrizes estão no PTSR (Plano Trienal do Seguro Rural).

Além de minimizar perdas, o seguro agrícola no Brasil auxilia a conseguir taxas mais baixas na obtenção do crédito rural. Ele também estimula o aumento de áreas cultivadas e o uso de tecnologias.  

Por isso, o orçamento do PSR tem sido priorizado: no exercício 2022, foram R$ 990 milhões para auxiliar o produtor no momento da aquisição do seguro. No 1º trimestre de 2022, foram pagos R$ 5,8 bilhões em indenizações, por conta de sinistros relativos ao clima.

Kit de Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

Importância do seguro soja

O seguro agrícola para a soja objetiva te tranquilizar no que se refere aos problemas que podem ocorrer na lavoura devido a fatores climáticos ou sanitários.

A soja, por ser a principal cultura agrícola produzida no Brasil, tem grande participação na economia do país. É tanto que a redução de 10% na safra 2021/2022 foi o principal fator para a queda de 0,3% do VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) em 2022, em relação a 2021.  

Assim, além de ser bom para o produtor rural, a contratação do seguro agrícola é importante para a economia nacional. Afinal, isso garante o pagamento de tributos, a manutenção dos empregos e a geração de renda.

Como funciona o seguro soja

O seguro soja segue regras específicas. A primeira delas é que cobre apenas os dados causados pela influência do clima na agricultura:

  • seca;
  • geada;
  • chuva excessiva;
  • tromba d’água;
  • granizo;
  • ventos frios/fortes;
  • incêndio/raio;
  • variação excessiva de temperatura.

Outra regra é que a cobertura da soja inicia quando 70% ou mais da lavoura atinge a 2ª folha ou 15 cm de altura. Pode ser contratada toda a área plantada ou por talhão.

O seguro soja não cobre problemas relacionados a pragas, doenças, ervas daninhas, falhas de estande e lavouras implantadas sem obediência ao Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

Já o seguro de produtividade é calculado conforme o valor investido para custear a lavoura segurada. Sendo assim, o valor é definido na contratação da apólice.

Aplica-se uma indenização quando a produtividade é menor que a garantida na apólice. Isso garante a você a capacidade de permanecer custeando a atividade.

Subvenção federal para o seguro

No PSR, a subvenção federal para a soja é de 20%. Esse valor pode chegar a 25% se você aderir ao Programa ABC, de agricultura de baixo carbono

A cobertura de replantio, no seguro soja, é feita somente em caso de ter ocorrido tromba d’água, chuva excessiva ou granizo. A vigência inicia 24h após o plantio e acaba quando as plantas atingem da  2ª até a 8ª folha. Isso varia entre as seguradoras.

Os eventos climáticos devem ser comunicados desde o início do plantio às corretoras ou diretamente à seguradora. 

Em caso dos eventos climáticos citados, o prazo máximo da comunicação é de 8 dias corridos, e de 5 dias para coberturas de seca e chuva excessiva.

As vistorias são feitas de forma preliminar (20 dias corridos a contar do aviso) e final (no máximo em 15 dias antes da colheita). Os prazos podem ser alterados em casos de eventos catastróficos, e a área não pode ser colhida antes da vistoria do perito.

Outras vistorias podem ser feitas a qualquer momento pela seguradora. O perito deve ser sempre acompanhado por você ou por outro responsável por essa área da fazenda, de posse da apólice e do croqui da área para conferência dos dados.

O laudo deve ser assinado por essas mesmas pessoas, mesmo se houver discordância sobre as informações constantes. Caso isso ocorra, é possível fazer anotações relativas às dúvidas ou críticas, que serão analisadas pela seguradora.

Focos de pragas, doenças e falhas de estande são passíveis de penalização pelas seguradoras, por exemplo.

Como contratar o seguro agrícola no Brasil?

