Colheita mecanizada do algodão: confira os erros mais frequentes e como corrigi-los para evitar perdas na lavoura

A colheita do algodão é uma fase crítica para assegurar boas rentabilidades na venda, pois fibras danificadas podem acarretar perdas na qualidade.

Para evitar erros comuns nessa etapa da produção, há alguns pontos que merecem atenção.

Mas você sabe quais fatores podem influenciar na colheita mecanizada do algodão? Sabe qual é a velocidade ideal da colhedora? Confira tudo isso e muito mais a seguir!

Principais erros na colheita mecanizada do algodão

A qualidade da fibra e o sucesso da lavoura de algodão estão muito relacionados às boas práticas de manejo. 

E alguns dos erros mais comuns na colheita mecanizada do algodão são:

  • velocidade inadequada da colhedora;
  • presença de daninhas na colheita;
  • altura das plantas (que deve estar entre 1 m e 1,3 m);
  • erro na utilização de desfolhantes e maturadores;
  • falta de sistema de contenção de incêndios.

Vou explicar melhor cada um deles a seguir!

Como evitar perdas na colheita mecanizada do algodão

As perdas na colheita do algodoeiro podem ser evitadas de acordo com a velocidade da máquina e tempo correto para entrada na lavoura. Isso porque o hábito de crescimento é indeterminado e a qualidade das fibras pode ser prejudicada se o manejo não for o ideal.

As perdas podem ocorrer de várias formas na colheita, desde perdas de algodão que fica no solo e não é coletado pela colhedora até aquele que fica na planta após a passagem da máquina. Essas perdas são classificadas como quantitativas.

Já as perdas qualitativas se referem:

  • à maturação inadequada das plantas;
  • ao excesso de umidade no momento da colheita;
  • à variação no comprimento e elasticidade das fibras; e
  • aos problemas na coloração (devido à presença de poeira ou má regulagem dos equipamentos).

A colheita deve ser realizada, de preferência, com os frutos a 12% de umidade e entre 90% e 95% dos capulhos abertos.

As velocidades podem variar de acordo com modelo da colhedora, mas recomenda-se velocidades entre 3,5 km/h e 8 km/h.

Geralmente, velocidades mais elevadas acarretam quedas dos capulhos no chão e também maior coleta de impurezas, ocasionando perdas na qualidade.

É desejado que, no momento da colheita, haja insolação e total escassez hídrica, uma vez que a qualidade das fibras pode ser prejudicada pela umidade.

As perdas de colheita podem variar de 5% a 15%, sendo que, segundo alguns autores, são valores aceitáveis entre de 6% e 8%. Por isso, é essencial realizar avaliações em campo e, se necessário, regular novamente as colhedoras ou capacitar melhor os operadores.

Fatores que influenciam a colheita mecanizada do algodão

A presença de plantas daninhas atrapalha muito no momento da colheita e ainda pode afetar a qualidade das fibras colhidas.

Pode-se optar por uma dessecação das daninhas antes da colheita para facilitar e alcançar melhor rendimento operacional.

A aplicação de reguladores de crescimento é fundamental para uniformizar o processo de maturação e garantir plantas nas alturas de 1 m a 1,3m, uma vez que estes produtos atuam diretamente na altura das plantas e no tamanho dos internódios.

A utilização de desfolhantes e maturadores deve ser realizada também, pois as folhas podem causar aumento de umidade e manchas nas fibras do algodão.

foto do meio de um campo de algodão pronto para colheita

(Fonte: Embrapa)

Os desfolhantes podem ser aplicados quando 60% a 70% dos capulhos já estiverem abertos. Isso assegura a queda das folhas e finalização de abertura dos capulhos, facilitando a colheita.

Já no caso dos maturadores, devem ser aplicados quando 100% dos frutos atingirem a maturidade fisiológica.

Os desfolhantes e maturadores auxiliam no desempenho operacional das colhedoras, pois as fibras sofrem menos contaminações e apresentam maior qualidade para comercialização.

A presença de um sistema de contenção de incêndios também é fundamental, pois como há baixa umidade das fibras e alta temperatura no campo, os riscos de incêndio na cultura do algodão são elevados.

Atrasos na colheita também geram maior perda em pré-colheita, visto que os capulhos caem em maior quantidade no chão e a qualidade da fibra pode ter alteração na coloração.

Principais máquinas utilizadas na colheita de algodão

Com a massificação das máquinas aplicadas às lavouras, tanto a semeadura quanto a colheita do algodão foram facilitadas.

