Safra de milho no Brasil: veja as previsões para 2022/23

Safra de milho: saiba quando começa, quanto tempo dura, preços previstos para a próxima safra, estimativa de produtividade e mais!

Com cenário de oferta mundial limitada para 2023, a safra de milho brasileira pode alcançar preços melhores que em 2022, segundo a Conab.

A previsão de mais um recorde na safra do milho no Brasil e a menor oferta global do grão deverão ser muito benéficos para os produtores em 2023.  

Segundo a Conab, na safra 2022/23 serão colhidas 126,9 milhões de toneladas. Isso representa um aumento de 12,5% em relação à safra anterior. A projeção é de aumento de 3,8% na área plantada e de 8,4% na produtividade.

Com menor produção nos Estados Unidos e Ucrânia, devido à guerra da Rússia, o Brasil deve exportar milho a preços mais compensadores em 2023. 

Neste artigo, saiba quando começa a safra do milho e veja mais detalhes sobre previsão de preços e produtividade agrícola. Aproveite a leitura!

Época de colheita do milho na safra de milho 2022

Saber a época da safra desse cereal é fundamental. A plantação de milho começa em setembro e segue até dezembro. Essa é a safra de verão, conhecida também como 1ª safra.

Um boletim recente da Conab aponta que 27% da área de milho já tenha sido plantada. A previsão é a de que na safra 2022/23 sejam plantados 22,4 milhões de hectares no total.

As condições climáticas são mais favoráveis neste ano, ao contrário do ano passado. Em 2021, a produção foi prejudicada nas regiões Sul e Centro-Oeste devido à seca.

Por isso, é estimada recuperação da produtividade da 1ª safra e ampliação de área da 2ª safra de milho (plantio de janeiro a abril).   

No país, além da 1ª e 2ª safra, há ainda a 3ª safra de milho (ou safra de inverno), cujo plantio vai de abril a junho. Isso faz do Brasil o único entre os grandes produtores mundiais a colher três safras durante um ano – ou seja, o Brasil produz milho o ano todo

Até pouco tempo, o país tinha duas safras de milho. Com os avanços tecnológicos e investimentos em sistemas de irrigação, a 3ª safra tornou-se viável.

Por conta disso, os termos para se referir às safras estão mudando. A 2ª safra, conhecida como safrinha de milho, já se tornou a mais importante da produção do grão.

Na temporada 2021/22, a estimativa de produção é de 87,4 milhões de toneladas colhidas na 2ª safra. A terceira safra, por conta da seca no inverno, passou a ser chamada também de safrinha. Ela é cultivada nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Roraima.

Quantos dias dura a safra do cereal?

A duração de uma safra de milho varia entre 85 e 120 dias. Esse é o tempo do ciclo completo da cultura, da semeadura à colheita do milho.

Esse tempo varia de acordo com o tipo de grão de milho, bem como a sua finalidade. Afinal, o milho pode ser plantado para produção de silagem, grãos para ração, pipoca, farinha, para subprodutos industrializados, etc.   

O plantio do milho no Brasil não é somente para finalidades comerciais. O milho é uma das culturas utilizadas no sistema de plantio direto, que conserva mais o solo. Isso acontece devido à formação da palhada que sobra após a colheita.

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Boa parte dos plantios de soja, cultivados na safra de verão no Brasil, são feitos no sistema plantio direto, com a semeadura em cima da palha do milho. Essa palha ajuda a conservar mais a umidade do solo e favorece à sustentabilidade ambiental.

É em boa parte dessas áreas de soja que é plantado o milho 2ª safra.

Preço do milho para a safra 2022/23  

O preço do milho para a safra 2022/23 deve alcançar bons níveis de rentabilidade para o produtor brasileiro, que, ao mesmo tempo, estará tendo boa produção.

De acordo com analistas de mercado, mesmo com maior oferta, o cenário de demanda interna e externa é favorável para a cultura. Afinal, há expectativa de aumento da produção de carnes nacionais para 2023, favorecendo o aumento da demanda por milho.

No início de outubro, a cotação do milho na Bolsa de Chicago, para contratos com vencimento em setembro de 2022, foi valorizada 2% em relação a setembro, com USD 6,83/bu.

O mercado, segundo avaliação do Itaú BBA Agro, foi influenciado pela intensificação das tensões entre Rússia e Ucrânia. Houve vazamentos em dois gasodutos no Mar Báltico e a ameaça de armas nucleares, o que coloca em risco as rotas de exportações da Ucrânia.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para Sorriso aumentou, no início de outubro, também em 2%. A saca de 60 kg foi negociada a R$ 67. Na B3, também houve aumento de 2%, com negociações de R$ 87/sc.

Os analistas sugerem que, no curto prazo, como já ainda 37% do milho safrinha para ser comercializado, os preços devem descolar das cotações internacionais. Isso vai liberar os armazéns, que serão utilizados para a produção de soja da safra de verão.

Evolução dos preços do milho de setembro de 2019 a setembro de 2022
(Fonte: Itaú BBA Agro)

Produção para a safra de milho em 2023

No mundo, as condições climáticas dos Estados Unidos reduziram as estimativas para a produção do grão para 2022/23 em 353 milhões de toneladas. Conforme relatório do USDA, o volume é 7,5% menor ao da safra passada.

Com isso, os estoques finais devem ficar reduzidos, mesmo com o recuo do consumo interno e das exportações, que vão aumentar no Brasil.

Produção mundial de milho 
(Fonte: Itaú BBA Agro)

Haverá redução de produção de milho na Europa também por conta da guerra da Rússia na Ucrânia, além das adversidades climáticas, com a seca impactando a produção.

A safra europeia de milho está estimada em 56 milhões de toneladas pelo USDA, redução de 21%. Mas é preciso ficar atento ainda para a possível crise global da economia, especialmente em relação à China, que pode reduzir o consumo e as importações.

Conclusão

A produção da safra do milho 2022/23 tende a ser muito favorável aos produtores brasileiros, por conta da redução da produção nos EUA e Europa.

A demanda, mesmo com perspectiva de pequena redução, ainda deve permanecer alta. A  produção da safra 2022/23 será recorde, e são esperados bons rendimentos com a cultura.

Mas é preciso estar atento ao cenário global da economia. Afinal, há o risco de uma recessão, o que pode afetar o consumo e reduzir as exportações.

>> Leia mais:

“Previsão do preço do milho: o que esperar para 2023”

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 O que você acha sobre as perspectivas e estimativas para a safra de milho em 2022/23? Você tem boas expectativas? Adoraria ler seu comentário!

Capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora): guia de manejo dessa planta daninha

Capim-rabo-de-raposa: saiba como identificar, danos causados e as melhores técnicas de manejo preventivo, cultural, mecânico e químico.

O capim-rabo-de-raposa é uma gramínea encontrada desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina e o Chile. No Brasil, ela é muito presente, encontrada principalmente em áreas de cerrado.

Trata-se de uma planta que infesta lavouras anuais e perenes, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Ela se desenvolve em diferentes condições climáticas e tipos de solo. Por isso, causa prejuízos grandes e precisa ser devidamente controlada.

Neste artigo, veja mais detalhes sobre essa planta daninha, como realizar o manejo, danos causados e mais! Confira a seguir.

Como identificar o capim-rabo-de-raposa

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene. Ela tem crescimento ereto, ou seja, forma touceiras. Popularmente, também é conhecida como capim-rabo-de-gato, capim-rabo-de-rato, capim setaria, bambuzinho, espartilho e esparto-pequeno.

O caule dessa gramínea é do tipo rizoma. Os colmos são levemente achatados e podem atingir 1 metro de altura. As folhas do capim-rabo-de-raposa são formadas por bainha, lígula e lâmina foliar (limbo). As folhas têm formato linear-lanceolado.

Capim-rabo-de-raposa e inflorescência (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

A inflorescência é do tipo espiga. Ela é constituída por várias espiguetas de cor palha ou avermelhada. Essas espiguetas estão envoltas por várias cerdas.

