Veja como identificar e resolver a deficiência nutricional do cafeeiro

Deficiência nutricional do cafeeiro: conheça os principais sintomas, qual nutriente é mais ou menos importante e muito mais!

O sucesso da plantação de café depende de vários fatores. 

Os nutrientes, por exemplo, são elementos importantes para atingir o potencial produtivo da planta. Suas deficiências podem limitar e prejudicar demais a produção.

Saber identificar a deficiência nutricional no cafeeiro e compensar os nutrientes faltantes é um dos principais passos para garantir sucesso na lavoura.

Neste artigo, saiba como manter um balanço nutricional no cafezal e identificar a deficiência dos principais nutrientes da cultura. Boa leitura!

O que é deficiência nutricional do café?

O café requer uma quantidade específica de nutrientes para completar o ciclo de vida. A deficiência de nutrientes essenciais para a cultura, como cobre, boro e zinco, por exemplo, pode causar vários sintomas. Folhas cloróticas, pequenas ou lanceoladas são alguns deles.

A deficiência nutricional pode ser definida como a situação em que a concentração de nutrientes nas células da planta é inferior aos níveis adequados. Esses níveis são específicos para cada cultura quanto para o estágio de desenvolvimento em que ela está.

Essa deficiência pode ter diferentes causas: 

  • baixa disponibilidade do nutriente no solo;
  • limitação de crescimento de raízes para captação de nutrientes;
  • problemas de pH no solo, que diminuem a absorção de nutrientes;
  • falta de água, que limita o transporte de nutrientes para a parte aérea, dentre outros.

Os nutrientes podem ser exigidos em maior ou menor quantidade pelas plantas, o que os classifica entre macro e micronutrientes. Os macronutrientes são requeridos em maior quantidade, enquanto que os micronutrientes são requeridos em menor quantidade.

Os macronutrientes podem ser primários, como nitrogênio, fósforo e potássio, e também podem ser secundários, como cálcio, magnésio e enxofre. Os micronutrientes, por sua vez, são: boro, cloro, cobalto, cobre, ferro, molibdênio, manganês, níquel e zinco.

Qual o nutriente mais importante para uma cultura?

Conforme a lei do mínimo, o nutriente que mais limita a produção de uma cultura é o que está em maior deficiência. Ele é calculado em porcentagem da sua necessidade.

Imagine que os nutrientes fossem ripas de um barril. A capacidade de armazenamento do barril seria regulada pela ripa mais baixa, ou seja, a mais deficiente.

Foto de barril cheio de grãos de milho, para simbolizar a deficiência nutricional
Representação da lei dos mínimos para produção vegetal
(Fonte: RuralMark)

Assim, é importante tomar cuidado para que o balanço e a oferta de todos os nutrientes estejam bem manejados no solo e na planta.

Porém, cada cultura tem alguns nutrientes que necessitam de um manejo mais cuidadoso por terem maior probabilidade de serem limitantes. Isso pode variar com os talhões da fazenda, o tipo de solo, as culturas anteriormente usadas no campo, a região do país, etc.

Para o cafeeiro, além dos seis macronutrientes, os cinco micronutrientes mais importantes são: ferro, boro, zinco, manganês e cobre. Eles são os mais requeridos pela cultura entre os demais citados anteriormente.

Principais sintomas de deficiência de nutrientes no cafezal

Os sintomas de deficiência muitas vezes são específicos para cada tipo de nutriente, mas alguns podem ser comuns. Os sintomas normalmente são relacionados ao papel do nutriente na planta e à sua mobilidade entre partes velhas e jovens da planta.

Por exemplo, a deficiência de nutrientes necessários para a formação da clorofila irá causar uma coloração verde menos intensa ou um amarelecimento das folhas. Isso é conhecido como clorose.

Da mesma forma, a deficiência de um nutriente necessário para a formação de parede celular na planta irá causar folhas pequenas e encarquilhadas.

