CCIR: o que é e como funciona o Cadastro de Certificado de Imóvel Rural

CCIR: saiba quem deve emitir, como fazer, possíveis problemas na emissão e muito mais!

Para regularizar um imóvel rural, a emissão do CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural) é obrigatória.

Além disso, não possuir o cadastro pode impedir diversas ações de quem é proprietário ou posseiro de terra, como tomar crédito rural, por exemplo.

Neste artigo, entenda qual a finalidade do certificado, quem deve emitir, como emitir, entre outras informações. Tenha uma boa leitura!

O que é o CCIR?

O CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural) é um documento expedido pelo Incra e serve para comprovar a regularidade de um imóvel

O documento comprova que o imóvel rural está inscrito no SNCR (Sistema Nacional de Cadastro Rural) e contém informações sobre o titular, a área, localização, exploração e classificação fundiária do imóvel rural

Os dados presentes no CCIR são cadastrais e de uso governamental na elaboração de políticas públicas. Isso não legitima o direito de posse da terra.

O CCIR é fundamental para uma série de atividades que o proprietário queira realizar com o imóvel. O Art. 22 da Lei nº 4.947/1966 dispõe sobre as finalidades do certificado.

Proprietários de terra devem apresentar o documento sempre que desejarem desmembrar, arrendar, hipotecar ou vender o imóvel rural. Para homologar a partilha amigável ou judicial em caso de falecimento do proprietário também é necessário. 

O CCIR é fundamental para uma série de atividades. Por exemplo, para registro da propriedade em cartório, inventários, acesso a financiamentos rurais, crédito rural e para a aposentadoria rural. 

A alteração em qualquer um desses itens deve ser comunicada ao Incra, através da Declaração para Cadastro Rural. O certificado de imóvel rural deve ser emitido anualmente pelos proprietários e posseiros de imóveis rurais cadastrados.

Como emitir CCIR?

Para emitir o certificado, é preciso acessar o site do SNCR (Sistema Nacional de Cadastro Rural). Na tela inicial é preciso informar alguns dados como: 

  • o código de 13 dígitos do imóvel rural;
  • município e estado sede do imóvel;
  • informar se é pessoa física ou jurídica;
  • CPF do titular declarante.

Se você não sabe o código do imóvel rural, pode buscar a sede mais próxima do Incra para solicitar.

Página do SNCR para emissão do CCIR
Página do SNCR para emissão do CCIR
(Fonte: Sistema Nacional de Cadastro Rural)

Se o imóvel não tiver nenhum tipo de impedimento, o certificado será emitido em um arquivo PDF. 

O certificado de imóvel rural  também pode ser emitido por aplicativo para smartphones, disponível para Android ou iOS.

Quem não tem acesso aos meios digitais pode se dirigir até as unidades municipais do Incra mais próximo. Após a emissão do CCIR é preciso pagar a Taxa de Serviço Cadastral para que o certificado seja válido. Essa taxa varia de acordo com o tamanho do imóvel rural.

Quem deve emitir o CCIR?

O CCIR deve ser emitido por proprietários ou posseiros de imóveis rurais que sejam cadastrados no Incra. A emissão deve ser feita anualmente.

Esses proprietários precisam fazer o Cafir (Cadastro de Imóvel Rural) e pagar o ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). Com o imóvel cadastrado e com o imposto pago, os proprietários podem emitir o CCIR. 

Importante lembrar que não são todos os proprietários de terra que são obrigados a pagar o ITR, como por exemplo:

  • Propriedades que não excedam o tamanho de uma pequena gleba rural
    • 30 ha para imóveis situados em qualquer localidade;
    • 50 ha para imóveis localizados no Polígono das Secas ou Amazônia Oriental;
    • 100 ha para imóveis na Amazônia Ocidental ou Pantanal.
  • Áreas que pertencem ao governo federal;
  • ONGs, cultos e partidos políticos;
  • Assentamentos da reforma agrária;
  • Áreas pertencentes a comunidades quilombolas.

Entretanto, todos eles são obrigados a emitir o CCIR

Como fazer o Cadastro de Imóveis Rurais?

A inscrição ou alteração cadastral do imóvel rural é feita eletronicamente por meio do CNIR (Cadastro de Imóveis Rurais). Esse cadastro reúne dados estruturais sobre os imóveis rurais.  

