About Carina Oliveira

Sou engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Safra de inverno: Tudo o que você precisa saber sobre culturas, clima e manejo

Com a chegada do inverno, as preocupações com a safra de inverno precisam ser redobradas, afinal, as condições climáticas acabam por propiciar desafios maiores para a plantação

Contudo, a safra de inverno continua sendo uma ótima oportunidade para que os produtores mantenham sua produção ativa, mesmo em um período de clima menos favorável.

O avanço da tecnologia no campo e o aprimoramento de técnicas de plantio possibilitaram a diversificação de culturas de inverno e evitam grandes impactos na renda. 

Além disso, muitos têm ido além do esquema soja-milho, buscando novas opções para melhorar os resultados do empreendimento rural.

Neste artigo, você confere as principais alternativas de culturas de inverno que se adaptam melhor às condições do período, quais cuidados são essenciais para manter a produtividade e as perspectivas de mercado para a safra de inverno 2025/26.

O que são as culturas de inverno?

As culturas de inverno são plantas adaptadas para crescer e se desenvolver em condições climáticas mais frias e secas, características da estação. 

O plantio dessas espécies acontece entre janeiro/fevereiro e setembro/outubro, logo após a colheita da safra de verão. 

Por isso, o cultivo de plantas de inverno também é chamado de segunda safra ou cultura de entressafra.

A escolha das espécies a serem cultivadas deve considerar as condições climáticas da região e a cultura anterior.

Essa estratégia permite maximizar a fertilidade do solo e otimizar os recursos disponíveis. Algumas opções de culturas incluem:

Além disso, o plantio de culturas de inverno pode contribuir para o controle de pragas, melhoria da estrutura do solo e conservação da umidade, garantindo benefícios para o cultivo seguinte.

Um vasto plantio de nabo forrageiro

Figura 1. Área de cultivo de nabo forrageiro. Créditos: Equipe FieldView™ (2023).

O que é safra de inverno e qual a diferença para a safra de verão?

A safra de inverno é o ciclo de plantio que ocorre durante os meses mais frios do ano, em contraposição à safra de verão, que ocorre nos meses quentes e chuvosos. 

A principal diferença entre safra de inverno e verão está nas condições climáticas e nas culturas cultivadas.

  • Safra de verão: Cultivada entre os meses de setembro e março, com alto índice de chuvas e temperaturas elevadas. Principais culturas: soja, milho e arroz.
  • Safra de inverno: cultivada entre abril e setembro, com temperaturas mais amenas e menor volume de chuvas. Principais culturas: trigo, cevada, aveia e canola.

Quais os benefícios das culturas de inverno?

O plantio de culturas de inverno traz diversas vantagens, especialmente para o sistema produtivo como um todo. 

Além de otimizar o uso da terra, essas espécies contribuem para a preservação e manejo sustentável do solo, preparando a área para o próximo ciclo agrícola. Dentro disso, os principais benefícios do cultivo de inverno incluem:

  • Favorece o controle de plantas invasoras, reduzindo a competição por nutrientes;
  • Diminui os riscos de erosão, mantendo a estrutura do solo;
  • Melhora os atributos químicos, físicos e biológicos do solo, promovendo maior produtividade na safra seguinte;
  • Aumenta a retenção de água, tornando o sistema mais resiliente a períodos de estiagem;
  • Reduz a amplitude térmica do solo, favorecendo o desenvolvimento radicular das culturas subsequentes;
  • Contribui para o manejo integrado de pragas e doenças, interrompendo o ciclo de vida de organismos prejudiciais;
  • Diminui os custos com defensivos agrícolas, uma vez que a rotação de culturas reduz a incidência de doenças e pragas;
  • Equilibra o sistema produtivo, proporcionando maior estabilidade frente a condições climáticas adversas.
e-book culturas de inverno Aegro

Culturas de inverno: O que plantar na entressafra?

As condições climáticas do inverno podem parecer desafiadoras, mas existem diversas opções de culturas de inverno que podem ser bem aproveitadas

Essas culturas contribuem para a fertilidade do solo, ajudam no manejo sustentável da lavoura e garantem rentabilidade ao produtor. Por isso, algumas das culturas mais plantas são:

  • Trigo: Base para a produção de farinha e amplamente cultivado no Sul e Sudeste;
  • Cevada: Utilizada na indústria cervejeira e em rações animais;
  • Aveia: Pode ser destinada tanto para consumo humano quanto para alimentação animal;
  • Canola: Cultura oleaginosa importante para a produção de óleo vegetal;
  • Triticale: Cereal híbrido entre trigo e centeio, empregado na alimentação animal e panificação;
  • Hortaliças de inverno: Rúcula, alface, espinafre e repolho, que se beneficiam do clima mais ameno;
  • Milho safrinha: Embora seja plantado no final da safra de verão, muitas vezes é considerado parte da produção de inverno.

Ainda existem outras opções, como nabo forrageiro, ervilhaca e feijão guandu, que podem ser utilizadas como plantas de cobertura para melhorar as condições do solo.

Quais cuidados precisa ter com a safra de inverno?

A safra de inverno pode ser uma excelente oportunidade para diversificar a produção e otimizar o uso da terra.

No entanto, essa época do ano também traz desafios específicos, como temperaturas mais baixas, menor disponibilidade de água e maior risco de geadas.

Para garantir uma colheita produtiva e rentável, é preciso adotar estratégias adequadas de manejo, como:

1. Planejamento e escolha das culturas

Nem todas as culturas se adaptam bem às condições do inverno. Por isso, é importante escolher espécies mais resistentes ao frio e com ciclo adequado para a região.

Algumas das opções mais comuns para a safra de inverno são trigo, aveia, cevada e canola, além de hortaliças como brócolis e couve.

Junto disso, considere o uso de rotação de culturas para evitar esgotamento do solo e opte por cultivares que também sejam resistentes a pragas e doenças.

2. Preparação do solo e nutrição

Antes do plantio, é preciso analisar o solo para identificar possíveis necessidades de correção e garantir um ambiente adequado para o desenvolvimento das culturas.

  • Realize a amostragem do solo para avaliar a fertilidade e definir as correções necessárias;
  • Corrija a acidez e melhore a estrutura do solo com a aplicação de calcário e gessagem, quando indicado;
  • Adube de forma equilibrada, utilizando fertilizantes adequados para suprir os nutrientes essenciais ao crescimento saudável das plantas.

Um solo bem preparado e nutrido contribui para uma lavoura mais resistente e produtiva, aumentando os resultados da safra de inverno.

3. Manejo de pragas e doenças

O controle eficiente de pragas e doenças ajuda a preservar a produtividade da safra de inverno. Mas para isso é necessário:

  • Monitorar a lavoura regularmente para identificar precocemente doenças fúngicas, como ferrugem do trigo e oídio, além da presença de pragas.
  • Aplicar defensivos biológicos e químicos de forma responsável, seguindo as recomendações técnicas para evitar resistência e minimizar impactos ambientais.
  • Adote o manejo integrado de pragas (MIP), combinando práticas como rotação de culturas, uso de variedades resistentes e controle biológico para reduzir a necessidade de defensivos.

Com um monitoramento eficiente e estratégias adequadas, é possível proteger a lavoura e garantir uma produção mais sustentável.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Como garantir rentabilidade na safra de inverno?

Além de focar no rendimento da cultura, é interessante buscar rentabilidade econômica. Para isso, acompanhe tendências de mercado e avalie a demanda dos produtos cultivados.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de aveia, cevada e trigo deve ultrapassar 7,78 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da demanda por cereais no mercado interno e externo.

Já o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que a baixa disponibilidade interna de cereais de inverno tem incentivado preços competitivos para os produtores.

Mercado e comercialização da safra de inverno

A demanda por grãos de inverno tem crescido, especialmente para a lavoura de trigo nacional, reduzindo a dependência de importações

Além disso, culturas como cevada e canola estão ganhando mais espaço na produção brasileira. Para garantir bons preços de venda, você pode recorrer a:

  • Hedge agrícola: Proteção contra variações de preços no mercado futuro;
  • Contratos de venda antecipada: Asseguram preços fixos e evitam oscilações prejudiciais;
  • Monitoramento das exportações: Acompanhar as tendências globais para avaliar oportunidades de venda.

Acompanhar as oscilações do mercado e investir em boas estratégias de comercialização são passos importante para garantir a lucratividade da produção de inverno. 

O investimento em tecnologias agrícolas e boas práticas de manejo também vão fazer diferença para otimizar os resultados e manter a propriedade sempre competitiva.

Liderança feminina no agro: conquistas e desafios do setor

Liderança feminina no agro: a história das mulheres na agricultura, cenário atual, cooperação, mulheres em destaque, desafios e mais. 

A história é feita por ciclos, que têm por características mudar o modo de visão ou de trabalho de setores e aspectos da vida cotidiana.

