About Gressa Chinelato

Sou Engenheira Agrônoma e mestra pela Esalq/USP. Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios e fazendo doutorado no Programa de Fitopatologia na Esalq.

Ferrugem asiática: 5 dicas para combater a doença

A ferrugem asiática da soja é uma das doenças mais severas e preocupantes da cultura no Brasil. 

Considerada uma doença foliar, pode reduzir a produtividade da lavoura em até 90%, gerando impactos econômicos expressivos e prejuízos difíceis de reverter.

Segundo a Embrapa, os custos com o manejo da ferrugem da soja ultrapassam US$ 2,8 bilhões por safra no Brasil. 

Isso mostra que identificar rapidamente os sintomas, conhecer o ciclo da doença e aplicar o manejo correto é indispensável para manter a lavoura sadia e produtiva.

Neste artigo, vou te explicar de forma simples e direta tudo o que você precisa saber sobre a ferrugem asiática da soja no Brasil, respondendo às principais dúvidas dos produtores.

O que causa a ferrugem asiática da soja?

A ferrugem asiática é uma doença foliar causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Esse patógeno se desenvolve nas folhas da planta e pode atingir qualquer ciclo da cultura, desde a emergência até a fase final de desenvolvimento.

O fungo se espalha pelo vento e precisa de umidade e temperaturas amenas para infectar a planta. Com condições favoráveis, o ciclo do patógeno é rápido, com repetições a cada 6 a 9 dias.

Além disso ela, tem diversos hospedeiros. São cerca de 150 espécies de leguminosas, incluindo o feijão-comum e a soja-perene em todas as regiões do país, da família Fabaceae.

Algumas plantas daninhas podem serhospedeiras alternativas da ferrugem asiática na entressafra, exigindo monitoramento e controle para evitar a sobrevivência do fungo.

Há relatos que indicam a ocorrência em espécies como corda-de-viola, leiteira, kudzu e beiço-de-boi, especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil.

A doença surgiu na América em 2001, no Paraguai, chegando ao Brasil meses depois, no Paraná, e hoje está presente em todas as regiões produtoras do país.

Qual é a causa da ferrugem asiática da soja?

A doença é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que só consegue sobreviver em tecidos vivos.

O patógeno se aloja em plantas da soja e outras leguminosas, inclusive daninhas, que funcionam como hospedeiras alternativas.

Durante a entressafra, se houver presença de tigueras ou plantas como corda-de-viola, kudzu e leiteira, o fungo permanece ativo e pronto para se espalhar assim que as condições climáticas forem favoráveis.

Quais são os sintomas da ferrugem asiática?

Os sintomas da ferrugem asiática da soja surgem nas folhas inferiores das plantas, com pontos escuros que se tornam pequenas lesões com aspecto de pústulas (urédias).

Com o tempo, os sintomas se espalham pelas folhas superiores, e as urédias liberam esporos em forma de pó alaranjado.

As folhas infectadas perdem o vigor, ficam amareladas e caem precocemente, reduzindo o enchimento de grãos e, consequentemente, a produtividade.

Para identificar os sintomas, é preciso monitorar e prestar atenção se a planta apresentar as seguintes características:

  • Folhas do terço inferior e médio com pontos escuros;
  • Pústulas na parte de baixo da folha (face abaxial);
  • Presença de esporos alaranjados ao toque;
  • Desfolha precoce e redução no vigor das plantas.

Se você perceber que as folhas estão amareladas e com pontos castanhos-claros, pode ser um sinal de que a ferrugem já está na lavoura a mais de 30 dias. Esse tempo dificulta o controle químico eficaz e causa prejuízos.

Foto ampliada de folha de soja com ferrugem asiática. Pontos avermelhados estão presentes em toda a folha.
(Fonte: Diário de Agrônomo)

Como ocorre o ciclo da ferrugem da soja?

O ciclo da ferrugem da soja começa com a liberação de urediniósporos (esporos) pelas urédias, que são levados pelo vento e se depositam nas folhas sadias. Para que a infecção aconteça, é necessário:

  • Molhamento foliar de pelo menos 6 horas;
  • Temperaturas entre 15 °C e 25 °C;
  • Alta umidade relativa do ar.

Com essas condições, o fungo penetra diretamente pela cutícula da folha e, em poucos dias, os primeiros sintomas surgem. O ciclo se repete rapidamente, ampliando a infecção na lavoura.

A ferrugem da soja precisa de mínimo seis horas de umidade na folha e temperaturas entre 15°C e 25°C para infectar a planta.

As chuvas prolongam a umidade e favorecem a doença e em temperaturas extremas (abaixo de 10 °C ou acima de 27 °C), são necessárias oito horas de molhamento foliar.

Se houver plantas hospedeiras na área, a infecção pode começar mais cedo e, mesmo sem sintomas aparentes, a infecção pode estar avançada no terço médio da planta.

Imagem ilustra o ciclo da ferrugem asiática da soja
(Fonte: Reis e Carmona)

Como combater a ferrugem asiática?

O combate à ferrugem asiática exige um manejo integrado e a combinação de diversas estratégias, já que nenhuma estratégia isolada é capaz de controlar a doença completamente.

Para ajudar nisso, separamos abaixo as principais práticas para reduzir os danos da doença. Veja:

1. Vazio sanitário

Vazio sanitário é o período de 60 a 90 dias sem presença de soja ou tigueras no campo, que reduz a população do fungo na entressafra.

O objetivo da técnica é reduzir o número de esporos do fungo, atrasando a ocorrência da doença na safra.

A partir disso, você também consegue diminuir o uso de aplicações de fungicidas, evitando o surgimento da resistência de populações de patógenos.

2. Calendarização da semeadura

Consiste em estabelecer datas-limite para o plantio de soja, evitando semeaduras tardias que favorecem a infecção precoce da cultura.

Semear a soja no início da época recomendada reduzir os danos causados pela doença, evitando que a soja receba o inóculo nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta.

planilha - monitore e planeje a safra de soja de forma automática

3. Uso de cultivares resistentes ou precoces

As variedades resistentes são uma opção para reduzir a necessidade de aplicações e o risco de danos graves. A Embrapa lançou cultivares como a BRS 511 e BRS 539, com bom nível de resistência, que apresentam bom nível de resistência à ferrugem asiática

Essas variedades também demonstram boa adaptação às condições climáticas brasileiras, o que contribui para uma maior produtividade e sustentabilidade no cultivo da soja.

4. Monitoramento da lavoura

Monitore a sua lavoura para definir o momento ideal de controle. Olhe as folhas na parte superior e observe se há pontos escuros. Depois, utilize uma lupa e observe a parte inferior das folhas.

Você deve se atentar se houver a presença de saliências, com aspecto de “vulcão”. O consórcio antiferrugem é uma ótima estratégia para monitorar em tempo real os focos da doença próximos à região de cultivo.

Você pode acessá-lo para registrar a ocorrência da doença em sua propriedade, ajudando outros produtores. Assim, produtores da região e proximidades devem permanecer em alerta e monitoramento das lavouras. 

5. Controle químico ferrugem asiática soja

O controle químico da ferrugem asiática da soja é feito com a aplicação de fungicidas preventivos ou no início dos primeiros sintomas da doença.

Segundo a Embrapa, mais de 68 produtos estão registrados para o controle da ferrugem, distribuídos entre os seguintes grupos químicos:

  • Carboxamidas
  • Estrobilurinas
  • Triazóis

A utilização desses fungicidas previne a pressão de seleção do fungo, evitando o desenvolvimento de resistência. Para otimizar os resultados e prevenir a resistência, algumas práticas recomendadas incluem:

  • Uso de fungicidas com diferentes modos de ação e em rotação, para evitar a aplicação sucessiva do mesmo princípio ativo;
  • Redução das aplicações excessivas de fungicidas, aliada a outras estratégias de controle, como a eliminação de plantas hospedeiras alternativas e o uso de cultivares resistentes;
  • Calendarização da semeadura para evitar o desenvolvimento da doença em períodos de alta pressão.

De acordo com as recomendações do FRAC (Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas do Brasil), as orientações para a utilização de fungicidas são:

  • Estrobilurinas: devem ser aplicadas sempre combinadas com triazóis, triazolintione A e/ou carboxamidas. O controle deve ser iniciado de forma preventiva;
  • Triazóis e Triazolintione: indicados para associação com estrobilurinas;
  • Carboxamidas: devem ser sempre aplicadas em combinação com fungicidas do grupo das estrobilurinas.

Essas estratégias, quando seguidas corretamente, podem maximizar a eficiência do controle químico e reduzir o risco de resistência do fungo à aplicação de fungicidas.