Além disso, é importante notar que nutrientes que são mais móveis na planta são facilmente realocados para partes mais jovens. Isso causa sintomas de deficiência em folhas mais velhas

De outro modo, nutrientes que são pouco móveis na planta ficarão retidos em folhas velhas. Como consequência, seus sintomas serão mais observados em folhas novas

A deficiência de alguns nutrientes causa sintomas principalmente em folhas novas. São eles:

  • Cobre;
  • Boro;
  • Zinco;
  • Manganês;
  • Ferro;
  • Enxofre;
  • Cálcio.

Por outro lado, a deficiência de outros nutrientes causa sintomas nas folhas mais velhas do cafezal. Esses nutrientes são:

  • Magnésio;
  • Fósforo;
  • Potássio;
  • Nitrogênio.

Além de notar os sinais físicos de deficiência nutricional, a análise foliar de nutrientes também é uma ferramenta possível para identificar esse problema. Abaixo, listamos os principais sintomas de deficiência dos macro e micro nutrientes no cafeeiro.

Deficiência de nitrogênio

A adubação nitrogenada é uma das mais importantes na cultura do café. Afinal, o nitrogênio é o nutriente mais requerido pela cultura. 

Os principais sintomas desta deficiência são a clorose e amarelecimento de folhas velhas. Isso pode acontecer tanto no limbo quanto nas nervuras, que podem evoluir para necrose e queda de folhas.

Deficiência de fósforo

O fósforo nas plantas é um nutriente muito importante na fase de formação da lavoura e no crescimento de raízes. O principal sintoma da sua deficiência é a alteração de cor das folhas velhas, que passam de verde para tons de amarelo rosado, vermelho e arroxeado. 

As folhas também apresentam necrose em forma de “V”, que pode se estender por todo o tecido caso não haja desfolha.

Deficiência de potássio

O potássio é o segundo nutriente mais requerido na planta de café, principalmente em plantas em estágio adulto. 

O principal sintoma da deficiência de potássio no café é o amarelecimento da borda das folhas velhas, que evoluem para manchas marrons e negras e necroses. As folhas também podem ser facilmente retiradas do caule.

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Deficiência de cálcio

O cálcio é importante para o crescimento radicular do café, e por isso deve ser bem manejado na implantação da lavoura. 

A deficiência de cálcio no cafeeiro aparece através de folhas novas com amarelecimento característico do limbo foliar. No entanto, a coloração verde nas nervuras das folhas se mantém.

Deficiência de magnésio

O magnésio tem papel importante no acúmulo de biomassa da planta e no crescimento em altura das plantas. 

A deficiência de magnésio no café causa amarelecimento entre as nervuras em folhas velhas e próximas aos frutos que evoluem para uma coloração parda. Ela também causa a queda prematura de folhas e plantas com baixo porte.

Deficiência de enxofre

O enxofre é um nutriente importante para a formação de proteínas e da clorofila. Sua ausência faz com que as folhas novas assumam uma coloração entre amarelo e verde muito claro.

Essa coloração se estende para as outras partes da planta. Além disso, há encurtamento dos internódios foliares, diminuindo a distância entre as folhas nos ramos.

Deficiência de ferro

O ferro é o micronutriente mais absorvido pelas plantas de café. 

Os sintomas da deficiência de ferro no cafeeiro são o amarelecimento do limbo foliar em folhas novas e a presença de um reticulado verde e bastante fino nas nervuras.

Deficiência de boro

O boro é um dos micronutrientes que mais limita a produção do cafeeiro. A deficiência desse nutriente causa folhas novas pequenas e retorcidas e com bordos recortados. 

Ainda, há a perda da gema apical e superbrotamento de folhas e ramos, dando a caraterística de “leque”. O encurtamento de internódios também pode acontecer.

Deficiência de zinco

O zinco é outro micronutriente que pode causar grandes perdas de produção. A deficiência de zinco faz com que as folhas em formação se tornem retorcidas, estreitas e de aspecto coriáceo e quebradiça.

