Recuperação judicial para o produtor rural: Veja em que casos se aplica

Recuperação judicial: A inclusão dos produtores rurais na Nova Lei de Recuperação Judicial e Falência trouxe mais segurança jurídica para o setor

O agronegócio é um setor muito importante para a economia nacional, mas, como todo segmento da economia, o produtor rural também está sujeito a passar por crises econômicas e financeiras.

Essas questões podem levar o produtor rural à necessidade de realizar a renegociação das dívidas, e solicitando a abertura da recuperação judicial junto aos credores.

A recuperação judicial do produtor rural tem passado por mudanças significativas ao longo dos últimos anos.

Sancionada em 2021, a Nova Lei de Recuperação Judicial e Falência trouxe mudanças importantes e proporcionou mais segurança jurídica à atividade econômica do produtor rural e ao agronegócio.

Neste artigo vamos esclarecer alguns pontos sobre a recuperação judicial do produtor rural. Boa leitura!

O que é recuperação judicial?

A recuperação judicial é o instituto aplicável a empresas que estejam em situação de crise econômico-financeira. Contudo, essa crise tem viabilidade econômica de ser revertida em curto ou médio prazo por meio da repactuação dos compromissos.

Assim, a recuperação visa garantir o restabelecimento da empresa no mercado, evitando a falência, na medida em que a atividade empresarial garante os interesses da sociedade, uma vez que é fonte produtora, gera empregos e resguarda os interesses dos credores.

A Lei nº 11.101/2005 estabelece as regras para solicitar a recuperação judicial pelas empresas e sociedades empresárias.

O artigo 48 da referida Lei estabelece que poderá requerer a recuperação judicial o empresário devedor que, no momento do pedido:

  1. Exerça regularmente suas atividades há mais de dois anos;
  2. Não seja falido; e, se foi, que estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado;
  3. Não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de recuperação judicial;
  4. Não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial;
  5. Não ter sido condenado ou não ter, como ou sócio controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei de recuperação e falência.

O que é recuperação judicial para produtor rural?

A Lei nº 14.112/2020 trouxe a possibilidade do produtor rural pessoa física de requerer um plano de recuperação judicial similar àquele destinado aos microempresários individuais.

Esta alteração na lei trouxe mais segurança ao inserir regras claras em relação ao pedido de recuperação judicial para produtores rurais em crise nos negócios.

Antes da Nova Lei de Recuperação Judicial, apenas empresas rurais legalmente constituídas como tal eram reconhecidas pela Justiça como detentoras do direito de pedir recuperação judicial.

Ou seja, apenas produtores rurais inscritos na Junta Comercial podiam requerer a recuperação judicial.

Após a aprovação da Lei, os produtores rurais que desenvolvem sua atividade como pessoa física também podem, com determinadas condições, se tornar pessoa jurídica para pleitear a recuperação judicial.

Dessa forma, não é mais necessário o registro perante a Junta Comercial para entrar com pedido de recuperação judicial, bastando apenas que ele comprove o exercício da sua atividade rural por pelo menos dois anos.

Como funciona a recuperação judicial para produtor rural?

O artigo 48 da referida Lei institui que poderá requerer a recuperação judicial o produtor rural que exerça regularmente suas atividades há mais de dois anos e que atenda aos requisitos:

  1. No caso da atividade rural por pessoa jurídica, admite-se a comprovação do prazo de 2 anos por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), ou por meio da obrigação legal de registros contábeis que venha a substituir a ECF;
  2. Para comprovação do prazo de 2 anos, o cálculo do período de exercício de atividade rural por pessoa física é feito com base no Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR), ou por meio de obrigação legal de registros contábeis que venha a substituir o LCDPR, e pela Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) e balanço patrimonial.

Além disso, a Lei determina que estarão sujeitos à recuperação judicial os créditos que decorram exclusivamente da atividade rural e estejam discriminados nos documentos citados nos itens I e II.

Outra inovação trazida pela Lei é a possibilidade de o produtor rural optar pelo procedimento simplificado, que era medida exclusiva para microempresas e empresas de pequeno porte, desde que o valor da dívida sujeita à recuperação judicial não exceda R$ 4,8 milhões.