Checklist para manejo da ferrugem asiática da soja

  • Faça um planejamento agrícola bem feito, com todas as medidas de controle possíveis. Planeje a época de semeadura, monitoramento, tipos de fungicidas com diferentes mecanismos de ação, e outros;
  • Sempre monitore a lavoura a procura da ferrugem asiática da soja. Se necessário, peça auxílio de um profissional;
  • Cumpra o vazio sanitário de acordo com o seu estado;
  • Identifique se sua região tem o período de calendarização da semeadura e realize o plantio de variedades precoces;
  • Identifique quais fungicidas você pode utilizar. Faça isso de acordo com dados de redução da severidade da doença, produtividade da cultura e custo;
  • Avalie a possibilidade de utilizar variedades resistentes ou tolerantes na instalação da cultura;
  • Anote as suas atividades, custos e a produtividade da sua lavoura, para te auxiliar na gestão da sua propriedade.

Qual o melhor fungicida para a ferrugem asiática?

Não existe um fungicida isolado considerado o melhor. O ideal é usar produtos com diferentes mecanismos de ação, sempre em misturas e rotações, como recomenda o FRAC Brasil.

Estudos recentes da Embrapa apontam que combinações entre estrobilurinas + triazóis + carboxamidas apresentaram maior eficiência no controle da doença e melhor produtividade.

O que você mais deve levar em consideração, é o uso incorreto dos fungicidas, com repetição de princípios ativos e aplicações em momento inadequado.

Práticas desse tipo tem levado à redução da eficiência desses produtos, tornando a resistência do fungo é uma realidade cada vez maior. Por isso, sempre considere:

  • Rotacionar grupos químicos;
  • Evitar aplicações sucessivas de um mesmo ingrediente ativo;
  • Utilizar sempre nas doses e intervalos recomendados.

Novidades e tecnologias no combate à ferrugem

Estudos indicam que o uso de peróxido de hidrogênio (H2O2) em caldas com fungicidas pode aumentar a eficiência da aplicação, reduzindo em até 44% a severidade da doença.

Outra novidade é o uso de proteínas Harpin, com função de “vacina vegetal”. Estudos mostram incrementos de 3 a 5 sacas por hectare com essa tecnologia.

O uso de software de gestão agrícola também se destaca por oferecer um controle mais preciso da doença, a partir de funcionalidades como:

  • Mapeamento de áreas com focos;
  • Acompanhamento NDVI por satélite;
  • Alertas para aplicações no momento certo;
  • Caderno de campo;
  • Planejamento de safra.

O software de gestão agrícola não apenas otimiza o controle da saúde das lavouras, mas também oferece uma visão mais detalhada e estratégica das operações.

A tecnologia chegou para ser uma aliada, minimizar os riscos e maximizar a eficiência, para melhores resultados para o negócio agrícola.

Ferrugem no milho: Sintomas, identificação e controle

As ferrugens do milho estão entre as principais doenças da cultura, podendo causar perdas de até 65% na produtividade, como no surto registrado no Sul do Brasil na safra 2009/2010.

Entre elas, a ferrugem polissora é a mais agressiva, seguida pela ferrugem branca e a ferrugem comum.

Na safra atual, o avanço da ferrugem polissora tem preocupado produtores em regiões como PR, MS e GO, onde o clima favorece o desenvolvimento do fungo.

O uso de cultivares resistentes, aliado à aplicação correta de fungicidas e ao monitoramento das condições climáticas, é essencial para evitar prejuízos.

Dados da Embrapa Milho e Sorgo mostram que, entre as 315 cultivares disponíveis, apenas 55 apresentam resistência à ferrugem polissora, o que reforça a importância do manejo integrado.

Neste artigo, você vai aprender como identificar os sintomas, diferenciar cada tipo de ferrugem e aplicar as melhores estratégias de prevenção e controle. Proteja sua lavoura com informação e técnica!

O que causa a ferrugem no milho?

A ferrugem no milho pode ser causada por três tipos de fungos: Puccinia sorghi (Ferrugem Comum), Physopella zeae (Ferrugem Branca ou Tropical) ou Puccinia polysora (Ferrugem Polissora).

Esses fungos se desenvolvem em condições climáticas quentes e úmidas, com temperaturas entre 20°C e 30°C e alta umidade.

A ferrugem no milho afeta as folhas da planta, formando pústulas que liberam esporos, que podem se espalhar pelo vento, irrigação ou contato com equipamentos contaminados.

A doença é mais comum em áreas com histórico de infecção e em cultivos com manejo inadequado, como falta de rotação de culturas, uso contínuo de variedades suscetíveis e alta densidade de plantio.

Quando uma lavoura é atingida, pode diminuir o vigor das plantas, o peso dos grãos, antecipar a senescência e levar a perdas na produtividade.

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Quais os tipos de ferrugem no milho?

Os tipos de ferrugem no milho são a Puccinia sorghi, Puccinia polysora e Physopella zeae, todas causadas por fungos.

Embora todas causem danos à planta, a gravidade e os impactos variam de acordo com o patógeno e as condições da sua lavora.

Enquanto algumas formas podem ter um impacto mais moderado, outras, como a ferrugem polissora, são mais agressivas e podem resultar em perdas maiores, tanto na produtividade quanto na qualidade da safra. Confira mais detalhes abaixo:

1. Ferrugem polissora

A ferrugem polissora é considerada a doença foliar mais agressiva na cultura do milho. 

Causada pelo fungo Puccinia polysora, se desenvolve principalmente na parte superior das folhas e também nas bainhas foliares, comprometendo o enchimento de grãos e, consequentemente, a produtividade da lavoura.

Os primeiros sintomas aparecem como pequenas pústulas, de formato circular a elíptico, facilmente visíveis nas folhas infectadas.

As pústulas são pequenas saliências, localizadas nas folhas, que abrigam as estruturas reprodutivas do fungo. Quando se rompem, liberam os urediniósporos (esporos), que são espalhadas pelo vento.

Esses esporos funcionam como as sementes nas lavouras, germinando ao entrar em contato com a planta e causando a infecção, que dá origem à doença.

O estrago é tão grande, que na safra 2009/2010, a região Sul do Brasil registrou epidemias severas de ferrugem polissora nas lavouras de milho, causando inúmeras perdas.

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Figura 1. Detalhes da ferrugem no milho (Fonte: Lucas Silva (2010) em Fitopatologia)

2. Ferrugem comum do milho

A ferrugem comum do milho, causada pelo fungo Puccinia sorghi, é considerada a menos severa se comparada às outras ferrugens do milho.

Essa doença é bastante antiga na cultura do milho e de ampla distribuição pelo país, com sintomas que se manifestam por pústulas elípticas e alongadas em ambas as faces da folha.

A ferrugem comum se manifesta em temperaturas amenas, entre 16°C e 23°C, alta umidade relativa do ar e altitudes elevadas.

Quando está em condições favoráveis, pode causar seca prematura das folhas, redução no ciclo da planta e diminuição do tamanho e peso dos grãos.

A ampla distribuição da doença no Brasil possibilitou que programas de melhoramento genético selecionassem variedades de milho com maior resistência à Puccinia sorghi.

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Figura 2. Ferrugem comum do milho (Fonte: Nicésio F J A Pinto em Panorama/Embrapa)

3. Ferrugem branca do milho ou Ferrugem tropical

A ferrugem branca do milho, ou ferrugem tropical, é causada pelo fungo Physopella zeae, que também gosta de clima quente e úmido.

Os sinais dessa ferrugem no milho começam em ambas as faces da folha, com pústulas pequenas e brancas, que se agrupam em conjuntos paralelos à nervura central da folha.

Com o avanço da infecção, essas pústulas aumentam de tamanho e se espalham por toda a superfície foliar.

A ferrugem branca é mais frequente durante a safra de verão, em áreas tropicais e subtropicais, quando o calor e a umidade são maiores, criando um ambiente propício para a disseminação do fungo.

Por conta disso, algumas regiões são mais suscetíveis a doença, como: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, —especialmente durante a estação chuvosa —, Maranhão, Piauí e Bahia, no interior de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

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Figura 3. Como é a ferrugem tropical? (Fonte: Rodrigo Véras da Costa em Embrapa)

Ferrugem no Milho: Quais os sintomas e como identificar?

DoençaSintomasCondições Ambientais Favoráveis
Puccinia sorghi
(Ferrugem Comum)
Manchas elípticas e alongadas em ambas as faces; esporos de cor marrom-canelaBaixas temperaturas e alta umidade relativa do ar (UR)
Puccinia polysora (Ferrugem Polissora) Manchas pequenas, circulares e elípticas, com cor amarelo e douradoTemperaturas elevadas, e menos dependente da umidade relativa do ar que a ferrugem comum
Physopella zeae (Ferrugem Branca ou Tropical) Pequenos grupos de manchas paralelas às nervuras; esbranquiçadas, amareladas ou castanhasAmbiente úmido e quente

Você pode monitorar o tempo em sua lavoura (região) e relacionar com as condições favoráveis das ferrugens, como na ferrugem tropical, por exemplo:

Para monitorar o tempo você pode utilizar aplicativos gratuitos ou contar com soluções mais específicas, como as de um software de gestão rural.

O Boletim técnico da Epagri pode te ajudar a identificar essas e outras doenças, como também as pragas na cultura do milho.

Como controlar as ferrugens no milho?