Essa planta pode ser identificada em campo pelas inflorescências. Na mesma planta, é possível observar espigas completas e espigas sem espiguetas, porém com a presença das cerdas.

Essa espécie invasora é propagada por sementes e pela divisão dos rizomas. Além de ocupar áreas de lavoura, essa gramínea cresce espontaneamente em áreas urbanas, terrenos baldios e margens de estradas.

Rizomas do capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

O capim-rabo-de-raposa pode ser confundido com o capim-custódio (Pennisetum setosum). No entanto, é importante deixar claro que o capim-rabo-de-raposa tem porte menor e a coloração da inflorescência tem tons mais claros

Danos causados pelo capim setaria (Setaria parviflora) 

A competição entre as plantas daninhas e as espécies cultivadas é um dos fatores que contribui para a redução da produtividade. O capim-rabo-de-raposa compete com a cultura principal pelos mesmos recursos: água, luz, espaço e nutrientes

Além disso, essa gramínea pode ser hospedeira de insetos-pragas, ácaros, fungos e nematoides.  Algumas consequências da presença do capim-rabo-de-raposa no momento da colheita são:

  • aumento da umidade do produto colhido (grãos e fibra de algodão);
  • aumento dos custos de beneficiamento de grãos;
  • redução da qualidade do produto final; 
  • dificuldades operacionais (como embuchamento da colhedora).

Como realizar o manejo da erva de raposa?

No caso do capim-rabo-de-raposa, a reprodução por sementes e pela fragmentação dos rizomas confere a essa gramínea um grande potencial de infestação. Isso dificulta o controle.

Diante disso, é importante fazer o manejo integrado das plantas daninhas. A associação de diferentes métodos garante maior eficiência no controle e evita o aumento da infestação.

O manejo do capim-rabo-de-raposa envolve a adoção de medidas preventivas, culturais, mecânicas (ou físicas) e químicas. Confira a seguir.

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Manejo preventivo 

O manejo preventivo tem o objetivo de prevenir que sementes e outras estruturas reprodutivas sejam introduzidas e se disseminem em uma área não infestada. Para isso, algumas práticas agrícolas podem ser adotadas, como:

  • utilizar sementes e mudas certificadas;
  • utilizar esterco de procedência conhecida e livre de patógenos e sementes;
  • realizar o controle das espécies invasoras nos carreadores, bordaduras das lavouras e beiras de estradas;
  • limpar os equipamentos, as máquinas e os implementos agrícolas, para evitar que restos vegetais e torrões de terra contaminados sejam transferidos de uma área para outra.

Manejo cultural

O manejo cultural das plantas daninhas fornece boas condições para que a espécie de interesse agronômico se desenvolva. Isso aumenta a capacidade competitiva entre as plantas cultivadas e as invasoras.  Dentre as estratégias que podem ser adotadas, temos:

  • adubação equilibrada;
  • bom preparo de solo;
  • cobertura verde;
  • densidade de plantio;
  • plantio de cultivares/variedades adaptadas às condições da região;
  • rotação de culturas;
  • sistema de plantio (convencional ou direto). 

Manejo mecânico ou físico

O manejo mecânico (ou físico) envolve arrancar ou cortar as plantas daninhas. Nesse sentido, algumas técnicas podem ser empregadas, como:

  • aração e gradagem;
  • arranquio e capina manual;
  • cobertura morta;
  • cultivo mecanizado;
  • roçagem manual ou mecânica.

Manejo químico

No mercado, é possível encontrar diversos herbicidas recomendados para o manejo do capim-rabo-de-raposa. Abaixo, você pode conferir algumas moléculas com registro ativo no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento);

  • Alacloro;
  • Atrazina;
  • Cletodim;
  • Glifosato;
  • MSMA;
  • Pendimetalina;
  • Propanil;
  • Tebutiurom;
  • Trifluralina;
  • Quizalofope-P-etílico.

O herbicida paraquate já foi bastante utilizado no controle químico do capim-rabo-de-raposa. No entanto, é importante lembrar que desde o ano de 2020, a Anvisa determinou a proibição do uso e da comercialização dessa molécula.

Antes de usar qualquer produto químico leia com atenção o rótulo, a bula e o receituário agronômico. Sempre faça a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação. Essa técnica dificulta a seleção de plantas resistentes aos produtos químicos. 

Além disso, a rotação diminui o banco de sementes do solo e aumenta o número de espécies controladas.

Não se esqueça de utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para a manipulação e aplicação dos herbicidas. Eles são essenciais para garantir a segurança de todos

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Conclusão

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene que forma densos agrupamentos. A propagação ocorre por sementes e pela divisão de rizomas, o que dificulta o manejo.

Essa gramínea compete por recursos, reduz a produtividade, dificulta as operações de colheita, reduz a qualidade do produto colhido e eleva os custos com o beneficiamento.

O manejo deve ser realizado de maneira integrada. Lembre-se que a adoção de mais de uma estratégia aumenta a eficiência do controle e evita o aumento da infestação. 

Você já conhecia o capim-rabo-de-raposa? Está enfrentando problemas com essa espécie na lavoura? Deixe seu comentário.

Análise foliar: veja como fazer o “check-up” da lavoura

Análise foliar: veja como funciona, quais são as boas práticas para adotar, como interpretar e mais!

A análise foliar é uma maneira de verificar as deficiências nutricionais da lavoura e corrigi-las. Assim, você evita as limitações de produtividade

A nutrição de plantas causa muita influência na produtividade de culturas agrícolas, assim como estresses bióticos e abióticos. A boa execução de correção do solo e adubação pode diminuir as incertezas da sua safra.

Mesmo utilizando de técnicas como análise de solo, correção de acidez e aplicação de fertilizantes, podem ocorrer desbalanços nutricionais na lavoura. Assim, você precisa de métodos para diagnosticar as deficiências nutricionais o mais cedo possível na safra. 

Neste artigo, saiba como diagnosticar as deficiências nutricionais o mais cedo possível, como fazer análise foliar e todos os detalhes necessários para o uso do método.

O que é a análise foliar?

A análise foliar é um conjunto de métodos bioquímicos que quantifica a concentração de nutrientes minerais específicos nas células de uma folha.

No método, amostras de folhas de plantas são coletadas e processadas. Então, é verificada a quantidade de determinadas moléculas ou nutrientes isolados.

Ela é um “check-up” para saber quanto a planta conseguiu absorver dos nutrientes ofertados a ela. Além disso, é possível comparar com as quantidades exigidas para a cultura numa etapa específica de desenvolvimento.

A diagnose foliar substitui a análise de solo?

Não, a análise foliar é um método complementar que permite verificar se a correção e adubação de solo geraram a resposta esperada na planta.

Após a análise de solo, são calculadas as quantidades necessárias de produtos para correção e para o fornecimento de nutrientes para a cultura a ser implantada.

Porém, alguns fatores podem resultar em deficiência ou toxidez de nutrientes durante o crescimento da planta. Entre eles, podemos citar:

  • Má amostragem para análise de solo;
  • Erros no cálculo da correção e adubação;
  • Problemas na aplicação de fertilizantes;
  • Lixiviação ou inativação de nutrientes;
  • Características físicas e químicas do solo;
  • Problemas de crescimento de raiz;
  • Estresses bióticos como seca ou alagamento.

Assim, é necessário verificar se a projeção feita após a análise de solo realmente foi alcançada. Verifique também se a planta absorveu quantidades suficientes de nutrientes para alcançar seu potencial produtivo.

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Análise foliar ou visual: qual é a melhor?

A análise foliar não é o único método para verificar o estado nutricional das plantas.

O método mais comum para a avaliação nutricional de plantas durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento é a análise visual. Ela consiste em mapear sintomas que podem ser indicativos da deficiência de nutrientes específicos.

