About Denise Prevedel

Sou engenheira-agrônoma e mestra em agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Atualmente, sou doutoranda em agronomia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Produção agrícola: entenda os tipos e sistemas de produção

A produção agrícola é uma das atividades mais relevantes para a sustentação da economia global e para a segurança alimentar da população mundial.

O setor é essencial não só para fornecer alimentos, mas também fibras, biocombustíveis e outros produtos.

O Brasil, por exemplo, é responsável por cerca de 23% do PIB, sendo um dos maiores exportadores de grãos, café, carnes e frutas tropicais.

Essa relevância é impulsionada pela diversidade de biomas e condições climáticas, que permitem uma variedade de cultivos.

Nos últimos anos, o ainda setor passou por uma revolução com o uso de tecnologias digitais, práticas sustentáveis e sistemas integrados, como o plantio direto, rotação de culturas e uso de bioinsumos, que aumentam a produtividade de forma sustentável.

O que é produção agrícola?

A produção agrícola é o conjunto de atividades relacionadas ao cultivo de plantas destinadas à alimentação humana, animal ou à produção industrial.

Dentro do contexto também é envolvido o preparo do solo, escolha de culturas, manejo e colheita, considerando fatores como clima, topografia e disponibilidade de recursos.

No Brasil, a produção agrícola é diversificada e inclui grãos, frutas, hortaliças, fibras e culturas energéticas, como a cana-de-açúcar. 

Esse cenário reflete a ampla variedade de biomas e solos do país, favorecendo diferentes modelos de produção.

Como é o Brasil na agricultura?

O Brasil tem uma agricultura influenciada pelo clima tropical, que oferece vantagens como alta radiação solar, períodos de chuvas regulares e uma biodiversidade excepcional.

Esses fatores permitem o cultivo de uma ampla variedade de culturas, como café, cana-de-açúcar, soja e frutas tropicais. Por outro lado, também impõem desafios como a alta incidência de pragas e a necessidade de manejo adequado do solo para evitar a degradação.

A agricultura tropical também favorece sistemas como o consórcio de culturas, onde diferentes plantas são cultivadas na mesma área, promovendo a diversificação agrícola.

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Quais os tipos de produção agrícola?

Os tipos de produção agrícola podem ser classificados de várias maneiras, dependendo do enfoque, como a finalidade do cultivo, o uso de tecnologias agrícolas ou os sistemas de cultivo.

Por conta do clima variado, no Brasil, existem 7 tipos de produção de agrícola que acabam se destacando, sendo elas:

  • Agricultura intensiva;
  • Agricultura familiar;
  • Agricultura patronal;
  • Agricultura orgânica;
  • Permacultura;
  • Agricultura comercial.

Essas sistemas de produção agrícola têm características distintas e são adotados conforme o contexto econômico, social e ambiental de cada região, podendo coexistir em uma mesma área, como no caso da agricultura familiar misturada à agricultura comercial.

1. Agricultura extensiva

A agricultura extensiva é um dos sistemas de produção agrícola tradicional, que utiliza técnicas rudimentares e de baixa tecnologia. Normalmente é utilizada para subsistência, ou até mesmo para mercado local e interno, com predomínio de mão de obra humana. 

Esse tipo de agricultura é comum em pequenas e médias propriedades, e normalmente não conta com a inserção de tecnologia. Somado a isso, o uso de insumos agrícolas não é comum, o que torna a produtividade baixa.

Além dessas características, a agricultura extensiva também é caracterizada por:  

  • Baixo capital investido;
  • Dispor de poucos recursos para investimento;
  • Uso de mão de obra pouco tecnificada;
  • Uso de arado animal;
  • Uso de sementes não selecionadas;

2. Agricultura intensiva

A agricultura intensiva (ou agricultura moderna) é caracterizada pelos altos índices de produtividade e capital de investimento. Nesse tipo de agricultura, os meios de produção são usados de maneira intensiva, e normalmente apenas um tipo de cultura é produzida em larga escala.

Ao contrário da agricultura extensiva, ela utiliza insumos agrícolas. Além disso, esse modelo não adota a rotação de terra, o que pode gerar impacto no ambiente e no solo. A agricultura intensiva é o modelo mais comum de cultivo, sendo uma grande fonte de alimentos.

Outras grandes características desse modelo de produção são:

  • Rotação de culturas;
  • Necessidade de mão de obra qualificada;
  • Produção destinada para a exportação;
  • Uso de sementes transgênicas.

3. Agricultura familiar

A agricultura familiar é desenvolvida por famílias, com a produção voltada para a sua subsistência. Essa atividade acontece em pequenas propriedades, com cultivo feito por mão de obra necessariamente familiar. 

Normalmente, a agricultura desenvolvida por famílias é mais sustentável. Além dessas características, a agricultura familiar também tem:

  • Maior diversidade produtiva;
  • Baixa utilização de insumos agrícolas;
  • Baixo uso de tecnologias;

4. Agricultura patronal

Na agricultura patronal, a produção não é voltada para a subsistência da família, e sim para o mercado interno e para a exportação.

Nesse tipo, o trabalhador não é o proprietário. Há a contratação de trabalhadores qualificados e utilização de insumos agrícolas e tecnologias que assegurem a rentabilidade.

A agricultura patronal é utilizada em médias e grandes propriedades que possuem potencial produtivo.

5. Agricultura orgânica

A agricultura orgânica ou biológica tem como objetivo o equilíbrio ambiental e o desenvolvimento social dos produtores. Além disso, produz não utilizando nenhum tipo de defensivo agrícola.

Nesse modelo, tecnologias próprias para cada tipo de solo, clima, biodiversidade e topografia são desenvolvidas. Além disso, há outras características relevantes:

  • Uso racional da água;
  • Manejo da vegetação nativa;
  • Utiliza-se apenas o controle biológico de pragas;
  • Adubação orgânica e uso de compostagem;
  • Uso de adubação verde;
  • Menor produtividade;
  • Não utiliza sementes transgênicas.
Pessoa inserindo adubo em terra.
(Fonte: Safra Viva)

6. Permacultura

Na permacultura, que significa “cultura permanente”, o cultivo é realizado por ocupações humanas.  Nesse modelo, as necessidades humanas devem estar ligadas a soluções sustentáveis, considerando o equilíbrio entre os ecossistemas. Suas características são:

  • Trabalho a favor do meio ambiente;
  • Utiliza os recursos naturais de maneira racional;
  • Elabora e executa ocupações humanas sustentáveis;
  • Analisa todas as funções do sistema.

Ou seja, ela é caracterizada por compreender a ecologia. A permacultura é baseada em três princípios básicos: cuidar da terra, do futuro e das pessoas.

7. Agricultura comercial

A agricultura comercial é voltada, principalmente, para fins de exportação e comercialização agrícola. Nela, a monocultura é o foco. Ou seja, apenas uma cultura agrícola é cultivada em grandes extensões de terra. 

Nela, tecnologia de ponta e mão de obra qualificada são usadas, além do alto nível de mecanização agrícola. Além dessas características, a agricultura comercial também apresenta:

  • Alta produtividade;
  • Grande aproveitamento de recursos e de terra;
  • Utilização de fertilizantes e defensivos agrícolas;

Agricultura moderna e agricultura tradicional: Qual a diferença?

A agricultura moderna se caracteriza pela aplicação de tecnologias que têm transformado a dinâmica do campo. 

Equipamentos automatizados, insumos químicos especializados, biotecnologia e sistemas avançados de irrigação, são exemplos de ferramentas que proporcionam resultados mais precisos e otimizam o uso dos recursos disponíveis.

O monitoramento digital por meio de softwares agrícolas e dispositivos de sensoriamento remoto possibilita um acompanhamento detalhado das condições do solo, clima e plantações, orientando as atividades agrícolas de forma mais direcionada.