A coloração fica amarela entre as nervuras, e podem aparecer saliências no limbo foliar.

Deficiência de manganês

O manganês é o segundo micronutriente mais acumulado no cafeeiro, após o ferro. Sua ausência causa coloração verde-claro e pontuações amarelas próximas às nervuras da folha.

Deficiência de cobre

A deficiência de cobre nas plantas de café não é tão comum de ser vista. Normalmente, esse nutriente é indiretamente fornecido à lavoura por meio de fungicidas cúpricos.

Porém, seus sintomas são bastante característicos, como perda de coloração das folhas novas e proeminência das nervuras secundárias, o que causa deformidade e curvatura.

Fotos de folhas de café com deficiência nutricional
Sintomas mais comuns de deficiência de nutrientes em cafeeiro
(Fonte: adaptação do autor)

Como corrigir a deficiência nutricional do cafeeiro

A melhor estratégia para a adubação do cafeeiro depende de alguns fatores. No início da safra, é feita baseada normalmente em análises de solo. Posteriormente, visando à produção, são feitas baseadas em diagnóstico visual de sintomas das plantas de café e análise foliar

Essas análises garantem que você saiba exatamente qual nutriente está em falta e o quanto você deve repor de cada um. Afinal, vale lembrar que a overfert (fertilização em excesso) pode causar tantos danos quanto a falta de nutrientes.

A adubação é diferente para uma situação de implantação de lavoura ou de lavoura já implantada. Por exemplo, na implantação, nutrientes como fósforo e cálcio necessitam atenção especial.

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Outro fator que altera a definição da quantidade de nutrientes a ser fornecido é a estimativa de produção com relação à bienalidade do cafeeiro. Isso principalmente com relação aos macronutrientes primários.

Normalmente, a calagem irá fornecer o cálcio e magnésio para o cafeeiro. 

Já os fertilizantes NPK devem ser administrados como adubo formulado, de acordo com a produção esperada. Uma relação comum entre eles é de 6:1:6. 

O enxofre deve ser considerado principalmente de acordo com a interpretação da análise de solo, ou em uma proporção da quantidade de nitrogênio recomendado.

Quanto aos micronutrientes, normalmente ferro e manganês são presentes em quantidades suficientes no solo para a necessidade do cafeeiro. 

O boro pode ser fornecido via solo por meio de ácido bórico, enquanto o zinco e cobre são aplicados por via foliar. Para o cobre, o uso de fungicidas cúpricos pode ser suficiente para o suprimento do nutriente.

Conclusão

A nutrição é um dos pontos mais facilmente controláveis que definem a produção. Entender e mapear os nutrientes das plantas de café pode aumentar a produção e evitar perdas.

O uso de análises de solo e foliar é fundamental, principalmente para evitar a fertilização em excesso.

Um cálculo cuidadoso da adubação e a verificação do aparecimento de sintomas de deficiência de nutrientes são práticas que devem ser adotadas constantemente. 

Com essas práticas, você garante um cafezal regulado e produtivo.

>> Leia mais:

“Deficiência de fósforo no milho: como identificar e resolver?”

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Moderfrota: o que é e como conseguir crédito para máquinas agrícolas

Moderfrota: saiba o que é, quais os recursos disponíveis, como obter financiamento, alternativas ao programa e mais!

Um dos programas mais concorridos do Plano Safra, o Moderfrota é essencial para renovar ou adquirir a frota de máquinas e implementos.

Afinal, a compra de tratores agrícolas, implementos e outras máquinas exige altos investimentos. Por isso, você deve se programar com antecedência para enviar o seu projeto a uma instituição financeira.

É necessário agir assim que os recursos do Plano Safra forem disponibilizados.

Neste artigo, veja quais são os juros, prazos, carência e volume de recursos, além do que precisa ser feito para conseguir o seu financiamento. Confira!

O que é o Moderfrota?