O seguro agrícola no Brasil é contratado diretamente junto a uma das 16 seguradoras credenciadas para este fim no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 

Ao manter contato, você deve conferir quais são as coberturas e valores da apólice. Em seguida, você escolhe a que mais se adequa para o seu objetivo com o seguro soja.

Em média, o custo do seguro soja por estado está em média de 6,28% do custo de produção. Essa porcentagem pode variar conforme a área de produção e a cobertura. Por isso, é sempre bom se informar bem antes de contratar.

Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

Com os efeitos das mudanças climáticas atingindo cada vez mais a produção agrícola em todo o mundo, fazer o seguro soja é algo que deve estar no planejamento da produção.

Atualmente, o governo federal tem buscado simplificar as regras de contratação para que mais produtores possam adquirir esse importante serviço. Também surgem novas alternativas para a contratação rápida e prática de seguro. Esse é o exemplo da corretora Aegro.

Procure um especialista na área de seguros e veja qual a melhor forma de proteger a sua lavoura de soja. Fazendo isso, você estará garantindo a sua sobrevivência na atividade.

>> Leia mais:

“Estoque sob controle: como sojicultor melhorou seus indicadores”

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Solo humífero: vantagens e desvantagens de utilizar para plantio

Solo humífero: saiba o que é, quais suas  principais características, como é formado e muito mais!

O solo é um dos principais fatores da produção agrícola. Suas características normalmente definem o tipo de atividade que pode ser executada na fazenda. 

Além disso, os tipos de solo e a declividade do terreno podem definir também o valor da propriedade.

Diferentes tipos de solo requerem diferentes tipos de manejo e por vezes não toleram alguns tipos de atividade agrícola. Os solos humíferos, por exemplo, têm características bastante diferenciadas dos demais solos.

Nesse artigo, entenda as características desse tipo de solo, saiba como é formado e veja se vale a pena produzir nele. Boa leitura!

O que é solo humífero?

O solo humífero é conhecido por diversos nomes: solo humoso, solo húmico e, pelas suas características, é popularmente chamado de terra preta.

A definição e nomenclatura como solo humífero é bastante controversa, uma vez que essa definição pode ter diversos sentidos. O mais comum é “solo que apresenta húmus”

A composição do solo humífero é baseada no húmus, um material formado a partir da decomposição da matéria orgânica por microrganismos e minhocas.

No ensino primário e até no ensino médio, é comum ver uma classificação de solos como: arenosos, argilosos, calcários e humíferos. Porém, essa classificação não tem qualquer embasamento, uma vez que são classificados de acordo com bases diferentes.

Por exemplo, solos arenosos e argilosos estão relacionados à textura; solos calcários são provenientes de rochas calcárias ou tem acumulação de calcário. Os solos humíferos, por sua vez, são baseados em alto teor de matéria orgânica

Características do solo humífero

Os solos humíferos possuem características bem particulares. Além de coloração escura ou preta, esse tipo de solo apresenta:

  • Alta quantidade de matéria orgânica;
  • Grande porcentagem de húmus;
  • Baixa densidade;
  • Alta aeração;
  • Boa permeabilidade, com capacidade de reter água sem encharcamento.

Na atual classificação da Embrapa, os solos que apresentam algumas características similares ao dos solos humíferos seriam os classificados como organosolos.

Foto de solo humífero na mão de pessoa
Exemplo de solo humífero
(Fonte: Mundo Ecologia)

Onde encontrar solo humoso?

Para a formação de um solo humífero, são necessárias características bastante específicas. Sendo assim, é possível encontrar solo humífero em áreas que possuem:

  • Alta umidade do ar e do solo: a umidade permite a manutenção de umidade no solo e a baixa perda de água para o ar;
  • Baixa temperatura: essa característica diminui a evapotranspiração e mantém os microrganismos do solo vivos;
  • Baixa declividade: propicia uma condição de repouso para o solo, permitindo tempo para que os microrganismos possam agir na decomposição da matéria orgânica;
  • Sombreamento: a presença de árvores, além de propiciar material vegetal que será decomposto, causa sombreamento. Isso contribui para manutenção de temperaturas mais baixas e baixa evaporação;
  • Cobertura vegetal: o uso de técnicas como o plantio direto pode facilitar a formação de uma camada de húmico na parte superior do solo, devido à baixa evaporação e baixas temperaturas.

