About Tatiza Barcellos

Sou engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

Como a irrigação inteligente pode trazer economia e resultados em sua lavoura

Irrigação inteligente: o que é, como funciona, importância, vantagens e desvantagens.

A agricultura é responsável pelo consumo de grande parte da água doce disponível no mundo. 

Diante disso, e da necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente, é fundamental adotar novas tecnologias que garantam o uso eficiente da água.

Nesse sentido, a irrigação inteligente é uma técnica que promove a gestão racional dos recursos, além de aumentar a produtividade. 

Quer saber mais sobre esse assunto? Confira a seguir. Boa leitura!

O que é irrigação inteligente?

Irrigação inteligente é uma estratégia de manejo que está transformando a agricultura e a forma como os recursos são utilizados.

Essa técnica disponibiliza a água em pequenos volumes, de maneira localizada e precisa para as plantas. 

Os métodos de irrigação por superfície e por aspersão se baseiam na irrigação de toda a superfície do terreno, o que provoca desperdício de água e a lixiviação de nutrientes.

Já na irrigação localizada por gotejamento e por microaspersão, a água é distribuída próxima às raízes das plantas. No entanto, também é preciso fornecê-la na quantidade e no momento adequado.

Dessa forma, o objetivo da irrigação inteligente é fornecer água no volume e tempo corretos, levando em consideração as condições ambientais e as características da cultura. 

Nesse sistema de fornecimento de água, são consideradas as diferenças espaciais dentro da área irrigada. Assim, a irrigação somente é acionada caso haja necessidade, sendo possível produzir mais e com menos água.

Na irrigação inteligente também é viável utilizar o sistema para a distribuição de insumos agrícolas, como fertilizantes (fertirrigação) e produtos fitossanitários. 

A irrigação inteligente pode ser aplicada em pequenas áreas, como hortas, estufas e jardins, bem como em áreas maiores destinadas à produção de frutíferas, café, cana-de-açúcar e tomate.

Como funciona

Na irrigação inteligente todo o processo é automatizado. As variáveis ambientais, como temperatura do ar e umidade do solo, são monitoradas por sensores e equipamentos específicos. 

Como há auxílio de softwares, os dados coletados são interpretados e é possível fazer previsões da necessidade de irrigação. Além disso, fica mais fácil armazenar os dados com segurança e acompanhar o manejo da irrigação de forma dinâmica e sistemática. 

Todos os dados mensurados são repassados em tempo real para o produtor, o que permite o acompanhamento remoto da lavoura. Dessa forma, o manejo da irrigação é pautado em dados como umidade do solo, temperatura do ar, precipitação, evapotranspiração e a exigência hídrica da cultura.

Assim, a partir das informações coletadas, a bomba de irrigação é acionada para ligar e desligar sozinha conforme a necessidade da cultura.

No sistema de gotejamento, ainda é possível associar a irrigação com a tecnologia drip protection. Essa tecnologia consiste em um sistema de injeção de produtos químicos, biológicos e orgânicos via gotejo.

Outras tecnologias também são utilizadas na irrigação inteligente, como: 

internet das coisas (IoT)

sensoriamento remoto

sistema de posicionamento global (GPS)

sistema de informação geográfica (SIG)

● veículos aéreos não tripulados (VANTs)

É importante deixar claro que cada cultura tem uma demanda particular. Assim, os projetos de irrigação devem ser planejados e dimensionados de acordo com a realidade do produtor, das características da área a ser irrigada e das necessidades da espécie cultivada. 

Importância da irrigação inteligente

A irrigação inteligente é uma técnica que assegura maior sustentabilidade da atividade agrícola pela gestão racional dos recursos. Nesse sistema há menor desperdício de água e redução do consumo de energia elétrica e tempo.

A irrigação inteligente também contribui para a redução da ocorrência de doenças foliares na lavoura

Nesse caso, a água é colocada próxima ao sistema radicular das plantas e as folhas não são molhadas. Assim, a umidade não é excedida e as doenças causadas por fungos e bactérias não são favorecidas.

Além disso, esse sistema viabiliza a aplicação de insumos como adubos e produtos fitossanitários via água de irrigação.

A irrigação inteligente também contribui para o manejo de plantas daninhas, uma vez que a superfície do solo molhada é menor.

Essa estratégia de manejo auxilia os produtores rurais no processamento dos dados e na tomada de decisão.

Por fim, com a irrigação inteligente é possível ter um controle mais confiável e eficiente do manejo hídrico, além de acompanhar de perto o desenvolvimento da lavoura.

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Vantagens e desvantagens da irrigação inteligente

Conhecer e analisar as vantagens e desvantagens da irrigação inteligente é essencial para o sucesso da atividade agrícola.

Confira a seguir as vantagens dessa técnica:

● reduz o desperdício de água

● economia de energia elétrica e tempo

● maior eficiência no uso da água

● aplicação de produtos fitossanitários e fertilizantes via água de irrigação

reduz a ocorrência de doenças causadas por fungos e bactérias

● auxilia no manejo de plantas daninhas

● monitoramento remoto da lavoura

● maior sustentabilidade de atividade

● melhora da qualidade do produto final

● aumento da produtividade

Por outro lado, a aquisição dos equipamentos e softwares da irrigação inteligente demandam alto investimento inicial e mão de obra tecnificada para operar o sistema.

Quer saber mais sobre outros métodos e sistemas de irrigação? Confira no seguinte texto: “Tudo o que você precisa saber sobre os tipos de irrigação na agricultura para acertar na escolha”.

Conclusão

A irrigação inteligente é uma estratégia de manejo em que a água é fornecida para as plantas na quantidade e no momento adequado considerando as condições do ambiente e da necessidade hídrica da espécie cultivada.

A automação da irrigação facilita o manejo e o acompanhamento da lavoura. O manejo da irrigação é feito tendo como referência dados mensuráveis. Assim, essa técnica de irrigação ajuda na tomada de decisão, otimiza a utilização dos recursos e reduz os custos de produção.

Algumas vantagens da irrigação inteligente são a economia de água e de energia elétrica, redução na ocorrência de doenças fúngicas e bacterianas e aumento da produtividade. Apesar disso, trata-se de uma técnica que requer alto investimento inicial e mão de obra tecnificada.

>> Leia mais:

“As melhores práticas para o reúso da água na agricultura”

“Agricultura irrigada: o que é, principais métodos e vantagens”

Você já tinha lido sobre irrigação inteligente? Você sabia como é realizado o manejo da irrigação na sua propriedade? Compartilhe o artigo com quem este conteúdo possa ser útil.

Calcário calcítico: o que é e quando utilizar

Calcário calcítico: o que é, quais são os tipos de calcário, como escolher o melhor, quando utilizar, benefícios da calagem e muito mais.

Em geral, os solos brasileiros são naturalmente ácidos, apresentam baixa fertilidade e alumínio em níveis tóxicos para as plantas. Dessa forma, a calagem é uma prática fundamental na agricultura

Dentre os corretivos da acidez do solo, o calcário se destaca por ser o mais utilizado. Esse insumo é obtido pela moagem da rocha calcária e apresentado na forma de pó.

A seguir você pode conferir mais informações sobre os tipos de calcário e quando utilizá-los. Boa leitura!

O que é calcário calcítico

O calcário calcítico é um corretivo agrícola que tem em sua composição menos de 5% de óxido de magnésio. Em contrapartida, ele apresenta elevados valores de óxido de cálcio, de 45% a 55%. 

O calcário destinado à agricultura é dividido em três categorias de acordo com a concentração de óxido de magnésio (MgO): 

  • calcário calcítico;
  • calcário magnesiano;
  • calcário dolomítico.