Por outro lado, a agricultura tradicional preserva práticas que refletem o conhecimento acumulado por gerações. Métodos como a rotação de culturas, o manejo manual do solo e o uso de compostos naturais são característicos desse modelo, que mantém uma relação intrínseca com os ciclos naturais e as condições locais.

Além disso, a agricultura tradicional está frequentemente conectada a valores culturais e sociais, sendo um elemento importante para comunidades que mantêm vínculos históricos com a terra.

Mudanças na produção agrícola e impactos ambientes

A ampliação da produção agrícola no Brasil levanta discussões sobre as práticas ambientais e o uso sustentável dos recursos naturais

O crescimento da área plantada pode afetar biomas sensíveis, como o Cerrado e a Amazônia, intensificando os riscos de desmatamento e desequilíbrio ecológico

Para reduzir esses impactos, políticas públicas têm incentivado práticas de manejo consciente, como:

  • Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): método que promove a diversificação do uso da terra e melhora a conservação do solo;
  • Plantio Direto: reduz a erosão e melhora a retenção de umidade no solo;
  • Uso de bioinsumos e controle biológico: práticas naturais para reduzir a dependência de defensivos químicos.

Inovações tecnológicas no agronegócio

A modernização do setor agrícola está ligada à adoção de novas tecnologias, que aprimoram a produção e reduzem desperdícios. Entre as principais inovações estão:

  • Agricultura de precisão: uso de sensores e drones para monitoramento em tempo real das lavouras;
  • Inteligência artificial e big data: análise de dados para otimizar a tomada de decisões e prever safras;
  • Máquinas autônomas e robotização: colheitadeiras e tratores com tecnologia autônoma para reduzir custos operacionais;
  • Biotecnologia e melhoramento genético: desenvolvimento de sementes mais resistentes a pragas e mudanças climáticas.

Sistemas de produção agrícola: Desafios atuais

Os sistemas de produção agrícola enfrentam desafios como variações climáticas, desgaste do solo e a pressão por atender à demanda global.

Para equilibrar o uso de recursos naturais e preservar a qualidade ambiental, práticas como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) têm se destacado.

Essa abordagem combina agricultura, criação de animais e plantio de árvores, promovendo um uso mais eficiente dos recursos e diversificando fontes de renda no campo.

A ILPF também ajuda a mitigar impactos climáticos, como a erosão do solo e a melhoria das condições microclimáticas.

No entanto, para garantir seu sucesso, é necessário contar com planejamento técnico e acompanhamento constante.

O software de gestão de fazendas Aegro pode ser uma solução eficaz nesse processo, oferecendo ferramentas para o manejo integrado, monitoramento da lavoura e otimização da produção agrícola, auxiliando na implementação e gestão de modelos sustentáveis como a ILPF.

Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas

Prad: conheça os objetivos, documentação necessária, quem pode fazer, como elaborar, quais os tipos de recuperação e mais!

O Prad (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas) é um estudo que serve como instrumento para a regularização ambiental da sua propriedade. 

Ele possibilita a recuperação de áreas degradadas. Se a sua fazenda sofre com degradação do solo, conhecer esse plano é fundamental, pois ele pode ser um grande aliado.

Neste artigo, você verá tudo o que precisa saber antes de elaborar o plano. Confira!

O que é o Prad e quais os objetivos?

O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (sigla Prad) é um estudo, baseado em um conjunto de técnicas e medidas que são executadas a fim de recuperar áreas que sofreram degradação ambiental. Isso seja por ação humana ou natural.

São consideradas áreas degradadas aquelas que sofreram alterações em suas propriedades químicas, físicas e biológicas. Isso compromete a capacidade de retornarem ao seu estado natural e a fertilidade do solo.

O Prad assegura condições adequadas de uso do solo e a conservação dos recursos naturais. Seu objetivo é reunir informações, diagnósticos, levantamentos e estudos que possibilitem avaliar a degradação ocorrida

Depois disso, o Prad define as medidas adequadas para a recuperação da área degradada.

Esse plano é solicitado pelos órgãos ambientais como parte do processo de licenciamento ambiental. Ele também pode ser solicitado após a propriedade ser punida administrativamente por causar degradação ambiental.

Esse estudo deve ser elaborado e acompanhado por um profissional habilitado. Ele deve ter registro de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do conselho de classe.

É bom ressaltar que existe o Prad e o Prad simplificado. A diferença entre os dois está relacionada ao impacto ambiental. O Prad simplificado é específico para pequenas propriedades rurais ou posse rural familiar.

Nesses locais, o impacto ambiental é de baixa complexidade, o que facilita a elaboração e execução do plano.

Prad: foto de solo rachado
(Fonte: AgroRural)

Fundamentos legais do Prad

A instrução normativa IN n° 04/2011 do Ibama estabelece exigências mínimas e norteia a elaboração de projetos de recuperação de áreas degradadas. Além disso, ajuda na confecção de algumas leis e decretos que devem ser considerados, como:

  • Lei Federal 7.347/1985: permitiu a criação de instrumentos para viabilizar a recuperação de áreas degradadas;
  • Constituição Federal de 1988: remete às áreas degradas como situações que devem ser reparadas independente do causador da degradação ter sofrido ações penais e aplicações de multas;
  • Decreto 97.632/1989: primeiro marco regulatório que cita plano de recuperação degradados, e para essa legislação específica obriga atividades de mineração a elaborar o Prad e submeter à aprovação do órgão ambiental competente;
  • Lei Federal 9.605/1998: lei dos crimes ambientais, que exige ao infrator recompor o ambiente degradado;
  • Lei Federal n° 12.651/2012: novo Código Florestal atuando fortemente na recuperação de áreas de reserva legal e áreas de preservação permanente, além da obrigatoriedade de Cadastro Ambiental Rural dos imóveis rurais.

Como fazer o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas?

O primeiro passo para elaborar o Prad é fazer a caracterização da área degradada e seu entorno. O agente causador da degradação deve ser informado, através de vistoria de campo.

Após, a delimitação da área a ser recuperada precisa ser feita. Você deverá escolher métodos e técnicas de recuperação de acordo com a área a ser recuperada e com a classificação do solo

Especifique também as técnicas e ações que serão adotadas no processo de recuperação.

O próximo passo é elaborar uma proposta de monitoramento. Faça também uma avaliação da efetividade da recuperação após a execução do plantio. Elabore um levantamento dos insumos, custos e cronograma de execução necessários para a recuperação.

Por fim, detalhe o cronograma, a proposta de monitoramento e a avaliação da recuperação da área. Após a aprovação do plano do Ibama, você terá 90 dias para dar início às atividades de recuperação previstas no cronograma do Prad.

Em resumo, os itens que são obrigatórios e que devem estar no seu plano são:

  • Dados do imóvel rural;
  • Dados do proprietário rural;
  • Dados do responsável técnico pela elaboração do plano;
  • Dados do responsável pela execução do plano;
  • Causas da degradação;
  • Objetivo da realização do projeto;
  • Detalhamentos sobre a implantação do plano;
  • Detalhamentos da manutenção do plano;
  • Informações sobre monitoramento da recuperação da área;
  • Cronograma (de atividades e financeiros), extremamente detalhado.

Documentação necessária

O Prad deve ser protocolizado no Ibama em 2 vias, uma impressa e outra digital. Essas vias devem ser acompanhadas dos seguintes documentos:

  • documentação do proprietário;
  • documentação da propriedade;
  • cadastro no ADA (ato declaratório ambiental);
  • certificado de registro do responsável técnico no Cadastro Técnico Federal do Ibama;
  • ART (anotação de responsabilidade técnica);
  • informações georreferenciadas de toda área a ser recuperada;
  • mapa ou croqui que possibilite o acesso ao imóvel rural.

