Conheça cada estádio fenológico da soja em dias e seus manejos

Estádio fenológico da soja: veja a importância de saber esses detalhes, características e manejos realizados em cada um deles.

Você provavelmente conhece todas as principais pragas da soja, doenças, tipo de solo, histórico climático e plantas daninhas da sua área. E a fenologia da sua cultura

Para fazer um manejo eficaz, você deve saber controlar os patógenos nas fases mais críticas da lavoura. Além disso, deve acertar o momento de aplicação dos produtos.

Saber quais são os estádios fenológicos das plantas de soja te ajuda a fazer um manejo mais assertivo, além de economizar com produtos.

Neste artigo, conheça todos os estádios, o que caracteriza cada um e os principais manejos a serem feitos. Boa leitura!

O que são estádios fenológicos da soja?

Estádio fenológico é o estudo das fases de crescimento de cada cultura. Isso é feito observando as principais mudanças fisiológicas, químicas e físicas das plantas. O estádio fenológico passa por diversas etapas, como:

  • fase vegetativa;
  • germinação;
  • emergência;
  • desenvolvimento da parte aérea e radicular;
  • desenvolvimento da parte reprodutiva;
  • formação de flores, vagens e grãos;
  • maturação dos grãos.

Como a duração de cada fase das plantas é influenciada pelo clima, época de semeadura e cultivar, saber os estádios fenológicos ajuda a padronizar cada ocorrência. Afinal, ele não é baseado apenas em quantidade de dias, como também no aspecto visual da planta. 

Como determinar os estádios fenológicos da soja

Para saber o estádio fenológico da cultura da soja, conhecer e observar a cultura é fundamental. É possível dividir os estádios fenológicos da maioria das culturas em dois: vegetativo e reprodutivo.

Como o próprio nome diz, nos estádios vegetativos a planta está se desenvolvendo, crescendo e produzindo folhas. Nos estádios reprodutivos, as plantas já utilizam sua energia para formação de flores, vagens e grãos.

É importante comentar que algumas cultivares continuam a produzir novas folhas mesmo após a entrada do estádio reprodutivo. Este tipo de cultivar é chamado de crescimento indeterminado.

Cultivares com crescimento determinado são aquelas que, após o início do florescimento, formam mais novas folhas.

Estádios vegetativos da cultura da soja

Os estádios vegetativos começam pela letra V, e a segunda letra muda de acordo com o avanço da planta. O estádio vegetativo da soja começa com a sigla VE e termina com a sigla VN.

Essa definição da quantidade de folhas abertas não é definida numericamente. Afinal, ela depende da cultivar utilizada, e algumas podem apresentar mais folhas que as outras.

Neste estádio é importante saber o que é considerado uma folha totalmente desenvolvida. Assim, você evita errar no momento da classificação.

Observe se os bordos dos folíolos da folha do nó imediatamente acima da planta não se tocam mais. Assim sendo, é considerado que a folha do nó abaixo está totalmente desenvolvida. Observe na figura abaixo:

Bordas dos folíolos não se tocam mais 
(Fonte: Embrapa)

Sabendo definir o que é uma folha totalmente desenvolvida, vamos definir os estádios.

VE

O estádio vegetativo da soja se inicia em VE, que é o momento de emergência da plântula. Ele começa com a emergência dos cotilédones acima do solo, formando um ângulo de 90° ou mais.

A duração dessa fase pode variar devido a temperatura. Em condições normais, dura entre 4 e 7 dias. Em clima frio, a emergência das plantas pode atrasar, havendo prolongamento dessa etapa.

Nesta fase, é o momento de ver a eficácia do tratamento de sementes. Ele deve ser feito com base nas principais pragas de solo da sua área.

Fique de olho no ataque de pragas como a lagarta-elasmo, lagarta-rosca, coró e percevejo-castanho. Elas podem prejudicar os cotilédones. Nesse estádio, eles transferem nutrientes para as plantas até a formação das folhas verdadeiras.

VC

O estádio VC é o cotiledonar, onde os cotilédones estão totalmente abertos. Isso ocorre quando as bordas das folhas unifolioladas não se tocam.

Esta fase dura entre 3 e 10 dias. Ela começa com a formação de colônias das bactérias fixadoras de nitrogênio, para formação de nódulos.

Estádio vegetativo VC, com destaque para as folhas unifolioladas não se tocando
(Fonte: Embrapa)

Assim como no estádio anterior, pragas de solo também causam danos. Entretanto, outras pragas como lagarta-da-soja e a falsa-medideira podem persistir ou aparecer até o final do ciclo da cultura.

Fungos e bactérias de solo que causam tombamento da soja são umas das principais preocupações. Estes fungos e bactérias podem afetar dos estádios VC até V2. Eles causam morte das plantas e consequente redução dos estandes. Por isso, há queda de produção.

Os que mais causam danos são:

  • Botrytis;
  • Cercospora;
  • Colletotrichum;
  • Fusarium;
  • Phoma;
  • Phytophtora;
  • Pythium;
  • Rhizoctonia;
  • Pseudomonas;
  • Xanthomonas.
Plântulas com sintomas típicos (lesões deprimidas marrom-avermelhadas no hipocótilo tombamento de pós-emergência) com ataque de Rhizoctonia solani
(Fonte: Augusto César Pereira Goulart em Research gate)

V1

É estádio quando o primeiro nó foliar se forma na planta. Somente nele as folhas são unifolioladas e opostas nas plantas. O início deste estágio é definido quando os bordos dos folíolos da primeira folha trifoliolada não estiverem mais se tocando.

Algumas doenças foliares podem começar a aparecer neste estádio fenológico da soja, e podem se prolongar até os estádios reprodutivos. Os principais exemplos são:

Desde este momento até o final do ciclo da soja, fique de olho também na ferrugem asiática da soja. O controle da doença deve ser feito para evitar grandes perdas de produção.

V2

O estádio V2 acontece quando o segundo nó foliar é formado e o primeiro trifólio está completamente desenvolvido. Para caracterizar o completo desenvolvimento, deve ser possível observar as bordas do segundo trifólio não se tocando mais.

Os nódulos se tornam visíveis nas raízes das plantas e começam a suprir as plantas com nitrogênio. Os cotilédones começam a ficar amarelados e caem entre V2 e V4.

Isso acontece devido ao início da autonomia das plantas em suprir as necessidades nutricionais pelo desenvolvimento foliar e radicular. Neste estádio, podem aparecer plantas daninhas da soja que competem por água, luz e espaço com as plantas novas.

V3 – V4

O estádio acontece com o terceiro nó foliar e segunda folha trifoliolada (V3), e com o quarto nó foliar e terceira folha trifoliolada (V4).

Nestes estádios fenológicos, principalmente em V4, ocorre maior acúmulo de matéria seca e nutrientes na parte aérea.

Como a fixação está com início de desenvolvimento entre V2 e V4, uma estratégia de manejo é a aplicação foliar de cobalto e molibdênio. Eles ajudam na fixação biológica, desfavorecendo o desenvolvimento das bactérias.

Verificando a presença de plantas daninhas em quantidade prejudicial, é o momento de fazer controle pós emergente. Faça isso antes que ocorra fechamento de linhas. 

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V5 – V6

Até V5 e V6, a duração para formação de um novo trifólio dura de 5 a 6 dias. Isso acontece porque parte da energia é utilizada também para a formação das raízes. Após este período, a duração para formação das folhas entre 3 a 4 dias, em condições ideais.  

Em V5 e V6, alguns produtores já têm utilizado como estratégia de manejo a primeira aplicação de fungicidas. Isso ajuda a manter a saúde das folhas.

Nestes estádios, pragas desfolhadoras e fungos que atacam as folhas são prejudiciais pois reduzem a área foliar. Como consequência, diminuem a produção de fotossíntese, que gera energia para as plantas. 

Se o controle for tardio, essas pragas e fungos poderão comprometer parte da produção.

VN

Com o desenvolvimento foliar ocorrendo, são definidos os estádios V7, V8, V9 e assim por diante, conforme descrito nos estádios anteriores. O estádio vegetativo da soja irá cessar após a primeira flor surgir, iniciando o início dos estádios reprodutivos.

Estádios reprodutivos da cultura da soja

Os estádios reprodutivos são representados pela letra R. Conhecê-lo bem ajuda a identificar o estádio fenológico de colheita de soja, por exemplo.