Pode-se dizer que as mulheres começaram a ser vistas nestes ciclos como trabalhadoras somente a partir de 1908, e estão conquistando cada vez mais espaços ao longo da história mundial.

No campo, por muitos anos, as mulheres assumiram um papel secundário, de suporte ao homem, auxiliando em seus afazeres conforme necessário.

Porém, nos últimos anos, as mulheres saíram desse segundo plano para assumir um papel de liderança em diversos setores do agronegócio.

Neste texto, vamos abordar a importância da liderança feminina no agro, o que mudou e vem mudando para que as mulheres assumam mais papéis dentro do setor, quais as formas de atuação da mulher e muito mais. 

Papel das mulheres no início da agricultura 

A liderança feminina no agro é histórica. Afinal, as mulheres foram pioneiras no cultivo agrícola.

Esta frase pode soar estranha e errônea se analisarmos o setor agrícola nos últimos séculos. Mas, se pararmos para refletir e acessarmos nossas aulas de História, lembraremos que os seres humanos deixaram de ser nômades, no período neolítico, justamente pela descoberta da arte de semear.

Naquela época, os homens ficavam responsáveis pela caça; o plantio e os cuidados com a terra ficavam a cargo das mulheres. Assim, quando analisamos a história da evolução humana, atestamos que é verdade, as mulheres são pioneiras na agricultura. Mas essa história foi se alterando no decorrer dos anos.

Com o crescimento do setor agrícola e pecuário, principalmente em áreas grandes e médias, os homens foram assumindo o papel de liderança, ficando as mulheres sem atuação ou com papéis secundários no campo.

Cenário das mulheres no agronegócio atual

A liderança feminina no agro foi sendo recuperado aos poucos. Inicialmente, as faculdades de agronomia tinham proporção de uma mulher a cada 40 alunos, e hoje já vemos esse número se equilibrar.

As atividades destinadas às mulheres no agronegócio eram, em sua maioria, dentro de laboratórios e, com menor frequência, uma participação na gestão.

Atualmente, vemos a liderança feminina no agro crescer em diversos setores, como chefes de empresas agrícolas, cargos (grandes) em multinacionais, agrônomas atuando na compra e venda de produtos, consultoria nas fazendas, donas, administradoras e gestoras de fazendas.

Ou seja: em todos os setores agropecuários, é possível hoje se deparar com uma mulher trabalhando no negócio agrícola, e, muitas vezes, em cargos de chefia.

Porém, ainda há bastante a ser conquistado para a liderança feminina no agro ser equânime.

Segundo dados do último Censo Agropecuário em 2017, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 5,07 milhões de estabelecimentos rurais, apenas 19% (947 mil) são dirigidos por mulheres, que administram 30 milhões de hectares — cerca de 8,5% do total cultivado no país.

As principais atividades exercidas por estas mulheres são apresentadas no gráfico acima. As demais atividades são distribuídas entre produção florestal, horticultura e floricultura, aquicultura, pesca e produção de sementes e mudas certificadas.

Estes dados mostram que, mesmo a pequenos passos, as mulheres estão se inserindo no setor agropecuário.

Crescimento da liderança feminina no agro

O agronegócio no geral é um setor masculino. Foi muito difícil, inicialmente, para a liderança feminina no agro se fazer presente; muitas mulheres se inseriram no setor agrícola ao longo dos anos, mostrando seus conhecimentos, adquirindo espaço e ganhando reconhecimento.

Um diferencial marcante é a ajuda mútua entre mulheres no setor agrícola. Com o aumento da presença e liderança feminina no agro, muitas se juntaram e começaram a criar grupos de apoio, criando atividades, palestras, cursos e treinamentos voltados para o conhecimento em todas as áreas do setor rural.

Alguns grupos, sites e prêmios voltados para as mulheres do agro são listados a seguir:

Estes grupos são criados e administrados por mulheres que participam da agricultura de alguma forma. Em geral, são realizados encontros para troca de conhecimento e ajuda, por meio de discussões, palestras presenciais e online, cursos, eventos e a própria vivência no campo.

Com estes grupos de apoio, as mulheres buscam novas maneiras de enxergar e mudar o rumo da agricultura, compartilhando suas histórias e sucessos.

Há ainda muitas mulheres fazendo conteúdo da vida no campo, do cotidiano, dos trabalhos e conteúdo técnico pelo Instagram, em páginas como Agro Delas, Mulheres Essência do Agro, Ligia Bronholi Pedrini, Mulheres do Agronegócio Brasil, Agro Mulher Mentoring, Khiara Campos e muitas outras.

O crescimento da liderança feminina no agro tem sido tão relevante que, desde 2016, há o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA).

O último, realizado em 2022, contou com mais de 2500 mulheres participantes, vindas de 26 estados brasileiros e outros 3 países, com palestras e debates sobre todos os setores do agronegócio e a inserção de mulheres em posições de liderança.

Além da cooperação, o avanço tecnológico possibilitou a o crescimento da liderança feminina no agro. Antigamente, muitas operações realizadas nas áreas rurais demandavam força — o que, no geral, acaba sendo uma desvantagem para a mulher.

Com o aumento da tecnologia, com tratores e implementos agrícolas, colhedoras, semeadoras, pulverizadores e, mais recentemente, o uso de drones de pulverização, as mulheres foram capazes de realizar estas tarefas.

Liderança feminina no agro

Para ser um bom exemplo de liderança feminina no agro, não é preciso apenas saber dar ordens e gerenciar a equipe de trabalho. Muitas outras funções e responsabilidades vêm com essa posição, seja o líder homem ou mulher.

Liderar uma equipe é tarefa difícil, pois cada membro tem suas características, pontos fortes e fracos, habilidades e incapacidades.

Gerir pessoas é um ato de saber lidar com as diferenças, ter calma em momentos de estresse e erros e, principalmente, conseguir ter uma boa comunicação com a equipe, sabendo impulsionar cada membro para dar o seu melhor.

Uma pesquisa realizada pela Leadership Circle, com análises de mais de 84 mil líderes e 1,5 milhão de avaliadores, apontou que a liderança feminina no agro tem sido mais eficaz que a masculina.

O estudo destaca que as mulheres conseguem ter uma melhor comunicação e transformar a equipe em um time coeso, que busca e foca nos resultados a ser alcançados.

A liderança feminina no agro ainda é alvo de muito preconceito. Isso exige da mulher mais “jogo de cintura” para lidar em determinadas situações e eventos.

Entretanto, já podemos ver muitas mulheres como gerentes de fazendas, consultoras, vendedoras, pesquisadoras e administradoras de grandes empresas.

No Prêmio Mulheres do Agro, muitas se destacam por fazerem sua atuação no agronegócio algo marcante, seja em pequenas, médias ou grandes propriedades rurais.

Helga França de Paiva foi ganhadora do prêmio em 2022 na categoria de grande propriedade, engenharia agrônoma e produtora. Ela destina 5.000 hectares para soja, milho, produção de sementes e pecuária bovina, na cidade de Ibiá, Minas Gerais.

Na categoria de média propriedade, com 150 hectares e produção média de 6 mil sacas de café, Mariana Heitor exporta seus grãos produzidos em Patos de Minas, Minas Gerais, para países como Reino Unido, Japão, Austrália e Grécia, além de ter parceria com Nescafé, Nespresso e Starbucks.

Com uma área de 88 hectares, Juliana Rezende Mello se destacou na premiação de pequena propriedade. Formada em Farmácia, aceitou o desafio de produzir café em Monte Carmelo, também no estado de Minas Gerais.

Essas mulheres são apenas três exemplos de liderança feminina no agro buscando, diariamente, inovação e melhorias para o setor e alcançando ótimos resultados.

Desafios das mulheres no setor agrícola 

Todas as áreas têm desafios a ser superados. Em todas as profissões, as mulheres precisam derrubar obstáculos principalmente na questão salarial.

Na agricultura não é diferente, e a luta por igualdade salarial é um dos principais pontos discutidos quando se trata de cargos ocupados por homens e mulheres.

Além disso, por mais que isso tenha melhorado nos últimos anos, o agronegócio ainda apresenta resistência a mulheres como pessoas capacitadas para diversas áreas do setor agrícola.

Há empresas que ainda buscam apenas funcionários do sexo masculino para desempenhar papeis dentro da fazenda que podem ser preenchidos por mulheres igualmente (ou mais) capazes.

Assim, a falta de capacitação e de oportunidades torna a entrada da mulher mais difícil em determinados setores agrícolas — o que limita a liderança feminina no agro.

Controle o balanço patrimonial da fazenda

A falta de respeito e inclusão das mulheres no meio rural é um desafio tamanho que ainda é possível se deparar com piadas de cunho machista em certos eventos, mesmo com a presença de mulheres. 