A ferrugem no milho precisa ser controlada por manejo integrado que combine práticas culturais, uso de produtos fitossanitários e o monitoramento constante da lavoura.

Além desses cuidados, outras técnicas podem ser usadas para diminuir o impacto do fungo. Veja mais detalhes a seguir:

1. Variedades resistentes

O uso de variedades resistente é a principal estratégia de manejo para as ferrugens no milho.

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo relataram que, na safra 2016/2017, foram disponíveis 315 cultivares de milho no mercado brasileiro. Destes, 63 eram resistentes à ferrugem comum, 55 à ferrugem polissora e 59 à ferrugem tropical.

O fungo que causa a ferrugem polissora apresenta uma elevada variabilidade, o que permite uma rápida adaptação às cultivares resistentes disponíveis no mercado. Por isso, é necessário que se continue o trabalho de pesquisa buscando novos genes de resistência.

2. Aplicação de fungicidas

O uso de fungicida para ferrugem no milho é recomendado principalmente no aparecimento das primeiras pústulas, especialmente quando há baixa resistência genética da cultivar utilizada.

A utilização de controle químico é justificável quando ocorre o aparecimento das primeiras pústulas (aplicação foliar) ou quando os campos possuem baixa ou média resistência genética.

As aplicações mais efetivas têm sido as estrobilurinas e dos triazois, nas doses recomendadas pelos respectivos fabricantes.

Os fungicidas combatem as doenças em média até 20 dias após aplicação, dependendo das condições climáticas e do nível da doença.

3. Rotação de Culturas

A rotação de culturas reduz a pressão de doenças, especialmente da ferrugem no milho.

Quando você cultiva outras plantas, como soja, feijão ou sorgo, em áreas que antes estavam com milho, o ciclo do fungo é interrompido, diminuindo as chances de reinfestação.

Com isso, é possível evitar o acúmulo de inóculo do fungo nas lavouras, evitando mais problemas futuras e, principalmente, perdas financeiras por conta do cultivo contaminado.

4. Manejo de Plantas Daninhas

As plantas daninhas podem servir como hospedeiras alternativas para os fungos que causam a ferrugem no milho.

Por isso, o controle eficiente de plantas daninhas do milho evita que elas se tornem fontes de inoculação para a doença.

O controle pode ser feito tanto com o uso de herbicidas ou práticas de controle mecânico, como capinas, por exemplo.

Guia para manejo de plantas daninhas

5. Plantio em épocas certas

O planejamento do calendário de plantio é importante para evitar o cultivo do milho em períodos climáticos favoráveis ao desenvolvimento do fungo, como no pico das chuvas e nas altas temperaturas.

O plantio antecipado ou no momento certo pode ajudar a escapar da proliferação intensa do fungo, principalmente quando é integrado e combinado a outras estratégias de controle.

O uso de fungicidas e o monitoramento da lavoura, são estratégias simples e que reduzem muito a incidência da ferrugem do milho.

6. Monitoramento da lavoura

O monitoramento da lavoura permite a detecção precoce dos primeiros sinais de infecção e a aplicação de medidas antes que a doença se espalhe.

Inspeções regulares nas lavouras, com foco nas folhas inferiores onde as pústulas podem aparecer, são ótimas para identificar os primeiros sintomas, como manchas amareladas ou laranjas.

A tecnologia é outra aliada, com o uso de drones e sensores de imagem, tem facilitado o monitoramento em larga escala, com identificações mais precisas de áreas infectadas.

Além disso, o monitoramento climático é outro ponto que pode ajudar muito na identificação da ferrugem.

Para otimizar o processo, softwares de gestão rural, com NDVI, oferecem orientação personalizadas, caderno de campo, planejamento preciso da lavoura e gestão de recursos.

Com esses recursos, é mais fácil de identificar problemas como a ferrugem no milho, podendo antecipada e implementar estratégias de controle mais eficientes.

Tipos de nematoides: conheça suas características e saiba como combatê-los

Tipos de nematoides mais frequentes nas culturas agrícolas: saiba o que fazer para evitar esse prejuízo na lavoura

A redução da produtividade na sua lavoura pode ser causada por vários fatores, entre eles os nematoides.

A presença desses organismos na lavoura causa prejuízos em torno de R$ 35 bilhões ao agronegócio nacional, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). Nos canaviais, as perdas ultrapassam R$ 12 bilhões e, na soja, passam de R$ 16 bilhões.

Conheça a seguir os principais tipos de nematoides que atacam culturas agrícolas e como fazer o manejo mais adequado na sua propriedade.

O que é um nematóide? 

Os nematóides são vermes microscópicos, encontrados no  solo, água doce, água salgada e como parasitas de plantas, animais e humanos. 

Com mais de 25.000 espécies descritas, esses organismos variam em tamanho, de menos de 1 milímetro a vários centímetros, sendo responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e o ciclo de nutrientes no solo.

Na agricultura, são conhecidos por serem parasitas causadores de doenças, responsáveis por grandes prejuízos ao atacarem as raízes, dificultando a absorção de água e nutrientes pelas plantas, em especial os gêneros:

  1. Meloidogyne (nematóide-das-galhas);
  2. Pratylenchus (nematóide das lesões radiculares);
  3. Heterodera (nematóide do cisto). 

A presença desses parasitas são causadas por fatores como solos contaminados, uso de mudas ou sementes infectadas, práticas agrícolas inadequadas e condições ambientais favoráveis, como solos compactados, pobre em matéria orgânica e com alta umidade. 

Além disso, a movimentação de máquinas, ferramentas e irrigação com água contaminada também contribuem para a disseminação desses parasitas, causando grandes danos na lavoura. 

Leia também:

Ciclo de vida dos nematoides

O ciclo de vida dos nematoides varia dependendo da espécie, mas, em geral, segue algumas etapas comuns. 

O ciclo começa com a postura de ovos pela fêmea, que pode ocorrer tanto no solo quanto nas raízes das plantas. Quando os ovos eclodem, liberam juvenis (geralmente no estádio J2), que são a forma infectante e podem se mover pelo solo em busca de raízes. 

Uma vez que encontram uma raiz hospedeira, esses juvenis penetram nas células do sistema radicular e começam a se alimentar, o que pode causar danos ao tecido da planta.

Dependendo dos tipos de nematoides, esse processo pode envolver diferentes interações com as células das raízes, como a formação de galhas ou lesões. 

Os nematoides passam por várias mudas até atingirem a fase adulta, podendo formar cistos ou liberar ovos que reiniciam o ciclo. Em espécies como o nematoide de cisto (Heterodera), as fêmeas se fixam nas raízes e se transformam em cistos, abrigando os ovos. 

O ciclo completo pode durar de semanas a meses, dependendo das condições ambientais, como temperatura e umidade.

Tipos de nematoides importantes na agricultura

Os tipos de nematoides são um grande problema na agricultura em razão dos prejuízos que podem causar em diversas culturas agrícolas. 

Lavouras atacadas por esses fitoparasitas têm plantas menores, amareladas, com lesões no sistema radicular. Além disso, os nematoides podem causar a morte das plantas. 

Os primeiros sintomas de sua presença geralmente são percebidos na parte aérea das plantas, devido à dificuldade na absorção de água e nutrientes. 

Sintomas esses que, inclusive, podem ser confundidos com deficiência nutricional e estresse hídrico.

1. Meloidogyne 

Também conhecidos como nematoides das galhas, esse tipo de parasita tem fêmeas com corpo globoso e “pescoço”, que depositam ovos em aglomerados na raiz. 

Dentro do ovo ocorre a fase juvenil J1, que evolui para J2, estádio em que saem no solo à procura de raízes. 

Ao encontrá-las, os nematoides injetam secreções que modificam algumas células, formando células gigantes (nutridoras) e galhas, resultado do crescimento e divisão celular estimulados por reguladores de crescimento. 

Nesse estágio, os parasitas perdem a mobilidade e passam pelas fases J3 e J4 até se tornarem adultos. Machos, quando presentes, têm corpo filiforme e alongado.

Sintomas Meloidogyne incognita 

  • Galhas (não é um sintoma obrigatório, podendo não ocorrer em algumas espécies de planta hospedeiras e, em outras, podem ser de tamanho reduzido);
  • Redução do sistema radicular; 
  • Raízes digitadas;
  • Rachaduras;
  • Tamanho desigual das plantas;
  • Murchamento;
  • Desfolha;
  • Redução na produção.

Alguns desses sintomas podem ocorrer por outras causas, isso também para os demais tipos de nematoides. Por isso, é importante a correta diagnose do agente causal, que vamos falar mais adiante.

2. Pratylenchus

Esse tipo de nematóide são conhecidos pelas lesões radiculares, que se caracterizam por sua forma filiforme e movimento intenso, tanto nas fases jovens quanto adultas. 

As fêmeas depositam os ovos separadamente no solo ou nas raízes das plantas. A partir do estádio J2, iniciam o processo de parasitismo. 

Durante a alimentação, injetam secreções tóxicas nas células das raízes, o que leva à morte celular após a saída do nematoide, resultando em lesões necróticas nas raízes.

