Praga da Ásia: O perigo do percevejo-de-pintas-amarelas no Brasil

Recentemente, uma notícia alarmante revelou que uma praga da Ásia, o percevejo-de-pintas-amarelas, chegou ao Brasil pelo Porto de Santos.

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo desafio que pode comprometer a produtividade de diversas culturas: a chegada do percevejo-de-pintas-amarelas, uma praga exótica originária da Ásia. 

Detectado recentemente no Porto de Santos, em São Paulo, o inseto já acendeu um alerta entre especialistas e produtores rurais devido ao seu alto potencial de disseminação e aos prejuízos que pode causar.

Com o histórico de outras pragas invasoras que afetaram a agricultura nacional, o aparecimento do percevejo-de-pintas-amarelas reforça a importância de uma vigilância fitossanitária rigorosa e da adoção de estratégias de manejo eficientes para mitigar seus impactos. 

O que é a praga asiática?

O percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) é uma praga originária da Ásia, conhecida por sua capacidade de se adaptar rapidamente a novos ambientes

O inseto pertence à família Pentatomidae, a mesma de outras pragas já conhecidas na agricultura brasileira. 

O percevejo tem um corpo marrom-acinzentado, com características pintas amarelas nas laterais do abdome, que facilitam sua identificação.

No Brasil, embora ainda não tenha causado danos significativos, passou a ser considerado uma praga quarentenária devido ao seu potencial de proliferação rápida e aos danos significativos que causa nas culturas agrícolas. 

Além disso, sua alta mobilidade e capacidade de sobreviver em diversas condições climáticas o tornam uma ameaça constante.

percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) — Foto: Yan Lima
Figura 1. Percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) — Foto: Yan Lima e G1 Globo (2025).

Características do Percevejo-de-Pintas-Amarelas

O Erthesina fullo é um inseto polífago, ou seja, se alimenta de diversos tipos de plantas. No continente asiático, é responsável por danos em algumas culturas.

Mesmo com a presença confirmada, no Brasil, ainda não há dados suficientes para afirmar se a espécie representa uma ameaça para as plantas cultivadas.

O inseto atinge de 1,2 a 1,5 cm de comprimento, com um corpo que pode variar entre verde e amarelo, marcado por pintas amarelas que facilitam sua identificação visual.

Quanto à reprodução, a fêmea deposita entre 50 a 200 ovos por vez, o que contribui para a rápida expansão da espécie em áreas infestadas. 

O ciclo de vida completo do percevejo-de-pintas-amarelas dura de 4 a 6 semanas, desde a fase de ovo até a fase adulta, que pode se estender entre 2 a 4 meses, dependendo das condições ambientais e da disponibilidade de alimento.

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Quais os perigos do percevejo-de-pintas-amarelas?

O principal perigo do percevejo-de-pintas-amarelas está na sua capacidade de causar prejuízos diretos à produção agrícola. Esse inseto se alimenta da seiva de plantas, perfurando folhas, frutos e caules, o que compromete o desenvolvimento das culturas. 

Entre os impactos estão a redução da qualidade dos frutos, com o surgimento de manchas e deformidades, tornando os produtos menos atrativos para o mercado. 

Além disso, há o comprometimento da produtividade, pois a alimentação excessiva do percevejo pode levar à queda prematura de frutos, prejudicando o rendimento final das safras. 

Outro fator de risco é a possibilidade de o inseto atuar como vetor de doenças fúngicas e bacterianas, o que agrava ainda mais os danos, especialmente em culturas comerciais de grande valor econômico.

Quais culturas a praga asiática ataca?

O percevejo-de-pintas-amarelas é altamente polífago, ou seja, se alimenta de uma grande variedade de plantas. As culturas mais vulneráveis incluem:

  • Soja e milho: Comprometimento dos grãos e da produtividade;
  • Frutíferas: Como maçã, pêssego e uva, afetando diretamente a qualidade dos frutos;
  • Hortaliças: Prejuízos em culturas de tomate, pimentão e berinjela;
  • Plantas ornamentais e nativas: o que amplia o potencial de dispersão da praga.

Essa diversidade de hospedeiros torna o controle da praga ainda mais desafiador. Na China, programas de controle atuais para o percevejo, dependem principalmente de inseticidas químicos convencionais de amplo espectro, que nem sempre são compatíveis com programas de MIP

Como se preparar para as principais pragas agrícolas

Manejo correto do percevejo-de-pintas-amarelas

O manejo eficiente do percevejo-de-pintas-amarelas requer uma abordagem integrada, que combina diferentes estratégias para minimizar o impacto da praga.

