Murcha-de-Fusarium em feijão: saiba como identificar e manejar

Murcha-de-Fusarium em feijão: entenda os sintomas, condições favoráveis para a ocorrência, fases mais suscetíveis e como evitá-la

A murcha-de-Fusarium é uma das principais doenças do feijão. Ela ocorre com maior frequência em feijão-comum e feijão-caupi.

Ela pode se manifestar em todas as fases de cultivo, e sua evolução ocorre ao passar dos anos. Isso acontece especialmente porque o patógeno é um habitante de solo, o que dificulta ainda o seu controle.

Neste artigo, veja como combater a murcha-de-Fusarium em feijão, como identificar no campo, sintomas e principais medidas de controle para reduzir e evitar danos na sua lavoura! Boa leitura!

O que é a murcha-de-Fusarium em feijão?

Espécies do fungo Fusarium são os principais patógenos causadores de doenças em plantas. A murcha-de-Fusarium, também conhecida como fusariose, é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli.

Eles conseguem utilizar inúmeras culturas distintas como hospedeiras. Além disso, são amplamente distribuídas pelas regiões produtoras de alimentos no mundo. O gênero Fusarium possui como plantas hospedeiras principalmente o feijão-comum e o feijão-caupi.

Murcha-de-Fusarium: sintomas

Os sintomas típicos da doença são reflexos do que acontece nas raízes. Nas raízes e nos caules, há escurecimento dos vasos e é possível ver estruturas rosadas do fungo. Ainda, as folhas amarelam e secam, sintomas que aparecem muito em reboleiras, prejudicando o enchimento das vagens.

Entretanto, é a parte aérea da planta que demonstra mais problemas. Os principais em que você deve prestar atenção são:

  • Amarelecimento das folhas com murcha parcial ou total das plantas, especialmente em horários mais quentes do dia, podendo levar inclusive a morte;
  • Escurecimento do sistema vascular que pode ser observado a partir do corte e visualização interna do caule das plantas. Nem sempre este sintoma ocorre, e por isso, a ausência de escurecimento interno não é sinônimo de que o problema não esteja ocorrendo;
  • Perda de rigidez dos tecidos durante dias ou períodos mais secos;
  • Em períodos de alta umidade no solo e sintomas severos, podem ser observadas estruturas de coloração cinza a rosada;
  • Em áreas infestadas com nematoides, como o nematoide-das-galhas e das lesões, a doença pode ser mais severa. Afinal, ambos os patógenos favorecem a entrada do fungo no interior das raízes;
  • Quando a doença ocorre ainda no período vegetativo, as plantas apresentam crescimento anormal, tornando-se raquíticas e de tamanho menor;
  • Nas vagens, podem ser visualizadas lesões de aspecto aquoso, podendo inclusive contaminar as sementes. Isso agrava o problema, especialmente quando as sementes são usadas em novas semeaduras. Afinal, isso acaba contaminando outros pontos da lavoura ou introduzindo a doença em locais onde ela era ausente.

Inicialmente, é comum que os sintomas sejam observados em reboleiras. Além disso, a murcha das plantas pode ser confundida com outras doenças e com estresse hídrico.

Por isso, ao sinal de irregularidades na lavoura, é importante que a inspeção seja feita para investigar as possíveis causas.

A doença afeta o sistema responsável pela passagem e translocação de água e nutrientes pela planta). Por isso, causa problemas principalmente em raízes, prejudicando a absorção de elementos importantes para o desenvolvimento das plantas. 

murcha-de-fusarium
Sinais de murcha-de-Fusarium nas raízes de feijão
Fonte: (Esalq-USP)

Condições favoráveis para o fungo Fusarium sp. no feijão

Embora a doença possa se manifestar no período vegetativo, é a partir do florescimento que os danos são mais severos. Afinal, nesse período a planta demanda maior fluxo de água e nutrientes necessários para o enchimento dos grãos. 

As temperaturas amenas (entre 24°C a 28°C), quando combinadas com alta umidade do solo, favorecem o fungo causador da doença. Os solos compactados, arenosos, ácidos e com baixo teor de matéria orgânica também são favoráveis.

Por isso, o manejo dos solos é fundamental para a saúde das plantas. Vale lembrar que outros tipos de solo podem ser tão impactados pela doença quanto os arenosos e ácidos. Ou seja, é importante que a doença não seja negligenciada

Os danos e prejuízos da doença dependem da sua severidade. A severidade, por sua vez,  depende da cultivar implantada na área. Em cultivares favoráveis para a doença, os danos podem ultrapassar os 50% e causar perda total do cultivo.

murcha-de-fusarium
Sinais de murcha-de-fusarium em folhas de feijão
Fonte: (TopCropManager)

Como fazer o controle de Fusarium no feijão?

O controle de Fusarium no feijão a partir de fungicidas não é uma medida eficiente. Afinal, o patógeno é um habitante de solo e que pode permanecer viável, sobrevivendo por longos períodos. Justamente por isso, o controle genético é a principal ferramenta de controle.

Outra medida que deve ser priorizada em áreas com histórico da doença é a rotação de culturas (controle cultural). Esta prática evita que o fungo continue o seu ciclo e produza novas populações, se caracterizando como uma medida preventiva de controle.

Como o patógeno tem espécies de feijão-comum e feijão-caupi como hospedeiras, estas não devem ser cultivadas na área por determinado período. É necessário inserir espécies não hospedeiras para quebrar o ciclo da doença e reduzir a sua população na área de cultivo.

Qual o melhor fungicida para Fusarium?

Como o fungo é um patógeno de solo, o tratamento de sementes com combinação de fungicidas de contato são medidas importantes.

Atualmente, no Agrofit, podem ser encontrados cinco produtos para controle da doença na cultura do feijão. Os principais grupos químicos incluem a combinação de estrobilurina + benzimidazóis.

Opções de fungicida para Fusarium de fenilpirrol + acilalaninato + benzimidazol + neonicotinóide também podem ser usadas no controle. 

Entretanto, lembre-se que a escolha do melhor fungicida para Fusarium deve ser baseada na realidade da lavoura e na ajuda de profissionais da agronomia.

Como combater a murcha-de-Fusarium antes dela chegar na lavoura?

Neste caso, as boas práticas agrícolas como manejo de solo são cruciais para evitar os danos da doença. Além disso, o uso de sementes certificadas é indispensável. Elas são produzidas sob rigor, fiscalização e inspeções frequentes.

Em lavouras com suspeita de problemas, mesmo que não identificados devidamente, é importante que o manejo com máquinas seja feito com cuidado. Faça primeiro o manejo em  áreas com ausência de problemas, e depois, em áreas com suspeita.

Isto evita que possíveis patógenos sejam disseminados ao longo das áreas de produção através de solo contaminado aderido às máquinas. Um manejo de solo que evite a compactação da área ou que auxilie na redução do problema também pode ser útil. 

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Conclusão

A murcha-de-Fusarium ou amarelecimento-de-Fusarium é uma doença que pode reduzir significativamente a produtividade do feijão-comum e do feijão-caupi.

Como os sintomas são semelhantes a diversas outras doenças e estresses, é fundamental que a doença seja devidamente diagnosticada. Isso especialmente para que as medidas de controle mais adequadas sejam implantadas na área.

O controle genético e o tratamento de sementes, aliados a medidas que recuperem a saúde do solo, são as mais eficientes para o controle da doença.

Plantação de amendoim: tudo que você precisa saber

Plantação de amendoim: importância para o Brasil, vantagens do uso, sistemas de produção, características das plantas e principais manejos.

O plantio de amendoim no Brasil vem crescendo em área e produção. Esse resultado é devido principalmente ao uso dessa leguminosa em áreas de renovação.

Seu uso causa vantagens ao solo, a cultura posterior e a quem produz. Afinal, o valor pago pelo produto também tem sido atrativo nos últimos tempos. Porém, para se ter uma boa rentabilidade, é importante ter conhecimento da cultura em um todo.

Neste artigo, veja os principais pontos de manejo dessa cultura, quando plantar amendoim e cuidados desde o preparo do solo até o pós-colheita, venha conferir!

Importância da plantação de amendoim no Brasil

A plantação de amendoim no Brasil vem se expandindo novamente, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento. A previsão de área para a safra 2022/23 é 212,1 mil hectares.

O Brasil não semeava esta quantidade de área desde a década de 80, quando o plantio de amendoim no país foi reduzido. Isso aconteceu principalmente devido a fatores tecnológicos e de mercado.

Ele voltou a subir nos últimos dez anos, por causa do aumento de tecnologia no campo e novas cultivares no mercado. O cultivo de amendoim é feito principalmente no Estado de São Paulo. 