Comportamentos assim devem mudar, não pensando apenas em um desafio a ser superado pela mulher, mas como um vício que deve ser corrigido pela sociedade, pois trata-se de uma questão de respeito.

Em resumo, os desafios e cobranças são constantes para as mulheres no agronegócio. Mas, mais uma vez, a cooperação entre produtoras e outras profissionais agrícolas faz com que cada vez mais mulheres sejam capacitadas e treinadas, com o crescimento da liderança feminina no agro abrindo cada vez mais portas para as demais.

Conclusão

A liderança feminina no agro vem crescendo e reflete o fato de as mulheres conseguirem desempenhar cada vez mais papéis em todos os setores do agronegócio.

Mesmo havendo muito a ser conquistado, já é possível ver mulheres se destacando como líderes do setor agrícola no Brasil.

A cooperação entre mulheres no agronegócio gera maior conhecimento e inclusão, aumentando a quantidade e qualidade das lideranças femininas.

Haverá sempre desafios a ser superados, o que fortalece, impulsiona e expande a presença e a liderança feminina no agro.

>> Leia mais:

“5 passos para montar o planejamento estratégico no agronegócio e lucrar mais”

“Veja como adotar práticas de tecnologia e sustentabilidade no campo na sua fazenda”

“Finanças no agronegócio: como fazer uma gestão financeira estratégica”

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Inteligência artificial no agronegócio: como isso vai beneficiar sua fazenda

Inteligência artificial no agronegócio: o que é, como pode ser utilizada, quais são as IAs já disponíveis na agricultura, vantagens e problemas para adoção destas ferramentas. 

A tecnologia vem se superando a cada dia. O lançamento de novas ferramentas principalmente digitais está acelerado, tornando obsoletas descobertas de 2 ou 3 anos antes.

Essa realidade não se restringe a celulares, computadores e empresas urbanas. A tecnologia da inteligência artificial chegou ao campo faz tempo e vem sendo aprimorada e ampliada em várias regiões produtoras.

Muitas vezes, porém, o produtor nem sabe que usa a inteligência artificial, pois muitas pessoas não conseguem compreender o significado desse termo.

Neste texto, vamos explicar o que é a inteligência artificial, como ela foi introduzida na agricultura, como está presente no dia a dia do produtor rural e quais são as vantagens da inteligência artificial no agronegócio. Venha conferir!

Inteligência artificial no agronegócio: o que é?

Inteligência artificial (IA) é a capacidade de um equipamento com sistema computacional de coletar dados, agrupar estes dados, fornecer uma solução e até mesmo executar a tarefa.

Nas cidades, a IA é uma realidade dentro das próprias casas e ao alcance na palma da nossa mão, acessando essas ferramentas pelos celulares. Mas e na agricultura, como isso surgiu?

Como primeiro passo, podemos lembrar do uso do GPS na agricultura para demarcação de áreas, e depois, na agricultura de precisão e no piloto automático dos tratores e máquinas.

Esse foi o início da IA na agricultura, pois o GPS permite realizar navegação, medir áreas, determinar coordenadas, armazenar dados e até mesmo tomar decisões, como é o caso do piloto automático.

Com o passar dos anos, novas ferramentas tecnológicas com inteligência artificial foram ganhando espaço no setor agrícola, e serão abordadas no próximo tópico.

Em resumo, a inteligência artificial está presente na agricultura em diversos equipamentos, máquinas e implementos que contribuem, principalmente, para a coleta de informações, processamentos das informações e tomada de decisões, para manejos agrícolas mais precisos.

Usos possíveis da inteligência artificial no agronegócio

Como dito anteriormente, o GPS é uma das ferramentas que podem ser consideradas inteligência artificial no agronegócio. Mas, com o avanço tecnológico, as IAs foram se aprimorando e se tornando cada vez mais independentes.

Tecnologias que auxiliam a inteligência artificial no agronegócio
Tecnologias que auxiliam a inteligência artificial no agronegócio
(Fonte: Embrapa)

Sensores

Outra ferramenta bastante utilizada na agricultura são os sensores. Muitos produtores são adeptos de sensores climáticos para previsão do tempo e medição da velocidade do vento, quantidade de chuvas, umidade do ar e do solo etc.

Os sensores são ótimos aliados para a tomada de decisões, visto que fornecem os dados em tempo real para o produtor.

A inteligência artificial nos sensores torna as tomadas de decisões mais precisas, e de modo automatizado, como é o caso da área de irrigação, por exemplo.

Em áreas irrigadas, é possível interligar os sensores a uma IA. Assim, o produtor define os parâmetros adequados à sua situação, como umidade relativa do ar, temperatura, quantidade de chuvas, umidade do solo e outros. 

Os sensores captam os dados, os armazenam e geram uma análise. Quando os parâmetros pré-definidos são alcançados, o próprio equipamento manda um comando para o pivô funcionar, já com a definição da quantidade de água a ser aplicada.

Software

Os softwares agrícolas são ferramentas que centralizam os dados do campo, analisam essas informações e as transmitem para o produtor, de modo didático e preciso, em forma de relatório. Isso contribui para a tomada de decisão em diversas áreas agrícolas.

O uso desta ferramenta é tão amplo que engloba desde aspectos burocráticos, como gestão fiscal, de pessoas e maquinários, planejamento, manejo da lavoura e clima até a definição de preços.

O software para gestão de fazendas mais completo do mercado é o Aegro, sendo capaz de fornecer dados de toda a fazenda desde o planejamento da colheita até a comercialização da safra.

Drones

Outra realidade ligada à inteligência artificial no agronegócio é o uso de drones. Os drones de imagens já vêm sendo utilizados há algum tempo nas fazendas, principalmente na demarcação de áreas e na obtenção de imagens para gerar mapas.

As imagens obtidas pelos drones ajudam a controlar pragas e doenças, verificar a saúde da lavoura, observar reboleiras, economizar na compra de produtos, por meio da aplicação localizada em determinadas situações etc.

Além dos drones de imagens, nos últimos anos, os drones de pulverização agrícola têm se tornado uma realidade.

Estes drones fazem parte da IA por realizarem a operação de modo automatizado, seguindo os parâmetros definidos pelo piloto, que controla remotamente o drone.

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Veículos autônomos

Uma realidade não tão distante é o uso de veículo agrícola autônomo (VAA), que estão sendo estudados e implementados em algumas áreas para a validação dos resultados.

Esse tipo de veículo está sendo desenvolvido para todas as fases da lavoura, desde o plantio até a colheita, e já tem algumas empresas que lançaram pulverizadores autônomos.

Ao contrário do piloto automático, os VAAs não apresentam nem cabine para o operador — uma única pessoa pode comandar mais de um veículo à distância.

Big data

O big data ainda é menos difundido na agricultura. Porém, essa é uma ferramenta de grande auxílio para o produtor rural.

Traduzindo ao pé da letra, “big data” significa “grandes dados”, e é exatamente isto que o sistema de inteligência faz: coleta diversos dados da fazenda, armazenando e agrupando essas informações nas nuvens, com grande velocidade, e fornecendo informações mais precisas aos produtores.

Essa tecnologia consegue cruzar informações como histórico da área, cultivar semeada, produtividade, histórico de chuvas e quantidade de fertilizantes para aplicação e já presentes no solo, fornecendo um parâmetro geral e particular de cada atividade.

Com a coleta e inserção de informações por sensores, é possível prever e evitar problemas na lavoura.

Vantagens das tecnologias de inteligência artificial para os produtores

As vantagens do uso de inteligência artificial no agronegócio giram, principalmente, em torno da precisão das tomadas de decisões do produtor — mas, para isso, é preciso saber o que ocorre no cotidiano do negócio rural.

Atualmente, uma coisa que diferencia as empresas rurais de sucesso é a coleta e análise de dados necessários para gerir corretamente o empreendimento.

Diariamente, diversas informações são geradas na fazenda. Anotar, passar os dados para planilha e analisá-los, todos, é uma tarefa que exige tempo, atenção e conhecimento.

Quando se tem ferramentas inteligentes que conseguem agrupar esses dados, coletando, analisando e gerando informações relevantes, ou até mesmo enviando comandos para realização da tarefa, o planejamento se torna mais correto, a tomada das decisões melhora e o tempo de ação fica mais rápido.

Isso gera um maior controle de todas as partes que compõem a empresa rural — a gestão de pessoas e máquinas e o manejo da lavoura, dos insumos, de peças, da produção e dos preços.

Outra vantagem é que todos os dados coletados pela inteligência artificial são armazenados nas nuvens, podendo ser acessados remotamente, e também possibilitando a tomada de decisão sem exigir que o produtor esteja presente no campo.

Todas essas ferramentas têm um único objetivo: a sustentabilidade no agronegócio, reduzindo os gastos com produtos, peças e insumos desnecessários, aumentando a produtividade e, consequentemente, a rentabilidade do produtor.