 O calcário magnesiano tem em sua composição de 5% a 12% de óxido de magnésio e de 40% a 42% de óxido de cálcio. 

O calcário dolomítico tem mais de 12% de óxido de magnésio, porém apresenta baixo teor de óxido de cálcio, de 25% a 30%. 

Que tipo de calcário escolher e quando utilizar

A recomendação de calagem e a escolha do tipo de calcário dependem dos resultados da análise de solo e das necessidades da cultura a ser implantada.

O calcário dolomítico é o mais indicado para a maioria dos solos, por apresentar elevado teor de magnésio.

Os calcários do tipo magnesiano e dolomítico, além de neutralizar a acidez do solo, adicionam magnésio. Eles são a forma mais econômica de fornecer esse nutriente às plantas.

O mesmo não acontece quando se usa o calcário calcítico, que apresenta baixos valores de magnésio em sua composição. No entanto, é possível aplicar esse tipo de calcário e complementar a adubação com fertilizantes como sulfato de magnésio, carbonato de magnésio ou óxido de magnésio.

A relação entre cálcio e magnésio no solo deve ser de 3 a 4:1 mol (Ca:Mg). Nessa proporção, as plantas conseguem aproveitar os dois nutrientes sem que um interfira na absorção do outro.

Além dessas questões, é preciso se atentar aos custos. Em geral, o calcário rico em magnésio é mais caro que o calcítico.

No que diz respeito à correção da acidez do solo, o tipo de calcário não interfere na eficiência da calagem.

Como o calcário age no solo

Primeiramente, é importante deixar claro que o calcário precisa de tempo para reagir. Isso quer dizer que a calagem deve ser feita cerca de 2 a 3 meses antes do plantio da lavoura.

Além disso, o solo deve apresentar umidade superior a 80% da capacidade de campo para que as reações de solubilização do calcário ocorram. 

Após a aplicação do calcário no solo, ele reage com a água e libera Ca+2 (cálcio) e Mg+2 (magnésio), além de CO32¯ (carbonato) e HCO3¯ (bicarbonato). 

O carbonato e o bicarbonato possibilitam a formação de íons hidroxila (OH¯) que irão neutralizar os íons de hidrogênio livre (H+), responsáveis pela acidez do solo. 

Independente do tipo de calcário, a velocidade de reação depende da granulometria do produto, do grau de acidez do solo e se o corretivo foi ou não incorporado ao solo.

Benefícios da calagem

A calagem é uma prática indispensável na agricultura. Ela ajusta as propriedades químicas do solo às necessidades das culturas, o que viabiliza a produção em diferentes áreas. 

Confira a seguir os principais benefícios da calagem:

  • reduz a acidez do solo;
  • neutraliza a ação tóxica do alumínio (Al), ferro (Fe) e manganês (Mn);
  • fornece cálcio (Ca) e magnésio (Mg) para as plantas;
  • diminui a fixação do fósforo (P);
  • aumenta a disponibilidade de nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), enxofre (S) e molibdênio (Mo);
  • aumenta a Capacidade de Troca Catiônica (CTC) do solo;
  • melhora a atividade microbiana;
  • favorece a fixação biológica do nitrogênio
  • favorece o desenvolvimento radicular das plantas;
  • aumenta a produtividade das culturas.

Culturas como a soja e o milho são bastante responsivas à calagem e têm aumentos significativos de produtividade.

Como determinar a necessidade de calagem

A necessidade de calagem é determinada pela análise de solo. Somente a partir dos resultados dessa avaliação é estabelecida a quantidade de calcário a ser aplicada. 

O cálculo de calagem pode ser feito pelos seguintes métodos:

  • método da saturação por bases (V%);
  • método do alumínio trocável;
  • método pH SMP.

É importante deixar claro que cada método é utilizado de acordo com a região do país. 

O método da elevação da saturação por bases é utilizado em São Paulo, no Paraná e em algumas regiões de Cerrado. O método de neutralização do alumínio é usado em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Já o método pH SMP é aplicado nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Geralmente, a avaliação da exigência de calcário é realizada a cada 3-5 anos. 

Em solos mais arenosos, o intervalo de amostragem do solo deve ser menor. Isso porque os solos com maior teor de areia necessitam de calagem com maior frequência quando comparados aos solos argilosos.

Por fim, é preciso frisar que doses de calcário em excesso ou quando a operação de calagem é mal executada interferem na disponibilidade dos micronutrientes. Por isso é fundamental determinar a dose correta do calcário para que a cultura expresse seu potencial produtivo.

Para mais informações sobre a técnica da calagem e os tipos de calcário, confira nosso artigo “Calcário no solo: tipos, vantagens, como funciona e eficiência”.

Conclusão

O calcário é o principal corretivo agrícola utilizado na neutralização da acidez do solo. Ele é classificado com base na sua composição, podendo ser calcítico, magnesiano ou dolomítico.

A recomendação de calagem deve ser sempre orientada pelos resultados da análise de solo. Em geral, essa prática é realizada de 2 a 3 meses antes da semeadura

No sistema convencional, o calcário é distribuído a lanço e depois incorporado ao solo, geralmente a uma profundidade de 20 centímetros. No sistema de plantio direto, o corretivo é aplicado a lanço na superfície do solo e não é incorporado.

Os benefícios da aplicação do calcário são a correção da acidez, neutralização do alumínio e manganês, fornecimento de cálcio e magnésio para as plantas e maior desenvolvimento das raízes. Como consequência, há aumento da produtividade.

Restou alguma dúvida sobre o calcário calcítico? Você já utilizou em sua propriedade? Aproveite e assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como este em seu e-mail!

O que é e como fazer adubação verde: Melhores práticas

Adubação verde: entenda o que é, como funciona, vantagens, características dos adubos verdes e muito mais

Os sistemas intensivos de produção agrícola têm acelerado o processo de degradação do solo e causado sérios impactos ambientais. Diante disso, é urgente a necessidade de se adotar práticas de manejo mais sustentáveis.

Essas técnicas possibilitam a manutenção da capacidade produtiva do solo a longo prazo. Se você produz, precisa ficar por dentro de como técnicas como adubação verde funcionam.

Confira a seguir informações sobre a adubação verde e entenda como essa prática pode ser vantajosa para sua lavoura. Boa leitura!

O que são adubos verdes?

A adubação verde é uma técnica agrícola para melhorar as condições do solo e aumentar sua capacidade produtiva. Consiste em cultivar determinadas espécies vegetais, que depois serão incorporadas ao solo ou roçadas e mantidas na superfície. 

Os adubos verdes podem ser usados como cobertura de solo na entressafra, protegendo o solo contra a radiação solar e a erosão. 

Fornecendo palha para o sistema de plantio direto, esses adubos favorecem a infiltração de água no solo.

Por terem raízes profundas, as plantas ajudam a descompactar camadas mais duras do solo e favorecem a circulação de água e nutrientes.

A técnica também pode ser utilizada para fixar nitrogênio atmosférico, contribuindo para a fertilização natural do solo e reduzindo a necessidade de adubação química.

Adubação verde: corte e deposição dos resíduos vegetais sobre o solo 
(Fonte: Universidade Estadual de Washington)

Como o adubo verde funciona?

A adubação verde pode ser realizada em rotação, sucessão ou consórcio com a cultura principal. No sistema de rotação, a área é dividida em talhões e cada talhão é plantado com o adubo verde de maneira rotacionada com a cultura de interesse comercial.