Na safra 2021/22, este Estado apresentou 92,8% do total da produção. O volume produzido foi de 692,7 mil toneladas. Os Estados do Mato Grosso do Sul e Minas Gerais foram, respectivamente, o segundo e terceiro em produção.

Principais locais de produção de amendoim no estado de São Paulo 
(Fonte: Instituto de Economia Agrícola – IEA)

O avanço tecnológico da cultura contribuiu para sua nova expansão no território nacional. Por isso, o uso do amendoim em reforma de canaviais teve grande influência no aumento de área semeada.

Amendoim em rotação com cana-de-açúcar

Em área de plantação de cana-de-açúcar, é preciso haver rotação. Afinal, essa cultura permanece na mesma área por 6 ou 7 ciclos, se for plantada cana em cima de cana. Sem rotação, ocorre queda significativa de produção por causa da exploração contínua do solo.

Assim, o plantio de amendoim nestas áreas traz diversas vantagens, como:

  • aumento da produtividade da cana-de-açúcar;
  • boa fixação biológica de nitrogênio;
  • diminuição na população de nematoides que ocorrem na cana-de-açúcar;
  • cobertura do solo; 
  • ciclo curto;
  • PRAD (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas);
  • ciclagem de nutrientes;
  • redução do custo de implantação do canavial.

Por este motivo, rotacionar áreas canavieiras com amendoim tem sido uma opção para os produtores. Além de melhorar o solo na parte física, química e biológica, ele aumenta a renda e reduz os custos do canavial.

Com estas vantagens, já se tem visto áreas de pastagens rotacionadas com amendoim.

Características e ciclo do amendoim

O ciclo do amendoim pode variar de 90 a 180 dias. Isso vai depender do genótipo e das condições climáticas da região durante o ciclo da cultura. Existem dois tipos de hábitos de crescimento da planta de amendoim: o tipo ereto ou tipo rasteiro.

O hábito de crescimento também tem influência na duração do ciclo da planta. Se a cultivar for de ramificação alterada (tipo rasteiro) o ciclo é mais longo. Esse tipo de amendoim é conhecido comercialmente como Virgínia Runner.

Cultivares de tipo ereto, com ramificação sequencial, precisam de um tempo mais curto para produzir suas vagens e grãos. Esse tipo é conhecido comercialmente como Valência ou Tatu.

Tipo de crescimento de cultivares de amendoim 
(Fonte: Infoamendoim)

Manejo do plantio de amendoim 

Para a cultura do amendoim, do preparo do solo até a colheita, é necessário saber alguns pontos para obter boas produções. Veja abaixo os principais manejos em diversos momentos da lavoura.

Qual é a época de plantar amendoim?

O plantio do amendoim precisa ser feito em temperaturas ideais para a cultura, além de boa umidade no solo. Nos estados de São Paulo, Minas Gerais e estados do Sul, ele é semeado na época das águas, de setembro a novembro

Na Bahia e Paraíba o plantio é feito em abril e maio, no sequeiro. O importante é semear quando a temperatura estiver entre 20 °C e 30 °C. Ainda, o solo precisa estar com umidade adequada para que ocorra a germinação e estabelecimento da plântula.

Preparo do solo

Como os grãos de amendoim são produzidos abaixo do solo, o preparo e a boa escolha da área é muito importante. Todos tipos de solo podem ser utilizados para semeadura do amendoim. 

Entretanto, para ter um bom desenvolvimento radicular e produção, solos arenosos, bem drenados e férteis são os desejados.

O preparo do solo pode ser convencional, com arações e gradagens antes do plantio. Ou, por outro lado, pode ser feito em plantio direto. Neste sistema, você tem redução de 20% a 30% do custo de produção.

Semeadura

A semeadura deve ser realizada corretamente, com regulagem da semeadora e velocidade de plantio adequada. A profundidade de plantio deve variar entre 3 cm a 8 cm, sendo mais profundos em solos arenosos.

Em relação a quantidade de sementes por metro, irá depender da recomendação de cada cultivar, mas no geral, as recomendações são as seguintes:

  • Para plantas de porte ereto, são semeadas de 18 a 20 sementes por metro. O espaçamento entre linhas deve ser de 60 cm;
  • Para plantas de porte rasteiro, são semeadas de 14 a 15 sementes por metro. O espaçamento entre linhas deve ser entre 80 cm e 90 cm.

Como adubar amendoim?

A adubação deve ser feita conforme a necessidade da cultura. A quantidade de nutrientes presentes no solo e qual sistema está sendo semeado o amendoim também precisam ser considerados. Na média das cultivares, a adubação necessária é de:

  • 190 kg/ha de nitrogênio;
  • 60 kg/ha de potássio;
  • 13 kg/ha fósforo;
  • 26 kg/ha de cálcio;
  • 20 kg/ha magnésio;
  • 9 kg/ha enxofre.

Além desses nutrientes, a cultura do amendoim tem respondido em produtividade à adubação fosfatada, com valores de 40 kg/ha e 80 kg/ha de P2O5.

Entretanto, é muito importante lembrar que é necessário fazer uma boa análise antes de fazer a adubação. Assim, você garantirá que não fornecerá nutrientes a mais ou a menos do que a sua cultura precisa.

Principais plantas daninhas da cultura

Plantas daninhas reduzem muito a produção de amendoim se não controladas no momento correto. Em cultivares de plantas de crescimento ereto, o período crítico é até os dias após a emergência. Por outro lado, para cultivares rasteiras, esse período passa para 70 dias

Em qualquer uma das etapas, as principais plantas daninhas do amendoim são:

Principais doenças 

O aparecimento das doenças depende do sistema de manejo, condições climáticas durante o ano e da susceptibilidade da cultivar. Como as principais doenças no plantio de amendoim, há:

  • mancha-castanha;
  • pinta-preta;
  • ferrugem;
  • verrugose;
  • mancha em “V”;
  • mofo-branco;
  • murcha de Sclerotium;
  • podridão de Rhizoctonia.

Principais pragas do cultivo de amendoim

A atenção com as pragas deve ser principalmente com o tripes-do-prateamento e lagarta-do-pescoço-vermelho. Essas pragas atacam as folhas, reduzindo a área fotossintética das plantas.

Outras pragas também são encontradas dependendo da região de cultivo, como:

Os ácaros rajados e vermelhos também atacam as plantas de amendoim, além de pragas de armazenamento como traça-das-vagens e gorgulho.

Colheita, pós-colheita e secagem do amendoim

A colheita do amendoim deve ser feita com cuidado. Ela começa quando 70% das vagens atingem o ponto de maturidade. O indicativo disso é o amarelecimento das folhas e/ou o preenchimento dos grãos dentro da vagem.

O arranquio tem que ser feito em dia de sol, e ele pode ser feito de maneira manual ou mecânica. Após o arranquio, você deve recolher as vagens.

Alguns cuidados devem ser observados após a colheita do amendoim, sendo o principal a umidade das vagens. Se não for feita corretamente a secagem, elas podem adquirir fungos que diminuem a qualidade dos grãos.

planilha controle de custos por safra

Quais são os custos para produzir amendoim?

De modo geral, o custo para implantação para o cultivo de amendoim varia de região para região e do tipo de tratos culturais adotados. Entretanto, o valor gasto para safra 2021/2022 foi de 12 mil reais por hectare, em média.

A maior parte do custo fica por conta das sementes. Elas precisam ter uma boa qualidade e ser originadas em locais idôneos. Ainda, o arrendamento da área vem em segundo lugar no custo, o que se for terra própria reduz este valor.

Em relação à rentabilidade de quem produz, o preço pago dos produtos tem que acompanhar o aumento dos insumos, como adubos. Porém, nem sempre isso ocorre.

Comparando os preços dos últimos 10 anos, o valor pago na saca de 25 kg de amendoim em casca tem aumentado. Isso causa uma rentabilidade maior de quem produz.

O lucro por hectare de amendoim vai depender do valor gasto com insumos, da produtividade obtida e do valor de venda por saca. Por isso, é importante fazer o custo de produção para saber qual valor mínimo de venda da sua produção. 

Valor dos últimos 10 anos da saca de 25 kg de amendoim em casca, em vermelho preço nacional e azul preço pago no estado de São Paulo 
(Fonte: Agrolink)

Conclusão

A plantação de amendoim é importante em diversos sistemas de produção. O Estado de São Paulo é o maior produtor desta cultura no Brasil, principalmente devido ao seu plantio pós cana-de-açúcar.

Cada um dos dois tipos de porte de plantas possui suas peculiaridades quanto ao ciclo e desenvolvimento de vagens. Entretanto, a rentabilidade causada por ambos é igualmente boa.

Por isso, fique de olho nos métodos de manejo para cada um desses tipos de porte para garantir boas produtividades. Na dúvida, não deixe de tirar dúvidas com uma pessoa profissional da agronomia.