Esse método é muito utilizado por dois motivos principais: baixo custo e rapidez para verificação. Afinal, ele não necessita de nada além de mão de obra especializada, e uma vez detectado o sintoma, você já pode atuar sobre o nutriente deficiente.

Porém, o método de análise foliar apresenta uma série de vantagens em comparação ao método de análise visual, como:

  • Precisão: a diagnose visual pode ser problemática pois muitos sintomas são comuns a algumas deficiências. Além disso, pode acontecer de que o sintoma de um nutriente esteja mascarando a falta de outro. Isso não ocorre na quantificação feita pela análise foliar;
  • Detecção precoce: mesmo sem ainda apresentar sintomas, um nutriente pode estar em concentrações próximas ao limite mínimo, o que pode ser corrigido a tempo. Isso evita perdas de produtividade por diagnose tardia, principalmente em fases importantes para definição de produtividade;
  • Correção da deficiência: a análise foliar mostra as concentrações exatas dos nutrientes presentes na folha, o que permite uma correção por uso de fertilizantes de maneira precisa, sem aplicação excessiva ou menor que a necessária.

Como fazer amostragem para análise foliar?

Na análise foliar, a amostragem correta é fundamental. Por isso, é importante conhecer os passos e métodos para uma boa amostragem de folhas. 

A época de coleta de amostras para a análise foliar depende da cultura. Porém, normalmente, essa análise é feita visando à correção de deficiências para as etapas de desenvolvimento mais relacionadas à produção.

Em café, normalmente as análises são feitas nas fases de chumbinho/chumbão. Isso é feito em torno do mês de dezembro, previamente à granação dos frutos. 

Em culturas anuais de grãos, a coleta pode ser feita mais de uma vez na safra. Normalmente, isso é feito nas fases finais do ciclo vegetativo e no início do ciclo reprodutivo.

Alguns pontos são importantes para uma boa amostragem de folhas:

  • Dividir as áreas de coleta nos mesmos talhões utilizados para a análise de solo, para se ter possibilidade de comparação e avaliação da adubação;
  • Coletar folhas de múltiplas plantas aleatoriamente, andando em ziguezague dentro da lavoura, em cada talhão;
  • Utilizar sacos de papel e não de plástico para o armazenamento das folhas;
  • Fazer a identificação correta da fazenda, talhão, cultura, estágio de desenvolvimento e previsão de produção;
  • Não coletar logo após adubação de solo ou foliar ou de aplicação de defensivos agrícolas;
  • Evitar folhas com necroses ou ataques de pragas ou sintomas de doença;
  • Não coletar folhas molhadas ou úmidas, após chuva ou irrigação;
  • Evitar áreas próximas a carreadores ou estradas.

Como fazer a interpretação de análise foliar?

Existem algumas possibilidades de locais para a execução da análise foliar, dependendo de cada região. Laboratórios particulares ou de instituições estaduais ou federais como Epamig, Embrapa e universidades são boas opções.

Na tabela de resultados da análise foliar, normalmente há macronutrientes e micronutrientes minerais. Eles aparecem em suas concentrações médias nas amostras de cada talhão.

Os macronutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio, cálcio, enxofre) são normalmente dados em gramas por quilo (g/kg). 

Os micronutrientes, por sua vez, (boro, cobalto, cobre, ferro, molibdênio, manganês e zinco) em miligramas por quilo (mg/kg).

tabela de resultado de análise foliar de café
Exemplo de tabela de resultado de análise foliar de café
(Fonte: Cocapec)

De posse dos resultados da análise foliar, os teores dos nutrientes devem ser comparados aos valores de referência para a cultura. Caso haja deficiência, a correção pode ser feita por aplicação de nutrientes por via de solo ou foliar.

No caso da tabela que você acabou de ver, comparando a referência da amostra “Café 144” com os valores de referência, é possível perceber:

  • Falta de nitrogênio, potássio, magnésio, enxofre, boro e zinco;
  • Teores adequados de fósforo, cálcio, ferro e manganês;
  • Excesso de cobre.

Como calcular quantidade de adubo na análise foliar?

Você pode estar se perguntando se é possível calcular a quantidade de fertilizante necessária através da análise foliar. A resposta é sim, e esta é uma das grande vantagens de se usar a análise foliar ao invés da diagnose visual. 

Porém, a necessidade de reposição e as quantidades de fertilizante são definidas de acordo com a previsão de produção de cada talhão.

Isso é feito a partir dos valores obtidos na análise foliar, considerando também o tipo de fertilizante a ser usado (de solo ou foliar) e as concentrações do nutriente presentes nele.

Esse é um procedimento que, se não feito com atenção, pode causar danos por overfert ou por adubação insuficiente na lavoura. 

Por isso, a recomendação é que você procure um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) para te orientar da maneira correta, de acordo com as características da sua lavoura e da sua cultura.

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Conclusão

A produção agrícola depende do planejamento e da capacidade de executar bem o manejo das lavouras.

A limitação da produção por falta de nutrientes é uma condição real. Entretanto, ela pode ser evitada com a adoção de boas práticas como análise de solo, correção e adubação e análise foliar.

A análise foliar é importantíssima e possui inúmeras vantagens em relação ao diagnóstico visual. Ainda, siga as boas práticas da coleta de amostras e, na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Ficou com alguma dúvida sobre como fazer a análise foliar na sua cultura? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Saiba como fazer um projeto de fazenda sustentável

Fazenda sustentável: saiba o que é, quais são as bases, o que fazer para implementar novas práticas e mais!

A sustentabilidade se tornou assunto comum, principalmente no meio agrícola. 

Isso tanto nas discussões na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2021 quanto nas empresas que prestam serviços no meio agrícola.

Porém, quando se trata de agricultura sustentável, a maioria das pessoas conhece pouco os conceitos em que ela é usada.

Nesse artigo, saiba o que é fazenda sustentável e veja práticas e soluções que podem ser empregadas na sua propriedade rural. Boa leitura!

O que é fazenda sustentável?

Uma fazenda sustentável é a propriedade que utiliza técnicas integradas, usando de forma racional e eficiente recursos como solo, água, energia, fauna, flora e biodiversidade com o menor impacto ambiental possível. 

O objetivo é reduzir a poluição, consumo de água, energia, adubos químicos, pesticidas, fertilizantes e outros produtos que podem trazer impacto ambiental.

Ou seja, em uma fazenda sustentável, são utilizadas técnicas que não causam grande dano ambiental. Ainda, elas permitem seu ganho econômico, além de serem justas do ponto de vista social.

Esquema que mostra como funciona a agricultura sustentável
Bases da agricultura sustentável

É importante diferenciar agricultura sustentável de agricultura orgânica, porque esses conceitos são bastante confundidos. A agricultura orgânica é um modelo de agricultura que proíbe o uso de produtos sintéticos, sementes modificadas e maquinário pesado.

Apesar de algumas dessas técnicas apresentarem potencial para a diminuição de riscos ambientais, não há relação entre agricultura orgânica e agricultura sustentável. Afinal, a produtividade da agricultura convencional é maior do ponto de visto econômico. 

Além disso, o preço final de produtos orgânicos tende a ser maior, devido ao nicho de mercado. Isso pode ser socialmente injusto, uma vez que ele não é acessível a toda a população. 

Ou seja, uma fazenda orgânica pode ser sustentável, mas essa não é a única maneira de se alcançar a sustentabilidade da atividade.

O que fazer para ter uma fazenda auto sustentável no Brasil?

Existem algumas práticas que devem ser buscadas em um projeto de fazenda sustentável. Abaixo, veja algumas dessas bases e técnicas que podem ser usadas para alcançá-las.

1. Construa um perfil de solo 

A construção do perfil de solos saudáveis e a prevenção de degradação e erosão é feita através de algumas técnicas. Rotação de culturas, plantio direto, uso de plantas de cobertura e adubação verde são alguns dos exemplos.

Elas podem aumentar a matéria orgânica do solo e a microbiota natural. Além disso, podem diminuir perdas de nutrientes por lixiviação e evitar a alteração brusca de temperatura no solo.