Só podem elaborar o Prad profissionais habilitados. Considere contratar uma empresa de consultoria ambiental confiável e regularize sua propriedade. Assim, as chances de receber multas e sanções são menores. 

Recuperação de áreas degradadas

Áreas degradadas são aquelas que tiveram suas características naturais alteradas, tanto por motivos naturais quanto por ação humana, além do limite em que possam se recuperar sozinhas. Por esse motivo, precisam de intervenção humana para se recuperarem.

Não existe apenas uma forma de recuperar uma área degradada. As principais maneiras de se fazer isso são através do plantio de mudas, do plantio de sementes, do plantio de culturas como amendoim, da recuperação natural e do uso de espécies pioneiras. Veja mais a seguir: 

Plantio de mudas

O plantio de mudas é uma das técnicas de recuperação de áreas degradadas mais efetivas. Porém, apresenta alto custo. Em geral, o plantio de mudas nativas apresenta alto crescimento e portanto. Em até dois anos, a área poderá estar recuperada.

Prad: solo com plantio de mudas em linhas
(Fonte: Embrapa)

Plantio de sementes

O plantio de sementes também pode recuperar solos degradados. Ele deve ser feito com espécies florestais adaptadas à região. Para o sucesso desse tipo de recuperação, é necessário que ela seja realizada sob condições climáticas adequadas.

Recuperação natural

A recuperação natural de áreas degradadas é quando uma área se regenera naturalmente. É indicada para casos de recuperação de áreas de preservação permanente. Porém, algumas barreiras podem prejudicar a regeneração:

  • ausência de sementes para a recuperação do local;
  • menor desenvolvimento de mudas jovens; 
  • falta de polinizadores.

Recuperação com espécies pioneiras

O plantio de espécies pioneiras pode ser aplicado em áreas próximas a fragmentos florestais. Nesses locais, a natureza se encarrega de promover o enriquecimento natural da área. Esse método também é indicado quando a área está muito degradada.

Como funciona a manutenção e monitoramento do Prad?

O monitoramento e avaliação do Prad é de 3 anos após sua implantação. Ele pode ser prorrogado por 3 anos. Ao longo da execução do Prad, você deve apresentar relatórios de monitoramento, elaborados pelo responsável técnico.

Esses relatórios poderão ser solicitados pela área técnica do Ibama, caso a situação requeira, em intervalos de 3 meses. Pequenos proprietários rurais ou agricultores familiares não precisam apresentar relatórios.

Serão realizadas análises e vistorias pelo Ibama nas áreas em processo de recuperação. Eventuais alterações das atividades técnicas previstas no Prad deverão ser encaminhadas ao Ibama com antecedência mínima de 90 dias.

Ao final da execução do Prad, você precisa apresentar um Relatório de Avaliação com indicativos que permitam aferir o grau e a efetividade da recuperação da área.

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O que acontece se descumprir o Plano?

Caso os objetivos propostos no Prad não sejam alcançados, a área degradada não será considerada recuperada. Isso pode tornar necessária a reavaliação do projeto e ações técnicas pertinentes.

Desta forma, o proprietário estará sujeito a multas e sanções penais, conforme mencionado na Lei 9.605/1998. 

Ele também pode sofrer medidas restritivas de direitos, como a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento e crédito rural.

Conclusão

O Prad é um conjunto de medidas para recuperação de áreas degradadas. Ele assegura condições adequadas de uso do solo e a conservação dos recursos naturais.

Esse estudo reúne informações, diagnósticos, levantamentos e estudos para avaliar a degradação ocorrida e definir medidas adequadas de recuperação da área.

Esse plano é solicitado por órgãos ambientais como parte do processo de licenciamento ambiental ou após a propriedade ser punida administrativamente por causar degradação ambiental.

>> Leia mais:

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O que é e por que investir na análise microbiológica do solo

Consequências das queimadas no solo e os impactos na agricultura

Você pensa em garantir a recuperação de áreas degradadas da sua propriedade? Já conhecia o Prad? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Triticale: alternativa de cultura de inverno para sua fazenda

Triticale: saiba quando e como cultivar, como é feito o controle de pragas e doenças, recomendações de colheita e muito mais!

O triticale é um cereal de inverno gerado a partir do cruzamento do trigo com o centeio. Ele herdou o potencial de rendimento de grãos do trigo e a rusticidade do centeio.

Uma das dificuldades que você pode enfrentar no cultivo do triticale está no manejo da cultura. Afinal, esse cereal possui muitas especificidades.

Neste artigo, você verá detalhes sobre a semeadura e a colheita do triticale, assim como manejo de pragas e doenças. Aproveite a leitura! 

O que é o triticale?

O triticale é um cereal híbrido de inverno. Ele é resultado da hibridação do trigo com o centeio, e possui alta tolerância às geadas. O cereal contribui com a manutenção de palhada em solos arenosos e fracos, além de colaborar com o plantio direto.

Consequentemente, o triticale tem baixa resistência à seca e ao calor excessivo.

Esse cereal se adapta a diferentes condições de solo e clima. Além disso, tem alta capacidade de produção e resistência a doenças fúngicas.

Ele é utilizado principalmente no Sul do Brasil. Afinal, é uma ótima opção para anteceder o cultivo de grandes culturas como milho, soja e feijão

Quando o triticale pode ser cultivado?

A semeadura do triticale ocorre entre os meses de fevereiro e maio

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, é semeado na mesma época que a cultura de trigo. Nessa época, há maior possibilidade de a cultura ter um bom rendimento.

Plantio do triticale

A semeadura deve ser feita em linhas, com espaçamento de 17 cm, e a densidade indicada é de 400 sementes por metro (ou 300 sementes por metro, em locais com risco de acamamento).  A profundidade ideal de semeadura deve ficar entre 2 cm e 5 cm.

Outros espaçamentos podem ser utilizados, mas não ultrapasse 20 cm.

É recomendado que você eleve a saturação de bases do solo para 70%.  Conforme os teores de nutrientes do solo, faça a adubação corretiva.

Devido a sua rusticidade, o cereal possui tolerância a solos ácidos e a altos teores de alumínio tóxico. Apesar dessa tolerância, a correção da acidez por meio da aplicação de calcário é fundamental.

Ela proporciona incrementos significativos na sua produtividade. Além disso, o triticale também responde significativamente à adubação nitrogenada

Antes de semear, avalie as condições e faça a adubação e as correções conforme os resultados da análise de solo.

Grãos de triticale vistos de perto

Grãos de triticale após serem colhidos

(Fonte: Kaufmann seeds)

Quantidade de triticale por hectare

A quantidade de triticale por hectare deve ser de 350 a 400 sementes viáveis/m².

Em áreas onde existe o risco de acamamento, a densidade de semeadura pode ser reduzida para 300 sementes viáveis/m².

Esse cereal é rústico e tolera bem solos ácidos e a toxidez de alumínio. Por isso, pode ser cultivado em regiões classificadas como marginais à cultura do trigo.

Controle de doenças do triticale

O primeiro passo para o controle de pragas e doenças está no tratamento de sementes com fungicidas e inseticidas. O tratamento de sementes apresenta diversas vantagens, como:

  • reduz o inóculo inicial de doenças;
  • controla de pragas iniciais;
  • proporciona maior porcentagem de germinação de sementes;
  • garante plântulas mais vigorosas;
  • garante estande adequado de plantas;
  • fornece maior rendimento de grãos.

Durante o desenvolvimento da cultura, a giberela e a brusone merecem atenção especial. Essas doenças atacam as espigas do triticale. Consequentemente, causam danos significativos ao rendimento da cultura.  