E aí? Ficou com alguma dúvida sobre a plantação do amendoim? Acha que essa pode ser uma boa opção para a sua fazenda? Deixe seu comentário abaixo!

Lagarta-rosada: veja como livrar o algodoeiro dessa praga

Lagarta-rosada: veja quais são as características, fases de cultivo em que causa maiores danos, como identificar, estratégias de MIP e mais!

A lagarta-rosada é um inseto-praga que causa diversos danos na cultura do algodão. Quando adulta, a praga é uma mariposa cinza, fina e com asas. Quando está no estádio de larva, possui cor branca e tem oito pares de perna.

Essa larva possui faixas cor-de-rosa pelo corpo, o que dá origem ao seu nome popular. Ainda, ela é super pequena, com apenas meia polegada de comprimento. Conhecer bem suas características é fundamental para evitar que essa praga cause danos no seu algodoeiro.

Neste artigo, veja como identificá-la em diferentes fases de desenvolvimento e como utilizar o Manejo Integrado de Pragas para garantir um bom controle. Boa leitura!

O que é a lagarta-rosada do algodão?

A lagarta rosada também possui outros nomes científicos, como Gelechia gossypiella, Pectinophora Gossypiella e Plateydra gossypiela. No entanto, todos se referem ao mesmo inseto.

A lagarta-rosada pertence à classe Insecta, ordem Lepidoptera e gênero Pectinófora. Ela é uma das principais pragas do algodão, e está distribuída especialmente no hemisfério Sul. No Brasil, ela está presente de forma generalizada, especialmente nos seguintes Estados:

  • Alagoas;
  • Amazonas;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Espírito Santo;
  • Maranhão;
  • Mato Grosso;
  • Minas Gerais;
  • Pará;
  • Paraíba;
  • Paraná;
  • Pernambuco;
  • Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Norte;
  • Santa Catarina;
  • São Paulo;
  • Sergipe. 
Distribuição da lagarta-rosada do algodão no mundo. Os círculos amarelos correspondem ao local onde a praga já foi identificada
(Fonte: Banco de dados global, 2022)

O hospedeiro principal desta praga é a cultura do algodão (Gossypium hirsutum). No entanto, ela pode estar presente em outras espécies de algodão, bem como em plantas como quiabo e hibisco.

Alguns países importantes, como Estados Unidos, tem a lagarta rosada categorizada como praga de quarentena desde 1989. Desde 2018, ela é considerada erradicada no país.

Como identificar a Pectinophora Gossypiella em casa fase

Os ovos da lagarta são branco-esverdeados, e são postos individualmente ou em grupos de 15 ou 20 ovos.  Após esse período, os ovos mudam de cor. Após eclodirem os ovos, as lagartas têm tamanho aproximado de 2 mm, e passa por diferentes fases de desenvolvimento:

  • Primeira fase: em 3 a 4 dias após a eclosão as lagartas aumentam em tamanho, atingindo 4 mm. A coloração da cabeça da lagarta é amarela com marrom-escuro;
  • Segunda fase: as lagartas adquirem coloração branca, aumentando lentamente em tamanho até atingir 6 mm;
  • Terceira fase: as lagartas possuem marcações rosa visíveis, que podem ser visualizadas em função do contraste das marcações com a cor creme do restante do corpo;
  • Quarta fase: a lagarta adquire coloração rosa, atingindo aproximadamente 9 mm. Nesta fase, alimenta-se dentro do capulho. Após a alimentação da lagarta, ela sai do capulho e cai no solo para dar continuidade ao seu ciclo.

No solo, a lagarta-rosada do algodão responde de forma diferente às condições de temperatura. Isso pode acontecer de duas formas diferentes:

  1. A lagarta pode dar sequência ao seu ciclo, transformando-se em uma pupa marrom brilhante de 7 mm a 10 mm de comprimento;
  2. Ir para a diapausa, em que há suspensão do seu desenvolvimento em função das condições ambientais adversas. Isso permite a sobrevivência do inseto.

A duração do ciclo de vida total da lagarta é influenciado pela temperatura, podendo ser entre 21 a 45 dias. Além disso, é importante lembrar que o hábito deste inseto é noturno.

Portanto, as inspeções das áreas de produção devem ser realizadas em períodos que favoreçam maior atividade da praga. Isso facilita a sua visualização e quantificação.

Aspecto visual da lagarta-rosada reduzindo a qualidade das fibras produzidas em função da alimentação
(Fonte: Queiroga, 2017)

Danos causados pela lagarta-rosada do algodão

A lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella) é uma praga que causa danos importantes na cultura do algodão. Ela afeta a produtividade da cultura, mas também a qualidade do algodão produzido. Afinal, a lagarta deposita seus ovos nas maçãs novas do algodoeiro.

Os prejuízos causados são variáveis. Porém, o principal problema encontra-se no seu ciclo de vida. Afinal, essa praga consegue sobreviver mesmo em condições ambientais adversas e sob a palhada ou no solo. Especialmente em plantio direto, seu controle é muito difícil.

Além disso, é bom lembrar que o principal produto do algodão são as fibras e que os danos ocorrem principalmente nos capulhos. Ou seja, há redução da produtividade e da qualidade do algodão, gerando danos duplos.

Relatos de resistência da lagarta já foram documentados em diversos países, especialmente na tecnologia Bt. Também fique de olho nos danos causados nas flores e no capulho do algodoeiro:

  • Se o ataque ocorrer no início do florescimento, as flores podem não abrir, tornando-se rosetadas.
  • Já nos frutos e logo após a eclosão, a lagarta rosada alimenta-se inclusive das sementes formadas.
Lagarta-rosada causando danos em maçãs do algodão, inviabilizando a produção de algodão.
(Fonte: Dos Santos, 2006 e Fand et al., 2019)

Fases de cultivo em que causa maior prejuízo e danos

A lagarta-rosada tem chamado atenção nas últimas safras. Embora os problemas possam ocorrer em diferentes fases de desenvolvimento da cultura, a manifestação na lavoura ocorre entre 70 a 100 dias da semeadura. Em outras palavras, no início do florescimento

No entanto, vale lembrar que o comportamento do inseto pode ser diferenciado a depender do local de produção, da cultivar utilizada e do manejo. Por isso, o monitoramento deve ocorrer em todas as fases de desenvolvimento.

Como controlar a lagarta-rosada-do-algodoeiro com MIP?

O controle eficiente da lagarta-rosada do algodão envolve a junção de diferentes métodos de controle. Isso é feito através do Manejo Integrado de Pragas, que engloba ações como:

  • cuidado com a época de semeadura do algodão;
  • manejos culturais;
  • retirada de maçãs e capulhos caídos ao chão;
  • eliminação de restos culturais após a safra;
  • controle químico e biológico.

No Agrofit, você pode consultar os defensivos recomendados para o controle da lagarta. No entanto, a escolha do defensivo deve considerar o que menos causa danos aos inimigos naturais

Quando possível, opte por inseticidas que sejam seletivos aos inimigos naturais. Afinal, a eliminação dos inimigos naturais de pragas pode aumentar a população de uma praga secundária.

Pragas secundárias podem não causar danos econômicos à cultura em um dado momento. Mas ao se tornar primária, também pode reduzir a produção e produtividade do algodoeiro. Confira outras medidas indispensáveis para controlar a lagarta-rosada.

Manejos culturais da Pectinophora Gossypiella

Dos manejos culturais, fazer a semeadura de área de refúgio para evitar a resistência na tecnologia Bt é fundamental. Você também pode usar cultivares de ciclo precoce para evitar exposição prolongada à praga.

Além disso, evite semeaduras precoces. Neste cultivo, os insetos em hibernação podem emergir. Isso aumenta a sua população para quando o cultivo principal for semeado.

Quando a cultura é semeada em época ideal, os insetos que estão sob hibernação emergem e não possuem hospedeiro para continuar o seu ciclo. Isso reduz sua população na área de cultivo, fenômeno denominado “emergência suicida”.

Armadilhas

O monitoramento da população de mariposas e da lagarta-rosada do algodão pode ser realizada também com a instalação de armadilhas. Elas devem possuir feromônio sexual feminino para atrair os insetos.

Manejos químicos e biológicos

Para controlar a lagarta-rosada, o uso de fungos entomopatogênicos pode ser uma ótima solução. Ainda, você pode realizar a liberação de ovos como espécies de Trichogramma.

Essas espécies tornam-se grandes populações de vespas adultas. Siga as instruções do fabricante do produto sobre a quantidade de ovos por hectare. Além disso, em um ano de cultivo, pesquisas indicam a necessidade de liberação de parasitóides até 12 vezes

Isso deve ser feito com intervalo de até 15 dias a partir do florescimento da cultura. Quando necessário, você também pode utilizar inseticidas com ação ovicida

Em relação ao manejo químico, a aplicação do  produto caulim, na concentração de 60 g L‑1, também é indicada.