2. Faça um manejo consciente da água

Os processos de captação de água podem auxiliar na estocagem desse recurso primordial para a fazenda. O manejo de água junto de tecnologias de agricultura de precisão podem aumentar a eficiência do seu uso.

Isso acontece tanto na irrigação quanto na aplicação de defensivos agrícolas. Além disso, a melhora do perfil do solo auxilia na retenção de água e na diminuição de sua perda.

3. Minimize a poluição do ar e da água

A diminuição da necessidade de defensivos agrícolas e da queima de combustíveis fósseis são dois fatores cruciais para minimizar a poluição. Algumas técnicas podem diminuir muito o uso de defensivos agrícolas, como: 

Além disso, a mecanização agrícola pode diminuir a necessidade de entrada de máquinas na área. A consequência disso é a diminuição do gasto de combustível.

4. Promova biodiversidade

A biodiversidade é importante em termos de fauna e flora. 

A rotação de culturas e o uso de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta  são formas inteligentes e rentáveis de aumentar naturalmente a biodiversidade. Elas aumentam a microfauna do solo, da flora e da fauna.

5. Aumente a resiliência a eventos climáticos extremos

A diminuição de perdas relacionadas a estresses abióticos aumenta a sustentabilidade, porque evita o desperdício de recursos naturais em anos de baixa produção. 

Existem várias práticas que tendem a diminuir o impacto dos eventos climáticos na sua propriedade. Algumas das principais são:

  • tecnologias de previsão climática, como estações meteorológicas na fazenda;
  • aumento da capacidade de absorção de água e nutrientes no solo;
  • uso de plantas geneticamente modificadas e produtos fisiológicos.

6. Faça estoque de carbono na fazenda

Ao aumentar a produção, principalmente em processos de integração lavoura-pecuária-floresta, a propriedade passa a ser um estoque ainda maior de carbono.

Isso diminui ou anula a sua “pegada” de carbono, e pode ser fonte de renda na venda de reservas através do sequestro de carbono. Todas as técnicas citadas acima contribuem para isso. 

7. Faça um balanço de energia

A energia é um dos desafios futuros das fazendas, e a possibilidade de geração de energia em combinação com a agricultura será crucial para a sustentabilidade. 

Isso pode ser alcançado por meio do uso de energia solar na agricultura. Ainda, o uso de energia eólica, hidroelétrica, de biodigestores ou culturas energéticas também pode ser muito vantajoso.

Benefícios de um modelo de fazenda sustentável

Ao utilizar técnicas de sustentabilidade, você pode se beneficiar de diversas maneiras:

  • Diminuição de custos, possibilidade de vendas a maior preço e aumento do lucro;
  • Capacidade da obtenção de selos e certificações ambientais e de mercado;
  • Aumento da eficiência de processos e do uso de recursos naturais ou industrializados;
  • Diminuição do uso de recursos com maior potencial de poluição, como combustíveis e defensivos agrícolas;
  • Longevidade da atividade por menor impacto ambiental e desgaste de recursos finitos, como o solo;
  • Acúmulo e venda de créditos de carbono;
  • Impacto positivo na imagem da empresa frente a concorrentes e ao mercado.

Para que esses benefícios possam ser ainda maiores, é necessário que todas essas atividades que aumentem a sustentabilidade sejam bem executadas e contabilizadas. 

Para isso, as técnicas e soluções de gestão são cada vez mais necessárias para o controle e organização de tantas variáveis na propriedade. 

Uma fazenda sustentável obrigatoriamente necessita de um sistema de gestão da propriedade, de seus empregados e maquinários.

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Conclusão

A adoção de técnicas que podem aumentar a capacidade de exploração sustentável de recursos é, além de uma tendência, uma realidade do agronegócio.

Esse movimento será ainda mais presente nas próximas décadas, se expandindo para diversas cadeias da agricultura. 

Uma fazenda sustentável é possível através da adequação de processos e implantação gradativa de técnicas e manejos. Elas tornam a atividade mais ambientalmente neutra, economicamente viável e socialmente justa.

Saiba mais >>

“ASG na agricultura: como se beneficiar dessas práticas”

Restou alguma dúvida sobre fazenda sustentável? Quais práticas você já adota na sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

Fungicida para milho: guia completo de quando aplicar o produto

Fungicida para milho: quais são os principais, épocas de aplicação, cuidados que devem ser tomados e os melhores do mercado

A desfolha precoce provocada por doenças do milho causadas por fungos pode reduzir a produtividade da cultura em até 40%.

Desta forma, saber qual a época mais adequada de aplicação de fungicidas é indispensável. Quem produz milho também deve conhecer os cuidados na aplicação e os fungicidas mais eficientes.

Entenda a seguir quais as principais doenças fúngicas do milho, fungicidas utilizados e cuidados com a aplicação! Boa leitura!

Principais doenças fúngicas da cultura do milho

Diversas doenças causadas por fungos podem ocorrer no milho, mas algumas delas assumem destaque na maioria das regiões produtoras. A mancha-branca, a cercosporiose, a helmintosporiose e o complexo de enfezamentos pálidos e vermelhos são as principais.

Complexo mancha-branca

A mancha-branca no milho é causada por um complexo de microrganismos, incluindo a bactéria Pantoea ananatis e o fungo Phaeosphaeria maydis, por isto, também é conhecida como mancha de Phaeosphaeria.

As perdas na lavoura podem ultrapassar os 60%, principalmente quando híbridos suscetíveis são utilizados em áreas de grande histórico da doença.

Os sintomas incluem a formação de lesões de coloração branca, que inicialmente possuem formato circular. Com a evolução dos sintomas, a mancha torna-se cor palha e com formato elíptico a circular (variando entre 0,3 a 1 cm de diâmetro).

As lesões são encontradas principalmente nas folhas, e tem início nas folhas inferiores da planta, progredindo rapidamente. A fase de desenvolvimento mais crítica para a cultura é o pendoamento, onde as lesões também surgem na palha da espiga.

Temperaturas amenas, entre 15°C e 20°C, associadas a elevada umidade relativa do ar (superior a 60%), são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Cercosporiose

A cercosporiose no milho é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, e possui enorme distribuição nas lavouras brasileiras. Ele é favorecido por temperaturas mais altas, entre 22°C e 30°C, principalmente quando acompanhadas de períodos de longo molhamento das folhas.

Ainda, essa doença é muito favorecida por técnicas de semeadura direta. Cultivos sucessivos de milho híbrido muito suscetíveis à doença aumentam a quantidade do inóculo da cercosporiose.

A manifestação da cercosporiose do milho ocorre na fase de floração. Ela causa danos em folhas do baixeiro da cultura. 

Os sintomas da doença se manifestam através de lesões necróticas paralelas às nervuras.  Além disso, as extremidades das lesões têm formato quadrado, semelhante a uma raspagem com unha. 

Helmintosporiose

A helmintosporiose é diferente da cercosporiose, pois as lesões possuem as suas extremidades mais afinadas. Além disso, a cercosporiose ocorre entre as nervuras e a helmintosporiose, além das nervuras.

A helmintosporiose é causada pelo fungo Exserohilum turcicum. Esse fungo é favorecido por locais com alta umidade relativa do ar (geralmente acima de 90%), além de temperaturas entre 18°C e 27°C. 

Um dos pontos que torna essa doença difícil de ser controlada é evitada é que o fungo se dissemina através do vento. Por isso, para controlá-la, o uso de sementes saudáveis e cultivares resistentes é fundamental.

banner da planilha de produtividade da lavoura de milho

Quando aplicar fungicida no milho?

O momento correto de aplicação de fungicidas é fundamental. Isso irá evitar a desfolha precoce e a redução da produtividade. Inicialmente, observe o histórico de doenças na área de cultivo. Com essas informações, planeje o tratamento de sementes.