Algumas técnicas recomendadas incluem o monitoramento constante, para a identificação precoce da praga. 

O uso de armadilhas de feromônio é eficaz para monitorar a presença do percevejo e avaliar a densidade populacional.

Além disso, o controle cultural com práticas agronômicas, como a rotação de culturas e o manejo adequado da vegetação espontânea, ajuda a reduzir os locais de abrigo e reprodução da praga. 

O controle biológico, com a utilização de inimigos naturais, como vespas parasitoides, tem se mostrado uma alternativa promissora para o controle do percevejo em outros países. 

Em casos de infestações severas, pode ser necessário o uso de inseticidas, mas o uso excessivo de produtos químicos deve ser evitado para prevenir o desenvolvimento de resistência.

O que a praga da Ásia pode causar na lavoura?

O dano direto ocorre pela sucção da seiva das plantas, resultando em murchamento das folhas e frutos, manchas escuras e necrose nos tecidos vegetais, deformidades em frutos e grãos, redução da capacidade fotossintética da planta e queda prematura de frutos e sementes. 

Esses prejuízos podem levar a perdas econômicas significativas, afetando tanto pequenos produtores quanto grandes propriedades.

A praga asiática pode prejudicar a safra 2025/26?

Sim, o percevejo-de-pintas-amarelas representa uma ameaça real para a safra 2025/26, especialmente se a praga conseguir se estabelecer e se espalhar rapidamente pelo território nacional.

O impacto pode ser devastador, com prejuízos econômicos devido à perda de produtividade nas principais culturas agrícolas.

Além disso, haverá um aumento nos custos de produção, pois os produtores precisarão intensificar as práticas de manejo para controlar a praga, incluindo o uso de defensivos agrícolas e medidas preventivas.

Outro ponto de preocupação é o impacto ambiental, já que o uso descontrolado de produtos químicos pode afetar a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas agrícolas.

Medidas de prevenção e controle para produtores

Para minimizar os riscos associados ao percevejo-de-pintas-amarelas, os produtores devem adotar uma série de práticas integradas.

Realizar inspeções frequentes nas lavouras é essencial, especialmente em regiões próximas a portos e áreas urbanas, onde a praga pode ter maior facilidade de entrada e dispersão.

Além disso, implementar o manejo integrado de pragas (MIP) permite combinar diferentes estratégias, como controle biológico, práticas culturais e o uso criterioso de defensivos agrícolas.

É importante manter contato constante com técnicos e órgãos de defesa agropecuária, que podem fornecer orientações atualizadas sobre o monitoramento e as melhores práticas de manejo.

Outra medida é evitar o transporte de materiais vegetais de áreas infestadas sem a devida inspeção fitossanitária, reduzindo o risco de disseminação da praga para novas regiões.

A Aegro está atenta às novidades do setor e pronta para apoiar os produtores na adoção
de boas práticas de manejo.

Fique atento e compartilhe essas informações com outros profissionais do campo para juntos enfrentarmos esse novo desafio.

Cascudinho-da-soja: Como identificar e controlar?

O cascudinho-da-soja pode reduzir a produtividade e trazer sérios prejuízos à lavoura. Saiba como identificar e controlar essa praga que ataca a cultura.

O controle das pragas agrícolas é fundamental para garantir o sucesso da safra de soja. Todos os anos, os produtores fazem investimentos altos no solo e em sementes para ter altas produtividades.

As pragas, caso não controladas, podem comprometer ou até inviabilizar a lavoura. Dentre as principais pragas agrícolas que atacam as lavouras de soja, uma que vem se destacando nos últimos anos é o cascudinho-da-soja.

O cascudinho-da-soja é um coleóptero que ataca as plantas principalmente no início do ciclo da cultura, causando danos tanto como larva como quando adulto.

A praga merece bastante atenção, pois pode causar grandes prejuízos e sua incidência tem crescido em áreas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Por isso, o monitoramento deve iniciar o quanto antes.

Para evitar problemas com o cascudinho, vamos conhecer essa praga e aprender como combatê-la. Confira!

Como identificar o cascudinho-da-soja

O Myochrous armatus (cascudinho-da-soja) pertence à ordem Coleoptera, família Chrysomelidae. Isso significa que ele é um tipo de besouro bem pequeno, que mede em torno de 5 milímetros de comprimento. 