No Brasil, há divergência sobre a presença ou não desse tipo de solo. De acordo com a Embrapa, há condições que propiciam a formação desses solos em áreas planas de altas altitudes ou em áreas de várzea em locais mais frios.

Como formar esse tipo de solo?

O processo de formação do solo é algo natural e que se desenvolve ao longo de milhares de anos. A formação de um perfil de solo com características de solo humífero só acontece de maneira natural e com tempo.

Para se ter uma ideia, estima-se que, em média, o processo natural leve 400 anos para formar 1 cm de solo. Porém, em ambientes naturais, pode-se fazer usos de técnicas que potencializam o acúmulo de matéria orgânica.

A matéria orgânica, como precursora de substâncias húmicas, pode formar uma camada humífera na parte superior do solo. Para isso, é necessário:

  • Sombreamento do solo por espécies arbóreas em sistemas de manejo integrado de espécies florestais e lavoura;
  • Uso de cobertura vegetal no solo como em sistemas de plantio direto;
  • Uso de irrigação na área para manutenção de umidade;
  • Evitar exposição do solo à radiação solar direta e altas temperaturas;
  • Evitar áreas muito declivosas;
  • Manter a fertilidade do solo em condições ótimas;
  • Evitar produtos que causam morte de microrganismos do solo;

Porém, é comum o uso de produtos usados para melhorar as condições físico/químicas do solo. Esses produtos são normalmente conhecidos como compostagem, esterco, terra vegetal, substrato orgânico, dentre outros.

Esse tipo de produto pode ser conseguido através do processo de compostagem ou em um minhocário. Ele pode ser utilizado como fonte de nutrientes, principalmente para produtores orgânicos. 

Vantagens e desvantagens desse tipo de solo

Como qualquer outro tipo de solo, o solo humoso possui vantagens e desvantagens. Suas principais vantagens são:

  • Alta capacidade de permeabilidade e escoamento de água;
  • Baixa resistência física ao crescimento de raiz;
  • Alto teor de matéria orgânica e substâncias húmicas;
  • Níveis elevados de microbiota de solo.

As principais desvantagens, principalmente em condições de campo, são:

  • Alto potencial de compactação do solo;
  • Fácil perda por erosão em condições naturais;
  • Potencial de lixiviação de nutrientes pelo movimento de água no solo.

Além disso, também existem alguns mitos sobre os solos húmicos, como o fato de ter alta fertilidade natural. 

A decomposição e a presença de húmus não garantem que haja balanço correto e disponibilidade alta de todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento de uma planta. Bons exemplos desses nutrientes são os macro e micronutrientes.

diagnostico de gestao

Conclusão

Existe muita informação desencontrada sobre o solo humífero. Neste artigo, fizemos uma revisão sobre esse tipo de solo e desvendamos muitas das incertezas sobre ele.

É fato que a presença e decomposição de matéria orgânica em substâncias húmicas aumenta grandemente a aeração do solo. Isso diminui sua densidade, facilitando a entrada de água e liberando nutrientes para as plantas.

Assim como existem práticas que auxiliam na formação de camada humífera em condições naturais, existem técnicas para formação de substratos humíferos para uso em agricultura de menor escala.

Você tem solos humíferos na sua propriedade? Costuma produzir alguma cultura nesses espaços? Adoraria ler seu comentário!

Pronaf: como funciona o programa de crédito rural

Pronaf: como funciona, quem se enquadra, quais os valores e limites de crédito, como conseguir o financiamento em 2022 e mais!

Criado inicialmente como uma das linhas de crédito rural, o Pronaf envolve um conjunto de ações voltadas para aumentar a capacidade produtiva de agricultores familiares.