Ele é indispensável para proteger as sementes dos fungos que já estão presentes nos restos culturais do solo. Esses fungos sobrevivem de uma safra para a outra. Por isso, a entrada dos fungicidas na lavoura deve ser realizada:

  • Entre os estádios V8 – 8, quando as folhas estão completamente desenvolvidas;
  • Durante o pré-pendoamento da cultura.

Estas são as fases mais críticas para a ocorrência de doenças, especialmente as manchas foliares. Além disso, a entrada nestes estádios corresponde ao momento em que as doenças não apresentam alta severidade, sendo o controle mais efetivo

Aplicações antecipadas resultam em maiores produtividades. O atraso das aplicações, em R1 e R2, reduzem a produtividade do milho pela maior severidade de doenças.

Ilustração que mostra fases de desenvolvimento do milho
Estádios vegetativos e reprodutivos da cultura do milho para identificação do momento ideal de aplicação de fungicidas. VT corresponde ao início do pendoamento.
(Fonte: Ciampitti)

Cuidados para tomar na aplicação de fungicidas

Além da época correta de aplicação, outros cuidados devem ser tomados: a boa cobertura da cultura, tecnologia de aplicação, volume de calda e condições climáticas devem ser analisados.

Boa cobertura da cultura

As aplicações devem proporcionar maior cobertura das folhas dos terços médio e superior. São essas as folhas que influenciam diretamente na produtividade.

Tecnologia de aplicação

Utilize tecnologia de aplicação correta em função dos fungicidas utilizados. É importante saber se você está usando fungicida sistêmico e com boa movimentação superficial. Isso implica em maior ou menor tamanho de gotas.

Fungicidas multissítios, por exemplo, não possuem a capacidade de adentrar os tecidos foliares. Por isso, devem ser aplicados preventivamente, antes do surgimento dos sintomas.

No início dos sintomas, os multissítios devem obrigatoriamente ser combinados a um sítio-específico, que possui a capacidade de adentrar os tecidos e curá-los. Ainda, a rotação de ingredientes ativos é indispensável, pois evita a resistência dos fungos aos fungicidas.

Volume da calda terrestre, aérea e escolha das pontas

Pontas de jato plano defletor com indução de ar refletem em menores chances de deriva de defensivos pelo vento. Ainda, causam menor influência de altas temperaturas e maior cobertura dos alvos.

Além disso, quanto menor for o volume de calda, maior atenção deve ser dada à densidade de gotas para boa cobertura. É recomendada para a cultura no mínimo 50 gotas por cm -2.

Em aplicações aéreas, o volume de calda de 30 L/hectares proporciona produtividade semelhante aos tratamentos terrestres. Essa pode ser uma solução para aplicações sem provocar danos por máquinas à cultura.

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Observação das condições climáticas

Evite aplicar poucas horas antes da ocorrência de chuvas, pois elas podem “lavar” parte do produto. Também observe a velocidade do vento durante a aplicação, que não deve ser totalmente ausente ou elevado.

Quais os principais fungicidas para tratamento de milho?

Segundo o Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários), atualmente, existem 220 fungicidas registrados para milho. Os principais grupos químicos utilizados no controle de doenças fúngicas incluem:

  • Estrobilurinas (C2) + triazóis (G1) (em inúmeras combinações): ambos são fungicidas sítio-específico. Eles correspondendo a mais de 22% das opções disponíveis;
  • Triazóis: aparecem em segundo, com participação de 20% na totalidade dos produtos registrados. A aplicação isolada de triazóis não é recomendada, porque este grupo de fungicidas atua em um único sítio-específico de ação, é há alto risco de resistência;
  • Mancozebe (M): é um fungicida multissítio do grupo dos ditiocarbamatos com quase 9% da totalidade de produtos registrados.

Na lista de fungicidas para milho, são inúmeras as opções. Além da consulta, fique de olho nos percentuais de eficiência dessas moléculas. Isso vai depender do híbrido utilizado e da região de cultivo.

Ainda, vale lembrar que o uso do Carbendazim no milho e demais culturas está suspenso em todo país.

Melhores tratamentos para controle de doenças no milho

Resultados de pesquisa indicam que as combinações que resultaram em maiores produtividades em relação aos tratamentos sem fungicidas foram:

  • Tratamento 4: Piraclostrobina (estrobilurina) + Mefentrifluconazol (triazol) + Fluxapiroxade (carboxamida) – em fase de registro pela empresa BASF  na época do estudo. Composição semelhante ao Belyan): resulta em controle de 83% das manchas foliares e 19% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 8: Difenoconazol (triazol) + Pydiflumetofen (carboxamida) (em fase de registro pela empresa Syngenta na época do estudo. Composição semelhante ao Miravis Duo): 77% de controle e 18% de ganho de produtividade;
  • Tratamento 6: Trifloxistrobina (estrobilurina) + Protioconazol (triazol) + Bixafen (carboxamida) – Fox Xpro: 77% de controle e 17% de ganho de produtividade.

A eficiência de outras moléculas e detalhes podem ser visualizados na tabela abaixo:

Tabela que mostra fungicidas para milho com melhor desempenho.
(Fonte: Custódio)

Conclusão

O melhor fungicida para milho deve ser planejado em função do histórico de doenças da área de cultivo. A eficiência do controle depende de vários fatores, sobretudo da época em que as aplicações são realizadas.

É indispensável que as doenças sejam controladas quando a sua severidade ainda é baixa.

Para o controle de doenças na sua área de cultivo, consulte sempre um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). Afinal, as recomendações podem variar bastante conforme as características da sua lavoura.

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“Mancha foliar milho: como livrar a sua lavoura?”

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Restou alguma dúvida sobre a aplicação de fungicida para milho? Deixe sua dúvida nos comentários abaixo!

Cuidados para ser mais assertivo no uso do herbicida 2,4-D

Herbicida 24-D: características, condições climáticas para aplicação, em quais culturas pode ser aplicado, produtos comerciais disponíveis e muito mais.

O 24-D é um dos herbicidas hormonais mais utilizados por produtores em todo o mundo. 

Ele é uma importante ferramenta no manejo de plantas daninhas, principalmente no controle de espécies invasoras de folha larga. Trata-se de um produto altamente eficiente e de baixo custo

Saber suas características, como funciona o mecanismo de ação e quais produtos contém esse herbicida é fundamental para garantir um bom uso.

Neste artigo, você verá todas as informações de que precisa para garantir sucesso no uso do 2,4-D. Aproveite a leitura!

O que é o herbicida 24-D?

O 2,4-D é um herbicida sistêmico e seletivo. Seu princípio ativo é o ácido 2,4-diclorofenoxiacético. O mecanismo de ação do 2,4-D é a imitação do efeito das auxinas nas plantas. 

Elas são hormônios que, em altas concentrações, alteram o crescimento e a divisão celular vegetal, causando a morte das plantas.

O herbicida 24-D pertence ao grupo químico do ácido ariloxialcanóico. Além de atuar no controle das plantas invasoras, o herbicida também funciona como regulador de crescimento quando utilizado em baixas dosagens.

Herbicida 24-D: modo de ação em folha larga

Ao absorver doses elevadas de  2,4-D, as ervas daninhas de folha larga confundem essa molécula com os hormônios encontrados naturalmente nas plantas. As consequências são:

  • crescimento anormal dos tecidos;
  • curvamento do caule e pecíolos;
  • formação de calos no caule;
  • encarquilhamento e clorose das folhas;
  • morte das plantas.

O produto pode ser aplicado em pré e pós-emergência. A absorção do produto ocorre pelas folhas e pelas raízes. Ainda, a translocação do 2,4-D nas plantas é feita via floema e xilema.  

Esse composto tem classificação toxicológica máxima. Ou seja, é extremamente tóxico. Porém, se manuseado e aplicado de forma correta e na dosagem especificada na bula dos produtos, ele não apresenta riscos.

O 2,4-D é um produto seletivo para gramíneas. Ou seja, elas são plantas resistentes ao herbicida.  Ele também é aplicado para a eliminação de plantas daninhas da soja na fase pré-plantio. 