Diferente do estádio vegetativo, que varia conforme a cultivar e clima, o reprodutivo vai de R1 a R8, independente de outras variáveis. De modo geral, são 4 fases dentro do estádio reprodutivo da soja: 

  • R1 e R2: florescimento;
  • R3 e R4: formação de vagens;
  • R5 e R6: desenvolvimento dos grãos;
  • R7 e R8: maturação da planta.

R1

O primeiro estádio reprodutivo inicia com a floração. Ela ocorre com o aparecimento da primeira flor aberta na em qualquer nó presente na haste principal da planta.

R2

Em R2, a planta está em pleno florescimento. A abertura das flores na haste principal pode ocorrer simultaneamente com a fase R1 ou um dia após. Isso acontece em caso de plantas com hábito de crescimento determinado, onde a floração ocorre sincronizada.

Caso as plantas tenham hábito de crescimento indeterminado da abertura da primeira flor, pode levar entre 2 e 7 dias dependendo das condições climáticas.

Neste momento, a manutenção das flores na haste é a principal preocupação. Portanto, insetos e fungos que possam causar queda das flores devem ser controlados com uso de inseticidas e fungicidas.

Sempre faça o monitoramento da lavoura, verificando a quantidade de insetos e folhas atacadas com doenças. Assim, faça o controle no momento adequado.

É entre R1 e R2, são coletadas as folhas para realizar a análise foliar. Nesse período, ocorre maior atividade das bactérias fixadoras de nitrogênio, que se mantém alta até R6, onde atingem seu pico.

R3

O estádio R3 é caracterizado pela formação das vagens com tamanho de 5mm, em um dos últimos quatro nós da haste principal. Estresses ambientais neste período, como seca e excesso de chuvas, são prejudiciais. 

Afinal, esses fatores podem causar queda ou abortamento das flores. Se isso acontecer, a produção fica comprometida, porque o número de sementes por vagem é uma característica genética da cultivar.

Assim como estresses, deste estádio para frente, ataque de pragas e doenças devem ser monitoradas cuidadosamente. Eles afetam o desenvolvimento das vagens. Fique de olho nos seguintes: 

R4

Em R4, há a presença de uma vagem com no mínimo 2 cm localizada em um dos últimos quatro nós da haste principal. Além disso, há formação de vagens denominadas canivete.

Ainda, há início do acúmulo de matéria seca pelas vagens, que vai até a fase final do estádio fenológico R5.

R5

Nesse estádio, doenças principais de final de ciclo tem seu início e devem ser monitoradas. Além das citadas acima, fique de olho também no crestamento de cercospora e mancha-parda.

O início do enchimento de grãos ocorre em R5. Ele é subdividido em 5 fases, que correspondem a:

  • R5.1: Cerca de 10% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.2: Cerca de 11% a 25% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.3: Os grãos em R3 já possuem de 26% a 50% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.
  • R5.4: Vagem em um dos quatro últimos nós da haste principal, com granação de 51% a 75%, caracteriza a fase R5.4.
  • R5.5: De 75% a 110% de granação em um dos quatro últimos nós da haste principal.

Durante todo o estádio fenológico R5, a atenção deve ser para insetos sugadores como os percevejos. Se o ataque for no início do enchimento, os grãos não se formam. Se for nas etapas finais, há redução de tamanho e peso dos grãos.

R6

Esse estádio corresponde ao pleno desenvolvimento dos grãos, ocupando toda a cavidade da vagem. Se ocorrer seca durante R5 e R6, os grãos ficam pouco desenvolvidos. Se ocorrer geada ou granizo, as plantas reduzem sua produção.

A fixação biológica desacelera rapidamente após o enchimento de grãos, e ocorre o início do amarelamento das folhas.

Da floração até este estádio fenológico, leva entre 25 e 35 dias para acumular matéria seca e nutrientes.

R7

Em R7, começa o desligamento dos grãos da planta mãe, pois eles já atingiram o máximo peso da matéria seca. Neste momento, os grãos começam a mudar de coloração para amarelo, porém com alto teor de umidade.

Este estádio fenológico é observado quando uma vagem na haste principal assume a coloração de madura.

R8 – como identificar o estádio fenológico de colheita da soja

É o estádio da maturação plena, onde 95% das vagens já se encontram maduras. A colheita pode ser realizada entre 5 e 10 dias se as condições climáticas forem favoráveis, sem chuvas. Assim, o teor de umidade fica entre 15% e 13%, ideal para colheita.

Os cuidados neste momento são em relação a maquinário, como na regulagem da colhedora e velocidade de colheita.

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Conclusão

Os estádios vegetativos e reprodutivos da cultura da soja precisam ser muito bem conhecidos por você, que produz o grão. Esse conhecimento é fundamental para garantir um bom manejo. 

Além disso, em cada uma dessas etapas, há os principais manejos que devem ser realizados.

É importante estar sempre de olho em cada etapa, monitorando e observando o que ocorre em cada talhão. Afinal, uma doença ou praga que ocorre em um, pode não ocorrer no outro. Em casos de dúvidas, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

E aí? Restou alguma dúvida sobre cada estádio fenológico da soja? Adoraria ler seu comentário sobre!

ASG na agricultura: saiba como se beneficiar dessas práticas

ASG na agricultura: conheça o significado da sigla, quais são os pilares que devem ser implementados na fazenda e muito mais!

Com grandes avanços no Brasil, o ASG no agronegócio possibilita gerenciar de forma mais responsável a fazenda. Ele a torna cada vez mais sustentável sob todos os aspectos. 

As mudanças climáticas têm afetado a economia global e ameaçado a segurança alimentar. Por isso, ações de mitigação desses efeitos são cada vez mais cobradas pela sociedade. 

No agronegócio, há também uma cobrança para que sejam cada vez mais difundidas as práticas da empresa ASG.

Neste artigo, veja quais práticas já estão presentes no Brasil e como implementar cada um desses pilares na sua propriedade rural. Boa leitura!

O que é ASG no agronegócio?

O ASG na agricultura reúne um conjunto de ações e critérios de governança, sociais e ambientais para o desenvolvimento dos negócios. A sigla faz referência às palavras governança, social e ambiental, em inglês.

A sigla ASG já tem quase 20 anos, desde que apareceu pela primeira vez num relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2005. O relatório trazia recomendações do setor financeiro para uma melhor integração com questões ambientais, sociais e de governança.

As preocupações eram basicamente as mesmas de hoje: aquecimento global, desmatamento, fome, pobreza e mudanças climáticas. Foram traçadas diretrizes para uma maior consciência das práticas em uma empresa ASG.

Através dessas práticas, seria possível estender o poder de competição e longevidade das empresas. O ESG, ao ser praticado, buscava antecipar os riscos e a busca por soluções. Assim, o planejamento das empresas e governos foi aperfeiçoado cada vez mais.

Mas aconteceu desde lá o que ainda ocorre hoje: muita promessa e poucos avanços no que se refere ao cumprimento dos acordos estabelecidos.

Um dos principais acordos internacionais voltado para o cumprimento das metas foi o Acordo de Paris, em 2015, para limitar o aquecimento global a menos de 2°C até 2030.

À beira da COP27 (Conferência do Clima), o relatório da ONU mostra o pouco progresso das ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Eles são os causadores do aquecimento global.

O relatório aponta que os países não estão no caminho nem mesmo para cumprir as altamente insuficientes metas climáticas. Ele também fala em efeitos irreversíveis. Por isso, o ASG na agricultura precisa ser levado cada vez mais a sério por governos e empresas.

Empresa ASG: o que significa cada um dos pilares?

Os fatores ASG estão relacionados às práticas de preservação do meio ambiente, responsabilidade social e de boa governança. Veja abaixo os detalhes de cada um deles.

Fatores ambientais

O ASG ambiental é um dos fatores ambientais estão entre os mais cobrados pela sociedade e por investidores de grandes empresas quando se refere ao ASG.

Isso porque a preservação do meio ambiente é essencial para que seja possível prolongar a vida do ser humano na terra. Afinal, a natureza ajuda a sequestrar o carbono que favorece ao aumento do aquecimento global.

Não à toa, ações voltadas para intensificar o sequestro de carbono pela natureza estão entre as principais metas do Acordo de Paris. Na COP26, realizada na Escócia, finalizou a proposta para a criação de um mercado global de créditos de carbono.