Ademais, as dívidas referentes à aquisição de propriedades rurais de acordo com o repasse de recursos oficiais e fiscais não podem ser incluídas na recuperação. Também não poderão ser incluídas as dívidas amparadas em Cédula de Produtor Rural (CPR).

Divergências de entendimento da recuperação judicial do produtor rural

Apesar dos avanços para o produtor rural a partir da aprovação da Lei nº 14.112/2020, ainda existem incertezas sobre a recuperação judicial para esse público.

Uma divergência é de entendimento sobre a inclusão dos créditos constituídos antes do registro do produtor rural na Junta Comercial na recuperação judicial. 

Esse tema ficou com uma lacuna aberta na Lei, e a interpretação jurídica predominante tem sido de que esses créditos também devem ser considerados na disputa entre os credores.

Outra controvérsia diz respeito ao fato de que, durante o período de suspensão das execuções, alguns credores, como os titulares de propriedade fiduciária de imóveis ou arrendadores mercantis, não estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial.

Assim, esses credores podem apreender ou alienar os bens do devedor, com exceção daqueles bens considerados como sendo bens de capital essenciais à sua atividade empresarial.

Por se tratar de produtores rurais, os tribunais possuem entendimento divergente se os produtos agrícolas, como soja e milho, devem ser considerados bens de capital para a atividade empresarial.

Dessa forma, portanto, não podem ser vendidos ou apreendidos durante o período de suspensão das execuções. Isto é, se esse conceito abarca apenas os imóveis, as máquinas e os utensílios necessários para a produção.

Conclusão

A possibilidade da Recuperação Judicial para o produtor rural foi um avanço na legislação brasileira. Os empresários do setor rural estão sujeitos aos mesmos problemas dos demais empresários.

Essa legislação foi capaz de demonstrar que houve um ganho social, traçando critérios objetivos para a concessão do benefício também para os produtores rurais pessoas físicas, resultando em maior segurança jurídica para o setor agrícola e para os credores.

Quebra de safra e as perspectivas para 2024

Quebra de safra: Qual a previsão de perdas agrícolas e diminuição da produção de lavouras para a safra 2024 e como influenciam a cadeia do agronegócio

Introdução

Cada dia mais os produtores agrícolas brasileiros têm se acostumado com expressões bastante usadas no meio rural: “quebra de safra”, “perda de lavoura”, “replantio da lavoura”, “colher para pagar os custos”, “não vale a pena colher”, dentre outros.

Todas essas expressões estão relacionadas a problemas que ocorrem durante o ciclo de uma determinada cultura e que diminuem grandemente, ou totalmente, a sua produção. Isso gera uma perda tão grande que é chamada de “quebra de safra” e aterroriza produtores rurais no mundo inteiro. 

As quebras de safra tem sido cada vez mais discutidas e têm causado incerteza e insegurança no meio rural, principalmente levando em conta os altos investimentos feitos pelos produtores safra após safra.

Nesse artigo discutimos a quebra de safra como um todo e fazemos projeções para a safra de 2024, já em andamento.

Qual a definição de safra e quando ela começa e termina?

Antes de falarmos em quebra de safra é importante definirmos termos que usaremos ao longo do texto. No Brasil, o período da safra é compreendido entre os meses de Julho e Junho do ano posterior. Por exemplo, a safra 2023/24 começou em 1 de Julho de 2023 e acabará em 30 de Junho de 2024.

Porém, na prática, a safra é definida como o período que vai do início dos plantios da primeira lavoura, principalmente de grãos, até o final da colheita das lavouras subsequentes. Normalmente, ao se falar em Safra 2024, falamos das colheitas que ocorreram no ano de 2024, compreendendo o período entre Outubro de 2023 e Setembro de 2024.

As principais culturas para cada safra no Brasil são as seguintes:

  • Primeira safra: soja, milho, algodão, feijão, trigo, arroz;
  • Segunda safra: milho, feijão, sorgo, arroz, amendoim, algodão, trigo;
  • Terceira safra: milho, cereais de inverno, feijão, plantas de cobertura;

O que é e o que causa a quebra de safra?

A quebra de safra pode ser definida como a redução da produção de um determinado produto agrícola durante um período de produção. Por exemplo, no início de uma safra de grãos são previstos: a área de plantio e o total de sacas a ser produzido.