Nesse caso, é preciso ficar de olho no intervalo de tempo entre a aplicação do 2,4-D e a semeadura. O efeito residual do herbicida compromete a emergência das plântulas de soja. No Brasil, o herbicida 24-D tem autorização para ser utilizado nas seguintes culturas:

  • arroz (sequeiro e irrigado);
  • aveia;
  • cana-de-açúcar;
  • café;
  • centeio;
  • cevada;
  • milheto;
  • milho;
  • pastagens;
  • soja (pré-plantio);
  • sorgo;
  • trigo;
  • triticale.

2,4-D: nomes comerciais à base do ingrediente ativo

Atualmente, estão disponíveis no mercado 41 produtos herbicidas com registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) à base do ingrediente ativo 2,4-D. Confira a lista abaixo!

  • Arena;
  • Artys;
  • Atulamina 806 SL;
  • Cortador 806 SL;
  • Crater;
  • Dez;
  • Dical;
  • Dontor;
  • Famoso BR;
  • Forasteiro;
  • Grant;
  • Herbimax 806 SL;
  • Intruder;
  • Invernada;
  • Jacaré;
  • Jaguar;
  • Jornada;
  • Jornada HL;
  • Krost 806 SL;
  • Lifter;
  • Mannejo;
  • Mirant;
  • Navajo;
  • Panoramic;
  • Pren-D 806;
  • Quallis;
  • Shopra 970 WG;
  • Temicab Xtra; Chapon Plus, Wrangler;
  • Troller;
  • Turuna;
  • Verlon;
  • Zack;
  • Zura 806 SL;
  • 2,4-D Agritec;
  • 2,4-D Amina CCAB 806 SL;
  • 2,4-D CHDS;
  • 2,4-D CROP 806 SL;
  • 2,4-D Nortox;
  • 2,4-D Nortox 970 WG;
  • 2,4-D Super Amine SG;
  • 2,4-D (240) + Picloram (64) SL.

É importante ressaltar que é fundamental seguir as orientações técnicas da bula dos produtos. A dosagem, o intervalo de segurança, a atividade residual e o modo de aplicação são informações imprescindíveis para realizar o bom manejo das plantas daninhas.

Cuidados no uso do herbicida 

A pulverização do herbicida 24-D requer alguns cuidados a fim de evitar a contaminação de áreas vizinhas em razão da deriva do defensivo

Além de utilizar equipamentos devidamente regulados e calibrados, é fundamental respeitar as condições climáticas para garantir boa qualidade da aplicação. As condições climáticas ideais para realizar a pulverização são:

  • Umidade relativa do ar: mínima de 55%;
  • Temperatura: abaixo de 30°C;
  • Velocidade do vento: 3 km/h a 10 km/h.

Abaixo, você pode conferir como determinar a velocidade do vento e não errar na hora de realizar a aplicação do 2,4-D. 

Tabela que mostra a velocidade do vento ideal para aplicar o herbicida 2,4-D
Velocidade do vento ideal para a pulverização de defensivos agrícolas
(Fonte: Manual de Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários)

Mistura de 2,4-D e glifosato

A mistura de defensivos agrícolas no tanque de pulverização é uma realidade bastante comum no meio rural. 

Essa prática é adotada quando a área infestada apresenta plantas daninhas de folha estreita e de folha larga. A mistura também é utilizada em casos em que algumas espécies invasoras tenham manifestado resistência ao herbicida glifosato

Além disso, essa estratégia melhora a eficiência operacional (duas aplicações em uma) e reduz os custos de produção. Porém, é preciso cuidado nessa operação, pois nem todos os produtos podem ser misturados.

A mistura de herbicidas incompatíveis pode comprometer o manejo das espécies invasoras. Por isso, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) para te orientar quanto à aplicação em mistura de produtos químicos. 

Fazer uma boa limpeza do pulverizador antes de aplicar outro produto na lavoura também é essencial.

O herbicida 2,4-D é comumente aplicado em associação com o glifosato no manejo de espécies de difícil controle, como a buva, corda-de-viola e trapoeraba

Ambos são sistêmicos e têm modo de ação diferente, o que amplia o espectro de plantas daninhas controladas. A mistura do 2,4-D com o glifosato é utilizada na dessecação pré-plantio.

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Conclusão

Os herbicidas à base do ingrediente ativo 2,4-D são sistêmicos e utilizados no manejo de plantas daninhas de folha larga.

O 2,4-D pode ser utilizado em culturas como milho, cana-de-açúcar, trigo, soja (pré-plantio) e pastagens. Em baixas dosagens, ele atua como regulador de crescimento e em altas doses tem efeito herbicida.

Respeitar as condições climáticas ideais no momento da aplicação do 2,4-D é essencial para evitar a deriva do produto. Assim, você garante maior eficiência do controle das espécies invasoras.

>> Leia mais:

Drone para pulverização: Como funciona e os principais modelos do mercado

Entenda os princípios e benefícios da pulverização eletrostática na agricultura

Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

Você utiliza herbicida 2,4-D na sua lavoura? Tem dúvidas ou comentários sobre esse produto? Conte sua experiência nos comentários.

Como funciona o financiamento de veículo para produtor rural?

Financiamento de veículo para produtor rural: quem tem direito, documentos necessários, marcas e modelos, alternativas e mais!

Obter financiamento para a compra de veículo novo é um desejo de muitos produtores rurais. Afinal, os descontos especiais voltados para essa categoria de consumidor são muitos. 

Tais descontos, que podem chegar a 16,30%, são oferecidos diretamente por concessionárias de veículos. Não há linha de financiamento específica do Governo Federal.

Atualmente, não há uma linha de financiamento específica do Governo Federal para a compra de veículos por produtores rurais.

Mas você pode conseguir crédito pelo programas como o Pronaf, desde que sejam atendidas as regras do Manual de Crédito Rural (MCR).

Como funciona o financiamento rural para veículo?

O financiamento da compra de veículos para produtor funciona por meio da comprovação do exercício da atividade rural. Você precisa estar formalizado enquanto tal. 

Ao comprovar isso a uma concessionária de veículos, ela te mostrará quais são as opções de financiamento, modelos de veículos, juros e prazos de pagamentos. A forma como você comprova que produz varia de concessionária para concessionária. 

Você precisará dos seguintes documentos para pedir um financiamento de veículo:

  • Declaração atualizada do ITR (Imposto sobre Propriedade Territorial Rural);
  • Nota fiscal de emissão de serviços recente;
  • Contrato de arrendamento ou comodato com o CPF ou CNPJ do produtor;
  • Cartão de produtor rural válido obtido, no Sebrae;
  • Ficha de Inscrição Cadastral emitida pela Secretaria de Estado;
  • Certidão Negativa (ou positiva com efeito negativa) de débitos junto ao Ministério da Fazenda;
  • CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural)
  • Cadastro Geral de Produtor, obtido junto à Prefeitura.

Além desses, outros documentos podem ser solicitados pelas concessionárias. Geralmente, os veículos mais procurados são as picapes 4×4, pela capacidade de carga e maior resistência para rodar em estradas de chão em condições adversas.

Porém, há outros modelos modernos e confortáveis para estradas de chão e asfalto, como os hatches, jeeps e sedãs. Esses também têm sido procurados. Veja abaixo algumas das concessionárias que oferecem descontos para produtores rurais:

  • Citroën;
  • Toyota;
  • Fiat;
  • Volkswagen;
  • Jeep;
  • Nissan;
  • Ford;
  • Mitsubishi;
  • BMW;
  • Volvo;
  • Peugeot;
  • Chevrolet.

Apesar de os veículos para produtor rural terem descontos, nem sempre estão disponíveis para retirada no mesmo dia. Geralmente, você retira o veículo em até 40 dias.