O inseto adulto tem o corpo em formato oval de coloração preta fosca, variando também entre cinza-escura ou marrom, sempre com manchas mais escuras ou claras. Além disso, é recoberto por escamas curtas e robustas.

Os  adultos têm pouca habilidade para voar e, quando perturbados, têm o hábito de se fingir de mortos e permanecem imóveis, ou se jogam no chão.

As larvas do cascudinho são amarelas e vivem no solo, onde se alimentam de matéria orgânica e raízes de plantas de diversas espécies. Elas podem causar danos às raízes da soja ao se alimentarem, porém, nessa fase estes danos não são significativos.

É comum o cascudinho-da-soja ser confundido com outro besouro, conhecido como torrãozinho (Aracanthus mourei). Nesse ponto, vale destacar que é muito importante a identificação correta do inseto para que o seu controle seja eficiente!

Conforme podemos observar nas imagens, os dois insetos apresentam diferenças na sua morfologia, como nas antenas e na cabeça. O torrãozinho é “parente” do bicudo-do-algodoeiro, e por isso tem a cabeça prolongada. 

A confusão entre os dois insetos afeta diretamente o manejo de pragas da lavoura, e por levar ao uso incorreto de medidas de controle, impacta direta e negativamente a produtividade e a lucratividade da área.

Danos causados pelo cascudinho da soja

Os adultos são polífagos, ou seja, atacam várias espécies, como braquiária, fedegoso, amendoim bravo, feijão e milho. Na soja, o ataque geralmente ocorre na fase inicial da cultura, e os danos têm maior intensidade quanto mais jovem for a planta.

Poucos dias após a emergência, a praga fica localizada na base do caule e causa o tombamento e a morte da plântula. Se durante essa fase houver falta de chuva, o desenvolvimento das plantas fica comprometido, e os danos ficam ainda mais severos.

Por isso, o principal impacto dessa praga na lavoura é a redução do estande de plantas, o que afeta diretamente a produtividade da área total. 

Além disso, as plantas podem apresentar um desenvolvimento inicial reduzido, seguido por amarelecimento, murcha e morte. Estes sintomas podem ocorrer em grandes reboleiras de forma aleatória na lavoura.

O cascudinho consegue permanecer no solo na forma de pupa por até sete meses durante períodos de seca, sendo que o adulto emerge somente quando houver condições adequadas.

Embora os danos mais significativos ocorram na fase de plântula, o cascudinho também pode prejudicar a planta em estágios mais avançados, atacando os pecíolos e as hastes mais finas, que murcham e secam.

Como controlar o cascudinho da soja

Já sabemos que o cascudinho é uma praga que afeta a lavoura de soja nos primeiros dias após a semeadura. Por isso, é fundamental a identificação desta praga logo no início.

Alguns indicativos de que o cascudinho está presente na lavoura são:

  • Plântulas sem o ponteiro;
  • Plântulas com a haste principal decepada;
  • Folíolos pendentes na planta ou folhas inteiras caídas no solo (servem de abrigo para os adultos);
  • Constatação de insetos adultos em plantas em estágio de florescimento.

Monitoramento

O monitoramento é a primeira ferramenta de manejo que deve ser adotada para combater essa praga, e deve ser realizado com base no Manejo Integrado de Pragas (MIP). Para isso, o pano de batida é uma maneira simples e eficiente para realizar o monitoramento.

O nível de controle para o cascudinho-da-soja ainda está sendo estudado. Porém, a realização do pano de batida continua sendo essencial para o monitoramento.

Controle químico e biológico

O controle desta praga ainda é um desafio. O inseto adulto se abriga na palhada durante as horas mais quentes do dia. Isso complica um pouco seu controle, pois o cascudinho fica protegido, dificultando que o produto entre em contato com ele. 

Uma das ferramentas mais indicadas e eficientes para o controle do cascudinho é o tratamento de sementes. Essa prática é indispensável, pois protege a cultura na fase mais crítica ao ataque da praga, que são os primeiros dias após a emergência.

Somado a isso, é importante realizar o manejo químico, em associação ou não com produtos biológicos, na fase inicial da cultura, quando a planta ainda estiver com o primeiro par de folhas.

Para aumentar a eficiência das pulverizações, é recomendado realizar as aplicações nos horários mais frescos do dia ou à noite, quando a praga está mais exposta.

Atualmente não há evidências de inseticidas eficazes no controle do cascudinho, sendo necessário adaptar doses e misturas. Alguns dos princípios ativos que vêm sendo usados com bons resultados são o fipronil, clorpirifós e thiametoxan e imidacloprid.