Em sucessão, o adubo verde é semeado na mesma área e antes da cultura principal. Nesse caso, as plantas utilizadas como adubo verde são manejadas antes do plantio da lavoura

Quando em consórcio, o adubo verde é plantado junto da cultura de interesse econômico, que pode ser cultivado na entrelinha em faixas intercaladas. Em alguns casos, o adubo verde é semeado no final do ciclo da cultura com o intuito de beneficiar a próxima safra.

O plantio das sementes é feito em linhas ou a lanço com posterior incorporação com grade niveladora. Na adubação verde, também pode ser feito um coquetel com sementes de diferentes espécies, como sorgo-forrageiro e crotalária

Outra alternativa de coquetel para adubação verde é a mistura de sementes de crotalária, feijão-guandu, mucuna-preta, sorgo-forrageiro e milheto.

Quais são as vantagens da adubação verde?

A adubação verde pode ajudar em vários pontos, desde a qualidade do solo até a redução de custos com insumos, promovendo uma agricultura mais eficiente e menos dependente de produtos químicos. 

Segundo a Embrapa, esse tipo de adubação promove a ciclagem de nutrientes, contribui para uma maior retenção de água no solo e melhora: 

  • Condições físico-químicas e biológicas do solo;
  • Incremento do teor de matéria orgânica;
  • Favorecimento de microrganismos que aumentam a absorção de água e nutrientes;
  • Fixação biológica do nitrogênio atmosférico;
  • Descompactação do solo, estruturação e aeração do solo;
  • Proteção do solo contra erosão (hídrica e eólica);
  • Proteção do solo contra radiação solar;
  • Manutenção da umidade das camadas superficiais do solo;
  • Controle de pragas, doenças e plantas daninhas;
  • Controle de fitonematóides;
  • Favorecimento da população de inimigos naturais;
  • Aumento da produtividade da cultura sucessora; 
  • Economia com fertilizantes;
  • Redução dos custos de produção.

As leguminosas, fixadoras de nitrogênio, são ideais para adubação verde, pois produzem biomassa rica nesse nutriente. 

Quando roçadas e incorporadas ao solo, melhoram as condições nutricionais e aumentam a matéria orgânica após a decomposição, liberando nitrogênio que é aproveitado pela cultura subsequente. 

Isso reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados, diminuindo custos e aumentando a produtividade. 

Além disso, as leguminosas favorecem a presença de fungos micorrízicos, que ajudam na absorção de nutrientes e água, e suas raízes criam canais no solo, melhorando sua estrutura e facilitando a infiltração e retenção de água.

Alelopatia: Qual a relação com adubação verde?

A alelopatia é o efeito efeito de substâncias químicas liberadas pelas plantas, vivas ou em decomposição, causam, inibindo o crescimento e/ou desenvolvimento de outras plantas.

Fenômeno muito importante na redução de populações de plantas daninhas e controle de nematoides, que pode ser causado por leguminosas usadas como adubo verde.

Assim, muitas espécies vêm sendo estudadas e descobertos inúmeros benefícios adicionais através da alelopatia.

A espécie leguminosa feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), por exemplo, se mostra como inibidora da planta daninha tiririca.

feijão de porco usado na adubação verde

Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis)

(Fonte: Useful Tropical Plants)

Como deve ser feita a adubação verde?

É importante destacar a importância de escolher espécies de adubos verdes adaptadas às condições de clima e solo de onde será cultivada. Além disso, a época de corte das plantas é outro ponto que merece atenção. 

A biomassa aérea deve ser cortada antes das plantas produzirem sementes. O corte tardio dos adubos verdes pode gerar um grande problema. Afinal, as sementes serão liberadas no solo e têm grande potencial de se tornarem plantas invasoras na próxima safra.

Algumas espécies, como a mucuna-preta, apresentam dormência e podem germinar em diferentes épocas do ano, o que dificulta o controle. Por fim, a melhor época para a semeadura dos adubos verdes é no início da temporada de chuvas

Nesse período, as plantas acumulam maior quantidade de biomassa e nutrientes. No entanto, é justamente esse o único período viável para a semeadura da cultura comercial. Os adubos verdes são, geralmente, cultivados na entressafra.

Uma alternativa é cultivar as espécies de adubos verdes no final da estação chuvosa, após a colheita da cultura de interesse. Também é possível realizar a semeadura no veranico. Nesse caso, é importante escolher espécies de adubos verdes resistentes à seca.

Quais são os principais adubos verdes?

Plantas de diferentes famílias são utilizadas na forma de adubo verde, mas leguminosas são as preferidas e ocupam lugar de destaque, por serem capazes de realizar a fixação biológica do nitrogênio.

As leguminosas têm menor tempo de decomposição (baixa relação carbono/nitrogênio). Esse aspecto favorece a rápida disponibilização dos nutrientes para as culturas seguintes. Dentre as usadas na forma de adubo verde, destacam-se:

  • Amendoim-forrageiro;
  • Crotalárias;
  • Estilosantes
  • Feijão-bravo-do-Ceará;
  • Feijão-guandu;
  • Feijão-de-porco;
  • Labe-labe;
  • Mucunas;
  • Tremoços. 

As gramíneas também têm sido cultivadas para adubação verde. Em geral, elas se decompõem mais lentamente (alta relação carbono/nitrogênio) e permanecem no solo por mais tempo. Confira a seguir algumas gramíneas cultivadas como adubo verde:

  • Aveia-preta;
  • Azevém;
  • Braquiárias;
  • Milheto;
  • Sorgo-forrageiro.

A semeadura simultânea de diferentes plantas, como leguminosas e gramíneas, possibilita a cobertura do solo por mais tempo. Isso quando comparado ao cultivo solteiro de espécies leguminosas

Além das leguminosas e gramíneas, outras plantas são empregadas na adubação verde, como o nabo-forrageiro e o girassol.

Características das plantas de adubação verde

As espécies vegetais utilizadas como adubo verde devem apresentar algumas características agronômicas. São elas:

  • Sistema radicular profundo e ramificado;
  • Eficiência nutricional;
  • Tolerância ao alumínio;
  • Tolerância ao estresse hídrico;
  • Elevada produção de fitomassa e de sementes;
  • Sementes de fácil obtenção;
  • Rápido desenvolvimento;
  • Ciclo compatível com o sistema de produção;
  • Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças;
  • Eficiência no controle de nematoides e plantas daninhas;
  • Capacidade de realizar a fixação biológica do nitrogênio.
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Mancha foliar no milho: como livrar sua lavoura dessas doenças

Mancha foliar no milho: quais são as principais, como identificar os sintomas, como realizar o manejo e muito mais

A denominação “mancha foliar” é utilizada em referência a algumas doenças que atacam a cultura do milho.

Elas têm grande importância econômica, pois estão presentes nas principais áreas produtoras do grão. Além disso, reduzem consideravelmente o potencial produtivo da lavoura. 

Neste artigo, saiba mais sobre como identificar e manejar cercosporiose, helmintosporiose, mancha-branca, mancha-de-bipolares e mancha-de-diplodia. Boa leitura!

Principais manchas foliares no milho

As principais doenças causadoras de manchas foliares em lavouras de milho são: 

Essas doenças reduzem a área fotossintética das plantas. Como consequência, interferem na produtividade e na qualidade do produto final. Abaixo, veja quais são e como identificar as principais doenças foliares  em milho.

Cercosporiose

A cercosporiose é uma doença foliar causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, e também é conhecida como cercospora do milho. 