O acesso ao crédito é uma das principais necessidades dos agricultores, em especial dos que fazem parte da agricultura familiar. São cerca de 12 milhões no Brasil.

Para esses agricultores, o financiamento das atividades agropecuárias se dá por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

Saiba neste artigo o que é o programa, quem pode ter acesso ao programa e como fazer o financiamento. Boa leitura!

O que é Pronaf e quais são as linhas de crédito?

O Pronaf é um programa de crédito rural que financia o custeio e investimento das diversas necessidades dos agricultores familiares.

Dentre elas, a implantação, ampliação ou modernização da estrutura de produção, beneficiamento, industrialização e de serviços na propriedade rural.

O objetivo do programa é a geração de renda e a melhoria do uso da mão de obra familiar, principal característica deste segmento de produtor rural. Dentro do Pronaf, existem os subprogramas:

  • Pronaf Custeio: financia itens de custeio relacionados às atividades agropecuárias;
  • Pronaf Agroindústria: voltado para o investimento em beneficiamento, armazenagem, processamento e comercialização agrícola, extrativista, artesanal e de produtos florestais, além do turismo rural;
  • Pronaf Mulher: auxilia a mulher agricultora, independentemente do estado civil;
  • Pronaf ABC+ Agroecologia: visa ao investimento em sistemas de produção agroecológicos ou orgânicos, incluindo-se os custos relativos à implantação e manutenção do empreendimento;
  • Pronaf ABC+ Bioeconomia: financia o investimento na utilização de tecnologias de energia renovável e tecnologias ambientais;
  • Pronaf Mais Alimentos: voltado para investimento em estrutura de produção e serviços, visando ao aumento de produtividade e à elevação da renda da família;
  • Pronaf Jovem: objetiva o investimento nas atividades de produção, desde que beneficiários sejam maiores de 16 anos e menores de 29 anos;
  • Pronaf Microcrédito (Grupo “B”): financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas, que tenham obtido renda bruta familiar de até R$ 23 mil, nos 12 meses de produção normal que antecederam a solicitação da DAP;
  • Pronaf Cotas-Partes: faz a integralização de cotas-partes por beneficiários do Pronaf associados a cooperativas de produção rural e aplicação pela cooperativa em capital de giro, custeio, investimento ou saneamento financeiro.

Veja abaixo como saber se você pode ter acesso ao Pronaf. Acompanhe!

Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Quem se enquadra no crédito Pronaf?

Podem acessar o crédito os agricultores das unidades familiares de produção rural e suas formas organizativas, mediante apresentação da DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf).

Além da DAP, é possível ser enquadrado como agricultor familiar por meio do CAF-Pronaf (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar do Pronaf).

A DAP e o CAF-Pronaf são emitidos por entidades públicas e privadas, associações e sindicatos credenciados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Os critérios do enquadramento para obtenção da DAP ou do CAF-Pronaf estão na Lei 11.326/2006, regulamentada pelo Decreto nº 9.064/2017.

São candidatos a obter a DAP ou o CAF-Pronaf pequenos produtores, integrantes de povos e comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores.  Veja abaixo os principais critérios:

  • explorar parcela de terra na condição de proprietário, posseiro, de arrendamento rural, de comodato rural, parceria rural, concessionário do PNRA (Programa Nacional da Reforma Agrária) ou permissionário de áreas públicas;
  • residir no estabelecimento rural ou em local próximo;
  • deter, a qualquer título, área de até 4 módulos fiscais, contíguos ou não (o módulo fiscal varia de 5 a 110 hectares);
  •  ter ao menos 50% da renda bruta familiar deve ser obrigatoriamente originada de exploração agropecuária e não agropecuária no estabelecimento;
  • utilizar ao menos metade da força de trabalho familiar no processo produtivo e geração de renda;
  • ter o trabalho familiar como predominante na exploração do estabelecimento;
  • obter renda bruta familiar nos últimos doze meses de produção normal que antecedem a solicitação da DAP ou do CAF-Pronaf, de até R$ 500 mil.

