Adubos verdes: Como cultivar e os principais benefícios das espécies mais utilizadas para essa prática que melhora o solo e a nutrição de plantas.

Quando você pensa em adubação verde, as leguminosas são as principais espécies que vêm à sua cabeça?

Guandu, crotalária e mucuna são as mais utilizadas nesse sistema, principalmente pela relação carbono/nitrogênio das espécies.

Mas nem sempre a necessidade é adicionar nitrogênio ao solo. Às vezes, importa mais o controle de nematoides na sua área. 

E, então, como saber quais espécies de adubos verdes utilizar? Qual é a mais indicada para sua lavoura? 

Veja neste artigo as mais recomendadas para controlar pragas e doenças e melhore seu manejo!

O que é adubação verde?

Praticada desde a antiguidade, a adubação verde basicamente utiliza plantas em rotação ou sucessão para benefício das culturas principais. 

Essa técnica favorece a ciclagem e a recuperação de nutrientes do solo através de determinadas espécies condicionadoras do solo. 

A lógica dessa prática está na utilização de espécies que possam beneficiar o sistema de produção através do seu crescimento e posterior incorporação ou dispersão no solo. 

O uso da adubação verde e seus benefícios se relacionam diretamente a um dos pilares do sistema plantio direto: a rotação de culturas. 

E o fundamento dessa técnica é de que diferentes espécies apresentam diferentes pragas, doenças e necessidades nutricionais.

Desse modo, escolhendo espécies que podem fixar nitrogênio; combater nematoides; descompactar os solos; ou ainda explorar nutrientes em profundidade, você pode potencializar seus ganhos.

Características das espécies de adubos verdes

As espécies utilizadas na adubação verde tendem a diferir das espécies utilizadas na cobertura do solo.

Essa diferença está na relação entre o carbono e o nitrogênio (C/N) dessas plantas. Plantas com altos teores de nitrogênio, e consequentemente baixa relação C/N, apresentam rápida decomposição.

E como falamos recentemente aqui no Lavoura 10, as plantas com menor relação C/N são as leguminosas! Confira mais no artigo “Plantio direto na palha: as melhores dicas para torná-lo efetivo na sua propriedade

Abaixo, separei uma tabela com as principais espécies para utilização na adubação verde:

principais espécies para adubação verde

(Fonte: Fundag)

Quer saber mais sobre as espécies de adubos verdes? Baixe gratuitamente aqui o catálogo de espécies de adubos verdes para inverno e verão!

adubos verdes

Adubos verdes melhoram condições físicas, químicas e biológicas do solo. Isso graças à fixação biológica do nitrogênio, que acontece nas suas raízes através da simbiose dessas plantas com o famoso rhizobium. 

Por isso, as principais espécies utilizadas na adubação verde são leguminosas como guandu, crotalária e mucuna, entre outros. 

Mas nem sempre a necessidade do produtor é de adicionar nitrogênio ao solo. 

O sistema pode apresentar outras necessidades como controles mais eficientes de plantas daninhas ou patógenos ou ainda impedimentos físicos no solo, que acabam limitando a produtividade das culturas.

característica das plantas de cobertura

Características das plantas de cobertura

(Fonte: IPNI)

Diante disso, você pode escolher entre outras espécies como gramíneas (milheto, aveia, etc.), brássicas (nabo, canola) e asteraceas como o girassol.

Cultivo de Adubos Verdes

O cultivo de adubos verdes pode ser feito de três maneiras:

  • Em sucessão à cultura principal (semeando as plantas no final do verão/começo do outono);
  • Em rotação na safra de verão ou segunda safra (utilizando espécies de verão ou de inverno, dependendo da época de semeadura);
  • Em consórcio (feito normalmente com milho ou sorgo na primeira ou segunda safra).
consórcio de milho com guandu-anão e crotalária

Vista parcial dos consórcios de milho com guandu-anão (a) e crotalária (b): leguminosas nas linhas e entrelinhas do milho: adubação verde melhora fertilidade do solo

(Fonte: Darliane de Castro Santos)

Independente do modelo escolhido, você deve se atentar à época correta para a dessecação ou roçada das plantas. 

O início/meados da floração é a época mais indicada devido aos maiores teores de nutrientes acumulados na planta. Além disso, há baixa dispersão de sementes no solo, impedindo a germinação em momento inoportuno dessas espécies.

A semeadura varia de acordo com a espécie ou o mix de espécies utilizada. Ela pode ser feita com semeadora de sementes graúdas, semeadoras de sementes miúdas (fluxo contínuo) ou ainda à lanço.

Como mencionei antes, não existe uma regra! Você pode adaptar sua metodologia de plantio e a modalidade de uso de acordo com o sistema de produção.