Dificuldades da utilização da inteligência artificial no agronegócio brasileiro

Uma pesquisa realizada pela Embrapa mostra o retrato da agricultura digital brasileira. Esse estudo coletou informações de muitos produtores rurais quanto ao uso da tecnologia no campo.

A dificuldade para adoção de tecnologias pelos produtores foi umas das questões levantadas. Veja na figura abaixo as principais respostas:

Dificuldades para a adoção de tecnologias no campo
Dificuldades para a adoção de tecnologias no campo
(Fonte: Embrapa)

Para a maioria dos produtores, o alto investimento financeiro é o principal entrave para a adoção de tecnologias — e a inteligência artificial está inclusa nesse quesito.

Os estudos e inovações que tornam esse tipo de inteligência possível no campo acabam onerando máquinas, equipamentos e outros dispositivos que possuem essas funções.

Entretanto, tirando a parte financeira da equação (que, sim, é um fator relevante), temos um entrave nas áreas agrícolas brasileiras: a falta de internet nas áreas rurais.

Em estudo sobre conectividade em áreas rurais, foi constatado que 13 milhões de brasileiros vivem em áreas rurais onde não há cobertura de internet, e muitos ainda têm qualidade de internet ruim, prejudicada por ventos e chuvas.

Isso é uma limitação para a coleta e análise de dados, visto que a inteligência artificial utiliza dados em tempo real e utiliza a internet para transmitir esses dados para a nuvem, armazená-los e cruzar essas informações.

Superando a barreira da internet, outro ponto de atenção para a utilização da IA é o conhecimento da ferramenta que se tem ou pretende implementar na fazenda, para que se tenha o aproveitamento de todos os recursos disponíveis.

Para isso, a capacitação digital de trabalhadores do campo é fundamental, haja vista a tecnologia desses programas.

Conclusão

Neste texto, você viu o que é inteligência artificial no agronegócio e como ela teve início neste setor.

As tecnologias inteligentes já são utilizadas nas áreas rurais, agregando informações e contribuindo para a tomada de decisões, e há diferentes formas de a inteligência artificial atuar na agricultura.

Este artigo também abordou as vantagens das IAs, principalmente para a coleta e o cruzamento de dados de todas as áreas do negócio rural.  

Por fim, destacamos os principais problemas que envolvem a adoção da inteligência artificial no agronegócio brasileiro.

>> Leia mais:

“Conheça 3 principais motivos para investir em inteligência artificial na agricultura”

“Robótica na agricultura: o que é e quais inovações vão impactar o agronegócio?”

“Veja como adotar práticas de tecnologia e sustentabilidade na sua fazenda”

“O que são fazendas digitais e por que elas custam menos e valem mais”

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Agricultura de baixo carbono: o que é e como fazer? 

Agricultura de baixo carbono: o que é, por que é importante ter tecnologias que reduzem o carbono, como aplicar ao campo, seus benefícios ao produtor e ao meio ambiente e mais! 

A agricultura brasileira é uma das principais fontes de alimento para o mundo. A variedade de culturas produzidas no Brasil, assim como sua quantidade, são alguns dos fatores para esse destaque mundial.

Entretanto, há alguns anos, a atenção do mundo tem se voltado para o clima — mais precisamente, para o aquecimento global.

Nesse sentido, a agricultura vem sendo pressionada e também tem pressionado medidas para minimizar os efeitos que os gases do efeito estufa (GEE) vem causando no planeta.

Para entender melhor esse cenário, confira neste artigo o que a agricultura tem a ver com a redução do carbono e por que, apesar de ser alvo de críticas, tem sido um dos principais setores a adotar técnicas para reduzir os impactos do aquecimento global.

Por que existem e quais são as tecnologias de baixo carbono na agricultura?

A agricultura tem recebido uma série de demandas da população mundial por causa dos moldes de sua produção. Com isso, alguns países têm incentivado formas de produção mais sustentável.

Isso ocorre por causa das mudanças climáticas, principalmente nos últimos anos, com chuvas acima da média, secas, geadas, granizos e outras intempéries que pressionam a agricultura, pois algumas atividades rurais emitem gases causadores do efeito estufa.

Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, a agricultura quer e precisa pressionar o desenvolvimento de tecnologias acessíveis aos produtores, para que eles adotem ações de mitigação dos GEE, pois as mudanças climáticas afetam diretamente a produção de alimentos.

Desse modo, políticas mundiais estão buscando a adoção de tecnologias agropecuárias sustentáveis para que este problema seja reduzido.

No Brasil, foi criado o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, resumidamente denominado Plano ABC.

“Este plano tem por finalidade a organização e o planejamento das ações a ser realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, selecionadas com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de GEE no setor agropecuário assumidos pelo país”, segundo o governo brasileiro.

Para atender à sua finalidade, esse plano criou seis programas de tecnologia focados em mitigar os efeitos climáticos; e um último programa voltado à adaptação, visto que a mudança climática vem ocorrendo em maior escala.

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Plano ABC criado com a finalidade criar uma agricultura de baixo carbono no Brasil
(Fonte: MAPA)

Como as tecnologias agrícolas contribuem para a redução do carbono? 

O primeiro ponto a ser entendido é responder a seguinte pergunta: o que é carbono na agricultura? 

Para dar essa resposta, precisamos lembrar que o carbono tem sido um vilão, pois os principais gases responsáveis pelo efeito estufa são dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), e a agricultura e pecuária são grandes responsáveis pela emissão destes três gases.

Agora, voltando à pergunta, o carbono na agricultura é fundamental. Ele está presente no solo e na planta. E, por estar presente no sistema de produção, o carbono pode ser “resgatado” ou liberado para o ambiente.

Na agricultura, o carbono é liberado pelo processo de revolvimento do solo, como aração e gradagem, pelo uso de adubos nitrogenados, pelo desmatamento, por pastagens degradadas, pela exposição do solo e pelo diesel utilizado nos maquinários

Devido a esses fatores, foram desenvolvidas aquelas seis tecnologias presentes no Plano ABC, para que ocorra o “resgate” deste carbono atmosférico ou ao menos a sua redução.

A palavra “resgatado” se refere ao fato de as plantas utilizarem gás carbônico (CO2) no processo de fotossíntese, retirando esse carbono da atmosfera.

Esse carbono passa a ser parte constituinte das plantas, raízes, ramos e folhas, que, no momento da sua decomposição, passam a ser componentes do solo, pois se ligam aos minerais de argila, onde são utilizados pelos microrganismos do solo.

Para entender melhor como fazer uma agricultura de baixo carbono, vamos nos basear em quatro dos programas de tecnologias dispostas no Plano ABC, abordando onde e como cada um contribui para a redução do carbono.

diagnostico de gestao

Programa 1: Recuperação de Pastagens Degradadas

Neste programa, a redução do carbono ocorre por meio da conservação do solo, pois, em áreas degradadas, o solo fica exposto, tem pouca matéria orgânica e é geralmente compactado, o que reduz a vida de seus microrganismos e prejudica o desenvolvimento das plantas.

Assim, em solos nestas condições, a retenção de carbono é reduzida drasticamente, favorecendo mais a sua liberação do que a sua retenção.

A consequência da recuperação de pastagens é maior quantidade de plantas saudáveis e matéria orgânica, maior quantidade e diversidade de microrganismos no solo e menor compactação.

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Pastagem degradada à esquerda e recuperada à direita
(Fonte: Embrapa)

Programa 2: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs)

Os sistemas de integração têm como finalidade a ocupação de terra com diferentes formas de produção agrícola e pecuária.

Em uma mesma área, há presença de árvores, culturas agrícolas (soja, milho, frutíferas e hortaliças) e também pode haver criação de gado, ovinos ou caprinos, o que confere diversidade ao meio ambiente.

Com isso, o solo tem sempre uma cultura ou restos de culturas; e, consequentemente, menor risco de erosão, maior ciclagem de nutrientes, pela presença de matéria orgânica proveniente das árvores e das culturas, e maior fixação de carbono e nitrogênio, tanto devido à presença de microrganismos do solo quanto pela respiração das plantas.

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Exemplo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) (Fonte: Embrapa)

Programa 3: Sistema Plantio Direto (SPD)

Para adotar um sistema de plantio direto, o principal é o não revolvimento do solo, fator este que já contribui bastante para a redução de carbono.

Além disso, para que o sistema tenha funcionalidade, fazer adubação de cobertura é praticamente fundamental, pois as plantas conseguem ajudar a reciclar os nutrientes do solo, gerando matéria orgânica e contribuindo para a retenção de carbono.

Com solo mais equilibrado nutricionalmente, há redução da adubação, o que também é um fator que favorece a liberação do carbono. A boa condução deste sistema, com o passar dos anos, reduz a adubação das culturas.