Os grandes plantios comerciais dessa cultura e a escassez de mão de obra qualificada nos campos de algodão contribuíram para a mecanização em larga escala nas lavouras.

As colhedoras automotrizes auxiliaram na redução de custos operacionais e melhorias nos rendimentos quando comparadas à colheita manual, que antigamente era muito comum. 

A colheita pode ser realizada com colhedoras automotrizes de fusos, mais conhecidas como picker, ou pelas colhedoras do tipo stripper.

Colhedoras picker

As colhedoras do tipo picker retiram apenas o algodão em caroço dos capulhos abertos, sem puxar as casquilhas, com o auxílio dos fusos em rotação.

Elas geralmente são mais as mais utilizadas e as mais caras quando comparadas às stripper, principalmente no momento de sua aquisição e nas manutenções preventivas e corretivas.

As vantagens das colhedoras de fusos são a alta capacidade de colheita, podendo trabalhar em velocidades entre 5 km/h e 6,5 km/h. Além disso, permitem obter produtos de melhor qualidade.

Um exemplo de colhedora desse tipo é a John Deere 7760, que pode ser operada a velocidade média de 6,8 km/h

Foto de uma Colhedora picker John Deere 7760

(Fonte: Tama)

Essa colhedora possui um sistema de polietileno que envelopa os fardos de algodão em rolos que, dependendo da umidade, podem chegar a pesar de 2.000 Kg a 2.600 Kg.

Essa tecnologia de enfardar em rolos cilíndricos permite que a colhedora realize uma colheita contínua sem precisar realizar paradas para descarregamento do algodão colhido. 

Colhedoras stripper

Já as colhedoras do tipo stripper possuem capacidade de retirar os capulhos inteiros e geralmente são mais utilizadas para produções de algodão de baixo potencial produtivo.

foto de uma colhedora stripper da Agroads - colheita mecanizada de algodão

(Fonte: Agroads)

As colhedoras tipo stripper possuem um conjunto de dedos formando um pente, um molinete, um caracol e dutos com jatos de para transportar o algodão até os sistemas de limpeza.

Nestes modelos de colhedora, a colheita geralmente ocorre com o molinete batendo nas plantas do algodoeiro. Os capulhos e as brácteas acabam sendo coletadas para limpeza e processamento pelas máquinas.

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Tecnologias aplicadas à cultura do algodão

Atualmente, temos muitas tecnologias que podem ser aplicadas na cultura do algodão e auxiliar no melhor manejo de colheita.

No campo, é possível encontrar em uma mesma planta de algodão, flores, botões florais, capulhos e frutos, uma vez que o hábito de crescimento das plantas é indeterminado. 

Os sensores óticos podem ser utilizados para realizar levantamento de informações para aplicações de insumos na lavoura de modo a unificar a maturação das plantas e assegurar melhores rendimentos na colheita. 

Os mapas de NDVI e NDRE podem ser utilizados na cultura do algodão para orientar aplicações de nitrogênio ou de regulador de crescimento na cultura.

Os mapas são excelentes ferramentas para orientar idas à campo e aplicação em taxas variadas orientadas pela biomassa presente em cada porção das lavouras.

Em talhões com menores valores de biomassa, pode-se ir a campo checar a necessidade de aplicação de nitrogênio nessas áreas e uniformizar o crescimento das plantas.

Já em área com maiores valores de biomassa, a alternativa pode ser pela aplicação de um regulador de crescimento para assegurar maior produtividade.

Você também pode usar um software agrícola para realizar todos esses processos de forma integrada.

No Aegro, por exemplo, você obtém mapas NDVI e verifica a incidência de pragas na lavoura. Além disso, o software te ajuda a organizar as atividades de manejo e gerenciar o uso do maquinário no campo.

controle de atividades no Aegro

Cronograma de atividades de safra no software Aegro

Com esta tecnologia, fica mais fácil de controlar a colheita nos seus talhões e garantir uma safra de algodão mais rentável.

Conclusão

A colheita mecanizada do algodão permitiu melhor rendimento operacional comparado com a antiga colheita manual.

As perdas na colheita dessa cultura podem variar desde o ponto de maturação, devido a seu hábito de crescimento indeterminado, até as regulagens das máquinas utilizadas.

Neste artigo, abordamos quais os equipamentos mais utilizados e a velocidade ideal para a operação.

Além disso, também tratamos de outros fatores que podem influenciar a colheita, que deve ser realizada de acordo com as boas práticas agrícolas apresentadas!

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Quais são os problemas que você enfrenta na colheita mecanizada do algodão em sua propriedade? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.