No Brasil, há algumas espécies com maior ocorrência, como:  P. coffeae, Pratylenchus brachyurus e P. zeae

O Pratylenchus brachyurus pode afetar muitas espécies de plantas cultivadas como soja, arroz, cana-de-açúcar, trigo, milho, sorgo, algodão e outras. Pode causar perdas de até 50% na produtividade de grãos de soja, por exemplo.

Sintomas do Nematoide Pratylenchus

  • Redução do sistema radicular;
  • Lesões nas raízes;
  • Redução na produção;
  • Podem ocorrer em reboleiras.

3. Heterodera

O nematoide de cisto, do gênero Heterodera, é de grande importância no Brasil, especialmente o Heterodera glycines, causador de danos à soja, sua principal hospedeira. 

Após a eclosão dos ovos, os juvenis parasitas (J2), que são móveis e filiformes, se tornam infectantes e penetram nas raízes das plantas.

Ao entrar nas raízes, eles estimulam a formação de células nutridoras e se fixam, passando por várias trocas de tegumento até atingirem a fase adulta.

Com o crescimento dos juvenis, ocorre o rompimento do córtex e da epiderme da raiz, deixando parte do corpo do nematoide exposta. 

As fêmeas adultas, com o corpo parcialmente fora da célula, fixam-se por uma região chamada pescoço, com formato semelhante a um limão. 

A coloração das fêmeas varia de branca ou amarelada para marrom à medida que o ciclo avança. 

Durante o ciclo, as fêmeas retêm a maior parte dos ovos dentro de seus corpos, o que leva à sua morte e à formação de cistos, que ficam cheios de ovos.

Os cistos têm uma parede muito resistente e podem ser dispersos no solo. Os ovos podem sobreviver nessa estrutura por muito tempo, o que acaba dificultando uma medida de manejo que é a rotação de cultura.

Sintomas do Nematoide Heterodera

  • Plantas com porte reduzido;
  • Plantas cloróticas em reboleiras (por isso a doença também é chamada de nanismo amarelo);
  • Pode ocorrer a morte das plantas.

Existem raças do NCS, sendo que no Brasil já foram encontradas 11 delas. No caso da soja, há algumas cultivares resistentes ao nematoide do cisto.

4. Rotylenchulus 

Uma espécie desse nematoide importante no Brasil é o R. reniformis, também chamado de nematoide reniforme. Esse nematoide tem causado grandes prejuízos na cultura do algodão.

As fêmeas do nematoide reniforme são semiendoparasitas. Após a eclosão dos ovos, os juvenis femininos procuram raízes da planta hospedeira. 

Assim que encontram, penetram parcialmente, ou seja, metade do corpo fica para fora da raiz. 

Com o tempo, o corpo das fêmeas aumenta e adquire uma forma de rim, por isso o nome de reniforme. Já os machos não são fitoparasitas.

Sintomas do Nematoide Rotylenchulus 

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Crescimento reduzido e desenvolvimento desigual;
  • Raízes atrofiadas;
  • Formação de nódulos nas raízes;
  • Morte precoce das plantas.

5. Tylenchulus

Uma espécie importante desse gênero é o T. semipenetrans, o nematoide dos citros, que atualmente está bastante disseminado pelo país.

As fêmeas colocam os ovos na parte exterior das raízes, que dão origens a fases juvenis, e após algumas ecdises, originam os adultos.

Normalmente, os sintomas ocorrem tardiamente nas plantas por, atualmente, se utilizar mudas sadias e também porque apesar de muito disseminado nas áreas, o nível populacional é baixo. 

Sintomas do Nematoide Tylenchulus

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Deficiência de nutrientes;
  • Morte de ramos e galhos;
  • Atraso na maturação dos frutos;
  • Redução na formação de raízes laterais.

6. Radopholus

Uma espécie importante desse gênero é R. similis, também chamado de nematoide cavernícola, sendo muito importante para a cultura da bananeira

O tipo de parasitismo se assemelha ao gênero Pratylenchus, que também causa lesões nas raízes.

Em ataques severos do nematoide, as plantas de banana podem tombar pela ação do vento ou pelo peso dos cachos.

Sintomas do Nematoide Radopholus

  • Lesões necrosadas em áreas específicas das raízes;
  • Decomposição das raízes;
  • Desfolha e murchamento irregular;
  • Rachaduras nas raízes. 
Planilha de manejo integrado de pragas

Como identificar nematoides na lavoura?

O sintoma de ataque em reboleira é um dos principais indicativos de que pode haver infestação de tipos de nematoides na lavoura. A principal característica é o baixo vigor, desenvolvimento limitado da parte aérea das plantas e clorose das folhas. 

Solos arenosos ou franco-arenosos são mais propícios à movimentação e migração desses organismos, mas nem o solo argiloso nem áreas com baixo índice de matéria orgânica estão imunes à infestação. 

Além disso, temperaturas acima de 28°C e alta umidade, condições comuns no clima tropical, também favorecem a proliferação dos nematoides.

Os sintomas causados por nematoides podem ser confundidos com deficiências nutricionais ou estresse hídrico, pois afetam a absorção de água e nutrientes.

Para identificar a causa, é necessário investigar o solo e as raízes, conhecer os principais tipos de nematoides e realizar uma amostragem do solo e raízes (a 25-30 cm de profundidade). 

Nematoides: como identificar e controlar

Como prevenir todos os tipos de nematoides na lavoura?

A prevenção de qualquer tipo de nematóide em uma lavoura envolve cuidados diversos, que podem ser combinados entre si.

Um dos mais comuns é o plantio direto, que tem contribuído, em partes, nessa mudança de percepção sobre solo, sua estrutura e vida. Ainda, a rotação com plantação de amendoim pode reduzir a incidência dessas pragas. Mas os seguintes cuidados ajudam na prevenção:

1. Limpeza do maquinário   

A movimentação de nematoides no solo é bastante limitada. Por isso, o deslocamento de maquinário contribui na disseminação entre áreas desses microrganismos.

A limpeza é tão fundamental quanto a regulagem do maquinário e uma das opções é começar os manejos pelas áreas limpas, deixando por último a área infestada.

2. Rotação de culturas 

A rotação de culturas é uma das melhores técnica de manejo para controlar a infestação de nematoides no solo. 

Ao alterar as culturas cultivadas de uma safra para a outra, é possível evitar que os parasitas encontrem hospedeiros específicos e possam se reproduzir constantemente, quebrando o ciclo de vida desses organismos. 

Muitas espécies de nematoides são seletivas quanto às plantas que atacam, por isso, ao optar por culturas que não são hospedeiras para esses parasitas, conseguimos reduzir a sua população no solo.

Além disso, algumas plantas utilizadas na rotação, como leguminosas e adubos verdes, não apenas interrompem o ciclo dos nematoides, mas também contribuem para a melhoria do solo. 

Essas plantas aumentam a matéria orgânica, o que favorece o equilíbrio microbiológico, além de melhorar a estrutura do solo, tornando-o mais saudável para as culturas subsequentes. 

Algumas espécies, como a crotalária, atuam diretamente como armadilhas para os nematoides, impedindo que suas larvas se desenvolvam completamente.

3. Análise de solo

Caso os sintomas já estejam presentes na área, é preciso identificar a causa do problema e determinar a espécie predominante para implementar um programa de controle eficaz. Uma análise de solo bem executada pode garantir resultados precisos.

A coleta deve ser realizada dividindo a área em quadrantes de 2 a 10 hectares. Pelo menos 5 a 10 quadrantes devem ser selecionados, e uma amostra composta retirada de cada um. O solo deve ser aberto em forma de V, da superfície até 25-30 cm de profundidade, retirando a lâmina lateral.

Neste processo, algumas precauções importantes incluem: evitar deixar as amostras ao sol, pois os nematoides são sensíveis e deterioráveis; realizar a análise o mais rápido possível, armazenando as amostras a 10°C (na geladeira) por até 2 semanas, sem colocar no congelador.

4. Controle biológico de nematóides

O controle biológico de nematoides é uma abordagem que utiliza organismos vivos, como predadores naturais, fungos, bactérias e plantas biofumantes, para reduzir as populações de nematoides no solo. 

Métodos como o uso de Paecilomyces lilacinus, Bacillus thuringiensis, e plantas como a crotalária, que atuam como armadilhas ou liberam compostos nematicidas, são eficazes no controle desses parasitas. 

Além disso, a rotação de culturas com plantas que favorecem microrganismos benéficos e o uso de compostos orgânicos ajudam a melhorar a biodiversidade do solo e a reduzir a infestação de nematoides. 