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Manejos pós-colheita dessas principais pragas do algodão

O controle após a colheita do algodão em locais de armazenamento, galpões, depósitos, esteiras, descaroçadores deve ser realizado. Esses locais servirão como início de uma infestação para a próxima safra. 

Para isso, as iscas com feromônios também são uma boa opção.

Qual o nível de controle para a lagarta-rosada do algodoeiro?

Se você cultiva algodão e desconfia (ou já notou) da presença da lagarta-rosada, é necessário ficar de olho no nível de controle ideal. Dessa forma, é possível evitar que sua lavoura sofra grandes danos econômicos.

O controle da lagarta-rosada deve iniciar quando 5% das maçãs do algodoeiro em formação, em uma amostragem de 100 maçãs, apresentarem danos. 

Além disso, o monitoramento da lavoura deve ser constante, especialmente no período reprodutivo, fase em que os danos são mais severos.

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Conclusão

A lagarta-rosada é uma das principais pragas do algodão, e possui difícil controle por causa da redução da eficiência de inseticidas. Isso é reflexo da ausência da implantação de áreas de refúgio em cultivos Bt e no uso inadequado de inseticidas.

Nesses casos, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) deve ser priorizado, sendo uma ferramenta importante no manejo de resistência. Ainda, diversas opções de controle biológico podem ser encontradas.

Na dúvida em relação a essas medidas de controle, não deixe de buscar o conhecimento de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) sobre melhores estratégias de uso.

Você já percebeu a presença da lagarta-rosada no seu algodoeiro? Tem dificuldades sobre como fazer o manejo? Adoraria ler seu comentário.

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha olho-de-rã na soja

Mancha olho-de-rã: saiba o que causa a doença, quais são os sintomas, como ocorre a disseminação e quais as medidas de controle.

A cultura da soja é afetada por diversas doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus. Dentre as doenças fúngicas, a mancha olho-de-rã se destaca por acontecer no final de ciclo. 

Ela foi identificada pela primeira vez no Brasil na década de 70. Graças ao desenvolvimento de cultivares resistentes, essa doença encontra-se sob controle.

Mesmo assim, conhecer suas características e entender como diagnosticá-la na lavoura é fundamental. Ainda, é preciso conhecer as formas de manejo para conseguir agir antes de sofrer danos econômicos.

Neste artigo, saiba mais sobre os sintomas da mancha olho-de-rã, entenda como ela se dissemina na cultura da soja, condições ideais para desenvolvimento e mais. Boa leitura!

Características e sintomas da cercospora na soja

A mancha olho-de-rã é uma doença foliar causada pelo fungo Cercospora sojina. Ele apresenta variabilidade genética. No Brasil, já foram identificadas 25 raças do fungo. Ela pode se manifestar em qualquer estádio da cultura

No entanto, a ocorrência dessa doença é maior no período reprodutivo da soja, a partir do florescimento. Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta: folhas, hastes, vagens e sementes. 

Nas folhas, os sintomas surgem como pequenos pontos com aparência “encharcada”. À medida que a doença evolui, essas pontuações evoluem para manchas arredondadas, com tamanho variando de 1 mm a 5 mm de diâmetro.

É comum que esses sintomas sejam observados primeiro nas folhas jovens de soja.

Na face superior das folhas, o centro das manchas tem cor castanho-clara e margem castanho-avermelhada. Na face inferior, as manchas são acinzentadas em razão da esporulação do fungo.

Com o tempo, as manchas foliares se juntam, causando a desfolha prematura das plantas. Assim, a desfolha precoce e as lesões foliares reduzem a área fotossintética da planta, o que compromete o peso e a qualidade dos grãos.

Lesões características da mancha olho-de-rã na soja
(Fonte: Mian, 2008)

Nas hastes e nas vagens da soja, os sintomas se manifestam no final da fase de enchimento de grãos da soja. Inicialmente, aparecem pequenas lesões com aspecto aquoso que evoluem para manchas maiores. 

Nas hastes, as manchas têm formato elíptico ou alongado, e o centro da lesão é acinzentado, com borda castanho-avermelhada. Nas vagens, as manchas têm o centro deprimido, formato circular e cor castanho-escuro. 

Sintoma de mancha olho-de-rã em vagem de soja
(Fonte: Crop Protection Network)

As sementes de soja infectadas pelo fungo Cercospora sojina podem apresentar rachaduras e manchas de cor castanha, parda ou cinza. As plântulas de soja originadas a partir de sementes contaminadas apresentam lesões necróticas. 

Como diagnosticar a mancha olho-de-rã na lavoura

Em campo, o diagnóstico da mancha olho-de-rã na soja não é tão simples. Os sintomas dessa doença podem ser confundidos com os sintomas de outras doenças, e também com fitotoxicidade causada por herbicidas.

Sintomas iniciais da mancha olho-de-rã em folha de soja
(Fonte: Universidade de Nebraska – Lincoln)

Diante disso, o recomendado é enviar amostras de plantas sintomáticas a um laboratório de fitopatologia para a realização do diagnóstico, através da análise foliar. Em caso de dúvida, sempre procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Somente a partir da correta identificação do problema é possível traçar as melhores estratégias de manejo da lavoura.

Condições para o desenvolvimento da Cercospora sojina

A incidência e a severidade das doenças estão relacionadas à presença do fungo, a suscetibilidade da cultivar e as condições ambientais. 

No caso da mancha olho-de-rã, as condições favoráveis são alta umidade, maior que 90%. Ainda, temperaturas entre 25°C e 30°C podem favorecer o fungo. A formação de orvalho e temperaturas noturnas acima de 20°C também apresentam riscos.

A monocultura da soja e o plantio direto são sistemas que beneficiam o desenvolvimento da mancha olho-de-rã. Afinal, esse fungo sobrevive em tecidos mortos da planta hospedeira

Disseminação e ciclo da doença

A cercospora na soja sobrevive nos restos culturais e nas sementes de soja, sendo considerados inóculos primários. No período da entressafra, esse patógeno também pode sobreviver em plantas de soja tiguera. 

Dessa forma, a infecção das sementes de soja garante a sobrevivência e a disseminação do fungo a longas distâncias. Nas sementes, a cercospora na soja sobrevive por um período de 6 a 7 meses.

Em campo, os esporos do fungo são dispersos por gotículas de água e pela ação do vento.

Ciclo da doença mancha olho-de-rã em soja
(Fonte: Danelli, 2010)

Manejo da mancha olho-de-rã na soja 

A estratégia mais eficiente para o manejo da mancha olho-de-rã é o plantio de cultivares de soja resistentes. O uso de material genético não suscetível à doença apresenta baixo custo, além de ser ambientalmente seguro.

Em lavouras semeadas com cultivares suscetíveis à doença, é importante que após a colheita, os restos vegetais sejam incorporados ao solo. Essa medida diminui a sobrevivência do fungo para a próxima safra. 

Outra técnica para o manejo da mancha olho-de-rã na soja é o tratamento químico das sementes com fungicidas específicos. 

Essa tática evita a entrada de fungos na lavoura e protege as sementes desses patógenos. Além disso, o tratamento químico garante melhor desenvolvimento inicial da cultura e o estabelecimento de um estande uniforme de plantas.

Para o tratamento das sementes de soja, é recomendado o uso de fungicidas do grupo químico benzimidazol associados à fungicidas de contato. O manejo dessa doença também envolve a adoção de outras boas práticas agronômicas, como: 

Essas técnicas melhoram o desempenho da cultivar plantada e aumentam a produtividade.   Depois de detectada a doença em campo, o controle é realizado pela aplicação de fungicidas. Na soja, os produtos registrados para o controle da mancha olho-de-rã são:

  • carbendazim;
  • carboxina + tiram;
  • difenoconazol;
  • fludioxonil;
  • tiram.
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A mancha olho-de-rã é uma doença de final de ciclo da cultura da soja. Ela é causada pelo fungo Cercospora sojina

Os sintomas podem ser observados em toda parte aérea da planta. Inicialmente, surgem pequenas manchas com aspecto encharcado que evoluem para lesões maiores. As sementes contaminadas e os restos culturais são as principais fontes de inóculo primário.

O manejo da mancha olho-de-rã é feito, principalmente, pelo plantio de cultivares de soja resistentes. Outras formas de controle da doença envolvem o tratamento de sementes e a aplicação de fungicidas.

Você já teve problema com a mancha olho-de-rã na sua lavoura? Qual estratégia de controle foi adotada? Conte sua experiência nos comentários.