Os sintomas se manifestam primeiro nas folhas inferiores das plantas, onde aparecem manchas alongadas e com bordas amareladas. Sob condições de elevada umidade, as lesões adquirem coloração acinzentada em função da produção de esporos pelo fungo. 

Uma característica que diferencia a cercosporiose de outras doenças foliares do milho é o fato de as lesões apresentarem formato retangular e delimitado pelas nervuras. Elas se desenvolvem mais lentamente do que as lesões provocadas por outros patógenos.

Em casos mais severos, essa doença pode provocar o acamamento das plantas. Isso acontece pois as plantas de milho ficam mais predispostas ao ataque de outros patógenos, como os que causam danos ao colmo.

Essa doença se desenvolve sob condições de elevada umidade relativa do ar (maior que 90%) e em temperaturas entre 25°C e 30°C. A disseminação da cercosporiose ocorre através dos esporos do fungo e pelos restos culturais contaminados.

Sintomas da cercosporiose em folha de milho

(Fonte: NC State Extension)

Helmintosporiose

O agente causal da helmintosporiose é o fungo Exserohilum turcicum. Essa doença tem maior incidência em lavouras de milho safrinha.  Os sintomas característicos são lesões necróticas e em formato de charuto. A coloração pode variar de verde-acinzentada a marrom. 

Nesse caso, o crescimento das lesões não é limitado pelas nervuras da folha.   

À medida que a doença se desenvolve, as lesões aumentam de tamanho, comprometendo toda a área foliar. A helmintosporiose é favorecida por condições de temperaturas amenas, entre 20°C e 25°C, umidade relativa do ar acima de 90% e pela presença de orvalho.

A disseminação ocorre pela ação do vento, que transporta o fungo a longas distâncias. Além disso, os restos culturais são fontes de inóculo do fungo, uma vez que ele sobrevive nesse ambiente por longos períodos. 

Manchas em formato de charuto característica da helmintosporiose

Manchas em formato de charuto característica da helmintosporiose

(Fonte: Crop Protection Network)

Mancha-branca ou mancha foliar de Phaeosphaeria

A mancha-branca é uma doença foliar causada pela bactéria Pantoea ananatis. Ela é conhecida por mancha-de-Phaeosphaeria, feosféria e pinta-branca. Ela é uma das doenças mais distribuídas em regiões produtoras.

Além disso, os danos dependem das condições ambientais e do estádio de desenvolvimento da planta infectada. Os sintomas aparecem primeiro nas pontas das folhas. 

À medida que a doença avança, essas manchas são visíveis também na base das folhas do milho. As lesões foliares têm formato circular ou oval, cor verde-clara e aspecto encharcado (anasarca). Com o passar do tempo essas lesões necrosam e podem coalescer. 

Além disso, essa doença pode causar a seca prematura das plantas. De modo geral, os sintomas são mais severos após o pendoamento do milho

As condições ótimas para o desenvolvimento da mancha branca são noites com temperaturas amenas (15°C a 20°C) e umidade do ar acima de 60%. Períodos chuvosos também favorecem essa doença.  A disseminação ocorre por respingos de água da chuva e pelo vento.

Sintomas típicos da mancha branca no milho

Sintomas típicos da mancha branca no milho

(Fonte: Embrapa – Circular Técnica 167)

Mancha-de-bipolaris no milho (Bipolaris Maydis)

A mancha-de-bipolaris é uma doença do milho causada pelo fungo Bipolaris maydis. Por isso, também é conhecida como mancha de bipolaris no milho.

Os sintomas variam de acordo com a raça do fungo que está infectando as plantas. De modo geral, os sintomas são lesões necróticas de formato oval, alongado e estreito. Elas não têm bordas definidas e se desenvolvem seguindo a orientação das nervuras foliares. 

Em alguns casos, os sintomas da mancha-de-bipolaris podem ser confundidos com os da cercosporiose. No entanto, é possível diferenciar as doenças com base na avaliação das lesões.

Sintomas da mancha-de-bipolaris em folha de milho

Sintomas da mancha-de-bipolaris em folha de milho

(Fonte: Crop Protection Network)

Em geral, as lesões da cercosporiose são delimitadas, na largura, pelas nervuras das folhas e apresentam bordas bem definidas. Além disso, elas são mais estreitas. Enquanto isso, as lesões da mancha-de-bipolaris apresentam bordas irregulares.

As condições ambientais que contribuem para o desenvolvimento da mancha-de-bipolaris são um ambiente úmido e quente, com temperaturas entre 22°C e 30°C

A disseminação dos conídios é feita pelo vento e por respingos de água da chuva. O fungo ainda sobrevive nos restos culturais e nos grãos de milho.

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Mancha-de-diplodia

A mancha-de-diplodia é causada pelo fungo Stenocarpella macrospora. Os sintomas dessa doença são lesões alongadas e grandes, que podem atingir até 10 centímetros de comprimento.  

As lesões de mancha-de-diplodia podem ser confundidas com as da helmintosporiose. A diferença entre elas está no fato de que as lesões de mancha-de-diplodia apresentam um ponto de infecção pelo patógeno

Esse ponto de infecção é um pequeno círculo localizado em qualquer lugar da lesão e que é visível contra a luz. Além das lesões foliares, a mancha-de-diplodia causa podridão do colmo e das espigas.

A disseminação dos esporos do fungo é feita pelo vento, por respingos de chuva e por sementes infectadas. Os restos culturais também são fonte de inóculo. A doença se desenvolve melhor sob condições de alta umidade do ar e temperaturas entre 25°C e 30°C

Sintomas da mancha-foliar-de-diplodia em milho

Sintomas da mancha-foliar-de-diplodia em milho

(Fonte: American Physiological Society)

Manejo das manchas foliares do milho

O manejo das manchas foliares na cultura do milho deve ser realizado de forma integrada. A combinação de diferentes medidas garante maior sucesso no controle dessas doenças foliares em milho. Por isso, as principais estratégias de manejo recomendadas são:

  • plantio de cultivares de milho resistentes às doenças;
  • plantio de cultivares diferentes em uma mesma área;
  • escolha da época de plantio do milho;
  • evitar o plantio sequencial de milho na mesma área;
  • utilizar sementes sadias;
  • tratamento de sementes;
  • manejo adequado da lavoura: população adequada de plantas, adubação equilibrada do milho, controle de daninhas da cultura;
  • rotação de culturas;
  • controle químico com fungicidas de amplo espectro.
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No controle químico das manchas foliares do milho são indicados, principalmente, os fungicidas dos grupos químicos triazol e estrobilurina

Conclusão

As principais doenças que causam manchas foliares da cultura do milho são a cercosporiose, a helmintosporiose, a mancha-branca, a mancha-de-bipolaris e a mancha-de-diplodia.

Essas doenças ocorrem em todas as áreas produtoras de milho do país e comprometem a produtividade final. O manejo das manchas foliares é feito pela adoção de diferentes estratégias

Por exemplo, a resistência genética, o plantio de sementes sadias, a rotação de culturas e a aplicação de defensivos químicos. Na dúvida, sempre procure ajuda de uma pessoa especialista da agronomia.

Você está lidando com manchas foliares do milho? Assine nossa newsletter para ficar por dentro de mais artigos como este.

Veja como escolher o melhor fungicida para trigo

Fungicida para trigo: saiba quais são os principais no mercado, recomendações de uso, quando as aplicações devem ser feitas e mais!

O aumento da intensidade de doenças causadas por fungos na cultura do trigo tem sido um grande desafio para os produtores rurais. 

Em cultivares mais suscetíveis, a ocorrência de doenças no trigo pode reduzir a produtividade. Se você enfrenta problemas com fungos na plantação de trigo, precisa ficar por dentro dos melhores fungicidas do mercado.