Quando ocorrem situações que causam altas perdas nas lavouras, a produção é muito menor que a prevista no início da safra, gerando uma quebra de safra. Isso pode acontecer em âmbito local, regional, estadual, nacional ou mesmo global.

Os principais eventos que podem gerar quebra de safra são:

  • ataques de pragas;
  • ataques de animais;
  • incidência de doenças;
  • competição por plantas daninhas;
  • fogo;
  • condições climáticas como: seca, inundações, ventos, geadas e ondas de calor.

A quebra de safra normalmente é medida pelo percentual de redução em relação à produção prevista. Dessa forma, uma quebra de safra de soja de 10% no país representa que produziremos apenas 90% do estimado no início da safra.

Quais os efeitos da quebra de safra?

A quebra de safra normalmente traz efeitos desastrosos a várias partes da cadeia produtiva do Agro. Isso acontece pois ela envolve danos econômicos que comprometem a saúde financeira do produtor e limitam seus investimentos nas safras seguintes.

As principais consequências da quebra de safra são:

  • Aumento de preços de produtos agrícolas e seus derivados;
  • Diminuição de estoques locais, nacionais ou mundiais;
  • Impacto em mercados e bolsas;
  • Falta de alimentos e outros produtos de origem vegetal como combustíveis e fibras; 
  • Insegurança alimentar ou energética;
  • Perdas econômicas e falência de organizações e produtores.

Previsões para safra 2024

Qualquer pessoa envolvida no agronegócio brasileiro já ouviu em algum momento, a partir de Setembro do ano passado que o “El Niño tem causado impactos grandes na safra”.

O evento climático trouxe irregularidade de chuvas na época do plantio em algumas áreas do país e causou veranicos em estágios importantes da definição da produção de soja e milho. Essas condições combinadas de baixa pluviosidade acumulada e altas temperaturas atingiu grandemente a região Centro-Oeste, mas menos a região Sul, por exemplo.

Estima-se que em geral, possa haver uma quebra de safra de grãos de cerca de 2,5%, no Brasil. É importante notar que esse valor é relativo às previsões de produção ao início da safra e não com a produção da safra passada.

Soja

A soja é o maior produto agrícola brasileiro e o Mato Grosso, o maior produtor dessa “comoditie”. Para essa safra a previsão não é nada animadora, com recorde de quebra de safra prevista para o MT.

A pior quebra de safra já registrada no estado foi de 11% na safra de 1990. A previsão para esse ano é de que haja quebra de safra de 20% devido, principalmente, à restrição de chuvas e altas temperaturas.

Mesmo assim, estima-se que haja aumento na produção nacional de soja nessa safra, devido a boas condições em outras áreas produtoras.

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Anomalias na precipitação nas duas últimas semanas de Dezembro/2023 (Fonte: Canal Rural)

Milho

O milho safra tem sofrido com as mesmas condições não-ideais ocorrentes na soja. Há uma previsão de queda de produção geral de 11% no milho, se comparado à safra passada, porém, isso se deve à menor área e não a uma quebra de safra.

Porém, espera-se que haja uma quebra de safra devido às condições climáticas da safra e ao atraso do plantio da safrinha, o que limita a janela de chuvas ao final do ciclo.

Ainda não há uma previsão geral de quebra de safra por causa da safrinha ainda estar se iniciando.

Plano Safra e sua importância

O Plano Safra é um plano do Governo Federal que propicia investimentos nos setores agrícolas, na forma de renda, investimentos, carta de crédito, subsídios e seguros. Os montantes são normalmente repartidos entre produtos familiares, médios produtores e grandes produtores. Na safra 2023/24, o montando destinado ao Plano Safra foi de 340 bilhões de reais.

Em situações de quebra de safra é importante que haja flexibilidade para que esses recursos sejam aumentados ou realocados, de maneira a diminuir o impacto negativo na economia, uma vez que a agricultura é o grande carro-chefe do PIB brasileiro.

Conclusão

As condições não-ideais que ocorrem durante o ciclo de uma cultura no campo ao longo da safra podem causar diversos tipos de impacto nas lavouras. O seu grau de impacto é medido pela perda em relação à previsão de produção.