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Sistema de plantio direto – não revolvimento do solo (Fonte: Embrapa)

Programa 4: Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)

A fixação biológica de nitrogênio é amplamente conhecida pelos agricultores — principalmente pelos que produzem soja.

O nitrogênio fornecido para as plantas por meio da simbiose com as bactérias é o que faz a cultura da soja rentável, pois economiza cerca de 588 kg uréia/ha.

Além da soja, outras culturas podem se beneficiar dessa simbiose, como feijão, milho, alfafa, cana-de-açúcar, entre outras.

A fixação contribui para a redução dos gases do efeito estufa devido à economia gerada pela menor utilização de adubos nitrogenados.

Os adubos nitrogenados, principalmente a ureia, podem gerar liberação do N para a atmosfera por meio da volatilização da amônia e de óxido nitroso (N2O) — este último, um dos principais gases causadores do efeito estufa.

exemplo de perda de nitrogênio na agricultura de baixo carbono
Exemplo da perda de nitrogênio para a atmosfera (Fonte: A Granja)

Benefícios da adoção de práticas para redução de carbono

Como foi discutido ao longo do texto, as práticas da agricultura de baixo carbono são importantes para a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa.

Sua importância é tanto social quanto climática, pois seus efeitos afetam diretamente a produção agrícola mundial.

Entretanto, as práticas que minimizam a emissão dos GEE trazem outros benefícios para os produtores rurais, como, principalmente, o aumento da produção.

Com a recuperação de pastagens degradadas, a quantidade de animais por hectare pode duplicar.

O uso de bactérias capazes de fixar nitrogênio nas plantas reduzem a quantidade de adubos nitrogenados e, devido à menor quantidade de adubo, geram economia para o produtor, além de ter um melhor aproveitamento do N advindo das bactérias.   

Não revolver o solo no SPD, além dos benefícios na agricultura de baixo carbono, também aumenta a palhada deixada no solo, que favorece a manutenção da umidade, a vida dos microrganismos e outros benefícios que aumentam a produtividade de diversas culturas. 

Outro benefício da agricultura de baixo carbono é o incentivo do governo por meio do Programa ABC, que é uma linha de crédito para que esses programas tecnológicos sejam implantados nas áreas agrícolas.

Essas linhas de crédito são fornecidas com taxas de juros menores para os produtores que buscam fazer atividades que reduzam a emissão dos GEE.

Outras práticas que podem gerar renda para o produtor brasileiro são os créditos de carbono. Essa remuneração pela redução dos GEE já é uma realidade em alguns países.

Para saber mais sobre esse crédito, leia o seguinte texto aqui no blog: Saiba o que é o sequestro de carbono na agricultura e como se beneficiar dele.

Conclusão

Neste texto, abordamos as principais tecnologias para a realização de uma agricultura de baixo carbono

Também falamos do impacto da agricultura na emissão dos gases causadores do efeito estufa, contribuindo negativamente e positivamente nesse cenário.

Exemplificamos algumas práticas agrícolas que contribuem para a redução de carbono e como ocorre essa redução.  

Por fim, mostramos outros benefícios que o produtor obtém ao realizar uma agricultura de baixo carbono em suas áreas.

>> Leia mais:

“Sequestro de carbono na agricultura e como se beneficiar dele”

“Consequências das queimadas no solo e os impactos para a agricultura”

“Agrometeorologia: saiba como ela é importante para a produtividade da lavoura”

Você já conhecia a agricultura de baixo carbono? Aproveite para compartilhar este artigo com a equipe que te ajuda a cuidar da lavoura.

O que é SAF: entenda tudo sobre os sistemas agroflorestais

SAFs: o que são, qual sua importância na agricultura e na biodiversidade, o que é feito neste tipo de sistema, vantagens e desvantagens e mais. 

A agricultura tem passado por diversas modificações para reduzir os efeitos climáticos. No Brasil, vários sistemas têm sido estudados e implementados para alcançar uma agricultura sustentável.

Os sistemas como o SAFs buscam trazer melhorias sociais, econômicas e ambientais. Tudo isso acaba favorecendo o cultivo das culturas e a quem produz.

Neste artigo, vamos explicar o que é SAFs, qual seu objetivo, como realizar e mais informações importantes para produtores rurais. Aproveite a leitura!

O que significa SAFs?

A sigla SAFs significa sistemas agroflorestais. Ela se refere a uma junção de práticas agrícolas com florestais. Estes sistemas atuam na recuperação de áreas degradadas e florestas, permitindo um cultivo agrícola com um desenvolvimento sustentável.

Nestes sistemas, o plantio consorciado é feito entre plantas arbóreas nativas, frutíferas e/ou madeireiras e cultivos agrícolas anuais, bianuais ou perenes. Os SAFs ajudam na questão de melhorias de solo, microclima e biodiversidade.

Em relação à economia, os SAFs garantem renda ao longo do tempo para quem produz. Afinal, ele funciona através do cultivo de espécies diferentes com tempos de produção diferentes.

Como funcionam os sistemas agroflorestais no plantio consorciado

Em toda produção, o planejamento é o primeiro passo que você precisa dar. Para planejar corretamente um sistema agroflorestal, alguns fatores devem ser considerados. São eles:

  • Tipo de solo;
  • Clima;
  • Mercado consumidor;
  • Espécies;
  • Operações;
  • Custos;
  • Legislação;
  • Relevo;
  • Arranjo da área.

Observe esses aspectos antes da implementação. Afinal, uma definição de sistema agroflorestal errada pode trazer problemas de produção, o que pode levar a prejuízos na rentabilidade. 

Além disso, vale ressaltar que existem vários sistemas dentro dos SAFs. Eles podem ser agrossilviculturais, silvipastoris ou agrossilvipastoris. Entenda um pouco mais sobre cada um deles abaixo:

  • Agrossilviculturais: quando se tem o cultivo de árvores e plantio agrícola; 
  • Silvipastoris: cultivo de árvores associado com criação de animais;
  • Agrossilvipastoris: é a junção de árvores, culturas agrícolas e animais na mesma área, também conhecido como iLPF Integração Lavoura, Pecuária e Floresta.
Exemplificação de esquema de Sistemas Agroflorestal
Exemplificação de esquema de Sistemas Agroflorestal
(Fonte: Journals openedition)

O plantio nos SAFs deve ser feito para um maior aproveitamento do terreno. Nele, é preciso considerar o espaçamento entre plantas e entre linhas e a parte operacional, principalmente das culturas anuais.

Estes sistemas têm sido explorados principalmente em pequenas áreas, pois o sistema leva anos para ser instalado efetivamente. Em áreas menores, se tem maior controle das operações.

Entretanto, estes sistemas são possíveis em grandes áreas, com planejamento e execução adequados. 

planilha controle de custos por safra

Qual a importância da agricultura sustentável na agroecologia?

Assim como a escolha das árvores a serem implantadas deve ser correta, o uso de culturas agrícolas também deve ser planejado. Nesses sistemas, tudo é possível: árvores para extração (de madeira ou látex), árvores frutíferas, culturas bianuais ou anuais, dentre outros exemplos.

Um dos principais problemas para as culturas agrícolas nestes sistemas é a sombra das árvores maiores. Por isso, culturas que se adaptam bem a este tipo de ambiente mais sombreado já são consolidadas nestes sistemas. Esse é o caso do café, cacau e erva-mate.

Culturas como soja, milho e trigo também são utilizadas nestes sistemas. Entretanto, é necessário cuidado com o sombreamento, pois essas são culturas nas quais a falta de irradiação solar afeta diretamente a produção.

Caso você queira produzir estas culturas, o arranjo das árvores e espaçamentos devem ser feitos corretamente. Assim você evita o adensamento de árvores, dispondo-as no sentido que tenha maior entrada de luz entre as linhas.

Outra opção é realizar o cultivo destas culturas anuais somente no início do sistema. Assim, as árvores ainda estão se desenvolvendo, o que permite maior irradiação solar.

Alguns estilos de SAFs
Alguns estilos de SAFs 
(Fonte: Unesp)

Vantagens e desvantagens de utilizar o SAFs

Todos os modos de cultivo têm vantagens e desvantagens. Isso te ajuda a definir o melhor modo de cultivo para cada situação. Sabendo estes pontos, é possível programar e planejar ações que reduzam ou evitem as desvantagens e aproveitar ao máximo as vantagens.