Qual é o valor de crédito disponibilizado?

O Pronaf teve disponibilizado, no Plano Safra, R$ 53,61 bilhões para o ano agrícola 2022/2023. Isso significa um aumento de 36% em relação a 2022.

Por conta da alta demanda, houve  a destinação de mais R$ 6,54 bilhões. Isso representa um aumento de 12%, passando de R$ 53,6 bilhões para R$ 60,1 bilhões.

A maior parte dos valores, R$ 4,74 bilhões, é da alocação de mais R$ 126,8 milhões de recursos orçamentários em 2022 para o Plano Safra 2022/23. A outra parte, R$ 1,8 bilhão, é vinda de remanejamentos no âmbito dos bancos públicos federais (Caixa, BNDES e do Banco do Brasil).

Esses recursos foram destinados aos bancos que operam o Pronaf Custeio. Assim, R$ 6,07 bilhões foram para o Banco do Brasil e R$ 474 milhões ao BNDES. 

Lançado em julho, o Plano Safra 2022/2023 obteve o total de R$ 340,9 bilhões para financiar a produção agropecuária nacional até junho de 2023.

Qual o limite de crédito rural Pronaf?

O Pronaf possui limites de crédito conforme o ano agrícola, e são diferentes para financiamentos individuais e coletivos.

Limite individual

São R$ 400 mil para as atividades de suinocultura, avicultura, aquicultura, carcinicultura e fruticultura. São R$ 60 mil para construção, reforma de moradias no imóvel da propriedade rural ou de terceiro cujo CPF conste na DAP.

Ainda, são R$ 200 mil para as demais finalidades.

Limite coletivo

No limite coletivo, o teto é de R$ 20 milhões, exclusivamente para financiamentos de construção, reforma ou ampliação de benfeitorias e instalações permanentes, máquinas e implementos agrícolas, além de estruturas de armazenagem.  

Qual a taxa de juros do Pronaf?

A taxa de juros do Pronaf varia entre 5% e 6% ao ano, tanto para custeio quanto para investimento. A carência é de três anos e o prazo máximo de pagamento é de dez anos

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Como conseguir financiamento rural no Pronaf em 2022?

A obtenção do crédito se dá por meio de agências bancárias físicas e cooperativas credenciadas pelo Banco Central do Brasil.

O acesso aos recursos se dá após a definição de quais são as necessidades para financiar a atividade rural. Os principais bancos que operam o crédito rural são:

  • Banco da Amazônia, com atuação na região Norte e em parte do Mato Grosso e Maranhão;
  • Banco do Brasil, com atuação em todo o território nacional;
  • Banco do Nordeste, com atuação na região Nordeste, no norte de Minas Gerais e no norte do Espírito Santo;
  • Sicredi;
  • Sicoob;
  • Cresol;
  • Banrisul;
  • BRDE;
  • E diversas outras instituições financeiras.

O tempo estimado de espera é de até 1 mês. A documentação em comum para todos os casos é: 

  • DAP ativa ou CAF-Pronaf válido;
  • Outros documentos serão solicitados pelo banco, como documento de identificação, CPF e registro no Cadastro Ambiental Rural.

De posse da DAP ou CAF-Pronaf, você deve procurar um profissional para orientá-lo ou entidade de assistência técnica e extensão rural mais próxima para elaboração de projeto técnico de investimento, e o apresentará ao banco.

Os governos estaduais possuem órgãos de assistência técnica que podem orientar os agricultores na elaboração do projeto técnico.

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Conclusão

A obtenção do crédito é essencial tanto para se manter na atividade quanto para se desenvolver e ampliar a produção agrícola.

Os recursos, no entanto, precisam ser bem aplicados, seguindo o que foi planejado. Assim, haverá o menor risco possível em relação ao pagamento das parcelas.

Para haver mais segurança em suas operações, conte sempre com o auxílio de um especialista para orientar sobre a aplicação dos recursos em sua propriedade rural.  

