Colheita de algodão 2019: Situações dos estoques, últimas notícias sobre os preços, como está o mercado e quais suas expectativas

O algodão é cultivado em 35 milhões de hectares no mundo todo, com uma produção de 25 milhões de toneladas. 

Na safra passada, só o Brasil correspondeu a 6% de toda essa produção, com grande crescimento nas últimas temporadas.

No entanto, as baixas que os preços pagos pelo algodão têm tido podem desacreditar produtores e dificultar o estabelecimento dos 1,5 milhões de hectares plantados pelo Brasil para as próximas safras.

Nesse texto veremos como esses preços são estabelecidos, como estão os preços, as expectativas para a colheita de algodão 2019 e quais tendências de mercado!

Formação dos preços para a colheita de algodão 2019  

Os preços do mercado mundial de algodão são influenciados principalmente pela produção e consumo da fibra; pelo estoque mundial; mercado futuro e respectivas especulações. 

colheita algodão 2019

Disponibilidade de pluma no mercado mundial (em mil toneladas)

(Fonte: Conab (USDA); *estimativa, **projeção)

Quanto maiores os estoques mundiais, menores as variações nos preços, pois mesmo com baixa produtividade, a indústria ainda pode se manter.

Adicionando a dinâmica do mercado futuro a essa formação dos preços, temos o fator tempo ditando as regras.

Se as previsões dos estoques tendem a diminuir nos próximos anos, os preços dos contratos futuros tenderão a aumentar. 

Após 2015, a China diminuiu sua política de aumento do estoque. Isso fez com que os preços no mercado mundial variassem mais livremente e subissem num primeiro momento.

colheita algodão 2019

Preço do algodão (dólar/Libra Peso) no mercado mundial

Conversões:

1 libra-peso = 0,453597 quilo

De libra-peso para arroba: multiplique o preço em reais por 33,069

De arroba para libra-peso: divida o preço em reais por 33,069

De libra-peso para quilo: multiplique o preço em reais por 2,2046

De libra-peso para tonelada: multiplique o resultado obtido em quilo por 1.000

(Fonte: Adaptado de Cepea)

O pico que os preços atingiram em 2018 foi influenciado pelas estimativas da diminuição expressiva dos estoques mundiais e previsão de produção menor na safra 2018/2019.

Porém, não foi isso que aconteceu. Os estoques não diminuíram como o esperado e os EUA colheram sua maior safra em 15 anos. Isso ajudou na queda dos preços que os produtores enfrentam hoje.

Atualmente, os estoques estão em 67% do consumo. Mesmo assim, diante da guerra comercial entre EUA e China, os norte-americanos poderão ter dificuldade no escoamento da produção, mesmo com aumento de 19,8% em relação à safra anterior.

Colheita de algodão 2019

O Mato Grosso, estado que corresponde a 66% da área plantada de algodão no Brasil, colhe a toque de caixa. 

As máquinas estão trabalhando dia e noite para que a área possa estar preparada a tempo para a safra de soja.

Na colheita de algodão 2019, o estado colheu 67% da área até a segunda quinzena de agosto. A Bahia, segundo maior produtor do país, colheu 75% da área.

Nos últimos cinco anos, o Brasil se consolidou como o segundo maior exportador mundial de algodão, com mais de 1 milhão de toneladas de pluma exportadas.

Mas, junto a isso está a grande responsabilidade e o grande desafio que é se manter nesse espaço conquistado.

E esse desafio já se mostra neste ano. As baixas nos preços deixam o setor incerto quanto a aumento ou retração da área plantada.


colheita algodão 2019

Maiores exportadores de algodão do mundo em 2018 (milhões de toneladas)

(Fonte: Adaptado USDA)

>> Leia mais: “Preço dos fertilizantes 2019: Tendências e expectativas do mercado

Últimas atualizações do mercado do algodão 2019

A comercialização de algodão em pluma foi lenta em todo o mês de agosto, segundo informações do Cepea.