Vantagens

  • Preservação do solo. Afinal, há sempre alguma cultura na área;
  • Redução da erosão. Isso acontece devido à presença das árvores auxiliam como barreiras;
  • Recuperação da fertilidade do solo. As folhas e cascas das árvores caem e se decompõem;
  • Controle de plantas daninhas. A área é feita de mais de um sistema de cultivo, e por isso os solos estão sempre “ocupados”;
  • Aumento da biodiversidade. Ocorre um aumento da microbiota e insetos do solo importantes para ciclagem de nutrientes e recuperação do solo;
  • Recuperação de áreas degradadas. Estes sistemas têm sido amplamente utilizados em áreas onde é necessária a recuperação do solo;
  • Rentabilidade ao longo do tempo. Por apresentam diferentes culturas com tempo de produção diferentes, os produtores geram renda ao longo de meses e anos;
  • Desenvolvimento sustentável. A fim de utilizar as áreas de modo com que evite alguns riscos ao meio ambiente, se tem uma produção sustentável, com maior infiltração de água, maior capacidade de absorção do solo;
  • Redução de custos. Em alguns casos de SAFs, é possível reduzir o uso de fertilizantes e até mesmo de agroquímicos, tornando a produção mais sustentável.

Desvantagens

  • É necessário maior conhecimento sobre as culturas implantadas na área agrícola;
  • Algumas culturas apresentam efeito alelopático em relação às outras, causando prejuízo no desenvolvimento e produção;
  • Quando as árvores estiverem altas, a luminosidade na área pode ser reduzida;
  • Competição por nutrientes, principalmente no início do sistema. Nesse momento, ainda não há equilíbrio da biodiversidade e há pouca presença de matéria orgânica, pode ocorrer competição pelos nutrientes disponíveis no solo;
  • Uma cultura pode ser hospedeira da doença ou inseto, perpetuando a sobrevivência destes na área. Isso pode gerar um complexo de pragas e doenças nos cultivos;
  • Caso não haja um bom planejamento operacional, a mecanização dos sistemas pode ser dificultada e podem haver mais gastos operacionais
diagnostico de gestao

Conclusão

Neste artigo, você ficou por dentro da importância que estes sistemas agroflorestais têm na agricultura atual. Ao implantar algum tipo de SAFs na sua área, não deixe de considerar os fatores mencionados no artigo para garantir boa produtividade. 

Por fim, você viu as principais vantagens desses sistemas, como a recuperação de áreas degradadas. Entretanto, também conferiu que há desvantagens que não podem ser ignoradas.

Na dúvida sobre implantar ou não um SAFs na sua propriedade, não deixe de contar com o apoio de uma pessoa especializada.

Você está pensando em implementar um desses sistemas na sua fazenda? Já sabia o que é SAFs? Assine nossa newsletter para ficar por dentro de mais informações como essa.

Veja como e quando é feita a adubação de cobertura

Adubação de cobertura: veja o que é, sua importância, principais nutrientes aplicados, culturas e época de aplicação

Os nutrientes são essenciais para o desenvolvimento vegetal. Cada um tem atuação fundamental nas plantas, e muitas vezes é necessário durante todo o ciclo da cultura.

A adubação antes do plantio é essencial para disponibilizar nutrientes desde o início da formação da planta. Entretanto, alguns são requeridos em maiores quantidades, e se aplicados em sua totalidade na adubação de plantio, podem prejudicar a lavoura. 

Neste artigo, veja como a adubação de cobertura ajuda a contornar esses prejuízos, quais nutrientes são aplicados e em quais culturas ela é indicada. Boa leitura!

Qual a diferença entre adubação de base e de cobertura?

A adubação de cobertura é feita após a cultura já estar estabelecida, quando os níveis de nutrientes no solo estão abaixo do necessário. Ela também é feita em lavouras sem histórico de informações sobre o solo.

Em casos de lavouras sem histórico, a cobertura com adubo serve para manter o solo em um padrão seguro para a cultura. Isso, é claro, não exclui a necessidade de fazer análises de solo.

Ela fornece o nutriente para a planta durante seu ciclo no momento que a planta mais precisa. Afinal, a fertilidade dos solos brasileiros geralmente é muito baixa. 

Para suprir as necessidades das plantas, muitas vezes é necessária uma boa quantidade de determinados nutrientes. Justamente por isso, a adubação das culturas deve ter como parâmetros:

Estas são as principais informações necessárias para definir a adubação. Entretanto, nem sempre a quantidade requerida é necessária no início da formação da lavoura. Ainda, a cultura pode precisar de grande quantidade de determinado nutriente.

Assim, a aplicação total na adubação de base se torna inviável. Nesses casos, ocorre o parcelamento da adubação (a adubação de cobertura).

A adubação de fundação ou de base fornece os nutrientes, principalmente os fertilizantes NPK, para o início do desenvolvimento da cultura. 

Por outro lado, a adubação de cobertura complementa o fornecimento com a planta já formada e quando ela mais necessita.

Quais são os nutrientes aplicados?

A adubação de cobertura geralmente é feita com nutrientes facilmente perdidos durante o desenvolvimento da cultura, como o nitrogênio e o potássio. Geralmente, o nitrogênio deve ser dividido em adubação de base e cobertura. 

Em algumas culturas, ele pode ser parcelado em duas aplicações para aproveitar a maior parte. Quando se parcela o nutriente via cobertura, você consegue aplicar em poucas quantidades e no momento que as plantas mais necessitam.

O potássio é outro nutriente importante para as plantas. Muitas vezes, devido à quantidade disponível no solo, é preciso aplicar grande volume. Os solos arenosos são os que mais requerem este nutriente.

O fósforo é pouco utilizado neste tipo de adubação por causa da sua imobilidade no solo. Assim, se aplicado por cobertura, irá se concentrar na camada superficial.

Já em relação aos micronutrientes, alguns já são aplicados após a formação das plantas. Entretanto, são aplicados praticamente em sua totalidade via adubação foliar, com a pulverização.

Principais culturas que recebem adubo de cobertura

Alguns fatores devem ser considerados antes da aplicação da adubação de cobertura, ainda no planejamento:

  • teor dos nutrientes no solo;
  • expectativa de produção;
  • textura do solo;
  • teor de matéria orgânica;
  • demanda nutricional da cultura que será implantada;
  • clima antes e depois da aplicação;
  • quantidade a ser aplicada via cobertura.

A seguir, veja as principais culturas anuais que recebem ou podem receber adubação de cobertura.

Trigo

A adubação de base de nitrogênio para o trigo é feita com até 20 kg/ha. O restante exigido pela cultura é aplicado por cobertura. A aplicação em cobertura é recomendada entre os estádios de perfilhamento e alongamento do colmo.

Fases de desenvolvimento do trigo

Fases de desenvolvimento do trigo
(Fonte: Mais soja)

Feijão

O feijão, ao contrário da soja, precisa de adubação de cobertura devido à quantidade de nitrogênio necessária para completar seu desenvolvimento ideal.

Dos 35 dias aos 50 dias após o começo do ciclo fenológico do feijão, as plantas requerem grandes quantidades de nitrogênio por causa do florescimento. Entretanto, a nodulação será mais efetiva após os 35 dias.

A nodulação do feijão fornece parte do nitrogênio requerido pela planta. A outra parte é dividida entre aplicação na semeadura (geralmente utilizado ⅓ do recomendado), e o restante em cobertura. Isso é feito entre 25 e 30 dias após a emergência das plantas.

As doses de nitrogênio podem variar de 40 kg/ha a 120 kg/ha, dependendo do tipo de solo, cultivar e quantidade de matéria orgânica.

Como e quando fazer adubação de cobertura no milho?

A primeira adubação do milho (adubação de base), realizada com a semeadura, é feita com NPK. Esse é o melhor adubo para cobertura do milho. Entretanto, é necessário fazer a adubação de cobertura aplicando o restante de nitrogênio necessário.

O adubo de cobertura para milho é inserido entre as fases V2 e V4. É entre estes estádios fenológicos do milho que é definido o potencial produtivo das plantas. 

Ciclo fenológico da cultura do milho

Ciclo fenológico da cultura do milho
(Fonte: Geagra)

Como adubo utilizado em cobertura, são utilizados principalmente sulfato de amônia e ureia agrícola. Alguns produtores já estão utilizando adubos mais tecnológicos para esta aplicação, como os revestidos. Eles apresentam liberação mais controlada

Para o potássio, se o solo não precisar de grande quantidade para o milho, a adubação é feita 100% na base. Entretanto, em épocas de seca após a semeadura do milho, o recomendado é aplicar no máximo 60 kg/ha de K2O.

Quantidades acima desta devem ser aplicadas via adubação de cobertura do milho. A cobertura de potássio para o milho pode ser feita junto da adubação nitrogenada, mas em até 30 dias após a semeadura.

Soja

A adubação de cobertura fornece potássio para soja. O nitrogênio da soja vem da fixação biológica. Entretanto, devido a quantidade requerida deste último nutriente, é necessário realizar a aplicação em cobertura.