Na finalização deste acordo, o Brasil teve grande protagonismo, já que teve sua proposta aprovada para a criação desse mercado.

Além disso, publicou o Decreto 11.075/2022, passo inicial para regulamentar o mercado nacional de créditos de carbono. Ele tem incentivado as fazendas sustentáveis por meio do aumento de recursos do Plano Safra para esta finalidade.

estação meteorológica na fazenda, um dos pilares da ASG na agricultura
Criar estações meteorológicas na fazenda é uma forma de tornar a lavoura mais sustentável
(Fonte: Blog da Aegro)

O ASG no agronegócio do Brasil é incentivado por meio do Plano ABC, que estimula a agricultura de emissão de baixo carbono. O plano tem uma linha de crédito chamada Programa ABC (agricultura de baixo carbono), que teve disponibilizado no Plano Safra R$ 6,19 bilhões.

Há ainda produções sustentáveis por meio de programas voltados para a agricultura regenerativa, agricultura orgânica, agrofloresta e agricultura biológica. Outras práticas de sustentabilidade ambiental no agronegócio já difundidas no país são:

Fatores sociais

As relações sociais no ASG na agricultura também ganham cada vez mais força, diante da constante valorização do ser humano. Seja ele um colaborador da empresa, integrante de comunidades que residem no entorno ou os próprios clientes.

A sociedade moderna é composta por pessoas diferentes em vários aspectos. Cada uma deseja ser respeitada pelo que é, desde que não prejudique o outro em sua prática.

Neste sentido, as práticas sociais em uma empresa, seja ela rural ou urbana, devem prezar pelo respeito à diversidade e oportunidade igual para todos. Isso tudo independente de gênero, cor, raça ou orientação sexual.

Outro ponto essencial é o respeito às leis trabalhistas e aos direitos dos colaboradores. Eles devem ser incentivados pela empresa a se desenvolverem cada vez mais profissionalmente. Isso serve para o bem dele próprio e da própria companhia. 

Ainda sobre os aspectos sociais, as empresas precisam praticar sempre o respeito aos direitos humanos, aprimorar a proteção de dados dos colaboradores e dos clientes.

Fatores de governança

As ações de sustentabilidade ambiental e de responsabilidade social não podem ser dissociadas da governança. Ela é responsável por estruturar todas as ações da empresa rural e fazê-las acontecer.

A governança deve cuidar para que todas as regras da empresa sejam voltadas para o ESG. Além disso, outras estratégias de atuação também devem ser executadas pelos colaboradores.

Da mesma forma, a governança deve dar todo o suporte necessário ao desenvolvimento de ações fora da empresa. Isso pode ser feito junto a comunidades do entorno e ações de preservação ambiental.

Na gestão da empresa rural, é necessário que a governança atue com a mitigação de riscos. Sejam eles relacionados aos mercados ou às mudanças climáticas.

Promover, junto aos colaboradores, o bem-estar no serviço também é fundamental. Assim, eles podem desenvolver melhor suas atividades e fazer a empresa crescer.

Deve ser feito o uso de tecnologias digitais que favoreçam a maior agilidade na execução dos serviços, na sustentabilidade ambiental e eficiência na gestão.

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Conclusão

As boas práticas relacionadas ao ASG, seja no agronegócio ou qualquer outro setor da economia, precisam se tornar cada vez mais realidade no dia a dia.

Elas práticas favorecem o melhor convívio, e ainda prolonga a existência humana na terra.

Mesmo que seja uma ação pequena, de alguma forma haverá um impacto positivo. Esse impacto, ao se juntar com outras ações positivas, vão fazer uma grande diferença na humanidade.

Você tem alguma dúvida sobre a implantação da ASG na agricultura? Quais práticas você já utiliza na sua empresa rural? Adoraria ler seu comentário!

Como livrar a lavoura da planta erva-de-passarinho

Erva-de-passarinho: saiba o que é, quais são as características, como ocorre a disseminação e como realizar o controle no cafeeiro.

As ervas-de-passarinho são um grupo das principais plantas daninhas encontradas em todo o mundo. A maioria das espécies está distribuída em regiões tropicais e subtropicais.

No Brasil, a maior diversidade da erva-de-passarinho está presente no Cerrado e na Amazônia. Essas plantas aparecem em áreas de floresta nativa e são fonte de alimento para as aves. 

Dependendo do contexto, elas são consideradas plantas daninhas. Afinal, se desenvolvem sobre espécies alimentícias de grande importância agronômica, como o café. 

Neste artigo, saiba como reconhecer essa planta daninha e quais as táticas de manejo mais eficazes. Boa leitura!

O que é erva-de-passarinho?

A erva-de-passarinho, também conhecida como visto, é uma planta trepadeira arbustiva, pertencente às famílias Loranthaceae e Santalaceae. Ela parasita árvores de grande porte e também culturas de grande interesse econômico, como o café. 

Essa planta daninha também é conhecida como:

  • passarinheira;
  • enxerto-de-passarinho;
  • tetipoteira;
  • visco;
  • visgo; 
  • esterco-de-jurema;
  • guirarepoti. 

Essas plantas crescem em galhos de espécies lenhosas. O nome erva-de-passarinho se deve ao fato de as sementes dessas plantas serem disseminadas por pássaros

As aves se alimentam dos frutos e liberam as sementes por regurgitação ou pelas fezes nos galhos das árvores. Ao cair sobre os troncos e galhos, as sementes se fixam através de uma substância viscosa e aderente. Ali elas germinam e a erva-de-passarinho se desenvolve.

Características da passarinheira

As plantas conhecidas por erva-de-passarinho parasitam uma ampla variedade de hospedeiros, como o café, citrus, umbu, goiaba, manga e também espécies madeireiras. 

Esse grupo de plantas também representa um grande problema para a arborização urbana. As ervas-de-passarinho são perenes e parcialmente parasitas. Elas realizam fotossíntese, mas dependem parcialmente de um hospedeiro para extrair água e nutrientes.

Uma característica desse grupo de plantas são as raízes sugadoras, também chamadas de haustórios. Elas penetram na planta hospedeira e estabelecem uma conexão com o xilema.

Dele, a erva-de-passarinho extrai a seiva bruta, substância composta por água e nutrientes.

erva de passarinho
Erva-de-passarinho parasitando tronco de árvore
(Fonte: Prefeitura Municipal de Curitiba, foto de Ricardo Almeida)

De modo geral, o caule das ervas-de-passarinho apresenta nós e entrenós bem definidos e os ramos são cilíndricos, comprimidos ou angulosos. As folhas são sempre verdes e a forma varia de acordo com a espécie

A inflorescência apresenta cores diversas e pode ser racemosa, terminal ou axilar, a depender da espécie da erva-de-passarinho. A polinização dessas plantas é feita por insetos, aves e pelo vento.

Os frutos têm cores variadas. Eles podem ser em formato de globos, ovais ou em formato de elipse. Confira abaixo as características de algumas espécies de ervas-de-passarinho. 

Foto de erva-de-passarinho em  árvores
Struthanthus vulgaris Mart. A – Hábito arbustivo na copa de álamo (Populus sp.); B – Detalhe de ramos e folhas; C – Flores; D – Frutos
(Fonte: Embrapa, 2005)

É comum que as ervas-de-passarinho sejam confundidas com algumas plantas epífitas. No entanto, é bom deixar claro que as espécies epífitas não causam danos diretos ao hospedeiro. 

Elas estabelecem uma relação de inquilinismo com a planta hospedeira. Isso quer dizer que as epífitas apenas utilizam o hospedeiro como apoio, sem retirar água e nutrientes. 

erva-de-passarinho em vários estágios de desenvolvimento
Struthanthus polyrhysus Mart. A – Hábito arbustivo na copa de tipuana (Tipuana tipu); B – Detalhe de ramos enovelados e folhas; C – Flores; D – Frutos
(Fonte: Embrapa, 2005)

Como controlar a erva-de-passarinho parasita?

As ervas-de-passarinho são bastante resistentes à erradicação. No cafeeiro, o controle se resume à poda dos troncos, galhos e ramos infestados por essas plantas. A poda deve ser feita abaixo da área parasitada.

No momento da poda das plantas de café, é importante ter bastante atenção. Qualquer parte restante das ervas-de-passarinho pode se recuperar e voltar a parasitar o cafeeiro.