O acesso ao sistema do CNIR é feito através de login e senha da conta gov.br com a obtenção de selo de confiabilidade de, no mínimo, Nível Prata.

Após fazer as solicitações, pode ser que seja necessário o envio de documentação comprobatória para a análise da Receita Federal. Neste caso, a documentação deverá ser enviada junto a um processo digital aberto no e-CAC.

A Receita Federal tem um documento com o passo a passo para abrir o processo no e-CAC e como anexar a documentação. Após aberto o processo, você deverá anexar os seguintes documentos:

  • Recibo de solicitação de serviço emitido pelo CNIR – quando utilizado o serviço do CNIR;
  • Decir (Documento de Entrada de Dados Cadastrais do Imóvel Rural) – no caso de utilização do serviço disponibilizado pelo Coletor Web;
  • Diac (Documento de Informação e atualização do ITR): exclusivamente quando não for possível utilizar o CNIR ou Coletor Web.

Além dos documentos citados acima, o recibo do envio da solicitação emitido pelo CNIR traz outros documentos que devem ser enviados no processo. 

Regras do Cadastro de Imóveis Rurais

A inscrição de imóveis rurais deve ser feita pelo portal do CNIR (Cadastro Nacional de Imóveis Rurais). Em 2015, o Incra e a Receita Federal iniciaram a integração entre o SNCR e o Cafir (Cadastro de Imóveis Rurais), criando assim, o CNIR. 

Portanto, todos os proprietários de imóveis rurais devem fazer o cadastro para o obter o Cafir e, posteriormente, emitir o CCIR.

A inscrição do imóvel rural no CNIR deve ser feita nas situações em que:

  • Imóvel rural não seja cadastrado no Cafir;
  • Aquisição de área parcial de um imóvel rural, que resulte em um novo imóvel rural;
  • Aquisição de área total ou parcial de imóvel rural pelo Poder Público e suas autarquias, pelas entidades privadas imunes ou decorrente de arrematação em leilão público;
  • Desapropriação de área total ou parcial de imóvel rural por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, promovida pelo Poder Público ou por pessoa jurídica de direito privado delegatária ou concessionária de serviço público.

Qual o valor do CCIR?

Em 2021, o valor mínimo da taxa foi de R$ 4,40 para propriedades de até 25 hectares. Ao imprimir sua GRU (Guia de Recolhimento da União), basta pagar em qualquer rede de atendimento do Banco do Brasil ou pelo aplicativo do banco.

Quitada a taxa, é possível emitir outras vias do certificado sem a necessidade de novo pagamento. O CCIR é válido por um ano, a contar da data de pagamento da taxa de serviço cadastral. 

O site do Incra também informa quando deve ser feita a nova emissão do certificado. 

Vale lembrar que o comprovante de pagamento da taxa é a garantia de validade do CCIR. Por isso, é importante guardá-lo. 

Instituições financeiras, cartórios de registro de imóveis e outros órgãos públicos podem consultar a autenticidade do CCIR e a quitação da taxa de serviços. Isso pode acontecer em caso de transações financeiras e imobiliárias.

Página do SNCR para consultar autenticidade do CCIR
Página do SNCR para consultar autenticidade do CCIR
(Fonte: Sistema Nacional de Cadastro Rural)

Problemas na emissão do CCIR

Se existir alguma pendência com o imóvel, não será possível emitir o CCIR e uma mensagem aparecerá na tela do seu computador ou celular.

Se o sistema informar a mensagem “Dados informados divergentes com o cadastro. Procure o posto do Incra mais próximo”, é necessário atualizar os dados do imóvel rural para emitir novo CCIR. 

Neste caso, você pode acessar a Declaração para Cadastro Rural e atualizar os dados da propriedade ou posse cadastrada no Incra.

O sistema também pode informar a mensagem de “Imóvel não possui declaração processada”. Neste caso, o imóvel não está cadastrado no sistema ou está com cadastro omisso. 

Assim, procure atendimento nas salas de cidadania da superintendência do Incra mais próxima da sua região ou acesse a Declaração para Cadastro Rural para realizar a inclusão cadastral.

Planilha Aegro de planejamento tributário para diferentes fazendas

Conclusão

O Certificado de CCIR (Cadastro de Imóvel Rural) deve ser emitido todo ano pelos proprietários de imóveis rurais.

Este certificado comprova que o imóvel rural está inscrito no Sistema Nacional de Cadastro Rural. Ele é uma condição essencial para a contratação de crédito agrícola e transações imobiliárias.