Além disso, há problemas com relação à garantia. Ela é mais reduzida porque o veículo anda mais na zona rural que na urbana, o que aumenta a depreciação maquinas e equipamentos.

Desconto de veículo para produtor rural em 2025

Veja abaixo os carros com desconto para produtor rural 2025, separados por marca:

  • Fiat
    • Fiorino Endurance (8%)
    • Toro Endurance Flex (10%)
    • Argo (7,58%)
    • Argo Drive (7,82%)
    • Cronos HGT 1.8 AT (4,85%).
  • Jeep
    • Renegade Longitude Flex (6,15%)
    • Renegade Moab Diesel (10%)
    • Compass Limited T270 (6,8%) 
    • Compass Série S T270 (6,92%)
    • Compass Longitude D350 (7,18%).
  • Peugeot
    • Peugeot 2008 (14,5%)
  • Citroën
    • C4 Cactus (12%)
  • Chevrolet
    • S10 WT Chassis Cab (10%)
    • S10 WT Cabine Simples (10%)
    • S10 WT Cabine Dupla MT (8%)
    • S10 WT Cabine Dupla AT (8%)
    • S10 Z71 (6%)
    • S10 LTZ (6%)
  • Ford
    • Ranger XLS 2.2 e XLT 3.2 (ambos com 8%)
  • Volkswagen
    • Saveiro Robust Cabine Simples (14%)
    • Saveiro Trendline Cabine Simples (14%)
    • Saveiro Robust Cabine Dupla (14%)
    • Saveiro Cross Cabine Dupla (9%)
    • Polo Track (7%)
    • Polo 1.0 MPI (8%) ​
    • Polo TSI (8%) ​
    • Virtus Highline 200 TSI (10,5%)
    • Virtus Exclusive 250 TSI (7%)
    • Nivus Highline (8%) ​
    • T-Cross 200 TSI AT (12%)
    • T-Cross Comfortline 200 TSI AT (10%)
    • Taos Highline (10%)
    • Amarok Comfortline V6 (23%)
    • Amarok Highline V6 (14%)
  • Toyota
    • Hilux Cabine Simples (3%)
    • Hilux Cabine Dupla (5%)
  • Nissan
    • Versa (3%) 
    • Kicks (6%)
    • Frontier (12%);
  • Mitsubishi
    • L200 Triton GL
    • GLS (75)
  • BMW
    • 118i e X1 (16,7%)
  • Volvo
    • XC40 Momentum (6,4%) 
    • Inscription (5,29%)
    • R-Design (5,22%)
    • XC60 Inscription Express (14,36%)
    • Inscription (13,43%)
    • R-Design (15,40%)
    • Polestar (13,72%)
    • XC90 Inscription Express (16,30%)
    • Inscription (14,6%)
    • R-Design (14,38%)
    • S60 R-Design (1%)
    • S60 Polestar (3,59%)
    • S90 Inscription (6,64%).

Quais são os carros financiados pelo Pronaf?

​O Pronaf, a partir do subprograma Pronaf Mais Alimentos, oferece financiamento para a aquisição de veículos novos para a atividades rurais, conforme as diretrizes estabelecidas nos itens 3-3-7 e 3-3-8 do Manual de Crédito Rural (MCR). ​

Neste contexto, os veículos elegíveis para financiamento incluem:​

  • Veículos de carga, como caminhões, caminhões frigoríficos, isotérmicos ou graneleiros;​
  • Automotores elétricos ou de tração animal adequados às condições rurais;​
  • Caminhonetes de carga destinadas a atividades específicas, como apicultura, aquicultura, cafeicultura, floricultura, olericultura e fruticultura;​
  • Reboques ou semirreboques relacionados às atividades mencionadas.​

O financiamento de motocicletas é permitido, desde que sejam adaptadas à atividade rural. Mas, veículos como caminhonetes de passageiros, caminhonetes mistas e jipes não são passíveis de financiamento pelo programa.​

Para serem adquiridos, os veículos precisam ter a necessidade descrita no projeto de crédito rural, de forma técnica e econômica.

Além disso, é necessário comprovar que o veículo será utilizado nas atividades rurais por pelo menos 120 dias por ano.

No cálculo da capacidade de pagamento, deve ser comprovado que ao menos 50% da receita gerada pela unidade de produção tenha origem em ao menos uma das atividades mencionadas, durante os últimos 12 meses.​

A nota fiscal referente à aquisição do bem deverá ser emitida pelo fabricante.​ Além disso, as condições do financiamento também incluem:

  • Taxa de juros: até 6% ao ano;​
  • Prazo de pagamento: até 5 anos, incluindo até 1 ano de carência para financiamentos de motocicletas adaptadas à atividade rural e caminhonetes de carga, exceto caminhões. ​

Para solicitar o financiamento, é preciso ir até uma instituição financeira credenciada, munido da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e de um projeto técnico que justifique a necessidade do veículo para a atividade rural. ​

É fundamental consultar o Manual de Crédito Rural (MCR) e profissionais especializados para obter informações atualizadas e detalhadas sobre o processo de financiamento. ​

Como fazer financiamento de veículos para produtor rural pelo Pronaf?

Para fazer o financiamento de veículo pelo Pronaf, é preciso ir até uma instituição financeira credenciada pelo Banco Central do Brasil. Nela, será informada a documentação necessária.

Geralmente, é pedido, além do projeto técnico, a DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf). Ela é fornecida por agente credenciado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. É possível ainda iniciar a solicitação pelo Canal MPME.

No subprograma Mais Alimentos, os juros são de 6% para o financiamento de veículos, com limite individual de R$ 200 mil. O prazo de pagamento é de até 5 a 10 anos.

Outras fontes alternativas de financiamento para compra de veículos e maquinário agrícola é nas agfintechs.

Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Conclusão

Para muitos produtores rurais do Brasil, ainda é um sonho ter um veículo para utilizar na propriedade rural. Afinal, ele auxilia muito nas atividades do campo.

Outros estão em busca de trocar o antigo por um novo, mas às vezes esbarram em formas de financiamento, valores, juros, prazos de pagamento e modelos disponíveis.

Por isso, ficar por dentro das possibilidades e das alternativas é essencial. Assim, você saberá qual a melhor opção para a realidade da sua lavoura.

>> Leia mais:

Proagro: o que é e quais as regras do programa de garantia da atividade agropecuária

Pronamp: o que é e como conseguir investimento

Conheça os 6 títulos de crédito do agronegócio e suas finalidades

Pensando em pedir financiamento de veículo para produtor rural? Tem alguma dúvida sobre esse assunto? Deixe seu comentário abaixo!

Todas informações sobre mancha aureolada do cafeeiro

Mancha aureolada: o que é, como identificar, quais sintomas, métodos de controle, diferença entre cercosporiose e phoma e mais. 

A mancha aureolada é uma das principais doenças do café. Ela vem causando grandes prejuízos nos cafezais do Paraná, São Paulo e em Minas Gerais.

Para se ter um bom controle dessa doença, é importante conhecer suas causas, clima e época favoráveis, danos causados e saber como identificar.

Neste artigo, saiba quais são os sintomas causados pela mancha aureolada na lavoura de café, como diferenciá-la de outras doenças e principais métodos de controle. Boa leitura!

O que é e como identificar a mancha aureolada no café?

A mancha aureolada é uma doença bacteriana, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae. Ela afeta folhas, ramos, flores e frutos do cafezal.

Identificar a mancha aureolada nas folhas de café é possível através das manchas marrons envoltas de um halo amarelado, de tamanho e formato irregulares. É dessa característica que vem o nome da doença. Depois, a mancha marrom pode necrosar, ocasionando ruptura.

Esses sinais podem ocorrer em toda parte da folha, mas geralmente aparecem na periferia. E vale ressaltar que em mudas, inicialmente, pode não haver a presença do halo.

Neste caso, a identificação nas folhas é possível ao observar manchas translúcidas quando colocadas contra a luz. Com o desenvolvimento do patógeno, as manchas ficam como descrito nas folhas mais velhas.