Portanto, faça o controle fitossanitário dessas doenças no início da floração plena.

Controle de pragas do triticale

As pragas de maior ocorrência no triticale são lagartas, pulgões, corós e percevejos.

No entanto, vale alertar que o controle dessas pragas deve ser realizado somente quando a população das pragas atingirem o nível de dano econômico utilizando inseticidas.

Para calcular o nível de dano econômico, contar com ferramentas é essencial. Por isso, separamos para você uma planilha de Manejo Integrado de Pragas que te permite fazer esse cálculo.

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Recomendações de colheita para o triticale

A colheita do triticale deve ser feita com a máquina em baixa velocidade. A umidade das espigas e dos grãos também precisa estar baixa, e o uso de batedores em barras é o mais recomendado.

Além disso, a colheita dependerá da forma de utilização da cultura.

Quando usadas para produção de feno ou silagem pré-secada, as plantas devem ser colhidas até o estádio do emborrachamento.

Quando utilizado como silagem da planta inteira, a colheita deve acontecer quando os grãos atingirem o estádio leitoso a pastoso.

A colheita pode ser feita de forma manual ou mecânica. Na colheita manual, o grão deve ser colhido com menos de 25% de umidade. Em seguida, esses grãos devem ser secos até 14% de umidade para realizar a sua trilha.

Já na colheita mecanizada, o grão deve apresentar entre 14% e 25% de umidade. É importante que a máquina esteja bem regulada e ajustada para colher cereais de inverno de grãos pequenos.

Colha o mais cedo possível. Assim você evita prejuízos na germinação, vigor qualidade dos grãos.

A colheita com menos de 20% de umidade é aconselhável. Isso pode evitar perdas econômicas quando há ameaça de chuva, além da facilidade de secagem.

Pela maior quantidade de palha em relação ao trigo, a colheita deve ser realizada com menor velocidade.

Triticale em fase adulta, em ponto de colheita

Triticale em fase adulta, prestes a ser colhido

(Fonte: FMApa)

Cuidados na pós-colheita

Após a colheita, é importante observar se há a presença de grãos giberelados.

A retirada desses grãos permite que os grãos sadios sejam usados sem problemas na alimentação dos animais. Esse processo pode ser feito com uma máquina de ar e peneira ou outra prática de seleção, como a manual.

Isso é importante porque tanto o triticale como outros cereais de inverno giberelados podem causar problemas de toxidez em animais. Portanto, tenha atenção na pós-colheita e garanta a seleção dos melhores grãos.

Zoneamento Agrícola para o triticale

Recentemente, o triticale entrou para a base de dados do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Ele pode ser acessado gratuitamente pela internet.

Ele permite a indicação da melhor época de semeadura nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Isso tanto em sistema de sequeiro quanto irrigado.

A criação do zoneamento para a cultura foi impulsionado pelo aumento da demanda desse cereal na alimentação animal. Essa expansão permitirá o aumento do cultivo do cereal no país.

Benefícios do triticale na sucessão de culturas

Com a inserção do triticale como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso. Afinal, o cereal minimiza danos do solo e suprime plantas daninhas da lavoura

Além dessas, existem outras vantagens:

  • o triticale tem qualidades panificáveis;
  • é uma ótima opção para cobertura do solo na entressafra, protegendo-o da erosão e da lixiviação de nutrientes/
  • é uma excelente alternativa para adubação verde, garantindo muitos nutrientes para a lavoura;
  • possui alta resistência ao frio;
  • seus grãos têm alta qualidade nutricional;
  • também pode ser utilizado na consorciação e rotação de culturas.
planilha controle de custos por safra

Conclusão

O triticale pode ser utilizado na rotação e/ou sucessão de culturas como cobertura do solo, produção de grãos e alimentação animal.

A giberela e a brusone são as principais doenças que atacam as espigas do triticale, e merecem atenção especial. Com sua inserção como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso.

Agora que você tem essas informações, que tal considerar o triticale como cultura de inverno em sua propriedade?

Restou alguma dúvida sobre o tema? Quais espécies de triticale você utiliza no cultivo de inverno em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Veja como fazer a classificação do solo da sua lavoura

Classificação do solo: entenda o que é o Sibics, os tipos de solo mais comuns no Brasil e a importância de conhecer bem o da sua lavoura

A classificação do solo é muito importante para quem produz. Afinal, cada tipo de solo irá exigir cuidados específicos. 

Essa classificação é feita por meio do Sibics (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos). Que tal entender como classificar o solo da sua fazenda? Neste artigo, veja como os solos são classificados e as principais classes de solo do Brasil. Confira a seguir!

O que é o Sibics (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos)?

O Sibics é um sistema utilizado para classificar todos os solos existentes no Brasil.

Nele, os solos são classificados com base em propriedades que resultam dos processos de formação do solo. Ele é dividido em 6 níveis categóricos de classificação: Ordem, Subordem, Grande Grupo, Subgrupo, Família e Série.

Atualmente, a classificação é feita somente até o 4° nível categórico (Subgrupo). Os níveis 5 e 6 ainda estão em discussão.

O Sibics é a principal referência utilizada para a classificação dos solos brasileiros. A sua 5ª edição está disponível gratuitamente para acesso.  

Foto da capa do e-book de classificação do solo. Na capa marrom e laranja, há o desenho do mapa do Brasil em cores diferentes.

Sibics Sistema Brasileiro de Classificação de Solos

Fonte: (Santos e colaboradores, 2018)

O que considerar na classificação do solo da fazenda

Para classificar o solo da sua propriedade, o Sibics deve ser consultado. O primeiro passo para a classificação é a descrição morfológica do perfil do solo. Após, a coleta do material do campo é feita.

A classificação de um solo é obtida a partir da avaliação de aspectos da amostra. Esses aspectos são:

  • morfológicos (estrutura);
  • físicos (textura);
  • químicos (teor de alumínio);
  • mineralógicos (percentagem de quartzo na porção areia).

Aspectos ambientais do local do perfil também devem ser considerados, como:

  • clima;
  • vegetação;
  • relevo;
  • material de origem;
  • condições climáticas;
  • relações solo-paisagem.

Esses aspectos morfológicos e ambientais devem ser observados com bastante cuidado, paciência e critério. Só assim uma descrição correta do perfil do solo será feita. O Sibics ajuda na organização dessas informações e no entendimento das ordens de solo.

Passo a passo para classificar o solo da sua propriedade

Tenha em mãos alguns materiais necessários para a descrição morfológica do perfil do solo:

  • martelo;
  • trado;
  • pá reta e pá quadrada;
  • faca;
  • enxadão.

1° passo: observe os aspectos ambientais do local do perfil

Anote as características do clima, vegetação, relevo, material de origem em que o perfil do solo ocupa.

2° passo: abra uma trincheira e observe as suas feições morfológicas

Examine o perfil de cima para baixo. Observe e anote a espessura e arranjamento dos horizontes, cor, textura, estrutura, agregação, cerosidade e consistência do solo.

Depois, demarque a transição entre os horizontes com a ponta de uma faca.

3° passo: envie amostras de solo coletadas no perfil para análise laboratorial

Para confirmar a classificação do campo, a análise laboratorial do solo é necessária.

Nessas análises laboratoriais, é recomendado que se determine as características químicas e texturais do solo, como:

  • pH;
  • teor de alumínio tóxico;
  • porcentagem de areia, silte e argila;
  • saturação por bases;
  • capacidade de troca catiônica;
  • soma de bases, entre outras.

Seguindo esses passos, será possível:

  • conhecer os aspectos morfológicos do perfil do solo e associá-los aos resultados das análises laboratoriais;
  •  identificar as transições entre os horizontes do solo;
  •  identificar os principais atributos diagnósticos.