Perdas em níveis avançados podem causar quebras de safra, levando a impactos regionais, nacionais ou globais. É preciso que o produtor esteja atento e se utilize de ferramentas que o auxiliem a diminuir os riscos de perder produção.

Atualmente, as previsões de perdas de safra ao redor do mundo são cada vez mais frequentes e o ano de 2024 no Brasil deve seguir esse padrão. Estresses abióticos (condições climáticas) e bióticos (doenças, pragas, plantas daninhas), são os maiores riscos. Conhecer as previsões climáticas e o monitoramento da possibilidade de incidência de pragas e doenças pode auxiliar o produtor a se prevenir ou atuar de forma corretiva em sua lavoura. Além disso, a boa gestão da propriedade é um fator de importância para evitar que perdas de produção levem à inviabilidade da atividade agrícola.

Rentabilidade na lavoura: Confira as dicas

Rentabilidade em sua lavoura: Com o auxílio da tecnologia, planejamento e técnicas de manejo é possível melhorar a rentabilidade da sua lavoura

Pode-se até dizer que não existe uma receita exata para ser bem sucedido na agricultura. Entretanto, o avanço das tecnologias, aperfeiçoamento da pesquisa, alternativas de manejo e novas oportunidades para comercialização, tem ajudado a melhorar a produtividade agrícola.

Além disso, existem boas práticas de gestão que podem melhorar a produtividade e a rentabilidade como um todo, como a projeção ou preparação da fazenda para um contínuo processo de produção e uma visão sistêmica do produtor para maior lucratividade no campo.

Ou seja, pensar no longo prazo e traçar estratégias conjuntas, podem ser a chave para o sucesso da lavoura. Neste artigo, vamos mostrar tudo que pode melhorar a rentabilidade da sua lavoura. Boa leitura!

O que é produtividade da lavoura?

A melhoria da rentabilidade dos grãos está pautada no investimento em preparação do solo e insumos – como sementes e fertilizantes -, máquinas e equipamentos e outras tecnologias, como a agricultura de precisão.

Além disso, está cada vez mais difundido no mercado o uso de produtos biológicos, que agem de diferentes maneiras, por exemplo, no aumento da resiliência das plantas frente a situações de escassez hídrica e condições de temperatura extrema, tornando-as mais resistentes e capazes de produzir, agindo como uma garantia de produtividade em cenários adversos.  

O que é rentabilidade da lavoura?

Diferentemente da produtividade, que envolve os aspectos gerais da produção, na rentabilidade temos outras variáveis importantes que vão além do campo, como a comercialização do produto, armazenagem e financiamentos.

Dessa forma, obter a máxima rentabilidade, produtividade e rendimento da lavoura não depende apenas das condições adequadas de solo e clima, é necessário escolher, de forma estratégica, insumos e práticas assertivas de manejo e comercialização.

Manejo e desempenho da lavoura

A tecnologia para aumento da eficiência nos processos agrícolas está cada vez mais difundida no Brasil. O bom desenvolvimento das lavouras tem sido possível pela profissionalização no setor do agronegócio.

Alguns processos estão sendo beneficiados pelo uso da tecnologia, o que significa também otimização do tempo e investimentos, redução dos gastos com combustíveis, sementes e insumos. É possível citar alguns processos:

  • Correção do solo baseado em análise;
  • Adubação da área conforme necessidade nutricional da cultura;
  • Controle de erosão e compactação do solo para melhor aproveitamento de água;
  • Investimento no tratamento de grãos para garantir melhoria na qualidades das sementes;
  • Redução do espaçamento, permitindo maior densidade de plantio e otimização do uso de máquinas plantadoras;
  • Manejo de pragas, doenças e plantas daninhas;
  • Regulagem e manutenção do maquinário para plantio.

Diferença entre lucratividade e rentabilidade

É comum que as pessoas confundam as definições de rentabilidade e lucratividade, mas elas representam conceitos distintos fundamentais para avaliar o desempenho financeiro da lavoura.

A lucratividade é a capacidade de gerar lucro, ou seja, é o ganho que a empresa consegue gerar sobre o trabalho desenvolvido.

Já a rentabilidade está relacionada ao retorno sobre o investimento realizado na lavoura.