O Moderfrota é um programa de crédito rural voltado para financiar a aquisição isolada de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas. Dentre eles, estão:

Os recursos do Moderfrota podem ser acessados por produtores rurais e cooperativas agrícolas cuja receita operacional bruta/renda anual seja de até R$ 45 milhões.

No Plano Safra, o Moderfrota está entre os recursos destinados a investimentos. O montante em 2022 foi de R$ 94,6 bilhões, aumento de 29% em relação ao plano anterior. O Plano Safra 2022/2023 teve quase R$ 341 bilhões de recursos disponibilizados.

Desse total, R$ 246,28 bilhões são destinados para custeio agrícola e comercialização.

O Moderfrota foi criado pelo Banco Central do Brasil, por meio da Resolução 2.699, de 24 de fevereiro de 2000. Ele é financiado por recursos BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Finame rural (Agência de Financiamento Industrial).  

Recursos do Moderfrota no Plano Safra 2022/23

O Moderfrota, no Plano Safra de 2022/23, teve disponibilizados R$ 10,16 bilhões. Os juros são de 12,5% ao ano e carência de 14 meses.

O prazo de pagamento é de 7 anos, e pode ser feito em parcelas semestrais ou anuais. Isso é feito de acordo com o fluxo de receitas da propriedade beneficiada.

Para que isso seja possível, a data base deve ser sempre o dia 15. Ainda, a primeira parcela deve ocorrer em até 14 meses após a contratação.

Há uma tarifa de contratação de 0,5% do valor financiado. Esse valor pode ser equivalente a  até 85% do valor dos bens objeto de financiamento. O seguro rural é obrigatório para os bens objeto de financiamento, e o prêmio do seguro não é passível de financiamento.

Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Financiamento de máquinas e equipamentos usados e novos pelo Moderfrota (Governo Federal)

Através do Moderfrota, é possível financiar máquinas e equipamentos usados ou novos, a depender do que você desejar. Na lista de bens novos que podem ser financiados, estão:

  • tratores e implementos associados;
  • colheitadeiras e plataformas de corte;
  • equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café;
  • máquinas agrícolas para pulverização e adubação (autopropelidas).

Tratores e máquinas usados e revisados, com certificado de garantia emitido pelo concessionário autorizado, também podem ser financiados. São eles:

  • trator usado por até 8 anos;
  • colheitadeira usada por até 10 anos, isolada ou associada a suas plataformas de corte;
  • máquina agrícola autopropelida para pulverização e adubação, plantadeira e semeadora usadas por até 5 anos.

O financiamento do Moderfrota pode ser feito em bancos oficiais ou privados, a exemplo do Banco do Brasil, Caixa, Santander, Banrisul e Bradesco

Como obter financiamento do Moderfrota? 

A obtenção de financiamento do Moderfrota no Plano Safra 2022/2023 ocorre através de quatro etapas que você deve seguir, conforme descrito abaixo:

  1. Buscar uma instituição financeira: aqui você saberá sua aptidão ao crédito e documentação necessária para o encaminhamento da proposta e garantias;
  2. Elaboração do projeto de crédito com especialista: consulte um especialista para elaboração de projeto técnico a ser apresentado ao banco para obter o financiamento;
  3. Apresentação da proposta: apresente a proposta com o projeto técnico à instituição financeira. O projeto precisa ser assinado por profissional habilitado;
  4. Liberação do financiamento e execução do projeto: o prazo para obtenção de financiamento pode durar de 10 a 30 dias ou mais. Após a liberação, você deve executá-lo conforme o projeto técnico.

Alternativas de financiamento de máquinas e equipamentos

O Moderfrota não é o único programa capaz de realizar o financiamento para a compra de máquinas e implementos agrícolas. Veja outras opções abaixo!

Inovagro

Um dos mais importantes meios de modernizar a sua fazenda é através do Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária). Os recursos destinados este ano para o Inovagro foram de R$ 3,51 bilhões.

Por meio dele, você pode aumentar as práticas de agricultura de precisão e digital em sua fazenda. Isso favorece a economia de custos, aumento da produtividade e redução do impacto ambiental.