Com todas essas informações em mãos, você poderá associar as características observadas no perfil do solo e determinar a classificação do solo da sua fazenda.

Importância de saber a classificação do solo da propriedade

Conhecer a classificação do solo da sua propriedade é muito importante. Isso pode trazer vários benefícios, como:

  • conhecer as limitações e qualidades do solo da sua propriedade;
  • possibilitar a troca de informações técnicas com produtores com propriedades com a mesma classificação de solo;
  • predizer o comportamento dos solos;
  • identificar áreas com maior chances de erosão;
  • permitir o planejamento do tráfego de máquinas agrícolas, principalmente em solos muito argilosos;
  • permitir o mapeamento de áreas com manchas de solo raso, que inviabiliza o cultivo de algumas culturas agrícolas;
  • identificar o uso mais adequado dos solos, entre outros.

Principais classes de solo no Brasil

O Brasil possui uma grande diversidade de solos. As classes que possuem maior ocorrência são:

  • Latossolos e Argissolos;
  • Neossolos;
  • Plintossolos;
  • Cambissolos;
  • Gleissolos.

Algumas classes de solos possuem menor ocorrência, porém não significa que não sejam importantes. Esse é o caso dos:

  • Luvissolos;
  • Espodossolos;
  • Planossolos;
  • Nitossolos;
  • Chernossolos;
  • Vertissolos;
  • Organossolos.
Mapa do brasil colorido de acordo com a classificação do solo de cada região.

Mapa de solos do Brasil

Fonte: (Embrapa, 2014)

Os Luvissolos são muito comuns na região semiárida brasileira. Os Nitossolos são comuns nas áreas de solos formados de basaltos no Centro-Sul do Brasil.

Os Planossolos são abundantes no Pantanal, em áreas do semiárido e nas regiões produtoras de arroz irrigado do Rio Grande do Sul.

 Já os Organossolos são ricos em matéria orgânica e raros no Brasil. Isso acontece devido ao clima tropical, que não favorece a acumulação matéria orgânica. A seguir, você pode observar as diferentes classes de solo no Brasil e suas distribuições no território.

diagnostico de gestao

Conclusão

O SiBCS é o sistema taxonômico oficial utilizado para classificação de solos no Brasil. Existem 13 classes de solos conhecidas no país.

As classes de solos predominantes são os Latossolos, Argissolos e Neossolos. Conhecer o tipo de solo da sua propriedade pode melhorar muito as suas práticas de manejo e a produtividade.

Não deixe de consultar um especialista em caso de dúvidas!

>> Leia mais: “Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas”

Você já classificou ou pensa em fazer a classificação do solo da sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Saiba quais práticas de manejo favorecem a agregação do solo

Agregação do solo: entenda o que são os agregados, como é a estrutura ideal e as práticas que prejudicam ou beneficiam essa condição

Você sabe manejar corretamente o solo para garantir maior estabilidade dos agregados? Os agregados são responsáveis pela estruturação do solo. Com uma boa agregação, você melhora a retenção de água e nutrientes e diminui a compactação do solo.

Além disso, você pode beneficiar muito o desenvolvimento das suas culturas.

Neste artigo, você saberá tudo sobre como deixar seu solo bem agregado e com qualidade! Boa leitura.

O que são agregados do solo?

Os agregados do solo são formados da união de partículas orgânicas e minerais (areia, silte e argila). A organização dessas partículas no solo é responsável pela estruturação.

Importância de uma boa estrutura do solo

A agregação influencia diversos processos, como:

  • a retenção de água e nutrientes;
  • a respiração do solo;
  • a aeração;
  • a infiltração e disponibilidade de água;
  • o desenvolvimento das raízes;
  • a atividade biológica, entre outros.

O monitoramento é muito importante para a qualidade do solo

Afinal, uma boa agregação proporciona benefícios aos atributos químicos, biológicos e físicos do solo.

Por outro lado, a desagregação do solo prejudica a atividade agrícola.

Estrutura do solo agregado

A identificação da desagregação do solo é fundamental. No lado esquerdo da figura abaixo, você pode perceber que o solo está desagregado, devido ao intenso revolvimento.  Isso favorece a compactação e deixa o solo suscetível à ocorrência de processos erosivos.

No lado direito da figura, você pode observar que os agregados são grumosos devido à intensa atividade biológica. Eles têm sinais de conservação.

Imagem de referência de agregação do solo. Do lado esquerdo, há fotos de amostras de solo que parecem pó de café. Do direito, as amostras de solo estão grumosas, com pedaços maiores.

Agregados pulverizados no lado esquerdo e agregados grumosos <1 cm no lado direito, em solo argiloso (A) e arenoso (B). Escala em centímetros

Fonte: (Henrique Debiasi, 2017)

Os solos desagregados são mais vulneráveis à compactação do solo. Além disso, sofrem mais impacto das gotas de chuva e perdem mais matéria orgânica. Veja alguns indícios da adequada agregação do solo:

  • raízes crescendo sem restrição, explorando o interior dos agregados;
  • predomínio de agregados com tamanho entre 1 cm e 4 cm, com baixa coesão, arredondados, faces de ruptura rugosas;
  • presença de agregados grumosos e alta atividade biológica.

Agentes agregadores

Os agentes agregadores são responsáveis por unir as partículas minerais do solo. Os principais são:

  • matéria orgânica;
  • microrganismo;
  • formigas, minhocas e cupins;
  • exsudatos de raízes de plantas;
  • carbonatos, óxidos de ferro e alumínio, entre outros.

Eles atuam como uma cola, unindo pequenas estruturas responsáveis pela proteção do carbono do solo. Assim, há estrutura para receber as culturas agrícolas.

Fatores que prejudicam a agregação do solo

Os agregados são extremamente vulneráveis ao manejo e aplicação de práticas agrícolas. Abaixo, você pode verificar as principais práticas que prejudicam a agregação do solo:

  • preparo convencional do solo;
  • compactação do solo;
  • ausência de cobertura do solo;
  • queima dos resíduos vegetais após a colheita;
  • sucessão de culturas;
  • utilização de escarificadores e subsoladores para romper a compactação do solo.

Fatores que beneficiam a agregação do solo

A adoção de práticas conservacionistas pode preservar e melhorar a agregação do solo. Veja algumas estratégias de manejo que podem ajudar:

  • controle de tráfego e adequação dos rodados de máquinas na lavoura;
  • correção do solo;
  • intensificar o enraizamento e a atividade biológica do solo;
  • adoção do sistema plantio direto;
  • utilização de plantas de cobertura;
  • integração lavoura-pecuária;
  • utilizar as máquinas agrícolas no solo seco;
  • adoção de sistemas de rotação de culturas, utilizando espécies com diferentes sistemas radiculares.

Lembre-se também de realizar, periodicamente, a manutenção das suas máquinas

Afinal, máquinas em bom funcionamento irão percorrer a lavoura menos vezes, impactando menos o solo.

A melhoria da agregação do solo será possível com o aumento da atividade biológica. Ela é favorecida pelo emprego de culturas com sistemas radiculares abundantes e bem distribuídos.

diagnostico de gestao

Conclusão

Os agregados do solo são formados pela união de partículas orgânicas e minerais.

Uma boa agregação promove maior infiltração e retenção de água, diminui a ocorrência de processos erosivos e facilita o desenvolvimento das plantas.

O solo deve sustentar altas produtividades agrícolas e, ao mesmo tempo, desempenhar as suas funções ambientais.

Fique de olho e cuide bem da qualidade do solo da sua lavoura. Assim, você garantirá boas produtividades e uma cultura mais saudável.