Micro-organismos que controlam nematóides

O controle biológico de vários tipos de nematoides pode envolver o uso de micro-organismos naturais que atuam para reduzir as populações desses parasitas no solo, como: 

  1. Trichoderma harzianum: Fungo que combate o nematoide das lesões radiculares Pratylenchus spp.
  2. Paelomyces lilacinus: Fungo que afeta diretamente a capacidade reprodutiva dos nematoides.
  3. Bacillus amiloliquefaciens: É uma bactéria que pode inibe a penetração dos nematoides nas raízes, promovendo a morte do embrião de nematoide dos ovos presentes próximos ao sistema radicular.
  4. Pochonia chlamydosporia: É um fungo que controla o nível populacional de nematoides dos gêneros Meloidogyne, Heterodera, Rotylenchulus, Pratylenchus.
  5. Arthrobotrys spp.: Fungo que atua pela formação de estruturas ao longo das hifas, penetra o nematóide, se desenvolve em seu interior e lança suas estruturas vegetativas e reprodutivas para o exterior. 

Ao integrar esses micro-organismos ao manejo agrícola, o controle dos nematoides pode ser realizado de maneira eficiente, além de ser possível reduzir a dependência de produtos químicos, favorecendo práticas mais ecológicas e sustentáveis. 

A Aegro pode ser uma aliada importante nesse processo a partir do monitoramento da lavoura, imagens em NDVI e outras vantagens para o controle e produtividade da sua fazenda. Clique no banner e saiba mais! 

Tudo sobre tombamento da soja e como fazer o melhor manejo

Tombamento da soja ou Damping off:  entenda quais são as causas, sintomas, importância e manejo dessa doença.

O tombamento da soja é uma doença que pode causar perda de produtividade, afetar a qualidade dos grãos, promover a morte das plantas e falhas na lavoura.

Para evitar esses problemas, é importante conhecê-la melhor e saber quais medidas de manejo são mais adequadas. Isso vai ajudar a reduzir as perdas na lavoura já em sua fase inicial. 

Confira tudo isso e mais a seguir!

O que é tombamento da soja e damping off? 

O tombamento da soja é uma doença causada principalmente por alguns fungos presentes no solo, que habitam os restos vegetais e se alimentam deles.

Damping off é um termo genérico para designar doenças que atingem as sementes (fase de germinação) e as plântulas (após a emergência). Nessa fase, sementes e brotos ainda estão desenvolvendo os tecidos vegetais e dependem das reservas da semente. 

Essas doenças são consideradas doenças da fase inicial do ciclo da soja.

Os efeitos do tombamento na soja geram redução e falha no estande da lavoura, podendo causar redução na produtividade de 30% a 60% em áreas e lavouras infestadas. 

Em ataques severos, pode ser necessário realizar a ressemeadura da área, elevando extremamente o custo da lavoura.

Agentes causadores

Vários patógenos de solo podem causar o tombamento da soja, como os fungos Rhizoctonia sp., Phytium sp.,   Rhizoctonia sp., Colletotrichum sp., Sclerotium rolfsii  e Fusarium sp. Esses são extremamente agressivos e causam a morte das plântulas rapidamente.

Alguns podem causar sintomas durante o ciclo da cultura da soja e não só na fase inicial, mas neste texto, vamos considerar somente os ataques na fase inicial do ciclo da cultura.

Os patógenos que causam damping off possuem grande adaptabilidade em relação ao solo e são considerados bastante agressivos

Eles produzem enzimas que causam a decomposição das plântulas/sementes, que servirão de nutrientes para esses patógenos.

Como a distribuição desses patógenos pode não ser homogênea na área, podem ser observados sintomas em reboleiras

Além disso, esses patógenos não apresentam especificidade em relação ao hospedeiro, ou seja, os fungos podem afetar mais de uma cultura.

Principais sintomas do tombamento da soja

Os patógenos podem afetar as sementes antes do estágio de plântula, causando apodrecimento mole nas sementes. Esse sintoma faz com que o broto não consiga sequer emergir. 

Outros sintomas que podem ser observados são o escurecimento dos tecidos e perda de turgidez, manchas marrons encharcadas na extremidade da raiz principal em pré-emergência, que escurecem e sofrem apodrecimento flácido. 

Como consequência, a planta morre ou as plântulas têm seu crescimento reduzido.

Quando as plântulas já estão em pós-emergência, um sintoma muito característico é o escurecimento do colo da plântula (estrangulamento parcial do colo da planta). 

Além disso, as folhas cotiledonares ficam amareladas e caem com o tempo. A plântula fica enfraquecida, tomba e morre. Também é possível observar o escurecimento das raízes.

Plântulas com sintomas típicos (lesões deprimidas marrom-avermelhadas no hipocótilotombamento de pós-emergência) com ataque de Rhizoctonia solani

Plântulas com sintomas típicos (lesões deprimidas marrom-avermelhadas no hipocótilotombamento de pós-emergência) com ataque de Rhizoctonia solani
(Fonte: Augusto César Pereira Goulart em Research gate)

O ataque de Rhizoctonia solani ocorre entre a pré-emergência e até 30 dias depois desse estágio. Temperatura e umidade elevadas são favoráveis ao patógeno. 

Inicialmente, ocorrem estrias nas raízes, que progridem para podridão seca. Também pode ocorrer o estrangulamento da haste ao nível do solo (como observado na foto acima). 

Vale lembrar que os sintomas de cada fungo podem ser diferentes.

Além da presença do patógeno e da cultura, é importante haver as condições adequadas para o desenvolvimento do patógeno, de acordo com o triângulo da doença (ambiente-patógeno-hospedeiro).

Normalmente, as condições favoráveis para a doença são temperatura e umidade elevadas. Altos volumes de chuva e alta temperatura podem causar essas condições.

Outro contribuinte para a ocorrência da doença é o solo mal drenado. Discutiremos esse assunto a seguir!

Medidas de manejo para o tombamento da soja 

Utilizar várias medidas de manejo em vez de uma é interessante, principalmente se for de modo integrado e consciente.

Variedades resistentes e controle químico são alternativas de manejo difíceis de serem utilizadas para esta doença.

Os patógenos que causam o tombamento não são específicos para a cultura, e é difícil acertar o produto químico e as variedades resistentes para esse grupo.

Assim, algumas medidas de manejo que podem ser utilizadas para o tombamento da soja são:

Um ponto importante que deve ser observado é o tempo que a semente leva para germinar. Quanto mais demora para ocorrer a germinação, maior o contato da semente com os patógenos no solo. 

Deve-se ter uma estratégia para  um processo de germinação mais rápido, podendo utilizar cultivares de soja com rápida germinação para reduzir o tempo de disponibilidade ao ataque dos patógenos.

Lembrando que para te auxiliar nas recomendações de manejo do tombamento da soja consulte um(a) agrônomo(a).

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Conclusão 

Muitas doenças afetam a cultura da soja e podem causar sérios prejuízos. Mas, uma doença que pode não ser identificada e passar despercebida pelo produtor é o tombamento da soja.

Neste texto, discutimos as características da doença e como ela pode afetar sua produtividade.

Também mostramos os principais sintomas e as medidas de manejo que tendem a ser mais eficientes.

Assim, após conhecer sobre o tombamento da soja, espero que você consiga evitar esse problema em sua lavoura!

>> Leia mais:

“Como o Manejo Integrado de Doenças pode reduzir custos e aplicações no seu cultivo”

Restou alguma dúvida sobre o tombamento da soja? Quais medidas de manejo você utiliza para evitar esta doença? Adoraria ver seu comentário.

Tudo o que você precisa saber sobre a mancha de mirotécio no café

Mancha de mirotécio no café: sintomas, condições favoráveis da doença, medidas preventivas e de controle

Pragas e doenças são sempre uma dor de cabeça para o produtor rural. Na cultura do café, a ferrugem e a broca do cafeeiro são conhecidas pelo impacto que podem causar na produção das plantas.

Agora, uma nova doença preocupa os produtores de mudas de café: a mancha de mirotécio. Você já ouviu falar sobre ela?

Para que você entenda a doença e tenha mais condições de fazer um manejo adequado, preparamos este artigo. Confira tudo a seguir!

O que é a mancha de mirotécio no café?

A mancha de mirotécio é uma doença identificada recentemente no Brasil, na cultura do café. Foi constatada pela primeira vez em 2003, no viveiro experimental no Rio de Janeiro, em mudas de café arábica com idades entre 2 e 5 meses.

Em 2013, também houve a ocorrência da doença em mudas de café conilon em um viveiro no Espírito Santo.

A doença foi registrada ainda em países como Índia, Indonésia, Colômbia e Costa Rica.

O patógeno que causa a mancha de mirotécio é o fungo Myrotecium roridum. Ele pode causar a desfolha das mudas de café, levando-as à morte, principalmente quando plantadas em solo contaminado com o fungo e em condições favoráveis a seu desenvolvimento.

Mas como observar essa doença nas plantas de café? Vou explicar melhor a seguir.

Sintomas da mancha de mirotécio no cafeeiro

Inicialmente, as lesões são arredondadas e irregulares, de coloração verde-claro e aspecto oleoso, podendo apresentar um halo amarelo.

Depois, as lesões progridem e há formação de anéis concêntricos de diferentes tonalidades em ambas as superfícies da folha, com cerca de 3 cm de diâmetro. A doença pode ser observada em mudinhas até os 5 meses.

Também podem ser observados esporodóquios (estrutura do fungo) superficiais salientes e com micélio de coloração branca, cobertos de massa negra de esporo.