Estudos indicam que produtos biológicos à base de bactérias e fungos entompatogênicos em associação com inseticidas químicos têm demonstrado grande potencial no combate do cascudinho.

É muito importante sempre rotacionar os princípios ativos dos inseticidas. Além disso, o controle de plantas daninhas e plantas tigueras de milho na área auxiliam para evitar que o inseto permaneça abrigado e se alimente destas plantas.

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Conclusão

O cascudinho-da-soja é uma praga que ameaça a produtividade das plantas. O seu controle ainda é um desafio, mas algumas medidas como o tratamento de sementes e o manejo de invasoras e tigueras de milho, auxiliam no combate ao inseto.

Não deixe de realizar o monitoramento da lavoura, pois os danos causados pelo cascudinho acontecem na fase inicial do desenvolvimento da cultura. 

Dessa forma, o melhor caminho a ser seguido para combater o cascudinho é realizar a identificação correta, fazer as aplicações nos horários indicados e adotar técnicas preconizadas pelo manejo integrado de pragas.

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Ácaro-branco na lavoura? Veja como manejar essa praga

Ácaro-branco: saiba como identificar a presença na lavoura, quais as condições ambientais favoráveis, como monitorar, qual acaricida usar e mais!

O ácaro-branco é uma praga agrícola que tem causado grandes danos em grandes culturas nas últimas safras. Essa é uma praga capaz de se alimentar de muitas espécies diferentes. Além disso, ela está presente em diversas regiões produtoras do mundo. 

Essa praga possui enorme potencial de dano, especialmente pela redução do porte das plantas. Ainda, pode ser confundida com outras pragas, doenças, fungos e vírus. Justamente por isso, é importante estar ciente das características dessa praga.

Neste artigo, entenda os sintomas causados pelo ácaro-branco e veja quais são as condições ambientais favoráveis. Aproveite a leitura!

O que é o ácaro-branco?

O ácaro-branco é uma espécie de ácaro encontrada nas mais importantes culturas agrícolas. Ele é muito semelhante ao ácaro-rajado, embora seja menor. Ainda, essa praga polífaga também pode ser reconhecido como:

  • Polyphagotarsonemus latus;    
  • Hemitarsonemus latus;
  • Neotarsonemus latus;
  • Tarsonemus latus;
  • Tarsonemus phaseoli.
acaro-rajado
Diferenças visuais entre o ácaro rajado à esquerda, e o ácaro-branco a direita 
(Fonte: Salvadori, 2007)

Embora possa parecer que o ácaro-branco seja uma das novas pragas da soja, a sua ocorrência já foi registrada em safras anteriores. Isso principalmente em função das condições ambientais favoráveis em algumas regiões do país.

No entanto, a novidade em relação à ocorrência da praga é a alta frequência e as grandes áreas em que tem sido registrada. Por isso, produtores têm estado em alerta.

Seu ciclo de vida é extremamente rápido: de ovo até a fase adulta, são entre 5 a 8 dias. A oviposição é realizada principalmente na face inferior das folhas e o ciclo de vida é composto por três fases principais: ovo, larva e adulto.

O ácaro-branco possui coloração pálida amarelada ou verde amarelada, dependendo da espécie em que é utilizada para alimentação. Ainda, o ácaro-rajado é muito pequeno. Já os ovos são alongados e transparentes, possuindo pontos brancos. 

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Como diferenciá-lo dos outros tipos de ácaro e doenças?

Uma das características observadas no ataque do ácaro-branco, diferente das viroses, é a sua distribuição uniforme ao longo da lavoura. Ou seja, há diversas plantas próximas afetadas, distribuídas ainda em reboleiras pequenas ou grandes.

Em ataques mais severos, é possível ocorrer a queda de folíolos. Além disso, pode haver o bronzeamento das hastes, da face inferior das folhas (exceto as nervuras), dos pecíolos e das vagens. Outro diferencial do ácaro-branco é não formar teias nas folhas lesionadas.

É possível diferenciar danos causados por ácaro-branco de outras viroses ou doenças causadas por fungos cortando a haste da folha. Faça isso no sentido longitudinal e analise o aspecto visual interno. 

Quando o ataque está sendo causado pelo ácaro-branco, diferentemente das doenças, a coloração interna será normal. Já nas doenças que afetam a haste principal, pode ser observado o escurecimento interno dos tecidos.

Dada a preferência por tecidos jovens, a época de maior infestação do ácaro-branco é a época de crescimento intenso das culturas. Isso acontece principalmente na fase vegetativa.

Quais as condições ambientais favoráveis para a praga?

Para a maioria dos ácaros, as condições ambientais favoráveis para ocorrência são períodos secos. Por outro lado, para o ácaro-branco, as condições ambientais favoráveis são opostas.

Períodos de alta nebulosidade, com chuvas associadas a temperaturas elevadas favorecem a explosão da infestação em áreas de produção.

Para a cultura da soja, essas condições climáticas ocorreram especialmente em parte da Região Central do Brasil. O mesmo vale para os estados do Sul do Brasil. É importante ressaltar que o ácaro-branco pode causar problemas em estufas de produção.

Afinal, ele é sensível a baixas temperaturas, não resistindo ao frio.

Danos do ácaro-branco na soja, no café e no algodão

O ácaro-branco é uma praga de grande potencial de dano. Em outros países, por exemplo, já foi relatado causando redução de 50% da produção de feijão. Para a cultura do algodão, é considerada uma praga importante na África tropical e em regiões produtoras do Brasil.

Segundo dados da Cabi (Centro Internacional de Biociência Agrícola), o ácaro-branco está amplamente distribuído no mundo, e é capaz de afetar as seguintes culturas de interesse:

Esse ácaro na soja também reduz a distância entre os entrenós, diminuindo assim a estatura da leguminosa. Como consequência, as plantas próximas acabam por sombrear as plantas afetadas, reduzindo ainda mais o seu potencial produtivo

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Sintomas do ácaro-branco em infestação severa, com bronzeamento da haste principal e redução da estatura da planta
(Fonte: Roggia, 2023)

No algodão, o ácaro-branco é considerado uma praga importante em anos chuvosos e de altas temperaturas. O ataque ocorre principalmente após as adubações foliares ou nitrogenadas, desde que coincidam com as condições ambientais favoráveis. 

Os danos provocados pela alimentação do ácaro resultam em aspecto brilhante da face inferior das folhas e retorcimento das folhas para cima.

Em decorrência do desenvolvimento anormal das folhas, há redução do número de maçãs. Isso impacta negativamente a qualidade das fibras produzidas. 

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Aspecto das folhas de algodoeiro após o ataque do ácaro-branco
(Fonte: Tomquelski, 2020)

No ácaro-branco provoca a formação de rugosidades sobre a superfície da folha, além de distorção das folhas e brotos novos. As folhas também podem apresentar aspecto bronzeado, assim como os ramos.

Na imagem abaixo, você pode conferir o aspecto visual da presença dessa praga nas folhas de café.

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Danos causados pelo ácaro-branco em café
(Fonte: Nelson, 2023)

Como se livrar do ácaro em plantas?

O controle do ácaro-branco deve ser feito quando 20% das folhas apresentarem sintomas característicos da sua presença até o período em que a floração se inicia.  Por isso, um bom monitoramento da praga deve ser feito.

Para isso, você pode amostrar 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura. Não se esqueça de investigar ainda aquelas plantas com crescimento anormal, principalmente presentes em reboleiras. Vale lembrar que a visualização do ácaro, mesmo com lupa, é difícil.

Existem poucos produtos registrados para controle do ácaro-branco. Entretanto, a praga ataca principalmente os pontos de crescimento da planta, o que pode ser um ponto a se considerar.

Quando a planta estiver em estádios de desenvolvimento mais avançados, o controle já não é mais tão necessário. Nesses estádios, as folhas estão expandidas e as estruturas reprodutivas já estão formadas. 

Nessa situação, com ausência de tecidos novos presentes na planta, a população da praga tende a reduzir significativamente de forma natural. No Agrofit, podem ser consultados diversos acaricidas para diferentes culturas

Além disso, fazer o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fundamental para garantir um bom controle na lavoura.

Consulte sempre um(a) agrônomo(a) para recomendação do melhor controle. Faça isso especialmente quando outras pragas estiverem ocorrendo, otimizando assim as aplicações. 

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Conclusão

O ácaro-branco é uma praga de ampla distribuição mundial e potencial de danos.

Seu controle é realizado principalmente com acaricidas. No entanto, deve ser realizado assim que a praga foi identificada em porcentagem que justifique o seu controle

Ainda, observe em que estádio de desenvolvimento da cultura a praga está ocorrendo. Assim, você consegue acertar na tomada de decisão sobre quando aplicar o acaricida ideal.

Restou alguma dúvida sobre o ácaro-branco? Se você conhece outros produtores com essa praga na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo com eles.