Neste artigo, saiba mais quando iniciar a aplicação, como escolher o melhor produto e quais cuidados são necessários durante esse processo. Boa leitura!

Qual é a importância dos fungicidas em trigo?

Os fungicidas são produtos utilizados no controle de doenças causadas por fungos, bactérias e algas. Na cultura do trigo, esse grupo de defensivos agrícolas ocupa posição de destaque. 

Entre os fatores limitantes para a produção desse cereal, destacam-se as doenças causadas por fungos. Elas prejudicam o desenvolvimento das plantas, interferem na qualidade do produto final e reduzem a produtividade.  

Justamente por isso, os fungicidas são uma importante ferramenta na produção e na qualidade do trigo

Quando iniciar a aplicação?

Independente da doença, quanto antes elas forem controladas, maiores serão as chances de sucesso do manejo fitossanitário.

Na cultura do trigo, alguns fungicidas respondem melhor quando utilizados de forma preventiva. Assim, eles são aplicados quando há um ambiente favorável à infecção, o que reduz as chances de incidência da doença.

Após o estabelecimento da doença na lavoura, podem ser utilizados fungicidas com efeito erradicante. Eles possuem efeito curativo sobre as plantas doentes. No entanto, a escolha da hora certa para iniciar a aplicação dos fungicidas depende de alguns aspectos. 

Primeiramente, é preciso conhecer bem o histórico da área onde está instalada a lavoura. Fique por dentro das pragas no trigo e doenças ocorridas nas safras passadas, produtos químicos utilizados, adubações e sistema de cultivo.

Também é fundamental monitorar a lavoura regularmente. Somente assim é possível identificar focos das doenças, o modo de distribuição na área, o nível de infestação e o estágio de infecção.

É importante lembrar que sob condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das doenças, a atenção deve ser redobrada. Além disso, é preciso considerar a suscetibilidade da cultivar de trigo.

Outro ponto importante é conhecer o comportamento dos patógenos e as condições que favorecem as doenças. Essas informações irão contribuir para a antecipação dos problemas e na tomada de decisão de quando iniciar a aplicação dos fungicidas.

Melhores fungicidas para oídio, mancha-amarela, ferrugem e outras doenças da cultura

Pesquisas indicam que para o controle da ferrugem e da mancha-amarela em trigo, a combinação entre epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina possui cerca de 85% de eficiência. Entretanto, há outras doenças fúngicas no trigo, como:

O manejo dessas doenças é baseado em dois grupos de fungicidas: estrobilurinas e triazóis. A orientação é que as estrobilurinas sejam sempre utilizadas em associação com os triazóis. A estrobilurina não deve nunca ser aplicada isoladamente. 

Já os triazóis devem ser combinados com fungicidas de mecanismos de ação diferentes (estrobilurinas e fungicidas multissítio). Essas aplicações são feitas de maneira preventiva.  Nas tabelas a seguir, confira algumas recomendações de fungicidas para trigo:

Fungicidas para controle de oídio, manchas foliares, ferrugem da folha e do colmo
Fungicidas para controle de oídio, manchas foliares, ferrugem da folha e do colmo 
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

Os fungicidas também podem ser utilizados no tratamento das sementes de trigo. Ainda, é necessário escolher cultivares de trigo resistentes a doenças fúngicas.  Abaixo, estão relacionados alguns produtos para essa finalidade.

Fungicidas indicados para o tratamento de sementes de trigo e triticale
Fungicidas indicados para o tratamento de sementes de trigo e triticale 
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

O uso de fungicidas é apenas uma das medidas recomendadas para a cultura do trigo. O controle eficiente e a garantia de uma lavoura produtiva de trigo envolve a adoção de outras práticas, como:

  • plantio na época recomendada;
  • cultivo de sementes certificadas;
  • cultivares de trigo com maior grau de resistência;
  • rotação de culturas.

É importante ressaltar que os custos com fungicidas representam grande parte do custo total de produção do trigo. Nesse sentido, é preciso aliar aspectos técnicos e econômicos para traçar as melhores estratégias.

Cuidados da aplicação na cultura do trigo

O uso de qualquer defensivo agrícola, seja fungicida, inseticida, acaricida ou herbicida, requer bastante cautela.  Ainda, na aplicação de fungicidas, é preciso seguir rigorosamente as instruções da bula do produto em relação à: 

  • dosagem;
  • intervalo de segurança;
  • número;
  • época;
  • modo de aplicação. 

É importante deixar claro que exceder a dose recomendada pode provocar fitotoxicidade nas plantas, além de elevar os custos de produção.  Faça também a rotação de fungicidas com diferentes mecanismos de ação. Isso contribui para evitar a seleção de patógenos resistentes.

No momento da aplicação dos fungicidas, as condições meteorológicas devem ser respeitadas para evitar problemas com a deriva e para garantir a qualidade da pulverização. Os fatores climáticos que devem ser avaliados são: 

  • umidade relativa do ar; 
  • temperatura; 
  • velocidade e direção do vento.

Esses fatores influenciam no processo de chegada das gotas de pulverização até o alvo. A orientação é que as aplicações sejam feitas nas horas mais frescas do dia.  O sucesso no manejo de doenças do trigo também está relacionado à qualidade da aplicação dos fungicidas. 

Assim, é preciso utilizar técnicas e tecnologias de aplicação que irão garantir tamanho de gota ideal, boa cobertura e uniformidade de deposição.  Por se tratar de substâncias químicas perigosas, a adoção dessas medidas garante a segurança do aplicador e do meio ambiente

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Conclusão

Os fungicidas são substâncias empregadas no manejo de doenças provocadas por fungos, bactérias e algas. Na cultura do trigo, as principais doenças fúngicas podem ser controladas com fungicidas.

O manejo eficiente dessas doenças envolve o uso de fungicidas químicos, em especial os triazóis e as estrobilurinas, associado a outras medidas.

Tendo em vista a importância desse cereal, é fundamental estabelecer um plano de manejo fitossanitário que envolva a adoção de diferentes estratégias. Na dúvida, conte sempre com ajuda de uma pessoa profissional da agronomia.

Tem alguma dúvida quanto ao uso de fungicida para trigo? Se você conhece outros produtores que enfrentam problemas com doenças fúngicas na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo.

O que fazer em caso de deficiência de fósforo em milho?

Deficiência de fósforo em milho: quais são os sintomas da deficiência na cultura, como funciona o nutriente no solo e como acertar na adubação fosfatada no milho

O fósforo é um macro nutriente indispensável para o desenvolvimento da lavoura de milho.  Apesar de não ser exigido em grandes quantidades pela cultura do milho, a deficiência de fósforo compromete a qualidade do produto final e o rendimento de grãos.

Justamente por isso, saber identificar quando suas plantas precisam desse nutriente e como fazer uma boa adubação fosfatada é essencial.

Neste artigo, saiba como uma boa adubação do milho garante mais produtividade na sua lavoura e como agir corretamente em casos de carência de fósforo nas plantas. Boa leitura!

Sintomas de deficiência de fósforo nas plantas de milho

O principal sintoma de deficiência de fósforo no milho é a cor roxa ou avermelhada nas folhas. Além disso, os colmos do milho ficam improdutivos, finos e frágeis, e as espigas ficam pequenas e retorcidas. Esses sintomas aparecem quando as plantas são bem jovens.