O constante monitoramento da lavoura de café é fundamental para a identificação e o controle dessas plantas daninhas. Também é preciso monitorar as áreas próximas às lavouras para verificar a presença de ervas-de-passarinho parasitando outras espécies lenhosas.

O período de inverno é o mais indicado para a realização da poda de limpeza do cafeeiro. A poda para o controle das ervas-de-passarinho deve ser feita antes da frutificação. Isso reduz as fontes de sementes que poderiam ser disseminadas pelas aves e infestar o cafezal.

O trabalho de controle das ervas-de-passarinho é caro e leva bastante tempo para ser executado. É necessária muita mão de obra, o que eleva os custos de produção do café.

Infelizmente, ainda faltam estudos a respeito de outros métodos eficientes de controle das ervas-de-passarinho nas culturas agrícolas.

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Danos dessa planta daninha na cultura do café

À medida que a erva-de-passarinho se desenvolve sobre os galhos do cafeeiro, ela envolve e ocupa a copa da planta

Esse processo tem impacto direto na produção do grão de café. Isso ocorre pois a cobertura da copa reduz a fotossíntese, o que afeta o crescimento e a capacidade reprodutiva do cafeeiro.

Além disso, quando a erva-de-passarinho parasita a cultura, ela limita a quantidade de água e nutrientes para o café distribuídos para o restante da planta. A carência nutricional contribui para a redução do vigor das plantas.

Isso prejudica o crescimento, a produtividade do cafezal e a qualidade dos frutos. A presença da erva-de-passarinho também pode comprometer a arquitetura das plantas, pela deformidade do caule, e também causar a seca de folhas e ramos.

Plantas infestadas por essas daninhas são mais suscetíveis a estresses ambientais, assim como ao ataque de pragas e doenças do café. Dependendo do nível de infestação, pode ocorrer a morte das plantas.

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Conclusão

As ervas-de-passarinho são plantas trepadeiras que infestam espécies lenhosas de gêneros alimentícios, ornamentais e madeireiros.

A presença dessas plantas na lavoura provoca a redução da fotossíntese e do vigor das plantas de café. Elas também podem levar à seca dos ramos e galhos. 

Os danos causados pelas ervas-de-passarinho causam ainda a redução do crescimento, da produção e da qualidade dos frutos. Em casos severos de infestação, pode ocorrer a morte prematura do cafeeiro. 

Por enquanto não há pesquisas científicas suficientes para o controle dessa daninha. Por isso, a poda dos ramos parasitados é o único método indicado para o manejo da erva-de-passarinho.

Você já teve problemas com a erva-de-passarinho na sua lavoura de café? Tem alguma dúvida sobre esse assunto? Adoraria ler seu comentário.

Mancha-amarela no trigo: como reconhecer e manejar a doença

Mancha amarela no trigo: entenda os impactos, principais sintomas, condições favoráveis e como evitar perdas!

A cultura do trigo é acometida por inúmeras doenças durante todo o ciclo de desenvolvimento. Essas doenças podem ser causadas principalmente por bactérias, vírus e fungos.

Dentre as doenças do trigo, as manchas foliares são as mais causam danos. A mancha-amarela, causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis (nome científico), pode reduzir a produtividade do trigo em até 50%.

Ela é influenciada principalmente pelo sistema de plantio direto, além da interação da cultivar com as condições ambientais. Por isso, é necessário que diversas estratégias de controle sejam adotadas.

Neste artigo, conheça os impactos da mancha-amarela da folha do trigo, sintomas, condições ambientais favoráveis e estratégias de manejo para garantir a saúde da sua lavoura! Boa leitura!

O que é a mancha-amarela do trigo?

A mancha-amarela da folha do trigo é uma doença foliar da parte aérea, também comum no triticale. A doença, causada pelo fungo necrotrófico Drechslera tritici-repentis, possui alta intensidade em sistema de plantio direto com rotações de culturas inadequadas.

Esse fungo sobrevive principalmente nos restos culturais (palha) desse sistema de plantação de trigo. Ainda, ele possui duas fases de reprodução no seu ciclo de vida:

  • Fase assexuada (Pyrenophora tritici-repentis). Esta fase é a mais importante, pois é responsável pela multiplicação e dispersão do fungo. Os esporos produzidos em grande número são resistentes às condições ambientais adversas.
  • Fase sexuada (Drechslera tritici-repentis). Esta fase é responsável pela produção de variabilidade genética, o que implica em possibilidades de mutação e aquisição de resistência.

Pode parecer confuso, mas a mancha-amarela do trigo pode ser conhecida por esses dois nomes. No entanto, ambos os nomes se referem à mesma doença, com os mesmos sintomas. Apenas as estruturas fúngicas do fungo possuem outra aparência.

Em outras palavras, o que causa a mancha-amarela no trigo é o fungo Drechslera tritici-repentis e/ou Pyrenophora tritici-repentis. Essa doença é amplamente distribuída em todas as regiões tritícolas, especialmente aquelas manejadas sob sistema e plantio direto. 

O tratamento de sementes realizado de forma ineficiente ou com escolha do fungicida inadequado contribuem para o rápido desenvolvimento da doença. Outro agravante é a agressividade do patógeno e a resistência a diversos grupos químicos de fungicidas.

Como diferenciar os sintomas da mancha-amarela dos da mancha-marrom no trigo?

Embora os sintomas da mancha-amarela possam ser confundidos com os sintomas da mancha-marrom, existem características que distinguem ambas.

Os sintomas típicos da mancha-amarela podem ser observados desde as fases iniciais do desenvolvimento da cultura. Eles se apresentam em forma de pequenas manchas esbranquiçadas ou amareladas.

Com a evolução dos sintomas, o tecido necrosa na região central e torna-se pardo. Na mancha-amarela, forma-se um halo amarelado em torno das lesões necróticas, de até 12 mm de comprimento.

mancha amarela trigo
Diferentes intensidades de sintomas da mancha amarela em trigo em função da raça do patógeno e sua agressividade
(Fonte: Bertagnoli e colaboradores, 2019)

Disseminação e condições favoráveis para a doença

A principal forma de disseminação da doença é por respingos de chuva e vento. Quando ocorrem as chuvas, os respingos atingem os restos culturais. Isso acontece especialmente em áreas com ausência de rotação de culturas e com sistema plantio direto com pouca palhada. 

Se as condições ambientais forem favoráveis, rapidamente a doença terá início. O patógeno consegue realizar diversos ciclos da doença durante todo ciclo do trigo, aumentando rapidamente os danos.

Vale lembrar que os sintomas podem se manifestar de forma mais branda, especialmente em cultivares tolerantes, e de forma mais agressiva em cultivares suscetíveis. Desta forma, a escolha do material genético utilizado é primordial.

Além disso, temperaturas entre 18 °C e 28 °C associadas a pelo menos 30 horas de molhamento foliar são favoráveis a manifestação dos sintomas. Por isto, é essencial que estas condições sejam monitoradas, especialmente em áreas com histórico da doença.

ciclo da vida da mancha amarela do trigo
Ciclo de vida esquematizado da mancha-amarela em trigo
(Fonte: Flávio Santana)

Como fazer o controle da mancha-amarela em trigo?

A adoção de uma única forma de controle da mancha-amarela não é efetiva. É necessário que o manejo integrado de doenças seja adotado, com associação de diversas estratégias que pretendam reduzir a população do fungo. 