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Você tem alguma dúvida sobre como conseguir financiamento do Pronaf? Já deu entrada no processo de obtenção? Adoraria ler seu comentário.

Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas para 2024

Previsão para o preço do feijão: entenda o mercado, estimativas de produção, tendências e muito mais!

A produção agrícola sofre impactos de diversos fatores, desde o clima até a economia. Isso não é diferente em relação ao feijão, que tem seus preços afetados pelos mesmos fatores.

A partir do segundo semestre de 2023, o feijão apresentou uma redução nos preços, devido às  colheitas de segunda e terceira safra. 

Veja abaixo como tem se comportado o preço do feijão ao longo dos anos e confira neste artigo a previsão para o preço do feijão para 2023/24. Boa leitura!

Qual a previsão para o preço do feijão?

A queda no preço do feijão na segunda metade de 2023 inibiu os aumentos da área de plantio no verão. O preço do feijão carioca recuou 24,2% em 2023. 

Em Minas Gerais, as negociações atingiram R$ 330,00, enquanto no Paraná, as referência indicam valores entre R$ 320,00 e R$ 325,00 para o feijão carioca.

A  manutenção da área plantada em relação a 2022/23 e o El Niño tem gerado um cenário de incertezas para a plantação e o preço do feijão em 2024.

Esse cenário de incertezas sobre a oferta e os preços do feijão nos primeiros meses do ano, tem indicado uma subida intensa dos preços até março.

É importante estar atento ao movimento ascendente dos preços. O valor de US$ 70,00 por saca de 60 quilos, que atualmente é considerado excelente, só ocorreu em janeiro de 2023, tornando o cenário atual muito favorável.

Preço do feijão carioca de 2014 a janeiro de 2024 no Brasil e em Goiás

(Fonte: Agrolink)

Produção de feijão de 2024

O Brasil possui três épocas distintas de plantio do feijão, favorecendo a oferta constante do produto ao longo do ano.

Tem-se o feijão da primeira safra, semeado entre agosto e dezembro, o de segunda safra, cultivado entre janeiro e abril, e o de terceira safra, semeado de maio a julho.

De acordo com a Conab, a área plantada na safra 2023/24 é semelhante à de 2022/23, mas 19% menor que a de cinco anos atrás.

A cultura se encontra em entressafra, e o país conta apenas com os estoques remanescentes da terceira safra e das lavouras paulista na oferta de feijão novo, pelo menos até meados de janeiro de 2024.

A partir de meados de janeiro, poderá contar com volumes mais robustos do grão produzido no Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além disso, o plantio do feijão tem sofrido com os efeitos do El Niño. Em Minas Gerais e São Paulo, o tempo seco e o calor reduziram a taxa de germinação. No Sul, o problema é o excesso de chuvas.

Por outro lado, a safra da Bahia deve ter um desempenho melhor.

Para 2024, a estimativa era de que a colheita de feijão fosse de aproximadamente 3 milhões de toneladas, mas a safra deve registrar retração de mais ou menos 2,5%. 

De acordo com o Portal do Agronegócio, a colheita da primeira safra de feijão para o período de 2023/24 no Paraná atingiu 40% da área total estimada. Este número representa uma redução de 2% em comparação à plantação da safra anterior.

Produção, área e produtividade de feijão de 2012 até 2023

Comparação entre as safras de feijão entre 2012 e 2022/23 (Fonte: Conab)

Como estará o mercado do feijão em 2024?

No Brasil, a maior parte das ofertas do feijão recém-colhido continua sendo dos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Goiás. 

As projeções para 2024 indicam um cenário inédito, sugerindo que o Brasil pode enfrentar um dos menores volumes de feijão em estoque da história nos primeiros meses do ano.

A escassez de produto armazenado indica dificuldades significativas no abastecimento futuro, principalmente, ao considerar a calamidade pública declarada em municípios do Norte e Nordeste, devido à seca. 