A aplicação de potássio para soja tem sido feita antes da semeadura, e pode substituir a aplicação em cobertura. A maior demanda de potássio pelas plantas de soja corre até o enchimento de grãos

Por isso, o recomendado é aplicação de no máximo 50 kg/ha de potássio na semeadura. Isso evita danos na germinação. O restante deve ser aplicado 30 dias após a semeadura.

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Conclusão

Para realizar a adubação de cobertura, é necessário planejamento antes mesmo da semeadura. Esse planejamento deve considerar diversos fatores.

Fique de olho nas recomendações para cada cultura, e não deixe de procurar ajuda de uma pessoa profissional da agronomia. Afinal, todo cuidado é pouco para garantir boa produtividade e menos perdas na cultura.

Como você faz a adubação de cobertura na sua lavoura? Não deixe de compartilhar este artigo com a equipe responsável por essa etapa na sua fazenda. 

Passo a passo para fazer o cálculo de semeadura de milho

Cálculo de semeadura de milho: veja como definir população de plantas, quantidade de sementes, taxa de semeadura, dicas e mais!

Um dos principais momentos na lavoura é a semeadura. No milharal, este momento é ainda mais importante por causa da fenologia do milho e outras características delicadas dessa cultura.

Não basta apenas colocar as sementes no solo, sem qualquer parâmetro. É necessário fazer alguns cálculos para que a quantidade de sementes esteja correta, garantindo assim boa produtividade do milho.

Neste artigo, veja as principais contas que você precisa fazer antes dessa etapa para obter o máximo potencial produtivo que seu híbrido pode fornecer. Assim, você consegue fazer um bom planejamento para a cultura do milho. Boa leitura!

Como fazer o cálculo de semeadura do milho?

Nessa cultura, é importante definir qual híbrido de milho irá ser semeado para aí sim calcular a semeadura do milho. Existem diversos híbridos comerciais no mercado. Antes de fazer essa escolha, considere os seguintes aspectos:

Com a definição da melhor variedade de milho a ser semeada, você precisa fazer os cálculos para saber a quantidade ideal de sementes para semear toda a área. Veja a seguir os principais cálculos de semeadura do milho a serem feitos.

Como calcular a população de plantas de milho por hectare

O primeiro passo é saber qual a recomendação do híbrido escolhido em relação a quantidade de plantas por hectare. Para todas as culturas, a população de plantas ideal já vem pré definida com o híbrido ou cultivar escolhido.

Quem faz essa predefinição são pesquisas conduzidas em diversas regiões produtoras. Assim, o material poderá expressar seu máximo potencial produtivo. Ou seja: quantos grãos de milho plantar por hectare depende da marca de híbrido escolhido por você.

A população de plantas está definida dentro de um intervalo considerado ideal. Ainda assim, é importante seguir a recomendação técnica, pois a população ideal de plantas definidas é aquela que te traz melhor aproveitamento de água, luz e nutrientes.

Como calcular a quantidade de sementes de milho por metro

Com a população de plantas definida, o próximo passo é saber a quantidade de sementes por metro. Para isso, é preciso ter os dados de população de plantas e espaçamento a ser utilizado. O espaçamento entre linhas para cultura do milho varia muito entre:

  • 0,45 m;
  • 0,50 m;
  • 0,90 m.

Segundo a Embrapa, espaçamentos mais (45 cm a 50 cm entre linhas) tem apresentado melhores resultados em comparação com espaçamentos maiores (80 cm a 90 cm). Isso acontece especialmente quando se utilizam densidades de plantio mais elevadas.

Outra vantagem destacada é a maior rapidez no fechamento de linhas quando o espaçamento é reduzido. Essa técnica é mais eficaz no controle de plantas daninhas. Sabendo estes dados, é possível definir a quantidade de plantas por metro. Veja o cálculo a seguir:

Como calcular a taxa de semeadura do milho

Feito o cálculo de sementes por metro, é preciso considerar a germinação antes de regular a semeadora. O cálculo que considera a quantidade de sementes viáveis do lote é chamado taxa de semeadura.

Para saber a porcentagem de germinação do híbrido escolhido, basta olhar no rótulo da embalagem. Se você ainda não recebeu as sementes, pergunte para o vendedor. Feito isso, você pode realizar o teste a seguir:

Pelo cálculo, é preciso ter 3 sementes/metro para obter a população de plantas definida.

Como calcular a quantidade de sementes de milho para um hectare 

Definindo a taxa de semeadura, basta saber a quantidade de sementes que você irá utilizar em um hectare e depois na área total. Há dois modos de fazer este cálculo. Veja:

Normalmente, para fazer a compra, é colocado 10% a mais de sementes a serem semeadas por causa de problemas com as máquinas ou perdas durante o abastecimento ou transporte. Por isso há na fórmula acima a multiplicação de 1,1.

O milho, atualmente, é comercializado em número de sementes. As empresas colocam 60 mil sementes em cada saco, geralmente. Com nosso exemplo, é preciso ter 1,22 sacos para semear um hectare de milho. 

Caso a área total semeada seja 100 hectares, seriam necessários 122 sacos. Caso em alguma revenda ainda seja comercializado o milho em kg, o cálculo feito é diferente. Com a conta a seguir, você consegue saber quantos quilos de milho por hectare você deve plantar.

Dicas para melhorar a semeadura do milho

Dicas para melhorar a semeadura do milho  

Após fazer os cálculos necessários de semeadura de milho e fazer a compra das sementes, o próximo passo é o momento de semear. Nessa etapa, é importante ter alguns cuidados para que a semeadora consiga colocar as sementes com espaçamento correto entre plantas.

Regulagem correta da semeadora

Antes de tudo, faça uma boa regulagem da semeadora. Faça as revisões necessárias e, antes de começar o plantio, coloque o disco de tamanho ideal para seu híbrido. Feito isso, confira se está caindo a quantidade correta de sementes por metro linear.

Para isto, ande com a semeadora por cerca de 10 metros em local limpo. Depois disso, confira em pelo menos 2 metros se está caindo a quantidade desejada de sementes. Confira também se não estão caindo duas sementes no mesmo local.

Além disso, é sempre bom saber qual é a melhor semeadora para milho no mercado. Tendo os equipamentos corretos, a produtividade do milho é ainda mais preservada. 

Quer uma ajuda para controlar melhor o status da manutenção das máquinas da sua fazenda? Separamos uma planilha ideal para esse momento, totalmente gratuita. Basta clicar na imagem abaixo e acessar.

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Velocidade de plantio

A velocidade de plantio é outro ponto de atenção. Com a velocidade correta, você garante que as sementes sejam depositadas no solo de modo correto, evitando falhas e duplas. A velocidade ideal da semeadora é entre 4 km/h a 6 km/h.

Na imagem abaixo, veja como é o efeito da velocidade do plantio da densidade final da sua plantação. Além disso, você confere que a velocidade correta afeta também na produtividade da sua cultura.

Efeito da velocidade do plantio na densidade final e na produtividade do milho
Efeito da velocidade do plantio na densidade final e na produtividade do milho
(Fonte: Embrapa)

Profundidade de plantio

A profundidade é outro fator que interfere no estabelecimento das plântulas em campo. Para isso, é importante garantir que as sementes fiquem entre no máximo de 3 cm a 5 cm de profundidade.

Garantir uma profundidade uniforme no plantio de milho pode parecer trabalhoso, mas é uma das etapas mais fundamentais e que não podem ser ignoradas. Afinal, uma boa profundidade também evita alguns dos principais danos em grãos de milho.

Depois de ter semeado corretamente o milho, você precisará começar a pensar e planejar a adubação. Para te ajudar nesse processo, separamos uma planilha gratuita para facilitar o cálculo de adubação e controle dessa tarefa. Clique na imagem abaixo para acessar:

planilha calculo fertilizante milho e soja

Conclusão

Neste texto, você viu que é importante fazer os cálculos de semeadura do milho já no planejamento da cultura. Ainda, lembre-se que fazer os principais cálculos é uma etapa um tanto quanto trabalhosa, mas fundamental.

Não deixe de considerar o que influencia nos cálculos e de onde vem cada valor a ser utilizado. Feito isso, você garante ainda mais assertividade no processo.

Não deixe de relembrar as dicas importantes que demos aqui para que seus cálculos não sejam em vão. Assim, você obterá o melhor aproveitamento na operação de semeadura.

>> Leia mais:

“Previsão do preço do milho: o que esperar para 2023”

Entendeu como fazer o cálculo de semeadura de milho? Se quiser ficar sempre por dentro de outros conteúdos sobre a cultura do milho e outros assuntos de gestão agrícola, não deixe de se inscrever na nossa newsletter.

Saiba como calcular o lucro por hectare de soja

Lucro por hectare de soja: o que fazer para aumentar seu lucro líquido, qual a projeção para 2023 e outras informações importantes

Quem produz quer ter sucesso em sua propriedade rural, produzir bem, vender com preço elevado e ter bons lucros. Entretanto, poucos produtores sabem o que é lucratividade, como calcular e como defini-la para cada área de produção.