O fósforo no milho é um nutriente essencial para a formação do sistema radicular. Além disso, ele participa da maturação das plantas e dos processos de formação das espigas e dos grãos. Ele está envolvido em vários processo metabólicos como a respiração e a fotossíntese

Esse elemento ainda contribui para conferir rigidez ao caule da planta. Isso reduz casos de tombamento das plantas e aumenta a resistência ao ataque de pragas no milho.  A carência de fósforo altera o crescimento das plantas, o que causa queda da produtividade.

Na cultura do milho, os sintomas de carência de fósforo nas plantas costumam se manifestar logo no início, quando as plantas ainda são jovens. Além disso, eles aparecem primeiro nas folhas mais velhas. Afinal, o fósforo se desloca das folhas mais velhas para as mais novas. 

Assim, as folhas mais velhas adquirem coloração verde intensa e arroxeada. As plantas deficientes em fósforo apresentam folhas mal formadas e de tamanho reduzido. A redução da área foliar interfere no rendimento final de grãos

Sintoma de deficiência de fósforo na folha do milho
Sintoma de deficiência de fósforo na folha do milho 
(Fonte: Plantwise Plus)

Em lavouras com deficiência nutricional do milho, ocorre atraso no crescimento e redução do porte das plantas. Além disso, a maturidade do milho fica atrasada, os colmos se tornam finos e frágeis, e em alguns casos, as plantas podem não apresentar espiga

Já as espigas têm grãos pouco desenvolvidos, são pequenas e retorcidas. Por fim, as plantas tendem a apresentar um sistema radicular mais superficial. Isso ocorre pois a deficiência de fósforo prejudica o desenvolvimento das raízes.

Plantas de milho com sintomas de deficiência de fósforo
Plantas de milho com sintomas de deficiência de fósforo
(Fonte: Universidade de Minnesota)

Como funciona a disponibilidade do fósforo no solo?

Os solos brasileiros possuem baixo teor de fósforo disponível para as plantas. A deficiência  nutricional do milho está relacionada ao pH ácido e à presença de minerais como o ferro e o alumínio.

Diante disso, a correção da acidez do solo favorece o desenvolvimento das raízes, a absorção de nutrientes e o crescimento do milho. A calagem é uma prática que neutraliza o alumínio do solo e fornece cálcio e magnésio para as plantas. 

No entanto, ela também contribui para aumentar a disponibilidade e a absorção de fósforo e outros nutrientes. Além de aumentar a eficiência dos adubos fosfatados, a calagem contribui para a economia de fósforo. 

Outro fator que também influencia na disponibilidade do fósforo é o teor de matéria orgânica do solo. A matéria orgânica fornece fósforo para as plantas e também reduz a adsorção desse elemento.

Quando e como aplicar os adubos fosfatados?

Geralmente, o fósforo é fornecido apenas na adubação de semeadura do milho, pois a maior demanda por esse nutriente ocorre na fase vegetativa. Nessa fase, o fósforo é fundamental para a formação e para o crescimento do sistema radicular nas plantas

A adubação fosfatada pode ser realizada de duas formas: em área total a lanço ou durante a semeadura no sulco de plantio. A escolha do método para a aplicação dos adubos depende de uma série de fatores e deve considerar a realidade de cada lavoura.

Do ponto de vista operacional, a adubação em área total garante maior eficiência no momento da semeadura. Isso é um fator muito importante quando se trabalha com estreitas janelas de plantio.

Esse método favorece as plantas daninhas no milho, justamente pela distribuição uniforme do fertilizante na área. A adubação em área total também limita a distribuição vertical do fósforo no perfil do solo, por causa da baixa mobilidade desse elemento.

Já na adubação localizada no momento da semeadura, o fertilizante é depositado abaixo e um pouco ao lado da semente da cultura. Isso favorece o desenvolvimento das raízes das plantas de milho e diminui a competição pelo fósforo com as espécies invasoras. 

calcule a adubação da cultura do milho

Quanto de fósforo aplicar em casos de deficiência no milho?

De modo geral, para a cultura do milho, devem ser aplicados de 100 kg a 120 kg de fósforo. No entanto, vale lembrar que a quantidade exata depende do tipo de solo da sua fazenda e da produtividade esperada para sua lavoura.

Quando comparado a macro nutrientes como nitrogênio e potássio no milho, o fósforo não é exigido em grandes quantidades pelo milho. Apesar disso, é comum a recomendação de altas doses de adubos fosfatados. 

As doses de fósforo aplicadas devem ser superiores àquelas exigidas pelas plantas. Afinal, uma fração do fósforo é fixada pelas argilas e não fica disponível para as plantas, reduzindo a eficiência da adubação.

A quantidade de adubo fosfatado a ser aplicada é determinada pelas características do solo e pela produtividade esperada. Por isso, é preciso que seja feita a análise físico-química do solo.  Somente a partir dela é possível definir a quantidade adequada de nutrientes. 

Na posse do resultado da análise do solo e com a ajuda da tabela abaixo, é possível determinar a classe de disponibilidade do fósforo, que varia em função do teor de argila.

Nas tabelas a seguir, você pode conferir a recomendação de adubação a ser realizada na linha de plantio para milho grão. Essa recomendação tem como referência a disponibilidade de fósforo e o rendimento esperado. Veja também como interpretar as classes de disponibilidade:

Identificação das classes de disponibilidade de fósforo e recomendação de adubação para milho destinado à produção de grãos com base nos resultados das análises de solo e na produtividade esperada
(Fonte: Embrapa)

Conclusão

A deficiência nutricional do milho é um fator de atenção, sobretudo se o nutriente for o fósforo. O fornecimento desse nutriente via adubação é indispensável, considerando a baixa fertilidade natural dos solos brasileiros.

Os sintomas da deficiência de fósforo na cultura do milho são visíveis em plantas jovens e nas folhas mais velhas. Atraso no crescimento do milho e colmos finos são apenas alguns dos sintomas da falta de fósforo

A calagem e a adubação fosfatada são importantes ferramentas na manutenção da produtividade a longo prazo. Em caso de dúvidas sobre a adubação com esse nutriente, não deixe de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já teve problemas com a deficiência de fósforo no milho? Se você conhece outros produtores de milho que estão em momento de adubação, não deixe de compartilhar esse artigo com eles.

Saiba como manejar a cercosporiose no milho

Cercosporiose no milho: o que causa, quais são os sintomas, como ocorre a disseminação e quais são as estratégias de controle dessa doença

A cercosporiose, causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, é uma das principais doenças da cultura do milho. Ela também é conhecida como mancha foliar de cercospora e mancha cinzenta, e causa tantos danos quanto a helmintosporiose e a mancha-branca no milho.

Além de estar presente em todas as regiões produtoras do grão no país, essa doença interfere na produtividade do milho por hectare. Quando a infecção acontece muito cedo, há formação de grande quantidade de lesões foliares, o que aumenta ainda mais os danos.

Geralmente, as lesões causadas pela cercosporiose cobrem a parte aérea da planta, responsável pela fotossíntese. Nesses casos, há perda de água pela planta e também a deterioração do colmo, além de acamamento da cultura. 

Neste artigo, saiba como identificar a cercosporiose do milho e como se prevenir dos danos causados. Além disso, veja como manejar a doença para garantir menos perdas. Confira!

Quais são os sintomas da cercosporiose do milho?

A cercosporiose no milho possui vários sintomas fáceis de identificar. Os primeiros aparecem nas folhas inferiores. Conforme a doença avança, eles também são visíveis na parte superior das plantas. Geralmente, eles aparecem próximo ao período do florescimento.