As três principais estratégias de manejo para eliminar a doença e garantir a qualidade do trigo consistem em:

  • Escolher cultivares do trigo que sejam resistentes à doença: esse é um fator-chave, especialmente em áreas ou regiões com histórico da doença. A consulta das cultivares resistentes pode ser realizada consultando as recomendações da Comissão Brasileira de Pesquisa em Trigo e da Embrapa;
  • A rotação de culturas é uma medida complementar, e espécies como canola, nabo e aveia podem ser utilizadas para quebrar o ciclo do fungo. Sem hospedeiros, ele não possui condições de continuar o seu ciclo. Assim, sua população é reduzida na área de cultivo.
  • A aplicação de fungicidas é uma medida complementar e importante para frear o rápido desenvolvimento do patógeno. Isso especialmente quando as condições ambientais forem favoráveis. No entanto, essa prática requer atenção quanto ao uso, visto que a mancha-amarela possui relatos de resistência.  As doses utilizadas devem ser recomendadas pelo fabricante, no intervalo entre aplicações e seguindo todas as recomendações da bula.
tabela sobre a eficácia na prática de manejo
Eficácia das estratégias de manejo da mancha-amarela. Sinais positivos indicam que as práticas surtem efeito. Sinais negativos indicam que as práticas não são eficientes.
(Fonte: Lau et al., 2020)

Fungicidas para trigo que controlam a mancha foliar amarela

Sobre o manejo de fungicidas, o Frac (Comitê de Ação a Resistência de Fungicidas) recomenda alguns cuidados e dicas. Veja quais são a seguir:

  • Seguir as recomendações do fabricante, atentando-se a bula;
  • A aplicação dos fungicidas deve ser realizada de forma preventiva, para evitar pressão de seleção de populações resistentes;
  • Devido ao histórico de resistência, estrobilurinas não devem ser aplicadas de forma isolada. Elas devem ser associadas a outros grupos químicos, como fungicidas mutissítios e triazóis. 
  • Os fungicidas associados devem ser eficientes à doença isoladamente. Ou seja, se o fungicida associado às estrobilurinas fosse aplicado de forma isolada, este deveria garantir bons níveis de controle à doença.
  • Realizar a rotação de grupos químicos, observando quais os mecanismos de ação utilizados.  Em muitas situações, o nome do produto utilizado pode mudar, mas os grupos químicos e/ou até mesmo os mecanismos de ação, são os mesmos. Consulte sempre um profissional para a melhor recomendação para as necessidades da sua lavoura.
  • A eficiência dos fungicidas pode ser consultada em resultados sumarizados de pesquisa, disponibilizados por instituições públicas e privadas.  Esses resultados são obtidos em diferentes regiões de cultivo, o que pode nortear a tomada de decisão.
Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

A mancha-amarela da folha do trigo pode causar redução drástica da produtividade da cultura. No entanto, a partir do reconhecimento da sua ocorrência e severidade, diversas estratégias de manejo podem ser utilizadas.

Vale ressaltar que práticas de manejo de forma isolada não são eficientes no controle da doença.  Além disso, são anualmente realizados relatos de redução da eficiência das moléculas disponíveis. 

Por isso, faça um manejo que vise prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis.

Tem alguma experiência com a mancha-amarela para compartilhar com a gente? Escreva pra gente, vamos adorar o seu comentário!

Veja como o penhor rural facilita a obtenção do seu crédito

Penhor rural: saiba o que é, como funciona, o que pode ser objeto de penhor, diferenças entre ele e a benfeitoria rural e mais!

Usado como garantia de pagamento na obtenção do crédito rural, o penhor rural traz mais segurança na negociação e ajuda na liberação dos recursos em menor tempo.

São muitos os fatores que podem influenciar positiva ou negativamente na liberação do crédito rural. Dentre eles, estão as garantias de pagamento. Uma opção utilizada há décadas no Brasil é o penhor rural.

Entretanto, são muitos os produtores rurais que desconhecem as regras de como utilizá-lo na obtenção do crédito. Neste artigo, você verá mais detalhes sobre como funciona o penhor rural e como você pode se beneficiar dele. Aproveite a leitura!

O que é contrato de penhor rural?

O contrato de penhor rural é um documento no qual o produtor rural se compromete a pagar determinada dívida a uma instituição financeira. Dois exemplos são os bens móveis ou imóveis, em caso de inadimplência.

No penhor rural, você utiliza um bem (móvel ou imóvel) como forma de garantir o pagamento de uma dívida. Com isso, você garante o seu empréstimo. Ele pode ser usado tanto por agricultores (penhor agrícola) quanto pecuaristas (penhor pecuário).

No penhor rural, ocorre uma transferência simbólica do bem. Afinal, o produtor atua como fiel depositário, não dispondo dos bens dados em garantia.

O penhor rural é diferente do penhor, que funciona na prática como uma transferência direta de posse de um bem, como garantia do pagamento de um débito. No Brasil, a utilização do penhor rural em negociações financeiras é uma prática antiga.

A lei que o regulamenta atualmente (Lei nº 492) é de 30 de agosto de 1937. Entretanto, o penhor rural existe desde outubro de 1855, quando foi instituído por meio do Decreto 3.272.

Ao longo dos anos, surgiram novas leis para corrigir imprecisões relativas a entendimentos sobre prazos dos contratos e nomenclaturas.

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O texto original previa, por exemplo, que o penhor rural duraria de três a quatro anos prorrogáveis, apenas uma vez, por igual período.  

Depois, foi estabelecido pela Lei 12.873/2013 que “o penhor agrícola e o penhor pecuário não podem ser convencionados por prazos superiores aos das obrigações garantidas”.

A diferença entre penhor rural e benfeitoria é relativamente grande. O penhor rural é para bens cedidos em garantia de pagamento. Enquanto isso, as benfeitorias rurais são um seguro que protege o investimento feito com recursos próprios, a exemplo de consórcio ou leasing.

Penhor cedular: o que é a Cédula Rural Pignoratícia? 

Pela lei vigente, quando efetivado o registro do penhor rural, é possível expedir a CRP (Cédula Rural Pignoratícia). Esse é um título representativo de financiamento rural suscetível de circulação.

A CRP funciona como uma modalidade de cédula de crédito rural com promessa de pagamento em dinheiro. O produtor rural pode emitir a CRP em favor do devedor para pagamento da dívida.

Pessoas físicas e jurídicas podem usar a CRP, que pode ser transferida sucessivamente. Isso desde que se acrescente o nome ou firma do endossante, seu domicílio, a data e a assinatura à ordem de pagamento.

A CPR é resgatável a qualquer tempo. As condições para isso são efetuar o pagamento da sua importância, mais os juros devidos até o dia da liquidação

Como funciona o penhor rural?

O penhor rural funciona por meio de um contrato que, para ser estabelecido, deve passar por escritura pública ou particular. Ela deve ser transcrita no registro imobiliário da comarca onde estiverem os bens ou animais empenhados. 

A escritura particular, conforme a legislação vigente, pode ser feita e assinada ou somente assinada pelos contratantes, e subscrita por duas testemunhas.

As assinaturas da escritura podem ser subscritas por duas testemunhas, seja manual ou eletrônica, conforme a legislação vigente. Na escritura, devem conter:

  • nomes, prenomes, estado, nacionalidade, profissão e domicílio dos contratantes;
  • total da dívida ou a sua estimação;
  • prazo para o pagamento;
  • taxa dos juros, se houver;
  • bens móveis ou imóveis dados em garantia, com as suas especificações, de molde a individualizá-las;
  • denominação, confrontação e situação da propriedade agrícola onde estão os bens empenhados, além da data da escritura da sua aquisição, ou arrendamento rural, e número da sua transcrição imobiliária;
  • demais estipulações usuais no contrato mútuo.

O penhor rural pode ser ajustado em garantia de obrigação de terceiros. Não é lícito, como depositário, dispor dos bens (a não ser por consentimento escrito).

Os bens, neste caso, ficam em poder do proprietário e sob a sua responsabilidade. Em caso de falecimento, o credor pode requerer ao juizado a remoção para o poder do depositário nomeado.

O credor ou possuidor da CPR tem o direito de verificar o estado dos bens empenhados como garantia e pedir informações escritas ao devedor. Em caso de abandono dos bens, o credor pode solicitar ao juizado que fique encarregado de os guardar, administrar e conservar.

A legislação autoriza um novo penhor rural se o valor dos bens exceder o valor da dívida anterior, ressalvada para esta a prioridade de pagamento. Assim, paga uma das dívidas, subsiste a garantia para a outra na sua totalidade.

O que pode ser objeto de penhor rural?

Podem ser objeto de penhor rural os bens ligados à atividade agropecuária. Por isso, o penhor rural é dividido em penhor agrícola e penhor pecuário.  Abaixo, veja mais detalhes sobre cada um deles:

Penhor agrícola

No caso do penhor agrícola, podem ser objetos:

  • colheitas pendentes ou em via de formação;
  • frutos armazenados ou beneficiados e acondicionados para venda;
  • madeira das matas, preparada para o corte, em toras ou já serrada e lavrada;
  • lenha cortada ou carvão vegetal;
  • máquinas agrícolas e todos os diversos tipos de implementos agrícolas.

