Murcha-de-Fusarium em feijão: entenda os sintomas, condições favoráveis para a ocorrência, fases mais suscetíveis e como evitá-la
A murcha-de-Fusarium é uma das principais doenças do feijão. Ela ocorre com maior frequência em feijão-comum e feijão-caupi.
Ela pode se manifestar em todas as fases de cultivo, e sua evolução ocorre ao passar dos anos. Isso acontece especialmente porque o patógeno é um habitante de solo, o que dificulta ainda o seu controle.
Neste artigo, veja como combater a murcha-de-Fusarium em feijão, como identificar no campo, sintomas e principais medidas de controle para reduzir e evitar danos na sua lavoura! Boa leitura!
O que é a murcha-de-Fusarium em feijão?
Espécies do fungo Fusarium são os principais patógenos causadores de doenças em plantas. A murcha-de-Fusarium, também conhecida como fusariose, é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli.
Eles conseguem utilizar inúmeras culturas distintas como hospedeiras. Além disso, são amplamente distribuídas pelas regiões produtoras de alimentos no mundo. O gênero Fusarium possui como plantas hospedeiras principalmente o feijão-comum e o feijão-caupi.
Murcha-de-Fusarium: sintomas
Os sintomas típicos da doença são reflexos do que acontece nas raízes. Nas raízes e nos caules, há escurecimento dos vasos e é possível ver estruturas rosadas do fungo. Ainda, as folhas amarelam e secam, sintomas que aparecem muito em reboleiras, prejudicando o enchimento das vagens.
Entretanto, é a parte aérea da planta que demonstra mais problemas. Os principais em que você deve prestar atenção são:
- Amarelecimento das folhas com murcha parcial ou total das plantas, especialmente em horários mais quentes do dia, podendo levar inclusive a morte;
- Escurecimento do sistema vascular que pode ser observado a partir do corte e visualização interna do caule das plantas. Nem sempre este sintoma ocorre, e por isso, a ausência de escurecimento interno não é sinônimo de que o problema não esteja ocorrendo;
- Perda de rigidez dos tecidos durante dias ou períodos mais secos;
- Em períodos de alta umidade no solo e sintomas severos, podem ser observadas estruturas de coloração cinza a rosada;
- Em áreas infestadas com nematoides, como o nematoide-das-galhas e das lesões, a doença pode ser mais severa. Afinal, ambos os patógenos favorecem a entrada do fungo no interior das raízes;
- Quando a doença ocorre ainda no período vegetativo, as plantas apresentam crescimento anormal, tornando-se raquíticas e de tamanho menor;
- Nas vagens, podem ser visualizadas lesões de aspecto aquoso, podendo inclusive contaminar as sementes. Isso agrava o problema, especialmente quando as sementes são usadas em novas semeaduras. Afinal, isso acaba contaminando outros pontos da lavoura ou introduzindo a doença em locais onde ela era ausente.
Inicialmente, é comum que os sintomas sejam observados em reboleiras. Além disso, a murcha das plantas pode ser confundida com outras doenças e com estresse hídrico.
Por isso, ao sinal de irregularidades na lavoura, é importante que a inspeção seja feita para investigar as possíveis causas.
A doença afeta o sistema responsável pela passagem e translocação de água e nutrientes pela planta). Por isso, causa problemas principalmente em raízes, prejudicando a absorção de elementos importantes para o desenvolvimento das plantas.

Fonte: (Esalq-USP)
Condições favoráveis para o fungo Fusarium sp. no feijão
Embora a doença possa se manifestar no período vegetativo, é a partir do florescimento que os danos são mais severos. Afinal, nesse período a planta demanda maior fluxo de água e nutrientes necessários para o enchimento dos grãos.
As temperaturas amenas (entre 24°C a 28°C), quando combinadas com alta umidade do solo, favorecem o fungo causador da doença. Os solos compactados, arenosos, ácidos e com baixo teor de matéria orgânica também são favoráveis.
Por isso, o manejo dos solos é fundamental para a saúde das plantas. Vale lembrar que outros tipos de solo podem ser tão impactados pela doença quanto os arenosos e ácidos. Ou seja, é importante que a doença não seja negligenciada.
Os danos e prejuízos da doença dependem da sua severidade. A severidade, por sua vez, depende da cultivar implantada na área. Em cultivares favoráveis para a doença, os danos podem ultrapassar os 50% e causar perda total do cultivo.

Fonte: (TopCropManager)
Como fazer o controle de Fusarium no feijão?
O controle de Fusarium no feijão a partir de fungicidas não é uma medida eficiente. Afinal, o patógeno é um habitante de solo e que pode permanecer viável, sobrevivendo por longos períodos. Justamente por isso, o controle genético é a principal ferramenta de controle.
Outra medida que deve ser priorizada em áreas com histórico da doença é a rotação de culturas (controle cultural). Esta prática evita que o fungo continue o seu ciclo e produza novas populações, se caracterizando como uma medida preventiva de controle.
Como o patógeno tem espécies de feijão-comum e feijão-caupi como hospedeiras, estas não devem ser cultivadas na área por determinado período. É necessário inserir espécies não hospedeiras para quebrar o ciclo da doença e reduzir a sua população na área de cultivo.
Qual o melhor fungicida para Fusarium?
Como o fungo é um patógeno de solo, o tratamento de sementes com combinação de fungicidas de contato são medidas importantes.
Atualmente, no Agrofit, podem ser encontrados cinco produtos para controle da doença na cultura do feijão. Os principais grupos químicos incluem a combinação de estrobilurina + benzimidazóis.
Opções de fungicida para Fusarium de fenilpirrol + acilalaninato + benzimidazol + neonicotinóide também podem ser usadas no controle.
Entretanto, lembre-se que a escolha do melhor fungicida para Fusarium deve ser baseada na realidade da lavoura e na ajuda de profissionais da agronomia.
Como combater a murcha-de-Fusarium antes dela chegar na lavoura?
Neste caso, as boas práticas agrícolas como manejo de solo são cruciais para evitar os danos da doença. Além disso, o uso de sementes certificadas é indispensável. Elas são produzidas sob rigor, fiscalização e inspeções frequentes.
Em lavouras com suspeita de problemas, mesmo que não identificados devidamente, é importante que o manejo com máquinas seja feito com cuidado. Faça primeiro o manejo em áreas com ausência de problemas, e depois, em áreas com suspeita.
Isto evita que possíveis patógenos sejam disseminados ao longo das áreas de produção através de solo contaminado aderido às máquinas. Um manejo de solo que evite a compactação da área ou que auxilie na redução do problema também pode ser útil.
Conclusão
A murcha-de-Fusarium ou amarelecimento-de-Fusarium é uma doença que pode reduzir significativamente a produtividade do feijão-comum e do feijão-caupi.
Como os sintomas são semelhantes a diversas outras doenças e estresses, é fundamental que a doença seja devidamente diagnosticada. Isso especialmente para que as medidas de controle mais adequadas sejam implantadas na área.
O controle genético e o tratamento de sementes, aliados a medidas que recuperem a saúde do solo, são as mais eficientes para o controle da doença.