Prodecoop

O Prodecoop (Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária) é voltado para o setor agroindustrial das cooperativas. Essas instituições podem usá-lo para financiar máquinas e equipamentos. 

Programa ABC

Voltado para a agricultura de emissão de baixo carbono, o Programa ABC pode ser usado para financiar a compra de máquinas e equipamentos agrícolas. Veículos terrestres, aéreos e aquáticos também podem ser financiados.

Mas o financiamento só ocorre dentro de um planejamento estratégico que procurem atender as diretrizes do Programa ABC. Os recursos no Plano Safra 2022/2023 foram de R$ 6,19 bilhões.

Moderagro

Com o Moderagro (Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais) é possível obter apoio para construção e ampliação de instalações para guardar máquinas e implementos agrícolas.

O Moderagro tem grande relevância para prolongar a vida útil dos equipamentos, ao protegê-los dos excessos climáticos quando não estiverem sendo utilizados. Confira abaixo os juros desses programas:

Juros por programa do Plano Safra
(Fonte: Mapa)

Conclusão

O financiamento de tratores agrícolas, implementos e outros maquinários vem ao longo dos anos sendo compartilhado entre o Governo Federal e as instituições privadas

As agfintechs, startups autorizadas a atuar com crédito rural, também fazem parte dessas instituições. Elas oferecem acesso ao crédito de custeio e outras linhas alternativas de forma mais desburocratizada e rápida.

Com isso, você tem diversas opções para modernizar ou renovar a sua frota de veículos e fazer com que haja maior rentabilidade em sua fazenda. Tudo isso, é claro, sem sacrificar o caixa do seu negócio rural.

>> Leia mais: “Proagro: saiba o que é e como utilizar o programa

Pensando em utilizar os recursos do Moderfrota ou de outras instituições para financiar máquinas e equipamentos? Tem alguma dúvida sobre o assunto? Adoraria ler seu comentário!

Cochonilha na lavoura: entenda tudo sobre esse inseto sugador

Cochonilha: entenda o que são, principais famílias, como identificar, quais culturas são afetadas e manejo mais recomendado para o controle!

Embora as cochonilhas sejam importantes na indústria farmacêutica e alimentícia, para a agricultura são ameaças e podem limitar a produção.

As cochonilhas são umas das principais pragas do café, da cana-do-açúcar, e das forrageiras. Elas podem causar até 100% de perdas, a depender da infestação.

Por isto, entender mais sobre este inseto é fundamental para realizar um manejo mais eficiente e evitar perdas.

Veja a seguir o que são as cochonilhas, como você pode identificá-las, quais culturas são mais afetadas, como manejar e acabar com elas. Boa leitura!

O que é cochonilha?

As cochonilhas são hemípteros (um grupo de insetos) pertencentes ao filo Arthropoda, classe Insecta e a ordem Hemiptera. Elas possuem entre 3mm e 5mm de comprimento, e possuem corpo de cor castanha ou amarela. Se alimentam principalmente através da seiva de cactos e plantas no geral.

Além da seiva de cactos, essas pragas também se alimentam de folhas, caules, rosetas, flores, frutos, e raízes das plantas. As cochonilhas pertencem à mesma ordem dos pulgões e cigarrinhas. Além disso, elas possuem aparelho bucal do tipo picador-sugador

Esse inseto possui uma série de tipos ou famílias. Cada um desses tipos possui características diferentes e causam diferentes tipos de danos às produtitvidade agrícola.