Penhor pecuário

Para o penhor pecuário, a legislação atual autoriza que podem ser objetos os animais criados para as indústrias pastoril, agrícola ou de laticínios.

Eles podem ser objetos em qualquer uma das modalidades, sejam eles de simples acessórios ou pertencentes à sua exploração.

Penhor Banco do Brasil (ou seguro de penhor rural)

O seguro de penhor rural é necessário para reduzir o risco de você não conseguir pagar a sua dívida, conforme o acordado no contrato com a instituição financeira.

Um dos mais conhecidos seguros nessa área é o penhor Banco do Brasil. Ele cobre prejuízos do objeto dado em garantia na operação de financiamento ou crédito rural. 

O seguro penhor rural cobre produtos agropecuários, máquinas e implementos, veículos, produtos estocados e operações de comercialização agrícola

Benfeitorias no caso de imóveis hipotecados também são inclusos. Ele está disponível em qualquer agência do banco.

Conclusão

Apresentar garantias de pagamento para obtenção de um financiamento ou crédito rural pode ser o principal fator para você conseguir recursos para o desenvolvimento da sua fazenda.

Por isso, verifique o que você pode penhorar na sua propriedade rural para facilitar a sua vida no momento de obter recursos.

Lembre-se também de fazer um seguro penhor rural para reduzir os riscos inerentes à atividade agropecuária e que será essencial para você se manter no ramo.

>> Leia mais:

O que você precisa saber sobre financiamento rural para aquisição de terra

Plano Safra 2022/23: saiba como fazer o seu financiamento

Conheça os diferentes tipos de crédito rural e veja como eles funcionam

E aí, pensando em aderir ao penhor rural na sua fazenda? Tem alguma dúvida sobre esse assunto? Adoraria ler seu comentário abaixo!

O que são fazendas digitais e por que elas custam menos e valem mais

Fazendas digitais: entenda o conceito, saiba quais tecnologias estão presentes e o que você pode fazer para transformar a sua a partir de agora!

O uso de tecnologia no campo é um viés cada vez mais presente na agricultura mundial. O Brasil já se adequa e prepara para sua utilização por meio das fazendas digitais.

Essa modernização da atividade agrícola caminha com a necessidade de se produzir mais de maneira mais sustentável. Isso diminui perdas, aumenta a eficiência e gera lucros a quem produz.

Esses avanços vêm em combinação com os conceitos de Agricultura Digital, Agricultura 4.0 e Agricultura 5.0. Eles são cada dia mais difundidos no meio rural brasileiro.

Nesse artigo, saiba como funciona o processo de digitalização da fazenda, as técnicas mais utilizadas, seus benefícios e os principais desafios do setor. Boa leitura!

O que é uma fazenda digital?

Uma fazenda digital é a propriedade que adota técnicas baseadas em tecnologias modernas, com maior uso de máquinas automáticas e computadores. Essas ferramentas diminuem a necessidade de intervenção humana no processo produtivo.

Existem diferentes níveis de digitalização dentro das propriedades. Várias atividades podem acontecer utilizando diferentes tecnologias, como:

A revolução digital no meio rural já acontece há algum tempo. Muitas das tecnologias são importadas de países com maior capacidade de inovação tecnológica. 

Porém, já há muitas soluções sendo geradas no país através de pesquisa e desenvolvimento. Tudo isso acontece através de instituições públicas e privadas.

Muitas tecnologias já são adotadas pelos produtores brasileiros. Entretanto, ainda há um longo caminho a percorrer visando a implementação de técnicas inovadoras e da digitalização das fazendas.

Como exemplo da agricultura digital, podemos citar técnicas já comuns como:

Como implementar a revolução digital na fazenda?

A agricultura digital é baseada em diversas tecnologias que facilitam a sua vida nas mais diversas atividades necessárias ao bom andamento do negócio. Agora, confira mais detalhes de cada uma dessas tecnologias.

Inteligência artificial e robótica

A automação de processos agrícolas é um dos esteios das fazendas digitais. O uso de máquinas autônomas (terrestres ou aéreas) e robôs aumenta a confiabilidade da execução das atividades.

Além disso, o seu uso diminui a chance de erro e o tempo de execução. Isso permite a execução da agricultura de precisão, além de reduzir o seu trabalho no campo.

Telemetria e sensoriamento

A medição de parâmetros por meio de sensoriamento remoto aumenta a capacidade de monitoramento do negócio na totalidade. Esse sensoriamento pode envolver:

  • telemetria de máquinas;
  • medição de parâmetros climáticos através de estações meteorológicas na fazenda;
  • identificação das características de solo e planta;
  • avaliação das condições de áreas de armazenamento de insumos ou produtos agrícolas;

Sistemas de localização (GPS)

O uso do GPS agrícola permite o comando remoto de máquinas autônomas. Ele registra os dados com precisão dentro da lavoura, permitindo um manejo diferencial e o aumento da eficiência do uso de recursos.

Internet das coisas

A internet das coisas, por meio da conectividade, engloba todos os sistemas de informação proveniente de sensores e do sistema de localização. 

Ela conecta dados da sua propriedade, permitindo tomada de decisão em tempo real e atuação remota nas máquinas e sistemas de controle da fazenda.

Big Data

A Big Data fornece maior capacidade de monitoramento de várias atividades da fazenda. Ela gera um conjunto de dados muito robusto e completo. 

Esses dados permitem a compreensão da produção e os principais fatores que causam diminuição ou aumento da produção. Como consequência, possibilita o aprendizado das máquinas e te informa para decisões futuras.

Softwares de gestão

Com o aumento do nível de tecnologia e da quantidade de informação, há necessidade de softwares de gestão na propriedade.  Esses softwares auxiliam no controle de diversos processos, como:

  • recursos humanos;
  • manejo da lavoura;
  • estoques;
  • manutenções;
  • financeiro;
  • dentre outros.

Um exemplo de software que reúne todos esses processos é o Aegro, que facilita a gestão agrícola e financeira da sua fazenda. Com ele, você consegue acompanhar a evolução da safra e receber dados precidos para avaliar a efetividade das operações.

Com o Aegro, você também consegue visualizar facilmente seus indicadores de produção

Softwares como o Aegro também integram vários recursos diferentes, como imagens NDVI e MIP. Esses recursos contribuem não apenas para tornar sua fazenda mais digital, mas também para te auxiliar nas mais difíceis tomadas de decisão.

Exemplo de como é possível visualizar todos os custos de produção com o Aegro

Você pode ver esses e muitos outros recursos do Aegro em ação, fazendo um teste gratuito de 7 dias. Você também pode pedir uma demonstração gratuita em apenas alguns cliques.

Mercado digital

A compra e venda de produtos por meio digital permite buscar por melhores preços e maior disponibilidade, aumentando o lucro e diminuindo custos. 

Isso também permite a rastreabilidade e venda de produtos diferenciados a mercados de maior requerimento, aumentando o valor agregado do produto final.

Quais as principais vantagens da agricultura digital?

A digitalização das fazendas traz melhorias em vários níveis do negócio, dentro e fora da porteira. As principais vantagens das fazendas digitais são:

  • Aumento da eficiência do uso da terra, de recursos naturais, de implementos e insumos, do tempo e da mão de obra;
  • Maior precisão nas atividades organizacionais, técnicas e de manejo e de gestão;
  • Diminuição do impacto ambiental e aumento da sustentabilidade;
  • Diminuição na probabilidade de erros humanos, perdas de produção e quebra de safra;
  • Maior controle da propriedade e da atividade;
  • Rapidez na tomada de decisão e execução de tarefas;
  • Aumento da margem de lucro do produtor por diminuição de custos e aumento da produtividade;
  • Alto grau de confiabilidade de informação para produtores, assistentes técnicos e empregados;
  • Maior confiança de clientes e colaboradores.

Todas essas vantagens levam a um aumento da sustentabilidade da fazenda, uma vez que tornam a atividade mais rentável economicamente. Ainda, as atividades passam a causar menor impacto ao meio ambiente.

Foto de pilhas de papeis, com chamada para baixar o guia de software

Desafios atuais na implantação de tecnologia no campo

Como todo processo de adaptação e modernização, a implementação das fazendas digitais requer tempo e investimento da sua parte.