Melhoria na rentabilidade da lavoura

Alguns processos podem aumentar a rentabilidade da lavoura, como:

  • Investimento em um sistema de gestão de campo;
  • Aplicação de novas tecnologias;
  • Manejo adequado;
  • Ampliação da área de plantio;
  • Investimento no desenvolvimento genético das sementes e armazenagem própria.

Contudo, para melhorar esses processos, é possível adotar algumas práticas:

Planejamento da safra

Para realizar o planejamento da safra é importante incluir no orçamento, previamente, uma pesquisa dos fluxos financeiros como: 

  • Investimentos;
  • Receitas e despesas;
  • Benfeitorias e maquinários;
  • Logística;
  • Entre outros.

Cada cultura tem sua estimativa, suas particularidades ambientais e socioeconômicas próprias.

Monitorar o funcionamento das colheitadeiras

Para se ter uma boa colheita, o perfeito funcionamento das colheitadeiras é fundamental, avaliando sempre que possível, a altura do corte, velocidade, entre outras questões.

Além disso, ter funcionários capacitados para o bom uso e aproveitamento das máquinas contribui para a melhor rentabilidade da lavoura.  

Aplicação de tecnologia no processo de plantio

A agricultura 4.0 traz uma evolução na comunicação entre os equipamentos, como o uso de GPS em máquinas para melhorar a eficiência e diminuir os gastos com combustíveis.

O uso de sensores para fazer leituras não só das máquinas, mas também do meio ambiente também contribui para melhorar o desempenho da lavoura. Esses sensores captam informações do solo e geram mapas de fertilidade e zonas de manejo.

Contratar mão de obra qualificada

A carência de colaboradores capacitados afeta o resultado do produtor. Ao investir em treinamento e qualificação de mão de obra, há redução do desperdício e, automaticamente, ganho de rentabilidade e produtividade, aumentando a lucratividade do negócio.

Armazenamento próprio

O uso de tecnologia no campo possibilita produzir mais. Realizar o investimento em armazenagem na própria fazenda, permite decidir sobre o momento ideal para negociar a produção no mercado, além de evitar problemas com frete ou ausência de armazéns em portos.

Qual a lavoura mais lucrativa?

A rentabilidade de um cultivo pode ser influenciada pelo custo de produção, pelo preço de mercado, pela volatilidade do câmbio e pelas condições climáticas. 

As características da propriedade rural onde o cultivo será implantado, especialmente quanto ao solo, também são um fator importante.

A produtividade por hectare é um dos principais índices para descobrir o potencial de lucro de determinada lavoura.

Para reduzir os riscos e aumentar os resultados, agricultores devem adotar estratégias como o uso da tecnologia e a diversificação das culturas, além de procurar apoio técnico para o desenvolvimento da plantação.

É possível citar os cinco cultivos mais rentáveis do Brasil:

Algodão

Uma lavoura de algodão pode render quatro vezes mais por hectare do que uma plantação de soja. Entretanto, a cultura requer cuidados especiais e alto conhecimento técnico.

Soja

O ciclo da soja dura em média quatro meses, além disso, é relativamente fácil de se cultivar e se adapta a diversos tipos de solo e clima, além de oferecer alta produtividade por hectare.

Milho

O milho é um cereal fácil de cultivar e tem ciclo produtivo rápido, o que permite a colheita de até três safras anuais. 

Café

Para maximizar a lucratividade do café, é preciso ter mão de obra especializada e realizar o beneficiamento. O clima favorável do Brasil e os avanços tecnológicos permitem melhorias no padrão quantitativo e qualitativo dos grãos.

Laranja

O clima favorável do Brasil e a tecnologia aplicada no plantio permitem que a produção seja realizada em larga escala, o que contribui para a rentabilidade da cultura.

Conclusão

Existem inúmeras medidas para potencializar os recursos disponíveis e obter maior rentabilidade com a produção agrícola na fazenda.

Um sistema de gestão alinhado, com planejamento e monitoramento adequados farão com que haja redução de perdas na propriedade rural. Dessa forma, promove a agilidade de processos e o aumento de ganhos do seu negócio rural.