Esperava-se uma maior demanda no início do mês, período típioc de reposição de estoques, porém, o volume de negócios tem sido limitado pela quantidade de feijão ofertado.

As perspectivas de melhoria dos preços dependem do término do período de férias escolares, quando se espera uma eventual recuperação do consumo.

Planilha para controle de estoque da fazenda

Vai faltar feijão em 2024?

O plantio de feijão da safra das águas de 2023/2024 começou em agosto, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A primeira safra tem sofrido com as adversidades climáticas como, falta/excesso de chuva e baixas temperaturas durante o ciclo da cultura. Esse cenário tem influenciado negativamente a produtividade e, consequentemente, a produção.

O volume a ser colhido não será suficiente para manter o mercado em equilíbrio e impedir, no curto prazo, preços em patamares mais elevados.

A segunda safra está em início de semeadura. A tendência é que a superfície a ser cultivada seja próxima da safra anterior. 

Caso as condições climáticas sejam adequadas, a produção será superior à colheita registrada em 2023, o que manterá elevada a oferta interna do produto.

Conclusão

O preço do feijão carioca para os próximos meses deve se manter nos patamares elevados atuais, com leve queda no final de 2024, quando está prevista expansão da safra.

Para o início de 2024, espera-se que os preços ainda estejam elevados, o que é bom para o produtor.

Fique sempre de olho no mercado e nas variações de preços dessa cultura. Assim, você garante deixar seus preços competitivos, lucrando bem mesmo com as mudanças mais recentes.

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Apaga-fogo (Alternanthera tenella): como manejar essa planta daninha

Apaga-fogo: conheça as características, quais danos ela pode causar e controle preventivo, cultural, mecânico e químico

As culturas agrícolas são bastante suscetíveis às interferências das espécies invasoras.

A apaga-fogo é uma erva daninha com ampla distribuição geográfica, presente em todas as regiões do Brasil. Ela tem maior ocorrência na entressafra, além de se disseminar com facilidade e infestar áreas de lavoura e pastagem.

Neste artigo, veja como identificar os danos causados pela apaga-fogo e como fazer o manejo correto. Boa leitura!

Características da planta apaga-fogo

A planta apaga-fogo (Alternanthera tenella) é uma espécie invasora de grande importância na agricultura. A massa vegetal formada por ela dificulta o avanço do fogo quando são realizadas queimadas para renovação de áreas de pastagem. 

Ela também é popularmente conhecida pelos nomes periquito, sempre-viva, alecrim, corrente e perpétua-do-campo. Trata-se de uma planta da família Amaranthaceae

Para identificar essa planta daninha, você precisa se atentar aos seguintes detalhes: ela é herbácea, muito ramificada e tem ciclo perene. A apaga-fogo se desenvolve de forma prostrada ou ascendente, o caule é liso e pode atingir de 0,5 m a 1,2 m de comprimento. 

Foto da planta apaga-fogo com fundo preto, com algumas flores nascendo.
Planta apaga-fogo (Alternanthera tenella)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

As folhas da apaga-fogo têm de 2 cm a 3 cm. O sistema radicular é pivotante, as sementes são lisas e têm coloração castanha. A propagação da planta ocorre por sementes. Ela se alastra na área pelo enraizamento dos nós do caule quando em contato com o solo.

Foto das sementes e das folhas da apaga-fogo espalhadas em uma superfície
Detalhe das folhas e das sementes da planta daninha apaga-fogo
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

Danos causados pela Alternanthera tenella

Uma característica da planta daninha apaga-fogo é promover intenso sombreamento sobre a cultura. Ela forma uma barreira física à penetração da luz solar, o que afeta diretamente a produtividade da cultura principal. 

Além disso, ela reduz a disponibilidade de espaço e compete com a cultura principal por água e nutrientes. Ainda, pode ser hospedeira de pragas e doenças, e é hospedeira natural do ácaro Brevipalpus phoenicis, vetor da doença leprose dos citros. 