Irrigação por superfície: veja se a prática é ideal para sua fazenda

Irrigação por superfície: saiba como funciona, quais são os tipos existentes, as fases desse processo, vantagens e desvantagens.

A agricultura irrigada fornece água às plantas em momentos em que a precipitação natural não é suficiente para manter o solo com bons níveis de umidade. Para isso, existem 3 tipos principais de irrigação: por superfície, por aspersão e localizada.

Cada tipo e método de irrigação se adequa à realidade dos produtores. Isso varia conforme capacidade de investimento, características da área e culturas de interesse

Dentre esses tipos, a irrigação por superfície pode ser interessante para produtores em áreas planas e com solos mais pesados. Pensar em utilizar um método de irrigação te ajuda a evitar estresse hídrico e danos na cultura.

Nesse artigo, conheça as vantagens e desvantagens do método de irrigação por superfície, suas especificações e técnicas de implantação. Boa leitura!

Como funciona o método de irrigação por superfície?

A irrigação por superfície é um método que se baseia na cobertura do solo com uma lâmina de água que irá infiltrar no perfil do solo. A água é aplicada diretamente na superfície a ser irrigada, e isso acontece através da gravidade.

Por isso, esse método também é conhecido como irrigação por gravidade.

A água pode se acumular na superfície do solo, criando uma diferença de potencial hídrico entre a superfície e as camadas do perfil do solo. Isso faz com que a água seja distribuída para as camadas mais profundas pela força da gravidade.

Consequentemente, o gradiente de umidade existente é igualado. O método depende, principalmente, das características do solo, como capacidade de retenção de água na superfície, escoamento e infiltração.

Esses parâmetros devem ser considerados antes da implantação do sistema de irrigação por superfície. Você também precisa os considerar nos cálculos de quantidade de água e frequência de molhamento.

O que é irrigação por subsuperfície?

A irrigação de subsuperfície por inundação é um método que pode também ser aplicado. Ele se baseia na aplicação de água no subsolo, em em camadas mais profundas. O objetivo é aumentar artificialmente o nível natural do lençol freático.

Isso permite maior disponibilidade de água na parte mais superficial do solo. Esse método é normalmente indicado para solos e áreas onde a lençol freático é pouco profundo.

Diferença entre irrigação por faixas, sulcos e inundação

Existem 3 tipos básicos de irrigação por superfície: sulcos, faixas e inundação. Cada um possui suas características próprias e recomendações específicas. Veja mais detalhes sobre cada um deles:

  • Sulcos: o sistema por sulcos consiste na abertura de canais paralelos, normalmente sentido da linha de plantio. Esses canais são inundados, fornecendo água na região da entrelinha. Essa água é absorvida pelas raízes das plantas;
  • Irrigação por faixas: o sistema de faixas consiste na inundação de faixas demarcadas no campo, limitadas por diques paralelos. Normalmente, esses diques são definidos pelo nível do terreno;
  • Inundação: o sistema de inundação consiste na aplicação de água para inundação de área total do talhão.
Exemplo de campo com irrigação de superfície, faixas e inundação total
(Fonte: Seduc)

Fases da irrigação superficial

A irrigação superficial é feita por fases, que acontecem durante todo o processo de irrigação por superfície. Essas fases são relacionadas às etapas do processo como um todo e podem ser divididas em fases de avanço, de infiltração e de recesso. 

Fase de avanço

É a fase de inundação do sulco, das faixas ou do campo como um todo. Essa é a fase em que a água se espalha pela área a ser inundada. É importante que a água chegue com uniformidade de lâmina a todos os pontos planejados na irrigação.

Fase de infiltração

Essa fase começa no momento em que a lâmina de água se estabiliza com uniformidade sobre toda a área e termina no momento em que a aplicação de água é encerrada. 

Nesse ponto, ocorre a infiltração da água no perfil do solo. A água infiltra desde a superfície até as camadas mais profundas.

Fase de recesso

A fase de recesso começa com a interrupção do fornecimento de água, e termina com o total escoamento do campo. Nessa fase, ainda haverá absorção e transporte de água no solo e escoamento da lâmina aplicada.

Vantagens e desvantagens desse método de irrigação do solo

Os métodos de irrigação apresentam vantagens e desvantagens, e a escolha pelo mais adequado tem que ser bastante criteriosa. O mesmo acontece com a irrigação por superfície. Dentre as suas principais vantagens, temos:

  • Baixo custo de implantação;
  • Baixo custo energético;
  • Não há necessidade de água límpida para execução;
  • Operação simples;
  • Adaptável a várias culturas;
  • Baixa influência de ventos que podem causar heterogeneidade de aplicação de água.

Por outro lado, assim como os demais métodos de irrigação, há desvantagens que você precisa conhecer e considerar. As principais são: 

  • Baixa uniformidade de distribuição da água, no caso do método em sulco;
  • Menor controle da lâmina de irrigação e da quantidade de água aplicada por área;
  • Alta necessidade de mão de obra qualificada;
  • Adubação mais complexa e de maior dificuldade;
  • Maior capacidade de causar acidez do solo;
  • Baixa eficiência (entre 40% e 65%) se comparada a outros métodos;
  • Maior potencial de salinização do solo por uso de altos volumes de água e alta vazão.

Fatores para escolha de sistema de irrigação de superfície

Antes de decidir se o sistema de irrigação por superfície é o ideal para você, é necessário analisar e considerar alguns pontos. 

  • Capacidade de investimento: o sistema de superfície é um sistema de baixo custo de implementação e de operação. Isso o torna uma opção viável para produtores com menor capacidade de investimento;
  • Tipo de solo e relevo: o sistema de irrigação por superfície é mais recomendado para solos mais pesados/argilosos e com maior capacidade de retenção de água e de infiltração mais lenta. Além disso, esse método é utilizado em áreas de relevos mais planos como áreas de baixada;
  • Culturas a serem implantadas: apesar de ser bastante utilizado para a cultura do arroz em baixadas, o método pode ser aplicado para diversas culturas. Isso principalmente naquelas culturas que se adaptam bem nas áreas mais planas;
  • Tamanho da propriedade: o método de irrigação por superfície pode ser usado em propriedades pequenas e também em propriedades maiores. Porém, em maiores escalas, o controle de entrega de água deve ser mais bem planejado e monitorado; 
  • Mão de obra: esse método tem uma necessidade de mão de obra bastante elevada.

Conclusão

A irrigação por superfície é um método de baixo custo de implantação e operação. Ele é interessante para produtores em áreas planas e com solos pesados.

O método tem uma baixa eficiência do uso de água por necessitar de um alto volume aplicado à área. Entretanto, pode ser uma solução para aumento de produtividade ou diminuição de perdas em alguns casos.

Casos de baixos níveis pluviométricos e risco de déficit hídrico no solo são os principais deles. Um profissional da área pode te ajudar com mais detalhes para o processo de decisão.

Leia mais>>

“Proirriga: saiba como financiar a irrigação da fazenda”

E aí? Ficou com alguma dúvida sobre o sistema de irrigação por superfície? Já utilizou algo parecido na sua fazenda? Deixe seu comentário abaixo!

Como o compêndio de defensivos agrícolas online facilita a emissão do receituário agronômico

Compêndio de defensivos agrícolas online: emissão do receituário agronômico exige consulta fitossanitária assertiva para escolha do produto certo

A emissão do receituário merece cuidados especiais, mas a boa notícia é que hoje a consulta fitossanitária dos defensivos agrícolas pode ser feita através de dispositivos online. Isso é feito do campo, facilitando o dia a dia dos profissionais habilitados na prescrição dos produtos. 

O receituário agronômico deve ser emitido de acordo com as informações das bulas dos defensivos, seguindo as recomendações dos fabricantes e das legislações dos órgãos competentes. 

Por isso, é fundamental que esses profissionais estejam sempre atentos às atualizações e registros de novos produtos, evitando-se problemas legais e ambientais. 

A escolha de uma ferramenta com informações atualizadas para a pesquisa fitossanitária é fundamental para a prescrição e uso correto dos agroquímicos. Assim, você evita multas e autuações por erros na recomendação desses produtos.  

Neste artigo, vamos mostrar como um compêndio de defensivos agrícolas online pode ser uma ferramenta de apoio nesta etapa tão importante. Boa leitura! 

Para que serve um compêndio de defensivos agrícolas?

Um compêndio de defensivos agrícolas deve fornecer dados essenciais e atualizados para embasar a prescrição de defensivos agrícolas, tornando-a mais assertiva. É sabido que a indicação e o uso correto desses produtos aumentam a eficiência do processo produtivo!