Tipos de cochonilha

As principais espécies dessa praga são a cochonilha branca, cochonilha de carapaça e cochonilha de raiz. Elas são divididas em oito famílias:

  • Asterolecaniidae: causam o aprofundamento e distorção dos tecidos;
  • Coccidae: possuem corpo achatado e recoberto por escamas. São conhecidas como cochonilhas de carapaça;
  • Dactylopiidae: são as espécies utilizadas na fabricação de corantes;
  • Diaspididae: possuem formatos diferentes das cochonilhas de carapaça e farinhentas, são geralmente brancas e com variações de cores;
  • Ortheziidae: possuem dois pares de patas que são visíveis, além da prolongação do corpo, a qual é utilizada pela cochonilha fêmea para proteção dos ovos;
  • Pseudococcidae: são as cochonilhas farinhentas, possuem cerdas distribuídas ao longo do corpo e produzem uma substância cotonosa sobre o corpo e sobre os tecidos das plantas;
  • Margarodidae: incluem as cochonilhas de raiz.
Fotos de cochonilhas ao lado de uma régua, onde é possível  ver o tamanho do inseto. Ao lado, uma foto das cochinilhas em raízes de planta.
Fases da pérola-da-terra (Eurhizococcus spp.), principal cochonilha da videira. (A) cisto amarelo; (B) cisto branco; (C) fêmea móvel. À direita, cochonilhas associadas às raízes da videira
(Fonte: Zart, 2012)

Como identificar essa praga

As cochonilhas podem ser encontradas em todas as partes das plantas. Elas ficam especialmente na face inferior das folhas jovens, mais velhas e caules. A presença é constatada a partir do formato do seu corpo e dos danos.

A cochonilha de carapaça tem formato oval, arredondado, comprido/estreito e em formato de vírgula. Enquanto isso, as cochonilhas sem carapaça possuem formato arredondado, oval.

Sua coloração pode variar de esbranquiçada, amarronzada, esverdeada, ligeiramente transparente, amarelada. Também podem conter combinações de cores e formatos bastante atípicos. Ainda,  os machos possuem asas.

Elas são relatadas em maiores infestações principalmente em períodos secos ou de estiagem. Portanto, nesses períodos, fique mais de olho na lavoura.

Fotos de várias fêmeas de cochonilhas
Fêmeas adultas de diferentes espécies de cochonilhas e sua aparência distinta.
(Fonte: Wolff, 2016)

Também é importante ficar de olho no ciclo de vida das cochonilhas. A duração varia conforme a função da espécie, do hospedeiro e das condições ambientais. Em temperaturas amenas, inferiores a 15°C, a reprodução pode ser paralisada.

Cada fêmea é capaz de depositar entre 50 e 600 ovos durante toda a sua vida. Além disso, essas pragas possuem três fases de ninfa em que se assemelham a aparência na fase adulta, distinguindo em coloração e tamanho.

O ciclo de vida pode variar de 60 até 150 dias. Em geral, ele dura 100 dias

Danos causados pelo inseto

Os danos causados pelas cochonilhas ocorrem de forma direta e indireta. Os danos diretos acontecem através da sucção da seiva que seria utilizada no desenvolvimento de novos tecidos. Ela também é utilizada no enchimento de grãos e frutos

Os danos indiretos, por sua vez, acontecem através da injeção de toxinas que debilitam as plantas. Quanto maior for o ataque ou população de cochonilhas, maior é o enfraquecimento de toda a planta. Elas podem causar a queda precoce de folhas, flores e frutos

Além disso, durante a alimentação, estes insetos costumam excretar uma substância açucarada, conhecida como honeydew. Por isso, é possível em muitos casos visualizar formigas doceiras na cultura, já que elas se alimentam dessa substância.

Além das formigas, os fungos do gênero Capnodium spp. (ou fumagina) são favorecidos pelo honeydew liberado pela praga. A fumagina tem coloração escura e recobre as folhas, reduzindo a fotossíntese e a respiração da planta. 

Foto de folha com fumagina, causada pelas cochonilhas.
Aspecto visual do fungo causador da fumagina (Capnodium spp.), recobrindo folhas de cafeeiro e reduzindo a fotossíntese e a respiração da planta, afetando assim a produção da cultura
(Fonte: Costa, 2009)

No café, as cochonilhas causam danos mais severos. Dentre as principais cochonilhas consideradas pragas na cultura estão: a cochonilha branca farinhenta, a cochonilha que ataca as raízes e a cochonilha verde.