A presença de ervas invasoras no momento da colheita também é um problema. Elas podem causar o embuchamento da colhedora, além de depreciar o produto colhido e elevar os custos de beneficiamento dos grãos.

Além disso, as principais culturas afetadas pela apaga-fogo são:

Como eliminar a erva daninha apaga-fogo

É muito importante que as plantas daninhas sejam manejadas de forma integrada. A adoção de diferentes estratégias garante maior eficiência no controle da comunidade infestante.

As técnicas envolvidas no controle das plantas invasoras são divididas em manejo preventivo, cultural, mecânico/físico e químico. Confira a seguir como funciona cada um desses tipos de manejo.

Manejo preventivo

O manejo preventivo consiste em adotar medidas que evitem que sementes de plantas daninhas, como a apaga-fogo, sejam introduzidas em uma área onde ainda não foi identificada a presença dessas plantas. Algumas medidas são:

  • realizar o controle das plantas invasoras não apenas na área onde será instalada a lavoura, mas também nas beiras de estradas, nos carreadores e nas bordaduras;
  • realizar a limpeza do maquinário agrícola, a fim de evitar que torrões de terra contaminados com sementes sejam levados de uma área para outra; 
  • realizar o plantio da lavoura com sementes certificadas e com procedência conhecida.

Essas práticas contribuem não apenas para o manejo da apaga-fogo, mas também de outras plantas daninhas

Manejo cultural

O manejo cultural das ervas daninhas consiste na adoção de práticas que irão garantir o bom estabelecimento e desenvolvimento das plantas da lavoura. Dentre essas práticas temos:

  • bom preparo de solo;
  • adubação equilibrada;
  • plantio de cultivares/variedades adaptadas às condições ambientais;
  • rotação de culturas;
  • variação no espaçamento e na densidade de plantas;
  • uso de coberturas verdes.

Manejo mecânico/físico

No manejo não químico ou mecânico as plantas daninhas podem ser eliminadas das seguintes formas:

  • arranquio manual (ou monda); 
  • capina manual;  
  • roçada; 
  • cultivo mecanizado realizado por cultivadores tracionados por animais ou trator. 

Manejo químico

O manejo químico é o mais utilizado para o controle de plantas daninhas em grandes áreas. A seguir estão listadas algumas moléculas herbicidas utilizadas no controle da planta daninha apaga-fogo:

  • Ácido diclorofenoxiacético (2,4 – D);
  • Ametrina;
  • Atrazina;
  • Diurom;
  • Flumioxazina;
  • Glifosato;
  • Imazetapir;
  • Nicossulfurom.

A eficiência da aplicação dos herbicidas envolve uma série de fatores. Por isso, sempre siga as orientações da bula do produto quanto à dosagem e o modo de aplicação

Também é preciso se atentar ao estágio de desenvolvimento da planta daninha e às condições climáticas no momento da aplicação.

Lembre-se de fazer a rotação de herbicidas com mecanismos de ação diferentes. Essa estratégia dificulta a seleção de plantas daninhas resistentes aos produtos. Ervas daninhas resistentes ao glifosato, por exemplo, são muito comuns.

Como a aplicação de produtos fitossanitários requer muitos cuidados, sempre procure a orientação de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). Isso irá garantir maior segurança e eficiência na aplicação dos produtos químicos.

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Conclusão

A apaga-fogo é uma planta daninha encontrada em áreas de lavoura e pastagem e que se dissemina com facilidade. Ela ocorre em todas as regiões do Brasil. 

O manejo da apaga-fogo pode ser realizado pela adoção de estratégias preventivas, culturais, mecânicas/físicas e químicas. 

Para maior eficiência no controle das plantas invasoras, procure sempre utilizar mais de uma técnica de manejo. Vale lembrar que é importante que as práticas adotadas estejam inseridas no contexto ambiental e econômico da propriedade.

Você já conhecia a apaga-fogo? Já teve problemas com essa planta daninha na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário.