Glifosato: tudo o que você precisa saber do herbicida mais utilizado no mundo

Os herbicidas à base de glifosato têm importante papel na agricultura. Não é à toa que eles são os mais utilizados no Brasil e no mundo no manejo das plantas daninhas

Isso se deu principalmente após o desenvolvimento de culturas resistentes aos herbicidas. Além disso, o glifosato viabilizou o crescimento das áreas com sistema de plantio direto.

Confira no texto a seguir um pouco mais sobre o herbicida mais utilizado no controle de espécies invasoras. Boa leitura!

O que é glifosato?

O glifosato é uma substância química que é ingrediente ativo de vários herbicidas e defensivos agrícolas utilizados no controle de plantas daninhas. Composto por organofosforado, existem mais de 750 agroquímicos que a utilizam. 

A substância não afeta sementes no solo e é muito usada na agricultura para controlar plantas daninhas anuais, perenes e aquáticas

Aplicado em pós-emergência, é um herbicida sistêmico, não seletivo e com alta translocação, atingindo diferentes estágios das espécies-alvo.

Sua ação ocorre via pulverização, sendo absorvido pelas folhas e distribuído por toda a planta, onde interfere em sistemas enzimáticos. Após a aplicação, as plantas daninhas morrem lentamente, com efeitos visíveis em dias ou semanas.

Herbicida sistêmico: Como funcionam?

Os herbicidas podem ser classificados de acordo com a sua translocação na planta. Assim, podem ser de contato ou sistêmicos.

Os herbicidas de contato agem no local de absorção, sem se mover internamente. Exemplos incluem diquat, paraquat e lactofen.

Já os sistêmicos se deslocam pelo xilema, floema ou ambos, atingindo diferentes partes da planta. Com isso, os exemplos de herbicidas sistêmicos incluem:

  • Picloram;  
  • 2,4-D;
  • Glifosato;
  • Imazethapyr;
  • Flazasulfuron;
  • Nicosulfuron.

Como o glifosato funciona?

O glifosato é um herbicida sistêmico e não seletivo que atua inibindo a enzima 5-enolpiruvilshiquimato-3-fosfato sintase (EPSPs), essencial na rota do ácido chiquímico

Essa via metabólica é exclusiva de plantas, fungos e algumas bactérias, mas não existe em animais, o que explica sua toxicidade seletiva.

O seu mecanismo de ação funciona em 4 etapas, que são classificados como: 

  1. Absorção: É aplicado via pulverização e absorvido principalmente pelas folhas das plantas;
  2. Translocação: Após a absorção, se desloca pelo xilema e floema, alcançando diversas partes da planta, incluindo raízes e pontos de crescimento; 
  3. Interferência metabólica: Inibindo a enzima EPSPs, o glifosato impede a síntese de aminoácidos essenciais (fenilalanina, tirosina e triptofano), fundamentais para o crescimento e desenvolvimento vegetal;
  4. Efeito na planta: Sem esses aminoácidos, a planta não consegue produzir proteínas essenciais, levando à interrupção do crescimento, amarelecimento (clorose) e morte gradual em dias ou semanas.

O glifosato é eficaz contra ervas daninhas anuais, perenes e aquáticas, sendo uma das técnicas mais usadas no manejo agrícola, especialmente em culturas transgênicas resistentes ao glifosato, como soja, milho e algodão.

Como usar o glifosato corretamente?

Para usar o glifosato é preciso estar atento às condições ambientais, como a velocidade do vento, umidade relativa do ar, formação de orvalho e temperatura influenciam na eficiência da pulverização. 

Além disso, se chover nas primeiras 6 horas após a aplicação, o processo deve ser refeito. Outras condições também podem influenciar o controle de plantas daninhas, como:

  • Qualidade da água
  • Pressão do pulverizador
  • Uso de adjuvantes
  • Tipo de bico e tamanho da gota

Plantas daninhas jovens são mais fáceis de controlar do que adultas. O uso correto do herbicida exige seguir as instruções do rótulo e da bula, além do uso de EPI para segurança. 

Após a aplicação, limpe o pulverizador e descarte as embalagens corretamente. Em caso de dúvidas, consulte a NR-31 ou um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Quanto ao número de aplicações, na maioria dos casos, uma basta para controlar plantas daninhas. Mas, algumas espécies, como a tiririca (Cyperus rotundus), exigem pulverizações repetidas devido à sua rede de tubérculos.

Após a aplicação, os principais sintomas incluem amarelecimento, murcha e necrose, levando à morte da planta em dias ou semanas, dependendo de fatores como:

  • Espécie-alvo;
  • Estágio de desenvolvimento;
  • Dosagem do herbicida.
Guia para manejo de plantas daninhas

Reavaliação toxicológica do herbicida sistêmico glifosato

Muito tem sido discutido sobre o impacto que agrotóxicos podem causar ao meio ambiente, à saúde humana e dos animais. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) realizou a reclassificação toxicológica de alguns defensivos agrícolas recentemente.

A reavaliação concluiu pela manutenção do glifosato no Brasil. Não há evidências suficientes para considerar esse ingrediente ativo como sendo mutagênico, nem com potencial de causar câncer em seres humanos e animais.

Conclusões internacionais e da Anvisa sobre a carcinogenicidade do glifosato
Conclusões internacionais e da Anvisa sobre a carcinogenicidade do glifosato
(Fonte: Anvisa)

Em quais situações o glifosato pode ser utilizado?

Os produtos à base de glifosato tem seu uso aprovado em determinadas culturas e situações. Em pós-emergência das plantas daninhas, por exemplo, o glifosato pode ser utilizado para: 

O glifosato também pode ser utilizado como maturador na cultura da cana-de-açúcar, promovendo a uniformização da maturação, o aumento da concentração de sacarose nos colmos e a melhoria da qualidade da colheita.

Além disso, é empregado para eliminação de soqueira no cultivo de arroz e cana-de-açúcar, no pós-emergência de plantas invasoras em florestas de eucalipto e pinus, e no controle da rebrota do eucalipto.

O glifosato atua reduzindo o crescimento vegetativo da planta, redirecionando os nutrientes para o acúmulo de açúcar. Esse efeito é especialmente útil em períodos chuvosos ou quando a cana ainda não atingiu o ponto ideal de maturação.

No entanto, o controle químico com glifosato deve ser complementado com outras práticas de manejo para garantir eficiência e sustentabilidade. Confira algumas estratégias para o manejo integrado de plantas daninhas:

Gráfico que mostra como fazer o manejo de plantas daninhas com glifosato
Técnicas do manejo integrado de daninhas
(Fonte: Febrapdp)

Quais plantas são resistentes ao glifosato?

Algumas plantas daninhas desenvolveram resistência ao glifosato devido ao uso contínuo e repetitivo desse herbicida ao longo dos anos. 

Essa resistência ocorre por mutações genéticas ou mecanismos que impedem a ação do produto na planta. Confira a seguir quais plantas podem ter essa modificação:

  • Burruchaga (Sorghum halepense);
  • Capim-amargoso (Digitaria insularis);
  • Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica);
  • Buva (Conyza spp.);
  • Caruru (Amaranthus spp.);
  • Nabo-bravo (Raphanus raphanistrum);
  • Leiteiro (Euphorbia heterophylla).

A resistência pode ser uma consequência do uso excessivo do glifosato sem rotação de herbicidas, da aplicação em doses abaixo do recomendado ou da ausência de manejo integrado, como uso de outros métodos de controle (rotação de culturas, cobertura vegetal e herbicidas com diferentes mecanismos de ação).

Qual o tipo de mato que o glifosato mata?

O glifosato é eficaz principalmente contra plantas dicotiledôneas (plantas com duas folhas iniciais) e monocotiledôneas (plantas com uma folha inicial), sendo bastante útil para o controle de diversas espécies de plantas invasoras.

Isso significa que o glifosato pode matar mato como: Plantas dicotiledôneas, plantas monocotiledôneas, plantas perenes e plantas aquáticas.  

O glifosato não pode matar qualquer planta que entre em contato com ele, seja planta daninha ou cultura desejada. 

A aplicação deve ser cuidadosa para evitar danos às culturas agrícolas, já que a eficácia pode variar dependendo do estágio de crescimento da planta e das condições ambientais.

Como aplicar um herbicida sistêmico? 

A aplicação de um herbicida sistêmico, como o glifosato, é diferente da aplicação de um herbicida de contato

Enquanto os de contato precisam cobrir bem a superfície foliar para serem eficazes, os sistêmicos são absorvidos pelas folhas e raízes e transportados internamente até seu local de ação.

Isso significa que os herbicidas sistêmicos não exigem cobertura total das folhas e permitem o uso de gotas maiores na pulverização. No entanto, após a aplicação, é necessário um tempo para que sejam absorvidos e translocados dentro da planta.

Como os herbicidas se movem na planta?

Os herbicidas podem ser aplicados de diferentes formas, cada uma com um mecanismo de transporte:

  • Aplicação no solo: Absorvidos pelas raízes e transportados pelo xilema até as folhas;
  • Aplicação nas folhas (sistêmicos, como o glifosato: Se movimentam pelo floema, alcançando regiões de crescimento.
  • Aplicação nas folhas (contato): Não são translocados, agindo no local onde foram absorvidos.

Os herbicidas podem se deslocar na planta por meio do apoplasto (canais entre células), do simplasto (interior das células) ou de ambos (movimento apossimplástico).

No caso do glifosato, ele é absorvido principalmente pelas folhas e transportado via floema para pontos de crescimento, interferindo na síntese de aminoácidos essenciais e levando à morte da planta. 

Por isso, sua aplicação deve ser bem planejada para garantir máxima absorção e eficiência no controle das ervas daninhas.

O que acontece quando o herbicida precisa percorrer uma longa distância na planta?

Após a absorção pelas folhas, o herbicida deve atravessar a cutícula e chegar ao xilema e floema, responsáveis por transportá-lo dentro da planta.

  • Se for absorvido pelas raízes, o herbicida se move pelo xilema, seguindo o fluxo natural da água até as folhas. Esse movimento ocorre devido às diferenças de pressão geradas pela transpiração da planta.
  • Se for absorvido pelas folhas, ele pode ser transportado pelo floema até regiões de crescimento ativo.

Agora, pense no que acontece quando a planta está sob estresse hídrico. Com pouca água disponível, os estômatos se fecham, reduzindo a transpiração e, consequentemente, o fluxo no xilema. Isso dificulta a movimentação do herbicida e reduz sua eficácia.

Por isso, muitos produtos trazem na bula a recomendação de não aplicar o herbicida quando a planta estiver estressada, garantindo assim melhor absorção e translocação do produto.

Por que o glifosato é tão usado na agricultura?

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados na agricultura pela eficiência, versatilidade e baixo custo de aplicação

Por ser um herbicida sistêmico não seletivo, é absorvido pelas plantas e se distribui por toda a sua estrutura, atuando diretamente em suas funções vitais. 

O seu diferencial é inibir uma enzima chamada EPSPS, essencial para a síntese de aminoácidos que as plantas necessitam para o crescimento e desenvolvimento, impedindo que as plantas realizem processos metabólicos importantes, levando à sua morte.

Além disso, acaba sendo uma alternativa viável pela eficiência e produtividade das operações agrícolas, capaz de oferecer: 

1. Ação sistêmica

O glifosato é um herbicida sistêmico, o que significa que, uma vez absorvido pelas plantas, ele se espalha por todo o sistema da planta (inclusive raízes), atacando as funções vitais e levando à morte da planta. 

Isso é especialmente útil no controle de plantas daninhas perenes, que têm sistemas radiculares extensos.

2. Amplo espectro de controle

Por ser eficaz contra uma grande variedade de plantas daninhas, tanto anuais quanto perenes, é capaz de controlar muitas espécies que dificultam o cultivo de culturas agrícolas. 

Além disso, o glifosato tem aplicação eficaz em pastagens, florestas comerciais e outros ecossistemas.

3. Compatibilidade com o manejo de culturas transgênicas

O glifosato é amplamente utilizado em culturas geneticamente modificadas (GMOs), como soja, milho e algodão resistentes ao glifosato (conhecidas como culturas RR). 

Isso permite o uso do herbicida para controlar plantas daninhas sem prejudicar a cultura principal, pois a planta transgênica tolera o produto, mas as daninhas não.

Manejo integrado da lavoura: como ele pode impulsionar sua produtividade

4. Facilidade de aplicação

O glifosato é fácil de aplicar, seja por pulverização aérea ou terrestre, em qualquer estágio do crescimento das plantas.

Uma outra vantagem do produto, é que pode ser aplicado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas, proporcionando flexibilidade ao agricultor.

5. Baixa toxicidade para animais e humanos 

Quando aplicado corretamente, o glifosato tem baixo risco de toxicidade para seres humanos, animais e o meio ambiente em comparação com outros herbicidas, tornando-o uma escolha segura para uso generalizado. 

Mesmo assim, como qualquer produto químico, ele deve ser manuseado com cuidado e de acordo com as instruções.

Todos esses fatores fazem do glifosato uma ferramenta essencial para o manejo de plantas daninhas na agricultura moderna, facilitando a produção agrícola de forma eficiente, econômica e sustentável quando usado de forma responsável.

Vantagens e desvantagens do uso do glifosato

Antes de utilizar qualquer defensivo agrícola é preciso conhecer suas características e também considerar suas vantagens e desvantagens. Quando comparado a outros herbicidas, o glifosato apresenta algumas vantagens, como: 

  • Baixo custo;
  • Fácil aplicação;
  • Flexibilidade de uso;
  • Amplo espectro de ação, ou seja, controla diversas espécies invasoras;
  • Rapidamente degradado no solo.

Apesar disso, o glifosato é uma molécula que não atua sobre o banco de sementes. Isso pode ser considerado uma desvantagem desse herbicida.  

Vale ressaltar que qualquer herbicida utilizado de forma equivocada pode levar à seleção de biótipos de plantas resistentes. 

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Tudo o que você precisa saber sobre o amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla)

Amendoim-bravo: conheça as características dessa planta daninha, como ocorre a propagação, quais são os danos causados na cultura da soja e muito mais.

O amendoim-bravo, também conhecido como leiteiro, é uma espécie invasora de grande importância. Essa planta cresce rapidamente, possui ciclo curto e elevada produção de sementes. 

É considerada uma das principais plantas daninhas em lavouras de soja transgênica. Ela está presente em todo território brasiliero e afeta culturas anuais e perenes. 

Conhecer suas características e as melhores táticas de manejo de plantas daninhas é fundamental para evitar danos na cultura.

Neste artigo, saiba como identificar o leiteiro e conheça táticas culturais, mecânicas, preventivas e químicas para livrar sua lavoura dele. Boa leitura!

Características do amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)

O amendoim-bravo ou leiteiro (planta cujo nome científico é Euphorbia heterophylla) é uma planta daninha herbácea e que tem ciclo de vida anual. Popularmente, ela também é conhecida como leiteira, flor-de-poeta e café-do-diabo.

Essa planta libera uma substância leitosa ao sofrer algum tipo de injúria, o que justifica seu nome. A secreção de látex é uma característica das espécies da família Euphorbiaceae

Amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Embrapa)

O caule é ereto e cilíndrico, podendo ser simples ou ramificado. A cor da base varia do verde ao vermelho. O amendoim-bravo pode atingir até 80 cm de altura. A inflorescência é do tipo ciátio. Várias flores masculinas estão dispostas ao redor de uma única flor feminina. 

As folhas dessa planta daninha são simples e possuem formatos bastante variáveis. Essa característica é conhecida por heterofilia. Numa mesma planta há folhas com diferentes formas. Elas podem ser ovaladas, lanceoladas, elípticas, obovadas ou com formato de violino.

(Fonte: Embrapa)

Propagação do leiteiro (planta daninha)

A propagação do amendoim-bravo ou leiteiro ocorre por sementes. Quando o fruto atinge a maturação, as sementes são lançadas para longe da planta-mãe. As sementes são liberadas no ambiente pelo rompimento explosivo do fruto, o que facilita a sua disseminação.

Essa planta invasora tem a capacidade de produzir elevado número de sementes. Uma única planta produz aproximadamente 490 sementes. Essa característica aumenta o seu potencial de competição com outras espécies vegetais.

As sementes do amendoim-bravo têm formato ovalado irregular e coloração castanha. O tamanho varia de 2 mm a 3 mm de comprimento, por 2 mm a 2,5 mm de largura. 

As sementes podem preservar o poder germinativo por longos períodos. Além disso, elas apresentam alto potencial de germinação mesmo em maiores profundidades de solo. Temperaturas entre 25 °C e 35 °C favorecem a germinação do leiteiro.

Sementes de amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

Danos causados pela Euphorbia heterophylla cultura da soja

O leiteiro é uma planta bastante agressiva e que apresenta rápido crescimento inicial.  À medida que se desenvolve, ele forma uma densa cobertura sobre as plantas de soja. Como a soja tem o desenvolvimento mais lento, ela é sombreada pelo amendoim-bravo

O intenso sombreamento interfere negativamente no desenvolvimento das plantas de soja e na produtividade. A Euphorbia heterophylla compete com a cultura da soja por água, nutrientes, luz e espaço. Ela afeta a quantidade e a qualidade do produto colhido. 

Em culturas anuais, o amendoim-bravo reduz em até 60% a produção de grãos. A presença de plantas daninhas na colheita da soja pode dificultar fisicamente o processo. A alta infestação de invasoras compromete o funcionamento da colhedora e interfere na eficiência da atividade.

A presença do amendoim-bravo durante a colheita também eleva o teor de umidade dos grãos. Consequentemente, há maiores gastos com o beneficiamento da soja. Como o amendoim-bravo produz látex, isso contribui para que impurezas se fixem no material colhido. 

Ainda, o amendoim-bravo ainda pode ser hospedeiro das principais pragas da soja, como o percevejo-marrom (Euschistus heros) e a mosca-branca (Bemisia tabaci).

Essa planta daninha pode ser infectada pelo vírus do mosaico-anão (Euphorbia mosaic virus – EMV). A partir da planta infectada, o vírus é transmitido pela mosca-branca às plantas de soja. 

Por isso, o vírus do mosaico-anão em soja está associado à presença do leiteiro. Em lavouras onde há grande população de mosca-branca, a incidência dessa virose é maior.

Além disso, o leiteiro é considerado hospedeiro de nematoides (Meloidogyne incognita e Pratylenchus coffeae) e do fungo Diaporthe phaseolorum, causador do cancro da haste da soja.

Como fazer o controle do leiteiro (amendoim-bravo)

O amendoim-bravo é uma planta de difícil controle, que já apresentou resistência a herbicidas. Nesse sentido, é importante que o manejo dessa planta daninha integre diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico e químico.

Métodos preventivos

O manejo preventivo tem o objetivo de evitar que sementes de leiteiro e de outras daninhas sejam introduzidas na área cultivada.  Para isso, algumas medidas podem ser adotadas:

  • plantio da lavoura com sementes certificadas;
  • limpeza de máquinas e implementos agrícolas para evitar que torrões de terra contaminados com sementes de plantas daninhas sejam transportados de uma área infestada para outra;
  • controle das espécies invasoras não apenas na área cultivada, mas também nas estradas, carreadores e nas bordaduras das lavouras;
  • controle das daninhas no período da entressafra.

Métodos culturais

Dentre as práticas culturais que podem ser empregadas no manejo do leiteiro, temos:

  • rotação de culturas;
  • adubação equilibrada;
  • cobertura verde;
  • época de semeadura;
  • bom preparo de solo;
  • plantio de variedade/cultivar adaptada à região; 
  • variação no espaçamento e na densidade de plantas.

Métodos mecânicos

No manejo mecânico, as plantas daninhas podem ser eliminadas pelos seguintes métodos:

  • cultivo mecanizado; 
  • arranquio;
  • capina;
  • roçagem (manual ou mecânica).

Em lavouras cultivadas sob o sistema de plantio direto, a palhada tem impacto sobre a passagem de luz, temperatura e umidade do solo. Esse efeito físico exercido pela cobertura morta também contribui para o manejo das espécies invasoras

Método químico

O amendoim-bravo já apresentou resistência múltipla aos herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase, que são:

  • clorimuron-etil;
  • cloransulam-metil;
  • imazamox;
  • imazaquim;
  • imazethapyr.

Essa daninha também já manifestou resistência aos herbicidas inibidores da enzima protoporfirinogênio oxidase (Protox), que são:

  • acifluorfen;
  • diclosulam;
  • flumetsulam;
  • flumiclorac-pentyl;
  • fomesafen;
  • lactofen;
  • metsulfuron-methyl;
  • nicosulfuron;
  • saflufenacil.

Além disso, mais recentemente foram constatados biótipos dessa planta invasora resistente ao glifosato. No manejo do amendoim-bravo, é muito importante que o uso de herbicidas seja integrado a outros métodos de controle.

No controle químico, alguns cuidados devem ser adotados, como a rotação de produtos com mecanismos de ação diferentes. Também é importante seguir as orientações da bula dos produtos quanto à dosagem, modo e época de aplicação.

O sucesso da aplicação dos herbicidas ainda está relacionada ao estádio de desenvolvimento das plantas daninhas. Plantas jovens são mais fáceis de serem controladas do que plantas adultas.

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Conclusão

O amendoim-bravo ou leiteiro é uma planta daninha de difícil controle, ciclo curto. Ele já apresentou resistência a algumas moléculas herbicidas, dentre elas o glifosato. Uma planta de leiteiro é capaz de produzir cerca de 490 sementes

Na cultura da soja, essa planta daninha compete por recursos, promove o sombreamento, dificulta o processo de colheita e eleva os custos de produção. Além disso, ela pode ser hospedeira de pragas e doenças.

O manejo do amendoim-bravo deve ser realizado pela adoção de diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico e químico. Na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já teve problemas com o amendoim-bravo na sua lavoura? Me conte sua experiência.

Como livrar a lavoura da planta erva-de-passarinho

Erva-de-passarinho: saiba o que é, quais são as características, como ocorre a disseminação e como realizar o controle no cafeeiro.

As ervas-de-passarinho são um grupo das principais plantas daninhas encontradas em todo o mundo. A maioria das espécies está distribuída em regiões tropicais e subtropicais.

No Brasil, a maior diversidade da erva-de-passarinho está presente no Cerrado e na Amazônia. Essas plantas aparecem em áreas de floresta nativa e são fonte de alimento para as aves. 

Dependendo do contexto, elas são consideradas plantas daninhas. Afinal, se desenvolvem sobre espécies alimentícias de grande importância agronômica, como o café. 

Neste artigo, saiba como reconhecer essa planta daninha e quais as táticas de manejo mais eficazes. Boa leitura!

O que é erva-de-passarinho?

A erva-de-passarinho, também conhecida como visto, é uma planta trepadeira arbustiva, pertencente às famílias Loranthaceae e Santalaceae. Ela parasita árvores de grande porte e também culturas de grande interesse econômico, como o café. 

Essa planta daninha também é conhecida como:

  • passarinheira;
  • enxerto-de-passarinho;
  • tetipoteira;
  • visco;
  • visgo; 
  • esterco-de-jurema;
  • guirarepoti. 

Essas plantas crescem em galhos de espécies lenhosas. O nome erva-de-passarinho se deve ao fato de as sementes dessas plantas serem disseminadas por pássaros

As aves se alimentam dos frutos e liberam as sementes por regurgitação ou pelas fezes nos galhos das árvores. Ao cair sobre os troncos e galhos, as sementes se fixam através de uma substância viscosa e aderente. Ali elas germinam e a erva-de-passarinho se desenvolve.

Características da passarinheira

As plantas conhecidas por erva-de-passarinho parasitam uma ampla variedade de hospedeiros, como o café, citrus, umbu, goiaba, manga e também espécies madeireiras. 

Esse grupo de plantas também representa um grande problema para a arborização urbana. As ervas-de-passarinho são perenes e parcialmente parasitas. Elas realizam fotossíntese, mas dependem parcialmente de um hospedeiro para extrair água e nutrientes.

Uma característica desse grupo de plantas são as raízes sugadoras, também chamadas de haustórios. Elas penetram na planta hospedeira e estabelecem uma conexão com o xilema.

Dele, a erva-de-passarinho extrai a seiva bruta, substância composta por água e nutrientes.

erva de passarinho
Erva-de-passarinho parasitando tronco de árvore
(Fonte: Prefeitura Municipal de Curitiba, foto de Ricardo Almeida)

De modo geral, o caule das ervas-de-passarinho apresenta nós e entrenós bem definidos e os ramos são cilíndricos, comprimidos ou angulosos. As folhas são sempre verdes e a forma varia de acordo com a espécie

A inflorescência apresenta cores diversas e pode ser racemosa, terminal ou axilar, a depender da espécie da erva-de-passarinho. A polinização dessas plantas é feita por insetos, aves e pelo vento.

Os frutos têm cores variadas. Eles podem ser em formato de globos, ovais ou em formato de elipse. Confira abaixo as características de algumas espécies de ervas-de-passarinho. 

Foto de erva-de-passarinho em  árvores
Struthanthus vulgaris Mart. A – Hábito arbustivo na copa de álamo (Populus sp.); B – Detalhe de ramos e folhas; C – Flores; D – Frutos
(Fonte: Embrapa, 2005)

É comum que as ervas-de-passarinho sejam confundidas com algumas plantas epífitas. No entanto, é bom deixar claro que as espécies epífitas não causam danos diretos ao hospedeiro. 

Elas estabelecem uma relação de inquilinismo com a planta hospedeira. Isso quer dizer que as epífitas apenas utilizam o hospedeiro como apoio, sem retirar água e nutrientes. 

erva-de-passarinho em vários estágios de desenvolvimento
Struthanthus polyrhysus Mart. A – Hábito arbustivo na copa de tipuana (Tipuana tipu); B – Detalhe de ramos enovelados e folhas; C – Flores; D – Frutos
(Fonte: Embrapa, 2005)

Como controlar a erva-de-passarinho parasita?

As ervas-de-passarinho são bastante resistentes à erradicação. No cafeeiro, o controle se resume à poda dos troncos, galhos e ramos infestados por essas plantas. A poda deve ser feita abaixo da área parasitada.

No momento da poda das plantas de café, é importante ter bastante atenção. Qualquer parte restante das ervas-de-passarinho pode se recuperar e voltar a parasitar o cafeeiro.

O constante monitoramento da lavoura de café é fundamental para a identificação e o controle dessas plantas daninhas. Também é preciso monitorar as áreas próximas às lavouras para verificar a presença de ervas-de-passarinho parasitando outras espécies lenhosas.

O período de inverno é o mais indicado para a realização da poda de limpeza do cafeeiro. A poda para o controle das ervas-de-passarinho deve ser feita antes da frutificação. Isso reduz as fontes de sementes que poderiam ser disseminadas pelas aves e infestar o cafezal.

O trabalho de controle das ervas-de-passarinho é caro e leva bastante tempo para ser executado. É necessária muita mão de obra, o que eleva os custos de produção do café.

Infelizmente, ainda faltam estudos a respeito de outros métodos eficientes de controle das ervas-de-passarinho nas culturas agrícolas.

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Danos dessa planta daninha na cultura do café

À medida que a erva-de-passarinho se desenvolve sobre os galhos do cafeeiro, ela envolve e ocupa a copa da planta

Esse processo tem impacto direto na produção do grão de café. Isso ocorre pois a cobertura da copa reduz a fotossíntese, o que afeta o crescimento e a capacidade reprodutiva do cafeeiro.

Além disso, quando a erva-de-passarinho parasita a cultura, ela limita a quantidade de água e nutrientes para o café distribuídos para o restante da planta. A carência nutricional contribui para a redução do vigor das plantas.

Isso prejudica o crescimento, a produtividade do cafezal e a qualidade dos frutos. A presença da erva-de-passarinho também pode comprometer a arquitetura das plantas, pela deformidade do caule, e também causar a seca de folhas e ramos.

Plantas infestadas por essas daninhas são mais suscetíveis a estresses ambientais, assim como ao ataque de pragas e doenças do café. Dependendo do nível de infestação, pode ocorrer a morte das plantas.

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Conclusão

As ervas-de-passarinho são plantas trepadeiras que infestam espécies lenhosas de gêneros alimentícios, ornamentais e madeireiros.

A presença dessas plantas na lavoura provoca a redução da fotossíntese e do vigor das plantas de café. Elas também podem levar à seca dos ramos e galhos. 

Os danos causados pelas ervas-de-passarinho causam ainda a redução do crescimento, da produção e da qualidade dos frutos. Em casos severos de infestação, pode ocorrer a morte prematura do cafeeiro. 

Por enquanto não há pesquisas científicas suficientes para o controle dessa daninha. Por isso, a poda dos ramos parasitados é o único método indicado para o manejo da erva-de-passarinho.

Você já teve problemas com a erva-de-passarinho na sua lavoura de café? Tem alguma dúvida sobre esse assunto? Adoraria ler seu comentário.

Saiba como identificar e manejar a vassourinha-de-botão

Vassourinha-de-botão: conheça as características da planta daninha, os danos causados nas culturas, produtos indicados para controle e mais!

A vassourinha-de-botão pertence à família Rubiaceae, e é uma planta daninha nativa da América tropical. Ela infesta lavouras, pastagens, áreas degradadas e antropizadas.

No Brasil, essa espécie tem sido considerada uma das mais danosas plantas daninhas da soja, do milho e do algodão. Ela tem ganhado destaque por já haver relatos da ineficiência do uso do glifosato no seu controle.

Neste artigo, saiba como identificar essa invasora e fique por dentro das melhores formas de manejo. Boa leitura!

Características da vassourinha (planta daninha)

A vassourinha-de-botão (nome científico Spermacoce verticillata) é uma planta invasora de difícil controle, que ocorre em todo o território brasileiro. Popularmente, ela também é conhecida por: 

  • perpétua-do-mato;
  • poaia-botão;
  • poaia-rosário;
  • falsa-poaia;
  • vassourinha;
  • erva-botão;
  • cordão-de-frade.

A vassourinha-de-botão tem porte herbáceo e ciclo de vida anual ou perene. O caule dessa planta daninha é bastante ramificado. Seu hábito de crescimento é semiprostrado ou ereto. Ainda, ela pode atingir cerca de 80 centímetros de altura

As folhas não têm pecíolos ou são curtamente pecioladas. Elas são simples e têm formato linear-lanceolado

Planta daninha vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A inflorescência dessa espécie invasora é do tipo cimeira. Isso quer dizer que as flores estão dispostas muito próximas umas das outras, o que forma um aglomerado com aparência de globo. As flores da vassourinha têm coloração branca.

Na vassourinha-de-botão, as inflorescências estão localizadas nas axilas e na porção terminal dos ramos. Os frutos dessa invasora são do tipo cápsula.

Inflorescência da vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A raiz da vassourinha é pivotante e profunda. Trata-se de uma planta muito rústica, que consegue se desenvolver mesmo terrenos ácidos e com baixa fertilidade de solo. A propagação dessa espécie ocorre por sementes.

Além da sua importância na agricultura, a vassourinha-de-botão também é bastante utilizada na medicina tradicional, no tratamento de diversas doenças. Ela apresenta propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antimicrobianas.

Como identificar essa planta invasora?

A correta identificação das plantas daninhas é fundamental para que o manejo seja realizado com sucesso. A vassourinha-de-botão pode ser identificada visualmente com base nas suas características. Lembre-se de observar os seguintes aspectos ao fazer a avaliação visual:

  • crescimento semi-prostrado ou ereto;
  • folhas lisas
  • folhas simples com formato linear-lanceoladas; 
  • flores nas axilas da planta;
  • flores aglomeradas e em formato de globo, com cor branca; 
  • fruto tipo cápsulas;
  • sistema radicular pivotante.

Além dessas características, para saber se a planta daninha é a vassourinha-de-botão, veja se a última inflorescência está assentada sob brácteas pendentes. 

Outro aspecto que deve ser considerado é a disposição das folhas no ramo. Ainda, as folhas ficam inseridas na mesma altura, no mesmo nó, ao redor do eixo.

Folhas de vassourinha-de-botão
Folhas de vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
(Fonte: Atlas of Florida Plants)

A identificação visual pela planta adulta é mais fácil, quando comparada a uma planta jovem. No entanto, é importante destacar que o controle é mais eficiente quando realizado nos estádios iniciais do desenvolvimento das espécies invasoras. 

Danos causados pela Spermacoce verticillata

A presença da vassourinha-de-botão interfere negativamente no desenvolvimento das espécies cultivadas. A competição por recursos (água, luz, espaço e nutrientes) reduz o crescimento das plantas, diminui a produtividade e interfere na qualidade do produto final

Além disso, a presença de espécies indesejáveis prejudica o processo de colheita. Afinal, ela aumenta a quantidade de impurezas e eleva a umidade do produto.

A vassourinha-de-botão também pode ser hospedeira de doenças, insetos-praga, ácaros e nematoides. A seguir, veja melhor como realizar o manejo dessa planta daninha.

Vassourinha-de-botão: controle da espécie invasora

Por se tratar de uma espécie de difícil controle, é importante que o manejo da vassourinha-de-botão seja pautado em esquema integrado de estratégias de controle. 

Métodos como o preventivo, cultural, mecânico e químico podem ser utilizados no manejo dessa planta invasora.

Químico

O controle químico é bastante eficiente no manejo das plantas daninhas. No entanto, é preciso deixar claro que ele deve ser adotado em associação com outros métodos de controle.

Em campo, já foi observada a resistência ao glifosato no controle da vassourinha-de-botão. Isso principalmente quando o glifosato é aplicado em plantas em estádios avançados de desenvolvimento. 

Por isso, é importante que o controle químico seja feito quando as plantas invasoras ainda são jovens. Confira a seguir as moléculas herbicidas registradas para a vassourinha-de-botão na Embrapa e no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento):

  • diclosulam + halauxifen-metil;
  • glifosato-sal de isopropilamina;
  • glufosinato-sal de amônio;
  • glufosinato-sal de amônio + lauril éter sulfato de sódio;
  • imazapir;
  • picloram + herbicida 2,4-D;
  • picloram + 2,4-D-trietanolamina;
  • picloram-trietanolamina + 2,4-D-trietanolamina.

Ao adotar o manejo químico, é importante sempre respeitar as orientações quanto à dosagem, época e modo de aplicação dos produtos. Use os equipamentos de proteção individual no manuseio e na aplicação dos produtos.

A rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é outro ponto que merece atenção. Essa estratégia diminui a pressão de seleção, dificultando a seleção de plantas resistentes. Além disso, a rotação amplia o número de espécies controladas

Preventivo

As medidas preventivas têm o objetivo de evitar a entrada e o estabelecimento das espécies invasoras em áreas não contaminadas. Algumas das estratégias preventivas que você pode adotar são:

  • evitar que as plantas daninhas se reproduzam e disseminem suas sementes na área. Para isso, é importante que elas sejam controladas ainda na fase inicial de desenvolvimento;
  • realizar a limpeza das ferramentas, máquinas e implementos agrícolas. Isso evita que torrões de terra contendo sementes de vassourinha-de-botão e de outras espécies sejam transferidos de uma área para outra; 
  • eliminar focos de infestação de plantas daninhas;
  • realizar o controle das espécies invasoras no período da entressafra;
  • realizar o controle das plantas espontâneas nas bordaduras das lavouras, estradas e carreadores;
  • realizar o plantio da cultura com sementes de alto valor cultural.

Cultural

No controle cultural, são adotadas as boas práticas agronômicas. Essas práticas têm o objetivo de fornecer condições adequadas para o desenvolvimento da espécie cultivada.

Veja os principais métodos de controle cultural utilizados no manejo da vassourinha-de-botão:

  • época de plantio;
  • arranjo espacial das plantas;
  • rotação de culturas;
  • cobertura do solo no período da entressafra;
  • integração lavoura-pecuária;
  • consórcios de cultivos.

Mecânico

No controle mecânico, a supressão das plantas invasoras ocorre pelo efeito físico de equipamentos como enxada e cultivador. Os métodos utilizados nesse tipo de controle são:

  • capina manual;
  • roçada manual ou mecânica;
  • cultivo mecanizado.

A cobertura morta também possui efeito físico e colabora com o controle das espécies invasoras. Os restos vegetais formam uma barreira física que impede a passagem de luz, temperatura e umidade. 

Além disso, o processo de decomposição desses resíduos liberam compostos aleloquímicos. Essas substâncias podem inibir a germinação e o estabelecimento das plantas invasoras.

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Conclusão

A vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata) é uma planta daninha de difícil controle. Ela pode se desenvolver mesmo sob condições de baixa fertilidade e acidez do solo.

A identificação desta espécie invasora é feita principalmente pelas suas características visuais. Nesse artigo, foram apresentados vários aspectos que podem te ajudar nesse processo.

O manejo dessa daninha é realizado pela adoção de medidas preventivas, culturais, mecânicas e químicas. Na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você conhecia a vassourinha-de-botão? Já teve problemas com essa planta daninha na sua lavoura? Adoraria ler o relato da sua experiência.

Capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora): guia de manejo dessa planta daninha

Capim-rabo-de-raposa: saiba como identificar, danos causados e as melhores técnicas de manejo preventivo, cultural, mecânico e químico.

O capim-rabo-de-raposa é uma gramínea encontrada desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina e o Chile. No Brasil, ela é muito presente, encontrada principalmente em áreas de cerrado.

Trata-se de uma planta que infesta lavouras anuais e perenes, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Ela se desenvolve em diferentes condições climáticas e tipos de solo. Por isso, causa prejuízos grandes e precisa ser devidamente controlada.

Neste artigo, veja mais detalhes sobre essa planta daninha, como realizar o manejo, danos causados e mais! Confira a seguir.

Como identificar o capim-rabo-de-raposa

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene. Ela tem crescimento ereto, ou seja, forma touceiras. Popularmente, também é conhecida como capim-rabo-de-gato, capim-rabo-de-rato, capim setaria, bambuzinho, espartilho e esparto-pequeno.

O caule dessa gramínea é do tipo rizoma. Os colmos são levemente achatados e podem atingir 1 metro de altura. As folhas do capim-rabo-de-raposa são formadas por bainha, lígula e lâmina foliar (limbo). As folhas têm formato linear-lanceolado.

Capim-rabo-de-raposa e inflorescência (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

A inflorescência é do tipo espiga. Ela é constituída por várias espiguetas de cor palha ou avermelhada. Essas espiguetas estão envoltas por várias cerdas.

Essa planta pode ser identificada em campo pelas inflorescências. Na mesma planta, é possível observar espigas completas e espigas sem espiguetas, porém com a presença das cerdas.

Essa espécie invasora é propagada por sementes e pela divisão dos rizomas. Além de ocupar áreas de lavoura, essa gramínea cresce espontaneamente em áreas urbanas, terrenos baldios e margens de estradas.

Rizomas do capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

O capim-rabo-de-raposa pode ser confundido com o capim-custódio (Pennisetum setosum). No entanto, é importante deixar claro que o capim-rabo-de-raposa tem porte menor e a coloração da inflorescência tem tons mais claros

Danos causados pelo capim setaria (Setaria parviflora) 

A competição entre as plantas daninhas e as espécies cultivadas é um dos fatores que contribui para a redução da produtividade. O capim-rabo-de-raposa compete com a cultura principal pelos mesmos recursos: água, luz, espaço e nutrientes

Além disso, essa gramínea pode ser hospedeira de insetos-pragas, ácaros, fungos e nematoides.  Algumas consequências da presença do capim-rabo-de-raposa no momento da colheita são:

  • aumento da umidade do produto colhido (grãos e fibra de algodão);
  • aumento dos custos de beneficiamento de grãos;
  • redução da qualidade do produto final; 
  • dificuldades operacionais (como embuchamento da colhedora).

Como realizar o manejo da erva de raposa?

No caso do capim-rabo-de-raposa, a reprodução por sementes e pela fragmentação dos rizomas confere a essa gramínea um grande potencial de infestação. Isso dificulta o controle.

Diante disso, é importante fazer o manejo integrado das plantas daninhas. A associação de diferentes métodos garante maior eficiência no controle e evita o aumento da infestação.

O manejo do capim-rabo-de-raposa envolve a adoção de medidas preventivas, culturais, mecânicas (ou físicas) e químicas. Confira a seguir.

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Manejo preventivo 

O manejo preventivo tem o objetivo de prevenir que sementes e outras estruturas reprodutivas sejam introduzidas e se disseminem em uma área não infestada. Para isso, algumas práticas agrícolas podem ser adotadas, como:

  • utilizar sementes e mudas certificadas;
  • utilizar esterco de procedência conhecida e livre de patógenos e sementes;
  • realizar o controle das espécies invasoras nos carreadores, bordaduras das lavouras e beiras de estradas;
  • limpar os equipamentos, as máquinas e os implementos agrícolas, para evitar que restos vegetais e torrões de terra contaminados sejam transferidos de uma área para outra.

Manejo cultural

O manejo cultural das plantas daninhas fornece boas condições para que a espécie de interesse agronômico se desenvolva. Isso aumenta a capacidade competitiva entre as plantas cultivadas e as invasoras.  Dentre as estratégias que podem ser adotadas, temos:

  • adubação equilibrada;
  • bom preparo de solo;
  • cobertura verde;
  • densidade de plantio;
  • plantio de cultivares/variedades adaptadas às condições da região;
  • rotação de culturas;
  • sistema de plantio (convencional ou direto). 

Manejo mecânico ou físico

O manejo mecânico (ou físico) envolve arrancar ou cortar as plantas daninhas. Nesse sentido, algumas técnicas podem ser empregadas, como:

  • aração e gradagem;
  • arranquio e capina manual;
  • cobertura morta;
  • cultivo mecanizado;
  • roçagem manual ou mecânica.

Manejo químico

No mercado, é possível encontrar diversos herbicidas recomendados para o manejo do capim-rabo-de-raposa. Abaixo, você pode conferir algumas moléculas com registro ativo no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento);

  • Alacloro;
  • Atrazina;
  • Cletodim;
  • Glifosato;
  • MSMA;
  • Pendimetalina;
  • Propanil;
  • Tebutiurom;
  • Trifluralina;
  • Quizalofope-P-etílico.

O herbicida paraquate já foi bastante utilizado no controle químico do capim-rabo-de-raposa. No entanto, é importante lembrar que desde o ano de 2020, a Anvisa determinou a proibição do uso e da comercialização dessa molécula.

Antes de usar qualquer produto químico leia com atenção o rótulo, a bula e o receituário agronômico. Sempre faça a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação. Essa técnica dificulta a seleção de plantas resistentes aos produtos químicos. 

Além disso, a rotação diminui o banco de sementes do solo e aumenta o número de espécies controladas.

Não se esqueça de utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para a manipulação e aplicação dos herbicidas. Eles são essenciais para garantir a segurança de todos

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Conclusão

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene que forma densos agrupamentos. A propagação ocorre por sementes e pela divisão de rizomas, o que dificulta o manejo.

Essa gramínea compete por recursos, reduz a produtividade, dificulta as operações de colheita, reduz a qualidade do produto colhido e eleva os custos com o beneficiamento.

O manejo deve ser realizado de maneira integrada. Lembre-se que a adoção de mais de uma estratégia aumenta a eficiência do controle e evita o aumento da infestação. 

Você já conhecia o capim-rabo-de-raposa? Está enfrentando problemas com essa espécie na lavoura? Deixe seu comentário.

Cuidados para ser mais assertivo no uso do herbicida 2,4-D

Herbicida 24-D: características, condições climáticas para aplicação, em quais culturas pode ser aplicado, produtos comerciais disponíveis e muito mais.

O 24-D é um dos herbicidas hormonais mais utilizados por produtores em todo o mundo. 

Ele é uma importante ferramenta no manejo de plantas daninhas, principalmente no controle de espécies invasoras de folha larga. Trata-se de um produto altamente eficiente e de baixo custo

Saber suas características, como funciona o mecanismo de ação e quais produtos contém esse herbicida é fundamental para garantir um bom uso.

Neste artigo, você verá todas as informações de que precisa para garantir sucesso no uso do 2,4-D. Aproveite a leitura!

O que é o herbicida 24-D?

O 2,4-D é um herbicida sistêmico e seletivo. Seu princípio ativo é o ácido 2,4-diclorofenoxiacético. O mecanismo de ação do 2,4-D é a imitação do efeito das auxinas nas plantas. 

Elas são hormônios que, em altas concentrações, alteram o crescimento e a divisão celular vegetal, causando a morte das plantas.

O herbicida 24-D pertence ao grupo químico do ácido ariloxialcanóico. Além de atuar no controle das plantas invasoras, o herbicida também funciona como regulador de crescimento quando utilizado em baixas dosagens.

Herbicida 24-D: modo de ação em folha larga

Ao absorver doses elevadas de  2,4-D, as ervas daninhas de folha larga confundem essa molécula com os hormônios encontrados naturalmente nas plantas. As consequências são:

  • crescimento anormal dos tecidos;
  • curvamento do caule e pecíolos;
  • formação de calos no caule;
  • encarquilhamento e clorose das folhas;
  • morte das plantas.

O produto pode ser aplicado em pré e pós-emergência. A absorção do produto ocorre pelas folhas e pelas raízes. Ainda, a translocação do 2,4-D nas plantas é feita via floema e xilema.  

Esse composto tem classificação toxicológica máxima. Ou seja, é extremamente tóxico. Porém, se manuseado e aplicado de forma correta e na dosagem especificada na bula dos produtos, ele não apresenta riscos.

O 2,4-D é um produto seletivo para gramíneas. Ou seja, elas são plantas resistentes ao herbicida.  Ele também é aplicado para a eliminação de plantas daninhas da soja na fase pré-plantio. 

Nesse caso, é preciso ficar de olho no intervalo de tempo entre a aplicação do 2,4-D e a semeadura. O efeito residual do herbicida compromete a emergência das plântulas de soja. No Brasil, o herbicida 24-D tem autorização para ser utilizado nas seguintes culturas:

  • arroz (sequeiro e irrigado);
  • aveia;
  • cana-de-açúcar;
  • café;
  • centeio;
  • cevada;
  • milheto;
  • milho;
  • pastagens;
  • soja (pré-plantio);
  • sorgo;
  • trigo;
  • triticale.

2,4-D: nomes comerciais à base do ingrediente ativo

Atualmente, estão disponíveis no mercado 41 produtos herbicidas com registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) à base do ingrediente ativo 2,4-D. Confira a lista abaixo!

  • Arena;
  • Artys;
  • Atulamina 806 SL;
  • Cortador 806 SL;
  • Crater;
  • Dez;
  • Dical;
  • Dontor;
  • Famoso BR;
  • Forasteiro;
  • Grant;
  • Herbimax 806 SL;
  • Intruder;
  • Invernada;
  • Jacaré;
  • Jaguar;
  • Jornada;
  • Jornada HL;
  • Krost 806 SL;
  • Lifter;
  • Mannejo;
  • Mirant;
  • Navajo;
  • Panoramic;
  • Pren-D 806;
  • Quallis;
  • Shopra 970 WG;
  • Temicab Xtra; Chapon Plus, Wrangler;
  • Troller;
  • Turuna;
  • Verlon;
  • Zack;
  • Zura 806 SL;
  • 2,4-D Agritec;
  • 2,4-D Amina CCAB 806 SL;
  • 2,4-D CHDS;
  • 2,4-D CROP 806 SL;
  • 2,4-D Nortox;
  • 2,4-D Nortox 970 WG;
  • 2,4-D Super Amine SG;
  • 2,4-D (240) + Picloram (64) SL.

É importante ressaltar que é fundamental seguir as orientações técnicas da bula dos produtos. A dosagem, o intervalo de segurança, a atividade residual e o modo de aplicação são informações imprescindíveis para realizar o bom manejo das plantas daninhas.

Cuidados no uso do herbicida 

A pulverização do herbicida 24-D requer alguns cuidados a fim de evitar a contaminação de áreas vizinhas em razão da deriva do defensivo

Além de utilizar equipamentos devidamente regulados e calibrados, é fundamental respeitar as condições climáticas para garantir boa qualidade da aplicação. As condições climáticas ideais para realizar a pulverização são:

  • Umidade relativa do ar: mínima de 55%;
  • Temperatura: abaixo de 30°C;
  • Velocidade do vento: 3 km/h a 10 km/h.

Abaixo, você pode conferir como determinar a velocidade do vento e não errar na hora de realizar a aplicação do 2,4-D. 

Tabela que mostra a velocidade do vento ideal para aplicar o herbicida 2,4-D
Velocidade do vento ideal para a pulverização de defensivos agrícolas
(Fonte: Manual de Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários)

Mistura de 2,4-D e glifosato

A mistura de defensivos agrícolas no tanque de pulverização é uma realidade bastante comum no meio rural. 

Essa prática é adotada quando a área infestada apresenta plantas daninhas de folha estreita e de folha larga. A mistura também é utilizada em casos em que algumas espécies invasoras tenham manifestado resistência ao herbicida glifosato

Além disso, essa estratégia melhora a eficiência operacional (duas aplicações em uma) e reduz os custos de produção. Porém, é preciso cuidado nessa operação, pois nem todos os produtos podem ser misturados.

A mistura de herbicidas incompatíveis pode comprometer o manejo das espécies invasoras. Por isso, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) para te orientar quanto à aplicação em mistura de produtos químicos. 

Fazer uma boa limpeza do pulverizador antes de aplicar outro produto na lavoura também é essencial.

O herbicida 2,4-D é comumente aplicado em associação com o glifosato no manejo de espécies de difícil controle, como a buva, corda-de-viola e trapoeraba

Ambos são sistêmicos e têm modo de ação diferente, o que amplia o espectro de plantas daninhas controladas. A mistura do 2,4-D com o glifosato é utilizada na dessecação pré-plantio.

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Conclusão

Os herbicidas à base do ingrediente ativo 2,4-D são sistêmicos e utilizados no manejo de plantas daninhas de folha larga.

O 2,4-D pode ser utilizado em culturas como milho, cana-de-açúcar, trigo, soja (pré-plantio) e pastagens. Em baixas dosagens, ele atua como regulador de crescimento e em altas doses tem efeito herbicida.

Respeitar as condições climáticas ideais no momento da aplicação do 2,4-D é essencial para evitar a deriva do produto. Assim, você garante maior eficiência do controle das espécies invasoras.

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Você utiliza herbicida 2,4-D na sua lavoura? Tem dúvidas ou comentários sobre esse produto? Conte sua experiência nos comentários.

Apaga-fogo (Alternanthera tenella): como manejar essa planta daninha

Apaga-fogo: conheça as características, quais danos ela pode causar e controle preventivo, cultural, mecânico e químico

As culturas agrícolas são bastante suscetíveis às interferências das espécies invasoras.

A apaga-fogo é uma erva daninha com ampla distribuição geográfica, presente em todas as regiões do Brasil. Ela tem maior ocorrência na entressafra, além de se disseminar com facilidade e infestar áreas de lavoura e pastagem.

Neste artigo, veja como identificar os danos causados pela apaga-fogo e como fazer o manejo correto. Boa leitura!

Características da planta apaga-fogo

A planta apaga-fogo (Alternanthera tenella) é uma espécie invasora de grande importância na agricultura. A massa vegetal formada por ela dificulta o avanço do fogo quando são realizadas queimadas para renovação de áreas de pastagem. 

Ela também é popularmente conhecida pelos nomes periquito, sempre-viva, alecrim, corrente e perpétua-do-campo. Trata-se de uma planta da família Amaranthaceae

Para identificar essa planta daninha, você precisa se atentar aos seguintes detalhes: ela é herbácea, muito ramificada e tem ciclo perene. A apaga-fogo se desenvolve de forma prostrada ou ascendente, o caule é liso e pode atingir de 0,5 m a 1,2 m de comprimento. 

Foto da planta apaga-fogo com fundo preto, com algumas flores nascendo.
Planta apaga-fogo (Alternanthera tenella)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

As folhas da apaga-fogo têm de 2 cm a 3 cm. O sistema radicular é pivotante, as sementes são lisas e têm coloração castanha. A propagação da planta ocorre por sementes. Ela se alastra na área pelo enraizamento dos nós do caule quando em contato com o solo.

Foto das sementes e das folhas da apaga-fogo espalhadas em uma superfície
Detalhe das folhas e das sementes da planta daninha apaga-fogo
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

Danos causados pela Alternanthera tenella

Uma característica da planta daninha apaga-fogo é promover intenso sombreamento sobre a cultura. Ela forma uma barreira física à penetração da luz solar, o que afeta diretamente a produtividade da cultura principal. 

Além disso, ela reduz a disponibilidade de espaço e compete com a cultura principal por água e nutrientes. Ainda, pode ser hospedeira de pragas e doenças, e é hospedeira natural do ácaro Brevipalpus phoenicis, vetor da doença leprose dos citros. 

A presença de ervas invasoras no momento da colheita também é um problema. Elas podem causar o embuchamento da colhedora, além de depreciar o produto colhido e elevar os custos de beneficiamento dos grãos.

Além disso, as principais culturas afetadas pela apaga-fogo são:

Como eliminar a erva daninha apaga-fogo

É muito importante que as plantas daninhas sejam manejadas de forma integrada. A adoção de diferentes estratégias garante maior eficiência no controle da comunidade infestante.

As técnicas envolvidas no controle das plantas invasoras são divididas em manejo preventivo, cultural, mecânico/físico e químico. Confira a seguir como funciona cada um desses tipos de manejo.

Manejo preventivo

O manejo preventivo consiste em adotar medidas que evitem que sementes de plantas daninhas, como a apaga-fogo, sejam introduzidas em uma área onde ainda não foi identificada a presença dessas plantas. Algumas medidas são:

  • realizar o controle das plantas invasoras não apenas na área onde será instalada a lavoura, mas também nas beiras de estradas, nos carreadores e nas bordaduras;
  • realizar a limpeza do maquinário agrícola, a fim de evitar que torrões de terra contaminados com sementes sejam levados de uma área para outra; 
  • realizar o plantio da lavoura com sementes certificadas e com procedência conhecida.

Essas práticas contribuem não apenas para o manejo da apaga-fogo, mas também de outras plantas daninhas

Manejo cultural

O manejo cultural das ervas daninhas consiste na adoção de práticas que irão garantir o bom estabelecimento e desenvolvimento das plantas da lavoura. Dentre essas práticas temos:

  • bom preparo de solo;
  • adubação equilibrada;
  • plantio de cultivares/variedades adaptadas às condições ambientais;
  • rotação de culturas;
  • variação no espaçamento e na densidade de plantas;
  • uso de coberturas verdes.

Manejo mecânico/físico

No manejo não químico ou mecânico as plantas daninhas podem ser eliminadas das seguintes formas:

  • arranquio manual (ou monda); 
  • capina manual;  
  • roçada; 
  • cultivo mecanizado realizado por cultivadores tracionados por animais ou trator. 

Manejo químico

O manejo químico é o mais utilizado para o controle de plantas daninhas em grandes áreas. A seguir estão listadas algumas moléculas herbicidas utilizadas no controle da planta daninha apaga-fogo:

  • Ácido diclorofenoxiacético (2,4 – D);
  • Ametrina;
  • Atrazina;
  • Diurom;
  • Flumioxazina;
  • Glifosato;
  • Imazetapir;
  • Nicossulfurom.

A eficiência da aplicação dos herbicidas envolve uma série de fatores. Por isso, sempre siga as orientações da bula do produto quanto à dosagem e o modo de aplicação

Também é preciso se atentar ao estágio de desenvolvimento da planta daninha e às condições climáticas no momento da aplicação.

Lembre-se de fazer a rotação de herbicidas com mecanismos de ação diferentes. Essa estratégia dificulta a seleção de plantas daninhas resistentes aos produtos. Ervas daninhas resistentes ao glifosato, por exemplo, são muito comuns.

Como a aplicação de produtos fitossanitários requer muitos cuidados, sempre procure a orientação de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). Isso irá garantir maior segurança e eficiência na aplicação dos produtos químicos.

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Conclusão

A apaga-fogo é uma planta daninha encontrada em áreas de lavoura e pastagem e que se dissemina com facilidade. Ela ocorre em todas as regiões do Brasil. 

O manejo da apaga-fogo pode ser realizado pela adoção de estratégias preventivas, culturais, mecânicas/físicas e químicas. 

Para maior eficiência no controle das plantas invasoras, procure sempre utilizar mais de uma técnica de manejo. Vale lembrar que é importante que as práticas adotadas estejam inseridas no contexto ambiental e econômico da propriedade.

Você já conhecia a apaga-fogo? Já teve problemas com essa planta daninha na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário. 

Capim-rabo-de-burro na lavoura? Veja como se livrar dessa planta daninha

Capim-rabo-de-burro: entenda como identificar, quais os danos ele causa e os melhores métodos de controle para eliminar a daninha

A presença de plantas daninhas reduz a produtividade das culturas. Afinal, elas competem por recursos e podem ser hospedeiras de doenças e pragas.

O capim-rabo-de-burro é conhecido por diversos nomes. Em todos os casos, causa sérios danos às culturas se não for manejado corretamente! Ainda, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas importantes, como a cochonilha.

Quer ver como eliminar o capim-rabo-de-burro da sua lavoura? Então, não deixe de ler este artigo. Confira!

Capim-rabo-de-burro: principais características

O capim-rabo-de-burro é conhecido de diversas formas: capim-vassoura, capim-de-bezerra, capim-peba, etc.

A planta tem uma estrutura que lembra plumas. Essas plumas e a estrutura da planta continuam retas mesmo depois do secamento, mas em uma coloração mais próxima do marrom palha.

Ela é muito rústica e adaptável. Essas características facilitam que ela sobreviva e se espalhe pela lavoura.

Normalmente, as duas diferentes espécies do capim-rabo-de-burro surgem juntas nas lavouras. 

Em áreas sem interferência humana (beira de estradas e de açudes), predomina a Andropogon bicornis.

Essa daninha tem porte alto e reto, e atinge até dois metros de altura. 

Capim-rabo-de-burro desenvolvida, com plumas grandes e eretas.

Planta daninha capim-rabo-de-burro

(Fonte: Wikipedia)

A daninha pode se propagar por sementes ou rizoma. Isso dificulta seu controle nas lavouras. 

Além disso, ela pode se reproduzir durante o ano todo.

Ocorrência em lavouras

O capim-rabo-de-burro pode causar grande interferência na sua lavoura se não for manejado corretamente.

A planta produz muitas sementes que se dispersam com facilidade. Além disso, ela se reproduz por touceiras.

Como as demais plantas daninhas, compete por água, luz e nutrientes com sua lavoura. Sua grande massa e porte alto causam uma grande sombra na cultura.

Como ocorre em todas as regiões e épocas, é uma daninha de todas as culturas. Fique de olho e não deixe essa planta se propagar na sua área.

Foto da planta daninha capim-rabo-de-burro na lavoura de soja. É possível ver as plumas marrons/amareladas da planta se sobressaírem na lavoura.

Capim-rabo-de-burro em lavoura de soja

(Fonte: Up.Herb)

Quando as áreas já estão infestadas por ela, as causas podem ser o manejo inadequado do solo e da própria área

Se você detectar muito tarde, os danos são ainda maiores. Afinal, o poder de infestação dessa planta é muito grande.

A disseminação é fácil na colheita, através da colheitadeira. Preste muita atenção para evitar a espécie nessa época.

As áreas periféricas da lavoura, como barrancos e beira de estradas também merecem atenção. Normalmente, nessas áreas está o início da infestação do capim-rabo-de-burro.

Danos causados pelo capim-rabo-de-burro

Essa planta pode ser hospedeira de doenças e pragas, principalmente de percevejos.

Dentre os percevejos, as principais espécies que sobrevivem nessa planta daninha são:

Monitore essas plantas durante o MIP (Manejo Integrado de Pragas). Assim, você reduz a pressão de pragas no início do desenvolvimento da sua cultura.

Aqui no blog temos uma planilha que te ajuda no controle do MIP em sua lavoura. Clique na imagem a seguir para baixar gratuitamente:

planilha manejo integrado de pragas

Como controlar o capim-rabo-de-burro

Independente do tamanho de sua lavoura, você precisa eliminar as plantas daninhas para que elas não tragam prejuízos.

O manejo pode ser preventivo, manual ou químico.

Controle preventivo

A primeira forma de eliminar plantas daninhas é o controle não químico. Ele consiste na limpeza das áreas ao redor de sua lavoura.

Monitore:

  • as divisas;
  • os barrancos;
  • as bordas dos capões de mato;
  • as beiras de estradas

Se você perceber a planta daninha em alguma dessas áreas, é preciso arrancar as plantas.

Controle manual

Ao detectar o capim na lavoura, inicie a sua eliminação imediatamente.

Arranque-as com touceira e raiz. Caso a infestação seja muito alta, o trabalho manual será inviável. Assim, uma aração poderá ser cogitada.

Veja no vídeo a seguir como o controle manual é efetivo na eliminação do capim rabo de burro:

Capim RABO de BURRO | enxadão a melhor solução |

Evite deixar a lavoura em pousio. Mantenha sempre alguma cultura ou cobertura para dificultar o desenvolvimento da daninha. 

O custo para o controle no futuro pode superar o custo de implantação da cobertura.

Controle químico

Quando a invasora estiver pequena, os herbicidas sistêmicos e de contato têm bom controle. O mesmo efeito não acontecerá quando a daninha estiver grande.

Para o controle da planta, existem indicações de uso de glifosato em dose maior de 1,8 kg por hectare

Mesmo assim, o controle será próximo de 80% nos estádios iniciais de desenvolvimento.

Em lavouras, mesmo com essa dose, o controle de espécies adultas não é eficiente.

Época de aplicação

Aplique os agroquímicos quando as plantas estiverem no estágio inicial de desenvolvimento.

Foto da planta capim-rabo-de-burro no começo do desenvolvimento. A planta tem aspecto de capim comum.

Capim rabo de burro em estádio inicial de desenvolvimento

(Fonte: Cotriel)

Há a cultura da aplicação do glifosato na primavera, na pré-safra da cultura de verão. 

No entanto, esse é um momento em que as plantas estão perenizadas inativas por causa do inverno.

Aplique os herbicidas após a colheita da cultura de verão. Nesse período, a planta daninha estará mais vulnerável.

Siga as instruções para proceder com esse manejo:

  • Espere a planta rebrotar após o corte com a colheitadeira;
  • Pulverize antes das geadas (se estiver em áreas propícias);
  • Associe glifosato com graminicidas;
  • Se necessário, faça aplicação sequencial com Paraquate;
  • Use a dose superior indicada para cada herbicida.
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Conclusão

O capim-rabo-de-burro é uma daninha que ocorre durante o ano todo.

Arrancar as plantas é uma forma muito eficiente de controlar essa daninha. O controle químico com glifosato + graminicida deve ser realizado no pós-colheita.

Lembre-se de usar a dose máxima recomendada para o herbicida. Se necessário, faça aplicação sequencial com outro ingrediente ativo.

Agora, você já pode realizar o planejamento de sua safra com as melhores técnicas para o controle do capim-rabo-de-burro.

Você já teve sua lavoura infestada com capim-rabo-de-burro? Como está o seu manejo de plantas daninhas? Deixe seu comentário!