Dessa forma é preciso ter muita atenção no momento de preencher os dados do certificado corretamente. Dados incorretos podem gerar problemas nas operações de financiamento ou de venda da terra, por exemplo. Fique de olho!

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Você tem alguma dúvida no processo de emissão do CCIR? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Ferramentas para safra rentável que todo produtor precisa usar

Ferramentas para safra rentável que o produtor pode adotar para diminuir os erros, aumentar a eficiência agrícola e a rentabilidade da propriedade

A atividade agrícola tem exigido dos produtores rural um nível de profissionalização crescente. Isso se deve ao fato de que a atividade agrícola tem um risco cada vez maior.

Flutuações de valores de insumos e maquinários, condições climáticas incertas e variações do valor de venda de commodities agrícolas fazem com que haja grande incerteza e baixa margem de lucro.

Para contornar esses desafios e aumentar a eficiência da sua propriedade, o produtor precisa controlar os investimentos e as atividades executadas na safra e focar no planejamento da safra.

Hoje existem muitas ferramentas capazes de auxiliar o produtor no planejamento de safra. Neste texto, falaremos sobre essas ferramentas, suas integrações com tecnologias agrícolas, seus benefícios e como acessá-las. Boa leitura!

Planejamento de safra

Normalmente o período de entressafra é quando o produtor se prepara e organiza a safra seguinte. Em grande parte do território brasileiro, esse período acontece entre julho e agosto. Assim, o início da semeadura de novas lavouras começa no final de setembro.

Há uma lista de coisas que devem ser programadas para a entressafra e safra:

  • Amostragem e envio de amostras de solo para análise;
  • Manutenção de máquinas;
  • Definição das culturas a serem plantadas, suas áreas e tipos de plantio;
  • Capacidade de investimento e definição de orçamento;
  • Definição de manejos e planejamento e compra de produtos a serem usados;
  • Preparo do solo;
  • Plantio ou semeadura;
  • Controle de pragas, doenças e plantas daninhas ao longo do ciclo;
  • Manutenção e operação dos sistemas de irrigação;
  • Colheita e secagem;
  • Armazenamento e comercialização de produtos colhidos.

Como se pode notar, muitas atividades precisam ser planejadas e executadas durante a safra. Uma boa organização de recursos e mão de obra é fundamental para a eficiência dos processos e se evitar gastos extras.

Planejamento: antes, durante e depois

O planejamento agrícola não deve ser feito apenas na entressafra, como se pode imaginar. Existem etapas do planejamento que também ocorrem durante e depois da safra.

Confira a seguir as principais etapas do planejamento.

Antes da safra

Neste momento, você deve definir as culturas, áreas de alocação e o sistema de plantio da safra. Também é hora de definir o orçamento e o manejo usado, além das atividades que serão executadas.

Durante a safra

Aqui, é importante comparar o planejado ao executado. Como cada safra é diferente da outra, pode ser necessário adaptar o manejo e o investimento.

Alguns fatores verificados durante a safra podem alterar o planejamento, como doenças, pragas, estresses abióticos, data de plantio, previsão de colheita etc.

Depois da safra

É fundamental, então, analisar os resultados obtidos e compará-los ao programa inicial. Isso permite mapear pontos fortes e fracos da safra em termos das atividades executadas, e como isso impactou a produção final.

Aprendendo com safras anteriores

Uma forma de planejar a safra seguinte é olhar para as anteriores. O produtor que possua um sistema de armazenamento e análise de dados das safras anteriores tem maior capacidade de entender que processos necessitam maior atenção.

Isso permite verificar quais foram os gargalos e processos menos eficientes e planejá-los melhor para o próximo ano agrícola. O produtor também pode verificar as condições e o potencial produtivo de diferentes talhões, e escolher que culturas utilizar.

O Aegro é um software para gestão de fazendas que permite criar bancos de dados de safras anteriores e auxiliar você nas tomadas de decisões futuras.

Com esse histórico de safras, é possível analisar erros e acertos, identificar oportunidades para reduzir custos, melhorar o uso dos insumos na lavoura — enfim, adotar técnicas variadas em prol do processo produtivo.