Em geral, foram priorizados os embarques de contratos destinados aos mercados interno e externo. 

Dessa forma, com boa parte da produção já negociada, os produtores ficaram mais focados na colheita e beneficiamento da safra 2018/19. 

O comportamento dos vendedores nesse último período não recuou quanto aos valores pedidos, mesmo para os lotes com alguma característica especial, como micronaire. 

Já os compradores, se mantiveram comprando pouco, apenas para atender necessidades imediatas, ou apenas usando o que já tem estocado.

No mercado spot, os comerciantes estão mais ativos para aquisições de lotes, já que precisam atender a programação.

Outras negociações lentas em agosto foram as “casadas”, especialmente porque há dificuldades em acordar os preços e a qualidade da pluma. 

Com todo esse cenário, mais a previsão de alta produção de algodão e altos estoques, pelo quarto mês consecutivo (entre 31 de julho e 30 de agosto), o Indicador do algodão em pluma Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, caiu 1,46%. 

No acumulado do ano (de 28 de dezembro a 2 de setembro), a baixa é de 19,83%.

Agentes do mercado afirmam que essa situação não surpreende, já que ciclos positivos e negativos fazem parte da atividade agrícola. 

O ideal é que o produtor garanta a produtividade e, principalmente, sua rentabilidade, conseguindo enxergar seus custos e ganhos da melhor maneira possível.

Características da produção de algodão

O algodoeiro é uma planta típica de regiões áridas e, apesar de ser cultivada como planta anual, seu ciclo de vida é perene.

Ou seja, o algodoeiro “pensa” como planta perene… Isso quer dizer que a planta não matura de maneira uniforme e a produção dos botões florais competem o ciclo todo com outros drenos fortes.

Além disso, temos um outro problema, o foco biológico da planta de algodão não é produzir fibra, mas sim sementes. 

Dessa forma, a energia e os fotoassimilados que irão para a fibra chegarão ao seu destino apenas depois de passar por todos os outros órgãos vitais e de maior “interesse” da planta. 

E como isso impacta a produção do algodoeiro? 

Qualquer condição que reduza a produção de fotossíntese na fase de maturação da fibra irá impactar imediatamente na qualidade e na quantidade de fibra produzida.

Com essas informações, vamos entender um pouco o sistema produtivo de alguns dos maiores produtores mundiais de algodão.

A China é o maior produtor e consumidor da fibra de algodão. O país é um polo da indústria têxtil e sua produção não supre toda a demanda.

A cotonicultura na China é, em grande parte, dependente de mão de obra agrícola. O uso de máquinas é pouco expressivo e boa parte das áreas são semeadas e colhidas quase de forma manual. 

Mas, apesar disso, a China cultiva o algodão em regiões secas e faz o uso de uma forma de irrigação bem mais barata que nossos pivôs: a irrigação por canais ou drenos.

Nos EUA, apesar do sistema de produção ser 100% mecanizado, também se cultiva algodão em regiões secas, com irrigação por drenos.

Isso quer dizer que o algodão brasileiro, que ainda é, em grande parte, dependente das chuvas para a produção, fica exposto na fase de maturação da fibra, ao contrário desses outros dois países.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), apenas 3% das áreas irrigadas do país são cultivadas com algodão. O que representa cerca de apenas 40 mil hectares dos 1,5 milhões destinados à cotonicultura no Brasil.

Conclusão

Enquanto outros países diminuíram sua produção, o Brasil conseguiu aproveitar a demanda chinesa em meio à guerra comercial com os Estados Unidos.

A área plantada com algodão cresceu quase 100% nos últimos 20 anos. Contudo, as baixas dos preços nos últimos meses podem afetar a consolidação dessas áreas no Brasil.

A projeção de menor safra neste ano e aumento das importações na Ásia podem ajudar a alavancar os preços. Mas a queda do petróleo pode segurá-los.

Deste modo, o desafio da cotonicultura brasileira está em consolidar novas áreas da lavoura e fazer gestão para garantir rentabilidade. 

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