3 Pontos na escolha das espécies de adubos verdes para não sair no prejuízo

1. Janela de plantio

É importante escolher espécies que se adequem à janela entre plantios da fazenda. 

Ou seja, que não apresentem um ciclo tão longo que não propicie acúmulo de biomassa satisfatório ou tão curto que irá dispersar sementes no solo, podendo atrapalhar a próxima cultura.

2. Efeitos alelopáticos

Outro fator importante na escolha das espécies de adubo verde é a interação delas com a próxima cultura.

Podem ocorrer efeitos alelopáticos negativos na germinação da cultura de sucessão, como no caso do azevém sucedido por milho.

3. Pragas e doenças em comum na cultura de interesse e adubo verde

Outro caso prejudicial é quando há pragas e doenças em comum, como milho e milheto ou soja com adubos verdes leguminosas, como mucunas e feijões.

Manejo da biomassa dos adubos verdes

Quanto ao manejo da biomassa, ele pode ser realizado de três diferentes maneiras:

  • acamamento;
  • fragmentação com incorporação;
  • fragmentação com dispersão na superfície do solo.

A escolha entre essas opções será norteada pelos implementos disponíveis e pelos problemas que a adubação verde objetiva sanar.

Com a escolha da incorporação da biomassa, a mineralização – e consequente disponibilidade desta para a próxima cultura – ocorrerá de maneira mais rápida e eficiente. 

Porém, com a rápida degradação, o solo pode perder o benefício da cobertura vegetal, agravando possíveis problemas de erosão. Nesse caso, a dispersão do material sobre a superfície do solo pode ser a melhor opção.

Vantagens e desvantagens dos adubos verdes

Os adubos verdes trazem variados benefícios ao sistema de produção, desde o solo até o combate de patógenos, pragas e plantas invasoras.

Dentre os benefícios ao solo podemos destacar:

  • Proteção proporcionada pela cobertura vegetal;
  • Aumento da porosidade e da estruturação do solo;
  • Maior retenção de água e melhoria na capacidade de infiltração;
  • Diminuição da oscilação na temperatura;
  • Favorecimento da atividade microbiana do solo, promovendo organismos benéficos às plantas e predadores de patógenos e pragas;
  • Controle de plantas infestantes por efeito mecânico (competição e sombreamento) e por efeitos bioquímicos (compostos alelopáticos); 
  • Controle da população de nematoides fitoparasitas, sobretudo com a utilização das crotalárias e das mucunas, que apresentam baixo fator de reprodução para esses nematoides;
  • Incorporação de nitrogênio no solo, principalmente nas espécies leguminosas através da fixação biológica;
  • Aumento da matéria orgânica do solo;
  • Aumento na disponibilidade e reciclagem de micro e macronutrientes;
  • Aumento na capacidade de troca de cátions (CTC) do solo através do incremento da matéria orgânica;
  • Solubilização de minerais como o fósforo através da liberação de ácidos orgânicos pelas raízes de certas espécies.

Porém, mesmo com todas essas vantagens, a adubação verde ainda é pouco utilizada devido a uma desvantagem muito significativa: falta de remuneração na cultura e gastos para a implantação e manejo.

Mas isso pode ser contornado com algumas alternativas. Uma delas é a semeadura de adubos verdes consorciados às culturas comerciais. 

Quer um exemplo? O consórcio de milho ou sorgo com leguminosas de verão como guandu e crotalárias.

adubos verdes

Esquema das diferentes plantas e seus sistemas radiculares

(Fonte: IPNI)

Essa modalidade de consórcio, que também pode apresentar forrageiras em sua composição, é uma ótima saída para o uso de espécies benéficas no sistema de produção, diminuindo custos de implantação.

Conclusão

Os problemas crônicos nos sistemas de produção vêm sendo remediados apenas a curto prazo pelos produtores. Porém, a adoção de soluções a médio e longo prazos se mostram essenciais para combater os problemas enfrentados atualmente.

E, nesse ponto, a adubação verde e a rotação de culturas são de extrema importância, pois auxiliam no equilíbrio do sistema como um todo.

Principalmente nas nossas regiões tropicais e subtropicais, que não apresentam um vazio sanitário natural causado pelo congelamento do solo.

Desse modo, a ideia de adotar esses sistemas é de cortar o ciclo da praga, daninha ou da doença, utilizando outra espécie que possa trazer, além disso, benefícios ao solo e as culturas em sucessão.

Assim, aumenta-se a eficiência na produção ao longo do tempo e garante-se uma fundação sólida para a produção de alimentos no futuro.

Quais espécies você utiliza como adubos verdes em sua lavoura hoje? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!