Não tem sido uma tarefa fácil fechar as contas nestes últimos anos. Afinal, a volatilidade dos preços tem atrapalhado na definição da margem de lucro das lavouras de soja. Justamente por isso, entender bem sobre lucro é fundamental. 

Neste texto, conheça o principal fator que deve ser considerado para definir o lucro líquido da fazenda e como calculá-los. Assim, você poderá definir o preço da soja em 2023 e nos anos seguintes. Aproveite a leitura!

O que é o lucro de soja por hectare?

O lucro líquido é, de forma resumida, quanto sobrou para o produtor após ele pagar todos os gastos diretos e indiretos. Ou seja, o quanto sobra ao quitar o custo de produção da área de soja.

Todo comércio realizado é voltado para lucro obtido com o produto, mas o lucro na agricultura não é fixo. Nos últimos anos, foi possível observar grande oscilação de preços na venda e compra dos insumos agrícolas e dos grãos.

Essa volatilidade nos preços gera maior instabilidade na venda dos grãos colhidos. Afinal, quem produz espera preços bons no mercado comprador para poder vender. Entretanto, a pergunta que fica é: qual é o melhor preço de venda da saca de soja?

Pensando na safra 2021/22, a média de preço da saca de soja no porto de Paranaguá foi de R$ 188,89. Entretanto, o preço diário oscilou entre R$ 174,46 a R$ 207,14 ao longo dos dias.

Poucos produtores conseguiram vender sua soja ao preço de R$ 200 por saca, pois este valor se manteve por poucos dias. Outros produtores já tinham realizado a venda futura da soja em 2021 ao preço de R$ 150 por saca.

Outro questionamento  é o seguinte: será que o produtor que fez contrato futuro a R$ 150 por saca saiu no prejuízo? Por isso, é importante saber o que significa o lucro da soja por hectare. Assim você não ficará à mercê das oscilações que estão presentes nesta safra.

Sabendo quanto a lavoura custou, é possível saber se aqueles R$ 150 por saca foram ou não um bom negócio.

Assim, é importante ter um planejamento antecipado da sua lavoura. Somente com ele em mãos você poderá definir um preço de venda futura, ou até mesmo definir a lucratividade esperada da sua fazenda.

Custo de produção x rentabilidade da soja por hectare

Um custo bem feito te gera dados confiáveis e seguros para que realizar com mais confiança suas transações de venda. Um custo de produção precisa ser feito com planejamento. Nele, é preciso definir: 

  • quantidade de área;
  • cultivar utilizada;
  • formulação de adubo;
  • quantidade de adubo por hectare;
  • principais defensivos a serem utilizados.

A definição dos defensivos no planejamento é feita com base no histórico da área e da cultura antecessora. Com isso, já é possível definir alguns destes produtos, enquanto outros são adquiridos no decorrer da cultura em campo.

Assim, é possível definir os gastos diretos realizados no custo de produção, que são todos os insumos utilizados. É preciso anotar também os gastos indiretos. Eles são os valores gastos com revisões de maquinários, mão de obra, energia, fretes, combustível, peças, entre outros.

Estes gastos devem estar no custo de produção, mas divididos por hectare. Um exemplo hipotético seria: 

  • a revisão da semeadora ficou no valor de R$ 20 mil;
  • serão semeados 100 hectares;
  • Portanto, o valor deste item será de R$ 200 por hectare. 

Outra forma de fazer esse cálculo é utilizando tecnologia, através de planilhas de custo de produção por hectare. Separamos uma planilha gratuita para você calcular os insumos utilizados em cada safra, por hectare. Clique na imagem abaixo para acessar o material:

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Exemplo de lucratividade da soja

Confira um exemplo de lucratividade da soja da safra 2021/22, pelos dados de custo de produção obtidos da Conab e valor médio de venda obtido no Cepea. O valor médio de venda foi de R$ 188,89 em 2022.

Para esse cálculo, considere que o custo de produção da soja por hectare em Londrina, na safra 2021/22 foi de R$ 5.989,97. Ainda, considere que a produtividade média na região foi de 60 sacas por hectare

Nessa safra, o preço médio de venda da saca de soja nessa região foi de R$ 188,89. Para chegar ao resultado do lucro da soja, é necessário multiplicar o valor da produtividade (60 sacas) pelo valor de venda dessas sacas (R$ 188,89). 

Assim, fazendo esse cálculo, percebemos que o valor total de venda por hectare foi de R$ 11.333,40. Agora, veja como fazer esse cálculo em mais detalhes:

lucratividade da soja: forma de calcular o lucro por hectare da soja
Esquema para calcular o lucro por hectare de soja

Houve produtores da safra 2021/22 que venderam a saca de soja por R$ 150. Fazendo os cálculos citados acima, vemos que estes produtores tiveram um lucro líquido de R$ 3.010,03 por hectare. Isso significa uma lucratividade de 33,44%.

Alguns podem achar pouco, mas quem está no ramo agrícola a algum tempo sabe que este não é um valor ruim de lucro. Ainda, é preciso ter pé no chão para não deixar escapar boas ofertas de venda, na busca do que oscila tanto: o mercado de commodities agrícolas.

Ou seja, o custo de produção considera todos os gastos com a lavoura por hectare. Sabendo qual a margem de lucro desejada, é possível conseguir a melhor relação de custo x lucro.

Projeção da margem de lucro de soja por hectare em 2023

Quem produziu na safra passada (2021/22) pode lucrar cerca de R$ 1,5 mil por hectare de soja. A cotação da saca de 60 kg do grão está em cerca de R$ 156 no Estado do Mato Grosso do Sul. É um valor preocupante, e que pode gerar baixos lucros para quem produz na região.

Essa foi uma projeção feita pela Aprosoja, do MS. Agora, na safra atual, o valor dos insumos tem sido os grandes vilões da lucratividade da soja nas duas últimas safras. 

Por outro lado, a previsão para a safra 2022/23 é de que o lucro líquido será de R$ 1.387,63. Ainda, a previsão de lucratividade é de 13%.

Assim, vemos que nesta safra, quem produz tende a ter menor lucro líquido em relação ao ano anterior. Por isso, é importante estar de olho no mercado e buscar as melhores oportunidades de comercialização agrícola.

Com aumento dos preços pagos na saca de soja, os preços dos insumos deram um salto, elevando o custo de produção. Por exemplo, o lucro de soja por hectare para a safra 2021/22 foi de 47% em Londrina-PR. Entretanto, para esse ano, as projeções são menores.

Os produtores vão se lembrar da preocupação com fertilizantes para a safra 2022/23, o aumento do preço dos defensivos ao final da safra 2021/22. Isto eleva o custo de produção, e como vimos, lucratividade está diretamente relacionada com o custo.

Por quanto vender a saca de soja na safra 2022/23?

Para a safra 2022/23 é preciso ter cautela no cálculo para obter margem boas de lucro. Veja um exemplo hipotético de como definir o lucro da saca de soja por hectare para safra 2023: para isso, considere que o custo de produção da safra 2022/23 foi R$ 9.250,79.

A produtividade esperada por hectare foi de 60 sacas. Para definir o preço mínimo de venda é necessário dividir o custo de produção pela produtividade esperada (ou seja, R$ 9.250,79 dividido por 60). 

Fazendo esse cálculo, chegamos ao resultado de que o preço mínimo de venda é R$ 154,18 por saca. Se o lucro mínimo desejado por saca for de 15%, é necessário dividir o preço mínimo de venda por 0,15.

Fazendo esse cálculo, chegamos à conclusão de que para obter 15% de lucro, você deve vender sua saca de soja por pelo menos R$ 177,31.

Como aumentar a margem de lucro da soja?

Na fazenda, diversos são os fatores incontroláveis por quem produz: clima, bases de preço de compra e venda de mercadorias são apenas alguns exemplos. Entretanto, fazer corretamente aquilo que é controlável é o que faz a diferença no final da safra.

Para conseguir aumentar ou buscar a melhor margem de lucro da sua propriedade, faça corretamente o custo. Anotando todos os gastos diretos e indiretos em planilhas.

Fazer estas planilhas é uma tarefa complicada. Muitas vezes, na correria das atividades da fazenda, é possível esquecer de anotar algum gasto. Ou ainda, é possível não conseguir acompanhar os preços no mercado da soja diariamente.

Para evitar esses gargalos, busque ferramentas que te ajudem neste momento. O Aegro é uma destas soluções! Esse software de gestão rural auxilia no planejamento e controle de custos, garantindo uma visão clara do dinheiro gasto ao longo da safra em tempo real.  

Ao fazer o planejamento e registrar as atividades da safra dentro do sistema, ele permite que você verifique a possibilidade de lucro ou prejuízo antes mesmo da colheita.