Nos ramos afetados pela bactéria, as lesões são escuras. Isso causa a seca deles, que progridem da ponta para base, gerando queda foliar. As flores do café e os frutos também são afetados quando ocorre a entrada do patógeno nos ramos produtivos.

Fotos de folhas de café com mancha aureolada
Sintomas da mancha aureolada em: A e B- ramos e folhas; C- frutos de café 
(Fonte: Embrapa)

Como diferenciar mancha aureolada de outras doenças 

Alguns sintomas da mancha aureolada da plantação de café podem ser confundidos com outras doenças frequentes, como a cercosporiose e a phoma.

Saber diferenciar os sintomas é importante para que o controle correto seja realizado com maior precisão e rapidez. Assim, você evita a contaminação de mais plantas na lavoura.

Veja a seguir como diferenciar os sintomas para ter maior assertividade no combate à doença.

Cercospora x mancha aureolada

A cercosporiose é uma doença conhecida também como mancha de olho pardo. Ela é  causada pelo fungo Cercospora coffeicola

Para diferenciar os sintomas causados pela mancha aureolada e cercosporiose, é importante se atentar aos ramos e ao aspecto da mancha nas folhas.

A mancha aureolada atinge os ramos, causando seca. Esse é um grande fator para diferenciar essas duas doenças, pois a cercosporiose atinge principalmente folhas e frutos.

A maior causa de confusão entre estas duas doenças é por ambas apresentarem um halo amarelado circundando as manchas nas folhas. O que diferencia as duas é que a mancha de olho pardo é marrom-escura, e o centro da lesão é cinza-claro.

Foto de folhas de café com a doença do olho pardo
Sintomas de cercosporiose em folhas de café 
(Fonte: Embrapa)

Mancha aureolada x phoma

A mancha-de-phoma é uma doença causada pelo fungo Phoma sp. O sintoma que se assemelha ao da mancha aureolada do cafeeiro é o ataque do patógeno nos ramos do café.

Os ramos atacados pela mancha aureolada secam em grande extensão ou completamente. Isso acontece pelo patógeno atingir a parte lenhosa, que progride até a base.

Na mancha-de-phoma, também ocorre ataque da ponta para a base dos ramos. Entretanto, a seca é menor e há menos agressividade. Apenas com o desenvolvimento da doença, sem o devido controle, o ramo pode secar totalmente.

O que diferencia a mancha-de-phoma da mancha aureolada é principalmente o sintoma nas folhas. O ataque do fungo que causa a phoma ocorre com maior intensidade nas folhas mais novas, ou seja, nas folhas da ponta dos ramos.

As manchas de phoma aparecem na borda do limbo foliar, com coloração escura. Com a progressão da doença, há necrose e deformação nas folhas.

Folhas de café com sintomas de phoma
Sintomas de phoma em folhas e ramos de cafeeiro 
(Fonte: Embrapa)

Condições favoráveis para desenvolvimento da doença

Para que uma doença se instale na lavoura, é preciso haver três fatores: ambiente favorável, presença do patógeno e planta suscetível. Saber destes fatores é importante para:

  • determinar quais são as portas de entrada da doença;
  • como evitá-las;
  • as condições ambientais em que o patógeno vive;
  • quais as fases mais críticas da lavoura para ocorrência da doença.

Para a mancha aureolada do cafeeiro, o triângulo da doença é o seguinte:

Patógeno

Pseudomonas syringae pv. garcae, bactéria causadora da mancha aureolada, entra nas áreas produtoras de café principalmente por meio de mudas contaminadas. A infecção do cafezal também pode acontecer por material contaminado com esta bactéria.

Ambiente favorável

As condições ideais para o desenvolvimento da bactéria ocorrem em temperaturas mais amenas, entre 18 °C e 23 °C.

Locais com alta umidade relativa do ar e alta pluviosidade também são favoráveis para a bactéria causadora da doença. Essas condições ocorrem especialmente em locais com altitude acima de 1000 m.

Nesses locais, também há mais ocorrência de ventos fortes e ar frio, que causam danos nas plantas de cafeeiro. 

Hospedeiro

As plantas de café estão suscetíveis à doença entre a fase de mudas até os 4 anos. Após as podas dos ramos e colheitas, ataque de pragas, ventos fortes e granizo deixam as plantas suscetíveis.

Nesses momentos, ocorrem ferimentos nas plantas. Esses ferimentos são portas de entrada para a bactéria.  É importante também fazer uma boa adubação do café, sem excesso e falta de nitrogênio e fósforo.

Para te ajudar nessa etapa, separamos uma planilha grátis para adubação do cafezal. Basta clicar na imagem abaixo para acessar o material:

banner-adubacao-cafe

Danos causados pela mancha aureolada no café

Pelos sintomas causados pela doença, é possível afirmar que ocorre queda da produtividade do café, seja direta ou indiretamente. Ainda, há redução da área fotossintética, diminuindo a produção de energia. Com a progressão da doença, as folhas do café caem.

O mesmo ocorre quando o patógeno afeta os ramos, causando queda das folhas. Esses sintomas causam redução da produção de forma indireta, porque a falta de energia reduz os componentes importantes para a produção e crescimento da planta.

Além dos danos indiretos, há os danos diretos. Com a seca dos ramos na fase de produção, a bactéria interfere no desenvolvimento das flores e causa queda dos frutos, sobretudo dos frutos chumbinhos.

Estes danos ocorrem em lavouras de mais novas (com até 4 anos), em cafezais mais velhos, após a poda dos ramos, após a colheita do café, e, principalmente.

Em viveiros de mudas, os danos podem ser de 100%. Afinal, as mudas apresentam tecidos mais jovens que são facilmente colonizados pela bactéria.

Imagem de viveiro de café com sintomas de mancha aureolada
Viveiro de mudas de café com presença de mancha aureolada 
(Fonte: CafePoint)

Mancha aureolada: controle da doença no cafezal

A principal forma de combate da mancha aureolada em café é evitar a entrada da bactéria causadora da doença. Doenças causadas por bactérias são de difícil combate, por isso o principal controle é o preventivo.

Como as mudas são as principais formas de entrada em áreas produtoras de café, é importante obter mudas de viveiros idôneos, que não tem a presença da bactéria.

A principal recomendação para produção de mudas livres da mancha aureolada é evitar o desenvolvimento do patógeno no viveiro. Para isso, evite as condições favoráveis, como alta umidade dentro do local.

Ainda, é importante proteger o viveiro de ventos e granizos. Isso evita que ocorram ferimentos nas mudas.

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Havendo constatação de mudas contaminadas, elas devem ser retiradas do viveiro e destruídas. Além disso, é necessário aplicar fungicidas cúpricos a cada 15 dias, e/ou antibióticos como casugamicina, que é um bactericida e fungicida.

Estes produtos são bastante utilizados como preventivos, tanto em viveiros de mudas como em áreas de plantas de até 4 anos. Também são utilizados em plantas adultas, após podas ou antes da colheita.

A principal forma de entrada da bactéria nas plantas de café é por meio de ferimentos. Por isso, é importante evitar o plantio em locais onde há ventos fortes que causam danos nas plantas.

Caso a lavoura de café seja instalada em locais com ventos fortes, utilize cultivares com portes menores. Ainda, faça barreiras de ventos ao redor da área com plantas de porte alto, como eucaliptos.

Após o transplante das mudas, use braquiária ou crotalária no espaçamento da plantação de café, nas entrelinhas.

Conclusão

Neste texto, você viu todos os danos que a mancha aureolada causam no cafeeiro. Você também viu que é importante identificar a doença e diferenciá-la da cercosporiose e da mancha-de-phoma.

Essa doença causa danos diretos e indiretos na produção de café, e por ser bacteriana, é de difícil controle. 

Por isso, faça o manejo preventivo e preste muita atenção no cafezal, sobretudo nas mudas e em plantas com ferimentos. Na dúvida, conte com a ajuda de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

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