Lesões foliares iniciais (A); lesões foliares necróticas extensas, apresentando anéis concêntricos (B); sinais típicos do patógeno em lesão necrótica, os quais constituem esporodóquios com bordas de micélio branco e, ao centro, com massa negra de esporos (barra 200 µm) (C); e conídios maduros de M. roridum produzidos em fiálides (D)
Lesões foliares iniciais (A); lesões foliares necróticas extensas, apresentando anéis concêntricos (B); sinais típicos do patógeno em lesão necrótica, os quais constituem esporodóquios com bordas de micélio branco e, ao centro, com massa negra de esporos (barra 200 µm) (C); e conídios maduros de M. roridum produzidos em fiálides (D)
(Fonte: Da Silveira, Mussi-dias, Ponte e Dias em Reserach gate)

A mancha de mirotécio pode causar o abortamento das folhas das mudas de café e atraso em seu desenvolvimento. Tal condição acaba prejudicando o uso das mudas para o plantio, além de reduzir a área foliar para fotossíntese pelas manchas necróticas. Em situações extremas, pode haver até a morte da muda.

Essa doença também pode ocorrer no algodoeiro, onde também são observados sintomas em plantas jovens e perdas na lavoura. 

O fungo já foi identificado em outras plantas como abóbora, pepino, melancia, melão, berinjela, soja e várias outras.

O fungo Myrotecium roridum é saprofítico, sobrevivendo no solo e em restos culturais. Além disso, possui ampla gama de hospedeiros e há relatos de que pode sobreviver em sementes em alguns casos.

Um ponto muito importante dessa doença é que os sintomas foliares podem ser confundidos com a mancha de Phoma.

Para diferenciar as duas doenças, tenha em mente que as lesões da mancha de mirotécio apresentam formato regular nas bordas das folhas e rápida expansão e tamanho.. 

Já a mancha de Phoma (causada pelos fungos do gênero Phoma) causa lesões de coloração escura na margem das folhas, com formato irregular, podendo apresentar anéis concêntricos.

Condições favoráveis para a mancha de mirotécio no café

Há relatos de que a doença se manifeste em viveiro de mudas com alta umidade e irrigações frequentes. 

Temperaturas de 18℃ a 30℃ são favoráveis à doença, ou seja, condições de alta umidade e temperatura são favoráveis ao patógeno. Além disso, ferimentos podem predispor as mudas ao ataque do fungo.

Assim, a mancha de mirotécio precisa de longos períodos de molhamento foliar, associada a altas temperaturas, para se manifestar nas plantas.

A doença pode ocorrer em reboleiras e o fungo pode ser disperso por água, vento e pela irrigação nos viveiros.

Medidas preventivas para evitar a mancha de mirotécio

É sempre muito importante evitar a entrada de doenças na cultura e, no caso da mancha de mirotécio, deve-se evitar também a entrada nos viveiros de mudas de café, realizando o manejo preventivo.

Algumas medidas preventivas que podem ser adotadas são:

  • substratos livres de alta quantidade de matéria orgânica e livres do patógeno;
  • controlar a irrigação das mudas;
  • evitar o excesso de umidade;
  • eliminar mudas e folhas mortas do viveiro;
  • manter mudas com boa nutrição e livres de estresse;
  • evitar hospedeiros do fungo Myrotecium roridum próximos do viveiro.
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Como controlar a mancha de mirotécio no café

Quando falamos em controle de doenças, é sempre importante pensar em todas as medidas que são disponíveis para o manejo. Não vise apenas um tipo de controle, utilize um manejo integrado.

Para a mancha de mirotécio no café, não existem cultivares resistentes e ainda não há fungicidas específicos registrados. 

Em alguns estudos, fungicidas como triazóis e estrobilurinas têm apresentado bons resultados de controle.

Por isso, utilize as medidas preventivas que comentamos no tópico anterior e procure auxílio de um(a) agrônomo(a) para as recomendações de manejo.

Conclusão

A mancha de mirotécio é uma doença recente no país, mas já preocupa os produtores de mudas de café.

Como discutimos neste texto, o fungo que causa a doença apresenta muitas plantas como hospedeiras. Por isso, é importante conhecer a doença e adotar as medidas preventivas e de controle para reduzir os prejuízos.

Agora que você conhece um pouco mais sobre o problema, não espere perder as mudas de café por mirotécio.

>> Leia mais:

“O que você precisa saber para definir o melhor espaçamento para plantio de café”

Você já teve problemas com a mancha de mirotécio no café? Quais medidas de manejo você costuma adotar na fazenda? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como identificar e fazer o manejo adequado da podridão vermelha da raiz da soja

Podridão vermelha da raiz da soja: importância, sintomas, patógenos e medidas de controle da doença

Das mais de 40 doenças de soja já identificadas no Brasil, uma delas tem merecido atenção especial do produtor nos últimos anos: a podridão vermelha da raiz.

Além de poder causar perdas severas de produtividade, essa doença é causada por um fungo de solo, o que dificulta muito seu controle.

Mas como identificar os sintomas desse problema precocemente e garantir um manejo mais eficiente?

Confira essas e outras recomendações a seguir!

Importância da podridão vermelha da raiz em soja

A podridão vermelha da raiz, também chamada de síndrome da morte súbita da soja, tem sido encontrada em todas as regiões produtivas da cultura no Brasil. No entanto, é predominante em solos úmidos e temperaturas amenas

foto que mostra podridão vermelha da raiz da soja em folhas

(Fonte: Austeclinio Lopes de Faria Neto em Embrapa)

Foi observada pela primeira vez no Brasil na safra 1981/82, em Minas Gerais. Portanto, é considerada uma doença relativamente nova.

Pode ser causada por três espécies de Fusarium (que foram relatadas no Brasil): F. brasiliense; F. tucumaniae; e F. crassistipitatum, que são diferenciadas por estruturas reprodutivas, crescimento das colônias e técnicas moleculares.

A podridão vermelha da raiz pode interferir no processo de formação de vagens e grãos da soja, por afetar o sistema radicular das plantas. Isso compromete a absorção de água e nutrientes, interferindo na taxa fotossintética. 

Nos casos mais severos, há relatos de que pode causar entre 40% e 60% de perdas na lavoura. 

Para que você conheça mais sobre essa doença, veja quais sintomas ela causa nas plantas de soja.

Sintomas da podridão vermelha da raiz

Como o próprio nome diz, o patógeno infecta a raiz da planta, tendo como sintoma inicial uma mancha avermelhada, que é visível na raiz principal, poucos centímetros abaixo do nível do solo.

Com o passar do tempo, essa mancha se expande e circunda toda a raiz, adquirindo coloração mais escura. O córtex da raiz pode sofrer necrose e a medula fica com coloração castanho clara, característica que se estende até alguns centímetros acima do solo.

Em condições de alta umidade, pode ser observado um anel vermelho na base da haste da planta.

Além disso, o fungo que causa a podridão vermelha da raiz pode produzir toxinas que se translocam até as folhas e provocam necrose internerval, tendo como sintoma a folha carijó. 

Assim, as folhas apresentam manchas cloróticas e necróticas internevais, sendo que a região das nervuras permanece com coloração verde normal.

Esses sintomas são mais evidentes próximo à floração, ou seja, os sintomas foliares se desenvolvem ao longo ou após a floração, podendo causar desfolha nas plantas, abortamento das vagens e até morte das plantas.

fotos com podridão vermelha da raiz (foto 1); sintomas foliares iniciais (foto 2) e sintoma carijó (fotos 3 e 4)

Podridão vermelha da raiz (1); sintomas foliares iniciais (2); sintoma carijó (3 e 4)
(Fonte: Pablo de Melo Oliveira)

As raízes secundárias podem apresentar rápida degradação pela doença, somente ficando a raiz principal.

Em condições de solo úmido, o córtex da raiz principal pode se destacar com facilidade, expondo seu lenho de cor clara.

Como diferenciar os sintomas de outras doenças

Na planta com sintomas de podridão vermelha da raiz, você pode observar que seu sistema radicular é menos vigoroso que o de uma planta sadia.

Para você não confundir essa doença com outras que também podem apresentar o sintoma carijó, atente-se a essas dicas:

  • podridão da haste: apresenta descoloração da parte interna da haste, o que não acontece na podridão vermelha da raiz.
  • cancro da haste: apresenta cancro na haste, o que não é observado na podridão vermelha da raiz.

Agora que já conhece sobre os sintomas, vamos falar sobre as condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Patógeno e condições favoráveis da podridão vermelha da raiz de soja

As espécies de Fusarium que causam a podridão vermelha da raiz são consideradas fungos de solo.

Os conídios (esporos) de Fusarium são disseminados pela água e sobrevivem pouco tempo no solo.

Já os clamidósporos, que são estruturas de resistência do fungo, podem sobreviver no solo e em restos culturais, sendo o inóculo primário da doença.

A podridão vermelha da raiz pode ser mais severa quando há presença do nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines), uma vez que pode ocorrer uma associação do fungo com o nematoide.