Conciliação bancária na fazenda: o que é e como fazer (+ planilhas grátis)

Conciliação bancária na fazenda: saiba como identificar fraudes, com que frequência fazer, sua importância e muito mais!

A conciliação bancária pode ajudar muito o gerenciamento da sua fazenda. Associada a outros procedimentos contábeis, ela pode garantir o sucesso e o crescimento do seu negócio.

Fazer a conciliação bancária é uma forma simples e rápida de evitar surpresas nas finanças.

Neste artigo, você vai saber como fazer e porque ela é importante, além de ter acesso a materiais que te ajudarão muito. Acompanhe!

O que é conciliação bancária?

A conciliação bancária é o processo de comparar o extrato da conta bancária com as informações do controle financeiro da fazenda. 

Com ela, você compara o que você recebeu e pagou com os valores que entraram e saíram da sua conta bancária.

A conciliação é essencial para a boa gestão financeira da empresa.

Além disso, ela te ajuda nas tomadas de decisões, permite identificar fraudes, lançamentos errados, valores não compensados e compras canceladas.

Se você recebe ou paga aos fornecedores por meio de boletos, cartão de crédito ou débito, esse processo é importante para evitar prejuízos.

Pode parecer algo complicado se a movimentação financeira da sua fazenda for muito grande. 

Mas não se preocupe! Se você tiver um bom profissional que controla e lança cada evento financeiro diariamente, não terá muitos problemas ao realizar a conciliação bancária.

A importância da conciliação bancária

É a partir da conciliação que as possíveis inconsistências são percebidas. 

Um pequeno erro de lançamento pode não trazer muitos prejuízos. Porém, ao longo de um ano, vários erros de lançamento e recebimento podem atrapalhar a saúde financeira do negócio.

Registros com erros podem levar o gestor a tomar decisões prejudiciais ao futuro do negócio. Descontos concedidos a clientes podem passar despercebidos e trazer prejuízos.

Um acompanhamento frequente do dinheiro que entra e sai das contas bancárias te dá informações relevantes no fechamento do mês.  

Benefícios da conciliação bancária na fazenda

1. Identificação de fraudes

Monitorar o movimento nas contas bancárias evita fraudes internas. Por exemplo, cheques recebidos como pagamento e não descontados ou depósitos com valores inferiores. 

2. Mais controle das movimentações financeiras

A conciliação bancária possibilita maior controle das finanças da sua fazenda. 

O acompanhamento do dinheiro que entra e sai diariamente te dá uma visão clara do quanto seu negócio movimenta em determinado período.

Com isso, a conciliação ajuda a identificar se as receitas são maiores ou menores que as despesas de sua fazenda. 

3. Saldo bancário confiável

Acompanhar o saldo bancário contribui para as tomadas de decisões. 

Saber exatamente qual quantia sua fazenda tem disponível permite que os investimentos sejam mais efetivos.

4. Melhoria do planejamento orçamentário

A conciliação bancária permite fazer o planejamento e a contabilidade dos custos, investimentos e projeção das receitas e despesas ao longo do ano.

5. Melhoria da previsão do fluxo de caixa

Outra vantagem de se fazer a conciliação é o controle efetivo das despesas e receitas.

Ou seja, você pode acompanhar o fluxo de caixa de seu negócio, e garantir que ele seja mais saudável. 

Como fazer a conciliação bancária?

É possível definir 3 etapas para que o processo de conciliação bancária seja estruturado na sua fazenda. São eles:

  • monitorar fluxo de caixa e extratos bancários;
  • comparar informações internas com lançamentos de entrada/saída;
  • correção de falhas.

Monitoramento do fluxo de caixa e extratos bancários

O fluxo de caixa é o registro de todas as receitas e despesas da empresa. 

Esse controle é importante para comparar os valores que entram e saem. Assim, você identifica se o negócio está dando lucro ou prejuízo.

Os registros podem ser por planilhas ou um software de gestão, e devem ser diários. Essa é uma forma de você evitar que algum valor se perca por não ter sido lançado.

Clicando no botão abaixo, você baixará uma planilha para tornar seu fluxo de caixa ainda melhor. Insira os dados financeiros da sua fazenda e facilite esse processo:

Baseado nesses dados, você conseguirá analisar com mais clareza como está a saúde financeira do seu negócio. 