Essas novas tecnologias são um diferencial para muitos produtores. Em alguns anos, elas serão uma necessidade, ou mesmo uma ferramenta sem a qual o negócio rural ficará inviável. Mas isso não quer dizer que não há desafios. Dentre eles, há:

Alto investimento

Por enquanto, muitas das inovações que têm sido implantadas no campo são importadas ou pertencem a um mercado fornecedor bastante limitado.  Vale lembrar que isso não se aplica aos softwares de gestão, que possuem preços muito mais leves ao bolso de quem produz.

A tendência é que a popularização dessas tecnologias crie uma maior competição de oferta, baixando preços das soluções digitais.

Conectividade

A internet é ferramenta crucial para a digitalização de fazendas. Em muitos pontos do nosso território, a qualidade e disponibilidade de sinais de internet é bastante limitada.

Mão de obra especializada

Muitas das tecnologias diminuem a intervenção humana, mas requerem profissionais mais capacitados e com maior nível de especialização. Esses profissionais ainda são escassos no mercado, mas a tendência é que isso evolua bastante em breve.

Extensão das propriedades

Propriedades muito grandes podem ter um desafio maior na implementação da agricultura digital por questões físicas, de relevo, ou mesmo de risco de perdas de equipamentos

Por outro lado, propriedades muito pequenas podem não ser rentáveis o suficiente para arcar com os custos da digitalização.

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Conclusão

A pressão e os desafios para a produção sustentável têm aumentado muito nas últimas décadas. A agricultura tradicional está com os dias contados e tem sido substituída por uma atividade tecnológica, de alto investimento, menor risco e maior retorno.

A implantação e uso de tecnologias modernas traz diversos benefícios a você, ao meio-ambiente e à sociedade em geral. As fazendas digitais são a nova realidade do campo.

Atualize-se bem e prepare os seus recursos físicos e financeiros para aumentar a sua capacidade de concorrer num mercado cada dia mais tecnificado.

Saiba mais >>

“ASG na agricultura: como se beneficiar dessas práticas”

“Sustentabilidade no campo: veja como adotar as práticas”

O que você já faz para implementar as tecnologias das fazendas digitais na sua propriedade? Tem alguma dúvida ou curiosidade sobre o assunto? Deixe um comentário abaixo!

Saiba como identificar e manejar a vassourinha-de-botão

Vassourinha-de-botão: conheça as características da planta daninha, os danos causados nas culturas, produtos indicados para controle e mais!

A vassourinha-de-botão pertence à família Rubiaceae, e é uma planta daninha nativa da América tropical. Ela infesta lavouras, pastagens, áreas degradadas e antropizadas.

No Brasil, essa espécie tem sido considerada uma das mais danosas plantas daninhas da soja, do milho e do algodão. Ela tem ganhado destaque por já haver relatos da ineficiência do uso do glifosato no seu controle.

Neste artigo, saiba como identificar essa invasora e fique por dentro das melhores formas de manejo. Boa leitura!

Características da vassourinha (planta daninha)

A vassourinha-de-botão (nome científico Spermacoce verticillata) é uma planta invasora de difícil controle, que ocorre em todo o território brasileiro. Popularmente, ela também é conhecida por: 

  • perpétua-do-mato;
  • poaia-botão;
  • poaia-rosário;
  • falsa-poaia;
  • vassourinha;
  • erva-botão;
  • cordão-de-frade.

A vassourinha-de-botão tem porte herbáceo e ciclo de vida anual ou perene. O caule dessa planta daninha é bastante ramificado. Seu hábito de crescimento é semiprostrado ou ereto. Ainda, ela pode atingir cerca de 80 centímetros de altura

As folhas não têm pecíolos ou são curtamente pecioladas. Elas são simples e têm formato linear-lanceolado

Planta daninha vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A inflorescência dessa espécie invasora é do tipo cimeira. Isso quer dizer que as flores estão dispostas muito próximas umas das outras, o que forma um aglomerado com aparência de globo. As flores da vassourinha têm coloração branca.

Na vassourinha-de-botão, as inflorescências estão localizadas nas axilas e na porção terminal dos ramos. Os frutos dessa invasora são do tipo cápsula.

Inflorescência da vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A raiz da vassourinha é pivotante e profunda. Trata-se de uma planta muito rústica, que consegue se desenvolver mesmo terrenos ácidos e com baixa fertilidade de solo. A propagação dessa espécie ocorre por sementes.

Além da sua importância na agricultura, a vassourinha-de-botão também é bastante utilizada na medicina tradicional, no tratamento de diversas doenças. Ela apresenta propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antimicrobianas.

Como identificar essa planta invasora?

A correta identificação das plantas daninhas é fundamental para que o manejo seja realizado com sucesso. A vassourinha-de-botão pode ser identificada visualmente com base nas suas características. Lembre-se de observar os seguintes aspectos ao fazer a avaliação visual:

  • crescimento semi-prostrado ou ereto;
  • folhas lisas
  • folhas simples com formato linear-lanceoladas; 
  • flores nas axilas da planta;
  • flores aglomeradas e em formato de globo, com cor branca; 
  • fruto tipo cápsulas;
  • sistema radicular pivotante.

Além dessas características, para saber se a planta daninha é a vassourinha-de-botão, veja se a última inflorescência está assentada sob brácteas pendentes. 

Outro aspecto que deve ser considerado é a disposição das folhas no ramo. Ainda, as folhas ficam inseridas na mesma altura, no mesmo nó, ao redor do eixo.

Folhas de vassourinha-de-botão
Folhas de vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A identificação visual pela planta adulta é mais fácil, quando comparada a uma planta jovem. No entanto, é importante destacar que o controle é mais eficiente quando realizado nos estádios iniciais do desenvolvimento das espécies invasoras. 

Danos causados pela Spermacoce verticillata

A presença da vassourinha-de-botão interfere negativamente no desenvolvimento das espécies cultivadas. A competição por recursos (água, luz, espaço e nutrientes) reduz o crescimento das plantas, diminui a produtividade e interfere na qualidade do produto final

Além disso, a presença de espécies indesejáveis prejudica o processo de colheita. Afinal, ela aumenta a quantidade de impurezas e eleva a umidade do produto.

A vassourinha-de-botão também pode ser hospedeira de doenças, insetos-praga, ácaros e nematoides. A seguir, veja melhor como realizar o manejo dessa planta daninha.

Vassourinha-de-botão: controle da espécie invasora

Por se tratar de uma espécie de difícil controle, é importante que o manejo da vassourinha-de-botão seja pautado em esquema integrado de estratégias de controle. 

Métodos como o preventivo, cultural, mecânico e químico podem ser utilizados no manejo dessa planta invasora.

Químico

O controle químico é bastante eficiente no manejo das plantas daninhas. No entanto, é preciso deixar claro que ele deve ser adotado em associação com outros métodos de controle.

Em campo, já foi observada a resistência ao glifosato no controle da vassourinha-de-botão. Isso principalmente quando o glifosato é aplicado em plantas em estádios avançados de desenvolvimento. 

Por isso, é importante que o controle químico seja feito quando as plantas invasoras ainda são jovens. Confira a seguir as moléculas herbicidas registradas para a vassourinha-de-botão na Embrapa e no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento):

  • diclosulam + halauxifen-metil;
  • glifosato-sal de isopropilamina;
  • glufosinato-sal de amônio;
  • glufosinato-sal de amônio + lauril éter sulfato de sódio;
  • imazapir;
  • picloram + herbicida 2,4-D;
  • picloram + 2,4-D-trietanolamina;
  • picloram-trietanolamina + 2,4-D-trietanolamina.

Ao adotar o manejo químico, é importante sempre respeitar as orientações quanto à dosagem, época e modo de aplicação dos produtos. Use os equipamentos de proteção individual no manuseio e na aplicação dos produtos.

A rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é outro ponto que merece atenção. Essa estratégia diminui a pressão de seleção, dificultando a seleção de plantas resistentes. Além disso, a rotação amplia o número de espécies controladas

Preventivo

As medidas preventivas têm o objetivo de evitar a entrada e o estabelecimento das espécies invasoras em áreas não contaminadas. Algumas das estratégias preventivas que você pode adotar são:

  • evitar que as plantas daninhas se reproduzam e disseminem suas sementes na área. Para isso, é importante que elas sejam controladas ainda na fase inicial de desenvolvimento;
  • realizar a limpeza das ferramentas, máquinas e implementos agrícolas. Isso evita que torrões de terra contendo sementes de vassourinha-de-botão e de outras espécies sejam transferidos de uma área para outra; 
  • eliminar focos de infestação de plantas daninhas;
  • realizar o controle das espécies invasoras no período da entressafra;
  • realizar o controle das plantas espontâneas nas bordaduras das lavouras, estradas e carreadores;
  • realizar o plantio da cultura com sementes de alto valor cultural.