Os sintomas dessa doença são lesões estreitas, retangulares e delimitadas pelas nervuras das folhas. Isso quer dizer que essas manchas se desenvolvem paralelas às nervuras.  Dependendo da situação, essas manchas podem apresentar bordas irregulares e indefinidas.

Lesões de cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) em folhas de milho
Lesões de cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) em folhas de milho  
(Fonte: Crop Protection)

As lesões jovens de cercosporiose tem cor amarelada e podem estar circundadas por um halo aquoso. Esse halo pode ser observado colocando a folha contra a luz. Com o desenvolvimento da doença, essas lesões tornam-se necróticas, com cor marrom, e aumentam de tamanho.

Sob alta umidade do ar, as manchas foliares adquirem coloração acinzentada

A cercosporiose reduz a área fotossintetizante das plantas de milho. Isso limita a produtividade da cultura por prejudicar a produção e o enchimento de grãos. Em severas infestações, as plantas de milho enfraquecem e têm seu desenvolvimento prejudicado. 

Como consequência, elas ficam vulneráveis ao ataque de outros fungos, como aqueles causadores de podridões do colmo. O ataque desses patógenos resulta no tombamento precoce das plantas da lavoura, além da morte prematura do milho. 

Sintomas de cercosporiose na palha da espiga
Sintomas de cercosporiose na palha da espiga 
(Fonte: Crop Protection Network)

Condições favoráveis para o fungo Cercospora zeae-maydis

A severidade da cercosporiose depende da suscetibilidade do milho híbrido e das condições ambientais. Tendo em vista os aspectos ambientais, a gravidade dessa doença é maior sob condições de elevada temperatura, alta umidade relativa do ar e pela presença de orvalho.

Temperaturas entre 25°C e 30°C e umidade acima de 90% contribuem para que a cercosporiose se estabeleça. Em condições favoráveis, o fungo presente nos restos culturais produz esporos. 

Esses esporos são transportados pelo vento e respingos da chuva e infectam novas plantas. Até o momento, não há informações de que ele seja transmitido por sementes. 

Ciclo da cercosporiose na cultura do milho
(Fonte: Traduzido de Universidade Estadual de Ohio)

Como manejar essa e outras doenças foliares do milho?

No manejo de qualquer doença é importante adotar um conjunto de práticas que irão prevenir e reduzir o desenvolvimento de doenças na área. Essas práticas são conhecidas como MID (Manejo Integrado de Doenças).

Abaixo, veja quais medidas são recomendadas para o controle da cercosporiose e de outras doenças foliares do milho. Confira:

Controle genético

O principal método utilizado no manejo da cercosporiose é o plantio de híbridos de milho resistentes. A resistência genética é uma técnica eficiente, econômica e segura no controle dessa doença.

Ou seja, é uma medida de controle que começa no planejamento de safra, antes mesmo do plantio. Se a sua lavoura já teve incidência dessa doença, a escolha de um híbrido resistente é ainda mais necessária.

Controle cultural

A rotação de cultura é um recurso indicado para o controle da cercosporiose, tendo em vista que o milho é o único hospedeiro do fungo Cercospora zeae-maydis. Assim, a rotação com girassol e com soja são muito recomendadas. 

Além disso, como o fungo sobrevive nos restos culturais, é importante evitar o plantio sucessivo de milho em um mesmo local. Em áreas onde a doença se manifestou de forma severa, a destruição dos restos culturais é uma alternativa para evitar o aumento do fungo. 

Também é interessante diversificar o material genético cultivado. Isso é realizado pelo plantio de híbridos de milho diferentes, ou seja, com níveis de resistência distintos, que irão dificultar a adaptação do fungo. 

Em lavouras com histórico da doença, a recomendação é evitar altas densidades de plantio. Espaçamentos entre plantas e linhas adensados criam um microclima favorável ao desenvolvimento do fungo.

A adubação do milho é outro ponto que deve ser considerado no manejo de doenças. Em caso de desequilíbrio nutricional, seja por carência ou excesso de algum elemento, as plantas ficam mais sensíveis ao ataque de pragas e doenças.

Fornecer os nutrientes na quantidade e no momento certo garante plantas saudáveis. Para isso, é importante que as adubações sejam sempre orientadas pela análise de solo

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Controle químico: qual o melhor fungicida para cercospora?

O controle químico também é uma alternativa para o manejo da cercosporiose em lavouras de milho. No entanto, é preciso avaliar os custos envolvidos na aplicação dos fungicidas. Uma boa estratégia de controle deve ser viável do ponto de vista técnico e econômico.

No manejo químico é importante sempre seguir as orientações da bula do produto quanto a dosagem, modo e época de aplicação. A seguir, você pode conferir todos as moléculas fungicidas com registro no Mapa para o controle da cercosporiose na cultura do milho

  • azoxistrobina
  • azoxistrobina + benzovindiflupyr + difenoconazol
  • azoxistrobina + ciproconazol
  • azoxistrobina + ciproconazol + mancozebe
  • azoxistrobina + difenoconazol
  • azoxistrobina + epoxiconazol
  • azoxistrobina + flutriafol
  • azoxistrobina + flutriafol
  • azoxistrobina + mancozebe
  • azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol
  • azoxistrobina + tebuconazol
  • azoxistrobina + tetraconazol
  • bixafem + protioconazol + trifloxistrobina
  • ciproconazol + picoxistrobina
  • ciproconazol + trifloxistrobina
  • clorotalonil + tebuconazol
  • difenoconazol + impirfluxam + picoxistrobina
  • difenoconazol + pidiflumetofen
  • difenoconazol
  • epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina
  • epoxiconazol + piraclostrobina
  • fluazinam + tiofanato-metílico
  • fluxapiroxade + mefentrifluconazol + piraclostrobina
  • mancozebe + picoxistrobina + tebuconazol
  • mefentrifluconazol + piraclostrobina
  • metominostrobin + tebuconazol
  • pidiflumetofen
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • tebuconazol + trifloxistrobina
  • tebuconazol
  • tetraconazol.

Conclusão

A cercosporiose causa uma série de danos na cultura do milho, e em muitos casos pode reduzir drasticamente a produtividade. Altas temperaturas e umidade relativa do ar elevada favorecem o desenvolvimento da cercosporiose.

Por isso, se você desconfia da presença da doença na lavoura, não pense duas vezes antes de começar o manejo integrado.  Você pode utilizar híbridos resistentes, rotação de culturas, evitar plantios adensados, adubação equilibrada e a aplicação de fungicidas. 

Na dúvida de qual método utilizar, não deixe de consultar um(a) profissional da agronomia.

Você já teve problemas com a cercosporiose no milho? Se você conhece outros produtores que também lidam com a doença na lavoura, compartilhe esse artigo com eles.

Veja como adotar práticas de tecnologia e sustentabilidade no campo na sua fazenda

Agricultura sustentável: qual a sua importância, quais são as práticas que devem ser implementadas e como a tecnologia te ajuda nesse processo.

Nos últimos anos, o modelo convencional de agricultura tem sido alvo de duras críticas em razão dos danos ambientais e sociais. Diante disso, tem crescido a busca por modelos de exploração agrícola mais sustentáveis. 

É fundamental usar recursos naturais de forma mais racional, mantendo a capacidade produtiva a longo prazo. 

Para conseguir dar conta da produção de alimentos e sustentabilidade no campo, ao mesmo tempo, é preciso ficar por dentro das melhores práticas.

Neste artigo, saiba mais sobre o que é e como implementar práticas de sustentabilidade na agricultura na sua fazenda. Confira a seguir. Boa leitura!

O que é sustentabilidade no agronegócio?