Eles são atualizados conforme as bulas desses produtos e informações recebidas de seus fabricantes, como:

  • Listagem de produtos que podem ser comercializados no Brasil;
  • Empresas fabricantes;
  • Classificação toxicológica e ambiental;
  • Classificação por organismo alvo de sua ação;
  • Controle de produtos aptos e não aptos por estados; 
  • Diagnósticos (relação de pragas);
  • Relação de culturas;
  • Modalidade e época de aplicação do defensivo
  • Controle de dosagem, volume de calda e intervalo de segurança;
  • Informações de aplicação aérea quando aplicável; 
  • Controle de número de aplicações mínimo e máximo. 

Dessa forma, a pesquisa através do compêndio agrícola auxilia os profissionais técnicos na tomada de decisão sobre os produtos mais utilizados para determinado alvo ou problema

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Tipos de defensivos agrícolas

A classificação dos defensivos pode ser feita de diversas formas. Normalmente a mais usual é de acordo com o organismo alvo de sua ação. Como exemplo, podemos citar:

  • Classificação para controle de doenças fúngicas: fungicidas;
  • Classificação para controle de doenças bacterianas: bactericidas;
  • Classificação para controle de insetos: inseticidas;
  • Classificação para controle de ácaros: acaricidas;
  • Classificação para controle de nematóides nos solo: nematicidas;
  • Classificação para controle de ervas daninhas: herbicidas

Outro tipo de classificação considera o nível de toxicidade dos produtos a humanos, sendo elas por categorias

  • Categoria 1 (faixa vermelha): produto extremamente tóxico;
  • Categoria 2 (faixa vermelha): produto altamente tóxico;
  • Categoria 3 (faixa amarela): produto moderadamente tóxico;
  • Categoria 4 (faixa azul): produto pouco tóxico;
  • Categoria 5 (faixa azul): produto improvável de causar dano agudo;
  • Não classificado (faixa verde).
agroreceita
Modelo de faixa de classificação toxicológica a ser exibida no rótulo e bula de agroquímicos. 
(Fonte: Anvisa)

Como o compêndio online minimiza erros causados pelas alterações nas bulas dos defensivos

Acompanhar o grande volume de informações contidas nas bulas dos mais de 3 mil defensivos agrícolas registrados no Brasil e suas constantes alterações é uma tarefa que exige tempo e conhecimento. 

De acordo com o Decreto Federal 4.074/02, os defensivos só poderão ser prescritos conforme as recomendações de uso de seus rótulos e bulas.

Informações mais detalhadas sobre esses produtos podem ser consultadas no Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários), plataforma do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Conforme banco de dados da plataforma AgroReceita, em apenas 6 meses, de março a agosto de 2022, 43% das bulas dos defensivos químicos e biológicos foram atualizadas pelo Mapa.

Dentre os tipos de defensivos, os herbicidas foram os produtos que mais sofreram alterações. Na sequência tivemos os inseticidas e os fungicidas.

Além das atualizações das bulas, até agosto deste ano, o Brasil registrou 228 novos produtos formulados. Ainda existiam  881 produtos químicos formulados e 90 orgânicos, biológicos e microbiológicos aguardando para serem registrados.

Diferenças na comercialização de defensivos por estado

Somando-se a isso, a legislação para a comercialização e uso desses produtos é extensa e não padronizada nos estados brasileiros. Isso dificulta o dia a dia dos engenheiros-agrônomos, engenheiros-florestais e técnicos-agrícolas.

Eles são responsáveis pela prescrição dos defensivos, que precisam se manter atualizados sobre essas alterações. Embora exista uma listagem nacional dos produtos aptos e não aptos, cada estado pode decidir pela comercialização e uso em suas fronteiras. 

Como exemplo, podemos citar o estado de São Paulo, cujo órgão responsável é o Gedave, que atualmente possui 2.140 produtos aptos para serem comercializados. Enquanto isso, o Rio Grande do Sul, regulado pelo Siga, possui 1.570 aptos para comercialização.  

Portanto, antes de prescrever os defensivos, os responsáveis técnicos precisam avaliar se os produtos podem ou não ser comercializados naquele estado.

Por que o compêndio de defensivos agrícolas online auxilia na emissão do receituário 

A consulta fitossanitária deve seguir procedimentos para avaliação sobre o nível de infestação de uma determinada praga ou doença e independe do método. Isso é feito visando ao controle por meio de aplicação de produtos fitossanitários.

A recomendação sobre quais produtos utilizar, a quantidade por hectare e métodos de aplicação deve ser acompanhada de métodos alternativos de controle e manejo de solo. O objetivo é a redução das pragas e doenças

Com um compêndio de defensivos agrícolas online é possível realizar a consulta dos defensivos químicos e biológicos registrados para uso no Brasil. Você pode fazer isso direto do campo ou de onde você estiver.

Também é possível identificar quais são os produtos mais indicados para determinada cultura, alvo ou problema. 

O compêndio de defensivos agrícolas online do AgroReceita, por exemplo, disponibiliza um banco de dados das bulas desses produtos, com atualização em tempo real, conforme dados do Mapa.

Foto da página da Agro Receita

Além disso, possibilita a pesquisa dos produtos que podem e não podem ser comercializados nos estados brasileiros. A plataforma não permite que o usuário selecione um produto inapto para seu estado. 

Um bom compêndio deve fornecer automaticamente as seguintes informações: 

  • Listagem dos defensivos aptos e não aptos por estados, por fabricantes;
  • Tipos e classificação; 
  • Relação de pragas e diagnósticos;
  • Relação de culturas; 
  • Número máximo e mínimo de aplicações;
  • Fase da cultura, do solo ou do estágio do problema;
  • Dosagem recomendada, volume de calda e cálculo da área a tratar;
  • Intervalo de segurança;
  • Época e modalidade de aplicação.

Conclusão

As atualizações das bulas dos defensivos agrícolas registrados no Brasil ocorrem com certa frequência, bem como a liberação de novos produtos a cada ano. 

Por isso, é importante que os profissionais técnicos habilitados na emissão do receituário agronômico usem ferramentas confiáveis. Elas ajudam na pesquisa do produto mais recomendado para determinado alvo ou problema. 

Outro fato importante é a base da legislação atual, que é extensa e não padronizada nos estados brasileiros. Ela pode induzir o profissional ao erro no momento da prescrição desses produtos, gerando multas altíssimas

Para tanto, o uso de um banco de dados atualizado, seja para a pesquisa fitossanitária ou para a emissão do receituário agronômico, é fundamental para a segurança dos profissionais envolvidos e para a assertividade do seu negócio

>> Leia mais:

Como reduzir os custos da gestão de herbicidas e tornar o manejo mais eficiente

Tudo o que você precisa saber para fazer sua lista de defensivos agrícolas na pré-safra

O que você precisa saber sobre mistura de defensivos agrícolas

Restou alguma dúvida sobre o compêndio de defensivos agrícolas online? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Plantação de gergelim: tudo o que você precisa saber

Plantação de gergelim: conheça as características, principais pragas e doenças da cultura, quais são as condições para o plantio e muito mais

O gergelim é uma das principais oleaginosas do mundo. Ele foi introduzido no Brasil durante a colonização portuguesa. Trata-se de uma cultura de fácil cultivo, que apresenta resistência à seca.

Nos últimos anos, as áreas destinadas ao plantio dessa oleaginosa têm crescido expressivamente. No Brasil, onde mais há plantação de gergelim é no estado do Mato Grosso.

Para cultivá-lo, é necessário saber as características da cultura e as condições ideais para garantir boa produtividade. Além disso, é interessante saber as vantagens de se plantar gergelim.

Neste artigo, veja esses detalhes e conheça as principais pragas, doenças e plantas daninhas da plantação de gergelim. Aproveite a leitura!

Características da planta do gergelim

O gergelim ou sésamo (Sesamum indicum) é uma espécie oleaginosa da família Pedaliaceae. O ciclo dessa planta varia entre 90 e 130 dias.

O caule é ereto e tem entre 0,5 e 3,0 metros de altura. O caule pode ou não apresentar ramificações, e o sistema radicular do gergelim é pivotante. As raízes secundárias alcançam grandes profundidades, o que permite o aproveitamento da água armazenada no subsolo. 

As folhas do gergelim são alternadas e opostas. Numa mesma planta, é possível encontrá-las em diferentes formatos. Nas plantas adultas, as folhas localizadas na parte inferior são mais largas e têm as bordas irregularmente dentadas

As folhas da porção superior da planta são menores e têm formato lanceolado. As flores do gergelim estão localizadas nas axilas das folhas. Pode haver entre 1 e 3 flores por axila foliar, com cor branca ou rosada. Cada flor dá origem a um fruto com cerca de 50 sementes.

O fruto do gergelim é uma cápsula de formato alongado, com entre 2 e 8 centímetros de comprimento. Dependendo da variedade, o fruto pode se abrir de maneira espontânea quando as sementes estiverem maduras, ou pode não se abrir ao atingir a maturação. 