>> Leia mais:

Saiba como a drenagem do solo na agricultura melhora as condições da sua lavoura

Construção do perfil do solo e como ela impacta sua produtividade

Conheça os 9 indicadores de fertilidade do solo e saiba usá-los ao favor da sua lavoura

Você já teve problemas com a falta da agregação do solo? Quer contar sua experiência ou tirar suas dúvidas? Adoraria ler seu comentário!

Como fazer a implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

Consórcio milho-braquiária: saiba quais os benefícios, qual espaçamento utilizar, como semear, manejo de herbicidas e mais!

Já pensou em utilizar uma tecnologia que viabiliza o sistema plantio direto e produz grãos e palha para cobertura do solo?

O consórcio milho-braquiária proporciona esses e muitos outros benefícios. Um dos principais é o aumento da produtividade da soja em sucessão.

Para saber se vale a pena investir nessa tecnologia de consorciação, você deve estar por dentro de todas as características e exigências.

Nesse artigo, você encontrará dicas de implantação e manejo do consórcio milho-braquiária. Confira a seguir!

Implantação e manejo do consórcio milho-braquiária

O cultivo consorciado de milho safrinha com braquiária é eficiente para a formação de pastagem e de palha para cobertura do solo.

Ele proporciona melhorias dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo. A semeadura do milho e da forrageira deve acontecer ao mesmo tempo, para diminuir custos.

O milho deve ser cultivado como se fosse solteiro. Isso pode te garantir altas produtividades.

Escolha da forrageira

A escolha da forrageira dependerá do objetivo do consórcio.

Tabela com forrageiras indicadas de acordo com o tipo de consórcio milho-braquíária

Na formação de pastagem permanente, a população da forrageira deve ser aumentada.

Devem ser aplicadas subdoses de herbicida para retardar o seu crescimento inicial e reduzir sua competição com o milho.

Quanto semear por metro quadrado?

A população adequada da forrageira é um dos principais fatores para o sucesso do consórcio milho-braquiária.

Uma quantidade maior que o recomendado prejudica o desenvolvimento do milho. A população da braquiária deve estar entre 5 e 10 plantas por metro quadrado.

As sementes devem ser distribuídas uniformemente na área.

Quantidades maiores são utilizadas para formação de pastagem. As menores, para cobertura do solo.

A equação abaixo pode ser utilizada para estimar a quantidade de sementes e ajustar a quantidade de plantas da forrageira.

Veja:

Fórmula: taxa (kg/ha) = pop * PMS sobre VCG
  • Taxa: Quilos de sementes por hectare;
  • Pop: População de plantas por metro quadrado;
  • PMS: Peso de mil sementes;
  • VCG: Valor cultural de germinação.
  • Importante: o valor cultural de germinação (VCG) não é o valor cultural (VC).

O VCG é calculado pela equação abaixo:

Fórmula: VCG = %pureza * %germinação sobre 100

O resultado obtido será em quilos de sementes comerciais por hectare.

Imagine que você irá semear um hectare de B. ruziziensis, com população de 8 plantas por metro quadrado. 

Considere o peso de mil sementes de 5,55 gramas e VCG de 65%. Assim, seriam necessários 0,683 kg/ha.

Em uma propriedade de 500 hectares, seriam necessários 341 kg de sementes de B. ruziziensis.

Esse cálculo pode te ajudar  a adquirir a quantidade necessária de sementes para estabelecer a lavoura.

Veja alguns cuidados que você deve tomar:

  • adquira sementes de empresas que forneçam garantia de germinação;
  • invista em lotes com alto percentual de pureza; 
  • controle pragas iniciais, principalmente lagartas, para que não haja redução da população da forrageira.

Qual espaçamento utilizar?

O espaçamento entre plantas é definido em função do posicionamento das sementes da forrageira em relação às sementes do milho. Ele pode ser feito de diversas formas.

Linha intercalar

Nessa modalidade, a semeadura é realizada em linhas intercaladas de milho e forrageira. Pode ser utilizada para formação de palhada e cobertura do solo.

É uma modalidade de consórcio eficiente e de baixo custo. Aqui, você posiciona as sementes em profundidade adequada para a germinação (3 cm a 4 cm).

Foto de lavoura com consórcio milho-braquiária. As plantas de milho estão intercaladas com as braquiárias.

(Foto: Gessí Ceccon, 2015)

Restrito a espaçamentos de 0,70m a 0,90m entre linhas de milho. Também é restrito a espaçamentos de 2 linhas de milho e 1 de braquiária, com 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Em linhas

Nessa modalidade, a forrageira é semeada na mesma linha do milho.

Posicione as sementes da braquiária em profundidade adequada de germinação (2 cm a 3 cm).

As sementes da forrageira podem ser misturadas ao adubo, porém, sua emergência será afetada. É recomendada para espaçamentos de 0,45 m a 0,50 m entre linhas.

Indicada tanto para produção de palha e cobertura do solo quanto para formação de pastagem.

Em área total

As sementes de forrageira são distribuídas a lanço, em área total e antes da semeadura do milho. Por depender das condições climáticas, essa modalidade tem menor precisão no estabelecimento.

A quantidade de sementes deverá ser maior, pois há forte dependência da qualidade operacional. A implantação da forrageira em área total é indicada para qualquer espaçamento.

Como realizar a semeadura do consórcio milho-braquiária?

A semeadura do consórcio pode ser realizada de três formas:

Com disco para sementes de forrageiras nas caixas de sementes

Esse tipo é recomendado para semear a forrageira nas entrelinhas do milho.

Possui ajuste complexo. Afinal, a população da forrageira depende da população de plantas do milho, do diâmetro do furo do disco e da germinação da forrageira.

Com caixa adicional para sementes de forrageira ou “terceira caixa” acoplada à semeadora

Esse tipo é recomendado para qualquer modalidade de consórcio. O milho e a forrageira são semeados simultaneamente.

Porém, você tem autonomia para posicionar as sementes da forrageira e para regular a sua população.

Com uma operação adicional para distribuição das sementes da forrageira

A semeadura à lanço pode ser realizada com semeadora ou avião antes da semeadura do milho, como uma operação adicional.

Manejo com herbicidas

As espécies forrageiras são divididas em três grupos, de acordo com a sua sensibilidade aos herbicidas:

  • B. ruziziensis, B. brizantha cv. Paiaguás e P. maximum cv. Aruana, são muito sensíveis a herbicidas;
  • P. maximum cv. Tamani, Massai e Tanzânia e B. decumbens, B. brizantha cv. Xaraés, Marandu e Piatã são moderadamente sensíveis;
  • P. maximum cv. Mombaça e Zuri são pouco sensíveis.

Forrageiras pouco sensíveis devem receber doses maiores de herbicida para reduzir o seu crescimento e facilitar a sua dessecação.

Herbicidas em pós-emergência

Quando há excesso de plantas ou quando o consórcio objetiva a formação de pastagem, aplique herbicida para diminuir a competição com o milho.

O herbicida atrazine pode ser utilizado como pós-emergente para controlar soja tiguera, sem causar danos na forrageira.

Os herbicidas mesotrione e nicosulfuron podem ser utilizados em pós-emergência para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas.

Tabela de doses de herbicidas

 Herbicidas e doses a serem aplicadas no consórcio em pós-emergência do milho e da forrageira

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Pontos de atenção:

  • o mesotrione tem ação rápida e permite a retomada do crescimento da forrageira;
  • o nicosulfuron tem ação prolongada e reduz o crescimento da forrageira.
  • é recomendo acrescentar 0,5% de óleo mineral ao volume de calda para aplicações em pós-emergência.

Dessecação da forrageira para semeadura da soja

O consórcio milho-braquiária possui uma vantagem importante. Ele aumenta a produtividade da soja em sucessão. 

A dessecação para o plantio da soja é determinada por fatores como:

  • sensibilidade da forrageira ao herbicida;
  • quantidade de massa verde produzida;
  • condições climáticas durante o cultivo;
  • intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão;
  • dose do herbicida a ser utilizado.