Foto de cochonilhas na terra, entre raízes de plantas.
Dysmicoccus spp. atacando raízes
(Fonte: Da silva, 2016)

Estas espécies são problemáticas, pois podem se manter nos campos, sobrevivendo e se reproduzindo em plantas daninhas do café. Alguns exemplos são caruru, capim-rabo-de-burro e tiririca.

Como acabar com a cochonilha?

Algumas medidas podem ser tomadas, como o monitoramento constante das áreas de produção, incluindo raízes. Isso deve ser feito quando as plantas apresentarem sintomas como desenvolvimento reduzido, murcha e amarelecimento.

Além disso, evitar o uso de inseticidas de amplo espectro também é uma boa estratégia para eliminar as cochonilhas. Isso acontece porque estes produtos atuam contra os inimigos naturais.

O uso do controle químico pode provocar a alteração no metabolismo da planta. Como  consequência, esse desequilíbrio faz com que a resistência da planta seja perdida.

Por fim, uma adubação equilibrada, luminosidade e disponibilidade de água são essenciais para desfavorecer as cochonilhas.

As cochonilhas podem ser disseminadas principalmente pelo vento, máquinas, solo, mudas contaminadas e por formigas. Por isso, verificar todos esses aspectos que entram em contato com a cultura é fundamental.

A depender do local de ataque, algumas táticas de manejo podem ser mais eficientes. No caso de infestações em raízes, por exemplo, o controle biológico associado ao manejo a longo prazo pode ser a alternativa mais eficaz.

Controle cultural

O monitoramento constante das áreas de produção, incluindo plantas daninhas hospedeiras, é essencial. As cochonilhas utilizam estas espécies para se reproduzir e, em seguida, migram para a cultura principal.

Ainda, a inspeção em caso de plantios de mudas deve ser rigorosa. Recuse lotes que apresentem infestação dessa praga.

Controle químico

O controle de cochonilhas de carapaça exige a utilização conjunta de produtos oleosos. Afinal, a constituição do corpo da praga é de camadas sobrepostas de cera.

Para controle da cochonilha-da-raiz, os inseticidas granulados são eficientes, principalmente em detecções de infestações em reboleiras e de forma precoce.

Lembre-se de seguir as recomendações do fabricante sobre como aplicar o produto, intervalo entre aplicações, condições ambientais e intervalo de segurança.

Os produtos utilizados devem ser recomendados por um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a), após a avaliação da cultura e histórico da área de cultivo e podem ser consultados no Agrofit.

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Controle alternativo

Para espécies da cochonilha branca, a calda sulfocálcica em concentração 25% é uma alternativa no controle em cultivos de café. 

A calda de fumo, por sua vez, possui eficiência de 60% para as espécies de Planococcus spp. É necessário intervalo de segurança para consumo seguro. 

Por fim, óleo de neem e óleo mineral, em concentração de 3%, ocasiona 100% de mortalidade para a espécie Planococcus citri.

Controle biológico 

Os nematoides entomopatogênicos são os principais utilizados para infestações causadas pela cochonilha-da-raiz-do-cafeeiro.

Por outro lado, os fungos entomopatogênicos, como o  Beauveria bassiana, são relatados como eficiente no controle das cochonilha-da-roseta em cultivos de café conilon.

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Conclusão

Inúmeras espécies de cochonilhas podem ocorrer em diversas culturas de interesse agrícola.

O monitoramento e identificação correta das espécies incidentes são indispensáveis para o planejamento das estratégias de controle mais adequadas.

O controle químico deve sempre ser planejado, evitando a eliminação de inimigos naturais às cochonilhas e a outros insetos com potencial para se tornarem pragas. Em casos de dúvidas, sempre busque orientação de profissionais.

E você, ficou com alguma dúvida sobre os tipos de cochonilhas e de como eliminá-las? Deixe um comentário abaixo!