A alta umidade do solo e temperaturas amenas são favoráveis para o desenvolvimento da doença. Temperaturas em torno de 15℃ favorecem o desenvolvimento dos sintomas na raiz das plantas. Já temperaturas em torno de 22℃ a 24℃ favorecem os sintomas na parte aérea.

Além disso, solo compactado e acúmulo de água favorecem o desenvolvimento da doença, que pode ocorrer a doença em forma de reboleira ou de forma generalizada na lavoura. 

Mas como podemos manejar a doença na cultura da soja?

Manejo da podridão vermelha da raiz 

Quando falamos de manejo das doenças de plantas, discutimos sobre a realização do manejo integrado das doenças. Isso não deve ser diferente para a podridão vermelha da raiz de soja, principalmente porque ela é causada por patógeno de solo, que é de difícil controle.

Cultivares de soja precoces tendem a sofrer menos com a doença, por isso são mais recomendadas.

Como não há cultivares com resistência total a doença, você pode utilizar cultivares que apresentam certa resistência. Além disso, não é recomendado semear muito cedo a soja, pois as condições climáticas podem propiciar o desenvolvimento do patógeno.

Não há um controle químico adequado para a podridão vermelha da raiz, já que é uma doença de solo e o seu controle se torna bastante complicado. O que se tem realizado é o tratamento de sementes, que pode reduzir a incidência da doença.

Outra medida de manejo é a rotação ou sucessão de culturas, a exemplo de sorgo e trigo.

Evite também a semeadura da soja em solos mal drenados e compactados.

Além disso, evite o plantio em áreas com histórico da doença, melhore a drenagem de solos que apresentam encharcamento e previna a compactação do solo.

E, como uma dica final, para te auxiliar a recomendar as medidas de manejo da podridão vermelha da raiz procure um (a) engenheiro (a) agrônomo (a).

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Conclusão

Doenças podem causar muitas perdas na soja. Uma das que tem preocupado os sojicultores é a podridão vermelha da raiz, que já há relatos de causar grandes prejuízos nas lavouras.

Nesse artigo, além de discutirmos a importância da doença na cultura da soja, você também viu como identificar os sintomas que a doença causa.

Também pôde entender mais sobre o patógeno, condições favoráveis a seu desenvolvimento e as medidas de manejo mais indicadas.

>> Leia mais:

Tudo o que você precisa saber sobre Macrophomina em soja

“Como identificar e manejar a podridão radicular em soja”

Você tem problema com a podridão vermelha da raiz da soja? Aproveite e assine nossa newsletter para receber sempre novos artigos sobre soja! 

Como prevenir e manejar o enfezamento do milho

Enfezamento do milho: principais sintomas, medidas de prevenção à doença e as formas de controle mais indicadas

O enfezamento do milho vem ganhando cada vez mais importância devido aos plantios consecutivos da cultura.

A doença pode reduzir muito a produção de grãos, colocando todo o resultado da safra a perder.

Por isso, é importante conhecer as medidas de prevenção e controle da doença, que envolvem também o manejo correto da cigarrinha-do-milho, principal transmissora dos enfezamentos. Confira!

Importância do enfezamento do milho

Há alguns anos, o enfezamento não era considerado uma doença de grande importância para as lavouras de milho.

Mas, com a expansão da área cultivada e plantios contínuos, que proporcionam ter a cultura durante boa parte do ano, essa doença começou a ter alta incidência e perdas consideráveis na lavoura.

Há relatos de que o enfezamento do milho pode causar perdas e reduzir a produção de grãos em até 70%. Algumas publicações falam até em perda total da produção. 

O enfezamento é causado por patógenos da classe dos molicutes e tem como vetor a cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis.

Em 2020, houve vários relatos das altas populações de cigarrinha nas lavouras, o que favorece sua disseminação em plantios tardios (até de uma safra para outra) e a ocorrência da doença.

Existem dois tipos de enfezamento na cultura do milho:

  • enfezamento vermelho, causado por fitoplasma (Maize bushy stunt phytoplasma – MBSP) – Candidatus Phytoplasma asteris;
  • enfezamento amarelo, causado por espiroplasma Spiroplasma kunkelii.

Vou explicar melhor os sintomas e características de cada um deles a seguir!

Enfezamento vermelho do milho

Como sintoma do enfezamento vermelho, pode ser observada a clorose marginal nas folhas do cartucho, que depois segue para avermelhamento das folhas inferiores e diminuição das mesmas.

duas fotos com sintomas enfezamento vermelho nas folhas do milho – A- estrias cloróticas, B – Estrias avermelhadas

Sintomas enfezamento vermelho – A- estrias cloróticas, B – Estrias avermelhadas
(Fonte: Janine Palma em Mais Soja)

Nas plantas infectadas também pode ser observado maior número de espigas, que produzem pouco ou nem produzem grão

Também podem ser observadas redução do porte da planta e redução do tamanho dos entrenódios.

Enfezamento pálido do milho

O enfezamento pálido, também chamado de enfezamento amarelo tem sintomas iniciais de clorose mais acentuada na base foliar (estrias cloróticas claras da base para o ápice das folhas). Este é o sintoma que o difere do enfezamento vermelho.

Os sintomas dos enfezamentos podem ser confundidos, mas também podem ocorrer simultaneamente, pois a planta pode desenvolver o enfezamento vermelho e pálido ao mesmo tempo.

foto de enfezamento pálido do milho

(Fonte: Rodrigo Véras da Costa em Embrapa)

Sintomas dos enfezamentos vermelho e pálido:

Os principais sintomas de ambos os enfezamentos são:

  • redução do porte das plantas;
  • avermelhamento ou estrias cloróticas claras nas folhas;
  • maior espigamento, mas as espigas têm pouco ou nenhum grão;
  • grãos chochos;
  • encurtamento de entrenódios;
  • falhas na granação dos grãos;
  • redução da produtividade.

Enfezamento e o problema da cigarrinha-do-milho

Como já mencionei acima, a cigarrinha-do-milho é o vetor dos enfezamentos. Além disso, sua presença também pode causar danos nas plantas de milho pela sucção de seiva (dano direto – inseto sugador). Mas é como vetor que ela apresenta sua maior importância (dano indireto).

Além dos enfezamentos vermelho e pálido que a cigarrinha transmite, ela também pode ser vetor do vírus da risca do milho (Maize rayado fino virus – MRFV).

Na fase adulta, a cigarrinha apresenta coloração amarelo-palha, de tamanho pequeno com cerca de 4 mm. 

Como característica para a diferenciar de outras cigarrinhas da cultura do milho, ela apresenta duas manchas circulares negras bem marcadas no alto da cabeça.

O ciclo da cigarrinha, de ovo a adulto, é influenciado pela temperatura, mas dura em média 25 dias, como você pode conferir no esquema abaixo:

ciclo da cigarrinha do milho em infográfico

(Fonte: Grupo Cultivar)

Mas como ocorre a transmissão do enfezamento pela cigarrinha-do-milho? 

Explicando de forma breve, quando a cigarrinha se alimenta de plantas doentes com enfezamento, pela sucção da seiva, adquire o espiroplasma, fitoplasma ou os dois.

Depois disso, em três semanas, os molicutes se multiplicam, circulam no corpo da cigarrinha e atingem sua glândula salivar, permitindo a transmissão do enfezamento para plantas sadias quando as cigarrinhas vão se alimentar. Assim, recomeça o ciclo da doença.

A infecção normalmente ocorre em plantas jovens, mas os sintomas aparecem quando já estão adultas.

Um ponto importante é que as cigarrinhas podem migrar para longas distâncias, inclusive de uma lavoura para outra de milho, transmitindo o enfezamento,

O hospedeiro da cigarrinha é o milho, por isso, o cultivo durante vários períodos do ano e as plantas tigueras favorecem a presença do vetor e da doença na cultura.

Agora que conhecemos mais sobre os sintomas e o vetor do enfezamento do milho, vamos discutir como prevenir e manejar a doença!

Como prevenir o enfezamento do milho na sua lavoura

No planejamento da lavoura de milho, é muito importante pensar em como prevenir as doenças da cultura. Algumas medidas preventivas do enfezamento do milho são:

  • evitar o plantio próximo de áreas com milho mais velhas, que podem favorecer a presença da cigarrinha e da doença;
  • evitar plantios consecutivos de milho na mesma área;
  • sincronizar a época de semeadura do milho (em regiões com histórico de enfezamento);
  • evitar plantios tardios, para que o desenvolvimento vegetativo das plantas não coincida com o período de maior infestação da cigarrinha;
  • eliminar a presença de plantas voluntárias (tigueras) na área, pois elas servem como hospedeiras e favorecem a sobrevivência do vetor e da doença;
  • utilizar rotação de culturas, para não ter áreas com cultura de milho após milho.