Vale ressaltar que o grau de frutos do gergelim que se abrem espontaneamente está relacionado à colheita mecanizada. 

As sementes de gergelim são ricas em lipídeos e proteínas. Em média, elas contém 50% de óleo de elevada qualidade nutricional. As sementes são bem pequenas, têm formato ovalado e são levemente achatadas. Dependendo da cultivar, elas podem ser pretas, amarelas ou brancas.

O peso médio de mil sementes varia entre 2 e 4 gramas. Essa variação de peso ocorre em função das características da cultivar e do ambiente em que as plantas se desenvolveram. 

Principais pragas e doenças no cultivo de gergelim

A cultura do gergelim é suscetível ao ataque de várias pragas e doenças. É importante destacar que a incidência severa de fatores bióticos reflete negativamente no desenvolvimento das plantas e na produtividade final. Isso torna o manejo integrado de pragas necessário.

As principais pragas que atacam a plantação de gergelim são:

As principais doenças dessa oleaginosa são:

  • mancha-de-cercospora (Cercospora sesami);
  • mancha-angular (Cylindrosporium sesami);
  • podridão-negra-do-caule (Macrophomina phaseolina);
  • murcha-de-fusário (Fusarium oxysporum).
  • mancha-de-alternária (Alternaria sesami);
  • podridão-do-colo (Sclerotium rolfsii);
  • mancha-bacteriana (Xanthomonas campestris);
  • filoidia (Phytoplasma asteris);
  • virose (Bean common mosaic virus – BCMV).

Interferência das plantas daninhas na cultura do gergelim

As plantas de gergelim apresentam crescimento inicial bastante lento. Esse fato faz com que a fase inicial de desenvolvimento dessa oleaginosa seja sensível à presença de espécies invasoras.

As plantas daninhas competem com a cultura do gergelim por água, luz, espaço e nutrientes. Assim, o manejo das espécies invasoras deve ser realizado com muito rigor nos primeiros 45 dias após a emergência das plântulas da plantação de gergelim.

Além disso, o manejo integrado das doenças e das pragas está diretamente relacionado ao controle das plantas daninhas. Afinal, elas podem ser hospedeiras de diferentes pragas e patógenos.

Como plantar gergelim?

O gergelim é uma cultura que pode ser explorada em sistemas solteiros ou consorciados, de sequeiro ou irrigado. A época da semeadura dessa oleaginosa é determinada com base no ciclo da cultivar e com o período de chuvas onde a lavoura será instalada.

Preparo do solo e adubação

O preparo de solo é realizado com operações de aração e gradagem. Como as sementes do gergelim são pequenas e leves e a velocidade de crescimento inicial é lenta, é muito importante que o solo esteja bem preparado. 

Isso garante boas condições para a germinação e para o estabelecimento da lavoura. Para o plantio do gergelim, as recomendações de calagem e adubação devem ser sempre orientadas pela análise físico-química de solo

Vale lembrar que o gergelim extrai muito nitrogênio, fósforo e potássio do solo. Ainda, essa espécie pode ser cultivada de forma manual ou mecanizada.

Recomendações de semeadura na plantação de gergelim

Na semeadura realizada manualmente, a indicação é distribuir de 25 a 30 sementes por metro linear, em sulcos ou covas. O consumo de sementes por hectare pode variar de 1,5 kg a 3,5 kg, dependendo do espaçamento entre plantas e entre linhas adotado.

Para o plantio de cultivares de gergelim ramificadas, a recomendação de espaçamento varia de 80 cm a 100 cm entre fileiras, e 20 centímetros entre plantas. 

Já para cultivares não ramificadas, o espaçamento é de 60 cm a 70 cm entre filas, e 10 centímetros entre plantas.

Densidade do plantio das cultivares de gergelim

É importante que as sementes de gergelim sejam plantadas a uma profundidade de 1 cm a 2 cm. A densidade de plantio indicada para a plantação de gergelim é de 100 mil plantas/hectare. Para isso, é preciso realizar dois desbastes, eliminando as plantas menos vigorosas.

O primeiro desbaste é feito quando as plantas apresentarem quatro folhas. Nesse caso, são conduzidas 20 plantas/metro

Já o segundo desbaste é realizado quando as plantas estiverem com aproximadamente 15 centímetros de altura. Aqui, o ideal é que se conduza de 8 a 10 plantas/metro.

Solo e clima adequados para o plantio de gergelim

O gergelim se desenvolve bem em solos de textura média e férteis. Outras características desejáveis são boa drenagem do solo e boa profundidade. 

Essa planta também tem preferência por solos com boa capacidade de retenção de água e pH próximo da neutralidade, em torno de 7%. Além do mais, o gergelim não tolera encharcamento, compactação do solo e salinidade.

De modo geral, condições de clima quente e seco favorecem o desenvolvimento dessa espécie. As temperaturas ideais para o desenvolvimento do gergelim situam-se entre 25°C e 30°C.

A plantação de gergelim é pouco exigente em água. Porém, é importante que as chuvas sejam bem distribuídas ao longo do ciclo da cultura. O plantio dessa oleaginosa é recomendado em áreas com precipitação média anual variando entre 400 mm e 650 mm

Durante o ciclo da cultura, 80% do total de chuva deve ocorrer até a fase do florescimento e, no máximo, 20% durante a maturação dos frutos.

Chuvas em excesso e por longos períodos são prejudiciais para o crescimento das plantas de gergelim, além de favorecer o aparecimento de doenças fúngicas. Chuvas intensas podem provocar ainda o acamamento das plantas e queda das flores.

Por que ter plantação de gergelim no Brasil?

Nos últimos anos, o interesse pela cultura do gergelim tem crescido em função do alto valor comercial da semente e do óleo. Apesar disso, quando comparada a outras oleaginosas, como a soja e o girassol, a produção de gergelim ainda é pouco expressiva no Brasil.

Diante disso, é importante reforçar que o gergelim é uma espécie resistente à seca e adaptada às condições de solo e clima brasileiro. Além disso, é uma ótima opção para diversificar a produção agrícola

Essa oleaginosa pode ser cultivada em rotação com a soja, feijão, milho, sorgo e algodão. Ainda, há a possibilidade do plantio consorciado com espécies frutíferas e florestais. 

A plantação de gergelim também é de fácil cultivo e exige práticas agrícolas simples. Isso faz dessa cultura uma excelente alternativa para pequenos e médios produtores.  Além do valor nutricional das sementes, o gergelim é usado em diversos setores da indústria cosmética, farmacêutica e oleoquímica.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

O gergelim é uma importante oleaginosa e que vem despertando o interesse dos produtores em razão do alto valor da semente e do óleo. As sementes do gergelim são ricas em óleos, que podem ser aplicados em diferentes segmentos industriais.

Além de ser um excelente alimento, o gergelim é uma opção para a rotação de culturas e para diversificar a produção agrícola. Também é uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas do Brasil, que não necessita de tratos culturais complexos.

Se você tem interesse em cultivar essa espécie e tem alguma dúvida sobre os manejos, não deixe de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já conhecia essa cultura? Já pensou em ter uma plantação de gergelim na sua propriedade? Conte sua experiência nos comentários.

Curuquerê-dos-capinzais: como identificar e controlar

Curuquerê-dos-capinzais: conheça as características, quais culturas são afetadas pela praga e como manter a lavoura livre dela

Também conhecida como curuquerê-do-algodão, essa lagarta desfolhadora é considerada uma das principais pragas do algodoeiro. Ela pode reduzir a produtividade da cultura em até 67%.

Por causar danos tão significativos, conhecer todas as características da praga é fundamental para controlá-la antes de sofrer prejuízos. Além disso, saber os manejos corretos te ajudará a manter a sua cultura saudável e produtiva.

Neste artigo, conheça as principais características da lagarta curuquerê-dos-capinzais, bem como culturas afetadas e danos causados por ela. Boa leitura!

O que é o curuquerê-dos-capinzais?

A lagarta curuquerê (Alabama argillacea ou mocis latipes) ou lagarta dos capinzais, é chamada de diferentes formas. No entanto, ela pertence à ordem Lepidóptera, e é uma mariposa da família Erebidae. Ela é encontrada em diversos lugares, desde América do Norte, Central e do Sul.

Ela pode atacar outras espécies além do algodão, e possui duas características importantes. A primeira é que ela possui hábitos migratórios. Ou seja, as mariposas tendem a migrar de diferentes locais. Por isso, o controle regional é extremamente importante.

Alteração de cor da mocis latipes é visualizada quando esta atinge altas populações na área de cultivo
(Fonte: F.J. Celoto/Lab. MIP – Unesp/Ilha Solteira)

A segunda característica é o hábito monófogo durante o estádio larval. Isso significa que as mariposas são encontradas majoritariamente na cultura do algodão.