Cultural

No controle cultural, são adotadas as boas práticas agronômicas. Essas práticas têm o objetivo de fornecer condições adequadas para o desenvolvimento da espécie cultivada.

Veja os principais métodos de controle cultural utilizados no manejo da vassourinha-de-botão:

  • época de plantio;
  • arranjo espacial das plantas;
  • rotação de culturas;
  • cobertura do solo no período da entressafra;
  • integração lavoura-pecuária;
  • consórcios de cultivos.

Mecânico

No controle mecânico, a supressão das plantas invasoras ocorre pelo efeito físico de equipamentos como enxada e cultivador. Os métodos utilizados nesse tipo de controle são:

  • capina manual;
  • roçada manual ou mecânica;
  • cultivo mecanizado.

A cobertura morta também possui efeito físico e colabora com o controle das espécies invasoras. Os restos vegetais formam uma barreira física que impede a passagem de luz, temperatura e umidade. 

Além disso, o processo de decomposição desses resíduos liberam compostos aleloquímicos. Essas substâncias podem inibir a germinação e o estabelecimento das plantas invasoras.

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Conclusão

A vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata) é uma planta daninha de difícil controle. Ela pode se desenvolver mesmo sob condições de baixa fertilidade e acidez do solo.

A identificação desta espécie invasora é feita principalmente pelas suas características visuais. Nesse artigo, foram apresentados vários aspectos que podem te ajudar nesse processo.

O manejo dessa daninha é realizado pela adoção de medidas preventivas, culturais, mecânicas e químicas. Na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você conhecia a vassourinha-de-botão? Já teve problemas com essa planta daninha na sua lavoura? Adoraria ler o relato da sua experiência.

Consórcio rural: saiba o que é e quais são as vantagens

Consórcio rural: veja como funciona, como usar o FGTS nesse processo, especificidades e mais!

Mais do que uma opção para a compra de bens de alto valor, o consórcio rural pode representar uma nova fase na melhoria da gestão e infraestrutura da fazenda.

Quando se fala em planejamento de longo prazo na gestão da fazenda, ele é uma das principais opções para promover o desenvolvimento da propriedade.

Por meio desse tipo de crédito rural, é possível realizar a compra de imóveis e bens móveis (como máquinas e equipamentos). Tudo isso a partir do pagamento de prestações de pequeno valor. Se você for sorteado no consórcio, pode adquirir o bem de forma antecipada

Neste artigo, saiba mais como funciona o consórcio rural e as suas vantagens. Boa leitura!

Como funcionam o consórcio rural e a carta de crédito?

O consórcio rural é uma modalidade de crédito na qual pessoas físicas ou jurídicas adquirem uma carta de crédito de determinado valor. Ele funciona de forma semelhante a outros consórcios, como de carros e motos, promovidos por concessionárias de veículos.

No consórcio rural, quando você é contemplado em um sorteio ou paga todas as parcelas, recebe uma carta de crédito que serve para vários tipos de investimento.

O principal objetivo do consórcio rural é usar o dinheiro das parcelas pagas pelos consorciados para adquirir bens à vista. Portanto, é como se fosse uma poupança.

Assim, o valor da carta de crédito pode ser investido na compra de:

Entretanto, o valor da carta de crédito não precisa ser utilizado apenas na fazenda. Ele também serve para você comprar um apartamento na planta ou casa de praia.

O consórcio rural é uma importante opção para adquirir bens a médio e longo prazo. Tudo isso objetivando ampliar a infraestrutura da propriedade rural e promover o seu desenvolvimento. Ainda, você pode buscar qualidade de vida para você e a sua família.

Para fazer isso, no entanto, você precisa incluir o consórcio rural no seu planejamento de gestão financeira da fazenda. Assim, você consegue destinar recursos para essa finalidade.

Você deve avaliar, ainda, se o consórcio realmente vale a pena. Avalie se, no fim do pagamento das parcelas, você terá um bem cuja forma de aquisição foi a melhor opção. 

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Vantagens do consórcio rural

Além de poder investir o valor da carta de crédito com diversas finalidades, o consórcio rural tem diversas outras vantagens, conforme você verá abaixo.

1. Ausência de taxa de juros

Essa é uma das características mais interessantes do consórcio rural. Isso sobretudo quando se trata da compra de imóvel rural, já que o objetivo é utilizar o dinheiro das parcelas para compras à vista.

Os participantes do consórcio arcam apenas com taxas de administradoras. Alguns exemplos são a taxa de administração, fundo comum e fundo de reserva.

A taxa de administração é uma remuneração paga à empresa que administra o consórcio. O fundo comum é o valor investido na compra do bem.

O fundo reserva forma um caixa extra para caso de necessidades maiores, como a inadimplência de algum participante do consórcio. Ao final do consórcio, os valores restantes nesse fundo são restituídos de forma proporcional para cada consorciado.

2. Facilidade para obter cota

A obtenção de cotas no consórcio rural é bem mais simples que em outras modalidades de crédito, porque as exigências são menores. Não precisa, por exemplo, comprovar renda fixa. Isso facilita a participação de trabalhadores autônomos.

3. Contemplação do consórcio em lances livres ou fixos

No consórcio rural, se a pessoa for contemplada em um sorteio, ela recebe uma carta de crédito. Com isso, ela já tem o dinheiro para adquirir o bem à vista. A realização do sorteio mensal é obrigatório

No mesmo dia do sorteio são feitos lances livres e fixos, cujo objetivo é antecipar a carta de crédito. Ou seja, se você não for sorteado e quiser receber logo a carta, pode pagar determinado valor por ela, mediante uma oferta.

No lance fixo, é estipulada uma quantidade mínima de parcelas para a antecipação. Já no lance livre, o consorciado paga um percentual correspondente a determinada quantidade de parcelas.

Consórcio para compra de imóvel rural

A primeira etapa para fazer um consórcio rural para compra de um terreno rural é realizar uma simulação online, disponível em sites de empresas do ramo. Na simulação, você verá o total de parcelas e respectivos valores. 

Assim, você avalia se o investimento para adquirir determinado bem vale a pena. Caso você se interesse, deve entrar em contato direto com a empresa para pedir a sua inclusão no consórcio, e então você fará parte do grupo de consorciados.

Após a entrada no grupo, você passa a fazer parte dos sorteios mensais. Você pode ser contemplado desde o primeiro sorteio até o último. 

Ao receber a carta de crédito, você tem o correspondente ao bem que selecionou, que, nesse caso, é consórcio de imóveis para terreno rural. Na etapa seguinte, é feita a análise de crédito e entrega das documentações.

A administradora solicita indicação de fornecedor ou dono de imóvel que pretende ser comprado, para quem será feito o repasse. A vantagem é que a carta tem o poder de compra à vista. Assim, você pode receber bons descontos na negociação. 

Uso do FGTS no valor do crédito do consórcio imobiliário

Caso você esteja participando de um consórcio imobiliário, há a opção de usar o seu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para ofertar um lance e ter antecipada a sua carta de crédito.

Isso é possível em imóveis financiados pela Caixa Econômica Federal, mas você não pode ter outro imóvel financiado em seu nome.

Consulte uma empresa administradora de consórcios e veja como isso pode ser feito.

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Conclusão

O financiamento de um imóvel ou a compra de outros bens para a fazenda são investimentos que podem fazer grande diferença no desenvolvimento do seu negócio.

E com o consórcio rural, você tem uma boa opção para reduzir custos. Afinal, geralmente, os bens comprados fora do consórcio podem sair mais caros.

Dentre outras vantagens do consórcio, você pode ser contemplado já no primeiro sorteio e obter o seu bem à vista. Por isso, faça uma simulação e veja se vale a pena para você realizar um consórcio rural.   

Você está pensando em entrar em um consórcio rural? Tem alguma dúvida sobre o tema? Adoraria ler seu comentário abaixo!