Como controlar o enfezamento do milho

O manejo do enfezamento do milho tem que englobar medidas preventivas e de controle. Entre as medidas de controle estão:

  • uso de cultivares tolerantes ou resistentes ao enfezamento do milho;
  • monitoramento do vetor na plantação;
  • controle químico para o vetor, lembrando que esse manejo pode não ser eficiente para a cigarrinha do milho. Isso ocorre devido à rapidez da transmissão da doença para as plantas de milho, pois o vetor pode infectar plantas antes do controle da cigarrinha e pela entrada contínua na plantação;
  • controle biológico do vetor;
  • tratamento de sementes com inseticida;

Ou seja, recomenda-se realizar o manejo integrado, utilizando várias medidas de controle e de prevenção da doença na lavoura de milho.

Para te ajudar no monitoramento e controle da cigarrinha-do-milho, separei uma planilha gratuita. Para baixar, clique na imagem a seguir!

planilha controle da cigarrinha do milho

Caso vá utilizar inseticidas para controle, verifique quais são registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para a doença e para a cultura (Agrofit). Para te auxiliar no manejo, procure um(a) agrônomo(a).

Conclusão

Muitas doenças podem afetar a cultura do milho. Mas, nos últimos anos o enfezamento vem ganhando importância, principalmente devido a plantios consecutivos da cultura.

Neste artigo, abordamos os dois tipos de enfezamento do milho: pálido e vermelho.

Você conferiu quais são os sintomas que permitem identificar a doença na lavoura e o que fazer como medida de prevenção.

Também aprendeu sobre a transmissão do enfezamento através de seu principal vetor, a cigarrinha-do-milho, e as medidas de controle do inseto e da doença.

Com essas informações, espero que você faça o manejo adequado e reduza as perdas na sua lavoura com enfezamento do milho.

>> Leia mais: “Tudo o que você precisa saber para o manejo da mancha-branca do milho”

Você tem problema com enfezamento do milho? Quais medidas preventivas são utilizadas? Vamos continuar essa conversa nos comentários!

8 doenças do trigo e como fazer o manejo ideal

Doenças do trigo: conheça os principais sintomas para identificá-las na lavoura e as medidas de manejo mais eficientes

O trigo é uma importante cultura de inverno no Brasil. Mas, para garantir uma boa produtividade, suprindo as necessidades do grão, é preciso ficar atento às doenças que podem ocorrer, colocando toda produção em risco.

Identificar os sintomas inicialmente e saber quais manejos são mais eficientes para controlá-las é fundamental.

Por isso, preparamos este artigo com as principais doenças do trigo e como manejá-las corretamente. Confira a seguir!

1- Giberela

A giberela no trigo é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo importante no período de floração da cultura. Ocorre em regiões quentes de cultivo da cultura.

A doença infecta a flor da planta de trigo, que pode ficar totalmente destruída e nem chegar a formar o grão.  

Se a infecção do fungo for lenta, pode ocorrer o desenvolvimento do grão com coloração rósea (por conta do desenvolvimento do fungo – formação de macroconídeos), enrugados e chochos.

trigo infectado por giberela

(Fonte: Paulo Kurtz em Embrapa)

Um sintoma de fácil reconhecimento da doença são as aristas arrepiadas em espiguetas esbranquiçadas ou mortas, sinal bastante característico da giberela.

Sementes e restos culturais (que podem ser de plantas de trigo ou outras hospedeiras como milho, centeio, triticale e cevada) são fontes de inóculo da doença.

Além de atacar as espigas, o fungo pode contaminar os grãos com a presença de micotoxinas.

A doença tem como condições favoráveis a seu desenvolvimento temperaturas em torno de 30°C e molhamento foliar.

Medidas de manejo da giberela

  • Semeadura antecipada, para que o florescimento das plantas não seja no período de condições favoráveis do trigo;
  • Controle químico já no início da floração.

Aqui no blog da Aegro nós já falamos tudo sobre o manejo desta doença. Confira Como identificar e controlar a giberela no trigo”.

2- Estria bacteriana

Doença causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. ondulosa, pode reduzir o rendimento em até 40% na cultura do trigo.

A bactéria da estria bacteriana sobrevive em restos culturais e sementes, sendo as sementes a principal forma de disseminação da doença.

Como sintomas são observadas lesões aquosas e longas nas folhas que, com o progresso da doença, podem se tornar pardas.   

Quando em longos períodos de chuva, as lesões podem coalescer e se distribuir por grande parte das folhas.

Medidas de manejo para a estria bacteriana

3- Podridão comum das raízes

A podridão comum das raízes pode ser causada por Bipolaris sorokiniana e Fusarium graminearum. Pode ser encontrada em todas as regiões de produção de trigo no país.

Como o nome já indica, essa doença afeta as raízes, que ficam com os tecidos de coloração parda, podendo causar a morte precoce das plantas. A semente é considerada a principal fonte de inóculo.

Medidas de manejo da podridão comum das raízes

4- Ferrugem da folha do trigo

Causada pelo fungo Puccinia triticina, a ferrugem da folha do trigo é considerada a doença mais comum da cultura.

A ferrugem na folha pode se desenvolver desde a formação das primeiras folhas até a maturação da planta.

No campo, você pode observar como sintomas pústulas de coloração alaranjada nas folhas, principalmente na parte superior, que reduz a área de fotossíntese e pode causar a queda precoce das folhas.

ferrugem da folha do trigo

(Fonte: Embrapa trigo)

Medidas de manejo da ferrugem da folha do trigo

  • Uso de cultivares resistentes;
  • Uso de fungicidas quando utilizar cultivares com suscetibilidade ao fungo.

5- Mancha amarela

A doença é causada por Drechslera tritici-repentis e considerada a mancha foliar mais importante do trigo, podendo causar 50% de perdas.

Essa é uma das principais doenças do trigo na região sul do Brasil, favorecida pelo plantio direto, que garante alimento para o fungo entre os cultivos.

Inicialmente, os sintomas são pequenas manchas cloróticas nas folhas que, com o progresso da doença, se expandem e ficam com a região central necrosada, circundadas por um halo amarelo.

mancha amarela em uma folha - doenças do trigo

(Fonte: Flávio Santana em Embrapa)

Temperaturas amenas e molhamento foliar são condições favoráveis para o desenvolvimento da doença.

Medidas de manejo da mancha amarela

6 – Hemiltosporiose

A hemiltosporiose ou também chamada de mancha marrom é causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana. A doença pode provocar danos de até 80%.

Nas folhas podem ser observadas lesões elípticas de coloração cinza em regiões quentes. Nas regiões mais frias, a doença causa lesões retangulares e escuras nas folhas.

Mas, a doença pode infectar além das folhas outros órgãos da planta, como as glumas, que ficam com lesões elípticas de centro claro e bordô escuro.

Medidas de manejo da Hemiltosporiose

  • Rotação de cultura;
  • Uso de sementes sadias;
  • Uso de fungicidas para aplicação na parte aérea da planta como triazóis e estrubilurinas.

Além das doenças do trigo causadas por fungos e bactérias, há algumas causadas por vírus (viroses no trigo), que vamos discutir nos próximos tópicos.

7- Mosaico comum do trigo

O mosaico do trigo é causado pelo vírus Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV), que tem maior problema em regiões mais frias do país, que é uma condição ótima para o desenvolvimento da doença.

Esse vírus é transmitido protozoário Polymyza graminis, que é habitante do solo.

O vírus que causa o mosaico comum do trigo também infecta culturas como centeio, cevada e triticale.

Como sintoma, é possível observar estrias amarelas que são paralelas às nervuras no limbo foliar, sendo mais problemática nos estádios iniciais da cultura.

foto de mosaico comum do trigo com estrias amarelas nas folhas

(Fonte: Douglas Lau em Embrapa)

Medidas de manejo para o mosaico comum do trigo

A medida mais efetiva para esta doença é o uso de cultivares resistentes.

8- Nanismo amarelo da cevada

Essa doença é causada pelo vírus Barley yellow dwarf virus (BYDV), que é transmitido por afídeos (pulgões) de forma persistente circulativo.

Como o próprio nome diz, o vírus infecta cevada, mas também outras culturas como arroz, trigo, aveia, centeio, milho e sorgo.

A planta de trigo com a doença fica com tamanho reduzido (nanismo) e com amarelecimento. Folhas bandeiras ficam eretas e de coloração amarela brilhante.

Além disso, os grãos provenientes de plantas infectadas ficam enrugados e chochos.

Medidas de manejo para o nanismo amarelo da cevada

Para todas as doenças do trigo, quando for utilizar controle químico, verifique quais estão registrados no Agrofit e para te ajudar com a recomendação nas medidas de manejo procure um(a) agrônomo (a).

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

O trigo é uma importante cultura de inverno no Brasil e é preciso cuidado com as doenças na lavoura para evitar as perdas.

Nesse artigo, discutimos 8 das principais doenças da cultura do trigo causadas por fungos, bactérias e vírus.

Você conferiu os principais sintomas, como identificá-las na lavoura e as principais medidas de manejo para não colocar a produção em risco!

>> Leia mais:

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Quais doenças do trigo já afetaram a sua lavoura? Como realizou o manejo? Compartilhe suas experiências nos comentários!