Quanto mais tardia a dessecação da forrageira, maior a produção de massa verde e maior a dose do herbicida.

Para forrageiras mais sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão podem ser menores.

Já para forrageiras menos sensíveis, a dose do herbicida e o intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura em sucessão devem ser maiores.

Tabela com tipo de forrageira e dose de produto comercial correspondente, usados no intervalo de dessecação do consórcio milho braquiária

 Doses do herbicida glifosato para dessecação de forrageiras e intervalo entre a dessecação e a semeadura da soja em sucessão

Fonte: (Adaptado de Ceccon e colaboradores)

Benefícios do consórcio milho-braquiária

  • cobertura satisfatória do solo, promovendo muita matéria orgânica;
  • favorece a infiltração de água;
  • maior exploração do perfil do solo pelas raízes;
  • menor ocorrência de processos erosivos, reduzindo a lixiviação de nutrientes;
  • acesso a água e nutrientes;
  • melhorias físico-químicas do solo;
  • maior atividade biológica do solo;
  • aumento da produtividade da soja em sucessão;
  • redução da oscilação de temperatura;
  • supressão de plantas daninhas.
Kit de Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

Conclusão

O consórcio milho-braquiária aumenta a produtividade da soja em sucessão.

Essa junção produz quantidade satisfatória de palha para a cobertura do solo. Isso diminui a ocorrência de processos erosivos.

Proporciona melhorias nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio milho-braquiária  é vantajoso na sua fazenda!

>> Leia mais:

5 passos para cultivar o consorcio cana e milho

O que você precisa saber sobre cobertura do solo com nabo forrageiro

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você utiliza ou quer utilizar o consórcio milho-braquiária em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

5 passos para fazer o cultivo do consórcio cana e milho

Consórcio cana e milho: saiba quais são as vantagens, desvantagens e o que você deve considerar antes de optar por ele

A Embrapa lançou em outubro de 2021 uma tecnologia de consorciação de cana com milho.

O consórcio alia rentabilidade e sustentabilidade. Além disso, pode te ajudar no plantio da cana para um período de menor demanda.

A união da cana com o milho pode proporcionar um melhor aproveitamento da área e reduzir perdas de solo por erosão.

Neste artigo, você vai conhecer melhor essa tecnologia de consorciação que gera tantos benefícios. Confira a seguir!

5 passos para cultivar o consórcio cana e milho

1. Faça a análise química do solo

A análise química do solo é importante para a correção e adubação adequadas da área.

As doses de macro e micronutrientes recomendadas para cada cultura devem ser somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

2. Prepare o solo

O plantio deve ser nivelado, sem realizar a operação de quebra-lombo.

Na fase de plantio, recomenda-se a utilização de piloto automático com correção RTK (Real Time Kinematic).

Se a área ficar desuniforme depois do plantio, com torrões ou camalhões, será necessário passar um rolo destorroador ou uma grade niveladora. Assim, você irá melhorar a qualidade de semeadura do milho.

3. Escolha as variedades de cana e milho

É recomendado o uso de variedades de cana com germinação mais lenta. Para o milho, escolha o de ciclo precoce, com alta inserção de espigas.

Foto de uma lavoura com consórcio de cana de açúcar e milho. Na imagem, é possível ver as duas culturas no mesmo estande.

Alta inserção de espiga do milho consorciado para não danificar a cana durante a colheita

(Foto: Fabiano Bastos, 2020) 

4. Plantio das culturas

Faça o tratamento dos toletes de cana com inseticidas e fungicidas. Eles devem ser distribuídos entre 15 a 20 gemas viáveis por metro linear, com espaçamento entre linhas de 1,5 m.

Após o plantio da cana, faça a semeadura do milho o mais rápido possível. Dessa forma você diminuirá a necessidade de supressão da cana com herbicida.

Foto de lavoura em fase inicial do estabelecimento do consórcio de cana e milho. Na foto, as plantas ainda estão pequenas, dispostas entre linhas

Fase inicial de estabelecimento do consórcio

(Foto: Fabiano Saggin, 2020)

As sementes de milho devem ser tratadas com fungicida e inseticida para garantir um bom estande de plantas.

Semeie o milho com piloto automático com correção RTK. O  espaçamento do milho deve ser de 0,5 m entre linhas e a 0,25 m das linhas de cana.

A semeadora do milho deve ser compatível com o espaçamento da cana.

Em uma lavoura de cana com espaçamento de 1,5 m, podem ser utilizadas semeadoras com três, seis ou doze linhas espaçadas em 0,5 m.

A semeadora deverá ser tracionada por trator com bitola entre 1,5 m e 2,4 m de largura, para trafegar nas entrelinhas da cana e não sobre o sulco de plantio.

5. Colha o milho

Acompanhe a maturação dos grãos de milho e o crescimento da cana. Caso o crescimento da cana acelere, a colheita do milho deverá ser iniciada o mais rápido possível.

A colhedora de milho não pode ter rodado duplo, para evitar o tráfego sobre o sulco de plantio da cana.

A plataforma de colheita deve ter no mínimo 9 linhas, com espaçamento de 0,5 m.

Na colheita, não é necessário o uso de piloto automático com correção RTK.

Após a colheita do milho, o manejo fitossanitário da cana consorciada é o mesmo da cana solteira.

O que considerar antes de optar pelo consórcio Canamilho

Antes de analisar as vantagens e desvantagens do consórcio, você deve considerar dois pontos:

  • você precisa ter condições de adquirir piloto automático com correção RTK;
  • você precisa ter semeadora de milho compatível com o espaçamento da cana.

Benefícios do consórcio cana e milho

A tecnologia Canamilho antecipa o plantio da cana para o início do período chuvoso (novembro). Nessa fase de implantação, seu crescimento é lento por causa da competição por luz.

O crescimento da cana só retorna no fim do período chuvoso, quando o milho é colhido.

Isso amplia a janela de plantio e desafoga a implantação do canavial. Afinal, a maior demanda ocorre em março.

A cana consorciada é cultivada como cana de ano. No entanto, apresenta rendimentos semelhantes à cana de ano-meio.

O uso do consórcio Canamilho tem vantagens em relação ao cultivo solteiro.

Tabela com informações sobre renda de lavoura de cana solteira e de cana com milho. A cana solteira rendeu 1.693 reais por hectare. A cana consorciada com milho rendeu 6.898 reais por hectare.

A tecnologia Canamilho não afeta a produtividade das culturas consorciadas

(Fonte: Embrapa, 2021)

Desta forma, a renovação do canavial através do consórcio é promissora e economicamente viável.

Veja alguns benefícios do consórcio Canamilho:

  • pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar no Cerrado;
  • antecipa o plantio da cana para um período de menor demanda;
  • permite ampliar a janela de semeadura do milho;
  • otimiza a produção por área;
  • evita a abertura de novas áreas de cultivo;
  • maior potencial de geração de etanol por área;
  • mesmo plantada em novembro, a cana apresenta comportamento e rendimento semelhantes a cana de ano-meio.
  • reduz perdas de solo por erosão e melhora o aproveitamento do solo;
  • potencializa a produção de etanol de cana e milho em usinas flex;
  • favorece a emissão de créditos de descarbonização, como prevê a política RenovaBio.

Desvantagens 

  • no sistema Canamilho, a adubação nitrogenada pode ser maior;
  • aumento no uso de pesticidas para o controle de pragas comuns entre as culturas;
  • solos arenosos e de baixa fertilidade apresentam pouca aptidão para o milho e necessitam de correções do solo.