Além disso, poderá avaliar o quanto poderá investir no seu estabelecimento, a estimativa de crescimento do negócio e o valor do seu salário.

Comparar informações internas com lançamentos de entrada/saída

O lançamento e a comparação de tudo que foi pago e recebido será bem sucedido se todos os documentos forem organizados. 

Os documentos recebidos (como boletos para pagamento de fornecedores) e enviados (como boletos para receber de clientes) devem ser guardados de forma organizada.

Esses documentos, sejam em papel ou eletrônicos, devem ter uma pasta/caixa própria para arquivá-los. Eles podem ser separados por mês do ano, fornecedor ou fluxo de caixa.

Essa organização simplifica a busca, o controle e o lançamento das informações. Como consequência, a estruturação da parte financeira do seu negócio fica mais fácil.

Correção de falhas

Acompanhar a movimentação financeira da empresa ajuda a identificar mais facilmente as falhas que possam existir.

Essas divergências podem ocorrer por causa de um lançamento errado, depósito feito com valor menor do que o esperado, entre outras coisas. 

Ao acompanhar a movimentação de perto, você pode ter tempo para corrigir as falhas e até mesmo para evitá-las.

Como fazer a conciliação bancária?

A conciliação é a comparação do fluxo de dinheiro da fazenda com os valores no extrato bancário.

É possível avaliar se todos os valores lançados na sua planilha realmente constam na sua conta.

Por exemplo: suponha que no dia 22 deste mês você registrou a venda de soja no valor de dez mil reais. 

Ao fazer a conciliação bancária você verificará se, neste dia ou próximo a ele, esse valor realmente entrou na sua conta.

O mesmo vale se você pagou algum fornecedor. 

Mais um exemplo: se no dia 27 você pagou o boleto de um fornecedor no valor de mil reais. 

Essa movimentação foi registrada no seu fluxo de caixa, mas é preciso constatar, pela conciliação bancária, que o valor saiu de sua conta no banco.

Quer simplificar o processo de conciliação do financeiro da fazenda? Clique na imagem abaixo para baixar nossa planilha gratuita:

Como otimizar a conciliação bancária?

Ao contrário do processo lento de verificação manual, o sistema de gestão rural Aegro permite que você faça a conciliação de extrato bancário em alguns minutos.

Isso porque, além de integrar o controle agrícola e financeiro, ele também possui um recurso avançado de importação das movimentações bancárias por arquivo OFX.

Você pode optar por fazer a conciliação bancária manual ou agilizar o processo com a conciliação automatizada, em um clique seus lançamentos são conferidos com o extrato bancário.

Confira e organize o financeiro da fazenda com segurança e agilidade

Assim, com alguns cliques, você consegue transferir suas despesas do banco e compará-las aos lançamentos existentes no sistema.

Ao longo desse processo, você também pode corrigir informações incorretas e fazer o registro rápido de valores que não foram contabilizados.

Automatize sua rotina financeira e tenha uma visão clara de todos os custos de produção. Clique aqui para solicitar uma demonstração gratuita desse e outros recursos!

Com que frequência fazer a conciliação bancária na fazenda?

A conciliação bancária pode ser feita a cada 15 dias, a cada mês, a cada três meses, seis meses. Ela também pode ser feita a cada ano.

Entretanto, é mais indicado que ela seja feita mensalmente.

Ao contrário da conciliação bancária, que pode ser feita em um período maior, é indicado que o fluxo de caixa seja alimentado todos os dias

planilha - faça o planejamento tributário para diferentes fazendas

Conclusão

Com base na conciliação bancária da sua fazenda, você pode monitorar mais de perto como está a saúde das suas finanças.

Estando sempre por dentro do financeiro, é possível planejar os investimentos da melhor maneira possível.

Além disso, você poderá evitar erros e falhas nas transações. A consequência disso é um financeiro mais limpo e claro, com todas as informações sempre disponíveis e atualizadas.

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Rateio de custos simples e efetivo: como aplicar na sua propriedade

6 passos para fazer o planejamento financeiro da sua fazenda com sucesso

Com que frequência você faz a conciliação bancária da sua fazenda? Quais erros já conseguiu evitar através desse controle? Deixe seu comentário abaixo!