A sustentabilidade no campo é um conceito que precisa estar sempre presente no cotidiano de quem produz. Assim, é possível unir produtividade das culturas com conservação ambiental. Isso garante que as empresas rurais atendam a demanda de alimentos sem danos à natureza. 

Afinal, um dos grandes desafios das próximas décadas se refere à produção de alimentos, fibras e energia em quantidade suficiente para a população. Esta, por sua vez, cresce de forma exponencial. 

Tendo em vista a finitude dos recursos naturais, é urgente a necessidade de repensar o modo de consumo e o modelo de agricultura atual. Somente assim será possível propor soluções que garantam a sustentabilidade no campo. 

Na agricultura, a sustentabilidade é fundamentada na valorização dos recursos internos dos sistemas agrícolas produtivos. 

A sustentabilidade se baseia em três pilares: econômico, social e ambiental. Em outras palavras, uma atividade sustentável deve ser economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta.

Portanto, o desenvolvimento sustentável pode ser entendido como a busca por atender as necessidades do presente. Tudo isso, é claro, sem comprometer as necessidades das futuras gerações.

Tripé da sustentabilidade
(Fonte: Adaptação dos três pilares de Elkington, 1997)

Agricultura convencional x agricultura sustentável

A diferença básica entre o modelo de agricultura convencional e a sustentável é o fato de a agricultura sustentável se aproximar da realidade. Afinal, ela é multidisciplinar.

Enquanto isso, o modo de produção convencional valoriza a universalidade e a transferência de pacotes tecnológicos. Como resultado, tem-se maior desperdício de água, poluição do ambiente, degradação do solo, além de acentuar as desigualdades sociais.

Assim, fica claro que a agricultura sustentável é o único caminho viável para o futuro. É bom lembrar que ela também tem o objetivo de atender a demanda de alimentos, fibras, biocombustíveis, produtos madeireiros e não-madeireiros.

Ao mesmo tempo, na agricultura sustentável tem-se o uso racional dos recursos, o que contribui para a preservação do meio ambiente

Além da preocupação ambiental, a agricultura sustentável busca proporcionar boas condições de trabalho para todos os envolvidos no processo e aumentar a produtividade.

Importância da sustentabilidade no agronegócio

A palavra “sustentabilidade” tem sido bastante utilizada em diferentes setores. Na agricultura, a adoção de práticas sustentáveis garante a manutenção dos recursos naturais e da produtividade agrícola a longo prazo. 

Além disso, reduz os impactos adversos no meio ambiente e favorece a biodiversidade. A agricultura sustentável promove a conservação do solo, da água e dos recursos genéticos animais e vegetais.

O uso de ações sustentáveis também pode agregar valor aos produtos agropecuários brasileiros no mercado interno e externo. E assim, remunerar adequadamente os trabalhadores rurais. Essas práticas otimizam a produção agrícola com o mínimo de insumos químicos.

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Quais são as práticas sustentáveis no campo?

Com o aumento da preocupação ambiental, tem crescido também o interesse por práticas agrícolas que atendam os requisitos de sustentabilidade. Isso pode ser feito de forma total ou parcial. Confira algumas práticas que garantem maior sustentabilidade das atividades:

Para garantir a sustentabilidade do agronegócio, é fundamental adotar diferentes técnicas de manejo, aliadas às inovações tecnológicas. Somente assim é possível minimizar impactos ambientais e sociais, além de melhorar a eficiência de uso dos insumos e evitar o desperdício.

As inovações tecnológicas voltadas para o agronegócio têm contribuído muito para o desenvolvimento sustentável no campo. A transformação digital da agricultura possibilitou melhorar a gestão dos recursos e aumentar a produtividade. 

A transformação digital engloba uma série de tecnologias e conceitos que devem ser postos em prática. Confira algumas delas a seguir. 

Digitalização, internet das coisas e computação em nuvem

A internet das coisas e a computação em nuvem possibilitam o acesso de informações, arquivos e serviços pela internet. De qualquer lugar, é possível acessar dados e ferramentas sem a necessidade de instalação de programas e com atualização em tempo real.

A computação em nuvem promove a redução de custos e economia de espaço, uma vez que o armazenamento é todo virtual. Além disso, o armazenamento de dados na nuvem facilita o acesso por toda a equipe de trabalho envolvida. 

O uso dessas ferramentas, pouco a pouco, ajuda a construir uma agricultura cada vez mais digital. Uma agricultura mais moderna possui inúmeras vantagens, como diminuição dos seus custos e também da sua carga de trabalho. 

Ainda tem dúvidas de como a tecnologia pode te ajudar a tornar seu negócio rural mais sustentável? Separamos para você um guia completo e gratuito, com todas as informações necessárias.

Biotecnologia e bioinformática 

São duas importantes tecnologias que garantem diversos avanços na produção animal e vegetal.  A partir delas, é possível integrar e analisar um grande volume de informações. 

Assim, é possível compreender os mecanismos biológicos e realizar análises em diferentes níveis de complexidade, criando uma extensa rede de informações.

Zoneamento agrícola de risco climático (Zarc)

O zoneamento agrícola é uma ferramenta de gestão de riscos na agricultura. Ele fornece os períodos de semeadura com menor risco climático e também os municípios com condições climáticas favoráveis para o cultivo de determinada cultura.

As informações do Zarc podem ser acessadas de três modos: aplicativo Zarc – Plantio Certo; Painel de Indicação de Riscos e Portarias de Zarc por Estado.

Agricultura de precisão e tecnologia de aplicação

Trata-se de um conjunto de tecnologias que possibilita a coleta e análise de dados, como o teor de umidade do solo, clima e características das plantas.

No meio rural, a digitalização dos dados tem contribuído para assegurar maior controle em todas as etapas da cadeia produtiva. Assim, a agricultura de precisão aumenta a eficiência no uso dos recursos e na redução dos custos.

A tecnologia de aplicação em taxa variável é uma ferramenta da agricultura de precisão que possibilita variar a taxa de insumos em diferentes pontos da área. Dessa forma, os insumos são aplicados somente quando necessário, na dosagem requerida e no momento adequado. 

Inteligência artificial

Hoje em dia, é cada vez mais comum o uso de inteligência artificial, softwares, drones e VANTs (os veículos aéreos não tripulados). Eles são usados no monitoramento de áreas e até mesmo na aplicação de defensivos agrícolas.

Nesse sentido, os benefícios da tecnologia na agricultura e no desenvolvimento sustentável no campo são indiscutíveis. No entanto, é preciso deixar claro que a adoção de determinadas tecnologias exige significativos investimentos. 

Isso acaba não sendo acessível para uma grande parcela de produtores rurais, principalmente, os pequenos. Assim, a adoção de tecnologias pode variar conforme o contexto geográfico e socioeconômico.

Conclusão

A sustentabilidade garante que as necessidades do presente e das gerações futuras sejam atendidas. Ela se baseia em três pilares: ambiental, econômico e social.

Uma atividade sustentável se preocupa com as condições de trabalho e a remuneração dos colaboradores, além de preservar o meio ambiente. Ainda, é claro, a sustentabilidade no campo ajuda a reduzir os impactos ambientais e agregar valor aos produtos agropecuários.

A inovação e a tecnologia têm contribuído muito para o desenvolvimento sustentável no campo. Porém, aderir às inovações tecnológicas demanda significativos investimentos, então procure organizar as suas finanças e avaliar quais das tecnologias se aplicam à sua realidade.

Você já conhecia essas práticas de sustentabilidade no campo? Se quer ficar sempre por dentro das novidades do agronegócio, não deixe de assinar nossa newsletter.