Dicas de manejo de plantas daninhas 

Devem ser utilizadas estratégias para evitar a fitointoxicação ou perda de produtividade das culturas. Ela pode ser causada por herbicidas ou pela interferência das plantas daninhas.

É importante fazer um manejo que permita que o milho seja colhido sem plantas daninhas. Essa é uma forma de facilitar o manejo na cana-de-açúcar.

O herbicida a ser utilizado deve ser seletivo para as duas culturas, dentro de doses que elas tolerem.

Tenha precisão na escolha desses produtos para não haver nenhum tipo de dano no milho e na cana.

Veja algumas opções no mercado que atendem a esses critérios:

  • Pré-emergente: atrazina (seletivo e boa performance de controle);
  • Pós-emergente: atrazina + mesotrione (excelente controle e não acarreta danos para as culturas).

Caso o desenvolvimento da cana interfira no do milho, é necessário aplicar algum produto químico que trave o crescimento da cana.

Se o híbrido de milho utilizado for resistente ao herbicida glifosato, ele pode ser utilizado em dose baixa (menor que 180 g de equivalente ácido por hectare)

Dessa forma, ele inibirá apenas o desenvolvimento da cana.

Se for um híbrido de milho convencional, você pode aplicar nicosulfuron, na dose de 6 g por hectare.

Para o manejo adequado é preciso monitorar a pressão de pragas e doenças na cana e no milho.

Faça a  aplicação de inseticidas e fungicidas conforme recomendação técnica.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O consórcio cana e milho pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar e potencializar a produção de etanol de cana e milho em usinas flex.

Proporciona a antecipação do plantio da cana para um período de menor demanda. Além disso, melhora o aproveitamento do solo e reduz as perdas por erosão.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio Canamilho é interessante para a realidade da sua fazenda.

>> Leia mais: “Como fazer a implantação e o manejo do consórcio milho-braquiária”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Já pensou em utilizar o consórcio cana e milho em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

Saiba como o estilosante pode ser uma boa opção para a cobertura do solo

Estilosante: saiba como utilizar a leguminosa, suas vantagens, desvantagens e impactos na produção de grãos em sucessão

Se você precisa realizar cobertura do solo e adubação verde na sua lavoura, o estilosante pode ser uma ótima opção. A leguminosa pode ser utilizada de diversas formas. Ela fixa nitrogênio atmosférico e o incorpora ao solo. 

Por isso, é uma excelente alternativa para anteceder culturas como soja, milho, algodão e feijão.

Neste artigo, veja alguns motivos pelos quais você deve investir na utilização dos estilosantes e como e quando utilizá-los. Confira a seguir!

Quando e como o estilosante pode ser cultivado

O estilosante é uma leguminosa de clima tropical. Ela tem ciclo bienal e hábito de crescimento semi-prostrado. A planta pode chegar a cerca de 70 cm a 80 cm de altura.

Ela pode ser cultivada em solos arenosos e de baixa fertilidade, solteiro ou consorciado com gramíneas forrageiras. Seu sistema radicular é profundo, e pode atingir até 1,5 m de profundidade.

Seu cultivo é recomendado para regiões com pluviosidade mínima de 700 mm e máxima de 1800 mm. Não é recomendado para regiões com ocorrência de geadas.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas. Você pode semear após  o preparo total do solo ou sobre a pastagem já formada.

A profundidade de semeadura não deve ultrapassar 2 centímetros.

Produz de 8 a 14 toneladas de matéria seca por hectare ao ano. Aos 40 dias após a emergência, devem estar estabelecidas em torno de 10 a 20 plantas/m2.

Quando consorciado com gramíneas, deve ser utilizado de 2 kg a 2,5 kg por hectare de sementes puras viáveis. A população da gramínea deve ser reduzida em 30%.

Os estilosantes demoram para se estabelecer. Assim que a gramínea começar a sombrear a leguminosa, a pressão de pastejo deve ser aumentada para favorecer o crescimento.

Consórcio de estilosantes com gramíneas

As gramíneas forrageiras mais recomendadas para o consórcio, são:

  • Brachiaria decumbens cv. Basilisk;
  • B. brizantha cvs. Marandu, Xaraés e Piatã;
  • B. humidicola cv. Humidicola e Andropogon, para solos arenosos de baixa fertilidade.

O estilosante é ótimo para anteceder o cultivo de grandes culturas como milho, soja, feijão e algodão.

A consorciação é importante por causa da decomposição mais lenta das gramíneas. O estilosante contribui para maior aporte de nitrogênio e rápida decomposição dos seus resíduos. Essa associação aumenta a proteção do solo, já que produz mais resíduos vegetais.

Utilização 

 É possível utilizar os estilosantes de diversas formas. Veja algumas delas:

  • Pastoreio;
  • Fenação;
  • Cobertura do solo;
  • Adubação verde;
  • Pode ser inserida na sucessão, consorciação e rotação de culturas.

Como o estilosante impacta a produção de grãos em sucessão

O estilosante é uma excelente planta de cobertura e beneficia as culturas em sucessão. Afinal, reduz a utilização de adubos nitrogenados.

Além disso, é uma ótima opção para o Sistema Plantio Direto e rotação de culturas. Seus nutrientes permanecem na palhada e favorecem a fertilidade da cultura seguinte.

Em consórcio com gramíneas forrageiras, reduz consideravelmente as perdas do solo.

Na tabela, informações sobre redução de perdas de solo com consórcio de Brachiaria brizantha com estilosantes.  Com brachiaria decumbens, as perdas são de 891 kh/ha/ano. Com brachiaria brizantha, as pernas são de 96 kg/ha/ano. Com brachiaria brizantha mais estilosantes, as perdas são de 10 kg/ha/ano.

 Redução de perdas de solo com a consorciação de Brachiaria brizantha com estilosantes

Fonte: (Adaptado de Dedecek et al. 2006)

Essa cobertura proporciona melhorias na fertilidade do solo e ajuda na supressão de plantas daninhas.

Com a rápida decomposição dos seus resíduos vegetais, deixam o solo descoberto e sujeito a erosão.

Por outro lado, essa rápida decomposição é benéfica para as culturas sucessoras, devido à rápida liberação dos nutrientes no solo.

Vantagens e desvantagens dos estilosantes

Veja alguns benefícios da leguminosa:

  • boa adaptação a solos arenosos e de baixa fertilidade;
  • alta tolerância ao alumínio;
  • tolerância a seca;
  • resistência à antracnose;
  • alta produção de sementes, favorecendo a ressemeadura natural em campo;
  • boa palatabilidade, digestibilidade e alto valor nutritivo para os animais;
  • excelente alternativa para recuperação de áreas degradadas;
  • redução de plantas daninhas na área;
  • adubação verde;
  • maior disponibilidade de nutrientes;
  • proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
  • reduz os danos causados pelo uso intensivo do solo;
  • pode ser inserida na sucessão, consorciação e rotação de culturas;
  • baixo custo de implantação;
  • suas raízes auxiliam reduzem a compactação do solo.

Agora, veja algumas desvantagens da leguminosa:

  • baixa tolerância ao frio;
  • baixa tolerância a solos encharcados;
  • o consumo excessivo (mais de 40% da dieta animal) pode causar obstrução intestinal por fitobezoar em bovinos;
  •  estabelecimento lento.
diagnostico de gestao

Conclusão

O estilosante é uma leguminosa que pode ser utilizada  de diversas formas. Ela aumenta o aporte de nitrogênio pela fixação biológica e reciclagem de nutrientes.

Vale avaliar as vantagens e desvantagens da semeadura dos estilosantes, sempre considerando a cultura sucessora e as condições da lavoura.

Na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo e faça um bom planejamento!

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Restou alguma dúvida sobre o estilosante? Quais espécies você utiliza para a cobertura do solo? Adoraria ler seu comentário abaixo!