Aegro é uma das melhores ferramentas para safra rentável
Tela do Aegro com o custo realizado
(Fonte: Aegro)

Principais áreas de planejamento

Podemos listar algumas áreas básicas que são necessárias ao bom planejamento e dão embasamento ao produtor. São elas:

Cronograma e definições técnicas

A escolha das culturas, dos sistemas de plantio e dos manejos usados na propriedade são um passo importante para o bom planejamento agrícola.

A partir disso, definimos os insumos necessários, como sementes, fertilizantes e agroquímicos.

Além disso, define-se o número de entradas de cada maquinário na lavoura e o tempo que cada máquina precisará ser utilizada.

Orçamento

Com base no balanço financeiro da propriedade, nas definições técnicas da próxima safra e no retorno previsto, o produtor define seu orçamento.

Neste ponto, o produtor define em que momento vai gastar com insumos e maquinários e também a flexibilidade do uso de recursos.

Preparo para execução

Planejar o uso de maquinários e insumos permite um bom controle de estoque — tanto de produtos destinados à lavoura como ao maquinário. Isso também permite definir a melhor época para manutenção de máquinas e a necessidade de mão de obra ao longo da safra.

Esse tripé de cronograma, orçamento e preparo para execução, se bem feito, facilita bastante a vida do produtor e pode trazer grandes retornos.

Tecnologias e os benefícios das ferramentas de planejamento

Atualmente, a maioria dos produtores usam ferramentas tecnológicas para a gestão de dados e atividades da fazenda. Assim, todo o controle e planejamento é feito de maneira digital e, muitas vezes, automática.

As principais vantagens do uso de ferramentas de planejamento digitais são:

  • Aumento da eficiência de processos;
  • Redução de perdas de combustível, mão de obra, insumos etc.;
  • Uso racional de energia, água e insumos;
  • Maior retorno do investimento;
  • Maior robustez do negócio e menor dependência de fatores externos;
  • Maior controle de custos;
  • Diminuição da possibilidade de erros de execução;
  • Maior capacidade de tomada de decisões em tempo real;
  • Aumento da sustentabilidade — seja social, econômica ou ambiental;
  • Benefícios ao meio-ambiente.
planilha de fluxo de caixa

Simplificando o planejamento com o Aegro

Com o Aegro, você mantém o histórico de todas as safras e tem acesso a relatórios para acompanhar a evolução da sua safra.

O registro e análise de dados durante o planejamento é fundamental para você agir de forma assertiva e tomar as melhores decisões antes, durante e depois da safra.

Para planejar e acompanhar as atividades da lavoura, você pode orçar o custo estimado, planejar atividades, receber lembretes de manutenção de máquinas e monitorar as atividades por área.

Assim, você tem uma atualização da evolução de seu planejamento e consegue identificar rapidamente os ajustes necessários.

Só com o Aegro você tem o controle da sua safra do planejamento à venda, programando seus custos durante todo o processo, monitorando e acompanhando a evolução da safra e utilizando os dados de toda a produção para identificar o melhor valor de venda.

Monitore as atividades da lavoura e mantenha seu planejamento com o Aegro
Monitore as atividades da lavoura e mantenha seu planejamento com o Aegro
(Fonte: Aegro)

Conclusão

A necessidade de profissionalizar e aumentar a eficiência dos processos agrícolas é urgente. Estratégias e ferramentas para o planejamento de safra pode ser um diferencial entre o sucesso e o fracasso da sua atividade.

Devido ao alto fluxo de informações, à necessidade de monitoramento em tempo real, às incertezas e à complexidade de uma fazenda, as ferramentas de gestão são essenciais para um bom gerenciamento do seu negócio rural.

Softwares, planilhas, formulários e banco de dados digitais, preferencialmente automáticos, são ferramentas que auxiliam o produtor no planejamento, execução e análise das diferentes etapas do processo produtivo.

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“Aegro lança emissão de nota fiscal com CNPJ”

“Software administração rural gratuito: 3 ferramentas que vão te ajudar”

“Importação de histórico, filtros múltiplos e mais: conheça as novidades do Aegro em 2023”

“Conheça as integrações de máquinas com o Aegro

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O que é ESG no agronegócio? Entenda os principais impactos

ESG no agronegócio: saiba o que é, por que isso está revolucionando o mercado e como sua implementação pode impactar positivamente os seus negócios e a sociedade em geral.

À medida que os desafios ambientais, sociais e de governança se intensificam globalmente, as discussões sobre a importância da implementação dos padrões ESG no agronegócio ganham cada vez mais relevância. 