Período larval e ciclo de vida da mocis latipes

A cultivar utilizada na lavoura pode responder de forma diferente ao número de ovos ovipositados pela lagarta. Ela pode influenciar em maior ou menor postura.

Cada fêmea pode ovipositar entre 6 e mais de 1700 ovos. A escolha da cultivar mais adequada à área, observando o histórico de ataque da lagarta, é fundamental.

O período de oviposição da lagarta dura aproximadamente um mês. Após, os ovos são incubados durante 4 e 6 dias, eclodindo posteriormente e liberando as novas lagartas ao ambiente.

O tempo em que a lagarta permanece em fase de lagarta é variável. Ele pode durar até 30 dias, a depender da temperatura. O período em que a lagarta entra no casulo para se transformar em mariposa, pode durar entre 10 e 30 dias.

Esse período também é influenciado pela temperatura. No verão, e consequentemente em temperaturas mais elevadas, o ciclo de vida pode ser mais rápido. Assim, o potencial de danos é maior, exigindo cuidados redobrados.

Temperaturas entre 25°C e 30°C são favoráveis à lagarta. Temperaturas acima de 35°C prejudicam o desenvolvimento da espécie, assim como temperaturas muito amenas.

Como identificar a praga

Esta lagarta tem coloração diferente das principais lagartas da soja, do algodão e do milho. Sua coloração é verde clara, e ela possui duas estrias dispostas ao longo de todo o corpo. Além disso, há pontos pretos distribuídos aleatoriamente de uma extremidade até a outra.

Característica da lagarta-caruquerê-dos-capinzais em fase larval ou de lagarta, pré-pupa (à esquerda) e pupa (à direita).
(Fonte: González et a., 2021)

Mas esta não é a única cor que esta lagarta pode ter. Em populações elevadas, elas mudam de coloração. O corpo torna-se preto, mantendo as listras brancas e os pontos pretos visíveis nas laterais do corpo. 

Desta forma, ao visualizar lagartas pretas na lavoura, produtores já podem ter ideia de que a população deste inseto está elevada. Consequentemente, os danos já estão ocorrendo em grandes proporções.

Lagarta-dos-capinzais em fase adulta, sobre folha de soja
(Fonte: González et a., 2021)

Distribuição da lagarta curuquerê nas regiões produtoras

No Brasil, a ocorrência da lagarta é principalmente entre os meses de janeiro a julho. No entanto, apresenta diferenças nas regiões. Na região Centro-Sul, a lagarta pode ser observada principalmente a partir do mês de dezembro, até julho. 

Em São Paulo, em contrapartida, o pico de maior população deste inseto ocorre próximo ao mês de abril. No Nordeste, pode ocorrer no início de janeiro até o mês de maio. 

Desta maneira, geralmente, as infestações têm origem inicial na região Centro-Norte, e posteriormente para a região Centro-Sul do país. 

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Curuquerê no algodão e em outras culturas

Na cultura do algodão, principal cultura afetada, os danos podem ocorrer em todas as partes da planta. Entretanto, os danos acontecem especialmente quando a população da praga encontra-se elevada na área. Ou, ainda, quando há pouca disponibilidade de alimento.

Inicialmente, a lagarta se alimenta de folhas novas do ponteiro, que apresentam sinais de raspagem. Com o avançar, as lagartas atacam o terço mediano da planta, provocando desfolha generalizada.

Ela pode consumir mais de 90 cm² de folhas até completar todo o seu ciclo de vida. Dada a capacidade de cada fêmea ovipositar até entre 1800 ovos, uma única lagarta pode causar redução da área foliar. Essa redução pode ser equivalente a mais de 16,2 m²

Sendo as folhas indispensáveis para a fotossíntese e para a produção, a rápida identificação desta praga para o controle é fundamental. Assim, você consegue manter o potencial produtivo da cultura frente a este inseto.

Para a cultura do algodão, as fases iniciais e a abertura das maçãs são as mais críticas. A primeira é delicada pois pouca quantidade de folhas estarão disponíveis, fazendo com que a lagarta consuma outras partes da planta. 

A segunda também é delicada, já que o ataque à maçã provoca maturação forçada. Isso causa redução da qualidade e quantidade das fibras produzidas. Até os 135 dias, a lagarta pode ainda, causar:

  • redução do peso do capulho e das sementes;
  • redução da porcentagem e uniformidade das fibras;
  • retardo do ciclo floral em aproximadamente um mês.

A lista de culturas afetadas é longa. A presença próxima destas culturas a áreas de produção de algodão podem favorecer a reprodução da praga e as infestações iniciais. A lagarta curuquerê também pode afetar significantemente a:

Além da lagarta ser um problema, as mariposas (fase posterior a lagarta), também têm potencial de causar danos. Afinal, elas podem se alimentar de diferentes espécies frutíferas.

Manejo da lagarta Alabama argillacea

O manejo da lagarta curuquerê-dos-capinzais não é tarefa fácil e exige um conjunto de medidas. Elas incluem controle preventivo, controle cultural, controle genético, controle biológico e controle químico.

Controle preventivo

Algumas medidas preventivas para evitar a ocorrência desta praga é evitar que condições ideais de desenvolvimento sejam dadas.

Nas últimas safras, os danos causados pelo curuquerê-dos-capinzais têm ocorrido no início da safra. Isso acontece muito em razão da presença contínua das plantas de algodão, que permanecem nas áreas de cultivo após a safra.

Por isso, o monitoramento da área e beiradas de lavouras e estradas é fundamental. Assim, você elimina as plantas tigueras.

Com a presença de plantas de algodão na área, a lagarta encontra condições de continuar a produzir novos indivíduos. Desta maneira, as infestações tendem a ocorrer cada vez mais cedo, visto que a lagarta já possui uma pequena população presente na lavoura.

Controle cultural

As medidas de controle cultural tem como objetivo manejar a cultura em benefício próprio, dificultando o estabelecimento da praga nas áreas de produção. 

A redução da irrigação com pivô pode auxiliar no controle. No entanto, é necessário observar que esta prática pode favorecer outras pragas importantes, como a mosca-branca.

Controle genético

Outra medida utilizada para o controle da lagarta curuquerê do algodão é a escolha de cultivares resistentes ou tolerantes. Essa é uma medida fundamental, uma vez que este inseto já apresenta relatos de resistência a alguns inseticidas químicos.

Controle com inimigos naturais

Alguns parasitóides e fungos atuam como inimigos naturais e podem ser utilizados no controle desta lagarta. 

É importante que medidas de manejo integrado de pragas sejam tomadas em conjunto. Afinal, uma única forma de controle geralmente não é eficaz a longo prazo.

Para a utilização do controle biológico e químico, é necessário que produtores e técnicos tenham conhecimento dos produtos utilizados e verifiquem a compatibilidade entre eles. 

Além disso, é necessário conhecer o período entre as aplicações, para evitar interferência na eficiência do controle.

Controle químico

Para a cultura do algodão, segundo o Agrofit, existem atualmente 277 produtos registrados para o controle desta lagarta na cultura do algodão. Dentre eles, existem opções à base dos ingredientes ativos:

  • Abamectina;
  • Acefato;
  • Beta-cipermetrina;
  • Bifentrina;
  • Fipronil;
  • Cipermetrina;
  • Clorpirifós;
  • Cipermetrina;
  • Diflubenzurom;
  • Metomil, dentre outros.

No entanto, a escolha do controle químico deve sempre ser baseada no inseticida que cause menos danos aos inimigos naturais presentes na área.

O uso contínuo de inseticidas não seletivos (que eliminam também os inimigos naturais presentes na área de cultivo) podem provocar o desequilíbrio. Isso acontece ao ponto de uma praga secundária vir atingir uma população que cause danos à cultura.

Este é o caso de inúmeras espécies de lagartas que assumiram papel de pragas primárias em diversas culturas, principalmente na cultura do milho. Por isso, o manejo integrado de pragas com a junção de diferentes métodos de controle é indispensável.

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Conclusão

A lagarta curuquerê dos capinzais ou do algodoeiro é uma das principais pragas da cultura. A identificação rápida do problema é fundamental para o controle, especialmente devido aos riscos da resistência dessa praga aos inseticidas.

Além disso, é fundamental que outros métodos de controle sejam empregados de forma conjunta. Alguns exemplos são o controle preventivo, controle cultural, genético, biológico (quando possível e disponível) e químico.

Também é importante evitar que a população da praga alcance grandes densidades. Isso principalmente devido aos riscos de pressão de seleção de indivíduos resistentes aos inseticidas químicos.

Você já percebeu a presença do curuquerê-dos-capinzais na sua lavoura? Compartilhe conosco, vamos adorar o seu comentário!