Estamos falando de uma série de iniciativas que podem ser tomadas no campo para contribuir com a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento das comunidades rurais. E que, de quebra, ainda ajudam a aumentar a competitividade e a lucratividade das fazendas. 

Por isso, neste artigo, vamos abordar o significado do ESG no contexto do agronegócio, conhecer cada um de seus pilares e explorar os impactos positivos que sua implementação pode trazer para os produtores rurais. 

Boa leitura!

O que é ESG e como funciona?

Utilizada pela primeira vez em 2004, durante uma conferência da ONU, a sigla ESG se refere às boas práticas Ambientais, Sociais e de Governança  (do inglês “Environmental, Social and Governance”) nas empresas. 

Na prática, trata-se de um conjunto de iniciativas adotadas pelas organizações com o objetivo de diminuir os impactos de suas operações no meio ambiente e na sociedade e de tornar a governança corporativa mais responsável, ética e transparente em seus processos de tomada de decisão.

A essa altura, você pode estar se perguntando: afinal, como o ESG se relaciona com o agronegócio? Ou, ainda, quais são as práticas ESG no agronegócio?

Para ajudar a responder a essas perguntas, separamos abaixo alguns exemplos de como cada um dos pilares ESG se relaciona com o dia a dia dos produtores rurais. Veja:

Pilares do ESG no agronegócio: do campo à indústria

1. Ambiental

No contexto do agronegócio, o pilar ambiental do ESG tem a ver com a adoção de estratégias e tecnologias que ajudem a reduzir os impactos negativos ao meio ambiente.

Vale destacar que, com a  aproximação do agronegócio com a tecnologia e consolidação da agricultura 4.0, a maioria dessas medidas foi facilitada (falaremos mais sobre essa relação ao longo deste artigo).

2. Social

Já o pilar social no agronegócio diz respeito às relações humanas com trabalhadores rurais e com as comunidades impactadas direta ou indiretamente pela atividade agrícola.

Nessa esfera, é importante que os produtores rurais busquem adotar práticas que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico local. Algumas maneiras de fazer isso são:

  • promover a segurança e saúde dos trabalhadores;
  • respeitar as leis trabalhistas;
  • valorizar a mão de obra local;
  • capacitar moradores da comunidade;
  • oferecer treinamentos adequados para manejo dos equipamentos agrícolas.

3. Governança

Por fim, o pilar de governança do ESG refere-se à forma com que as empresas agrícolas são administradas e conduzidas. Isso envolve, por exemplo:

  • a transparência na gestão de empresas e indústrias;
  • o cumprimento das leis e regulamentações;
  • a ética nos negócios;
  • a gestão responsável dos recursos financeiros;
  • o combate à corrupção;
  • o estabelecimento de protocolos de segurança.

Importância do ESG no agronegócio

Responsável por pelo menos 27% do PIB brasileiro e por garantir a segurança alimentar global, o agronegócio desempenha um papel fundamental na geração de empregos e no desenvolvimento econômico do país.

Por outro lado, quando a agenda ESG não é considerada, as atividades agrícolas podem ter impactos negativos bastante significativos no meio ambiente e na sociedade.

A degradação do solo, o uso excessivo de água, a contaminação de recursos hídricos, a emissão de gases de efeito estufa e questões como a segurança e as condições de trabalho dos agricultores são alguns exemplos de como a falta de um olhar voltado para o ESG no agronegócio pode ser prejudicial.

Mas engana-se quem pensa que os benefícios do ESG se restringem “apenas” ao meio ambiente. Na verdade, a implementação dessa agenda também traz diversas vantagens para os produtores rurais e para o setor como um todo. Veja abaixo.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Por que implementar o ESG no agronegócio?

Acesso a crédito rural

O primeiro e talvez mais evidente benefício tem a ver com o acesso ao crédito. Isso porque produtores rurais alinhados às boas práticas de sustentabilidade têm sido beneficiados por instituições financeiras.

Um bom exemplo vem do Plano Safra 2023/2024, que trouxe a possibilidade da redução das taxas de juro para aqueles que adotam práticas sustentáveis, como produção orgânica ou agroecológica, bioinsumos, tratamento de dejetos na suinocultura, pó de rocha e calcário, energia renovável na avicultura, rebanho bovino rastreado e certificação de sustentabilidade.

Mais investimentos

As instituições financeiras não são as únicas priorizando o ESG na hora de tomar decisões. 

Considerando a boa gestão de riscos e a tendência que empresas ambiental e socialmente responsáveis têm de alcançar melhores resultados no longo prazo, os investidores também estão – cada vez mais –  direcionando seu capital para essas companhias.

Para ter ideia, a Bloomberg estima que os recursos investidos em empresas ESG chegaram a marca de 38 trilhões de dólares em 2020 e devem saltar para impressionantes  53 trilhões de dólares até 2025.

Aumento do lucro por safra

A implantação de práticas de gestão sustentável e eficiente resulta em melhorias na produtividade, redução de desperdícios e otimização dos recursos disponíveis. Mas não é só isso.

Uma pesquisa  do Institute of Business Value (IBV) mostrou que 54%  dos consumidores globais estariam dispostos a pagar um valor mais alto por produtos de baixo impacto ambiental. 

Isso significa que produtores rurais alinhados às boas práticas ESG podem considerar cobrar mais por seus produtos e, ainda assim, esperar impactos positivos em seus resultados financeiros.

Mas não é só isso. O aumento do interesse dos consumidores (e, consequentemente, da competitividade do negócio) também tende a atrair novas oportunidades de negócio – inclusive em mercados externos, historicamente mais exigentes com relação à sustentabilidade das operações.

ESG no agronegócio: por onde começar?

É difícil falar sobre a implementação do ESG no agronegócio sem falar sobre o processo de digitalização do setor – especialmente no que diz respeito ao pilar da governança corporativa.

Por meio de softwares de gestão e inteligência artificial, por exemplo, é possível coletar, analisar e identificar padrões em grandes volumes de dados, o que ajuda a gerar insights valiosos para a tomada de decisões e a melhorar a eficiência operacional.

Há também soluções baseadas na tecnologia blockchain, que permitem estabelecer uma rastreabilidade completa ao longo da cadeia de suprimentos – tornando o acesso a informações sobre a origem dos produtos mais transparente e confiável para consumidores, investidores e demais partes interessadas.

Além disso, a digitalização desempenha um papel fundamental na adoção de práticas sustentáveis, uma vez que possibilita:

  • o monitoramento detalhado de áreas de cultivo;
  • o uso de drones para monitorar o crescimento da safra;
  • a aplicação mais precisa de insumos agrícolas;
  • a gestão eficiente de recursos hídricos;
  • a comunicação entre fornecedores, indústria e clientes;

Essas e outras práticas ajudam a reduzir o uso excessivo de fertilizantes, pesticidas e água, minimizando os impactos ambientais negativos e aumentando a eficiência produtiva das fazendas.

Nesse contexto, investir em digitalização desponta como uma etapa essencial do processo de implementação do ESG no agronegócio.

Outro passo importante é buscar certificações e selos que atestem o comprometimento do seu negócio rural com a sustentabilidade ambiental, a responsabilidade social e a transparência corporativa.

Selos e certificações ESG para o agronegócio

Existem várias certificações e selos que ajudam a comprovar o comprometimento das empresas do agronegócio com as práticas de ESG.  

Elas funcionam como uma espécie de garantia para os consumidores (e outras partes interessadas), atestando que a organização está verdadeiramente comprometida com a agenda sustentável.

Alguns exemplos são:

  • Certificação Orgânica: atesta que os produtos agrícolas foram produzidos de acordo com práticas agrícolas sustentáveis, sem o uso de pesticidas químicos ou fertilizantes sintéticos;
  • Selo Fair Trade: garante que as empresas pagam preços justos aos produtores agrícolas, respeitam os direitos trabalhistas, promovem a igualdade de gênero e investem em comunidades locais;
  • Certificação Rainforest Alliance: indica que os produtos agrícolas foram produzidos de acordo com práticas que protegem a biodiversidade, promovem a conservação dos recursos naturais e garantem a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.

Conclusão

A implementação do ESG no agronegócio traz diversos benefícios ao produtor rural, como acesso a taxas de juros mais favoráveis, abertura a novos mercados e aumento do lucro por safra. 

Para colher esses benefícios, os produtores rurais devem investir em digitalização e estratégias de governança que almejem promover a sustentabilidade e a responsabilidade social em suas operações. 

Ao fazer isso, estarão contribuindo para a preservação do meio ambiente, o desenvolvimento das comunidades rurais e o fortalecimento do setor agrícola como um todo.

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